The Blood of Olympus
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Inconsciente

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Mensagem por Auri Elric em Qui Out 17, 2019 2:30 am


Capítulo 1:
Uma visita ao bazar de sonhos ruins.


“Muito se diz sobre a primeira vez de qualquer coisa ser inesquecível. Não importa se foi a sua primeira apresentação de dança, primeira vez que quebrou a perna, ou o braço, a primeira festa com os amigos, ou até mesmo o primeiro porre. Talvez você se lembre de todos esses momentos, de todas as suas primeiras vezes. Se esse for o seu caso, não sei se tenho inveja ou pena de ti.

O passado me assombra. As lembranças são fantasmas que assopram e sussurram em meus ouvidos e riem, à medida que me roubam o sono. Mas, sinceramente, não sei o que é mais doloroso, viver sem se lembrar do passado, ou viver atormentado pelo mesmo. Talvez você não esteja me entendendo, talvez não faça sentido para ti pensar que o esquecer seja uma opção. Se for esse o seu caso, aí sim, eu, definitivamente, tenho inveja de você.”


Uma lágrima nada tímida se desprendia do olho direito de Auri, à medida que as últimas palavras eram escritas na folha amarelada de seu caderno. Fechar suas páginas era tão difícil quanto lê-las, significava deixar algo para trás, fingir esquecer e desenhar um sorriso no rosto para agradar aos outros, se encaixar em um mundo que nem mesmo se importa com a sua existência. E assim, com um suspiro, carregando o peso no peito, encerrou as anotações e guardou no bolso os seus gritos por socorro.

Ao seu lado, sentado em silêncio, se encontrava Oliver, o único amigo que realmente tinha dentro daquele acampamento. Nenhuma palavra havia sido trocada entre eles desde o início de tudo aquilo, afinal, nada precisava ser dito, ele sabia exatamente para onde estavam indo e, ao menos acreditava ter consciência do motivo, e mais do que isso, tinha total noção de qual era o seu papel ali.

Aquela era uma viagem solo, sabia disso, ninguém deveria acompanha-la mas, mesmo assim, fizeram questão de enviar Oliver como uma espécie de babá. Por sorte, ele a entendia. Para falar a verdade, era como se o sátiro nem estivesse ali, afinal sabia que não era para estar.

Não demorou mais do que treze minutos para o taxi chegar ao destino. Pagou a corrida, agradeceu ao motorista e saltou do veículo, ficando de frente para a casa onde passou boa parte de sua vida. Um frio interno gelava sua espinha. A respiração se tornara mais pesada, o que era irônico, visto que como filha do deus dos ventos, em geral conseguia se virar bem até mesmo em locais com ausência de oxigênio. Estava nítido que não queria estar ali, porém sabia que se continuasse evitando aquela visita, enquanto fugisse do passado, esse jamais a deixaria em paz.

Os passos rumo a entrada da casa tornavam-se mais pesados conforme a proximidade aumentava. A chave percorria os caminhos entre os dedos trêmulos. Somente a ideia de adentrar naquele lugar era o suficiente para deixa-la aflita. Passara muito tempo sem pensar nas coisas que ali ocorreram, sem se lembrar.

Para quem olhasse de fora, aquela era uma casa dos sonhos, tão bela que era digna de receber a realeza. Os Elric sempre tiveram muito dinheiro e status, o que permitiu à jovem Auri uma vida muito boa, pelo menos era isso que todos pensavam. Aos olhos de qualquer um que passasse pelas suas vidas, eram pessoas felizes, sem grandes problemas, um lar perfeito. Tentavam manter essa imagem até mesmo para as pessoas mais próximas, o que tornou ainda mais difícil admitir os problemas dos seus filhos.

É, fazia muito tempo desde a última vez que Auri havia parado para pensar em seu passado, em sua família. Porém, depois do que ocorreu naquela fatídica noite de Halloween, não conseguia pensar em outra coisa.

Seus pés pararam em frente à porta. Um longo suspiro escapou do fundo de seus pulmões enquanto abria a porta. Para a sua surpresa, a chave ainda servia.

