The Blood of Olympus
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Mensagem por Enzo A. E. Hawley em Qui Abr 25, 2019 8:11 pm

▬Fixas


Preparem-se para encrenca... encrenca em dobro! Enzo e Enzo se preparando para confusão, rendam-se agora ou preparem-se para surtar!

Legal, é isso ai.



Enzo Amelia Earhart Hawley
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Celestiais de Éter
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Mensagem por Enzo A. E. Hawley em Qui Abr 25, 2019 8:15 pm



Reino da Fantasia

Era uma daquelas noites em que parecia que todos tinham desaparecido, ninguém respondia mensagens e cada um cuidava da própria vida, me deixando sozinho e completamente entediado.

Tentei ligar para casa mais cedo por mensagem de Iris, mas Georgina explicou que nossas mães não estavam em casa e sua falta de interesse em me responder deixou claro que a pequena estava distraída demais em seu próprio mundo para me dar bola.

Acabei desistindo de conversar com ela e encerrei a mensagem deixando um breve beijo para minhas mães. Agora me arrependia disso porque preferia ficar observando minha meia irmã desenhando nas paredes do seu quarto do que ficar deitado em uma cama olhando o teto.

Maisie estava ocupada naquela noite com um tal de Seel, que eu precisava perguntar quem era o mais rápido possível, afinal que tipo de melhor amiga não conta uma fofoca quente como essas para a pessoa que está ao lado dela o tempo todo!?

Sim, eu estava um pouco indignado com isso.

Os celestiais tinham saído em suas próprias missões e Amber – a única pessoa que parecia não estar totalmente ocupada naquela noite – não era intima o suficiente da minha pessoa para querer me receber, embora a ideia de perturbá-la fosse bastante tentadora.

Suspirei desistindo de atormentar meus pensamentos com o fato de ter sido abandonado e me ergui da cama, apenas para poder abrir a gaveta da escrivaninha e puxar dali um objeto peculiar que provavelmente ninguém entendia. O parafuso estava meio amassado nos cantos, mas ainda era uma lembrança clara de quem eu era e de onde vinha.

Josephine tinha me dado ele dois dias antes de eu ir pra Nova Roma, me dizendo que não importava a distância em que estivesse dela, desde que tivesse o parafuso amassado comigo eu ficaria bem. Era como uma promessa de que não importava onde ela estivesse ou eu estivesse, de alguma forma minha mãe sempre estaria por perto.

Fechei o objeto gelado por entre os dedos e a sensação de familiaridade preencheu meu peito por completo, me arrancando um sorriso breve antes que eu voltasse a me jogar na cama e o erguesse por entre os olhos. Apenas para no minuto seguinte ter ele surrupiado de minhas mãos por uma criatura rápida, branca e com olheiras pontudas.

O susto foi tão grande que me fez reagir na defensiva e entrar em modo de batalha para atacar o intruso, que não sei como entrou no meu quarto. O coelho estava usando palito e relógio e seu sorriso era de um espertinho pronto para aprontar com alguém. Nesse caso, o alguém era eu claramente, porque o coelho balançou meu objeto por entre os dedos, o jogou para cima e pegou novamente antes de sair correndo para fora em um sinal claro de provocação.

— Ei! Me devolve isso! — Gritei antes de disparar atrás dele, correndo pelos corredores do palácio celestial e derrubando coisas pelo caminho. Merda! Kalka iria me punir pela confusão que eu estava causando, mas em minha defesa era tudo culpa daquele coelho!

Saímos para o lado de fora e corremos em direção ao templo de Éter. O coelho subiu a escadas e se esgueirou por entre as sombras, até parar em um canto afastado no qual eu nunca tinha estado até aquele momento. O lugar parecia um buraco e era grande o suficiente para um adulto se infiltrar sem dificuldade, e adivinha por onde o coelho sumiu? Isso mesmo, ele se enfiou ali dentro e me obrigou a ir atrás dele, porque não importava o quanto o parafuso pudesse parecer insignificante, para mim ele era algo valioso e eu me recusava a perdê-lo.

O que eu não esperava era que aquele túnel fosse me puxar para baixo rapidamente, me fazendo cair de um jeito assustador que me fez prender a respiração por um momento antes que eu estivesse do outro lado. Quando dei por mim já tinha caído em um monte de terra e folhas. Arvores surgiram ao meu redor e o céu ficou claro novamente, como se um minuto atrás não estivesse noite. Pisquei confuso com a cena, mas bastou que eu me levantasse para que a voz da floresta sussurrasse em meu ouvido.

“Bem-vindo a floresta encantada”

E como num passe de mágica meu parafuso apareceu, mas o coelho que me trouxera ali não estava em nenhuma parte, tinha desaparecido.

Itens levados:

• Sleeping [Canudo de plástico resistente, acompanhado de um pequeno frasco com dez mini-dardos que podem ser colocados e soprados pelo canudo. | Efeito 1: Os dardos possuem uma poção do sono em sua formação, e, quando soprados pelo canudo, que atingem o inimigo, são capazes de deixá-lo adormecido por um turno. | Efeito 2: O canudo pode ser utilizado para tomar qualquer líquido, tendo o poder de deixá-lo sempre quente ou sempre gelado. | Os dardos somem da mochila após serem todos usados, ficando apenas o canudo para uso do segundo efeito. | Plástico, metal e poção do sono | Sem espaço para gemas | Status dos dardos 10/10 | Mágico | Evento de Verão]

• Acheron [Uma espada de 70cm bastante peculiar. A lâmina possui dois cortes, ou seja, possui dois gumes afiados. O metal predominante é o Bronze Celestial, cravado em seu corpo metálico está palavras em enoque – língua dos celestiais – que confere a arma uma benção-maldição. A guarda mão da espada é um dos pontos mais belos, pois possui o formato de asas. Sua empunhadura é feita de madeira reforçada e com ondulações suaves que melhoram a forma de segurá-la. | A espada pode se transformar em um chaveiro com um pingente de sua miniatura. Ela sempre retorna ao celestial depois de perdida, em sua forma de acessório; e, ao ser empunhada por um ser não celestial, a espada se torna extremamente pesada, ao ponto de nem mesmo os dotados com força apurada podem levantá-la. | Bronze Celestial. | Não possui espaço para gemas. | Resistência beta. | 100%, sem danos. | Nível 3. | Lendária. | Presente de Reclamação do grupo Celestiais de Éter.]

• Billy Club [Dois bastões de tamanho mediano, com cerca de 45cm cada. Podem ser unidos pela extremidade, sendo transformado em um único bastão que se alonga até formar um metro e meio. | Mecanismo: capacidade de se transformar em um bastão de até 1,5m ou reduzir para 20cm para facilitar transporte | Efeito 1: Ligado ao seu portador através de magia, este pode arremessar o item e trazê-lo para si quando desejar. Após usar essa habilidade três vezes, é necessário esperar um turno para usá-la novamente.; Efeito 2: Combinadas as runas de ar e energização, o item é abençoado pelo elemento. Ao doar 20MP o bastão fica revestido por uma corrente de ar forte que vai aumentar a força de impacto. Acrescenta +20% de dano, com chances de causar atordoamento ou desequilíbrio.| Efeito épico: + 15 de dano ao usar qualquer habilidade elemental. | bônus de forja: 15% de dano; bônus de FPA e épico: +45 de dano | Vibranium | Super alfa | Espaço para 2 gemas | Status 100% | Épico | Forjado por Nikolaev]

• Poção de Cura 2 [Frasco médio de poção de cura no sabor morango. | Efeito: Recupera 300 HP e MP de quem consumiu a poção. | Desconhecido | Sem espaço para Gemas | Uso único, some após ser usado | Gama |Status2: 100% sem danos | Mágico | Evento de Verão](x3)

• Poção de Cura 1 [Frasco pequeno de poção de cura no sabor morango. | Efeito: Recupera 150 HP e MP de quem consumiu a poção. | Desconhecido | Sem espaço para Gemas | Uso único, some após ser usado | Gama |Status: 100% sem danos | Mágico | Evento de Verão] (x2)

