The Blood of Olympus
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CCFY - Luxanna Crownguard Montgomery, The Devil Daughter

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Mensagem por Luxanna C. Montgomery em Seg Jul 01, 2019 11:47 pm




Espaço destinado às CCFY e trama de Luxanna Crownguard Montgomery.

1. LedgerDomain (clica) - Ano de acontecimento: entre Janeiro de 2016 e Janeiro de 2019; Após a invasão de Ezreal em sua casa, Luxanna reviveu sentimentos que achava que havia enterrado. Porém um misterioso portal para uma dimensão desconhecida a fará ver que quem vê cara não vê coração. O que a filha de Apolo fará quando isso for sentido na pele?



Última edição por Luxanna C. Montgomery em Ter Jul 02, 2019 12:03 am, editado 1 vez(es)


Take courage in the light
Luxanna C. Montgomery
Luxanna C. Montgomery
Feiticeiras de Circe
Feiticeiras de Circe

Idade : 18
Localização : Ilha Spa

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Mensagem por Luxanna C. Montgomery em Ter Jul 02, 2019 12:02 am

CCFY


Ela viveu sua vida inteira perseguindo alguma coisa. Agora que coisa aparece a ela fica apenas um... vazio. Como você sente esse vazio?

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Londres, Janeiro de 2016

— Então ele era seu conhecido? — a voz grossa de Logan chegou aos ouvidos da semideusa de forma agressiva e intensa, fazendo a garota se encolher em sua poltrona. A toalha úmida sobre a cabeça tentava fazer parar a tontura que lhe atingiu depois de brilhar como um farol para distrair os empregados de seu padrasto e dar tempo para Ez fugir.

Aquele filho da puta lhe devia uma. Não, lhe devia a vida.

— Mais ou menos. É um amigo de infância, mas não o via a éons. — comentou de forma despretensiosa, abanando uma das mãos impacientemente. As bochechas infladas revelavam sua irritação com o garoto, mas ainda assim ela se sentia estranhamente... Estranha. O que era aquele sentimento que brincava em seu peito, lhe dando uma sensação de leveza e harmonia? — Ele disse que veio atrás de um receptáculo. Como se tivesse poder para bater de frente comigo e me levar embora.

Logan riu de forma escandalosa, o tom de voz trovejando no quarto de Luxanna. Enquanto o homem ria, a menina viu os músculos das costas de Levi, sob seu terno de linho extremamente caro, tencionarem de repente: ela sabia, obviamente, que sua segurança era o principal ponto para o garoto, afinal ele cuidava dela desde... Bom, desde sempre.

Erwin se limitou a unir as sobrancelhas em forma de protesto silencioso. Um suspiro saiu dos lábios de Montgomery, enquanto a cabeça era jogada para trás e os lábios se uniam em uma linha fina de repreensão. Não queria ter que discutir com seu padrasto sobre o garoto que, possivelmente, gostava – não havia certeza ainda em seus sentimentos, então ela sabia que precisava ficar calada ou seria bombardeada com perguntas as quais não estava com disposição para responder.

— Bem, irei relevar, Lux. Você não tem muitos amigos fora daqui, então considere isso um bônus. — o homem falou, fazendo com que a semideusa sentasse direito na poltrona e encarasse o padrasto. O semblante sério dele demonstrava que havia muito mais do que o significado das palavras ditas anteriormente. — Mas não quero mais vê-lo nessa casa sem que seja convidado formalmente. Na próxima, eu mesmo irei enchê-lo de furos.

E, com as palavras finais, o Papa Montogmery levantou-se de onde estava sentado e caminhou até a enteada, beijando-lhe a testa coberta com a toalhinha branca costurada com fios dourados e lhe desejou boa noite, saindo do quarto da garota em seguida. Piscando algumas vezes, as íris claras foram da porta, que fora fechada assim que o homem passou por ela, e foram até seus guarda-costas, passando de um para o outro de forma questionadora. O que fora aquilo, afinal de contas?

— Não me pergunte. — Erwin falou enquanto dava de ombros. Levi apenas repetiu o gesto. O loiro, então, voltou-se para a garota e ajoelhou-se a seu lado, tomando uma das mãos pequenas e segurando-a de maneira firme. — Princesa, o que fez foi perigoso. Johan apareceu com você completamente desacordada, foi trabalhoso explicar aquilo para o Papa. Ele se preocupa muito com você, precisa ter mais consciência da sua posição.

Lux abaixou o olhar em vergonha, não exatamente pela “bronca” em si, mas sim por que sabia que o loiro tinha razão. Da dupla que lhe acompanhava, Erwin era a agulha da razão, enquanto Levi era a da ação, e os dois se completavam muito bem – não que o moreno não fosse inteligente, na verdade era até demais, mas ele preferia a porradaria em vez da diplomacia. Geralmente essa parte ficava com o Smith.

— Eu sei. — a loira falou enquanto se ajeitava na poltrona, jogando as pernas por cima de um dos braços e apoiando as costas no outro, fechando os olhos em cansaço. Ela sabia, era um fato, mas saber e agir são duas coisas completamente diferentes: na hora da emoção, você não pensa se sabe, você apenas age. — Mas Ezreal foi um amigo de infância muito querido por mim. E meu primeiro amor. Argh, nunca pensei que teria algum sentimento como esse.

— Um sentimento normal, eu presumo. — Erwin sorriu gentilmente e então ficou de pé, estendendo a mão para Luxanna, que aceitou sem hesitar. Logo a moçoila foi puxada sob suas pernas e, então caminhou até sua cama, largando-se na mesma. O macio das cobertas quentes logo se fizeram presente em sua pele pálida, a sensação de conforto tomando conta de seu corpo exausto. Lentamente as pálpebras foram se fechando e então deixou-se cair nos braços de Morfeu.

*********************

Quando acordou no dia seguinte, sentia-se uma jovem dama renovada. Sentando-se na cama, levantou ambos os braços a fim de se espreguiçar e sorriu para si mesma ao ver, em cima de seu criado mudo, um croissant e café que, estranhamente, estava quente.

“Para matar sua fome momentaneamente. Vamos sair para comer algo assim que acordar. Levi”

— Muito obrigada, Levi. — a semideusa suspirou enquanto comia. Como o jovem Ackerman sempre sabia seus horários, para levar a comida ainda quente para si? Montgomery deu de ombros: ora bolas, ele cuidava de si desde que a loira era uma menininha que corria para todos os lados da mansão, então era mais do que óbvio que ele saberia muitas coisas sobre ela.

