The Blood of Olympus
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Mensagem por Osawa Kinnori em Dom Out 27, 2019 7:53 pm


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Neste tópico é possivel ver as missões realizadas por Osawa Kinnori, ainda indeterminado.

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Mensagem por Osawa Kinnori em Dom Out 27, 2019 7:56 pm

Lost boy.
Ele odeia o final do outono, onde a chuva parecia criar uma atmosfera distinta adornada do frio e de toda a umidade, como se um invólucro translúcido envolvesse o ambiente em melancolia. Distinguindo-se do inverno após a primeira queda de neve, onde uma onda de calmaria parecia se instalar. Mesmo que estivesse frio, Kinnori se contentava com a maneira como a luz solar cintilava ao entrar em contato com a neve recém caída, brilhando na iluminação da manhã.

Mas o final do outono era escuro, sem vida e chuvoso. Com a vitalidade se dissipando ou diminuindo sua atividade, em uma preparação para os meses gelados. E, com o passar dos dias, a sensação de letargia parecia chegar até seus ossos, acompanhada de uma palidez excessiva. A sensação de torpor se apossando de todo o corpo com afinco, transformando sua aparência e deixando em evidência a fraqueza que sentia. Ele realmente não queria se mexer. E naquela manhã não foi diferente.

Os pingos que degringolavam do céu em forma de uma chuva densa inundavam parte do washi que revestia as janelas e portas, criando uma movimentação anormal dentro da casa. A chuva vinha acompanhada de ventanias fortes e o frio fazia-se presente, propagando resmungos e, novamente, mais movimentação. A sensação de que algo estava modificando-se e trilhando novos caminhos havia se instalado no estômago de Kinnori, consciente de que a agitação anormal aos arredores da própria casa não eram por conta da chuva característica dos meses que precediam o inverno e sim por algum motivo que lhe era desconhecido.

O jovem nobre, Nakatomi Kinnori, filho mais jovem e que era destinado a trilhar os caminhos do pai nunca costumava permanecer longe dos assuntos de família. Acompanhando os negócios desde que havia completado quatorze anos. Desconfiava que talvez o pai fosse casá-lo com alguma moça de família igualmente nobre e que, de qualquer modo, a informação não era importante ao que aparentava, já que ele nada sabia.

Kinnori culpou a doença, daquela vez. A gripe que não o deixava livre para abandonar seus aposentos e caía sobre seu corpo tão violentamente que preocupava as senhoras que cuidavam da casa desde antes do seu nascimento. Apesar de que seu corpo fraco nunca foi um empecilho no que diz respeito a sentar junto ao seu pai e discutir acordos e propostas que poderiam beneficiar o rei e talvez melhorar a condição do clã Nakatomi – mesmo que fossem nobres e estivessem acima da população e servos, ainda estavam em desvantagens em comparação a outras famílias nobres, como os Imagawa.

Algumas dessas famílias haviam conseguido algum proveito ao casarem membros com familiares do Imperador ou com o próprio, não restando muitas dúvidas para Kinnori que em breve poderia casar-se com alguma mulher solteira, talvez alguma das muitas filhas do Imperador, aumentando o status da família Nakatomi. Era algo que seu pai já havia comentado.

Não compreendendo ao certo os motivos do seu pai lhe esconder tais informações, mesmo que estivesse terrivelmente doente. Mas Kinnori não mais questionava, enfrentando a febre que o abatia pela noite junto a livros e poemas, melhorando a cada dia. Possivelmente por forte influência da própria mãe, que o forçava a ingerir uma quantidade absurda de chás e ervas de gosto terrível, ao menos ele não era capaz de sentir seus cheiros.

Naquela manhã em específico a senhora Nakatomi e primeira esposa, mãe de Kinnori, apareceu assim que algumas senhoras notaram que ele estava acordado, com a aparência melhor em comparação com os demais dias. Kinnori não percebeu até aquele dia, em que estava progressivamente melhor, mas ela parecia preocupada e franzina à luz da manhã. Com os lábios apertados em uma linha fina de desagrado em mescla a aflição. Ele soube assim que olhou em seus olhos que tais sentimentos não eram gerados pela sua doença, agora quase inexistente e com os vestígios da mesma se dissipando.

– Você vai se casar, Kinnori. – foram as palavras pronunciadas, acompanhadas de expressões sérias.  

A informação nunca foi uma surpresa. Kinnori havia sido criado para liderar a família, não com punhos ou força, mas com seu cérebro e o casamento fazia parte do papel que ele deveria executar. A compreensão que algo estava errado veio alguns segundos depois. Caso fosse uma notícia boa a primeira esposa não iria aparentar tamanho… sofrimento. Kinnori, fez menção de levantar seu corpo, porém sua mãe o impediu, o segurando pelos ombros.

Seus olhos estavam sérios, com mais seriedade do que ele havia durante toda sua vida.

– O Imperador determinou que casaria sua irmã mais velha com um de seus sucessores, ela será a primeira esposa dele e tem chances de tornar-se consorte do Imperador no futuro. – Indicou, mas o rosto contorcido em uma tristeza cruel e pura, suas feições não combinavam com as palavras pronunciadas, o casamento de sua irmã deveria ser recebido com nada além de alegria. – Mas você deverá ir para o norte, como um sacrifício. Você se casará com a Deusa da Misericórdia.

Kinnori então compreendeu que estava destinado a morte desde o princípio, caso aquele fosse o plano do Imperador. Não lhe restavam alternativas viáveis e fugir apenas envergonharia sua família. Mesmo que sua irmã se casasse os Nakatomi estariam destinados a desgraça. Como nobre ele conhecia a punição para aqueles casos e sabia muito bem o que aconteceria com todos os seus irmãos e pais, até com as outras esposas. E, pior ainda, conhecia parte do destino que o aguardava e supunha o resto, pelas histórias que havia ouvido desde criança.

O norte era uma faixa de terra desabitada e longe dos domínios do Imperador, mas que antes havia servido aos domínios do rei – um rei que existiu há muito tempo antes do Imperador – até que homens que viraram bestas chegaram a Wa, se estabelecendo dentro dos domínios reais em segredo, derramando sangue inocente sem distinção. Um dia poderia ser um nobre e em outro um servo. E os culpados eram tais indivíduos, de costumes bestializados, que andavam como homens ou como monstros. Viviam com poucas roupas e nem mesmo a neve parecia deixá-los vulneráveis. E para proteger seu povo, a proposta oferecida pelo rei foi que levassem um pedaço de terra e se mantivessem longe dos domínios estabelecidos como pertencentes a nação. A besta apenas firmou acordo caso o rei enviasse a cada vinte anos um jovem para o Norte.

As histórias que costumava ouvir durante a infância era que tais criaturas eram próprios demônios que andavam sobre pernas, com inteligência e força acima do normal e habilidade de transformar-se em uma besta, maior e mais forte que o mais feroz dos lobos. Um castigo dos Deuses pela desgraça e falta de fé do seu povo – ao menos eram o que diziam os servos. E para manter a sede de sangue controlada e evitar que viajassem até as cidades em busca de sangue era necessário que a vida de um jovem fosse tirada por eles.    

Kinnori estava condenado à morte. Não qualquer tipo de morte. Sua família ao menos teria a chance de honrar seu corpo. E ele seria considerado como um dos muitos maridos da Deusa da misericórdia, titulo dado àqueles que eram enviados como sacrifícios. Em busca de ajudar as almas atormentadas a buscarem algum descanso.

A angústia de sua mãe era compartilhada também por ele, mas Kinnori não permitiu mostrar nada além da frieza que lhe foi ensinado ele aceitaria o seu destino.  

––

O cheiro da chuva enchia a noite, as nuvens que preenchiam o céu escurecido tinham um tom alaranjado e pareciam o prelúdio de um sonho. Na pouca iluminação ele era capaz de enxergar a forma como o vento empurrava as gotas de chuva e a julgar pelo barulho das folhas e galhos, a chuva não era a única coisa que os ventos buscavam arrastar. Em noites de outono como aquelas o jovem Nakatomi não deixaria a própria casa, permanecendo junto a família enquanto a tempestade se precipitava. Mas Kinnori tinha um encontro com o próprio destino e adiar a ida para o norte poderia ser interpretado como desobediência e ele nunca se perdoaria caso deixasse seu clã com problemas. Ao menos havia certo proveito, afinal ele nunca realmente foi capaz de apreciar a chuva.