• Poção de Cura 4 [Frasco gigante de poção de cura no sabor morango. | Efeito: Recupera 500 HP e MP de quem consumiu a poção. | Desconhecido | Sem espaço para Gemas | Uso único, some após ser usado | Gama |Status: 100% sem danos | Mágico | Evento de Verão]

• Afugentador [Um apito de prata com um cordão de corda negra, a baixa temperatura do metal faz o semideus sentir como se o objeto estivesse congelado. | |Efeito único: Ao soprar esse apito o semideus é capaz de afugentar fantasmas de volta para o submundo. Funciona apenas com um fantasma por vez. | Desconhecido | Sem espaço para Gemas | Sigma |Status: 100% sem danos | Mágico | Evento de Verão]

• Marcador Chama Ardente [Um marca texto rosa com desenhos em runa por toda sua extensão. Ele brilha em prateado quando seu efeito é ativo. | Efeito: Ao fazer um risco em qualquer armamento ou item de defesa esse ganhara propriedades de fogo. Em armamentos amplifica o dano em +20, em equipamentos de defesa aumenta a defesa e resistência contra o elemento em +30. Semideuses sem defesa ao elemento ainda podem se machucar se não usarem o marcador com cuidado. | Desconhecido | Sem espaço para Gemas | Beta |Status: 100% sem danos | Mágico | Evento de Verão]

• Dynasdor [Uma espécie de bolinha que ao ser atirada no chão libera uma luz magica que circula o corpo do semideus, o fazendo parecer que está brilhando em tons azul. | |Efeito único: Restaura a barra de HP do semideus e as feridas em seu corpo com regeneração acelerada, o impedindo de perder HP durante dois turnos. | Desconhecido | Sem espaço para Gemas | Sigma |Status: 100% sem danos | Uso único, some ao ser utilizado | Mágico | Evento de Verão]

• Pasta Corrosiva [Um mini tubo de pasta de dente que cabe na palma da mão. Basta abrir a tampa e apertar o tubo para que a mágica seja feita. | Efeito: O liquido corrói qualquer tipo de material de resistência beta para baixo, criando pequenos buracos no local atingido. Em carne humana, de monstros e animais pode causar feridas graves que retiram 20% do HP. A quantidade no tubo permite atingir uma area de apenas 10 centimetros. | Desconhecido | Sem espaço para Gemas | Uso único, some após ser usado |Beta |Status: 100% sem danos | Mágico | Evento de Verão]

• Marcador Azul Cintilante [Um marca texto azul claro com desenhos em runa por toda sua extensão. Ele brilha em prateado quando seu efeito é ativo. | Efeito: Ao fazer um risco em qualquer armamento ou item de defesa esse ganhara propriedades de vento. Em armamentos amplifica o dano em +20, em equipamentos de defesa aumenta a defesa e resistência contra o elemento em +30. Semideuses sem defesa ao elemento ainda podem se machucar se não usarem o marcador com cuidado. | Desconhecido | Sem espaço para Gemas | Beta |Status: 100% sem danos | Mágico | Evento de Verão]

• Marcador Beija-Flor [Um marca texto laranja com desenhos em runa por toda sua extensão. Ele brilha em prateado quando seu efeito é ativo. | Efeito: Ao fazer um risco em qualquer armamento ou item de defesa esse ganhara propriedades de terra. Em armamentos amplifica o dano em +20, em equipamentos de defesa aumenta a defesa e resistência contra o elemento em +30. Semideuses sem defesa ao elemento ainda podem se machucar se não usarem o marcador com cuidado. | Desconhecido | Sem espaço para Gemas | Beta |Status: 100% sem danos | Mágico | Evento de Verão]



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Mensagem por Athena em Sab Abr 27, 2019 5:46 pm


Avaliação


Método de Avaliação:

Valores máximos que podem ser obtidos

Máximo de XP da missão: 500 XP e Dracmas

Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

Realidade de postagem + Ações realizadas: 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc: 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência: 30%

RECOMPENSAS:
500 XP e 500 Dracmas + 1 Fragmento.

Atualizado!


Palas Athena...
Sometimes the power must bow to wisdom. You can be strong, may have power, but if you are wise, you are all well. And more than that, yes you can defeat them. Once warned that to save the world destruiri you-your friends, maybe I was wrong.
Athena
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Deuses Olimpianos
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Mensagem por Enzo A. E. Hawley em Dom Maio 05, 2019 4:03 pm



Reino da Fantasia


MISSÃO PARA MASCOTE

As ordens do Rei – Sua mascote acabou se perdendo na floresta encantada e foi parar nas terras do rei, onde Simba está precisando de um herói para ajudá-lo a atravessar a terra das Hienas e resgatar Timão e Pumba, que para variar se meteram em enrascada. Narre uma aventura como se você fosse a sua mascote (interpretando-o) e ajude Simba a resgatar seus amigos na terra das Hienas.
Observação: Seu personagem não tem participação ativa nessa missão, é literalmente narrar sendo a sua mascote, do ponto de vista dele.
Recompensas: 600 XP (para a mascote) e 3.000 Dracmas + 3 Fragmentos.
Requisito mínimo: Nível 3. (Da mascote)

Para alguém tão pequeno o mundo pode ser tremendamente assustador, ainda mais quando sua vida muda bruscamente e tudo que você conhecia desaparece em um piscar de olhos.

Foi o que aconteceu comigo.

Eu não sei como vim parar aqui, mas de alguma maneira me recordo desse lugar, da origem dele quando eu ainda era pó e flor. Nós, animais mágicos do reino das fadas nascemos de sopros entre dentes de leão. Começamos em qualquer reino, mas sempre paramos no mesmo lugar.

Somos alimentados e crescemos do pólen e então florescemos junto a magia antes de sermos enviados para reinos distantes a fim de nos adaptar. Acontece que também existimos nesse outro mundo por um motivo e quando esse motivo desaparece a tendência é voltar ao início e começar a jornada novamente.

Era por isso que eu estava tremendo, mesmo com o sol irradiando forte ao meu redor, aquecendo aquele reino bonito que já não me pertencia. Sim, eu estava tremendo, com o corpo gelado e a mente confusa, triste, abatida e solitária por finalmente perceber que estava sozinha.

Como era o nome daquela que havia partido e porque ela tinha me deixado?

Minha mente turva estava enevoada, lembro-me de pertencer a outro lugar, mas não consigo me lembrar do porquê não estava mais nele e perder algo que se tem, mesmo que você não saiba o que é, pode soar tremendamente triste.

Estremeci de novo, olhando ao redor um pouco nervosa com aquele ambiente. Tudo ali era tão grande que eu me sentia pequena, até minhas asas se encolhiam! Era tudo tão...

RAWWWN

O rugido fez com que eu recuasse para dentro das folhas a fim de esconder meu corpo do perigo. Porém isso não foi suficiente, a grande fera saltou no ar acima da minha cabeça, suas patas deixaram minha pele gelada e explosiva, quando dei por mim já estava brilhando como um arco íris para chamar atenção. Eu era verde, mas naquele momento ficava azul, roxo, amarelo e vermelho enquanto espirrava de nervosismo. Droga! Eu tendia a ficar muito sensível quando algo me assustava ou irritada e tenho certeza de que foi isso que atraiu a atenção do leão.

— Quem ousa invadir as terras do reino — A voz firme perguntou.

— Eu, eu...

Atchim

Outro espirro preencheu o ar enquanto minhas cores mudavam novamente, me deixando envergonhada por aquela situação. O leão se curvou me observando melhor, cheirou meu corpo e então se afastou satisfeito com algo que tinha encontrado.

— Inofensivo — Constatou por fim, me fazendo suspirar aliviada por ainda não estar morta. — Gosto do jeito que você pisca como as luzes do céu, gostaria de me ajudar? Séria uma ótima distração para as hienas, preciso resgatar uns amigos — O leão explicou, me fazendo encolher mais uma vez.

Ele queria me dar para as hienas? Eu não queria virar comida e só a visão disso me deixou ainda mais agitada, com os olhos arregalados e o corpo tremendo.

