The Blood of Olympus
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RPs - Shin Dak Ho

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Mensagem por Shin Dak Ho em Dom Maio 12, 2019 6:50 pm



Tópico refere aos roleplays do evento Um Conto de Fadas. 





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Mensagem por Shin Dak Ho em Dom Maio 12, 2019 8:42 pm

"Estou dentro do horário do bônus do evento, meus fragmentos devem ser duplicados."




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bored



Meus primeiros momentos como isso de reclamado foram estranhos. Quer dizer, de uma hora para outra todos os olhos ao meu redor se voltaram pra mim, algumas pessoas aplaudiram e outras poucas se aproximaram para me parabenizar por algo que nem mesmo eu estava entendendo. Minha mãe, do meu lado, segurava minhas mãos com força e claramente emocionada acabou por me fazer ficar emocionado também, e aproveitei o abraço que recebi para enfim perguntar baixinho, de uma forma que só ela ouviria.

— O que está acontecendo? — o sussurro saiu meio engasgado, porque eu não estava mesmo compreendo aquela situação. Estava mais para assustado, na verdade.

— Seu pai lhe reconheceu como filho dele. — tão baixo e engasgado quanto a pergunta foi a resposta, e o abraço ficou ainda mais forte por breves segundos antes dela enfim me soltar — Dakho, filho de Hipnos e legado de Afrodite.

— Hipnos? O deus dos sonhos? — como uma criança assustada voltei a me aproximar do corpo da minha mãe e senti uma lágrima descer pelo meu rosto, o que eu tratei rapidamente de enxugar com a manga da minha camisa.

— Eu sabia que você iria reagir assim. — a mulher ri alto, como se alguém tivesse contado uma piada, e então passa a mão pelo meu cabelo em um gesto de carinho — Mas relaxa, todo mundo aqui passa por isso. Alguns são mais animados nas suas reações, outros nem mesmo reagem, não tem problema ficar confuso, com o tempo as coisas se encaixam, okay?

— Mas o que acontece agora? — questionei agora mais calmo, segurando a borda da minha camisa como forma de dar uma freada na ansiedade que estava subindo — Eu tenho que ir atrás do meu pai ou algo assim?

— Bom, agora que sabe de quem você herdou os poderes divinos vai poder receber um treinamento mais adequado. Vai aprender a usar cada poder e irá manifestar mais com o tempo. Por agora, você precisa pegar suas coisas no chalé. Eu vou avisar o senhor Quíron sobre o que aconteceu e quando ele tiver um tempinho fala com você, tudo bem?

[...]

Minhas primeiras impressões quando cheguei no chalé de Hipnos? Que lugarzinho mais parado, viu. Comparando com o chalé do Hermes lá era uma festa e aqui seria um enterro, metade por não ter tanta gente assim e metade por ser realmente quieto. Ah, espera, tá achando que tudo isso são reclamações? Meus anjos, eu só posso é ter morrido e ter ido pro paraíso. Nada contra os filhos de Hermes e outros que ainda não foram reclamados, mas o meu lance é um quarto quietinho e sem bagunça que posso colocar minha música ambiente e ter uma boa noite de sono. Eu não poderia pedir por mais nada, o ambiente me lembrava muito da minha casa, e exceto pelos outros dois campistas que eu estava dividindo o quarto — e olha só, meus meio irmãos que eu não sabia que tinha! — tudo parecia estar no lugar. Foi uma noite de sono tranquila, de verdade mesmo. Eu não dormia tão bem desde que minha mãe disse que traria para cá, então ter esse momento de descanso depois dos dias de correria e ansiedade estava sendo realmente gratificante.

[...]

— Só mais cinco minutos, mãe...

— E eu tenho cara de ser sua mãe, garoto?


Eu estava realmente pra lá do quinto sono e o travesseiro que tinham me emprestado era tão confortável que eu não pretendia me levantar tão cedo. Bom, isso se não fosse pela voz estranha me chamando. De início eu dei a resposta automática, meu cérebro jurando que se tratava de mais um fim de semana que dormi demais, mas ainda de olhos fechados fui colocando os pensamentos de volta nos seus lugares. Quando abri os olhos não encontrei ninguém me chamando, e torcendo para ter sido só algum resquício de sonho apenas me virei para o outro lado, no que levei um tapa no nariz e foi o suficiente para me dar um susto que me fez rolar pra fora da cama e cair de cabeça no chão.

— AH! — exclamei quando atingi o chão, mais pelo susto que pela dor em si.

Fiquei alguns segundos parado de olhos fechados, passando a mão onde minha cabeça doía, e esses segundos foram suficientes para que eu adormecesse de novo naquela posição desconfortável mesmo. O chão estava tão morninho que foi inevitável simplesmente pegar no sono de novo, sabe.

— Mas era só o que faltava mesmo.

Uma voz parecia vir do outro lado da cama, no que consegui sentir como se algo pequeno tivesse sido arremessado em cima dos meus pés. Não dei muita atenção, o chão com certeza estava sendo o meu melhor amigo. Estava tudo bem até eu sentir a coisa pequena descendo pelas minhas pernas e correndo pela minha barriga. Aí já era demais e ameacei me levantar, mas assim que apoiei os cotovelos no chão fui pego por um relógio de bolso na cara. Espera, um relógio na cara?

— Que porra é essa?!

— Mas que palhaçada, hein. Tinham me jurado que os caras desse chalé eram calmos e não faziam barulho, mas você está se superando, viu. Desse jeito vai acordar o acampamento inteiro.
— a voz não parecia nada feliz, e embora eu estivesse com os olhos entreabertos e vendo tudo embaçado ainda não tinha encontrado de onde ela estava saindo. Será que...

— Isso é algum tipo de trote para os recém reclamados? Porque se for eu juro que raspo o cabelo depois, só me deixa dormir mais, nunca pedi nada.

— Que trote o quê, olha pra mim.

Minha cabeça se moveu para todos os lados, até me deitei de novo para poder olhar para trás de mim — e quase dormi de novo enquanto fazia isso — mas não encontrei nada, até que senti algo puxando a gola do meu pijama de seda. Isso negócio é caro, e embora eu tenha vários outros não sou muito fã de sair danificando minhas roupas. Olhei pra frente de novo e só então percebi o coelho segurando minha roupa como se fosse algum tipo de valentão ameaçando o cara novo. Comecei a rir como se tivesse finalmente entendido uma piada.

— Saquei, saquei, é assim que os novatos são recebidos. Hogwarts tem os fantasmas, o Acampamento tem os coelhos. — a essa altura eu já estava completamente acordado e minha hipótese fazia total sentido na minha cabeça.

— É, a diferença é que Hogwarts não existe, seu tonto.

E só então eu comecei a ligar os pontos. Nunca fui muito de assistir os filmes antigos da Disney, no máximo Dumbo, mas a caracterização do coelho da Alice no País das Maravilhas era tão específica que é o tipo de coisa que você bate o olho e percebe logo. No meu caso eu não precisei só bater o olho, como levar uns tapas e uns beliscões, mas você entendeu. Eu não tinha percebido até então, mas o relógio que ele tinha arremessado na minha cara caiu virado pra cima e ele desviava a todo momento o olhar para lá, confirmando as horas. Não tinha outra opção, ele era o Coelho Branco.

— Eu não entendo...

— Não precisa entender.
— responde o coelho guardando o relógio de volta no bolso e pulando de cima de mim, indo em direção à porta do quarto onde estranhamente meus outros irmãos pareciam não ouvir nada — Só precisa me seguir.

Em condições normais eu não seguiria um coelho de paletó falante, mas depois de ver minha mãe enfrentar uma harpia e um centauro eu acho que podia dar a mão a torcer um pouquinho. Além disso, ele já tinha me acordado mesmo então pra mim fazia total sentido pelo menos compensar o sono que me foi roubado fazendo logo o que ele quer. Um medo? Não seguir o coelho e ele voltar todo dia pra me acordar antes das onze da manhã. Dito isso, fui atrás.

O Coelho Branco parecia apressado, falando a todo momento que estava atrasado, bem como a história que ouvi quando criança dizia que ele era. Eu ainda estava cogitando ser um tipo de trote quando chegamos próximos de um buraco e ele me mandou pular. Mal cabia a minha mão naquilo, como assim pular?

— Não pensa, só pula.

Foi o que ele disse momentos antes de se jogar e o buraco se expandir ao maior estilo Super Mario e engolir o corpo inteiro do bichinho. Demorei alguns segundos ainda, batendo o pé no chão e pensando se essa não seria uma ótima hora para voltar pro meu quarto e fingir que nada tinha acontecido. "Ele já se jogou, não deve voltar tão rápido", pensei, mas aí um relógio saiu voando lá de dentro e me acertou o nariz de novo.

— Ai! — exclamei com a mão no rosto.

— Vem logo! — gritou o coelho lá de dentro, e sua voz abafada indicava certa profundidade.

Ah, quer saber? Pulei.



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Mensagem por Phobos em Seg Maio 13, 2019 6:40 pm


Shin Dak Ho


Método de Avaliação:

Valores máximos que podem ser obtidos
Máximo de XP da missão: 500 XP e Dracmas + 1 Fragmento

Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

Realidade de postagem + Ações realizadas: 25%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc: 10%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência: 15%

RECOMPENSAS: 250 XP e Dracmas

Comentários:
Bem, semideus, tenho elogios a fazer. Gostei da forma como acrescentou a introdução do personagem ao acampamento, simples e sucinta, sem enrolação. O diálogo entre Shin e o coelho foi caricato, certamente espero poder ler mais de suas missões neste evento.

Entretanto, o motivo que me fez reduzir drasticamente sua recompensa pela metade foi o não seguimento de uma diretriz da missão. Na descrição fica claro que o player deve finalizá-la caindo no buraco, despertando na floresta e recebendo as boas-vindas. Veja bem, você finalizou a narração apenas se jogando no buraco.

Apenas mais um lembrete: deixe sempre em destaque a missão fixa realizada, seja no início ou no fim do post, em spoiler ou citação, pois assim facilita o trabalho do avaliador para saber tanto a recompensa quanto o enredo proposto. Bem-vindo ao evento e atente-se nos próximos posts!



É nóiz que tah!
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Mensagem por Shin Dak Ho em Sab Maio 18, 2019 2:50 am




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wicked?



Eu não sei bem como descrever aquela queda... Foi divertido como bungee jump no início, começou a ficar entediante ali pelos cinco minutos de queda seguidos e dali pra frente foi só ladeira abaixo, pra mim que eu até cochilei ali pela metade da viagem. Pra piorar estava escuro, mal dava pra ver minhas mãos quem dirá o coelho. Falando em coelho aquele pilantra nem mesmo respondeu nas nove vezes que chamei porque queria conversar com alguém, então apenas cruzei as pernas ainda em queda livre e esperei alguma coisa acontecer. No filme não parecia ter demorado tanto, esse galera devia ser presa por propaganda enganosa, isso sim.

— Bem vindo à Floresta Encantada!

Eu já estava pra lá do quinto sono quando percebi uma voz assim ao longe. Quando abri os olhos notei então que já não estava caindo por algum tempo e tinha alguém parado na minha frente. Levantei o rosto sem ainda tentar me levantar e dei de cara com um garoto com uma expressão de tonto de filme. Ele estava comendo algum tipo de fruta e acabou voando um pouco de saliva bem em mim quando ele abocanhou mais um pedação. Já levantei como, preparado pra esfaquear um, mas pensei melhor e não parecia a melhor coisa a se fazer em território desconhecido. Eu só pensei que iria parar no País das Maravilhas e não em uma floresta estranha com um garoto estranho.

— Você dá oi pra todo mundo que aparece por aqui ou foi só comigo? — questionei de forma sarcástica mas que não denunciasse meu aparente mau humor repentino com a situação.

— Não, mas nunca te vi por aqui então resolvi dar olá. — respondeu o garoto dando outra mordida na fruta que agora percebi ser uma maçã.

— E onde exatamente seria aqui? — questionei finalmente me levantando e tirando a poeira da minha roupa.

— A Ilha dos Perdidos, ué. Será que você bateu muito forte com a cabeça no chão quando caiu da árvore? — ele não parecia estar debochando e realmente achar apenas que perdi a memória, então dei corda pra não entregar ser um forasteiro.

— Ah sim, claro, eu sei disso. Bem, valeu aí.

