The Blood of Olympus

[MF] Noah Pompeo

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Mensagem por Noah Pompeo em Seg Nov 11, 2019 12:00 am


A travessiaMissão Fixa

Noah não estava acostumado com festas. Ele nunca tivera a oportunidade de ir em uma quando morava no orfanato da Senhorita Amber. As únicas que o semideus tinha ido foram as festas de família, quando ainda tinha uma, e isso fora há muito tempo atrás, entretanto, todos os outros campistas pareciam extremamente confortáveis, principalmente os filhos de Dionísio.

— O que está achando? — Perguntou um filho de Apolo. Ele tinha um sorriso travesso nos lábios e um copo de ponche na mão.

— Eu confesso que não sou muito de festas... — Noah bebeu um pouco da sua bebida. — Não estou acostumado.

— Já já você se adapta. — O filho de Apolo deu a impressão de que continuaria a conversa, mas de repente uma expressão de incredulidade surgiu no seu rosto. — Espera só um instante, tem alguns sátiros que não sabem se controlar. Ei! Você aí! Larga essa latinha!

E saiu correndo em direção ao sátiro. Noah deu uma risada curta e ficou observando enquanto o semideus que acabara de falar com ele tentava conversar com a criatura mágica.

A prole de Deméter, bebericando seu ponche, decidiu sair do salão principal e ir para outro andar, a fim de espairecer um pouco a mente. Percorreu pelos corredores de pedra crua e fria. Os semideuses haviam caprichado na decoração da festa, deixando tudo com um ar fantasmagórico. Por onde quer que andasse, havia uma ou outra cabeça de abóbora enfeitada que ele e seus irmãos ajudaram a cultivar para o evento. Serpentinas de cores escuras pendiam do teto.

Noah subiu as escadas e entrou em um dos quartos. Primeiro teve a impressão de que ninguém varria aquele quarto há eras. Tinha no cômodo: uma cama de casal, uma cadeira almofadada, um guarda roupa de madeira bruta e um lustre empoeirado pendia do teto. O semideus debruçou na sacada de pedra do quarto, apoiando-se para observar o jardim à sua frente. Estava pensando na vida e em como estava feliz desde que chegara ao Acampamento Meio-Sangue quando ouviu um lagrimejo tímido, como se a pessoa estivesse prendendo o choro para não incomodar ninguém.

Ele se virou, procurando o dono do choro preso. A princípio achou que era coisa da sua cabeça, pois não viu nada. Era como olhar para o quarto vazio. Então, bem na cama, tremeluziu a silhueta de uma menina. Ela estava sentada na cama de casal, com as mãos no rosto. Ele nem tinha bebido nada alcoólico para estar delirando daquele jeito.

Noah pegou seu copo de ponche e ficou parado no meio da porta entre o quarto e a sacada, piscou algumas vezes, mas a garota continuou a aparecer e desaparecer.

— Quem... É você? — Disse, num tom doce.

— Eu? — Ela suspirou. — Quem se importa? Ninguém se lembra de mim mais. Todo mundo que se importava comigo já morreu também!

A menina vestia um avental de agricultura e seu cabelo estava preso em um coque totalmente desajustado, parecendo que fora pega por um vento muito forte e parecia não ter mais que treze anos.

— Posso ajudar em algo? — Perguntou o semideus. — Tem algo de errado?

A menina riu, mas não uma risada gostosa de quem ri após uma piada, foi mais um deboche entre as lágrimas.

— Algo de errado? — O fantasma olhou nos olhos dele. — Estou morta! Isso que há de errado! E eu não quero ir para aquele mundo horrível.

— Pera, eu achei que só os filhos de Hades conseguissem se comunicar com fantasmas. — Ele mordeu o lábio inferior. — Então, você não quer ir para o Mundo inferior?

A menina olhou sem paciência para ele.  

— Claro que não! — Ela falou como se aquilo soasse como uma pergunta idiota. — Dizem que é frio e... Escuro.

— Quem disse? — Indagou Noah, passando o dedo na borda do seu copo. — Ninguém, nos tempos de hoje, voltou de lá.

A menina, se tivesse algum sopro de vida, teria corado, pois pareceu envergonhada.

— Bem... É verdade... — Disse, por fim. — Mas há contos, todo mundo sabe.

— Olha, você pode ir para os Campos Elísios, nunca se sabe.

— RÁ — Novamente a risada de deboche. — Essa foi boa, eu não fui uma heroína, nem fiz nada grandioso para a humanidade, eu iria direto para os Campos de Asfódelos.

Noah suspirou. Isso era verdade. Diante daquele argumento, o semideus pensou para onde iria quando morresse. Ele era uma pessoa boa, então provavelmente os Campos de punição não seria seu destino, mas, em compensação, até o momento não havia nenhum feito heroico para merecer o Campos Elísios.

— Se você não foi uma heroína, então me diz o que foi. — Pediu Noah, sentando-se em uma cadeira almofadada.

