The Blood of Olympus
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Times Square

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Times Square

Mensagem por Vênus em Sex Nov 14, 2014 9:59 pm


Times Square

Times Square é a denominação da área formada na confluência e cruzamento de duas grandes avenidas da cidade de Nova Iorque, Estados Unidos; podendo ser definida como uma grande praça ou largo, composta por vários cruzamentos e esquinas. A área está localizada na junção da Broadway com a 7ª Avenida, entre a ruas 42 Oeste e 47 Oeste, na região central de Manhattan. É uma área comercial, onde todos os prédios são obrigados a instalar letreiros luminosos para propósitos de publicidade.


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Re: Times Square

Mensagem por Samanta Sink em Sab Fev 04, 2017 7:06 pm



Times Square
Passeio sob a luz das estrelas com a filha da noite.


Nix estendia seu manto estrelado sobre Nova Iorque quando cheguei ao chalé, o corpo cansado de um árduo dia de treinamentos e, por mais que eu estivesse me sentindo cansada, minha cabeça se mantinha a mil. As imagens da última festa na praia do Acampamento Meio-Sangue ainda vinha com força à memória, trazendo o rosto da filha da Noite com ricos detalhes.

Os garotos faziam grandes balbúrdias entre os beliches, se acertando com toalhas, se empurrando e segurando os pescoços uns dos outros como crianças grandes e fortes. Quanto a mim resolvi sentar em meu beliche e observar de longe, com o cotovelo escorado na perna e o rosto sendo emoldurando pela mão. O suor ainda escorria pelas têmporas e testa, assim como sentia algumas gotas correrem pela barriga e pelas costas.

Novamente as lembranças da festividade à beira-mar me trouxeram, desta vez, o gosto da semideusa que se dizia romana, suas irises azuladas que brilhavam com a luz da lua. O calor do seu corpo...

— Samanta... já chega. — Censurei os pensamentos e abri a gaveta do criado mudo, pegando um panfleto sobre uma aula disponível.

Assim como a barulheira começou, do nada, ensurdecedora, ela se foi, silenciando parcialmente o chalé, indicando que meus irmãos haviam se retirado para o vestiário. Suas vozes ainda ecoavam lá dentro, retumbantes e condizentes com os brutamontes que eram.

Com um suspiro me pus de pé, abrindo o armário de metal, pintado de verde, ao lado de meu beliche e observei a foto de minha mãe, em suas fardas de soldado, ajoelhada ao meu lado. O seu capacete que me caía por cima dos olhos e arrancava da criança um sorriso largo e sem um dente na frente. Lembrei da promessa para a morena, Evie, de que mostraria a ela as fotos e, mais uma vez, balancei a cabeça.

— Droga... — Peguei as roupas ali guardadas, uma toalha, e rumei para o vestiário feminino.

As poucas irmãs que tinha já não estavam ali e, aproveitando da privacidade de estar sozinha no vestiário, me despi devagar, para cada roupa removida perdendo alguns segundos as dobrando e colocando em cima do banco. Rumei para o chuveiro apenas quando cada roupa usada estava devidamente dobrada. Era mais fácil de me organizar daquela forma.

Os dedos giraram o registro do chuveiro e a água caiu gelada sobre o topo da cabeça, escorrendo pela pele quente do recente treinamento e me fazendo arrepiar, mas gostando daquilo. Me virei de frente para a porta da divisória e foquei o teto, vendo uma fina névoa se dispersar do impacto da água em minha cabeça e, de repente, uma ideia surgiu em minha mente, forte como um soco. Uma vontade incontestável.

Saí rapidamente debaixo do chuveiro e mexi, com os dedos molhados, pingando em cima do tecido da calça, no bolso, achando um dracma, o qual ofereceria a alguém.

Voltei ao chuveiro, ficando estática na mesma posição em que estava antes. A névoa refratando a luz do banheiro e formando espectros coloridos e, com o polegar, arremessei a moeda para cima. O metal soou por alguns segundos até sumir no ar, quando atingiu a névoa.

— Eu quero falar com a Evie Farrier. — A névoa tremulou enquanto eu buscava o sabonete e começava a passar pela pele. Sorri quando vi o rosto da romana. — Hey! — Abri um sorriso entusiasmado. — Samanta aqui, lembra de mim? A gente se esbarrou na praia, na festa... — A imagem que tinha dela me enchia de alegria e eu nem sabia o porquê. — Então, eu estava pensando se você não gostaria de... sei lá... dar uma saída?



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Re: Times Square

Mensagem por Evie Farrier em Dom Fev 05, 2017 1:18 am


Call me maybe
Loca: Acampamento Júpiter
Hora: Por volta das 18:30
Falando com: NPCs | Samanta Sink
Usando: Uniforme do acampamento



O meu indicador e polegar apertavam firmemente o alto de meu nariz. Meu rosto estava um pouco inclinado para baixo. Uma pose que rogava paciência e calma para o meu espírito indignado e revoltado.  A minha frente uma dupla de garotos, eles tinham por volta dos 14 anos e estavam de braços cruzados, sem olhar no rosto um do outro. Eram legionários novatos, não fazia nem menos de dois dias que haviam chegado no Acampamento Júpiter e, mesmo que alegassem serem amigos e sobrevividos juntos os desafios dados por Lupa, há menos de uma hora eles estavam distribuindo socos e injúrias.

-Mais uma vez, porque vocês estavam brigando? – questionei erguendo o rosto e cruzando os braços.

Mal meus lábios se fecharam e os dois começaram a falar ao mesmo tempo, se acusando e quase voltando a entrar em agressão física. Por um momento, considerei deixar que se matassem, mas como líder, eu precisava lidar com aquela situação. Ainda mais quando havia alguns outros legionários dentro do alojamento quando entrei puxando aquelas duas crianças pela orelha.

