The Blood of Olympus
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Mensagem por Aurora K. Graham em Qua Nov 13, 2019 10:39 am



Este tópico está destinado para a trama pessoal de Aurora K. Graham. Ele narra a descoberta de sua meia divindade, sua reclamação e ascensão como guerreira. Espero que apreciem a leitura.

alvorecer de uma nova era
alvorecer


Aurora K. Graham
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Filhos de Aurora
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Idade : 17

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Mensagem por Aurora K. Graham em Qua Nov 13, 2019 2:38 pm


Ἠώς – Êôs
the guardians of god play the pawns beg for mercy, hail the queen, princess of the dawn


fevereiro de 2014, arquipélago de hébridas - escócia

Au, eu ‘tô’ com frio! – uma voz infantil e fininha reverberou entre as paredes de um quarto escuro e gélido – E ‘tá’ muito escuro aqui.

Aurora abriu os olhos e enxergou Amelie, sua irmã mais nova, em pé com seu bichinho de pelúcia nos braços no breu da noite.

Aurora era a irmã mais velha de três, Amelie e Perth, eram gêmeos e tinham apenas 4 anos. Os irmãos eram criados por Scott, um pai bondoso e amoroso, que trabalhava muito para cuidar deles.

Venha aqui, coelhinha! – Disse Aurora levantando a borda do cobertor e abrindo espaço para sua irmã. – Pode vir, também, Perth! – Ela disse e, apesar do irmão não ter feito nenhum barulho, ela sabia que ele aguardava na escuridão.

É que você é muito quentinha, Au! – Perth falou ao deitar e se aconchegar a irmã.

Eu amo a nossa família! – Sussurrou Amelie com a voz embargada de sono inocentemente, então, o quarto voltou a ficar silencioso, podia-se ouvir apenas a respiração pesada dos gêmeos e o vento castigando a janela lá fora.

Aurora ficou observando na escuridão as crianças e um nó se formou em sua garganta, as coisas eram difíceis, mas devia permanecer firme por eles.

XXX


O dia começava cedo na Graham’s House, Aurora acordava, tomava banho e trocava de roupa, depois descia para fazer o café da manhã e ir buscar leite na fazenda vizinha – Tio Bill e Tia Mansie davam dois litros de leite diariamente para a família.

A família morava em uma pequena fazenda de região montanhosa na ilha Lewis and Harris, parte das Hébridas Exteriores da Escócia. O pai trabalhava com marcenaria e criava alguns animais e culturas para sobreviver e produzir alimento, Aurora cuidava da casa e dos irmãos.

Os herdeiros Graham eram apenas meios-irmãos, já que Aurora não tinha a mesma prole materna que os mais novos. Scott falava pouco sobre a mãe da menina, ela sabia apenas que as duas tinham o mesmo nome e que eles se conheceram na América.

Amelie e Perth eram filhos de Anabeth MacKintosh, mas ela havia se separado de seu pai prematuramente e pouco via as crianças, ficando a cargo de Scott e sua filha mais velha a criação das crianças.

Aurora amava as manhãs, sempre acordando muito cedo e disposta – o alvorecer de um novo dia garantia que a menina se sentisse bem, não importando a situação.

Nesta manhã, a garota se apressou a buscar o leite para preparar um café da manhã reforçado, já que era um dia importante para seu pai – ele prospectava uma nova encomenda em seu trabalho e isso os ajudaria financeiramente.

Ela grelhou linguiças, salsichas, fritou ovos, assou pães de aveia e esquentou leite e fez chá. Quando o pai desceu, às seis da manhã, o café da manhã estava pronto e devidamente servido à mesa de madeira antiga na cozinha.

Bom dia, querida! – Ele disse à soleira da porta rindo – Como sempre pontual!

Não há alguém mais pontual e rápida que eu pela manhã, papai! – Ela concordou sorrindo.

Foi até o pai e o abraçou, depois sentou-se à mesa junto ao homem. – Dormiu bem? – Scott perguntou a certo momento, enquanto servia mais chá.

Sim! – Ela respondeu – Amelie e Perth a certa hora apareceram no meu quarto alegando frio.

Realmente foi uma noite fria! – O homem concordou – Preciso arrumar o aquecedor, mas as peças são um pouco caras e...

Tudo bem, pai! – Aurora interrompeu – Nós dormimos juntos por enquanto, e, então, guardamos dinheiro para arrumar quando o inverno chegar. Ainda temos algumas semanas para isso.

Você tem razão! – Ele falou estendendo a mão e bagunçando o cabelo loiro e ondulado da filha.

Eu sempre tenho! – Ela riu e se afastou do pai, passando a mão pelos cabelos tentando ajeitá-los.

Devo ir! Hoje é um grande dia! – Ele disse esperançoso ao se levantar, deu a volta na mesa e depositou um beijo no topo da cabeça da garota e, então, saiu pela porta da cozinha.

A menina assentiu, esperançosa pelo pai e terminou seu café da manhã em silêncio.

As crianças levantavam as sete e meia, Aurora as arrumava para a escola, servia o café da manhã, ajudava com a lição de casa e as levava até o ponto. Depois, ela mesma se arrumava e ia para a escola.

Na instituição de educação, Aurora era uma aluna exemplar e esforçada, apesar de ter sido diagnosticada com dislexia e TDAH que atrapalhavam e muito o desenvolvimento da garota. Ela compensava esforçando-se ao máximo, também participava de atividades extracurriculares como natação e era integrante do time de ginástica artística, além trabalhar numa livraria no centro de sua vila, ajudando a Sra. MacGins, uma mulher de idade avançada, mas que esbanjava saúde.

Era uma garota madura, apesar da pouca idade.

Aurora estava vestida e com sua mochila nas costas, caminhando calmamente – já que estava adiantada – em direção ao ponto, onde o ônibus da Middle School Scottland a levaria para sua escola.

Sentia uma sensação estranha em seus ossos, olhou para trás uma vez a fim de se certificar de que ninguém a seguia. Enquanto, caminhava e mesmo quando entrou no meio transporte e sentou-se em um dos bancos rodeada por seus colegas, ainda sentia-se estranha.

O sentimento passou despercebido o resto do dia, Aurora estudou e participou de seus treinos normalmente e as cinco em ponto chegava para seu turno na Livraria MacGins. Ela guardou sua bolsa embaixo do balcão, soltou os enormes cabelos loiros e vestiu um avental azul escuro.

Ela basicamente organizava e vendia os livros, além de cuidar de toda a parte de divulgação e compras, ou seja, tudo. Sra. MacGins era uma velhinha divertida e bondosa, conhecia seu pai de outros tempos e era muito sábia.

Enquanto, Aurora ligava o computador para atualizar alguns livros que haviam sido vendidos na noite anterior, a sensação de estar sendo observada voltou a irritá-la.

Tudo bem, querida? – Perguntou a velhinha saindo da porta dos fundos do estabelecimento.

Oh, olá! – Respondeu Aurora se assustando.

Assustei você? – A mulher perguntou aproximando-se – Está distraída?

Não sei, Sra. MacGins. – Aurora falou confusa, uma pequena ruga formou-se entre seus olhos, enquanto ela passava uma das mãos na nuca – Estou com uma sensação estranha desde cedo, como se alguém ficasse me observando.

Entendo... – A velha senhora respondeu – Que idade você tem?

12 anos. – Ela falou sem entender a pergunta – Completei mês passado.

Está na idade... – A idosa refletiu.

Como assim? – Perguntou Aurora confusa.

Nada. – Aquiesceu – Mas, logo precisaremos conversar. Eu, você e seu pai.

Ér... Sra. MacGins... Se for sobre... A senhora sabe, aquela coisa de meninas... – A garota corou imediatamente ao relembrar da última conversa que a mulher quis ter com ela e seu pai – Já falamos sobre isso.

Não é sobre ser mocinha! – A mulher sorriu e, então, ficou séria no mesmo instante – É mais sério. Peça para seu pai vir a loja hoje à noite.

A garota assentiu, além de chefe de Aurora, ela sempre ajudou o pai e ela, bem como seus irmãos. Eles tinham uma dívida com ela e Aurora obedecia de bom grado os pedidos da idosa. Ligou para o pai e pediu que ele passasse por lá por volta das 22 horas.

O período de trabalho foi calmo, a menina limpou os livros, arrumou algumas prateleiras e deu o número de tombo de algumas obras doadas.

