The Blood of Olympus
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Shitt Happens ▬ Trama Pessoal

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Mensagem por Michelle Johansson em Sab Ago 10, 2019 11:05 pm

I once was good
NOW I'M FUCKING BETTER
Dizem que para entender o que acontece no presente, é preciso compreender o que aconteceu no passado. Michelle tentava encontrar uma justificativa lógica para estar ali, amarrada naquela cama, com os sentidos beirando ao caos graças a drogas fortes e prováveis substâncias desconhecidas. Sua mente, confusa e sem uma coerência temporal, lutava brava e estupidamente, para lembrar o que a tinha conduzido até o inferno que era aquele laboratório.

•••

Ela estava quebrando as regras, como de costume. O corpo pequeno pertencia a uma Michelle de oito anos, seus passos miúdos eram os mais silenciosos que poderiam ser. Mesmo que o véu da noite já tivesse coberto a cidade de Las Vegas há um tempo, a cidade estava viva do lado de fora daquelas paredes. A garotinha amava o horário noturno, mesmo que os adultos ainda insistissem que deveriam seguir pelo menos algumas regras convencionais: a noite não pertenciam as crianças.

Mas como ela poderia dormir quando o chão abaixo de si era recheado de vivacidade? De pessoas que viajavam do mundo inteiro para estar ali, esquecendo dos problemas e arriscando muito mais do que poderiam arcar? Michelle sabia muito bem o que era um cassino, o sabia muito antes de descobrir o que era uma escola. Tinha crescido naquele meio, sendo neta de uma das proprietárias das grandes casas de jogos.

Então por mais que adorasse sua avó, jamais se privaria da diversão que a noite parecia trazer aos adultos. Mesmo que em sua mente ainda inocente pensasse que o maior desafio era alcançar a cozinha do hotel-cassino e roubar algumas sobremesas, se encher de doces e no dia seguinte fingir que estava tudo bem. Talvez tivesse uma pequena dor de barriga, mas isso não impediria a sua ambição de ter o que queria.

Estava ofegante ao final das escadas, mas ignorou isso já que a adrenalina era uma grande aliada. Estava no mesmo andar que seu destino final, o que a deixava ainda mais próxima do seu objetivo. O pequeno corpo acabou por encontrar facilmente coberturas, desviando de adultos distraídos demais consigo mesmos ou com a jogatina. Chegou a passar por debaixo de algumas mesas, atenta aos seus arredores para não esbarrar em ninguém.

Ao chegar no corredor da cozinha, suas mãos suavam em expectativa. Tivera sorte até aquele momento, mas... Quando não a tinha? Ao escutar o som da porta abrindo, Michelle correu para se esconder próximo das dobraduras, permitindo que o item amadeirado cobrisse seu corpo quando fosse empurrada. Antes que fechasse, ela segurou por breves segundos, adentrando o território inimigo. Funcionários andavam rapidamente, o cheiro de tempero forte quase a fez espirrar. Mas a pequena não desistiu, contendo o anseio com toda a seu pequeno controle.

Aproveitou que um funcionário empurrava um carrinho de sobremesa, ocupado demais com o papel em sua mão decorando para onde cada uma delas deveria ir. Michelle não ligou de que, quando ele fosse entregar um daqueles pequenos pratos, fosse encontrar uma punição ao final por não encontrar o pedido. Para ela, seu contentamento vinha em primeiro lugar, um contentamento que tinha o formato perfeito de pudim. Seus dedos esgueiraram rapidamente quando o garçom se distraiu com um hospede, agarrando sua sobremesa. Com o seu trunfo em mãos, Michelle correu na direção contrária. Coração disparado. Passos ligeiros. Estava cada vez mais próxima das escadas...

Até seu caminho ser bloqueado por uma elegante mulher. Uma que tinha uma expressão dura e de repreensão, provocando um gelo na barriga da pequena. Michelle sempre considerou que sua avó tinha um poder de congelar as pessoas, já que todas paralisavam quando ela falava ou brigava. Isso a incluía na lista.

Er... Boa noite, querida vovó. A senhora aceita dividir? — Michelle mostrou o pudim, ofertando também seu melhor sorriso inocente. — Eu posso até deixar a senhora ficar com um pouco mais da metade... — A mulher arqueou uma sobrancelha, fazendo a menor engolir em seco. — Ok, um terço para mim, dois terços pra senhora! É uma oferta irresistível já que era o tio James que estava na cozinha e...

Você é igualzinha ao seu pai. — Melinda, avó da pequena ladra, balançou a cabeça de um lado para o outro. — Suba para o seu quarto, coma a sua sobremesa e vá dormir! Você ainda tem aula amanhã. — Michelle poderia considerar aquilo uma vitória, seu sorriso já estava crescendo até que a mais velha apontou o dedo na direção dela. — E se considere de castigo por três dias. Você só comerá verde!

Vovó é só um pudim! Não é como se eu tivesse entrado na sala de contagem e.... Oh não. Eu já vou pro meu quarto, obrigada vovó, aceitarei o castigo. Tchau, luv ya!

Antes que a mulher pudesse falar algo, Michelle já tinha partido com sua sobremesa.

•••

“Você é igualzinha ao seu pai”.

O comentário repetiu na mente de Michelle. Em várias vozes, em timbres diferentes. Como se várias pessoas repetissem a mesma frase, as vezes como um elogio, outras como uma maldição. Mas foi ao pensar em seu pai, Isaac Johansson, que a morena finalmente começou a reagir bruscamente. Sua mente finamente processou que estava deitada, algo a mantendo presa, restringindo seus braços e pernas, a impedindo de levantar e ir atrás daquele homem.

Um grito escapou de sua garganta, um que era bastante conhecido por aqueles pares de olhos estranhos que a observavam. Ela não era a primeira vítima deles, provavelmente estava longe de ser a última. Os grunhidos, rosnados e sons de puro ódio que escapavam de sua boca, esvaindo todo o ar de seus pulmões, vinha em conjunto as imagens do homem que a tinha colocado naquela situação.

•••

Isaac Johansson era um homem de negócios. E não era a toa, já que seu pai era o deus dos comerciantes, Hermes. Melinda estava ganhando fama com seu hotel cassino, lucrando graças a sua esperteza e flexibilidade. Não havia como crescer naquele negócio, naquele país, sem saber jogar com a lei e com a ilegalidade. A malícia, a manipulação, a lealdade e a esperteza. Eram essas as características que sustentavam um bom negócio em Las Vegas.

Melinda não sabia quem era o pai de Isaac. Apenas que fora um cliente charmoso, sedutor e muito bom em vencê-la em qualquer jogo. O que acabava por incluir a sedução. A mulher não ressentiu o homem, pois – no fundo – sempre quisera um filho para herdar o seu legado. Isaac se provou mais do que uma promessa, o garoto desde pequeno tinha o dom. Não era o líder de seu grupo de amigos, mas o manipulava o tal na palma de sua mão. Mesmo em seus treze anos, ele soubera indicar a sua mãe quem estava trapaceando nos jogos, reconhecendo uma mentira por simplesmente ser um bom mentiroso também.

O que Melinda não tinha percebido fora a sedução do mundo crime agindo em seu herdeiro. Começou como pequenos desafios, roubar de quem roubava. Até se tornar uma ambição cada vez crescente, consumindo e sendo alimentado pelo garoto que logo se tornava um homem ganancioso. Um traço que era muito facilmente escondido pelo seu sorriso charmoso e prosa suave. Isaac tinha se tornado não só mestre na manipulação, mas estava cada vez mais dominando os negócios ilegais.

Ele fora encontrado por um sátiro quando tinha onze anos. Passando apenas dois verões no acampamento, tempo suficiente para compreender duas coisas: ele era especial perante outros humanos; mas ele não era especial como os outros semideuses. Suas habilidades em nada se comparava aos de seus irmãos e indeterminados. Ele não era tão rápido, mesmo sendo filho de Hermes, mal sabia manipular uma lâmina. Seu dom residia em sua persuasão, em sua capacidade de mentir. Ele em nada ganharia obedecendo a líderes com ideais fantasiosos e não lucrativos. Ele não se destacaria em meio a pessoas que controlavam elementos ou dominavam feras. Seu mundo, seu reinado, não era ali. Então ele aprendeu o suficiente para sobreviver e nunca mais retornou.

Foi graças a esse pequeno conhecimento que ele soube quem ela era.

Uma noite inesquecível na vida do semideus malandro. Uma em que ele poderia se vangloriar por ter passado uma noite com uma deidade. Niké tinha apreciado como o jovem fazia a própria sorte. Mesmo sem tantos poderes, ele permanecia vencendo usando suas próprias artimanhas e armadilhas. Foi quando o império dele estava sendo concretizado que ela apareceu no cassino. Uma noite tinha sido o suficiente para resultar em um fruto.

Uma criança dotada de sorte e esperteza. Uma que Isaac sabia que seria um trunfo em sua vida, apesar de provocar um pecado capital: a inveja.

Michelle Johansson nasceu como filha de Niké e neta de Hermes. Com todas as probabilidades a seu favor, ela desenvolveu dons de ambas as divindades. Isso era visível para Isaac mais do que para os outros. Diferente dele, que sempre teve de batalhar e criar inúmeros planos, para Michelle vinha de maneira natural. O que a tornava perfeita para os negócios dele, mas um lembrete da única coisa que ele não tinha sido capaz de desenvolver e aperfeiçoar.

Isaac criou Michelle de perto, manipulando e cultivando a admiração da garota. Ele apresentou todos os mundos para ela da maneira que ele queria. O do cassino, onde Michelle passou a maior parte do tempo com sua avó. O do crime organizado, onde aprendeu a mentir e a enganar como se fosse a coisa mais natural. E o mitológico, sabendo o que evitar para sobreviver. A moral e a ética não eram distorcidas no ponto de vista de Isaac ou de Michelle. O pai tinha ensinado para a filha de que o mundo não era para os fortes, mas sim o dos mais espertos.

Com a sorte e a influência de Michelle sobre as pessoas ao seu redor, logo o reinado de Isaac cresceu, se solidificando como um império. Uma máfia que alcançava a política regional e a polícia. Que tinha influência sobre pequenas gangues e competia com guerras e conflitos com outros grandes criminosos.

