The Blood of Olympus
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Mensagem por Matt Logan Miller em Dom Nov 10, 2019 6:27 pm

halloween
Tópico destinado às missões decorrentes do Halloween, por Matt Logan Miller.  


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Mensagem por Matt Logan Miller em Dom Nov 10, 2019 7:13 pm

01
IMMORTAL








Eu acabei me entediando com a festa antes do que eu pensava.

O ponto negativo era que lá se ia a minha chance de conhecer novas pessoas e fazer amigos; o ponto positivo é que eu estava em um enorme castelo construído por deuses Olimpianos e eu estava louco para explorar.

Os meus passos ecoavam pelos corredores de pedra, exatamente como em um filme de terror. As paredes negras eram altas e as janelas pontudas, o que me lembrava um pouco um versão mórbida de Hogwarts. Mesmo estando naquele mundo novo e todo cheio de coisas mágicas, pensar em ser um bruxo ainda era divertido e um sonho distante - até porque frequentar uma escola de magia parecia menos perigoso do que ser caçado pelo resto da eternidade por monstros famintos.

Você é um semideus, Matt - não um bruxo. E é só isso o que você ganha.

Ótimo. Não é como se eu quisesse só me divertir e não correr risco de vida mesmo.

Geralmente eu me considero um cara corajoso, mas depois de um tempo andar por aqueles corredores não me pareceu uma ideia tão brilhante assim - pelo menos não sozinho. A verdade era que, conforme a música da festa foi ficando para trás e a iluminação das velas foi ganhando um tom mais macabro, senti um certo frio na espinha que tentava me dizer em tom silencioso que talvez eu houvesse feito besteira.

Não era como diziam, afinal? Que a curiosidade matou o gato?

Ainda bem que eu era um ser humano - ou semideus, depende do ponto de vista - e estava à salvo em uma construção totalmente amigável construída por diretores responsáveis, certo?

Por que eu não sentia tanta firmeza assim?

Interrompi meus passos quando percebi um vulto passar atrás de mim. Senti meu coração bater um pouco mais forte e congelei em meus pés, me perguntando se seria interessante me mover ou fingir que era uma estátua de mármore no meio da passagem. Quando uns dois segundos se passaram e eu ainda estava vivo, decidi olhar para trás apenas para me deparar com nada.

Me virei na direção em que havia visto o vulto e franzi a testa em confusão, minha mão coçando os cabelos conforme eu me questionava se estava imaginando coisas. No geral eu diria que estava sendo paranoico, mas considerando que eu havia sido atacado pelo meu ex-patrão-gigante há apenas 48 horas, decidi que eu tinha direito de me sentir assustado.

"Tá tudo bem. É só a sua imaginação, tipo quando o pai e a mãe saem de casa pra jantar e te deixam sozinho."

Repeti em voz alta até que soasse minimamente verdade.

Tentei controlar minha respiração conforme resumia minha caminhada, agora prestando atenção no cenário que aos poucos começava a mudar.

Diante de mim, surgiu um tapete. Junto do tapete havia algumas mesinhas de canto com ornamentos antigos e portas pontiagudas, exatamente no mesmo formato das janelas. Por alguma razão, o local era um pouco difícil de se enxergar e algo me dizia que fazia parte de uma mistura de escuridão com alguma magia bizarra que tornava aquele lugar um excelente palco para "A Casa Monstro". Decidi tentar ser um garoto valente e toquei uma das maçanetas, tentando virá-la apenas para perceber - por alívio! - que estava trancada.

Caminhei mais alguns passos em direção ao corredor de portas, olhando uma a uma para perceber que, no final, uma enorme parede de pedra se erguia.

Sem saída.

Decepcionado, virei-me sobre os tornozelos, apenas para perceber que atrás de mim também havia uma parede de pedra maciça.

"Pera. Quê?"

Me virei noventa graus e senti meu coração disparar quando, novamente, me deparei com uma parede de pedras. Girei cento e oitenta graus para notar que a porta ali também havia sumido. Senti meu coração disparar e fechei os olhos, minha respiração se tornando pesada pela realização de que eu havia ficado pedro em um quadrado pequeno de pedra. Antes havia um corredor infinito diante de mim. Antes havia um corredor pelo qual eu havia caminhado e portas dos dois lados. Agora havia eu e paredes de pedra dos quatro lados.

Matthew, não ouse entrar em pânico, não ouse entrar-

"Vish, acho que a névoa pegou alguém!"

Ouvi a voz conhecida soar perto de mim, fazendo com que eu abrisse os olhos.

Para a minha confusão, eu estava novamente no corredor de antes, mas agora encolhido e provavelmente tão pálido quanto um filhotinho de urso recém resgatado.

Connor parecia achar a situação engraçada, uma vez que ele e Ethan sorriam para mim, como se eu houvesse acabado de cair na piada mais velha do universo. Mas ainda assim, eu não tinha ideia do que eles estavam falando.

"Névoa? Como assim, névoa? O que está acontecendo? Vocês fizeram isso?"

Eu sabia que os filhos de Hermes não eram pessoas ruins, mas às vezes suas pegadinhas podiam sair do limite e isso me irritava bastante.

No entanto, quando perguntei se eles haviam sido responsáveis pelo meu pequeno ataque cardíaco, os dois caíram em gargalhada.

"Sem chances. Mas imagina que incrível nossas pegadinhas seriam se tivéssemos controle sobre a névoa."

