The Blood of Olympus
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[RP] Lugus Magni Ferret e Maxwell Wittelsbach

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Mensagem por Lugus Magni Ferret em Sex Maio 10, 2019 9:23 pm

Contos de Fadas //



RP do evento. Aqui serão postadas todas as missões fixas e afins do evento: Um Reino de Contos de Fadas.


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Mensagem por Lugus Magni Ferret em Sex Maio 10, 2019 9:24 pm

not sober
"Aliás... Um presente para os dois. Obrigado."

A pequena sacolinha que estava com dois pedaços do que parecia ser um brownie comum estava pendurada no braço do filho de Atena. Enquanto caminhavam, mal tinha notado o pequeno peso extra em seu braço, mas agora que estavam se aprontando para acampar, já que levaria ainda mais dois dias até chegarem ao acampamento, o jovem não evitava encarar o pacote após armar a fogueira, já que não tinha muito o que fazer senão esperar o filho de Plutão terminar de averiguar os arredores e trazer o restante da lenha.

Se perguntam por que ele não comeu o brownie antes? Bem...

— Se liga, mermão! A parada é a seguinte... A nossa trupe aqui precisa ir para Minnesota, só que o Fred ali é semideus, aí precisamos da ajuda de vocês.

Gregory Statehouse e sua trupe eram bem suspeitos. A começar pelo estilo que se vestiam e o fato de que não eram adeptos ao banho comum. "Isso fere a natureza, meu chapa", foi o que ele disse quando Lugus delicadamente perguntou sobre o cheiro do jovem. Eles eram muito relaxados, com uma tranquilidade maior do que qualquer ser que o semideus já tinha se deparado antes — e olha que, como semideus, ele já tinha sua cota de esquisitices praticamente preenchida. Mesmo quando acabaram sendo atacados por monstros, o líder e seu grupo não perderam a calma, preferindo muito mais usar os instrumentos que tocavam como armas como se fosse a coisa mais normal do mundo.

Aquele grupo era praticamente todo o estereótipo da cultura hippie escancarado:  Músicos itinerantes com roupas folgadas, coloridas e floridas que pregavam a paz e o amor entre os seres humanos e a natureza. Eram veganos — o filho de Atena não tinha nenhuma explicação lógica para justificar tal comportamento, nem sabia como é que eles conseguiam os alimentos que precisavam — e praticamente nenhum deles brigou ou mesmo teve um ataque de raiva.

"A vida é muito curta pra gente se estranhar, bródi."

E foi assim que acabaram ficando com alguns dracmas e dois bolinhos muito suspeitos.

Maxwell fora extremamente direto com relação ao par de petiscos que recebera. Na verdade, desde o início daquela missão o filho de Plutão estava com uma cara de irritação e frustração estampada para todo mundo ver. Ele não fazia questão de esconder sua raiva de qualquer pessoa que tentasse falar consigo, quase parecendo um cachorro furioso que só tá quieto por causa da coleira. Lugus tinha que fazer as vezes de mediador, até porque ao ver o tipo de gente que teria que escoltar por meio país, ele teve que praticamente impedir que o parceiro de missão abandonasse o barco mesmo antes de começar a travessia.

— Joga. Isso. Fora.

Mas o filho de Atena não jogou. Quero dizer, mesmo que as pessoas fossem um pouco suspeitas, ele sempre foi ensinado a não recusar um presente, afinal é sempre algo importante para a pessoa que presenteia. Era por isso que estava encarando o saco com os brownies há algum tempo. Por isso, não notou a presença do mais velho nem a indireta que ele tinha passado para si. Decidiu finalmente abrir o pacote, deslizando os dedos magrelos pelo envoltório que o cobria.

Imediatamente após de abrir o lacre, lhe veio um cheiro bem estranho para um bolo. Mas sua aparência era bem normal: um bolo amarronzado que parecia ser de chocolate, ou alguma coisa assim, e salpicado com o que realmente eram nozes. Não parecia tão ruim exceto pelo cheiro, que realmente era forte, de mato. Ouviu a indagação do semideus acerca do que faria com tal brownie e ergueu o olhar para o outro, confuso e curioso com o tal bolo estranho.

— Vou... Qual o problema? Não parece ser tóxico.

— Garoto, isso vai te fazer ficar pior do que quando você bebe. Lembra daquele dia, no bar? Vai ficar pior. Bem pior. Muito mais chapado. — Max respondeu com uma expressão divertida no rosto.

— Ué, como sabe disso se nunca provou? Ou você provou?

O riso rouco e divertido do filho de Plutão ecoou pela clareira que usavam como refúgio. Depois, ele mesmo, após afirmar que tinha provado daquela sobremesa um tanto esquisita, pegou o segundo bolinho, levando perto do nariz para cheirar um pouco do aroma de mato que aquela guloseima tinha por natureza. Lugus não evitou de estreitar os olhos, achando a atitude do jovem muito suspeita para alguém que queria avisar que era cilada comer aquilo. Alternando os olhares entre o bolinho e o semideus — que estava deveras tranquilo com relação a isso por sinal (como se isso não fosse óbvio antes) —, seus pensamentos pesavam de tal maneira os prós e contras de se alimentar de algo que não conhecia que quase parecia que sua consciência estava falando fora de sua mente.

— Não é uma boa ideia comer isso, humano idiota.

Mas não era sua consciência, era Mozart — que, por algum motivo, tinha aprendido uma gama de ofensas (eruditas ou não) para dizer nos momentos mais oportunos com sua voz esganiçada. Aliás, o jovem corvo, como todo e qualquer filhote de animal, gostava de dormir e o fazia em seus (de Lugus, no caso) moletons preferidos. Ou seja, ele sempre aparecia nas missões sem querer, já que o filho de Atena jurava que tinha deixado o animal na sua coorte com alguma ração para comer até que voltasse.

Sem dar ouvidos ao corvo e ignorando Maxwell, Lugus comeu o pedaço de brownie em uma bocada só.

De início, não houve nada. Parecia realmente um brownie comum exceto pelo gosto de mato em meio ao característico sabor das nozes. Depois de algum tempo mastigando, engoliu a massa de gosto estranho e, por um bom tempo, não sentiu nada de estranho em si. Pensou em dar um coça no filho de Plutão por tê-lo assustado, mas estava se sentindo calmo demais para fazer isso. Passado alguns minutos, sentiu o corpo estar mais relaxado do que de costume, o que era até gratificante por causa do estresse que tinha passado tentando ajudar as duas partes (Max e o pessoal da trupe hippie) a se entenderem e pelo menos se tolerarem.

— Seja o que for que tiver nesse troço, é bem calmante. — deitou-se, virando o olhar para Maxwell. — Você deveria comer, já que tá irritado desde quando a gente começou a missão. Parece um cachorro bravo! — e riu, sentindo-se leve como nunca antes. — Vai ver isso tira seu bico de frustração... Más vibes, cara! — zoou, imitando o gestual de Gregory.

No final, ele parecia flutuar em nuvens fofinhas de tão zen que estava. Agora sim entendia porque todos os hippies estavam tão na paz quando os monstros atacaram: se ele comesse esse tipo de coisa todo dia, com certeza teria todos os motivos para ficar zen e dizer aquelas coisas malucas de contato com a natureza. Lugus se sentia com tão poucos problemas que poderia ser atacado por um andarilho da noite e não se desesperaria, como seu cérebro costumava fazer quando se deparavam com criaturas mitológicas num geral.

— Ah, qualé Max! — disse, ainda vendo o bolo intacto nas mãos do filho de Plutão. — Se não for comer, me dá. Eu gostei desse troço.

Max comeu o bolinho, mesmo com aquele aviso que ele mesmo fez antes de que não era uma boa ideia. Lugus, ao ver a guloseima desaparecer dentro do organismo do filho de Plutão, voltou a posição deitada de antes, observando o céu alaranjado de fim de tarde. Os xingamentos do Wittelsbach fizeram o filho de Atena soltar várias gargalhadas antes de se entreter com a forma das nuvens no céu, como se isso fosse o programa mais sensacional que já tinha feito na vida. A cacofonia de pensamentos tinha impedido que o semideus visse a beleza e o entretenimento das coisas mais pequenas da vida.

Curtindo o momento, somente notou qualquer outra coisa quando uma massa branca pareceu passar na sua visão periférica. Virando a cabeça para o lado, notou um coelhinho felpudo que, a princípio, não parecia ser estranho. Tá, ele estava vestido em um terno e gravata completos, mas não parecia ser algo estranho para si por algum motivo. Mesmo assim, ficou curioso com a postura apressada do animal, que, se fosse humano, provavelmente estaria suando frio. Perguntou-se do porquê de tal pressa... Não tinha nada muito importante a pelo menos dez quilômetros de onde estavam.

— Senhor coelho, por que a pressa? — questionou, dando voz aos seus pensamentos.

— Não tenho tempo pra falar, estou muitíssimo atrasado.

— Mas não tem na—

E ele viu o coelho se afastar rapidamente. Levantando-se para ficar sentado, seguiu o animal com os olhos, notando ele perambular pela floresta em que estavam até parar próximo a uma árvore. Então, não precisou mais do que um pulo para que ele sumisse de vista, entrando em algum lugar próximo daquela planta. Cutucando fortemente o filho de Plutão, apontou o local onde tinha visto o tal do coelho de terno indo e, depois de puxar a gola da camisa do outro para fazê-lo observar o que estava dizendo, sugeriu:

— Vamos segui-lo!

Em qualquer outra ocasião, Lugus não teria sugerido tal ideia — talvez ele nem tivesse visto o coelho direito —, mas seu cérebro inebriado fez a escolha por si mesmo. Levantando-se com alguma dificuldade, espanou a areia de suas roupas e se dirigiu, sem esperar o companheiro de missão, até à árvore no qual tinha visto o coelho branco parar em frente. Depois de uma rápida observada, logo encontrou o que queria: um lugar onde o coelho poderia ter passado, este na forma de um buraco. Ao ouvir o comentário de Maxwell, deu um selinho no mais velho e usou as mãos para envolver sua face, dizendo tranquilamente:

— Bobinho, a gente vai perder ele se não nos apressarmos.

Se espremendo um pouco, passou pela boca do tal buraco misterioso e, antes que pudesse reagir e pegar a borda de tal abertura, caiu por ela rodopiando.

Quando chegou ao chão, desmaiou mais por causa da maconha que da queda.

Missão e Observações:
Missão fixa inicial: Para adentrar no evento de contos de fada é necessário fazer a missão fixa acima, sendo encontrado pelo coelho e guiado por ele até uma toca que o guiara para o mundo mágico. Você deve explicar como foi atraído pela criatura e o que te fez seguir ela, a missão termina com seu personagem caindo em um buraco que parece não ter fim, mas que num piscar de olhos também desaparece, te deixando em uma floresta estranha, onde alguém grita: Bem vindo a floresta encantada.

Recompensas: 500 XP e 500 Dracmas + 1 Fragmento.
Poderes usados:


Passivos:

Nenhum Relevante

Ativos:
Nenhum Utilizado.
Itens usados:
Ferret [ Um anel branco de marfim com um F entalhado em sua superfície e a frase: "suae quisque fortuna faber est" (O homem é o arquiteto do próprio destino) entalhado no interior do objeto. | Efeito 1: Transforma-se em uma espada curta de bronze sagrado, com o guarda mão todo protegido como um florete de esgrima. | Marfim, Bronze Sagrado | Sem espaço para Gemas | Beta | Status: 100% Sem danos |Comum | Item Inicial](no dedo médio da mão direita)
Mascote e poderes:
Mozart, o corvo mensageiro

Poderes

Nível 1
Nome da habilidade: Fala
Descrição: Desde filhote, o corvo mensageiro tem a capacidade de falar. Sua voz é um tanto fina e engraçada, por ainda ser pequeno.
Tipo: Passivo
Dano: Nenhum
Bônus: Nenhum


(...)


Future Admiral Byun Daehyun


Última edição por Lugus Magni Ferret em Sab Maio 11, 2019 12:33 am, editado 2 vez(es)
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Mensagem por Maxwell Wittelsbach em Sex Maio 10, 2019 9:55 pm


Enquanto agarrava pedaços de madeira seca e gravetos para utilizar de lenha, bufava mais vezes do que era necessário para uma pessoa meramente exasperada; não, Maxwell já deixara a simples irritação para trás e agora agarrava-se terminantemente ao seu estado totalmente puto. Tudo ao seu redor estava escuro, a penumbra tremeluzindo apenas com o clarão fraco da fogueira que ele e Lugus haviam acendido a alguns metros de onde estava; mas a escuridão nunca chegava nem perto de incomodar o filho de Plutão.

O que mexia com seus nervos de pavio consideravelmente curto fora todo o estresse que tivera de passar naquela missão. Durante as últimas quarenta e oito horas, Maxwell teve de servir de babá para um grupo de adolescentes hippies que tentavam cruzar metade do país. Obviamente, estava pouco se fodendo para o estilo de vida que qualquer pessoa levava, porque não lhe dizia respeito e também porque não dava a mínima mesmo, mas aquilo o afetava diretamente ao ter que passar tanto tempo naquele meio. Talvez tivesse ficado louco, não fosse a companhia de Lugus.

Tudo começou quando soube exatamente o que teria de fazer. Já podia imaginar o verdadeiro saco que teria de enfrentar ao escoltar aqueles adolescentes, seguindo-se pelo estereótipo de good vibes que hippies costumavam ter. E foi quase como uma premonição quando percebeu, de súbito, que era totalmente o oposto daquilo que aquelas pessoas pregavam, e já conseguia ouvir em sua cabeça as retaliações em forma de tom meio cantarolado que receberia. Quase deixou que o moleque de Atena fizesse aquilo sozinho. Quase. Mas infelizmente bastou um biquinho ser feito e uma cara de cão abandonado para que o filho de Plutão prosseguisse.

Talvez estivesse virando um otário sem perceber.

Mas quem lhe dera fosse apenas aquilo. Tão logo aquela escolta começou, os comentários também vieram-lhe em bombardeios. “Nossa, cara, como você é negativo... Tem uma aura muito pesada, bicho... Sei lá, um clima de morte...” O que era óbvio, já que era filho do rei do submundo. “Você costuma brigar muito por aí? Tô sentindo umas energias muito violentas, cara...” E também, é claro, seu parentesco com Éris. Realmente, Maxwell era a última pessoa que deveria estar do lado daqueles hippies.

Os comentários seguiram durante toda a viagem de dois dias, nos dois ônibus que a trupe, na companhia de Max e Lugus, havia pegado, e durante as caminhadas intervalares. Sempre uma indireta, e até mesmo o estilo de vida muito de boa deixava o Wittelsbach meio puto. É claro, ele andava extremamente irritadiço nos últimos tempos, em partes pela terrível carga que tinha de arrastar com a morte de sua irmã, em partes porque não tinha mais em quê descontar. Treinava exaustivamente e caçava a torto e a direito por aí, sempre em busca do seu alvo principal, mas algo estava faltando em si.

No fim, agradeceu a si mesmo por ter sobrevivido àquela sessão de tortura por dois dias inteiros, mas ainda carregava aquela onda de estresse horrível. Terminou de reunir os itens para atiçar ainda mais a fogueira e os carregou com cuidado por entre as árvores. Dunkelheit, que fora seu fiel escudeiro durante toda aquela cruzada, sempre rosnando para qualquer adolescente hippie que tentasse se aproximar de si, havia saído para caçar e agora exibia um esquilo morto entre os dentes. Max olhou-o de esguelha enquanto caminhavam em direção ao pequeno acampamento que ele e o filho de Atena haviam improvisado, orgulhoso de ver o animal crescendo cada vez mais. Agora, o lobo já estava ligeiramente maior que um lobo adulto comum, e comia feito um filho da puta. A sorte era que caçava.

Ver apenas o rosto de Lugus sob a luz dançante da fogueira o fez respirar fundo. Estava incrivelmente mais confortável naquela situação, somente na companhia do filho de Atena, e agora podia sentir algo que poderia ser próximo do alívio. Maxwell, por mais que não admitisse nem sob pena de morte, apreciava quando Lugus estava próximo; sem querer, havia deixado aquele moleque se aproximar demais de si e agora sentia-se extremamente cômodo em sua companhia. É claro que acreditava piamente que só queria comê-lo mais um pouco, e também dar pra ele mais um pouco, mas nunca conseguiria dizer em voz alta que havia realmente se afeiçoado àquele rapaz de alguma forma.

Jogou a madeira no chão, perto do fogo, e caminhou em direção ao garoto. Sentou-se ao seu lado, batendo as mãos nos jeans de lavagem escura que ficavam apertados em seu corpo torneado.

Pelo menos um de nós está tendo um banquete — falou, ainda em um tom mal humorado, apontando para o lobo, que estraçalhava seu jantar a alguns metros deles. Seus olhos voltaram-se depois para a figura do filho de Atena sentado ao seu lado, e Maxwell teve de enfrentar a vontade de passar a mão nele; correr os dedos pelos fios de cabelo cuja textura só conseguia tocar quando estavam se pegando. Afinal, qualquer toque fora daqueles momentos de pura luxúria eram terminantemente proibidos. Depois, seus olhos rumaram para o que o rapaz tinha nas mãos. Um pacote de papel pardo.

Antes de irem, os adolescentes deixaram aquilo como forma de agradecimento pela ajuda. Maxwell não precisou nem ao menos abrir para saber do que se tratava. Quando Lugus, sempre curioso, desvendou o lacre do pacote, teve certeza pelo aroma de que aquilo era feito de maconha.