Depois de comer e beber, Lux jogou-se para fora da cama e caminhou até o banheiro, indo em direção a seu chuveiro e, após despir-se, entrou debaixo d’água quente, sentindo seus músculos relaxarem na hora. Não sabia que horas eram, e na verdade nem queria saber, mas pela posição das sombras da pia e da banheira estilo retro que havia ali a feiticeira imaginava que seria de tarde já. Molhou os cabelos e sentiu-se muito bem ao sentir o cheiro da baunilha mesclada com morango de seu shampoo exótico que Logan trouxera da França na semana passada.

Enquanto sentia a água cair sobre o corpo, lembrou-se de Ez. Uma memória antiga, vinda lá de sua infância, logo começou a brincar em sua mente, fazendo a loira fechar os olhos com força.

— Ah não...

“Lux estava abraçada com o gatinho enquanto corria pela calçada, tentando achar um local seguro para deixar o animal. Havia um pouco de sangue saindo do bichinho e os garotos atrás de si pareciam não querer deixá-lo em paz.

— Não se preocupe, gatinho. — dizia, mesmo que fosse mais para ela mesma. Era novata em Londres, havia se mudado apenas a poucos dias e já havia se perdido de seus guarda-costas, o que deixaria sua mãe apreensiva e preocupada e seu padrasto zangado (não com a menina, mas sim com Erwin e Levi que a perderam de vista).

Enquanto corria a criança não percebeu aonde ia e, de repente, se enfiou em um beco com caixas e tábuas, arranhando o braço enquanto passava por aquele lugar e se escondia atrás de uma pilha de entulhos. O respirar pesado demonstrava o quanto estava exausta de tanto correr, os olhinhos arregalados revelavam o medo que sentia de estar ali sozinha.

— Papai vai se zangar... — murmurou enquanto começava a chorar sozinha, mas parando de repente: passos puderam ser ouvidos, e eles vinham em sua direção. Lágrimas involuntárias começaram a cair novamente, o soluço sendo segurado com certa dificuldade pela pequena, e então uma cabeleira loira entrou em seu campo de visão.

Não era nenhum dos garotos anteriores, era um diferente. Os fios dourados estavam levemente arrepiados, os olhos azuis pareciam brilhar com demasia intensidade, de uma maneira quase hipnótica, exatamente como o céu de primavera de Louisiana, cidade natal de Lux. Usava roupas simples: uma calça bege, uma camiseta verde e um colete marrom, enquanto um par de óculos de explorador descansava no topo da cabeça.

— Hey, está perdida? — perguntou, as íris percorrendo por todo o corpo de Luxanna e arregalando os olhos ao ver o sangue. A garota o viu abrir a boca, provavelmente para perguntar algo, e então ele voltou o olhar para o colo da menina. — Ah. Ok, pelas roupas que está usando eu acredito que não seja do subúrbio, não? Beleza. Vou te levar de volta.

O guri estendeu a mão e mais do que depressa Crownguard – e daqui uns dias Montgomery – aceitou, sendo colocada de pé. As duas crianças começaram a caminhar de mãos dadas, indo em direção à saída do beco.

— Qual o seu nome? — ele perguntou enquanto caminhavam pela rua, estendendo a mão livre para o gatinho no colo de Lux. Depois de alguns segundos de hesitação ela cedeu e entregou o bichano para o desconhecido, que o aconchegou dentro de sua bolsa lateral, idêntica à de Indiana Jones.

— Lux... E o seu?

— Plumaluz. Mas pode me chamar de Ezreal...”


Luxanna abriu os olhos depressa, balançando a cabeça e jogando água para todos os lados do box a fim de afastar aquelas memórias. Não, não remoeria o passado novamente e não ficaria presa à Ezreal ou às lembranças daquele garoto imbecil: aquilo estava sepultado sobre a mais resistente lápide de mármore e não se permitiria amar novamente, não depois de tudo que passou para conseguir seu lugar como próxima “Papa” da Família.

Suspirou e finalizou seu banho, já que estava tempo demais ali, e vestiu algumas roupas casuais: uma camiseta branca com corvos desenhados, um short preto de cintura alta, seu sobretudo preto, meias de cano alto e o coturno militar. Os cabelos molhados estavam soltos e, sobre a cabeça, um chapéu preto com uma única listra azul. Indo até a cômoda, a jovem Montgomery pegou o anel da Família, colocando-o no anelar: o prateado do metal combinava perfeitamente com a safira cravada no topo, o brasão da família desenhado no interior da pedrinha preciosa era visível.

Não havia uma pessoa que não conhecia a Família Montgomery em todo o Reino Unido – e talvez até mesmo na Europa -, já que além de serem chefes de máfia do submundo inglês e resolver os problemas da Coroa Inglesa desde 1783 tanto no submundo quanto no mundo normal, o domínio de negócios entre a Inglaterra e o mundo exterior se dá através deles. Logo, Luxanna era próxima à Família Real Britânica e não apenas isso, era tratada quase como uma princesa por qualquer morador inglês.

Colocou ambas as mãos no bolso do sobretudo e olhou-se no espelho de parede gigante que havia em uma das laterais de sua cama, no lado oposto às grandes vidraças que davam para a sacada. Seu visual estava dentro do comum, então apenas deu de ombros e se preparou para sair do quarto.

Infelizmente algo ali a travou. Virou-se na direção de sua cama e, sobre a mesma, viu um círculo cor de rosa começar a se formar, tomando a forma de uma espiral que parecia a Via Láctea, mas com uma diferença enorme: estava carregada de magia. E como Montgomery sabia? Bem, digamos que toda a feitiçaria, sua “Maldição de Bruxa”, começou a se agitar dentro de si exatamente como o mar em dia de tempestade.

Por alguns instantes aquilo foi doloroso, já que a magia queria sair de qualquer forma, procurando por um “escape” do corpo da menina. Aquilo era demais, um chamativo enorme e então a curiosidade, a melhor qualidade e o pior defeito de Lux, falaram mais alto, a fazendo se aproximar devagar até estar perto o suficiente para tocar aquele treco rosa.

Erguendo a destra, o indicador logo tocou aquela espiral. E então a garota sumiu.

********************

Mansão dos Montgomery, 16h32min – Visão de Levi Ackerman

Ver a Princesa e o primeiro amor platônico de sua vida a frangalhos da exaustão fez com que uma fagulha de raiva brincasse no peito do garoto. Luxanna havia, simplesmente, usado de seu poder até cair para salvar um Zé Ninguém e aquilo foi o suficiente para que o jovem Ackerman odiasse esse tal de Ezreal sem nem menos o conhecer.

Qualquer um que tentasse fazer mal à Princesa seria punido com a morte.

— Está tenso. — a voz de Erwin soou nos ouvidos de Levi de maneira firme, mas ao mesmo tempo preocupada. Os dois estavam no mesmo trabalho desde... Bem, desde que se lembram, sendo seguranças pessoais do Papa e depois se tornando cuidadores de Lux.