Desconversei e comecei a sair de perto, no que o garoto simplesmente deu de ombros e continuou seguindo seu caminho com um sorriso no rosto. A verdade é que assim que abri distância e percebi estar sozinho levei as mãos até minha boca para abafar o berro que dei. Bicho, a Ilha dos Perdidos? De verdade? Se isso é sério então não estou no mundo da Alice, eu estou no mundo de Descendentes. Minha primeira surpresa foi a ilha ter uma floresta, não tinha visto isso sendo explorado nos filmes. Segundo, comecei a me questionar se eu estava em uma ilha que seguia a cronologia dos filmes ou estava antes dos convites acontecerem.

Calma, eu vou explicar pra quem não sabe: nesse mundo todos os mocinhos e vilões tiveram filhos pra continuar seu legado. Todos os mocinhos se reuniram em um reino só batizado de Auradon, sob o comando de ninguém menos que Bela e Fera, enquanto os vilões foram banidos para a Ilha dos Perdidos e são mantidos presos nela por uma barreira mágica feita pela Fada Madrinha. Quando Ben, filho da Bela com a Fera, assumiu o posto de seu pai e se tornou rei ele implantou um sistema de convites para que os filhos dos vilões estudem em Auradon, começando com apenas quatro. Contexto dado agora eu vou explicar porque eu dei um berro e estou tão animado com essa situação: eu sempre gostei mais dos vilões desses filmes que dos heróis, além de amar o conceito de filhos de personagens tão icônicos da Disney. Por isso estar em pessoa aqui na ilha onde meus personagens favoritos vivem é simplesmente uma sensação que não dá para colocar em palavras.

Meu deus, tô tão animado que acho que vou vomitar. Calma, Dakho, respira. Um, dois. Okay, seguindo.

Meu primeiro trabalho foi encontrar a saída da floresta. Cogitei primeiro seguir as pegadas do garoto de antes, mas tinha a chance dele não ter voltado para a parte povoada da ilha, além de que seria estranho ficar seguindo ele. Optei então por apenas seguir em frente e torcer para dar certo, o que se mostrou eficaz em poucos minutos quando a iluminação de algumas casas faziam-se presentes no horizonte. Feito isso, meu próximo passo seria decidir o que fazer. O coelho continuava desaparecido e eu ainda não tinha a mínima ideia do que aquele mundo era exatamente. Será que os personagens dos contos sempre existiram assim como os deuses? Era algo a se pensar, mas enquanto caminhava absorto em pensamentos — e chamava alguma atenção indesejada por estar bem vestido demais — quase dei de cara com Uma, filha da bruxa Úrsula de A Pequena Sereia. Ela é líder de um dos bandos de jovens criminosos da ilha, sendo os filhos do Capitão Gancho e Gaston seus fieis escudeiros, dos contos de Peter Pan e Bela e a Fera respectivamente. O filho do Gaston eu só lembrei agora, mas foi o garoto tonto que encontrei na floresta. Se ele me visse com certeza me deduraria, e eu não estava visualmente em condições de me passar por vilão com aquelas roupas chiques do mundo real.

Foi uma decisão difícil porque eu jamais faria isso no mundo real, mas estando perdido em um mundo desconhecido eu pensei que talvez pudesse ousar. Como dito, sempre me imaginei como um desses vilões da ilha, então seria interessante passar uma noite como se fosse um deles. Seria uma boa lembrança, por mais contraditório que um mocinho se passando por vilão possa ser. Não ligo para o que vão pensar depois, mas por hoje eu sou podre até o coração¹. Entrei no primeiro beco que encontrei em busca de possíveis alvos e acabaram sendo uns bêbados desatentos. O agasalho de um, a calça rasgada de outro e de pouco em pouco meu visual estava completo, com direito a algumas manchas de tinta que consegui sujando a mão em um tonel vazando. Perfeitamente camuflado era chegada a hora de me misturar.

Na minha análise eu precisaria sair da ilha pra conseguir alguma ajuda sobre o coelho, porque né, o conceito da ilha é passar a perna em todos. Se eu pedisse ajuda falando que precisava encontrar um coelho mágico eles primeiro iriam rir de mim e depois me jogar no mar com os pés amarrados. Como não quero simplesmente correr o risco eu teria que seguir o protocolo das redondezas, começando com a expressão e o andar. Não olhar nos olhos de ninguém era a regra, sempre de queixo erguido como se fosse o dono da cidade. Chamaria alguma atenção, sim, mas não seria uma atenção que me faria de todo mal. Para que minha fuga da ilha fosse um sucesso eu precisaria primeiro me envolver com os filhos dos vilões para ganhar a confiança deles e então dar meu jeito de escapar para a cidade.

Levei algum tempo andando até finalmente achar o restaurante da Úrsula. No filme muitos vilões se reúnem para se alimentar aqui, e Uma é a garçonete. Sendo ela a líder do bando eu precisaria convencê-la a me deixar participar. Nos filmes ela dá um jeito de atravessar a barreira que impede a saída, então eu precisaria do método dela para conseguir chegar do outro lado. Mudando a postura, tentei me esgueirar pelos cantos enquanto ouvia atentamente  Uma não estava à vista, talvez estivesse preparando algum pedido nos fundos. Seus capangas estavam por ali, aparentemente discutindo algo com Harry, filho do Capitão Gancho. Continuei tentando me aproximar porque parecia que ainda não tinham me notado. Em determinado momento consegui ficar encostado em um pilar perto o suficiente para ouvir do que estavam falando. E sobre o que era o papo?

Soltar as gárgulas do castelo da Malévola para dar uma agitada nas ruas. O motivo disso? Apenas diversão. Por detrás do pilar abri um sorriso. Cara, como eu queria participar de uma missão dessas. Malévola é uma bruxa incrível, como eles conseguiriam soltar seus guardiões assim sem mais nem menos? Ainda estavam dando sugestões e Harry estava sendo categórico em recusar todas. A trupe ficou em silêncio só de Uma se aproximar, finalmente a pessoa que eu procurava estava por perto. Vindo do balcão, tinha acabado de entregar um pedido de lula com algum molho que parecia incrivelmente nojento. Jamais colocaria as mãos naquilo, quem dirá minha boca. A capitã cobrou um plano de ação e Harry se ajoelhou pedindo desculpas por ainda não terem tomado uma decisão. Uma apenas grunhiu e virou-se de costas, deixando suas tranças azuis baterem no rosto de dois capangas genéricos. Do canto eu observava tudo, ainda sem ser percebido. No fim das contas talvez aquela fosse a brecha que eu tanto estava desejando.

— Eu posso ajudar com isso, se quiserem.

Disse elevando um pouco minha voz para me fazer ser ouvido. Saindo do canto escuro a passos lentos para criar justamente um efeito dramático, parei com apenas metade do meu rosto sendo iluminado — e de forma ainda precária, a iluminação do restaurante não era das melhores —, no que Uma se virou na minha direção e começou a rir. Esnobou, afinal nunca tinha me visto pelas redondezas e segundo ela não recruta qualquer inútil que aparece implorando pra participar da brincadeira. Me pegou de surpresa, no que dei uma engolida em seco e tentei recuperar a atitude antes de dar meu próximo passo.

— Não sou qualquer um, Capitã Uma. E posso provar. Deixe que eu liberte as gárgulas.

Harry tentou se meter falando que não era para um estranho dirigir a palavra diretamente à Uma. Esta, por sua vez, manteve-se em silêncio enquanto me encara. Não desviei o olhar por nenhum momento, precisava mostrar confiança. Pareceu ser o suficiente para a jovem bruxa, que moveu o indicador me chamando para mais perto². Finalmente revelei meu corpo inteiro, arrancando algumas risadas debochadas de alguns tripulantes. Pouco liguei e continuei andando em frente. "Se cumprir sua palavra", Uma disse segurando meu rosto pelo queixo, "você está dentro. Do contrário, é melhor que nem volte mais."

— Não se preocupe com isso. Terão a sua diversão mais tardar até a meia noite. Estejam por perto.

Eu estava pronto para a ação, segurando o sorriso durante todo aquele papo. Dá para acreditar que estou mesmo em um mundo de fantasia igual ao mundo de Descendentes? Uma emoção e tanto. Seguimos então pelas ruas eu, Harry e Uma. Me mostraram onde ficava o castelo da Malévola e explicaram os detalhes do plano deles. Precisavam mostrar que com a saída de Mal da ilha — a filha da Malévola, que recebeu o convite para ir até Auradon — agora um novo grupo tomava conta do pedaço. Uma considerou um aviso digno invadir o castelo justamente da mãe de Mal, e eu só conseguia ficar ainda mais ansioso por estar me deixando levar por uma situação dessas. Era a primeira vez na minha vida, eu mal conhecia meus poderes de semideus e no entanto estava me colocando numa situação que considerei por demais perigosa. Harry me entregou uma chave que ele disse mágica, bastava encostar ela no que eu gostaria de destrancar e então eu conseguiria abrir qualquer fechadura. Guardei a tal chave mágica no bolso antes de me despedir com um aceno logo antes de dar a volta no castelo pronto para entrar de uma vez.

Cogitei alguma demonstração de parkour, coisa que não sei fazer mas poderia improvisar, mas como eu precisava mostrar um bom desempenho para conseguir arrancar meu ticket de saída dali de Uma optei por fazer pelo básico. Logo na entrada do castelo existiam 4 gárgulas o guardando e essas eu simplesmente ignorei. Me esgueirando da mesma forma que fiz no restaurante, me aproveitei dos pontos mais escuros da frente do castelo para enfim atingir alguma entrada lateral. Um pouco desengonçado entrei por uma grande janela depois de escalar uma altura de mais ou menos 2 metros me apoiando nos espaços desgastados dos grandes pedaços de pedra que compunham as paredes do lugar.

Do lado de dentro o clima ficou denso, com tudo iluminado por chamas esverdeadas que pareciam de alguma forma ser espectral. Eu não precisava liberar todos os gárgulas possíveis, minha metade era soltar pelo menos uns seis. Seriam o suficiente para passar o recado e provar que não os libertei por sorte, sendo um número considerável. Não conhecer a planta com detalhes não seria problema, afinal gárgulas ficam normalmente guardando a fachada e castelos em filmes de princesas sempre tem um grande lance de escadas que leva até o topo. Meu trabalho foi localizar essa escadaria, no que tratei de subi-la rapidamente para não ser visto. No topo do lugar eu conseguia ver os exatos seis gárgulas que eu queria, todos de costa com sua pele de pedra olhando para frente, guardando o castelo dos outros moradores da ilha. Felizmente eu não era um morador comum do lugar e minhas horas de videogame de espionagem estavam vindo a calhar. Mentalmente cantarolando a música tema de 007, me encostei, rolei e me arrastei pelos pontos mais escuros do tempo até me aproximar das gárgulas. Uma por uma fui encostando a tal chave mágica nos cadeados, libertando todos os guardiões de pedra ali em cima e com um alguma força precisei empurrá-los para que fossem de encontro ao chão. Eles iam se transformando momentos antes da queda acabar, ganhando vida como os guardiões que são porém agressivos demais e não ficando meramente protegendo o castelo.

Lá de cima dava para ver com clareza a Uma e sua trupe dando a volta para atiçar os bichos para segui-los. As criaturas pouco racionais caíram no truque facilmente, seguindo os rebeldes pelas ruas derrubando tudo e empurrando os moradores que estavam vagando àquela altura da noite. Tratei de descer pelo mesmo caminho que entrei para me juntar a eles, o que não foi problema assim como a entrada, o que me fez questionar o motivo de tal facilidade³. Do lado de fora segui para o ponto de encontro marcado, na entrada da floresta encantada e de longe eu já conseguia ouvir as risadas animadas da trupe de piratas, todos se divertindo atiçando os bichos. Eu não sabia nada sobre a floresta encantada e achei de péssimo planejamento levar os bichos para lá, afinal imaginei que todos estariam dormindo tão tarde da noite.

Eu estava muito enganado.

Diversos humanos estavam por ali, caçadores que pareciam nada diferentes de um caçador do mundo real, ursos, camponesas e até uma princesa que eu posso jurar ser a Branca de Neve estava perdida pela floresta. Foi estranho vagar por entre as árvores tendo apenas a lua iluminando, estava muito escuro mas isso não parou ninguém. Decidi parar de bancar o sem graça analítico e me divertir com a situação. Eu estava com os vilões, então que agisse como um. Localizei uma barraca perto de uma fogueira e então aticei uma gárgula naquela direção, no que ela prontamente avançou contra a barraca prendendo-a entre suas garras e puxando-a para cima, deixando no chão só um homem e seu colchão. De braços cruzados dei tchauzinho quando ele abriu os olhos e tentou fugir.