Michelle tinha amado seu pai. Não importava o que os outros diziam, ele a tinha ensinado tudo o que sabia sobre o mundo louco que os rodeava. Ela o admirava, como conseguia enganar a todos e comandar um reino nas sombras, sem chamar atenção desnecessária. Tudo o que tinha feito era para ajudá-lo, desde roubar, extorquir, contrabandear. Ela tinha sorte, ela era rápida e furtiva.

Por isso quando ele pediu para que comparecesse no meio do deserto, ela tinha concordado sem nem ao menos pestanejar. Em sua mente, seria mais um trabalho e chegou até mesmo a brincar com sua mente as possibilidades. Iriam chantagear alguém? Ou ameaçar? Quem sabe roubar uma carga importante que estava passando pela rodovia?

Porém, no meio do chão rachado pelo clima árido, estava apenas seu pai em um carro preto. Michelle estacionou próximo, saindo do próprio veículo enquanto brincava com o chaveiro, sem se importar em acionar o alarme.

Como vamos dominar o mundo hoje, papa? — Brincou como sempre fazia.

Isaac sorriu sem vacilar, mesmo que seu plano tivesse já em andamento. Não existia remorso dentro de seu peito, talvez até mesmo um pouco de alívio e superioridade. Ele conseguiria se provar melhor uma vez mais.

Olá pequena. Infelizmente não é hoje que conquistaremos o domínio mundial. Ainda não tenho verba para comprar todos os políticos necessários. — Isaac adentrou na brincadeira como sempre, abraçando a morena e beijando o topo de sua cabeça. Então fingiu cansaço e fadiga ao respirar fundo e tocar o topo do nariz. — Temos um problema, Mich.

São os asiáticos, não são?

Há mais ou menos um ano um grupo de asiáticos poderosos começaram a ganhar mercado no tráfico e na lavagem de dinheiro. Algo que começou como uma pedra no sapato tinha evoluído o suficiente para colocar Isaac na defensiva. Michelle sabia que logo teriam de enfrentar aquela ameaça, na verdade, ansiava por aquela briga para trazer estabilidade ao seu pai uma vez mais.

Sim, querida. Eles conseguiram o lado leste da cidade, até mesmo Joffrey está apoiando o Dragão Negro agora. — O codinome do líder fora mencionado com amargura, fazendo Michelle fechar os punhos. — Preciso de sua ajuda Mich.

O que eu posso fazer por você papa? Qual o plano?

Seja uma boa garota e não batalhe muito.

A frase pareceu tão fora de contexto que Michelle franziu o cenho. A semideusa sempre tinha feito justamente o contrário. Lutado pelo seu pai e isso a classificava como uma boa garota aos olhos dele e da comunidade que os envolvia. Mas logo suas respostas foram respondidas, de uma maneira que estaria cravada em sua memória, como um ferro em brasa marcando sua alma.

Mesmo com seus sentidos tão avançados, Michelle sempre abaixava a guarda quando se referia a seu pai. Se sentia segura o suficiente perto dele, algo que acabou sendo a sua maior e patética fraqueza. Um homem apareceu por trás, aplicando um sedativo em seu pescoço. Ela se afastou bruscamente, cambaleando prontamente. Um segundo homem apareceu ao seu lado a amparando, rapidamente algemando suas mãos. Ela não sabia que droga tinha sido injetada em seu corpo, mas tivera ume feito rápido e eficaz. O mundo girava, seus sentidos embaralhados. Ela viu homens fardados como se fossem do exército. Diversas luzes como faróis se aproximando. A voz de seu pai ao fundo enquanto ela lutava para sustentar o próprio corpo, falhando miseravelmente nessa simples tarefa.

Ela foi entregue para mim como um deles. Eu nunca imaginaria que ela seria uma dessas aberrações que apareceram em New York e San Francisco... Eu não fazia ideia! Mas o comportamento dela... Espero que nosso acordo esteja de pé... A garota por armas e mercenários... Foi ótimo fazer negócios com você, proteja nosso país de coisas como essa.

Tudo tinha mudado desde os ataques as principais cidades da zona leste e oeste. Trabalhando com o mundo do crime, Isaac conhecia mercenários e até mesmo tinha contratos quase fixos com alguns. Fora assim que descobriu a existência da Seita. Uma organização que perseguia semideuses mesmo sem saber o que eles eram. Isaac vira ali uma oportunidade, a chance que precisava para definir seu império como absoluto. Ele só precisava da moeda de troca perfeita: Michelle. O homem tinha encontrado o negócio e não hesitou em concretizá-lo, criando um enredo perfeito, já que ele mesmo não tinha manifestado poderes o suficiente para chamar a atenção da organização extremista. Seu ponto fraco era, naquele momento, sua carta na manga. Enquanto a jovem e promissora Michelle, tão estupidamente leal e manipulável, pagaria por ser melhor do que ele.

•••

Michelle levou dias para compreender o que tinha acontecido e o que estava acontecendo. Sabendo como a mente de seu pai trabalhava, vivenciando o terror que eram aqueles laboratórios. A realidade veio amarga e mais dolorosa que a tortura. A traição tinha destroçado o seu coração e a decepção consumira esses pedaços. O homem que ela admirava a tinha vendido, entregue nas mãos de um bando de cientistas que tentavam compreender o que ela era.

A jovem Johansson pouco sabia sobre os dons que tinham. Seu pai tinha ensinado o suficiente apenas sobre monstros, como evitar atraí-los, como correr deles caso eles aparecessem. Mas jamais sobre quem era sua mãe, ou seu avô. Quando curiosa, isso tinha despertado a fúria do homem, sendo o suficiente para podar a jovem leal.

Ela se sentiu estúpida e usada.

Vira aquele homem mentir, tinha aprendido com ele a arte da manipulação, ao ponto de ficar cega para o que estivera evidente em sua frente.

Michelle abraçou a raiva e o rancor, os agarrando entre seus dedos e os sustentando para sobreviver aquele inferno que tinha sido jogada. As torturas a quebravam de diversas formas, mas também a fortalecia, alimentava uma moral distorcida e objetivos agressivos. Mas, como refém e rato de laboratório, seu principal objetivo era sobreviver.

CCFY feita almejando legado parcial em Hermes, já que ele seria o meu avô. Além de introduzir a trama pessoal da personagem.
Essa postagem pode ser considerada um flashback, já que conta apenas como tudo começou.


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Michelle Johansson
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Filhos de Nice
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Idade : 27

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Mensagem por Minerva em Sex Ago 16, 2019 4:42 pm

Michelle



Valores máximos que podem ser obtidos


Máximo de recompensa a ser obtida: 2.000 xp e 2.000 dracmas.

Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

RECOMPENSAS: 2.000 XP e 2.000 dracmas. 1.400 XP e 2.000 dracmas + Legado de Hermes       

Comentários:
Michelle,
Eu gostei bastante do que li e achei sua história coerente. Não vi razões para descontos e a narrativa é agradável de ler. Meus parabéns.
Minerva
Minerva
Deuses Olimpianos
Deuses Olimpianos


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Mensagem por Michelle Johansson em Sex Nov 01, 2019 7:58 pm

I once was good
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Informações prévias
• Michelle foi vendida pelo pai para a seita, como foi narrado na postagem anterior.
• A sede da seita é a mesma que foi usada no primeiro grande evento do fórum sobre o grupo extremista, o mesmo em que semideuses foram capturados e outros vieram ao resgate.
• O prédio está protegido pelo dispositivo que inibe os poderes, sendo este desativado apenas em alguns trechos condizentes com a narrativa.
• Ou seja, é um flashback
• Neste momento já fazem algumas semanas que Michelle está presa.

CCFY DE EVENTO {HALLOWEEN}


Não era preciso chegar a quase 30 anos de vida para concluir que os humanos eram escrotos. Michelle sabia disso desde os seus oito anos, quando pequena viu como os amigos de seu pai, um mafioso em ascensão, comentavam abertamente sobre outros humanos como se fossem mercadorias. Mas a seita... A organização extremista conseguia superar qualquer parâmetro de crueldade que a semideusa possuía.

Aquilo estava a um nível nazista de tortura ou, talvez, um pouco mais aprimorado já que a tecnologia tinha avançado desde Hitler. Vendida pelo próprio pai aos mercenários, entregue por estes a pesquisadores em um laboratório secreto, Johansson gastou cada fibra de sua criatividade e sorte para tentar escapar. Mas existia algo entre aquelas paredes que a tornava apenas alguém com grande infortúnio e valor menor do que o de um animal. Algo a impedia de ser tão rápida, tão esperta e abençoada pelo acaso. Algo a deixava a mercê de homens de jaleco com olhares frios e soberbos.

As primeiras semanas tinham sido as piores. A filha de Nike recusava-se a aceitar o encarceramento. Negava admitir que estava presa, que tinha sido entregue como um produto pelo homem que tinha se inspirado durante toda a sua vida. O peso da traição sendo engolido com o pior dos gostos. Então ela lutou e apanhou em dobro. Ela tentou escapar e ficou sem comida por dias.

Michelle demorou a descobrir que existia vantagens ao aceitar a realidade da situação. Tirando o foco de seu sofrimento e convergindo no rancor, ela finalmente começou a olhar – a realmente observar – a sua situação. O laboratório era obviamente secreto. Existiam jovens presos ali dentro, a maioria em uma idade em que deveriam se preocupar com espinhas e virgindade. Johansson duvidava que todos os pais fossem tão escrotos quanto o dela, ao ponto de colocar tantos inocentes em um lugar como aquele.

A maioria ali certamente era composta apenas por humanos. Existia muita tecnologia de ponta para realizar as pesquisas e experimentos bizarros, o que acabava atraindo monstros. Os prisioneiros não eram todos semideuses, apenas efeitos colaterais pelos seitistas não saberem realmente com o que estavam lidando. No entanto, Michelle sabia que existiam meios-sangues chupadores de Fúrias que auxiliavam aquela organização. Uma conclusão que ela chegou ao perceber que monstros, mesmo que poucos e fracos, estavam sendo contidos em selas nos andares inferiores.