Ele ainda sem lembrava de quando a garota chegara à Londres junto Elaena Montgomery, a nova noiva de Logan. O chefe nunca fora casado, mas aparentemente havia se apaixonado pela mulher em sua viagem aos Estados Unidos e então trouxera ambas para morar consigo na Inglaterra. E, consequentemente, deixou tanto Erwin quanto Levi de babás da pequena criança, na época com cinco anos.

No começo aquilo não alegrou o rapaz. Em seus 16 anos, cuidar de uma criança não lhe era a melhor coisa a se fazer, ainda mais depois de todo o treinamento que recebeu para se tornar um excelente guardião das costas de Logan – e ser promovido a esse cargo de confiança apenas pela colocação de Erwin. Porém, durante seu primeiro passeio com a garota, ela simplesmente desapareceu.

Uma situação desesperadora, diga-se de passagem, não apenas por parte dele, mas também por parte de Smith, que mesmo que não tenha se deixado abalar fisicamente o olhar já dizia tudo: estavam ferrados. Elaena teve que ser acalmada por Logan, que lançou um único olhar para a dupla e que não precisaria de explicações: deveriam encontrar a menina ou seriam homens mortos.

E eis que surge, após pelo menos uma hora de procura e acionamento da polícia, a pequena Luxanna caminhando junto a um garoto, de mãos dadas. Se não fosse por Erwin, a vontade repentina de chutar o moleque que ousara tocar na Princesa seria realizada: ela estava machucada, mas aparentemente não era culpa do garoto que, após algumas explicações, conseguiu se livrar de tomar uma surra.

Um suspiro saiu dos lábios de Ackerman enquanto fechava os olhos e lembrava-se da garota desmaiada nos braços do amigo. Ambos haviam levado-na para o quarto por ordem do Papa, para deixá-la descansar antes de começarem a investigar as câmeras de segurança e ver quem havia deixado o rapaz que tentara lhe roubar entrar. Certamente alguém perderia a cabeça.

Depois daquela conversa que tiveram ontem à noite, simplesmente a deixaram dormir e agora, quase três horas da tarde, Luxanna ainda não havia acordado. Porém, por algum motivo, ele sabia que ela estava prestes a levantar, por isso segurava a bandeja com o croissant, o café e o bilhete. Ia deixar no criado-mudo ao lado da cama da menina.

— Quem deixou o pivete entrar? E quem era ele? São perguntas sem respostas e que me deixam puto. — o estalo de língua mostrava sua irritação, o que era uma coisa bem plausível, até também por que o semblante do loiro ao seu lado tornou-se sério de repente.

— Aparentemente foi uma das empregadas. Certamente ela será mandada para a rua. — os dois pararam de caminhar e se olharam antes de Erwin suspirar e finalmente voltar a falar. — A Princesa falou a respeito do receptáculo. Estou certo de que isso tem a ver com os Arcana.

— Se eles encostarem em um fio de cabelo de Lux, serão pessoas mortas e sabe disso. — a voz carregada de raiva não passou despercebida por Smith, que se limitou a sorrir para o moreno. Levi sabia que aquele sorriso não era de deboche, e sim de reconforto por finalmente o rapaz ter achado sua luta: manter a tão amada filha adotiva e a única lembrança de Elaena do Papa a salvo.

Todos da Família amavam Luxanna, era um fato inegável, assim como todos estavam dispostos a lutar por ela, pois sabiam que a única capaz de acalmar os ânimos de Logan era a loira. Ainda mais quando o mesmo insistia em querer matar um dos membros por alguma cagada ou algo do tipo, afinal a jovem intercedia por todos eles. Literalmente falando, eram uma família.

— Vou levar isso pra ela. Acredito que não deva demorar a acordar, quero levá-la ao restaurante favorito dela.

— Está apaixonado, Levi? — Erwin brincou, dando uma risadinha de canto de boca, mas voltando à feição séria quando não obteve uma resposta. Ackerman apenas lhe deu as costas e caminhou em direção às escadas do terceiro andar, pronto para ir até o quarto da Princesa e deixar o que preparou para ela.

Não se demorou muito, afinal não queria ser pego ali dentro sem a autorização formal da mesma, mas assim que entrou não conseguiu não admirar a visão que teve. Os raios solares que adentravam pela única fresta dos blackouts das vidraças, somado à lua suave do abajur caríssimo importado da Rússia enfeitado de rendas brancas com desenhos de Matrioshkas, deixavam a pele da menina ainda mais clara do que o normal.

O cobertor egípcio a protegia dos 19° que fazia ali dentro do cômodo, e cobria o corpo da loira até a altura da barriga desnuda graças ao fato de a camiseta do pijama ter levantado com a movimentação da noite. Deitada de lado, um dos braços estava sob o travesseiro enquanto o outro abraçava Lucy, a boneca de pano que ganhara da mãe quando tinha sete anos – e que estava bem conservada para um brinquedo com mais de 10 anos. Os fios loiros estavam espalhados pelo travesseiro, o ressonar do sono e o respirar calmo demonstravam que ela deveria estar sonhando com algo bom.

Bem, o sorriso mínimo que deu comprovava isso, embora o “Ezreal” murmurado que saiu dos lábios entreabertos da garota não tivesse agradado nem um pouco o jovem Ackerman. Deixando as coisas sobre o criado mudo entalhado em madeira de cedro, ele saiu do quarto da menina e ficou parado à porta, cumprindo seu papel de guardião de Montgomery.

Depois de um tempo que lhe pareceram horas, embora tenha sido apenas uns dez minutos, Levi escutou a voz de Luxanna ao agradecê-lo. Provavelmente seria pelo café e pelo croissant, então sorriu em satisfação e esperou por mais alguns minutos ali antes de, após quase uma hora de espera, resolver entrar. E qual foi sua surpresa ao ver que o quarto estava vazio.

O coração apertou e então ele começou a procurar no quarto, mas sem sucesso: Lux havia desaparecido no ar e sem deixar vestígios.

— Ah merda. Como vou explicar isso para o Papa?

********************

Local Desconhecido, horário desconhecido – Visão de Lux

Lux abriu os olhos devagar, sentindo o frio em seu corpo passar por suas roupas. Erguendo-se devagar, notou que estava deitada em um chão de pedra e então sentou-se cruzando as pernas e observou o céu acima de si que – surpresa, surpresa – era rosa. Assim como o céu azul terrestre ele parecia ser infinito, muito embora sua cor fosse anormal. Onde estava?

Descruzou as pernas e ficou de pé, notando que o chão que estava na verdade era um caminho e que existiam outros iguais aquele: suspenso no ar, indo para qualquer lugar naquele universo desconhecido por si. Mas o que havia ali de diferente era a magia: a aura mágica da feiticeira parecia vibrar em seu mais puro estado de êxtase, exatamente como havia acontecido em seu quarto com aquele vórtice cor de rosa.

