The Blood of Olympus
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大澤公規 —

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Mensagem por Osawa Kinnori em Sex Nov 22, 2019 7:29 am

Lost boy.
Sonhos cada vez mais estranhos chegavam até Kinnori, mas ao mesmo tempo pareciam familiares. Frutos de uma mesma memória, mas sonhados em tempos diferentes. O sono o envolveu e ele não se lembrava de ter adormecido quando abriu os olhos, vislumbrando feições de outras pessoas em meio a escuridão que abraçava a floresta. Memórias finalmente navegando até a superfície de sua mente. Ele tinha sido dado como sacrifício ao povo yokai que vivia ao norte do país, pessoas que mudavam a estrutura de seus corpos e podia viver como animais. Talvez fosse o sono, mas ele não sentia sinais de medo ou temor, principalmente pela familiaridade com que aquelas pessoas se mostravam. Eram dois homens e uma mulher – ele estava deitado com a cabeça nas pernas dela, mas todos estavam próximos – de aparência comum, o que mais parecia chamar sua atenção era a ausência de roupas que cobrissem seus corpos por completo. Mesmo que o inverno se aproximasse e o frio já estivesse presente. Eles pareciam confortáveis.

E também não pareciam animais.

Kinnori se moveu minimamente, coçando os olhos sem ter ideia de quanto tempo havia dormido, apesar de ouvir parte da conversa que eles tinham. Consciente de que o idioma que falavam era o japonês, porém também havia a consciência de que ali o seu sangue nobre não valeria de nada. Ele era um sacrifício dado pela honra de sua família. "Quem são vocês?" O questionamento foi feito em meio ao barulho dos ventos e calmaria que os três aparentavam estar. Não havia nada além de curiosidade no tom dele e um dos homens sorriu. Exibindo dentes afiados demais para pertencerem a uma boca humana.

Então ele percebeu.

Haviam orelhas em cima da cabeça de cada um deles, mãos com unhas semelhantes a garras e, caso Kinnori fosse dotado da habilidade de conseguir enxergar bem na ausência de luz, veria olhos semelhantes aos de um lobo. E então uma coisa ainda mais estranha aconteceu: o homem que havia sorrido pareceu modificar sua forma, suas orelhas de animal desaparecendo, assim como todas as características que Kinnori conseguiu observar na baixa iluminação. "Desculpe, não esperamos que você chegasse tão rápido e tão perto da noite. Você parece bastante corajoso hein."

Kinnori não sabia se ele era exatamente corajoso ou se tudo era fruto do seu senso de dever com a família, mas não tinha intenção de discordar do que o homem estava falando, ainda com receio pela própria vida. “Não temos intenção de te matar, se é isso que você quer saber. Mas seu peito está calmo.” A única mulher comentou, seus dedos deslizando pelos cabelos longos de Kinnori – provavelmente ela tinha retirado os grampos de seu cabelo, desfazendo o coque tradicional – com alguma admiração. Todos eles tinham cabelos curtos, irregulares e perto do pescoço. “Vamos indo, andando em duas pernas vamos chegar em duas ou três horas” Um dos homens comentou, sua voz soando estranha e gutural, pelo fato dele não ter mudado sua… meio-forma como os outros dois. Kinnori assentiu, confuso com o que estava acontecendo e sem saber exatamente a situação em que estava. Com o sacrifício anulado ele não sabia o que aconteceria, ainda que estivesse claro que agora a existência dele não mais pertencia a sua família e ao povo do outro lado da fronteira.

Ele nunca voltaria para casa.

Então Kinnori não hesitou em segui-los em proximidade pela mata, com receio de que viria a se perder na imensidão verde. No frio ele não tinha perspectiva de sobrevivência sozinho. Kinnori era nobre por nascimento, sabia administração e como barganhar com outros nobres, nunca foi feito para a batalha e para a sobrevivência. Mas a morte não o assustava. Apesar de desejar experimentar da liberdade e curiosidade que vinha sendo alimentada a cada segundo. Ainda estava escuro, mas ele conseguia andar sem problemas, feliz por ter se livrado de boa parte da camada de roupas que vestia, mantendo apenas o essencial para que se movesse sem problemas de frio ou calor.