O sangue nobre vinha com benefícios, mas também com responsabilidades, ao menos para aqueles que tinham honra e reconheciam seus deveres. Desde que havia deixado a infância as preocupações de Kinnori sempre estiveram para com a família e o Imperador, pequenas coisas – como sair em um dia chuvoso apenas para sentir a natureza – nunca possuíram um espaço durante sua vida. E agora soava irônico que pudesse aproveitar o degringolar da chuva enquanto movia-se para a morte, rumo a sua morte.

Porém os guardas a serviço do Imperador pareciam não compartilhar dos pensamentos que passavam pela mente do jovem Nakatomi a julgar pelas suas expressões. Estavam obviamente incomodados pela chuva e aparentavam não desejavam aproximar-se do norte de forma alguma, mas o incômodo deles jamais seria verbalizado na presença de um nobre, mesmo um que estivesse destinado a morte. E tudo que Kinnori poderia fazer era esforçar-se para que a viagem fosse feita de forma mais rápida possível, consciente que logo chegariam nas terras dos Imagawa – o último clã que separava as terras do império do norte.

Haviam tradições que determinavam como todos os clãs deveriam agir na presença de um jovem rapaz destinado ao sacrifício. Uma delas era que os nobres da região por onde ele avançasse deveriam atender aos seus pedidos, fosse dos mais simples aos mais complexos. Acreditava-se que sua alma poderia encontrar alguma paz caso os seus desejos em vida fossem realizados. Kinnori, no entanto, encontrava gratidão em conseguir alguns vestígios da liberdade que lhe foi negada ao longo de sua vida. A natureza descrita pelos poetas e a vida comum das pessoas que não possuíam posição de nascimento.

Por um tempo todos as leituras, até a literatura mais ordinária e impura, que havia realizado lhe pareceram soar fantasiosas demais. Sendo impossível que concebesse uma vida sem qualquer exigência, sem deveres complexos e com um senso de extremo cuidado com tudo o que falava. Mas a viagem lhe mostrava o contrário. As pessoas riam abertamente, conversando de forma despreocupada em mercados, mesmo que suas vidas fossem miseráveis de objetos e pertences de valor. Pareciam mais felizes.

Kinnori não lembrava de ter visto sua mãe sorrir.

O rosto dela estava sempre sério, cheio de sombras. Como se segurasse o mundo em suas costas. Ele sabia que se um dia se casasse sua esposa teria a mesma expressão. Afinal o que unia os nobres nunca foi o amor, muito menor o desejo. Os deveres estavam acima de tudo. Kinnori tinha dezessete primaveras e nunca encontrou significado no amor romântico, pois esse lhe era negado como nobre. Não deveria se apaixonar e ser consumido pelo fogo ardente da paixão, nem mesmo pela mulher que iria casar-se. A paixão levava a irracionalidade, foi-lhe dito durante toda sua vida. Mas ao avançar contra a morte, ele não via mais sentido em tais palavras. Todos eles morreriam algum dia. Mas suas vidas iriam ser cheias de um arrependimento amargo que tanto era descrito em poemas nobres. Arrependimento de viver a vida de forma controlada e presa.

Mas o desejo de liberdade ainda lhe era novo, testado e sem pensamentos concretos, mas que existiam e estavam lá.

Naquela noite foram abrigados na residência majestosa dos Imagawa, sendo recebidos em comemorações silenciosas e uma banquete extravagante que nenhum deles era realmente capazes de comer tudo. Mais tarde, quando Kinnori deitou-se para adormecer, o sol já despontava no horizonte e a chuva continuava a descer pelo céu, envolvendo o amanhecer em uma beleza selvagem que acalmava o coração dele de uma forma nunca sentida antes. Quando acordasse restaria menos tempo ainda.

Se ele pudesse desacelerar o tempo e conseguir mais dias, ele teria feito. Mas o destino não deveria ser controlado, então antes que a noite caísse o jovem nobre foi vestido em roupas cerimoniais que determinavam o clã qual pertencia, a coloração remetente a família Nakatomi deveria lhe trazer algum orgulho, já que havia sido criado e honrado as vestes e cores de seu clã desde seu nascimento. Porém o peso da veste tradicional lhe era recebido como um presságio de morte. Na noite anterior Kinnori sentia como se estivesse vivendo a sua vida pela primeira vez, mas naquele dia ele mal sentia seu corpo. Como se estivesse congelado em todos os aspectos da sua existência. Tanto que ele não foi capaz de registrar a movimentação feita rumo a fronteira que separava as terras seguras da incerteza do norte.

Ele via as pessoas comuns e nobres espalhados pela rua, com roupas simples e sem cor caso fosse comparados a ele próprio, mas lhe eram desconhecidos e a reverência apresentada por tais pessoas parecia um agradecimento por não serem eles os indicados a morte.

Kinnori não os olhou quando atravessou a fronteira e seguiu pelas árvores úmidas.

O peso dos olhares se dissipando à medida que ele caminhava, junto com o nervosismo que ele segurava em seu estômago sem perceber. Parte das roupas que ele trajava foram deixadas para trás e Kinnori realmente não estava pensando, ele apenas desejava se livrar do peso das roupas tradicionais. Só percebendo que estava sozinho, completamente sozinho, pela mata após vários minutos. Os mitos que havia se habituado a ouvir desde a infância determinavam que havia um povo maligno pela floresta, com a habilidade de se transformarem em bestas. Mas tudo que ele conseguia ver era a exuberância da floresta e aves voando. Ele não sabia quanto tempo tinha passado desde que havia deixado a residência nobre e atravessado pela fronteira, mas a noite já caia e tudo que ele enxergava eram a silhueta das árvores no escuro, junto ao silêncio do entardecer.  

Talvez fosse culpa do estresse da situação vivenciada ou os resquícios da última gripe, mas Kinnori estava cansado e sabia que não fazia sentido continuar caminhando às cegas. Então ele sentou-se em apoio a uma árvore, não sentindo qualquer sinal de fome e mesmo que a posição fosse desconfortável, ele dormiu sem dificuldades. Possivelmente ainda incapaz de sentir as coisas de fato. "Ele dormiu?" As vozes soavam muito fracas ainda, não o suficiente para fazer com que ele acordasse de fato, mas mesmo assim o barulho o despertou levemente. A voz não lhe era comum, mas o fato não foi recebido com alarde, o cérebro de Kinnori se recusando a despertar. Mãos igualmente desconhecidas acariciavam seus cabelos e sua cabeça estava pousada sobre as pernas de alguém que não realmente se importava quem era. Estava exausto demais para pensar e seu corpo doía.

"Não está óbvio" Falou uma voz feminina, e ele presumiu que fosse ela a o acariciar. Não sabia há quanto tempo estava dormindo e muito menos se recordava de ter ido dormir, sua cabeça pareceu latejar antes que pudesse se aprofundar no pensamento. "Ele vai ser um lobo tenho certeza." Repetiu a voz se ecoando sobre sua cabeça dolorosa. E ele se esforçou para abrir os olhos, uma curiosidade arranhando a superfície dos seus sentimentos friamente controlados. Mas tudo o que Kinnori encontrou foi o teto do seu quarto e os resquícios desbotados de um sonho estranho. Em algum lugar na rua um lobo uivou enviando um arrepio pelo corpo do rapaz. Ele ainda estava sonhando?!

OBS:
Essa CCFY tem elementos históricos do Japão, porém de forma a adaptar para a mitologia grega. O período narrado é do período do shogunato, no caso em proximidade a ele, que era um modelo militar ditatorial. Nessa época o povo japonês lutava contra uma etnia que vivia ao norte do Japão, essa etnia foi extinta e nesse caso eu usei esse trecho histórico para construir meu plot. No caso esse povo étnico que foi extinto seriam pessoas com habilidades especiais de se transformarem em criaturas.
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Mensagem por Osawa Kinnori em Ter Out 29, 2019 3:22 pm

Lost boy.
As profusões das cores no céu logo resultariam no anoitecer, o que não tardou a finalmente ocorrer. Os retalhos de um céu azul-escuro, ausente de nuvens, negavam quaisquer vestígios da chuva que castigara a manhã, anunciando que o inverno estava se aproximando. Porém ausente da mudança de turno, o jovem encarava a cozinha do restaurante onde trabalhava durante meio período. O cubículo mal arrumado e com resquícios de comida era reconfortante de alguma forma, apesar de ser óbvio que Kinnori desgostava do seu emprego, mesmo sendo notável a habilidade para assar pães e doces graças aos meses que havia passado se dedicando ao seu trabalho. Era evidente que o jovem Osawa preferia trabalhar em contato com as pessoas, às atendendo. Porém seu chefe parecia não pensar a mesma coisa, preferindo manter o jovem japonês preso na cozinha durante todo seu turno.