Uma teoria que se provou concreta quando em uma quarta-feira de testagem sanguínea ele apareceu. Um homem de pele pálida no melhor aspecto doentio. Alto, magro, olhos negros e cabelos claros. Usava roupas elegantes como a maioria dos frequentadores do cassino de sua avó, os que representavam problemas perigosos. Michelle foi amarrada em uma cama hospitalar e uma luz forte foi acionada bem sobre seu rosto. Tinha aprendido como aquilo era utilizado para mexer com seus sentidos e aumentar a percepção de perigo, mesmo que irreal.

— Estamos para o drama hoje, hum? – Falou para despistar o nervosismo – Quais são as opções? Perguntas estúpidas que não sei responder acompanhado de uma surra ou quem sabe será servido aquela dosagem de veneno controlado para me deixar doente? Se bem que esse resultado é facilmente obtido só de olhar para a cara de vocês.

— Temos alguém que aprecia a própria voz.

Michelle engoliu em seco perante a frieza daquele timbre. O homem ainda desconhecido puxou uma cadeira, arrastando ruidosamente pelo piso, sentando ao lado da cama. Ele analisava Michelle por inteiro, sem nenhuma malícia no olhar obscuro, o que preocupava ainda mais a garota. Desejo era fácil de lidar e controlar. A psicopatia não.

— Eles alegaram que você possui uma excelente estrutura física. Resistente o suficiente para poder lidar com a dor constante. Vamos ver como irá lidar com a dor emocional.

Michelle bufou em descaso. Toda dor emocional tinha sido engolida e bem guardada para ser utilizada depois como uma arma. Mas, ao ver o sorriso perverso crescendo nos lábios finos do homem, Johansson desconfiou de que talvez não tivesse tanta sorte mais. E realmente não tinha. Naquele dia ela foi presenteada com o desespero.

Ela sentiu um formigamento sobre a pele, primeiro sendo preenchida por esperança quando sentiu sua antiga força, seu equilíbrio interno se tornando completo. Mas, de alguma forma, isso também parecia deixar o homem de terno ainda maior e mais poderoso. Michelle tinha ganhado seus poderes de volta, mas nada que conhecia poderia defende-la de um monstro como aquele. Um que invadiu sua mente e causou fobias intensas e consecutivas. Criou ilusões de fé e motivação, apenas para destruir casa uma delas com um prazer sádico e perverso.

Todos os dias Michelle era levada para um encontro com o Dr. Medo, como passou a chamá-lo na mente, sem desconfiar o quanto estava próxima da realidade ao nomeá-lo dessa maneira. A cada encontro, ela tentava resistir de alguma forma e falhava miseravelmente. Passou a ter constantes pesadelos mesmo que o homem não estivesse por perto. Seus colegas de sela mais próximos, Daniel e Leona, foram os que mais notaram a diferença crescente no comportamento da garota. A falta da conversa fútil por não suportar o silêncio. As brincadeiras idiotas para impedir o humor depressivo se tornar algo mais suicida.

Michelle foi quebra dia após dias. Sessão por sessão. Até ter dúvida de si mesma do que era real e do que era apenas o efeito fóbico provocado pelo Dr. Medo.

Três semanas foram passadas nesse pesadelo, até Michelle ser arrastada para a sala de laboratório e, ao invés de ser presa, ela foi mantida em pé próximo a uma máquina. Fios foram sendo colocados em seu corpo, as mãos algemadas atrás das costas. A roupa branca a deixando apática naquela posição de cobaia.

Ela soube que algo ainda mais assustador estava para acontecer quando Dr. Medo entrou na sala acompanhado do mesmo homem que negociou com seu pai. Um dos seitistas líderes. Um dos vilões de sua história que a colocava naquele lugar de merda. Do lado do homem que a deixou acuada como um filhote aterrorizado. Os joelhos dela tremeram, Michelle agiu instintivamente ao tentar recuar. Tentáculos surgiram e a seguraram no lugar. Frios e viscosos, com um odor tão poderoso que deixava seu olfato enojado. Lágrimas surgiram em seus olhos quando ela paralisou de medo e, ao ver o sorriso contente do homem de terno, soube que era um dos seus efeitos divinos sobre sua mente. Isso amenizou em nada o enjôo que a manteve fraca e frágil.

— Muito bem. Seu auxílio nessa pesquisa sempre será lembrado. Acha que ela está pronta para a próxima fase? Tem certeza de que os resultados serão promissores? – O humano questionou coçando o queixo, sem demonstrar nenhuma empatia. – Ela parece fraca demais para suportar o que planejou.

— Ela irá. Desconfio de que ela seja uma das espécies mais perigosas, pois é como a união de um monstro pequeno com outro maior ainda. Duvido que ela seja muito humana. – O Medo falou serenamente.

— E-eu sou humana! Eu não sou um monstro, seus desgraçados! – Michelle agarrou-se aos resquícios de raiva que possuía – Eu sou humana!

— Não sei quem iludiu você, criança, mas você é tudo menos uma humana. Iremos testar ainda mais você, fazer o seu limite mais glorioso para nós prepararmos para os outros. Agradecemos sua colaboração em livrar o planeta de coisas como você.

O humano, se é que poderia ser chamado assim, falava em tom de desprezo. Michelle inspirou profundamente e fez a ação mais rebelde desde os últimos meses: cuspiu na face do seitista. A expressão dele fora de tanta raiva que ele tinha ficado vermelho como um tomate. Algo que na mente perturbada de Michelle aparentou graça o suficiente para que ela começasse a rir.

O humano mandou retornar para a cela, permitindo que Michelle tivesse um dia de pura ansiedade. Não sabia quando aquela promessa iria ser cumprida ou como. Ela nunca imaginou também que as únicas coisas que a manteriam sã seria uma brincadeira estúpida com seus colegas de sela mais próximos:

— Sinto muito meus caros, mas hoje acho que ganho de vocês. Estou muito, muito fodida. A nível catastrófico. – Ela iniciou o jogo.

Leona bufou de leve e Daniel apenas riu sarcástico. Nenhum dos três ousavam falar sobre de quem eles eram filhos um para o outro. Michelle nem sabia se eles possuíam conhecimento se eram especiais ou não. Apenas sabia que era impossível para a mulher loira e o homem de sorriso dúbio serem apenas humanos. Nenhum deles, o que incluía Michelle, teria sobrevivido caso fossem.

Os soldados apareceram na madrugada, a carregando enquanto Michelle cantarolava, certa de que iria morrer dessa vez. O que ela não esperava era de que fosse implorar para que isso acontecesse.


(***)


Michelle não acreditava no soro da verdade. Na Guerra Fria, drogas eram misturadas para provocar reações químicas para induzir a vítima a responder as perguntas. Mas tempos depois era comprovado que apenas deixava o sujeito dopado e falante, o que não significava que iria falar a verdade. Talvez uma boa maconha tivesse resultados mais promissores. Johansson também duvidava que aquilo que estava sendo aplicado em seu braço fosse algo lícito, ou próximo das drogas conhecidas.

Ela estava em uma sala, amarrada em uma cadeira metálica. A ansiedade pelo que estava por vir não a tinha permitido descansar minimamente, o que já a colocava em uma situação de estresse antes mesmo de estar ali. Depois de presa, um homem de jaleco se aproximou e aplicou bruscamente uma injeção em seu braço. Sua cabeça rodou prontamente assim que o soro adentrou seu corpo, a respiração aumentando enquanto a sensação de queimar de dentro para for a fazia remexer na cadeira.

Tonta e confusa, com a baixa iluminação do local não auxiliando a sua capacidade visual, Michelle via borrões brancos passando ao seu redor. Som de metal sendo arrastado, vozes em tons ríspidos falando nomes complicados. Seu corpo começou a tremer, a sensação de pânico cada vez mais crescente. No fundo de sua mente, era como se o Dr. Medo estivesse atrás de seu corpo, sorrindo e rindo de perversa, divertindo-se com seu sofrimento. Todo ar dela foi levado quando um jato de água gélida colidiu contra seu corpo violentamente. Ela tentou encolher-se e proteger do elemento hostil, mas estava presa, imóvel e vulnerável.

— Objeto de estudo 06. — Uma voz ecoou ao fundo, como se estivesse gravando as informações ao expor os detalhes. — Apresenta resistência física, sem alterações corporais como os objetos de estudos anteriores. No entanto, grande resposta emocional quando exposta ao medo. Estaremos iniciando o projeto WOF, nomeado em homenagem a Roda da Fortuna, tendo em vista que o prognostico conta apenas com morte do objeto 06 ou sucesso no experimento. Iniciando fase um.

Michelle poderia descrever pouco do que aconteceu depois daquilo. Mas poderia resumir as horas seguintes em apenas duas palavras: dor e agonia. Com seu corpo molhado e sentada em uma cadeira metálica, Johansson não notou que os pés do móvel estavam conectados a fios. Ondas de eletricidade percorreram todo o seu corpo, a fazendo tremer fortemente e praticamente convulsionar, seus músculos entrando em diversos espasmos enquanto sentia seus órgãos praticamente derretendo dentro de si. Ela não poderia dizer quantas vezes desmaiou durante a tortura, ou o quanto aquilo estava afetando o seu corpo. Poderia, no entanto, dizer que o Dr. Medo estava certo esse tempo todo: ela preferia morrer ao estar ali.

Depois de um tempo ela foi jogada em uma sala fechada e branca. Uma que era relativamente pequena, como uma sala de uma casa simples e popular. Nada acontecia. O que permitia que a mente de Michelle fosse a sua pior inimiga. Ela começou a andar de um lado para o outro, estralava os dedos, tentava bater nas paredes em busca de qualquer falha na estrutura. Questionava-se o que viria a seguir, o que iriam fazer, como iriam quase mata-la e quando finalmente iria encontrar paz.

Foi quando ela estava deitada, encolhida em um canto, que a tortura finalmente começou. Seus olhos estavam pesados, seu corpo tão cansado que iria apagar a qualquer momento. Até uma música alta e orquestral começar a tocar, a assustando e a fazendo recuar instintivamente. O ambiente começou a ficar cada vez mais gélido, a temperatura sendo diminuída drasticamente enquanto a música clássica era lenta e melancólica, mas alta para impedir que ela adormecesse. Seus ossos tremiam, seus lábios estavam começando a ficar azulados. Não tinha forças para gritar pois sua garganta encontrava-se fraca demais. Estava caída no chão, encarando o teto branco, temendo chorar e acabar por ter a lágrima congelada em seu rosto.