— Não, não é isso! Calma — O leão se apressou a me acalmar. — Timão e Pumba se meteram em encrenca enquanto cuidavam da minha filha. Kiara é um pouco inconsequente e tentou ir além das terras do reino, Timão e Pumba foram ajudar e acabaram presos com as hienas, mas minha filha voltou a tempo para me avisar e agora estou indo até eles sem nenhum plano — O leão confessou. Ele andava de um lado para o outro, mas sua postura agitada estava me deixando confusa e não ajudava a acalmar meus nervos.

— O que quero dizer é que talvez se você fosse comigo, conseguisse me ajudar a distrair as hienas para que eu possa libertar os dois, então todos fugimos — Explicou o plano enfim, me fazendo suspirar por saber que não viraria comida.

Pensei por um momento na proposta do rei leão e cheguei à conclusão de que, se o ajudasse, talvez conseguisse a informação que precisava para encontrar meu verdadeiro lar.

— Estou procurando alguém também, se eu te ajudar, você me ajuda a chegar até ele? — Perguntei antes de sair do meio da folhagem, deixando que minhas cores voltassem a tonalidade verde e normal.

— Mas é claro! Um rei nunca esquece esse tipo de acordo, eu a ajudaria com certeza — Ele afirmou, me fazendo sorrir antes de acenar com a cabeça.

— Então eu ajudo, ajudo sim! Ajudo agora, podemos partir — Me agitei toda e minhas cores voltaram a mudar para tons mais alegres, azul, rosa e violeta preencheram minha pele, fazendo o Leão rir antes de abaixar e me pegar pelo rabo, literalmente me erguendo em sua boca.

Levei um susto tão grande que de rosa fui para preto antes de voltar a cor original assim que o Leão começou a correr. O mundo ali de cima era diferente, me fazia sentir grande e poderosa, como se pudesse mesmo fazer de tudo. Contudo, eu não pude apreciar todos os detalhes porque Simba era rápido e a agitação ao meu redor fazia algumas imagens desaparecerem em meio a borrões, algo curioso na perspectiva de alguém tão pequeno e lento.

— Sua língua está tocando minhas asas, que nojo! — Resmunguei fazendo uma careta, mas o leão não respondeu porque bem, estava com a boca ocupada me segurando.

O leão acelerou o passo e saltamos por dentro das arvores para um lugar mais denso e deserto, onde ossos se acumulavam sobre a terra e as pedras pareciam feitas de barro vermelho. O clima ali era diferente, o sol era mais quente e o lugar aberto era tão assustador que ficava difícil não arrepiar.

Simba me colocou sobre o solo e pediu silencio, então farejou o ar algumas vezes antes de me pedir que o acompanhasse. Seus amigos não deviam estar longe a essa altura, porque o leão passou a se mover mais devagar, procurando, desvendando e farejando.

Em meio a isso a primeira Hiena surgiu, me fazendo brilhar em amarelo como sinal de alerta. Simba percebeu e jogou nossa oponente para o lado, a derrubando e cravando os dentes em seu pescoço antes que ela chamasse os amigos. Fiquei totalmente assustada com sua reação e passei a brilhar ainda mais, sem controle da minha explosão de cores.

— É por isso que te trouxe — Ele sorriu antes de me abocanhar novamente e sair correndo para o campo aberto, me largando apenas quando chegamos em uma espécie de entrada no início de uma caverna.

— Eis o que faremos, eu vou te colocar naquela arvore e você vai gritar o mais alto que conseguir para atrair atenção, as Hienas vão te ver e bem — Ele deu de ombros — Carne fresca e brilhante, elas vão se amontoar a sua volta então suba o mais alto que conseguir na arvore e aguente uns minutos, enquanto você distrai as hienas eu vou pegar Timão e Pumba e depois volto te resgatar. Serei rápido e tudo que precisara fazer é saltar em minhas costas no meio da fuga tudo bem? — Assenti nervosa mesmo não gostando do plano.

Simba então me ajudou a subir em uma das arvores e eu escalei mais para cima, ficando escondida por entre as folhagens enquanto ele se esgueirava por trás de uma das pedras na entrada da caverna. Ele deu um sinal e entendi que era a deixa para fazer minha parte, então gritei bem alto.

— CARNE FRESCA A VISTAAAAA — E pronto, como magica as hienas saíram, mas nada encontraram a princípio, porém o nervosismo ativou minhas cores novamente – exatamente como o rei leão dissera – e o amarelo, verde e rosa brilhante fizeram as hienas me encontrarem rapidamente. Mais delas saíram na caverna e quando dei por mim tinha pelo menos dez circulando a arvore, rindo e falando o quanto eu parecia deliciosa e o quanto elas estavam famintas.

Elas pulavam alto para me assustar, batiam contra a arvore e me obrigavam a agarrar mais o galho e as folhas enquanto as olhava assustada. Elas riam entre si, disputavam e brigavam e enquanto isso, Simba agia dentro da caverna, mas parecia estar demorando demais.

Eu não sabia quanto tempo podia aguentar aquilo, mas descobri que era pouco quando uma das Hienas bateu mais forte na arvore e a agitou me derrubando para frente a ponto de me deixar dependurada no galho. Nesse momento um rugido alto preencheu o ar, Timão gritou algo e Pumba peidou no meio das hienas, fazendo todas se agitarem e saírem correndo com o fedor. O rei leão então saltou por cima delas e eu me desprendi do galho bem a tempo dele me abocanhar e sair correndo junto aos amigos.

A correria e confusão fez com que as hienas demorassem a reagir, dando o tempo de Timão, Pumba e Simba se apressarem para fora da terra dos renegados e invadirem novamente a terra dos reinos, onde as hienas já não nos perseguiriam.

Mascote:

Pascal (Fêmea) [Nome: Pony]

Pascal
Aparentemente um camaleão sapeca, pascal gosta de carinho então de um pouco a ele e ganhou um amigo fiel para sempre. Quando fica irritado o bichinho começa a espirrar e como consequência muda de cor, desde roxo a azul pode ficar laranja, vermelho e amarelo, entre outras cores. Suas asas são verde esmeralda e se camuflam a pele original do bichinho.
Tamanho: (Chegam a medir no MÁXIMO 30 cm)
Personalidade: Carinhoso, sapeca, divertido.
Classe: Mágico
Tipo: Lendário
Nível do mascote: 1
HP e MP: 100/100
Lealdade: 100% leal
Quantidade no mundo: 2 (um macho e uma Fêmea)




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Mensagem por Enzo A. E. Hawley em Dom Maio 05, 2019 9:12 pm



Reino da Fantasia


O primeiro ataque ao castelo sombrio tinha sido um verdadeiro sucesso e dera a Alice confiança suficiente para nos passar informações a fim de investigar a situação dos outros reinos. A ideia era conseguir o máximo possível de tempo e garantir que os outros contos de fada não fossem atingidos. Por conta isso fomos divididos em equipes e enviados para os outros reinos com a promessa de que nos encontraríamos dali alguns dias para realizar nossa segunda missão.

Eu tinha sido designado como parte da equipe de Arendelle, um lugar com montanhas de gelo e um vilarejo aconchegante governado por uma jovem rainha chamada Elsa. O povo parecia adorar a jovem garota que protegia o reino com uma magia elemental única herdada ainda na infância, que aparentemente já tinha causado problemas para o reino até ela conseguir controlar.

Anna, sua irmã mais nova tinha sido a pessoa responsável por ensinar o povo a adorar sua rainha e era também a garota que tinha desaparecido a algumas horas atrás. Era por causa dela que eu tinha conquistado minha primeira missão.

Eu tinha seguido as pistas de Anna até as montanhas de neve. O ar gelado estava pinicando meu rosto e as roupas grossas não pareciam ser suficientes para me fazer suportar o frio. Eu não tinha ideia de como encontrá-la por entre os morros rochosos, mas continuava a andar pelas montanhas na tentativa de encontrar pedaços de tecido, pegadas ou qualquer que denunciasse o paradeiro da garota.