Você tá pensando em comer isso, moleque? — indagou com uma sobrancelha erguida. Lugus, que já havia agarrado um dos bolinhos e agora o mantinha perto demais de seu rosto, respondeu de forma mais inocente do que Max poderia esperar. O filho de Plutão quase riu. — Garoto, isso vai te fazer ficar pior do que quando você bebe. Lembra daquele dia, no bar? Vai ficar pior. Bem pior. Muito mais chapado.

Aquelas palavras, no entanto, pareciam entrar por um ouvido e sair pelo outro. As contestações e perguntas indiscretas do filho de Atena dessa vez fizeram Maxwell rir. Um riso rouco e o primeiro em muito tempo.

Já, já provei. Eu sei do que ‘tô falando — tomou a sacola da mão do rapaz, no interior da qual havia restado apenas um bolinho. Desta vez, ele mesmo retirou-o de lá, afofando-o entre os dedos e levando-o até próximo do nariz para cheirar. — Mas é você quem sabe. Não sou tua mãe.

Aquelas palavras não pareceram surtir efeito no Ferret. Nem mesmo a fala meio agressiva de Mozart, o corvo tagarela que o rapaz carregava consigo, dentro do bolso, parecera ter algum efeito sobre os olhos vidrados do mais novo. Maxwell encarou-o no momento exato que abocanhou um pedaço generoso daquele primeiro bolinho, xingando mentalmente o moleque por todos os nomes feios que conhecia — e ele era fluente em quatro línguas, veja bem.

Puta merda, Ferret — rosnou, aproximando-se rapidamente. Mas não havia mais jeito. Lugus havia engolido, mandando para a puta que pariu o restante de sanidade que Max achava que ele tinha. — Você ‘tá doido?

Apesar disso, Maxwell não podia fazer muita coisa. Ainda segurando o segundo bolinho, encarou o filho de Atena que parecia tentar desvendar pelo próprio paladar do que aquilo se tratava. Ergueu uma sobrancelha com o passar dos minutos, o silêncio sendo quebrado apenas pelo crepitar do fogo e pelos ruídos que Dunkelheit por vezes fazia. Até que Lugus começou a agir de forma estranha.

Olha só pra você, moleque — rosnou, fechando a cara sob a menção do rapaz hippie de mais cedo, e sentando-se ao lado do corpo deitado do mais novo. Deixou os olhos pesarem sobre ele, e depois olhou para o brownie em sua mão. Deveria jogá-lo para longe o quanto antes, mas algo o impedia; talvez uma parcela muito profunda de sua mente. — Já tá chapado. Não acredito que vou ter que ser a pessoa sóbria aqui, hoje. Caralho. — Bufou novamente, voltando a assumir a mesma expressão de estresse de antes.

Aquele mau humor pareceu afetar diretamente a boa vontade de Lugus, pois o rapaz  objetou veemente o fato de Max estar se negando a acompanhá-lo naquele lanche. O garoto mais novo tentou pegar o bolinho restante da mão do mais velho, mas o Wittelsbach não permitiu. Lugus era mais alto que si, mas sabia que ele deveria estar tonto, e por isso ergueu o item comestível. Sabia que, se ele comesse mais um daquele, poderia ser alvo de efeitos adversos nada bem vindos, e jamais o filho de Plutão iria permitir que aquilo acontecesse.

Por isso, comeu. Deu boas dentadas no brownie, sentindo o gosto característico do chocolate misturando-se ao amargo da maconha. Fez careta, encarando Lugus e sentindo-se demasiadamente contrariado. Pela primeira vez, estava sendo um filho da puta responsável, e um moleque conseguira dobrá-lo tão rápido! Mas a guerra interna não durou muito. Foi como se a tensão de seus músculos se desprendesse gradativamente, e, conforme o organismo do semideus se acostumava às substâncias, ele deixou-se ser embalado pelos efeitos do lanchinho. Não soube dizer quanto tempo durou para começar a querer rir do simples fato de Lugus ter a merda de um pássaro que o chamava de idiota sempre que abria o bico. Ou de como Dunkelheit parecia engraçado com o focinho coberto de sangue de esquilo. Ou de como ele mesmo ficava bobo perto do Ferret.

Puta merda — disse, deitando-se ao lado do garoto mais novo. — Puta merda.

Maxwell conhecia aquela sensação de leveza, e mesmo assim conseguia se surpreender. Era como se seu cérebro, de repente, se tornasse dormente, mas suas ações continuassem suaves. Conseguia ouvir o som do próprio riso, apesar de parecer ser outra pessoa naquele momento. Era como se assistisse a si próprio de uma perspectiva diferente — como se sua alma tivesse deixado o corpo e agora via a si mesmo ao lado de Lugus, em terceira pessoa. Ria feito um completo insano, os olhos escuros perdidos mais acima. Só voltou a si — ou tanto quanto podia naquele estado — ao sentir Lugus o cutucando com o cotovelo. Perguntou em sussurros que diabos ele queria, porque estava ocupado demais conversando com o céu, e foi quando notou o que o outro semideus estava vendo.

Um grande nada. ”Vamos segui-lo”, e no segundo seguinte, Maxwell estava sendo puxado. Não teve muito o que contestar, preferindo ser levado pelo filho de Atena de uma forma que nunca aconteceria se estivesse pleno de suas faculdades mentais; mas Dunkelheit veio em seu encalço, então estava tudo bem.

O que foi? Que porra aconteceu? — perguntou quando ambos pararam de repente, próximos às raízes retorcidas de uma árvore especialmente velha. Maxwell sentiu a cabeça girar um pouco, mas foi porque olhou rápido demais para baixo, para o enorme buraco que existia sob aquela árvore. — Que isso, garoto, quer me dar uns beijos nesse buraco aí? Tudo bem por mim, sabe...

Não esperava mesmo que Lugus agarrasse seu rosto e lhe desse um selinho. Talvez aquele gesto o tenha deixado mais inebriado do que o uso da maconha. Mas não teve muito tempo de dizer outras coisas, pois o filho de Atena já se esgueirava pelo buraco para entrar sabe-se lá onde e seguir sabe-se lá o quê. Maxwell ficou tentado a perguntar quem diabos era ele, de uma forma evidentemente enciumada, mas não conseguiu porque Lugus caiu. Então deveria segui-lo, porque era a coisa mais óbvia a se fazer na mente de uma pessoa chapada.

Repetiu os mesmos atos, tentando se segurar nas bordas do buraco e falhando miseravelmente. Riu um pouco enquanto a queda durou, achando graça na forma como o buraco parecia ser estranhamente grande. Mas, quando chegou ao chão, sua consciência pareceu faltar-lhe. A visão ficou turva e, como em seguida, escureceu. E os dois ficaram ali, desmaiados depois de comer bolinho de maconha.


ADENDOS:
MISSÃO FIXA E OBSERVAÇÕES:
Missão fixa inicial: Para adentrar no evento de contos de fada é necessário fazer a missão fixa acima, sendo encontrado pelo coelho e guiado por ele até uma toca que o guiara para o mundo mágico. Você deve explicar como foi atraído pela criatura e o que te fez seguir ela, a missão termina com seu personagem caindo em um buraco que parece não ter fim, mas que num piscar de olhos também desaparece, te deixando em uma floresta estranha, onde alguém grita: Bem vindo a floresta encantada.

Recompensas: 500 XP e 500 Dracmas + 1 Fragmento.
ITENS LEVADOS:
• Espada do Carrasco [Forjada por acidente a espada possui uma aparência bastante incomum: sua lâmina possui um seguimento principal como os das outras espadas, porém na sua lateral a lâmina se divide em outras pequenas laminas que são capazes de provocar ainda mais dano contra seus inimigos. | Efeito 1: A lâmina é capaz de suportar as mais elevadas temperaturas sem modificar a sua forma, apenas ficando incandescente. |Efeito 2: A espada possui uma espécie de consciência magica e se afeiçoa ao seu primeiro portador e, dificilmente, irá deixar ser portada por outro semideus. | Ferro estígio. |Sem espaço para gemas | Beta | Status: 100% sem danos | Mágico | Arsenal do acampamento]

• Destroyer [ Um par de manoplas feito de ferro estígio que se ajustam muito bem na mão de seu dono. Seu revestimento interno é em couro para grantir maior conforto e é bastante maleável graças a todas as dobradiças que possui. Por toda a extensão de cada uma das manoplas, é possível ver os desenhos de peças de xadrez, assim como as figuras de algumas runas mágicas. | Efeito 1: As manoplas possuem o efeito de criar e conduzir trevas, o que reduz em 30% o gasto de MP do usuário ao manipular o elemento e gera um bônus de +20 de dano em caso de ferimentos provocados pelo elemento. | Efeito 2: Ao estar usando as manoplas, o usuário tem um aumento de 30% do atributo de força, sendo assim, seus ataques se tornam mais danosos. | Efeito 3: Pode usar as manoplas para se defender. Tal proteção é garantida pela presença das runas Thurisaz e reduz em 35% os danos de impacto. | Ferro estígio. | Beta | Sem espaço para gema. | Status 100%, sem danos. | Mágico. | Feito por Hela.]

• Dynasdor [Uma espécie de bolinha que ao ser atirada no chão libera uma luz magica que circula o corpo do semideus, o fazendo parecer que está brilhando em tons azul. | |Efeito único: Restaura a barra de HP do semideus e as feridas em seu corpo com regeneração acelerada, o impedindo de perder HP durante dois turnos. | Desconhecido | Sem espaço para Gemas | Sigma |Status: 100% sem danos | Uso único, some ao ser utilizado | Mágico | Evento de Verão]

• Aurador [Uma espécie de bolinha que ao ser atirada no chão libera uma luz magica que circula o corpo do semideus, o fazendo parecer que está brilhando em tons de dourado. | |Efeito único: Restaura a MP do semideus durante dois turnos, impedindo a barra de baixar. | Desconhecido | Sem espaço para Gemas | Sigma |Status: 100% sem danos | Uso único, some ao ser utilizado | Mágico | Evento de Verão]

• Poção de Cura 2 [Frasco médio de poção de cura no sabor morango. | Efeito: Recupera 300 HP e MP de quem consumiu a poção. | Desconhecido | Sem espaço para Gemas | Uso único, some após ser usado | Gama |Status: 100% sem danos | Mágico | Evento de Verão] (x3)

• Dental explosive [Uma caixinha de plástico que contém um rolo pequeno de fio-dental no sabor de menta. | Efeito 1: Quando colocado sob qualquer superfície, o fio-dental é capaz de explodir o local o qual foi rodeado com ele. | Efeito 2: Pode ser utilizado para limpar os dentes normalmente, se for da escolha do semideus. | Some da mochila após usado 5 vezes. | Plástico, fio-dental e aromatizante | Sem espaço para gemas | Status 5/5 | Mágico | Evento de Verão] Tenho 3 desse item no meu inventário, mas só trouxe uma para o evento
HABILIDADES DE PLUTÃO E ÉRIS:
N/A.
TATUAGENS E MARCAS:
Tatuagem SPQR [Tatuagem de coloração negra feita na parte inferior do antebraço direito. Possui o desenho de um garfo com uma bola em seu topo, seguido abaixo pelas letras SPQR, um risco para cada ano servindo a Legião e escrito 5ª Coorte. Uma vez por missão/evento, os poderes relacionados a agilidade e/ou esquiva/defesa proferidos pelo semideus membro da 5ª Coorte, passam a ter 5% a mais de efetividade durante três turnos.]
HABILIDADES DO LOBO GIGANTE:
N/A.

Fixa + Lugus + Floresta Encantada
(C) Ross
Maxwell Wittelsbach
Maxwell Wittelsbach
V Coorte
V Coorte

Idade : 25
Localização : [20:29:13] Genevra E. Diarmaid : A PADARIA FOI AÇALTADA

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Mensagem por Athena em Sab Maio 11, 2019 2:51 pm


Avaliação


Método de Avaliação:

Valores máximos que podem ser obtidos
Máximo de XP da missão: 500 XP e Dracmas + 1 Fragmento


Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

Realidade de postagem + Ações realizadas: 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc: 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência: 30%

RECOMPENSAS: 500 XP e Dracmas + 1 Fragmento para Ambos

Comentários:

E eu realmente não esperava por essa.
 
Atualizado



Palas Athena...
Sometimes the power must bow to wisdom. You can be strong, may have power, but if you are wise, you are all well. And more than that, yes you can defeat them. Once warned that to save the world destruiri you-your friends, maybe I was wrong.
Athena
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Deuses Olimpianos
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Mensagem por Lugus Magni Ferret em Sab Maio 11, 2019 11:22 pm

judgement
A sala do trono da rainha das terras altas escocesas estava lotada para assistir ao julgamento dos dois estrangeiros que foram acusados de roubar o sagrado Fogo Fátuo: uma chama encantada que refletia a sabedoria dos escoceses e que protegia o reino dos ataques de um grande mago que queria dominar aquelas terras. As pessoas ao redor se espremiam para conseguir ver a audiência, curiosos porque esta era uma ocasião rara de acontecer — os escoceses eram mais fãs do método "mate antes, pergunte depois" — e até apostando suas fichas em quem sairia vencedor naquele julgamento.

Os dois forasteiros, que estavam em desvantagem justamente por serem estrangeiros, eram Lugus e Maxwell, que estavam sendo vítimas de uma série de coincidências desfavoráveis e eram acusados de algo que não cometeram. Claro que seria relativamente simples dar conta do problema — como o último dissera na cela de prisão no qual foram colocados horas antes: "Você sabe que a gente só precisa da minha viagem nas sombras para sair disso, né?" —, mas uma das coisas que o filho de Atena protegia com fervor era a honra do nome Ferret e, mesmo que aquele reino nada tivesse a ver com o acampamento Júpiter, deixar seu nome ser manchado daquela maneira não era uma opção.

Então ali eles estavam, encarando a rainha ruiva e o mensageiro da corte que fazia as vezes de um "promotor de justiça". O plano de ação era simples: Alguma das testemunhas iria se embolar toda na mentira que precisaria contar e o que os dois precisavam fazer era expor os pensamentos contrários com as provas que tinham sido recolhidas pelos guardas da corte real. Para que então a verdade fosse revelada e assim pudessem fazer com que a justiça fosse feita. Sem problemas... Tudo tranquilo. Lugus estava suando horrores, mas tudo bem.

Ainda dá tempo de cair fora sem que eles percebam. — falou o filho de Plutão, recostado em uma das colunas do enorme salão. — Eles estão tão centrados na ruivinha... Duvido que notem a gente sumindo.

Lugus limpou o suor que escorria por sua testa com uma das mãos e olhou de soslaio a tranquilidade do companheiro semideus, se perguntando sobre como ele conseguia ficar tão calmo quando a vida dele estava em jogo. No fundo, ele sabia de onde vinha a calmaria presente em Maxwell: ele provavelmente conseguiria matar alguns homens e sair dali sem que escorresse uma única gota de suor por sua testa. Era essa a maior diferença entre um semideus comum e um filho dos três grandes — especialmente um filho de Plutão muito bem treinado e armado.

Vai dar certo. Vamos sair daqui vitoriosos. — falou Lugus, mesmo que não acreditasse muito no que dizia.

— Silêncio! — a voz da rainha se fez presente, calando todas as conversas paralelas que ocorriam no improvisado tribunal. — Darei início ao julgamento dos dois forasteiros baseando-me no livro real de leis. Espero que as partes envolvidas estejam com o compromisso de falar a verdade e somente a verdade, fui clara?

Após as apresentações, o mensageiro da corte real fez seu pronunciamento, recontando os acontecimentos do roubo do fogo fátuo e as acusações contra os dois semideuses. Antes que os burburinhos virassem balbúrdia, a rainha ordenou que todos se calassem e enfatizou tal postura com o armar de seu arco. Assim que atirou uma das flechas contra o teto da sala do trono, todos se calaram, até mesmo os mais fofoqueiros. Após conseguir o silêncio que queria, pediu que o mensageiro continuasse e assim ele o fez:

— ...Chamo agora a primeira testemunha, Baldur Birminghan.

Foi a frente o carroceiro que tinha levado os dois para dentro do castelo. Ele tirou o chapéu de camponês e reverenciou a rainha. Após ser dispensado, voltou a ficar na posição ereta, com os ombros retesados e tal acessório seguro por suas duas mãos contra seu corpo, numa posição que mostrava todo o seu medo por ser castigado de alguma maneira. Os cabelos grisalhos e os calos na mão indicavam que ele era bem mais velho do que os semideuses e que tinha trabalhado muito para dar o sustento de sua família.

— Diga-nos, senhor Birminghan, como você encontrou os forasteiros?

Eu estava trazendo os grãos da safra da minha fazenda para serem trocados aqui no castelo...

Ao acordar, Lugus sentiu uma tontura e uma dor de cabeça do tamanho do universo. Até onde ele sabia, estava voltando de uma missão de escolta com Maxwell quando resolveu comer um bolinho um tanto estranho e, por algum motivo, sua memória se recusava a mostrar o que tinha acontecido após a piadoca que fizera com o filho de Plutão. Colocando uma mão na cabeça e a outra na grama ao seu lado, praguejou algumas vezes por causa do sol em sua face, se sentando enquanto tentava se forçar a lembrar o que tinha acontecido. Piscando os olhos algumas vezes, notou que alguma coisa parecia errada nas árvores daquele lugar, mas não sabia exatamente apontar o que era.

Cutucando Maxwell, ouviu vários xingamentos do seu companheiro de missão, muitos dos quais o irritariam se não relevasse porque estava com muita dor. Parecia quase uma ressaca, mas, por algum motivo, sabia que conseguiria recuperar as memórias mais cedo ou mais tarde — diferentemente do álcool, que se ele desse perda total, muito improvável que ele se relembrasse do que tinha acontecido. Se arrastando até uma das árvores próximas, levantou-se devagar para não vomitar e olhou para frente.