"E respondendo a sua pergunta" Ethan completou, sorrindo quase tanto quanto Connor. "Névoa é uma espécie de magia que distorce a realidade. É o que é responsável, por exemplo, de nos esconder dos mortais comuns. Por isso às vezes eles acham que nossos pégasos são pássaros, ou cães infernais são lobos.

"E por que diabos colocariam isso aqui?" Exclamei em tom irritado, agora me sentindo ridículo por ter ficado com medo de uma ilusão. "Não sabem que isso pode enfartar os campistas?!"

"... Bem, essa é uma festa de Halloween."

Connor deu de ombros e eu fiquei puto porque ele estava certo.

Girando sobre meus calcanhares, decidi que não queria mais estar ali. Aquela ideia toda de ter vindo à festa havia sido idiota e a coisa mais inteligente a se fazer era pegar um ponche na festa e dar o fora dali. Eu tinha uma série de livros que queria ler e algumas partituras que ainda precisava passar para o papel. Era perda de tempo ficar por ali.

"Entendi. De qualquer maneira, obrigado. Vejo vocês pelo chalé."

"Epa, epa, mas como assim?" Connor franziu a testa, pousando a mão sobre o meu ombro. "Você já vai? Mas é a sua primeira festa no acampamento!"

"E não é como se você estivesse correndo algum perigo aqui! Relaxe um pouco!"

Ethan completou, fazendo com que eu soltasse um suspiro.

Eles tinham razão - de novo! - mas eu não estava exatamente no clima para festejar. Eu queria mesmo era fazer um upgrade de Matthew Miller para Aquiles e poder dar o fora daquele lugar para retomar a minha vida.

... Mas pensando bem, bem que névoa e todo o lance de ilusão era bem legal.

Connor deve ter percebido que eu estava cedendo, porque logo completou.
E
"Inclusive, você já viu o que tem atrás das portas? É muito incrível!"

Caminhei junto dos garotos em direção à um dos portais antes fechados e observei em curiosidade conforme eles giravam a maçaneta - abrindo-a. Senti meu coração bater um pouco mais forte e tentei enxergar o que eles queriam me mostrar, mas estava escuro. Cheguei até mesmo a me inclinar para frente para tentar enxergar melhor - mas o local parecia vazio e em total breu.

"Chegue mais perto ou não vai conseguir ver."

Ethan falou, fazendo com que eu me aproximasse um passo. Ainda assim era impossível enxergar qualquer coisa.

"Onde? Eu não estou vendo n-"

Eu nunca terminei aquela frase.

Com as mãos ágeis, senti minhas costas serem empurradas pelos irmãos que fecharam a porta pesadamente assim que tropecei para dentro do cômodo.

Senti o medo me tomar e certo desespero subir por meu corpo conforme eu corria em direção à porta e batia contra a madeira, ecoando altos "boom! boom!" que eram ignorados pelos dois adolescentes que gargalhavam do outro lado. Tentei girar a maçaneta, mas como imaginei, estava trancada.

E eu estava preso em um cômodo completamente escuro, junto com Deus-sabe-se-lá-o-que!

"Connor! Ethan! Isso não é engraçado! Abram a porta!"

Berrei, mas eles apenas davam risadas. Bati as palmas contra a madeira de novo e de novo, mas era completamente inútil.

"Você pode tentar sair ou esperar alguém te resgatar, Matt. Mas a casa é grande e os corredores são muitos - isso pode demorar."

Um deles riu, fazendo com que o ódio apitasse em meus ouvidos. Aquilo não estava acontecendo.

"Feliz Halloween!"

Escutei em uníssono junto com os passos que, aos poucos, se afastavam dali.

Informações:

Explorando o castelo
Você é bem curioso e decidiu que queria saber mais sobre o lugar que estava e, por isso, decidiu dar uma voltinha por aí. Tome cuidado com o que vai encontrar porque, se eu fosse você, estaria de olhos bem abertos.
Requisito – Mínimo nível 1.
Recompensa até: 950 XP – 1.500 dracmas – 1 osso

PS: Gente, perdão! Eu tentei, mas realmente não consegui aumentar o tamanho da fonte.



❝❞

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Mensagem por Melinoe em Seg Nov 11, 2019 10:49 am


Avaliação


Valores máximos que podem ser obtidos


Máximo de recompensa a ser obtida: 950 XP – 1.500 dracmas – 1 osso
Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 19%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

Recompensa obtida: 940 XP – 1.485 dracmas – 1 osso

Spoiler:
Matt, você escreve muito bem e me prendeu em sua leitura. O único problema veio por parte do tamanho da fonte, por isso o desconto. Se você não consegue alterar o tamanho da fonte do seu template atual, uma boa alternativa seria procurar um outro template, que te agrade tanto quanto o atual e que possa facilitar a leitura do avaliador. No demais, parabéns pela sua escrita e criatividade!

Atualizado por Hefesto

Melinoe
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Mensagem por Matt Logan Miller em Seg Nov 11, 2019 12:05 pm

CENTURIES
001
heroes get remember, legends never die
O único lado positivo da escuridão é que eventualmente ela fica menos escura.

Quando os seus olhos se adaptam à pouca luz e as pupilas se dilatam o suficiente para que você enxergue pelo menos a silhueta dos móveis que compõem o ambiente, é possível pelo menos se localizar no reino das sombras. No entanto, as coisas não deixam de ser extremamente bizarras e desconfortáveis.

Não é como se eu tivesse medo do escuro, mas eu o odiava.

