The Blood of Olympus
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Londres

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Londres

Mensagem por Héstia em Dom Mar 02, 2014 11:17 am


Londres

Londres. Uma belíssima cidade histórica e encantadora que leva seu visitante a ama-la sem pensar se quer duas vezes em seu clima frio. Estando em Londres não esqueça de visitar a London Eye, a Torre de Londres e dar uma boa olhada no imenso relógio Big Ben.
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Héstia
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Re: Londres

Mensagem por Convidado em Seg Nov 02, 2015 9:53 pm





"Gott weiss ich will kein engel sein"
Engel, Rammstein



Quando eu era pequeno, costumava acreditar que as pessoas que morriam na verdade só estavam fingindo. Que elas fechavam seus olhos e dormiam, cansadas demais pra sequer respirar. Fatigadas demais pra responder a chamados desnecessários daqueles que os amam. Achava que eles apenas precisavam de um tempo. "Logo eles vão abrir os olhos, e então todos tomaremos um belo gole de whisky, eu escondido pela minha idade!". Por muito tempo eu via a morte dessa forma quase infantil e besta, para conter o meu medo. Aquele medo simples e puro, algo que nenhum ser humano é capaz de evitar: A morte. "A grande aventura final", como diria um velho sábio. Que bela aventura, não é mesmo? Você simplesmente morre, e então seu corpo apodrece e vira carne de verme embaixo de sete palmos de terra, num cemitério no centro de uma cidade pequenina e insignificante.

Depois que vi tantos companheiros do clã morrendo, aprendi a aceitar a morte como ela era. Algo terrível, mas belo ao mesmo tempo. Algo libertador. Sair desse mundo sujo, hipócrita e completamente caótico, para um lugar cheio de luz e vida e alegria e amor e paz... Parecia algo tão bonito, que até mesmo eu tinha deixado meu medo de lado. Nessa época, me tornei o grande ladrão que era antes de entrar no Acampamento. Fazendo missões e roubos por todo o globo, ganhando dinheiro, não importava a dificuldade da empreitada, eu sabia que, de algum modo, conseguiria atingir meu objetivo, ou morreria tentando.

E eu sabia porque tinha eles ao meu lado. Tanto Mary quanto Mark. Não havia polícia que podia nos deter. Não existia um local seguro o suficiente para nos parar. O que nós queríamos, nós tínhamos. Ponto final. Não existia câmera que Mark, apenas com seus equipamentos, não conseguisse hackear, nenhum sistema de defesa que ele não conseguisse driblar. Não havia janela ou muro alto o suficiente para os grandes saltos de Mary, seus movimentos perfeitos e complexos. Os dois irmãos tinham me acolhido como um deles. E assim fora por muito tempo. Eles tinham me ajudado quando meu tio morrera. Quando desapareci, eles continuaram me procurando, até me encontrarem, já transformado no assassino frio e cruel que sou hoje. Não me abandonaram ao saberem que era filho de um deus, seguidor de um deus da morte grego.

Tudo isso parecia culminar para este momento. Parecia que todos aqueles furtos, roubos e espetáculos juntos... Tinham me levado a esse ponto. Onde eu me encontrava não sozinho, mas com o coração sangrando. Era como nos velhos tempos... Eu no meio, Mary do lado esquerdo, Mark do lado direito... Ambos abaixo de mim... Uma placa de pedra polida grande estava bem no meio, na minha frente, onde as frases que pouco significavam agora podiam ser lidas perfeitamente:

"Aqui jazem os irmãos Mark e Mary del Fiori, ???? - 2015. Que Deus possa lhes oferecer um lugar ao seu lado, e que seus espíritos encontrem paz entre as nuvens do céu"

Um grito rouco e quase gutural escapou da minha garganta, junto com um soco que foi de encontro a lápide defronte a mim. Os dedos protestaram de dor, e os cortes começaram a sangrar quase imediatamente. "Então é isso?! Por que você levou eles, Mestre?! O que eu fiz pra merecer isso?!" Gritei contra os céus, as lágrimas descendo pelo meu rosto junto com a leve garoa que começava a cair dos céus. Mas nenhuma resposta veio. Pelo menos no momento. Longos segundos se passaram, até que o som de passos chegou aos meus ouvidos atentos, calmos, retidos, calculados... Os passos de um assassino profissional e antigo.