Na mesma hora, viu uma fada passar rente ao seu rosto.

Gritou.

Ignorando as reclamações de Maxwell, Lugus caiu no chão e se afastou da árvore como se tivesse visto um fantasma. Apontando o dedo trêmulo para a pequena fadinha, que perambulava por ai sem notar os dois semideuses, puxou a barra da manga da camisa de Max com a outra mão e tentou processar o que estava acontecendo. Até onde ele sabia, não existiam fadas na floresta que eles tinham, teoricamente, passado a noite. Então por que diabos ele estava vendo uma?

Onde nós estamos, Max? — perguntou assustado.

Passada uma longa explicação e puxão de orelhas vindo do filho de Plutão, os dois decidiram que era uma péssima ideia ficarem parados ali que nem tontos. Por isso, seguiram em uma direção aleatória esperando que encontrassem alguém para lhes dizer onde diabos estavam — e talvez encontrar uma saída daquele lugar no meio do caminho, se dessem sorte.

Andaram. E andaram. E andaram mais um pouco.

Até que, além de muitas árvores, acharam uma trilha e, não muito longe, uma carroça.

...Foi então que eu vi esses dois jovens, majestade. Eles me pediram ajuda e, como bom escocês, eu os ajudei.

Embora a carroça andasse muito devagar para os dois semideuses, seu dono era um homem bem legal de se conversar e, tagarela como era, contava-lhes sobre a história daquela região e seus habitantes com muito gosto — especialmente para dois semideuses que precisavam desesperadamente de informação. Contara-lhes sobre a lenda da gloriosa rainha, que conseguira salvar seu povo da fome e da guerra. Contara-lhes das peripécias de uma futura rainha, que tinha usado uma poção dada por uma bruxa para escapar de um destino que não queria. Contara até mesmo sobre a lenda dos irmãos que fundaram aquela terra.

Bem, era um bom começo, realmente.

— ...E assim o malvado rei tirano, na sua sede de poder, foi transformado em urso e condenado a viver sob aquela forma por toda a eternidade. — disse o senhor Birminghan, animado por contar suas lendas de infância para alguém. — É por isso que devemos valorizar a família acima de tudo!

Sei... — respondeu Max para, logo em seguida, receber um murro no ombro de Lugus.

Não liga pra ele, senhor. Eu fiquei honrado de ouvir tais histórias! — respondeu Lugus, distraindo o idoso do que Max tinha dito.

— Eu que fiquei agradecido de ter contado para vocês... Vocês sabem, os jovens de hoje em dia não querem saber de um velho como eu. — ao olhar para frente, o senhor viu a silhueta bem distante de um castelo. — Ah, ali está: o castelo de Dunbroch, lar de nossa grande rainha.

Ao se aproximarem mais, o castelo de pedra se tornava enorme e intimidador de um jeito bruto. O idoso falava algumas curiosidades sobre o castelo enquanto chegavam cada vez mais perto, mas Lugus tinha desligado o senhor da sua mente. Depois de passarem pela ponte que ligava o lado de fora com o lado de dentro do local, o filho de Atena voltou sua atenção para o velho, que terminava de falar mais uma curiosidade — dessa vez sobre o fato de existirem algumas passagens secretas que se acionavam ao toque de alguns tijolos específicos —, e perguntou:

Onde poderíamos conseguir informações sobre a região? Tipo cidades e esse tipo de coisa?

— Ora, na taverna local. Os taverneiros sempre tem todo tipo de informação.

...Eu juro que eu não tenho nada a ver com isso. Só deixei eles dois dentro do castelo e fui para o mercado local.

Espere... O que?

O senhor Birminghan estava claramente mentindo!

Protesto! — Lugus ergueu a voz, assustando um pouco o velho. — Você tem certeza de que só deixou a gente aqui e foi para o mercado?

— Er... Sim?

É impossível isso ter acontecido, majestade. Como pôde saber, somos estrangeiros. Não sabemos de nada sobre o seu castelo. Além disso, nos autos dos guardas, é possível notar que eles relatam nossa movimentação muito precisa em direção a taverna do castelo.

— E o que isso pode ter—

Já que somos estrangeiros, não seria mais natural que, sem informações, nós ficássemos perambulando por ai até achar a taverna? No entanto, isso não aconteceu. Isso significa que já sabíamos onde era a taverna! A única pessoa que poderia ter dado essa informação é o senhor Birminghan!

A audiência começou a falar paralelamente após aquela revelação. Os burburinhos e olhares eram de desprezo e, mesmo que Lugus se sentisse um pouco arrependido de ter desmascarado o velho simpático, ele sabia que precisava fazer isso para conseguir se defender. Era necessário que alguém sofresse para que a verdade viesse a tona.

— Baldur Birminghan, eu tenho desgosto por mentirosos. — disse a rainha, impassível. — Se mentir mais uma vez, você terá as punições cabíveis.

— Me desculpe, senhora rainha. Tenha misericórdia de mim! — implorou o idoso, praticamente em uma posição em que parecia muito pequeno frente a rainha imponente.

— Então fale a verdade! Você deu informações a estes homens?

— Sim, senhora. Pensei que eram homens confiáveis. Então contei-lhes sobre as lendas da região e sobre a taverna. Mas foi só isso que disse!

A rainha olhou para o mensageiro e os dois forasteiros — esperando algum protesto — antes de pedir para que o homem se retirasse. Lugus conseguiu ouvir o sussurro do filho de Plutão e ficou um pouco doído por ter feito aquilo com uma pessoa tão gentil. O camponês saiu amparado pelos guardas, e se colocou em um pequeno espaço no meio dos súditos que estavam assistindo ao julgamento dentro da sala do trono. Após isso, a ruiva autorizou o mensageiro a convocar a segunda testemunha: um jovem súdito de nome Flynn Wilbur. O homem não deveria ter mais do que vinte e cinco anos e trajava roupas melhores do que o camponês. Foi dito pelo mensageiro que esse homem afirmava ter visto os dois forasteiros com o fogo fátuo.

— Pois bem, pode dar o seu testemunho.

Eu estava na taverna gastando algumas moedas de ouro, majestade. Afinal, tinha ganhado um bocado a mais por causa de meu trabalho bem feito...

Ao adentrarem na taverna do castelo, Lugus logo sentiu um cheiro forte de álcool. Homens sujos de suor bebiam seus estresses na forma de cerveja e alguns até mesmo papeavam ou trocavam farpas de uma maneira amistosa. Era um lugar que exalava testosterona de um jeito um tanto quanto incômodo para o filho de Atena. Ele resolveu se assentar em um dos bancos, mesmo sem dinheiro, e começar uma conversa meio arrastada com o taverneiro, que, embora estivesse ocupado com os copos de cerveja, vez ou outra respondia suas perguntas. Max ainda se mantinha de pé, sentindo-se realmente inquieto com uma movimentação que ocorria perto dos fundos do lugar.

Lugus fazia seu melhor para conseguir alguma informação sobre o local onde estavam além das lendas que tinha ouvido do carroceiro, mas o homem parecia ocupado demais para responder suas perguntas com uma resposta realmente útil. No fim, o que lhe restou foi perguntar sobre os lugarejos mais próximos, coisa que o homem demorou para dizer.

Pelo menos ele tinha trazido um mapa.

— Aqui, você parece precisar mais do que eu.

O taverneiro lhe entregou o mapa e, após agradecer, virou-se para perceber que Max não estava ali. Lembrando-se do que o semideus tinha dito, o filho de Atena, procurou-o pelo local. Depois de procurar com os olhos, notou que ele parecia estranhamente fixado em um ponto da taverna no qual Lugus não conseguia visualizar daquela posição. Embora curioso, sabia que o filho de Plutão tinha um bom motivo para ter se afastado e, dessa forma, fez o seu melhor para parecer natural e não atrapalhá-lo. Não demorou muito para que ele voltasse com um semblante preocupado no rosto.

Não olha agora, mas tem dois caras que parecem muito suspeitos. Eles estão carregando uma espécie de fogo azul.

Os dois homens passaram, indo em direção a saída. Lugus olhou para Maxwell confuso.

Seguimos eles?

Saindo da taverna, os dois semideuses seguiram os homens suspeitos, logo percebendo que eles entraram em um castelo dentro de um castelo: os aposentos em que moravam a família real escocesa. Os dois seguiram os indivíduos de perto, tomando cuidado para não serem notados em meio a quantidade de pessoas que transitava entre o pátio interno e externo. Observando os dois sujeitos falarem com a guarda, passando normalmente por ela, Lugus parou Maxwell.

Tá... Por que a gente tá seguindo eles mesmo?

Após a explicação de Maxwell, uma quantidade absurda de guardas saiu correndo do portão onde separava os aposentos reais do resto do castelo. A gigantesca quantidade de homens se espalhou por toda aquela região, investigando qualquer pessoa que parecesse minimamente suspeita. Ao serem ordenados para buscar o ladrão do fogo, que tinha sido roubado recentemente, um dos homens topara com os dois semideuses. Não os reconhecendo e percebendo que eles estavam em uma área restrita a cidadãos, logo os dois perceberam a roubada em que se meteram.

Bebi algumas realmente. Depois disso, fui ao pátio interno, afinal eu tinha combinado de encontrar um amigo ali.

A voz de Maxwell se ergueu acima da do homem.

Senhor taverneiro... O senhor deve manter alguma espécie de controle do que seus clientes pedem. Diga-me, quantas bebidas o senhor Wilbur pediu nesse dia?

Por sorte, o taverneiro estava na plateia e tinha trazido sua caderneta — talvez não tanta sorte assim, já que o filho de Plutão parecia saber disso mesmo antes de perguntar algo para ele. Olhando rapidamente o nome de Wilbur, ele disse:

— Duas, senhor.

Bem... Não sei vocês, mas se um homem quer ficar sóbrio, ele bebe somente uma caneca de cerveja. E se ele gosta muito da bebida ou deseja ficar bêbado, com certeza ele beberia mais do que duas.

— O que quer dizer com isso, senhor?

Quero dizer que você falou que iria encontrar com seu amigo no pátio interno. Mas o seu amigo estava com você desde a taverna.

O burburinho aumentou, especialmente quando o taverneiro concordou com tal afirmação. A rainha teve que, mais uma vez, ameaçar seus súditos com uma flecha lançada contra o teto do lugar para que fizessem silêncio. A mulher olhou furiosa para a testemunha, que não conseguiu manter o olhar altivo de antes. O taverneiro forneceu mais informações a respeito do que tinha acontecido na taverna e passou a descrição do segundo sujeito que estava com o homem.

— Desculpe, majestade. Esqueci de avisar que estava na companhia de meu outro amigo, Sir Reymond Galahad. Ele é um nobre muito influente e não gosta de ser mencionado em vão.

Mas por que Sir Reymond iria se encontrar com você? — indagou Lugus. — Você não me parece ser um homem nobre, senhor Wilbur.

— Er...Eu devo algumas coisas a ele.

Majestade, me pergunto uma coisa. — começou Maxwell — Todos os que possuem brasões reconhecíveis em suas roupas são bem-vindos no interior dos aposentos reais?

— Em roupas nobres sim. Porém, um serviçal precisa ter uma carta de seu mestre.

Me pergunto que tipo de carta você teria, senhor Wilbur, para conseguir entrar tão facilmente nos aposentos reais. Afinal, está registrado, nos autos, que você passou por lá. Aliás, como podem perceber, como poderíamos roubar o fogo fátuo, se nem acesso ao cômodo que ele estava nós temos? — falou Lugus, ressoando sua lógica.

Com as novas informações, a rainha acabou sendo obrigada a pedir uma pausa.

Ao conseguirem o intervalo, Lugus ficou matutando sobre onde poderia estar o fogo fátuo. Eles tinham visto Wilbur e Sir Reymond carregarem algum tipo de fogo, mas porque eles devolveriam-no para o castelo? Se eles forem os culpados, porque simplesmente eles devolveram o que roubaram para o mesmo ambiente de que roubaram? Por que eles esconderiam o artefato no castelo?

Uma ideia pipocou em sua cabeça. Mas, seria possível...?

Max, qual a probabilidade dos aposentos do Sir Reymond terem o mesmo brasão de sua família estampado para todo mundo ver? E a probabilidade dos únicos a conseguirem entrar nos aposentos serem os membros de sua casa real?

Todos os aposentos devem ser identificados com os brasões... E provavelmente seria muito difícil de entrar lá não sendo um membro da determinada casa. A não ser que...

Exato. Se souber a localização exata do fogo fátuo, você pode usar as passagens para pegá-lo. Pode até mesmo escondê-lo debaixo do nariz de todo mundo, afinal somente as pessoas de sua casa podem entrar em seus aposentos.

Você acredita que eles o estejam guardando nos aposentos de Sir Reymond?

É o meu melhor palpite.

Podemos descobrir isso. Posso tentar chegar até lá, mas preciso que ganhe tempo pra mim.

Bem... Seja rápido. Não sou tão bom com as palavras para conseguir detê-lo por muito tempo.

Ao final do intervalo, Lugus distraiu os guardas para que eles não notassem a falta de Maxwell — ou se notassem, atribuíssem isso a algum tipo de desconforto. Mandando um dos homens armados procurar pelo moleque, que provavelmente tinha saído da sala para um dos banheiros — ou era isso que eles pensavam —, os outros guardas levaram o filho de Atena para a sala do trono novamente, já que a audiência começaria novamente. Depois de ouvir a retrospectiva do caso narrada pelo mensageiro, que de promotor não possuía muita coisa — até porque o homem nunca retrucou nada que os forasteiros disseram, muito menos defendeu suas testemunhas — , o filho de Atena estava tentando se preparar mentalmente para seu rival atual:

Sir Reymond Galahad.

Trajado de maneira imponente, o homem caminhava com uma opulência que não era a de um simples plebeu. E ele fazia questão de acentuar isso com a armadura espalhafatosa e, ao tirar o capacete, o cabelo loiro sedoso. Era quase uma propaganda de xampu ao vivo e a cores, embora duvidasse que existisse tal químico nesse reino — e também soubesse que não existia uma propaganda que nem a de tempos modernos.

A primeira coisa que ele perguntou foi acerca do motivo do encontro entre os dois homens. Galahad explicou com detalhes que precisava discutir acerca do acordo de alguns vassalos e Wilbur era o encarregado de levar suas propostas para a rainha. Após isso, ele começou seu depoimento. Mesmo com respostas bem claras do homem, Lugus o pressionava para que ele cometesse algum erro em seu reconto do caso. O que tornou as coisas mais difíceis ainda era ver que, claramente, a rainha notava a ausência de Maxwell, o que o deixava sem muito tempo para pensar em algo que funcionasse, já que também tinha que distrair todo mundo desse fato.

— ...E eu me esqueci de alguns equipamentos em meus aposentos, senhor forasteiro. Por isso eu tive que voltar para o castelo com Wilbur. Dali nós fomos resolver outras questões acerca da minha cavalaria.

Praticamente sem ideias e sem mais tempo, Lugus deixou a cabeça cair. Tinha sido derrotado.

— Senhor forasteiro, eu pergunto mais uma vez: onde está seu companheiro? Se ele tiver fugido, os dois serão sentenciados—

Senhoras e senhores, diretamente dos aposentos de Sir Reymond... — disse o filho de Plutão, com um sorriso maroto de lado e após ter chutado com toda a força uma das entradas da sala do trono — O Fogo Fátuo.

Ao verem o fogo fátuo nas mãos de Max, os guardas abriram passagem para que o jovem entregasse a chama ao mesmo tempo em que aproveitava no melhor ângulo possível a cara de raiva que o homem lhe fazia. A rainha estendeu as mãos, deixando que a chama pairasse por elas até voltar ao seu lugar especial: logo acima do trono da jovem. Após isso, uma enorme cúpula surgiu, repelindo quaisquer ataques do grande mago que estivessem em curso e forçando-o a recuar em suas linhas de batalha.

Lugus levantou o olhar, visualizando tudo aquilo acontecer e não proferindo uma só palavra. Estava encantado com o poder que aquele fogo azul era capaz de conter.

— Muito obrigada... — ela estalou os dedos e os guardas entraram em sentido. — Reymond Galahad, você tem muito o que explicar... Levem-no.

Os guardas se posicionaram ao redor do cavaleiro, que ainda tentou reagir, mas foi contido pela força superior em números. Sem opção, foi levado para as masmorras, que nem o que tinha acontecido com os dois semideuses. Só que, dessa vez, a recepção dos guardas foi bem menos amistosa, já que tinham em mãos o culpado pelo desaparecimento de suas barreiras de defesa.

— Gostariam de ficar para jantar? Acredito que devemos celebrar, então será um banquete. — falou a rainha, agora se aproximando dos dois forasteiros.

Após aceitar o convite, ele finalmente respondeu o sussurro anterior do mais velho:

Pensa pelo lado bom: nós temos um banquete e um lugar pra dormir. — e deu uma piscadela para o filho de Plutão.

No fim, aquela foi uma longa noite.

Missão e Observações:
Fogo Fátuo II – O fogo fátuo é um objeto mágico do reino de Merida que funciona como o Velocino de ouro e protege o castelo de possíveis invasões. A princesa se tornou rainha recentemente por recuperar esse artefato das mãos de uma bruxa, salvando assim seu reino de uma guerra contra seu maior inimigo, um mago poderoso que insiste em atacar o lugar. Acontece que alguém roubou o objeto mágico do castelo da rainha Merida, deixando-a sem qualquer tipo de proteção. Agora você precisa descobrir quem fez isso e recuperar o fogo fátuo.  
Recompensas: 7.000 XP e Dracmas + 5 Fragmentos
Requisito mínimo: Nível 10.