— Já está indo? Poxa, fica um pouco mais.

As risadas ao longe poderiam ser assustadores, e eu estava mesmo encarnando o personagem quando dei uma pisada mais forte no chão e gritei buu, espantando o caçador. Uma me pegou de surpresa naquele momento, descansando uma mão no meu ombro. Segundo ela eu tinha feito um ótimo trabalho mas que ainda não estava acabado. "Por que provocar apenas a ilha? Queremos mais, queremos que Auradon saiba que estamos aqui e estamos insatisfeitos, não é?", ela perguntou com um sorriso no rosto. Ainda submerso no clima e no personagem, apenas sorri de volta em um momento bem vilanesco. Segundo ela o motivo por trás de infernizar a floresta encantada é que na verdade ela tinha surgido há pouco tempo e pelo o que ela explicou os limites da floresta iam além da barreira. "Harry disse que viu alguns portais por aqui, mas eu acho que ele só estava exagerando", explicou, "mas a Fada Madrinha vai querer saber disso". Em resumo, a floresta não era pra existir, e podendo se tornar um local de escape dos moradores da ilha... Auradon não podia permitir. A Fada Madrinha teria que ir até lá erguer a magia de controle na floresta também, e o plano era aproveitar que a barreira seria desfeita momentaneamente para que ela passasse e então fugir pelas profundezas, com um pouco da magia marítima que ela aprendeu com sua mãe Úrsula.

A danação se seguiu por madrugada a fora até Malévola despertar e se dar conta de que seus guardiões tinham sumido. Todos retornaram após seus olhos brilharem em verde. O plano, de toda forma, tinha dado certo. E eu parecia já ter minha forma de sair da ilha. Minha vida de falso vilão estava contada, aparentemente, mas tinha sido uma noite incrível. Talvez eu tentasse ser uma arruaceiro quando voltasse pro acampamento. Quem sabe? Para agora me restava a Fada Madrinha ir até a ilha resolver os problemas que surgiram de repente. E quando ela viesse seria minha deixa para dar o fora daquele mundo.

missão realizada:
Gárgulas – O castelo da Malévola é cheio de Gárgulas e você achou que seria interessante libertar algumas na floresta encantada para causar confusão. Liberte as gárgulas do castelo durante a noite e ajude elas a assustar alguém na floresta encantada. Crie caos.
Recompensas: 5.500 XP e Dracmas + 3 Fragmentos.
Requisito mínimo: Nível 1.
considerações:
Ficha de Atributos: http://www.bloodolympus.org/t4889-fpa-shin-dak-ho#99132
¹ referência a Rotten to The Core, música de abertura do primeiro Descendentes
² efeito da habilidade passiva como legado de Afrodite, Uma foi menos implacável por considerar Dakho muito bonito
³ como não conhecedor ainda de suas habilidades divinas ele não sabe da sua habilidade de não produzir silêncio proveniente do seu pai Hipnos, o que foi justamente o motivo dele ter conseguido ser muito mais furtivo do que imaginava que seria
*Optei por uma rota um pouco diferente, começando com uma missão da lista de vilões para fazer amizade com eles e usá-los para encontrar os heróis, espero não ser problema.
poderes utilizados:
passivos de filho de hipnos:
Nível 1
Nome do poder: Silenciosos
Descrição: Acostumados com o silêncio (um dos maiores aliados do sono), os filhos de Hipnos/Somnus costumam saber abafar seus sons com maestria. Passos, respiração e até mesmo encostar em algo sem fazer nenhum barulho se torna fácil para eles.
Gasto de Mp: Nenhum.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: Nenhum.
passivos de legado de afrodite:
Nível 1
Nome do poder: Beleza Natural
Descrição: Os filhos da deusa do amor são campistas naturalmente bonitos e charmosos. A beleza supera a de qualquer outro semideus no acampamento, sendo algo beirando ao sobrenatural. É simplesmente indescritível. Isso faz com que inimigos e aliados acabem se distraindo por sua beleza perturbadora, ou encantados pela mesma.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Pode deixar o inimigo atordoado durante o primeiro turno, evitando atacar logo de cara, ou se atacar (poderes que exijam miras, ou armas com a mesma característica), irão errar o alvo. Não acertarão o filho de Afrodite/Vênus, pois, de primeira, o inimigo não saberá porque não nutre o desejo de ataca-lo.
Dano: Nenhum




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Última edição por Shin Dak Ho em Seg Maio 20, 2019 5:01 am, editado 1 vez(es)
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RPs - Shin Dak Ho Empty Re: RPs - Shin Dak Ho

Mensagem por Shin Dak Ho em Sab Maio 18, 2019 3:28 am




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Devo dizer que apesar de ter levado a sério o papo de Uma sobre a Fada Madrinha ir até lá selar a Floresta Encantada assim que soubesse da bagunça que aconteceu na noite anterior, eu não esperava que ela realmente aparecesse no dia seguinte. Ao que parece a floresta era realmente uma ponte entre Auradon e a ilha que burlava a barreira mágica, isso porque as pessoas que assustamos algumas horas antes se vestiam bem demais para ser da ilha. Dito isso, o plano parecia ter sido bolado há algum tempo e só estavam discutindo de verdade os detalhes. Estava sendo interessante participar de tudo aquilo e para minha surpresa eu estava recebendo bastante atenção de Uma desde então.

Sendo mais íntima com Harry, filho do Capitão Gancho, um qualquer que nem sabia quem eram os pais — mentira, claro, inventei na hora para não me entregar — estar sendo tão paparicado pela jovem bruxa era motivo suficiente para deixar seu fiel escudeiro com ciúmes. Teve uma confusão logo pela manhã quando Uma me levou para conhecer o barco deles. Era um barco comum de filme, e me questionei o motivo real do barco se a barreira impede que naveguem além de alguns metros. Talvez competição de quem possuía mais recursos, basicamente uma forma de mostrar para as outras tripulações quem era o melhor? Se for isso, Uma estava claramente na dianteira, não apenas pelo barco mais bem equipado que os demais, mas também por possuir uma grande tripulação.

Sem dúvidas ela atraía as pessoas para si. Uma líder nata. Sem dúvidas o motivo principal de eu gostar tanto de tal personagem quando vi os filmes e agora estar aqui babando nela.

Se me permite devanear um pouco, eu tive uma pequena lembrança de quando mais novo eu me vestir com as camisas da minha mãe — que na época se tornavam um vestido longo no meu corpo — e calçar suas sandálias de salto. Todos riam e eu não entendia o que tinha de tão engraçado. "Eu sou a mamãe", eu falava, e meus tios falavam pra eu me endireitar e usar roupa de homem. Eu não me dava conta do significado de tais palavras na época, mas hoje eu vejo o estigma que meros pedaços de pano conseguem carregar. Minha mãe e minha tia são as figuras femininas que tenho de exemplo, são as mulheres mais poderosas que conheço e, tendo sido criado por elas, eram a minha figura de inspiração. Meus tios não entendiam que eu estava apenas tentando ser forte com elas quando eu pegava a camisa enorme e a vestia.

Onde quero chegar com isso? Quero mostrar que eu tenho um grande motivo para achar que as mulheres são simplesmente superiores em vários sentidos e são as figuras de poder que levo em consideração em tudo. Sejam nos videogames, seja aqui agora em um mundo de fantasia. Fazia o maior sentido do mundo eu recorrer à Uma quando precisei entrar em uma tripulação na esperança de conseguir a deixa para escapar dali. Eu poderia simplesmente ter ido atrás de outros líderes homens no porto, não podia? Mas fiz questão de ir até a única capitã. É por esse motivo que eu fico tão animado e ligeiramente emocionado de estar aqui ao lado dela agora. Mesmo que ela seja fruto de um filme infantil ainda é uma personagem que eu admiro, então por ela eu sinto vontade de ser vilão por mais um pouco.

Ser malvado de diversas formas diferentes.¹

A porta do restaurante batendo me tirou de meus pensamentos e me trouxe repentinamente para a realidade. "Ela já foi! Ela já foi", uma voz de repente começou a gritar. Uma virou-se com raiva perguntando como isso foi acontecer. A Fada Madrinha foi sorrateira e resolveu ir até a ilha sem fazer muito alarde. Um dos tripulantes responsáveis pela tarefa de vigia viu ela saindo da Floresta Encantada e retornado para Auradon. Uma bateu na bancada com força. Seu plano tinha dado errado... Mas será mesmo?

Com um motivo inventado qualquer para poder simplesmente sair de perto da tripulação um pouco, eu fui até a floresta procurar por pistas. A Fada Madrinha era o meu passaporte para fora da ilha e única forma de conseguir ajuda. Algo precisava existir naquela floresta agora que foi tocada pela mágica de Auradon, nem que fosse um resquício de magia que me indicasse o que fazer. Vasculhei as redondezas por várias horas e, quando me dei conta, estava perdido. Por algum motivo nem mesmo minhas pegadas estavam no chão, não conseguiria voltar. Eu não sabia naquela hora, mas a floresta encantada era onde os diversos mundos mágicos dos contadores de história se encontravam. Àquela altura eu já não estava mais na porção relacionada a Descendentes, mas de alguma forma a ação da Fada Madrinha ainda tinha resquícios.

— Não pode ser...

Inicialmente um graveto brilhante por entre a grama, que logo ao apanhar com as mãos notei não ser um graveto qualquer.

— A varinha da Fada Madrinha? Não creio... Não creio!

A situação era perfeita. Com a varinha eu poderia fazer um pedido e voltar para o mundo real, certo? Só que ainda não ma parecia o certo. O coelho tinha me pedido para seguir ele por algum motivo que eu ainda não sabia. E se fosse algo importante? Por isso eu precisava encontrá-lo o mais rápido possível. Só que algo em mim dizia que eu estava perdendo algo.

— Não tive minha despedida de vilão.

Falei mais como um pensamento em voz alta, e com um sorriso maroto no rosto acabei tomando uma decisão: eu teria minha despedida da vida de vilão que só durou um dia. E seria com a varinha da fada madrinha. O que um vilão iniciante faria com aquilo nas mãos? Pegadinhas, concluí, depois eu posso usar para encontrar o coelho. Procurei então por alvos. Eu não tinha notado até ali mas existiam muitos seres mágicos pela floresta. Nada além do esperado, como fadas e algumas ninjas. Até caçadores, um clássico da história de princesas como Branca de Neve e Chapeuzinho Vermelho. E então parti com a varinha em mãos.

Teve de tudo: desde transformar os galhos que uma formiga reuniu em areia até transformar as balas da arma de um caçador em confete ao maior estilo looney tunes. Eu me escondia por entre as árvores e então fazia alguma rima para que o feitiço saísse. Sem prática, teve uma hora que transformei minha nariz em uma grande espinha e caí na gargalhada sozinho olhando meu reflexo na água de um lago próximo. O que seria de mim se não risse de minhas trapalhadas comigo mesmo, né? Estava sozinho ali, no fim das contas, precisava me distrair.

Acho que meu truque mais relevante naquele dia acabou sendo quando encontrei uma cabana pela floresta. Parecendo ser feita de doces, logo lembrei do conto de João e Maria, ligando os pontos e acreditando ser mesmo a casa da história. Optei então por tornar todo o doce incrivelmente grudento. O que poderia dar de errado?

Deu tudo errado.

Não foram João e Maria que apareceram, mas sim os sete anões em um tipo de grande spin-off dos contos de fada. Eles tentavam abrir a porta mas ficavam presos, então outro vinha e se grudava também, enquanto mais dois optavam por tentar passar pela janela e ficavam com as mãos presas no batente. O saldo final foram sete anões com o corpo todo preso na casa de doce e eu do outro lado me segurando para não rir muito alto.

— Okay, okay, já chega.

Com uma nova rima, eu visei desfazer todos os feitiços e brincadeiras que eu tinha feito até então. Os anões foram de repente soltos, caindo no chão. Do topo da árvore que escalei desta vez eu consegui ver uma árvore que eu tinha tornado invisível aparecendo de novo — por que invisível? porque um lenhador estava a cortando e achei que seria engraçado desaparecer com ela de uma vez —, então os feitiços estavam realmente sendo desfeitos. Para todos os efeitos eu tinha tido minha despedida de vilão, e estava pronto para seguir em frente.