-Quietos! – exclamei raivosa, imperativa.

Eles fizeram silêncio automaticamente e os olhos praticamente dobraram de tamanho quando retirei a espada da minha cintura. Apontei ameaçadoramente na direção do garoto que estava a esquerda.

-Fale! – ordenei por entre os dentes.

-Ele deu encima da mesma garota que eu estava conversando – o garoto explicou.

-Você não falou que viu primeiro! Isso tá dentro do código de honra entre irmãos e---

Eu senti a veia em meu pescoço latejar mais forte ao escutar isso. Guardei a espada, respirei fundo duas vezes e já estava para lançar uma punição por eles terem brigado entre si, quando algo começou a surgir ao meu lado.

Era como um holograma flutuante. Franzi o cenho ainda com aquele olhar duro que os líderes romanos portavam quando estavam de frente para seus legionários... Até que primeiro escutei aquela voz melodiosa antes da imagem se tornar nítida. Era Samanta, guerreira grega, filha de Ares. A garota que estava invadindo meus pensamentos mesmo quando tento empurrá-los para longe.

Como não lembrar dela? Como não ser atormentada toda noite em que deitava e tocava meus lábios de maneira discreta, relembrando todos os detalhes que eu havia gravado em minha mente. Principalmente os beijos, ah aqueles malditos e deliciosos beijos! Aquele havia sido a festa de Ano Novo mais incrível e inesquecível. Graças a ela. Memórias que me invadiram naquele momento, fazendo meu rosto ficar levemente corado e surpreso.

-O-oi Sam – pigarrei forte ao notar que estava quase gaguejando ao ser surpreendida pela imagem da garota – Espera um pouquinho? Eu já te respondo – virei em direção aos dois garotos e minha expressão tornou-se séria mais uma vez, as mãos em meu quadril enquanto eu dizia a sentença – Quem é a garota?

-Olivia da Primeira Coorte – disse o garoto da esquerda.

-Olivia... – um riso escapou de meus lábios – Ela está tentando há semanas sair com a Kate da terceira, sinto muito garotos – o meu sorriso se tornou perverso – Mas não deveriam entrar em briga na frente dos alojamentos. Acho que um tempo sendo capachos dos Lares de nossa Coorte vão ensinar vocês uma coisa ou duas.

As caretas deles foram impagáveis. Olhei mais uma vez para a mensagem de Arcus flutuando a minha frente e finalmente comecei a caminhar para os fundos do alojamento, planejando sair pela porta dos fundos para, finalmente, ter um pouco de privacidade com a grega.

-Por que temos de obedecer gente morta quando ela vai sair em um encontro?

A fala de um dos garotos me fez estremecer e envermelhar, mas minha postura não mudou enquanto passava por todo o cômodo. O balão holograma me seguia, já que a “chamada” era comigo e não havia sido encerrado ainda. Abri a porta, atravessei, fechei, respirei fundo. Só então pude olhar para a garota de Ares com um sorriso tímido, mas sinceramente feliz.

-Por favor, me tire daqui! – fiz uma expressão bem dramática e depois ri baixinho – Acho que consigo escapar hoje a noite, eu aprendi um novo truque, só escolha o lugar e daqui a pouco eu passo para te buscar e... – meu cenho franziu quando meus olhos finalmente começaram a captar os por menores daquela imagem tão linda a minha frente. Ombros nus, cabelo molhado, um barulho de água corrente – Onde você está Sam?




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Re: Times Square

Mensagem por Samanta Sink em Sex Fev 10, 2017 4:36 pm



Times Square
Passeio sob a luz das estrelas com a filha da noite.


Assim que a imagem da romana se fez clara não hesitei em questioná-la, ou melhor, até que estava um pouco envergonhada com o fato de estar “ligando” para alguém, indo totalmente contra meus princípios de procurar pela companhia de alguém, de uma forma que não fosse estritamente profissional... ou apenas uma companhia para um treinamento amistoso. Eu queria a companhia da morena como uma acompanhante, queria provar de novo de seus lábios, mas eu não deixaria aquilo transparecer até a hora certa... não que o simples fato de estar contatando Evie não queria dizer isso.

Seus olhos fitaram os meus, surpresos, nervosos. Ela não esperava receber aquela ligação, tampouco aquele parecia um momento propício. Ela estava na frente de dois semideuses romanos, trajando uma farda bem bonita de oficial, com uma armadura imponente que me fazia querer me entregar a ela e virar prisioneira de guerra.

— O-oi Sam. — Ela pigarreou, não sabendo para quem dar atenção, se para mim ou para os dois garotos. — Espera um pouquinho? Eu já te respondo.

— Eu posso ligar depois... — Soei mais triste do que desejava, mas não desliguei a ligação, fiquei observando-a ser durona com os filhos de Roma.

A forma como ela se expressava, agia como uma durona para eles, dando ordens, castigando, eu comecei a vê-la em ação, de uma forma que eu não vira na praia. Era como ver uma outra face da romana, uma face profissional. Era engraçado, até um pouco estranho, mas divertido e instigante, vê-la daquele jeito.

Ela recuou de perto deles e entrou em uma sala, carregando consigo a mensagem, e a sua expressão mudou totalmente quando a passagem se fechou e suas costas ficaram contra ela. Evie suspirou pesadamente e finalmente olhou para mim, pude observar o seu rosto com clareza, tanta que acabei sorrindo feito uma bobinha.

— Por favor, me tire daqui! — Soltei uma risada, colocando a cabeça debaixo da água para tirar o xampu.

— É o que eu pretendo, senhora comandante. — Ela também deu uma risada, e logo continuou.