Por volta das 21:30 com a loja já fechada a algum tempo, juntou o lixo e saiu com os sacos pretos enormes para a rua lateral ao estabelecimento. A lixeira grande de reciclagem era apenas uma quadra dali e ela fazia esse caminho uma vez por semana.

Ela andava calmamente e as ruas da cidade estavam estranhamente silenciosas – aquela era uma área de bares, restaurantes e cinema, sempre haviam muitos jovens reunidos pelo local, mas não hoje – e a noite parecia mais escura, se é que isso era possível.

De repente, a sensação voltou com mais força do que nunca. Seus passos ecoavam pelo chão frio da viela e sua respiração se tornava entrecortada, o coração martelava contra as costelas e ela sentia algo errado.

A luz do poste se apagou misteriosamente, fazendo Aurora girar nos calcanhares olhando para onde vinha e a completa escuridão da rua a assustou, ainda mais quando um som estranho e gutural ecoou de forma aterrorizante e fez os cabelos da nuca da menina se arrepiarem.

Não teve muito tempo para pensar, como se brotasse da parede, uma criatura enorme com olhos vermelhos se aproximou dela com os dentes afiados a mostra. Aurora soltou os sacos no chão em choque e moveu-se para trás, hipnotizada pelo olhar enraivecido da criatura.

Encararam um ao outro por um segundo até aquele monstro lançar-se com rapidez para cima dela. Aurora não pode pensar muito, teve de agir. Lançou seu corpo ao chão rapidamente, agradecendo pela destreza corporal adquirida na prática de ginástica; as garras da criatura passaram a centímetros de seu corpo.

Ela rastejou pelo chão preparando-se para correr, mas aquele cão enorme e assustador uivou de forma aterradora; as pernas de Aurora perderam a força e seu cérebro foi tomado por uma sensação de amortecimento. Era o fim.

A menina olhou a criatura avançar novamente e quando estava próxima o bastante para encarar seus traços, um movimento rápido de algo que Aurora não conseguiu detectar, atingiu o monstro lançando-o longe.

A menina apertou os olhos e era uma cópia exata da primeira criatura, mas muito maior e aparentemente mais rápida.

Ataque, Son! – Uma voz conhecida ressoou urgente e fez Aurora olhar para trás. Era a Sra. MacGins. Ela quis dizer para que a idosa corresse, pedisse ajuda, mas sua voz estava presa em algum lugar dentro de si.

As criaturas lutavam bravamente, com Son – sendo o nome que a mulher o chamou – parecendo levar a melhor.

Aurora! – Um outro grito conseguiu tirar a menina do estupor em que havia sido colocada. “Pai!”, pensou ela com urgência.

O homem aproximou-se e a ergueu do chão rapidamente. – Você está bem? – Ele perguntou.

Quando Aurora abriu a boca, Sra. MacGins chamou atenção ao gritar pela segunda criatura. A menina olhou e Son estava deitado e a criatura que a atacou avançava de forma cruel para os três.

NÃO! – Gritou Aurora desejando com todo o seu coração fazer algo.

A pele da menina começou a brilhar, primeiro uma luz fraca e cintilante, mas rapidamente se acendeu como uma lâmpada de alta voltagem, iluminando toda a rua e ferindo os olhos dos presentes que precisaram tapar seu rosto com as mãos.

De uma de suas mãos que estava estendida brotaram duas bolas luminosas; ela sentiu a corrente de poder sair de seu centro e passar por seu braço, como uma onda, escapando por seus dedos – elas atacaram a criatura das sombras que se afastou e começou a balançar a cabeça de forma violenta, havia ferido seus olhos vermelhos.

Agora, Son! – Incentivou a mulher, olhando entre os dedos e sua criatura respondeu, mordendo o pescoço do que os havia atacado e lançando-o longe na rua.

A luz que emanou da menina havia sido forte o suficiente para cegar a criatura que se aproximava com sede de sangue, dando assim a chance de que Son, o que quer que ele fosse, contra-atacasse e vencesse o embate.

Aurora começou a se apagar lentamente, até estar completamente normal. Olharam para o fim da rua e Son voltou sozinho, com um líquido escuro escorrendo por seus lábios, estava acabado.

Vamos para dentro! – Aconselhou Sra. MacGins chamando a atenção dos dois que estavam estáticos olhando para a rua. A senhora os auxiliou a entrar, acompanhados por Son, a mascote da idosa, que estava por revelar sua verdadeira identidade. E a de Aurora, também.

XXX


A passagem da noite para o dia era um dos espetáculos naturais mais lindos que Aurora já havia presenciado. Não era algo engessado, primeiro o céu ia adquirindo diferentes tons luminosos, enquanto o sol se levantava e trazia consigo a luz do alvorecer, o orvalho se tornava cristalino e os ventos carregavam as boas novas de uma manhã recém-chegada. E a cena se tornava ainda mais divina ao poder observar isso do alto de uma ilha, onde o mar emoldurava o fenômeno junto ao céu.

Scott olhou pela janela da cozinha e encontrou a filha sentada no alto da colina, nos limites da fazenda. Ela estava em silêncio, abraçando as pernas e com o queixo encostado em seus joelhos, parecia olhar para além dali; sua pele refletia um singelo brilho dourado ao ser tocada pelo sol.

Os olhos azuis e o cabelo loiro da menina eram idênticos aos dele, mas o sorriso e o brilho que ela emanava eram de sua mãe. Aurora. A única coisa que Scott sabia era o nome da mulher que o fizera se apaixonar tão profundamente que ainda não a esquecera totalmente, ainda se lembrava daqueles olhos e da forma com que se tornava ainda mais bela a cada amanhecer.

Os dois haviam se conhecido nos Estados Unidos, durante um intercâmbio que ele realizou para estudar artes – seu sonho era ser escultor, passar sua arte para a madeira. Os dois se relacionaram e viveram por quase um ano, até que ela desapareceu.

Ele voltou para a Escócia de coração partido e abandonado pelos pais que eram contra seu sonho. Então, um dia, Aurora apareceu com uma pequena menina nos braços, uma bebe recém-nascida, risonha, cheia de pintinhas – era sua filha.

No início assustou-se, as contas dos meses de gestação não fechavam, mas ao olhar para sua Aurora brilhando ao amanhecer com aquela criança, depois desaparecer sem deixar rastros, ele entendeu que ela era algo maior do que ele entenderia.

Aurora nunca foi uma criança normal. Aprendeu a correr antes de andar, forte, de opinião, o dia era seu palco e ele ainda pensava em como o sol de toda manhã brilhava em sua pele – como na mãe dela.

Agora tudo fazia sentido, Aurora era semideusa. A mulher por quem Scott se apaixonou de forma abrasadora era uma deusa de verdade.

A Sra. MacGins era como Aurora, filha de Belona, uma semideusa – na noite anterior, ela e sua mascote, Son, um cão infernal, haviam salvado Aurora do ataque de um outro Cão Infernal. E esses ataques, segundo a mulher, seriam cada vez mais constantes, já que a menina estava crescendo e sua força aumentando.

Não podia imaginar sua menininha atacada por monstros como aquele do dia anterior e nem que fosse para longe, como a mulher havia lhe dito para enviá-la ao Acampamento Meio-Sangue nos Estados Unidos, onde receberia treinamento e estaria segura, enquanto crescia.

O homem balançou a cabeça tentando afastar os pensamentos, então vestiu um casaco que estava pendurado à soleira da porta e saiu para ir ao encontro da filha.

Aurora estava com seus pensamentos distantes. Tudo parecia ainda mais impalpável, mesmo que sempre tivesse pressentido que era diferente e, vez ou outra, coisas estranhas aconteciam. Mas, ser atacada, sentir o pânico de não saber o que fazer, medo de que atacassem as pessoas que ela amava, havia sido milhares de vezes pior do que o pior dos sentimentos.

Era uma semideusa, filha de alguma deusa imortal do Panteão Grego, aquelas a quem ela estudou e se encantava com as lendas. Nem seu pai e nem a Sra. MacGins sabiam ao certo que deusa poderia ser, mas desconfiavam.

A garota observou o pai subir a colina vindo ao seu encontro, entre seus olhos havia uma ruga de preocupação. Ela o conhecia o suficiente para imaginar que ele não dormiu aquela noite, abaixo dos seus olhos repousavam bolsas arroxeadas e os olhos azuis, como os dela, pareciam cansados.

Ele chegou até a menina e sentou-se em silêncio na manta que ela havia estendido, os dois não falaram nada por vários minutos até que a quietude foi quebrada.