— Coelho que me trouxe para cá em buraquinho, espero que apareça agora bem rapidinho.

Agora seria o momento de clamar pelo retorno daquele que devia estar sendo meu guia por esse mundo. Ele iria me explicar o que estava rolando nem se não quisesse.

missão realizada:
A varinha da fada madrinha: A fada da Cinderella deu bandeira e acabou deixando a varinha mágica para trás, ou seja, a perdeu de novo. Você encontrou a varinha e decidiu que seria muito interessante aprontar com ela. Use o objeto mágico para colocar feitiços em pessoas e animais, fazendo bagunça pelo reino.
Recompensas: 3.500 XP e Dracmas + 3 Fragmentos.
Requisito mínimo: Nível 1.
considerações:
Ficha de Atributos: http://www.bloodolympus.org/t4889-fpa-shin-dak-ho#99132
*Novamente sua facilidade em se esconder — coisa que ele está começando a perceber um pouco do que se trata — é proveniente dos poderes de filho de hipnos.
poderes utilizados:
passivos de filho de hipnos:
Nível 1
Nome do poder: Silenciosos
Descrição: Acostumados com o silêncio (um dos maiores aliados do sono), os filhos de Hipnos/Somnus costumam saber abafar seus sons com maestria. Passos, respiração e até mesmo encostar em algo sem fazer nenhum barulho se torna fácil para eles.
Gasto de Mp: Nenhum.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: Nenhum.




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Mensagem por Shin Dak Ho em Sab Maio 18, 2019 6:55 pm




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Se passaram alguns segundos comigo de braços cruzados e batendo o pé no chão esperando algo acontecer depois de me esforçar fazendo uma rima que considerei que seria útil. Tinha começado a achar que a varinha não era tão poderosa assim quando ouço uma voz familiar vindo das minhas costas.

— Finalmente te encontrei, onde você se meteu?

Ainda sem me virar acabei sorrindo de forma sarcástica. Ele ainda tinha coragem de dizer que a culpa daquela confusão do último dia tinha sido culpa minha? Me virei já me agachando para ficar da sua altura. Sim, era o Coelho Branco que estava ali, ninguém mais e nem menos que o serzinho que sumiu assim que me jogou em um lugar que nem sei como funciona direito ainda.

— Tecnicamente eu que te encontrei, você não sabe o que precisei fazer para... — só que ele me interrompe dando um pulo por cima do meu ombro e pegando a varinha mágica que eu astutamente estava tentando esconder atrás de mim.

— É a varinha da Fada Madrinha? O que você fez? Roubou? — questionou ele em um tom completamente acusativo. Me sentei no chão enquanto suspirava antes de dar uma resposta adequada.

— Eu não roubei nada. A Fada Madrinha passou aqui hoje cedo e deixou a varinha cair.

O Coelho ficou me encarando com os olhos semicerrados, como se estivesse ainda escolhendo se acreditava na minha história ou não. Para o azar dele eu estava falando a verdade, então a única saída seria ele acreditar.

— Ela vive perdendo isso, já falei que é um perigo deixar isso por aí mas ela nunca aprende.

— Mas vocês não são de contos diferentes?
— questionei confuso porque até então não tinha visto contos diferentes interagindo. Na verdade, só tinha visto um conto em ação e ele era misturado por natureza, não contava.

— Aqui na floresta não tem disso, todo mundo interage com todo mundo.

— Sei... Mas e então, por que precisava da minha ajuda mesmo? Você ainda não me contou.
— questionei de braços cruzados, esperando por uma boa explicação.

— Ah sim! Sabia que estava esquecendo algo. — o Coelho jogou a varinha em um bolso minúsculo mas que ainda assim engoliu todo o objeto. De minha parte só balancei a cabeça como quem diz "não vou me estressar com isso", e fiquei atento ao que ele estava prestes a contar — O motivo de eu não ter te levado para o País das Maravilhas é que ele não existe mais.

— Como assim não existe mais? Onde está Alice e os outros heróis?

— Aí é que está. Vocês conhecem histórias baseadas em nosso mundo, mas aquelas histórias não são exatamente o que acontece por aqui. Um garoto do seu mundo chamado Josh foi o primeiro a nos encontrar. Ele era um garoto legal, fez amizade com o Chapeleiro e andavam falando coisas sem sentido por aí, mas quando ele conheceu a Rainha de Copas se tornou uma pessoa totalmente diferente. Ele passou a reinar ao lado dela, ou algo do tipo, e juntos destruíram tudo, incluindo a magia de lá. Alice e eu fugimos, e fomos atrás de outros heróis para nos ajudar.


O Coelho estava melancólico, explicando tudo de olhos fechados e uma expressão triste no rosto. Quando ele abriu os olhos não me viu mais na sua frente. Para seu desespero e raiva eu não tinha ouvido nem metade do que ele disse, isso porque...

— Como você pergunta algo e simplesmente me deixa falando sozinho? O que diabos você está fazendo?

— Ah, foi mal, estava falando alguma coisa? Ouvi esse ursinho pedindo ajuda e vim fazer uma boa ação.

— Mas não tem nenhum urso aqui.

— Eu quero meeeeel.


A situação é que tenho alguma dificuldade em me concentrar em falas muito grandes e me distrai enquanto o Coelho fazia seu pequeno discurso com uma vozinha manhosa reclamando que estava com fome vindo de perto. Na hora até esqueci que estava ouvindo uma história que eu mesmo pedi para ser contada, simplesmente levantei e fui em direção à tal voz. Encontrei um urso se apoiando com as patas dianteiras numa árvore como quem tenta subir e não consegue. Ele se apresentou como Balu e disse que queria o mel mas não alcançava. Me lembrando um pouco o Ursinho Pooh, voltei meu olhar para o topo da árvore onde estava uma colmeia. Não só a colmeia mas como esperado um amontoado de abelhas rondando por ali. Foi quando o Coelho se tocou que estava falando sozinho e veio para cá resmungar também.

— Calma, eu vou ouvir sua história sobre esse Josh já já, deixa só eu... Dar um jeito de conseguir o mel pro ursinho.

— Meeeeel.


O Coelho e eu damos uma pausa que mais pareceu combinada olhando pro urso se deixando escorregar pelo tronco até deitar no chão. Estava um pouco irritante ele ficar cortando nossa conversa falando de mel, e eu fiquei o encarando com os olhos meio fechados enquanto o Coelho apenas balançou a cabeça e continuou brigando comigo.

— Você é inacreditavelmente mau educado, isso sim.

— O que foi? Quer um pouco de mel também?
— me fiz de sonso com o Coelho, como se não achasse nada demais ter deixado ele sozinho ali atrás todo emocionado. Ele por outro lado parecia só estar de saco cheio, e sentou no chão com o seu relógio entre as perninhas.

— Anda logo com isso. — disse ele encarando o relógio. Eu apenas ri baixinho, acho que seria bom eu segurar um pouco a onda, estava irritando demais meu guia.

O grande problema quando se cutuca uma colmeia é lidar com as abelhas que ali vivem. Uma picada de abelha é dolorosa o suficiente para te deixar longe da casa delas, agora imagine ir procurar confusão com um enxame inteiro. Não é muito inteligente, certo? Certo. Meu trabalho ali seria então conseguir o mel sem dar motivo para nos atacar. Pareceu confuso nos primeiros momentos, mas depois me toquei que estava seguindo o tipo de pensamento errado. Como eu estava comparado Balu com o Pooh e o segundo come mel tirando diretamente da colmeia com as patas eu me prendi nessa concepção nos primeiros minutos. O que eu tinha em mãos eram basicamente aquele canivete que recebi quando por ser reclamado e uma faca de bronze. Nenhum dos dois parecia me ajudar no plano de ser sutil, então mudei o disco um pouco.

O canivete na verdade era uma foice, um dos meus irmãos me explicou no chalé como funcionava. Eu só precisava apertar no lugar certo e ele crescia até virar uma foice simples e outro botão virava uma foice bem dark e trevosa do submundo from hell. Foi o que fiz. Não tenho treinamento algum com foices e coisas do tipo, então mal sei como manobrar. De qualquer maneira, depois de testar usar o equipamento no ar mesmo eu decidi fazer minha parte porque estava demorando demais já. Com a arma de volta à forma de canivete eu escalei a árvore. Não sou o mais atlético dos campistas então tive alguma dificuldade em fazer a tal subida, mas quando cheguei próximo o suficiente da colmeia eu estendi a ponta da foice de baixo para cima.

O plano era simplesmente fazer um buraco no fundo da colmeia até que começasse a pingar um pouco de mel. Eu iria com calma e suavidade fazer esse buraco, girando um pouco a ponta da foice para deixá-lo maior. Quando senti que estava indo no caminho algumas abelhas começaram a sair da colmeia, provavelmente porque notaram algo de estranho. Rapidamente recolhi a foice para sua forma menor e fiquei brincando de estátua na árvore. Algumas abelhas passaram por mim mas não fizeram nada, e então ficaram rondando por perto até decidirem voltar para a colmeia.

Passado o susto, foi só questão de terminar o trabalho. O buraco seria o suficiente para Balu ter seu mel e ainda não daria dificuldade para as abelhas consertarem depois. O mel que pingava não era abundante mas foi o suficiente para deixar o pequeno urso manhoso satisfeito e se lambuzar o suficiente. Agora com o trabalho concluído seria questão de sentar com o coelhinho e ouvir o que ele tinha para falar.

— Pronto, anjo, agora sou todo seu, pode contar sua história.

— Josh se uniu com a Rainha de Copas e destruiu o País das Maravilhas, Alice e eu fomos atrás de heróis no seu mundo porque os daqui não seriam o suficiente.
— ainda emburrado o pequeno animal de terno simplesmente cruzou seus bracinhos e contou a história como um resumo do resumo. Ainda estava claro pra mim que ele estava com raiva por eu ter mesmo sem querer brincado com seus sentimentos, então minha forma de me redimir foi...

— Aqui, ó, peguei um melzinho pra você, pode comer. — era uma folha com um pouco do doce, daquele jeito que colhem água com uma folha nos filmes só que no lugar da água era o mel (dãarr). O Coelho virou-se ainda emburrado, recusando o presente de primeira. Eu como sou insistente pousei a folhinha por entre as suas pernas — Come aí, tio.

Honestamente a última coisa que eu esperava para minha vida é ficar perdido numa floresta encantada com um coelho falante...

missão realizada:
Animais falantes: Uma das peculiaridades da floresta encantada é que ali a maioria dos animais fala! Isso mesmo, as criaturas conseguem falar e entender a língua humana perfeitamente e Balu, um urso bastante dengoso e viciado em mel é um deles. O peludo está faminto e não consegue alcançar a colmeia de Mel sozinha, mesmo já tendo bolado todos os planos possíveis. Você estava de passagem quando notou a situação do urso. Ajude Balu a conseguir seu mel sem ser atacado por um enxame enraivecido.
Recompensas: 2.500 XP e Dracmas + 2 Fragmentos
Requisito mínimo: Nível 1.
considerações:
Ficha de Atributos: no link abaixo do avatar
arma utilizada:
Foice Curta [Embora pareça com o instrumento agrícola comum, essa foice é balanceada e reforçada para o combate, sendo que sua lamina é capaz de se alongar. | Efeito 1: A lâmina, feita de bronze celestial e capaz de alongar, ganhando até doze centímetros e, da mesma forma com que alonga, pode também diminuir, ganhando a aparência de um canivete. | Efeito 2: A arma nunca é perdida, sempre retornando para seu dono na forma de canivete caso seja perdida. | Bronze celestial. | Sem espaço para gemas | Beta | Status: 100% sem danos | Mágico | Arsenal do acampamento]




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Mensagem por Shin Dak Ho em Dom Maio 19, 2019 4:52 am




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— Para com isso, eu não estou com raiva. — respondeu o coelho em um suspiro enquanto se levantava devagar do chão. Sua expressão continuava não das melhores, contudo.

— Então por que você está assim? Parece até que alguém morreu e eu não fiquei sabendo.

— Eu só estou preocupado, okay. Acho que fiz uma escolha ruim e estou ficando sem opções. Pior que isso, estou ficando sem tempo.