- Eles não tiveram escolha, Klaus. E nem eu tive. Eles precisavam ser levados... E foram.

Mil respostas passaram pela minha cabeça atormentada, mas continuei calado, o olhar fixo num pedaço de grama retorcido, constantemente regado pela chuva de lágrimas. Até que a pergunta escapou por entre os dentes cerrados.

- Quem os matou? Me deixe matá-los... Me deixe rasgá-los...

A mão fria como a de um morto encostou em meu ombro direito, e o súbito arrepio comum em momentos como aquele subiu pela minha espinha.

- A vingança não trará seus amados amigos de volta, Klaus... Nem trará paz ao seu coração...

- Se você não me ajudar, eu os caçarei sozinho. E vou torturar cada um deles lentamente antes de matá-los... Ou morrerei tentando.

- Você não vai morrer, porque eu não ordenei que morresse, Maltz. - O aperto em meu ombro apertou de leve, denunciando que tinha ido um pouco longe demais. - Você vai encontrá-los. E irá assassiná-los friamente. Eles se escondem num prédio, no centro de Londres, foi abandonado por estar quase ruindo. Ninguém entra naquele lugar sem que eles saibam... Mas certas leis não se aplicam á morte.

O hotel em questão apareceu como um flash na minha cabeça, e o coração apertou ainda mais ao lembrar das palavras de Mark: "Dizem que aí dentro escondem uma fortuna dos mafiosos... Um dia vou entrar aí". "Que idiotice, Mark..." Balancei a cabeça em negação, enquanto me levantava do chão, olhando uma última vez para a lápide das últimas pessoas que eu tinha amado no mundo. Thanatos já não mais me encostava no ombro, mas eu podia senti-lo ali, ao meu lado, sua foice pronta como a minha estava.

Era hora da vingança.

~~//~~

Um relâmpago cortou o céu e logo depois encheu o ar com seu estrondo, iluminando por breves segundos as sombras que eu me escondia, logo do lado da porta de entrada para o hotel abandonado. Duas horas observando. Aquela era a entrada, mas eles tinham uma espécie de senha, sussurrada para um guarda que destrancava a porta por dentro. Eu podia simplesmente chutar a porta e matar o guarda, mas preferia apenas matá-lo. Fazer uma entrada triunfal era mais o meu estilo. Só precisava de uma ajudinha de fora.

E naquele exato momento, a ajudinha chegava. Atravessando a rua, olhando para os lados de forma nervosa e pouco discreta. Um novato. Um novato que acabaria com todos ali dentro. Ele se aproximou da porta e parou bem ao meu lado, sem me notar encostado na parede. O homem bateu três vezes na porta, de forma rápida.

- Sim?

- Não. - Respondeu.

- Mas essa é uma senha de merda, não acha? - Sussurrei assim que ouvi a porta sendo destrancada.

Infelizmente para ambos os envolvidos, já era tarde. Primeiro a adaga entrou pelas costelas do novato, e usei seu corpo agonizante para barrar a porta, impedindo o guarda de fechar. Assim que ele hesitou, chutei com força a porta, fazendo ele cair de costas no chão. Seus olhos se arregalaram ao me ver andando na sua direção, mas ele não teve tempo de gritar. Pisei com força na garganta dele, e ele imediatamente começou a se debater, sangue saindo da boca pro chão.

O efeito da confusão foi imediato. Portas eram escancaradas ao longo do corredor, e homens e mulheres saiam de seus quartos, todos armados com armas mortais e alguns ousavam levar facas. Uma fração de segundos foi o necessário para pegar o corpo pesado do guarda já morto embaixo de mim e colocá-lo na minha frente. O som ensurdecedor de tiros e depois o nauseante de balas contra o corpo flácido. Fui andando lentamente, com calma, não expondo parte alguma do corpo. Apesar de algumas balas passarem de raspão pela perna e braço, a dor não me incomodava. Eu era um assassino nato. Imparável.