Estava tão cansada! Seu estômago parecia atrofiar dentro do peito. O coração tão lento que poderia falhar a qualquer momento pela falta de capacidade em prosseguir batendo. A música alta finalmente tinha ficado no plano de fundo, talvez, apenas talvez ela conseguisse dormir... A orquestra mudou drasticamente, o som de vários instrumentos sendo tocados de uma vez, como se o enredo tivesse chegado ao seu momento mais crítico, o ápice de toda a tragédia. Violinos e violoncelos, percussão e piano, tudo junto para em uma harmonia infernal para não deixa-la dormir. O ritmo agitado veio acompanhado com o aumento abrupto da temperatura. A sala se tornava cada vez mais quente e mais quente.

Eles a estavam torturando com o choque térmico. Algo que mesmo em sua condição deplorável Michelle conseguia deduzir. Quando em temperatura baixa, a orquestra clássica se tornava mais calma. Mas quando a temperatura subia o ritmo se tornava rápido, ávido e intenso. Ela estava indo a loucura. Ao ponto de em algum momento fantasiar um homem vestido de terno. Ele apareceu primeiro como rápidos vislumbres. Michelle sentiu medo, o confundindo prontamente com o Dr. Medo. Porém, ele começou a permanecer cada vez mais, permitindo que a jovem morena notasse que ele em nada se assemelhava aquele monstro em forma de humano.

— Pobre garota, não fizeste nada para merecer isso. — Ele falou.

Michelle estava encostada contra a parede. Ela mesma tinha retirado a blusa branca, agora molhada devido ao próprio suor. Estava quente. Talvez quente demais para que visse uma miragem? Pois ninguém ali, nem mesmo os outros prisioneiros, eram tão gentis. Leona e Daniel eram companheiros de sofrimento, estando na mesma situação que Michelle a mais tempo do que os outros que chegavam constantemente.

— Eles acham que você é mais poderosa. Você e seus amigos. E sabe, minha querida, você realmente é! Apenas precisa se permitir ser. Será bastante doloroso no início, mas se é poder que você precisa para sair daqui, use-o. Canalize sua raiva. Tenha seu foco. Sobreviva a esse inferno e evolua para algo ainda melhor. Tudo o que tem de aceitar é que é especial e deixar a energia fluir por você.

Mais doloroso ainda? Michelle riu fracamente, sabendo então que aquele homem provavelmente era apenas mais um torturador. Enchê-la de esperanças com a ideia de evolução e sofrimento? Um discurso que ela tinha escutado várias vezes durante aqueles dias infernais. Ele desapareceu depois que ela fechou os olhos por mais de dez minutos. O ritmo musical mudou, a fazendo rapidamente vestir a blusa. Ao olhar para as mãos, sentiu as lágrimas formarem novamente. Fechou os punhos, enchendo o pulmão de ar antes de gritar com o resto de forças que tinha.

Finalmente tinha perdido a consciência. Mas, para seu azar, ainda não tinha morrido.


(***)


Ao despertar, estava em pé. Correntes prendiam seus pulsos e tornozelos, a sala tão pequena que ela não conseguiria esticar os braços corretamente. Havia uma porta de ferro e uma pequena abertura no meio. Uma pela qual passou um copo com água e algo que eles achavam ser comida. Michelle capturou aquilo seguindo seus instintos mais básicos de sobrevivência, comendo similar a um animal desesperado por nutrientes e água. Levou horas para que alguém aparecesse e recolhesse o material.

— Ei! Isso é insano, eu preciso sair daqui! — Michelle tentou argumentar. — Eu vou morrer assim, como vocês vão continuar os projetos se eu morrer?!

— Não se preocupe, cobaia. Um plano está sendo arrumado para capturar mais dos seus. — O cientista do outro lado sorriu grande. — Seus resultados são formidáveis por você ainda estar viva! Veremos até quando.

— Isso é desumano! Como pode fazer isso?!

— Você não é humana, cobaia! É algo que veio para esse mundo para destruir e dominar. Vimos o que vocês são capazes de fazer, aberrações com capacidades anormais. Nós não vamos ser dominados, então faremos isso hoje. Talvez a história nos julgue, mas serão os humanos a sobreviver no final!

Michelle golpeou a porta com o restante de força que tinha, sentindo raiva e frustração como uma onda devastadora. O cientista se afastou, a deixando sozinha e no escuro, em um lugar apertado. Não demorou para que sua mente se tornasse seu algoz. Ela buscava culpados e encontrou vários deles: humanos com sua arrogância e paranoia; seu pai que era um semideus; sua mãe que era uma divindade. No fim, ela viu o quanto estava sozinha, no quanto estava sofrendo por simplesmente existir.

“Eles acham que você é poderosa. E você realmente é!”

A voz reverberou alto na mente de Michelle.

“Canalize sua raiva”.

Mas do que ela sentiria raiva de verdade? Do mundo inteiro? Oh sim, ela o faria se fosse preciso. A respiração dela começou a acelerar, o peito sendo bombardeado por um coração teimoso demais para desistir. Naquele momento Michelle percebeu que a morte não era uma real opção, que ela precisava sobreviver e mataria qualquer um que entrasse em seu caminho.

“Aceite a energia que está dentro de você”.

Era algo metafórico, mas depois de ser tanto exposta a situações extremas, Michelle sabia que esteve ali o tempo todo. Uma sensação quase palpável, que ela temia tanto ao ponto de empurrá-la para longe. Era algo poderoso e que ela sabia, mesmo que inconscientemente, de que iria destruí-la. Ela apenas teve de esperar o momento de ruptura. Algo que viria apenas quando estivesse a beira da morte e um passo de se julgar insana.

Demorou mais do que antes, já que naquela tortura ela ficava simplesmente de pé em um local apertado e escuro. As necessidades? Eram feitas ali mesmo. O cheiro ruim a deixando tonta, a humilhação enervando e enfraquecendo sua mente. Podia dormir, mas em pé, com breves cochilos pois a qualquer movimento ela se assustava.

Começou com uma onda de calor quando Johansson sentiu dificuldade até mesmo para respirar. A mente começava a dar voltas e mais voltas. A sensação sufocante, a onda de energia que tentava dominá-la finalmente veio. Dessa vez Michelle não a sufocou. Em um grito, ela permitiu-se ser dominada.

“Será bastante doloroso no início”.

Bastante doloroso? Michelle queria que aquela alucinação aparecesse novamente, apenas para tentar soca-lo com todas as forças. Aquela era a tortura mais dolorosa que ela tinha sofrido, pois era algo puramente interno. Sua mente fervia, queimava, assimilava noções que ela não tinha antes. Suas células pareciam vibrar sem parar, a deixando trêmula e em pura dor. O coração estava a ponto de sofrer um ataque de tão acelerado que estava. Ela começou a ter uma convulsão, seu corpo não aguentando tanta energia, tantas mudanças de uma vez só. Foi apenas nesse momento que abriram a porta, sendo um dos cientistas a última coisa que Michelle lembrava.

Ela despertou em um surto. Seu corpo agitado como nunca, como se tivesse recebido uma recarga elétrica que ultrapassou a capacidade de armazenamento. Mal notou que estava em uma espécie de cubo, tendo em média apenas 5m de cumprimento. Ela precisava correr, ela precisava movimentar-se. Era uma necessidade de afligia sua musculatura e, mesmo sem espaço, ela começou a andar cada vez mais rápido. Sem muita noção espacial, começou a bater-se contra as paredes. Ela não tinha espaço suficiente!

— Me tirem daqui! Me tirem daqui! Eu preciso, eu preciso! AAAAARGH!

A vontade se tornava insana, irreal e ilógica. Ela começou a correr no mesmo lugar ou a ignorar as barreiras que tentavam impedi-la de prosseguir. Seu corpo colidia contra a parede, cada vez mais rápido, mais intenso, mais dolorosamente. Em uma atitude de puro desespero, ela correu e preferiu nocautear a cabeça contra a parede do que continuar com aquilo.

O medo ao recobrar a consciência não era injustificável. Todas as vezes em que despertava, estava enfrentando algo diferente ou revivendo a mesma tortura. Por alguns minutos, no entanto, ela parecia estar sobre o domínio de si uma vez mais. Foi o momento em que os cientistas usaram para adentrar a sala, eles realizavam rápidos exames, questionavam coisas que ela não tinha forças para responder. A mente dela girava com números, latitudes e longitudes. Línguas diferentes das dela, como alemão, apareciam constantemente com palavras soltas.

Ela estava de olhos fechados, tentando organizar o pensamento, ter alguma forma de escapar dali e de sobreviver. A morena foi deixada sozinha com uma cientista, ela tentou lembrar de onde a conhecia. Seu instinto gritava que ela poderia tentar dessa vez, mas que agora poderia empregar certo teatro a sua atuação.

—  Dra. Rodriguez? — Ela tentou com a voz falha. Ao abrir os olhos, notou que a médica a olhava surpresa. — Não se preocupe, eu não tenho forças para fazer qualquer coisa contra você. O que é engraçado, porque sei que tem medo de mim, mas sou eu que estou vulnerável.

— É pelo bem da ciência, 06. — A cientista argumentou, terminando de cuidar de um ferimento no ombro de Michelle, um do qual ela não sabia como tinha adquirido. — Se conseguirmos replicar a sua resistência física, conseguiremos salvar muitas pessoas também.

— Michelle. — A semideusa falou calmamente, conquistando mais uma vez a atenção da doutora. — Meu nome é Michelle, prazer em conhece-la dra. Rodriguez. — Se pudesse deduzir corretamente, Johansson sabia que ser chamada por um número era uma forma apenas de torna-la um objeto e menos humana. O que reduzia a empatia dos cientistas. Precisava recuperar isso naquela cientista se quisesse uma chance. — Eu sei que vou morrer aqui, não sei se me sinto um pouco melhor ao saber se é pelo bem de outra pessoa. Porque... E quanto ao meu bem estar?

O desviar rápido de olhar da outra mulher não impediu Michelle de enxergar um pouco de piedade. Por isso exagerou em suas reações as dores, manipulando para que a doutora acreditasse que ela estava sofrendo. Algo que não precisava de muito esforço, devido a sua situação.

