The Blood of Olympus
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Cinema

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Re: Cinema

Mensagem por Alasca Gti em Seg Nov 17, 2014 12:01 am


É um encontro?
"A pessoa do acampamento para você". Ele sempre foi. Alasca nunca o tratara como qualquer pessoa do Acampamento, Andrew sempre mexeu com o coração da garota. A menina nunca soube como reagir a estes tipos de situação, estas de romantismo e de decisões. Mas, aquilo era instantâneo, era algo que já estava decidido deste o momento em que seus olhos cruzaram os do jovem no primeiro instante em que se viram, lá no CHB.
– Sempre fosses, és e sempre serás A pessoa do acampamento. – ela disse em bom tom, dando um largo sorriso depois.
Gti aproximou-se seus lábios de Sloan e o beijou calmamente.
Depois de trocar beijos, ambos notaram que só eles ficaram no local. E, bem, o guarda do cinema chegara na sala para checar se a mesma encontrava-se vazia. Neste momento, Alasca sentiu seu rosto queimar de vergonha.
A ideia. Antes mesmo de serem vistos, a garota abaixara-se, dando a entender que o filho de Hades também deveria fazer isso e o pegou na mão, o arrastando consigo. Os dois saíram agachados pela saída de emergência, que dava para os fundos do cinema; onde ambos conseguiram sair sem serem vistos.
Aquele dia? Marcado como o início de um novo casal, ele nunca sairia de suas mentes.






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Re: Cinema

Mensagem por Allyria em Dom Mar 05, 2017 8:53 pm


Vida e Morte

Aos 15 anos de idade Ally passou a fugir de casa com certa frequência, os treinamentos pesados cobertos de exigências maliciosas e palavras rudes a fizeram sair em busca de um refúgio, e ela o encontrou em Nova York. Era inverno quando aconteceu pela primeira vez, tinha visto milhões de cartazes expostos do lado de fora da velha construção de tijolos vermelhos. Muitas pessoas se reuniam sobre a calçada naquela noite, e pareciam felizes, a deusa jamais estivera em um lugar como aquele, e em algum momento, se viu seguindo junto a todos para dentro, e descobrindo o que chamam de sala vazia.

O cinema é geralmente coberto por inúmeras salas de exposição, e uma daquelas grandes, que ficam para testes de funcionários, e os filmes passam o dia todo. Foi ali que Allyria encontrou o seu refúgio, ninguém nunca a pegara escondida na sala de projeção vendo filmes, chorando em silencio ou rindo sozinha enquanto via as cenas aleatórias que se passavam sobre a tela. Depois da uma da manhã, aquilo ficava completamente vazio, sem funcionários, e sem pessoas para apreciar tamanha diversão, sabendo disso, a garota acabou tomando-a para si entre a uma da madrugada e as sete da manhã. E fez isso durante os três anos que se seguiram, sem nunca ser pega ou descoberta.

Já passava das duas da manhã quando Ally as transportou para a sala vazia, tinham vindo direto de uma festa fadada ao fracasso – ao menos para ambas, isso não incluía os convidados que ali se divertiam, era apenas um pensamento aleatório de uma deusa que sabia que tinha coisas mais urgentes para resolver – e agora estavam paradas de pé, bem ao centro de uma sala de cinema vazia. A tela era coberta por imagens do novo sucesso dos cinemas, um filme trouxa do qual Ally não se recordava o nome. E exceto pela respiração das duas ali presentes, nenhum outro ruído poderia ser ouvido.

— Precisamos conversar — Aquela não era a melhor maneira de iniciar um diálogo, ou um pedido desculpas, mas a deusa não conseguia encontrar as palavras para explicar como vinha se sentindo. Ally estava confusa, dilacerada e perdida, ao mesmo tempo que sentia remorso e raiva pelo ocorrido, também se arrependia, e isso por si só já era castigo suficiente para ela. — O que você viu, o que a tatuagem fez com você... eu — Ally respirou fundo uma segunda vez, levou as mãos aos cabelos dourados e os bagunçou de leve e desceu os dedos pela nuca, se sentia mais estranha do que nunca.