E essa era a primeira pista de que talvez eu não fosse ser filho de qualquer deus ou deusa relacionados à escuridão. Pelo meu conhecimento mínimo sobre mitologia, eu já duvidava ser filho de Hades, por exemplo - o único deus cujo nome eu me lembrava e que tinha alguma conexão com o bizarro, escuro e mórbido.

Depois de cansar de socar a porta em esperança de que alguém atenderia, choquei as costas contra a madeira e deslizei até que me sentasse contra o chão gelado. Escorreguei as mãos sobre o rosto e soltei um suspiro irritado, não acreditando que realmente aquele era o desfecho da minha noite de Halloween. Eu já podia até ouvir os rumores sobre o garoto novato que havia sido encontrado aos prantos após 48 horas esquecido dentro da mansão de horrores.

A luz fraca que entrava pela janela - provavelmente oriunda da lua - iluminava aos poucos o ambiente que tinha absolutamente nada de extraordinário. Eu estava apenas em um quarto composto por uma grande cama de casal, uma penteadeira, uma mesa de centro e o que parecia ser um grande espelho. Aquele local me lembrava fortemente qualquer cômodo de um filme de terror que envolvesse uma velha mansão assombrada no topo de uma colina. E por mais bizarro que soasse, eu gostava.

Eu sempre fui um adorador de filmes de terror, mas estava aprendendo que talvez vivê-los não fosse assim tão legal.

"Ok, gênio. Primeiro grande ensinamento do mundo semideus: nunca, em hipótese alguma, confie em um filho de Hermes."

Repeti em tom baixo, o rancor claro em minha voz.

Soltei um suspiro conforme começava a pensar em como eu me livraria daquele calabouço - talvez eu devesse tirar uma soneca naquela cama gigante só para descobrir que é o lar de um monstro gigante. Talvez fosse uma boa ideia dar uma olhada pela janela para descobrir se estava em um andar alto ou se era baixo o suficiente para eu tentar pular. Talvez as janelas estivessem destrancadas.

Eu estava cheio de grandes planos, mas nunca coloquei nenhum deles em prática, uma vez que minha atenção foi completamente tomada por um ruído oriundo do canto direito do quarto.

Senti meu coração disparar e fitei a lateral em tom alarmado, já aceitando minha eminente morte. Cheguei a me perguntar se eu havia imaginado aquilo, mas quando o ruído soou de novo, me coloquei de pé em um único pulo. Saquei a faca que guardava comigo e me mantive em posição de ataque caso algo pulasse das sombras.

Eu estava ridículo segurando aquele punhal, principalmente com as mãos trêmulas.

"Q-Quem está aí?"

Gaguejei, passando zero da autoconfiança que eu esperava passar para intimidar o meu oponente. Caminhei em passos lentos em direção à cama, tentando investigar a origem do som. Meus olhos estavam atentos e passavam por todos os cantos em busca de figuras escondidas - possivelmente Connor e Ethan sendo perfeitos escrotos como de costume.

"G-Gente. Sério! I-Isso não t-tem graça."

Matthew Logan Miller era agora, senhoras e senhores, o primeiro personagem burro a sempre morrer em um filme de terror.

Eu estava procurando arduamente por alguém que queria me pregar uma peça e, por essa razão, minha atenção não estava voltada para o  chão - mais especificamente para debaixo da cama. Então quando a pálida e macabra mão fantasmagórica deslizou debaixo da cama em direção ao meu tornozelo, não percebi. Pelo menos não até sentir os dedos frios envolverem meu pé.

Eu gritei que nem uma criança.

Tropecei para trás em busca de liberdade, mas a mão me segurou mais forte do que eu esperava, fazendo com que eu caísse de costas. Puxei meu pé desesperadamente, me esquecendo completamente da arma na minha mão, e chutei os dedos brancos até que finalmente estivesse liberto. Decidido que não queria morrer naquela noite, disparei em direção à porta e comecei a socá-la com todas as minhas forças possíveis, gritando por ajuda. Ainda assim, o silêncio do outro lado indicava que eu estava sozinho.

"Pelo amor de Deus, por favor! Por favor! Eu não quero morrer!"

" E não deveria". Senti todos os pelos da minha nuca se arrepiarem com a voz cortante que soou do outro lado do quarto, debaixo da cama. "A morte é gélida e cruel."

Ok, Matthew. É agora que você começa a chorar e implorar pela sua vida.

No entanto, a figura sombria não deixou o seu refúgio debaixo da cama para me abraçar em uma morte lenta e dolorosa. Eu apenas conseguia ouvir sua respiração chiada - mortos respiravam? - e o tom triste que emanava da sua voz quase demoníaca. Eu ainda me tremia inteiro e tinha vontade de sair correndo, mas algo me dizia que aquele fantasma precisava de um psicólogo e não de uma vítima.

Ou pelo menos minha chance de sobreviver era maior se ele continuasse falando e não focando em me assassinar.

"Você... Você também era um semideus?"

Consegui dizer a primeira coisa que veio em minha mente. A princípio pensei que quela ideia era idiota e que um espírito jamais se engajaria em uma conversa comigo, mas logo ouvi um suspiro soar de debaixo da cama. Era bizarro eu estar conversando com um fantasma de verdade e não correr pela minha vida. Mas considerando a situação, eu não tinha para onde correr.

"Sim. Eu frequentei o Acampamento Meio-Sangue por três anos antes da guerra contra Cronos."

"Guerra contra quem?" Eu me sentia completamente ridículo e perdido. "Cronos como o Titã do Tempo?"

"O próprio. Houve uma grande comoção há alguns anos quando ele tentou destruir a humanidade. Muitos semideuses morreram injustamente naquela batalha. Muitos foram para o lado errado, para o time perdedor."