— Acho que consigo escapar hoje à noite, eu aprendi um novo truque, só escolha o lugar e daqui a pouco eu passo para te buscar e... — Estava de olhos fechados e, então, não pude ver o que ela fazia, apenas entendi a pausa, mas não evitei de ficar curiosa. — Onde você está, Sam?

— Banho... — Respondi, rapidamente, enchi a boca de água e cuspi no chão. — Eu tava pensando em te levar pra sair... no Times Square, aqui em Nova York... mas se tiver melhores planos, eu te busco aí, de Pégaso. — Finalmente abri os olhos, encarando os da romana. — Topa?




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Re: Times Square

Mensagem por Evie Farrier em Sab Fev 11, 2017 1:05 am


Call me maybe
Loca: Acampamento Meio-Sangue
Hora: Por volta das 19:00
Falando com: Samanta Sink ♥ Mozona
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Banho. A resposta a minha pergunta veio de maneira despreocupada, como se ela não se importasse em falar comigo durante o banho. Um momento em que ela estava nua, ensaboada, com a água escorrendo pelo corpo...

Pigarrei baixinho, desviando o olhar da mensagem para um ponto qualquer enquanto tentava disfarçar o rubor em minhas bochechas. Que efeito era esse que a ruiva tinha sobre mim? Porém, escutei a sua proposta e um sorriso de canto beirou a minha boca, fazendo-me olhá-la novamente. Cabelos molhados, expressão serena para uma filha do deus da guerra. Eu estava com a resposta na ponta da língua, mas ela aquietou-se em minha boca quando minha visão decorava a imagem que eu não via há um tempo. Curto período, mas ainda assim, que havia deixado um singelo gosto de saudade.

-Topo. Fique pronta em meia hora e me encontre na Colina. Uma viagem de Pégaso de NY para São Francisco é muito longa, Sam. E eu espero que o seu lado de Vên--- digo, Afrodite, consiga se arrumar nesse tempo. – disse em um sorrisinho um tanto desafiador, até erguer minhas sobrancelhas e dizer em um tom imperativo – E Sam, não se atrase!

Passei a mão por entre a mensagem, como se a estivesse apagando. Como esperava, ela sumiu antes mesmo que a ruiva contradissesse algo do que eu propus. Virei o corpo pronta para correr para o banheiro quando momentaneamente congelei. Eu iria para um encontro. Um encontro com uma garota linda como uma musa grega, a mesma que invadia meus pensamentos nas horas mais inoportunas todos os dias desde que nos encontramos.

-Oh deuses – murmurei para mim mesma.

Eu só havia ido a um único encontro oficial em minha vida, aos treze ou quatorze anos de idade. Mas agora? Era diferente. Aquela garota era diferente. Até mesmo as borboletas em meu estômago pareciam terem evoluído e agora faziam apenas um verdadeiro vendaval, esvaindo por todo o meu corpo aquela sensação de ansiedade e excitação.

Inspirei fundo uma, duas vezes, para só então sair do local onde estava e correr para o banho. Afinal, eu também tinha apenas um curto período de tempo para ficar pronta. Merda de ansiedade que controlou meu desejo de vê-la o mais rápido possível e fazer a proposta de um tempo tão pequeno. Ao final do banho, o próximo passo eram as roupas. Uma calça tão justa que abraçavam minhas pernas, ela possuía fibras internas que protegia do frio invernal. As botas eram de uma tonalidade escura, indo até a altura do joelho cobrindo toda a panturrilha, o salto mediano, não sendo nem tão alto nem tão baixo. A blusa branca era de um tecido de lã muito confortável e quente e, mesmo que a estivesse usando, eu sabia do quão frio poderia ser o inverno nova-iorquino. Assim, escolhi um sobretudo preto que alcançava quase a altura de meus joelhos, finalizando com um cachecol rubro. O cabelo castanho foi apenas penteado, eu não tinha tempo para fazer algo muito mais elaborado. A maquiagem? Simples, sutil, nada forte.

-Ok, acho que estou pronta – disse para o meu reflexo no espelho.

Engoli em seco, minha o friozinho na barriga presente a todo o momento parecia ter se intensificado. Olhei para o meu relógio no pulso, faltavam apenas cinco minutos.

“É agora ou nunca Evie”

Desliguei a luz do banheiro deixando que penumbra tomasse conta do lugar. Eu tinha aprendido recentemente uma habilidade nova. A viagem pelas sombras. Era como um salto de fé: cego e confiante. Respirei fundo, contei até três e me joguei contra as sombras da parede. Se eu pudesse descrever a sensação de viajar nas sombras? Monte em um carrossel, coloque em uma velocidade alucinante e tente ficar mantendo na mente o local para o qual deseja ir.

Não foi a toa que meu corpo ao surgir de uma sombra de uma árvore, cambaleou dois passos para o lado. Fechei os olhos com força até sentir que tinha finalmente saído de um loop em uma montanha russa. Olhei ao redor sorrindo de lado, reconhecendo a entrada do Acampamento Meio-Sangue no alto da colina. Coloquei as mãos dentro do bolso do sobretudo, caminhando até uma árvore próxima que me permitia estar a vista de quem estivesse saindo do local. Encostei no tronco e olhei para o céu estrelado, tentando buscar a calma que meu coração disparado precisava ter para não sofrer um ataque. Seria considerado masoquismo dizer que essa sensação era gostosa? A expectativa, a espera, os pensamentos inquietos e excitados... Tudo misturado e que me fazia estar ali, do outro lado do país, esperando uma garota ansiosamente.


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Re: Times Square

Mensagem por Samanta Sink em Seg Fev 13, 2017 3:20 am



Times Square
LOCAL: ACAMPAMENTO MEIO-SANGUE
HORA: POR VOLTA DAS 20:00
FALANDO COM: EVIE FARRIER ♥ MINHA DEUSA
USANDO: ISSO e por baixo isso.