As condições internas da casa eram exatamente iguais às da última vez em que ali estivera. Cada centímetro daquele lugar trazia consigo mais daquelas lembranças esquecidas no fundo do armário, que nunca deveriam ter sido remexidas. A ponta de seus dedos percorria as superfícies das mobílias, paredes e porta-retratos.

Chorou!

A dor que aquele lugar lhe trazia era agoniante. As feridas que ele reabria resultavam na mesma sensação de quando tinha sete anos, de quando tudo começou, de quando o seu lar se tornara para si, um bazar de sonhos ruins.

Sua mão direita repousou sobre um porta-retrato específico, cuja moldura resguardava a fotografia em que ela e Arthur, seu falecido irmão, encontravam-se na frente de um homem, seu padrasto, que segurava os ombros das crianças que naquela imagem não tinham mais do que sete anos. Os dedos se fecharam ao redor da madeira da moldura. Ela mantinha os olhos fixos nos rostos das crianças na foto, se perguntando como que ninguém enxergou os pedidos por socorro naqueles olhares. A raiva tomava conta de seus traços e, em um gesto repentino, atirou o objeto contra a parede.

O corpo da jovem caiu de joelhos ao encontro do chão. Lágrimas choviam de seus olhos. Sabia que para conseguir manter o mínimo de sanidade em sua vida, teria que por um basta nos fantasmas do passado, porém o saber não tornava as coisas mais fáceis, não amenizava a dor.

As mãos foram levadas ao encontro de sua face. Só então percebeu que havia segurado de maneira tão forte o objeto anterior, que o vidro que protegia a fotografia havia se quebrado e aberto sua mão. O sangue escorria, seu rosto se encontrava manchado, com uma espécie de linha que seguida desde a região entre o olho direito e o nariz até a lateral de seus lábios.

Conforme o correr dos ponteiros do relógio, Auri percorria cada cômodo de sua primeira casa, e em cada um deles, ao menos um objeto sabia despedaçado. O último local visitado foi aquele que um dia havia sido seu quarto, de todos o pior lugar da residência, o com as piores lembranças, o que abria mais feridas.

Auri e Arthur não dividiam o quarto, porém seus aposentos eram um ao lado do outro e, assim que adentrou no seu, era como se novamente fosse uma criança. Conseguia inclusive ouvir os sons de dor, os gritos vindos do quarto ao lado, o som da cama em conjunto com o choro de seu irmão. E de novo, depois de muitos anos, sentiu a sensação de que ela seria a próxima.

Deitou-se na cama enquanto permitia as lágrimas serem livres. Seu corpo se contorcia, como se de fato o passado se repetisse.

A sensação de nojo e de medo tomavam conta de Auri.

Porém, do pior ainda não havia se permitido lembrar. Primeiro foi necessário recordar o maltrato, o estupro quase que diário, para só depois, o assassinato.

No dia de seu aniversário de sete anos, Auri havia decidido que iria por fim ao que tanto lhe assombrava. Fingia dormir enquanto aguardava a visita noturna. Como era o seu dia, ela seria a primeira, seria a vez de Arthur ouvir enquanto esperava a hora em que o homem trocasse de quarto. Porém uma coisa não saiu como o esperado, uma coisa que mudou tudo.

Pouco depois do relógio marcar meia-noite, a porta do dormitório dela se abriu. Quando duas mãos tocaram seu corpo, Auri realizou aquilo que havia planejado por toda a semana, ao se virar retirou a arma que estava em suas mãos debaixo do travesseiro e atirou.

Até aí tudo certo não é? Menos um cretino no mundo, talvez você pense. Porém essa história não tem um final feliz.

Um silêncio se rompeu até o momento em que sua mãe e aquele homem adentraram de forma desesperada no quarto. Diante de Auri, naquele momento se encontrava o corpo de seu irmão, já morto. O sangue havia espirrado pelos lençóis e também sobre a menina que havia decido por fim a dor tanto dela quanto de seu irmão, mas que acabara tirando a vida do último. Seu corpo havia congelado, não conseguia acreditar naquilo que seus olhos enxergavam. Queria chorar, porém nem mesmo as lágrimas ousavam se deparar com tal cena. O sangue quente de seu amado irmão agora tocava sua pele como um beijo, um beijo de morte.

