The Blood of Olympus
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Mensagem por Samuel Mazlow em Ter Jul 09, 2019 1:21 pm

Espaço para tramas pessoais.




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Samuel Mazlow
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mentalistas de psique
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Mensagem por Samuel Mazlow em Seg Jul 15, 2019 5:44 pm

you young lost sinner
Samuel testemunhava o alvorecer com o semblante de quem não estava naquela dimensão. Ainda sentia as marcas de sua primeira batalha fora dos campos de treinamento, refletindo nas mais adversas hipóteses de sua conduta nos pormenores enquanto se via na posição de alguém em combate. Por todo o tempo em que se postara entre bravos lutadores e mestres na arte da guerra, era visto como um fanfarrão entre os deuses, o preguiçoso ou o menos apto a sair vivo da missão. Entre um filho de Ares, uma amazona, um filho Poseidon e uma filha de Hécate era o único com as habilidades menos estimuladas e propensas a falhas críticas. Foram em busca de um amuleto perdido, uma relíquia de sinceras afeições de Dionísio, que os recrutou e informou sobre todas as entrelinhas através de Quíron, que lhes concedeu quatro dias úteis para se prepararem, o que envolvia um treinamento específico em conjunto para descobrirem como casar as habilidades e saírem com as expectativas de vitória num alto nível.

O filho de Ares e a amazona conseguiam um combo incrível de força, brutalidade e violência, se considerado o bônus da garota em ter sua filiação por parte de Belona, o que tornava sua presença extremamente importante. O filho de Poseidon conseguia agregar suas habilidades em qualquer situação, desde que um pouco de água se encontrasse disponível, e se mesclado ao modo em como a filha de Hécate poderia protegê-los de quase tudo, o rapaz sentia-se como se fosse o câmera-man, estando na composição da equipe com o único intuito de fisgar todas as cenas e apenas isso.

Nos dois dias em que os treinos entre o grupo aconteceram, o Mazlow tentou se situar em todas as pregações de habilidades, mas nada poderia fazer, se não, se tornar o centro das atenções por um minuto, e no seguinte ser o alvo de risadas pela sua constante falta de participação quando o assunto se tornava sua vez de agregar um poder ao combo. Amuado e com a sensação de inutilidade lhe abrangendo os horizontes sentimentais, resolveu se abster de novas tentativas e a cada novo treino com os companheiros de missão, sentava-se no canto mais afastado para observá-los e anotava num bloquinho tudo o que observava. Como se moviam, tempo de reação, reflexo, quais habilidades eram mais fortes e como agiam em conjunto.

Vários paralelogramas foram traçados, seguindo um fluxo perfeito de informações sobre os colegas de missão e poderia dizer que do seu modo, sabia tudo o que precisava para não ser um completo Zé Ninguém no campo de batalha. Quando o grande dia chegou e todos se reuniram no antro da arena para desejar bons votos aos heróis que sairiam em busca do objeto perdido, Samuel passou despercebido nos cumprimentos e felicitações. Era só o cara inútil que serviria como isca numa situação ruim. Por mais que o desprezo viesse por parte da grande maioria, um sorriso substituiu a expressão vazia nas feições do jovem, quando viu seus meio-irmãos no fim do grande vão aberto para passarem, dando tapinhas e desejando a sorte ao seu favor. Aquecido com o carinho dos que lhe importavam, o semideus ergueu a cabeça e caminhou decididamente alguns passos atrás dos plenos guerreiros que abriam espaço logo adiante.



Terça, 6 da manhã, fronteiras do Westside, NY.
Dia 01.


Bastian, o filho de Poseidon, puxava uma conversa fiada com os outros semideuses, que entraram no papo ao corresponderem com o assunto. O tema era a nova motocicleta vendida em algum estabelecimento comercial de Nova Roma, e enquanto os caras discutiam a beleza do veículo, as meninas pareciam dispersas entre si, apesar de estarem andando lado-a-lado por todo o percurso que já tinham feito. Com as mãos nos bolsos e o capuz do casaco cobrindo a cabeça, o filho de Morfeu repetia mentalmente o que caracterizava a missão: Ir até o lado sul de Nova Iorque, se infiltrar nas cordilheiras do submundo - abaixo das linhas de trens, na rede de esgoto - e procurar pelo item desaparecido. Um amuleto de pedra arroxeada, opaca e de aparente visual sem valor.

Suas propriedades mágicas não foram reveladas, mas Quíron tinha sido bastante claro em fazê-los entender que o manuseio do amuleto deveria ser feito com extrema delicadeza, ou algo de muito ruim aconteceria caso a pedra se ruísse. Dado o tempo em que estava perdido e a falta de cuidados específicos, o risco poderia se agravar em qualquer momento da missão. Riscando possibilidades, Reece e Sally estavam fora de cogitação, somados como filhos de Ares e Amazona, propensos a usarem mais força que o esperado caso resgatassem o item com as próprias mãos. Para não arriscar logo de cara, foram selecionados como os protetores do guardião do amuleto.

Uma rede submundana funcionando bem debaixo dos nossos pés. — Comentou sozinho, enquanto folheava algumas anotações importantes tiradas do mapa que carregava na mochila. Dentre os envolvidos na missão, Samuel era o único atento aos nortes que deveriam seguir, tendo estudado o que evitar e aproveitado sua falta de participação com habilidades que não se referiam aos atributos físicos para reunir a maior quantidade de informações sobre a rede de esgoto.

A caminhada durou cerca de seis horas, com algumas paradas para hidratarem os corpos e dar algum descanso aos pés conforme o trajeto se seguia. Vários outros assuntos foram surgindo, e enquanto Reece, Bastian, Sally e Amélia se entrosavam, Samuel analisava possíveis passagens para o destino final. Estavam no meio de uma estrada deserta, com a selva virgem de ambos os lados servindo como a única companhia além dos sons indescritíveis de alguns animais vivendo lá dentro.

O filho de Ares virou-se para brechar o que Samuel fazia, flagrando-o no momento em que findava a leitura da página correspondente aos pontos que deveriam evitar trafegar quando descessem para o esgoto. — Olha lá o esquisitão, não para de ler. É bem capaz de engolir a caderneta se a fome apertar. Quem duvida? — Uma rodada de risadas se inseriu logo após o que fora dito, e se o rapaz fosse pilhado o suficiente para rebater aquilo com alguma coisa diferente do silêncio que fez, seria com um “Pelo menos eu sei ler. E você?” Com toda a certeza provocaria a fúria no valentão, que possuía um terceiro joelho no lugar do cérebro.

Sally, apesar de rir tanto quantos os outros, empurrou Reece com o cotovelo para seguirem o caminho e parar a gracinha. O Mazlow não fez nada mais do que situar onde tinha parado a leitura e continuou, prestando atenção no caminho enquanto cruzava as informações com o mapa, agora dobrado numa das mãos e a caderneta na outra. Ainda tinham um longo dia de caminhada pela frente.


Terça, 11 da noite, confins do Brooklyn.
Dia 01


Sempre tomando as rotas coordenadas pelo GPS fornecido por um dos filhos de Hermes, o grupo - com exceção de Samuel - reinterava os planos e formulavam possíveis táticas para alcançarem o Southside o mais rápido que pudessem. No final do dia estavam entre as numerosas ruas do Brooklyn, serpenteando entre as sombras sem chamar a atenção dos ambulantes comuns, o que não se encaixava no padrão de criaturas disfarçadas, prontas para assolar a vida de um mestiço com sangue divino. O destino final era Brownsville, uma cidade com baixo índice populacional, com sua maioria de habitantes sendo negros e de renda inferior a um salário mínimo, mas, ainda que estivessem mais perto do que longe, tinham muito chão pela frente.

E se achavam que estariam isentos de qualquer interrupção no primeiro dia de missão, a ideia acabava de ser revertida para um free-lance monstruoso que os abordava na dobradura da 68ª avenida com a 43ª quadra do bairro, onde apenas um aterro se encontrava a alguns metros atrás, um vasto espaço que futuramente se tornaria um galpão de peças industriais em desuso e ninguém além dos cinco semideuses e agora uma estranha criatura de aspecto élfico se fazia visível.

Do meio da selva, seu corpo parecia transluzir uma aura esverdeada mais escura, que diferia do tom também verde de sua pele, mais claro e natural, quase como se um humano comum tivesse se pintado para alguma ocasião festiva temática. As nuances evidenciaram uma fêmea, com busto avantajado e um corpo escultural muito bem trabalhado. Suas unhas eram garras não tão grandes, mas tinham o tamanho perfeito para serem consideradas um perigo extremo. Seu corpo estava revestido por uma roupa de couraça com aspecto fortificado, como se fosse uma armadura, além das empunhaduras, o elmo e as botas de um metal reluzente e azulado desconhecido. Seus ombros e braços, como parte das coxas estavam desnudos, e num alerta mudo de probabilidade para um ataque inesperado, Samuel delimitou aquelas áreas como as que deveriam ser atingidas em primeira instância.

Adepto a se mover sem ser notado com facilidade, o semideus se aproveitou do fato de estar vários passos mais para trás e se inseriu entre as brenhas nebulosas da noite, escondendo-se rente aos arbustos da floresta. Sua preocupação se sobressaía conforme fazia algumas considerações, e em suma anedota, tentava encontrar mais criaturas como aquela ao tentar visualizar o perímetro até onde conseguia enxergar. De mãos trêmulas e sentidos nublados, o filho de Morfeu tentava controlar a respiração antes de qualquer coisa. Amélie e Bastian estavam lado-a-lado, próximos de Sally e Reece, que pareciam prestes a atacar em qualquer momento. Um erro, na visão diagnóstica do jovem camuflado na escuridão.

Nenhum deles se preocupou em olhar para trás e constatar o estado de Samuel, e ainda que isso pudesse lhe ferir os instintos, preferiu se concentrar na ocasião de real preocupação: O olhar cruel da elfa, que jogou para cima um tubo cilíndrico, que tornou-se uma lança ao se acoplar na palma da mão direita. — Arma mágica. — Ouviu Amélie, que apontou para a lança. A elfa deu um passo para frente, inclinando o rosto para a esquerda num movimento assustador, pelo menos para ele. Era como se analisasse cada interrogação antes de premeditar um gesto. Reece fez o primeiro movimento, correndo para cima da criatura numa irracional tentativa de golpeá-la. Restou para os outros gritar para que ele retornasse, mas já era tarde.