Finalmente alcancei a primeira porta. Chute no peito, passei a adaga na garganta dele. Virei-me para o homem do outro lado. Com um movimento já treinado das costas junto com as pernas, a foice se desprendeu do local onde ficava nas minhas costas, e fez um corte horizontal no peito do inimigo, que, pego de surpresa, deixou a arma cair. Joguei o guarda para a frente, interrompendo por um momento os tiros. Dois frascos caíram do meu bolso, e um nevoeiro denso se formou quando eles atingiram o chão. Imediatamente me joguei para o quarto ao lado, no exato momento em que os tiros começavam a voar pelo corredor, junto com o som de gritaria.

E então o silêncio tenso. Eles achavam que eu estava morto. Tolos. Olhei para baixo e já encontrei meu corpo invisível. Ele agia sozinho. Voltei para o corredor e andei silenciosamente por ele, passando por todos os mafiosos que olhavam com as pistolas e metralhadoras apontadas para o corredor, tensos. Seus corações batem rápido. O de Mary não bate mais. Assim que cheguei nos últimos quartos, comecei a matança outra vez. Tapei a boca da mulher e cortei sua garganta. Antes que a companheira pudesse avisar, a adaga voou contra a sua boca aberta, cravando ela na porta. O barulho chamou a atenção dos outros quatro a frente. Eles não podiam me ver. Me abaixei como uma cobra e comecei a deslizar abaixo deles, até os últimos. Repeti o processo. Os dois que sobraram tentaram correr para a saída. Um foi morto por uma adaga voadora. O outro tropeçou no primeiro e caiu de cara na própria arma, que disparou um tiro acidental. Curioso o destino.

Recuperei as adagas pacientemente e subi, de andar a andar, 5 ao todo, a matança se repetia. Os gritos invadiam os meus ouvidos mas eu não os ouvia. O sangue espirrava em meu rosto e na minha roupa, mas eu não me importava. Meu corpo e minha vingança eram um só, eles se mexiam na pura vontade de simplesmente dilacerar carnes e ossos e tendões e veias daqueles malditos traidores assassinos. Até que finalmente, atingi o último andar. Esse, apesar de ter muitas portas, estava aparentemente vazio. O que me interessava era o fundo do corredor, com uma porta dupla e decorada, com os dizeres "Gerência" numa placa logo acima. Calmo. Sem pressa. Andei devagar e abri a porta.

Não haviam dez mil soldados me esperando, atirando em mim com tudo que tinham. Nenhuma recepção calorosa.

Havia um homem, calmo, contido, sentado na mesa, as mãos entrelaçadas me olhando fixamente como se eu fosse um boneco que ele queria muito comprar com seu dinheiro sujo. Atrás da mesa, abraçadas e encolhidas contra a janela fechada, uma mulher ruiva abraçava uma criancinha, que chorava em soluços.

- Bom. Você veio me encontrar. - Disse o homem, com uma voz rouca e normal, como se fosse uma conversa casual entre amigos.

- Você tinha dúvidas que eu viria? - Perguntei, no mesmo tom que ele.

- Claro que não. Seu amigo deixou bem claro que você faria isso. Ele disse... Como era mesmo, Char? Ah sim... Que você iria cortar o meu pescoço com um estilete cego.

- A ideia parece sedutora... Mas não tenho um no momento.

O silêncio caiu sobre a sala, apenas quebrado pelo choro contido da garotinha nos braços da mãe. Até que o homem outra vez o quebrou.

- Posso lhe oferecer um whisky? Talvez uma taça de vinho?

- Vou beber algo um pouco mais doce, senhor.

- Ah, por favor, me chame de Ryan.

- Vou te chamar de cadáver. - Respondi, num tom perigoso, ao qual ele riu.