Você sabia quem eu sou...? – Aurora perguntou de forma confusa e errônea, tropeçando nos verbos.

De certa forma... Sempre soube que era especial e diferente! – Ele respondeu depois de pensar por um minuto – Você nunca ficou doente, sempre foi forte e a cima da média de outras crianças de sua idade. Você lia livros em grego dados pela Sra. MacGins, quando era menor, se lembra?
É verdade... – Ela refletiu – Ela me disse que meu cérebro está ligado ao grego antigo, por ser minha língua materna... E que não tenho dislexia e TDAH, na verdade, meu corpo e cérebro foram feitos para lutas, então, tenho reflexos de batalha e meu cérebro funciona mais rápido que mortais comuns.

O homem encarou-a em silêncio e sorriu de forma terna, então soltou com um suspiro. – Ela, inclusive, já estava me preparando a algum tempo, me dizendo certas coisas. Acredito que, no fim, eu não queria acreditar.

Você sabe que eu vou... Não sabe, papai? – Ela disse desviando o olhar de Scott – Preciso ir. Os ataques se tornaram mais constantes, um monstro pode aparecer a qualquer minuto e... Eu não suportaria se algo acontecesse as crianças.

Eu sei, querida! – Ele assentiu – Você fará o que é melhor.

Estou com medo! – Ela confidenciou com a voz fininha.

O homem aproximou-se dela e a abraçou. – Por isso vai lutar... Para enfrentar esse medo. Certo?

Certo!”, ela afirmou mentalmente, mas decidiu não revelar em voz alta. Seu pai e ela sabiam que era exatamente isso que ela pretendia fazer.

XXX


A despedida entre Aurora e sua família havia sido linda e... triste. O coração da semideusa havia se quebrado em mil pedaços ao ter de dar as costas para o pai e os irmãos pequenos, eles tinham apenas cinco anos, mas não olhou para trás ao entrar na sala de embarque junto a Sra. MacGins que insistiu em acompanha-la até a América.

Tudo não parecia real o bastante até atravessar a Colina em Long Island e dar de cara com sua nova realidade. Jovens e adultos andavam de um lado para o outro com espadas e armas, lutavam entre si e treinavam.

Aurora estava ansiosa, mas permaneceu com expressão impassível quando a mulher lhe disse que precisavam falar com Quíron, o centauro poderoso e mentor dos maiores e mais lendários heróis da mitologia - que na verdade, não havia nada de mito, eles eram reais.

Seu coração batia rápido quando se aproximaram de uma enorme casa de madeira, que presumiu ser a sede do acampamento, até que de sua entrada um enorme centauro brotou.

Mas, que bons ventos me trouxeram minha aluna preferida...? – Ele trovejou com a voz forte encarando as duas.

A Sra. MacGins riu de forma aberta e balançou a cabeça, seus passos eram lentos, mas precisos, como se conhecesse o local como a palma de sua mão. – Você continua o mesmo, professor! – A idosa falou e Aurora olhou-a confusa.

E você sempre linda! – Ele sorriu e se aproximou, segurando as delicadas mãos da mulher e dando-lhe um beijo cordial. Depois, o meio homem olhou para Aurora com curiosidade e sorriu. – Você deve ser Aurora?

Sim, senhor! – Ela respondeu com a voz fraca, deu um pigarro para limpar a garganta e estendeu a mão – É um prazer, senhor!

O meio-homem aceitou o aperto e sorriu abertamente: – Bem-vinda ao Acampamento Meio-Sangue, sou Quíron, o responsável pelo treinamento dos semideuses.

Ela assentiu insegura e olhou em volta com curiosidade.

Bem, pedirei que alguém ajude você a se instalar no Chalé 11, ele é do deus Hermes, mas é o local onde campistas indeterminados ficam. – Informou – Enquanto se instala, tomarei um chá com Penny, depois pode vir nos encontrar e teremos uma boa conversa.

Aurora confirmou e viu o centauro e a mulher saírem lado a lado, deixando ainda mais discrepante a fragilidade da Sra. MacGins frente a força vital do centauro.


Penny, era o primeiro nome da mulher, observou a menina acompanhar um campista e sumir em direção aos chalés, sem olhar uma vez sequer para trás, assim como havia feito no aeroporto. A senhora acompanhou Quíron até sua sala, já conhecida e sentiu conforto ao estar em casa novamente.

Sente-se, Penny! – Quíron falou ao abrir a porta para a mulher e ela assim o fez. – Imagina quem seja a mãe da menina?

Seu pai me disse que a chamava de Aurora – Informou a mulher – Por isso o nome da menina é esse também.

Será que pode ser a deusa Aurora? Ela usaria o nome real para o mortal?! – Quíron coçou o queixo – Ela já foi reclamada?

Ainda não! – Aquiesceu a mulher – Ela foi atacada há alguns dias por um cão infernal nos fundos de minha loja, ela emanou poder e brilhou tanto que chegou a cegar a criatura. Mas, imaginei que deveria manda-la para cá, pois se mesmo com o poder de Son exalando pelo local, um monstro a atacou, logo pioraria.

Sim, tem razão! – O centauro concordou.

Não é a primeira vez que ela foi atacada, certa vez foi sequestrada, ela tinha por volta de oito anos e descobrimos que foram por copiadores. Ela desenvolveu claustrofobia, após isso, lembra-se muito pouco, contudo. – Confidenciou ao mentor.

Entendo. Descobriram os motivos? – Perguntou.

Infelizmente, não! – Penny respondeu. – Ela é uma boa menina, Quíron. Tem a cabeça no lugar, forte, cuidou dos irmãos e do pai, trabalha... Tão doce e gentil. Tenho medo do que o furor da batalha vá fazer a ela...

"Desde que a conheci e senti o poder vindo dela, desejei que estivesse enganada, mas cada dia sua força ressoava pela vila e ela se tornava cada vez mais como um de nós."


Para cada criança é diferente, Penny – Quíron suspirou – Veja você, filha de Belona, uma das semideusas mais poderosas e bondosas que tive o prazer de treinar. As moiras têm poder sobre o destino, mas como ele será definido, depende apenas de cada um.

Eu sei, eu sei... Só me afeiçoei a criança! – Ela sorriu e encostou-se a cadeira. – Estou velha, Quíron, sinto minha energia se apagar aos poucos, não sei quanto tempo a mais terei...

Não fale coisas assim, Penny! – Ele reclamou – Vamos tomar um chá.

Eu sei, mas... Quero que cobre mais dela do que todos os outros! – A mulher pediu com urgência – Que ela treine exaustivamente, faça todas as aulas, se torne uma grande guerreira para que possa cuidar dela e de quem ama. Só me prometa que fará isso, certo?

Prometo! – Jurou o centauro, seus olhos fixos ao da mulher, pareceram arder em chamas selando a promessa. Quando Quíron, o grande centauro, jurava algo era para sempre.

Que bom... – Ela refletiu sorrindo trazendo leveza. Foram interrompidos por batidas na porta, o centauro deu uma piscadela para Penny e com a voz forte permitiu a entrada.

Do outro lado, apareceu Aurora com seus cabelos esvoaçantes, ela já estava sem sua mala e levemente corada.

Se instalou, querida? – Perguntou Penny para ela.

Sim, Sra. MacGins! – A menina assentiu.

Sente-se, Aurora! – Quíron pediu – Precisamos conversar sobre algumas coisas.

É, claro! – Ela disse educadamente e se sentou ao lado da mulher, encarando com os olhos claros o centauro. E depois daquele dia, mais do que todos os outros, sua vida mudou para sempre.

pormenores:
leia, por favor:
Oi, avaliador! Esta ainda não é a ccfy de reclamação, fiz uma inicialmente para introduzir a menina e dar o tom de sua história. Meu objetivo é upar e dar início a trama. Espero que se divirta me acompanhando!
poderes:
passivos:
Nível 1
Nome do poder: Bela Alvorada I
Descrição: Os filhos de Eos/Aurora se assemelham a anjos – no quesito beleza – durante as primeiras horas do dia. Eles parecem emitir um leve brilho dourado em contato com a luz do sol nascente o que pode causar certa hesitação diante de uma batalha.
Gasto de Mp: Nenhum.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: Nunca será a primeira opção de ataque do inimigo.
Dano: Nenhum.