— Que lugar é esse? — perguntou em voz alta, embora fosse mais para si mesma do que para qualquer outra coisa ou pessoa. Não sabia se existia algum tipo de ser ali, então tudo que restava era procurar por qualquer forma de vida que pudesse lhe ajudar.

Qualquer um, qualquer coisa. Não podia se dar ao luxo de ficar ali por muito tempo, afinal tinha que voltar para casa, para junto de seu pai e a Família. Levi e Erwin ficariam preocupados com seu sumiço e certamente Logan ia dar cria quando descobrisse que não estava mais em casa. Ah cara, que droga!

A semideusa olhou para todos os lados a fim de tentar achar algum tipo de sinal ou identificação de saída, mas infelizmente não conseguiu ver nada que a ajudasse a ir embora, então apenas se pôs a caminhar assim que escolheu um dos lados para seguir. Direita.

Não soube por quanto tempo andou, mas estranhamente não se sentia cansada. Talvez fosse a atmosfera mágica lhe dando energia de sobra, mas não se arriscaria dizer, uma vez que não tinha certeza de muitas coisas ali. Felizmente nenhum ser pertencente ao local veio lhe atacar, mas infelizmente nenhum ser pertencente ao local veio lhe atacar, pois caso isso acontecesse podia pelo menos pedir informação sobre onde estava e como sair dali.

Suspirou em derrota. Não estava chegando a lugar algum.

— Um distúrbio no maana do universo e descubro que é só uma garotinha. — uma voz soou atrás de si, fazendo-a se virar na direção do dono do timbre e qual foi a sua surpresa ao ver que se tratava de uma tartaruga. Não, aquilo não era um simples quelônio, mas sim uma das Tartarugas Mutantes Ninja devido seu tamanho.

Alta, com uns dois metros de altura ou talvez mais. Sua barriga possuía algumas aberturas no formato de um círculo, totalizando dez – cinco maiores exteriores, cinco menores interiores-, as nadadeiras pareciam resistentes para sobreviver à vida fora d’água e bem... Ela tinha olhos completamente negros e usava uma runa púrpura no pescoço.

— O que faz aqui, garotinha? — a tartaruga perguntou enquanto se aproximava, fazendo com que Luxanna recuasse um passo instintivamente. — Não vou machuca-la, eu prometo.

— Sinto muito por não confiar tanto assim em você, mas não te conheço. — a menina simplesmente falou com tom de voz ameaçador, a fim de esconder seu medo e sua vontade de sair correndo. Aquilo era uma tartaruga gigante que falava, poderia ficar mais estranho? — Quem é você, e que lugar é esse? Por que você é uma tartaruga, e por que raios você está falando?

O bicho deu uma risadinha sem graça, como se o fato de Luxanna tê-lo chamado de tartaruga fosse ofensivo. Bem, ele era uma tartaruga, não? O que havia de errado em chama-lo assim? Então o “monstro” ergueu uma das nadadeiras e apontou para cima, descrevendo um arco com ela e levando-a ao peito, reverenciando a menina.

— Meu nome é Adwaita. Eu sou um “Geochelone Aerios”. Eu sou o mestre desse lugar, a terra da magia. Você está em LedgerDomain.

Luxanna piscou algumas vezes antes de balançar a cabeça negativamente e sentar-se no chão cruzando as pernas, na posição de índio, apoiando os cotovelos nos joelhos e levando as mãos à cabeça. Certo, aquele ser à sua frente, Adwaita, poderia estar mentindo, não?

— Não é uma mentira, Luxanna Crownguard. Ou deveria usar Montgomery? É esse que você usa atualmente, não? — a tartaruga falou novamente, respondendo a seu questionamento mental. Não conseguiu disfarçar a surpresa no olhar quando levantou a cabeça para encará-lo, fazendo-o rir. — Sou um mestre em magia, senhorita, e mestre desse lugar.

— O que é exatamente esse lugar?

— Como eu disse, é a terra da magia. O LedgerDomain é um domínio para poucos, pois daqui flui todo o maana do universo. Garotas mágicas, como você, conseguem adentrar esse território caso sejam merecedoras do conhecimento místico. — Adwaita ofereceu a nadadeira para Lux, que aceitou, e logo foi colocada de pé. — Aqui, tempo e espaço não são conectados. Tudo é fluido. Tudo é maana. Tudo é magia.

Montgomery assentiu com a cabeça. Ela não estava 100% convencida, mas bem, ela era uma semideusa então coisas estranhas aconteciam direto com ela. Não deveria nem ter ficado chocada com a aparência de Adwaita, seu instrutor de atividades era um cara metade homem, metade cavalo. Nas florestas ela podia ver ninfas, além de sátiros, náiades e, nos fundos de sua casa, já viu até mesmo algumas fadas inglesas – fora os leprechauns que viu quando foi à Irlanda com Logan.

— Então, senhorita Luxanna. Como veio parar aqui?

— Pode me chamar só de Lux. — a arcana abanou a mão como quem não quer nada e viu a tartaruga acenar com a cabeça. Respirou fundo pelo nariz e soltou pela boca, passando as mãos pelos cabelos de maneira nervosa. — Um vórtice rosa apareceu no meu quarto. Como estava carregado de magia, eu fiquei curiosa. Toquei nele, e acordei aqui.

— A curiosidade não é um defeito, sabe? Mas se não medida, pode ser perigosa. — Adwaita falou enquanto apontava para um lado do caminho. — Venha comigo, Lux. Acredito que sei os motivos de estar aqui. O LedgerDomain escolhe as pessoas que deixa entrar, e não o contrário, embora possa acontecer se a entrada for forçada.

A tartaruga, então, começou a andar na direção apontada e como não queria ficar perdida ali para todo o sempre, a arcana seguiu o bicho. Talvez não fizesse mal confiar um pouco mais em outras pessoas que não fosse sua Família, principalmente por que ele era o Mestre daquele lugar, então talvez soubesse como lhe mandar para casa.

Caminharam em silêncio por algum tempo, embora Lux não soubesse dizer exatamente quanto havia sido: o céu era todo rosa, não havia nem sol, nem lua e nem estrelas para lhe dizer se ainda era dia ou se já era noite. Ela podia estar desmaiada ali há mais de um dia, mas infelizmente essa era uma pergunta que não saberia responder.

Soltou um suspiro pesado, imaginando o caos que teria se instaurado em sua casa quando abrissem as portas de seu quarto e não a vissem por lá. Levi e Erwin iriam surtar, não mais do que Logan: seu padrasto ia causar o inferno na Terra quando fosse alertado que sua preciosa enteada havia sumido. Não só eles, não sabia se Circe faria algo a respeito desse fato, afinal como seguidora da deusa feiticeira ela devia todas as satisfações para sua patrona e sua líder.