Mas tudo que consegui foi uma queda.

Eu tinha atingido um dos morros de neve escorregadio e me inclinei demais para ver o horizonte, o vento forte amorteceu minha queda, mas não me impediu de rolar montanha abaixo como uma bola de neve. Meu corpo inteiro gelou em contato com os montes macios, choquei-me algumas vezes com as coisas ao meu redor, mas a inclinação e a estrutura não impediram meu corpo de parar nenhuma vez. Quando dei por mim já estava embaixo da montanha e firmemente fincado a neve, exatamente como a cenoura ao meu lado.

Pelo menos ninguém viu... Pensei antes de completar com um:

— Eu sempre quis saber qual era a sensação de ser um picolé de qualquer maneira — Dei de ombros, tirei os braços da neve e levei aos cabelos para tirar o excesso de gelo dos meus fios dourados.

Foi em meio a isso que eu os senti. A presença veio junto com a brisa fria e me fez ter certeza de que não estava sozinho. Puxei meu corpo mais para cima a fim de me livrar da neve e então dei de cara com a cena mais inusitada que já tinha presenciado na minha vida.

Um pouco mais a frente um boneco de neve brigava com uma rena ou algo parecido, já que nunca tinha visto uma rena na vida e nem sabia que bonecos de neve falavam. Minha cabeça tinha tombado para o lado e eu assistia aquilo como se estivesse vendo uma novela com uma das cenas mais engraçadas e impactantes. Afinal, a rena parecia emburrada e triste, bufava enquanto o boneco de neve o acusava sobre seu nariz.

Arqueei a sobrancelha por conta dessa última parte e encarei a cenoura cravada ao meu lado. Por algum motivo estranho eu desconfiava que ela tinha algo a ver com aquilo e justamente por isso resolvi me aproveitar. Eu ainda estava preso a neve e não tinha como tirar meu corpo soterrado sozinho, mas aquela rena era grande o suficiente e podia me ajudar desde que eu negociasse da maneira correta.

Foi por isso que fiz uma bola de neve grande o suficiente antes de atirá-la em direção aos dois protagonistas de novela. — Ei vocês! Podem me ajudar? — Perguntei alto assim que ambos se viraram em minha direção. Os dois me encaravam por um tempo, mas decidiram por si mesmos que eu não tinha importância no momento e simplesmente voltaram a brigar.

Bufei por conta disso e agitei os braços antes de gritar novamente. — Eu sei onde está seu nariz e sei como provar a inocência do seu amigo — Minha segunda tentativa de conseguir ajuda deu certo por algo em minha fala, e eu tinha certeza que a palavra chave tinha sido “nariz”, porque o boneco de neve se animou e a rena me encarou como se eu fosse seu herói.

A dupla se aproximou rapidamente para ouvir o que eu tinha a dizer. Cuidei com meus movimentos e não olhei para o lado deixando que ambos estivessem com a atenção pregada em mim antes de voltar a falar. — Primeiro, você desabou do morro certo? — Eu desconfiava disso pelo que tinha encontrado ao meu lado e porque bem, tinha acontecido a mesma coisa comigo.

— Oi! Eu sou Olaf e eu gosto de abraços quentinhos! — O boneco se apresentou, falando de um jeito engraçado pela falta do nariz. — E esse é o Svan, ele adora comer meu nariz — O boneco acusou antes de olhar de cara feia para o amigo, que devolveu o olhar antes de abaixar os olhos tristemente.

— Bem, não foi ele que pegou seu nariz dessa vez e eu posso provar, se... — Deixei no ar antes de abrir um sorriso. — Me ajudarem a sair daqui, estou entalado e não consigo me puxar para cima sozinho — Expliquei frustrado, fazendo ambos me encararem desconfiados antes de sorrirem e concordarem.

Eles eram fáceis demais de enganar e eu tinha pena deles por isso. Se fossem amigos dos filhos de Afrodite os dois estariam ferrados! Para sorte de ambos eu dizia a verdade, eles me ajudariam e eu resolveria o problema deles.

Svan se aproximou e me deixou agarrar seus chifres. Olaf por sua vez ajudava incentivando o amigo que me puxou para trás algumas vezes, até que finalmente conseguiu me tirar do buraco. Agradeci por isso, porque mais um pouco e meu amigo deixaria de funcionar, o coitado estava todo encolhido de frio na minha cueca.

— Muito bem, agora que me ajudaram vou cumprir minha promessa — Sorri antes de apontar para o lado em direção a cenoura afundada na neve. — Seu nariz está ali Olaf e obrigada pela ajuda Svan — Enfiei as mãos nos bolsos para aquecê-las, Olaf soltou um grito e Svan lambeu minha cara – que nojo!

Bom, pelo menos eu tinha feito novos amigos, era um começo e a melhor parte era que agora eu talvez tivesse pistas sobre o paradeiro de Anna, pois os dois malucos ali poderiam me ajudar a encontrar a princesa perdida.

Cadê o nariz?! : Como de costume, Olaf sempre se metia em confusão. Durante os passeios feitos por Arendelle, depois de uma grande queda de um barranco, o boneco de neve perdeu seu nariz feito de uma cenoura. Olaf insistia em dizer que Sven, a rena, tinha papado a sua cenourinha. Convença Olaf de que ele foi o responsável pela perda do próprio olfato e ajude-o a achar!
Recompensas: 2.500 XP e Dracmas + 2 Fragmentos
Requisito mínimo: Nível 1.



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Mensagem por Hefesto em Seg Maio 06, 2019 1:03 pm


Enzo Hawley


Método de Avaliação:

Valores máximos que podem ser obtidos
Às ordens do Rei (Missão para mascote):
Máximo de XP da missão: 600 XP (para a mascote) e 3.000 Dracmas + 3 Fragmentos.

Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

Realidade de postagem + Ações realizadas: 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc: 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência: 30%

RECOMPENSAS: 600 XP (para a mascote) e 3.000 Dracmas + 3 Fragmentos.

Comentários:

Senhor Hawley, devo dizer que a narração de sua mascote foi ótima. Me fez visualizar claramente tudo o que acontecia na cena. A utilização da mudança involuntária de cores foi um excelente trunfo. Espero ver mais aventuras de sua mascote no evento. Só tome cuidado, pois a descrição da mascote ficou com a fonte negra, precisando selecionar o texto para ser lido.


Método de Avaliação:

Valores máximos que podem ser obtidos
Cadê o nariz?!:
Máximo de XP da missão: 2.500 XP e Dracmas + 2 Fragmentos

Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

Realidade de postagem + Ações realizadas: 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc: 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência: 30%

RECOMPENSAS: 2.500 XP e Dracmas + 2 Fragmentos

Comentários:

Agora vamos falar sobre você, Senhor Hawley. Creio que, dentre todas as missões que eu avaliei neste evento, a sua foi uma das mais divertidas e gostosas de ler. A naturalidade com a qual você descreveu toda a situação poderia muito bem ser encarada com uma cena do filme. Só peço para que se atente ao nome dos personagens, pois você trocou Sven por Svan. Não é passível de desconto, mas fica a clássica dica da revisão antes de postar o texto.

Atualizado por Athena

Hefesto
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Deuses Olimpianos
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Mensagem por Enzo A. E. Hawley em Qua Jun 19, 2019 10:52 pm

Amélia
o belo adormecido
O dia em que morri para nascer de novo.

— Recebemos uma mensagem com um pedido urgente de socorro, precisamos investigar o terreno antes que seja tarde demais — Alice estava de pé na mesa de chá onde aconteciam todas as nossas reuniões, mesmo que essas fossem geralmente destinadas as nossas aventuras e emboscadas a Josh, o vilão das trevas.

Entretanto dessa vez era diferente e tudo porque nossa próxima emboscada levaria tempo para ser construída e articulada sem deixar brechas que pudessem nos prejudicar. Por conta disso Alice resolvera enviar a ajuda dos heróis aos outros reinos e era justamente por isso que estávamos em reunião.

— Que tipo de pedido era esse? — Um dos integrantes perguntou em voz alta o que todos nós estávamos pensando.