Com a lança apontada para o seu peito, a elfa o fez colidir contra um escudo invisível, sem precisar tocá-lo para repelir o ataque. A filha de Hécate começou a recitar um feitiço, e com poucos segundos de percepção auditiva, Samuel percebeu que nenhum barulho era possível de se ouvir por ali. Aquilo poderia ser uma vantagem para Sally, se sua formação de batalha fosse tão esperta quanto ela mesma sempre se mostrava. A amazona estava parada, de costas para a visão que tinha, e suas mãos fechadas em punhos condiziam com o temperamento alterado. Não era para menos. A falta de sons fez com que o Reece não percebesse o golpe dado contra sua cabeça, tirando-o a consciência quando tentou se levantar para enfrentar a oponente outra vez. Uma movimentação graciosa, quase perfeita, rápida demais.

Amélie recitou outro feitiço, concentrada em sua prática e resultou no surgimento da forma invisível da lança. Mais grossa que o visto sem a mágica, sua ponta possuía um tipo de dobradura, onde outra ponta mais grossa e plana se acentuava como uma bifurcação, perfeita para repelir um ataque. A observação não durou muito, visto que a inimiga atacou primeiro, desta vez, usando a lança para derrubar todos eles ao se mover tão rápido que nem mesmo ao olhar mais crítico fosse possível notar seus passos ágeis. — Rápida. — Como uma constatação óbvia, Samuel refletiu em sua postura. Não iria se manter escondido para sempre, precisava de uma estratégia antes de revelar sua presença. A palavra dita, no entanto, não se passava de um movimento de boca, uma vez que a cacofonia do ambiente continuasse vetada.

Sally, entre todos, era a que possuía o melhor reflexo e ao prever que estava para cair, segurou com força um dos braços da elfa, conseguindo derrubá-la junto. Amélie aproveitou o momento numa súbita ação, para bater com a mão na da criatura e tentar livrá-la da arma, o que resultou numa cabeçada. Atordoada, a bruxa sentiu a sua orientação fugir pela falta de assertividade na tentativa de desarme. Foi o momento perfeito para Samuel se revelar, furioso com a situação, ciente dos olhares das garotas a quem tentava prestar ajuda. Estava tomando tempo para a filha de Belona reordenar uma nova abordagem. Se estava ali para ser a isca, era a hora de agir como tal. Bastian parecia aflito, ainda que seu corpo bloqueasse a visão de Reece, testando seus sinais vitais.

A elfa não percebeu sua presença de imediato. A falta de sons propagou uma vantagem breve, já que a criatura estava caída de costas para onde apareceu, restando somente a sua furtividade como melhor arma para se locomover. Quando tentarem se levantar, o filho de Morfeu resolveu agir e numa rápida tentativa de movimentação, conseguiu chutar a coluna na região central no meio das costas daquela que se mostrava como inimigo, fazendo-a dar alguns passos para frente. A romana aproveitou o instante para golpeá-la com soco tão forte, que possivelmente pudera lhe deslocar o maxilar ou apagá-la, mas a elfa era resistente. Seu erro, no entanto, foi olhar para trás numa clara tentativa de saber o que tinha lhe acertado. Quando percebeu o rapaz, sua ira moveu-se para ele.

Samuel, ao contrário do que Amélie, Bastian e Sally esperavam, não se mostrou recuado ou amedrontado. A irritação era evidente em seus olhos, e por um momento sentiram um terrível medo, exatamente como o de quem teme fechar os olhos para não ter um pesadelo. Desviaram o olhar poucos segundos, absortos de que ele estava tentando ajudar, e quando a campeã élfica hesitou em atacá-lo, a bruxa e a amazona reuniram suas habilidades para refrear qualquer ataque em sequência. Uma esfera surgia na mão esquerda de Amélie, que lançou-a contra a oponente e lhe causou uma paralisia efetiva, enquanto Sally empunhava a sua espada pronta para desferir o golpe para finalizar a luta.

Seus olhos alcançaram os da elfa, que teve em mente a imagem sua própria morte ao constatar a esperteza daqueles mestiços em lhe capturarem com certa audácia. Samuel transmitia a imagem pela ligação mental enquanto sua presença aterrorizante provocada pela irritação do momento engatava a hesitação que lhe proporcionara a paralisia por meio de Amélie e o golpe fatal dado por Sally. Uma poeira esverdeada recobriu as semideusas quando a luta chegou ao fim, e por mais que pudessem ter acabado com o embate mais rápido do que poderiam esperar, suas forças estavam delimitadas. Reece permanecia desacordado, e quando a bruxa desfez o feitiço para silenciar o ambiente, o campista pôde ouvir o som de sua própria respiração descompensada. Estava cercado por uma sensação de adrenalina correndo no sangue, o êxtase em conseguir ser útil ao mesmo tempo em que saíam vivos daquele encontro.

Bastian, que tanto falou por todo o dia, apagou-se diante da encruzilhada. Estava agora tentando trazer de volta a consciência de Reece, que havia adquirido um corte na área atingida pela lança. Poucos arranhões recobriam os corpos dos heróis, que por sorte não tinham enfrentado nada além de suas incríveis habilidades. — Temos que sair daqui agora. Se ela não estava sozinha, logo outros irão aparecer. — Preocupado com o restante do caminho e as possibilidades de outros ataques, Samuel quis apressar a retirada daquele lugar. Sally ajeitou os cabelos para trás da orelha, assentindo, enquanto Amélie fazia o mesmo. Se reuniram para ajudar o filho de Ares a despertar, com uma bala de ambrosia sendo depositada em sua boca para uma recuperação acelerada. Todos comeram uma.


Quarta, 02 da madrugada, Brownsville
Dia 02


Ao chegarem nos limites de Brownsville, por garantias, decidiram juntos que era melhor alugar um quarto de motel barato onde poderiam passar o resto da madrugada e descansar um pouco. Com uma única vaga para um quarto barato, não pestanejaram em se acomodar e aproveitar o restante da noite para dormir. O quarto fedia a percevejos, o papel de parede era de um amarelo mostarda horrível, com flores nas bordas superiores e manchas de sabe-se lá o quê por todas as partes, além de buracos. O assoalho era tão velho que dava a impressão de estar se movimentando junto com os pés a cada passo que davam, e os móveis deveriam ser da época da segunda guerra mundial. Um frigobar zumbia com água da torneira nas garrafas para gelar, um pacote de cookies fora da validade e seis cervejas locais com gosto de urina.

O Mazlow era o único que realmente dormia, utilizando-se daquele método para uma cura mais efetiva de suas energias. Precisava se recuperar para garantir uma total performance caso precisasse se colocar ao posto de isca de modos aleatórios, e em seu desalento no sono noturno, não percebeu o olhar de admiração da amazona que reconhecia a sua honra em batalha. Se ele não tivesse agido, poderiam estar no palco de batalha nas mais diversas possibilidades de perderem para uma só criatura. Talvez ele não fosse tão inútil quanto imaginavam, mas, estavam embarcando para o segundo dia de missão, a data programada para o encontro do amuleto. Não se precipitaria em tirar suas conclusões ainda.

Não bebam a água daqui. Deve ter mais germes e bactérias do que em qualquer outro lugar. — Bastian suspirou ao fechar a porta do frigobar, depois de se acomodarem. Amélie e Sally dividiam uma cama de casal, enquanto Bastian estava num colchão perto da janela que dava para rota de saída principal para Brownsville, Reece dormia feito um urso no sofá povoado de poeira, enquanto o filho de Morfeu se instalou na cama secundária a das meninas.

Todos assentiram ainda que fosse um fato completamente transparente, após dividirem alguns dólares para pagar quatro pizzas e um refrigerante para se alimentarem. Estavam famintos e cansados. Dormir era uma boa tacada, ainda que os nervos estivessem flamejando pelo ocorrido. Não eram completos idiotas, é claro que um grupo de semideuses juntos despertaria a atenção de criaturas, e tiveram a sorte de lidar com uma de nível inferior aos que possuíam em combate.


habilidades inseridas:
as passivas de morfeu:
Nível 1
Nome do Poder: Aterrorizador
Descrição: A presença do semideus – quando esse estiver irritado - pode provocar medo similar ao medo de um sonho ruim.
Gasto de MP: Nenhum
Gasto de HP: Nenhum
Bônus: Pode fazer o inimigo hesitar durante um turno.
Dano: Nenhum
Extra: Nenhum

Nível 5
Nome do Poder: Regeneração do Sono I
Descrição: Toda vez que adormece o filho do deus dos sonhos pode recuperar boa parte de sua energia, mas se fizer isso em campo, também se torna vulnerável. Nesse nível consegue recuperar apenas uma pequena parte de sua energia, basta tirar um cochilo.
Gasto de MP: Nenhum
Gasto de HP: Nenhum
Bônus: Recupera 20 HP e 20 MP.
Dano: Nenhum

Nível 6
Nome do Poder: Furtividade I
Descrição: Assim como Morfeu/Somnia penetra sonhos sem ser notado, sendo inclusive considerado um deus bastante discreto, seus filhos também o são. Eles conseguem se mover sem serem notados com facilidade.
Gasto de MP: Nenhum
Gasto de HP: Nenhum
Bônus: +10% de furtividade
Dano: Nenhum
as ativas de morfeu:
Nível 3
Nome do Poder: Comunicação visual I
Descrição: Ao fitar os olhos de alguém pode criar uma ligação mental e se comunicar transferindo imagens para as pessoas, cenas não reais ou memórias. Nesse nível só consegue transferir apenas uma única imagem.
Gasto de MP: 10 MP
Gasto de HP: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum
Extra: Nenhum
as passivas de hécate:
Nível 1
Nome do poder: Detector de Magia
Descrição: Filhos de Hécate/Trivia sentem quando se aproximam de uma natureza mágica - seja outro filho de Hécate/Trivia, um feiticeiro, item mágico ou criatura que esteja sob o efeito de algum encantamento.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Sempre sabem quando estão na presença de outra pessoa com magia, item, ou monstro.
Dano: Nenhum
as ativas de hécate:
Nível 4
Feitiço: Obvolvere
Descrição: Usado para abafar o som de um local.
Gasto de Mp: - 10 de MP.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: Caso seja realizado durante a lua nova, há uma chance de +30% de que ele funcione corretamente.
Dano: Nenhum.
Extra: Com certo treino, pode ser usado de forma não verbal.

Feitiço: Aparecium
Descrição: Faz com que algo invisível se torne visível.
Gasto de Mp: - 10 de MP.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: Caso seja realizado durante a lua nova, há uma chance de +30% de que ele funcione corretamente.
Dano: Nenhum.
Extra: Com certo treino, pode ser usado de forma não verbal.