— Eu acho que meu aniversário é amanhã. — Michelle mentiu descaradamente e riu fraco, tossindo no final. — Posso estar errada, é apenas um sentimento. Não sei nem que dia é hoje exatamente. Mas sabe quando algo importante está para acontecer? É isto.

— Não somos permitidos a dialogar com as cobaias! Cale-se ou colocará a nós duas em encrenca!

— Ok, mas se eu puder me atrever a pedir algo. Poderia ser você a cuidar de mim na próxima vez? — Ambas sabiam que ela iria se machucar novamente. A cientista a fitou um tanto confusa, Michelle deu o seu melhor sorriso desolado. — Você é a mais gentil até o momento.

Menos de um minuto depois um guarda apareceu, questionando se a doutora precisava de ajuda. Horas mais tarde, sozinha no cubículo, Michelle finalmente percebia que estava diferente. Seu corpo parecia repleto de energia, algo tamanho que ela mal tinha conseguido assimilar inicialmente, o que a fez surtar por espaço. Nas próximas horas, no entanto, Michelle fez de tudo para segurar e conter essa energia. O que deixou seu corpo suando frio, com sintomas de ansiedade e nervosismo. Mas ela lutou contra a vontade de extravasar, precisava de tudo o que tinha para o próximo passo.

No dia seguinte, vieram fazer novos exames, os que precisavam dela mais lúcida para poder responder. Michelle lutava para manter a concentração, seu olhar vagando pela sala fingindo desatenção, quando na verdade analisava cada detalhe. Precisou apenas de um momento, um singelo recorte naquela situação toda para finalmente virar o jogo. Algo que veio quando os cientistas pareciam discutir sobre algum dado, apontando para seus tablets em busca de concordância.

Michelle finalmente deixou a energia explodir dentro de si. Ela saiu correndo, inicialmente puxando todo o equipamento que estava ao seu corpo, mas livrando-se dos fios durante o caminho. Escutou gritos, talvez até tiros e alguém alertando que não deveriam matá-la. Johansson apenas correu, sem conseguir pensar em corredores ou qual caminho seguir, indo apenas pelos instintos. Seu coração estava disparado, tão disparado que ela arfava mais do que o necessário. Ela estava conseguindo fugir! Ela tinha escapado mesmo que por alguns metros. O gostinho da liberdade, mesmo que ainda utópica, a deixou entorpecida, preenchendo seu peito com algo que a muito não sentia: esperança.

Se ela tivesse se preparado melhor, não deixasse a ansiedade dominá-la, talvez ela tivesse conseguido. Michelle não possuía o vigor necessário para aguentar uma corrida pela liberdade. Seu corpo tinha sido exposto a extremos por um tempo longo e indeterminado, a deixando vulnerável. A adrenalina era demais para sua constituição, a fazendo ficar trôpega e ofegante, sentindo uma forte dor no peito. Michelle apoiou contra uma parede, tudo começando a ficar escuro ao seu redor, ela tendo apenas flashes do que acontecia enquanto caia no chão.

Viu dourado. Alguém se ajoelhando ao seu lado. Uma forte pressão em seu peito. Um chamado forte, demandante, como se exigisse que ela reagisse. Seu coração voltou a bater em um ritmo aceitável, permitindo que Michelle voltasse a respirar. Reconheceu Leona ao seu lado, a mulher geralmente quieta e séria demonstrando um certo alívio em seus olhos claros.

— Hey, sentiu minha falta? — Michelle chegou a brincar.

Ela podia estar morrendo fisicamente, mas jamais deixaria que seu humor fosse levado de si. Logo depois os guardas chegaram, empurraram Leona para longe e prenderam Johansson uma vez mais.

(***)

— Você irá retornar a sua cela. Verificaremos as mudanças em seu corpo enquanto você passa por menos estresse. — Um dos cientistas explicou de maneira estoica.

Michelle não se importou com aquelas palavras, tinha tomado um banho! Gelado, com uma corrente de água deplorável, mas um banho. Ela estava em sua velha cela, com menos ataques de adrenalina e a mente relativamente estável. A semideusa jogou-se contra o colchão, sabendo que tinha voltado diferente e que os cientistas não chegavam nem um terço próximo do que realmente tinha acontecido. Nem mesmo ela saberia nomear como tinha conquistado e dominado aquela energia absurda.

— Michelle? Você é ruim demais para morrer. — A voz de Daniel veio do outro lado da parede.

— Seremos imortais então. — Michelle comentou.

No fundo, ela mordia o lábio inferior com certa força. Não iria chorar, não mais. Porém não poderia conter a onda de alívio por estar próxima de Daniel e Leona. Mesmo que nenhum dos três fossem minimamente confiáveis, era ainda assim uma sensação agradável estar de volta. Era como se, de alguma maneira, os três fossem escapar juntos algum dia.

— Aliaáááass. Eu definitivamente ganhei dessa vez, eu fui a mais fodida nesse mês.

Daniel riu com o humor negro que compartilhavam. Michelle podia imaginar Leona sorrindo de lado, ainda que discreta. Sim, eles eram disfuncionais, mas eram mais fortes juntos.


Solicitação: legado completo para Hermes. Caso não seja possível nessa postagem, faço um complemento para tentar novamente c.c

HABILIDADES:
Legado

Nome do poder: Metabolismo Acelerado I
Descrição: Por serem tão rápidos, os filhos de Hermes têm um metabolismo extremamente acelerado que necessita de muita energia, no caso alimento, para se manter funcionando. Sendo assim, a recuperação do herói é muito mais rápida que a dos outros semideuses. Nesse nível, apenas funciona em ferimentos leves.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: + 15 de HP e +15 de MP
Dano: Nenhum

Nike

Nome do poder: Espírito Competitivo
Descrição: Filhos de Nice/Victória são competitivos por natureza, o que os faz mais determinados para partir atrás de uma vitória. Isso é traduzido em um bônus de força de vontade para resistir às adversidades, podendo ajudar contra possessões, ataques desmotivacionais ou auras intimidadoras.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: 10% em força de vontade;
Dano: Nenhum.

Nome do poder: Astúcia Guerreira
Descrição: Às vezes a vitória não é dada aos mais talentosos, mas aos mais espertos. Devido a isso, o semideus de Nice/Victória é dotado de astúcia para observar detalhes que lhe dão vantagens em uma situação ou batalha.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Pode solicitar ao narrador algum detalhe sobre o cenário ou inimigo que seja útil para ele em um combate ou situação
Dano: Nenhum

Nome do poder: Fôlego Melhorado
Descrição: Como bons maratonistas e corredores, filhos de Nice/Victória não se cansam rapidamente em batalhas além de conseguirem lutar normalmente em lugares com ar rarefeito.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Não são afetados por poderes que atrapalham a respiração nem se cansam rapidamente em batalhas
Dano: Nenhum.

Nome do poder: Vigor Atlético III
Descrição: Filhos de Nice/Victória são competidores implacáveis, tendo suas habilidades comparadas, até mesmo, com as habilidades inimagináveis para os mortais comuns, mas a questão é que, por serem filhos da deusa patrona das Olimpíadas, elevaram seus corpos à perfeição física, podendo ser vencidos em suas modalidades apenas por especialistas, sendo estes especialistas aqueles possuidores de técnicas herdadas pelo divino, como exemplo a velocidade dos filhos de Hermes, a força dos filhos de Ares ou a perícia dos filhos de Athena.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: + 50% de eficácia em qualquer movimento físico ao nível humano, com exceção de ataques. + 20% de bônus de dano em ataque corporal (Com armas ou sem armas).
Dano: Nenhum

Nome do poder: Velocidade III
Descrição: Você aprendeu que a velocidade pode ser uma grande aliada em campo de batalha, e com isso treinou ainda mais arduamente, agora ficou mais rápido, esquiva-se com facilidade, e domina a luta ao seu favor. É difícil combater seu herói desse jeito.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +30% de velocidade
Dano: Nenhum

Nome do poder: Força III
Descrição: O semideus treinou e evoluiu ainda mais e agora consegue carregar ainda mais peso, levantar coisas mais pesadas e efetuar lançamentos com uma facilidade tremenda. Conforme se desenvolveu, ficou ainda mais forte.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +30% de força
Dano: +20% de Dano se o ataque do semideus atingir.

Nome do poder: Destreza Natural III
Descrição: Sendo bons lutadores, os filhos da deusa da vitória possuem uma destreza melhorada naturalmente pelos treinos e genes. Dessa forma, qualquer golpe com arma em suas mãos, ou até mesmo combate desarmado, são mais efetivos e fortes.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: 20% em força e chance de acerto de golpes físicos
Dano: Nenhum

Nome do poder: Equilíbrio III
Descrição: Como bons atletas, os filhos de Nice/Victória possuem um equilíbrio nato que os ajuda em qualquer tipo de situação (não só em questão de esportes mas também em batalha ou situações simples).
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: 35% em Equilíbrio
Dano: Nenhum

Nome do poder: Resistência Física Elevada III
Descrição: Os filhos de Nice/Victória possuem uma resistência física superior à da grande maioria, ajudando-lhes em questão de dano quando são atingidos por golpes físicos.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: 30% resistência física (não acumula com armaduras e itens, apenas se atingir o corpo do semideus direto)
Dano: Nenhum

Nome do poder: Influência Vitoriosa
Descrição: Ao alcançar esse nível os filhos de Nice/Victória começam a exalar uma aura que atrai a vitória para eles e seus aliados. Dessa forma, todos que lutarem ao seu lado terão chances maiores de saírem como vencedores em batalhas ou disputas.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: 20% em todos os atributos do semideus e de seus aliados;
Dano: Nenhum;
Aprendida + Tatuagem:
Nome: Perícia Corporal I
Descrição: Treinar o corpo e a mente para tornar-se um melhor guerreiro é quase que uma obrigação de cada meio-sangue, caso ele deseje sobreviver nesse mundo louco. Assim sendo, depois de uma aula de perícias, o corpo do semideus foi condicionado e treinado para melhorar a agilidade, a esquiva e o reflexo.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +30% em agilidade, esquiva e reflexo.
Dano: Nenhum

• Tatuagem: Feita na altura do pulso da semideusa. Trata-se de uma marca de corda enrolada feito um laço criada pelo ritual Antístasi, que promove 70% de resistência no corpo do semideus, reduzindo também 70% de doenças, venenos, impactos e outros.