Kinnori não saberia informar quais eram os requisitos do chefe para determinar quem ficaria responsável pelo caixa, porém era evidente que a cabeça do homem não funcionava muito bem. Afinal foram diversas as vezes que problemas relacionados a falta do dinheiro no caixa foram notadas. A última vez havia sido quase o estopim para o Osawa, já que o colega de serviço – Blake Wand, precisamente – havia anunciado no seu instagram que o pequeno restaurante estaria atendendo todo mundo de graça numa sexta-feira. O aumento significativo de clientes foi recebido com alegria até que eles percebessem que Wand não estava realmente cobrando as pessoas. E, por incrível que pareça, o chefe nada fez. Murmurando sobre ser um acaso infeliz do destino.

Ele sacolejou a cabeça de um lado a outro, aparentando estar aborrecido diante da sua evidente falta do que fazer em relação aos problemas em seu trabalho. Sendo assaltado por uma espécie de sentimento familiar que significava que gostaria de estar em qualquer outro lugar naquele instante.

Ele morava em São Francisco desde os três anos, apesar de ter nascido no Japão e possuir pais japoneses. O movimento para outros países em busca de condições de vida melhores era comum a toda e qualquer comunidade de pessoas, não importa o lugar. E a decisão de sua família de se locomover para a América em 2000 não previa o acidente que sua mãe sofreria no ano seguinte, uma fatalidade sem explicação e que não deixava claro o suficiente como ela poderia ter machucados tão severos por um simples acidente de trabalho. Com quatro anos ele ainda não entendia o motivo de seu pai sempre murmurar sobre como o governo estava criando mentiras e nem o fato de que sua mãe nunca mais voltaria para casa. Nos próximos anos a loucura alcançou o Osawa mais velho, que não reconhecia Kinnori como filho e sempre parecia obcecado demais com a morte prematura e peculiar da esposa. Deixando-o apenas com a avó materna, contas e despesas médicas altas.

Kinnori não sabia naquela época, mas esses foram apenas o começo dos seus problemas.

Ainda com oito anos e vendo os esforços que sua avó fazia para tentar sustentá-los a aparição de criaturas fora do comum se tornaram frequentes. No começo eles não pareciam interessados nele, ainda que provocassem medo na criança. Porém a atenção das criaturas se voltavam para ele nos momentos mais inoportunos e cada vez com mais intensidade, como na vez em que ele estava correndo para pegar o ônibus e acabou sendo seguido por dois cachorros particularmente nada gentis e enormes. Nesses momentos sua avó parecia saber exatamente o que fazer – mesmo que ele nunca contasse para ela o encontro desagradável com monstros com receio de ser tachado como louco, assim como seu pai – fechando as janelas e espalhando incenso pela casa e até mesmo em Kinnori.

Ela era uma mulher inteligente e ligada demais as tradições para não perceber que sangue divino preenchia as veias do seu neto. Apesar de ser óbvio que ele estava assustado demais para processar as informações como reais, aceitando que tudo aquilo provinha de algum delírio. Mas o Osawa sabia que tantas ocorrências em períodos próximos não tinham como ser apenas provenientes de uma possível loucura. A medida que crescia a presença de monstros se tornava ainda pior. Kinnori se lembrava de ter vislumbres de criaturas que existiam apenas em mitologias na primeira vez que foi a praia com os amigos quando tinha doze anos, ganhando uma queimadura no braço e machucados pelo resto do corpo. Sua avó parecia calma ao lidar com as feridas evidentes, como se estivesse satisfeita por ele ter sobrevivido.

Kinnori nunca realmente sentiu vontade, apesar da curiosidade, de questionar o que sua avó sabia. E, infelizmente, aquela não foi a primeira e nem a última vez que ele voltou machucado para casa. E a vida dele parecia destinada a tomar rumos cada vez mais inesperados. Ao menos ele tinha um emprego de meio período e conseguiu uma vaga na faculdade, mesmo com sua notável dificuldade de concentração e hiperatividade. Havia padrões evidentes e ele sabia de quase todos, tendo quase vinte e dois anos, seria imprudente se ele não soubesse que a presença de criaturas piorava quando ele usava eletrônicos e eles sempre pareciam determinados a alcança-lo de algum modo, o chamando de semideus ou qualquer coisa semelhante.

Não foi difícil para ele chegar até as mitologias greco-romanas, mas tudo lhe parecia irreal demais para que ele realmente pudesse acreditar. Então Kinnori viveu sua vida da forma mais comum possível. Mas o sobrenatural o perseguia. Não sendo exatamente uma surpresa para ele quando a porta da cozinha foi arrancada das dobradiças por um monstro que parecia alto demais e... tinha apenas um olho. A palavra ciclope veio com facilidade na mente do Osawa, que apenas conseguia pensar em como seu chefe iria matá-lo pela cozinha destruída. E, como sempre, o monstro não estava sozinho. Ele vinha acompanhado por outros dois e um deles carregava o pobre Blake que… parecia segurar uma espada e estava obviamente desacordado.

O desgosto que Kinnori nutria pelo rapaz não era forte o suficiente para que ele se sentisse satisfeito por ele estar desacordado, mas também não o fazia se sentir exatamente desgostoso da situação. Principalmente pelo fato de que ele portava uma arma e não dava uma rota de fuga segura para o Osawa, já que precisava de alguma forma acordar o idiota desmaiado. Naquele momento não havia realmente uma linha racional de pensamentos onde ele tentava se convencer de que não era real, havia apenas o desejo de sobrevivência, assim como a consciência de que precisava lutar para garantir que Blake acordasse a tempo.

Então Kinnori se armou com duas facas de cozinha, normalmente usadas para cortar carne de hambúrguer, mas que poderiam facilmente cortar a gordura daqueles monstros, ao menos ele esperava. Eles eram altos demais e gordos para caberem os três na cozinha, então a tentativa de entrar no cubículo carregando um homem desacordado foi obviamente um fracasso. E não foi realmente difícil para ele, um homem de 1,73, escapar – com as duas facas de cozinha – pela porta dos fundos, atraindo a atenção dos três, que berravam coisas como "outro semideus". Nesse ponto ele tinha certeza de que estava tendo algum sonho cheio de alucinações que se assemelhavam a realidade.

E naturalmente eles arrancaram a porta dos fundos.

Naquele ponto os pensamentos do Osawa não passavam de um furacão de estratégias, hipóteses e teorias que variavam e iam tão rápido que ele realmente não era capaz de determinar realmente o que estava pensando. Ele era muito bom em fugir, não em enfrentar aqueles monstros. Mas a adrenalina que percorria por seu sistema parecia surtir algum efeito nele, apesar do medo que se enrolava profundamente em seu estômago. Ele avançou contra o primeiro monstro, que carregava um Blake desacordado, se aproveitando do fato dele estar com as mãos ocupadas segurando o jovem rapaz. E, como esperado, as facas de cozinha pareciam não deixar marcas na pele do gigante. E, por pouco, ele não foi pego pelos outros dois, rolando pelo chão do estacionamento vazio e deixando as facas para trás. Apesar de grandes, eles eram lentos comparados a si. Então Kinnori tomou a decisão de fugir.

Ele reconhecia que não tinha como lutar contra os monstros e, por mais que ele desacreditasse nas coisas que via, ele se sentia compelido a ligar para o chefe e buscar alguma ajuda. Com o desespero e um sentimento estranho pairando sobre ele, como ele sentia sempre em situações de perigo. Quase como um chamado ou um sussurro corporal que traçava o que ele deveria fazer. Havia um formigamento em suas mãos e um chamado que o fazia querer ficar e lutar, mas Kinnori sabia que não tinha como lutar daquela forma, ele nem sabia como lutar. Então ele correu pelo estacionamento, entrando nas ruas parcialmente vazias e molhadas, avançando com o coração martelando em seu peito.