Por um momento que pareceu uma eternidade a filha de Nyx, Nux, sei lá qual era o nome da versão romana, ficou bem quietinha e eu gelei. Desejei que a resposta viesse logo, por mais que ela já tivesse respondido, mas sentia que a sua última havia sido tão vaga que que não soou tão séria. Soara quase como uma piadinha interna, uma frase terminada com um sonoro “-q”.

Sua expressão baixa me deixou tão tensa que eu nem percebi que prendia a respiração até que seus olhos azuis focaram os meus e em seus lábios despontava um sorrisinho de canto. Pude até mesmo notar um leve rubor em suas bochechas, o que me fez sorrir um pouco mais largo, e levar o punho fechado em frente à boca, escondendo os característicos dentes de coelho.

— Topo. — Deixei uma risada anasalada, para acentuar a felicidade. Não que eu realmente quisesse demonstrar aquilo, mas não conseguia esconder. — Fique pronta em meia hora e me encontre na Colina. Uma viagem de Pégaso de NY para São Francisco é muito longa, Sam. E eu espero que o seu lado de Vên... digo, Afrodite, consiga se arrumar nesse tempo. — Maneei a cabeça em positivo, enchendo a boca de água e cuspindo na mensagem de Íris, de forma brincalhona.

— Boba! — Comentei, brincalhona, e logo fechei o chuveiro. — O meu lado Ares é mais forte nessa parte.

— E Sam, não se atrase! — Ia responde-la, mas ela havia passado a mão pela mensagem, encerrando a chamada.

Estava com o coração disparado quando saí do chuveiro, o estômago borbulhava de excitação e eu queria terminar de me arrumar o mais rápido possível para ir logo para a Colina Meio-Sangue. Ver a filha da Noite lá me esperando, mas... eu havia mentido: Meu lado Afrodite comandava muito meu vestuário.

— Eu não tenho nada pra vestir! — Gritei para todos no chalé, que me olharam como se eu fosse uma alienígena. — Droga, vocês não me entendem, seus bostas!

Girei nos calcanhares, nus, e corri para fora do chalé. A temperatura da noite, por mais que dentro das fronteiras do Acampamento fosse sempre como o verão, me atingiram a pele quente como um soco forte. O choque térmico me fez arrepiar por inteira e tremer de frio, ainda mais por estar usando apenas a toalha.

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— Porque você está aqui, mesmo? —Jenny, uma das minhas muitas tias do chalé de Afrodite havia me recepcionado muito bem e eu a agradecia muito por isso.

— Eu tenho um encontro. — Comentei baixinho, enquanto observava o seu quarto.

O cheiro de morango era muito, muito forte. A cama era uma dessas que tinham aquelas pilastras nos quatro cantos, entalhadas em madeira branca, reluzente, com círculos, trechos mais finos e bem elaborados. Havia uma cortina em volta dela, rendada em branco e dourado. O carpete era confortável sob as solas de meus pés. Eu estava desesperada por ajuda, tanto que eu sequer me importei de correr 100 metros de pés descalços, pela grama repleta de rosetas.

— Hmmm... Um encontro? — Ela disse com uma vozinha fina. Seu corpo bem sinuoso e feminino coberto apenas por um roupão de seda. — E quem seria o garoto? — Eu a observei e corei imediatamente.

— É uma romana... — Tinha que admitir que a havia subestimado, principalmente como uma filha da Deusa do Amor.

— Ah, eu devia ter imaginado. — Comentou engraçada, e foi em direção ao guarda-roupas. Um extenso closet, repleto de coisas. — E pela sua atual vestimenta eu diria que... você quer ajuda para se dar bem. — Apenas maneei com a cabeça e ela me chamou, em um movimento com o dedo. Era sedutora, tinha que admitir, mas por motivos óbvios eu não a via daquela maneira.

Me aproximei da loira e estagnei ao seu lado, enquanto ela mexia em um controle remoto. Uma luz vermelha passou por meu corpo e, em seguida muitas esteiras rolaram, provavelmente algum projeto de algum filho de Hefesto apaixonado. As esteiras se ligavam a polias que moviam as prateleiras, igualzinho o local de espera pela sua mala em um aeroporto, porém, haviam cabides de roupas intermináveis. Haviam as mais finas grifes que eu sequer sabia nomear, em francês.

— Aqui, chéri. — Ela me estendeu uma blusa comum, com uma estampa de gatinho, um destes da internet, que o corpo é uma torrada e ele parece cagar um arco-íris. — Alguma coisa tem que ficar por baixo, né? — Positivei e, então, quando já tinha a blusa em mãos, a observei.

— Sem roupa íntima? — O seu sorriso abriu mais ainda.

Pardon! Qual a sua intenção, hoje à noite? Se dar bem? Transar? — Agora eu estava tão vermelha quanto meus cabelos.

— Deuses, Jenny. O que você acha que eu sou? — A questionei, com o cenho franzido.

— Uma garota que sabe o que quer e que não deixa rótulos como esse a impedi-la de transar na primeira noite. — Disse de uma única vez. O sorriso havia sumido em seu rosto. — Eu posso pegar algo que eu joguei no lixo, semana passada, pra você. Não precisa nem combinar o sutiã com a calcinha.

— Tá! Tá! — Segurei em seu ombro, quase senti sua musculatura reclamar com minha falta de jeito. — Lingerie... uma que seja fatal. — Sorriso grande, novamente.

Ela apertou um botão vermelho no controle remoto e uma prateleira bordô desceu do teto. Ela tinha manequins do meu tamanho e eu me assustei, por achar que havia, acidentalmente, encontrado uma stalker ou algo assim. Observei a garota parada ao meu lado com uma expressão entre susto e pena, por ela não ter chegado antes.