Se não desse, não sabia o que poderia acontecer.

Enquanto continuava caminhando, observou atentamente o lugar. Das estradas de pedras suspensas no nada, eles passaram para uma floresta de árvores secas e retorcidas, sobre uma superfície mais plana e aparentemente mais resistente e maior, como se fosse uma ilha flutuante. A estrada levava a uma clareira e nela sim havia um jardim sob uma cúpula púrpura, como se estivesse sendo protegido de algo ou alguém.

Ao adentrar a cúpula, seguindo Adwaita assim que o mesmo tocou com a nadadeira na barreira e lhe abriu passagem, ficou impressionada. Um castelo feito de pedras completamente diferente das pontiagudas que haviam do lado de fora se erguia majestoso e impressionante, os tons terrosos combinando com a paisagem rústica que lhe era apresentada.

Árvores e mais árvores rodeavam o local, desde pinheiros até sequoias, flores e mais flores de diferentes tipos faziam parte dos canteiros e um lago podia ser visto. Da mesma forma que do lado de fora da barreira, o céu era cor de rosa, o que impossibilitava saber se era dia ou noite, mas sinceramente falando? Aquilo era mais do que incrível.

— Caramba. — falou, os olhos brilhando. — Como tudo isso apareceu aqui? Já era assim, ou você fez ficar assim?

— Eu quem deixei assim. — a semideusa sentiu uma mão em seu ombro e, ao se virar, viu o homem mais bonito que conseguia imaginar. Alto, com madeiras escuras e olhos azuis cintilantes, aquele ser era Adwaita? — Sim, sou eu.

A antes tartaruga agora era um humano normal. Usava uma camiseta preta colada, deixando seus músculos à mostra, e um sobretudo branco com pelos fofos nas saídas das mãos e no pescoço. A calça jeans era despojada e levemente desbotada, e nos pés havia um tênis bonito. No pescoço, aquele colar com a runa púrpura ainda estava ali.

— Acho que manter essa aparência seja melhor do que a de tartaruga, não? — perguntou, fazendo a garota concordar com a cabeça. — Bem, caso esteja se perguntando, eu posso assumir a forma que eu desejar graças a essa coisinha aqui. Isso é a Runa Alfa. — segurando a runa nas mãos, Adwaita mostrou-a para a arcana.

Apesar de levar o nome de Runa Alfa, Montgomery a achou mais parecida com uma pedra preciosa. Entalhada nela havia apenas uma palavra que, por mais que não soubesse pronunciar muito bem, sabia o que significava. Magia. O Tudo Arcano. Se com aquilo aquele projeto de quelônio conseguia fazer tudo que queria ali dentro, o que será que poderia fazer lá fora, no mundo real?

— Ah, muito mais do que imagina, srta. Luxanna. Mas a Runa Alfa nunca deve deixar o LedgerDomain. Coisas ruins podem acontecer caso isso ocorra, como a destruição do mundo inteiro. — Adwaita estendeu a mão na direção da moça, que a aceitou prontamente. — Venha, vou lhe mostrar o castelo.

********************

Lux havia perdido a noção do tempo completamente.

Ela não sabia há quantos dias estava ali, nem que horas eram ou coisas relacionadas ao tempo em si no propriamente dito. Tudo que ela sabia era que estava amando aquele lugar mais e mais, afinal toda a magia conseguia deixa-la muito bem fisicamente. Seus cabelos, antes na metade das costas, agora estavam um pouco abaixo do bumbum e pareciam mais brilhosos e sedosos do que nunca.

Sua vitalidade estava muito melhor, assim como sua magia e até mesmo sua personalidade. Desde que chegara ali ela estava treinando com Adwaita a como controlar suas emoções e temperamento, assim como controlar seus poderes de feiticeira, aprimorando palavras e movimentos.

Bem, o lugar lhe era agradável também. Extremamente seguro, a área do castelo foi explorada por Montogmery, sem deixar escapar um cantinho sequer para bisbilhotar. Agora, ela conhecia cada canto, cada pedra, cada passagem secreta que levava de uma ponta a outra.

— Como está a comida, Lux? — o homem à sua frente perguntou enquanto segurava uma taça de vinho, os cabelos caindo pelos ombros fortes de forma sexy. Tentava não pensar em coisas inapropriadas para com o seu mentor mágico, mas a visão que possuía era impossível esconder os pensamentos. Dava graças aos deuses que conseguira aprender a bloquear a mente naquele lugar, ou senão Adwaita já teria descoberto seus sonhos impuros.

Nesse tempo todo que ficou ali ela descobriu que, na verdade, a tartaruga era de uma civilização antiga, que foi amaldiçoada pelos deuses a virarem quelônios por terem desrespeitado Poseidon ao darem para ele, como oferenda, sopas e objetos feitos com o animal. Furioso, o deus dos mares transformou o povo de Adwaita em homens tartarugas pela eternidade.

Foi-lhes dado, também, o dom da eternidade, para que sempre se lembrassem de seu erro e para que nunca mais o cometessem. Abatido pela tristeza, seu mestre fugiu do restante de seu povo, indo em direção ao mar, e foi lá que encontrou a Runa Alfa, que lhe transportou para o LedgerDomain. Dominar a arte da magia foi uma tarefa árdua, mas que aprendeu após o primeiro milênio e, depois que a dominou completamente, ergueu aquele lugar, assim como conseguiu sua forma humana de volta, mesmo que somente dentro do domo púrpuro.

Era um passo, não?

— Está ótima, como sempre. — a arcana sorriu ternamente, levando o garfo com pedaços de frango aos lábios. Ok, talvez não conhecesse todos os mistérios do castelo, afinal não sabia como Adwaita fazia para conseguir a comida dali, então seria algo que tentaria investigar de novo. Sim, investigar, já que ele sempre dizia que as respostas prontas não lhe fazem ir atrás delas, ou seja, se você consegue algo de mão beijada significa que não buscou aprender o que realmente aquilo significa ou é.

O quelônio dizia que isso limitava a busca por conhecimento.

E Luxanna concordava, pois fazia todo sentido.

Terminaram a refeição em silêncio cômodo, e então os pratos foram retirados magicamente da mesa. Colocando-se de pé após empurrar a cadeira suavemente, a jovem feiticeira ajeitou a camiseta dos Rolling Stones que usava e começou a se retirar do salão, porém sentiu a mão de Adwaita em seu ombro, virando-a rapidamente e tão logo os lábios dele estavam colados nos seus, um beijo faminto e urgente.

