The Blood of Olympus
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[ CCFY - Halloween] A Princesa dos Tuatha Dé Danann

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Mensagem por Maeve Ní Chonaill em Dom Nov 03, 2019 6:24 pm

Maeve Ní Chonaill
CCFY
A presente CCFY começa  na cidade de Galway na Irlanda e em seu decorrer vai  para a cidade de Salém, até chegar no Acampamento Meio Sangue. A intenção da mesma é narrar os fatos marcantes da história da semideusa.
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Última edição por Maeve Ní Chonaill em Dom Nov 10, 2019 10:05 pm, editado 1 vez(es)
Maeve Ní Chonaill
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Filhos de Hefesto
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Mensagem por Maeve Ní Chonaill em Dom Nov 10, 2019 3:52 pm


Filha de Hefesto

Maeve



Condado de Galway, 25 de abril de 2019

A chuva batia com violência contra o vidro da embarcação e o tédio tomava o corpo de Maeve com mais rapidez do que ela desejava. Os longos cabelos ruivos caíam sobre os ombros, destacando-se das cores de seu casaco. Estava bem frio para aquela época do ano, algo que não era tão comum. Estava exausta depois de horas e viagem, mas logo estaria finalmente em casa. Precisava desse tempo, tantas coisas estranhas estavam acontecendo em sua vida. Tinha a sensação de estar sendo sempre vigiada, os pesadelos constantes que estavam rendendo noites inteiras sem dormir. Uns dias na casa da avó seriam um verdadeiro alívio! Aquilo parecia ser um lugar mágico, onde nada de mal poderia chegar até ela. A ruiva encostou a cabeça no vidro e observou a paisagem desfocada. Seus olhos de repente ficaram pesados e o sono começava a roubar-lhe os sentidos, estava adormecendo mais rápido do que desejava.

***

O calor estava insuportável, por todas as direções que olhava apenas conseguia fintar a luz das tochas e as pequenas casas em chamas. Os gritos de socorro ecoavam por todo lugar, pessoas desesperadas imploravam por suas vidas, mas a ruiva se perguntava se ainda haveria tempo para isso. Sentiu sua mão pesada, foi então que notou a espada que carregava, suas linhas eram peculiares, mas o que realmente chamou a atenção era sua mão. Estava vermelha, na verdade banhada em sangue, seus olhos verdes fintaram aquilo incrédula e assustada, sentiu as mesmas tremerem, sentiu medo. Os gritos tornavam-se cada vez mais insuportáveis e foi só então que se deu conta que a sua volta havia cadáveres, seus pés também estavam banhados em sangue.

Andava sem direção pelo lugar, as casas de pedra queimavam de dentro para fora, mulheres gritavam por seus filhos e maridos, mas aquela língua, nunca havia ouvido mas entendia. Sua cabeça girava, doía um pouco e ar se tornava cada vez mais pesado. Saiu de seu transe quando o som dos cavalos se aproximou, vinham de trás e mesmo sem olhar sabia precisamente onde estavam. — Você irá pagar sua maldita, vamos vingar nossos mortos! — Disse uma voz grave e carregada de ódio.

A ruiva não respondeu involuntariamente sua mão segurou a espada de forma firme, não entendia o porquê, mas sentia um desprezo enorme naquele instante, virou-se fintando o homem de cabelos castanhos e barba da mesma cor, usava uma armadura feita de metal e peles. Um sorriso cínico desenhou-se em seu rosto a medida que ele se aproximava. Sabia que o ataque seria iminente e mesmo assim se sentia segura, ele jamais a acertaria.

As espadas chocaram-se no ar produzindo um som agudo e alto, seus olhos se encaram rapidamente, uma pequena questão de segundos, o suficiente para ver no fundo dos olhos dele o temor que sentia diante dela. O sorriso veio carregado de sarcasmo. — Vocês todos vão morrer... Em nome dos Deuses. Em nome de Morrigu. Os corvos já estão aqui, para buscar sua alma. — Aquelas palavras saíram contra a sua vontade.

A ruiva o empurrou para trás e seu pé deu um chute em suas pernas o derrubando ao chão, sem pensar duas vezes sua espada desferiu um golpe direto no peito do homem, perfurando seu coração, o homem soltou um gemido e seus olhos estavam vidrados nos da ruiva. Ela ficou o encarando enquanto morria, com um sorriso no rosto e não podia negar... Aquilo era a melhor coisa do mundo.


***

A ruiva acordou de sobressalto com o coração na boca, sentia as gotas de suor escorrendo novamente por sua testa, suas mãos estavam trêmulas. Puxou o casaco escondendo as mãos, aquele friozinho típico e familiar lhe fez abrir um singelo sorriso, seus olhos a fintaram a paisagem e vislumbrou o céu cinzento e carregado de nuvens, por algum milagre não estava chovendo naquela manhã. Já estava praticamente no porto de Galway, o que fez a ruiva levantar-se e pegar a mochila, jogando-a nas costas. Segurando-se nos bancos a garota caminhou com cuidado para não cair, queria ser a primeira a descer e abraçar sua avó, precisava tanto dos braços dela.

Assim que o barco atracou e a plataforma desceu, Maeve saiu correndo, esbarrando nas pessoas, o cheiro de terra molhada tomou conta de seu olfato, a brisa fria fez os cabelos vermelhos da garota tremularem. Seus olhos procuravam um rosto conhecido, mas no meio daquela multidão de pessoas ficava difícil, por um instante pensou que ninguém tivesse vindo busca-la e sentiu-se um pouco triste, até que uma voz ecoou por todo o lugar chamando a atenção da ruiva. Não precisou procurar muito para encontrar a mulher de cabelos grisalhos presos em uma longa trança, reconheceria aquele semblante em qualquer lugar do mundo. A garota correu e se jogou no braço da mulher procurando um abraço:  Grandma! Como senti sua falta. Eu precisava tanto de você. — Disse com a voz embargada pelo choro.

A mulher abraçou a garota de forma acolhedora e beijou seus cabelos, permaneceram assim por alguns momentos e Maeve finalmente sentiu-se reconfortada nos braços de alguém. As duas então deixaram o porto, tudo que a garota desejava agora era chegar em casa. Permaneceu boa parte do caminho em silêncio e sua mão direita apertava o punho esquerdo, notou que sua avó a observava, mas manteve seu olhar baixo. Pensava se deveria ou não contar sobre as coisas que estavam acontecendo em Indianápolis. Os pesadelos, as sensações e principalmente as coisas que andava vendo por aí. Balançou a cabeça tentado espantar aqueles pensamentos, havia feito uma escolha e agora não voltaria atrás.