Nível 12
Nome do poder: Esfera Paralisante
Descrição: O semideus faz crescer sobre a ponta dos dedos duas mini esferas de energia arroxeada, e lança contra o inimigo, o membro que for atingido por essas esferas, ficara paralisado durante um turno inteiro ( o turno seguinte aquele que o semideus lançou a esfera), o que lhe dá uma chance maior de atacar.
Gasto de Mp: 10 MP por esfera
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: 5 HP por esfera
Extra: A paralisia dura apenas um turno, o seguinte ao que o semideus lançar a esfera.
as passivas de belona:
Nível 3
Nome do poder: Combate não Armado
Descrição: A prole da deusa Belona tem um vasto conhecimento sobre combates. Seu corpo e seu espíritos foram forjados para o combate. Assim, eles possuem a capacidade de luta corporal muito elevada, sabendo técnicas marciais mesmo que nunca tenha realizado uma aula sequer antes. As técnicas podem ser utilizadas para a elaboração de movimentos complexos, como mortais, piruetas, ataques acrobáticos e golpes que requeiram uma grande elasticidade.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum

Nível 6
Nome do poder: Hipercinese I
Descrição:  A hipercinesia é o controle completo e sincronizado da mente e o músculo. Em pessoas comuns há uma pequena quantidade de tempo entre o pensar e o agir. Os semideuses filhos de Belona possuem esse tempo bastante reduzido e, com o tempo, praticamente nulo. Graças a isso, sua mente e corpo tornam-se mais afiados e verdadeiras armas. O equilíbrio, a coordenação motora e os reflexos tornam-se cada vez mais perfeitos.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +15% em equilíbrio, coordenação motora e reflexos.
Dano: Nenhum
pré-visualização da criatura:
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adendo:
Uma outra parte da ccfy será postada depois, com a continuação. Achei melhor dividir pra não ficar corrido, cansativo pra escrever e pra quem vai ter que avaliar.






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Mensagem por Letus em Qua Jul 17, 2019 12:48 am


Samuel Mazlow


Método de Avaliação:

Valores máximos que podem ser obtidos

Máximo de recompensa a ser obtida: 4000 xp e dracmas

Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

Realidade de postagem + Ações realizadas: 49%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc: 16%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência: 29%

RECOMPENSAS: 3760 de XP e Dracmas

Comentários:
Vamos a sua avaliação, meu jovem. Começamos pelo fato de você estar fazendo parágrafos muito corridos, com vírgulas demasiadas e poucos pontos finais. No segundo parágrafo, por exemplo, um dos maiores da sua CCFY, você usou apenas dois pontos finais, o que é muito pouco para a quantidade de informação que você colocou. Esse erro se repete por todo o texto. Se posso dar uma dica, quando revisá-lo, tente fazer em voz alta, isso ajuda a enumerar a pontuação e não deixar o leitor sem ar.

Eu gostei bastante da parte da ação, inclusive acredito que você me fez realmente visualizar toda a ação da elfa. Ainda assim, pela falta de informações da mesma e considerando todo o grupo que estava presente, me pareceu que poderiam ter resolvido a situação de uma maneira mais rápida do que a que foi proposta no texto. De toda maneira, isso não irá gerar muitos descontos. No mais, parabéns pela CCFY excelente.

Atualizado por Hefesto
Letus
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Deuses Estagiários
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Mensagem por Samuel Mazlow em Qua Jul 31, 2019 6:27 pm

Roots before branches to know who I am
Há alguns dias Samuel vinha se acostumando com a nova rotina. Pertencer a um grupo e obedecer novas regras era um dilema benevolente, mas, o que vinha lhe perturbando de fato eram os sonhos. Logo ele, filho de Morfeu, vinha temendo a hora em que todos deveriam bater em retirada até seus respectivos alojamentos para o tão merecido descanso. Uma conversa discreta com a líder lhe proporcionou um encontro direto com Psiquê, uma vez que o sigilo entre o semideus e a deusa no momento de sua inserção ao templo repercutiam num nível de cuidados que - apesar de não exclusivo - era mais restrito, por enquanto.

Seus registros mentais vinham sofrendo alterações pelo próprio trauma sofrido anos atrás, repercutindo em comportamentos reclusos e crises de pânico acentuadas que lhe davam a imersão num mundo onde as paranóias poderiam contribuir para sua ruína. Cansado de não conseguir dormir e continuar escravo de seu passado, o mentalista se colocou na posição de trégua ao pedir o auxílio de sua patrona. Psiquê, por sua vez, provou-se digna de sua bondade ao acatar o chamado de sua criança com severos danos de épocas retrógradas arruinando suas chances de existir num futuro. Antes de ir de encontro ao semideus, a deusa lhe predestinou a passar por um ritual de preparação. Durante dez dias Samuel foi testemunha de suas próprias dores, pondo-se a prova de ferro enquanto lastimava os acontecimentos passados.

Nos primeiros dias, foi exposto ao que se recordava das lembranças mais altruístas de sua infância e adolescência, já com o conhecimento de que uma nova vida viria em poucos meses para mudar a solidão de não ter com quem brincar e compartilhar as melhores histórias. Do meio para o final do ritual, precisou lidar com a dolorosa parte de retornar ao passado e se conscientizar das atitudes indomáveis da própria mãe, tão perdida em sua culpa pela tragédia. Dentro de tamanha dor, Samuel foi capaz de enxergar além de seu sofrimento e prestar atenção nas dores de sua progenitora, tão mais magoada do que ele, afinal, fora a responsável por sua existência, cuidados e desleixos por toda a vida. Captando os traços e ações depressivas, o semideus foi imerso em lembranças que por anos tinha ignorado, evacuando de si toda a angústia trazida com a culpa para dar lugar ao remorso. Como poderia ter se permitido afundar e não ter percebido o que acontecia com a própria mãe?

Ao sair do ritual, uma mínima parcela de suas mágoas foram lavadas ao perceber que vinha sendo um completo egoísta com tudo o que repercutia naquele momento crucial de sua vida. Todo o processo ocorreu em seu dormitório, na presença da líder e ninguém mais além deles. Ali, toda a ciência dos problemas compactados por ele foram acessados pela mesma latina que o recebera junto de Psiquê no despertar já dentro do templo, com seu pedido de misericórdia sendo atendido pela deusa.

O Mazlow olhou dentro dos olhos de sua superior com uma expressão digna de pena, o que não veio por parte da outra.

Levante a cabeça. Nunca é tarde para reconhecermos nossos maiores erros e construir a solução mais adequada para as consequências. Você completou o ritual, está ciente do que precisa para começar o tratamento. Nossa patrona o espera no templo com tudo pronto para começarem imediatamente. — E quando fez menções para se afastar, Samuel segurou em seu punho, abraçando-a repentinamente.

Perplexa com o contato, a líder não fez nada além de manter-se no lugar e deixá-lo desafogar a impulsão naquele gesto. Compreendia as vertentes mais improváveis para aquele movimento, tinha acompanhado de perto as reações voluntárias e involuntárias de todas as fases do ritual, tomando notas mentais de seu desenvolvimento muito de perto. Em seu âmago de alguém com sua descendência submundana, Ariel Kahlfels sentia um pouco de empatia.

Perdão. — Se desculpou quando desvencilhou os braços do corpo magro e caminhou na direção do templo onde costumava realizar suas preces.

Quando as portas duplas se abriram vagarosamente, uma intensa luz refletiu em seus olhos. Como um método de contenção extra caso algum ou alguns de seus discípulos tentassem xeretar, Psiquê garantia a seguridade do procedimento destinado ao filho de Morfeu, que teve a visão liberada do incômodo poucos segundos depois após entrar no ambiente. A ornamentação diferia do que costumeiramente encontrava ali dentro, sendo espectador único das inúmeras velas acesas, um tapete branco enorme e almofadas também brancas completando a simplicidade daquele ambiente.

A deusa, no entanto, estava deslumbrante em um vestido verde turquesa esvoaçante, diferente do modelito que em muito parecia uma túnica quando se viram pela primeira vez. Seus cabelos pareciam chamas flamejantes flutuando na cabeça, a pele pálida, um sorriso calmante. Nada disse, ocupando-se em esticar a mão para ele, que aceitou de bom grado, ainda que sua expressão sofrida permanecesse intacta. Conduzido para se deitar no tapete, Psiquê ofereceu para ele o seu colo com o intuito de despertar uma maior intimidade; aquilo, de fato, não possuía intenções maiores do que o procedimento oferecia. Transmitir calma.

Feche os olhos e se concentre em minha voz, Samuel. — A voz da divindade era como morfina para suas dores, soando como sinos que traziam a boa nova.

Assentindo, fez o que foi pedido, cerrando as pálpebras para estabelecer o maior nível de concentração que pudesse ter naquele momento. Cerca de um minuto depois, sentiu a ponta dos dedos dela encontrarem suas têmporas, incitando a quietude e tranquilidade dos pensamentos entorpecidos por tudo o que tinha passado no ritual.

Inspire e respire até se sentir mais calmo. Vamos voltar ao passado, juntos, para onde o seu trauma é mais for….

Não, por favor. Não. Eu n….. — Agitado, se recusou a retroceder até o ponto onde tudo lhe funcionava como o fim dos tempos.

Se tens a mim do teu lado, criança, não temas. Por dez dias e dez noites tu esteve se preparando para esta hora, seja tu a tua própria resiliência. — Fechando os próprios olhos, Psiquê transmitiu pela ponta dos dedos um estado de paralisação que não o permitia ser dominado pela agitação dos nervos. Caso fizesse algum esforço, seria capaz de se livrar daquilo, mas conforme os segundos passavam, a deusa inseria a transmissão toda a calma que ele precisava para começarem.

Transtornado, sentia o corpo dominado pela entidade que tinha o propósito único de ajudá-lo naquela noite. Estava ali, com a fé abalada e o coração batendo tão forte e rápido quanto o de um equino. Havia sido acolhido por ela, sustentado em sua primeira queda do precipício frente a alguém. Psiquê havia lhe confiado parte de suas habilidades, era a hora de se mostrar como um verdadeiro mentalista. Tudo o que precisava fazer, era confiar.


Transe

A isca estava perfeitamente encaixada no anzol. Um sorriso se fez nos lábios do rapazote, que com muito trabalho havia conseguido a perfeição. O tio Ben estava ali, de perto, tirando do cooler duas latas de refrigerante e quando se aproximou, o parabenizou pelo bom trabalho. A recompensa esperava em casa. A bicicleta que tanto queria finalmente estava a poucos metros de seu alcance, aguardando pelas inúmeras voltas e quilômetros para se fazer. Era uma tradição de família acampar nas margens do rio de prata, na Carolina do Norte, onde passavam as férias.

Quatro anos depois, Samuel erguia a vara de pesca tão rápido quanto um verdadeiro homem do mar. A habilidade desenvolvida com os anos era fruto de várias e várias tentativas e muitas recompensas dadas pelo tio Ben, que o observava de longe, sentado com o tabaco sendo mascado e o velho refrigerante suprindo o vício alcoólico curado há duas décadas. Ao seu lado, Ellana abria o típico sorriso capaz de derreter até os miolos do Mazlow mais velho. Um dente faltando, covinhas aparecendo, alegria contagiando a face.