A conversa tinha realmente escalado pra um momento melancólico com muita rapidez. Em um momento estávamos provocando um ao outro por causa de mel e agora estamos aqui, com apenas o barulho das folhas se movendo de fundo e um coelho triste porque alguma coisa está para acontecer. Eu entendi que as coisas no País das Maravilhas estavam ruins ao ponto dele achar que o país nem mesmo existe mais, mas ainda assim precisávamos fazer alguma coisa. Talvez fosse o momento para eu deixar de só ligar para minhas próprias coisas e ligar um pouco para os problemas das pessoas ao meu redor. Ou do coelho ao meu redor, você entendeu.

— O que tá pegando?

— Assim que chegamos na Floresta Encantada eu tive um pressentimento ruim e precisei ir checar um lugar.

— Ok, isso explica seu sumiço. Mas e aí?

— Eu não te larguei porque eu quis, okay?
— retrucou o coelho, como se eu tivesse o acusando de algo.

— Não estou dizendo que você teve culpa, tio, pera aí.

— De qualquer maneira... Eu disse mais cedo que a floresta é onde os contos se encontram. Ela transborda magia em todo canto, e não sei se você entende muito bem, mas existem vários contos que não são famosos e mesmo assim ainda coexistem nesse mundo. O País das Maravilhas era um dos locais com mais magia canalizada, e alguns reinos menos poderosos se aproveitavam da magia de lá para existirem. Quando Josh e a Rainha de Copas começaram a mudar as coisas e a magia foi morrendo isso afetou para além do país. Sabe o que são as kitsunes?

— Dos contos japoneses?
— como alguém vindo de um país asiático eu tenho certo conhecimento sobre as histórias contadas pelo continente, que são sempre muito culturais de cada país e com uma forte mensagem por trás. Enquanto as histórias ocidentais são da cultura pop por influência de empresas como a Disney, os contos orientais atingem uma parcela menor mundo a fora — São raposas, não é?

— Exato. No conto elas são seres sábios, belos e místicos. Por serem místicos ficaram mais seguros perto de uma grande fonte de energia, mas são um dos reinos afetados pelo declínio do País das Maravilhas.

— O que exatamente está acontecendo com eles?
— questionei realmente preocupado.

— Estão muito enfraquecidos, pelo o que percebi estão com menos da metade dos seus poderes. Mas esse não é o pior problema, é que enquanto as kitsunes se alimentam de magia uma raposa específica se alimenta do caos. Ela foi trancafiada por milênios, acorrentada em um salão protegido até os dias de hoje para que não pudesse escapar. Na época ela tentou tomar o comando do reino das kitsunes, e a rainha foi a responsável por prendê-lo.

— Então com a magia diminuindo a força da prisão está caindo também?

— Sim. A rainha está apavorada porque se aquele monstro escapar desta vez não vai dar para segurá-lo. Ele vai poder tomar conta do reino inteiro,e  uma vez que faça isso nada o impedirá de tentar conquistar ainda mais reinos. Quanto mais o tempo passa mais a magia da prisão se enfraquece, e agora que o País das Maravilhas se tornou um antro de desespero se ele retornar vai estar mais forte do que nunca.

— E ele tem algum nome?

— Nogitsune.


[...]

Já faziam alguns bons minutos que estávamos andando pela floresta encantada. O coelho ficou em silêncio durante o caminho inteiro, o que foi uma boa oportunidade para eu dar uma respirada e processar o que estava acontecendo, mas ele comentou antes de começarmos o trajeto que eu não fui o único chamado para ir ajudar, mas que os demais foram instruídos a se focar mais em restaurar o País das Maravilhas e não sobrou pessoal para que pudesse pedir ajuda em nome das kitsunes. Eu não tenho a menor ideia de como é o reino das kitsunes ou se existe uma forma de ajudá-las, mas eu definitivamente estava me sentindo ansioso com a situação toda.

É claro que eu quero ajudar. Mesmo tendo me unido aos vilões no dia anterior foi puramente por diversão e porque eu ouvi o plano então sabia que ninguém sairia ferido de verdade, eu não me vejo realmente deixando outros seres morrerem de graça assim. Eu estava há pouco tempo na floresta, mas foi tempo o suficiente para eu compreender que não era simplesmente um mundo imaginário ou de sonhos. Aqueles personagens das histórias existem de fato, e estão em perigo. Não posso simplesmente virar as costas.

Por outro lado, eu sou um dos campistas mais inexperientes no acampamento por enquanto, e é realmente frustrante pensar que talvez eu não consigo ser tão útil quanto eu espero. Eu quero ajudar o Coelho Branco, mas não sei se consigo. Se é uma situação que ele precisou ir atrás de heróis em outro mundo, não quero nem imaginar pelo o que eu precisaria passar para conseguir de fato salvar o reino das kitsunes. O silêncio do coelho também não ajudava, era como se ele também compreendesse que eu não era uma das pessoas mais indicadas para estarem ali. A única coisa em que eu podia me agarrar naquele momento era meu orgulho, e seria agarrado com ele que chegaríamos até o fim daquela agora missão, seja um fim bom ou ruim.

A caminhada se encerra quando paramos de frente para uma caverna. Meus pés estavam doendo e eu só queria descansar. Falando em descansar, aquele foi o momento que eu percebi que não tinha dormido desde o dia anterior e não estava sentindo cansaço no sentido físico. Questionei ao Coelho se isso era normal naquele mundo e fiquei surpreso quando ele disse que não.

— Você não é filho do deus do sono? Vai ver é por isso.

E fazia total sentido eu ter certo controle sobre o meu sono. Eu não precisei dormir desde que cheguei aqui, na verdade sempre tive algo para fazer e segui fazendo, então talvez por isso me corpo está me permitindo ficar esse todo desperto? De uma maneira ou de outra eu estava começando a perceber as nuances dos meus poderes de semideus e o que posso dizer por agora é que fiquei maravilhado comigo mesmo.

Mas falando sobre a caverna, entramos com alguma discrição. O coelho seguiu na frente e embora o interior fosse precariamente iluminado, em determinada parte pedras na parede pareciam refletir a luz de alto e era o suficiente para enxergar onde eu estava pisando. Alguns minutos de caminhada nos deixam em uma parte bem aberta da caverna e meu susto é enorme quando sou derrubado por algo que atinge atrás do meu joelho.

— Nossa, o que rolou? — resmunguei voltando a ficar de pé. Vários olhos começam a aparecer da parte pouco iluminada daquele "salão" — por assim dizer — e então vão se revelando. São raposas dos mais diversos tamanhos, porém um dos seres que se revela é nada menos que um humano. Uma mulher, sendo mais preciso.

— Desculpem a indelicadeza de Zaruo, ele é brincalhão assim mesmo. Esse é o seu amigo, Coelho Branco? — é a mulher que toma a palavra, falando compassadamente e de forma suave. Seria ela a... — Eu sou a Rainha Izanami, líder das kitsunes.

— Sim, majestade, é ele. — o Coelho se mostra bastante formal ao se abaixar e apoiar um joelho no chão, uma reverência. Eu faço o mesmo como forma de respeito, embora ainda não entenda exatamente o que está acontecendo ali — É um dos semideuses que recrutei, espero que seja o suficiente.

— É mais do que suficiente, meu caro amigo. Qual seu nome, criança?
— a dita rainha se volta agora para mim, dando passos curtos e lentos em minha direção, enquanto três raposas de um tamanho acima de média caminham ao redor dela, como um tipo de guarda real.

— Sou Shin Dak Ho, mas pode me chamar somente de Dakho. Eu sou filho de Hipnos. — ainda era estranho falar isso em voz alta, mas decidi que seria melhor já ir me acostumando desde o início com isso.

— E que surpresa agradável receber um filho dos sonhos quando nosso próprio reino se sustenta neles. Já tem conhecimento de nossa situação?

— Só o que aconteceu com seu reino depois da queda do País das Maravilhas. Sobre o risco que correm com o tal Nogitsune.
— talvez eu não devesse ter mencionado tal nome, porque todas as raposas parecem se abalar e recuar um pouco, como se apenas ouvir tal palavra fosse o suficiente para condená-las.

— Então sabe que não temos muito tempo sobrando. Ouça, criança, nosso clã é nascido da magia e somos seres benevolentes. Somos conhecidas, apesar de tudo, como seres adeptos da ilusão e enganação pela nossa capacidade de nos disfarçar, mas nunca o fazemos para prejudicar alguém. Meu irmão Nogitsune sempre foi muito talentoso para essas artes, mas infelizmente seguiu por um caminho amaldiçoado por pura ganância.

— Espere, o Nogitsune é seu irmão?
— não é bem um grande plot twist, mas até agora isso não tinha passado pela minha cabeça. Eu estou chocado, de verdade.

— Meu meio-irmão, sendo mais exata. Acreditamos que seu sangue mestiço foi o que o tornou diferente... Mais poderoso e implacável. Quando ele tentou tomar meu trono e me assassinar eu tive que prendê-lo de uma forma que eu soubesse que seria eficiente e não o machucasse muito porque nunca quis o seu mal. Foi quando construí a Masmorra das Nove Chamas e o prendi com correntes mágicas. Ao fim de todo ciclo lunar eu preciso ofertar uma rosa especial bem à frente da masmorra, e o poder da mágica dessa rosa é responsável por fazer a manutenção das correntes. Agora que nosso reino foi comprometido eu não tenho como conseguir a rosa, e se eu não levá-la para a masmorra até amanhã à noite temo que seja o nosso fim.

Ouvir toda aquela história em um ambiente como aquilo estava sendo por demais sinistro e provavelmente foi por isso que eu simplesmente não consegui desviar o olhar. O Coelho ao meu lado ficou o tempo inteiro de cabeça baixa e, como notei depois, boa parte das raposas ali também estavam tão desanimadas quanto. A rainha tinha sido franca aparentemente, contando a situação ruim mesmo na frente de todos os seus súditos. Um ato de coragem, devo admitir, mas mais que isso também era um ato de desespero. Eu não sei o quão difícil foi vencer Nogitsune na primeira vez, a rainha fez parecer fácil descobrir os planos dele, mas sua preocupação indica que não deve ter sido fácil.

— A Masmorra das Cinco Rosas é onde a flor que preciso cresce. É uma flor rara e especial para todos nós por ter grandes poderes mágicos. Porém, justamente para evitar que sua essência caia em mãos erradas, ela é protegida por vários desafios. Essa masmorra em específico é cheia de armadilhas e a flor é plantada no solo fértil da última câmara, pois ela só cresce em escuridão absoluta.

— Meu trabalho então é conseguir essa rosa?
— sem me dar conta acabei interrompendo a rainha, mas ela apenas acenou positivamente como se eu realmente não tivesse feito nada de errado.

— Precisamente.

— Darei o meu melhor.
— respondi, levantando uma mão com o punho fechado, um ato para demostrar confiança que é rapidamente cortado.

— Você entende que as armadilhas podem lhe mutilar para sempre ou até matar, certo?

— Claro que sim.
— na verdade a resposta correta seria claro que não mas...

— Está mesmo disposto a isso? — questionou o Coelho, aparentemente incrédulo pelo fato de eu aceitar correr o risco de ser sacrificado.

— Tão certo quanto as marés. — respondi convicto, embora em pensamentos não estivesse tão confiante assim. Agora que conheci as kitsunes eu não quero que elas sejam massacradas por alguém que se alimenta de caos, então certamente darei tudo de mim.

Um desafio de verdade para um semideus de verdade.

[...]

O caminho até a tal Masmorra das Cinco Rosas foi estranhamente calmo apesar do clima de enterro. A Rainha Izanami foi quem guiou até o local, e fora ela só estavam o Coelho Branco e eu. Até tentei puxar assunto na metade do caminho e perguntar se só a gente seria suficiente, mas a rainha pareceu ignorar por algum motivo minha pergunta e eu apenas me mantive em silêncio pelo resto do trajeto.

Quando ouvi o nome do lugar, eu imaginei algum tipo de castelo no mínimo parecido com o castelo da Malévola que "visitei" há pouco tempo, mas na verdade era apenas uma construção da pedras em forma de cubo sem muita sofisticação. Também pensei que ficava em algum lugar do reino das kitsunes, estava até ansioso para conhecer o lugar, mas na verdade era em um algum lugar que parecia só mais um por entre a Floresta Encantada. Por algum motivo, o caráter simples da masmorra acabou por me dar alguma tranquilidade. "Se é tão simples os perigos também devem ser e mentiram para mim", pensei, embora no fundo soubesse que se tivessem mentido para mim teria sido para amenizar e não para exagerar. De qualquer maneira, de frente para o início do meu desafio e pronto.