Me desculpe... Era o que deveria ter dito, mas ao mesmo tempo, era teimosa demais para fazê-lo, conhecia seus erros, mas também era orgulhosa em admiti-los, e não ajudava o fato de que Joyce não estava reagindo até o momento, só a encarando em silencio como se nada estivesse acontecendo entre elas. Queria gritar, e parecer uma jovem mimada, mas ao mesmo tempo, não sentia vontade de fazê-lo, por deuses, como uma mesma pessoa pode deixar alguém com tantos sentimentos explodindo do peito? Ally não tinha a resposta para tal pergunta, mas queria descobrir de alguma maneira.

A deusa se sentou numa das muitas cadeiras de couro da sala escura – precariamente iluminada em pontos estratégicos – e se deixou desabar de exaustão e cansaço, apesar de ter dormido nas noites que se seguirem ao infortúnio incidente com o cavalo, tinha sido pouco, e se sentia exausta. Não que a falta de sono pudesse matá-la, mas os pensamentos poderiam, quem sabe, devasta-la por completo, a ponto de fazê-la querer desaparecer.

— Me desculpe, não sei como fazer isso, não sei porque te trouxe aqui, não faço ideia do que estou fazendo, e se quiser, te levo de volta, então retorno para cá onde poderei ficar sozinha sem ninguém me ver lamentando por algo que não faço ideia do que está acontecendo — Desabafou a garota, encostando os cotovelos sobre os joelhos e a mão sobre a testa. Passou os dedos pelos fios loiros, e se deixou descansar.


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Re: Cinema

Mensagem por Joyce Karin Overwhite em Seg Mar 06, 2017 12:06 am



Joyce não reagiu. Simplesmente deixou que as coisas acontecessem, mesmo que seu interno gritasse para que não permitisse a aproximação da descendente uma outra vez. O seu fardo para maldições seria resguardado apenas para quando estivessem em momento para realizarem treinamentos e a fúria da bipolaridade encontrasse o caminho até elas. A cicatriz continuava a queimar, como se um novo fogo se propagasse pela extensa pele pálida e gélida, quase num tom mórbido da jovem filha da morte, que poderia ser facilmente comparada a um corpo morto - ou petrificado - se não, pelo fato de estar movendo o peito num ritmo lento de subida e descida pela respiração controlada e o piscar dos olhos. Fora isso, não havia movido nada mais e nem dito nenhuma palavra. Era uma perfeita estátua, para falar a verdade. O que Allyria queria que ela fizesse? Que lhe abrisse os braços para perdoar a tremenda covardia que havia feito? Joyce era muito mais do que isso. Não guardava rancor, muito pelo contrário. Apagava a existência do que quer que lhe causasse qualquer delito que pudesse considerar grave. Por mais que tivesse se decidido a fazer tal coisa com a deusa, algo perpetuava em sua mente. Tinha sido tola ao achar que Allyria jamais faria algo daquele tipo. Não com ela.

Quando se moveu, deu dos passos na direção da deusa, afastando os fios desgrenhados do cabelo negro - agora mais curto por tê-lo cortado nos quinze dias afastada - para que ela visse a cicatriz. — Isso aconteceu. — O tom da mais alta poderia ser, de fato, horripilante. Não havia vida, muito menos vontade nas palavras secas e despejadas de forma hostil. Mas não assustavam tanto quanto os olhos violentos. Mágoa, raiva, tristeza, decepção... Pela primeira vez, permitiu-se sentir e deixar que vissem. — As coisas que eu vi? Você não sabe, nem ao menos imagina como foi. — ralhou, furiosa, mas o semblante continuava o mesmo. Como se a vida estivesse deixando o seu corpo a cada nova palavra que lhe remetia a uma lembrança dos pesadelos. Soltou os fios para esconder a maldita marca que lhe acompanharia por toda a eternidade, afastando-a da vista da descendente. — Sabe quantas horas eu dormi nesses quinze dias? O motivo foi imposto por você, que me amaldiçoou com a tormenta de me maltratar com o meu pior medo. E você ao menos considerou qual seria ele. — Os ombros tensos formavam uma linha rígida, quase como se Joyce pudesse ter dobrado de tamanho, numa faixa de ilusão passageira quando, num impulso, tirou o colete de couro caramelo, jogando-o no chão mesmo. Ergueu a regata negra, para que ficasse evidente outras marcas, marcas que gerariam cicatrizes muito piores que as da tatuagem. Cortes. Profundos e feios. — Sabe porque eu fiz isso comigo mesma? Pra me acordar. Pra não ter que ver o seu maldito rosto em todos os meus pesadelos. Eu precisava de uma dor muito maior que a causada pelos pesadelos, e essa foi a única forma de me arrancar da merda em que você me colocou. — A cada nova sílaba, lágrimas passavam a escorrer dos olhos completamente negros da mais alta, que não se impediu de demonstrar nada daquilo, mas não cedeu ao pensamento que lhe pedia para parar naquele momento.