Nível 4
Nome do poder: Pontualidade I
Descrição: Eos/Aurora é sempre pontual com o amanhecer e por isso, seus filhos possuem uma perfeita noção de tempo. Em um estágio primário de seu dom, você é capaz de manter-se atento aos prazos que lhe são estipulados.
Gasto de Mp: Nenhum.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: Nenhum.
Dano:Nenhum.
ativos:
Nível 1
Nome do poder: Proteção Luminosa I
Descrição: Um escudo de luz dourada surge ao seu redor, no entanto, nesse nível, o escudo é tão frágil quanto você é inexperiente e não resiste a ataques mágicos de seres mais fortes que você, ainda sim funciona bem para ataques físicos.
Gasto de Mp: 10 de MP por turno que permanecer ativo.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: Nenhum.
Dano: Nenhum.
Extra: Nenhum.

Nível 4
Nome do poder: Sol
Descrição: O filho de Eos/Aurora pode fazer uma luz intensa e doura emanar por todo o seu corpo em um momento de emergência. A luz pode ser útil para iluminar o caminho/local ou até mesmo causar dificuldade de visão no oponente.
Gasto de Mp: 15 de MP por turno que tal habilidade permanecer ativa.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: Nenhum.
Dano: - 20 de HP.
Extra: Nenhum.

Nível 5
Nome do poder: Lumokinesis I
Descrição: Os filhos de Eos/Aurora conseguem manipular a luz com certa facilidade. Nesse nível, eles podem criar duas esferas de luz que causam cegueira temporária no oponente caso o atinja no rosto. A esfera luminosa ainda pode causar dano caso entre em contato com alguma outra parte do corpo do oponente.
Gasto de Mp: - 15 de MP por esfera.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: Nenhum.
Dano: - 25 de HP.
Extra: O efeito dura um turno.

IMPORTANTE. O uso dos poderes ativos, contudo, foi de forma puramente protetiva e incosciente, já que ela não é treinada e não sabe controlar suas habilidades. Ainda nem sabe ser filha de Aurora. Espero que possa considerar
Combate:
O combate foi simples, já que ainda estou aprendendo a escrever batalhas. A criatura era um Cão Infernal. No link encontra-se a ficha do bestiário, considerei o nível que lá esta descrito. Son, a mascote que lutou ao lado de Aurora e venceu, era muito mais velha e poderosa, considerando níveis maiores.



Ἠώς – Êôs
hit me like a ray of sun
Aurora K. Graham
Aurora K. Graham
Filhos de Aurora
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Idade : 17

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Mensagem por Macária em Qui Nov 14, 2019 6:42 pm


Aurora

Valores máximos que podem ser obtidos


Máximo de recompensa a ser obtida: 5.000 XP –  4.000 dracmas – 10 ossos
Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

Recompensa obtida: 5.000 XP –  4.000 dracmas – 10 ossos + reclamação

Comentários:
Você escreve bem. E por ter dito ter o mesmo nome da mãe, a colocarei como filha de Aurora, a versão romana. Seja bem-vinda.



this a good death
money and diamonds can't save your soul

Macária
Macária
Deuses Menores
Deuses Menores

Localização : Em qualquer lugar

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Mensagem por Aurora K. Graham em Seg Nov 18, 2019 9:18 am


new dawn
alvorecer, parte II

No céu lá fora, que cobria a Colina Meio-Sangue, acontecia o espetáculo celeste do amanhecer. A escuridão dava vez para os primeiros raios de luz que incidiam uns contra os outros ocasionando uma cascata de cores e tons, o negro dando espaço para o vermelho, laranja e amarelo, enquanto o céu se pintava com tons arroxeados, do mais escuro, ao claro azul.

Todos repousavam em seus chalés, mas Aurora estava acordada e vestida para mais um dia. Ela estava sentada próximo a praia, observando com olhos fixos o alvorecer do novo dia, sua pele branca que tinha um leve tom brilhante e era incrivelmente bela olhá-la nesta cena, como se a semideusa, de alguma forma, pertencesse ao acontecimento e fizesse parte da própria luz.

O que ela ainda não sabia é que realmente fazia parte disso.

XXX


O acampamento Meio-Sangue era lar dos semideuses e heróis mais poderosos de todo o mundo, treinados por Quíron e sob a direção do próprio deus Dionísio, formavam guerreiros e as mentes mais geniais que o mundo já viu.

As proles das divindades chegavam das mais diversas formas, mas sempre possuíam ligações semelhantes: perseguido por monstros com bagagens de histórias tristes e cheias de nuances, diagnóstico de dislexia e TDAH, um dos pais desaparecido ou filhos adotivos. Era um ciclo enorme repetindo a história em espiral de forma trágica.

Aurora carregava peças de madeira para o Senhor D., o diretor do acampamento – castigado por Zeus era obrigado a “ser babá de crianças”, como o mesmo dizia –, indo da Grande Casa até próximo da arena. Ela havia cedido ao pedido do deus que usava pijama verde e roxo de bom grado ao encontra-lo na parado na soleira da porta da casa principal com uma expressão mal-humorada.

Havia sido notória a evolução da menina em força, sendo treinada e participando de todas as atividades possíveis durante os dias – depois se recolhia no chalé 11 e permanecia lendo ou conversando com os demais campistas antes de dormir. Só sentia muita saudade de seus pais e seus irmãos.

A semideusa carregou nos ombros grandes troncos de madeira de forma até que rápida, o que surpreendeu o deus. – Até que é fortinha para quem é tão franzina assim... – Ele lhe falou quando ela voltou limpando as mãos na roupa.

Faço o que posso, Senhor! – Respondeu sorrindo de forma bem-humorada, as manhãs eram seus momentos preferidos e nem carregar troncos de madeira estragaria isso para Aurora.

Tão reluzente... – Ele falou tremendo levemente a cabeça – Enfim, tome café da manhã e volte aqui, pois temos uma missão para você.

Ela assentiu e se pôs a correr para tomar o café da manhã, sendo a primeira a chegar ao refeitório, engoliu de forma rápida o liquido de um copo de suco, duas fatias de pão e correu em direção a Grande Casa, animada com a prospecção de uma missão.

Ao bater na porta do escritório do Senhor D. terminava de engolir uma fruta que trouxe comendo.

Que gás, menina, por mim... – Ele falou assustado ao vê-la entrar. A menina deu um risinho, dando de ombros e aproximou-se do deus.

Ao que parece você se dá bem com velhas senhoras... – Ele começou encarando-a – Preciso que auxilie uma vestal de Héstia...

Elas não se tornam imortais? – Perguntou a garota confusa.

Durante os trinta anos que a servem, sim. Mas, esta em especial desejou continuar servindo a deusa e envelhecer... – Ele falava de forma rápida e impaciente. – A acompanhe, ela deve fazer uma viagem e eu e Quíron ficamos preocupados que a aconteça algo. Héstia não ficaria nada feliz se eu deixasse que algo assim acontecesse a ela e ninguém quer que Héstia fique brava. – Sua voz se tornou baixa e mal-humorada – Ela acabaria com isso aqui em dois minutos...

Sim, senhor! Farei isso! – Aurora assentiu.

Ótimo! – Completou o deus virando sua cadeira para a janela – Faça uma pequena mala e a encontre nos limites do acampamento.

Aurora concordou e saiu da sala do diretor, indo em direção ao chalé de Hermes para arrumar suas coisas. Logo, estava pronta e caminhava de forma lívida em direção ao ponto 0 do acampamento, o grande Carvalho de Talia, fonte de todo o poder mágico protetivo do acampamento.

Assim que se aproximou do final do acampamento, minutos depois de caminhada, enxergou uma mulher vestida de branco, combinando com seus cabelos totalmente grisalhos e alinhados, presos em uma trança.

Assim que Aurora se aproximou, ela sorriu para a mulher gentilmente. – Olá! Eu sou... – Começou a menina.

Aurora! – Completou a mulher – Quíron me informou que seria você a me acompanhar, ele não confia em mim mesmo!

É bom ter quem se preocupe com a gente! – Aurora respondeu sorrindo.

Sou Beatrice, sirvo a deusa Héstia e sou filha de Deméter! – A mulher falou de forma sorridente.

As duas se cumprimentaram e seguiram caminho caminhando calmamente. Apesar da pouca idade, Aurora estava com todos os seus sentidos em alerta, não estavam mais sob a proteção da colina e em uma missão oficial, levando o nome do Acampamento consigo.

Quando as duas alcançaram o asfalto, ao pé da montanha – Beatrice andava de forma lenta, mas com firmeza e não havia sido difícil descer o caminho – Aurora olhou para os dois lados antes de perguntar: – Senhora, se me permite o infortúnio, para onde vamos?