Você é o homem mais rápido do mundo, Sam! — Proferiu, agarrando-se a uma de suas pernas.

Ele, cercado pelo carinho inocente de sua irmã, soltou a vara e ergueu do chão o corpinho da criança de sete anos. Ela era tão esperta, tão linda. A parceria entre eles tinha um fundamento genial, baseada no cuidado de um irmão mais velho protetor que fazia de tudo para ver a sua princesinha feliz. Ellana via em Samuel o reflexo do pai que nunca teve e não sentia falta, apesar das perguntas constantes sobre quem deveria ser o responsável pela sua procriação junto da mãe, Helena. O sorriso alargou nos lábios da menininha, que ria com os beijos recebidos, abraçando-o pelo pescoço ao prender bem as pernas em seu corpo.

Ataque de beijos na princesa mais linda desse mundo! — Entre beijos e risadas, todos estavam completamente encantados com aquela irmandade. Apesar da descendência paterna misteriosa e desconhecida, ambos carregavam o gene Mazlow, de bons modos e convivência. Eram incapazes de proferir uma só desavença ou lembrança de maus bocados entre os parentes, e eram o melhor reflexo de toda a essência dos laços que seus familiares tiveram e ainda tinham uns com os outros.

Ellana, meu amor. Venha cá! Está na hora do seu xarope. — Curando-se de uma gripe chata, Ellana precisava se medicar de seis em seis horas e garantir o efeito dos antibióticos, e ainda que se desprender dos braços de seu super-herói fosse doloroso para ela - e para ele também - a garotinha gostaria de melhorar em cem por cento.


Atualidade

Olhe bem ao redor, veja como todos estão felizes. Essa é a esfera constante entre você e sua família. Sinta o calor agradável do sol, olhe como seu tio observa vocês. A água do rio está tranquila, o vento acaricia seu rosto e da copa das árvores pássaros ressonam num cântico primaveril. A estação está para mudar logo, mas isso não afeta nada. Você está começando a sentir os olhos pesarem. A viagem foi longa e não teve descanso o suficiente.



Transe

Buscando a vara caída aos seus pés, Samuel prendeu a isca uma outra vez para garantir que tudo estivesse em ordem. Em sua cabeça, uma leve dorzinha o fez perder um pouco do foco para olhar para trás. Todos estavam sorrindo, conversando e brincando. Ellana estava tomando o remédio quando percebeu que estava sendo observada e acenou ao encontrar com o olhar precavido do irmão. Logo logo estaria perto outra vez. Na mesa de madeira ao melhor estilo de piquenique, várias guloseimas estavam espalhadas para acalentar os estômagos vazios e apaziguar a preocupação com o que comer mais tarde. Tudo era muito bem organizado para terem o mínimo de trabalho, e fora a diversão dos mais velhos que se dispunham a jogar truco, dominó e xalingo, a pesca vinha como um hobbie tranquilizante para os que não entendiam muita coisa entre os adultos.

Tio Ben não cansava de trapacear e enganar a tia Sonia, que caía nas falcatruas do irmão enquanto todos os outros riam aos montes. Helena era sua cúmplice de mutretas, e ao final dos jogos, eram sempre os charlatões vencedores. Sam gostava de observá-los uma vez ou outra, cercado pela aura de felicidade que orbitava sempre que estavam todos juntos, ou até mesmo separados, cada um em sua devida residência. Sempre ligavam uns para os outros, perguntavam sobre os tempos e agendavam novos encontros. Se posto em papel, seriam dignos de uma boa história literária.

Quando lançou o nylon com o anzol para dentro das águas escuras do rio de prata, Samuel se manteve inerte por alguns minutos. Não tinha reparado que estava cansado da viagem, quando começou a tirar breves cochilos ao sentar na cadeira praiana na espera da primeira isca mordida. O boné dos Yankees escondia o rosto petrificado num sono repentino de Sam, que apagou completamente poucos minutos depois. Enquanto isso, Helena caçoava da ingenuidade de Sonia e Ellana perseguia uma borboleta rosinha, se distanciando sem ser percebida. Pela família, mas não pela sombra que espreitava no relento da selva calma sem que ninguém notasse. Há dias vinha campinando a clareira e notou a chegada dos Mazlow.

Se passou por um bom samaritano vendedor de contos, captando a perseverança e alegria motivar a família em cada ação. Teria um trabalho difícil em ser discreto. Precisava esperar uma falha. Um momento crucial. E quando teve, não perdeu tempo.


Atualidade

Consegue sentir o peso de seu corpo? Você precisava dormir um pouco, sempre foi muito fácil sentir sono. E quando sentia, não percebia que estava tão cansado. Era o melhor método de renovação para suas energias. Era uma necessidade dormir.

Os lábios de Samuel se comprimiam com força. O rosto estava adornado pela tonalidade rubra consequente do terrível esforço para tentar não chorar. Ali começava a tormenta, a dor. O real sofrimento. A voz de Psiquê, ainda que transmitisse calma, não era forte o suficiente para atingi-lo com força total. E aquela era a real intenção da deusa. Estavam ali para ele iniciar o processo de cura. De perdão consigo mesmo. Amansá-lo ela mesma não traria nenhum resultado futuro.

Eu tinha que estar acordado…. — A voz do semideus não passava de um sussurro choroso, com uma fina liga de saliva aparecendo e sumindo rapidamente no movimento da boca. Estava lutando para se conter. Todo o seu corpo parecia começar a esquentar, como se a temperatura febril estivesse vindo para lhe arrebatar.

Sua cabeça pesa, seus sentidos não estão ao alcance e tudo o que você pode fazer é se recuperar. Não existiam forças para mantê-lo acordado. Como você se vê útil estando acordado, sem forças para nem mesmo piscar os olhos caso estivessem abertos?

O silêncio se fez por vários minutos. Em tentativas débeis de se pôr em consciência, começava a perceber que de nenhuma maneira poderia ajudar, senão, após dar ao corpo um pouco de energia. Helena deveria estar prestando atenção, já que estivera de costas ao ocupar o posto de pescador na cadeira praiana. Era do conhecimento de sua mãe que costumava cochilar sempre que tomava aquela posição. Não a culpava por ter os seus poucos minutos de diversão, ao desviar a atenção da filha que nunca lhe dera algum transtorno ou desobedecera alguma ordem. Foram poucos minutos, mas o necessário para um filho da puta implantar o mal. Lembrava-se de despertar quando a noite começou a cair, quase uma hora depois de tudo.

Respire fundo. Inspire. Solte o ar pela boca devagar, sem pressa.


Transe

SAMUEL, ACORDA, PORRA!!!!!!

Aos trancos, Samuel despertou com o rosto de Tio George muito perto. Lágrimas alertavam uma situação fora do comum, e logo estava ouvindo e vendo tudo devagar demais. Muitas viaturas estavam nos confins da propriedade, oficiais conversavam na mesa de piquenique agora vazia, com um mapa aberto e traços sendo feitos ao redor do perímetro daquela zona. Uma ambulância fechava as portas, com tio Ben sofrendo um infarto e sendo socorrido às pressas.  

O que aconteceu? O que o tio Ben tem?

Foi a Ellana! — A voz do tio George estava grave demais, lenta ao ponto de soletrar cada partezinha numa separação de sílabas, exatamente como acontecia em filmes. Tudo no momento em que percebeu a falta de Ellana.

O desespero transmitido pelo pranto de Helena, caída ao chão nos braços de tia Sonia, que também chorava, angustiada. As mãos fortes de Sam encontraram o casaco de seu tio, pegando-o com tanta força que o levantou poucos centímetros do chão.

ONDE ESTÁ A MINHA IRMÃ? ONDE?!?!?! — De olhos esbugalhados e raiva crescente, se dava conta do terror psicológico que acabava de se inserir numa família que deveria permanecer cercada somente pela felicidade.

Ele a levou. — Tio George estava amuado, choroso. Fraco.

Assim como Samuel, que o soltou de repente, dando passos para trás. Alguns guardas se aproximaram para intervir, cientes da periculosidade de um homem desesperado. As mãos cobriam a arma de choque, prontos para agirem caso a situação se agravasse, mas dada a sensibilidade do momento, não podiam agir com violência. Precisavam acalmar a família, ainda que isso parecesse impossível no momento. Seus olhos encontraram o primeiro oficial, mais a frente para tentar dar a retaguarda ao seu parceiro, se fosse preciso. Um panfleto estava em sua mão livre e ao entregá-lo para o jovem, foi testemunha do choro que lhe ocorreu em seguida.

Não, não, não….. Por favor, me diz que não é verdade. — Tremendo, quase cinco minutos depois de fitar o panfleto e abrir buracos causados por suas lágrimas frequentes despencando para o papel, ergueu o rosto para encará-lo.

Procurado: John Sprouse, 55 anos, psicopata. Responsável pela morte, cárcere e estupro de 12 crianças. Recompensa para qualquer informação sobre o paradeiro do meliante. Taxa de cinquenta mil dólares para quem conseguir entregá-lo para a polícia, vivo ou morto.

Amassando o papel, recebeu a negativa do oficial.

Não podemos confirmar ou negar nada, mas os vizinhos viram uma movimentação estranha esta tarde. Vocês o viram por aqui?

Samuel não conseguia mover um centímetro do corpo.

Sim, ele veio nos oferecer contos mitológicos há alguns dias. Já contamos tudo ao detetive.

Certo, irei reportar isso aos outros também. Qualquer informação para um de nós é valiosa.

Tudo o que conseguia sentir no momento, era fraqueza. Sentia-se fraco por ter dormido. Por ter desviado a atenção de sua irmãzinha. Em seu desespero, tinha a imagem de seu corpinho sendo carregado pelo infeliz Sprouse, para longe da vista de todos, intencionado para fazer o mal sem pensar em consequências futuras. As lágrimas caíam de seus olhos como se fossem a correnteza do rio de prata. Estava próximo de um surto. De matar com as próprias mãos caso o encontrasse.


Atualidade

…..perte. Agora. — O fôlego pareceu lhe faltar, e quando abriu os olhos, estava aos prantos no colo de sua patrona.

Por todos os anos reprimia a dor da perda que o dilacerava por dentro, suprimindo a falta de Ellana com novas amizades, tentativas de encontrar um band-aid que coubesse no buraco da ferida, mas nada era suficiente. Nada era o bastante.

A primeira parte do processo é você botar pra fora toda essa dor. Chore, minha criança. Lave as mágoas da sua mente. Eu estou aqui.