• Tatuagem Especial, melhoria de atributo – É uma tatuagem, uma marca especial colocada no ombro direito do seu personagem, uma pequena pintinha discreta que pode ser confundida com uma marca de nascença. Melhorara um único atributo físico do seu personagem (agilidade) em +30%.

wearing /// nowhere /// with fulano



MichelleJohansson .

Michelle Johansson
Michelle Johansson
Filhos de Nice
Filhos de Nice

Idade : 27

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Shitt Happens ▬ Trama Pessoal Empty Re: Shitt Happens ▬ Trama Pessoal

Mensagem por Hades em Sex Nov 01, 2019 9:52 pm

Michelle



Valores máximos que podem ser obtidos


Máximo de recompensa a ser obtida: 5.000 xp e 4.000 dracmas + 10 ossos.

Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

Realidade de postagem + Ações realizadas – 45%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 18%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

RECOMPENSAS: 4.650 xp e 3.720 dracmas + 10 ossos + Legado completo de Hermes        

Comentários:
Um plot muito bem construído e feito de forma impecável praticamente. Meus únicos descontos foram referentes a erros de digitação e gramaticais, além do fato da CCFY envolver conteúdo sensível e não possuir um aviso referente a isso. Parabéns!
Hades
Hades
Deuses Olimpianos
Deuses Olimpianos

Localização : Importa? A morte ainda será capaz de te achar.

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Shitt Happens ▬ Trama Pessoal Empty Re: Shitt Happens ▬ Trama Pessoal

Mensagem por Michelle Johansson em Ter Nov 05, 2019 7:50 pm

I once was good
NOW I'M FUCKING BETTER

Informações prévias
• Michelle foi vendida pelo pai para a seita, como foi narrado na postagem anterior.
• A sede da seita é a mesma que foi usada no primeiro grande evento do fórum sobre o grupo extremista, o mesmo em que semideuses foram capturados e outros vieram ao resgate.
• O prédio está protegido pelo dispositivo que inibe os poderes, sendo este desativado apenas em alguns trechos condizentes com a narrativa.
• Ou seja, é um flashback
CUIDADO, conteúdo sensível relacionado a tortura.

CCFY DE EVENTO {HALLOWEEN}


Os cientistas da seita eram pioneiros em experimentos com seres semidivinos. O que resultava em diversas falhas e poucos sucessos. Enojava Michelle admitir que ela tinha sido um sucesso em um dos experimentos. O Dr. Medo, como chamava um homem pálido e com grandes capacidades de provocar um medo anormal e intenso, tinha percebido que ela era especial. Grande resistência física para suportar a maioria dos testes, qualidade imunológica que fazia os soros da verdade falharem, humor impecável e quase negro. Eles a colocaram em um limite físico e psicológico, um que conduziu Johansson para bem perto do precipício da loucura, chegando por muitas vezes desejar simplesmente morrer para que tudo acabasse.

Todavia, tinha funcionado. Ela sentia em suas entranhas, no modo como seu cérebro funcionava e catalogava as informações. Como estava se acostumando cada vez mais com os ataques de adrenalina e um impulso maior em manipular, as interpretações vinham com mais clareza e assertividade. Os cientistas pareciam compreender até esse ponto, de que algo tinha sido despertado nela e provavelmente queriam testar as novas capacidades.

Michelle foi colocada em treinamentos especiais, algo que a deixava naturalmente nervosa já que sua última experiência sendo “especial” para aquele grupo extremista resultou em uma série sem fim de torturas.

— Objeto de Estudo 06. — O cientista a cumprimentou assim que Johansson adentrou a sala de treinamento.

Era um local conhecido por Michelle, sendo uma simples sala para testes físicos. O olhar dela percorreu todo o ambiente em busca de objetos de tortura e, sinceramente, qualquer coisa atualmente poderia ser utilizada como forma de submissão dolorosa. Até mesmo a caneta que estava dentro do bolso do jaleco do cientista, ou a prancheta que poderia perder uma lasca e ser utilizado como...

— Troque de roupa, 06.

Michelle olhou para o lado encontrando com Dra. Rodriguez. Ela esteve presente no experimento anterior, cuidando de Johansson quase como se fosse alguém humano. Quase. Como estratégia, Michelle fingiu ficar relaxada com a presença da mulher, deixando que os cientistas pensassem que ela ficava confortável e mais mansa com a presença daquela médica em específico. Por isso aceitou a roupa que lhe era oferecida, arqueando as sobrancelhas em singela surpresa quando lhe foi permitido ir para um vestuário mudar as peças.

Trajando algo apropriado para exercício físico, Michelle foi pesada e medida em suas proporções. Sangue foi colhido rapidamente antes que fosse ordenada a subir em uma esteira. Ela olhou desconfiada, mas logo um soldado a empurrava pelo ombro, a obrigando a estar sobre a superfície de corrida da máquina. Fios foram conectados em seu corpo, principalmente nos pontos de pulsos. Era bastante similar ao processo de exame ergométrico, que testava o sistema cardiovascular através do esforço.

— Iniciando primeira fase do teste. — O novo cientista ordenou.

A máquina começou a funcionar, obrigando os pés de Michelle acompanharem o ritmo. Primeiro era algo lento, algo que era fácil e quase entediante de acompanhar. A velocidade foi aumentando gradualmente, até ela atingir o costumeiro padrão de corrida. Aquele não era um teste incomum para ela, já o tinha feito anteriormente. Mas seu cenho franziu assim que sentiu a velocidade aumentar, sua respiração acelerando de acordo com o esforço. Conseguiu acompanhar depois de alguns segundos, no entanto, quando o ritmo aumentou novamente olhou para o lado confusa e totalmente arfante. Seu corpo foi adaptando a nova frequência de passos, Michelle chegou a resmungar e xingar por baixo da respiração, quando sentiu o ritmo ficar tão rápido que seus passos eram cada vez mais ligeiros e desenfreados. Ela durou apenas mais cinco minutos, antes que o desastre natural acontecesse: os pés tropeçassem um no outro, a derrubando da esteira, fazendo embolar nos fios e girar pelo chão.

Seu corpo inteiro estava suado, os músculos das pernas ardiam tanto que sentia que não conseguiria ficar em pé por mais do que dois segundos. No entanto, foi obrigada, ao ser colocada ereta por um puxão do soldado que fazia a segurança.

No dia seguinte o mesmo se repetiu, cada vez mais a velocidade sendo acrescentada. A rotina tinha sido iniciada, todos os dias ela era desafiada a correr cada vez mais. A cada novo limite, ela se encontrava com um machucado novo: pequenos vasos estourando, dores musculares intensas, hematomas pelas quedas. Até que um dia, enquanto estava sentada em um banco terminando de beber um litro de água seguido, ela se viu sozinha com a Dra. Rodriguez.

— Doutora... — Chamou baixo, fazendo seu melhor olhar inocente e levemente assustado. — Sei que seria arriscado, mas poderia pelo menos explicar? Todos os dias estou correndo sem reclamar, mas... É estranho para mim.

Dra. Rodriguez, apesar do nome, possuía poucos traços latinos. A não ser os olhos grandes e expressivos, sua pele era levemente pálida e os cabelos loiros ondulados, sempre presos em um rabo de cavalo alto. A médica olhou para os lados e negou levemente com a cabeça. Michelle suspirou em frustração, mas sorriu de lado.

— Está usando Herrera, não está? — Michelle comentou do perfume da médica, mordiscando levemente o lábio inferior. — Combina com você, doutora.

O leve rubor poderia ter sido bem disfarçado, se Michelle não estivesse prestando tanta atenção. Claro que estava interessada em reações assim, não pela ideia de um romance proibido, mas em como poderia usar isso a seu favor em algum momento. Se conseguisse a simpatia de um dos médicos, quem sabe as regalias que poderia adquirir com isso? Particularmente achava homens mais fáceis de manipular, hormônios masculinos sempre reagiam mais rápido, mas a doutora poderia ser algo cultivado com o tempo.

O pequeno intervalo foi encerrado, Michelle estava de volta para a esteira e dessa vez durou incríveis quinze minutos em uma velocidade que parecia absurda para seu corpo e percepção de normal. Quando caiu ao perder o equilíbrio, sentiu todo o corpo pesar sobre o ombro esquerdo, chegando a produzir uma careta de dor. Para piorar, o soldado a puxou bruscamente pelo lado machucado, a fazendo grunhir em agonia instintivamente.

— A cobaia está machucada, senhor. Não a danifique! — Rodriguez fuzilou o homem com os olhos, como se cuidasse de uma propriedade.

— A taxa de recuperação dela é formidável de qualquer forma, doutora. — O outro cientista falou calmamente.

— Não vamos testar os limites quanto a isso, ou teremos de parar o experimento. Eu não quero dizer aos superiores que atrasamos os resultados por causa de descuidos estúpidos.

O cientista relevou como se fosse uma discussão inútil, mas Michelle sorria internamente pela defesa que a médica tinha feito. Ela se aproximou para fazer uma análise, o cientista se despediu e o soldado ficou esperando do lado de fora.

— Atualmente você consegue alcançar quase 50km/h em uma corrida e sustentar essa velocidade em média por vinte minutos, até seu corpo entrar em desgaste e...

— E eu cair feito uma fruta podre. Uma visão e tanto, huh? — Michelle completou, piscou lentamente e fitou a mulher com genuína surpresa. — Você tem certeza?! Eu sei que eu sempre fui rápida, mas nunca dessa forma! Eu poderia alcançar um carro em uma rua residencial!

— A cada treino que fazemos, o seu corpo parece se adaptar e melhorar. Logo que estabilizarmos isso, a fase dois será a aceleração.

Elas não puderam continuar o diálogo. O soldado se aproximou perguntando se precisava de ajuda, mas Rodriguez apenas pressionava uma bolsa térmica contra o ombro de Michelle. Ao retornar para a cela, a filha da vitória estava pensativa. Ela odiava a seita, isso era um fato indubitável. Mas não significava que ela também não poderia usar da organização para se preparar para o futuro. Em algum momento ela sabia que teria de correr, de fugir, de encarar a liberdade seja com a morte, seja para o mundo exterior.