Vamos pegar um ônibus! – Ela respondeu simplesmente.

Aurora pensou por um segundo e, então, assentiu concordando e oferecendo um sorriso bondoso para a mulher.

De quem é filha? – Perguntou ela encarando aquela menina jovem e sorridente.

Scott... – Aurora falou com prontidão, então, ficou corada, pois imaginou que ela gostaria de saber sua filiação divina – Bom, a senhora quis dizer divina... Quíron me informou que provavelmente da deusa Aurora, meus poderes combinam e meu pai diz que foi esse nome com que ela se apresentou a ele, mas ainda não fui reclamada oficialmente.

Entendo! – Ela refletiu – Gosta dos deuses?

Não acredito que gostar seja a palavra certa... – A jovem pensou antes de responder – Mas, respeito, assim como todas as outras criaturas. Há algum tempo eu imaginava que tudo isso era mito, histórias que eu contava para meus irmãos e, de repente, se tornou real. De verdade. Ainda não sei o que pensar.

É muito nova, ainda levara um tempo para entender. Se é que irá. – Beatrice suspirou – Nem todos entendem.

Aurora notou o tom de voz triste e amargo da semideusa, virou sua cabeça de lado observando o rosto lívido e marcado pelo tempo da mulher e quando abriu sua boca novamente, ouviu ao final da estrada o barulho característico do ônibus.

As duas semideusas olharam para o final da estrada a tempo de enxergar ele se aproximando e parando para elas. Beatrice subiu primeiro com a menina auxiliando-a de forma natural e sem pretensão, ao subir os degraus encarou de forma fixa o motorista e alguns poucos passageiros, sob os seus olhos a nevoa se dissipou lentamente e revelou as verdadeiras formas – o motorista era um sátiro e os passageiros um casal de sereianos e uma ninfa ao celular.

Relaxe, Aurora, é um ônibus especial para nós! – Informou Beatrice.

A menina assentiu e atravessou o corredor, seguindo a semideusa e ao vê-la sentar recolhida em um dos bancos, decidiu dar espaço para a mulher, sentando dois bancos atrás, mas de forma que pudesse observá-la de seu assento.

Beatrice olhou para trás e observou a menina, seus olhos estavam fechados e a luz do sol incidia trazendo brilho e beleza. Sentia-se calma, como se fosse engolfada por uma aura de tranquilidade, e sabia que era Aurora – a vestal de Héstia podia sentir sua aura reluzir como a deusa do amanhecer.

As duas foram em silêncio todo o trajeto, Aurora de tempos em tempos olhava para a vestal, depois para a janela e se certificava que estava tudo certo, antes de voltar a tirar um cochilo.

A semideusa havia perdido a noção de tempo quando Beatrice levantou-se e apontou com o dedo para que a seguisse, ao certo, haviam chegado a seu ponto. Aurora seguiu a mulher e desceu atrás dela, dando um leve aceno com a cabeça em agradecimento ao sátiro que dirigia o transporte.

A paisagem havia mudado totalmente, agora a colina e os campos verdes se transformaram em uma imagem urbana, com diversos prédios e pessoas transitando de um lado para o outro.

Aurora olhava curiosa para as ruas, enquanto seguia bem próxima a Vestal.

Está com fome, Aurora? – Perguntou Beatrice de repente.

A menina concordou de forma tímida, realmente após o café da manhã rápido e a viagem de ônibus, o estomago da menina ansiava por alimento. – Venha por aqui! – Indicou a mulher.

As duas atravessaram a rua movimentada e entraram em um pequeno e intimista estabelecimento, suas paredes de tijolo vermelho a vista tinham um charme especial complementado por uma vitrine com livros e pãezinhos caseiros.

Logo que Aurora e Beatrice adentraram foram engolfadas pelo aroma delicioso de café e pão, a barriga da semideusa roncou de forma audível, fazendo com que a mulher risse. Ambas se sentaram em um banco ao fundo, sorrindo abertamente Aurora olhou o cardápio animada.

Recomendo o sanduiche pão caseiro com cheddar e ervas finais e o café com leite, nº 2. – Beatrice aconselhou – Eles são brasileiros e o café de lá é o melhor de todos.

Seguirei seu conselho! – Aurora concordou.

A vestal fez o pedido, igual para as duas, assim que uma sorridente e simpática garçonete se aproximou com uma jarra com água e limões, além de biscoitinhos de polvilho – como Beatrice informou a Aurora.

Não está curiosa em relação ao local que estamos indo? – Perguntou a certa altura a semideusa mais velha.

Um pouco... – Revelou Aurora, mas deu de ombros – Porém, se decidiu não me dizer é porque não julga necessário. Estou aqui para auxilia-la, não para te cobrar respostas.

É uma boa menina, Aurora... Será uma grande guerreira! – Beatrice sorriu de forma genuína – Me diga, semideusa, pelo o que você luta?

Aurora foi pega de surpresa pela pergunta capciosa da mulher, a questão girava em sua mente quando a garçonete trouxe o pedido, assim, trazendo silêncio a mesa, mas, a mente da garota continuava inquieta.

Comeram calmamente, Beatrice olhava para a menina e percebia que ela maquinava com si mesma por baixo da quietude. Decidiu deixar o assunto morrer, já que imaginou que ela não teria uma resposta e não queria pressionar a menina que havia sido tão bondosa com ela até então, estava ficando decrépita. “John riria de mim...”, pensou ela de forma saudosa.

No início... – Aurora rompeu o silêncio deixando a Vestal surpresa – Lutava por medo. Fui atacada, me disseram que pioraria, eu só queria correr. Senti tanto medo que decidi enfrentar isso. Depois, foi porque todos lutavam – era o destino do semideus, todos me diziam. E foi tão vazio.

“Então, um dia, em uma missão, eu vi uma família. Um pai, mãe e duas crianças, eles brincavam próximos ao mar, rindo, se divertindo, totalmente aleatórios a digladiação que ocorre por baixo da névoa.”

“Era uma cena tão linda, eu queria ter congelado para sempre aquela felicidade deles. Então, eu entendi. Somos mais que guerreiros dos deuses, nós mantemos o equilíbrio. Para que aquelas pessoas possam ser felizes, lutamos.”

“Pode me chamar de inocente, ingênua... Eu não me importo!”
– Ela sorriu para a mulher com franqueza – É nisso que eu acredito. Não somos máquinas, somos predestinados a viver nossos destinos como filhos de divindades e temos como escolher o melhor caminho. Eu escolho acreditar.

Beatrice estava calada, encarando a menina e a forma madura com que ela falou.

Bobo, não é? – Aurora deu uma piscadela e riu de forma leve. A vestal negou com a cabeça e deu um pigarro levantando-se do lugar e indo até o caixa, tirou alguns dólares de uma pequena bolsa de mão e acenou com a cabeça para saírem da lanchonete.

Agora vamos visitar alguém especial para mim! – Beatrice falou encarando os olhos claros da semideusa – E lá te contarei minha história.

A garota assentiu e as duas iniciaram uma caminhada calma, não conversaram no caminho. Aurora ficou confusa quando a paisagem residencial mais uma vez se alterou e um campo aberto se estendeu diante delas. Ao focalizar seus olhos percebeu que estavam em um cemitério, decidiu não perguntar ainda, apenas seguia de perto Beatrice e seus passos firmes.

A vestal atravessou o portão e com familiaridade seguiu entre as lápides subindo um pequeno morro e parando em seguida. Abaixou-se e tocou uma lápide, Aurora pode ver lágrimas silenciosas escorrendo por seu rosto marcado pelo tempo. A menina caminhou e sentou-se à sombra de um carvalho, próxima, o local – mais alto – tinha uma cena incrível da cidade.

John era um semideus, filho de Apolo. Éramos amigos, tínhamos quase a mesma idade quando cheguei ao acampamento, machucada, ferida – tanto externamente quanto internamente. – A mulher iniciou um discurso – Ele foi meu primeiro amigo. Naquela época, eu já havia sido escolhida por Héstia, serviria por 30 anos e, então, ao fim... Nos casaríamos.

“Eu o amava com todo meu coração, mas Héstia me salvou, me abrigou e quando minha família desmoronou, ela estava lá e me escolheu. Eu amava John, mas servi-la era importante para mim.”