— Minha mãe tinha uma loja de flores. — O fantasma pareceu pensar. — Isso já tem anos! Viu? Eu não cheguei nem a ser debutante. Não posso ir para lá, não vivi o bastante.

Ela pareceu tristonha com aquele fato.

— Um dia eu estava colhendo as flores para um lindo buquê quando escorreguei na lama e bati com a cabeça em uma pedra. — Ela pareceu suspirar, tirando o fato de que fantasmas talvez não suspirem porque não respiram. — Uma tola totalmente azarada... Aquele buquê estava ficando tão lindo!

O silêncio invadiu o quarto e um sopro gelado passou pelo cômodo. Noah precisava quebrar o gelo daquela última fala da menina. Que azar que ela tivera! A vida era tão injusta...

— Eu sou bom com flores também. — Comentou Noah. — Filho de Deméter, deusa da agricultura.

Os olhos da menina pareceram brilhar.

— Os que eu mais gostava de colher eram os lírios... Mas também tinham as plantas medicinais que ajudava com a mamãe. — Comentou, sonhadora, como se aquilo tivesse acontecido há séculos. — Uma vez, salvamos um rapaz de envenenamento, minha mãe me ensinou tudo.

— Está vendo? Isso foi um feito heroico. — Noah ajeitou a postura na cadeira. — Esse rapaz poderia ter morrido se você não tivesse ajudado.

O fantasma pareceu ponderar sobre aquele argumento.

— Sem contar que, se esse ato te levar para os Campos Elísios, você poderá colher quantos lírios quiser. — Ele bebeu o último gole de ponche. — Dizem que lá é um paraíso.

— Mas... quem me garante que irei para lá? — Perguntou, ainda desconfortável.

— Não tem ninguém no plano terrestre que vai te dar essa resposta. — Explicou. — Só cruzando a ponte entre os mundos que você vai saber a resposta.

Ela tremeluziu novamente, mas Noah pode notar um sorriso de canto de boca.

— Sem contar que você sente saudades da sua mãe, não sente?

— Sim... Muita. — Ela olhou para o alto, para o teto. — Acho que eu me perdi dela quando... Bem, quando me tornei isso aqui. Anos depois eu soube que ela havia morrido.

— Então, pergunte a si mesma, por que ainda está aqui?

Ela não respondeu. Noah ficou pensando se isso acontecera também com seus pais quando eles se foram. Devia ser horrível ficar vagando como uma alma perdida por não aceitar a morte.

— Mas... Eu tenho medo... — O fantasma olhou com olhos de tristeza, tremeluzindo. — E se eu não encontrar minha mãe?

Noah não sabia o que falar. Realmente, haviam histórias que o Mundo Inferior só crescia a cada ano que passava e, pela quantidade de gente que morria, o reino de Hades devia ser enorme. Seria como achar uma agulha num palheiro, mas o lugar dela não era mais ali, entre eles. Os deuses haviam reservado algo para espíritos como ela.

— Pelo menos você terá a eternidade para procurá-la. — Brincou Noah e sorriu. — E não é aqui que você irá encontrá-la.

— Tem razão... Obrigada pelo conselho. — Ela tremeluziu e sorriu. — Eu te abraçaria, mas provavelmente você vai sentir desconforto com alguém passando por dentro de você.

Ela riu, agora o riso não era de deboche.

— Espero que você se dê bem. — Noah disse, tentando ser afetuoso.

O fantasma da menina foi até a sacada, olhou para o céu escuro e depois fitou Noah, o olhar parecia transmitir gratidão.

— Adeus, filho de Deméter.

Com isso, ela desapareceu, deixando Noah no quarto, sozinho, com seu copo vazio e aquele cheiro de mofo. Pensativo, ele abriu a porta no momento em que um casal tentava entrar para fazer sabe lá o que. Ele riu e desceu as escadas, sem acreditar no que acabara de acontecer. Precisava de mais bebida para aguentar aquela noite e suas surpresas.

Missão
A travessia

Há criaturas que não estão felizes com a própria morte e por isso acabam presas no plano terreno, sem nunca passar pelo julgamento para saber qual o destino de sua alma. Você encontrou um destes fantasmas e agora tem que argumentar com ele para que ele cruze ao reino dos mortos.
Requisito – Mínimo nível 1.
Recompensas até: 3.000 XP – 3.000 Dracmas – 3 ossos
Noah Pompeo
Noah Pompeo
Argonautas de Hera
Idade : 17
Localização : Ilha de Argos

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Mensagem por Melinoe em Seg Nov 11, 2019 11:15 am


Avaliação


Valores máximos que podem ser obtidos


Máximo de recompensa a ser obtida: 3.000 XP – 3.000 Dracmas – 3 ossos
Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

Recompensa obtida: 3.000 XP – 3.000 dracmas – 3 ossos

Spoiler:
Noah, achei seu post muito criativo, e de uma leitura muito fácil. Gostei de como relacionou o fantasma à sua própria história. Parabéns!

Atualizado por Hefesto

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