The Blood of Olympus
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[CCFY] Ficha de Reclamação Divina

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Mensagem por Absolem Sweetheart em Seg Nov 18, 2019 7:26 pm


Coração doce

A cidade estava ficando nevada, era início do inverno. Mesmo com a forte onda de calor recorrente apresentava pequenos sinais da geada que caia sobre os paralelepípedos das calçadas, as varandas das casas de cada morador criava-se pequenas crostas brancas.  A casa de Absolem era a mais sombria do bairro, não havia decoração natalina e nem velas, nada que remetesse as vésperas que estavam por vim. Absolem estava sentado na beira da cama tomando um copo de licor de maçã enquanto folheava uma revista da playboy que encontrou dentro das coisas de seu irmão mais novo. Ele soltava pequenas gargalhadas a cada foto de mulher nua que ele encontrava.

Sua atenção foi tomada ao ouvir um forte clique de relógio bem ao pé de seu ouvido, como um sussurro. Ele olhou para um lado e para o outro e nada encontrou, deu de ombros em relação ao som, assim, voltando sua atenção a revista em suas mãos. Seus lábios estavam vermelhos devido ao pigmento do licor, vez ou outras Absolem lambia os lábios inferiores que estavam ressecados devido o contraste do frio e calor.

Tic tok, o som ecoou novamente fazendo o rapaz saltar da cama, ele olhou ao seu redor e novamente não encontrou nada. Tic tok, o som ficou ainda mais alto e a sensação do ar ficar pesado em sua volta começou a aumentar, Absolem levantou-se jogando a revista sobre a cama e correu para a sala de jantar. Naquela noite Absolem estava sozinho, seus pais haviam saído para um jantar, seu irmão estava jogando vídeo gamer na casa de um colega e sua irmã estava em uma amiga.

Ele inspirou e expirou, tic tok, o som parecia se distanciar. Estralou o pescoço, os dedos e fechou os olhos, tic tok, o som estava muito alto, tão alto como se estivesse diante do rapaz, ele abriu os olhos e as orbitas negras de seus olhos viram o que estava diante dele. Era um lindo coelho branco, ele usava um paletó preto, por dentro era azul e em sua mão direita ele possui um relógio de bolso.

– Estamos atrasados. – Dizia o coelho enquanto saltava. – Muito atrasados, venha.

– Espere senhor Coelho. – Disse o menino. – Para onde vamos?

O coelho saltava, saltava, Absolem apenas corria, o coelho era muito rápido, mas isso não impedia que o rapaz corresse atrás do misterioso animal. Então subitamente o animal parou e o jovem não teve tempo de parar, seu corpo foi de encontro com um enorme buraco no chão. Ele caiu girando, seus instintos tentavam se agarrar a tudo que fosse palpável, suas mãos se dirigiam até as raízes ao redor do buraco tentando se segurar com toda sua força, porém, as raízes rompiam como se fossem fios de cabelo. Além das raízes haviam objetos grandes como mesas, cadeiras e estantes de livros que insistiam em colidir com o rapaz. Suas costelas eram golpeadas pelas quinas das mesas, sua cabeça colidia contra vasos de flores, suas mãos tentavam se segurar nas bordas das cortinas, mas os tecidos se rasgavam como papel, por fim caiu sobre um gigantesco travesseiro branco, seu golpe contra o objeto gerou uma enorme chuva de penas brancas.

Com o corpo todo dolorido o menino ficou de pé, massageou onde mais doía, respirou fundo e impulsionou seu corpo para descer daquele enorme objeto. Seus pés tocaram o chão e ele pode sentir o ar fresco invadir seu pulmão, ele olhava para todos os cantos analisando cuidadosamente todos os detalhes do lugar estranho. Tudo era diferente do que já tinha visto, tudo era lindo e ao mesmo tempo aterrorizante.


– Onde diabos eu vim para? – Perguntou ao vento.