“Vínhamos aqui em Brownsville, pois ele gostava que fosse um bairro residencial, ele dizia que aqui era lugar de pessoas comuns com vidas comuns, como você, era por isso que ele lutava, no que ele acreditava. Lutamos para que haja vida. E eu acreditava nisso, também, como vestal – meu trabalho era manter a paz.”

“Héstia via pureza em nós e confiava em mim que nunca a trairia, tinha permissão para vir tomar café com ele naquele mesmo local que visitamos mais cedo. E, então, 1945 chegou... A Guerra. Os mortais acreditam que foi um embate ideológico, mas eles não sabiam que era uma guerra entre os deuses, sangue divino foi derrubado de todos os lados, semideuses travaram batalhas assustadoras e as faltas foram muito maiores do que os livros de história descrevem.”

“Ele foi... Apesar de eu implorar, chorar, faltava tão pouco para acabar minha servidão. Mas, o John era assim, decidido, bondoso. Ele morreu lutando pelo o que acreditava.”

“Consegui encontra-lo, no fim, estávamos ligados e Héstia me ajudou, ele morreu nos meus braços. Pediu que eu o enterrasse aqui para que pudesse olhar para as famílias felizes.”

“Depois disso, pedi que a deusa me permitisse envelhecer – já que a morte, ela não me concedeu – e eu continuaria a servi-la. E agora meu fim se aproxima e vou me encontrar com ele. Hoje é seu aniversário de morte.”


Então, ela se calou e olhou mais uma vez para a lápide do amado. Aurora estava atônita, encarando a vestal com os olhos arregalados.

Eu... Sinto muito, Beatrice! – Ela falou minutos depois de um silêncio incomodo.

Eu também sinto! – A mulher confidenciou com um sorriso franco e distante. –Mas, obrigada!

Você se arrepende? – Perguntou a garota com a voz baixa e insegura.

De ser uma Vestal? – A mulher surpreendeu-a – Nunca! Era quem eu verdadeiramente era, ou melhor, sou. Estou triste pelo o que não pude viver ao lado dele, mas não pelo tempo que vivi, sendo uma seguidora da deusa ou não. Relacionamentos são muito mais do que isso. Eu choro pela saudade.

Aurora assentiu, Beatrice tinha toda a razão, ela então descobriu o motivo de toda aura de tristeza da mulher.

Bom..., mas, ele não gostaria que ficasse chorando e triste! – Ela completou limpando o rosto e sorrindo – Sempre me disse que eu era mais durona que ele!

Aurora levantou os braços animada e se colocou em pé, fazendo uma pose infantil engraçada. – É isso aí!

Vamos para nosso último destino e, então, podemos voltar para o Acampamento! – Ela informou.

Sim, senhora! – A semideusa bateu continência de forma divertida.

As duas saíram do cemitério e pediram um táxi, Beatrice informou o destino: Coney Island. A viagem levaria pouco mais de trinta minutos informou o motorista e as duas assentiram. Aurora apesar de relaxada, observando a janela e chamando de tempos em tempos a senhora para observar coisas bonitas pelo caminho, uma parte de seu cérebro prestava atenção a cada detalhe, tentando prever o perigo, pois, no fim, eram duas semideusas.

O caminho foi calmo e sem nenhuma intercorrência – era a primeira vez que Aurora visitava a famosa cidade de Coney Island. Tão logo chegaram, se encaminharam para um restaurante lindo à beira-mar para almoçar. Era alta temporada, então, haviam muitas pessoas por todos os locais o que deixava com um ar muito aconchegante.

Já era tarde quando saíram do restaurante e se encaminharam ao Luna Park, famoso parque de diversões e ponto turístico.

As duas caminhavam calmamente entre os turistas como se vivessem em outra dimensão, sem pressa e apenas curtindo a vista. Beatrice caminhou até o Carrossel, todo iluminado e muito bonito e sentou-se em um banco. Permaneceu em silêncio e Aurora decidiu deixa-la sozinha, presumindo que aquele local, de alguma forma, também fizesse parte de sua história com John.

A semideusa caminhou até o píer, observando o mar e vendo o céu transformar-se para mais um anoitecer. Se a deusa Aurora fosse realmente sua mãe, esse era o seu segundo momento – quando passava pelo céu para prepara-lo para que sua irmã, Selene/Luna, alçasse majestosa pela noite.
Ela estava mais atenta do que tudo neste momento, de alguma forma seu sexto sentido criava um certo incomodo no fundo de seu cérebro. Estava sozinha no ponto mais distante do píer, quando seus pressentimentos foram confirmados.

De debaixo da estrutura de madeira, surgiu uma criatura monstruosa. “Químera”, pensou a menina alarmada. Com três cabeças, uma de bode, outra de leão e a do meio de dragão, ainda possuía um rabo de cobra, a quimera era uma fera mitológica antiga e letal, que havia feito sucumbir muitos semideuses.

Droga! – Praguejou ela nos segundos que teve antes da terceira cabeça cuspir labaredas de fogo. A semideusa não pensou duas vezes, antes de saltar do píer e cair na areia fofa na orla do mar, flexionou levemente os joelhos quando seus pés tocaram o chão afim de absorver o impacto e logo se pôs a correr.

FOGO! FOGO! – Gritava ela correndo e esbarrando nos transeuntes, enquanto se movia a todo vapor para encontrar Beatrice. A criatura avançava pelo píer cuspindo fogo. Ela teve de dar a volta pelo calçadão da praia, subir um lance de degraus antes de estar novamente no píer.

Precisava tirar os mortais dali, provavelmente a nevoa os impedia de ver o risco real, mas o caos começava a se instalar quando as pessoas notaram o fogo se espalhando de forma assustadora e vindo do ‘nada’, começavam a correr de um lado para o outro desorientadas.

BEATRICE! – Gritava Aurora. Ela, então, viu os cabelos brancos da vestal se aproximando da Quimera, a semideusa correu com todas as forças, pulando sob um carrinho de pipoca que estava caído.

A quimera avançou sedente para a vestal, cuspindo fogo de forma aterrorizante – Aurora viu a semideusa levantar os braços e as chamas rodearam Beatrice, obedecendo-a. Lembrou-se que as Vestais de Héstia conseguiam manipular o fogo, sendo seguidoras da deusa do Fogo Sagrado.

Contudo, a cauda da criatura, lançou-se a frente e a atacou, fazendo que a mulher fosse jogada a alguns metros, seu corpo chocou-se contra a bilheteria de um dos brinquedos e caiu inerte ao chão.

Aurora a alcançou, colocando-se em sua frente, com as mãos formando um arco, a semideusa concentrou-se em seu oponente, e uma enorme cúpula de luz o envolveu, prendendo-o. A cada estocada com a cauda e as três cabeças que a Quimera fazia na defesa da semideusa ela sentia-o se desintegrar, mas daria tempo o suficiente para se esconder. Ela abaixou-se e levantou a mulher nos ombros, se pondo a correr.

Tinha certa dificuldade, pois a mulher era pesada, mas precisava ver se ela estava bem – sabendo que teria de voltar para a criatura, pois ela continuaria atacando e muitos mortais poderiam se machucar.

Está ferida... – Falou Aurora ao colocar Beatrice no chão e olha-la atentamente.

Preciso voltar... – Começou a mulher.

Fique aqui! – Ordenou Aurora.

Sou mais poderosa que você! – A senhora proferiu e ela tinha razão, a menina podia reconhecer isso, mas Aurora via uma mancha de sangue se estender pelo vestido branco na região abdominal, onde ela havia sido atacada pela cauda do monstro.

Não tem nada a ver com poder, tem a ver com coragem. Fique aqui, eu já volto. – Aurora falou cheia de coragem.

Beatrice encarou aquela menina, era notável que era poderosa, mas a quimera poderia ser ainda mais. E ela não temia. Em seus olhos havia uma chama ardente, enquanto ela retirava de uma bainha presa por baixo da camiseta, uma adaga e corria de volta à luta com a pele brilhante protegida por seu escudo – um ponto de luz em batalha.

A quimera já estava solta do escudo que Aurora criou a sua volta, a garota correu rapidamente de encontro, saltando entre os escombros flamejantes do que já havia sido destruído. A criatura era forte, mas não era rápida, a menina queria afastar o quanto pudesse da Vestal ferida e depois... Depois ela improvisaria, mas terminaria sua missão.

Aurora pulou alto o suficiente, cravando sua adaga com as duas mãos apertadas em volta da arma, diretamente no pescoço da cabeça de bode da criatura, usando o peso de seu corpo para criar uma abertura com a lâmina na região.