— Veio como um dos papéis queimados pela fada azul, mensagens que representam urgência e só são enviadas em casos críticos — Alice apoiou o pedaço de papel queimado sobre a mesa, deixando-nos ver uma mensagem escrita em azul. — Foi enviada com um pedido de ajuda e é do reino de Philip e Aurora, algo aconteceu e o príncipe deve ter enviado isso antes de se aventurar em busca de ajuda, ele não podia esperar que o bilhete nos alcançasse então não sei como está a situação do lugar. — Concluiu a garota.

— E o que sugere que façamos? — Perguntou uma das garotas sentada a minha frente.

— Uma exploração, um de nós vai até lá coletar informações e retorna para buscar o resto, não sabemos o que estamos enfrentando e não é seguro enviar muitos sabendo que o pior problema está aqui — Alice explicou.

— Eu vou, sei como me camuflar sem ser visto e sou rápido o suficiente para sair da mesma maneira — Inclinei o corpo para frente antes de completar. — Consigo retornar em uma hora se me disser a direção certa.

— Perfeito, venha vou te mostrar como chegar ao reino inglês.

...

Alice me deu todas as coordenadas para que eu chegasse ao reino de Aurora em segurança. As trilhas da floresta eram mais bem estruturadas do que eu pensava e isso tornou fácil para mim seguir pelo caminho corretor sem correr muitos riscos. A floresta encantada podia estar cheia de armadilhas e criaturas, mas nenhuma delas parecia estar interessada em um garoto como eu.

Eu era como o vento, não fazia barulho, não tinha grandes odores para espalhar e era furtivo o suficiente para passar despercebido. As pessoas me sentiam, não me viam e essa era a jogada crucial para conseguir as informações que precisava naquela missão.

O que eu não esperava era que fosse encontrar um local deserto e silencioso que me deixou prontamente desconfiado, ativando minha hipersensibilidade de um jeito gritante. Eu podia sentir corpos no meio do ambiente, animais de pequeno, médio e grande porte há poucos metros de distância. Mas era mais que isso... tinham pessoas naquele meio também, várias delas e em toda parte. Então por que diabos elas não provocavam ruídos?

Meu coração acelerou e a adrenalina em meu corpo se tornou mais presente. Meus passos se tornaram incertos e conforme eu avançava pela floresta de maneira cuidadosa e adentrava aquele reino, mais daquele estranho poder eu sentia. Era como uma aura circulando todo o lugar e penetrando meu corpo lentamente, até que eu fosse completamente envolvido por ela e deixasse que ela me tomasse.

Aconteceu quando passei por uma parte específica do reino que me deu uma visão do todo e me deixou horrorizado. A última imagem em minha mente foi a de milhares de corpos empilhados e adormecidos antes que eu, um pobre herói mortal me juntasse a elas.
...
Minha mente foi levada para um salão de fogo. Eu tentava correr para a saída, mas sempre que conseguia encontrá-la uma nova cortina de chama e fumaça aparecia a minha frente e circulava ao meu redor, me deixando preso ali dentro e sem ter como voltar.

— Me deixa sair — Rosnei frustrado, correndo na direção oposta as chamas, que me circularam mais uma vez. Eu nunca chegava muito perto delas, nem elas tentavam tomar meu corpo, era apenas como se eu precisasse ficar ali naquele salão. — Alguém? Eu preciso de ajuda!

Gritar não adiantava, eu tinha sido pego por uma fabula antiga que me recordava da infância, afinal tinha uma irmã mais nova apaixonada por princesas e contos de fada. A cena que me fizera adormecer ficara gravada em minha mente, mas também me fizera recordar daquela antiga maldição. Eu agora era a princesa Aurora preso a maldição do sono, uma maldição que por fora poderia parecer inocente. Mas que por dentro tomava meu corpo, minha alma e meus pensamentos, me deixando vulnerável para algo que eu não conhecia.

— Amélia... — Virei para o lado em busca da voz, mas nada encontrei.

— Amélia... — Repetiu ela de novo, me fazendo virar para o outro lado.

— Amélia... Amélia... Amélia...

Mais vozes se juntaram a primeira, enquanto imagens surgiam a minha volta. Eu não me chamava Amélia, mas aquele nome me parecia estranhamente familiar. Onde já o tinha ouvido?

— Amélia, Amélia — Rostos começaram a surgir por entre as chamas, mas tão rápido quanto apareciam também desapareciam em meio a dança causada por elas.

— Amélia... — Uma mão humana surgiu por entre o fogo e meu corpo instintivamente recuou um passo antes que aquela voz penetrasse minha mente, me levando a ruína de um passado distante, que eu insistira em esquecer.

— Ames...

Fazia tanto tempo...

Tanto tempo desde que eu tinha morrido.

...

Acampamento meio sangue, 1937

As vozes ao meu redor tinham se tornado um zumbido. Minha mente processava o ambiente, mas não a confusão que se instalara na Casa Grande por conta da última informação. A guerra estava apenas começando, mas já trazia graves consequências para o mundo dos semideuses. Nossa última batalha tinha terminado em tragédia, a equipe de Hitler emboscara parte dos nossos soldados da floresta e o resultado tinha sido aterrorizante. Ninguém sobrevivera para contar a história.

Fechei os olhos e massageei as têmporas, mas a dor de cabeça não cedeu. Elas tinham se tornado mais frequentes nos últimos dias e estavam me deixando louca. De certa forma, era como se eu já tivesse vivido tudo aquilo e algumas vezes a sensação era tão forte que me fazia estremecer. Sempre que acontecia, a enxaqueca vinha com força e de maneira inoportuna, geralmente nos momentos mais inapropriados possíveis, porque, bem, me distraíam e me tiravam o foco da batalha e do ambiente em que eu estava. Em outras palavras, eu deixava de vivenciar o agora para tentar compreender algo que não entendia.

— Ames — Uma mão delicada me tocou o ombro e me fez erguer a cabeça de maneira perdida, só naquele momento reparando que todos na sala tinham ficado em silêncio e agora me olhavam como se eu fosse uma aberração. O que de fato eu era.

— Perderam algo? — Perguntei rude, sem conseguir controlar meu temperamento.

Ahren revirou os olhos e Osten suspirou como se dissesse “ela está bem”. Percebendo isso, os demais voltaram a conversar e comentar sobre as informações que tínhamos conseguido sobre Hitler. Finalmente tínhamos descoberto o que seu exército queria e o que ele estava planejando, a questão era: Como iríamos impedi-lo?

A última missão tinha nos dado a localização da Lança do Destino, o objeto mais poderoso do mundo e tudo que Hitler precisava para conseguir dominar todos nós. Ele sempre fora ambicioso, mas sua vontade só se revelara alguns anos atrás, quando o exército de Hades começou a ser formado em uma batalha entre os três deuses grandes. Não era novidade que Zeus, Hades e Poseidon se detestavam e, com Hades querendo deixar o inferno, as coisas começaram a se tornar conflituosas, obrigando nós, seus filhos, a entrarem em guerra.

— Você está com aquela expressão de novo — Ivy apertou meu braço carinhosamente por baixo da mesa, me fazendo virar o rosto em sua direção.

Ela estava particularmente bonita naquela manhã. Seus cabelos rose estavam charmosamente bagunçados e seus olhos claros pareciam mais brilhantes sobre a falta de luz daquela sala. Parei um tempo para analisar seu rosto, até vê-la franzir o nariz antes de tirar a mão e se afastar, me arrancando um suspiro baixo que me fez desviar o rosto.

— A sensação voltou — Expliquei no mesmo tom baixo que ela usara anteriormente.

— A de que já viveu isso? — Assenti antes de voltar a prestar atenção na reunião, finalmente notando todos os pontos e estratégias demarcados sobre o mapa na mesa.

As coisas estavam avançando rápido e se continuassem daquele jeito em breve teríamos….