— Tome muito cuidado. Os desafios nunca são os mesmos, a essência da rosa testa cada pessoa de uma forma diferente.

Sem querer criar um drama com isso, apenas acenei positivamente para a rainha e então dei o primeiro passo em frente. Como me senti quando estava já dentro da masmorra? Estranhamente com frio. Existia uma enorme escada levando para a escuridão e um bafo gelado soprava na direção contrária. A cada passo que eu dava as tochas iam se acendendo sozinhas, uma por uma, iluminando o suficiente para eu não tropeçar. Foi um lance de escadas longo, mas talvez pela tensão eu senti que não foi uma descida demorada. Assim que pisei no chão ao fim das escadas toda uma sala se iluminou.

As chamas de todas as tochas possuíam um tom azulado que refletiam nesse mesmo espectro de cor por todo o recinto. Agora com tudo iluminado eu pude finalmente notar que estava em um...

— Quarto?

Era algum tipo de quarto medieval de luxo, com uma grande cama, enormes janelas e móveis claramente de alta qualidade. Me deixei passear pelo cômodo, conhecendo todo o seu interior como uma criança conhecendo pela primeira vez um parque de diversões. Uma vez que fora a passagem de onde vim não existia nenhuma porta — e as janelas não abriam, eu tentei —, me sentei na cama e aguardei algo acontecer. Teria sido um momento de silêncio absoluto se não fosse...

— Ei, isso não é hora para descanso.

... uma voz de criança falando comigo. Com o susto, fiquei prontamente de pé e com meu canivete preparado em mãos, mas quando bati o lugar com os olhos não encontrei ninguém.

— Eu estou aqui. — dessa vez a voz veio das minhas costas, e eu prontamente já virei com um ataque desengonçado com o braço direito, para atingir quem quer que fosse de qualquer jeito. Mas novamente não encontrei ninguém.

Foi quando a luz de uma das tochas começou a se mover de uma forma estranha e de repente ganhou não só marcas que lembravam olhos como também uma marca maior que claramente representava uma boca. Felizmente eu tinha a cama logo atrás de mim, porque o susto que levei com o fogo vivo foi o suficiente para me fazer dar um pulo que me desequilibrou e caí sobre o colchão. Ainda me afastei um pouco mais depois disso me apoiando com os cotovelos e empurrando com os pés, mas a chama simplesmente flutuou e começou a girar ao redor da minha cabeça.

— Mandaram um bem assustado dessa vez, hein. — desdenhou a chama com sua voz infantil, com risos um tanto espectrais de fundo.

— Quem é você? — questionei ainda um tanto assustado e com a voz trêmula, apontando o canivete na direção do fogo flutuante — É o primeiro teste já?

— Tecnicamente eu sou seu guia.


E àquela altura eu já estava completamente desconfiado de tudo o que estava rolando. Não tava caindo muito nesse papo de guia, pra mim que aquele era algum teste de ingenuidade e eu não podia me deixar levar. Respirei fundo e me levantei da cama, olhando para o fogo falante à minha frente com toda convicção.

— Você não é meu guia, é meu teste. E em nome da rainha eu digo que não te quero.

— Problema seu se não quiser, meu trabalho é te guiar e eu vou fazer isso. Se não gostou vai lá e deita na BR.

— O que é uma BR?

— Ai, garoto... Se liga.


O foguinho parecia estar meio sem paciência pro non-sense que estava rolando e foi até a frente de um baú chique que eu até tinha visto antes mas não quis tocar.

— Aqui dentro tem roupas. Se veste que temos uma festa para ir.

— Uma festa?

— Aham, chega aí. Vou virar de costas pra você se trocar.


Andei ainda desconfiado até o baú já achando que quando o abrisse ia sair algum bicho de dentro. Tirei a tranca com cuidado ainda assim, e quando levantei a parte de cima para ver o que tinha dentro foi de uma vez só, e ainda dei um grito sem motivo quando fiz isso. Me toquei que estava sendo estúpido na frente do foguinho — espera, sério que estou envergonhado na frente de um fogo falante? —, e peguei as roupas que estavam ali. Pareciam ter sido feitas para mim de fato, o tamanho era perfeito. Era basicamente um terno chique e um lenço que prontamente coloquei no pescoço depois de me vestir. Os sapatos eram sociais e o conjunto em si era atual demais pra combinar com o visual de antiguidade do quarto. De qualquer maneira...

— E agora, cadê a festa?

— É por aqui.


O fogo se joga numa parede vazia e então uma luz azul contorna o formato de uma porta, no que magicamente a passagem realmente surge. Eu a abro devagar, atento ao que pode estar do outro lado e fico simplesmente surpreso quando finalmente descubro. Quer saber o que é? Okay, eu falo: um grande salão. Abri um sorrisão quando vi que era realmente uma festa, mas logo comecei a andar para trás quando vi quem eram os convidados.

— Caveiras?

— Tecnicamente o termo certo é esqueleto, caveira seria só o crânio. Vem.


Isso mesmo, caro leitor, esqueletos dançando valsa no salão. Por mais estranho que possa ser, tente imaginar eles com roupas de gala, porque é assim que estão. Os casais dançam compassadamente e eu tento parecer o máximo de natural possível quando tento me misturar. Claramente não sou um deles, então o plano de só seguir em frente era uma burrice sem tamanho.

— Escute, meu filho...

Ah não...

— Você não me concederia essa dança? — era um esqueleto com voz de anciã. Por algum motivo ela não tinha me estranhado, mas eu não podia brincar com a sorte e prontamente aceitei o convite para dançar.

Foram certamente os minutos mais longos da minha vida, e quando decidi cortar a brincadeira dizendo que ia pegar um pouco de ponche tive que aguentar uma senhora caveira diferente me puxando a orelha porque o fogo voador estava me fazendo o favor de ficar pulando nas bebidas e derramando tudo. "Trate de cuidar do seu irmão", disse o esqueleto, e só então eu me toquei que eles realmente estavam nos vendo como eles esse tempo todo.

— Vem logo, vem.

Sem mais delongas atravessei o salão até a porta do outro lado e simplesmente a abri. Me deixei relaxar e suspirar fundo agora que o susto tinha passado. Cogitei dar um tapa no fogo pelos problemas que ele causou, mas não podia correr o risco de me queimar. Sorte a dele.

— O que foi isso? — questionei.

— Seu primeiro teste.

— Isso foi um teste? Mas eu só andei pra frente.

— E se não tivesse feito isso o feitiço que recebemos quando passamos pela porta iria acabar e revelar que éramos invasores. O desafio era testar sua objetividade, sacou?

— Conceitual, mas não sei se isso prova alguma coisa.

— Tá achando ruim? Volta lá e faz a versão estendida caveiras at the midnight thriller version michael jackson returns.

— Chega, né.


Os testes seguintes tiveram sua dificuldade aumentada exponencialmente. O segundo teste era claramente baseado no conto de Alice no País das Maravilhas: uma câmara se enchendo de água. No livro sobre Alice ela precisa escapar de uma situação parecida, que é quando rola toda aquela bagunça e ela fica gigante. Desta vez, eu tive que dar um jeito de resolver um enigma que me levaria para uma parte secreta numa parede com um botão que acionava o sistema de escoamento. O enigma era algo envolvendo números e se eu descobrisse o padrão poderia supor a sequência final. A sequência final acabou sendo o tijolo que eu precisava remover usando coordenadas, coisa que eu só consegui no final quando já estava quase perdendo o fôlego. Os demais desafios envolveram escapar de uma casa onde tudo estava enorme — ou eu muito pequeno — em que o problema principal foi um gato me perseguindo, e um desfile de demônios com máscaras que eu pisei na bola e acabaram me perseguindo por um bom tempo até eu conseguir escapar pelo esgoto. No fim das contas eu estava extremamente exausto quando cheguei em um lance de escadaria idêntico ao da entrada e então tive um tipo de epifania, percebendo o que aconteceu durante todo esse tempo.

— Isso é um sonho? — questionei em voz alta, como uma pergunta para eu mesmo, no que o foguinho começou a desaparecer.

— Durou mais tempo do que imaginei, Dakho. — a voz infantil vinda do fogo se tornava cada vez mais baixa — Me diverti bastante durante os jogos. Obrigadinha.

Quando despertei eu estava de volta ao final da escadaria, deitado em uma posição bem desconfortável. O meu antebraço direito ardia por completo e percebi que um símbolo estranho estava gravado nele como um tipo de tatuagem negra. Não dei muito importância de imediato, meu foco foi me levantar e entender o que estava acontecendo. As tochas se acenderam sozinhas novamente, dessa vez com fogo vermelho e comum, e para minha felicidade eu estava simplesmente no salão que a rainha tinha mencionado.

Era bem simples: um canteiro bem no centro do salão e no centro dele uma única rosa. Caminhei devagar até lá, no que estendi minha mão para pegar o meu prêmio por passar nos testes. Voltei até onde a Rainha Izanami e o Coelho Branco me esperavam, com um sorriso no rosto e a rosa em mãos. Quando a luz da lua tocou a flor esta brilhou como se refletisse o universo. Parecia ser parte de sua magia, pois a rainha começou a agradecer baixinho quando tal reação aconteceu.

— Quanto tempo se passou?

— Três minutos.

— Três minutos?!
— questionei incrédulo.

— Sim, três minutos.

— Apenas três minutos?

— Sim, só três minutos.

— Eu tô chocado, passado...

— De qualquer maneira...
— ela estendeu a mão e tomou a rosa para si, no que ficou encarando-a e então voltou seus olhos na direção dos meus — Você conseguiu. Muito obrigada.

— Sabe que foi até mais difícil do que pensei?
— comentei com uma mão na cintura, eu precisava de um momento para me gabar — Os perigos não foram habituais, mas eu ralei bastante, viu. Teve de tudo: esqueletos, demônios de máscara, um gato tentando me comer, uma câmara cheia de água... E o foguinho até que ajudou bastante também.

— Foguinho? Que foguinho?
— a rainha se alarmou de repente, e eu de imediato já comecei a pensar que falar sobre o teste dá azar.

— Um foguinho falante que me ajudou.

— Espera, acho que já ouvi isso antes...
— ironicamente foi o Coelho Branco a se pronunciar e não a rainha, essa não o fez inclusive porque estava com a mão na boca, surpresa com o que estava sendo dito.

— Você recebeu a ajuda de um fogo fátuo?

— Depende, o que é isso aí?

— As raposas são seres místicos, certo? Eu disse que elas precisavam de magia abundante próxima para estarem com seu poder total.

— Só que o fogo fátuo...
— começou a rainha, completando a explicação do Coelho — É um espírito de raposa que ainda não nasceu. Eles costumam ser brincalhões e divertidos, é como se fosse a alma de um bebê. Como ainda não são seres vivos de verdade não estão atrelados à magia e podem aparecer em qualquer lugar. Algumas pessoas sortudas tem a chance de conhecer uma raposa antes dela sequer existir, e se conseguirem a impressionar ganham uma marca especial que a liga com a raposa. A lenda diz que uma vez atrelados eles devem ficar juntos até o fim. Esse tipo de ligação é excepcionalmente bom para a raposa, porque aí ela usa aquela pessoa como âncora da sua magia e pode ir para qualquer lugar sem se enfraquecer. Se torna verdadeiramente livre.

Agora eu que estou em posição de completo choque com a mão na boca. Estava tudo muito confuso, mas eu esperava que fizesse sentido logo mais porque...

— A marca é essa aqui? — perguntei estendendo o braço e mostrando a minha nova tatuagem que eu não tinha dado tanta importância antes — Apareceu assim que o foguinho sumiu.

— Oh, minha criança, como você é bem afortunado. Venha aqui.


Claramente emocionada, a rainha tocou o meu braço e vociferou algumas palavras em uma língua que eu não consegui compreender. O Coelho, observando de longe, parecia ligeiramente abalado também.

— Será nascida da carne de um semideus. Esplêndido.

Uma risada infantil ecoa pelo recinto, no que a tatuagem começa a brilhar da mesma forma que a flor fez anteriormente.

— É lindo...

— E é sua nova companheira.

— Como é?
— perguntei surpreso pela terceira vez nos últimos dez minutos

— No fim das contas parece que não fiz a escolha errada, hein.

— Não mesmo, meu amigo Coelho. Sua escolha foi o que nos abençoou.