Dentro do prazo para a duplicação de fragmentos, então, para essa fixa, a recompensa são 10.
Poderes usados:


Passivos:

Nível 3
Nome do poder: Dicção
Descrição: O campista tem uma ótima dicção, podendo assim convencer monstros e pessoas sobre algo que ele queira.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +10% em poderes ativos que envolvam persuasão com palavras, ou na mente.
Dano: +5% no poder ativo, se funcionar.

Nível 5
Nome do poder: Inteligência
Descrição: Um filho de Athena é naturalmente inteligente, por sua mãe ser a deusa da sabedoria, o semideus aprende as coisas mais rápido, o que também permite que ele note coisas que outras pessoas não percebem. O semideus de Athena sempre procura uma saída lógica, consegue bolar um plano e encontrar pontos chaves, pois tudo aquilo que não consegue entender lhe deixa frustrado. Ele sempre buscará respostas.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +5% das estrategias darem certo. (Aumenta em +5% a cada 5 níveis que o semideus adquirir).
Dano: Nenhum.

Ativos:
Nível 2
Nome do poder: Boa Dicção
Descrição: Basta falar um pouco mais forte, mais baixo, se comunicando do jeito correto o semideus consegue convencer qualquer um de que ele é que está certo podendo inclusive convencer um ser malvado a se tornar bondoso. O semideus nesse nível torna-se persuasivo, lembrando que, pessoas com mentes inferiores a sua são maiores afetados por esse poder.
Gasto de Mp: 5 MP por rodada usada
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +15% de chance de fazer uma pessoa baixar a guarda.
Dano::Nenhum
Extra: É mais difícil convencer pessoas com a mente superior a sua, ou com um nível mais alto. Lembrando que o poder de persuasão aumenta com o nível.
Itens usados:
Ferret [ Um anel branco de marfim com um F entalhado em sua superfície e a frase: "suae quisque fortuna faber est" (O homem é o arquiteto do próprio destino) entalhado no interior do objeto. | Efeito 1: Transforma-se em uma espada curta de bronze sagrado, com o guarda mão todo protegido como um florete de esgrima. | Marfim, Bronze Sagrado | Sem espaço para Gemas | Beta | Status: 100% Sem danos |Comum | Item Inicial](no dedo médio da mão direita)

(...)


Future Admiral Byun Daehyun


Última edição por Lugus Magni Ferret em Dom Maio 12, 2019 3:09 am, editado 4 vez(es)
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[RP] Lugus Magni Ferret e Maxwell Wittelsbach Empty Re: [RP] Lugus Magni Ferret e Maxwell Wittelsbach

Mensagem por Maxwell Wittelsbach em Dom Maio 12, 2019 3:04 am


Em um reino de bárbaros, estar em uma sala de julgamento era a última coisa que Maxwell esperava viver naquele mundo de contos de fadas. Muito menos ser acusado e ter roubado algo que nem ao menos representava alguma coisa para si. Mas lá estava ele, recostado a uma coluna de mármore no grande salão de julgamento da rainha, de braços cruzados sobre o peito, a expressão levemente irônica encarando o filho de Atena.

Ainda dá tempo de cair fora sem que eles percebam — disse num tom contido, encarando o rapaz que parecia mais nervoso que qualquer outra coisa, algo que contrastava absurdamente com a tranquilidade do filho de Plutão. Maxwell não temia a morte, apesar de não achar que esse seria o fim de ambos. — Eles estão tão centrados na ruivinha... — Max desviou os olhos para a mulher de cachos cheios, tão vermelhos quanto o pôr do sol, assentada sobre um trono de madeira numa extremidade mais afastada, como a juíza do tribunal. — Duvido que notem a gente sumindo.

O homem estava tentando influenciar Lugus a fugir desde a noite anterior, quando ambos haviam sido presos em uma cela provisória. Por mais que não acreditasse que aquele seria seu último dia na Terra, Maxwell queria realmente dar o fora daquela situação antes que chegasse a um ponto que teria de suar para escapar. Obviamente não eram os culpados do roubo do Fogo Fátuo, como assim foram acusados, mas seria trabalhoso limpar o nome de ambos, e aquela era uma circunstância que poderia facilmente ser resolvida.

Mas Lugus conseguia ser uma mula teimosa, e ainda mais orgulhoso com seu nome do que Max.

Quando a mulher ruiva, que não parecia ser muito mais velha que Lugus, ergueu-se e sua voz resplandeceu pelo salão — lotado pelos rostos curiosos dos súditos da rainha, uns de olho nos dois acusados, outros avulsos, e alguns empenhados a secar a soberana até a última gota de líquido corporal —, todos se calaram para ouvir sua voz. Maxwell teve de admitir para si mesmo que ela impunha respeito através da fala, e que parecia ser muito mais capaz de destroçá-lo em uma luta do que qualquer outro guerreiro que ali estivesse presente. E seu poder era sempre reafirmado quando ela manuseava o arco, como no momento em que utilizou-o para calar a boca de quem quer que insistisse em manter conversas paralelas, principalmente depois da exposição dos fatos pelo mensageiro do reino, quando ela já tinha ordenado o completo silêncio.

Desta vez, seu comando foi obedecido plenamente.

E a primeira testemunha foi chamada. O mercador.

Eu estava trazendo os grãos da safra da minha fazenda para serem trocados aqui no castelo...

Max não conseguia se lembrar, mas o sonho que estava tendo era realmente muito bom e ele sentia-se extremamente confortável naquele momento, até sentir cutucões em sua cintura. Lentamente, foi trazido à consciência pelos dedos grossos de Lugus, que mexia em si como se quisesse acordá-lo. Infelizmente ele havia conseguido, pois os olhos do filho de Plutão abriram-se para um chão de terra batida recheado de pequenas gramíneas aqui e acolá. O sol estava forte, mas copas densas de árvores altas impediam que fossem atingidos diretamente pelos raios.

Mas que porra, caralho, deixa eu dormir... — xingou, apertando os olhos novamente e sequer questionando-se acerca do fato de estar jogado diretamente no chão, quando sabia que haviam levado colchonetes confortáveis para pernoitar em acampamento. Mas um grito fê-lo despertar de vez, o coração batendo forte no peito pelo breve susto, pondo-se sentado num rompante e buscando o Ferret com os olhos. — Mas que porra, moleque?!

Lugus puxou a manga de sua camisa para chamar sua atenção e foi então que Max viu. Uma pequena fada, voando por entre os dois como se não ligasse a mínima para o fato de estarem jogados ali. E então o filho de Plutão lembrou-se de absolutamente tudo o que havia acontecido na noite anterior.

Que merda, olha só o que aconteceu... — resmungou, pondo-se de pé e ajudando o mais novo a se erguer também. Ele parecia muito confuso com tudo aquilo, e Max desconfiou que a larica não estivesse permitindo que o rapaz se recordasse de que, sim, eles haviam ficado chapados e que, sim, haviam perseguido um coelho falante, caído num buraco e apagado depois de cair por vários minutos. — Eu disse pra não comer aquela porra ontem, mas você nunca me escuta, né? Agora estamos perdidos em algum lugar onde coelhos falam e fadas voam por aí. Lembra que caímos naquele buraco? Que droga, moleque...

Mas Maxwell sabia que não adiantaria de nada continuar brigando com o filho de Atena naquela situação. Precisavam descobrir onde estavam e encontrar uma saída o quanto antes, por mais que não houvesse nenhum indício o buraco pelo qual ambos haviam caído. Era como um passe de mágica muito ruim, daqueles que só existiam de historinhas para criança dormir. A dupla de pôs a caminhar, sem um rumo certo, e o homem mais velho desconfiou que haviam passado várias vezes pelo mesmo lugar. E mesmo depois que a garrafinha de água havia ficado vazia, continuaram a andar, e andar, e andar, sem ter um norte.

Ao invés de invocadores de camisinha, Maxwell deveria ter comprado uma bússola para dar de presente a Lugus. Mas como sabia que iriam acabar de perdendo?

Contudo, depois do que pareceram horas de caminhada, os dois acabaram por encontrar uma trilha na floresta. Andaram com pressa por ela, até encontrar o primeiro indício de que não estavam sozinhos naquele lugar: uma carroça.

...Foi então que eu vi esses dois jovens, majestade. Eles me pediram ajuda, e, como bom escocês, eu os ajudei.

Por mais que Maxwell não fosse muito adepto da cultura de pedir ajuda e informação, Lugus tomou a frente. Ele com certeza era muito melhor em abordar pessoas como o velho Baldur Birminghan, que não hesitou em dar uma carona para os dois rapazes até o seu destino. Subiram na parte posterior da carroça e sentaram-se dentre as sacolas de grãos, encolhidos como crianças para caberem ali. E o velho mercador desembestou a contar histórias sobre aquela terra, muitas das quais Maxwell pouco acreditava serem verdades; mas, desde que vira um coelho falante e caíra por um buraco quilométrico, resolveu que nada ali seria menos que absurdo.

Ele acabava de contar a história sobre um rei tirano que havia sido condenado a viver sob a forma de um urso quando Maxwell despertou para as palavras do velho. A verdade era que, na maior parte do tempo, ficava voando em pensamentos sobre como fariam para dar o fora dali, mas mesmo que estivessem em uma situação no mínimo inusitada, Lugus ainda parecia extremamente solícito com o velho mercador.

Se você falar algo mais, ele vai querer te adotar — sussurrou baixo o suficiente para que somente o filho de Atena pudesse ouvir, a boca colada ao ouvido dele. E foi nesse momento que o velho chamou sua atenção para que olhassem para frente.

Maxwell deixou que os olhos pousassem nas estruturas magníficas do castelo que se erguia um quilômetro à frente, fazendo uma careta engraçada para o nome daquele reino. Não lembrava-se de ter visto nada como aquilo em seu mundo, o que excluía a possibilidade de não estarem na Terra de verdade, por mais que o velho de autodenominasse escocês. O Wittelsbach parecia prever a grande dor de cabeça que aquilo viraria.

Conforme se aproximavam, as estruturas de pedra tornavam-se mais grosseiras à vista, mas era inegável que aquele castelo parecia devidamente muito bem construído pelo sua imponência; o velho, bastante orgulhoso, começou a falar sobre as curiosidades daquela construção soberana, e pela primeira vez Maxwell prestou atenção às suas palavras.

Passagens secretas, você disse? — perguntou, o cenho franzido, parecendo muitíssimo interessado. A verdade era que aquilo poderia vir a ser de grande ajuda mais tarde, caso precisassem. Birminghan pareceu extremamente satisfeito com a atenção do filho de Plutão e desatou a contar tudo o que sabia.

— Onde poderíamos conseguir informações sobre a região? Tipo cidades e esse tipo de coisa? — Lugus perguntou em determinado momento.

E foi quando foram direcionados à taverna local.

...Eu juro que eu não tenho nada a ver com isso. Só deixei eles dois dentro do castelo e fui para o mercado local.

Max não precisava das habilidades de telepatia que Yoonjin tinha para saber que, naquele momento, Lugus mandaria sua timidez para a casa do caralho e explodiria em protestos. Dito e feito; diante da passagem errônea de informação, o Ferret chamou a atenção de todos ao elevar sua voz naturalmente grossa a ponto de assustar o velho mercador. O filho de Plutão, parado e calmo como se não estivesse sendo julgado naquele momento, quase sentiu pena do homem simpático. Mas o sentimento não durou por muito tempo e foi substituído por uma estranha sensação de orgulho ao ver, com um sorrisinho sarcástico esticando o canto de seus lábios, Lugus rebatendo as informações da forma mais inteligente que o semideus mais velho havia visto. Ele era um gênio, e, por mais que dissesse ser um filho de Atena que não fazia jus à mãe por ser burro, Max o achava a pessoa mais inteligente e sábia que já havia conhecido. Só era um tanto ingênuo às vezes.

Você vai acabar fazendo o velho perder a cabeça — Max sussurrou para que somente ele pudesse ouvir. — Literalmente.

Sabia que Lugus, acima de tudo, tinha um bom coração, e que talvez ficasse preocupado com o homem que os havia ajudado. Mas não competia mais a eles o destino do mercador — somente dele e de suas verdades. Felizmente, o velho acabou por contar a versão verdadeira da história após ser pressionado pela rainha, e depois foi guiado ao seu lugar quando uma nova testemunha foi chamada.

Flynn Wilbur, um jovem bem apessoado que estava no lugar certo e na hora certa. Extremamente conveniente para suas mentiras.

Eu estava na taverna gastando algumas moedas de ouro, majestade. Afinal, tinha ganhado um bocado a mais por causa de meu trabalho bem feito...

Quando ambos adentraram a taverna, o filho de Plutão não pôde deixar de notar a semelhança com os bares que sempre frequentou. O mesmo tipo de gente, bêbados propensos a brigas, com a simples diferença de que, ali, não havia luzes neon nem música eletrônica alta nem roupas caras. Mas havia o cheiro forte e amargo da cerveja, e também o clima propício para que o Wittelsbach tomasse para si um dos bancos ao balcão de madeira e pedisse a bebida mais forte. E talvez até chegasse a fazer isso, se não estivesse na companhia de Lugus.

Observou o garoto indo em direção ao balcão, onde o taverneiro limpava copos e assobiava uma canção que o filho de Plutão não conhecia. Max até chegou a segui-lo, mas quando notou que o rapaz somente tentaria conseguir informações, cutucou-o na cintura e se aproximou de seu ouvido:

Vou dar uma olhada por aí — avisou, deixando-o imerso na conversa com o outro homem para andar pelo local.

Passou a andar por entre as mesas de tablado redondo recheadas por homens que não só conversavam como também gritavam. Em algum ponto daquele ambiente alguém tocava uma espécie de banjo e recitava canções em uma língua que Max não conhecia; uma mulher dava de mamar a um bebê no canto do salão; um garoto chorava pelo primeiro amor. Mas nada disso chamou a atenção de Max. Ao recostar-se em uma viga, entreouviu uma conversa no mínimo curiosa, e, sem saber que aquilo seria importante, atentou-se às palavras ditas.

— É, parece que a rainha está preocupada — um homem não muito mais velho que si contava para o amigo. — Já fazem dias desde que foi roubado, e ainda não apareceu. Nem vai, se você quer saber. Na minha opinião, já deve estar em outro reino, o Fogo...

Maxwell franziu o cenho para a informação. Mas não teve tempo de refletir sobre aquilo porque, tão logo, sua visão periférica notou uma movimentação estranha nos fundos do bar. Voltou discretamente seu olhar para o local, fixando um par de homens que conversavam em um tom baixo, quase íntimo. Não conseguia entender o que falavam, mas estavam submersos em algo evidentemente importante. Um rapaz, bem vestido e de boa aparência, parecia explicar alguma coisa para o seu companheiro, um homem mais rústico e com uma cicatriz na sobrancelha.

Então, o que parecia mais jovem mostrou-lhe algo que fez as entranhas de Max revirarem em uma certa apreensão comedida. Viu-o segurar uma tocha com um fogo cintilando em azul, e o homem mais bruto pareceu surpreso. Max pensou nas palavras que havia acabado de ouvir e grunhiu consigo mesmo, respirando fundo e dirigindo-se de volta até Lugus.

Não olha agora, mas tem dois caras que parecem muito suspeitos. Eles estão carregando uma espécie de fogo azul.

Não demorou para que, por trás de seu corpo, a dupla passasse calmamente. Ótimos atores, dirigindo-se à saída. O Wittelsbach encarou o rosto de Lugus por alguns momentos quando este perguntou se deveriam segui-los.

Sim, vamos.

Não foi difícil esgueirarem-se pelas ruas até alcançarem o interior dos muros do castelo. Os guardas não pareciam se importar, devido à grande quantidade de pessoas que por ali transitavam. Mas Maxwell notou que o número de gente ia gradativamente diminuindo quanto mais adentravam aquela fortaleza. Até que, em um determinado momento, quando pareciam ter invadido um espaço totalmente novo, Lugus voltou-se para si.

— Tá... Por que a gente tá seguindo eles mesmo?

Max comprimiu os lábios, respirando fundo e olhando ao redor. Aproximou-se do mais alto apenas o suficiente para que pudesse dizer com clareza o que havia ouvido no interior a taverna. Explicou que dois homens haviam dito que algo havia sido roubado da rainha, e que um deles se referira àquilo como fogo. Estranhamente, aqueles dois suspeitos carregavam uma tocha, e que isso o havia chamado a atenção.

Tem algo de muito errado neles, Lugus. — Max afirmou, certo disso.

Contudo, nesse momento, o estardalhaço de metal se fez ouvir e o filho de Plutão notou que de uma sala saíam uma quantidade preocupante de guardas, parecendo urgentemente mobilizados para acharem algo. Um deles topou com a dupla, e foi nesse momento que o semideus submundano questionou-se porque diabos foi comer aquela merda de bolinho de maconha junto de Lugus.

Bebi algumas realmente. Depois disso, fui ao pátio interno, afinal eu tinha combinado de encontrar um amigo ali.

Naquele momento, Maxwell, em frente a todos aqueles rostos que os julgavam sem saber de exatamente nada, sentiu vontade de rir. Controlou-se, entretanto, para não parecer um louco diante daquelas pessoas. No lugar disso, deixou que seu sorriso cínico brincasse na face quando, naturalmente, elevou a voz para falar.

Senhor taverneiro... — chamou, virando seu corpo para o público que estava disposto atrás dos dois acusados. Dentre os rostos, identificou o homem que havia falado com Lugus naquele dia em que haviam visitado a taverna. Ele pareceu se sobressaltar ao ser requisitado, mas Max já estava planejando aquilo desde que haviam entrado naquele salão. — O senhor deve manter alguma espécie de controle do que seus clientes pedem. Diga-me, quantas bebidas o senhor Wilbur pediu nesse dia?

