The Blood of Olympus
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A Different Warrior - Candice Hartmann

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A Different Warrior - Candice Hartmann

Mensagem por Candice Hartmann em Dom Maio 31, 2015 11:10 am











don't you remember?
I don't forget my past
» Candice Hartmann
CRIATIVA - DISCIPLINADA - PACIENTE

❝Daughter of the sea❞




Ela nasceu em meio a um inverno rigoroso de Williansport, Pennsylvania - EUA. Nevava, era uma madrugada escura e foram horas e horas de um parto cansativo e no qual Amelie desejava (e fazia de tudo o que podia) que tudo ocorresse bem e que a criança nascesse com vida e saudável. O parto foi feito dentro de um quartinho pequeno, com apenas uma vela acesa e uma parteira que gritava para que a mulher fizesse cada vez mais força. Loye estava ao lado da mulher, dando todo o apoio necessário e sempre a auxiliando com frases positivas. E em meio a gritos e dores, o bebê finalmente saiu do conforto do ventre. E é aqui que a história começa.
ㅤㅤCandice cresceu entre Loye e Amelie. Desde pequena sabia que não era filha do homem ruivo, mas era tratada como uma filha como se fosse fruto do casamento de ambos. Não cresceu em um berço de ouro de uma família nobre - na verdade, isso seria tão clichê quanto dizer que “o bem sempre vence”. A família era numerosa - entre vários tios, tias e avós e primos e primas, e mesmo assim, Candice sempre sentia que ali não era seu lugar. Entre seus irmãos, era a mais peculiar: eles tinham os cabelos ruivos, como Loye. E os olhos eram de um tom ocre, intensos, ou verdes, como Amelie ou Loye - e eles tinham também as expressões brutas de Loye. Eram as misturas sempre perfeitas da família Hartmann e Conteville. Ela, no entanto… Tinha os castanhos  castanhos - como sua mãe, e de feições delicadas. E os olhos… Azuis e intensos, atentos e sempre brilhantes. Amelie costumava lhe dizer que seus olhos transmitiam algo de seu pai - embora Candice sempre fosse quieta.
ㅤㅤCom o nascimento dos irmãos, Candice começou a ser tratada de maneira diferente. Não era mais como uma filha, mas como uma hóspede indesejada em casa. As brigas começavam em casa, geralmente com Loye bêbado. Enquanto os irmãos estudavam em escolas particulares, a Candice cabia apenas o ensino público. A menina não participava de nenhum grupo além da Liga de Baseball, um time oficial da cidade - e era o único lugar em que a menina realmente se sentia bem. Tinha dezesseis anos e já havia sido expulsa de oito escolas, uma vez que situações complicadas surgiam quando ela menos esperava - havia ainda o fato de que ela, não necessariamente, sempre parecia estar no lugar errado, na hora errada. Ou que era um imã para problemas.
ㅤㅤO diagnóstico da dislexia e do déficit de atenção veio aos treze anos, após uma série de conversas com o orientador escolar, diálogos entre Amelie e Loye, e, também, muitas consultas a médicos. Precisou frequentar um psicólogo, uma vez que o orientador (O Sr. Marshall, um velhinho curioso e gentil com a menina) dizia que a menina era isolada demais dos seus amigos. E, o que antes era facilmente insuportável já começava a se tornar um incômodo sem fim e Candice não sabia mais até quando iria aguentar toda aquela situação. E tudo se agravou quando, depois de algumas conversas escutadas atrás de portas, percebia que Loye estava começando a convencer Amelie de que Candice era um ser que não merecia tanto carinho, atenção e, quem dirá, viver sobre o mesmo teto que eles.
ㅤㅤFoi em uma surpreendente tarde de terça-feira em que sua vida começava a mudar, aos poucos. Sua mãe havia saído para uma reunião na escola dos irmãos e Candice havia ficado, aparentemente, sozinha em casa. Chegou da escola mais cedo que o normal - uma vez que havia ganhado mais uma suspensão. Seus dias estavam contados em mais uma das escolas. A menina largou a bolsa no chão e foi seguindo até a cozinha, faminta. Esticava o braço e ficava nas pontas dos pés para alcançar a caixa de cereal quando firmes mãos a seguraram pela cintura. Candice reprimiu um grito pelo susto e, ao virar-se, percebeu que seu rosto estava centímetros de distância ao do padrasto. O forte cheiro da bebida impregnava o ambiente e era impossível dizer que aquela era uma situação confortável. Os pedidos para que fosse solta foram se transformando em fortes tentativas de empurrões, até que ela finalmente conseguisse se desvencilhar. Houve o grito do homem, começando a perseguir a menina e, derrubando-a no chão, arrastou-a para o porão da casa.