Do porto até a casa de sua avó era um caminho de mais ou menos duas horas, já que ela morava em uma parte mais afastada da cidade, mais próxima a floresta. Se ainda se lembrava bem, a porta dos fundos da casa dava para um enorme bosque verdejante. A jovem sorriu com as lembranças da infância em sua cidade natal:  — Sua mãe e você já decidiriam voltar para casa? — A voz rouca chamou sua atenção. Maeve deu um sorriso e virou-se na direção da mulher: — Ainda não, Grandma. — Respondeu com um sorriso de canto e observando a face descontente da senhora senil: — Sabe qual a única coisa boa que sua mãe trouxe da América? — Ela perguntou sem tirar os olhos da estrada: — Você na barriga dela. — Respondeu antes que a menina esboçasse qualquer sorriso. Sabia que a avó queria as duas por perto, mas Eileen estava decidia se manter em Indianápolis. Maeve se acomodou no banco do carro e relaxou, rindo dos comentários de sua avó.

Estar na Irlanda era quase um alívio para a ruiva que vinha de dias conturbados, nos últimos tempos, motivo pelo qual sua mãe havia programado a viagem. Nada era como antigamente, de uns tempos para cá pensava estar enlouquecendo. Mas agora estava tudo bem! Estava em seu pequeno paraíso. Lembrava das festas nos festivais de Beltane, as árvores decoradas, as fogueiras, os postes de fitas. Era tudo tão mágico que jamais foi capaz de tirar isso de sua mente. Por sorte, o festival estava próximo e poderia reviver todas essas emoções novamente. Sentiu uma pontada de satisfação em seu âmago e desejava que aqueles fossem os dias mais felizes nos últimos anos. Gostava de Indianápolis, mas sabia que Galway era sua terra natal, onde estavam suas raízes e tudo aquilo que ela realmente era. Era estranho e não conseguia bem compreender, mas sentia uma forte ligação com aquela terra.

Condado de Galway, 01 de maio de 2019.

A música tocava do lado de fora, eram os velhos vizinhos de sua avó com seus instrumentos, alguns totalmente desconhecidos para ela. Maeve usava um vestido branco com as mangas longas, a cintura bem marcada mostrava as curvas salientes de um corpo de mulher, mesmo que a idade não fosse condizente com isso. Os cabelos ruivos eram adornados por uma tiara de flores coloridas e algumas se misturavam com os fios amadeirados. Não se recordava da última vez que havia se vestido assim, mas gostava do que via no espelho. A voz de sua velha avó chamou sua atenção, requisitando sua presença, já que as festividades começariam em breve. A ruiva fitou seu reflexo no espelho mais uma vez e saiu correndo pelas escadas, com sorte poderia encerrar a noite com algumas cervejas. Talvez fosse a hora de falar com sua mãe que elas deveriam voltar para casa. A paz que experimentava nos últimos dias era algo que ela não saberia mensurar.

O céu estava negro e sem nuvens, haviam estrelas brilhando como há muito tempo não via. O céu de Galway era tão belo quanto o de Indianápolis, uma pena que o constante tempo nublado não permitia que aquele espetáculo fosse recorrente. Assim que saiu pela porta dos fundos sentiu o calor das fogueiras em seu rosto. As vezes pensava que sua avó morava naquele lugar apenas pela floresta que tinha como quintal, um lugar lindo, mas um pouco assustador a noite. Os olhos da jovem encararam as copas dos carvalhos brancos que estavam negros pelas sombras, um leve arrepio subiu por seus braços e algo se tornou inquieto dentro da menina. Ao longe ouviu algo,  o gralhar dos corvos fez com que ela se virasse repentinamente, aquilo reverberou em sua mente a medida que seu coração se tornava mais acelerado. Uma sensação de angústia crescente tomava sua alma à medida que sua cabeça começa a doer. Levou a destra a têmpora e massageou o local na esperança de que o incomodo passasse logo. A dor aumentava e respirar se tornava cada vez mais difícil, seu peito estava pesado e tinha a sensação de estar sufocando.

Um leve toque em seus ombros fez com que ela girasse sobre os calcanhares, o susto foi inevitável, mas o semblante conhecido de sua avó fez todas aquelas sensações se dissiparem tão rápido do que haviam surgido: — Grandma. Que bom vê-la. — Falou se jogando em seus braços abertos. A senhora senil envolveu a garota em um abraço aconchegante, afagando seus cabelos com carinho e cuidado: Laoch beag precisa se acalmar. Essa noite tudo vai deixar de ser um mistério. As coisas vão se esclarecer. Dagda há de guiar seus passos todos os dias. — Havia tanta certeza nas palavras da mulher, que o corpo da jovem menina relaxou no mesmo instante e ela se aninhou no peito dela. Não entendia ao certo o que ela queria dizer com aquilo, mas de uma forma mágica as palavras deixavam ela cada vez mais calma e todas aquelas sensações ruins haviam se tornado lembranças. A escuridão da floresta não a assustava mais.

Os tambores começaram a tocar mais alto, o cheiro de madeira queimada invadia as narinas da garota. O calor era aconchegante, como se braços carinhosos a envolvesse, pegou a ponta da fita vermelha amarrada no poste e assim como as outras começou a dançar ao redor do mesmo. De pés descalços podia sentir a terra, a grama molhada entre os dedos, seus olhos viam tudo com mais cor e vida, ao mesmo tempo seus ouvidos eram capazes de captar qualquer ruído, mesmo com o som alto dos tambores. Havia algo de tribal e primitivo naquela noite, algo que entrava pela pele e impregnava seu corpo. Maeve nem havia se dado conta, mas havia entrado em um tipo de transe com a batida dos tambores, sabia que mesmo estando ali, não estava. Seu corpo ardia como brasa e isso não a incomodava, era como se fosse fogo vivo bailando. Seu corpo estava leve e solto no ar, seguindo os passos daquela dança, as fitas se entrelaçavam como se aquilo fosse meticulosamente ensaiado.

Não sabia quantas vezes havia rodopiado, mas ao passar pela floresta algo chamou sua atenção e fez com que ela parasse abruptamente o que fazia. Do meio dos carvalhos surgiu a mulher de capuz vermelho e longos cabelos prateados e brilhantes, seus olhos eram negros como se não tivessem pupilas. Seu rosto, porém, parecia ter sido todo queimado.  Por baixo do manto havia um longo vestido verde com detalhes dourados, em suas mãos haviam tatuagens que mais pareciam inscrições antigas. Maeve não sabia se ela havia demorado ou não para se aproximar, mas quando recobrou os sentidos ou quase isso a mulher já estava diante dela, encarando-a de forma tão profunda que fez o corpo pequeno de Maeve estremecer: — Criança. — A destra da mulher tocou os fios de cabelo da ruiva. Ela tinha certeza que aquelas palavras eram ditas em um gaélico muito antigo: —Seus olhos estão fechados. Não conhece sua verdadeira história. Suas origens. — Ela deu um sorriso macabro: — O que corre em suas veias é poderoso. Sagrado. Mas nunca lhe contaram o que você verdadeiramente é. Não lhe contaram o poder que você tem. Você anda entre os homens e os Deuses, mas de uma forma como nenhum outro pode. Contudo, seus olhos ainda possuem nuvens. Mas eu vou tira-las. — A mulher tocou no colo, na altura do coração de Maeve. Um enorme calor tomou seu peito e depois espalhou todo por todo seu corpo. Seus sentidos foram totalmente roubados e seus olhos se fecharam enquanto seu corpo caia no chão emitindo um som oco.  