[,,,]

A rainha não me deu mais explicações, e o trajeto até a masmorra onde Nogitsune estava trancado foi de completo silêncio mais uma vez. Fiquei o tempo com as mãos unidas à frente do meu corpo, em uma clara expressão corporal indicado algum tipo de ansiedade. Eu tinha compreendido o lance do fogo fátuo e tudo o mais, mas ainda estava confuso com essa história da raposinha que surgiu do brilho ser minha nova companheira.

A Masmorra das Nove Chamas era muito similar à anterior. Mais uma vez eu esperava uma construção de alguma forma monumental e fui surpreendido pela simplicidade. Ao que parece, as raposas não são um clã com desejos de grandeza e prezam pela discrição. Parando pra pensar faz sentido, afinal foram mencionadas como furtivas e enganadoras mais de uma vez desde que começamos a interagir.

Levaram mais alguns segundos em silêncio observando aquela pequena construção de pedra, e então Izanami deu um passo à frente enquanto recitava várias palavras em uma língua que eu não estava sendo capaz de compreender. O Coelho se manteve quieto durante todo esse tempo, embora eu imaginasse que ele estava mais calmo desde o início daquela empreitada.

A rosa começou a brilhar novamente e no que a rainha estendeu as mãos para frente a flor começou a pairar. Flutuando graciosamente até a entrada da masmorra, a flor se desfez em um tipo de energia azul visível que foi canalizada no topo da masmorra e então explodiu como fogo descendo do céu. Um tipo de ressonância parece acontecer novamente entre a minha tatuagem estranha e a energia da flor, no que a tatuagem começa a se dissolver como se fosse tinta e escorrer pela minha mão. De repente eu sinto uma força puxando o meu braço, no que sou obrigado a estendê-lo e para minha surpresa a energia rodeando a masmorra se conecta comigo. Não foram momentos de dor, embora a sensação fosse por demais estranha. Minha cabeça parecia girar e foi quando percebi que, de alguma maneira, minha força vital estava sendo sugada junto.

— Rainha... Por favor, me ajude. — disse já fraco, e essas foram as últimas palavras que lembro de ter dito antes de desmaiar.

Quando despertei nós estávamos de volta à caverna com as outras raposas. Todos estavam me rodeando e percebi que uma raposa diferente estava cuidado de mim.

— Quem é você?

— A Rainha Izanami, criança. Essa é a minha verdadeira forma.
— respondeu com seu tom amoroso de sempre.

— O que aconteceu?

— Foi drenada mais energia sua do que o esperado.
— sentado do outro lado estava o Coelho Branco, e ele se aproxima para das explicações — Mas você aguentou bem, tinha acabado de enfrentar os desafios, devia estar cansado mesmo.

— Mas não me avisaram que precisavam da minha energia para restaurar o selo.
— respondi tentando me sentar, no que a Rainha me auxilia — Eu não recusaria se tivessem pedido.

— Mas não foi necessário. Sua energia foi gasta em outra coisa.

— Ué, se não foi pra energizar as correntes da prisão pra o que foi?

— Foi para que eu pudesse nascer.


Uma voz familiar é quem responde, e eu me viro na direção dela quando na verdade tudo o que vejo é uma outra raposinha. Menor que as outras e claramente um filhote, o bichinho está lambendo uma patinha e então sorri de volta pra mim. Demoro alguns segundos para ligar os pontos e...

— Não acredito! É o foguinho?

— Em carne e osso.

— Mas isso é incrível!
— exclamei me virando para a rainha.

— Incrível e raro. Espero que vocês se tornem bons companheiros.

— De novo essa história de companheiros...

— Ué, eu preciso de você pra existir, então vamos andar juntos agora. E não adianta chorar no atendimento, hein.


O restante do dia se seguiu comigo compreendendo ainda mais da cultura das kitsunes e como funcionava melhor essa coisa de ser a âncora daquela raposinha. Agora com detalhes técnicos me foi explicado que nós compartilhávamos agora um tipo de ligação hospedeiro-parasita. Assim como Nogitsune é diferente das outras raposas e se alimenta de caos ao invés de magia, o "foguinho" se alimentava da minha força vital por ter nascido dela. Não é como se ele me esgotasse, mas enquanto estivéssemos próximos a raposinha estaria saudável.

— Agora somos carne e unha.

— Alma gêmea?

— Bate coração, meu amor.


missão realizada:
http://www.bloodolympus.org/t4812-uma-aventura-digna-de-conto-de-fadas-ops
Recompensas: 7.000 XP e Dracmas + 8 Fragmentos + o pedido
uso de bônus:
Rainha má [Parabéns você acaba de ganhar um bônus e durante duas postagens de sua escolha ganhará +40% de Dracmas (1/2)]
o pedido:
Permissão para a criação da raça de mascote das Kitsunes. Vi que já existe um tipo relacionado no glossário, porém são tipos diferentes de raposas. A Kikotsune já existente é um elemental de fogo, e nesse caso aqui eu pretendo explorar o background de trapaceiras das raposas da lenda japonesa, como ilusões e transformações.
considerações:
Ficha de Atributos: no link abaixo do avatar
*A missão tem seu background principal pautado na lenda das kitsunes japonesas, porém pelo seu background e relação com o País das Maravilhas o conto de fadas secundário que a rege é justamente Alice no País das Maravilhas.
*O personagem enfrentou dois desafios clássicos inspirados no conto de Alice
*Eu não sei exatamente como funciona esse tipo de roleplay, mas como ainda estou nível 3 optei por uma missão mais de astúcia que de poder em si, espero que seja o suficiente
*O fogo fátuo é dito como a representação da alma dos mortos, e utilizei como forma de fazer referência ao fogo de raposa, as chamas espectrais que a lenda diz que elas utilizam
arma utilizada:
Foice Curta [Embora pareça com o instrumento agrícola comum, essa foice é balanceada e reforçada para o combate, sendo que sua lamina é capaz de se alongar. | Efeito 1: A lâmina, feita de bronze celestial e capaz de alongar, ganhando até doze centímetros e, da mesma forma com que alonga, pode também diminuir, ganhando a aparência de um canivete. | Efeito 2: A arma nunca é perdida, sempre retornando para seu dono na forma de canivete caso seja perdida. | Bronze celestial. | Sem espaço para gemas | Beta | Status: 100% sem danos | Mágico | Arsenal do acampamento]
poder mencionado:
Nível 3
Nome do poder: Insônia Forçada
Descrição: Os filhos do deus do sono são capazes de ficarem acordados por mais tempo que o normal, devido ao tanto que passam dormindo. Isso os permite aguentar até uma semana sem dormir ou sofrer crises de sonolência e etc. Mais do que isso seus corpos sucumbem à exaustão.
Gasto de Mp: Nenhum.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: Nenhum.
Dano: Nenhum.




Don't be like a prey, be smooth like a snake
ψ


Última edição por Shin Dak Ho em Seg Maio 20, 2019 2:12 pm, editado 1 vez(es) (Razão : Revisão do texto mediante a avaliação das missões anteriores)
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RPs - Shin Dak Ho Empty Re: RPs - Shin Dak Ho

Mensagem por Poseidon em Seg Maio 20, 2019 10:14 am


Shin Dak Ho


Gárgulas – O castelo da Malévola é cheio de Gárgulas e você achou que seria interessante libertar algumas na floresta encantada para causar confusão. Liberte as gárgulas do castelo durante a noite e ajude elas a assustar alguém na floresta encantada. Crie caos.

Método de Avaliação:

Valores máximos que podem ser obtidos
Máximo de XP da missão: 5.500 XP e Dracmas + 3 Fragmentos

Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

Realidade de postagem + Ações realizadas: 46%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc: 17%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência: 30%

RECOMPENSAS: 5.115 XP +5.115 Dracmas + 3 Fragmentos.

Comentários:
Vamos lá, nessa primeira missão é notável a forma como você modifica sua personalidade de maneira parcial, entrando no personagem que deseja "interpretar". Achei bem interessante a sua ideia de fazer uso do mundo dos descendentes, bem como dos personagens. Os descontos em sua maioria se deve a facilidade com que tudo pareceu ocorrer ao seu personagem, bem como aos diversos erros de concordância verbal que ocorrem durante todo o seu texto. Indico que você faça a releitura antes de postar, podendo assim evitá-los futuramente.  


A varinha da fada madrinha: A fada da Cinderella deu bandeira e acabou deixando a varinha mágica para trás, ou seja, a perdeu de novo. Você encontrou a varinha e decidiu que seria muito interessante aprontar com ela. Use o objeto mágico para colocar feitiços em pessoas e animais, fazendo bagunça pelo reino.

Método de Avaliação:

Valores máximos que podem ser obtidos
Máximo de XP da missão: 3.500 XP e Dracmas + 3 Fragmentos

Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

Realidade de postagem + Ações realizadas: 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc: 17%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência: 30%

RECOMPENSAS: 3.395 XP + 3.395 Dracmas + 3 Fragmentos

Comentários:
Novamente, os descontos se devem a concordância do seu texto, mas sua missão ficou bem divertida. Parece que alguém anda gostando de ser vilão. Cuidado pra seu coração não ficar negro igual ao de Josh!

Animais falantes: Uma das peculiaridades da floresta encantada é que ali a maioria dos animais fala! Isso mesmo, as criaturas conseguem falar e entender a língua humana perfeitamente e Balu, um urso bastante dengoso e viciado em mel é um deles. O peludo está faminto e não consegue alcançar a colmeia de Mel sozinha, mesmo já tendo bolado todos os planos possíveis. Você estava de passagem quando notou a situação do urso. Ajude Balu a conseguir seu mel sem ser atacado por um enxame enraivecido.

Método de Avaliação:

Valores máximos que podem ser obtidos
Máximo de XP da missão: 2.500 XP e Dracmas + 2 Fragmentos

Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

Realidade de postagem + Ações realizadas: 43%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc: 17%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência: 30%

RECOMPENSAS: 2.250 XP + 2.250 Dracmas + 2 Fragmentos

Comentários:
O maior desconto se deve a um fato supremo. Você passou mais tempo em contato com o coelho, buscando descobrir o que o havia levado até ali, do que de fato ajudando Balu a conseguir o mel. Desenvolveu de maneira interessante, mas de forma muito rápida.
Poseidon
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Deuses Olimpianos
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Mensagem por Hefesto em Qui Maio 23, 2019 8:04 pm


Shin Dak Ho


Método de Avaliação:

Valores máximos que podem ser obtidos
Uma Aventura digna de contos de fadas: 7.000 XP e Dracmas + 8 Fragmentos + Pedido


Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

Realidade de postagem + Ações realizadas: 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc: 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência: 30%

RECOMPENSAS: 7.000 XP e Dracmas + 8 Fragmentos + Pedido

Leia com atenção:

Senhor Shin, devo dizer que sua missão foi surpreendente. Utilizar mais dos contos orientais para desenvolver sua história foi sábio. O que lhe confere o seu pedido. Porém, peço que preste bem atenção no que eu vou falar agora. De acordo com os sistemas do fórum, você poderá criar apenas uma Kitsune, com a listagem de poderes criada de acordo com as regras de poderes de mascotes. Caso tenha qualquer dúvida, pode entrar em contato via MP.


Atualizado por Athena

Hefesto
Hefesto
Deuses Olimpianos
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RPs - Shin Dak Ho Empty Re: RPs - Shin Dak Ho

Mensagem por Shin Dak Ho em Sab Maio 25, 2019 4:27 pm




man muss noch chaos in sich haben um einen tanzenden stern gebären zu können
genie



Passei o resto da tarde daquele dia novamente descansando na caverna onde as kitsunes estavam escondidas. Pela benevolência da rainha não teve problemas com minha estádia estendida por lá. Segundo ela era o mínimo que podiam fazer com para aquele que colheu a flor mágica daquele ciclo lunar. Não sou muito de ficar emocionado com essas coisas, mas as raposinhas realmente estavam me tratando super bem. Me foi explicado que mesmo estando ligados que a raposinha originada do fogo de raposa precisava passar algum tempo com eles, aprendendo algumas coisas básicas que cada kitsune deve aprender. Não coloquei muito empecilho nisso, afinal eles sabem o que é melhor para aqueles do seu clã.

Eu tive uma conversa com o Coelho Branco onde eu expliquei que eu realmente tinha acabado de chegar no Acampamento e que aqueles problemas encontrados na Floresta eram os primeiros que eu enfrentava como semideus. Eu disse que, de certa forma, estava servindo para eu ganhar mais experiência e compreender melhor o que significa ter o sangue divino, e ele concordou quando eu disse que se eu pretendia enfrentar Josh em algum momento eu deveria continuar me envolvendo com os seres da floresta afim de ficar cada vez mais forte.