Maxwell viu com clareza os nós dos dedos do taverneiro ficarem brancos ao redor da caderneta que ele segurava. Suas mãos meio que tremiam, mas era necessário.

— Duas, senhor.

O Wittelsbach acenou com a cabeça e ajeitou sua postura, voltando a ficar de frente para a rainha que, ainda assentada em seu trono, parecia analisar a situação com dúvida nos olhos. Max tentou usar cada um daqueles detalhes ao seu favor.

Bem... Não sei vocês, mas se um homem quer ficar sóbrio, ele bebe somente uma caneca de cerveja — e, considerando-se uma pessoa relativamente boêmia, conhecia bem aquela vida. Maxwell falava tranquilamente, por mais que sua vida e a de seu parceiro estivessem em jogo. Em momento algum deixou-se ser abatido pelo nervosismo. — E se ele gosta muito da bebida ou deseja ficar bêbado, com certeza beberia muito mais que duas.

Um burburinho comedido se instalou no público, mas logo foi interrompido pela voz de Flynn.

— O que quer dizer com isso, senhor?

Quero dizer que você falou que iria encontrar com seu amigo no pátio interno. Mas seu amigo estava com você desde a taverna.

Após a colocação, Maxwell ficou satisfeito em provocar um burburinho ainda maior. A população agora parecia dividida em acreditar que os dois estrangeiros eram realmente culpados, ou que eram inocentes e tinham entre si um traidor. O filho de Plutão cruzou os braços no momento em que Merida, por seus meios mais brutos, calou novamente a gama de gente extremamente exaltada pelo decorrer daquele julgamento.

Flynn tentou, após isso, refutar com uma explicação desleixada. Até mesmo o mais tolos dos homens poderia inventar uma desculpa melhor que aquela, e o Wittelsbach sentiu-se novamente impelido a rir em seu próprio julgamento quando, tão tranquilamente, Lugus o questionou. Novamente, Flynn vacilou em sua resposta, o que abriu passagem para que Max trouxesse à tona outro ponto importante.

Majestade, me pergunto uma coisa — os olhos voltaram-se para si. O semideus encarou a rainha ruiva diretamente nos olhos, consciente de que, caso falasse algo de errado ou fosse inocentemente inconveniente, ela poderia cravar-lhe facilmente uma flecha no espaço entre seus olhos. — Todos os que possuem brasões reconhecíveis em suas roupas são bem-vindos no interior dos aposentos reais?

Ao invés de mata-lo, ela somente respondeu à sua pergunta.

— Em roupas nobres, sim. Porém, um serviçal precisa ter uma carta de seu mestre.

Com a resposta, Lugus escancarou mais fatos disfarçados de perguntas, que iam totalmente contra as acusações. Obviamente, ambos, sendo estrangeiros, não conseguiriam permissão para adentrarem aquela área nem mesmo se quisessem, pois não eram nada e também não tinham mestres nobres. A multidão despencou em mais falação, e Merida foi obrigada a lhes dar uma pequena pausa.

Juntos no exterior do salão do julgamento, Maxwell recostou-se na parede de pedra e fechou os olhos, sentindo a cabeça começar a doer com o esforço e desenvoltura que tinham de apresentar naquela situação. Foi então que a voz de Lugus despertou-o para uma nova linha de raciocínio.

Todos os aposentos devem ser identificados com os brasões... E provavelmente seria muito difícil de entrar lá não sendo um membro da determinada casa. A não ser que...

É claro, a não ser que se conhecesse as passagens secretas daquele castelo. E acontecia que Maxwell havia prestado muita atenção às informações dadas pelo velho mercador.

Você acredita que eles o estejam guardando nos aposentos de Sir Reymond? — indagou, franzindo o cenho. Lugus afirmou que sim, e Max teve de respirar fundo. Realmente, sabia que teriam de fazer do jeito mais difícil, e que estava totalmente fora de cogitação apenas sumirem em uma viagem nas sombras. — Podemos descobrir isso. Posso tentar chegar até lá, mas preciso que ganhe tempo  pra mim.

— Bem, seja rápido. Não sou tão bom com as palavras para conseguir detê-los por muito tempo.

E Max foi.

Durante o tempo de pausa, o filho de Plutão esgueirou-se pelos corredores de pedra, tentando não dar de cara com nenhum guarda. Felizmente, teve sorte de conseguir achar a primeira passagem secreta antes que alguém o interceptasse. Aconteceu mais por acaso do que por habilidade; esbarrou a mão em uma pedra de relevo mais áspero e ela afundou, abrindo uma passagem na parede. Max não hesitou em adentrar aquele corredor banhado em penumbra que dançava sob a luz de apenas uma tocha. Quando retirou a fonte de luz de seu pedestal, a passagem se fechou.

Ele caminhou até a outra extremidade, onde uma estrutura de apoio parecida apenas existia, vazia, na parede. E lá depositou a tocha, desencadeando o mecanismo para que a passagem se abrisse do outro lado. Tão logo se viu fora daquele corredor escuro, Maxwell percebeu que estava nos corredores de aposentos reais. Um sorriso arteiro brincou em seus lábios, pois estava sozinho naquela região.

Procurou atentamente pelo aposento de Sir Reymond, e demorou alguns minutos para encontra-lo. Esperava que, naquele momento, Lugus estivesse se saindo bem na tentativa de enrolar o tribunal, enquanto ele procurava por provas. Maxwell nunca fora de rezar, mas pedia para todas as energias existentes no mundo, as boas e as ruins, que encontrasse o maldito Fogo Fátuo naquela porra de quarto, porque senão estariam muito encrencados.

Parou frente à porta que ostentava o mesmo símbolo que o homem carregava em suas roupas nobres. Estreitou os olhos, tentando se lembrar de alguma coisa que o mercador havia falado. Algum detalhe sobre as passagens que o ajudaria a entrar sem a necessidade de arrombar a porta. Com as mãos deslizando por sobre a parede, Max buscou por novos mecanismos, mas evidentemente não conseguiu encontrar nenhum. Bufou, exasperado. Já estava irritando-se com tudo aquilo.

Resolveu utilizar-se de suas habilidades. Metade de seu corpo tornou-se intangível quando ele inclinou-se em direção à porta, não sentindo-a ao atravessar a estrutura sólida para que seu tronco ficasse metade para dentro do quarto. Percebeu, num primeiro momento, que o quarto era extremamente luxuoso, mas os detalhes lhe fugiram pois tinha pressa. Tornou seu braço tangível novamente apenas o suficiente para conseguir destrancar a porta pelo lado de dentro. E depois ajeitou a postura do lado de fora.

Empurrando-a, adentrou o quarto por completo daquela vez.

Maxwell revirou aquele lugar de cabeça para baixo. Procurou por debaixo da cama, procurou pelas gavetas e armários. Procurou no interior do baú. Procurou nos cantos mais escondidos daquele lugar, mas não encontrou. Seu coração começou a bater rápido ao pensar em Lugus naquele salão, sozinho, tentando ganhar tempo para si quando, na verdade, não havia conseguido encontrar absolutamente nada. Mas a esperança não morreu totalmente, pois conseguiu se recordar de algo que Birminghan havia falado.

Ouvi dizer que em todos os quartos dos aposentos reais existe uma espécie de armário embutido nas paredes, se você souber onde apertar naquelas pedras. Não é demais?

As mãos grandes e esguias do filho de Plutão não demoraram a palpar a superfície gelada das pedras, procurando por qualquer mecanismo que abrisse a passagem para o armário escondido. Em determinado momento, um de seus dedos esbarrou em um botão mínimo, que afundou na parede e fez ruído de metal arranhando outra superfície. A passagem se abriu, e lá estava ela. A chama azul bruxuleante em uma tocha dourada. O Fogo Fátuo.

Maxwell agarrou-o sem hesitar e saiu correndo. Refez seu caminho pela passagem secreta e, sem se preocupar com o fato de que qualquer guarda poderia apanhá-lo em atitudes suspeitas, ainda carregando o objeto roubado, ele dirigiu-se à sala de julgamento. As portas estavam fechadas, o que queria dizer que o julgamento havia recomeçado. E, sem pensar duas vezes, chutou um dos lados para que se abrisse abruptamente.

Queria todos os olhos sobre si, obviamente.

Senhoras e senhores, diretamente dos aposentos de Sir Reymond... — disse, elevando sua voz quando os rostos, todos, voltaram-se, horrorizados, para si. — O Fogo Fátuo.

Ninguém tentou pará-lo. Nem mesmo houve mais burburinhos, pois todos naquele ambiente pareciam segurar a respiração. Maxwell caminhou pela passagem que os guardas haviam criado, passando por Sir Reymond que ostentava a sua melhor careta de raiva, o fracassado, e entregou nas mãos da rainha aquilo que pertencia a ela.

Max voltou para perto de Lugus e observou com atenção os efeitos que o poder daquela chama azul tinha. Realmente, começou a compreender a importância daquilo para aquele reino, e o porquê de qualquer pessoa querer roubá-lo. Havia muito o que poderia ser feito com aquele fogo em mãos, tanto para o mal quanto para o bem. Mas, no fim, tudo o que importava para o filho de Plutão, naquele momento, era ver o Galahad sendo preso pelos guardas que outrora haviam pego ele e seu companheiro.

Fiquei suado — reclamou em sussurros para Lugus. — Se tivéssemos viajado nas sombras, seria bem mais fácil e eu ainda estaria cheiroso.

Naquela noite, eles festejaram no salão de festas da rainha, provaram do quão generosa podia ser a comida escocesa e até transaram em um dos luxuosos quartos dos aposentos reais. Talvez aquele mundo não fosse tão ruim assim. Mas Max queria sair logo dele.

Fogo Fátuo II – O fogo fátuo é um objeto mágico do reino de Merida que funciona como o Velocino de ouro e protege o castelo de possíveis invasões. A princesa se tornou rainha recentemente por recuperar esse artefato das mãos de uma bruxa, salvando assim seu reino de uma guerra contra seu maior inimigo, um mago poderoso que insiste em atacar o lugar. Acontece que alguém roubou o objeto mágico do castelo da rainha Merida, deixando-a sem qualquer tipo de proteção. Agora você precisa descobrir quem fez isso e recuperar o fogo fátuo.  
Recompensas: 7.000 XP e Dracmas + 5 Fragmentos
Requisito mínimo: Nível 10.
Dentro do prazo para a duplicação de fragmentos, então, para essa fixa, a recompensa são 10.
ITENS LEVADOS:
• Espada do Carrasco [Forjada por acidente a espada possui uma aparência bastante incomum: sua lâmina possui um seguimento principal como os das outras espadas, porém na sua lateral a lâmina se divide em outras pequenas laminas que são capazes de provocar ainda mais dano contra seus inimigos. | Efeito 1: A lâmina é capaz de suportar as mais elevadas temperaturas sem modificar a sua forma, apenas ficando incandescente. |Efeito 2: A espada possui uma espécie de consciência magica e se afeiçoa ao seu primeiro portador e, dificilmente, irá deixar ser portada por outro semideus. | Ferro estígio. |Sem espaço para gemas | Beta | Status: 100% sem danos | Mágico | Arsenal do acampamento]

• Destroyer [ Um par de manoplas feito de ferro estígio que se ajustam muito bem na mão de seu dono. Seu revestimento interno é em couro para grantir maior conforto e é bastante maleável graças a todas as dobradiças que possui. Por toda a extensão de cada uma das manoplas, é possível ver os desenhos de peças de xadrez, assim como as figuras de algumas runas mágicas. | Efeito 1: As manoplas possuem o efeito de criar e conduzir trevas, o que reduz em 30% o gasto de MP do usuário ao manipular o elemento e gera um bônus de +20 de dano em caso de ferimentos provocados pelo elemento. | Efeito 2: Ao estar usando as manoplas, o usuário tem um aumento de 30% do atributo de força, sendo assim, seus ataques se tornam mais danosos. | Efeito 3: Pode usar as manoplas para se defender. Tal proteção é garantida pela presença das runas Thurisaz e reduz em 35% os danos de impacto. | Ferro estígio. | Beta | Sem espaço para gema. | Status 100%, sem danos. | Mágico. | Feito por Hela.]

• Dynasdor [Uma espécie de bolinha que ao ser atirada no chão libera uma luz magica que circula o corpo do semideus, o fazendo parecer que está brilhando em tons azul. | |Efeito único: Restaura a barra de HP do semideus e as feridas em seu corpo com regeneração acelerada, o impedindo de perder HP durante dois turnos. | Desconhecido | Sem espaço para Gemas | Sigma |Status: 100% sem danos | Uso único, some ao ser utilizado | Mágico | Evento de Verão]

• Aurador [Uma espécie de bolinha que ao ser atirada no chão libera uma luz magica que circula o corpo do semideus, o fazendo parecer que está brilhando em tons de dourado. | |Efeito único: Restaura a MP do semideus durante dois turnos, impedindo a barra de baixar. | Desconhecido | Sem espaço para Gemas | Sigma |Status: 100% sem danos | Uso único, some ao ser utilizado | Mágico | Evento de Verão]

• Poção de Cura 2 [Frasco médio de poção de cura no sabor morango. | Efeito: Recupera 300 HP e MP de quem consumiu a poção. | Desconhecido | Sem espaço para Gemas | Uso único, some após ser usado | Gama |Status: 100% sem danos | Mágico | Evento de Verão] (x3)

• Dental explosive [Uma caixinha de plástico que contém um rolo pequeno de fio-dental no sabor de menta. | Efeito 1: Quando colocado sob qualquer superfície, o fio-dental é capaz de explodir o local o qual foi rodeado com ele. | Efeito 2: Pode ser utilizado para limpar os dentes normalmente, se for da escolha do semideus. | Some da mochila após usado 5 vezes. | Plástico, fio-dental e aromatizante | Sem espaço para gemas | Status 5/5 | Mágico | Evento de Verão] Tenho 3 desse item no meu inventário, mas só trouxe uma para o evento
HABILIDADES DE PLUTÃO E ÉRIS:
ATIVOS:

Nível 32
Nome do poder: Intangibilidade III
Descrição: Seu poder ficou mais forte, e conforme você desenvolveu sua intangibilidade agora consegue deixar até metade do corpo intangível, fazendo as coisas passarem através dele com uma precisão incrível.
Gasto de Mp: 30 MP por turno ativo.
Gasto de Mp: Nenhum.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum
Extra: Nenhum
TATUAGENS E MARCAS:
Tatuagem SPQR [Tatuagem de coloração negra feita na parte inferior do antebraço direito. Possui o desenho de um garfo com uma bola em seu topo, seguido abaixo pelas letras SPQR, um risco para cada ano servindo a Legião e escrito 5ª Coorte. Uma vez por missão/evento, os poderes relacionados a agilidade e/ou esquiva/defesa proferidos pelo semideus membro da 5ª Coorte, passam a ter 5% a mais de efetividade durante três turnos.]
HABILIDADES DO LOBO GIGANTE:
N/A.

Fixa: Fogo Fátuo II + Lugus + Floresta Encantada
(C) Ross
Maxwell Wittelsbach
Maxwell Wittelsbach
V Coorte
V Coorte

Idade : 25
Localização : [20:29:13] Genevra E. Diarmaid : A PADARIA FOI AÇALTADA

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[RP] Lugus Magni Ferret e Maxwell Wittelsbach Empty Re: [RP] Lugus Magni Ferret e Maxwell Wittelsbach

Mensagem por Trivia em Seg Maio 13, 2019 10:59 pm


Lugus Magni Ferret

Método de Avaliação:

Valores máximos que podem ser obtidos

Recompensa máxima da missão: 7.000 XP e Dracmas + 5 Fragmentos

Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

Realidade de postagem + Ações realizadas: 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc: 18%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência: 30%


RECOMPENSAS: 7.000 XP/Dracmas + 5 Fragmentos 10 Fragmentos (duplicados pela promoção do dia das mães)

comentários:
Começando pelo pior, Lugus, saiba que amei e detestei os flashbacks (ou tanto faz o nome disso) que você acrescentou em sua narrativa. O problema disso, porém, foi a constância da formatação textual. Na primeira vez, não entendi nada, e precisei ler mais um pouco para me achar outra vez no texto. Por isso: cuidado. Existem várias ferramentas que podem te ajudar a clarificar esse ponto, e não estou me referindo a nada complicado ou esteticamente feio.

Agora, a parte boa: sua escrita, a construção da personagem e sua inserção no reino mágico/na missão fixa são excelentes! Senti falta de uma crase ou outra, mas sou daquelas que releva esse tipo de coisa por estarmos em um fórum e não em uma faculdade de Letras. Obrigada pela leitura e parabéns pela sua apresentação!

É nóiz que tah!



Maxwell Wittelsbach

Método de Avaliação:

Valores máximos que podem ser obtidos

Recompensa máxima da missão: 7.000 XP e Dracmas + 5 Fragmentos

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Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

Realidade de postagem + Ações realizadas: 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc: 18%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência: 30%


RECOMPENSAS: 7.000 XP/Dracmas + 5 Fragmentos 10 Fragmentos (duplicados pela promoção do dia das mães)

DESCONTOS: 30MP.

comentários:
Mesma coisa que deixei nos comentários para o Lugus: cuidado com as passagens de tempo, os flashbacks, porque gerou certa confusão. Deixe isso o mais claro possível, para que de cara o leitor entenda o que está acontecendo, ok?

E, assim como disse para o seu namô, obrigada por me proporcionar uma leitura tão agradável e especial. Realmente pude imaginar todas as cenas (embora a ida até os aposentos do Sir Galahad tenha sido curta e fácil demais) e, o mais importante, conhecer suas personagens. Parabéns, senhorito!