***

Maeve se encontrava em um campo de batalha na região de Sevenwaters, batalhava para conseguir mais territórios para o grande reinado de seu pai. Arthuria sabia que sua irmã não deixaria sua posição e por isso foi até onde ela se encontrava, quando chegou assustou-se com a cena que presenciou, Maeve e seus guerreiros haviam devastado impiedosamente aquela região, nada e nem ninguém havia sido poupado, Arthuria não conseguia acreditar que sua própria irmã tivesse feito aquilo. Velhos, mulheres e crianças... Todos haviam sido dizimados, os corpos dos homens ainda estavam empalados na entrada da cidade.  A loira levou a parte de trás da mão na direção do nariz, o cheiro de sangue estava insuportável: — Você está louca Maeve? Olha tudo isso! Qual a necessidade? — Indagava perplexa Arthuria. A ruiva sorriu e meneou a cabeça: — Ora Arthuria, não seja inocente. Isso é uma guerra e um lado sempre sai perdedor. — Respondeu Maeve com soberba.

— Você matou pessoas inocentes para nada! Não estamos em guerra Maeve! Você só deseja alimentar seu orgulho. — Arthuria disse de modo incisivo. Ainda estava incrédula diante de toda aquela situação: — Meu orgulho? Não diga tolices Arthuria! Alguém tem que garantir nossa soberania. Enquanto você brinca de ser guerreira, eu sujo minhas mãos de sangue. — A voz da jovem de cabelos rubros era arrogante e autoritária. Havia fúria nos olhos da filha dos Deuses.  Uma brisa morna soprou entre as duas irmãs e os fios vermelhos balançaram ao sabor do vento: — Você foi cegada pelo próprio orgulho! Eu vou parar você Maeve! — Disse Arthuria enquanto desembainhava sua espada. Os corvos gralharam sob o campo de batalha, mas Maeve não se mexeu, não moveu sua espada na direção da loira. Não havia mais ninguém ao redor das duas mulheres, pois os meros mortais sabiam que aquela era uma batalha entre as filhas dos deuses: — Você realmente quer me enfrentar? Então venha irmãzinha... Vou lhe dar uma boa lição! — Dizia de forma irônica.

Sob uma lua vermelha como sangue as duas filhas da Deusa Brigith travaram uma terrível batalha, ao longe era possível ouvir o som das duas espadas se encontrando, as chamas que consumiam a cidade tornavam-se mais intensas com o calor da batalha, respondendo a força de Maeve. A intensa luta arrastava-se pela noite, a fúria de ambas as guerreiras chamava a atenção, Arthuria tinha uma técnica perfeita com sua espada, seus movimentos eram precisos, Maeve, no entanto tinha uma técnica mais rústica, baseada em força bruta e muito fogo. As espadas se encontravam com violência, mas nenhuma das duas guerreiras demonstrava cansaço ou hesitação, o tempo parecia não existir. Dizia uma velha sacerdotisa que quando os Deuses lutavam poderia durar mil dias e mil noites, Maeve não alcançava Arthuria, assim como Arthuria não alcançava Maeve. As forças se anulavam a medida que as fúrias de ambas as guerreiras investiam uma contra a outra.

A luta continuava acirrada, mas ambas as guerreiras já começavam a demonstrar que aquilo precisava de um fim, aproveitando-se disso, em um momento de descuido Maeve atingiu a loira com uma poderosa rajada de fogo e quando Arthuria tentou se esquivar foi atingida pela espada de sua irmã caindo de joelhos no chão. Maeve olhava para Arthuria com desprezo como se ela fosse um inimigo, mas por um instante pensou no porquê de estar lutando com a própria irmã, sempre foram tão unidas e agora isso? Estaria realmente passando dos limites? Tais perguntas começaram a ecoar pela mente da guerreira que fincou a espada na terra com força, dando um fim na batalha, olhava para suas mãos que agora estavam sujas do sangue da própria irmã. Por um instante seu olhar se perdeu no horizonte e sentia-se confusa: — Por quê? — Se perguntava a guerreira. Tanta fúria que corria em suas veias, tanto ódio que cegava seu coração. Os corvos voaram para longe e o silêncio dominou a noite escura.

Ainda com muita dor Arthuria se levantava e olhava para sua irmã, que por um instante parecia ter um lampejo de sanidade. Não era um ferimento que iria matá-la, mas precisava ser tratado logo, o sangue rubro manchava as vestes de guerra. Os olhares das duas irmãs se cruzaram: — Está louca! Seu orgulho, sua vontade de guerrear... Isso que queima em seu peito deixou-a cega Maeve! Tenha um minuto de lucidez. Pelos Deuses! Em seu ombro pesa a mão de Morrigan, nem mesmo ela tem uma sede de sangue como a sua. E essa não é você. — Por um breve instante tudo que tinha feito tudo o que tinha vivido havia sido em vão, uma luta sem proposito. Seu olhar ao longe vislumbrava a destruição que havia causado, as chamas estavam altas e consumiam todo o lugar, nada era ouvido, apenas o silêncio acusador da noite se fazia presente de uma forma aterradora na mente da guerreira de cabelos vermelhos. Seus olhos verdes procuraram a face de sua irmã que mesmo sentindo muita dor procurava dar apoio a Maeve que estava abalada por tudo que havia feito. Seu corpo perdeu as forças e a guerreiras caiu de joelhos no chão, afundada em sua própria vergonha.


****

Uma forte dor no peito fez com que a ruiva se levantasse sobressaltada, a destra repousou no local da dor. Sentia as gotículas de suor aderidas a sua pele. Estava ofegante e respirar era algo difícil. Ela olhou paras as próprias mão e as mesmas já não estavam cheias de sangue, seus ombros não estavam mais pesados. Era ela novamente. Afoita buscou compreender onde estava e reconheceu o próprio quarto na casa da avó, sentada em uma cadeira logo a frente estava a senhora de cabelos brancos. Ela se levantou e caminhou até a cama da jovem, sentando-se aos pés da cama: — Eu nunca achei justo que escondessem de você sua verdadeira origem. Mas sua avó e mãe preferiram assim. Contudo, todos sabíamos que um dia a profecia se concretizaria. — Ela respirou fundo e antes que Maeve fizesse alguma pergunta pediu para que ela continuasse em silêncio: — Há coisas sobre a sua mãe que deve saber. Coisas sobre você que deve saber. — Disse ela com a voz carregada de mistério.