"E você... Huh... Está realmente morto?"

Resolvi que era uma boa ideia confirmar aquela informação já que não tinha certeza. Eu havia visto uma mão branca e bem fantasmagórica, mas até onde eu sabia, aquela podia ser a névoa trabalhando a favor das fantasias de alguns amigos de Connor e Ethan que colaboravam para me pregar uma peça.

Para o meu azar, acho que o fantasma também sentiu a minha dúvida. Sem eu pedir para que ele saísse debaixo da cama, observei conforme seus braços se arrastavam para fora, seguidos da sua cabeça, tronco e corpo. Não tenho certeza se ele se levantou daquela maneira bizarra, se contorcendo, apenas para me assustar - mas Deus! Funcionou.

Me encolhi contra a porta e senti meu coração bater mais rápido conforme eu apertava a adaga em um punho. Eu não tinha ideia se armas seriam capazes de machucar fantasmas.

"Sim. Eu estou realmente morto e, para a sua surpresa, não morri em campo de batalha." Ele respondeu em tom amargo, conforme eu o observava em puro pavor. Seu rosto era pálido, seus olhos circulados por manchas negras e, em sua cabeça, havia um pedaço nojentamente esmagado, por onde escorria uma quantidade considerável de sangue - nem de longe falso como o meu. "Eu morri salvando as pessoas que amava."

Por pelo menos uns dois minutos, eu e o garoto-fantasma ficamos nos encarando de lados opostos do quarto. Ele vestia uma camiseta laranja do acampamento - eu podia dizer pelas mangas que vazavam do peitoral de bronze da armadura - mas não parecia ter qualquer tipo de elmo, o que parecia útil considerando sua cabeça esmagada. Eu tinha um pouco de dificuldade em olhar para ele porque a cena gore do sangue que ainda parecia úmida fazia meu estômago se reduzir ao tamanho de uma ervilha.

"M-Mas, ei! Se você é um s-semideus, quer dizer que você é o good guy, c-certo? Você não iria, d-digamos..." Soltei uma risada irônica e levemente apavorada, como se aquela ideia fosse um absurdo. "Querer tirar a minha vida".

Uma risada amarga escapou dos lábios do fantasma que resolveu se sentar sobre o colchão da cama. Recuei um passo até que minhas costas batessem contra a madeira da porta, indicando que eu estava sem rumo para onde correr. Engoli em seco, irritado com meu coração que não parava de disparar.

"Semideuses nem sempre são bons, garoto. Você deve ser novo. Ficaria surpreso pelo número de pessoas que morrem pelas mãos dos nossos."

Tá, mas isso não quer dizer que você quer me matar, né?

Me mantive em silêncio e respirei fundo, me perguntando que diabos eu deveria dizer em seguida. Sobre o colchão, havia um morto claramente depressivo e atrás de mim uma porta trancada, sem saída.

Tentei trabalhar meu raciocínio em todas as escapatórias possíveis, mas acabei soltando um suspiro irritado e jogando as mãos para o alto em desistência.

Ok. Hora de conversar com os mortos.

"Bem, eu sei que semideuses podem ser pelo menos escrotos. É por isso que eu estou preso aqui." Resmunguei, olhando para o morto com atenção conforme escorregava as costas pela porta e me sentava - me certificando de que não seria atacado no processo. "E eu sou Matt."

"Meu nome é Jonas." Respondeu no mesmo tom macabro. "Filho de Ares."

"Jonas, certo." Assenti, um pouco sem jeito sobre como eu perguntaria o que queria perguntar a seguir. Será que um "ei, como você bateu as botas mesmo?" seria ofensivo? "Desculpe perguntar, mas... O que aconteceu com você?"

"Quando a guerra explodiu, todos os semideuses foram dirigidos para lutar contra Cronos. Na época, eu estava me preparando para batalha, mas meus dois melhores amigos haviam saído em missão exploratória há duas semanas e não haviam retornado." Ele começou em tom tristonho, me surpreendendo pela facilidade com que eu havia conseguido retirar todas aquelas informações. Deus. Aquele fantasma precisava desabafar. "Eu tinha algumas pistas sobre onde eles haviam ido, então quando todos deixamos o acampamento, eu fui procurá-los. Avery e Malcom haviam sido trancafiados em uma caverna por ninfas da floresta que haviam sido corrompidas pela queda de Pã, então eu fui ajudar."

"A batalha foi a parte fácil. Mas quando consegui adentrar o aprisionamento dos meus amigos, a caverna começou a ruir. Eu, sozinho, exterminei vinte ninfas da floresta. Mas, ao retirar meus amigos, percebi que ficaríamos presos e sem para onde ir. Consegui tirar Avery e Malmom a tempo, mas fiquei para trás. E, quando me dei conta, a passagem havia se fechado. Eu tentei escapar, tentei usar meus poderes, mas a barreira era mágica, criada por uma maldição que as ninfas jogaram sobre mim. Eu fiquei vivo por sete dias dentro daquela caverna, até que finalmente, quando nenhum deus escutou pelo meu chamado, eu abracei a escuridão."

Senti meu corpo se arrepiar com a história que era contada. Não ousei dizer uma palavra, até porque Jonas parecia realmente muito preso aos seus últimos momentos de vida.

Tentei ignorar como aquela história era trágica e como se assemelhava ao "O Chamado". Sete dias já havia virado um clichê e eu não estava afim de ficar sete dias preso naquele quarto até "abraçar a escuridão".