- Ora, quanta audácia! Veja, meu caro, você matou cada um dos meus homens lá embaixo, uma verdadeira matança... Não existem saídas para mim nesse quarto. Você venceu! Eu já estou morto e enterrado, se me permite. Que mal faria tomarmos um vinho juntos?

Rápido e silencioso como o vento, saí do lugar que estava e voei contra o pescoço de Ryan, virando ele contra a parede, a adaga brilhante e suja de sangue de vários outros homens encostando na garganta morena dele. A voz saiu sibilante e baixa.

- Cale a boca, seu assassino nojento e frio.

- Não!

Meu olhar caiu para a dona da voz. A garotinha tinha aparentemente saído dos braços da mãe, que me olhava aterrorizada. A criança também me olhava, meio assustada e meio determinada, como se já não tivesse tanta certeza de que aquilo tinha sido a melhor ação.

- Deixa o meu pai em paz!

- Mary, volte pra sua mãe! Agora!

Imediatamente eu soltei o homem, olhando a criança atentamente. Os olhos verdes. O cabelo loiro e crespo caindo no rosto. O jeito determinado e altivo, apesar do tamanho pequeno e do seu medo penetrante. Seu nome...

- Ma... Mary?

A garotinha continuou me olhando.

- Seu nome... É Mary?

- Deixe-a em paz.

Como a quebra de um encanto, voltei a olhar para o homem atrás de mim, agora de pé.

- Não a machuque. Eu matei seus amigos. Foram minhas ordens. Deixe-as ir.

A fúria voltou a queimar meu estômago repentinamente, e a energia foi lançada em dose única e sem controle num soco, que fez o homem desmontar e cair no chão. Outro grito da criança, mas fiz o melhor que pude para ignorar.

- VOCÊ NÃO DEIXOU ELES IREM, SEU HIPÓCRITA IMUNDO! VOCÊ TIROU DE MIM TUDO QUE ME RESTAVA!

O homem virou-se de frente pra mim, seu nariz torto e sangrando. Ele não ria, nem estava nervoso. Estava apenas calmo.

- Eles tentaram roubar o que era meu. Eu protegi aquilo que eu amo, meu amigo. Me mate por isso, mas eu lhe imploro. Deixe minha mulher e minha filha viverem.

Apesar da fúria ainda queimando em meu estômago, outro sentimento começava a subir lentamente por todo o meu ser. Culpa. Mágoa. Nojo. Repulsa. O que eu tinha feito? Que tipo de monstro eu havia me tornado? Mark e Mary nunca iam querer isso! As lágrimas tomaram meus olhos de súbito, e logo escorreram pela minha face. Finalmente a mente voltou a funcionar, não por impulso da raiva, mas pela inteligência e análise rápida. Pensamento Maltz, como chamamos no clã. Levantei o homem pelo colarinho e o fiz ficar de pé. Não precisei pedir para que ele me olhasse. Ele era corajoso o suficiente para faze-lo sem que eu pedisse.

- Ryan, me perdoe. Por tudo que eu e meus amigos fizemos a você. Não devia ter matado seus capangas... Eles não tem culpa de segui-lo.

O homem me fitou em silêncio.

- Vou deixar sua filha viver. No entanto ela virá comigo. - Os olhos do homem se arregalaram. - Porque o lugar dela não é aqui. Ela é pura demais para viver com uma prostituta mafiosa. E você não vai corromper e matar outra Mary enquanto eu estiver vivo.

A respiração de Ryan foi aumentando, a ponto de parecer que ia explodir, até que ele finalmente parou, e seus olhos voltaram a me fitar calmamente.

- Creio que não haja outra escolha... E não vejo dúvidas em seus olhos... Não existe pessoa melhor para cuidar de Mary...

Soltei o colarinho do homem e andei para trás.

- Você tem cinco minutos. - E sai da sala imediatamente, fechando as portas de madeira atrás de mim.

Assim que o clique da porta soou, deslizei lentamente para o chão, até me sentar. E ali, prostrado no corredor de um local onde uma carnificina aconteceu, chorei.

E chorei.

E chorei.