A noção temporal dele era marcada com dificuldade, atrapalhada pela adrenalina, mas Kinnori tinha certeza que não estava mais sendo seguido quando finalmente desacelerou e conseguiu chegar até um telefone público. Seus dedos tremiam e pareciam adotar uma coloração anormal e não humana, porém ele sequer pensou nisso, discando o número pessoal do chefe e esperando com impaciência enquanto o telefone chamava. Quando a voz familiar do homem de meia-idade soou pelo telefone uma onda de alívio fluiu por ele, mas não varreu totalmente a preocupação. Quando ele explicou que três homens enormes tinha levado Blake e arrombado possivelmente todas as portas do estabelecimento o jovem esperava que a polícia fosse acionada, porém seu chefe parecia igualmente desesperado e agitado, questionando onde Kinnori estava e afirmando que logo chegaria até ele. O Osawa não entendeu a importância e preocupação, mas meia hora depois ele estava sentado dentro do carro esportivo do Sr. Davis. Sentindo a crescente onda de desespero ao saber que Blake ainda estava sequestrado.

– Como era a aparência deles? – O seu chefe perguntou pela terceira vez, passando as mãos nervosamente pelas pulseiras do braço e olhando para a rua onde havia estacionado como uma pessoa louca, Kinnori poderia julgá-lo mas estava em um estado semelhante.

– Eram muito altos, um deles não usava blusa e todos estavam de shorts… coloridos. – Ele começou, se forçando a lembrar dos detalhes, apesar de deixar de fora o fato de que os três possuíam apenas um olho no meio da testa. A sua resposta não pareceu diminuir a agitação do Sr. Davis. – Blake estava desacordado, mesmo armado, nós temos que ir na polícia!

Ele insistiu, sentindo os olhos do chefe demorarem mais tempo em seu rosto, o comportamento desconfiado que ele demonstrava quase sumindo por aqueles breves segundos. E naquele tempo o Osawa se questionou se havia pronunciado algo que era errado de algum modo. Mas o Sr. Davis assentiu, murmurando enquanto ligava o carro: – Parece que sua velha conseguiu te esconder por todos esses anos, hein. O que pegou Blake são ciclopes.

O choque substituiu a expressão de preocupação do asiático, suas mãos se tornando bastante pegajosas pelo suor, com um desejo crescente de saltar do carro e simplesmente fugir. Não poderia ser real que seu chefe estivesse indicando que ele sabia exatamente o que estava em seu restaurante.

– Pode para de graça, garoto. Sou um semideus antigo e pelo que bem sei esses monstros não gostam de andar muito quando conseguem pegar alguém. – O Sr. Davis continuou, prontamente ignorando o surto que ocorria com o Osawa. – Então devem estar no restaurante ainda, pelos Deuses! Eu deveria ter ouvido quando aquela legionária me disse para colocar facas de ouro imperial. Pobre Blake, mal consegue usar sua espada. Você vê, ele é um filho de Dionísio com problemas de comportamento… mas é um bom menino.

Ele continuou despejando informações enquanto dirigia, mas a cabeça do jovem Kinnori estava longe, presa na própria insegurança. Havia passado uma vida dedicada a esconder as anomalias que o cercavam, sabendo que apenas sua avó tinha algum conhecimento do que ele escondia e lidava todos os dias – apesar de nunca ter colocado as coisas em palavras. Afinal a idosa praticamente o banhava em incenso como se seu cheiro fosse o grande problema, sem exibir preocupações com bullying quando ele chegava em casa completamente machucado. Com quase vinte e dois anos ele achava mais fácil acreditar que possuía algum distúrbio que o fazia fantasiar sobre monstros e criaturas mitológicas do que realmente enxergar tudo como parte da realidade. E infelizmente o Sr. Davis parecia real demais ao seu lado, assim como toda a sua infância e adolescência desperdiçadas em fugas.

– Nunca me engano sobre um semideus. – O Sr. Davis continuou falando, mesmo que Kinnori houvesse enfiado a cabeça entre os joelhos e derramasse algumas lágrimas de frustração. – Me escute garoto, alguém apagou seu cheiro e seus poderes com alguma poção forte, mas você convive com outros semideuses… claro que monstros iam te achar. O ponto é que eu quero que você espere no carro, vou pegar Blake e já volto.

Suas palavras faziam sentido, porém Kinnori se sentia… aterrorizado e mortificado. E quando o carro finalmente parou de se movimentar o seu chefe deixou o veículo sem dizer uma palavra, ele apenas ouvia seus passos pelo asfalto enquanto se afastava. Ele não soube quanto tempo realmente demorou, até que os dois estivessem de volta, não elevando a cabeça para ver se Blake estava bem. Kinnori sequer conseguia raciocinar de forma coerente, sua cabeça pesando apesar de não existir mais lágrimas. A voz dos dois, de alguma forma, pareciam reconfortantes e o Osawa sentiu a mão do Sr. Davis em sua cabeça antes de escorregar para um sono sem sonhos.

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Mensagem por Hades em Qua Out 30, 2019 6:17 pm

Avaliação


Valores máximos que podem ser obtidos


Máximo de recompensa a ser obtida: 5.000 XP e 4.000 dracmas, 10 ossos

Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

RECOMPENSAS: 5.000 XP e 4.000 dracmas, 10 ossos

Comentários:
Eu não percebi deslizes de ortografia. Achei o texto fluido e gostei de toda a história da origem da personagem, que foi muito além da maioria das coisas que vejo. A abordagem foi leve e eu fiquei realmente presa naquilo que eu tava lendo. Então, recebe nota máxima.



Avaliação


Valores máximos que podem ser obtidos


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Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

RECOMPENSAS: 5.000 XP e 4.000 dracmas, 10 ossos

Comentários:
Como a missão anterior, não percebi erros. A escrita é leve, suficientemente detalhada e apresenta explicações plausíveis. Então, seja bem-vindo como filho de Íris e legado de Hipnos.

Hades
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Deuses Olimpianos
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Localização : Importa? A morte ainda será capaz de te achar.

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Mensagem por Osawa Kinnori em Qui Out 31, 2019 8:28 pm

Lost boy.
Kinnori se perguntou, ainda que brevemente, mas não pela primeira vez, se seu pai realmente notaria se ele jogasse o livro na pia e deixasse o exemplar antigo se desintegrar. “Crimes Perfeitos” não tinha relevância para o interesse de estudo de Kinnori nem parecia que seria utilizado no colégio. O livro horrível e sem graça poderia, no entanto, ser usado como um exemplo incrivelmente relevante de irrelevância. Durante a manhã, seu pai havia determinado que ele deveria ler o livro enquanto ele estivesse fora e a criança de nove anos pretendia fazê-lo. Ele sempre pretendia seguir as ordens do pai, por mais irreais que fossem, mas também parecia que o Osawa tinha um dom especial para ir contra o que o pai dizia.

Mas era o que poderia se esperar de uma criança de nove anos com problemas graves para conseguir se concentrar e permanecer parado por muito tempo. Ele mal tinha conseguido sair da primeira página do livro, apesar de saber ler em inglês e conseguir decifrar os caracteres silabários japoneses. Ainda haviam palavras que não faziam parte do vocabulário de uma criança de tal idade, então era óbvio que a leitura indicada de um livro de criminologia poderia não sair como o esperado. Em algum ponto ele passou a sonhar acordado, com o olhar fixo na cozinha à sua frente e o livro aberto – e esquecido – em seus joelhos. A casa minúscula e de dois andares contava com um jardim minúsculo que servia como fonte para armazenar objetos quebrados em meio aos matos, obviamente o pai de Kinnori não preocupava-se o suficiente com a segurança do filho para o instrui-lo a não deixar a porta dos fundos abertas. E não era como se a criança possuísse algum medo.

Ele olhava fixamente para frente quando uma movimentação no quintal chamou sua atenção, sendo recebida com uma curiosidade típica da infância. Ele enrijeceu os ombros e olhou com atenção. Mas nada aconteceu por um tempo e ele voltou a largar o corpo de qualquer jeito no sofá com uma careta, mas foi apenas questão de segundo até que a movimentação voltasse a ocorrer.

O farfalhar se aproximou inexoravelmente e Kinnori saltou do sofá, indiferente à forma como o livro caiu. Uma cabeça alaranjada apareceu na folhagem próxima e contemplou o jovem com desdém. A chuva recente havia embaraçado o pêlo do pobre coitado e fazia seu rosto parecer esquelético e doentio. Gotas d'água caíam dos bigodes e grudavam nos ouvidos. Destemido com a postura defensiva e assustada de Kinnori, o gato caminhou até ele – invadindo a casa como se fosse o dono – e limpou seu pêlo molhado nas calças do jovem.

“Olá” disse Kinnori, caindo de joelhos no chão para acariciar o felino. "De onde você veio?"