Ainda assim, eu conseguia sentir a dor da história de Jonas. Ele havia morrido salvando os seus amigos e aquela, pelo menos para mim, era a morte mais nobre que alguém poderia ter. Muito mais nobre do que morrer em um quarto por não conseguir abrir uma porta após uma pegadinha. Mas por que eu sentia culpa? Tudo bem que ele havia assassinado uma porrada de ninfas da floresta - o que não soa muito ameaçador, se me perguntar! - mas será que havia algo naquela história que não havia ficado bem resolvido para Jonas?

E se ele morreu de fome, por que caralhos ele tinha a cabeça desfigurada?

"Jonas, sem querer soar rude nem nada do tipo. Mas o que rolou com a sua cabeça?"

"Isso?" O fantasma perguntou em tom curioso, apontando para o sangue que escorria por seu pescoço. "Ah. É só pro Halloween."

Acho que minha cara feia deve ter ficado pior do que qualquer fantasia com litros de sangue.

Respirei fundo e soltei um suspiro pesado, tentando deixar minha indignação de lado e voltar para o ponto importante que agora era a história do semideus. Ele havia dito que a morte era gélida e solitária, certo? Seria porque ele não havia aceitado a própria morte?

"Você morreu salvando os seus amigos. Isso é muito heróico. O que você ainda está fazendo aqui? Não existe tipo um céu para pessoas como você?"

Uma risada irônica escapou dos lábios do morto, como se eu houvesse contado uma ótima piada. Ele revirou os olhos, quase que em tom de "criança burra". Tentei não me ofender. Afinal, ele era o morto ali.

"Não existe céu. Existe Campos Elísios que é para onde vão os heróis."

"Ok." Franzi a testa, absorvendo aquela nova informação. "Por que você não está nesse Campos Elísios então?"

"Porque é para onde vão os heróis, garoto. Que tipo de herói morre de fome por não conseguir escapar de uma caverna idiota?"

Pensei em resmungar que eu sentia a sua dor, mas fiquei quieto. Não era hora para fazer piada sobre nossas situações minimamente semelhantes.

Eu consegui segurar uma piada? Parabéns, Matt!

"Mas você mesmo disse que o lugar era amaldiçoado! E além disso, você morreu salvando duas vidas! Eu não sei exatamente o que é heroísmo para você, mas isso parece bem heroico para mim. E tenho certeza que Anubis concordaria."

"Anubis?" O espírito pareceu confuso. Droga. Meu discurso parecia ter funcionado até aquele momento. "Anubis é um deus Egípcio."

"Isso! Total. Eu sabia. Eu quis dizer..."

Olhei para o espírito em expectativa, mantendo um sorriso idiota em meu rosto. Quando ele percebeu que eu genuinamente não sabia quem era o deus dos mortos, ele revirou os olhos e suspirou em impaciência.

"Hades."

"Exatamente! Hades. Eu tenho certeza que ele também vai achar que você deve ir aos Campos Elísios. Pense em todas as pessoas que foram santificadas por muito menos!"

Jonas realmente pareceu pensar em meu argumento, ficando em silêncio por um tempo. Seus olhos negros se dirigiram à janela e ele respirou fundo - ainda me surpreendendo que aparentemente fantasmas respiram.

Quando ele não falou nada, percebi que talvez eu tivesse conseguido faze-lo enxergar as coisas por um ângulo diferente. Um ângulo em que ele não havia desonrado o pai por morrer em confinamento, mas sim sacrificado sua vida por seus amigos.

"Garoto, eu preciso de um favor seu." Ele finalmente quebrou o silêncio, levantando-se da cama. Também me coloquei de pé, disfarçando o fato de que eu ainda me sentia ameaçado por qualquer proximidade. "Eu preciso que encontre Avery e entregue isso à ela. Preciso que diga que ela sempre foi e sempre será o amor da minha vida."

Olhei em curiosidade conforme Jonas puxava um pingente do seu pescoço e o erguia em minha direção. Estiquei o braço e peguei o amuleto na palma, surpreso pelo seu peso. Analisei a pedra avermelhada em meio a três contas do Acampamento Meio-Sangue, parecido com os que campistas mais velhos usavam ali.

"Eu irei tentar encontrá-la e passar a sua mensagem."

Prometi com um aceno de cabeça, fazendo com que o fantasma sorrisse em resposta. Com um último suspiro nervoso, ele me deu as costas e encarou a janela diante de si. Observei em expectativa se ele iria destrancá-la ou-

"Obrigado, garoto. Continue vivo."

Ele falou em um tom sereno antes de simplesmente desaparecer.

Soltei um grunhido decepcionado por ele não ter saído pela porta ou pela janela e ter me deixado com uma rota de fuga, mas me limitei a olhar para o colar em minha mão e sentir o peso que ele carregava.

Aquilo era triste pra caralho. Ele havia dado a própria vida para salvar as pessoas que amava e agora estava separado delas por toda eternidade. Ou pelo menos até eles morrerem também.

Mas acima de tudo, eu realmente esperava estar certo. Eu realmente esperava que Jonas encontrasse seu lugar nos Campos Elísios.