É nóiz que tah!
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[RP] Lugus Magni Ferret e Maxwell Wittelsbach Empty Re: [RP] Lugus Magni Ferret e Maxwell Wittelsbach

Mensagem por Maxwell Wittelsbach em Qui Maio 16, 2019 1:43 am


Parecia-lhes que estavam caminhando havia muito tempo, e Maxwell nunca sentiu-se tão estranhamente desconfortável por estar perdido. Depois de todas as intercorrências que haviam passado naquele lugar, as criaturas estranhas que haviam encontrado e as situações pelas quais tiveram de sair ilesos, o filho de Plutão apenas queria desaparecer daquela dimensão mágica que reunia tantos contos de fadas quanto fossem possíveis. No início, embora estivesse embalado pela irritação acerca das circunstâncias no geral, ainda caía de cabeça na breve jornada por entre os reinos para as quais Lugus o arrastava. Mas havia alguns dias o filho de Plutão sentia um incômodo que vinha em sutis sinais — como uma coceira insistente onde não conseguia exatamente coçar.

Naquela noite, Max e Lugus dividiam lado a lado a cama do único quarto vago naquela pousada de beira de estrada. As noites tornavam-se gradativamente mais frias, e, pela falta de roupas apropriadas, tinham de dormir juntos para compartilharem calor corporal. Maxwell não reclamava daquilo nem um pouco, apesar de que não admitia nem mesmo para si mesmo. Estavam envolvidos fisicamente, e haviam feito sexo mais vezes do que poderia contar nos dedos, mas o filho de Plutão não fazia o tipo que dormia agarrado depois do ato. Pelo menos, não antes de Lugus.

— Você tá inquieto hoje, Max — a voz grave do filho de Atena ressoou no âmbito imerso em penumbra, onde a única fonte de luz provinha da pálida lua cheia lá fora, através das janelas. Maxwell mantinha os olhos fechados, mas os corpos colados permitia-lhe que o sentisse ressonar. Estavam de conchinha, e sempre que o filho de Plutão ficava atrás, por causa de sua estatura menor, a testa batia na nuca de Lugus; mas Max gostava do cheiro que desprendia do pescoço do mais novo, de qualquer maneira. Quase pareciam um casal, deitados daquela forma, sob as cobertas finas. — O que houve?

Max contemplou a ideia de despejar sobre o filho de Atena suas preocupações. Mas abandonou a ideia ao passo que refletia sobre ela. Falaria aquilo embasado no quê, para ser mais direto? Não havia provas que delimitassem uma causa para o seu desconforto com aquele mundo; sequer havia uma suspeita translúcida. Tudo partia apenas da sensação de perseguição. O filho de Plutão chegou à conclusão de que não valia a pena preocupar o mais novo com mais aquilo — ele já se esforçava demais para fazê-los sempre prosseguir, e ainda tinha de lidar com o quase sempre presente mau humor do homem que o abraçava por trás.

— Não é nada, gracinha — Max esforçou-se para manter um tom ameno, tão sussurrante quanto fora o de Lugus. O braço que envolvia a cintura do mais alto apertou-o mais ainda, acolhendo-o à quentura do próprio corpo. Apertou as pálpebras e respirou fundo, pousando um beijo breve sobre o ombro do mais novo. — Dorme agora. Amanhã vai ser um dia cheio.

— Se você diz...

Lugus adormeceu primeiro que Maxwell, e foi justamente por isso que não percebeu o mais velho ser sugado pelos próprios demônios a um lugar do qual jamais retornaria inteiro. Não como antes.

. . .

Primeiro sentiu, na ponta dos dedos e na palma das mãos, que a superfície na qual estava deitado diferia e muito da maciez convidativa do colchão no qual estivera momentos antes. O cheiro não era o mesmo que se desprendia, terno, da pele e dos cabelos do homem ao qual dormira agarrado. E agora sentia frio.

Quando abriu os olhos, a imensidão negra salpicada de estrelas tornou-se bastante visível. Estava deitado sobre as gramíneas do que parecia uma clareira, e, quando pôs-se sentado, percebeu que não havia mais nada ali que não fosse ele mesmo e seus pertences. Todo o resto — a cama, a pousada, a estrada e Lugus — parecia ter sido apagado da existência.

Tentou se pôr de pé, mas a cabeça doeu e ficou tonto de repente. Cambaleou, sem ter onde se apoiar, então caiu novamente de joelhos. Deixou que as pálpebras se fechassem até aquela sensação de vertigem passasse totalmente, e só então voltou a abrir os olhos. Olhou ao redor, tentando visualizar-se no espaço; por mais que não conhecesse aquelas terras, havia passado muitas noites dormindo na floresta desde que haviam chegado ali, e tinha de ter absorvido alguma coisa. Mas não. Estava completamente perdido e sozinho.

— Porra — xingou, voltando os olhos para a mochila que continha seus pertences. Retirou de lá as manoplas e as calçou por precaução. Depois, empunhou a espada, porque era o mais correto a se fazer. Não sabia como diabos havia parado naquele lugar, nem quem ou o que havia feito aquilo consigo; naquele mundo, não podia baixar a guarda. Só esperava que Lugus estivesse bem.

Se pôs de pé novamente, respirando fundo para oxigenar o cérebro que ainda parecia meio grogue de sono. Tentou enxergar por entre as árvores que circundavam aquela clareira alguma trilha que o tirasse dali. Infelizmente, não estava com o mapa da região — este sempre ficava com os pertences de Lugus —, e pela primeira vez arrependeu-se de não ser o prevenido da história.

Já estava pronto para tomar qualquer que fosse a direção, puto demais para se preocupar em estar correta ou não, quando ouviu o chiado. Primeiro, começou fraco, como se estivesse distante. Depois tornou-se mais límpido e forte, até que os olhos ilesos de escuridão do filho de Plutão vissem-na. A cobra, rastejando tranquilamente pela grama em sua direção.

— Maxxxxxxwel — chamou, ao que o romano ergueu uma sobrancelha. Não se surpreendeu por ter encontrado um animal falante àquela altura, pois já começava a se acostumar com os absurdos que via naquele reino mágico. — Enfim, nosssss encotramosssss.

O metal da manopla roçou com um ruído baixo quando o legionário apertou a empunhadura de sua espada de ferro estígeo; a cobra se aproximava de si lentamente, rastejando como se possuísse todo o tempo do mundo. Max não falou nada até que ela parasse à sua frente, a cabeça ofídica levantando-se como se quisesse alcançar o rosto do filho de Plutão. Max percebeu que as orbes eram esbranquiçadas; era uma cobra cega.

— Quem é você? — perguntou frivolamente, depois de algum tempo. Ela era uma espécime grande, apesar de o homem não saber identificá-la. Se pudesse chutar, diria que o animal tinha por volta de um metro de comprimento. — Na verdade, o mais importante: onde eu estou?

Ssssssilêncio, criançççça — a língua bifurcada punha-se para fora de tempos em tempos, e aquela palavra saiu num tom irônico, como se o animal estivesse sorrindo. — Voccccccê fazzz muitassss perguntasssss.

— Aposto que você faria, se estivesse em meu lugar — o homem rosnou. Olhou novamente para os lados, sentindo uma irritação começar a crescer em seu estômago, mas em nada tinha a ver com a sua própria situação. Era mais sobre quem estava pensando. — Onde está Lugus? Aconteceu alguma coisa ao moleque?

Maxwell tinha certeza de que, se a cobra pudesse, teria revirado os olhos para aquilo. No lugar de responder, ela apenas voltou a deitar-se no chão e rastejou pelo espaço por entre as pernas dele, afastando-se em direção à outra borda da clareira.

Sssssiga-me.

Não tendo outra escolha, Max fez o que a cobra pediu.

— Eu te fiz uma pergunta — insistiu, o maxilar endurecido pelos dentes trincados. Adentraram a floresta, e Maxwell percebeu estarem em uma trilha diferente. O chão parecia ser constituído por tijolos, sendo estes dourados. Mas era muito difícil de dizer a verossimilhança com a falta de luz para refletir. O solado dos sapatos do semideus, entretanto, provocava ruído quando entrava em contato com aquilo.

— O garoto esssstá bem — a cobra, por fim, garantiu. — Ele esssssstá dormindo e não irá acordar até que vocccccccê volte. Ou ssssseja, caso não volte...

A frase ficou solta no ar, mas não precisava ser um filho de Atena para entender seu significado. Maxwell ainda não compreendia porque havia sido tirado de seu sono, mas lá estava ele, seguindo um animal pela floresta encantada, sem ter certeza de seu destino, e ainda com a vida de outra pessoa nas mãos. Normalmente, o romano não ligava para quem morria ou quem vivia de acordo com as consequências de seus atos, mas a verdade é que Lugus... Ele... Max apenas ligava.

— Você ainda não me disse por que me trouxe aqui — o legionário lembrou-lhe.

— Não fui eu quem te trouxxxxxxe, crianççççç impaccccciente — respondeu a cobra. — Foi ela. Masssss vocccccê irá compreender quando chegar o momento.

Por mais desconfortável que fosse, o Wittelsbach não refutou. Apenas continuou caminhando atrás da cobra, ciente de que era o único caminho que poderia tomar.

. . .

Pararam frente a um castelo que era inteiro adornado por esmeraldas. O pátio reluzia em verde e até mesmo as chamas nas tochas acopladas aos muros de pedra tinham essa coloração. A cobra tocou os portões de entrada com a sua cabeça e estes se abriram automaticamente, permitindo a passagem de ambos para dentro daquela fortaleza.

Max a seguiu, mas de repente sentiu a presença carregada de uma energia furiosa ao seu redor novamente. O incômodo parecia ferver por debaixo de sua pele, como se vermes rastejassem em sua derme, adentrando cada vez mais fundo em si. Apertou com mais força a espada, franzindo o cenho enquanto olhava ao redor. Havia bancos espalhados pelo pátio, mas ninguém para sentar neles. À sua frente, uma escadaria que parecia ser feita inteiramente em esmeraldas reluzia à luz das tochas e do luar, e foi diretamente para lá que a cobra seguiu.

— Antesssss de maisssss nada, voccccccê deve passar pelo desafio que ela demanda — ao som da voz ofídica, Max parou. Agora, existia uma distância considerável entre ele e o animal, e as palavras provocaram um rebuliço em seu interior. De repente, sua postura tornou-se tensa. A presença escura pareceu ficar ainda maior. — E deve ssssssse purificar com o caosssss e a dissssscórdia.

Ao fim da frase, o romano ouviu o guincho, seguido por mais deles. Ao virar-se para a entrada, viu três figuras enegrecidas voando pelas copas das árvores, diminuindo com velocidade a distância do ponto em que estavam. De longe, não conseguia ver corretamente do que se tratavam, mas podia discernir as asas de morcego, longas e fortes, e os berros esporádicos que as criaturas soltavam. Apenas quando os três seres se aproximaram o suficiente para pousarem no muro da fortaleza foi que Max compreendeu o que eram: macacos alados.

— Mas... que porra...? — resfolegou, descrente do que estava vendo.

— Mate — a cobra disse, mas Maxwell não teve certeza se havia sido para si ou para as criaturas.

O macaco do meio guinchou novamente, empurrando os outros dois, que se desequilibraram e tiveram de alçar voo. Ele, por outro lado, também pulou de onde estava empoleirado, saltando em direção a Max. O filho de Plutão rosnou, pondo-se em guarda. Ergueu a espada, pronto para interceptar a criatura e matá-la ainda em voo, mas percebeu que pelas suas laterais desguarnecidas as outras duas vinham.

Max teve pouco tempo para pensar, e por isso apenas jogou-se ao chão com estrépito. Os três macacos alados chocaram-se uns aos outros em seu rasante, colidindo com força e berrando. Mas aquilo não pareceu os atrasar em momento algum, pois tão logo se recuperaram, voltaram para cima do semideus. O filho de Plutão arrastou-se pelo chão, protegendo-se com a espada e com a manopla. Os macacos, além de asas, tinham longas garras de esmeralda que tilintavam em contato com o ferro estígeo, e seus guinchos faziam os ouvidos do romano latejarem.

Max rastejava-se igual à cobra para trás, mas quando suas costas bateram no muro de pedra, foi obrigado a agir de outro jeito. Sabia que, estando encurralado, seria uma questão de tempo para ser trucidado pelos adversários, então considerou a melhor conduta: envolveu-se em sombras, sentindo o próprio corpo ser sugado para o limbo existente entre o mundo e as trevas, e foi cuspido alguns metros à frente, logo atrás do último macaco. Nesse momento, Maxwell já estava preparado para um ataque, e bastou apenas descer a espada contra as costas da criatura para fazê-la gritar. Não a matou, entretanto, mas o dano foi potencial.

Saltou para trás quando os três voltaram para si, e nesse momento, sua mão esquerda já envolvia-se em trevas, o elemento tomando a forma de seu punho. As manoplas canalizavam ainda mais seus poderes elementais, e o fato de saber com perfeição dobrar as sombras ao seu bel prazer ajudava a potencializar seus ataques. Foi com um soco no primeiro deles — coincidentemente o machucado — que descarregou o poder acumulado e sua mandíbula. A boca quebrou-se, uma parte voando para debaixo de um dos bancos com a potência do soco, e sangue espirrou em seu rosto. Mas Maxwell não estava satisfeito, e ainda teve de enfiar a espada na barriga daquele demônio.

A criatura transformou-se em pó ainda sendo segurava por si, mas duas ainda restavam, e Max deveria ter previsto que nenhuma delas se compadeceria pela parceira morta e continuaria tentando mata-lo. Foi por esse motivo que garras afiadas colidiram contra suas costas, rasgando superficialmente a pele e acrescentando uma marca sangrenta às cicatrizes que se espalhavam pela derme. Max xingou até a bisavó daqueles macacos de puta ao se jogar para trás, apoiando-se num dos pés para não se desequilibrar. Apertou com voracidade a espada em uma das mãos, encarando com fúria os seres que estavam à sua frente. Um deles, enlouquecido, avançou em sua direção e Maxwell teve de girar numa finta para o lado a fim de escapar de seu ataque, deixando que a espada fizesse um corte em sua lateral. Ao mesmo tempo, o que parecia ser o líder do trio — que havia se tornado dupla — tentou intercepta-lo pelo lado desguarnecido. Max defendeu-se com a manopla, e depois jogou-se novamente para trás.

Respirando com rapidez e com as costas ardendo — embora a dor não fosse um ponto a incomodá-lo, depois de tudo —, Max correu para o outro extremo do pátio, tentando colocar distância entre si mesmo e aqueles dois macacos. Ergueu uma mão, concentrando-se no que havia embaixo de si, e embaixo de todos os mundos. Porque, no fim, sempre existia um inferno.

E foi de lá que submergiu um cão infernal, nobre e raivoso. Maxwell não podia controla-lo, mas sua aura trevosa como o filho do rei do submundo permitia-lhe ser ajudado pelas criaturas que habitavam o reino de seu progenitor. O cão tinha olhos vermelhos que cravaram-se no semideus, que sustentou aquele olhar o tempo necessário para provar seu poder e sua superioridade. O cão, nesse momento, voltou-se para um dos macacos, uivando e correndo em sua direção. Nenhum dos dois oponentes pareceu se atrapalhar com a presença do animal infernal, e o Wittelsbach constatou que eram loucos.

Um deles voou em sua direção, e o semideus o aguardava com a espada a postos. Max girou no próprio eixo um segundo antes da colisão, arrastando-se minimamente para o lado, e então desferiu seu golpe. A lâmina afiada desceu com força contra as asas do animal, cortando-as por inteiro. Sangue jorrou e ambas caíram ao chão ao passo que o macaco guinchava, debatendo-se de dor no chão. As garras cortavam o seu próprio corpo e Max teve de abrir espaço para que não fosse atingido. Apenas assistiu-o agonizar, sangue escorrendo de seus olhos, até que o bicho, tomado pelo ódio e pela loucura, por fim se ergueu. Mais trevas se acumulavam, desta vez na destra do homem, e ele preparava-se para o ataque que vinha à frente. Ajeitou-se em posição, e o macaco saltou contra seu corpo. Ao mesmo tempo, o soco pegou em seu nariz, amassando a cara e extraindo sangue que espirro para todos os lados, e a criatura caiu ao chão. Farto e cansado daquilo, o romano adiantou-se para findar com a vida do ser, o semideus adiantou-se. Girou a espada, apontando a sua lâmina para baixo, e enfiou-a de uma vez no corpo do macaco.

Pó banhou o piso de pedra.

— Merda... — suas costas doíam, mas ele estava satisfeito de ter se livrado dos inimigos. Ouviu um rosnado atrás de si, e, quando virou-se, se deparou com o cão infernal à sua espreita. Os olhos vermelhos estavam cravados em si, e a bocarra estava suja de sangue de macaco e do pó que o outro havia também se transformado. Maxwell o encarou, a expressão fria, o semblante altivo. — Vá embora — sua voz era potencialmente elevada, e sua aura trevosa emergia ainda mais pois, agora, ele utilizava as trevas para se fazer parecer maior e reafirmar sua realeza como príncipe do submundo. O cão rosnou mais uma vez antes de voltar-se para os portões e sumir em uma viagem nas sombras.

— Muito bem — a voz da cobra voltou a ressoar. O olhar de Max foi atraído para o corpo esguio que subia a escadaria de esmeralda. — Sssssiga-me, semideus.

— Por que diabos eu faria isso? — o tom de Maxwell havia saído numa mistura de irritação e cansaço. Ele estava puto, sentindo dor e somente queria voltar para a porra daquela cama, para a merda daquela pousada, e queria dormir agarrado a Lugus como era para ter sido desde o início. — Você acabou de tentar me matar, porra. Por que eu deveria?