ㅤㅤAs mãos dele percorriam seu corpo com voluptuosidade, e por entre os gritos para que o homem parasse, Candice sentia ele começar a deslizar suas vestes para fora de seu corpo. As lágrimas fugiam dos olhos e os soluços começavam a escapar de si sem que a menina ao menos pudesse se controlar. O corpo de Loye movimentava-se sobre o seu, e a menina estava não apenas presa, mas visivelmente, sofrendo com tudo aquilo. A dor da humilhação era a pior. Seu corpo se debateu até o fim, implorando para que o padrasto parasse, para que ele a deixasse em paz. E, no fim, tudo foi em vão. Quando Loye levantou-se, com um sorriso de escárnio em sua face, a menina estremeceu e arranhou-lhe o rosto, revoltada. O homem ficou não apenas inconformado com aquilo, mas nervoso o suficiente para pegar a primeira coisa que tinha em alcance de suas mãos e golpeando a menina. Uma vez no estômago, duas nas costas. Os braços estavam arranhados, e pelo seu corpo inteiro encontravam-se hematomas. Ele havia não apenas tirado sua inocência, sua pureza. Havia feito com que a menina jurasse em nunca mais colocar os pés naquela casa.
     A menina sentia-se não apenas mais deslocada, como também, solitária. Suas notas - que já eram baixas - haviam caído mais ainda. Nunca foi de ter muitos amigos. No geral, as pessoas se afastavam por diversos motivos: fosse o mal humor que muitas vezes ela tinha, fosse a expressão mórbida ou até mesmo o fato de ser disléxica - e a lista apenas começava por aí. Com exceção de Lewis, um homem que trabalhava como zelador da escola onde a menina estudava. Era baixo, com uma expressão sábia e frequentemente era visto mancando. Tinha por volta dos quarenta anos e, dificilmente era pego de surpresa - sempre tinha uma resposta pronta na ponta da língua. Ele era um homem engraçado, divertido, e que muitas vezes fazia com que a menina pensasse antes de fugir, mas, daquela vez, não haveria Lewis ou qualquer outra pessoa que a impedisse.
     Sendo ele mais velho - e era a única pessoa em que a menina confiava -, por isso havia ligado para o amigo do celular da mãe, e contara que iria embora. E agora estava ali, no meio da madrugada, com uma velha mochila surrada, em frente a um casebre mal cuidado. Não sabia o porquê de ele ter sido tão ríspido, mas não poderia ir embora sem falar com o amigo. Sabia que ele vivia ali, mas em dois anos de convivência, nunca havia entrado naquilo que Lewis chamava de “residência”. Os dedos fecharam-se e ela bateu na porta uma, duas, três vezes. Chamou algumas vezes e, aparentemente, o fato de que Lewis ter ouvido sua voz foi o suficiente para que ele a abrisse. Lewis soutou um berro ao abrir a porta, olhava por cima da menina, via alguma figura, a qual Candice se limitou a olhar para entender o espanto do homem.
ㅤㅤOs olhos intensos se arregalaram em surpresa quando percebeu, com o coração quase fugindo por entre os róseos lábios, que haviam duas grandes caudas nos lugares de pernas, e que o corpo era metade serpente e metade mulher. A pele, mesmo sobre a luz do luar, era esverdeada. A última coisa que Candice conseguiu ouvir foi um silvo alto, e depois, Lewis começava a puxá-la para dentro do casebre. Candice percebeu várias latas de refrigerante mastigadas, e quando ia começar a perguntar o que estava havendo, Lewis apenas abriu a porta dos fundos, sem quaisquer explicações. Começavam a cruzar o enorme terreno, e quando ouviram um estrondo alto, perceberam que o monstro estava brandindo uma lança, destruindo o lugar.
ㅤㅤEla não queria acreditar, mas em uma situação como aquela, que outra opção tinha? Apenas correu pela casa, queria se salvar, uma vez que tinha a sensação que, se não o fizesse, acabaria servindo de refeição noturna para aquela coisa que a seguia. Lewis gritou qualquer coisa e Candice, teimosa como era, virou-se para trás. A criatura estava próxima demais, e a menina já estava cansada de tanto correr. As caudas agitavam-se, nervosas, e uma delas atingiu Lewis, que foi brutalmente lançado para longe.
ㅤㅤO medo já começava a tomar conta da situação quando as garras do monstro por pouco não a feriram brutalmente. O corpo caiu sobre o chão, e a garota apenas teve tempo de rolar para o lado, desesperada, e arrastar-se, procurando fugir de uma vez. Lewis parecia estar começando a voltar a si quando Candice sentiu as garras afiadas arranharem a perna. A calça que usava foi rasgada, e o sangue que começava a jorrar eram apenas parte da dor que ela sentia. Candice virou-se de último segundo e, repentinamente, o monstro hesitou. Assustada, a menina apenas teve tempo de aproveitar o segundo breve de hesitação para sair correndo em disparada para onde Lewis estava. Ele a encontrou no meio do caminho e a observou, assombrado.