Ao cair no chão, rolou desviando-se da cauda que serpenteava buscando-a, contudo, a criatura girou respondendo ao ferimento e com uma das patas atingiu em cheio o corpo da semideusa que foi lançada longe, quebrou as madeiras do beiral do píer e caiu na areia da praia lá embaixo.

Rolou na areia, protegida por seu escudo, mas ainda sentindo o impacto da queda de alguns metros. O sol repousava no horizonte da praia e ela olhou aflita, enquanto a criatura pulava para a areia, dando um meio voo desajeitado, e avançava contra ela.

De repente, uma bola de luz apareceu no horizonte e desceu o céu, cortando quilômetros em poucos minutos, ao aproximar-se da praia, sua luz cegou a Quimera, fazendo-a retesar e soltar uma granido tamanha a intensidade, Aurora precisou colocar as mãos à frente dos olhos para se proteger.

A bola de luz caiu na areia, levantando poeira e quando a semideusa conseguiu olhar, era um arco dourado. A menina correu e pegou-o com a mão direita, era pesado, mas pareceu se adequar à ela, assim que ela o empunhou um cordão dourado irrompeu da upper limb passando pelas ranhuras da arma. Ela soube imediatamente o que fazer e quando puxou o cordão para trás uma flecha cintilante apareceu; Aurora aproximou o arco do corpo, com um braço flexionado manteve segura a flecha e o cordão, enquanto mirava bem ao centro do monstro.

Assim que lançou o projetil, sentiu seu corpo retesar, tamanha a força do arco, mas a flecha seguiu zunindo seu caminho e atingiu a criatura no corpo, próximo ao pescoço de dragão que se preparava para lançar chamas mais uma vez. A flecha fez a quimera reagir, grunhindo e batendo as patas no chão.

Aurora lançou mais uma flecha, elas apareciam conforme a menina se preparava para atirar. Esse projétil, contudo, acertou a pata direita do monstro que reagiu preparando-se para avançar de forma violenta.

Contudo, a Quimera foi laçada por um enorme chicote de fogo, a criatura grunhiu, estava segura pela cabeça do meio, a de dragão.
DE NOVO! – Gritou Beatrice.

Aurora soube o que fazer e preparou-se para lançar mais uma flecha, esta passou zunindo pelo ar e acertou o encontro dos três pescoços, enquanto se debatia para escapar do ataque da Vestal.

Afaste-se! – Gritou ela, enquanto o chicote de fogo se desintegrava.

Aurora sentiu o poder emanando de Beatrice, os olhos da mulher estavam fechados, enquanto se preparava e, então, a semideusa viu uma das cenas mais lindas que já teve a oportunidade de ver. Do centro do corpo da Vestal, através de suas mãos uma lavareda irrompeu de forma indomável como uma chama consumindo tudo à sua frente.

Assim que acertou o monstro, ele foi consumido pelas chamas flamejantes que eram tão brancas quanto a sua própria pele, desaparecendo totalmente entre o ataque. Um silêncio assustador seguiu-se, até que as chamas desapareceram a tempo de observar a quimera se tornar pó negro e ser absorvido pelo chão.

A menina sentou-se na areia, suas mãos tremiam e seus olhos estavam arregalados, sentindo a adrenalina pulsar em seu corpo magro, então, olhou para Beatrice e a viu cair fracamente na areia.

Beatrice! – Gritou ela correndo de forma desajeitada até a mulher. – Falhei com você!

Você é muito corajosa! E poderosa, também! – Falou a Vestal sorrindo.

Vou falar com Quíron, vamos para o acampamento! Você ficará bem... – A semideusa falava apressadamente.

O veneno em meu corpo está se espalhando rápido. Tenho força para nos transportar apenas uma vez e prefiro que seja para o Templo... Quero morrer como a Vestal que sou, preciso me despedir de Ava...

Aurora assentiu. Beatrice levantou a mão direita e de sua palma surgiu uma chama vermelha e amarelada, então, fechando os olhos as duas foram transportadas pela vestal. A menina sentiu seu corpo ser puxado, depois sua pele se aqueceu e num piscar de olhos estavam em outro local, seu arco – que a encontrou misteriosamente – havia desaparecido.

As duas estavam de frente a uma enorme porta de madeira, em seus entalhes podiam ser vistos cenas de Hestia sob o Fogo Sagrado, o templo era de mármore tão branco quanto a pureza da deusa do fogo e suas vestais.

Ava... – Sussurrou Beatrice e de repente ouviram um piado distante e triste. Em segundos, uma ave enorme e majestosa apareceu sobrevoando e posou ao lado das duas – era uma fênix, uma das criaturas mais poderosas e raras do mundo. Ela estava com as penas acinzentadas, parecia fraca e olhou com carinho para a mulher como se as duas se entendessem.

Me ajude a entrar, Aurora... – Pediu Beatrice.

Aurora assentiu e ajudou a vestal se levantar, depois empurrou as enormes portas e revelou uma enorme sala, aconchegante, podia sentir o calor do Fogo Sagrado emanar do fundo da sala.

Obrigada, Aurora! – A mulher sorriu – Por me ajudar, por ser você... Será grande, menina... Me prometa que se manterá assim, pura, para sempre?

Farei o que posso! – A menina sorriu de forma inocente, seus olhos estavam vermelhos.

Ava pressentia, estava preparando sua transição comigo... – A mulher suspirou olhando para sua ave de forma carinhosa, depois encarou a menina com seriedade. – Não quero ser curada, Aurora, já vivi muito... Quero ir ao encontro de John.

Sim, senhora!

Quero ir junto ao fogo sagrado, me deixe lá dentro... Depois, prometa que me enterrara junto ao John!

Eu prometo, Beatrice! – Ela afirmou juntando o punho junto ao coração – Vá em paz, filha de Deméter, Vestal de Héstia e amor de John.

A mulher sorriu e fechou os olhos, Aurora carregou-a e entrou no salão, deu poucos passos e deixou Beatrice lá, deitada no chão como se ressonasse levemente e Ava, sua fênix, a seguiu parando ao lado de sua dona; Aurora, em respeito, saiu da sala e fechou a porta atrás de si.

Ficou em silêncio, sentada com as costas junto a parede, rezando para que Héstia, a deusa a quem Beatrice serviu com tanta grandeza, a protegesse nesse momento.

XXX


A vestal morreu naquela tarde, Héstia a visitou em seus últimos momentos e ela pode ver John antes de seu espírito se elevar. Ava, em um momento sagrado de imolação, morreu em seu próprio fogo ao lado de sua companheira, se tornando cinzas.

A semideusa cuidou de todos os preparativos, avisou Quíron e o Senhor D. do acontecido, eles enviaram ajuda para transportar o corpo da vestal e ela teve um funeral humilde e singelo – do exato jeito que ela queria, sendo enterrada junto a seu amor.

Aurora cuidou por dias de Ava, a fênix de Beatrice, até o enterro onde a ave levantou voo de forma majestosa, deixando seu canto para trás, enquanto sua dona repousava na colina. A semideusa estava exausta, fez o caminho até Long Island em silêncio.

Ao subir a colina recordou de dias antes quando saiu acompanhada pela vestal, deu um sorriso torto e continuou a caminhar; Quíron esperava em frente ao Carvalho de Talia, estava encostado em seu cajado.

Logo que Aurora atravessou a barreira protetiva, pela manhã, uma luz irradiou do céu, quase como um segundo sol, o centauro olhou para cima e, então, reconheceu – Aurora estava sendo reclamada.

Aurora mirou seus olhos para a imagem, um sol saindo sob o contorno de uma montanha, entendendo que sua mãe, a deusa do amanhecer, a reconhecia perante todos. Em silêncio, apenas deu um aceno com a cabeça para todos e caminhou para o chalé 11 – provavelmente ela teria de mudar-se, mas, por enquanto, gostaria apenas de se sentar.

Ao entrar no chalé, caminhou até um dos cantos onde seu beliche ficava e notou com estranheza ao reconhecer sob seu travesseiro um delicado colar, seu pingente era o mesmo sinal que apareceu anteriormente sob ela, um sol nascendo ou se pondo sob uma montanha; ele reluzia sob a fronha cinza de sua cama.