E por longos minutos, ali, no templo da alma, Samuel fez a sua versão mais recente do rio de prata; em lágrimas. Não na Carolina do Norte, mas sim, no lugar onde encontrara uma salvação para a mente. Onde o refúgio acalentava seu pranto. Mais uma parte de sua dor era exorcizada com a memória sempre evitada, aturdida, não trabalhada como deveria.





cuts

will 
always
leave you scared

Samuel Mazlow
Samuel Mazlow
mentalistas de psique
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Idade : 22

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Mensagem por Letus em Qua Jul 31, 2019 8:10 pm


 Samuel Mazlow


Método de Avaliação:

Valores máximos que podem ser obtidos

Máximo de recompensa a ser obtida: 6000 xp e dracmas

Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 18%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

Realidade de postagem + Ações realizadas: 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc: 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência: 30%

RECOMPENSAS: 5880 de XP e Dracmas

Comentários:
O mesmo caso da última avaliação se repetiu algumas vezes. Porém você melhorou bastante nesse sentido. Só atente-se a pontuar a mais e virgular apenas quando o sentido da frase não puder ser finalizado. No mais, parabéns pela evolução e continue assim.

Atualizado por Minerva
Letus
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Deuses Estagiários
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Mensagem por Samuel Mazlow em Qua Set 11, 2019 12:19 pm

Devil take it all with no shame
Let me lay till I'm done bleeding
De acordo com a passagem dos dias e a maior sensibilidade de Samuel, Psiquê vinha realizando pequenos procedimentos que para qualquer outro seguidor soava apenas como mais uma de suas visitas ao Templo para coletar o que lhe era confidenciado. A atenção compartilhada era expressa com o atendimento gentil e reconfortante, mas o filho de Morfeu era o único a saber os porquês daquelas atitudes em tão pouco tempo. Estava sendo preparado, vigiado pela líder que se responsabilizou por sua dinâmica individual para lidar com o passado vindo à tona. O rapaz estava apreensivo, visto o encontro marcado no Templo, onde passaria por mais um momento atordoante, mas essencialmente preciso para a conquista da cura interna.

Por parte do dia cumpriu com os afazeres de um mentalista, unindo-se aos demais logo pela manhã, no momento decretado como oficial para a atividade em grupo. Em seguida, os comes e bebes foram servidos no refeitório, de onde partiram para a sala de oficinas e treinamentos após estarem saciados e bem nutridos para o restante do dia. Samuel não podia evitar sentir a preocupação tomar conta, sabendo que naquela noite teria muito mais trabalho do que nas outras buscas pelo passado, o que de certo modo lhe deixava num estado de distração fixo, sem nenhuma motivação externa para se focar em outra coisa. Desculpava-se quando colidia com alguém ou simplesmente não concluía o que deveria estar sendo feito, e por determinação unânime, fora dispensado das atividades para o restante do dia.

No final da tarde tentou dormir um pouco para descansar, mas não conseguia pregar os olhos por mais de dois minutos sem reabri-los. A ansiedade o impedia de realizar qualquer simples ação sem o lembrete de que em poucas horas estaria mergulhado nas lembranças que evitava a todo custo, que vinham sendo trabalhadas conforme a sua mente exercia a função principal para uma tentativa de cura. Quase sempre engolia em seco, suando frio ou impedido de se mover por alguns segundos, tamanho o nervosismo para aquela fase do procedimento em progresso. Não havia muito o que fazer, se não esperar pela hora em que tudo viria à tona, e foi o que fez pelo restante do tempo.

Era madrugada quando se encaminhou até o Templo da Alma. Tudo estava silencioso, dada a hora equivalente ao sono precioso de todos os outros mentalistas. A própria Psiquê havia criado uma redoma para concentrar os sons das grandes portas para dentro, e quando Samuel as empurrou, teve a mesma visão das outras vezes. A deusa esperava por ele entre as almofadas espalhadas no chão, por cima de um tapete felpudo confortável, com um sorriso tranquilizante. Suas mãos tremiam um pouco, ou talvez mais do que isso, mas ainda sentia que tinha controle sobre si mesmo, importante consideração que o levara a dar os passos restantes até onde deveria estar nas próximas horas.

Samuel, minha criança. — Quando se deitou, recebeu o toque singelo dos dedos quentes de sua patrona sob as têmporas, sentindo-as relaxarem com o contato.

Parte do nervosismo e da ansiedade se esvaíram após o gesto, e quando pôde respirar melhor do que antes, prontificou-se para o início do tratamento daquela noite. Psiquê nada disse, mantendo-se em sua postura acolhedora até o momento em que previu ser o correto para iniciarem a busca pela cura. Ansiava o fim daquele encontro para analisar as reações de seu seguidor, que reviveria momentos dolorosos o suficiente para derrubar o maior dos homens.

Respire fundo três vezes. — Indicou, o incitando a fechar os olhos e manifestar a indução para darem o início oficial.

O filho de Morfeu correspondeu ao comando, puxando o ar para os pulmões três vezes. Na primeira, sentiu o corpo descansar naturalmente, apesar de não ter sido algo de sua própria manobra. Na segunda, clareou a mente das preocupações até o momento em que passou a não pensar em mais nada. Na terceira, os olhos pesavam tanto que mal podia segurá-los abertos por mais que um segundo, relutando de início. Um clarão libertou-o daquele corpo, levando-o até as redondezas de suas obscuridades mais íntimas.


TRANSE

O perímetro foi coberto, alguns residentes relataram movimentações estranhas na direção norte, perto da nascente do rio de prata. Nossas unidades estão se aproximando. — O oficial relatou, e apenas o próprio Samuel e o tio George estavam dispostos a acompanhar tudo.

Helena repousava em seus aposentos sob o efeito de sedativos agressivos, com tia Sônia se ocupando em nutri-la com água e comidas pastosas conforme as horas se passavam. O restante dos parentes se dividiam entre acompanhar tio Ben no hospital e prestar assistência a dupla que não arredava o pé de perto das buscas policiais. Mais do que nunca, estavam próximos de encontrar o suspeito principal de todo aquele drama e detê-lo, mas precisavam de cuidados específicos para evitar qualquer fuga ou participação de um dos integrantes da família da vítima por intervenção inesperada, como quase sempre tendia a acontecer em casos parecidos.

Aqui é Eric Doyle, estou no perímetro norte. Encontramos! — O ruído do walkie-talkie via satélite dos policiais quebrou o silêncio colossal, alertando não somente Samuel, como todo mundo que tinha ouvido.

Todos ergueram-se da mesa de piquenique para se aprontarem, e apesar das tentativas para seguirem sozinhos, os oficiais não poderiam negar a ida dos dois parentes que se disponibilizavam a fazer o reconhecimento da vítima que, apesar da frágil ocorrência, tinham fiascos de esperanças de ainda ser encontrada com vida. Samuel vestia a bermuda de veraneio preta e uma camisa verde musgo que tinha pegado diretamente do varal. Nas cegas tateou seus pertences em busca da carteira e sem condições de dirigir, falou com os policiais para ir em uma das viaturas em companhia do tio George, que também se candidatava a ir junto.

Escutem. Eu não posso imaginar o quanto isso pode estar sendo ruim pra vocês, mas não importa a situação que vamos nos deparar lá, vocês não podem interromper a ação policial ou isso pode acabar muito mal. — O oficial Paul foi direto, trabalhando com a psicologia que fora treinado a moldar em cenários como aquele.

Nenhuma palavra foi dita em resposta, mas George Mazlow assegurava com um gesto de cabeça que tudo sairia como o esperado, ou assim ele correspondia ao que era dito. Samuel nem mesmo piscava. Encarava o couro do banco do carona com tanta atenção, que se fosse personagem de um dos HQ’s da DC Comics, estaria abrindo um buraco causado por algum poder de raio laser ou coisa parecida. O trajeto durou vinte e cinco minutos numa velocidade superior a 120km/hr, visto a probabilidade nula de um tráfego preocupante durante o caminho por aquelas horas. Já se passava de meia noite e quarenta e dois, estava frio, e além da negritude entre a floresta e a rodovia, ninguém ousava se afundar por aquelas profundezas nem mesmo de dia, quem dirá pela madrugada.

O walkie-talkie providenciava as ações em andamento, para efetivar uma comunicação implacável. O tenente Eric estava a frente do caso, e já havia invadido a propriedade, agora vazia. Quando chegaram, não foi difícil de encontrar a movimentação absurda do lado de fora, onde quatro policiais prendiam e lidavam com a loucura aparente de John Sprouse, o psicopata pedófilo.

É ele. — Tio George sussurrou, com fraqueza recobrando seus sentidos. Era o mesmo homem que se passara pelo bom samaritano vendedor de contos. — É ele!

Os policiais realizavam os procedimentos para aprisioná-lo, mas o homem tinha força e era difícil mantê-lo no cercado formado para evitar uma fuga. Uma camisa de força aguardava, junto de uma equipe psiquiátrica que entrava em ação ao sinal de Eric, que se aproximou dos parentes com o rosto pálido, suado, e nenhum brilho nos olhos.


ATUALIDADE

Perceba como todos estão apreensivos. Mas, o mais importante, é o que se passa bem diante de seus olhos e não é visto. O tenente Eric já esteve em seu lugar. Clary, sua sobrinha, também foi uma das vítimas. — Psiquê o incentivou a deixar um pouco de lado a observação insistente em si mesmo.

Todo o cenário era importante.

Nenhum som escapou da garganta ou dos lábios de Samuel, que se prestou a fazer o que era dito. Podia visualizar parcialmente o rosto do tenente, mas não conseguia reconhecer o sofrimento de alguém que pudera estar em sua posição em outras épocas. Talvez fosse pelo exercício da profissão, mas um ente querido fora impedido de continuar a viver por conta de um psicopata. Por conta de um homem que estava a menos de dez passos de distância.


TRANSE

Onde está a menina? — Eric se aproximou dele, e após a constatação de que nenhuma resposta seria dada além das risadas macabras e olhar desvirtuado destinados a Samuel, que o encarava de punhos cerrados, o tenente autorizou a busca por dentro da propriedade, mais uma vez.

Seu…. — Antes que pudesse dar mais um passo para frente, uma mão espalmou o peito de Samuel, mantendo-o no lugar.

Fique aí, rapaz. Não dificulte sua situação, meliante. Onde está a menina? — O espectro do Samuel que observava a situação através da indução conseguia ver, agora, retalhos do ódio contido nos olhos do tenente Eric.

A forma em como sua mão esquerda estava fechada em punho, apertando a ponta dos dedos na palma com tanta força que começavam a formigar, lembrava-o da pouca resistência ali. A respiração do tenente era curta, descompensada, e sua mente mal podia parar de calcular quantos tiros poderia acertá-lo em um segundo. Só um. Encará-lo lhe remetia lembranças danosas de uma primavera amaldiçoada por toda a dor que ele trouxera, mas, precisava lembrar a si mesmo constantemente de que não podia agir conforme o seu lado pessoal queria.