Era um misto de confusão, na verdade. Se Allyria queria pedir desculpas, que soubesse pelo que estava fazendo, então. — Sabe qual é o meu maior medo? — Não esperou nada para cuspir as palavras seguintes. — Meu maior medo foi ver, por seis noites, você sendo maltratada de diversas formas. Morrendo, diante dos meus olhos, precisando de mim. E o que eu podia fazer? Nada! — baixou a veste, recobrindo as marcas avermelhadas, inchadas pela violência ao terem sido feitas. Eram grandes riscas horizontais, num tom vívido de vermelho sangue. A única coisa que realmente aparentava vivacidade naquele corpo. — Irônico isso acontecer, quando na verdade, foi bem o contrário que rolou, hm? — O tom ácido retornou como uma pancada. — Satisfeita com sua maldição? É respeito que quer? — ao findar as perguntas, aproximou-se o suficiente para puxar a loira pelo pulso até que estivesse de pé, e num movimento brusco, caiu de joelhos a sua frente. Da mesma forma que havia sido deixada, com os punhos amarrados por uma corda no estábulo. — Pode comemorar, deusa. Você conseguiu. — Agora, não mais havia nenhum outro sentimento imposto que não fosse amargura e uma real tristeza. — Eu desisto. Não posso servir seu pai ou sua mãe nessa missão. Prefiro ter a vida ceifada do que passar pelo mesmo, outra vez. E eu sei que vai acontecer. — Ergueu o rosto, a angústia brilhando nos olhos negros. — Não posso mais ficar perto de você. — A voz falhou quando mais lágrimas acompanharam a frase.

E mais uma primeira vez irrompeu diante das duas. Joyce deixou-se desabar, no sentido mais literal. Não no mesmo que costumavam retratar em longas hollywoodianos em que um desespero é desencandeado por um choro sofrido e uma lástima profunda. Caiu sentada para um dos lados, com a muralha de gelo posta a baixo de uma única vez, quebrada em mil e quinze estilhaços.





● ● ● ● small doses

Joyce está usando isto, com esta máscara e adentrou o chalé de Afrodite, como assim havia sido indicado no convite. Não tinha pretensões de demorar, apenas saiu do chalé para tomar um ar e acabou decidindo dar uma volta por lá no intuito de distrair a mente. Acabou por encontrar Allyria, que as teletransportou para o cinema, longe do acampamento para tentarem conversar sobre o ocorrido da maldição.   ● ● ● ●  







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Re: Cinema

Mensagem por Allyria em Seg Mar 06, 2017 12:59 am


Vida e Morte

Ally passou a mão pelos cabelos uma segunda vez, o peito parecia pesar mais do que nunca, e sua respiração era falha. Ao erguer a cabeça, a deusa encontrou o olhar de Joyce, e se arrependeu imediatamente, sentia suas pernas bambas falhando miseravelmente com ela, e foi isso que a manteve sentada sobre uma das muitas poltronas na sala de cinema. Seus dedos se fecharam ao redor do braço no assento, e seus olhos pousaram nas marcas presentes no corpo da filha de Thanatos, e ali se fixaram por tempo demais. A jovem deusa ouvia as palavras da mais velha, e sentia os espinhos que perfuravam seu coração, estava queimando, e não conseguia controlar o fogo que se espalhava por dentro, não era capaz de impedir as inúmeras feridas que tinha causado em si mesma, e na garota ali a frente.