Informações:

Há criaturas que não estão felizes com a própria morte e por isso acabam presas no plano terreno, sem nunca passar pelo julgamento para saber qual o destino de sua alma. Você encontrou um destes fantasmas e agora tem que argumentar com ele para que ele cruze ao reino dos mortos.
Requisito – Mínimo nível 1.
Recompensas até: 3.000 XP – 3.000 Dracmas –  3 ossos

Nenhum poder foi utilizado.

item:

• Faca de Bronze Celestial [ Uma faca de lâmina curta - cerca de 10 cm - com cabo em madeira envolvido em couro para tornar o manuseio melhor. | Não produz feridas em mortais. | Bronze celestial, madeira e couro. | Sem espaço para gemas. | Alfa. | Status 100%, sem danos. | Comum. | Nível 1. | Item inicial. ]



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Mensagem por Osten B. Griffin em Seg Nov 11, 2019 10:47 pm


Avaliação


Valores máximos que podem ser obtidos


Máximo de recompensa a ser obtida: 3.000 XP – 3.000 dracmas – 3 osso
Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

Recompensa obtida: 3.000 XP – 3.000 dracmas – 3 osso

Spoiler:
Você me prendeu no enredo do início ao fim e, mesmo eu não achando legal algumas expressões que usou no texto, gostei da sua escrita. Sugiro, apenas, que você não utilize templates com essa proposta, pois dificultam muito para o leitor, principalmente se ele for Míope, como eu. No mais, parabéns!

Atualizado por Hefesto.
Osten recebe 200 xp/dracmas + 2 ossos.


• SON OF ZEUS •
• REAPER LEADER •
• DISTURBED •
Osten B. Griffin
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Líder dos Ceifadores
Líder dos Ceifadores

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Mensagem por Matt Logan Miller em Ter Nov 12, 2019 12:31 pm

CENTURIES
001
heroes get remember, legends never die

Quarenta e cinco minutos podem parecer dias quando você está preso em um quarto escuro.

Eu já sentia que minha barba - que eu ainda não tinha, ok? - havia crescido três centímetros, que eu havia envelhecido vinte e cinco anos e que tinha perdido o casamento de todos os meus amigos desde que Connor e Ethan haviam me prendido naquele maldito quarto escuro.

Já havia passado por algumas poucas e boas ali.

Tentei encontrar alguma coisa aberta - uma janela, porta, alguma passagem secreta - mas não havia obtido sucesso. Também conheci Jonas, o fantasma do semideus que havia morrido preso em uma caverna mágica quando foi resgatar os seus amigos, e que agora eu acreditava poder ter o mesmo destino que eu. Só que aquela não era uma caverna mágica e sim uma merda de um quarto com uma fechadura simples.

E eu era incapaz de sair.

Eu devia ter a ponta do punhal há pelo menos dez minutos na fechadura, tentando inutilmente destravá-la com o objeto afiado. Soltei um suspiro irritado e apoiei a testa contra a superfície de madeira, balançando a cabeça em negação com minha própria incompetência. Os filhos de Hermes deveriam estar dançando e se divertindo batizando o ponche naquele mesmo momento em que eu tentava decidir se seria forte o suficiente para arrombar a porta ou não - ou pelo menos tentar sem quebrar um dedo.

"Merda! Malditos filhos de Hermes!"

Berrei em frustração conforme socava a porta em puro desconto de raiva. Não que aquilo fosse surgir algum efeito em uma superfície de madeira maçiça.

"Um semideus tendo um acesso de raiva. Que bonitinho."

"Aaagh!"

Soltei um grito pelo susto e pulei em meu eixo, me virando em direção à voz desconhecida.

Por um momento pensei que Jonas havia desistido de fazer a travessia e havia voltado para me atormentar, mas quando me deparei com o homem pálido e velho diante de mim, senti meu coração disparar como tiro. Respirei fundo e levei a mão ao peito, meus olhos arregalados conforme eu tentava fazer sentido de quem era o ancião diante de mim, vestido em togas brancas e com um olhar quase tão fantasmagórico quanto o do meu ex companheiro.

Sua barba era longa, cinza e caía por seu peito, cobrindo parte da túnica que vestia. Seus olhos eram circulados por olheiras e seus cabelos, apesar de sobras no rosto, era ralo na cabeça. Se eu conhecesse bem idosos, diria que aquele homem tinha uns 75 anos de puro tédio - considerando o brilho nada impressionado em sua expressão. Quando ele viu que eu havia o notado, apenas acenou para que eu resumisse minha cena patética de uma criança birrenta.

Ótimo. Segundo morto-vivo da noite, e contando.

"Q-Quem é você?"

Perguntei em tom gago, olhando para o velho em tom cuidadoso.

Você achava que eu já estaria acostumado com aparições fantasmagóricas à essa altura, né? Errado. Nunca desafie a capacidade de Matt Miller ser um completo covarde - ela sempre irá te surpreender!

"O meu nome é Socrates, ou pelo menos foi como fui conhecido em meus tempos de glória."

O fantasma se apresentou, seu peito se inflando com tanta intensidade que pensei que ele fosse explodir. Franzi a testa e observei a figura do homem, tentando me lembrar de suas feições em algum livro histórico que falasse de figuras importantes, mas além do nome em comum com o antigo filósofo, aquele espírito não me remetia à nada.

No entanto, pela sua pose e pelo seu grandeoso jeito de falar, imaginei que ele não gostaria de ser questionado - principalmente se ele fosse me ajudar a escapar dali.

"Oh! Grande Socrates, é uma... Honra."

Tentei usar meu melhor tom de "fan girl" possível - como se eu conhecesse aquele fantasma por diversas lendas anteriores. E quando ele notou o reconhecimento, seus olhos mortos chegaram a brilhar.

"Um fã?"

"Huh, mas é claro! Todos aqui conhecem as lendas sobre... Bem... O antigo pensador grego, Socrates."