O gatinho parecia irritado pela atenção recebida, emitindo um som pela garganta, mas não era como se fosse o suficiente para assustar o jovem. Ele parecia quase como se houvesse se afogado na lama, com as patas quase pretas de sujeira e seu corpo apresentando manchas e partes onde a lama tinha secado, deixando o pelo da área com um aspecto feio. Ainda haviam espinhos e folhas. Com muita calma e cuidado, ele ignorou o miado constante e incômodo do gatinho, passando os dedos gentilmente pelo pêlo e retirando os espinhos que poderiam machucá-lo. Os olhos amarelos estavam fixos nele, como se tentassem ver além de sua pele e pudesse ver exatamente sua alma. Kinnori não conhecia gatos muito bem, mas imaginou que era exatamente assim que os gatos eram.

"Acho que você não poderia me dizer, mesmo que quisesse" continuou ele, mais para si mesmo do que para o gato. “Eu posso limpar você, se você quiser? Eu posso ver comida também. O que os gatos comem? Eu sei que você é onívoro, mas talvez os gatos sejam exigentes.”

Lentamente, para não assustá-lo, Kinnori passou os braços em volta dele e o pegou como se fosse uma criança. O gato primeiro ficou tenso antes de relaxar em seus braços, espalhando sujeira pelas roupas do Osawa que não se importava. Em algum lugar da mente do jovem ele sabia que precisava ser rápido para que seu pai não brigasse consigo, mas estava entretido demais em ajudar seu novo amigo.

Sem olhar para trás, para a sala ou seu livro, Kinnori subiu as escadas e foi direto para o banheiro. Para sua surpresa, o gato não se importou em ser lavado no chuveiro nem com o xampu com aroma de lavanda que Kinnori achou calmante. O gatinho não tinha machucados em sua pele, só parecia extremamente magro e cansado. Então quando eles desceram para a cozinha de novo a criança ofereceu diversas comidas para o gato, que comeu praticamente tudo que ele oferecia sem distinção. Ele sempre assumiu que os gatos eram mais mimados. Talvez este estivesse apenas mais desesperado do que o gato doméstico comum ou mais tolerante com a confusão de Kinnori.

Ele não percebeu como a tarde voava enquanto cuidava do animal, ou quanto tempo levará para limpar a sujeira da pele e quando ele finalmente desviou o olhar do agora muito limpo, muito cheio e muito satisfeito gato, seu estômago revirou.

Do lado de fora, parecia que um Deus havia recolhido o oceano e jogado sobre o quintal de uma só vez. A água jorrou do céu e atingiu a folhagem e a sujeira. Do alto de seu quarto, Kinnori viu a chuva se chocar contra os objetos que tinha do lado de fora, com uma sensação de que estava encrencado. O medo se enrolou profundamente em seu estômago enquanto ele observava a chuva. Ao ouvir o barulho revelador da porta da frente a sensação horrível se arrastou em seu peito e se transformou em uma apreensão ardente. Kinnori não pretendia deixar o livro no chão da sala, mas o gato parecia tão triste e ele imaginou que tinha tempo de ir buscá-lo.

Seu pai gritou com ele, suas palavras perdidas e distorcidas pelos andares e corredores entre eles.

Joelhos manchados de água, calças molhadas e uma camisa suja de lama não eram produtos de um dia bem gasto em pesquisas sobre criminologia. Kinnori mudou de roupa o mais rápido que conseguia, ouvindo seu pai berrar seu nome no andar de baixo pela segunda enquanto trocava as calças e a blusa. A roupas antigas sendo descartadas no chão. "Fique" ele pediu ao gato. “Fora da vista, ok?” o gato laranja parecia compreender e não se moveu para segui-lo quando ele saiu do quarto como um fantasma.

O gato que não era um gato permaneceu na cama do garoto, contente e quente o suficiente para não fugir da casa quando gritos irromperam do andar de baixo. Ele ouviu um estrondo e talvez fossem móveis, uma porta ou um punho, mas era desagradável. Ele sentou-se um pouco quando a cacofonia desapareceu e ouviu os convidados chegarem. O garoto tinha falado com ele sobre todos eles antes. Eles eram algum tipo de amigos do pai de Kinnori. Sons fracos de jantar, talheres e conversas reservadas flutuavam pelas tábuas do assoalho e pelas rachaduras na alvenaria.

O jantar terminou, pela mudança e ausência de barulhos pelo local. O gato conheceu o som de um tapa quando ouviu. Não houverem mais gritos, mas o som de uma voz muito mais profunda e sombria do que a do garoto – que ele havia decidido que seria o seu humano – preencheu o silêncio. E, de repente, Kinnori, bochecha rosada e olhos vermelhos, retornou e fechou a porta com tanto cuidado que mal fez um clique. Ele olhou para o gato, ofereceu um sorriso vacilante e desabou na cama ao lado do felino. Logo ficou claro que ele não tinha intenção de tirar os sapatos ou mudar de posição. O que os gatos fizeram com seus filhotes? Ou os amigos deles? O gato não sabia se os gatos tinham amigos ou se eles se preocupavam em fazer alguma coisa com eles, se os tivessem. Ele provavelmente deveria fazer alguma coisa e oferecer um abrigo, literalmente como Kinnori havia lhe oferecido, mas isso era tristemente impossível.

A criança simplesmente olhou para o teto. Seus pensamentos ficaram enjaulados e acorrentados em sua mente e o gato duvidou que ele alguma vez oferecesse a chave a alguém. Seu peito tremia enquanto ele respirava. Entrando pelo nariz, devagar, e saindo pela boca de alguma forma ainda mais devagar. Dentro e fora, repetidamente. O gato não sabia por que ele fez isso, mas ele descobriu nos últimos meses que quaisquer instintos que ele tivesse, fossem ou não felinos, poderiam ser úteis e ele começou a confiar neles.

Ele pisou, sem graça ou tato, no peito de Kinnori e se deitou. Ele podia sentir a batida muito rápida de seu coração ecoar através de seus próprios ossos e sentiu como o garoto se enrijeceu com seu peso repentino. Ele desejou saber ronronar, mas era uma habilidade de gato que ele ainda não dominava e assim ficou em silêncio, deixando que o som da chuva e da respiração trêmula do garoto preencherem o silêncio. Depois de um momento Kinnori arrastou os dedos ociosamente pelo pêlo e, após uma hora de soluços, adormeceu.

O gato ficou no peito até ser forçado a se deslocar do semideus, mas ficou ao seu lado até as primeiras horas da manhã. O gato pensou a noite toda e chegou a uma conclusão: ele ficaria ao lado desse garoto.

Osawa Kinnori
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Mensagem por Macária em Sex Nov 01, 2019 6:21 pm

Osawa


Valores máximos que podem ser obtidos


Máximo de recompensa a ser obtida: 5.000 XP e 4.000 dracmas, 10 ossos

Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

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RECOMPENSAS: 5.000 XP e 4.000 dracmas, 10 ossos

Comentários:
Seu texto é fluido e extremamente agradável. Gostei da simplicidade do todo. Não tenho muito o que pontuar. Meus parabéns.




this a good death
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Mensagem por Osawa Kinnori em Sab Nov 09, 2019 9:43 pm

Lost boy.
Dor. Essa foi a primeira coisa ele percebeu assim que seus sentidos voltaram. Uma dor entorpecente e latejante na parte de trás do crânio. Kinnori sentia como se seu cérebro estivesse se desmontando e sendo remontado novamente, em uma tentativa de decifrar os acontecimentos anteriores como reais ou não. Ele sentia o rosto pressionado contra alguma superfície gelada e foi inevitável que ele não abrisse os olhos, examinando o ambiente cuidadosamente para descobrir que estava na casa da avó. Ele estava em seu quarto, no andar de cima, com o rosto apoiado contra a cabeceira de metal, mas ele podia ver que as luzes do corredor estavam acesas e pelo sussurro, seu chefe e colega de trabalho também estavam ali.

O Osawa se sentou, sentindo a cabeça pesar de forma estranha, elevando as mãos até a cabeça como um reflexo para garantir que tudo estivesse no lugar. O que o fez suspirar de alívio ao perceber que sua cabeça ainda estava inteira, apesar da dor. Mas o movimento brusco fez com que a dor na parte de trás do crânio aumentasse. Então ele moveu a mão, tocando a parte de trás da cabeça, agradecendo aos Deuses por não sentir nada úmido, apenas sensível ao toque. Kinnori respirou fundo, fechando os olhos para se concentrar, não evitando apoiar a cabeça novamente na cabeceira gélida. Esperando que a superfície fria pudesse aliviar a dor em seu crânio.