— Uma missão de resgate — Ahren completou meu pensamento, me fazendo erguer o olhar para ele, que sorria presunçoso para Quiron na borda da mesa. — Sabemos a localização da lança e não podemos deixar que Adolf a pegue antes de nós. Se conseguirmos encontrá-la, então vencemos. Podemos acabar com a guerra muito antes dela começar — O filho de Dionísio era ótimo com argumentos, era por isso que tinha sido escolhido para se infiltrar muito antes de mim, com a diferença de que ele tinha mais riscos por trabalhar para o inimigo, enquanto eu tinha os meios necessários para conseguir pistas fora do acampamento.

Dois anos atrás meu disfarce tinha ganhado destaque. Eu tinha me tornado a primeira mulher a conseguir virar piloto e o destaque viera por conta das minhas habilidades como filha do senhor dos céus. Com a ajuda dos filhos de Hecate, Atena e Hefesto, uma vida inteira tinha me sido forjada e eu viajava constantemente aos Estados Unidos para manter esse disfarce, embora residisse em outra parte da Europa. O Acampamento Meio-Sangue era um segredo e sua localização não podia vazar para qualquer lugar, por isso entrávamos e saíamos dele por portais criados pelos filhos da magia. Eles literalmente conseguiam invocar pentagramas no ar, mas só conseguiam nos levar até certo ponto e, depois que abriam um portal, só conseguiam invocar outro depois de um longo tempo.

Foram eles os responsáveis por fazer meu colar de mudança de forma, que me permitia assumir a aparência de uma mulher muito mais velha que em nada se parecia comigo. Os filhos de Hefesto e Atena tinham forjado minha vida e meus documentos, conseguiram tudo que eu precisava para parecer uma humana comum em sociedade, embora eu estivesse longe de me parecer com uma. Sobre isso não entrarei em detalhes, as coisas são complexas e não sei se sou capaz de explicar.

O importante era: Amelia Earhart tinha se tornado uma figura conhecida e agora precisávamos dar um jeito nisso e encontrar uma maneira de provocar sua morte, do contrário eu viveria presa em uma vida que não me pertencia.

— Eu posso ir — Me pronunciei assim que ouvi o plano da missão. A lança estava no Mar de Monstros e apenas um de nós poderia ir atrás dela, pois além de perigoso a missão trazia um risco que poucos estavam preparados para enfrentar. Com o avanço da guerra precisávamos de soldados no acampamento e na cidade, não podíamos correr o risco de enviar muitos para um lugar que sabíamos ser sinônimo de suicídio.

— Já estávamos planejando forjar minha morte para os mortais de qualquer jeito. O avião pode me levar até o ponto que preciso e se eu for por cima posso evitar Caríbdis e Esquila, depois me viro no mar.— Dei de ombros antes de completar.

— A névoa é forte, o avião vai ser dado como desaparecido e os mortais não serão capazes de me encontrar. Acabamos com dois problemas em poucos dias e, de quebra, evitamos que o inimigo me indique como suspeita. Não vão saber que estamos atrás da lança até ser tarde demais — Completei meu raciocínio, deixando Ahren um pouco irritado por não ser mais o centro das atenções.

— Eu concordo, Amélia é nossa melhor guerreira e talvez a única capaz de nos trazer a lança — Osten se pronunciou, me fazendo sorrir de canto por ter recebido um elogio.

— É a melhor guerreira, não a melhor opção — Ahren voltou-se em minha direção antes de continuar. — Todos conhecem o temperamento e impulsividade dela — Fechei as mãos em punho para não socá-lo e encarei Quiron, aguardado seu veredito.

— Amélia é a única que consegue entrar no Mar de Monstros sem ser abatida pela fúria de Zeus. Seus irmãos já estão indo atrás de Adolf com os filhos de Poseidon e Ares, não temos escolha — O velho centauro explicou antes de trotar para trás. — Tem certeza que consegue? — Em conjunto, vários dos conselheiros de chalé me encararam, me fazendo erguer o queixo de maneira prepotente e orgulhosa.

— Eu tenho. Não vou permitir que Adolf consiga o que quer — Garanti.

Infelizmente para mim, eu não sabia que aquela escolha marcaria minha morte.

...

— Ames, espera! — A voz doce de Ivy preencheu meus ouvidos, me fazendo suspirar e parar ainda de costas para ela.

Eu sabia o que ela diria, sabia que tentaria me deter, mas ela não tinha mais esse direito, não quando tinha me abandonado ao fazer uma escolha que só beneficiaria a ela….

— O que você quer? — Perguntei ainda de costas, sem coragem de encarar seus olhos sabendo que a decepcionaria.

— Você não pode ir — Sua mão tocou meu ombro e me fez esquivar para o lado, movendo o corpo de maneira que eu pudesse me afastar dela enquanto me virava em sua direção.

— Pensasse nisso quando decidiu virar o oráculo — Retruquei maldosa, alfinetando-a.

— Você sabe que eu não tinha escolha! Não fui eu que escolhi o dom, ele simplesmente veio até mim — Ivy se desesperou novamente, me encarando meio perdida enquanto abraçava os próprios ombros, posição que me fez querer puxá-la para perto.

— Você podia ter recusado, podia ter dito ao seu pai que não queria — Tentei de novo, mesmo sabendo que era tarde demais.

Ivy sempre fora minha melhor amiga. Crescemos juntas no acampamento e, por muito tempo, lideramos nossos chalés enquanto nos divertíamos juntas. Ela era doce, gentil e delicada, amava música e atraía a atenção de todos por onde passava... uma típica filha de Apolo. Já eu era temperamental, impulsiva e um tanto mandona, o que nos tornava uma boa dupla e fizera o sentimento evoluir para algo mais. Na época em que vivíamos, esse tipo de romance era apontado como algo abominável pela sociedade, mas não pelo acampamento, já que a cultura dos deuses era bastante distinta da dos humanos. Contudo, as coisas acabaram mudando de rumo. A escolha de Ivy em se tornar o oráculo destruíra tudo que construímos. Oráculos não podiam namorar, o compromisso dela agora era com o destino, não comigo.

— Ames, por favor…. — A mais nova tentou de novo, me fazendo suspirar antes de dar as costas para ela e responder baixinho.

— Sinto muito, Ivy.

Naquele momento não sabia, mas agora que penso sobre isso sei que ali marquei minha primeira despedida.


Tudo que passei agora me trouxe até esse momento.

Meus pensamentos viajavam entre memórias de infância e dos treinamentos no acampamento até um pouco antes do início da guerra que estava prestes a estourar. Naquela época, Adolf era um menino calado, que observava a tudo e todos sem demonstrar muito. Ele estava sempre à espreita, sempre planejando e caminhando pelas sombras, até o momento em que decidiu se revelar. Quando a rebelião aconteceu, levou muitos dos meus amigos com ela. Semideuses que eu confiara por uma vida inteira me traíram como se eu não valesse nada. E o líder era ninguém mais ninguém menos do que Adolf Hitler, o filho de Hades.

Manipulado pelo pai e pelas profecias antigas o garoto acabou descobrindo um ritual proibido que lhe tornaria imortal e, disposto a sacrificar milhares de almas em troca dele, Adolf fez um acordo com seu pai Hades. O deus do inferno lhe ajudaria com a profecia desde que esse o libertasse do inferno, lutando por ele uma guerra que o levaria a conquista do céu, onde o deus conseguiria tomar o trono de seu irmão, Zeus. Para isso uma busca por uma arma antiga e poderosa desencadeou toda uma guerra e, agora, com seu paradeiro finalmente revelado as coisas caminhavam em outra direção.

A Lança do Destino estava em uma ilha no Mar de Monstros, um dos poucos locais na terra onde os deuses não tinham poder nem domínio. Era por isso que Adolf tinha designado uma missão e enviado suas tropas para recuperar a arma, enquanto o Meio-Sangue tinha escalado a mim para fazer o mesmo. Minha missão era de alto risco, mas como seria feita à espreita tinha uma grande chance de sucesso. Afinal, Hitler não desconfiaria que uma semideusa sozinha encararia tamanha aventura. Além do mais, ele estaria perdendo tempo com outros semideuses, que estavam criando falsas estratégias para ocupá-lo e distrai-lo de nosso verdadeiro propósito.