O local era belo, tinha enormes árvores verdes de flores coloridas, no chão ervas daninhas do tamanho de girafas cresciam em direção ao céu, o local de onde o rapaz veio não existia mais, era como se tivesse aberto um portal sem volta, ele estava preso em um lugar estranho. Tudo no local parecia estar vivo, borboletas gigantes voavam de flor em flor seus corpos pareciam bengalas doces rajadas de vermelho e branco, beija-flores voavam zumbindo por todos os lados, o sol brilhava forte e seus raios iluminavam o local. Pólen voavam por todos os lados bailando com o vento, aproximando-se dos pequenos flocos podia-se notar que eram pequenas criaturas aladas de olhos pequeninos. Ao Sul podia se ouvir o som de uma cachoeira, além de ser visível um gigantesco arco-íris de 18 cores. Cores que nunca foram vistas antes. O rapaz começou a caminhar pela floresta desviando das enormes folhas que estavam em seu caminho, o lugar parecia seduzir, abaixando e saltando os obstáculos que surgia diante de si.

Os olhos do rapaz estavam tão vidrados na natureza que ele mal percebeu quando foi golpeado por uma nevoa cinza, o cheiro forte de maconha invadia o pulmão forçando o rapaz a tossir, o cheio peculiar e enjoento do produto o deixava irritado, balançou a mão diante da face e caminhou na direção do local que veio o golpe nojento. Ele então viu algo nojento, o ser era peludo, pelos de uma ponta  a outro, suas antenas eram longas e redondas, os olhos estavam vermelhos e sua pele era azul, seu corpo anelídeo era interligado por centenas de patas vermelhas, duas dessas patas segurava um cano de narguilé, o animal tragava o produto e jogava a fumaça em forma de círculos no ar.

– Você está muito longe de casa meu jovem, muito longe. – Um jato de fumaça acertou a face de Absolem.

– Onde eu estou? – Disse impaciente.

– Ora, Ora, não sabe onde está? – A lagarta começou a ri loucamente e tossir. – Você está em Wonderland. Um mundo além do seu, você não é tão inteligente Absolem, deveria saber.

Absolem arqueou uma sobrancelha, ele já havia ouvido falar desse lugar, ele começou a ri e debochar da lagarta, olhando pro céu.

– Caramba, não sabia que aquele brownie magico que meu amigo me deu iria me dar uma viagem tão torta. Então senhor lagarta poderia me mandar de volta pra casa? Não estou achando nada engraçado – Ele cruzou os braços e fitou a lagarta. – Mas me diz que diabos é você? Como faço para sair daqui? E se continuar a jogar a porra dessa fumaça contra minha face terei o prazer de arrancar cada pata sua.

– Sua casa esta mais perto do que você acha, encontre seu proposito jovem Absolem. – O ser soprou um forte jato de fumaça e Absolem quase ficou cego com o golpe, quando o nevoeiro sumiu ele estava completamente só. Cerrando os punhos ele golpeou sua própria coxa em sinal de livramento da raia, respirou fundo e liberou o ar com força pelas narinas. Com as pontas dos dedos tocou sua tempora e esfregou tentando relaxar.

– É tudo uma viagem do brownie, já, já vai passar. Vou curtir a viagem e ver no que vai dar.

Então novamente ele estava só, ele se sentou em um cogumelo e ficou pensando no que teria que fazer. Absolem se sentia frustrado e de mãos atadas, literalmente. Seu corpo estava sendo envolvido por videiras, olhando para o braço esquerdo pode ver que já estava pregado contra o cogumelo.  Se debatendo de um lado ao outro usava sua força para se livrar dos ramos mais fracos, com isso os ramos mais fortes não conseguiam se fortalecer, ele então conseguiu se livrar das videiras do braço direito, assim, podendo romper os ramos do outro braço e podendo se livrar por completo daquelas plantas.

O dia estava radiante naquele lugar estranho, a floresta era viva de diversas formas possíveis. Os animais eram tão estranhos que a imaginação humana não conseguia descrever o que eram aquelas coisas. Absolem pode jurar que viu um cavalo de madeira alado passar voando ao seu lado. De ter visto uma galinha-macaco pular de galho em galho nas copas das árvores a alguns metros de distância dele. Seus braços coçavam por causa dos ramos que deixaram alguns vestígios em sua pele, mas ele tentava não se importar com isso. Seu desejo era voltar para casa o mais rápido possível.