A senhora levantou-se e abriu um velho armário, tirando um pesado livro, a capa era velha e de couro. A mulher sentou-se novamente e abriu o mesmo diante dos olhos da menina. As páginas amareladas estavam em um idioma que ela não conseguia ler com clareza, mas não era tão estranho, talvez uma versão muito antiga de gaélico. Os dedos enrugados da velha mulher deslizaram pelo papel lentamente, até que encontraram o seu destino: — Sua linhagem é de mulheres fortes. Guerreiras. Boudica, a rainha que vingou a honra de suas filhas. Antes dela muitas outras. Maeve, você não é a primeira a carregar esse nome. Ele foi escolhido por sua verdadeira avó, já que essa sabia que em você habita um grande poder. Um raro entre aqueles que andam entre os homens e os deuses. Ainda mais raro por carregar duas faces iguais e ao mesmo tempo totalmente distintas em você. — A voz dela parecia carregada de mistérios.

A ruiva levantou-se ainda um pouco tonta com tudo o que havia sonhado e escutado, nada parecia fazer sentindo. Segurou com um pouco de força na cabeceira de sua cama e encarou a senhora senil: — Como? O que você está dizendo Grandma? Mamãe sempre me falou dos ancestrais e respeito todas elas. Mas não passam de histórias. —  A velha se ergueu e colocou o livro sobre a cama: — Me escute Maeve. Eu não sou sua avó de verdade. Eu a criei como uma avó. Sua avó de verdade, a mãe de sua mãe é ... — Ela pensou no que ia dizer e se calou. Não havia uma outra forma de contar aquilo e por mais que a senhora buscasse, não viu uma saída: — Pergunte a sua mãe sobre seu pai. E sobre a mãe dela. Mas saiba que apesar de tudo, você sempre será minha réalta beag. — Disse com a voz macia encarando os olhos de tempestade da semideusa. Dali para frente tudo seria diferente e a velha pedia a Danu que cuidasse de suas meninas.

Indianápolis, 10 de outubro de 2019

Desde que havia chegado da Irlanda nada havia sido a mesma coisa na vida de Maeve, nem mesmo respirar era comum. Tudo havia entrado em uma espiral de complicações que ela não via uma forma de sair. Mesmo assim ela buscava uma forma de continuar vivendo sua vida da forma que sempre levou. Contudo, sua relação com sua mãe havia mudado mais do que ela desejava, da água para o vinho. De repente era como se não conseguissem mais conversar, se entender e tudo que durante anos haviam construído havia desmoronado como um castelo de areia.  Maeve sentia-se sozinha, cercada e monstros ao seu redor. Os monstros haviam se tornado tão reais desde então, pareciam respirar próximo ao seu pescoço enquanto andava sozinha pelas ruas. Mas sempre havia uma luz que a protegia e guiava seus passos para longe deles, um algo maior que ela sabia que não era imaginação, mas não conseguia distinguir o que era. As palavras de sua avó ainda reverberavam em sua mente como um velho cântico ancestral. Talvez fosse o momento de fazer as perguntas que tanto protelava.

Naquela noite quando chegou em casa tudo estava uma confusão, parecia que um furacão havia passado pelo local. Maeve sentiu um enorme aperto no peito e ar lhe faltou, seus olhos estavam incrédulos e estáticos na imagem caótica diante si. Não havia nada que lembrasse sua velha casa, tudo não passava de escombros em chamas. A primeira imagem que veio em sua mente foi sua mãe. Onde estaria? Será que estava bem?  O que ainda não havia desmoronado estava em chamas como se um dragão tivesse cuspido fogo bem ali. Um calafrio percorreu sua espinha e olhou na direção da densa floresta que não ficava tão longe dali. Teve a sensação de ouvir os corvos novamente e de ver a estranha mulher de cabelos prateados novamente, seus olhos negros como abismos sem fim, uma escuridão que parecia engolir sua alma por completo. Sentia medo, a imagem da druidesa era apavorante, mesmo sabendo que ela não a mataria. Não naquele momento, já que ela não poderia estar ali realmente.

O toque de uma mão fez com que a garota virasse assustada, o grito foi sufocado pela mão macia, mas que tinha gosto de sangue. Ao virar se deparou com a figura de sua mãe, o rosto sujo de fuligem, terra e sangue, havia um grande corte acima da sobrancelha. Seus olhos verdes se encontraram e ela fez um sinal de silêncio com a mão: — Vamos para a floresta. — Foi tudo o que ela disse. Segurou a filha pela mão e saiu arrastando a menina mata a dentro. Maeve então notou que ela trazia nas mãos uma lança, não tinha dúvidas que aquilo era uma lança. Era negra, mas não parecia ser feita totalmente de madeira, havia alguns adornos vermelhos e a ponta era de um metal que parecia ter luz própria. Nunca havia visto nada como aquilo. Haviam tantas perguntas a ser feitas a respeita sobre aquilo, mas pela urgência dos passos de sua mãe, sentia que aquele não era o momento.

A noite se tornava cada vez mais escura e a lua já não parecia mais iluminar o passo das duas, mas Eileen sabia exatamente por onde guiar os passos da filha. A floresta não parecia tão assustadora mais, por entre as frondosas copas das árvores ela podia ver o firmamento negro e algumas pequenas estrelas. A brisa soturna bagunçava seus cabelos e sua mão segurava com tanta firmeza a de sua mãe que tinha medo de machuca-la. Tinha a mesma sensação de seus sentidos estarem todos aguçados ao extremo e foi exatamente por isso que escutou o farfalhar das folhas na escuridão. Eileen parou abruptamente e colocou a mão para trás, segurando levemente a cintura da filha. Sua respiração acelerou e algo dizia o tempo todo que estavam em perigo, que algo estava prestes a se aproximar da dupla. Maeve sentiu medo e se aproximou um pouco mais do corpo de sua mãe: — O que está havendo, máthair? — A menina perguntou aflita: — Estamos sendo caçadas. — Respondeu sem rodeios.

“— Caçadas? — ” A pergunta reverberou pela mente de Chonaill inúmeras vezes e aquilo não fazia o menor sentindo. Ou talvez fizesse e ela tentasse apenas negar. Eileen se virou e olhou para a garota: — Você precisa me escutar meu amor. Com muita atenção. Não importa o que acontecer você não vai interferir. Eu vou cuidar de você. Tente apenas se proteger. Se eu não precisar pensar nisso tudo vai ficar bem. Ok? —  Disse ela em um misto de apreensão e ternura. Maeve fez apenas que sim com a cabeça. A mulher levou a mão ao pescoço e tirou um cordão de prata, nele havia dois pingentes, uma triquetra e outro parecia um tipo de arma que ela não conhecia, fez questão de colocar no pescoço da filha: — Se precisar se defender, isso vai te ajudar, um presente meu e o outro do seu pai. Se eu não resistir a batalha, fuja. Você precisa chegar em Long Island. Você precisa ir para o Acampamento Meio Sangue. — Instruiu a mulher novamente. Maeve deu um passo para trás e encarou sua progenitora: — Eu não vou te abandonar. Não vou... — Foi interrompida por sua mãe que segurou seu braço com força: — Isso não é uma escolha Maeve. Somente ele e sua avó podem de te proteger agora. Tudo está um caos.