Ally mordeu o canto dos lábios, sentia a fúria das palavras de Joyce, a magoa presente, misturada a um pedido silencioso de que não a ferisse mais do que já estava, e tudo isso vinha misturado a uma suplica silenciosa, um pedido para que Ally a deixasse em paz. A deusa baixou a cabeça e encarou os pés, se sentia envergonhada e devastada, e a intensidade de tais sentimento era tamanha, que as lagrimas surgiram sem permissão. Seus olhos azuis estavam cobertos pela tristeza e pela culpa, brilhavam com tamanho fulgor que possivelmente teriam marcado qualquer outro humano presente, mas naquele momento, eles eram inexistentes.

O ar se sobre o cômodo se tornou pesado e intenso, igualando-se aos sentimentos de ambas as jovens ali presentes, ao mesmo tempo que a surpresa tomava a face da loira acuada sobre uma poltrona qualquer. Ally ergueu o olhar, com lagrimas escorrendo pelo canto dos olhos, e fixou-os no rosto de Joyce, podia ver neles a sinceridade estampada, cobertos por inúmeros sentimentos confusos, e até mesmo dolorosos. Mas... não fora isso que a levara a compreender o que tinha feito, foi a confissão dos pesadelos que conseguira instalar dentro da mente da semideusa ao lançar contra ela a maldição do sono da morte. Pesadelos esses que se referiam a ela.

Em nenhum momento Ally considerou o que poderia ter feito, dominada pela raiva do momento, mesclada a humilhação de ter sido arrastada apenas descontara a fúria contra a jovem, e o resultado de suas consequências, fora a destruição completa de uma garota que se importava verdadeiramente com ela. Acontece que Allyria nunca fora capaz de entender sentimentos, e Joyce era perfeitamente capaz de controla-los e esconde-los, isso só serviu para que ambas se ferissem no processo de aprendizagem, abrindo feridas e cicatrizes que as marcariam eternamente.

A jovem escutou em silencio por tempo demais, e apesar de ter se levantado, já não era capaz de sentir as próprias pernas, tinha amolecido completamente, e perdido o coração – podia jurar que esse tinha descido para barriga e agora brincava de pular em seus órgãos internos, mas sabemos que tal expressão não passa de um absurdo escrito por uma jovem qualquer – para o estomago, que agora se revirava inquieto. — Não... por favor não — Ally não foi capaz de fazer nada enquanto a via se ajoelhar a sua frente, o coração partindo em dois ao vê-la daquela maneira, e a confissão de sua dor mesclada as palavras carregadas por sentimentos ocultos, só serviram para fazê-la ceder.

Ally passou por cima do orgulho e da raiva, jogou para longe a deusa adormecida, pegando para si apenas o arrependimento, a bondade, e a generosidade que escondia tão bem dentro de si. Caiu ajoelhada a frente dela, sem qualquer força para sustentar as pernas por mais tempo, e respirou fundo, se aproximando de forma lenta. Podia aceitar qualquer coisa, e se pudesse pegaria a dor dela para si de bom grado, mas o estrago estava feito, e mais do que ninguém Ally sabia que não deveria alterar o passado, mesmo que pudesse. Entendam que no mundo dos deuses nada é impossível, contudo, tais limites são necessários para ir em busca do verdadeiro conhecimento, e das respostas que procuramos sobre a vida.

A vida só vale a perna ser vivida, se for feita da maneira correta, aprendendo com os erros, e crescendo com eles. Allyria entendia isso, e foram tais pensamentos que a levaram a chegar mais perto, e impedi-la de se afastar. A jovem pousou os dedos sobre o queixo de Joyce, e ergueu sua cabeça de forma delicada, pousando os lábios em sua testa de maneira protetora, e fechando os olhos ao fazê-los. Não disse nada por algum tempo, não conseguia, e não queria. Desceu a mão e envolveu seu corpo em um abraço protetor, a erguendo sobre a poltrona mais próxima e a sentando de maneira confortável, então estralou os dedos.