Bem, isso não era mentira. Talvez só não estivéssemos falando da mesma pessoa.

"Ah, mas que coisa ótima! Alguns semideuses sem cultura ainda ousam perguntar quem sou, sem conhecer o meu passado e todas as histórias sobre mim. Pois bem, semideus! Não pude deixar de ouvir seus gritos por ajuda."

Caraca, aquilo era fácil demais.

Abri um sorriso amigável e assenti, olhando para a porta fechada atrás de nós. Eu deveria aprender a elogiar mais pessoas para conseguir o que queria - mesmo que minhas habilidades de atuação fossem desastrosas.

"Sim! Oh, grandeoso Socrates. Eu fui enganado por um grupo de semideuses caóticos e fui aprisionado nesse cômodo. Não tenho escapatória." Usei meu melhor tom triste e em apuros, por mais ridículo e forçado que ele soasse. Pelo menos o fantasma parecia estar acreditando, o que já era vitória suficiente para mim. "Mas será que... Oh! Será que você seria capaz de me ajudar?"

"Mas é claro!" O homem exclamou, soltando uma gargalhada satisfeita. "Pois veja, garoto. Estou em busca de bons parceiros de xadrez pelo castelo e vejo uma oportunidade perfeita. Está familiarizado com o jogo"´

Perguntou em tom animado, fazendo com que eu assentisse incerto. Eu não gostava para onde aquilo estava indo. Ele não podia simplesmente ser legal e me deixar ir?

"Pois bem! Vamos jogar uma partida. Se você vencer, eu te liberto, e meus guardas em armaduras do outro lado da porta não irão dificultar sua saída. Mas se eu vencer, você deverá me fazer um favor que será esclarecido no momento certo, quando eu precisar dele.

Bem, aquilo não parecia justo. E por que eu sentia que não queria dever um favor para aquele espírito?

Olhei para porta atrás de mim e para o rosto do homem que parecia não estar me dando uma opção real. Com um estalo de dedos, sobre a mesa de centro, surgiu um tabuleiro preto e branco, contendo todas as peças que eu já conhecia bem. Cavalo, bispo, rainha, rei, torres, peões.

Olhei para a porta fechada sobre o ombro e para o tabuleiro que me aguardava em expectativa. Eu não era ruim no jogo, nunca fui. Todos os movimentos e jogadas eram baseadas em pura estratégia, coisa que eu conseguia fazer muito bem quando planejava também a tática do meu time de lacrosse no ensino médio. Além disso, minha memória fotográfica ajudava e muito a me lembrar de todos os movimentos do adversário para construir uma linha de raciocínio do que ele tramava.

E, sinceramente, Socrates me parecia muito mais metido do que efetivamente inteligente.

Soltei um suspiro e caminhei em direção ao fantasma, tomando o lugar de frente para ele - o tabuleiro entre nós. Ele ficou com as brancas, eu com as pretas. E com um sorriso metido, ele moveu o seu primeiro peão, dando início ao jogo. As brancas começavam. Minha vez.

"Não me deixe entrar na sua mente, rapaz. Ou nunca irá vencer."

O fantasma disse com uma risada, claramente se divertindo com a situação.

Já eu? Eu tentava focar.

Para um garoto com dislexia e DDA, algumas atividades simples como xadrez poderiam ser o inferno na Terra. No entanto, eu tinha uma carta na manga em relação à minha memória que facilitava um pouco as coisas para mim. Além disso, não era difícil ler as expressões corporais do fantasma sabichão.

Sem muito o que pensar em primeiro momento, movi meu peão, olhando para ele em minha melhor expressão neutra. O que Socrates não notava era que, ao invés de analisar apenas o tabuleiro, eu analisava também cada mínimo movimento que ele fazia.

As primeiras rodadas passaram relativamente rápidas. Após quinze minutos, Socrates havia conquistado minha torre, três peões e um cavalo. Ele parecia confiante, o que era um ponto extremamente positivo para mim. Afinal, quando consideramos o jogo fácil, tendmos a baixar a guarda.

O plano era simples: eu tinha que garantir que o fantasma acreditasse que a vitória estivesse próxima até conseguir colocar todas as peças deles posicionadas extamente onde eu precisava. Sendo assim, a virada aconteceria em poucas jogadas e ele não teria tempo de reagir e aumentar a guarda. Exceto dois peões, Socrates tinha todas as peças em jogo e isso parecia deixá-lo confortável. O que ele não notou é que minha torre, bispo e cavalo estavam posicionados exatamente onde precisavam. E que logo o seu rei estaria cara a cara com minha rainha intocada.

"Você é pior nisso do que eu imaginava." Socrates riu, movendo sua torre para a direita do tabuleiro. "Será um dos favores mais facilmente adquiridos em minha coleção.

Eu não respondi, mas me incomodei em saber que ele colecionava favores de semideuses. E só Deus para saber o que ele deveria nos pedir.

Mas não deixei isso tirar meu foco do jogo. Minha cabeça já doía pela dificuldade de me concentrar em uma única coisa apenas, mas eu estava me esforçando.

Eu precisava dar o fora dali. Eu não aguentava mais.

E quando ele deixou sua rainha exatamente na décima casa preta da coluna dois, soltei um suspiro aliviado.

Estava perfeito.

Os cavalos, torre e bispos estavam cercados pela minha torre, rainha e cavalo restante. Os peões estavam todos em suas últimas casas de movimento e seu rei estava estrategicamente posicionado entre o meu rei, bispo e peão que bloqueava o caminho.