A conversa teria se alongado, mas o som das árvores sendo arrancadas findou a discussão bem ali, a guerreira celta segurou sua lança com mais força entre os dedos e balbuciou entre os dentes: — Mantenha-se segura. — Foi a última coisa que pôde escutar de sua mãe antes da monstruosidade surgir diante de si: — Um Hecatônquiros? É sério? — Disse a mulher um tanto incrédula.  Maeve quis gritar, mas sua voz havia sido sufocada diante daquilo que via incrédula, eram tantas cabeças e tantos braços que não podia se quer contar. Sua mãe, porém, demonstrava-se calma, ela girou a arma e a segurou com ambas as mãos, a ponta direcionada para o chão e o cabo acima de seu ombro. A garota nem sabia dizer como ela podia fazer aquilo, mas o mais impressionante foi quando a arma foi toda envolta por chamas e Eileen nem parecia se importar com isso. No meio de toda aquela confusão, ouvia os sussurros da velha druidesa, dizendo que ela não sabia sua verdadeira história. Que ela não conhecia seu verdadeiro eu.

O monstro socou o chão com várias de suas mãos causando uma onda de abalo que fez a ruiva cair no chão. “— Preciso me proteger. — ” Se se tornasse um alvo fácil a mulher teria que lutar pelas duas. Maeve levantou-se e correu para próximo de um grande pinheiro, poderia se esconder atrás dele para proteger-se de algo. Seus olhos verdes, no entanto, viam sua mãe fazer coisas surpreendentes. A lança parecia uma extensão do corpo de Eileen, que a usava tanto para se proteger, quanto para atacar. A criatura tentou esmaga-la, mas teve uma quantidade de mãos perfuradas pela lâmina incandescente ao mesmo tempo. A mulher saltou para trás e caiu agachada, suas mãos tocaram o chão e ao seu comando as rochas começaram a se levantar como estacas perseguido a criatura que tinha dificuldades para se desviar devido ao tamanho. A semideusa aproveitou-se disso e investiu contra o monstro e ao se aproximar acertou seus principais pontos de apoio.

Em retaliação arremessou a mulher com força contra uma árvore, arrancando um gemido alto da mulher. Os olhos de Maeve se arregalaram: — Mãe! — Gritou a menina por impulso. Seu primeiro pensamento foi correr até e ela e ajuda-la, mas sabia que seria muito perigoso e poderia colocar as duas em perigo, porém, algo dentro dela começava a ficar cada vez mais inquieto e as vezes via flashes da mulher ruiva que habitava seus sonhos. Sentia sua mão ficar pesada e buscar por algo que ela não segurava. Levou a destra ao colar sua mãe e o mesmo estava quente como fogo e ao olhar para baixo notou quem em seu peito havia novamente aparecido a marca da noite de Beltane que também era igual ao pingente. Quando olhou para sua mãe outra vez, notou que ela a encarava e fazia um sinal negativo com a cabeça e seu semblante era de extrema fúria.

Eileen se levantou e as folhas sob seus pés começaram a pegar fogo, o cabo da lança chocou-se contra o chão e o mesmo voltou a tremer: — Sou filha do fogo, da forja e da inspiração. Não vou permitir que você toque um só fio de cabelo da minha filha. — Os olhos da guerreira se cobriram de fúria enquanto seus lábios sussurravam palavras desconhecidas. A mulher cainhava cada vez mais rápido indo de encontro a criatura inimiga, as veias de seus braços e pescoço estavam saltadas e de onde estava Maeve tinha a sensação de que sua mãe estava em um frenesi furioso. A lança dela arrancou mais algumas mãos que tentavam agarra-la e seu corpo se esquivou com maestria. A lança foi cravada na coxa do monstro e a mulher impulsionou seu corpo para cima acertando os dois pés na cabeça mais próxima.

Pousou no chão como uma pluma e ao arrancar sua arma fez o monstro se enfurecer mais, porém, nada era maior do que a fúria de uma mãe para proteger um filho. Suas mãos se fecharam ao redor da lança com força e logo uma enorme rocha atingiu o monstro que apesar de quebra-la no ar, ainda foi muito atingindo, a folhas começaram a pegar fogo e logo se alastrou rapidamente atingindo as árvores mais próximas ao monstro que tentava atingir a mulher novamente. Eileen usava as chamas para chicoteá-lo causando um dano massivo contra ele. Porém, em um segundo de descuido ele a agarrou pela cintura com algumas mãos e começou a aperta-la. Sentia suas costelas se partindo com aquilo. Ou morreria ali ou precisava acabar com aquilo de uma vez por todas. Encostou suas mãos na criatura e convocou todas as chamas para que viessem até si, queimando o monstro por onde passavam. Ele a soltou de uma grande altura o que fez ela urrar de dor ao cair no chão, mas não poderia parar, ou Maeve estaria morta. Pegou sua lança e atravessou o coração da monstruosidade que começou a desaparecer em pó diante de seus olhos.

A mulher ruiva caiu de joelhos no chão, não estava sendo na fácil respirar, mas antes que encontrasse o chão fora amparada pela filha com os olhos cheios de lágrimas: — Mãe! O que está acontecendo? — Quis saber a jovem assustada com tudo o que havia presenciado. A mulher sorriu e ajeitou os cabelos da filha: — Sua avó é uma Deusa. Brigid. A Iluminada. Senhora do Fogo, dos Ferreiros e das Inspirações. — A mulher tossiu com dificuldade para falar: — Seu pai é Hefesto. Deus da Forja e do Fogo. Você tem em suas veias sangue de dois deuses, que apesar de serem muito parecidos, são muito diferentes. São de mundos diferentes. Espero que você tenha a capacidade de aproveitar o melhor de cada um deles. — A mulher tossiu um pouco de sangue e finalmente deixou que seu corpo tombasse: — Filha me escute. Você precisa chegar ao Acampamento Meio Sangue. Lá você vai ficar segura. Vai se desenvolver. Seu pai vai cuidar de você. Do jeito dele, mas sei que vai.

A menina segurou a mão da mulher com mais força e o céu que estava límpido se tornou nublado cheio de carregadas nuvens. Trovões rompiam o horizonte e o cheiro de chuva se tornava mais forte: — Maeve eu não vou conseguir. Estou muito ferida. Minhas costelas perfuraram meus pulmões. Vá para Nova Iorque... Long Island. Siga pela floresta até o acampamento. A leste daqui há uma gruta. Deixei tudo preparado para a nossa partida. Mas eu não vou com você como havia planejado. — A menina já não continha as lágrimas e apertava a mão de sua mãe com cada vez mais força: — Eu não vou a nenhum lugar sem você. Vou te levar para esse lugar e cuidar de você. Não posso te deixar mãe. — A chuva começou a cair serena e olhos esmeraldas de Eileen vislumbraram os primeiros pingos de chuva: — Vá Maeve. Se há uma chance para mim, eu preciso que vá. A floresta vai cuidar de mim. Os Deuses estão comigo. Vá! — Disse ela empurrando a jovem.