Os três estavam um pouco mais a frente e tinha orelhas de volta, assim como um rabo, que ele só conseguiu notar por estar os seguindo. Eles conversavam entre si, numa mistura de japonês e um idioma que lhe era desconhecido, mas Kinnori conseguia os ouvir perfeitamente, apesar do tom baixo. Suas palavras e significado das conversas não sendo absorvidos. Caminhar nunca foi um problema, já que a família dele, apesar de nobre, nunca possuiu status o suficiente para que fossem transportados como a família imperial. Então a caminhada não foi um problema, apesar do tempo que haviam passado caminhando. Nenhum deles parecia cansado e o dia estava nascendo quando o nobre percebeu pequenas construções despontando em meio a uma região semelhante a uma clareira, porém muito maior e não exatamente plana.

Foi então que o nervosismo finalmente chegou até ele, fazendo com que um dos homens que o acompanhava o olhasse, apesar dele não compreender o significado por trás dos olhos que pareciam semelhantes aos olhos de um lobo. A medida que se aproximavam mais detalhes ele conseguia enxergar. Construções pequenas, feitas de pedra e irregulares, mas ainda eram construções. Havia uma muito maior que as outras e seus desenhos eram mais trabalhados e se assemelhava a um templo. Mas não eram as casas que assustavam o jovem nobre e sim as pessoas que circulavam pela pequena cidade. Pessoas que possuíam orelhas de animais no topo de suas cabeças, assim como raposas, lobos e texugos. Haviam também pessoas como ele, de aparência completamente humana. Porém ele tinha visto que a forma aparentemente humana podia ser alcançada se assim fosse desejado. Levando-o a supor que aqueles animais que transitavam eram também pessoas. Assim como as lendas.

Mas diferente dos contos, nenhum deles havia tentado o assassinar ou se mostrava sanguinário.

A convivência entre eles parecia pacífica e seus olhos pareciam segui-lo à medida que ele avançava, seu coração cada vez mais acelerado. Só então lhe ocorreu que todos eles conseguiam ouvi-lo com precisão, cada suspiro e batida incerta em seu peito eram captados. Então Kinnori fez o que costumava fazer quando era convidado a grandes reuniões e banquetes. Ele se forçou a ficar calmo, respirando fundo algumas vezes. Mas o ritmo calmo do seu peito não afastou os olhares de curiosidade. Então Kinnori os aceitou, seguindo em frente com possível destino... o 'templo' construído com pedras. Ele não sabia o que o esperava, mas a possibilidade de fuga ou qualquer revolta não estavam presentes em sua cabeça. Apenas temia o futuro, mesmo com a morte sendo descartada, ainda não compreendia no que poderia ser útil para um povo que conseguir se transformar em animais.

Mas nenhuma preparação ou conformismo poderia prepará-lo para o que o aguardava no templo.

Havia um homem parado na entrada do lugar, que estava com as portas de madeira abertas e exibindo um interior suntuoso. Mas Kinnori não prestou atenção em como a decoração parecia semelhante aos templos. Aquele homem tinha cabelos loiros e olhos vermelhos, ainda que suas feições fossem japonesas. Ele tinha apenas uma calça hakama vermelha que quase se soltava de sua cintura. Com unhas pintadas de preto e uma conta de oração enrolada em torno do seu pescoço. Parecia obsceno e indecente que ele se vestisse daquela forma em um terreno sagrado, mas ele parecia tão devastadoramente bonito que até o homem mais devoto do país consideraria se afastar do caminho dele, principalmente ao olhar em seus olhos. Um vermelho profundo e vivo que parecia queimar, espalhando uma ardência pela pele de Kinnori como se ele pudesse ver toda a sua vida. Ele era um Deus. Alguém para se curvar.

Ele não parece um deus benevolente, mas um animal selvagem, meio louco e perigoso trancado com força na pele humana.

Por algum motivo ele se viu impossibilitado de mover seus olhos, o encarando de volta e ignorando todos os ensinamentos que havia aprendido desde a infância. Kinnori não queria se curvar, ele queria encará-lo como iguais, ainda que soubesse que seria fulminado. "Foda-se" O Deus rosnou, olhos vermelhos brilhando ferozmente quando três grandes caudas espessas se erguem de suas costas e um par de orelhas brancas pontudas aparecem em sua cabeça. “Nobreza não vale de nada aqui, Nakatomi Kinnori. Você é meu.” ele declarou e Kinnori não tinha forças para discordar, também não queria. Então o homem sorriu, seus dentes pontudos se revelando. O que era para ser assustador parecia atraente e o Deus parecia consciente dos pensamentos que rondavam a cabeça dele.