Aceitar tal fato era de todas a pior parte.

Após as lágrimas secarem, Auri retirou de seu bolso o pequeno caderno, onde desenhou abaixo das últimas anotações, a imagem que se recordava, agora tão nitidamente, de seu irmão. O desenho foi feito com o sangue que escorria de seu ferimento, um toque irônico porém que até caiu bem.

Após novamente fechar as páginas amareladas, voltou ao primeiro andar. Ao chegar à sala, viu o reflexo de seu rosto no espelho. A imagem refletida ora parecia com a real face de Auri, e ora com o rosto de quando era criança, coberto pelo sangue de Arthur. Lágrimas escorreriam de seus olhos, que logo foram enxugados e desviados daquela superfície refletora. Encontrava-se na sala de estar, cômodo que dava acesso a quase todos os demais, porém dessa vez o único que lhe interessava era o porão. Desceu as escadas, quase que sem iluminação. Levou as garrafas de óleo e querosene que se encontravam no escuro, para a sala. E com um sorriso um tanto perturbador no rosto, revisitou todos os cômodos, levando consigo um rastro de líquido inflamável.

Estava disposta a deixar aquele passado, aquelas lembranças para trás de uma vez por todas. Acreditava que agora que havia enfrentado tais fantasmas, isso seria possível. Mas, independentemente se fosse ou não verdade, sabia que a destruição daquele lugar já seria um certo consolo.

O primeiro quarto em que riscou o fósforo, foi o seu, seguido do de Arthur. A partir daí, não houve mais lógica, todos os cômodos traziam as mesmas sensações, não havia prioridade. Obviamente a jovem não ateou figo em todos os aposentos, apenas em alguns, afinal, queria sair viva de lá.

Ao passar pela porta da sala, avistou Oliver sentado de costas para ela. Ele não havia percebido o que a jovem acabara de fazer.


– Se eu fosse você me afastaria. – As palavras eram secas, pronunciadas enquanto descia os degraus. Uma lata de querosene havia sido deixada bem na porta e, ao chegar ao fim dos degraus, Auri riscou o último fosforo, atirando-o dentro da lata.

– Mas que droga é essa? – O sátiro parecia tão surpreso quanto qualquer outro ser ficaria diante daquela situação. Saltou ao encontro da jovem e começou a fazer mais perguntas do que ela conseguia entender, o que não fazia muita diferença, visto que não estava nem um pouco preocupada em responder tais indagações.

Observação:
1- Tenho total consciência de que não sei fazer tal tipo de missão, porém a ideia de explorar o desenvolvimento da personagem através desse tipo de narrativa é justamente para que eu consiga fazer tais posts minimamente decente, além de apresentar a trama de Auri. Por conta disso, qualquer crítica é bem-vinda.
2- Não se trata de uma missão que envolta qualquer confronto com criaturas, nem mesmo investigação, espionagem ou coisa do tipo, é simplesmente um encontro com o passado para por fim a uma dor.

Auri Elric
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Lycans de Deimos
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Mensagem por Hades em Sex Out 18, 2019 5:53 pm


Avaliação

Valores máximos que podem ser obtidos


Máximo de recompensa a ser obtida: 5.000 xp - 4.000 dracmas + 10 ossos
Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

Recompensa obtida: 5.000 xp - 4.000 dracmas + 10 ossos

Comentários:
Auri, confesso que fui surpreendido pelo conteúdo de sua CCFY e com a força dessas lembranças do passado. A sua escrita é muito fácil de ler e torna as coisas palpáveis. Infelizmente o template escolhido dificulta a leitura, por ser letras brancas em um fundo escuro, porém deixei o fato passar mesmo dificultando um pouco a leitura. Parabéns.
Hades
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