Não ia negar que sempre sonhou em beijar seu mestre, mas sempre achou que essa atitude partiria dela e não dele. Piscando algumas vezes, a jovem Montgomery finalmente recobrou o pouco de juízo que tinha e deu um leve empurrão no homem, afastando-o de si com surpresa.

— Eu precisava fazer isso. — o moreno falou com um pequeno sorriso nos lábios. O olhar da feiticeira estava vidrado nos dele, então talvez o homem não conseguisse notar as maçãs do rosto vermelhas como sangue e a respiração descompassada e rápida.

— Se for fazer isso, não ouse parar no meio do caminho... — ela murmurou enquanto se aproximava e erguia o rosto, ficando na ponta dos pés a fim de aproximar seus lábios dos dele. Foda-se o juízo.

********************

Deitada na cama de seu mestre. Era assim que Luxanna estava: nua e embalada nos braços de Adwaita de forma quente e confortável, enquanto escutava o ressonar suave do homem com quem acabara de ter o melhor sexo da sua vida. O peito da garota subia e descia, agora, de forma calma e controlada, completamente diferente de antes.

Levou ambas as mãos ao rosto dele, alisando-o com os dedos e sentindo todos os detalhes, desde os cílios grandes demais para um homem até os lábios medianos e macios. Tudo lhe era convidativo, e então começou a se perguntar se não estava sendo influenciada demais pelo LedgerDomain.

Talvez estivesse se esquecendo de quem realmente era. Talvez estivesse ali a mais tempo do que pensava que estava. Era fato que havia mudado, e muito, sua personalidade: estava menos dura e mais gentil, paciente e amigável. Estava, talvez, se transformando em uma boa pessoa, deixando para trás sua personalidade frívola e esquentada de Luxanna Crownguard Montgomery, a Princesa da Família e cobradora de dívidas mais famosa no submundo europeu.

Soltou um suspiro pesado e sentiu um arrepio na espinha quando um dos dedos de Adwaita começou a alisar sua coluna, aproximando-se de seu bumbum.

— Já está acordada? — ele falou, dando um sorriso torto que tirou o ar dos pulmões da feiticeira e então lhe roubou um beijo terno. — Deveria descansar.

— Estou bem, de verdade. — comentou com um sorriso de lado, mas soltando um bocejo logo depois. O homem riu e abraçou a garota mais forte, enterrando o rosto dela em seu peito e cantando uma música desconhecida por ela. E, então, o sono veio.

Ao abrir os olhos, Lux se viu diante de um espelho.

Só havia ela e o objeto ali, nem mesmo uma boa iluminação já que somente havia luz sobre os dois, enquanto o fundo púrpuro se encarregava de deixar o ambiente sombrio e morto. Aproximou-se devagar e então viu ali uma garota que não era a própria Montgomery: longos fios prateados se faziam presentes em sua cabeça e era impossível não notar os lábios pintados de preto.

O vestido púrpuro delineava muito bem a silhueta magra e alta, enquanto uma bolsinha presa à cintura se encarregava de finalizar o visual de bruxa da menina, junto à leggin e as botas pretas como o breu. Um sorriso brotou nos lábios da garota, quase que satisfatório.

— Então você é a próxima trouxa.

— Perdão? — Luxanna colocou ambas as mãos na cintura, indignada com o tom de voz nojento e o nariz empinado da desconhecida. — Me escuta aqui, nem sei quem você é, ok?

— Me chamo Encantrix, e eu sou uma bruxa. Assim como você, eu presumo, já que está aqui. — a platinada falou enquanto se sentava no chão inexistente do espelho. — Por isso eu estou dizendo: você é a próxima trouxa.

— Não estou entendendo. — Montgomery repetiu o gesto de Encantrix, sentando-se no chão de frente ao objeto e ao reflexo da garota, e encarando-a intensamente. — Por que está me dizendo isso?

Encantrix riu com gosto, como se a confusão da semideusa lhe fosse um deleite a ser aproveitado. Duas coisas poderiam estar acontecendo ali: ou a garota estava blefando e aquilo era realmente só um sonho, ou ela queria lhe dar um aviso sério sobre o que estava acontecendo. Mas o que era esse acontecimento, ela não sabia.

E estava doida para descobrir.


— Deixe-me adivinhar, você se apaixonou pelo Adwaita, não é? — a platinada perguntou enquanto erguia uma sobrancelha e fazia as bochechas de Montgomery pegarem fogo. — Eu sabia. Esse foi seu pior erro. Ele não é o santo que mostra ser: é um ser que absorve magia, um ser maligno.

— Está mentindo. — a feiticeira disparou imediatamente, irritada com aquela conversa com Encantrix. Quem ela pensava que era para falar essas coisas do homem que lhe acolheu ali, uma pessoa amaldiçoada que estava tentando fazer coisas boas? Não, aquilo estava errado.

— Estou é? O LedgerDomain lhe faz bem, não? — a outra retrucou. — Estou presa à Runa Alfa há mais de 150 anos, tudo por que acabei ficando aqui com aquele homem. De qualquer forma você vai perceber, mais cedo ou mais tarde, e então tudo fará sentido. — e então o mundo da filha do sol ficou completamente negro como a noite.

Quando abriu os olhos novamente ainda estava na cama de Adwaita, mas ele não estava ali consigo. Sentou-se devagar, o cobertor escorregando por seu corpo nu com a suavidade da seda, e olhou ao seu redor para procurar por qualquer sinal da presença de seu mentor – e agora amante – e lhe contar sobre o sonho esquisito que tivera.

Levou as pernas para a lateral da cama e resolveu sair da mesma, mas ao colocar os pés no chão sentiu-se tonta de repente e caiu como um saco de batatas. Por alguma razão o cansaço lhe abateu e ela ficou por ali mesmo, as pálpebras pesando como chumbo. Na verdade o corpo todo de Lux parecia pesar mais do que o normal, como se a gravidade estivesse tentando matá-la sem dó nem piedade.

Começou a respirar pela boca quando apenas pelo nariz não era mais o suficiente e então, pelos olhos semicerrados, viu quando seu mestre adentrou as portas do quarto. Ele estava em sua forma de tartaruga, a Runa Alfa brilhando no peito como um farol que não poderia ser apagado nunca.

— O que...

— Ah, eu sinto muito Luxanna. De todas as mulheres que já tive o prazer de levar para a cama, certamente você foi a melhor. — Adwaita voltou à sua forma de homem e então segurou a pequena pelo pescoço, erguendo-a do chão. Montogmery levou ambas as mãos para o braço dele, tentando se livrar do perto de ferro, mas a loira não tinha forças nem mesmo para cravar-lhe as unhas na pele. — Mas também foi a mais fácil. Não sabia que era uma puta qualquer quando chegou, pensei que demoraria mais para render-se aos meus encantos.