Faziam-se três horas desde que o rapaz havia começado sua jornada entre as florestas, a fome e a sede tomavam conta de seu corpo e vez ou outra ele sentava em uma pedra para descansar, contudo, seus instintos sempre em alerta para não cair em mais uma armadilha. Ele avistou um pequeno caminho de água que corria aos pés das árvores e correu em direção a ele. Suas mãos tocaram as águas cristalinas do pequeno córrego quando um ruído estranho chamou sua atenção.

Absolem se encontrava em meio a um empecilho, havia diversas rosas gigantes de todas as cores, de suas pétalas saiam longos talos que se assemelhavam a olhos, o odor doce e enjoento de néctar pairava no ar. O menino havia se livrado dos ramos assassinos, porém, ele agora tinha novos adversários, a floresta estava viva. As rosas saíram de suas raízes e caminharam em sua direção, de suas folhas mais baixas espinhos cresciam e disparavam na contra o rapaz.

Saltando para o lado desviou de uma chuva de espinhos venenosos arremessado por uma rosa vermelha, a mesma parecia sorri. Uma das flores dançou ao lado do rapaz liberando pólen amarelo por todos os lados, o pólen adentrou a narina do rapaz o fazendo espirar. Ele sentiu seu corpo ficar leve e então notou que tudo girava, como se ele estivesse dentro de uma montanha russa. Seu estomago embrulhou e ele começou a vomitar. A rosa vermelha disparou uma saraivada de espinhos contra o rapaz que foi atingido em cheio, ele caiu no chão com seu braço ferido pelo longo espinho, mesmo zonzo o rapaz conseguia caminhar.

Absolem ficou de pé e cambaleou por dentro da floresta correndo com toda a energia que ainda lhe restava, ele estava vendo tudo turvo, tudo dobrado, via cores estranhas nunca vista antes, animais que falavam. Ele estava se sentindo um drogado, tropeçou em uma raiz e caiu barranco a baixo bolando feito uma bola de borracha, seu corpo se chocava contra o solo, seu braço colidiu contra uma rocha e uma enorme fratura surgiu, ele gritou de dor. A última coisa que ele viu foi um coelho cinzento. Tudo girou rápido, flocos brilhantes caíram do céu e o rapaz então começou a sonhar.

Ele estava de volta em casa, seus pais haviam chegado e estavam preparando o jantar. Absolem correu e deu um abraço em sua mãe que se surpreendeu com sua atitude.

– Agora que você notou que chegamos? Faz meia hora que você estava ali no sofá meditando. Agora deu viu? Fica vendo essas coisas de anime da nisso.


O rapaz deu um forte cheiro no cangote de sua mãe e disse que a amava muito e prometeu a ela que nunca mais usaria drogas. Ela olhou para ele com um olhar de desaprovação, ele deu dois passos para trás e abriu um sorriso traquina. Sua mente girou e o sonho então mudou.

Dentro do sonho ele agora estava caindo, caindo de um penhasco, atrás dele diversos cães brancos marcados com um naipe de carta corriam atrás do jovem. Ao seu comando uma mulher de cabelos longos e vestido vermelho gritava para que não deixasse rastro nenhum de vida. Que os cães deveriam comer até os ossos do rapaz. Seu corpo então chocou-se contra o chão em um pequeno baque, espirros de águas voaram para todos os lados molhando tudo ao seu redor. Ele respirou fundo enchendo os pulmões de ar, porém, ele começou a se afogar, água entrava em seu corpo o fazendo sufocar.

Seu corpo chocou-se contra o chão o fazendo acordar de imediato, ele pode sentir uma água fria escorrer entre os olhos, ele olhou para a ponta do nariz e viu uma gotícula de água se formar e pingar em sua boca, ele lambeu o liquido e sentiu o sabor doce do chá de camomila. Sua mão tocou a testa e sentiu o que estava lhe causando a molhadeira, eram vários saquinhos de chás empilhados formando uma espécie de pano para febre.

O rapaz tentou se levantar, porém, uma pequena ratinha, ou era isso que aparentava ser, tocou-lhe o peito, ela usava um vestido cor de rosa e um chapeuzinho de lado, ela sorriu para ele e balançou o dedinho negativamente, levou as mãos para o canto do rosto fazendo um gesto que informava que o menino devia voltar a dormir, Absolem bocejou e novamente apagou, mas desta vez nada sonhou.