Deu um beijo na testa da mãe e se levantou, colocando-a confortavelmente no chão, ainda que seu coração sangrasse. Havia uma parte de si que sabia que tudo aquilo era verdade, mas havia uma outra que se recusava. Como podia abandonar sua própria mãe para trás? Preferiu não pensar nisso, mesmo que um pedaço seu ficasse para trás. Seguiu na direção indicada, com a chuva caindo pesada sobre seus ombros. Mil perguntas povoavam sua mente, mas precisava se concentrar no que precisava fazer, quando finalmente estivesse mais próxima de seu pai, ele pudesse responder todas as dúvidas que tinha.

Long Island, 13 de outubro de 2019

As memórias daquela noite ainda estavam frescas em sua mente, ao fechar os olhos ainda podia ver sua mãe incendiando o monstro que havia atacado as duas. Preferia nutrir dentro de si a esperança de que ela não havia morrido, mas a crueldade da realidade fazia com que ela se lembrasse que costelas esmagadas e pulmões perfurados eram praticamente uma sentença de morte. Sentia vontade de chorar, mas ainda não podia. Precisava continuar e se manter viva, havia prometido isso a sua mãe e assim cumpriria. Nos últimos dias sua vida havia se transformado em um verdadeiro inferno. Era como se tivesse perdido sua identidade, suas raízes, não sabia mais quem ela era e de onde vinha. E a única pessoa que talvez pudesse aliviar essa dor e responder todas as suas perguntas estava provavelmente morta. Estava acreditando em tudo o que ela disse naquela noite, por mais que parecesse uma grande loucura.

Durante a viagem para a Nova Iorque teve tempo de relembrar de toda a sua vida até ali. Ainda era bem pequena quando chegaram em Indianápolis, deixando tudo em Galway para trás. Talvez fosse por sua verdadeira identidade, talvez fosse simplesmente para viver uma nova vida. O fato é que sempre teve a vida mais normal possível com sua mãe, ela trabalhava e voltava para casa todos os dias. Mas desde que havia passado férias na Irlanda, desde que aquela mulher estranha surgiu da floresta, tudo havia virado de cabeça para baixo. Foi ela quem despertou pela primeira vez aquele fogo em seu peito e desde então, sua vida havia virado aquele caos. Preferia nunca ter ido para Galway e ter sua mãe fazendo chocolate quente todas as noites. Mas isso já parecia um passado tão distante que Maeve se via obrigada a adaptar-se a nova realidade.

— É aqui moça. — A voz do taxista trouxe a ruiva de volta para a realidade: — Não é um pouco perigoso demais para uma mocinha a essa hora? — Perguntou ele. Ela sorriu de canto e pegou o dinheiro no bolso da mochila: — Está tudo tranquilo. — Respondeu e fechou o zíper: — Pode ficar com o troco. — Disse antes de descer do carro. O motorista acelerou e a deixou na beira da estrada, não havia ninguém a àquela hora ali. Os olhos esmeraldinos da garota encararam a floresta escura, não havia outro som além do farfalhar das folhas. Ela respirou fundo, não tinha outra opção a não ser continuar. A garota olhou para o mapa que sua mãe havia feito e a entrada do acampamento não parecia tão distante, talvez uns dois quilômetros mata a dentro. O que poderia dar errado? Talvez um monstro gigantesco tentando arrancar sua cabeça.  Enfiou a mão na jaqueta e puxou a lanterna, ainda estava funcionando.

Se não fosse a lanterna não enxergaria um palmo diante do nariz, a mata era densa e mal podia ver os troncos largos das árvores parece que nem o vento gostava de soprar naquela floresta. Maeve continuava escutando os gravetos quebrar sob seus pés, à medida que adentrava começava a escutar coisas que não sabia se era sua imaginação ou não. Tinha a sensação de estar andando a mais de uma hora, porém não tinha mais que alguns minutos, seu destino ainda estava muito longe com toda certeza. Em algum momento ela voltou a escutar os corvos, “— Malditos corvos! — Pensou ela enquanto dava a volta em uma árvore de tronco largo, por mais que soubesse que estava sozinha, tinha a sensação de estar sendo observada. Era inevitável que o medo começasse a dominar seus pensamentos, mas sempre que pensava em desistir, lembrava do sacrifício de sua mãe.

A caminhada já começava a cansar, os barulhos começavam a confundir e tinha a sensação que começava a andar em círculos. Usou a lanterna para iluminar o mapa e não tinha certeza se estava na rota certa. Não tinha nem certeza se aqui ia servir para alguma coisa, a ruiva rolou os olhos e continuou andado em linha reta.  “— Escute a floresta Maeve. Escute a floresta. — ” O sussurro se tornava cada vez mais constante. Ela não queria escutar aquela voz, mas era impossível e cada vez mais ela estava misturada com gralhar dos corvos. O som de passos fez a ruiva se virar e lá estava a mesma mulher, com seus olhos negros e cabelos platinados. Sua boca também estava negra e o vestido era vermelho como sangue, sua pele estava mais pálida do que lembrava: — Vai continuar andando em círculo enquanto não entender o que você é. Cuidado. —  A imagem da mulher se dissipou diante dos olhos da garota.

— Eu devo estar ficando louca! — Comentou consigo mesma ainda buscando entender o que havia acabado de acontecer: — Talvez linda garota. — Uma vez fermina respondeu atrás dela. Maeve se virou abruptamente encarando a morena. De onde aquela mulher havia saído, ela não fazia ideia, mas algo nela era muito estranho, começando por ela estar ali a àquela hora da noite. A ruiva deu um passo para trás e continuou a encarar a estranha: — Está perdida? —  Disse ela passando a ponta dos dedos pela boca: — Procurando algum lugar? — Disse ela com um tom irônico. A ruiva pensou no que deveria dizer e falar o que realmente buscava não parecia uma boa ideia naquele momento. Então apenas deu de ombros tentando disfarçar e meneou a cabeça: — Estou procurando uns amigos. Eles ficaram de me encontrar aqui. — Esperava que aquela estranha caísse em sua conversa.

Deu um leve passo para a direita e tentou andar seguindo em frente, a mulher não demonstrou nenhuma reação a não ser um sorriso, mas estava longe de ser algo que a menina gostaria de ver naqueles lábios. Algo dentro de si dizia que ela deveria caminhar mais rápido e assim ela fez, não queria encontrar aquela mulher novamente. Tomou uma rota alternativa e olhou por cima vendo a lua, fechou os olhos e tentou escutar o que a floresta tinha para dizer a ela.  Sua mãe havia confiado que a floresta poderia salvar sua vida, Maeve também precisava acreditar que a floresta a guiaria até seu destino. Uma lufada de vento sacudiu os cabelos vermelhos e a lanterna caiu no chão, seu olfato sentia o cheiro de terra molhada, seus ouvidos escutavam as canções carregadas pelo vento. Se entregou a aquela sensação e todo o medo da escuridão da floresta se dissipou, seu coração batia tranquilamente. Tirou o tênis que calçava e sentiu a terra entre seus dedos, o poder que vinha dela, algo que ela nunca havia experimentado antes.