Um sorriso presunçoso brotou nos lábios dele enquanto a consciência da menina começava a esvair como um lento rio. Morreria ali, sozinha: seria absorvida por aquela tartaruga louca e ficaria presa naquele lugar junto com Encantrix.

“Não morra!”

Lux piscou algumas vezes, tentando compreender de quem era aquele timbre e de onde viera. Talvez fosse coisa de sua cabeça, já que estava morrendo mesmo, mas mudou de ideia quando as forças começaram a voltar, principalmente e primeiramente para os braços, que não demoraram em levar as mãos novamente ao braço de Adwaita e apertar com força, enfiando as unhas na carne dele até sangrar.

Por reflexo o falso homem lhe soltou e a menina caiu no chão, tossindo enquanto tentava captar ar. Ela tinha que sair dali o mais rápido possível, então se colocou de pé e, após juntar um roupão que havia ali e enrolar ele no corpo, jogou-se contra seu mestre e puxou, com todas as forças que tinha, o colar de seu pescoço antes de bater contras as portas para abri-las e correr como se sua vida dependesse disso, por que realmente dependia.

Meio aos tropeços, a loira não olhou para trás um momento sequer e então entrou na sala de jantar, fechando a porta atrás de si, correndo para a cozinha e jogando-se debaixo de um armário grande e espaçoso. Uma das mãos foi para frente da boca, a concha feita com os dedos tentando abafar a respiração pesada e ofegante. Encantrix estava certa sobre ele não ser quem aparenta ser.

“Você precisa sair daqui agora”

A voz masculina voltou com força, fazendo a cabeça da semideusa latejar. Ficou ali quietinha enquanto o tempo passava e nenhum sinal da tartaruga foi visto. Se fosse pega, seria uma garota mais do que morta.

Um suspiro saiu pelos lábios rosados, as bochechas coradas pela corrida eram visíveis. Com cuidado, pegou a Runa Alfa, a qual havia roubado de seu mestre, e a observou melhor e mais de perto, e qual foi a sua surpresa ao avistar uma sombra de Encantrix ali. Ah pronto, ela estava presa dentro daquela coisa. O que poderia fazer? Talvez quebrar?

“Isso, talvez seja uma boa ideia!”

— Olha, eu não sei se quem está falando é minha consciência ou algum deus por ai, e eu agradeço muito a ajuda e tal, mas pode ficar calado por alguns segundos? — sussurrou para si mesma, percebendo que poderia enfim estra louca. Uma voz surgia do nada na sua cabeça e então ela responde? A que nível a esquizofrenia pode chegar?

“Vai com calma ai, parça. Confia na ‘call’ e ‘bora cair matando.”

— Agora estamos falando a mesma língua. — Lux estava se preparando para sair quando o armário foi arrancado com força de cima de si e uma tartaruga furiosa deu as caras. Rolou para o lado quando uma das patas foi levada com força para onde esteve outrora, causando uma rachadura no chão.

Ok, era mais forte do que esperava.

— Me devolva a Runa Alfa, Luxanna. Faça isso e lhe absorvo sem dor.

— Nem a pau, Juvenal. Se aproxime de mim e quebro isso. — ergueu o objeto acima da cabeça, pronta para atirá-lo ao chão, e isso foi o suficiente para estacar Adwaita em seu lugar.

— Se quebrar a Runa Alfa...

— Eu sei o que isso faz. — falou seca, observando seu mestre. — Você me ensinou muitas coisas, Adwaita. Nunca vou me esquecer do que passei aqui, e não me arrependo de ter me envolvido com você. Mesmo agora.

Montgomery respirou fundo pelo nariz e soltou pela boca, tentando acalmar seu coração acelerado.

— Isso aqui conecta o maana daqui com sua carapaça e não apenas isso: graças às garotas que absorveu você mantém as magias delas contigo, seu covarde. — continuou, o tom de voz ficando frio e sem vida à medida que entendia uma verdade cruel. — Você usa os poderes das bruxas e feiticeiras que absorve para se manter assim, não é? Nunca foi um homem, sempre foi uma tartaruga!

A semideusa respirava forte, as lufadas de ar que soltava pelo nariz pareciam querer fazê-la voar. Estava furiosa.

Não.

Estava mais do que furiosa, estava bufando de ódio. Desde que fora parar ali fora enganada: tudo que Adwaita lhe mostrou ser era falso, apenas para ganhar sua confiança e absorvê-la depois, para ter o poder dela para ele.

— Era para você ter sido absorvida durante o sexo. Não sei o que houve de errado, mas saiba que eu... — a voz do homem-tartaruga calou-se ao ver que uma das íris da arcana ficou amarelo-ouro rapidamente, uma sombra de algo maligno passando pelo sorriso mínimo que, tão logo quanto surgiu, desapareceu.

— Que você o quê? — a voz estridente foi acompanhada de um berro, despertando a tartaruga de seu estado de hipnose momentânea. — Você não vai me absorver. Não vai fazer isso com mais ninguém!

E, após isso, Luxanna atirou a Runa Alfa no chão. Acompanhado com o grito de terror de Adwaita, risadas mais do que diabólicas surgiram e preencheram o ar. Vultos púrpuros saíam dos pedacinhos brilhosos, sombras de bruxas e feiticeiras banhadas no mais puro ódio e magia negra, prontas para acabar com a vida daquele que lhes aprisionou ali.

Quando se deu conta, Montgomery estava sentada no chão e cercada de mulheres espectrais, o púrpuro de seus corpos translúcidos iluminando as paredes de pedra. Misteriosamente o ambiente ficou todo escuro, deixando-o muito macabro na visão da menina. Uma música estranha, com um batuque de tambor feito de pele de animal, começou a soar, seca e no mesmo ritmo. Os espectros se moviam de um lado para o outro tenebrosamente, risadas e mais risadas soando no ambiente.

Um baixo “Preparado?” em tons masculinos e femininos, misto, soava nas paredes, retumbando junto ao coração acelerado da loira. De todas as coisas medonhas que já viu, aquela disparado era a vencedora.

— M’ladies. — Lux reconheceu a voz de Encantrix. Olhou para o lado e viu o espectro púrpuro da bruxa próximo a seu corpo, as mãos contendo bolinhas de energia fantasma mas que pareciam extremamente mortais. — Está na hora da vingança. É melhor não olhar para isso, querida. Vai ser feio.

E, após dizer essas palavras para Montgomery, as mãos da bruxa ficaram verdes. Chamas de mesma cor começaram a sair dos fantasmas das mulheres ali, indo em direção à tartaruga, rodeando-a em um círculo infernal. A música ficava cada vez mais alta, risadinhas diabólicas preenchendo o coração de Luxanna de medo. Sentiu algo passar por seu braço e gritou ao ver que eram pequenos bonequinhos de pano, semelhantes a bonecos de voodoo.