— Sammy, se você não parar de me olhar com essa cara de: “Coitadinha da Jenny, ela devia ter vindo falar comigo antes” eu juro que arranco essa sua toalha e te exponho pra todo mundo ver. — Certo, agora eu estava assustada. — Eu não sou stalker, o scanner passou em você e as roupas ajustaram... filhas de Ares. — Negativou, olhando as muitas peças de roupas e, então, pegou uma azul. — Essa!

Era uma camisola azul rendada com flores opacas, nas laterais, mas entre elas era quase transparente, podia enxergar através da fina trama. A calcinha era da mesma cor, assim como a cinta liga, mas os meiões  eram pretos. Era divinamente linda e eu tinha certeza que ficaria divinamente sexy com aquela peça de roupa, porém...

— Meus cabelos são vermelhos, Jenny. Não vão combinar. — Comentei com um biquinho e a filha de Afrodite deu uma risada.

— Vão sim. Cala a boca e veste. — Nota mental: Nunca discorde de uma dica de mota de um filho de Afrodite.

Deixei que a toalha caísse aos pés e revelasse todo o meu corpo, o que a loira aproveitou para dar uma boa olhada. Seus lábios fizeram um biquinho e ela assobiou de uma forma impressionada, notando cada detalhe, sem vergonha alguma. Eu também não estava sentindo vontade de me esconder, era como se ela observasse uma obra de arte no museu do Louvre.

— Samanta Sink, você tem um corpo divinamente lindo... — A olhei enquanto vestia a calcinha. Deuses, eu estava vermelha de novo. — Relaxa, foi um elogio sem segundas intenções. Você tem o equilíbrio perfeito entre o corpo de mulher, mas a testosterona de Ares pra dar os volumes nos lugares certos.

Não a respondi, tampouco sabia como o fazer, apenas continuei a me vestir. E ao final já estava usando todo o conjunto... e ela tinha razão. Havia ficado lindo. Ela parou ao meu lado e sorriu satisfeita.

— Agora a roupa.

O armário girou novamente e, após muita luta e insistência minha, ela aceitou que eu usasse um par de allstars velho ao invés das botas de salto alto que ela estava querendo que eu trajasse em conjunto de uma calça djins negra colada, uma camiseta do Nyan Cat, um blusão cinzento e confortável, um sobretudo branco, um cachecol xadrez vermelho e verde, e uma touca com uma bolinha felpuda no topo.

— Até o final da noite eu vou arrancar esse pompom. — Comentei, observando no espelho o nosso reflexo.

— Não, não vai. — Disse, em resposta, bastante neutra. — Onde e como você disse que ia? — Ela me perguntou, indo em minha frente e usando as mãos para ajeitar o sobretudo, o cachecol, a touca. Os pequenos detalhes que eu deixei passar.

— Eu combinei com a Evie de irmos ao Times, de pégaso, quero levar ela no... — Colocou os dedos nos meus lábios, em calando.

— Não precisa dizer mais nada. — Ela me entregou um saco de torrões de açúcar e assobiou uma melodia, curta, mas complexa. — Vá aos estábulos, assobie isso e dê dois torrões de açúcar para o meu pégaso. Hércules.

A observei com os olhos grandes, divinamente agradecida por ela ter aparecido em minha frente ao ter entrado no chalé da deusa do amor, estava tão feliz que à puxei para um abraço apertado, o qual ela correspondeu. Ao nos separarmos ela se afastou, pegou um frasco de perfume e borrifou duas vezes em meu pescoço.

— Esse perfume fará ela sentir o cheiro que mais gosta, na vida, em você. — Dei um sorriso sem jeito para ela.

— Deuses, eu nem sei como te agradecer. — Mais uma vez ela sorriu e parou em uma posição fofa, com as mãos laçadas à frente do corpo. Uma expressão sonhadora no rosto.

— Vá lá e pegue aquela garota!

------------------------------------------

Conseguir o cavalo voador havia sido mais fácil do que eu imaginei, mas chegar próximo ao pinheiro de Thalia e ver que a romana já estava lá, com uma roupa toda escura, o que eu conseguia ver, pelo menos, e um cachecol vermelho que despontava de todo o resto, incluindo os seus cabelos. O pégaso pousou próximo ao pinheiro e eu desci, sentindo as bochechas doerem com o frio da viagem aérea.

— Tá bem frio lá em cima... não vamos muito alto. — Franzi o cenho ao ver que ela não usava uma touca e, então, tirei a minha e dei para ela, protegendo suas orelhas do frio do voo. — Vai precisar proteger essas orelhinhas, senhorita Farrier. — Comentei em conjunto com um sorrisinho, sem me ligar que havia mostrado todos os dentes. A entreguei um beijo na bochecha e um óculos de snowboard, do qual havia pegado dois. — Como foi a viagem até aqui? — Perguntei, distraída, enquanto oferecia a mão para ajudá-la a subir no pégaso.



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Re: Times Square

Mensagem por Evie Farrier em Ter Fev 14, 2017 5:53 pm


Just you and I
Local: times square
Hora: Por volta das 19:45
Falando com: Samanta Sink ♥ Mozona
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Meu pé balançava erraticamente. Em minha cabeça um tic-tac interno parecia fazer com que o tempo passasse mais lento ainda. Meus dedos estavam brincando de amassar o tecido lateral do sobretudo, uma forma psicológica de tentar esvair a ansiedade que acumulava em meu pequeno corpo.

Eu escutei primeiro sua chegada do que realmente vi. O bater forte de asas vindo do alto, o relincho do animal alado e, então, toda a gloriosa forma de um Pégaso. Um pequeno sorriso de lado desenhou minha boca, naquele momento havia notado pela primeira vez o quanto o legado de Afrodite poderia ser um pouco teimosa. E por falar em Afrodite...