Seus pés caminharam por conta própria em uma direção que não sabia se era a certa ou a errada, apenas deixou-se ir. Podia dizer que aquela era a experiência mais estranha que já havia vivido, tinha consciência de suas ações, mas nenhum controle sobre elas. Se quisesse parar seus passos não conseguiria, seu corpo se movia por conta própria. Os lugares que passava não eram mais os mesmos, já não estava mais andando em círculos. A floresta se tornava mais densa e mais escura e em um certo ponto seu corpo teve necessidade de correr, sentia um perigo que poderia atacá-la a qualquer momento, algo que pelas sombras vinha seguindo seus passos. Tentava controlar seu medo, entrar em pânico não seria uma boa coisa, principalmente se precisasse se defender.

Uma pancada forte na altura do estômago fez com a ruiva caísse metros para trás, deixando ela atordoada. Sua visão ficou turva e não conseguia dizer exatamente o que estava na sua frente, parecia uma mulher e ao mesmo tempo não parecia. Arrastou-se um pouco para trás, sentindo a terra por seus cotovelos. Aquela coisa ria ao encarar o semblante de Maeve que continuava se arrastando para trás: — Acho que está muito longe de casa, garotinha. — Disse o monstro de cabelos flamejantes desferindo uma garrada na direção da semideusa. A ruiva teve apenas tempo de girar e de um jeito um pouco estabanado se colocou de pé: — Que diabos é você? — Perguntou espantada e curiosa do que era aquilo diante de si. Pele pálida, um pé de burro e o outro de bronze, os cabelos que pareciam chamas assim como os olhos. Era uma figura bizarra e só podia ser outro monstro, mas o que ele queria com ela. Lembrou-se então de quando sua mãe disse que seriam caçadas. Seu coração disparou no peito, o que ela poderia fazer contra aquela coisa.

— Mas você não vai precisar saber o que eu sou, quando eu estiver drenando até sua última gota de sangue. — A voz da mulher tinha um timbre que deixava Maeve tonta. Ela se aproximou e encarou os olhos da ruiva que não conseguiu se mover, como se seu corpo quisesse estar perto do monstro: — É difícil para uma criaturinha como você resistir. Ainda não sabe nada sobre a vida e pelo visto não terá essa chance. —  Ela sentiu quando as garras da criatura envolveram seu pescoço rasgando sua carne. O que ela poderia fazer? Estava totalmente presa, não sabia lutar como sua mãe, não sabia usar aqueles poderes que ela tinha. Morreria tão próximo de cumprir a promessa que havia feito. A promessa... Aquilo reverberou em seu inconsciente e fez com que se lembra-se de sua mãe cheia de sangue caída no chão.

Sentiu muita raiva de si mesma, por se entregar, por não lutar, por ser uma coitadinha, vítima da circunstância. Não era isso que sua mãe esperava, ela havia confiado que chegaria até o acampamento, que ela lutaria para viver. Aquilo se tornou uma lembrança tão forte dentro garota que lhe dava forças, se fosse morrer, morreria tentado fazer alguma coisa, não como uma presa qualquer. As mãos da semideusa seguraram o braço da criatura com força e começou a esmaga-lo com toda sua força, quando ela tentou sufoca-la, Maeve lhe atingiu com uma cabeçada em cheio. Seu corpo caiu no chão e nem esperou um próximo movimento da mulher, puxou os pingentes de seu pescoço e como uma mágica um deles se transformou em uma enorme alabarda. Nunca havia segurado uma arma como aquela, mas não cairia para aquela coisa, a garota jogou a mochila no chão e segurou a arma com firmeza. Um arrepio subiu pela coluna e sentiu uma vontade imensa de entrar naquele combate e não haveria nada que pudesse para-la.

A criatura partiu na direção da ruiva, mas essa girou levemente o corpo e deu um pequeno passo lateral, quando o adversário passou para ela desferiu um golpe com o machado de cima para baixo acertando as costas do monstro que urrou de dor. Com tamanha fúria, Maeve se preparou para o próximo ataque, que veio de imediato, a mesma garra sedenta por sangue. Dessa vez não conseguiu se esquivar perfeitamente e as poderosas garras rasgaram seus braços, jaquetas e tudo o que encontraram pelo caminho. Maeve encarou os olhos da criatura com fúria e acertou o lado da alabarda na altura de seu estômago e depois a girou a rapidamente estocando com o cabo da mesma empurrando-a para trás. O bicho tentou mordê-la com seus dentes afiados e em reposta teve seu queixo golpeado com violência pelo cotovelo direito da semideusa.  Não podia esperar que ela se recuperasse e golpeou sua perna de burro fazendo com que ela caísse no chão.

A garota ruiva deu dois pulos para trás e seu predador se levantou feroz partindo em sua direção, as duas garras vieram em sua direção e ela teve que rolar esquerda para poder esquivar. Quando se levantou o monstro tentou chuta-la e novamente teve que se jogar um pouco para trás poder se esquivar por pouco. Sentia o suor escorrendo pela lateral do seu rosto e as feridas começavam a arder, a criatura investiu com toda sua força contra a ela e por mais que tivesse muita força, não conseguiu se manter no mesmo lugar. Suas costas bateram contra o tronco de uma árvore, a dor fez ela franzir o cenho e trincar os dentes, mas não podia parar por isso. Uma das garras novamente envolveu seu pescoço e a outra rasgou seu peito fazendo uma enorme ferida. Precisava fazer alguma coisa, mas sentia tanta dor que não conseguia pensar em algo. Tentou controlar sua respiração e buscou uma forma de organizar seus pensamentos. Precisava de um plano. Colou o pé direito contra o tronco da árvore e usou a força ao empurra-la para empurrar a coisa que a atacava. Assim que o bicho se distanciou, deu uma estocada contra o abdômen do adversário evitando que ele se aproximasse novamente.

Tinha que aproveitar a vantagem e segurou a alabarda rapidamente com ambas as mãos, deixou seu pé direito como apoio bem firme no chão e desferiu um potente golpe de cima para baixo que acertou o ombro da criatura, fazendo uma enorme quantidade de sangue jorrar. Seus ouvidos captaram um longo zunindo e o monstro ficou parado, como se tivesse sido congelado. Depois daquele ponto tudo se tornou confuso para a ruiva, sua cabeça girou e sentiu náuseas devido as fortes dores que sentia. Não podia ter certeza, mas havia um grupo de outras meninas se aproximando e de repente o monstro que a atacava estava preso em uma espécie de rede muito brilhante. Estava muito tonta para compreender o que realmente estava acontecendo, as vozes se misturavam com o gralhar dos corvos: — Precisamos leva-la. Está bastante ferida. — Uma das garotas disse: — Mas será que ela é uma semideusa? — Perguntou uma outra que não conseguia ver: — Ninguém fica vivo tanto tempo lutando contra uma Empousa. Matem logo esse monstro e vamos leva-la. Se ela continuar sangrando assim, vai morrer logo.