No assento ao lado uma caixa de curativos dos deuses surgiu como num passe de mágica, e Ally, ajoelhada à frente da semideusa, começou a falar. — Pedir perdão pelo que fiz seria pouco, sei que fui mandada para encontrar o equilíbrio, e que sou uma deusa sem qualquer nexo, cruel e que deveria deixar de existir. Eu não imaginava que era capaz de causar tamanho sofrimento, e não esperava ver você... justo você desse jeito — Enquanto falava, a menina também cuidava dos ferimentos da prole de Thanatos, lutando contra ela para poder cuidar de cada ferida presente em seu corpo. Retirou sua camisa, sem se importar o quão exposta a tinha deixado, e passou a usar os remédios especiais de Levi – o único jovem deus capaz de criar uma cura perfeita – para fechar cada um dos cortes avermelhados.

Limpava com cuidado, passando o liquido para restaurar a pele, e a energia perdida, reconstruindo a textura e a maciez de forma cuidadosa. Ao mesmo tempo que fazia, persistia em encarar o trabalho, mas continuava a falar com ela, como se de alguma maneira pudesse recompensar o que tinha feito. — Sei que posso curar suas feridas externas, mas que as marcas permanecem em seu corpo, sei que não tenho o direito de pedir nada de você — E Allyria realmente sabia de tudo aquilo. Guardou e limpou a garrafa, se livrando de tudo, e entregou a ela a camisa antes de se ajeitar a sua frente – ainda ajoelhada, e com uma das mãos apoiadas em sua coxa.

Estendeu a mão direita em direção a ela, fazendo crescer ali uma pequena flor. Um lírio branco, com um significado oculto e um pedido mudo que ela entenderia em breve. Lírios como aqueles costumam trazer um pedido único, que se resumem no desafio de amar alguém a sua maneira, Ally, silenciosamente Ally tinha lhe feito um pedido inverso. A jovem cristalizou a flor, e a tornou menor, até formar uma pequena corrente com uma frase escrita em Latim. — Não estou pedindo que não se afaste, estou me desafiando a amar você, se você deixar, se aceitar isso, estará aceitando meu desafio, o desafio de deixar uma deusa entregue a um sentimento puro, que até então, lhe servia como um lembrete do que era ser humana, e agora, também a torna uma — Ally prendeu o olhar sobre o dela, aguardando sua resposta, sem saber exatamente o que acontecia. Ali, tinha selado um destino estranho, e que ainda não compreendia.


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Re: Cinema

Mensagem por Joyce Karin Overwhite em Seg Mar 06, 2017 10:03 am



Estar perdida no próprio corpo era algo que Joyce já havia aceitado de bom grado pelos quinze dias que haviam se passado. Não mais se importava com as dores ou com a latente dor de cabeça que lhe acompanhava, culpa do sono em falta, após passar o restante do tempo - após os seis dias - revivendo cada pesadelo, não só nas noites decorrentes, mas em cada hora de todo o dia. Desde o momento em que havia caído no chão daquele ambiente o qual nem tinha se importado em identificar, não deu mais sinais de que estava em plena consciência. Tinha estado em modo ativo por tempo demais, nunca se permitindo pausar ou se quer tirar um tempo para descanso, sempre carregando fardos para cima e para baixo. Aquele tinha sido o resultado de tudo.