Deuses. Ela estava linda ao ponto de me fazer morder o lábio inferior para não suspirar, mas ninguém pareceu avisar meu coração para não fazer as suas cambalhotas naquele momento. Como líder de uma coorte, eu lidava com todo o tipo de semideus. Inclusive os abençoados pela beleza. Filhos e descendentes de Vênus, Prosepina, Cupido... No entanto, por mais belos que fossem, nenhum conseguia captar a atenção do meu olhar quanto aquela grega o fazia. Ela desmontou com uma graciosidade natural, aproximando com as bochechas vermelhas pelo frio.

-Mas e você? – questionei assim que senti a touca sobre minha cabeça, levando automaticamente uma mão para ajeitá-la. Meus dedos se fecharam pronto para retirar o item, mas então ela sorriu. Um sorriso aberto e despreocupado. Seguido de um beijo delicado em minha bochecha, óculos de snowboard sendo entregue logo após. Foi um combo que me fez ser egoísta o suficiente para abaixar a mão e apenas aceitar – Minha viagem? Ah... Eu vim pela sombra, foi tudo ok.

Um sorriso divertido de quem fez uma piada interna brincou em meus lábios enquanto observava Samanta montar mais uma vez no cavalo. Foi impossível não guiar meus passos em direção ao animal. Estiquei a mão com calma para não assustá-lo, deixando que o próprio tocasse o focinho em minha palma.

-Você sabia que era minha avó quem comandava a cavalaria nas guerras? – indaguei de maneira distraída, fazendo referência a Belona. Finalmente aceitei a mão oferecida como ajuda, o aperto das mãos sendo firme. Montar foi realmente fácil com o auxílio da grega. Ajeitei meu corpo e minha postura e estava tudo ok, até perceber que teria de segurar nela para manter meu equilíbrio durante toda a viagem – Mesmo assim... Nunca montei em um Pégaso antes. A propósito, você está linda.

O comentário final havia sido sincero, escapado de meus lábios em um momento de distração, quase sem contexto com o assunto anterior. Primeiro, minhas mãos apenas repousaram sobre a cintura dela. Mas assim que o cavalo alado começou o galope para içar voo, meus braços a circularam com a surpresa que senti no momento da “decolagem”. O friozinho na barriga foi intenso, a sensação de subida repentina fazendo a minha noção de equilíbrio dar um loop. Ao abrir meus olhos, que sequer havia notado que tinha fechado, o encantamento veio com um soco. Estávamos voando e eu me sentia mais perto da noite. Os meus pulmões se encheram em uma mistura deliciosa entre o ar refrescante e o cheiro do shampoo da filha de Ares. A surpresa inicial que outrora havia obrigado meus baços a envolverem já não existia. Porém, meus músculos não moveram um centímetro sequer, ao contrário dessa proposta, a envolveram em um abraço um tanto desajeitado, mas carinhoso.

Durante todo o percurso, não soltei a garota de cabelos ruivos. Internamente, usava como justificativa a segurança. Afinal, precisava manter o equilíbrio enquanto voávamos. Porém uma parte mais profunda, sabia que estava usando isso como desculpa para tê-la em meus braços sem precisar de justificativas mais profundas do porquê era tão bom a ter assim, pertinho. A conversa se manteve suave, parte para evitar o vento frio, parte para não distrair Samanta que guiava o Pégaso. Ainda assim, era reconfortante poder falar abertamente com alguém sem temer as palavras ditas, sem precisar mostrar uma postura sempre correta. Tendo apenas a noite ao nosso redor como testemunha, eu sussurrava respostas e ria pertinho do ouvido dela a cada comentário bobo que a filha de Ares deixava escapar.

Estava tão envolvida na sensação e na conversa que não senti o tempo passar. Mesmo parecendo ter passado apenas um aglomerado de minutos, logo era possível avistar o centro agitado de Nova York. Havíamos chegado e o próximo passo era um encontro com uma linda filha de Marte. Oh céus, eu já não tinha mais borboletas circulando, mas sim um verdadeiro vendaval.

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Re: Times Square

Mensagem por Samanta Sink em Seg Fev 20, 2017 9:31 pm



Times Square
LOCAL: ACAMPAMENTO MEIO-SANGUE
HORA: POR VOLTA DAS 20:00
FALANDO COM: EVIE FARRIER ♥ MINHA DEUSA
USANDO: ISSO e por baixo isso.


A noite já se apresentava escura a nós e, por mais que dentro do Acampamento, onde estávamos, fosse agradável o clima, eu sabia que, do lado de fora, estava bem frio. Fizera questão de voar com o pégaso de Jenny para além da cúpula de proteção mágica que nos circundava e, eu podia sentir a mão de Quione me acariciando as bochechas, ressecando meus lábios e ardendo meus olhos.

Logo que pus o gorro em sua cabeça, Evie levou ambas as mãos a ele, ajeitando-o de uma forma mais confortável do que a desajeitada que eu havia deixado. Era fofo observar a forma que ela se arrumava, os olhos azuis voltados para cima, como se pudesse enxergar a touca, ou as mãozinhas pequenas puxando o tecido aveludado por cima das orelhas. Os cabelos negros que escorriam como sombra liquefeita.

“Tão linda...”

— Mas e você? — Ela perguntou, assim que já estava com a cabeça protegida.

— Eu não sinto tanto frio... tenho o sangue quente de Ares. – Caminhamos até o pégaso e, assim que eu subi, ofereci a mão para que ela subisse ali. – Como foi a viagem até aqui?

— Minha viagem? — Evie se aproximou do Pégaso.