Com a torre na lateral direita, passei-a pelas casas até atingir a sua. Quando Socrates percebeu que havia perdido sua primeira torre, resolveu usar o cavalo para barrar a segunda - ficando na frente do meu bispo que ameçava o rei. Movimentei-o em direção à segunda torre e ignorei quando ele pareceu soltar um suspiro irritado - usando a rainha como defensiva para pegar o meu bispo - sacrifício que eu já havia previsto que aconteceria.

Pegando minha peça, ele se colocou na diagonal do cavalo que retirou sua rainha do jogo, bem como seu cavalo branco que estava na casa preta seguinte. Socrates urrou em raiva. Sua próxima ação, completamente levada pela emoção e pelo desespero de estar perdendo, foi movimentar o bispo para tentar pegar minha rainha. Parando para tirá-la na próxima rodada, o espírito se colocou na frente da minha torre que inicialmente estava a espreita do rei, eliminando-o.

O massacre de peças brancas continuou por mais poucas rodadas até que nossas peças finais fossem uma torre negra, um peão, uma rainha e um rei, versus um rei e um peão branco - exatamente como eu havia previsto. Sócrates tentou esconder seu rei em uma jogada estratégica com uso do peão, mas meu movimento final colocou-os entre minhas peças. A única coisa que ele não viu era que - se não pelo rei, o cheque-mate seria feito pelo meu pequeno peão negro.

"Xeque Mate."

Falei em tom calmo, apenas para me virar em direção ao rosto do fantasma e notar a sua fúria.

Quando Socrates se colocou de pé em um supetão, fiz o mesmo. Um urro de ódio saiu dos seus lábios e ele ergueu os braços, subindo em direção ao teto - a ira dominando seu corpo pálido, torando-o quase avermelhado. Recuei em direção à porta e segurei minha adaga de bronze, mesmo que não fosse ser útil.

"Como ousa trapacear?!

"Eu não trapaceei, Socrates. E você sabe disso. Eu só usei uma estratégia justa contra você e agora você tem que me tirar daqui."

Exclamei em meu melhor tom firme, surpreso como minha voz saiu muito mais segura do que eu realmente me sentia, mas não pareceu surtir efeito algum no espírito que gargalhou ironicamente, sua voz ecoando pelas paredes.

"Você jamais sairá daqui, garoto! Assim como sua trapaça, se manterá em cárcere para todo o sempre!

Ele berrou em tom completamente irado antes de desaparecer em uma explosão de poeira. Junto com ele, se foi o tabuleiro.

Fiquei cerca de um minuto perplexo e congelado pelo que havia acabado de acontecer. Pisquei algumas vezes, inconformado com a falta de esportividade que havia acabado de presenciar. Em todos os meus cálculos e estratégias, eu havia errado em uma coisa: ganhar o jogo não me libertaria, não para um grego egocêntrico como Socrates.

Olhei para a porta e balancei a cabeça em negação.

Não, não, não, não! Inferno!

Soquei a madeira e apoiei a testa contra ela em um tom vencido. Eu não acreditava que realmente havia chegado tão perto de conseguir sair e havia desperdiçado.

O que me restava agora? Esperar outro fantasma com uma grande proposta?

Soltei um grunhido irritado e respirei fundo, tentando ao máximo me acalmar. O lado bom do encarceramento é que eu tinha tempo suficiente para pensar em várias maneiras divertidas de assassinar Ethan e Connor.


Informações:


1. As gírias utilizadas durante o texto servem para contextualizar a mentalidade do personagem - 15 anos não gênio da eloquência.
2. As digressões também servem para representar a mente caótica de um personagem com hiperatividade e DDA.
3. A cor do template, mesmo branca, é melhor para eu enxergar. É mais fácil ler o texto (com meus 8 graus de astigmatismo rs) com fundo claro e texto escuro.
4. Nenhum poder foi utilizado.

Missão:

Xadrez com um morto
Você só queria dar uma espiadinha no cômodo, mas acabou sendo abordado por um fantasma que decidiu que só lhe deixaria sair dali se você ganhasse dele em uma partida de xadrez, do contrário você ficaria ali com ele. Para sempre. Ah, ia me esquecendo, nem tente fugir porque as armaduras vazias na porta não estão tão vazias assim.
Requisito – Mínimo nível 1.
Recompensa até: 2.500 XP – 2.500 dracmas – 2 ossos

item:

• Faca de Bronze Celestial [ Uma faca de lâmina curta - cerca de 10 cm - com cabo em madeira envolvido em couro para tornar o manuseio melhor. | Não produz feridas em mortais. | Bronze celestial, madeira e couro. | Sem espaço para gemas. | Alfa. | Status 100%, sem danos. | Comum. | Nível 1. | Item inicial. ]



acmeruz @epifania
Matt Logan Miller
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[MF] Matt Miller Empty Re: [MF] Matt Miller

Mensagem por Melinoe em Ter Nov 12, 2019 4:58 pm


Avaliação


Valores máximos que podem ser obtidos


Máximo de recompensa a ser obtida: 2.500 XP – 2.500 dracmas – 2 ossos
Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 17%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

Recompensa obtida: 2.425 XP – 2.425 dracmas – 2 ossos

Spoiler:
Como dito anteriormente, você é um bom escritor. Seu texto é fluído e prende quem o lê. Os descontos vieram por parte de alguns erros gramaticais e de digitação que não teriam sido um problema se não tivesse encontrado mais do que três ao longo do texto, mas uma breve revisão antes de postar resolve isso rapidinho. No demais, parabéns mais uma vez!

Atualizado por Macária

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