As feridas estavam limpas, e a dor insuportável que carregava todos os dias tinha diminuído e reduzida a quase nada, diante dos cuidados divinos da loira, o que provocava apenas uma baixa na dor que Joyce portava em seu interno. Ainda sim, aquilo não era nada se levasse em conta a tamanha carga psicológica que vinha sofrendo ao longo dos anos. — Eu não sei o que isso significa, Allyria. — deixou uma boa lufada de ar escapar de seus pulmões, cansada de suportar tudo, sempre sozinha. — Eu não sei se isso é certo. Não depois de tudo. — Crescer sozinha havia lhe ensinado muitas coisas, e uma dessas coisas era o fato de que as vezes, nem as melhores intenções podiam levar a algo bom ou agradável mais na frente. — Não posso mais fingir que faço as coisas por ordens de seus pais, pois não é. A muito tempo venho vigiando você, e não tinha ideia do que isso era até a sua maldição me mostrar o que realmente estava acontecendo. E está claro que você não escuta ninguém, explode quando acha que está fazendo a coisa certa, mesmo não estando. Você deveria ser o equilíbrio, a anos venho tentando te guiar para isso, mas está claro como falhei. — suspirou, puxando a regata para colocar outra vez. Sentou-se melhor, pegando o lírio agora solidificado numa correntinha, encarando o objeto com olhos opacos e cansados.

O que Allyria queria dizer com desafiar a si mesma em aceitar o amor a sua forma? Joyce não via traços de tal coisa na deusa. — Eu não sou capaz de fazer as coisas avançarem com você. Posso continuar treinando algumas coisas, mas não posso mais acompanhar você tão de perto. Eu preciso de um tempo para mim também, para me reerguer. — Subiu os olhos para encarar a mais nova, fechando a mão em torno do objeto. Joyce não conhecia muito sobre sentimentalismo, apenas o suficiente para saber que era algo perigoso. — Eu não compreendo o seu pedido. Quer que eu aceite o seu amor em suas formas? Está se desafiando a me amar? Você ao menos sabe o que é isso? Eu não sei. Nunca soube o que é isso ou o que pode vir junto. — Cansada. Era tudo o que resumia a filha de Thânatos, que fixou os olhos perturbados nos orbes azuis.





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Re: Cinema

Mensagem por Allyria em Ter Mar 07, 2017 1:42 pm


Vida e Morte

A tensão no ar era palpável, tomava conta das duas e preenchia o cômodo de sentimentos escondidos e palavras nunca pronunciadas. Era assustador para Ally, e a confundia. Se lhe perguntassem o que era o amor, ela certamente daria uma resposta digna de Afrodite, mas a verdade é que não sabia o que significa o sentimento, entendam, deuses são egoístas, afinal, não fora tal sentimento que um dia levara seu pai a raptar sua mãe, sem nem ao menos questionar se ela o queria? Persefone e Hades estavam felizes no palácio do submundo, mas isso não queria dizer que todos terminam da mesma maneira.

Suspirou, era capaz de captar as palavras de Joyce, mas não compreende-las, e esse era o motivo de ter hesitado diversas vezes em se pronunciar. Não tinha argumentos para rebate-la, e não possuía o conhecimento necessário para explicar os inúmeros pensamentos que a atormentavam. Ally sequer sabia o que estava fazendo, era guiada por um instinto primitivo que deveria pertencer apenas aos humanos, mas agora também tomava uma deusa. Ally ergueu a cabeça ao ouvi-la confessar que nem tudo que fazia se referia a ordens, e isso a deixou ainda mais perdida dentro de si.

Seu peito se enchia de algo desconhecido, bom e ruim ao mesmo tempo, e seus olhos alternavam as cores, indo de roxo para azul, e de azul para verde, algo que a denunciava completamente. — Eu não faço a menor ideia — Confessou ela baixinho ao ouvir as últimas palavras deixarem a boca de Joyce, e é claro que se referia a última de suas perguntas. Ally levou a mão a bochecha dela, e acariciou com a ponta dos dedos, mas acabou por escorrega-la de leve em direção a nuca da mais velha, e trazê-la para perto. Deitou então a cabeça da morena sobre o próprio ombro, e lhe acariciou os cabelos de forma lenta.