Ele respirou calmamente e tentou se lembrar do que havia acontecido.

Kinnori se lembrava de ter entrado no trabalho naquele dia e seguido seu turno da noite com tranquilidade na cozinha, já que era um dia de semana e não haviam muitas pessoas interessadas em comprar um lanche. Ele até mesmo se recordava de ter iniciado algumas das tarefas da faculdade, uma pesquisa quilométrica junto a alguns textos nada amigáveis. Mas... não havia sido apenas aquilo. Com o silêncio e concentração, todos os eventos começaram a voltar. Os ciclopes invadindo o restaurante, um deles segurando o atendente desacordado e que portava uma espada... a forma estranha que seu chefe reagiu assim que percebeu que um de seus funcionários possivelmente tinha sido sequestrado por três homens e a realização de que Sr. Davis e Blake eram semideuses. Ele era um semideus.

Ele contemplou a informação por longos segundos, o conhecimento ocupava um espaço no fundo de sua cabeça, mas ele nunca realmente cogitou que aquilo poderia realmente compor a realidade.

Ele estava prestes a se levantar quando vozes e passos se aproximando denunciaram a presença da sua avó e dos dois homens, que agora ele sabia que eram semideuses. Sua porta se abriu e ele arrumou as costas contra a cabeceira da cama. Os três realmente estavam ali e tudo parecia... estranhamente fora de lugar. Sua avó, com suas roupas antiquadas e jóias falsas, bastante magra e com os cabelos ainda escuros, ao lado de um adolescente machucado, sujo de sangue seco e um homem adulto com um péssimo senso de moda. Se a situação fosse diferente, ele teria rido e dado um jeito de conseguir fotos de toda a situação anormal. Porém havia uma tensão dominante no ar que o lembrava da sua infância ao lado do pai. Ele podia sentir na ponta da língua o gosto da instabilidade e o pensamento que lhe veio com facilidade foi o de que ele era culpado.

Sua avó acendeu a luz e a sua expressão dizia que ela estava claramente infeliz pelo estado com que a casa estava, principalmente a bagunça de Kinnori.

“Levante logo, venha meu filho.” ela indicou, impaciência aparecendo com facilidade em seu rosto. E ele obedeceu, se levantando tão rápido que quase caiu. Então os quatro seguiram pelo corredor que levava diretamente a um antigo escritório que sua avó costumava usar para armazenar porcelanas e coisas quebráveis que toda pessoa antiga parecia gostar. Ele nunca havia tido interesse em realmente estar ali por muito tempo, o quarto era empoeirado e cheirava a morte, madeira apodrecida e pó. Quando seu pai ainda estava morando ali, ele costumava manter o lugar trancado por ser o quarto preferido de sua mãe e o Osawa nunca realmente entendeu o apelo daquilo, principalmente para um homem louco como seu pai.

Ele não entendia exatamente o que estava acontecendo, mas ir contra sua avó não parecia algo muito sábio. Então ele se sentou em um dos bancos empoeirados, junto com o Sr. Davis e Blake. Ambos pareciam ter desenvolvido alguma espécie de medo e respeito pela mulher mais velha e ele podia se identificar totalmente com o sentimento, apesar da sua cabeça não estar ainda no melhor estado. Ela deu a volta na mesa e pegou algo numa das estantes, especificamente uma caixa dourada que Kinnori não lembrava de ter visto em algum momento. Ela parecia saber exatamente o que estava fazendo e quando finalmente se sentou ela colocou a caixa na mesa, quase como se estivesse ponderando se era a hora ideal para o chá. "Kinnori, você é um semideus, sua mãe também era uma. Youko nunca foi como você. E eu fui egoísta, queria minha menina perto de mim, mesmo com o pai dela me avisando que era perigoso." Ela começou, como se estivesse contemplando algo muito antigo.

"Eu queria ter ficado no Japão, lá nós tínhamos templos e nada aconteceu com sua mãe na nossa cidadezinha... mas ela se apaixonou por essa mulher estrangeira. Ela tinha um loja de frutas, produtos naturais e chá... então você nasceu." Naquele ponto ele estava... boquiaberto. Kinnori sempre soube que não era uma criança normal, que ele era um semideus, porém nunca havia passado pela sua cabeça que ele realmente não era filho do seu pai. Ele sabia que as coisas na mitologia funcionavam daquela forma – ao menos nos contos –, mas a possibilidade lhe soava ridícula e pensava que talvez os Deuses pudessem ter uma nova forma de escolher crianças sem ter filhos com mortais. Porém ele estava enganado. "Claro, sua mãe se casou com aquele idiota e ele acreditou que você era filho dele. E ao contrário do que eu queria, ela quis vir para a América, querendo proteger você. Mas as coisas deram errado." Ela continuou, ignorando a expressão no rosto dele.

"Sua outra mãe tinha deixado isso com Youko, pra quando você tivesse idade suficiente. Mas eu também não queria que você se fosse, meu menino." Ela suspirou soltando a caixa, se levantando da cadeira e indo até Kinnori, deslizando os dedos pelo cabelo bagunçado dele como fazia quando ele chegava em casa cansado demais para protestar. "Nunca parecia ser o momento certo. Então eu escondi você, apesar da Deusa vir me falar que você já deveria estar nesse lugar..."

O Sr. Davis tossiu, parecendo desconfortável e Kinnori não o julgava. "O Acampamento Meio-Sangue, senhora." Ele informou, possivelmente recebendo algum olhar mortal de sua avó e, para a surpresa dele, ela concordou.

"Vai ser melhor para você ir, mas se você não voltar vivo..." Ela falou, se afastando dele e indo até a caixa. Abrindo a mesma e exibindo uma pulseira de metal, bastante comum. Kinnori não entendia o motivo dela estar lhe dando aquilo, apesar de saber que era um presente da... sua outra mãe. Parecia absurdo que uma coisa tão pequena e comum pudesse ter sido guardada a anos. Aquela pulseira era inofensiva. Ele não falou nada e apenas aceitou a joia, a arrumando no braço com facilidade. Aquele pareceu o momento ideal para que o Sr. Davis se levantasse, parecendo que iria sufocar se ficasse ali por mais tempo. Só então que ele percebeu que sua avó realmente tinha contado toda sua vida na frente do seu chefe e colega de trabalho (que ainda eram semideuses). "Então, senhora Osawa, foi um prazer, mas precisamos ir. Kinnori pegue suas coisas rápido, monstros podem aparecer a qualquer momento."

Talvez ele ainda estivesse em um sonho insano, porém Kinnori não discutiu, reunindo em uma mochila algumas roupas, documentos e sua escova de dentes. Em menos de trinta minutos ele estava de novo no carro do Sr. Davis, no banco da frente enquanto Blake ocupava o banco de trás. Eles pareciam quase como criminosos fugindo no meio da noite e ele se sentia cansado demais para pensar em tudo que havia ocorrido ao longo daquele dia. "Então, quer dizer que sua mãe era bissexual hein." Blake começou e Kinnori infelizmente se lembrou do motivo pelo qual ele realmente não gostava tanto assim do rapaz. Ele era idiota. "E daí. Não fico por ai falando da sua cara de chapado." Ele rebateu, limpando com a manga do casaco a janela do carro que começava a embaçar graças ao ar-condicionado. Sr. Davis parecia concentrado demais em dirigir para prestar atenção as farpas trocadas. "Cara... literalmente sua mãe pegou uma Deusa hippie e casou com um homem burro."

Kinnori decidiu que seria melhor ignorar ele.

Blake continuou falando e em algum momento ele encostou a cabeça na janela e estava meio adormecido, meio acordado, ouvindo o barulho da estrada e das vozes dos dois homens. Em algum ponto ele realmente adormeceu, ouvindo uma voz insistente ao seu lado. Mas era diferente das vozes masculinas. Era como se uma mulher plantasse sugestões em sua cabeça e se ele realmente se esforçasse ele conseguia ver um rosto.. olhos claros que pareciam coloridos, cabelos claros e um sorriso quase familiar. "A pulseira, se você precisar muito, ela vai virar algo que você pode usar para se defender contra monstros querido. Veja, não é difícil. Tenha cuidado." Ela indicou, parecendo inclinada a falar mas alguma coisa. Mas sua figura parecia cada vez mais distante e tudo que ele conseguiu sonhar foi com camisas laranjas e centauros.