Dois toques na porta me fizeram fechar a mochila e pendurá-la nas costas. Eu já estava pronta para partir há algum tempo, mas tinha enrolado nos minutos finais apenas por saber que sentiria falta de casa. Eu não tinha ideia de quando retornaria – ou se retornaria – e isso por si só já era suficiente para encher meu peito de angústia por não saber se um dia voltaria para casa.

— Já vai! — Gritei assim que ouvi as batidas ficarem mais fortes e, sem delongas, escancarei a porta e fuzilei Osten com o olhar. O garoto recuou um passo e ergueu as mãos em frente ao rosto.

— Uou, vai com calma parceira! Eu só vim avisar que sua carona já chegou — Os cachinhos de Osten estavam charmosamente bagunçados naquela noite, deixando-o com um ar infantil mais evidente do que o normal.

— Força de hábito — Expliquei, relaxando os ombros e fechando a porta atrás de mim ao acompanhá-lo para o lado de fora.

— Seei — Ele provocou, me fazendo revirar os olhos e enfiar as mãos nos bolsos. — Ansiosa? Você sabe que não precisa, afinal a vitória — Ele apontou para si mesmo antes de continuar. — Está bem ao seu lado — Piscou um olho em minha direção, me fazendo rir baixinho.

Osten era filho de Nike, a deusa da vitória, e por isso tinha mania de achar que todos que ficassem ao seu lado se tornariam vencedores. Ele trazia boa sorte, porém tinha esquecido de um detalhe em relação àquela missão: eu estaria sozinha, e nem mesmo ele poderia garantir que eu me sairia bem.

— Vou lembrar disso quando estiver sozinha e com frio no meio do mar — Ironizei, fazendo-o revirar os olhos antes.

Seguimos em silêncio até o topo da colina, onde dois filhos de Hecate já me aguardavam para abrir o portal. Ativei meu colar de transformação e mudei minha aparência por completo, deixando a garota de 17 anos para trás para me tornar a adulta que todos conheciam como a primeira – e, claro, a melhor – aviadora do mundo.

— Ei Ames! — Osten murmurou envergonhado, me fazendo erguer o olhar. — Você precisa voltar, ok? Você ainda não cumpriu aquela promessa…

Sorri largo e baguncei seus cabelos antes de concordar, afinal Osten era importante para mim e merecia aquilo, assim como todos os outros que eram como ele.

O Acampamento Meio-Sangue não tinha estrutura suficiente para abrigar todos os semideuses, assim muitos dos que eram filhos dos deuses menores permaneciam amontoados no chalé de Hermes, outros nem mesmo chegavam a ser reclamados. Por conta disso seus poderes não se manifestavam e alguns acabavam desistindo do acampamento. Hermes abrigava a todos, mas até mesmo seus filhos viviam amontoados por conta disso.

Eu tinha prometido a Osten que se vencêssemos a guerra tentaria mudar essa situação. Afinal, todo grande herói tinha permissão para fazer o pedido e o meu era justamente aquele que poderia mudar as coisas no acampamento.

— Você sabe que sou incrível certo? Nada pode me impedir de voltar. — Pisquei um olho em direção a ele antes de terminar de me preparar.

Ajeitei a mochila nas costas assim que completei a transformação, então respirei fundo e fiz sinal para que as meninas abrissem o portal, algo que ambas prontamente fizeram enquanto eu brevemente me despedia de Osten. A invocação durou poucos segundos e não me deu chance de passar mais tempo com meu amigo, mas me permitiu ver alguém subindo a colina por entre as arfadas, correndo para tentar me alcançar.

— Ames! — Ivy gritou, fazendo meu coração despedaçar completamente e minha cabeça baixar em direção aos meus tênis, pois sabia que se a encarasse desistiria de tudo por ela.

E eu não podia fazer isso agora.

Foi com esse pensamento que dei as costas a tudo que amava e me joguei contra o portal, sabendo que por ele ninguém me seguiria e que dali para frente seria eu contra o mundo. Sozinha como deveria ser.


Continua abaixo. (ultrapassei o limite permitido).



Enzo Amelia Earhart Hawley
Enzo A. E. Hawley
Enzo A. E. Hawley
Celestiais de Éter
Celestiais de Éter


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Mensagem por Enzo A. E. Hawley em Qua Jun 19, 2019 10:58 pm

Amélia
o belo adormecido
O dia em que morri para nascer de novo.


O destino traçado pelos mortais fora escolhido dias antes. A missão era encontrar uma ilha no meio do Oceano Pacífico e retornar com uma planta para pesquisas medicinais, era por isso que Fred Noonan iria comigo. Ele era navegador e também um especialista no Oceano e nas ilhas que o compunham, e tudo graças a seu pai, Poseidon.

Fred tinha sido escalado muito antes de mim para ser espião e agora iria comigo para o Mar de Monstros. Inicialmente eu iria sozinha. Havia chegado ali dois dias atrás e me preparado para iniciar a operação. O mapa já estava pronto e eu voaria até a ilha em segurança depois de mudar a trajetória escolhida pelos humanos para algo completamente novo e diferente. Eles, no entanto, não tinham a menor ideia disso, pois eu sabia mentir muito bem.

Na noite anterior, descobri que não faria isso sozinha e que Fred me ajudaria com a missão até uma parte. Ele saltaria do avião antes de atingirmos a entrada do Mar de Monstros e procuraria abrigo no mar, onde encontraria seu próprio caminho até a ilha de Howland para plantar pistas do nosso desaparecimento. Os humanos não podiam encontrar outros rastros e o avião se perderia no Mar de Monstros. No entanto, queríamos dar uma chance a eles de encontrarem outro tipo de informação, uma que os levasse em uma direção diferente e bem longe da verdade.

Noonan e eu já estávamos prontos. O avião já tinha sido revisado e o mapa escondido em um dos compartimentos. Minha mochila estava na parte de trás e eu já tinha embarcado para conferir os controles e tudo que precisava para me manter no ar até chegar à Ilha dos Desejos, o local em que a lança supostamente se encontrava. Quiron não tinha muitas informações sobre a ilha e nossos soldados não tinha conseguido encontrar muitas lendas do local, embora tudo indicasse que o ambiente ali fosse hostil e cheio de perigosos. A falta de informações poderia comprometer o rumo da missão, porém era justamente ela que também me dava certa confiança, afinal, nem tudo podia ser ruim.

Fred se posicionou às minhas costas e ajeitou seu próprio equipamento antes de apertar os cintos, fazendo sinal de positivo em minha direção. Ele voaria comigo e, por isso, estava em segurança, do contrário teria preferido ficar no mar, que era seu lugar de origem.

A movimentação ao nosso redor foi acalmando gradativamente. Liguei o motor e guiei o avião para a pista de voo de maneira concentrada, já ativando os comandos necessários para colocar o veículo no ar. Com tudo pronto deixei que a aeronave pegasse velocidade, então ergui o volante e icei voo no ar, levando nós dois para o céu e para as nuvens. Eu mantinha o avião em uma posição relativamente baixa no Oceano por causa de Fred, pois além de ser perigoso ter ele comigo no território do meu pai, ele ainda teria que saltar do avião. Eu sabia que, assim que caísse na água, o garoto ficaria bem, porém não queria arriscar matar o filho de Poseidon de alguma maneira.

O avião era rápido o suficiente para conseguirmos atingir o ponto de pouso de Fred rapidamente. Assim, mantive o voo mais tranquilo em determinado momento e deixei que ele se preparasse para executar seu plano sem dizer nada. O vento estava forte e o avião era aberto, o que tornava difícil que nos entendêssemos mesmo aos gritos. Silenciosamente nos despedimos e o garoto saltou do avião e sumiu no meio do ar, me deixando prosseguir viagem sozinha para executar o plano.


Eu demorei cerca de meia hora para atingir a entrada do Mar de Monstros. - um lugar marcado por catástrofes, tempestades e desaparecimentos. Para os humanos, o Triângulo das Bermudas era repleto de mistérios e lendas. Os cientistas tentavam explicar tais situações devido à instabilidade do mar, as rochas mais grossas e as chuvas densas que sempre atingiam aquela parte específica do oceano. Para nós, semideuses, a realidade era uma completamente diferente.