Finalmente me controlei e voltei a abrir a porta do quarto. Ryan estava abraçado com sua mulher e filha. A garotinha me olhou, agora com um misto de curiosidade junto com o medo. Ela olhou para o pai, quase que implorando.

- Mas... Vocês vão ficar bem?

Ryan olhou para mim, mas não retribui seu olhar. Meus olhos estavam no homem atrás deles dois. O homem que me olhava fixamente, com um misto de pena e satisfação. Satisfação por saber que seu seguidor tinha aprendido a lição. Que tinha crescido.

- Vamos, Mary... Ele vai cuidar de você agora. - Ambos, pai e mãe, beijaram a filha e a abraçaram outra vez. - Nós amamos você, minha pequena... Agora vai.

A garotinha, mesmo hesitante, veio andando na minha direção. Ao olhá-la, meu coração se enchia de paz. Mary vivia naquela outra Mary. Ela podia muito bem ter acordado do caixão, apenas alguns anos mais nova...

- Qual o seu nome? - Ela perguntou hesitante.

- Klaus. - Respondi. - Prazer em conhecê-la, Mary... Me espera lá fora, tá bem? Do lado da porta. - Disse, olhando nos olhos dela, com um sorriso. - Eu já vou sair.

Ela apenas acenou com a cabeça e, sem olhar para trás, saiu, fechando a porta. Voltei a olhar para a mulher dele.

- Ela não precisa...

- Eu não vou viver sem minha Mary. - Respondeu a esposa, com um tom proeminente de francês. Apenas concordei com a cabeça.

- Foi um prazer conhecer você, Klaus. Cuide bem de Mary. - Disse Ryan, enquanto eu me aproximava, a foice na mão direita.

Mas eu não respondi. Thanatos apertava minha mão contra a foice. Eramos um naquele momento. Ceifando a vida de duas pessoas que, por mais sujas que pudessem ter sido em vida, tinham sido uma das melhores que eu já havia conhecido.

~~//~~

Abri a porta com cuidado e a fechei com os pés atrás de mim. A chuva tinha acabado, mas a garoa não cessava. Deixei que os pés de Mary tocassem o chão, massageando os braços por ter que carregá-la por cinco andares.

- Pode abrir os olhos agora.

A garota abriu os olhos lentamente, olhando para trás, para a porta fechada do hotel.

- Será que o Gunther tem algum chiclete? - Perguntou, indo até a porta. Eu rapidamente, mas de forma gentil, peguei a mão dela.

- Na verdade ele não tem. Eu pedi, mas ele falou que tinha acabado. - Respondi.

- Oh não... Ele fica muito bravo quando não tem chiclete de menta. - A garotinha olhou lá para cima, para a última janela. - Eu vou ver eles de novo, Klaus?

Respirando fundo, eu me ajoelhei na frente da garotinha, olhando fundo nos olhos dela. Olhando nos olhos de Mary outra vez.

- Todos vamos, Mary. E nós vamos comer muito nos campos, eu e você e eles, juntos. Eu prometo.


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Re: Londres

Mensagem por Lucca Hjelm-Østergaard em Qui Nov 02, 2017 4:35 pm

Oh gambler, look what you made him witness

Though, I suppose,
there’s no use praying 
to a dead boy


Absorto nos próprios pensamentos, Lucca tinha parte do rosto esculpido voltado para a rua espionando os corpos fantasiados e inerentes em meio a baderna; Suas mãos trocavam o cabo da foice com maestria como se movesse duas massas singulares. A capa negra estendia a estatura inteira dando razão a sua ocultação pelo local. As vozes que entrecruzam suas costas, eram pertencentes a dois de seus irmãos discutindo a respeito da captura de almas naquela noite. Como o dia foi cercado pelo sol e pelo ardor da secura, a entrada do anoitecer foi fugasteada pelas águas salgadas e frias das nuvens. O chão estava molhado, então o mais novo do trio saltou de cima da cúpula de Nossa Senhora das Dores tocando finalmente o telhado liso e úmido :