Acampamento Meio Sangue, 15 de outubro de 2019.

Tudo não passava de um sonho, pelo menos era o que a jovem desejava, acordar em sua cama e sentir o cheiro de chá de canela pela casa. Mas quando abriu os olhos estava em um lugar que não conhecia e nem fazia a mínima ideia de onde era. Olhou para o lado e notou outras camas... Ou seriam macas? Não havia uma só parte em seu corpo que não doesse, todos os ossos pareciam quebrados. A garota afundou os cabelos vermelhos no travesseiro e tentou fechar os olhos por mais alguns instantes. Não tinha a mínima vontade de fazer alguma coisa. Será que havia conseguido? Será que estava segura? Eram tantas perguntas ao mesmo tempo que sua cabeça começa a doer um pouco. As memórias dos últimos dias ainda estavam tão frescas em sua mente que dormir era quase impossível, apesar de sentir seu corpo totalmente exausto.

Tentou se sentar, mas tudo doeu ao se mexer, notou o braço direito enfaixado e ao olhar para baixo viu boa parte do seu tronco ainda enfaixado: — Mas que merda! — Resmungou a garota olhando para os lados.  Foi quando uma garota loira de olhos azuis entrou na sala, ela usava algo como um jaleco e por baixo usava um vestido amarelo. Ela deu um sorriso simpático ao se aproximar: — Vejo que acordou disposta. — Ela disse com um tom brincalhão. Ela deu uma olhada nos ferimentos e começou a desenrolar o curativo do braço para troca-lo:  — Acho que vai ganhar umas cicatrizes. Como se chama? —  A ruiva observou o trabalho da desconhecida e depois a encarou: — Maeve. Maeve Ní Chonaill. — Respondeu diretamente sem alongar a conversa. A loira olhou surpresa para a ruiva: — Ou talvez sua recuperação seja melhor do que eu imaginava. — Disse ela olhando um tanto impressionada.

Primeiro o curativo do braço foi trocado e depois o maior da parte do tronco, alguns gemidos escaparam dos lábios da ruiva enquanto o processo era feito: — Até seu pai ou mãe reclama-la, vai ficar no chalé 11. — Maeve virou o rosto na direção da enfermeira e a encarou: — Meu pai é Hefesto. Então pelo visto cheguei no Acampamento Meio Sangue. — A garota deu um meio sorriso e continuou seu trabalho, um pouco surpresa por escutar que a garota já sabia quem era seu pai: — Então provavelmente vai ficar no chalé com seus irmãos. Logo você vai se acostumar... Como sabe sobre seu pai? — Respondeu com simpatia, tentando fazer ela se sentir um pouco mais confortável. Um longo suspiro escapou dos lábios da prole de Hefesto e aquela pergunta foi como reviver todas aquelas tristes memórias: — Minha mãe me contou um pouco antes de morrer. — Havia uma pontada de tristeza e dor em suas palavras: — Eu me chamo Cindy. Fique tranquila. Está segura aqui. Tente relaxar e sinta-se em casa. — Disse ela ajudando-a se deitar novamente. Tudo o que queria era realmente se sentir em casa, mas ainda não se sentiria até poder ficar frente a frente com seu pai. Essa era sua próxima missão. Encontrar seu pai.


Arsenal:
• Alabarda [É como uma lança-machado. A lâmina na ponta é muito boa para impactos, e o outro lado bom para parar investidas. A haste é feita de um tipo de madeira resistente e encantado para tal, e a lâmina e pontas são feitas de ouro imperial. Exige força e treinamento para ser utilizada com maestria. | Efeito 1: Tal arma pode passar a ter o peso nulo, durante dois turnos, caso seja utilizada em batalha, porém pode durar mais tempo caso seja usada fora de batalha. | Efeito 2: A alabarda é capaz de encolher, ficando do tamanho de um pequeno pingente, ainda conservando a sua forma, mas apenas diminuída. | Ouro Imperial e Madeira. | Sem espaço para gemas | Beta | Status: 100% sem danos | Mágico | Arsenal do acampamento]
Poderes:

Passivo:

Nível 4
Nome do poder: Pensamentos Velozes
Descrição: Os filhos de Hefesto/Vulcano possuem uma capacidade de analisarem rapidamente a situação em que se encontram e criarem uma estratégia param se safarem dela.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Ganham um turno para conseguirem agilizar mecanismos e armadilhas, e assim, criarem algo para ganhar vantagem perante a batalha.
Dano: Nenhum

Nome do poder: Força I
Descrição: O filho de Hefesto/Vulcano é mais forte que um semideus comum, podendo inclusive ser comparado a Ares/Vulcano, ou se igualar a eles nos primeiros anos de treinamento – os filhos de Ares/Marte ainda podem supera-los na força – e isso tudo devido ao trabalho continuo nas forjas. Os meninos geralmente ganham músculos avantajados, e mesmo que não o tenham, sua força ainda é superior, as meninas idem, mesmo sem os músculos.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +10% de força.
Dano: +5% de dano em golpes físicos relacionados pelo semideus, ou que exijam a forja avantajada.


Ativo:

.




Maeve Ní Chonaill
Maeve Ní Chonaill
Filhos de Hefesto
Filhos de Hefesto

Idade : 16

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Mensagem por Macária em Qui Nov 14, 2019 5:15 pm


Maeve

Valores máximos que podem ser obtidos


Máximo de recompensa a ser obtida: 5.000 XP –  4.000 dracmas – 10 ossos
Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

Realidade de postagem + Ações realizadas – 45%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 15%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 25%

Recompensa obtida: 4.250 XP –  3.400 dracmas – 9 ossos + reclamação + item

• Alabarda [É como uma lança-machado. A lâmina na ponta é muito boa para impactos, e o outro lado bom para parar investidas. A haste é feita de um tipo de madeira resistente e encantado para tal, e a lâmina e pontas são feitas de ouro imperial. Exige força e treinamento para ser utilizada com maestria. | Efeito 1: Tal arma pode passar a ter o peso nulo, durante dois turnos, caso seja utilizada em batalha, porém pode durar mais tempo caso seja usada fora de batalha. | Efeito 2: A alabarda é capaz de encolher, ficando do tamanho de um pequeno pingente, ainda conservando a sua forma, mas apenas diminuída. | Ouro Imperial e Madeira. | Sem espaço para gemas | Beta | Status: 100% sem danos | Mágico | Arsenal do acampamento]

Comentários:
Você tem criatividade e isso é inegável. Mas seus erros ortográficos (que são bobos) acabam atrapalhando a compreensão do restante da narrativa já que o estranhamento de construção das orações e de palavras grafadas incorretamente. Recomendo que esteja bem atenta ao trabalhar com outra mitologia em conjunto da grega e que busque sempre a orientação de um membro da staff para não fazer coisas que podem vir a serem negadas.



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