– Quem são vocês? – Questionou o rapaz algumas horas depois.

A criatura sorriu e deu um tapinha na face do menino.

– Somos amigos.

Do outro lado um coelho muito charmoso pulou e apareceu ao lado do rapaz, ele usava um terno caramelo e uma cartola cor de anil, ele olhou o menino nos olhos, era um olhar daqueles que penetravam a alma, o coelho se aproximou e puxou a bochecha do rapaz como se quisesse ter certeza que era de verdade.

– É realmente ele? Ele é o ele? Será que ela sabe que ele tá aqui? – Ele saltou e pegou um xicara de chá e olhou se reflexo nele. – Sem mais hora do chá, sem chá, sem ele não há. Como vamos fazer sra? Como vamos? Ele vai conseguir? Será? Será senhora?

O menino sentou-se e analisou aqueles seres. Cada um mais peculiar que o outro, ele passou a mão nos cabelos e tentou se livrar da preguiça. Ele bocejou.

– Por quanto tempo eu dormi?

– Tempo? O que é tempo? Não temos tempo, temos chá! Quer? Chá? Que chá o que, nada de chá, não podemos beber chá sem ele. Ele foi embora. – O coelho olhou para a cadeira vazia. – Embora não! Foi levado, a rainha, rainha? Maligna, podre, perversa uma completa cabeçuda. – O coelho olhou cabisbaixo. – Pobre sorriso, pobre Chapeleiro. – O coelho por fim olhou para o menino e esticou a xicara em sua direção. – Chá?


– Não temos mais noção de tempo. – Disse a criatura mais sã. – Desculpa meu amigo. – Ela cutucou o braço do coelho cinzento. – Ele estar sofrendo a perda do Chapeleiro. Todos nós estamos, depois que a maldição caiu e a rainha voltou a reinar o mundo nunca mais foi o mesmo, você pode nos ajudar a recuperar nosso amigo?

Absolem pegou a xicara de chá, bebeu um gole do liquido doce e sorriu agradecido ao pequeno ser, ele inclinou seu corpo na direção do coelho e fez uma massagem na bochecha da criatura. Continuando bebendo o chá ele olhou os seres, suas feições demonstravam que eles estavam mais perdidos que o mesmo.

– Onde ele está?

– A rainha de Copas o levou, ela o mentem preso logo depois daquela floresta. – O roedor apontou seu dedo magro em direção a uma floresta morta, sombria e muito, muito estranha.

– Muito obrigado pela sua hospitalidade, irei trazer seu amigo custe o que custar.

Pondo o objeto sobre a mesa Absolem partiu em sua nova jornada, ele limpou o pó que havia grudado em sua roupa. E começou a caminhar em direção a floresta sombria, o vento balançava seu cabelo.

– Senhor Absolem, tome cuidado. – Disse o coelho. – As coisas aqui não são o que parece que são.


As arvores torcidas se espalhavam por longos quilômetros, sol não habitava aquele lugar, muito menos a luz da lua. Breu total era o que dominava. Do chão diversos cogumelos fluorescentes iluminavam a entrada, apenas isso. O chão era coberto por uma camada grossa de folhas mortas e outros organismos que um dia já foram vivos. As arvores pareciam portar faces por todo seu corpo. Rostos humanos que abriam e fechavam seus olhos, raízes se movimentavam a cada passo que o jovem dava contra o solo. Corvos grasnavam nas copas das arvores.  Rochas surgiam no meio do caminho, pra sorte sua visão era muito boa durante a noite.

Seus passos eram calmos, evitando despertar qualquer criatura noturna indesejada, esperava chegar no outro lado da floresta o mais rápido possível sem deixar de ser cauteloso. Ele então ouviu um ruído vindo de sua lateral esquerda, mas nada encontrou, um arrepio percorreu seu corpo, pela primeira vez desde muito tempo atrás ele sentia medo. Algo estava errado, muito errado e ele podia sentir isso. Seus passos foram acelerando e ele ouviu um ruído vindo do lado direito, sua face pálida ficou ainda mais pálida quando avistou algo que seu cérebro levou alguns minutos para processar.