Se alguém lhe perguntasse naquele momento o que estava fazendo, repetiria a resposta que tinha dado a ela em voz alta, Ally não sabia o que estava acontecendo, mas sentia ser o certo. Talvez... só talvez, Afrodite estivesse brincando com ambas, estariam os deuses a observando? Apenas a ideia já lhe deixava completamente assustada, algo que Ally preferiu esquecer. — Eu não faço ideia — Repetiu ela, a voz baixa ressonando em seu ouvido, como uma melodia que apenas as duas compreendiam. — Mas você pegou a flor mesmo assim, sem entender, mesmo querendo se afastar, porque fez isso? — Questionou, apesar de saber que talvez nem Joyce compreendesse o que estava fazendo.

Ally deslizou a mão livre pelas costas da mais velha, e a aninhou sobre o próprio corpo. — Eu não fiz um pedido... fiz uma promessa, de que não a machucaria outra vez, estou falando para você sim... contudo, a promessa é válida para mim, só quis reforça-la para você — Explicou de forma simples, beijando a lateral do rosto dela e fechando os olhos. Ally poderia permanecer ali, abraçada ao corpo da mais velha pela noite inteira, mas ao mesmo tempo, sabia que não poderia fazer isso, pois a escolha não lhe pertencia. — Vou te levar de novo para o acampamento, e pedir a Quiron que me arrume um novo treinador, não irei força-la a conviver com a minha presença, e irei evitar a sua da mesma maneira — Ally mordeu os lábios, contendo as lagrimas que ameaçavam voltar, então a soltou, e deitou o corpo escorregar. Caiu no chão sentada, o olhar fixo ao dela.

— Eu não faço ideia do que está acontecendo conosco, mas talvez a melhor forma de descobrir sobre isso, seja me afastando de você — Ally desviou o olhar, então se levantou, virando o rosto para uma parede. — Levante-se, eu vou te levar de volta como você deseja, e depois disso, não precisara mais olhar minha face — Ally voltou a olhar para ela, e apesar da postura rija, tinha os olhos cobertos por uma aura de angustia característica, mas não a deixaria perceber. Seu peito estava repleto de feridas recentes e abertas novamente, mas Joyce também não saberia disso. A vantagem de ser uma deusa, é poder – mesmo que por pouco tempo – controlar as ações do corpo, e enquanto estivesse na presença dela, Ally o faria. Depois, desabaria sozinha onde ninguém pudesse ver.


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Re: Cinema

Mensagem por Joyce Karin Overwhite em Ter Mar 07, 2017 9:21 pm



Era exatamente aquela a resposta que ela esperava. Eu não sei. Joyce não era uma completa ignorante, que não sabia a maioria das coisas sobre sentimentalismo. Constantemente lidava com várias situações no dia-a-dia no acampamento, com campistas brigando e discutindo por coisas fúteis, proles de Afrodite despertando um interesse descomunal por eles sem o mínimo esforço, filhos de Ares lutando contra os próprios irmãos sem um motivo, apenas pela força do hábito de se estar num ambiente onde todos eram nervosos de mais para se manterem quietos por muito tempo. Eram muitas coisas, e com o tempo, ela foi se tornando uma ótima observadora. Arrependeu-se de ter se deixado tão vulnerável diante da deusa, que lhe havia feito uma promessa, e acabou por afastar o contato que havia sido imposto. Não queria o carinho dela, nem nada que estivesse longe de seu conhecimento. Ela não podia lhe oferecer o que não conhecia. — Faça isso. Estou cansada. — levantou-se, puxando o colete que havia tirado, vestindo  o tronco novamente com a peça de couro marfim. — Ter pego não quer dizer que eu tenha aceitado. Tome. — não esperou uma ação da loira, apenas puxou sua mão, depositando a correntinha com o lírio lhe dado a poucos instantes. — Dê isso a alguém com quem se importe de verdade. Que não vá machucar ou esconder coisas. — suspirou pesadamente. Estava realmente cansada.