Naquela noite, ela decidiu colaborar minimamente com o experimento, aprendendo o máximo que pudesse. Pois em sua mente, ela poderia dar resultados como números e estatísticas, mas eles estariam dando em retorno possibilidades para que Johansson escapasse.

•••
Três semanas depois.

Eles estavam na sala de treinamento. Uma que era maior, espaçosa o suficiente para que obstáculos fossem colocados. Era o equivalente ao espaço de dois salões de dança na comparação mental que Michelle fazia daquele novo local. Apesar de ter capacidade para obstáculos e outros equipamentos, o grande local estava vazio, além de uma mesa com computadores e outros apetrechos que provavelmente seriam utilizados para avalia-la.

Dias foram levados pra que aperfeiçoasse a sua nova capacidade de corrida. Sem que caísse, sem que perdesse o equilíbrio ou o ritmo. Johansson provavelmente estaria pronta para vencer uma corrida olímpica oficial, se quisesse. O novo desafio, segundo Rodriguez tinha segredado a cobaia, era fazê-la otimizar a aceleração.

Michelle não fazia ideia do que aquilo significava de primeira, mas estava irrevogavelmente curiosa e ansiosa em ampliar as próprias capacidades. Por isso quando ordenaram que ela se posicionasse na linha amarela e desse a melhor corrida que pudesse, a neta de Hermes obedeceu. Eles tinham dispositivos plugados em seu corpo, provocando um leve incomodo sobre sua pele, mas nada disso impediu que ela apreciasse a sensação de corrida. Particularmente, Michelle estava orgulhosa de sua forma. Poderia afirmar com um sorriso soberbo e cheio de confiança de que era a mais rápida naquele lugar.

— Objeto 06. — O cientista chamou a atenção quando Johansson finalizou a corrida. Ele tinha um spray de tinta vermelho em mãos. Caminhou contando os passos, checou algo em seu tablet e fez uma linha onde parou. — Você alcançou seu limite de velocidade aqui. Quero que você faça isso antes desse ponto.

O franzir de cenho era genuíno. Michelle processou a pergunta em sua mente duas vezes antes de ser empurrada pelo guarda até a posição de partida. O cientista ordenou a largada mais uma vez e Michelle correu tentando melhorar a sua performance e, apesar de se sentir melhor do que a primeira vez e até ter um sorriso de canto de lábios, o cientista balançou a cabeça de um lado para o outro.

— Apliquem, ela não melhorou. Vamos dar um incentivo.

Quando dois homens aproximaram dela com uma injeção, Michelle abriu bem os olhos em um momento de pânico, lembrando como aquelas dosagens podiam conter qualquer tipo de droga. Seja um estimulante, seja um veneno. Ela recuou e estava prestes a fugir quando braços fortes a prenderam. Naturalmente ela resmungou, resfolegou e grunhiu, tentando morder instintivamente quando o homem de jaleco tentou aplicar a injeção em seu pescoço. Mas eles eram mais fortes, sempre eram. A agulha penetrou sua pele com um incomodo, mas nada comparado ao ardor que sentiu quando o líquido penetrou seu corpo, se espalhando como lava por debaixo de sua pele. Michelle arfou, o coração disparando mais rápido que o normal, como se estivesse no limiar do perigoso e da morte.

Ela foi jogada nesse estado de novo na linha de partida. Com a musculatura tremula, respiração ofegante saindo de seus lábios entreabertos, quando escutou o comando de correr o fez por pura necessidade. Impulsionada por algo inexplicável, seu corpo agindo instintivamente, ao ponto de não conseguir calcular o momento de parar quando aproximou da parede, necessitando apenas continuar correndo. A colisão foi inevitável, forte e que a deixou tonta. Mas ainda recheada de adrenalina em seu corpo, mal sentindo a dor em sua musculatura quando foi posicionada mais uma vez.

Os testes prosseguiram até ela ter uma nova linha vermelha, apenas um metro de distância da original. Naquela noite, quando estava em sua sela sobrevivendo a falta da droga, Michelle estava encolhida no canto, abraçada as suas pernas. Suava frio, a mente dando voltas e mais voltas, a negatividade a deixando estranhamente silenciosa.

Levaram dois dias para Johansson ser levada a mesma sala de treinamento. Testes iniciais foram realizados, o que rendeu alguns minutos a sós com dra. Rodriguez. Michelle sabia que poderia ser prematuro, que estava arriscando. Mas esperava que tivesse sorte o suficiente daquela vez.

— Doutora... — Chamou baixinho, mantendo o olhar sempre para frente. — O que eu tenho de fazer para não ser drogada novamente?

Rodriguez hesitou como sempre, a respiração de Michelle suspensa naqueles breves segundos em que não sabia qual resposta seria dada. A doutora poderia ignorá-la por ter outros funcionários ao redor. Ou pior, poderia ter de atuar sobre seu papel de cientista da seita e castiga-la pelo atrevimento.

— Estamos tentando aprimorar a sua capacidade de acelerar durante a corrida. Você precisa lembrar que a aceleração é nada mais do que a ação da velocidade sobre o tempo. — Rodriguez tentou explicar rapidamente, mas ao ver a expressão ainda confusa, ela revirou os olhos. — É como se você atualmente fosse um simples carro popular. Estamos tentando te transformar em uma Ferrari.

A expressão de compreensão de Michelle pode ter sido bastante evidente, pois provocou um sorriso de canto na doutora. Aquela comparação tinha clareado a mente da filha de Nike, tendo agora a percepção do que eles almejavam. Um carro popular levava mais tempo de alcançar a velocidade máxima, precisando percorrer uma grande distância para isso. Em comparação, um carro esportivo como uma Ferrari poderia atingir mais de cem quilômetros por hora em poucos segundos, cobrindo uma distância menor.

— Só para deixar claro, prefiro Lamborghini. — Comentou antes iniciar os exercícios de aquecimento.

Posicionada mais uma vez no local, Michelle tinha só um pensamento em mente: “Você é uma fucking Lamborghini, jamais um fusca!”. Algo tolo, bobo, mas que a ajudava a focar em seu objetivo. Ela fez a primeira corrida de maneira concentrada, tendo a marca vermelha no chão poucos segundos depois. Porém, por mais que tivesse se esforçado na segunda corrida, acabou recebendo aquele mesmo balançar de cabeça do cientista chefe.

— Espera, eu consigo! — Michelle recuou assim que viu a seringa com a droga. — Se você me dopar sempre com essa merda eu não vou ter resultados limpos! Eu consigo sem isso!

— Está se sentindo corajosa, objeto 06? — O cientista questionou com descaso, ele olhou para o tablet e fez um gesto com a mão. — Ok, vamos para o sistema de punição. Toda vez que não alcançar, receberá um estimulo aversivo.

Johansson concordou hesitante, sendo empurrada para o ponto de partida. Ela respirou fundo, posicionou-se e esperou o comando. Michelle tentou usar de toda a sua musculatura, procurou dar o seu máximo em cada passo. Mas nada parecia o suficiente, atingindo novamente a mesma marca vermelha. O cientista fez um sinal com os dedos, como se desse permissão para algo. Uma bala contendo energia elétrica foi atirada de uma arma em direção as costas de Michelle. Ela caiu no chão, a musculatura se tornando tensa, o corpo dobrando perante os choques que recebia. Algo que durou dez segundos, mas que a deixaram arfante e com dores por todo o corpo.

Eles a ergueram novamente e a posicionaram uma vez mais. Michelle arfava, olhando o chão enquanto sua mente exigia de seu corpo uma resposta para aquilo. Mas mesmo com a terceira tentativa, ela não tinha alcançado sucesso. Dessa vez, foram duas balas em suas costas, uma próxima da outra. Michelle caiu de joelhos, os olhos revirando perante a carga de energia que recebia. Sentia-se próxima de desmaiar, mas quando as descargas terminaram, ela teimosamente ergueu-se novamente.

Não sabia dizer de onde vinha aquela vontade de provar algo. Talvez o desespero em aprimorar a si mesma para quando – finalmente – fugisse, tivesse plena capacidade de correr e não olhar para trás. Quando se posicionou novamente, manteve isso em mente. A sensação de andar nas ruas novamente, de olhar um céu estrelado sem ser por janelas ou projeções. O momento em que estaria em uma cobertura luxuosa, com uma garrafa de bebida ao lado e admirando o horizonte alaranjado de final de tarde. Ela teria isso novamente! Ao abrir os olhos, ela mesma tinha preparado o corpo, a respiração mais regular e a determinação renovada.

Ao correr ignorou os músculos que queimavam. Ou a dormência na ponta dos dedos de suas mãos. O olhar estava focado a frente, a respiração controlada. Ela nunca se sentiu tão em sintonia com os movimentos do corpo, acelerando mais no seu quarto passo em diante. Infelizmente, esse foi um dos momentos que ela não soube controlar o corpo depois de adentrar naquele vórtice de aceleração e velocidade, acabando por colidir contra a parede ao ponto de quase deslocar o ombro, mas deixando claros hematomas no corpo. Ela ignorou a dor, encarando o cientista com certa expectativa e aflição.

Ele sorriu.

“Toma essa, seu fodido”. Michelle pensou, respirando fundo. Ela foi erguida e avaliada, mas ao tentar repetir a mesma façanha, ela falhou miseravelmente, não conseguindo colocar-se em sintonia com o movimento uma segunda vez naquele dia. O resultado foi três tiros em suas costas, fazendo com que seu corpo finalmente desmaiasse com as cargas de eletricidade.

•••
— Sabe a fofoca que anda pelos corredores? — Daniel parou ao lado de Michelle enquanto caminhavam para uma testagem em grupo. Coleta de sangue, averiguação de peso, apenas rotina. — Cobaia 06 foi um fracasso total, mas está viva. Sua namoradinha te salvou?

Michelle olhou pelo ambiente, verificando a posição dos soldados que guiavam a fila para os laboratórios. Permitiu que um sorriso pequeno escapasse de seus lábios. Seitistas suspeitavam de qualquer expressão de satisfação em uma cobaia, reagindo de maneira agressiva até arrancar qualquer ar de felicidade dos reféns.

— Eles estavam fazendo um daqueles testes que nos avalia e ensinam coisas novas. Aprendi como funcionava e controlei as demonstrações. Minhas costas estão fodidas, mas eles não sabem de minha real capacidade. — Johansson explicou.