O ser não possuía um fio de cabelo em sua cabeça, seu pele era enrugada na altura da testa, ele não possuía nariz e muito menos boca, apenas uma espécie de película que cobria o local onde deveria ficar o local, seus olhos eram duas orbitas vermelhas, ao redor um liquido branco escorria como lágrimas, seu pescoço era longo e fino, seus ombros largos e sua coluna era curvada. O ser aparentava ter mais ou menos dois metros e meio de altura, seus braços eram longos e finos, os dedos da mão eram finos e brilhosos como agulhas, suas pernas longas e finas, seus pés se assemelhavam a patas de uma ave. O corpo era completamente feito de sombras. Ele fitou o rapaz dos pés à cabeça. O que fez com que o rapaz desses dois passos para trás. O mostro então movimentou os dedos, o som de metal contra metal ecoou por todo o lugar. Das mãos da criatura uma esfera negra se condensou e foi lançada contra o peito de Absolem que não teve nem tempo de reagir. A esfera o empurrou fazendo com que seu corpo colidisse com umas das árvores retorcidas.

A árvore se agarrou ao corpo do rapaz, ela começou a sussurrar coisas ao pé do ouvido.

– Você nunca vai escapar. Você é fraco de mais.

Ele se debatia como um peixe fora da água. O suor brotava na testa, ele estava com medo, ele não conseguia se mexer muito, pois cada vez que ele se movia a árvore o esmagava contra seu tronco podre. O vento soprava frio, nevoa tomava conta do lugar, corvos voavam ao redor da cena como se estivessem esperando que ele morresse para devorarem sua carne. O monstro então se aproximou de sua presa, seus olhos vermelhos não saiam da visão de Absolem, ele se remexeu entre os galhos, porém, só fez com que a árvore esmagasse ainda mais. Oxigênio ia embora dos pulmões, mas pouco se importava. A criatura tocou a face com seus dedos causando um corte na bochecha, ele se remexeu com força quebrando alguns galhos de árvore.

O monstro inclinou a cabeça analisando a atitude violenta do menino e sorriu, o ser então começou a movimentar os dedos bem rápido, de um jeito selvagem. Pareciam que estavam derrubando uma caixa de agulhas no chão, o som fino e irritantes fazia os corvos grunhirem no céu. Absolem sentia-se como se estivesse sendo enforcado. A pele de Absolem queimava, uma fumaça cinza subia de sua pele, ele era consumido pelas trevas exterior. O monstro parecia estar sendo alimentado pelas dores do rapaz.

O corte em sua bochecha passou a derramar um liquido que onde pingava fazia surgir bolhas repletas de secreção. Bolhas que explodiam e liberavam ainda mais secreções toxicas. Absolem gritava de dor, gritava de forma sufocada, pois cada grito a árvore lhe esmagava ainda mais. Seu coração batia acelerado, sua testa veias verdes formavam-se avantajadas. As sombras subiam pelo seu corpo invadindo sua boca calando o grito abafado, preenchendo o interior do rapaz como se fosse alimento.

Se contorcendo o rapaz tentava se livrar, mas ele era fraco. Seus olhos se encheram de lagrima ele se encontrava diante de seu maior medo: Não conseguir vencer, ser fraco. Absolem se sentia um nada, ele não tinha poder, ele se sentia impotente.  A escuridão dominava o rapaz, a criatura continuava a movimentar seus dedos bem rápido fazendo a pele do rapaz queimar. As árvores pareciam ri. Uma risada sinistra.

Então uma força sobre-humana tomou conta de Absolem, ele rompeu a árvore como se ela fosse feita de papel, seus olhos estavam negros como as trevas ao seu redor, sua pele ardia. Ele sentia cada musculo de seu corpo doer. A criatura sorria, mas não recuava.

O menino correu em direção ao ser e com os punhos fechados socou a face da criatura fazendo com que ela desses dois passos para trás. O ser então movimento seu braço em direção ao rapaz que rolou sobre o solo orgânico. Absolem pegou um galho grosso de árvore que encontrou no chão e com um movimento bruto cravou o instrumento na jugular da criatura. Ao fazer isso foi atingido por um jato de liquido branco que melou por completo toda sua face, suas roupas e seus braços.