— É. — Eu sabia que era uma pergunta retórica, mas eu estava nervosa e acabei por responder.

— Ah... Eu vim pela sombra, foi tudo okey. — Franzi o cenho, olhando para cima. Onde ficava o Acampamento romano?

— Mas já é noite... não tem onde fazer... — Olhei para a sua expressão enquanto ela amaciava o focinho do cavalo alado, e eu acabei por rir. — Ah, era uma piada. — Deixei uma risada anasalada, que talvez tenha soado um pouco mais estridente.

— Você sabia que era minha avó quem comandava a cavalaria nas guerras? — Franzi o cenho. Nunca aprendera sobre os deuses romanos, ou qualquer outra divindade, então aquilo era uma novidade pra mim.

— Sempre achei que quem comandasse os cavalos fosse Poseidon. — Divaguei, mas logo ri. — Então deve saber montar como ninguém. — Evie negativou com a cabeça.

— Mesmo assim... Nunca montei em um pégaso antes. — Torci o nariz, e fui um pouco para frente, estendendo minha mão para a romana, que sem demora me segurou.

Sua mão pegou a minha e a macies de seus dedos era surreal, fazia muito contraste com a minha, calejada pelas horas de treino do dia, mas eu sabia que até a madrugada a pele estaria tão boa quanto a de uma filha de Afrodite. Talvez eu devesse agradecer à regeneração acelerada de Ares, ou quem sabe alguma bênção do sangue de Afrodite? Não sabia dizer. Mas a força necessária para puxar a filha da Noite para o pégaso, sem grande esforço, eu sabia muito bem a quem louvar. Em um puxão ela já estava sentada atrás de mim

— Eu já estava pensando em deixar você guiar. — ri novamente, segurando firme a corda guia do estribo.

— A propósito, você está linda. — Aquele comentário me fez sorrir silenciosa, genuinamente feliz por ela ter gostado. O seu toque em minha cintura veio muito bem-vindo.

— Obrigada... ehr... é melhor você se segurar bem firme na minha cintura. — Comentei, por cima do ombro, e quando senti a pegada mais firme, aticei o cavalo para que ele começasse a correr.

A aceleração nos levou um pouquinho para trás, os músculos sob nossas coxas se comprimiram de forma imponente e logo as asas estavam batendo, jogando vento para todo o lado. O galope deixou de ser ouvido e senti uma vertigem gostosa na boca do estômago, ainda mais deliciosa ao saber que a romana se grudava bem em meu corpo. O vento frio assolou meu rosto, mas eu não estava me importando. Me sentia quente. Até agradecia a brisa gélida do inverno.

— Você está linda, também! — Gritei por cima do ombro, dando uma risada bem retardada, em seguida. — Parece que temos muito em comum! — A risada teve direito a, inclusive, fungada de porco. Bem sutil, mas ainda assim audível.

Seguimos a viagem conversando sobre bobagens triviais, comentando sobre os acampamentos e as coisas que precisávamos comandar, ou fazer em prol de nossos irmãos ou colegas semideuses. Era gostoso ouvir a vida pelos lábios de outra pessoa como eu, e ver que ela tinha os mesmos problemas, e poderia me entender com grande facilidade. Me sentia bem por ela estar ali comigo, por ter aceitado vir ao encontro comigo.

Em questão de 30 minutos as luzes de NY já se apresentavam abaixo de nós, e conduzi o pégaso para baixo, fazendo-o pousar em um prédio da Times Square. Era próximo de um local em que eu queria ir. O equino estabilizou as asas e os cascos tocaram o terraço, fazendo terra jorrar e ele derrapar alguns metros antes de relinchar, satisfeito. Desci e ofereci ambas as mãos para a morena descer. Sabia que ela era plenamente capaz de descer de um pégaso, mas eu só queria uma desculpa para estar próxima dela.

— Vou estacionar aqui, que não precisa pagar parquímetro. — Deixei uma risada e, assim que ela desceu, fui até a frente de Hércules, sentindo o vento balançar meus cabelos. — Aqui, grandão. Pela viagem. — Pus dois torrões de açúcar na mão e o entreguei. A língua em minha palma me fez soltar algumas risadas de cócegas e, em seguida, acariciei seu focinho. — Não vai muito longe, tá? — Me voltei para Evie com um sorriso no rosto, mas antes de ir até ela, peguei uma capa na cela do pégaso e cobri seu corpo, para que não adoecesse.

Passei a mão na calça, limpando da baba de cavalo, e segurei a mão da romana, indo com ela até a porta do terraço, obviamente trancada. Enfiei os dedos no bolso da calça e puxei uma chave reta, com um símbolo de um caduceu em sua parte mais achatada.

— Eu peguei emprestado de um filho de Hermes. — Enfiei a chave na fechadura e ela foi entrando aos poucos, conforme se moldava aos mecanismos daquela porta. Logo consegui girar a maçaneta e a porta destrancou. — Vamos? — A olhei, aguardando sua resposta.




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Re: Times Square

Mensagem por Evie Farrier em Seg Mar 20, 2017 4:45 pm


Runway
Local: times square
Hora: Por volta das 19:45
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O pouso havia sido mais suave do que eu havia cogitado. Um sorriso brindou meus lábios com o ato gentil de ajudar-me a desmontar. Não o tinha visto como uma ferida ao meu ego guerreiro que sabia fazer tudo sozinha, mas como uma oferta de auxilio inofensiva. O sorriso apenas aumentou quando vi o carinho com que ela tratava o cavalo alado. A observei com um olhar atento, cada gesto simples gesto. Desde o de pegar a capa ao alisar das mãos nas calças.