— Eles estão entre os humanos. Mas acho que assisti dois adentrarem o beco daqui detrás da igreja. - Lucca manteve a voz ociosa, afastando o tecido negro para trás do braço esquerdo certificando-se que não sofreria uma queda ao executar seu plano. Num aceno positivo, os dois mais velhos abriram espaço dentre os corpos e abrem as mãos na direção do ar livre. No sussurro de um deles, o mais franzino afastou dois pés para trás dando os ossos na sua extensão máxima para mover as pernas numa corrida de velocidade mediana. Prestes a alçar a borda do limite da área religiosa, Lucca apossa um pé e toma todo o impulso possível para se lançar ao ar e cair de forma reta dentro do beco. os braços estavam em X, junto com a lâmina afiada que acariciava lentamente uma de suas bochechas coradas e macias. 

No pouso, o som da sola do sapato foi inevitável parando duas figuras tangíveis no final do trecho. Ambas tinham olhos encovados, rostos sugados e uma leve inclinação em suas postura. Lambendo o líquido salgado da chuva, o semideus acelerou os passos observando que as mesmas moviam-se perpendicularmente uma contra a outra para fugir. Os irmãos mais velhos a gargalhadas, comemoravam a primeira missão designada ao caçula. 

Hjelm sabia que a missão não seria fácil; A começar com a separação das duas almas ao final de uma rua. O dinamarquês desfez a posição atlética inferindo um lampejo contra o ar com a arma, bem próximo de expandir um ruído aproximando a sua localização. Como o lugar não abstia de diversos pontos de ligamento, memoriou a última entrada de um dos fantasmas e foi na direção posterior onde conseguia avistar um corta-caminho facilitado. Não poderia ser tão ganancioso também, pensava, já que até mesmo o suor começava a brotar de cada lado de suas axilas. O trovão cantou contra o ar e fez disso um encorajamento, para que não abandonasse a tarefa tão cedo. 

Na praça principal, jazia apenas um chafariz escuro e morto. A água não circulava o menino pançudo e muito menos permitia o enorme kinguio de pedra cuspir uma corrente d’água. O pátio estava exclusivamente vazio onde o rapaz permaneceu parado admirando a força do vento levar as folhas para longe. Conforme as pálpebras piscam observadoras com a fachada de um edifício abandonado e complexo, sentia vontade maior em seu interior de se aventurar por ali. A luz estava ausente e com certeza, não ficaria ainda mais propenso a se molhar por baixo da garoa grossa. Calmamente, Lucca então foi adentrando a escadaria de concreto tombado tendo de usar mais um pouco da força para escalar a nova mureta e visualizar o segundo andar. A poeira e pequenos focos de areia, estavam assomados entre as arestas demonstrando que a obra havia sido abandonada há muito tempo. Após emitir um gemido de cansaço, o loiro pairou os dois dedos na altura do pescoço desfazendo o nó da capa atirando-o no chão sem cerimônia. Os braços foram tranquilamente apontados para o ar, dando um longo aquecimento e amortecimento da região lombar. Os glóbulos castanhos claros, fitaram impressionados a alegoria grudada junto ao forro do lugar. Uma pele brilhante semelhante ao prata do luar. 

Tinha um fantasma bem ali. Acima dele. 

Lucca injetando ânimo no braço canhoto, agarrou a foice e apontou justamente no momento em que a mulher se movia curiosa sobre sua presença. Os cabelos negros e lisos deixavam indefinidas todas as expressões faciais, até que a visara mover uma das mãos para cair. O corpo diferente de algum mortal ou até mesmo outros espíritos, caiu de costas contra o chão ficando de quatro com ambas as mãos torcidas para baixo e o torso para cima. Como uma prole do deus da morte, o semidivino arriscou imaginar que a morte daquela jovem havia sido violenta e atordoante; Poucos sinais em algum morto reverberavam com facilidade a sua classe, logo também concluindo que aquela que estava no chão o fitando com globos cinzas e opacos, era uma fantasma hostil. 