Ele deu as costas a Kinnori e seguiu para dentro do templo e ele se viu seguindo a divindade, sem perceber que os outros três haviam ficado para trás. Suas costas eram constituídas por músculos e sua pele parecia dourada. Um beleza que ele nunca tinha visto ou achava ser possível existir. "Você vai ser um lobo, Kinnori." O sussurro do Deus chegou até seus ouvidos e mãos fortes alcançaram sua cabeça, o enviando diretamente para um presente confuso e com memórias que desbotavam em meio ao suor que se acumulava em seu corpo.

O chalé de Íris parecia decepcionante, como se ele houvesse experimentado uma maravilha e fosse jogado novamente para o mundo real. O sonho parecia vivido em sua cabeça, principalmente a figura daquele homem, porém o conteúdo não parecia durar em suas memórias. Então ele se sentiu inquieto, como se precisasse tomar algum ar. E era óbvio que ele não estava pensando bem em suas ações, já que saiu do chalé mesmo sabendo que haviam harpias pelo lugar após o anoitecer. Mas a trilha de chalés parecia vazia e o pensamento de que seria devorado pelos monstros não passava por sua cabeça, tanto que ele havia deixado sua pulseira no chalé. Caminhando sem rumo até a linha das árvores da floresta do Acampamento e se sentando no chão. Sujando a calça do pijama que vestia e fazendo com que suas costas nuas fossem feridas contra o tronco de árvore onde ele se apoiava.

Ele não percebe que não está sozinho até que o rosnado baixo chegue até seus ouvidos, quase parando as batidas do seu coração e as reiniciando novamente.

Havia um lobo marrom quase ao seu lado, sentado quase em disciplina. Seus olhos são vermelhos e parecem brilhar mesmo no breu da noite. A primeira imagem que vem a mente dele é a do Deus desconhecido e sua aparência rebelde, mas era… diferente. Kinnori não se moveu, sentindo a própria respiração acelerar e uma sensação de terror florescer em seu estômago. Mas o lobo não se moveu, apesar de parecer gigante e poder assassiná-lo com facilidade. Foi quando seu segundo rosnado veio, baixo e forte o suficiente para que Kinnori sentisse seu peito apertar em um sentimento que ele não compreendia. Sabia que estava respirando, mas não conseguia sentir seus batimentos cardíacos com precisão, como se seu coração e seu corpo sofressem algo que não era natural. Seus pensamentos se tornaram caóticos e tudo o que ele conseguia pensar era em como iria explicar para sua avó a causa da sua morte.

A dor não demorou a alcançá-lo, quase como se estivesse experimentando o auge de alguma doença.

O lobo está no sangue.

Ele sentia o corpo queimar, como se estivesse em chamas. No fundo da própria mente ele sabia que não tinha possibilidades de sentir os efeitos de uma febre de forma tão avassaladora e rápida, no meio de uma noite gelada. Mas nada sobre ele era natural. Então Kinnori resistiu, se negando a aceitar a escuridão que se aproximava, mantendo os olhos abertos e voltados para a figura do lobo gigante, em uma teimosia que lhe era comum. Nos lugares onde deveria haver raiva havia conformidade. E Kinnori em sua segunda existência permanecia ausente de raiva, mas os lobos não esquecem o que lhes foi dado de bom grado. Kinnori lutava uma batalha perdida, sentindo a ardência do olhar do lobo antes de ser levado pela escuridão.



Infos:
É a continuação da primeira CCFY que eu fiz nesse tópico. Ela se passa no Japão antigo, onde Kinnori foi dado como sacrifício. Na cultura japonesa existem mais de 8 mil Deuses (Kami, como são chamados) e alguns deles são proveniente de outras culturas, como da Rússia, China etc. Aqui eu interpretei de acordo com a história dos Lycans: eles não existiam até Ares pedir que Deimos/Terror assumisse o grupo p/ combater Licão e seus licantropos. Sendo assim no Japão medieval eu interpretei a divindade como Ares. Segundo a mitologia japonesa é bem comum raposas, texugos e lobos serem retratados como demônios que se transformam em pessoas.
Osawa Kinnori
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Lycans de Deimos
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Mensagem por Minerva em Sex Nov 22, 2019 1:39 pm

Osawa


Valores máximos que podem ser obtidos


Máximo de recompensa a ser obtida: 5.000 XP e 4.000 dracmas, 10 ossos

Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

RECOMPENSAS: 5.000 XP e 4.000 dracmas, 10 ossos + ingresso no grupo

Comentários:
Eu, sinceramente, não tenho palavras para elogiar sua narrativa.

Minerva
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Deuses Olimpianos
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