Assim que tocou com seus dedos de forma leve, o colar esquentou sob seu toque e se revelou no arco que a salvou anteriormente de forma rápida. Era um presente de sua mãe. Pegou a arma entre as mãos e se sentou, exausta, mas, de certa forma, feliz.

pormenores:
observações:
Oi, avaliador.
Esta CCFY seria para a Reclamação da Aurora, mas a deusa Macária já me colocou no grupo - por uma consideração que ela descreve aqui na avaliação desta primeira ccfy. Sendo assim, fiz esta para motivos de trama (iniciação para o Grupo de Vestais de Héstia) e para ganhar uma arma de reclamação. Abaixo seguirá os outros pontos e a arma pretendida. Obrigada!
arma:
• newdawn [Um arco recurvo de 65 polegadas, pesando 40 lbs, sua coloração é dourada, sobretudo, quando tocada pela proprietária adquire brilho e a corda de lançamento aparece, surgindo da upper limb passando pelas ranhuras. As flechas de mesma coloração se materializam no momento da flexão da corda.| Efeto 1: As flechas geram dano de X ao atingirem o alvo| Efeito 2: Aumentam X quando usado pelo amanhecer, totalizando X | Efeito 3: Se transforma em um colar de sol sob uma montanha | Ouro Imperial | Sem espaço para Gemas| Beta| Status: 100% Sem danos | Comum | Item Inicial]

Obs: Pode ser alterada do jeito que o avaliador bem entender.
poderes | aurora:
passivos:

Nível 1
Nome do poder: Bela Alvorada I
Descrição: Os filhos de Eos/Aurora se assemelham a anjos – no quesito beleza – durante as primeiras horas do dia. Eles parecem emitir um leve brilho dourado em contato com a luz do sol nascente o que pode causar certa hesitação diante de uma batalha.
Gasto de Mp: Nenhum.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: Nunca será a primeira opção de ataque do inimigo.
Dano: Nenhum.

Nome do poder: Perícia com Arcos I
Descrição: A deusa possui uma aparência meiga e jovial, por isso é comum associarmos tal divindade a armas leves e de longa distância – como o arco –. Por isso, seus filhos herdam um tipo de perícia com essa arma, podendo manuseá-la de forma eficaz.
Gasto de Mp: Nenhum.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: +20% de assertividade.
Dano: +5% de dano da arma.

Nível 11
Nome do poder: Amanhecer Acolhedor
Descrição: A presença do filho de Eos/Aurora é capaz de trazer uma sensação de conforto e calma para seus aliados graças a aura que os cerca.
Gasto de Mp: Nenhum.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: Pode dar aos aliados num raio de 20 metros um novo ânimo para lutar.
Dano: Nenhum.
ativos:

Nível 1
Nome do poder: Proteção Luminosa I
Descrição: Um escudo de luz dourada surge ao seu redor, no entanto, nesse nível, o escudo é tão frágil quanto você é inexperiente e não resiste a ataques mágicos de seres mais fortes que você, ainda sim funciona bem para ataques físicos.
Gasto de Mp: 10 de MP por turno que permanecer ativo.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: Nenhum.
Dano: Nenhum.
Extra: Nenhum.

Nível 10
Nome do poder: Casulo Luminoso
Descrição: Os filhos de Eos/Aurora podem criar uma espécie de casulo feito de luz sólida e envolver o oponente, além de prendê-lo, tal casulo também causa queimaduras leves ao entrar em contato com a pele.
Gasto de Mp: - 30 de MP por turno que permanecer ativo.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: Nenhum.
Dano: - 35 de HP, caso o oponente entre em contato com a superfície do mesmo.
Extra: O casulo irá durar três turnos.
arsenal:
• Faca de Bronze Celestial [ Uma faca de lâmina curta - cerca de 10 cm - com cabo em madeira envolvido em couro para tornar o manuseio melhor. | Não produz feridas em mortais. | Bronze celestial, madeira e couro. | Sem espaço para gemas. | Alfa. | Status 100%, sem danos. | Comum. | Nível 1. | Item inicial. ]
poderes | beatrice:
passivos | vestais de héstia:
full - personagem fazendo uso de todos passivos, com exceção de cura através do fogo.
ativos | vestais de héstia:

Nível 35
Nome do poder: Pirocinese IV
Descrição: Agora a vestal cria e controla o fogo com técnica e maestria. Algo pode dar errado às vezes, mas ela saberá lidar com possíveis falhas devido ao que já aprendeu durante o período de sacerdócio.
Gasto de Mp: 60 MP por uso
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +90% de provocar queimaduras
Dano: Nenhum

Nível 45
Nome do poder: Chicote de Fogo
Descrição: Agora que as vestais são capazes de criar e domar o fogo de acordo com sua vontade, elas também podem fazê-lo se estender e adquirir a forma de um chicote.
Gasto de Mp: 40 MP por turno ativo
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: 80 a 100 HP, exceto em oponentes com imunidade ao fogo

Nível 50
Nome do poder: Transporte através do Fogo II
Descrição: Agora a vestal é capaz de se transportar através do fogo e levar no máximo dois aliados consigo. Pode ser através uma fogueira, uma lareira ou algo similar. É necessário que os dois pontos (ida e chegada) estejam com chamas acesas para realizar o transporte.
Gasto de Mp: 60 + 10 por pessoa
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Sempre é possível se transportar de volta ao Acampamento Meio-Sangue à noite, pois são realizadas cantorias em torno da fogueira.
Dano: Nenhum

Nível 55
Nome do poder: Chama Branca
Descrição: A Chama Branca ou Chama da Vida é, sem dúvida, a mais poderosa. Ela representa o elemento Fogo em sua conexão com o elemento Essências, ou seja, a Luz. Essa Chama é difícil de se dominar, sendo a última delas. Seu dano é direto, focado e, dependendo do ponto, fatal. A Chama Branca pode ser usada como ponto de convergência das energias da vestal, liberando toda a sua energia em uma única língua de fogo. É dita Chama da Vida porque, ao dominá-la, você a sente pulsar, no mesmo ritmo de seu coração. Ela pode romper proteções mágicas.
Gasto de Mp: 40% do MP
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Pode consumir de 40 a 60% do HP do oponente
Extra: Pode manipular a cor das chamas criadas de acordo com seu significado. É possível aplicar a cor da chama aos poderes ativos utilizados, aumentando o dano.
monstro:
Quimera - de acordo o bestiário (ps. não encontrei o link e nem o texto para aqui descrever, devem estar alterando)



Ἠώς – Êôs
hit me like a ray of sun
Aurora K. Graham
Aurora K. Graham
Filhos de Aurora
Filhos de Aurora

Idade : 17

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Mensagem por Hades em Qui Nov 21, 2019 1:16 am


Aurora

Valores máximos que podem ser obtidos


Máximo de recompensa a ser obtida: 5.000 XP –  4.000 dracmas – 10 ossos
Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 18%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 28%

Recompensa obtida: 4.800 XP –  3.840 dracmas – 10 ossos + Item

Comentários:
Houveram alguns erros de digitação ao longo do texto, assim como ausência de pontuação. Além de pequenas descontinuidades de plot. Porém é notável que você escreve bem, parabéns semideusa! Eu precisei modificar o item, afinal ele possui muitos efeitos.

• newdawn [Um arco recurvo de 65 polegadas, pesando 40 lbs, sua coloração é dourada, sobretudo, quando tocada pela proprietária adquire brilho e a corda de lançamento aparece, surgindo da upper limb passando pelas ranhuras. As flechas de mesma coloração se materializam no momento da flexão da corda. | Efeito 1: As flechas geram dano de X ao atingirem o alvo | Efeito 2: Aumentam X quando usado pelo amanhecer, totalizando X | Efeito 3: Se transforma em um colar de sol sob uma montanha | Ouro Imperial | Sem espaço para Gemas| Beta| Status: 100% Sem danos | Comum | Item Inicial] <-- Acabou que o item ficou com cerca de quatro a cinco efeitos, o que não é permitido para o material e qualidade.

Sugestão: • newdawn [Um arco recurvo de 65 polegadas, pesando 40 lbs, sua coloração é dourada, sobretudo, quando tocada pela proprietária adquire brilho e a corda de lançamento aparece, surgindo da upper limb passando pelas ranhuras. | Efeito 1: As flechas são materializadas assim que a dona puxa a corda, não necessitando de aljava. | Efeito 2: Se transforma em um colar de sol sob uma montanha. | Ouro Imperial | Sem espaço para Gemas | Beta | Status: 100% Sem danos | Comum | Halloween 2019]

Atualizado por Macária.

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Deuses Olimpianos
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Localização : Importa? A morte ainda será capaz de te achar.

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