— Mas que garota falsa! — Daniel fingiu horror.

— Ora, obrigada, acordou de bom humor para distribuir elogios?

A amizade entre os dois sempre seria um mistério para a filha de Nike. Mas eles funcionavam, entre gracejos e brigas, apoiando um ao outro em meio a loucura que era sobreviver. Apesar de sentir o ar divertido de Daniel, eles se mantiveram sérios até passar pelo guarda que caminhava com um fuzil em exibição.

Eles prosseguiram por semanas com aquele pequeno projeto. Michelle passou a controlar cada vez mais o próprio corpo, deixando apenas pequenas pistas de sua real capacidade. Inicialmente foi difícil, pois ela precisava alcançar seu limite, ultrapassá-lo, para só então disfarça-lo. Mas uma vez que conseguiu, submeteu-se as punições criativas do cientista, as vezes fingindo desmaio apenas para que acabassem logo.

Ela tinha aprendido ainda mais sobre o próprio corpo. Acelerar de maneira mais forçada, em um curto espaço de tempo, exigia muito esforço físico e deixava Michelle mais cansada. Mas bastava algum momento para que seu metabolismo acelerado entrasse em ação, a recuperando e permitindo tentar novamente. Em algum momento, ela precisou fingir sentir uma dor maior do que realmente sentia para condizer com a tortura que recebia. No fim, Dra. Rodriguez tinha convencido o cientista de que a cobaia 06 tinha alcançado o seu limite.

A seita era uma organização extremista, sem escrúpulos, com métodos cruéis. Mas que finalmente mostravam resultados que ela poderia usar para ganhos próprios. Michelle estava pronta para se armar da melhor maneira possível contra aquela realidade, para quando pudesse, explodir tudo gritando um belo foda-se.







Habilidade Aprendida

Nome da habilidade: Aceleração
Descrição: Graças ao treinamento contínuo, a semideusa aprendeu a alcançar o limite de sua velocidade em menos tempo. Isso não a torna literalmente mais rápida, apenas a permite chegar ao pleno potencial de sua velocidade em um tempo muito menor.
Gasto de MP: 15MP por turno, referente ao desgaste físico.
Gasto de HP: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Caso atinja alguém em sua velocidade máxima, +20% de dano de impacto.
Extra: Nenhum

HABILIDADES:
Hermes:

Nome do poder: Escorregadio III
Descrição: Você é o mestre das fugas e camuflagens e consegue ser tão silencioso e discreto quanto o mais esperto dos ladrões, agora você é praticamente um ninja e apenas deslizes de sua parte podem lhe entregar.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +60% de esquiva e agilidade.
Dano: Nenhum

Nome do poder: Metabolismo Acelerado III
Descrição: Por serem tão rápidos, os filhos de Hermes têm um metabolismo extremamente acelerado que necessita de muita energia, no caso alimento, para se manter funcionando. Sendo assim, a recuperação do herói é muito mais rápida que a dos outros semideuses. Nesse nível, funciona para todos tipos de ferimentos.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +60 de HP e +60 de MP.
Dano: Nenhum

Nome do poder: Velocidade III
Descrição: Hermes/Mercúrio é o deus mensageiro, portanto, precisa ser rápido. Por isso a ele é atribuído o dom da velocidade. Com o tempo e o treinamento adequado conseguem ficar ainda mais rápidos, e nesse nível, sua velocidade causa inveja nos demais campistas.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +50% de velocidade.
Dano: Nenhum

Nome do poder: Manipulador III
Descrição: Monstros de inteligência mediana e campistas até cinco níveis mais alto que você caem facilmente na sua lábia.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +50% de persuasão e poderes de enganação ou ilusão.
Dano: +25% de dano se o inimigo for pego.

Nome do poder: Diplomacia
Descrição: Agora os filhos de Hermes/Mercúrio  se tornam diplomatas natos, sabendo ser intermediador em momentos decisivos, até mesmo evitando batalhas desnecessárias.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Conseguem convencer inimigos a não atacarem apenas com palavras, eles são bons diplomatas, logo tem mais chance de evitar um combate direto apenas usando elas. +30% de chance de evitar um combate, e conseguir convencer o inimigo de seu propósito através da persuasão.
Dano: Nenhum
Nike:

Nike

Nome do poder: Espírito Competitivo
Descrição: Filhos de Nice/Victória são competitivos por natureza, o que os faz mais determinados para partir atrás de uma vitória. Isso é traduzido em um bônus de força de vontade para resistir às adversidades, podendo ajudar contra possessões, ataques desmotivacionais ou auras intimidadoras.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: 10% em força de vontade;
Dano: Nenhum.

Nome do poder: Astúcia Guerreira
Descrição: Às vezes a vitória não é dada aos mais talentosos, mas aos mais espertos. Devido a isso, o semideus de Nice/Victória é dotado de astúcia para observar detalhes que lhe dão vantagens em uma situação ou batalha.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Pode solicitar ao narrador algum detalhe sobre o cenário ou inimigo que seja útil para ele em um combate ou situação
Dano: Nenhum

Nome do poder: Fôlego Melhorado
Descrição: Como bons maratonistas e corredores, filhos de Nice/Victória não se cansam rapidamente em batalhas além de conseguirem lutar normalmente em lugares com ar rarefeito.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Não são afetados por poderes que atrapalham a respiração nem se cansam rapidamente em batalhas
Dano: Nenhum.

Nome do poder: Vigor Atlético III
Descrição: Filhos de Nice/Victória são competidores implacáveis, tendo suas habilidades comparadas, até mesmo, com as habilidades inimagináveis para os mortais comuns, mas a questão é que, por serem filhos da deusa patrona das Olimpíadas, elevaram seus corpos à perfeição física, podendo ser vencidos em suas modalidades apenas por especialistas, sendo estes especialistas aqueles possuidores de técnicas herdadas pelo divino, como exemplo a velocidade dos filhos de Hermes, a força dos filhos de Ares ou a perícia dos filhos de Athena.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: + 50% de eficácia em qualquer movimento físico ao nível humano, com exceção de ataques. + 20% de bônus de dano em ataque corporal (Com armas ou sem armas).
Dano: Nenhum

Nome do poder: Velocidade III
Descrição: Você aprendeu que a velocidade pode ser uma grande aliada em campo de batalha, e com isso treinou ainda mais arduamente, agora ficou mais rápido, esquiva-se com facilidade, e domina a luta ao seu favor. É difícil combater seu herói desse jeito.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +30% de velocidade
Dano: Nenhum

Nome do poder: Força III
Descrição: O semideus treinou e evoluiu ainda mais e agora consegue carregar ainda mais peso, levantar coisas mais pesadas e efetuar lançamentos com uma facilidade tremenda. Conforme se desenvolveu, ficou ainda mais forte.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +30% de força
Dano: +20% de Dano se o ataque do semideus atingir.

Nome do poder: Destreza Natural III
Descrição: Sendo bons lutadores, os filhos da deusa da vitória possuem uma destreza melhorada naturalmente pelos treinos e genes. Dessa forma, qualquer golpe com arma em suas mãos, ou até mesmo combate desarmado, são mais efetivos e fortes.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: 20% em força e chance de acerto de golpes físicos
Dano: Nenhum

Nome do poder: Equilíbrio III
Descrição: Como bons atletas, os filhos de Nice/Victória possuem um equilíbrio nato que os ajuda em qualquer tipo de situação (não só em questão de esportes mas também em batalha ou situações simples).
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: 35% em Equilíbrio
Dano: Nenhum

Nome do poder: Resistência Física Elevada III
Descrição: Os filhos de Nice/Victória possuem uma resistência física superior à da grande maioria, ajudando-lhes em questão de dano quando são atingidos por golpes físicos.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: 30% resistência física (não acumula com armaduras e itens, apenas se atingir o corpo do semideus direto)
Dano: Nenhum

Nome do poder: Influência Vitoriosa
Descrição: Ao alcançar esse nível os filhos de Nice/Victória começam a exalar uma aura que atrai a vitória para eles e seus aliados. Dessa forma, todos que lutarem ao seu lado terão chances maiores de saírem como vencedores em batalhas ou disputas.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: 20% em todos os atributos do semideus e de seus aliados;
Dano: Nenhum;
Aprendida + Tatuagem:
Nome: Perícia Corporal I
Descrição: Treinar o corpo e a mente para tornar-se um melhor guerreiro é quase que uma obrigação de cada meio-sangue, caso ele deseje sobreviver nesse mundo louco. Assim sendo, depois de uma aula de perícias, o corpo do semideus foi condicionado e treinado para melhorar a agilidade, a esquiva e o reflexo.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +30% em agilidade, esquiva e reflexo.
Dano: Nenhum

• Tatuagem: Feita na altura do pulso da semideusa. Trata-se de uma marca de corda enrolada feito um laço criada pelo ritual Antístasi, que promove 70% de resistência no corpo do semideus, reduzindo também 70% de doenças, venenos, impactos e outros.

• Tatuagem Especial, melhoria de atributo – É uma tatuagem, uma marca especial colocada no ombro direito do seu personagem, uma pequena pintinha discreta que pode ser confundida com uma marca de nascença. Melhorara um único atributo físico do seu personagem (agilidade) em +30%.

wearing /// nowhere /// with fulano



MichelleJohansson .

Michelle Johansson
Michelle Johansson
Filhos de Nice
Filhos de Nice

Idade : 27

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Shitt Happens ▬ Trama Pessoal Empty Re: Shitt Happens ▬ Trama Pessoal

Mensagem por Hades em Qua Nov 06, 2019 8:39 am

Michelle



Valores máximos que podem ser obtidos


Máximo de recompensa a ser obtida: 5.000 xp e 4.000 dracmas + 10 ossos.

Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

RECOMPENSAS: 5.000 xp e 4.000 dracmas + 10 ossos. + habilidade        

Comentários:
Não tenho pontos negativos a falar sobre a sua CCFY. Acredito que tenha sido bem desenvolvida e a habilidade foi merecida, afinal a personagem é mesmo uma Lamborghini. Parabéns!
Hades
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Deuses Olimpianos
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Localização : Importa? A morte ainda será capaz de te achar.

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Shitt Happens ▬ Trama Pessoal Empty Re: Shitt Happens ▬ Trama Pessoal

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