Item Desejado:
• アイリス [A primeira vista é uma pulseira de prata comum, sendo que a mesma é capaz de refletir as cores do arco-íris em contato com a luz. Ao ser ativada a pulseira se torna uma espada de ferro estígio, seu cabo parece ser feito de prata, refletindo as cores do arco-íris da mesma forma que a pulseira, porém é bastante adequado para o uso. | Efeito 1: A espada se transforma em uma pulseira sempre que o portador deseja. | Efeito 2: Ao espada funciona como uma especie de armazém da luz solar, podendo servir como fonte de luz ou simplesmente liberando todo o brilho armazenado de acordo com o desejo de Kinnori. Pode ser utilizado uma vez a cada três turnos. | Ferro Estígio. | Sem espaço para gemas | Beta | Status: 100% sem danos | Mágico | Evento de Halloween 2019]

Osawa Kinnori
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Mensagem por Hefesto em Dom Nov 10, 2019 11:55 pm


Osawa

Valores máximos que podem ser obtidos:


Máximo de recompensa a ser obtida: 5.000 XP + 4.000 Dracmas + 10 ossos
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Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
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Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

Recompensa obtida: 5.000 XP + 4.000 Dracmas + 10 ossos + item


Hefesto
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Deuses Olimpianos
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Mensagem por Osawa Kinnori em Seg Nov 11, 2019 10:26 pm

Lost boy.
Nada tinha preparado Kinnori para a viagem em direção ao Acampamento. Apesar dele não ser inocente em relação a existência de monstros, havia passado a vida fugindo daquelas criaturas e por tudo que havia ocorrido no dia anterior – a invasão de três ciclopes em seu trabalho e descoberta que seu chefe e colega eram semideuses. Ele podia ter uma ideia de que mais de um semideus poderia chamar a atenção de mais monstros.

Mas aparentemente o que ele estava esperando era algum senso de justiça mitológica em relação a quantidade de monstros, mas era óbvio que aquilo não existia. Já que ele mesmo se lembrava das vezes que haviam monstros o seguindo pela rua mesmo quando tinha seis anos. Kinnori também estava bastante consciente que não era capaz de fugir e deixar Sr. Davis e Blake para trás, porém sabia que não era capaz de lutar tão bem assim. Apesar de cursar dança e ter reflexos prontos para a batalha – segundo seu chefe e também semideus. A viagem tinha se iniciado da forma mais comum possível, com ele e Blake se ignorando e o Sr. Davis dando conselhos inúteis sobre vendas e como lidar com os negócios, o Osawa nem mesmo se envergonhava de ter dormido por quase todo o percurso.

E ele estava no meio de mais um cochilo quando as vozes alteradas dos dois semideuses chegaram até ele. No começo ele pensou que era alguma discussão, porém o carro estava... sendo atacado. Mãos enormes deixavam marcas no metal e vozes grosseiras berravam coisas sobre sopa de semideuses, Kinnori se perguntou o motivo de não conseguir ouvi-los inicialmente, porém ele também não teve tempo para se dedicar a pensamentos bobos. Eles estavam cercados por, pelo menos, sete ciclopes adultos e eles logo amassariam o carro ou os faria sair. O pânico e adrenalina devem ter feito com que o japonês acordasse mais rápido, pois logo ele estava se juntando a Blake para gritar por suas vidas – um ato heroico, que envolvia muita coragem. O Sr. Davis parecia ter desistido deles dois e já havia aberto a porta do motorista, aproveitando que o ciclope estava tentando puxar Blake e Kinnori.

Ele não era burro e seguiu o homem mais velho, adotando a ideia do 'cada um por si' muito popular em jogos online e saindo do carro amassado aos tropeços. Tendo certeza que, pelos gritos, Blake estava logo atrás dele junto com a família de ciclopes.

Bastante animador.

Kinnori não tinha ideia de onde estava indo, mas ele entrou na floresta que cercava a estrada com bastante facilidade, pulando algumas elevações de terra e puxando a pulseira do braço com agressividade. Ele não tinha ideia do que estava fazendo e não tinha sinais do Sr. Davis, logo era apenas ele e Blake. Infelizmente Kinnori já se sentia mal por ter deixado o 'amigo' para trás quando foi atacado no trabalho, não queria abandoná-lo de novo. Apesar da ideia parecer bastante atrativa. E enquanto dormia teve vislumbres de uma mulher que… tentava ensiná-lo a usar a pulseira, parecia bastante oportuno. Então ele desacelerou o suficiente para que Blake o alcançasse. Observando que o filho de Dionísio já estava com uma espada em mãos. – COMO ATIVA ISSO? – Ele acabou berrando ao mostrar a pulseira para o semideus, muito mais consciente dos monstros que estavam quase colados neles.

Infelizmente Blake parecia ter perdido sua habilidade de fala e fazia gestos obscenos que poderiam ser interpretados de várias formas, mas nenhuma o ajudaria a ativar sua arma. Então Kinnori fez o que um homem adulto de vinte e dois anos faria: ele mostrou a língua e correu para uma outra direção. Se livrando da culpa por deixá-lo sozinho anteriormente com bastante facilidade, afinal a vida é feita de escolhas e Blake escolheu ser insuportável. E logo ele parecia ter recuperado sua habilidade de fala, já que voltou a gritar por ajuda. Mas o Osawa já estava longe.

Mas a sorte também parecia ter ido para uma outra direção, já que uma dor súbita chegou até ele assim que ele diminuiu a velocidade com que corria. Ele tinha um bom condicionamento físico, mas não era capaz de correr longas distâncias por muito tempo numa determinada velocidade sem se cansar. E parecia ser o momento ideal para que a ciclope que o seguia o atingir com uma pedra. O objeto pegou em seu ombro esquerdo e quase o fez cair, naquele momento Kinnori não saberia dizer se estava sangrando ou não, o seu corpo inteiro parecia queimar pelo esforço físico. Foi quando ele percebeu que não tinha como continuar correndo daquela forma, cansado e quase como se estivesse pegando fogo.  

Seus pensamentos estavam vazios e tudo que ele registrou foi a mulher ciclope, que era muito mais alta do que ele e pelo menos quatro vezes mais larga. Ela tinha um sorriso estranho no rosto, apesar de suas feições por si só serem medonhas graças ao seu único olho no meio da testa. E foi inevitável para ele não recuar alguns passos, apertando a pulseira com a mão direita. O que ele não esperava é que a pequena liga metálica expandisse e ganhasse forma em sua mão, formando uma espada.

O susto não o ajudou, já que ele quase perdeu o avanço da mulher ciclope. Erguendo a espada e desviando do primeiro golpe por um reflexo que ele não sabia que tinha. Mas o terreno não ajudava, então ele tropeçou para trás, deixando um palavrão e movendo a espada de novo quando ela tentou o atingir diretamente na cabeça. O impacto fez com que seus ossos vibrassem, mas havia sangue dela na lâmina e ele não parou, seu corpo parecendo se mover por conta própria, apesar de mais lento do que o normal. Murmurando palavras desconexas e que eram uma tentativa de xingamentos, permitindo que a raiva ofuscasse suas ações. Mas isso não deteve a ciclope, que juntou as mãos ensaguentadas e possivelmente amassaria seu crânio, caso ele não tivesse jogado o corpo para o lado, sendo atingido na coxa e ouvindo um som que osso algum deveria fazer.

Kinnori não conseguiria mais se levantar.

A espada suja parecia inútil e um desespero genuíno descia por sua garganta como veneno. Ela estava ferida e suja de sangue, mas a vitória seria dela se pessoas vestindo armaduras não estivessem chegado a tempo de impedir que ele fosse assassinado. Seus rostos pareciam diferentes entre si, também portavam armas diferentes e em pouco tempo a ciclope foi transformada em pó dourado, para a surpresa dele. Que permitiu que um rapaz o carregasse, ainda sem saber como fazer com que sua espada voltasse a ser uma pulseira novamente. O avanço deles foi mais rápido do que ele esperava e logo estavam subindo uma colina. Quando Kinnori enxergou pequenas construções que pareciam chalés ele finalmente permitiu que a escuridão o abraçasse, aquele era o Acampamento, certo?