Eu não fiz nada, semideusssss tolo! — agora, a própria cobra parecia estar irritada. — Ela te tesssstou, porque precccccisava te purificar. Voccccê quer poder? Ela pode te dar.

Maxwell ficou em silêncio, em conflito consigo mesmo. Estava extremamente estressado pela batalha que havia acabado de ter, mas também compreendia que não estava em uma situação normal. Fosse quem fosse, essa pessoa misteriosa talvez pudesse devolvê-lo para a sua cama, para Lugus. E ainda oferecia poder... A mente do semideus envolveu-se com aquela palavra. Ruminou-a, jogou-a de um lado para o outro e depois a segurou com interesse. Não era mistério para ninguém que Maxwell gostava de poder; gostava de ser melhor; e tinha objetivos que precisavam de tudo quanto pudesse ter.

— Quem é ela? — perguntou, mas não obteve resposta. A cobra somente passou a rastejar para o interior do castelo, e, assim, ele a seguiu.

. . .

Os salões interiores eram tão majestosos quanto a entrada. Tudo era muito verde, sempre adornado — ou até feito — em esmeralda. Maxwell deixou que os olhos escuros vagassem por todo e qualquer detalhe, martirizando-se com aquela riqueza toda. Não ligava para bens materiais — valorizava muito mais o poder que poderia correr em suas veias —, mas a riqueza poderia seduzir até o mais honroso dos homens. E aquele homem estava longe disso.

— Minha ssssenhora, essste é o homem — ouviu a cobra dizer, e então notou a quem ela se dirigia. Viu-a rastejar até um trono no extremo do salão, subir pelas laterais e enroscar-se em um cajado. Quem segurava-o era uma mulher de cabelos ruivos, acesos como o fogo, e sua pele era tão verde quanto as esmeraldas daquele castelo.

— Muito obrigada, Zafira — a mulher ergueu-se, e Max notou como a cobra se petrificou no cajado. Franziu o cenho, sem entender porra nenhuma do que estava acontecendo. — Bem vindo ao castelo de Oz, Maxwell.

— Mas que porra é essa? — externalizou seus pensamentos, apertando a espada que estava em sua mão. — Vai me dizer que é a bruxa má do leste?

— Oeste — a mulher revirou os olhos, deixando o cajado pousado em seu trono e descendo os poucos degraus que ali havia até alcançar o semideus. Pôs-se à sua frente, e estranhamente eram do mesmo tamanho. — Mas prefiro que me chame pelo nome. Zelena, querido.

— Me poupe das ladainhas e diga logo o que quer me trazendo até aqui — Maxwell parecia um cão infernal rosnando daquele jeito. Mas estava cansado, com sono e puto. E suas costas ainda doíam, apesar de que as trevas haviam feito um bom trabalho em curá-lo gradativamente, e já não mais sangrava.

— Zafira bem me disse que você era esquentado e impaciente nos dias em que te vigiou — Zelena sorriu, cínica. Ela era realmente bonita, Maxwell tinha de admitir, e a pele verde não diminuía nem um pouco aquilo. Os cabelos ruivos pareciam extremamente sedosos, e as curvas eram notáveis sob o vestido apertado. — Ou isso é a falta que você sente do seu namoradinho?

— Desembucha, abacate — Max sentiu a irritação crescer à menção de Lugus. Queria que ele estivesse ali do seu lado apenas para ter a certeza de que ele estava bem, mas via-se cego quanto ao companheiro de missões. O semblante do filho de Plutão tornou-se mais grave. E Zelena azedou sua expressão diante do apelido.

— Te trouxe aqui porque quero te dar poder — a mulher disse, agora séria. — Um poder que existe em você, adormecido, mas que eu posso ajudar a despertar.

— Fácil assim? — perguntou Max, erguendo uma sobrancelha. — Me vigiou por uns dias apenas porque foi com a minha cara e quer me tornar mais poderoso? Qual a finalidade disso, Zelena?

— Você é mais difícil de lidar do que eu imaginei — a bruxa cruzou os braços. — Sim, eu quero algo em troca. Mas você não vai sentir falta.

— O que é?

— Seu sangue, semideus.

— E pra quê?

— Importa? — a mulher ergueu uma sobrancelha, desafiando o romano. — Você terá dobrada diante de si uma fonte nova de poder que poderá usar ao seu bel prazer, para quê se importa com o que eu faço com algumas gotas do seu sangue?

Maxwell calou-se, ponderando sobre aquelas palavras. Respirou fundo, deixando o olhar correr pelo corpo dela, enquanto pensava sobre suas palavras. Pensou em si mesmo, em Dresden, enquanto criança; pensou em todas as pessoas que fizeram de si o monstro que havia se tornado. Pensou em suas irmãs e no destino cruel de uma e no incerto de outra. Pensou no Agente Wertz e em todos os outros que confabularam para o fim da inocência de dezenas de crianças como Max, mas que não haviam resistido ao peso do regime da organização.

— Que poder é esse, bruxa? — ele perguntou, por fim.

Zelena sorriu, e seus traços tornavam-se ainda mais bonitos.

— Peço que me deixe falar tudo o que pretendo para que você possa entender, e guarde suas dúvidas para o fim — ela disse, afastando-se novamente. — Entendido? — Ela perguntou, e Max assentiu com a cabeça. — Pois bem. Eu sou uma semideusa, como você. Difícil de ver, não é? Mas sim. Minha mãe é Éris, a deusa da discórdia e do caos, assim como a sua mãe também era filha dela. Em seu sangue corre o sangue de legado da discórdia, e é nisso que quero trabalhar. Veja bem, rapaz, meus poderes mágicos tiveram de provir de algum canto, não é? Meu pai também era semideus, filho de Hécate, que se apaixonou pela vaca da minha mãe. Sua avó, inclusive. Me tiveram depois de dois verões de encontrando. Mas apesar disso, nunca tive muita ligação com magia, até ter isso despertado em mim. O sangue mágico de meu pai é o mesmo que corre em mim, mas adormecido. Na medida certa, foi desperto, e hoje sou a bruxa mais forte em toda Oz. Vê? O mesmo pode acontecer com você, Maxwell.

Um vinco se formou na testa do filho de Plutão.

— Somos parentes? — perguntou.

— De tudo o que falei, essa é sua única dúvida? — Zelena riu, batendo palmas com as mãos enluvadas. — Sim. Digamos que sou sua tia.

— Foda, mas não quero ficar verde — bufou, ao que a bruxa má do oeste revirou os olhos. — Então você está me dizendo que, sendo filha de Éris, pode despertar o sangue que corre em mim?

— Não — Zelena respondeu. — Somente você pode despertar os genes divinos que sua mãe passou para você. O que eu posso fazer é te ajudar no processo, torna-lo menos perigoso. Mas, como eu disse — com um movimento de mão, ela materializou um pequeno frasco. Estendeu-o a Maxwell, que olhou para o objeto. — Preciso do seu sangue.

O Wittelsbach cerrou os dentes, trincando o maxilar. Entrou em um breve conflito consigo mesmo antes de esticar a mão e apanhar o frasco. Retirou uma manopla e, com a própria espada, fez um corte na própria palma. Sangue escorreu, e ele aparou-o direto para dentro do objeto que a mulher de pele verde havia lhe dado. Devolveu-o à dona, olhando em seus olhos.

— Agora me diga como eu posso fazer isso. Como eu posso ter os poderes de Éris.

Zelena guardou o frasco em seu decote. Sorriu para Max, materializando na própria mão um punhal reluzente do que parecia ser prata. Ela voltou a aproximar-se de si, riscando, como o homem fizera, a própria palma. Mas diferente dele, o sangue que escorreu ela utilizou para riscar o chão. Um círculo ao redor do semideus.

— Como eu disse, você precisa despertar os genes que existem em você — ela voltou a falar. — Os genes da discórdia serão despertados com o conflito e o caos. Ajoelhe-se. — No momento em que ela ditou, Maxwell se pôs de joelhos. — Feche os olhos. — As pálpebras cerraram-se, apertadas. — Respire fundo e sinta.

Houve um toque melado em sua testa, e depois mais nada. Somente o silêncio. Um silêncio ensurdecedor, escuro, vazio.

Max abriu os olhos e estava de volta a Dresden. Tudo parecia grande para si, até que percebeu que era ele quem estava pequeno. Viu-se, refletido em um espelho no meio de um dos inúmeros corredores daquela mansão amaldiçoada, como uma criança. O menino que havia sido quebrado.

— Maxwell! — Era a voz do Agente Wertz. — Você está atrasado. — Sentiu apenas o puxão pela orelha, e a dor era real. Ele conseguia senti-la com muito mais intensidade do que sentia como adulto. Ele ainda era uma criança, a criança que ainda não havia passado por todas aquelas sessões de tortura, a criança que ainda não tinha trinta e uma cicatrizes nas costas, a criança que ainda sentia dor e chorava. Foi arrastado para a mesma sala escura de sempre, a mesma para a qual era sempre levado pelo mesmo homem. — Você ainda chora, pequeno Max? Eu já não disse que, quando eu disser “mate o coelho”, é para que você realmente mate o coelho?! — a voz do homem crescia, gradualmente tornando-se furiosa. Sua orelha foi solta, e em suas bochechas coradas as lágrimas já faziam um caminho molhado.

Um chicote soou, e veio contra as suas costas. Estava amarrado, como ficou durante dezesseis anos que passou indo para a solitária. Foi torturado, assim como todo o tempo que ficara naquela mansão, sob os olhos dos cabeças da organização. Foi lentamente quebrado, até se tornar o homem que era hoje.

Mate-o, Maxwell. Eu sei que é isso que você quer fazer agora. — A voz de Zelena era clara em sua cabeça, assim como a faca que, agora, na sala de treinamento, repousava em sua mão. Mate o coelho, Wertz queria que ele não tivesse nenhuma dó de pobres animais. Ele não teria. — Ele disse para matar o coelho, Max — Zelena o incitou.

Sangue jorrou quando o corte profundo foi feito na barriga do Agente Wertz, as entranhas saindo conforme Maxwell o esfaqueava mais e mais. O garotinho da época subiu em cima do corpo em convulsão apenas para esfaqueá-lo ainda mais, até que não sobrasse nem mesmo um terço do homem que ele era. Até que sobrasse apenas um monte de carne deformada. E não sentiu nem ao menos uma centelha de remorso naquilo.

Mas nada disso provocou caos e discórdia em seu interior. Nada disso serviu-lhe para ativar seu sangue. Max apenas sentia-o vibrar contra seus ouvidos quando, mais uma vez, foi levado para longe dali.

Agora estamos começando, queridinho — Zelena parecia um fantasma em sua consciência.

Maxwell viu-se em um campo amplo, parecido com a clareira na qual acordara. A noite corria solta, mas não havia lua no céu, nem estrelas salpicando-o. As gramíneas sob os seus pés estavam orvalhadas, e ele não estava sozinho. Max ergueu os olhos para a figura à sua frente; a visão recaiu sobre o corpo feminino e esguio de Cheryl. Os cabelos negros eram longos e caíam em cachos por sobre os ombros expostos pelo vestido tomara-que-caia, os olhos de traços asiáticos fitavam-no com aquela insolência que somente ela tinha, e que partilhava com o filho de Plutão. Em seu rosto, um sorriso de canto.

Um vinco se formou entre as sobrancelhas do homem.

— Cheryl — chamou seu nome, primeiro num sussurro. Estreitou os olhos, como se não acreditasse no que estava vendo diante de si. Lá estava ela, inteira. Lá estava ela, viva. — Cheryl?

— Que foi, seu imbecil? — a voz feminina, a qual não escutava havia meses, ressoou até que estranha em seus ouvidos. Jamais fora dado a demonstrações de carinho, nem mesmo para com suas irmãs de criação, mas a filha de Júpiter, naquele momento, conseguiu fazê-lo duvidar da quebra de suas emoções apenas com a presença. — Nunca me viu na vida, hein?

— Cheryl — Max repetiu, como se negasse a si mesmo. Ela estava morta! Aquilo era somente uma visão.

— Vai ficar aí somente repetindo meu nome, seu panaca?

Mate-a, Maxwell — foi a voz de Zelena. O comando fez os músculos do filho de Plutão congelarem e ele permaneceu parado. — Você precisa matá-la para ganhar poder.

— O que foi, Max? O gato comeu sua língua? — Cheryl aproximou-se de si.

— Não — o homem respondeu entredentes, mas não sabia se havia sido para a semideusa de Júpiter ou para a bruxa. Ele fixou o olhar na outra Wittelsbach ali parada, a mesma garota que havia passado por todo o abuso da organização os criara; a mesma garota que tinha apenas a idade de Lugus. Mas ela já estava morta, os capangas de Wertz haviam se certificado de sequer devolverem seu corpo. Ela já estava morta, e aquilo era apenas uma visão. Por que haveria de se preocupar em mata-la? Ela é sua irmã.

Mate-a. Você não quer o poder, Max?

Sim, Maxwell queria. Queria aquela nova fonte de poder em si, queria se tornar mais forte, e também queria vingar sua irmã tão brutamente assassinada pelos mesmos homens que o haviam torturado. Maxwell queria que o sangue deles ficasse para sempre manchado em sua espada; queria ter o último vislumbre de vida nos olhos de cada um quando esta se esvaísse paulatinamente. Ele queria mata-los, todos eles. Então mate-a.

— Droga, Cheryl! — ele gritou, e sua cabeça começou a doer. Ele se aproximou da morena, a espada em mãos. Seus olhos ardiam, por mais que não chorasse; estavam secos. Ele estava seco.

— O que foi, caralho? Você deve fazer o que tem que fazer — ela respondeu, empinando o nariz. Ela era a única que poderia ser petulante para com o Wittelsbach sem sair com um olho roxo, e havia se acostumado até demais com isso. Maxwell sentiu seu sangue ferver, e a dor de cabeça aumentou.

Entende agora, amorzinho? Entende o caos? — Zelena ressoou em sua mente, tornando pior ainda a dor latejante que o acometia. — Mate-a de uma vez, querido. Não temos a noite toda.

— É tudo sobre poder, Maxwell — desta vez, Cheryl sussurrou. Ela ergueu uma mão e tocou no ombro do filho de Plutão. — É tudo sobr—

Ela jamais terminou a sentença, pois Max cortou-lhe a garganta. Sangue jorrou em si, e ele gritou. Gritou porque seu corpo doía, como se o golpe tivesse sido desferido em si mesmo. Gritou porque queria aquilo mais que tudo, e ao mesmo tempo sentia-se arrependido. Era diferente de matar Wertz. Max sabia ser uma visão, sabia que não era real, mas seu corpo se recusava a obedecer. Sentiu a pele arder, como se estivesse de pouco a pouco se desprendendo do restante do corpo. Aquele era o preço. O poder tinha um preço.

Cheryl caiu, morta, à sua frente. E Maxwell estava maculado com seu sangue.

Deixe que a discórdia entre em você.

Ela já estava lá. Estava presente no momento em que ele olhou para baixo e viu a irmã mais nova jazendo aos seus pés, a garganta cortada pela própria espada. Gritou novamente, e a sua própria garganta passou a arder com o esforço. A dor de cabeça ameaçava explodir seu cérebro.

Mas Cheryl sumiu. E no lugar dela, Theresa se ergueu.

A Wittelsbach mais velha, que havia sido uma das primeiras vítimas da organização, estava ali, parada à sua frente, com seu típico corte de cabelo, os fios platinados e os óculos escuros. Ela era séria, mas sempre tratou Maxwell como seu protegido. Desde o início. Desde quando era apenas um garotinho assustado porque tinha de cometer crueldade com os animais. Até o desfecho, quando havia se tornado o monstro que era. O monstro que havia matado a família do pai adotivo apenas porque o haviam entregado para organização. O monstro que havia matado a própria irmã em troca de poder. É somente uma visão, Max...

— Você mudou — foi o que Theresa falou ao retirar os óculos. Os olhos da mulher caíram sobre si, e Maxwell os sustentou. Sua face já estava vermelha e meio contorcida pela dor. Uma dor que era muito diferente da que sentia em suas sessões de tortura, ou em qualquer outro momento de sua vida. Era como se separasse seu interior de seu exterior, e depois os fundisse novamente com lava.

— Eu mudei? — perguntou, mas sua voz saiu rouca. A garganta ainda latejava. A dor de cabeça aumentou. Ele sabia o que tinha de fazer.

— Mudou — a filha de Vulcano respondeu, balançando a cabeça. — Está diferente aí dentro. — A Wittelsbach mais velha afirmou, e apontou para o peito do homem. Max não entendeu, mas não era sobre isso que estava preocupado. Ele sabia o que tinha de fazer.

Mate esta também, Max. — Zelena comandou.

— Eu não mudei — o filho de Plutão negou, balançando a cabeça. Até mesmo se mover doía. Tudo em seu corpo parecia que iria se desfazer. — Eu matei a Cheryl. E vou matar você.

— Então faça — Thessa nunca sorria, mas seus olhos diziam mais do que ela poderia expressar em palavras. Era por esse motivo que sempre usava óculos escuros. Para esconder o que ela era de verdade. Mas Max sempre arrumava um jeito de olhar para as orbes escuras.

Faça.

Sentiu a dor de todos os ossos sendo quebrados e gritou. Gritou quando ergueu a espada e fez o mesmo com a mulher mais velha. Gritou porque não queria mata-la, ao passo que queria poder. Sentiu aquela energia obscura adentrar ainda mais fundo em sua pele, invadindo-o no âmago e se instalando, conforme a lâmina perpassava a garganta de Theresa. O corpo caiu à sua frente, e também Max foi ao chão de joelhos, a cabeça baixa, como se estivesse pesada demais para suportar. Mais uma vez gritou. Mais uma vez sentiu a dor lancinante, que desta vez não o abandonou. Theresa, cujo paradeiro não tinha conhecimento, agora estava morta. É apenas uma visão. A única irmã que ainda tinha possibilidades de estar viva, tivera a garganta cortada por ele mesmo. Uma visão.