Daquele ângulo, o de único sofrendo, Samuel podia enxergar melhor a dor do próximo. Talvez estivessem sentindo a mesma coisa, talvez menos ou mais, era difícil dizer. No entanto, Eric, George e o mentalista estavam mais próximos de saber o imenso significado de estar ali, contendo-se, sabe-se lá como.

Ela era apetitosa, igual a outra. A que se parecia com você, tenente. Foi divertido matá-las, mas antes é claro que eu ia fazê-las de sobreme…. — John provocou, e no segundo seguinte o agravo se instalou.

Samuel partiu para cima, acertando-o com um soco tão forte que lhe tirou sangue da cara. Não importava a dor no pulso e nos dedos, não importava o aviso do oficial no carro. Tudo o que queria era matá-lo ali mesmo e vingar-se com uma brutal violência.  O nariz entortado do sujeito lhe rendera um sorriso ainda pior, o que situava no jovem Mazlow uma raiva descomunal, além da dor. Ellana estava mesmo morta.

Tirem-no daqui, agora! — Eric ordenou, entrando em ação a segunda equipe reserva no local. A médica.

Sedado, Samuel mal sentiu a fisgada entre as costelas, tomado pelo ódio que o fazia enxergar tudo em tons carmesim. Poucos minutos depois, estava perdendo o foco de visão, a fala embolada perguntava ao tio George o que estava acontecendo, o pedia para não deixar o sujeito sair vivo, mas pouco era compreendido. Quando a cabeça pesou e o jovem perdeu a consciência, tudo ficou escuro.

Por todo aquele tempo.

Quando despertou, foi intimado a fazer a coisa mais dolorosa em toda a sua vida. Não havia preparo para uma perda de um ente querido, nem aviso prévio de que o mundo estaria desmoronando nos segundos seguintes. Não existia força ou mente capaz de deixar as barreiras de pé. George não teve coragem, Helena mal passava dois minutos consciente, Ben lutava para se recuperar da parada cardíaca, Sônia não conseguia se mover além do necessário.

Alguém precisa fazer o reconhecimento do corpo, tenente. — O oficial Paul surgiu no foco da visão turva do jovem, que retornava a sua consciência lentamente.

Eric assentiu, dispensando-o. Estavam na ambulância, ainda na reserva da propriedade do psicopata.

Samuel, certo? — Conferiu o nome entre os poucos papéis que segurava.

Pacientemente, aguardou a retomada dos sentidos do Mazlow mais novo. Porém, não podiam esperar demais. John Sprouse estava a caminho de uma clínica psiquiátrica, onde seria julgado e condenado por todos os crimes cometidos.

Escute, Samuel. Eu sei o quanto isso é ruim, e acredite, nunca melhora. Mas….. Alguém precisa reconhecer o corpo. Outros dois estão lá e seu tio não teve coragem de entrar. Resta você, ou precisaremos de outra pessoa para isso. — Existia cansaço no tom do tenente Eric, mas também pudera encontrar um quê de compaixão ali.

As lágrimas escorriam sem o seu consentimento, acreditando estar lidando com demônios que lhe tiravam tudo sem pena. Seu chão, sua felicidade, sua irmãzinha. Precisava fazer isso por ela. Conseguiu apenas assentir, erguendo-se ao ter a afirmativa do médico responsável pelo preparo do sedativo. Um outro estava sendo prontamente formulado para o que viria a seguir.


ATUALIDADE

O choro havia começado, e todo o rosto de Samuel transmitia a dor sentida no âmago. Psiquê o observava, conectada com o que sua criança sentia. A verdade daquela dor era tão profunda, que nem mesmo ela poderia se ver capaz de reagir diferente dele, naquele estado.

Chore. Bote para fora, deixe-se lavar e com isso, exorcizar a sua dor.


TRANSE

Os passos dados até as escadas rangentes e desgastadas foram difíceis. A iluminação fraca tremeluzia de um candelabro do lado de fora, e a cada vez que se colocava mais para frente, podia observar com poucos detalhes as arranhaduras na entrada da casa, na porta. Não queria imaginar, mas sua mente não conseguia impedi-lo de pensar que alguns daqueles arranhões pudessem ter sido de Ellana. De outras garotinhas mais novas que ela. Samuel estacou no meio da escada, atormentado pela imagem de sua irmãzinha sendo arrastada até aquele maldito lugar com cheiro de mofo e sebo.

Eu…. — As lágrimas impediam sua visão de encontrar claramente o destino do próximo passo, mas o tenente Eric estava ali, do seu lado, orientando-o a continuar, lhe prestando alguma ajuda.

Vamos. Eu estou com você. — Confortou, mesmo sabendo que nenhuma palavra teria realmente aquele sentido. Nunca.

Fraco, levado pelo tenente, Samuel entrou na casa. O forte cheiro de coisa podre açoitou seu nariz, ao mesmo tempo que os olhos se irritavam com o acúmulo de poeira. Os móveis tinham um aspecto velho, e muitos tinham pedaços faltando ou remendos visíveis muito mal feitos, ensebados e oleosos. Restos de comida, latas velhas, farelos e outras sujidades encobriam uma visão inicial, mas não eram capazes de vedar as manchas no carpete furado. Manchas de sangue seco. Muito sangue.

Na lareira, ganchos estavam pendurados. Neles, jaziam roupas surradas, sujas de sangue, com pedaços faltando. Apenas uma se destacava mais do que as outras, limpa, ainda com o cheiro de amaciante. Não precisava chegar mais perto para saber que o vestidinho rosa pertencia a Ellana. Era o mesmo que ela usava quando fora levada. Tirada a força de sua vida. A dor era tão grande, que podia sentir o coração se desestabilizar, assim como a visão não conseguia prender um único segundo só sem ser interrompida pelas lágrimas. As mãos e as pernas tremiam muito, e já não era mais seguro dar um passo sem um sustento, por isso, Eric o segurou pela cintura.

Quando, por fim, chegaram ao quarto imundo onde o psicopata praticava suas brutalidades, Sam desmoronou de vez. Entre os outros dois corpos, jazia Ellana, pálida, com os cabelos cobrindo o rosto cortado. Todo o seu corpo tinha sinais de violência, com marcas arroxeadas e hematomas sérios. Sangue ainda secava entre suas pernas, no chão próximo de suas partes íntimas, além dos rastros por todo o corpinho. Sinais claros de estupro.

Caiu de joelhos, sem se importar com a dor do impacto ou as sujidades ali dentro. Tinha feno espalhado por todos os lados, correntes, armadilhas de caça, e mal podia acreditar no que a mente daquele sujeito tinha para fazer uma brutalidade daquelas contra uma criança. Alguém que mal podia se defender. Já não conseguia sentir nada além da dor que o rasgava de cima a baixo, desorientando tudo o que lhe restava. Eric não precisava ouvir uma confirmação verbal para o reconhecimento, sabendo bem que tipo de reação era aquela. Seus olhos estavam cheios de lágrimas também, apesar das incessantes tentativas de se conter. Não existia ser humano capaz de aguentar aquela visão sem ser tomado pelo horror.


ATUALIDADE

O corpo do mentalista se chacoalhava nos braços de sua patrona, enquanto os gritos ecoavam dentro do templo protegido pela blindagem sonora. A dor, apesar de expansiva, era posta para fora do jeito mais difícil, mas o único com providências para uma cura futura. Samuel agarrava seus braços com toda a força, que em nada era efetiva, enquanto seu âmago se desfazia várias e várias vezes. Sua aura de tranquilidade e calmaria começavam a alcançá-lo, mas eram mínimas, perto da tormenta daquela vivência.

Você não estava lá sozinho, Samuel. Eric não o deixou nem por um segundo. Ele mesmo confrontava sua dor, lembrava-se de Clary. De encontrá-la naquele mesmo lugar. No lugar onde ele jurou não mais pisar.

Ainda que o filho de Morfeu tentasse se orientar no que era dito, não conseguia muita clareza em suas tentativas. Era dor demais para prestar atenção em outra coisa. Mas, era para isso que estava ali. Para conseguir enxergar o que lhe passara despercebido. Levou tempo para conseguir um ponto de foco, foram várias tentativas, várias crises do choro recorrente até conseguir segundos de concentração. Soluçava, mas respirava fundo quando podia.


TRANSE

Em sua posição de terceira pessoa no cenário, desviou os olhos para Eric, que não parava de fitar os três corpos no chão. Agora, podia sentir a dor cósmica reverberando em seu corpo, quase como se sua aura estivesse explodindo diante de seus olhos. Ele havia prometido não entrar naquele lugar, mas estava ali. Estava ali para lhe dar algum suporte e não só para cumprir uma função determinada pelo seu trabalho. Mais do que ninguém, sabia o que era passar por aquilo e não ter ninguém para segurá-lo. As rachaduras das memórias se reabrindo, seguradas pelo simples considerar de que alguém estava tendo que viver o mesmo sofrimento que passara. Que mais duas outras famílias teriam aquela visão horrível.

A equipe médica fora orientada a sedá-lo outra vez, ao ser retirado com muito esforço de perto do corpo de sua irmã. Da pessoa que mais amou no mundo todo. No meio do caminho, Samuel viu o que não estava esperando. Eric ficou para trás, e antes de ser tirado bruscamente do transe, ambos se encararam. Para o tenente, o nada estava ali, mas não era exatamente o que via. Longe da vista de todos, revivia os tempos felizes em que Clary alegrava seus dias, correndo e brincando com Toy, o labrador por quem era louca. Apesar da imensa dor, havia algo mais no olhar que o filho de Morfeu não podia constatar com clareza.

Era como se…… Ele suportasse.


ATUALIDADE

O choro não havia cessado, mas a intensidade estava menor. Samuel ainda se encontrava imóvel, segurando um dos braços de Psiquê como se sua vida dependesse daquele contato.

Você viu, não foi? — A questão da deusa o preocupava. O que tinha visto?

Não respondeu, fungando, tentando controlar a si mesmo. Respirava fundo diversas vezes, algumas mais demoradas que as outras numa tentativa mais desesperada. A mão livre da deusa iniciou um movimento lento nos cabelos de seu seguidor, transmitindo ali mais um pouco de calma. Tinha a certeza de que ele tinha visto o que precisava.

Como?

Seus olhos, no entanto, se mantiveram longe de Samuel. Algo em sua dor lhe trazia um pouco do que passara para chegar até onde estava, ali, com uma posição que muitos desejavam, mas não imaginavam o que significava.