Infos:
Poderes Íris:
Passivos:
Nível 1
Nome do poder:  Paciência Gloriosa
Descrição: O filho da Deusa possui uma paciência inabalável, assim nenhum insulto o atingirá, nem mesmo dos filhos de Ares/Marte, e ele prosperará harmonia. Essa calmaria geralmente atinge o inimigo de uma maneira que pode fazer com que ele não queira atacar o filho de Iris/Arcus.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Por uma rodada o inimigo pode se sentir tão calmo, a ponto de hesitar em atacar. Atordoamento temporário.
Dano: Nenhum

Nome do poder:  Aparência inofensiva
Descrição: Por serem coloridos e muitas vezes fofos, os filhos da deusa mensageira aparentam ser inofensivos, isso faz com que o inimigo o subestime, podendo até ser ignorado pelo inimigo, se ele não for o alvo principal.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Por uma rodada o inimigo pode ignorá-lo ou perder um ataque para desdenhar da aparência do semideus.
Dano: Nenhum

Nível 2
Nome do poder: Flexibilidade Nata I
Descrição: Devido ao arco-íris está ligado as serpentes que se trançam no ar, os filhos de Íris/Arcus podem tornar-se flexíveis. O seu corpo parece moldar a lugares pequenos e suas agilidades podem aumentar. Isso faz com que se desviar dos inimigos, ou golpes seja mais fácil, pois ele se torna mais esquivo.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +20% de chance de esquivar-se de um ataque.
Dano: Nenhum

Nível 6
Nome do poder: Crepúsculo Iluminado I
Descrição: Este horário em específico, entre o dia e a noite, é quando o filho de Íris/Arcus se torna mais poderoso, duplicando sua agilidade, ao combinar essa habilidade com suas esquivas, ganhara um bônus de poder.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +10% em passivas de esquiva
Dano: Nenhum

Nível 7
Nome do poder:  Resistência a luz
Descrição: O semideus possuirá certa resistência a ataques que envolvem luz. Por exemplo, se um forte clarão surgir, ele(a) conseguirá ver perfeitamente, sem nenhum problema relacionado a visão.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +20% de resistência a luz
Dano: Nenhum

Nível 10
Nome do poder: Velocidade I
Descrição: O filho de Íris/Arcus pode se mover em uma velocidade fora do normal, chegando a quase se comparar a velocidade de um filho de Hermes/Mercúrio quando corre pelo o nível ser iniciante. Assim como o deus dos ladrões, sua mãe também é uma mensageira, e por isso é muito veloz, porém, os poderes dos semideuses são um pouco limitados.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +15% de velocidade
Dano: Nenhum

Nome do poder: Dança cigana
Descrição: Íris/Arcus é a deusa dos ciganos, como tal, seus filhos tem uma aptidão nata para a cultura cigana, sendo exímios dançarinos.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum

Nível 12
Nome do poder:  Scanner de auras
Descrição: O filho da Deusa consegue detectar as cores das auras vivas, qualquer coisa que emita aura e esteja no ambiente será facilmente detectada pelo semideus.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Capaz de identificar inimigos escondidos, desde que possuam aura.
Dano: Nenhum

Nível 13
Nome do poder: Aniquilador de Discórdia
Descrição: Quando um filho da Deusa chega em um local onde há desunião e inimizade, automaticamente prospera harmonia e temperança, dessa forma, quando em batalha, o filho de Iris/Arcus consegue fazer as pessoas ao redor se sentirem mais calmas, apenas com sua presença, não é algo que eles possam controlar, apenas acontece naturalmente.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Pode deixar aliados em um raio de 300 metros mais concentrados e esperançosos.
Dano: Nenhum

Nível 14
Nome do poder: Visão aguçada I
Descrição: Como um grande manipulador de luz, os filhos da deusa prescindem o uso de lentes de aumento para observar com mais detalhes objetos que estão a grandes distância ou itens muito pequenos. Sua capacidade de visão assemelha-se a de um humano usando um binóculo ou lupa.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: É capaz de ver uma imagem com até 10 vezes de aumento e a objetos com até 10 quilômetros em distância. (+20% Mira)
Dano: Nenhum.

Nível 15
Nome do poder: Boa Memória
Descrição: Como filho da deusa mensageira, você tem uma excelente memória para arquivar as mensagens que recebe, bem como os lugares por onde passa.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: - 50% de chance de se perder ou esquecer uma mensagem ou profecia
Dano: Nenhum

Nível 16
Nome do poder: Pericia com espadas II
Descrição: Suas habilidades estão melhorando, com a pratica e o treino você conseguiu aprender a empunhar uma espada com mais facilidade, e agora consegue fazer movimentos mais rápidos e precisos, suas estocadas também ficaram mais fortes.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +25% de assertividade no manuseio da espada.
Dano: + 10% de dano ao ser acertado pela arma do semideus.
Ativos:
Nível 5
Nome do poder: Pele iluminada
Descrição: O semideus ficará coberto por filamentos luminosos e protegido de danos físicos por uma rodada
Gasto de Mp: 20
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Reduz os danos físicos em 15%
Dano: Depois que o poder é usado, entra em espera por 3 turnos antes de poder ser ativado novamente.
Poderes Hipnos:
Passivos:
Nível 1
Nome do poder: Silenciosos
Descrição: Acostumados com o silêncio (um dos maiores aliados do sono), os filhos de Hipnos/Somnus costumam saber abafar seus sons com maestria. Passos, respiração e até mesmo encostar em algo sem fazer nenhum barulho se torna fácil para eles.
Gasto de Mp: Nenhum.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: Nenhum.
Dano: Nenhum.

Nível 2
Nome do poder: Resistência Mental I
Descrição: Adeptos das ilusões e jogos mentais que cercam o sono e o sonho, os semideuses desse grupo possuem uma resistência elevada quando se trata de truques mentais. Qualquer que seja o tipo de habilidade mental (controle, decepção, sugestão e etc) funciona de maneira mais fraca contra eles.
Gasto de Mp: Nenhum.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: 20% resistência a ataques mentais.
Dano: Nenhum.

Nível 3
Nome do poder: Insônia Forçada
Descrição: Os filhos do deus do sono são capazes de ficarem acordados por mais tempo que o normal, devido ao tanto que passam dormindo. Isso os permite aguentar até uma semana sem dormir ou sofrer crises de sonolência e etc. Mais do que isso seus corpos sucumbem à exaustão.
Gasto de Mp: Nenhum.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: Nenhum.
Dano: Nenhum.

Nível 4
Nome do poder: Cura por Sono I
Descrição: Desde que dormindo, filhos de Hipnos/Somnus são capazes de se recuperar de maneira mais rápida.  Só pode ser usada a cada 3 turnos;
Gasto de Mp: Nenhum.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: Recupera 20 de HP e MP.
Dano: Nenhum.
Ativos:
Nível 4
Nome do poder: Sono Induzido I
Descrição: Ao ativar esse poder em um alvo, o filho de Hipnos/Somnus poderá deixar-lo realmente sonolento. Para isso ele precisa se concentrar em sua vítima, ainda que não precise fazer gestos específicos ou ter contato visual direto. Dura 2 turnos.
Gasto de Mp: 20 MP
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: Deixa uma pessoa sonolenta atrapalhando a chance de acerto no geral dela em 10%.
Dano: Nenhum.
Extra: Só pode ser usado uma vez a cada 3 turnos.
Arma:
• アイリス [A primeira vista é uma pulseira de prata comum, sendo que a mesma é capaz de refletir as cores do arco-íris em contato com a luz. Ao ser ativada a pulseira se torna uma espada de ferro estígio, seu cabo parece ser feito de prata, refletindo as cores do arco-íris da mesma forma que a pulseira, porém é bastante adequado para o uso. | Efeito 1: A espada se transforma em uma pulseira sempre que o portador deseja. | Efeito 2: Ao espada funciona como uma especie de armazém da luz solar, podendo servir como fonte de luz ou simplesmente liberando todo o brilho armazenado de acordo com o desejo de Kinnori. Pode ser utilizado uma vez a cada três turnos. | Ferro Estígio. | Sem espaço para gemas | Beta | Status: 100% sem danos | Mágico | Evento de Halloween 2019]
OBS:
Os poderes ativos foram usando 'ao acaso', por ser um novato ele não sabe o que são os poderes nem que ele está os causando, quase como uma manifestação movida pela situação.
Osawa Kinnori
Osawa Kinnori
Filhos de Íris
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Mensagem por Macária em Qui Nov 14, 2019 5:28 pm


Osawa

Valores máximos que podem ser obtidos


Máximo de recompensa a ser obtida: 5.000 XP –  4.000 dracmas – 10 ossos
Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

Recompensa obtida: 5.000 XP –  4.000 dracmas – 10 ossos

Comentários:
Meu rapaz, eu continuo muito feliz com o que tenho lido de seus textos. Parabéns.



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