Sentiu um corpo quente se aninhar ao seu, abraçando-o. Era maior que si, e os braços o envolvia de forma cálida que nunca havia experimentado antes. Muitos homens e muitas mulheres haviam tentado aninhá-lo daquele jeito, com sentimentos verdadeiros, mas o filho de Plutão nunca havia permitido. Agora, ele se jogava contra aquele abraço, porque apenas de tocar na pele alheia, sabia de quem se tratava.

Abriu os olhos para o rosto preocupado de Lugus. Ele estava com as sobrancelhas erguidas em confusão, um vinco entre elas, e os lábios cheinhos estavam vermelhos como se tivessem acabado de serem maltratados num beijo.

— Max... — ele chamou. — Tá tudo bem...

Você sabe o que fazer, Max — Zelena o lembrou.

Ele sabia, e foi por isso que se agarrou ainda mais ao corpo do mais novo. Maxwell o abraçou e o apertou contra si, e respirou fundo para sorver o máximo que podia do cheiro bom que Lugus tinha. Apertava-o tanto que chegava a doer em si mesmo, mas nada se comparava à combustão em que seus membros e órgãos estavam entrando.

— Max — Lugus chamou-o. — O que houve?

— Cala... a boca... moleque — a dor que sentia era tanta que sequer conseguia falar direito. Célula por célula em seu corpo lutava contra aquilo, enquanto sua vontade era a de prosseguir. Sua mente parecia querer desfazer-se com o caos, porque agora ele era por completo uma incógnita de sentimentos. Discórdia. — Cala a boca...

— Mas, Max...

Maxwell tomou-lhe os lábios nos seus, e agora até mesmo o toque puro de Lugus em si doía. O romano nunca havia experimentado a descarga de mil raios em si, mas com certeza poderia facilmente se comparar ao que estava sentindo naquele momento. Beijou-o com vontade, porque era isso que queria. Beijou-o porque era o que tinha de fazer. E Lugus o beijou de volta, envolvendo seu rosto nas mãos grandes.

Agora, Max. — Zelena ditou.

E, enquanto o tinha nos braços, os lábios colados aos seus, Maxwell deslizou a espada pelo estômago do filho de Atena, enterrando-a tão fundo que podia tocar-lhe a pele rasgada com as costas de sua mão. Lugus arfou no beijo, e a dor dele se tornou a sua. A dor de todos eles somaram-se ao que estava sentindo e Maxwell começou a agonizar.

Mas não soltou o rapaz em seus braços. O manteve preso a si num abraço, e ele morreu em suas mãos. Max começou a convulsionar. Suas células todas queimavam. Ele queimava. Estava no inferno agora.

Longe daquela visão, Zelena fez outro corte na mão. Cinco gotas de seu sangue foram suficientes para que ela terminasse aquele ritual que ajudaria seu sobrinho, e elas caíram por sobre os cabelos castanhos do homem que estava de joelhos dentro de seu círculo, de olhos fechados. As cinco gotas de sangue banharam-no como as águas correntes de uma cachoeira, envolvendo-o.

E Max continuou convulsionando. O poder o consumia.

Até que tudo se tornou escuro. E nas trevas, o caos e a discórdia.

. . .

Sentia as costas largas contra o seu peito, e o cheiro inebriante que se desprendia dos cabelos cacheados. Ouvia o assobio calmo de pássaros. E sentia a maciez confortável da cama. Mas quando tentou se mexer, todos os músculos de seu corpo pareciam ter se desprendido na noite anterior, sido esticados e depois colocados de volta no lugar.

Quando abriu os olhos, estava cego.

. . .

Sentada em seu trono, Zelena contemplou o frasco que girava entre os dedos verdes. Um sorriso arteiro brincava no canto de seus lábios. Aos seus pés, a cobra se enroscava. No pátio de seu palácio, cinco macacos alados guinchavam.

— Hades... — ela sussurrou. Parou de girar o frasco e o apertou, seguro, na palma de sua mão. Sua expressão, então, tornou-se dura, quase furiosa. — Tudo tem seu preço, meu caro... — E não podia estar mais feliz com o sangue do herdeiro daquele de quem queria se vingar.

CONSIDERAÇÕES >>>MUITO<<< IMPORTANTES AO AVALIADOR:

1. Missão feita no intuito de conseguir despertar o legado completo em Éris;

2. Favor, considerar os bônus das manoplas em uso para diminuir o gasto de MP com os poderes relacionados ao uso de trevas;

3. Favor, considerar as passivas para ferro estígio + passivas de habilidade com espadas + material da espada e das manoplas + habilidades adquiridas (benders para trevas e krav maga) para fins de danos;

4. O LUGUS NÃO MORREU, ISSO FOI SOMENTE A "VISÃO" DO RITUAL;

5. A Zelena não despertou o legado completo nele, apenas o ajudou a imergir no próprio corpo, conhecer os próprios genes, com um ritual mágico;

6. A CEGUEIRA NÃO É PERMANENTE. Eu pensei em fazê-lo ficar cego por cerca de 3 meses em ON, por causa da carga de poder que ele recebeu. Então é só mudar o status do registro divino do Max de "saudável" para "cegueira temporária". Dura 3 meses ON!!!

7. Por fim, e não menos importante, considerar a cura sombria para fins de não me deixar ficar todo fodido.
ITENS LEVADOS:
• Espada do Carrasco [Forjada por acidente a espada possui uma aparência bastante incomum: sua lâmina possui um seguimento principal como os das outras espadas, porém na sua lateral a lâmina se divide em outras pequenas laminas que são capazes de provocar ainda mais dano contra seus inimigos. | Efeito 1: A lâmina é capaz de suportar as mais elevadas temperaturas sem modificar a sua forma, apenas ficando incandescente. |Efeito 2: A espada possui uma espécie de consciência magica e se afeiçoa ao seu primeiro portador e, dificilmente, irá deixar ser portada por outro semideus. | Ferro estígio. |Sem espaço para gemas | Beta | Status: 100% sem danos | Mágico | Arsenal do acampamento]

• Destroyer [ Um par de manoplas feito de ferro estígio que se ajustam muito bem na mão de seu dono. Seu revestimento interno é em couro para grantir maior conforto e é bastante maleável graças a todas as dobradiças que possui. Por toda a extensão de cada uma das manoplas, é possível ver os desenhos de peças de xadrez, assim como as figuras de algumas runas mágicas. | Efeito 1: As manoplas possuem o efeito de criar e conduzir trevas, o que reduz em 30% o gasto de MP do usuário ao manipular o elemento e gera um bônus de +20 de dano em caso de ferimentos provocados pelo elemento. | Efeito 2: Ao estar usando as manoplas, o usuário tem um aumento de 30% do atributo de força, sendo assim, seus ataques se tornam mais danosos. | Efeito 3: Pode usar as manoplas para se defender. Tal proteção é garantida pela presença das runas Thurisaz e reduz em 35% os danos de impacto. | Ferro estígio. | Beta | Sem espaço para gema. | Status 100%, sem danos. | Mágico. | Feito por Hela.]

• Dynasdor [Uma espécie de bolinha que ao ser atirada no chão libera uma luz magica que circula o corpo do semideus, o fazendo parecer que está brilhando em tons azul. | |Efeito único: Restaura a barra de HP do semideus e as feridas em seu corpo com regeneração acelerada, o impedindo de perder HP durante dois turnos. | Desconhecido | Sem espaço para Gemas | Sigma |Status: 100% sem danos | Uso único, some ao ser utilizado | Mágico | Evento de Verão]

• Aurador [Uma espécie de bolinha que ao ser atirada no chão libera uma luz magica que circula o corpo do semideus, o fazendo parecer que está brilhando em tons de dourado. | |Efeito único: Restaura a MP do semideus durante dois turnos, impedindo a barra de baixar. | Desconhecido | Sem espaço para Gemas | Sigma |Status: 100% sem danos | Uso único, some ao ser utilizado | Mágico | Evento de Verão]

• Poção de Cura 2 [Frasco médio de poção de cura no sabor morango. | Efeito: Recupera 300 HP e MP de quem consumiu a poção. | Desconhecido | Sem espaço para Gemas | Uso único, some após ser usado | Gama |Status: 100% sem danos | Mágico | Evento de Verão] (x3)

• Dental explosive [Uma caixinha de plástico que contém um rolo pequeno de fio-dental no sabor de menta. | Efeito 1: Quando colocado sob qualquer superfície, o fio-dental é capaz de explodir o local o qual foi rodeado com ele. | Efeito 2: Pode ser utilizado para limpar os dentes normalmente, se for da escolha do semideus. | Some da mochila após usado 5 vezes. | Plástico, fio-dental e aromatizante | Sem espaço para gemas | Status 5/5 | Mágico | Evento de Verão] Tenho 3 desse item no meu inventário, mas só trouxe uma para o evento
HABILIDADES DE PLUTÃO:
PASSIVAS:
Nível 1
Nome do poder: Visão Noturna
Descrição: Os filhos de Hades/Plutão enxergam tão bem no escuro, quanto no claro. A escuridão por magia ainda é capaz de afetar eles, mas a escuridão natural, como apagar a luz, ou entrar em uma caverna sem qualquer claridade não irá afetar o filho do deus dos mortos
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Desde que não seja escuridão magica que impeça a visão, não serão afetados.
Dano: Nenhum

Nível 2
Nome do poder: Ferro Estígio
Descrição: Esse é o material principal usado pelo rei dos mortos, por esse motivo, os filhos de Hades/Plutão tem certa facilidade em manuseá-los, e ganharão um bônus de força em campo de batalha.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Quando o semideus lutar com armas feitas de Ferro Estígio ganha +10% de força
Dano: 5% de dano a mais se o adversário for acertado pela arma do semideus.

Nível 9
Nome do poder: Domador de Criatura
Descrição: Filhos de Hades/Plutão são capazes de se comunicar mentalmente com criaturas do inferno, e por esse motivo também passam a entende-los. Quando se entende um inimigo, é capaz de saber o que dizer, ou fazer, para manipula-los. Assim sendo, os filhos de Hades/Plutão são capazes de domar criaturas como cães do inferno e esqueletos, porém não podem controla-los. Eles ainda podem escolher o que fazer, mas acabam sendo “dominados” pelo filho de Hades/Plutão.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus:  Podem evitar ser atacados, ou conseguir informações, porque as compreendem e conseguem manipula-las.
Dano: Nenhum

Nível 19
Nome do poder: Pericia com Espadas II
Descrição: Filhos de Hades/Plutão são excelentes esgrimistas, e conforme evoluem seu treinamento, essa habilidade também fica mais evidente. Para eles a espada sempre foi uma arma natural, e apesar de terem tido erros, conforme aprendem, também os tornam nulos. Agora são capazes de atacar e se defender com a arma, além de conseguir desarmar um oponente com uma facilidade maior.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +70% de assertividade no manuseio da espada.
Dano: + 30% de dano ao ser acertado pela arma do semideus.

Nível 33
Nome do poder: Cura Sombria III
Descrição: O processo de cura se acelerou, e agora feridas que levavam um bom tempo para se fechar se tornam cicatrizes em poucos minutos. Além disso, aparentemente as sombras também recuperam parte de sua energia, e lhe fazem sentir mais rápido, mais forte.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Recupera +75 de HP e 75 de MP
Dano: Nenhum

ATIVAS:
Nível 5
Nome do poder: Viagem das sombras I
Descrição: Assim como seu pai e boa parte das criaturas do inferno, o semideus terá a capacidade de viajar por entre as sombras, podendo usa-las para acessar qualquer parte do mundo, mas cuidado. Em tal nível o semideus consegue apenas viajar sozinho, com a próprias armas e roupas. Quanto o filho de Hades/Plutão passa muito tempo viajando entre sombras, começa a desaparecer.
Gasto de Mp: - 15 de MP.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum
Extra: Nenhum.

Nível 21
Nome do poder: Umbracinese III
Descrição: Você dominou completamente sua técnica com sombras, e agora pode manipula-las e usa-las da forma como bem entender, incluindo criar uma prisão sombria, da qual seu oponente dificilmente escapara. Consegue mantê-la por até três rodadas.
Gasto de Mp: 20 MP por turno ativo
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus:  A prisão sombria prende o usuário por completo, fazendo com que ele seja incapacitado de se mover pelos turnos em que a prisão estiver ativa. O Filho de Hades/Plutão consegue mantê-la por no máximo 3 turnos. Pode usar as sombras para mover coisas, e prender coisas.
Dano: 30 HP (pela prisão incapacitar os membros e aperta-los, causando certa dormência). Esse HP é retirado conforme os turnos que ficar ativo, se ficar pelos 3 o valor total da perda de HP é de 90.
Extra: Nenhum

Nível 26
Nome do poder: Invocação III
Descrição: Em tal nível o filho de Hades/Plutão consegue chamar até oito criaturas infernais, sendo possível que convença as mesmas de lutarem ao seu lado. Lembrando que será impossível controla-las e também poderá utiliza-las como transporte.
Gasto de Mp: - 25 de MP.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum
Extra: Nenhum.
HABILIDADES DE ÉRIS:
PASSIVAS:
Nível 1
Nome do poder:  Apreciadores da Discórdia
Descrição: Os filhos de Éris/Discórdia são parcialmente conhecidos por serem bastante impiedosos, do tipo que gostam de ver “o circo pegar fogo”, ainda mais se forem eles mesmo que causaram o “incêndio”. (Isso depende muito da pessoa, alguns de seus filhos podem ter não herdado sua maldade.)
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum

Nível 5
Nome do poder: Ambidestria
Descrição: Éris/Discórida era braço direito de Ares, por isso - ao menos com armas - seus filhos são ambidestros. Tendo habilidade de manuseio com ambas as mãos.
Gasto de Mp: Nenhum.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: Mesmo estando com uma arma na mão dominante, conseguira usar outra na mão oposta sem qualquer problema.
Dano: Nenhum
HABILIDADES ADQUIRIDAS:
Nome da Habilidade: Benders
Descrição: Ao combinar o uso do controle elemental com a técnica e metodologia de uma arte marcial, o usuário da habilidade benders pode obter resultados poderosos. Poderá lançar o poder elemental através de golpes físicos, projetando o elemento com mais dano e força. A manifestação elemental geralmente segue a direção dos golpes, porém pode existir combinações de movimentos para uma melhor elaboração do ataque.
Gasto de MP: Custo da habilidade elemental + 30MP.
Gasto de HP: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Dano da habilidade elemental acrescentado os bônus de controle corporal (agilidade, flexibilidade, equilíbrio etc).
Extra: Só funciona como elementos que podem ser “lançados” como, por exemplo: fogo, ar, raio, luz entre outros.


Nome: Krav Maga - Defesa Pessoal
Descrição: O krav maga é um sistema de combate corpo-a-corpo desenvolvido em Israel que se baseia em uma abordagem que não necessita de equipamentos ou armas. Graças ao comparecimento na aula e o árduo treinamento, este personagem consegue usar de técnicas para defender-se e escapar de situações complicadas, tais como enforcamentos, agarrões, socos diretos, abordagens com facas e armas de fogo como pistola e revolveres.
Gasto de MP: Nenhum
Gasto de HP: Nenhum
Bônus: Maiores chances de escapar de situações em que se possa aplicar a defesa pessoal; +30% de esquiva, equilíbrio e agilidade.
Extra: Nenhum
TATUAGENS E MARCAS:
Tatuagem SPQR [Tatuagem de coloração negra feita na parte inferior do antebraço direito. Possui o desenho de um garfo com uma bola em seu topo, seguido abaixo pelas letras SPQR, um risco para cada ano servindo a Legião e escrito 5ª Coorte. Uma vez por missão/evento, os poderes relacionados a agilidade e/ou esquiva/defesa proferidos pelo semideus membro da 5ª Coorte, passam a ter 5% a mais de efetividade durante três turnos.]
HABILIDADES DO LOBO GIGANTE:
N/A.

i am become death, the destroyer of worlds
(C) Ross


Última edição por Maxwell Wittelsbach em Qui Maio 16, 2019 2:08 am, editado 1 vez(es)
Maxwell Wittelsbach
Maxwell Wittelsbach
V Coorte
V Coorte

Idade : 25
Localização : [20:29:13] Genevra E. Diarmaid : A PADARIA FOI AÇALTADA

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[RP] Lugus Magni Ferret e Maxwell Wittelsbach Empty Re: [RP] Lugus Magni Ferret e Maxwell Wittelsbach

Mensagem por Hécate em Seg Maio 20, 2019 7:28 pm


Maxwell Wittelsbach

Método de Avaliação:

Valores máximos que podem ser obtidos

Recompensa máxima da missão: 7.000 XP e Dracmas + 8 Fragmentos

Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

Realidade de postagem + Ações realizadas: 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc: 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência: 30%


RECOMPENSAS: 7.000 XP/Dracmas + 8 Fragmentos + Legado completo de Éris

Status Final: Full HP e MP. Temporariamente cego

comentários:
Max, parabéns pela excelente missão. É notável o quanto conseguiu atingir tudo o que foi passado em seu texto, a adrenalina, o sufoco, a tensão, tudo isso foi muito bem descrito e passado. Fiquei sem fôlego lendo seu texto, e os demais adms que também avaliaram tiveram a mesma sensação. Sua escrita é impecável também e não teríamos outra decisão, senão aprovar o seu legado completo. Parabéns.

Atualizado por Hades


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Hécate
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Deuses Menores
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