ㅤㅤA menina não sabia, mas seus olhos tipicamente azulados haviam se transformado em uma cor púrpura intensa e que, de alguma forma, havia feito com que a lâmia parasse de atacar por poucos segundos. Não teve tempo para ouvir qualquer uma das palavras de Lewis, que tagarelava desesperado sobre como empunhar uma espada: simplesmente segurou de maneira firme o objeto e, quando o monstro se aproximou, desviou. A lança da besta foi em sua direção, mas Lewis começou a correr em direção a criatura, tentando chamar sua atenção e, antes que ela pudesse avisar para que o homem tomasse cuidado, o mesmo foi atingido pelas garras da criatura. Ela sentiu o impacto da cauda contra seu corpo e foi arremessada para longe, metros e metros de distância. Agachou o corpo e quando a cauda novamente bateu a centímetros de si no chão, acabou sendo erguida no ar. Tinha ferimentos pelo rosto e alguns no braço, e finalmente conseguiu manter-se de pé.
     A cauda veio em sua direção e a menina pulou com dificuldade, cortando o ar com a espada que carregava e que havia sido dada por Lewis. Não era tão pesada, mas era diferente do que qualquer outra coisa. Seu corpo ficou mais dolorido ainda por conta do impacto contra o chão, e quando as garras novamente tentaram a atingir, a menina abaixou-se a tempo, conseguindo assim levantar-se novamente e cortar o ar horizontalmente; a lâmina acertou o braço da lâmia, que finalmente recuou por poucos segundos e Candice aproveitou-se da situação para poder golpeá-la próxima na cauda direita. Afastou novamente o corpo e antes que a criatura tivesse realmente tempo de reagir, a menina golpeou com força uma das caudas. Olhou para o pedaço - mesmo que pequeno - que havia cortado fora e o momento em que abaixou a guarda foi o suficiente para que seu corpo novamente fosse lançado para longe. A dor passou por seu corpo inteiro e a menina avistou o monstro aproximar-se com mais velocidade, nervosa - talvez pelo pedaço do corpo que havia perdido - e quando a lâmia estava próxima, a garota rolou para o lado, novamente. Empunhou a espada, levantando-se. Primeiro usou o próprio corpo para investir contra a criatura, que mesmo que não recuara, estava próxima o suficiente. Candice cortou o ar várias vezes até que percebesse que a cauda estava com vários cortes, e o tilintar da espada contra a lança, uma contra a outra, era o suficiente para que fosse aterrorizante por si só.
ㅤㅤTomou impulso com seus pés e saltou, girando o corpo com dificuldade, mas conseguindo aplicar força o suficiente em um golpe que atingiu uma das mãos do monstro - sua cintura, porém, recebeu um profundo corte que foi o motivo pelo grito de dor que ecoara na noite. Ela voltou para trás e quando a criatura avançou novamente, foi o suficiente para que a menina deixasse a espada bem empunhada. Assim que a lâmia contra atacou com desejo na direção da menina, inclinando o corpo para frente, pronta para lhe agarrar e, talvez a devorar, Candice esperou que se aproximasse o suficiente até fincar a lâmina no pescoço do monstro. Uma nuvem de fumaça explodiu no ar, e a loira fechou os olhos, esperando para o pior.
ㅤㅤMas o pior não veio. O corpo caiu contra o chão e, a última coisa que a garota se lembrava, eram das dores que percorriam todos os membros do corpo. [...] Os olhos abriram-se com dificuldade. Ela não sabia como realmente havia chegado até ali, mas apenas sabia que o local era claro, confortável, e todo o seu corpo parecia clamar por mais algumas horas de descanso. Tinha vários curativos sobre seus braços, pernas, a cintura estava enfaixada e alguns band-aids sobre suas bochechas e testa. A dor de cabeça que a atingiu fez com que um gemido de dor escapasse e ela ofegou baixinho, tentando se movimentar. Alguém se aproximou, levou a mão até sua testa e resmungou algo. Com dificuldade, a garota abriu os olhos, piscando algumas vezes.
ㅤㅤㅤ- Onde eu estou? - questionou, novamente fechando os olhos e tentando sentar-se. Imediatamente mãos firmes fizeram com que ela novamente se deitasse e a loira apoiou a cabeça no travesseiro. Ouviu algumas vozes e esforçou-se para não resmungar diante tanto barulho. Uma voz familiar fez com que seu coração se enchesse de uma profunda esperança e, ao abrir os olhos, fitou Lewis… Mas, estranhamente, estava diferente. A primeira coisa que percebeu é que estava sem o gorro e que possuía dois chifres por entre os loiros fios. - No Acampamento Meio-Sangue, ficará bem aqui. - Ela ouviu, mas seus pensamentos estavam longe, bem além do que qualquer um deles poderia imaginar naquele momento. Por algum motivo… Aquilo tudo ainda conseguia fazer mais sentido do que “a realidade”.



❝Sou como você me vê, posso ser leve como a brisa ou forte como uma ventania, depende de quando e como você me vê passar.❞






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Candice Hartmann
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