Eric fez uma escolha. Viver com a dor e se tornar um homem amargo, lembrando-se de ver alguém que amava naquelas condições ou continuar sendo o homem que Clary amava?

Mas….. Dói…… E…..

A dor sempre vai existir, minha criança. Você o viu. Ele escolheu ser quem Clary amava, mas a dor está lá. Ele aprendeu a lidar com ela. A usá-la.

O silêncio se instalou, enquanto pensamentos tumultuavam a mente abalada do mentalista. Eram tantas coisas para se considerar, muito para sentir.

Isso não aconteceu de uma só vez. Eric procurou ajuda, conseguiu achar o seu caminho. Você me procurou e aqui estamos, juntos. Vou ajudá-lo até quando minhas forças não forem suficientes, mas no final, a decisão é sua, Samuel. — A voz de Psiquê parecia longe, nublada.

O que conseguia ver, agora, era o sorriso de Ellana. Os momentos que compartilharam juntos. As risadas, as vezes em que dormiram na sala depois de uma sessão de desenhos, as artimanhas na cozinha, os presentes que recebia em forma de rabiscos com “meu irmão e eu” com vários corações e ursos de pelúcia. Das mãozinhas tocando seu rosto, meses depois de seu nascimento, com um sorriso sem dentes e olhos grandes brilhantes. De todo o amor que recebera o tempo todo. Cada coisa vinha acompanhada de uma dor imensa que o lembrava de que jamais teria aquilo de novo. Substituía cada lembrança pela terrível visão do corpo desprovido de vida, cheio de marcas e vestígios da violência que nunca fora lhe destinada dentro de casa. Até quando aguentaria reviver aquela cena? Até quando o coração sustentaria as batidas enquanto pensava em vingá-la? O quão mau seria? Chegaria ao ponto de se tornar alguém como John?

Aos poucos, começava a entender os propósitos de Psiquê, que suspirava satisfeita.

Por enquanto, era o suficiente. Samuel estava achando o caminho para a cura.






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mentalistas de psique
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Mensagem por Minerva em Sab Set 14, 2019 4:21 pm


 Samuel


Método de Avaliação:

Valores máximos que podem ser obtidos

Máximo de recompensa a ser obtida: 6000 xp e dracmas

Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

Realidade de postagem + Ações realizadas: 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc: 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência: 30%

RECOMPENSAS: 6.000 xp e dracmas

Comentários:
Samuel,
você escreve muito bem. Eu peguei um ou outro errinho, mas foram tão insignificantes que não valem o desconto (afinal, nem mesmo atrapalharam minha leitura). Não tenho o que pontuar, seu texto foi muito bem escrito e é perceptível a variação do transe e realidade mesmo sem as marcações feitas, embora eu admita que elas ajudam e muito a compreensão. No mais, espero que continue com sua trama.
Boa sorte, meu jovem.


Minerva
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Mensagem por Samuel Mazlow em Seg Set 16, 2019 1:55 pm

how to
get your dragon
Alguns dias após o encontro com Psiquê, Samuel fora designado a cumprir com uma tarefa importante: Passar um tempo na baía do Templo, cuidando de um mascote capturado e ferido. Nenhuma pista do que seria chegou aos seus ouvidos, o que de certa forma lhe causava uma apreensão iminente capaz de atordoar seus pensamentos, mas nada além de puro nervosismo. Algumas coisas estavam mudando no espaço sagrado, segundo os burburinhos recorrentes, mas nada capaz de preocupar qualquer integrante do grupo. Novos seguidores estavam para chegar, além de uma mudança de cargo para liderança. Além disso, novos afazeres estariam sendo designados aos membros que vinham aumentando sua força de desenvolvimento, o que incluía o próprio Mazlow. Em poucos meses havia conseguido superar alguns limites, prestando-se a um trabalho ativo e dignificante.

O próximo a assumir as rédeas era Koda Smith, um dos mais antigos do grupo. Apesar de sua postura de boa gente, tinha seu modo reservado de lidar com quem se aproximava, cuidadoso o suficiente para não impor algum desconforto. Inteligente, tinha em seu sangue o DNA de Athena, proveniente de boas estratégias e definições de controle, o que levava o filho de Morfeu a acreditar que estava sendo levado a cuidar de algo benevolente. Isso, até chegarem ao caminho principal para o centro da baía, completamente deformada para abrir o que os olhos de Samuel não podiam acreditar. Um dragão.

Ah…. A gente tá no lugar certo?

A criatura já estava consciente das presenças dentro daquela prisão, e se não fosse por Koda fazendo um gesto para Samuel ficar quieto, as coisas poderiam começar a dar muito errado dali mesmo.

Shhh…..

Engolindo a seco, o mentalista júnior só poderia imaginar o quão dolorosamente seria o seu fim. Se manteve o mais próximo de Koda, quase se tornando parte de sua sombra, até o momento em que se colocaram dentro de uma gaiola metálica com maquinários de suspensão em seu topo, sistema de contenção, blindagem e camuflagem.

Aqui estaremos protegidos, então podemos conversar melhor. Escute, Samuel, nós precisamos de alguém para cuidar desse dragão, mas não poderíamos solicitar qualquer pessoa para este trabalho. Vi em sua ficha que você é o único de nós com habilidades pra isso. — Com um estalo na mente, se recordou das aulas ministradas por Tessa, onde cursou métodos para lidar com um dragão.

Os olhos claros seguiram o rumo até onde a criatura estava, observando-os friamente com olhos metálicos, e só então o semideus pôde concluir de que não era um dragão comum, de aspecto simples. Todo o seu corpo era revestido de metal bronzeado, e de imediato sua mente começou a procurar por informações lógicas sobre aquele tipo.

Samuel? Está me ouvindo? — Koda estalou os dedos frente ao seu rosto, despertando-o do devaneio.

Sam chacoalhou a cabeça, assentindo.

Aqui estão vários baldes com ataduras banhadas em coquetéis curativos trazidos pelos especialistas do Acampamento. Foi difícil encontrar alguma coisa que servisse para um dragão como este, então não deixe nada cair. Fique sempre perto dessa gaiola pra garantir sua segurança. Olhe, ela tem um painel de comando, é só prestar atenção nas funções. Se precisar de ajuda, aperte o botão vermelho e eu me teletransporto para cá com reforço. — Era um lote considerável de informações, mas não restava mais tempo para uma conversa detalhada. Koda precisava voltar para o templo imediatamente.

Ok. E por onde eu…..

Muito bem. Agora eu preciso ir, já pode começar. Tenha cuidado. Ah, tem um balde com comida pra ele perto da gaiola. A gente não sabia o que dar, e o que já deram, até então não fez efeito. Cuidado em dobro!

Teletransportando-se para longe dali, o futuro líder havia deixado tudo nas mãos do filho de Morfeu, que suspirava conforme a responsabilidade lhe alcançava. Teria longas horas pela frente. Sem muito o que fazer além do que fora designado a executar, o semideus tratou de se familiarizar com o painel de comandos da gaiola, reconhecendo os tipos de controle que poderia usar com aquilo, contando também com o chamativo botão vermelho na parte inferior da área de dígitos.  

Certo….. Talvez as aulas vão me dar algum mais valia nisso tudo. — Comentou sozinho, quase assombrado com os próprios temores.

Antes de sair completamente da gaiola, se certificou de vários modos. Primeiro, observou o terreno, constatando caminhos divergentes para chegar até ali o mais rápido que podia, no caso de uma emergência. Esquerda ou direita eram as únicas opções, nada além disso. Testou o maquinário, reparando que havia uma caderneta e uma caneta caídos ao chão, com aspecto gasto e ao folhear o mini caderno, notou as folhas em branco. Resolveu adquirir como sua propriedade, dando de ombros, não demorando para preencher as primeiras linhas.

Gaiola elétrica, funcional, um pouco lenta
Painel compreensível e de fácil manuseio
Um dos dragões metálicos. Bronze, pela cor


Após anotar as primeiras coisas, Samuel caminhou para perto de onde o dragão estava situado. Os olhos da criatura não encontravam outro ponto de observação que não fosse o humanóide em sua presença. Estava deitado no chão, com uma das patas machucadas por uma batalha hostil contra inimigos marinhos há algum tempo, mas aquilo não o impedia de ornamentar uma boa defesa contra as ambições de um ataque inesperado. O mentalista, por sua vez, encontrava-se em sua postura rija, seguro de si, apesar do crescente temor em seu âmago. Nas entrelinhas, lembrava-se dos conhecimentos obtidos no encontro com os draconianos e o que tinha aprendido no treinamento com Tessa.

Hm, oi. E-eu me chamo Samuel, e-e…. Eu tr-trouxe algumas coisas pra a-ajudar com a sua pa-pata. — Ergueu o balde, do lado contrário ao que estava o dragão.

Apesar de todo o conhecimento sobre eles, uma aproximação não era tão fácil quanto poderia supor que seria. Sua mente abrigava as informações necessárias para não pisar na bola e acabar estragando a missão dada por Koda, e aquilo era o suficiente para mantê-lo são na execução de sua tarefa. O filho de Morfeu fez uma reverência destinada ao dragão, aguardando pelo momento em que o veria baixar a cabeça, fazendo a ponta do focinho encostar nas patas unidas frente ao corpo, e quando o gesto aconteceu, tornou a endireitar a postura, e apesar de dar mais alguns passos em sua direção, não passou do limite.

Você é curioso, posso dizer. Desde que chegamos, não move os olhos para outra coisa. É inteligente, então já percebeu que não existe uma ameaça. Do contrário, não estaria tão calmo. Dragões podem ser cruéis ao ponto de esperarem o bom momento de agir, mas você é um dos que abominam anarquias e qualquer tipo de crueldade. — Sam começou a falar, fitando o dragão daquela distância segura, sempre procurando olhá-lo nos olhos. Podia apostar sua vida sob a circunstância de que ele entendia o que estava dizendo.

O dragão continuou em sua tranquilidade absoluta, constatando o que de fato era dito. Desde o início sondava uma ameaça, mas nada além de neutralidade e benevolência era pressentido. Seu forte senso de justiça o impedia de realizar qualquer ataque mesquinho, apesar da frieza com a qual vinha encarando a dupla humanóide até que só um deles estivesse ali. Mais do que qualquer outro, o humano que sobrara havia se aproximado, e era possível ver o temor em seus olhos, mas a criatura via a verdade transparecida nos orbes cristalinos.

Bom, aquele que estava comigo é o novo líder do grupo em que estou incluso. Ele me deu a tarefa de cuidar de você, desse machucado. Eu trouxe algumas coisas para isso, e bem, eu não sei do que se trata. — Puxando o balde para mais perto, o semideus ergueu algumas ataduras de dentro. Um líquido viscoso semelhante a óleo estava dentro do objeto prateado, umedecendo e lubrificando as tiras de pano que deveriam cobrir os machucados.