Joyce resolveu que era melhor daquele jeito. Seu coração lhe pedia um tempo, assim como a mente já pedia pelo feito a muito tempo. Não podia se deixar levar por uma carga emocional camuflada diante de tantas expectativas não atendidas. Não podia se iludir, não mais. — Não se incomode em procurar Quíron. Não é ele que resolve, de qualquer forma. Seu pai é quem deve intervir, ele sabe quem é melhor para cuidar disso. — deixou claro que Quíron não era o responsável pela escolha do novo treinador(a). A filha de Thânatos estava completamente incomodada com a presença da descendente. — Eu não sou idiota ou burra, Allyria. Não é porque não demonstro nada, que eu não percebo quando escondem algo. Fui clara com você, mas nem para se dar o trabalho de fazer o mesmo você consegue. Não faça isso com o próximo que se dispor para lhe ensinar. — Havia raiva no tom da morena, mas existia muito mais tristeza do que outra coisa. A semideusa não tinha mais o que dizer, então apenas esperou pelo regresso em silêncio.





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Re: Cinema

Mensagem por Allyria em Dom Mar 12, 2017 12:27 pm


Vida e Morte

Ally entendia o motivo de Joyce estar magoada, mas no momento, não conseguia pensar em nada, e nem agir conforme devia, não podia melhorar a situação, e precisava de tempo. Ficar longe dela lhe parecia a melhor escolha, mas isso não queria dizer que estava gostando de fazê-lo, só... não podia, não naquele momento, e os sentimentos confusos que se ajustavam dentro de si precisavam de uma resposta, a qual ela devia procurar sozinha. Ficar perto de Joyce, no momento, era um risco grande demais, e Ally não podia suporta-lo. — Você está certa — Ally murmurou ao se virar para ela, os olhos nublando-se pelo teor dos sentimentos que escondia, e que não era capaz de controlar. — Vai ficar tudo bem, com o tempo isso passa, e você não vai mais se machucar — Murmurou a deusa, se aproximando dela e a tomando nos braços.

Ally suspirou, e não a respondeu, porque não conseguia fazê-lo naquele momento, e não podia, enquanto não esclarece as coisas dentro de si, e entendesse o que se passava com ela, persistiria longe, sem se aproximar. Se... e só si, mais tarde tudo mudasse, e não fosse tarde demais, então ela correria atrás do que lhe afligia, e deixaria as coisas ás claras, mas por hora aquilo deveria ser suficiente. Ally transportou as duas de volta para o acampamento meio sangue, mais precisamente para o chalé de Thanatos, não deu chance de Joyce questionar ou perguntar nada, apenas a deitou na cama, e beijou sua testa, sussurrando em seu ouvido. — Tenha bons sonhos minha menina — Tinha lhe dado um presente e tanto, naquela noite ela iria dormir, mas estaria livre de sonhos, e quando acordasse na manhã seguinte as dores teriam desaparecido, e seu corpo estaria restaurado.

Ally permaneceu ali de pé por cerca de uma hora, velando o sono da garota que a perturbava, mas não de um jeito ruim. Se sentia inquieta, mas ao mesmo tempo desesperada, pensava é claro, mas não chegava a qualquer conclusão, não tinha um discurso pronto, e nem sabia como lidar com o que estava acontecendo. Suspirou, e se abaixou sobre o corpo dela, prendendo o colar com o lírio em seu pescoço e selando sua promessa. Não importava se ela não tinha aceitado o presente, porque de alguma maneira, aquilo para ela era uma promessa de retorno, de que tudo ficaria bem. Tinha que significar algo, ela precisava que sim.

Suspirou novamente, e se inclinou fazendo carinho em seus cabelos, a observando dormir. Joyce ficava serena quando fazia isso, tinha os olhos fundos pelo cansaço, mas a expressão de um anjo, como a própria morte se parecia. Era encantador observa-la daquela maneira, e apesar de se sentir uma completa intrusa, também não conseguia se afastar. Permaneceu ali até que o sol começasse a raiar no lado de fora, dando indícios de que em breve nasceria, então beijou-lhe a testa, e saiu do chalé, dispersando sua presença da vida dela pelas semanas que se seguiram. E permanecendo assim por tempo demais, até mesmo para ela.


Fantasmas são lembranças, e os carregamos porque aqueles que amamos não deixam o mundo.
“Sempre achei que ninguém pudesse se perder de verdade se conhecesse o próprio coração. Mas temo ficar perdido sem conhecer o seu (…)”
 
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Allyria
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