Partimos naquela mesma noite, vagando pela Floresta que parecia não ter fim. Àquela altura já estávamos longe do esconderijo das raposas, mas enquanto eu estivesse com o Coelho Branco certamente saberia o caminho de volta. Era a primeira vez que eu de certa forma viajava ao ar livre, com a única iluminação presente sendo a lua. Tínhamos feito uma pausa para nos alimentar e descansar um pouco quando um tipo de pequena comitiva passou do nosso lado. Parecia uma carroça, mas era alta demais e aparentemente cheia de coisas demais, e aquele homem franzino que a empurrava foi quem se aproximou e iniciou o diálogo.

— Olá, jovens senhores, conheçam a magnífica loja de antiguidades do Mundu. — disse ele abrindo os braços e balançando de uma forma teatral. O vendedor era bem baixinho, eu precisava olhar para baixo para que pudesse ver o seu rosto, o que tornava ainda mais questionável ele ser capaz de empurrar aquele amontoado de coisas.

— Bom, eu ia comer agora, mas qual seria o problema de darmos uma olhada, não é mesmo?

— Não estou muito na vibe.
— respondeu o Coelho, pouco interessado.

— Sem problemas.

Não tinha motivo para criar uma confusão por causa disso, então comecei a checar a mercadoria com alguma calma e atenção. Tinha de tudo, indo desde colheres comuns até um tipo de lustre de cristal até que em bom estado. Brinquei com alguns chapéus, no que Mundu pareceu se divertir e achar graça, e continuei testando peças pequenas como colares e brincos. No fim devolvi tudo e estava pronto para levar a cartola roxa quando um brilho diferenciado saiu lá do fundo do amontoado. Estendi a mão até lá e com alguma dificuldade consegui alcançar o objeto, o puxando com cuidado para não derrubar as outras coisas. Quando o tomei em minhas mãos a surpresa foi ser uma lâmpada. Aladdin sempre foi um dos meus filmes favoritos da Disney quando criança, eu passava horas passeando pelo conteúdo extra, então quando vi a tal lâmpada a achei muito parecida com a do Gênio.

— Quanto custa? — perguntei apenas por desencargo de consciência.

— Essa velharia? Pode ficar se quiser. Já tentei vender de tudo quanto é jeito e ninguém se interessa mesmo.

— Ah, vou ficar então.


Por que escolhi aceitar mesmo parecendo suspeito ele entregar a lâmpada de graça? Porque eu queria algum souvenir daquele reino e com alguma polida essa lâmpada ficaria bela na minha cômoda no quarto do chalé. Por questão de força do inconsciente acabei esfregando a lateral do objeto para tirar um pouco do pó.

É, parece que não tenho sorte mesmo. Ou é isso ou eu só sou um tonto que cai em qualquer truque.

Não posso dizer que foi realmente uma grande surpresa quando a lâmpada começou a tremer e uma fumaça azul rodopiante apareceu me segurando ao redor dos pulsos. Mundu do outro lado simplesmente começou a dar uma gargalhada digna de vilão mesmo, e eu senti tudo girar. Nem deu tempo de pedir socorro para o Coelho, uma hora eu estava lá e na outra eu estava em um... Quarto? Bem, era o que parecia. Digno dos contos das mil e uma noites, o quarto tinha uma enorme cama, vários véus pendurados, uma penteadeira e vários quadros de deserto colados na parede.

Uma fumaça azul bem parecida com a de momentos antes rodopiou em cima da cama e então quem surge deitado nela? Isso mesmo: o vendedor Mundu. Com correntes em suas mãos onde antes estava todo coberto pela roupa eu finalmente percebi o que estava rolando. É a marca da prisão de um gênio, certo? Eu só não sabia que eles possuíam tanta autonomia ao ponto de puxar alguém de fora para esse mundo da lâmpada.

— Eu sei o que você está se perguntando, e de fato, somente um gênio pode vir até aqui.

As suas correntes então se partiram e viraram uma fumaça roxa que rapidamente veio na minha direção. Pelo susto eu tentei andar para trás, mas bati contra a parede. A fumaça rodopiou pelas minhas mãos e então de uma hora para outra quem estava preso era eu. Perdido entre a raiva e o medo eu não consegui dizer uma única palavra, apenas encarar Mundu como quem pede por explicações.

— Simples, cara, eu não aguentava mais ficar aqui, então dei meu jeito de escapar. Agora o dever de um gênio é seu.

— Como é que é?
— eu simplesmente me exaltei e parti para cima dele, no que ele começou a flutuar e sumir.

— Você também pode escapar. Só precisa realizar os três desejos de alguém.

— Mas eu nem tenho poderes, seu desgraçado.

— Você é um gênio agora. Que tipo de gênio não tem poderes?
— e sumiu.

Foi uma situação potencialmente claustrofóbica. Eu não tenho problema algum em passar uma semana inteira sem sair do meu quarto, mas nesse caso específico, sabendo que eu fui enganado... Foi simplesmente desesperador. Eu não sei bem em que momento eu surtei e quanto tempo durou, mas quando me dei conta eu estava deitado na cama com o quarto todo revirado. Os quadros no chão, alguns até partidos no meio, os véus jogados por cima de qualquer coisa e foi só então que eu resolvi respirar fundo para poder pensar em algo.

A saída aparentemente era óbvia. "Realize três desejos e está livre" parecia justo o suficiente para um gênio, mas sobre os poderes ainda parecia algum tipo de pegadinha. Fiquei deitado tentando fazer alguma magia, nem que fosse algo simplesmente como fazer os quadros flutuarem. Nada aconteceu. Sem poder medir o tempo eu simplesmente não conseguia definir quanto tempo eu estava perdendo naquilo. Em dado momento comecei a me perguntar onde o Coelho Branco estava que não esfregou a lâmpada de uma vez. Quando eu já estava desistindo de pensar me senti sendo sugado e então estava fora da lâmpada novamente. Nem tentei checar quem que tinha me chamado, apenas tentei correr, mas rapidamente as correntes me puxaram de volta. Inferno. Pelo menos ainda parecia ser a Floresta Encantada... Só não era o mesmo local onde estava antes com o Coelho.

— Não acredito que isso realmente está acontecendo. — era uma senhorinha que parecia estar na casa dos 70 anos. Seguia o estereótipo de histórias infantis, sendo baixinha e corcunda, mas se seguisse mesmo esse padrão então ela deveria ser gentil, certo?

— Ah, oi... — sem opções então eu simplesmente me virei e tentei esboçar um sorriso, embora estivesse sendo difícil fingir estar tudo bem — Você tem direito a três desejos. — em uma outra situação eu talvez seguisse o exemplo do Gênio do Aladdin e recitaria as condições e limitações, mas de fato não estava me sentindo na vibe. Somente segui o protocolo.

A senhorinha apenas sorriu de forma animada. Bem, no limite que sua idade avançada permitia ela comemorou, balançando um punho no ar enquanto dava risadinhas meio gagas muito características. Resolvi não a apressar e, embora não estivesse de bom humor, a senhorinha não merecia ser o alvo da minha frustração. Cruzei os braços ainda assim por reflexo, mas mantive um sorriso forçado no rosto, utilizando de toda a habilidade de atuação que eu tinha.

— Sabe, meu filho, eu não gostaria de ser clichê, mas para meu primeiro pedido eu quero ficar muito rica. — ela sorri — Eu sei que não tenho mais muitos anos de vida, quero deixar uma boa herança para meus netinhos.

Eu estava começando a ficar emotivo com o pedido quando me senti sendo preenchido por algo. Era algum tipo de poder fora do comum, algo tentando extravasar. Minha primeira reação foi ficar desesperado, mas então minha visão foi sobreposta com a imagem de várias moedas de ouro caindo do céu. Mesmo sem compreender direito, eu movimentei as mãos junto com os movimentos circulares que estava vendo diante de mim e então quando as estendi as moedas começaram a cair de uma árvore específica, se amontoando sob ela e preenchendo o chão. Era muito dinheiro, a senhorinha começou a rir de animação mais uma vez.

— Eu quero uma casa. Uma casa bem grande no lugar da minha cabaninha. Com vários quartos, assim todos os meus filhos podem morar comigo.

E novamente fui preenchido pela mesma sensação. Desta vez, consegui visualizar uma casa do jeitinho que ela pediu, e quando estendi as mãos fomos cobertos por uma fumaça roxa. No segundo seguinte estávamos em outro lugar, à frente de uma cabana muito humilde. Assim como fiz antes com o dinheiro, movimentei as mãos e então apontei para a casa. Um raio mágico saiu do meu dedo, atingindo a casa que foi rodeada pela mesma fumaça de antes e assim que a fumaça se esvaiu a mesma casa da minha visão estava ali. As moedas de antes agora estavam amontoadas à frente da

— Mas esse poder... É incrível. — verbalizei falando comigo mesmo, impressionado com tudo aquilo.

— Sim, meu filho, você é incrível. — sem saber do que estou falando, ela se prepara para fazer o seu último pedido — Agora, por favor, faça todos os meus filhos e netinhos aparecerem aqui. Tenho uma surpresa para eles.

E para seu último pedido, ela se mostra claramente uma mãe e avó muito dedicada. Ela poderia ter sido muito egoísta e feito pedidos que apenas a beneficiariam sem ligar para outros, mas optou por dar uma vida confortável para os seus descendentes. Realmente uma mulher digna. A visão novamente vem e preenche meu sentido quando eu visualizo o rosto de várias crianças e adultos nas mais diversas idades, todos com roupas do campo e, quando movo as mãos para fazer a mágica acontecer todas aquelas pessoas surgem ao meu redor. Sem saber o que estava acontecendo, a senhorinha é quem se encarrega de explicar para eles.

Junto com o último feitiço veio também as minhas correntes se partindo sozinha e a lâmpada rachando ao meio. Aparentemente eu estava livre. Fui convidado para tomar um café com a família reunida, mas tive que recusar. Estava em um local desconhecido sem a ajuda do Coelho Branco mais uma vez. Precisava encontrá-lo.

missão realizada:
A armadilha da Lâmpada Encantada: Para que um gênio seja libertado é necessário que outro fique em seu lugar, afinal ninguém sabe, mas na verdade a lâmpada mágica é na verdade a melhor prisão do mundo da fantasia. A lâmpada do gênio foi amaldiçoada e você acabou encontrando-a e bem, como todo bom entendedor de histórias infantis o seu personagem sabe o que acontece ao esfregar a lâmpada. E foi exatamente isso que você fez esperando ter seus três desejos atendidos. Acontece que ao esfregar a lâmpada o seu personagem acabou preso dentro dela e libertando o gênio que tinha bolado uma armadilha perfeita para poder escapar. Agora você é o gênio e precisa atender os três desejos do próximo personagem encantado que esfregar essa lâmpada para poder se libertar dela, quebrando o feitiço que te prendeu.
Recompensas: 5.000 XP e Dracmas + 4 Fragmentos
Requisito mínimo: Nível 1.
duplicador de xp:
Duplicador de um dia – O semideus ganha um bônus de XP, todo e qualquer exp ganho por ele terá o valor duplicado. Valido por 24 horas após a troca ser atualizada. (Valido de 25/05/2019 até 26/05/2019 as 17:00h).
considerações:
Ficha de Atributos: no link abaixo do avatar
equipamentos:
Faca de Bronze Celestial [ Uma faca de lâmina curta - cerca de 10 cm - com cabo em madeira envolvido em couro para tornar o manuseio melhor. | Não produz feridas em mortais. | Bronze celestial, madeira e couro. | Sem espaço para gemas. | Alfa. | Status 100%, sem danos. | Comum. | Nível 1. | Item inicial.]

Foice Curta [Embora pareça com o instrumento agrícola comum, essa foice é balanceada e reforçada para o combate, sendo que sua lamina é capaz de se alongar. | Efeito 1: A lâmina, feita de bronze celestial e capaz de alongar, ganhando até doze centímetros e, da mesma forma com que alonga, pode também diminuir, ganhando a aparência de um canivete. | Efeito 2: A arma nunca é perdida, sempre retornando para seu dono na forma de canivete caso seja perdida. | Bronze celestial. | Sem espaço para gemas | Beta | Status: 100% sem danos | Mágico | Arsenal do acampamento]




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