- Filhos de Mercúrio são muito... funcionais, antes como aliados do que como inimigos – comentei em tom risonho, em minha mente passando uma reprise das últimas travessuras orquestradas pelos filhos do deus dos ladrões – Imagino que essa característica seja igual para os filhos da versão grega.

Eu já estava para atender o chamado da filha do deus da guerra, quando, mais uma vez naquela noite, uma chamada holográfica apareceu na minha frente. Era uma mensagem de Arcus. Franzi o cenho, como centuriã da II Coorte a preocupação de que algo tivesse acontecido logo brotava e se alastrava rapidamente.

- Desculpe, eu preciso ver isso aqui – falei em um tom de desculpas.

Afastei poucos metros, atendendo a chamada de um legionário. O semblante dele era sério e tenso, suas palavras rápidas penetravam em meu cérebro fazendo com que minhas mãos fechassem em punhos. Por que eu havia me iludido de que poderia escapar por uma simples noite? Ou um pequeno aglomerado de horas, não é como se fosse voltar para o acampamento apenas ao amanhecer. Ao terminar de passar as informações, a chamada mágica foi encerrada. O ar escapou pesado por meus lábios, provocando uma fumaça de ar devido ao frio. Coloquei as mãos dentro de meu sobretudo e me aproximei com os ombros baixos.

- Eu... eu... – mordi o lábio inferior, desviei o olhar, respirei fundo e a fitei novamente. O queixo erguido, ombros levemente tensos. Eu odiava o que estava para fazer, mas era necessário – Eu preciso ir, emergência no Acampamento. Eu sinto muito Sam.

Em um ato impulsivo, quebrei a distância de nossos corpos e abracei a ruiva com força desmedida. Mesmo que o contato tivesse sido breve, ele foi sincero. Com o rosto levemente corado e um sorriso sem jeito, comecei a me afastar.

- Foi divertido voar com você! – disse acenando um adeus com a mão.

Por sorte, haviam muitas sombras ali, permitindo jogar meu corpo em uma delas e fazer a viagem das sombras, retornando rapidamente para o acampamento.


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Re: Times Square

Mensagem por Charlotte A. Blackwell em Qua Set 06, 2017 5:10 pm

▬ Times Square


Lembro como se fosse ontem da primeira vez que estive naquele lugar. Eram por volta das três da tarde e eu tinha saído junto a Frannie do hospital, em uma das muitas visitas que fizemos a mamãe, o clima não era agradável e as coisas em casa estavam um pouco tensa. Nessa época, ainda estávamos nos adaptando a nova cidade e a rotina não era das melhores. As nuvens estavam escuras no céu e os indícios de chuva eram bastante óbvios, mesmo assim, minha irmã mais nova insistiu para que fossemos dar uma volta pela cidade, e foi assim, que acabamos nos deparamos com aquele lugar cheio de luzes.

Eu nunca deixaria de me impressionar com a quantidade de pessoas que transitavam por ali, com o som, com o barulho e com a quantidade de vozes que se misturavam a adrenalina do momento. A cidade não dormia, independente da hora, e aquele lugar estava sempre muito cheio. O que me marcou, no entanto, não foi o fato de milhares de turistas estarem presentes em um mesmo lugar, não foi o cheiro da comida ou da música soando alto, certamente não foi as cores – mesmo que essas tenham chamado bastante atenção – e também não foram as enormes telas de anunciam que estavam presentes por toda parte.

O que me marcou?

A resposta é bem obvia, mas a direi do mesmo jeito, foi Frannie e a forma espetacular dela me mostrar o mundo. Se bem me recordo tinha começado a chover quando paramos na rua principal, mas ao contrário do que muitos fazem, não tentamos nos esconder da chuva, nem corremos para nos abrigar dos furiosos pingos que despencavam do céu. Frannie me abraçou por trás e me disse para fechar os olhos, sentir o mundo ao redor, e enquanto sussurrava em meu ouvido, eu descobria as pequenas coisas da vida que para a maioria eram apenas detalhes insignificantes. Eu já não via o mundo com os olhos, eu o sentia completamente. Cada figura naquele lugar, cada som, cada grito, cada cheiro... fazia parte de um todo, e era muito maior do que eu... foi ali, em meio a tantas sensações e ruídos, que descobri que queria fazer do todo e não ser mais uma dentre muitos que passam despercebidos pelo mundo.

— Ei garota!  Vai ficar aí o dia todo? Está atrapalhando a passagem — O motorista do taxi gritou de maneira grosseira, despertando-me dos meus pensamentos. Não era para menos, eu tinha merecido sua falta de cortesia por estar simplesmente parada no meio da rua, as vezes perdia a noção do tempo e do espaço onde me encontrava.

— Desculpe — Gritei de volta, apressando meus passos para atingir a calçada, tentando não trombar com tantas pessoas pelo caminho.

Eu tinha deixado o hospital a pouco, mamãe estava de plantão e eu não a tinha encontrado em casa, tinha deixado o acampamento para fazer uma visita repentina, e quem sabe, ganhar um colo diferente enquanto respirava um pouco de normalidade. Eu não era comum, sabia disso, mas me acostumar com a ideia não estava sendo uma tarefa fácil, afinal, em 19 anos de vida já tivera o destino brincando comigo pelo menos três vezes, não queria nem conhecer uma quarta.

Eu pretendia dar apenas uma volta, não queria me demorar muito para voltar... tinha vestido de maneira simples, short jeans curto, camiseta básica, tênis all star e nenhum acessório se não aquele ridículo colar do acampamento meio sangue. Eu não sabia o motivo de estar com ele, mas me sentia confortável de ter algo comigo que me lembrasse que agora aquele mundo já não me pertencia. A triste realidade de tudo isso, é que não era o mundo que tinha mudado, era eu quem estava diferente... tinha aberto os olhos para a realidade.




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