A luta poderia começar naquele mesmo momento, propiciando os movimentos escorregadios e arrastados do corpo feminino em medida dos pés do rapaz. Com um giro ele precisou estender o avanço do braço no manuseio e do outro para resistir o peso árduo da lâmina, atacando o eixo central do coração da espécie fazendo-a desaparecer em dois lapsos de cor; Branco, preto, cinza, preto e sumiço. O aroma que vazou pela atmosfera era o de podre, um vencimento que custou tempo para se livrar da vida. Na retirada da foice, o semideus tentou tocar com a ponta do dedo a superfície do metal sentindo-o morno e extremamente cortante. O tom púrpura do sangue brilhava entre as laterais da base negra agora sentindo um mal estar tomar conta do corpo. Apertando o peito, o mesmo sabia que estava próximo da sua vez enxergar a vida de quem acabara de ceifar contudo, não conseguia discernir grandes detalhes. A mulher foi brutalmente assassinada e durante a fuga, o precursor conseguira torcer as duas pernas e quebrar as mãos. Ela ainda esteve esperançosa em fugir, mas naquelas condições tudo que pôde fazer foi esperar que o progenitor daquele que a resgatara, a abraçasse e levasse ao mundo inferior. Isso era o ciclo de grande maioria das almas. Todas pertenciam ao rei.

Num giro de calcanhar, Lucca queria encerrar a missão noturna o quanto antes fosse possível. Tinha que achar a segunda alma e entregar a foice para os irmãos até o badalar da meia-noite, concluindo a aposta que fizeram no meio do caminho para Londres. Nesse horário ainda, o jovem garoto estava envolto por uma longa neblina de fadiga. 

Abandonando o antigo prédio comercial, Lucca escuta ruídos de patas expandirem-se a volta da área de lazer, vendo que outra alma serpenteava desta vez mais discreta próximo da folhagem. Sem paciência, o mesmo balbucia alguma coisa baixo e afasta cuidadosamente com uma das mãos, a abertura sem resistir. Cada flor parecia distanciar-se uma da outra como uma porta porta dupla faria ao afastarssem de um lado para o outro. A luminosidade tênue que contornava o pequeno corpo instruia não ser um humano. Desta vez, um animal, que quando em vida tinha pelos frondosos e loiros assim como os fiascos do cabelo do filho da morte tinha. O olfato triangular e minúsculo, o fez abrir os lábios de maneira assustada. O cachorro era dele, o primeiro filhote ganho de presente quando criança. 

Largando a arma, o mesmo tentou um avanço para tocar a sombra etérea, sentindo que a mesma despertava com lentidão o olhando. Os mesmos olhos estavam ali, porém desprovidos de emoção e vida como antes. O rapaz acanhadamente tentou erguê-lo vendo que o filhote logo reagia aos estímulos com um abanar mórbido da cauda peluda. O filho ceifeiro lamentaria a morte do cão se não houvesse sido causada por ele mesmo sob a maldição do próprio pai. Com o estimular das onze, o garoto precisou apressar o pé trazendo a foice por baixo do braço com o canino suspenso em um dos braços. Virando a esquina, assistiu uma menina sentada sob a calçada admirando o limiar da lua no topo do céu. A chuva já enfraquecida, o fez se aproximar da mesma e trocar poucas palavras. Era estranho conversar com quem já morreu. Eles perdem automaticamente todo o senso comunicativo desenvolvido durante a vida :

 — Quer dizer que o véu ficou fraco? - As íris percorriam as encostas da rua, vazia com o cumrpimento do horário da festividade. A palma branca da mão do mais velho abraçou os menores da menina levantando-a para exibir um vestido rendado e pequeno sem muitos enfeites. Ela tinha um rosto inexpressivo, lábios curvados e finos sem ornamentos. A franja bem-cortada cobria a testa de belo formato também excluindo as pequenas vistas marejadas da menininha. Lucca necessitou pensar um pouco, levantando a lâmina para cortá-la ao meio. Antes que esta mesma selasse o contato, a estatura menor da garota ficou vulnerável lançando ambos os braços dobrados para frente da face. A nuvem cinza se estendeu concluindo mais um ceifar. Aguardando a história da menor, o europeu engoliu em seco a miragem da menina se suicidando para salvar o irmão gêmeo. No compactuar da finalização, viu que o rosto infantil do outro menor na visão, era praticamente similar a quem o aguardava acima da igreja. Impressionado, ele retiraria essa dúvida ao chegar no local.