Quando tentou se aproximar um pouco mais, recebeu a recusa do gesto ao ver a agitação da criatura, que se ergueu diante do pequeno homem, tornando-o uma mera formiguinha comparado ao seu tamanho. Samuel parou de imediato, comprimindo os lábios. Só se moveu para anotar pequenos detalhes em evidências.

Nervura nas cristas
Rufos na cabeça
Chifres pontiagudos no alto e abaixo da cabeça
Membranas entre as patas e atrás das dianteiras

Retrocedendo os passos, o semideus andou de costas para o caminho visando manter os olhos no dragão, enquanto se aproximava da gaiola uma outra vez. A mecânica do gesto clareou o assombro do humanóide para a criatura bronzeada, que apenas tentava concluir o altruísmo vindo daquela presença. Todos os outros que tentaram se aproximar em vezes anteriores, tinham intenções desconhecidas e um despertar furioso consequente do medo. Estavam sempre armados, encobertos por armaduras e até mesmo por magia, o que sempre lhe angustiava e deixava a sensação de que as coisas poderiam terminar muito mal.

Samuel pegou o balde após o localizar alguns metros depois da gaiola, percebendo uma variação grandiosa de um cardápio fresco. Carne de vários tipos, plantas e até mesmo tipos de rações estavam distribuídas em grandes porções.

Sabe, eu li um pouco sobre cada tipo de dragão além do que aprendi com os treinamentos. — Começou, falando mais alto para que o dragão ouvisse o que estava dizendo, enquanto não o via com clareza. — O Mazlow passou pelos maquinários, erguendo um balde em cada mão de um só tipo de carne. — Considerando alguns baldes vazios e outros com quantidades menores de coisas dentro, tentaram jogar comida em você, ou perto de você, pra ver se você comia. Posso estar enganado, mas é um palpite. — Quando passou pela gaiola, se colocou novamente como alvo da visão do dragão, que ergueu o focinho para acompanhar um de seus aromas favoritos.

Samuel soltou um dos baldes perto do balde medicinal, e deu novos passos até mais perto do dragão, que permaneceu de pé.

Carne de tubarão. Coloquei algumas algas e tem uns peixes estranhos aqui dentro. Não sei o nome certo, mas é o que você mais gosta, não é? — O mentalista lançou a carne para cima, mirando a boca do dragão, que abocanhou o alimento com um imenso prazer. A surpresa se deu quando a criatura bronzeada diminuiu a diferença espacial entre eles, e abocanhou o balde, engolindo-o com tudo.

O semideus deu vários passos para trás, apesar de perceber que se tratava de um gesto desesperado, como se ele estivesse faminto. Logo o segundo balde foi devorado, mas antes que o terceiro fosse atacado, as mãos do semideus encontraram o focinho da criatura. Agora, estavam tão próximos que Samuel podia sentir a respiração forte do dragão, enquanto o dragão podia sentir o toque confiante e gentil do humano.

Esse não é comida. São as coisas pra colocar no seu machucado. Eu vou pegar mais, espere somente um pouco mais.

A criatura havia sentido toda a benevolência transmitida nas ações do humano com aquele contato, o que era suficiente para lhe abrir uma abertura de confiança maior. Diferente dos outros, mais uma vez, Samuel também não tentou atirar a comida para longe, como um método de prevenção.

Com movimentos sorrateiros e furtivos, o Mazlow se afastou, evitando ações bruscas que pudessem repelir o dragão. Voltou para a zona onde os baldes estavam e foi despejando dentro de dois deles o que conseguia achar de alimento marinho. Plantas, animais, tudo que tivesse derivação do mar. Quando retornou, viu que o dragão tinha compreendido sua fala ao não se alimentar do terceiro balde, aguardando onde tinha estado antes. Perto.

Pronto, aqui. Mas o bald……. — Antes que falasse sobre o balde e sua serventia, desistiu ao ver a criatura engolir com tudo.

Um estalo mental lhe motivou a aproveitar aquele instante para agir conforme a missão exigia. Pegou o balde medicinal enquanto derrubou o outro, deixando a comida um pouco espalhada propositalmente e partiu para onde a pata ferida se encontrava. Era um ferimento feio, mas não tão grave. A membrana atrás da pata estava parcialmente arrancada na parte superior, com uma abertura na parte onde deveria estar colada. Samuel pegou uma das maiores ataduras, encostando-a na ferida, atraindo a atenção da criatura de imediato. O dragão emitiu um grito alto, sentindo o queimor inicial provocado pela mistura embebida no tecido que cobria o machucado, baixando o focinho para acertar o semideus, empurrando-o mais para trás.

O filho de Morfeu fechou os olhos e ergueu os braços para se defender, caindo com o traseiro no chão. Apesar do impacto, não tinha sido nenhum golpe ou um contato conflituoso. Só havia sido afastado. O dragão, por sua vez, começou a sentir o segundo efeito: O que apaziguava sua dor. Devagar, a atadura lhe proporcionava um alívio seguro, gentil, confortante.

Isso vai te ajudar a ficar melhor. Deixe eu te ajudar, por favor?

O dragão o encarava e olhava para a membrana com a atadura mal colocada por conta do afastamento, e por vários minutos seguiram naquilo. Samuel o observava, o dragão encarava a atadura. O semideus se levantou, pegando o balde medicinal para ir embora após quase vinte e três minutos aguardando por uma reação positiva do dragão, que fincou os dentes em suas roupas para puxá-lo para trás, impedindo sua saída dali.

Mas o que……..

Com o focinho, tocou o balde, indicando o próximo movimento do mentalista ao virar-se para a membrana ferida. Samuel comprimiu os lábios, assentindo. Se afastou novamente, mas outra vez foi trazido para perto pelo dragão, que lhe provocou uma risada.

Ei, cara, eu só vou buscar mais comida pra você. Ali, ó. — Apontou para onde tinha ido na direção dos baldes nas vezes anteriores, e só assim conseguiu êxito em se afastar, para voltar com dois baldes em cada mão. Estes eram maiores e estavam mais cheios.

Levou cerca de dez minutos para ir e voltar, recolhendo o máximo de coisas sobrando. Precisaria avisar a Koda que o estoque de comida marinha deveria aumentar em breve, enquanto os outros poderiam ser descartados.

Pronto, enquanto você come, eu coloco as ataduras.

Deixando os baldes rentes ao focinho do dragão, levou o medicinal até a membrana ferida, começando a envolver o ferimento do jeito que conseguia. Não era perito em cura, mas tentava envolver a abertura com o máximo de ataduras.

Eu não sei o seu nome, nem sei se você tem um, mas já que estamos nos dando bem….. Vou te chamar de Hórus. Combina com você. — Sorriu, suspirando.

O dragão ergueu o focinho e encarou o semideus, passando a língua bifurcada por todo o seu corpo. Pedaços de carne fresca e plantas marinhas se grudaram em Samuel, que esboçou feições de nojo.

É, parece que você gostou também.


Se possível, solicito o dragão como mascote para o personagem. No registro consta Mitchell Reed como portador de um, mas o usuário não existe no fórum.

adendos:
habilidades extras:
Nome da Habilidade: Dragones I
Descrição: Depois de receber uma introdução sobre comportamento, espécies e alimentação dos dragões o semideus adquiriu certa experiência. Ao interagir com os filhotes acabou colocando em prática, a teoria e agora tem conhecimento sobre as várias espécies de dragões existentes, seus comportamentos e os perigos que a espécie apresenta. Dragões possuem um tipo de cultura própria e não foram feitos para serem domesticados, por isso treinar uma criatura dessa exige várias práticas que serão ensinadas ao longo desse pequeno curso. O conhecimento é apenas o primeiro passo para aprender sobre o restante delas.
Gasto de MP: Nenhum
Gasto de HP: Nenhum
Bônus: +20% de chance de reconhecer uma espécie de dragão.
Dano: Nenhum
Extra: Conhece as diferentes espécies de dragões e seus comportamentos.

Habilidade: Conhecimento sobre dragões
Descrição: O personagem conviveu e aprendeu com o povo draconiano as características, habilidades e diferenças sobre os dragões e agora já consegue lidar um pouco melhor com eles. Ao obter esse conhecimento o semideus é capaz de conseguir ajuda, domar, ou evitar ser atacado por um tempo pelas feras, desde que essas não estejam sobre qualquer outro tipo de domínio ou magia. Ou seja, se o dragão em questão não possui dono, está com o humor afetado por algum outro fator, ou sendo manipulado por magia o personagem ainda conseguira lidar com ele.
Gasto de MP: Nenhum
Gasto de HP: Nenhum
Bônus: +50% de chance de não ser atacado por dragões. +30% de chance de conseguir que ele te ajude caso o personagem consiga se aproximar. +20% de chance de descobrir um ponto fraco ao lutar contra um dragão.
Dano: Nenhum
Extra: O conhecimento permite ao semideus criar estratégias melhores relacionadas aos dragões, ou seja, ele aprende a lidar com eles de maneira ofensiva ou defensiva.
considerações importantes:
Pesquisei um pouco sobre a espécie e me inteirei de todas as informações necessárias pra fazer a ccfy. No link em que encontrei o conteúdo mais abrangente evidencia que dragões de bronze são pouco violentos - só em caso de extrema necessidade, como por exemplo, ao acompanhar seu possuinte em combate para defendê-lo - e bastante afeiçoados aos humanos, o que aproveitei pra usar como engate pra derrubar maiores barreiras com relação a rejeições com as tentativas de aproximação. Uni isso ao que me é disposto nas habilidades. Fonte informativa.
FPA:






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Mensagem por Marte em Qui Set 19, 2019 4:03 pm


 Samuel


Método de Avaliação:

Valores máximos que podem ser obtidos

Máximo de recompensa a ser obtida: 1500xp e dracmas

Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

Realidade de postagem + Ações realizadas: 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc: 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência: 30%

RECOMPENSAS: 1500xp e dracmas + O dragão desejado. Lembrando que ele terá Nível 1, assim como em lealdade.

Comentários:
Você escreve muito bem e é notório que este personagem será grande, pelo menos eu espero que seja. Segundo a base avaliativa, sou obrigado a lhe fornecer, no máximo, 1/4 do valor total que poderia receber (6.000 de XP), isto é, 1.500. Parabéns, foi um ótimo texto.

Atualizado



"Eu sou o deus de Roma, criança. Eu sou o deus da força militar usada para uma causa justa. Eu protejo as legiões. Eu fico feliz em esmagar meus inimigos sob meus pés, mas eu não luto sem razão. Eu não quero guerra sem fim."

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