O ser sombrio caiu de joelhos no chão tentando tapar o furo com as mãos, mas era tarde demais. Seu corpo tornou-se imóvel no chão frio.

Respirando aliviado pode notar que era a primeira vez que ele se sentia livre. Ele atravessou o corpo morto da criatura que havia acabado de matar. A carcaça do ser sombrio cheirava a carne humana podre, como se tivesse morta a dias. Absolem tapou o nariz para não respirar o mal odor. Poucos passos depois sentiu os pelos de sua nuca erriçar e virou-se para trás.

O ser sombrio agora eram dois, o rapaz segurou o galho com tanta força que a pele de sua mão ardeu com o contato. Pegando impulso ele desferiu um golpe contra a nova criatura que movimentou-se rapidamente livrando-se.

– Acorda! – Disse a voz baixinha ao longe. – Você consegue meu garoto.

Ele não sabia mais o que fazer, sua pele ardia, seus olhos queimavam, mas ele continuava a bater, bater, bater e tentar golpear com toda sua força os seres malignos que ali tentavam lhe causar tanto mal. Cada golpe que ele dava com a estaca de madeira suas mãos e braços ficavam cobertos por um liquido branco, como se as sombras tivessem ganhando forma liquida.

O rapaz então caiu de joelhos sobre o chão e as criaturas caíram sobre ele, ele chorava enquanto as trevas o devoravam. Tudo estava em um completo breu. Absolem sentia seu peito doer uma dor equivalente a uma perda, ele chorava como um bebê que acabava de ter nascido. Então as trevas foram lhe devorando cada vez mais. Atrás do garoto uma criatura tomava forma, um conjunto de asas luminosas expulsaram toda as trevas do lugar. A nuca de Absolem um símbolo brilhava em tonos dourados ao seu redor uma redoma de luz se formou lhe protegendo de todo mal.

– Purificado seja. – Disse uma voz na mente do rapaz.

Sentado no chão da sala, coberto por sangue Absolem encontrava-se em meio a quatro corpos mutilados. Sua mãe, seu pai, sua irmã e seu irmão estavam mortos. O rapaz olhou para as palmas de suas mãos tremulas e viu que o autor de tudo aquilo tinha sido ele mesmo. Ele chorava e tremia sem saber o que fazer. Não sabia porque tinha feito aquilo.

Tic tok. O som do relógio ecoou novamente na sala.

–  Você é meu, não importa onde você vá ou qual corpo você tome forma, você é totalmente meu. – Disse outra voz ao pé de seu ouvido. – Não tem quem possa lhe proteger Absolem, eu vou lhe achar.

A casa então começou a se demolir, Absolem sentado no chão não conseguia se mover. As lágrimas escorriam de sua bochecha e tocavam o chão. O trotar de um cavalo podia ser ouvido ao longe, o rapaz pouco a pouco foi perdendo a consciência até que tudo se tornou trevas novamente.


– Como ele está? – A voz masculina era grave como de um pai preocupado.

– Ele está bem melhor senhor. Sorte que as caçadoras estavam passando por lá e poderem encontrar ele, não tem nenhuma identificação, porém, elas disseram que ele foi vitima de alguma maldição.

– Como se chama meu jovem?

Absolem passou a mão na nuca sentindo a tontura tomar conta de seu corpo, tentou se sentar e respirou fundo.

– Eu me chamo Absolem, Absolem Sweetheart.





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[CCFY] Ficha de Reclamação Divina Empty Re: [CCFY] Ficha de Reclamação Divina

Mensagem por Macária em Sex Nov 22, 2019 1:06 am


Absolem

Valores máximos que podem ser obtidos


Máximo de recompensa a ser obtida: 5.000 XP –  4.000 dracmas – 10 ossos
Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

Recompensa obtida: 5.000 XP –  4.000 dracmas – 10 ossos

Comentários:
Absolem, gostei de sua alusão ao conto de Lewis. Particularmente, foi um texto bastante criativo e de fácil leitura. Pelas características em sua missão e a abordagem de sua história, você será reclamado como filho de Hipnos. Recomendo que você revise o texto um pouco mais atentamente pois alguns errinhos ainda passaram.



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