Duas almas e uma fresca entre seus braços. 

Dando-se diante com a porta da catedral, o semideus espichou os lábios para fora e admitiu um assobio agudo que alertou aos demais a sua chegada. Com paciência, aguardou que as portas fossem afastadas e desse ante a entrada principal com o altar e os bancos da assembleia. Os caldeirões apossados de água benta o rendeu uma sede insaciável e um cobiçar forçado vindo de seu paladar :

— Aí estão duas almas, manés. - Disse em timbre extensor, atirando a arma contra o chão a espera que o líder do grupo averiguasse largando o antigo mascote contra o carpete posterioemente caminhando para uma das extremidades do local. Emergindo a mão embaixo da água aproximando a concha para os lábio,s bebericou pouco a pouco o líquido observando pela rabiola dos olhos as reações alheias. Pós terminar, ergueu a face ruborizada. — Não quero capturá-lo. Ele foi meu quando criança, mas acho que o matei… - A voz vacilante adornada de dúvidas, fez com que o irmão do meio comentasse algo ignorado e surpreendentemente afetado no mais novo. Lucca sentou-se no banco mais distante, largando os próprios membros acima das coxas admirando a arquitetura bizantina da igreja :

— Vocês me pagam. - Dado a escuridão, tornava-se íngreme reconhecer suas reações em meio a profusão homogênea de uniformes. Os dois entregaram-lhe o filhote e o armamento, deixando a higiene privada para a última alma da noite. O rapaz comprimiu os lábios sentindo as pupilas irritarem-se de hesitação. O cãozinho chorou baixo, quando então o ex-dono, fechou os olhos empurrando a lâmina para atravessá-lo pelo pescoço. Como o lugar inferia uma essência sacra, o mesmo não via outro meio de acometer uma irônica frase na execução, a terceira da noite, para encerrar. 

Em nome do pai.

E do filho menor.

Amém.
 

Armas:


A Foice Lendária : Uma réplica da foice carregada pelo próprio Thanatos. A arma, apesar de uma cópia, é tão mortal quando a original, sendo feita de ferro estígio e o cabo de um material indefinido, negro e indestrutível. Cada vez que um oponente morrer por um golpe dado por esse arma, seu portador é curado em 5 HP. Semideuses que não tiverem o sangue de Thanatos e tocarem na foice terão a palma da mão queimada imediatamente. Se transforma num colar com um pingente de foice quando não está sendo usado.

Capa da Morte : Uma capa que pode cobrir o corpo todo do filho de Thanatos. Ao usá-la, o mesmo se torna invisível pelo tempo que a usar, mas note que a mesma não camufla seus passos, nem oferece proteção alguma, sendo feita de uma espécie de seda tão lisa que desliza como água por entre os dedos.
M A M A


Yes I'm Dreaming I like it. Take care of the reality. It's dark when I open my eyes. Feeling more and more soft and duvet lining. Forget about it.
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Lucca Hjelm-Østergaard
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Re: Londres

Mensagem por Diana em Qui Nov 02, 2017 5:36 pm


   
Modelo de Avaliação


   
Método de Avaliação:
   

   
Valores máximos que podem ser obtidos

   Máximo de XP da missão: 5000XP

   Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
   Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
   Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

   Realidade de postagem + Ações realizadas: 50%
   Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc: 20%
   Criatividade/Estratégia em combate + inteligência: 30%


   RECOMPENSAS: 5000 XP + 5000 dracmas + 1 Doce Roleta

   STATUS:

   HP:   100/100
   MP: 100/100

   
Comentários:

    Não houveram muitos erros durante o texto; algumas vírgulas desnecessárias , mas nada que atrapalhasse a leitura do mesmo.

   


Atualizado por Baco.
   
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Diana
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