Eles corriam em direção ao antigo mestre da Runa Alfa, alfinetes em seus bracinhos de pano. Assim que se aproximaram do fogo, passaram sem medo e correram até as patas, perfurando-as com força enquanto gritos de dor e agonia reverberavam nas paredes. Aquilo era um verdadeiro show de horrores, nem mesmo a jovem semideusa seria capaz de fazer algo como aquilo como vingança.

Engoliu em seco quando uma placa arrebentou o chão, saindo da terra e subindo até o teto. As chamas subiram pela mesma e, de repente, ela virou uma máscara demoníaca, com brilhantes olhos amarelos e uma boca repleta de dentes afiados, o sorriso diabólico presente no que pareciam ser os lábios. A boca foi aberta e cinco sombras saíram da mesma, indo para cima da tartaruga de forma violenta, cada uma indo para uma pata e a última para o pescoço e, após um pouco de força, Adwaita foi desmembrado sem dó, sangue sendo espirrado para todos os lados após o que sobrou ser retalhado rapidamente.

Como um golpe final, os pedaços do bicho foram puxados para a máscara, que engoliu o animal e riu maniacamente, virando uma simples placa logo em seguida. As chamas se extinguiram e tudo voltou ao normal, embora os rastros da cena macabra que acabara de acontecer ainda estivessem presentes. Um a um os espíritos das mulheres absorvidas por Adwaita começaram a sumir, restando ali apenas Lux e Encantrix.

— Eu avisei que seria feio. — ela falou com um sorriso satisfeito, enquanto a semideusa, sentada no chão, não conseguia nem mesmo se mexer. Seu corpo parecia feito de gelatina: estava molenga, sem forças para nem mesmo falar. Talvez aquilo que aconteceu tivesse sido um pouco demais para ela, e a comprovação veio quando sentiu o estômago embrulhar e então o vômito saiu, fazendo o narizinho arrebitado da platinada franzir. — Lhe devo uma, então com a força vital que me resta, vou abrir um portal para você voltar. Aproveite, pois se não fizer isso agora ficará presa aqui para sempre.

Concordando com a cabeça, Montgomery se esforçou o máximo que conseguiu para ficar de pé quando viu as mãos de Encantrix ficarem avermelhadas. Girando-as em sentido horário, a bruxa começou a fazer um vórtice que, ao ser aberto, mostrou a elas um local muito conhecido pela filha de Apolo: o Acampamento Meio-Sangue.

— Vai! — a garota gritou e Lux não hesitou em pular para ir embora.

Epílogo

O portal parecia mais doloroso agora do que fora quando chegou ao LedgerDomain. Era como se Luxanna estivesse sendo desmontada e remontada uma parte de cada vez, e só esperava que não perdesse algum órgão pois mataria quem vendesse e não lhe desse uma comissão em cima.

Não demorou muito e logo a loira foi cuspida para uma grama verdinha, caindo de barriga para baixo mas deixando o braço para amortecer a queda, mas ela tinha quase certeza de que o havia machucado – e tudo que ela queria era que não estivesse quebrado. Caída no gramado, a brisa fresca e o cheiro de maresia que sempre sentia quando visitava o acampamento atingiram-lhe com força, fazendo com que lágrimas brotassem sem seus olhos.

Voltando-se para cima, o braço bom cobriu os olhos para esconder as lágrimas que insistiam em cair, o roupão manchado de sangue e levemente chamuscado parecia raspar em sua pele delicada como espinhos de uma rosa. Não estava mais se sentindo bem como antes, estava cansada e só queria dormir até esquecer de quem era.

— Lux? — o timbre masculino soou em seus ouvidos, fazendo a garota abaixar o braço e olhar para Steven, seu antigo amigo de acampamento. Mas havia algo diferente nele, estava barbado e parecia bem mais velho do que o ano passado. — Pelos deuses, é você mesma! Três anos! Três!

— Do que está falando, Steven? — confusa, Luxanna apenas olhou para o amigo, vendo-o franzir a testa. Estava cansada demais para pensar em alguma coisa, mas ao ver o olhar sério dele foi como se um choque tivesse percorrido seu corpo. — Steven, que ano estamos?

— Você sumiu em 2016, Lux. Estamos em 2019 agora. Janeiro de 2019.

E, naquele momento, a cabeça de Montgomery ficou completamente vazia enquanto tentava engolir o que estava acontecendo. Sentou-se rapidamente e agarrou-se ao amigo, vendo-o franzir o nariz em uma expressão de hesitação, mas mesmo assim ajudando a garota a sentar-se.

— O que aconteceu nesses últimos anos, Steven?


Observações:
1. Essa CCFY se passa no passado. Fiz ela apenas para conseguir uns XP's qqq E explicar os motivos pelo qual a Lux não ajudou na guerra e tal;
2. Eu fiz uma postagem no hospital dos curandeiros para recuperar MP, então caso alguém possa ver eu agradeço q
3. A música que toca no final é essa aqui (clica). A música começa aos 3:00min.
4. Acho que era só isso. Obrigada pela atenção e ao avaliador que vai ler esse treco aqui <3

(C) Ross


Take courage in the light
Luxanna C. Montgomery
Luxanna C. Montgomery
Feiticeiras de Circe
Feiticeiras de Circe

Idade : 18
Localização : Ilha Spa

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CCFY - Luxanna Crownguard Montgomery, The Devil Daughter Empty Re: CCFY - Luxanna Crownguard Montgomery, The Devil Daughter

Mensagem por Ananke em Sex Jul 05, 2019 3:45 pm


Modelo de Avaliação


Método de Avaliação:

Valores máximos que podem ser obtidos

Máximo de XP da missão: 4.000 XP e Dracmas

Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

Realidade de postagem + Ações realizadas: 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc: 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência: 30%


RECOMPENSAS: 4.000 XP e dracmas

STATUS:
HP: 100/290
MP: 120/290

Comentários:
Olá, Lux. Gostei muito da sua missão, ficou bem completa. Achei alguns pequenos erros de português, mas após refletir e considerando o tamanho do texto, achei melhor não descontar nada, visto que na grande maioria o texto está bem escrito. Além disso te descontei HP e MP por ter tido sua magia sugada pela runa, também considerando que a mesma sugou sua energia vital (HP). Os dano no HP foram ainda mais acentuados com a queda e o braço machucado no final da narrativa.

Atualizado por Hefesto

Ananke
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Deuses Estagiários
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CCFY - Luxanna Crownguard Montgomery, The Devil Daughter Empty Re: CCFY - Luxanna Crownguard Montgomery, The Devil Daughter

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