A entrada do mar distante era também o lar de dois dos monstros mais antigos da mitologia: uma fada amaldiçoada e sua irmã e companheira, Caríbdis e Esquila. Tentar passar por elas pela água era o mesmo que cometer suicídio, pois além de perigosas e gigantes, as duas estavam sempre famintas. Era difícil sobreviver a elas e até o momento só um herói tinha conseguido fazê-lo e sobrevivido para contar a história. Era por isso que eu iria por cima e, ao invés de enfrentar monstros, iria mergulhar em uma tempestade.

O clima naquele lugar era denso e coberto de nuvens que deixavam minha visão precária. Bastou que eu fizesse o mergulho com o avião para o centro dela para que eu percebesse isso e conseguisse entender o restante da situação. Se por baixo a entrada era perigosa, por cima a situação não estava muito diferente. A chuva forte me atingiu em cheia e o vento cortando meu rosto em nada me ajudava a controlar o avião. O metal estalava de forma violenta e eu podia senti-lo ranger diante da tempestade. Se continuasse daquele jeito, minha máquina poderia romper antes mesmo que eu atingisse a ilha.

Enquanto manobrava o avião tentei controlar os ventos para conseguir estabilidade, mas fazer isso enquanto voava era uma tarefa tremendamente difícil, que demandava toda minha concentração. Por isso, quando o primeiro deles apareceu acabei perdendo parte do meu controle e foi jogada com o avião para o lado.

O espírito do vento atingiu a lateral da máquina com força e tentou atacar minha cabeça por cima, mas, como resposta, joguei o avião para baixo e virei o volante antes de recuperar a estabilidade, fazendo o venti passar por cima e atingir alguma coisa ao meu lado.

Pisei fundo no acelerador e fiz com que os ventos ao meu redor formassem uma barreira protetora para afastar qualquer perigo que me rondasse. Nesse momento, mais espíritos surgiram para me emboscar, tornando tudo ainda mais complicado. Conforme eu avançava para escapar da tempestade, mais deles apareciam e se chocavam contra minha barreira. Eu sabia que não aguentaria muito tempo, por isso, enquanto mantinha a barreira também usava o vento para jogar o avião de forma veloz para frente, exigindo da máquina muito mais do que ela poderia suportar.

O avião chiava cada vez mais, fumaça escapava da parte da frente e ameaçava romper o motor a qualquer momento, mas graças a Zeus ou ao bom anjo que me resguardava, consegui sair da tempestade antes que isso acontecesse. Parecia que ela estava concentrada em um ponto específico, então bastou que eu conseguisse atravessar para o outro lado para que o céu se tornasse limpo outra vez. Pensei que os ventis me seguiriam, mas eles tinham sumido junto com a tempestade, me dando chance de seguir em “segurança” por dentro do mar, exausta, porém viva.


Foi difícil decifrar o mapa da ilha enquanto mantinha o avião planando no piloto automático. Eu tinha memorizado ele dois dias atrás, contudo algumas linhas quando vistas do ângulo que eu me encontrava pareciam ter um novo sentido e, para ajudar minha segurança, tinha tempo marcado. Eu não podia permanecer muito tempo no mesmo lugar sem ser atacada, pois o mar era o lar de monstros, independentemente se eles estivessem em céu ou em terra. Embora eu estivesse nos domínios do meu pai, ali, naquele lugar distante de tudo, ele não tinha influência. Ou seja, os monstros não me respeitariam e o risco era o mesmo de estar velejando pelas águas escuras abaixo de mim.

A prova disso foi as inúmeras tentativas de ataque das quais consegui escapar na última hora enquanto tentava encontrar a maldita ilha. Até então, tinha obtido pouco sucesso. Eu encontrara a ilha da tartaruga e as encostas com manchas vermelhas no meio do mar, mas o nevoeiro encobria meu último ponto do mapa, dificultando minha busca. Frustrada, larguei o mapa de lado e voltei a comandar o avião, apertando alguns botões e virando o volante de forma a conseguir efetuar o mergulho que me levaria mais para baixo.

Planei a poucos metros da água, em um ponto seguro onde os monstros não poderiam me atacar e segui viagem por ali em busca da ilha que ainda não tinha encontrado. Levei mais uma hora até conseguir localizar o ponto certo e quase dei uivos de alegria ao perceber que foi bem a tempo, pois meu combustível estava no limite, o que indicava que dali eu não seria capaz de voltar.

Essa era a parte do plano que obtinha falhas o suficiente para me pôr em risco. Eu tinha uma maneira de seguir até a ilha e sobreviver tanto à viagem quanto a ela, porém não tinha um plano de fuga. Ninguém – nem mesmo eu – tinha parado para questionar de que maneira eu retornaria. Mas isso não importava agora, afinal, eu ainda não tinha a arma e meus inimigos provavelmente também estavam procurando pela ilha. Precisava ser rápida e pegar ela antes que eles chegassem.

Manobrei o avião para efetuar o pouso nas margens da praia e desci de maneira desajeitada até a enseada. O avião deu um solavanco e o motor morreu, jogando meu corpo de forma brusca para frente. Bati de leve a cabeça no volante e ergui-me meio atordoada ao perceber que finalmente estava em terra firme. Eu confesso que esperava encontrar uma trupe inteira de perigos e monstros me aguardando na praia, mas não foi isso que aconteceu.

Peguei a mochila e saltei do avião para a areia da praia, onde finalmente me permiti vislumbrar o lugar. Pela primeira vez entendi o significado de paraíso na terra, pois, se existia um no mundo, com toda certeza era aquela ilha. Tudo ali parecia refletir a perfeição. As árvores eram largas, grandes e totalmente diferentes de tudo que eu já tinha visto. Suas folhas eram muito verdes e as frutas ou flores que desabrochavam dessas pareciam muito diferentes das que eu conhecia, eram tão coloridas e tão… vivas. Isso, era essa a palavra para descrever aquele lugar. A ilha era viva e parecia estar “pulsando” diante de meus olhos. Para todo lugar que eu me virava, uma nova forma aparecia e era mais colorida que a anterior.

Eu estava exausta antes de descer ali, minhas energias tinham sido praticamente esgotadas durante a viagem e o uso contínuo dos poderes. Meu nariz ainda estava manchado de sangue seco e meus cabelos tinham virado um ninho de pássaros devido ao vento forte. Os nós dos meus dedos estavam rijos e cheios de calos devido às horas voando sem parar e minha mente ainda estava atordoada e um tanto confusa. Mas… aquela visão da ilha fez com que tudo isso desaparecesse e me deixou travada no mesmo lugar por tanto tempo que demorei a entender que não estava sozinha.

Eu estava pronta para desbravar a mata e cheguei a dar alguns passos para frente antes de ser detida por ele.

— Olá! — Me virei curiosa com a voz infantil e me deparei com um ser estranho de orelhas pontudas e olhos muito verdes. Ele não tinha mais de um metro e vinte e parecia um bichinho saído de um dos livros do último século, que estava estranhamente focado na fantasia. — Você não pode entrar na ilha sem receber as instruções.

— Teoricamente, eu já estou na ilha — Arqueei a sobrancelha pra criatura e apontei ao meu redor antes de mostrar meus pés no chão. — Pés firmes sobre a areia — Expliquei ao ver a confusão da criaturinha, deixando-o claramente atordoado e confuso, como se ninguém antes o tivesse respondido daquela maneira.

— Então você não pode seguir pela ilha sem receber as instruções! — Respondeu finalmente, orgulhoso de si mesmo por ter encontrado a resposta sozinho, algo que me deixou com vontade de rir.

Eu deveria ter ficado desconfiada, mas o pequeno não parecia representar um perigo real e foi justamente isso que me fez relaxar a postura e aguardar pelas tão preciosas instruções.

— Eu sou Snifer — Ele apontou para si mesmo e sorriu largo antes de continuar. — O décimo sétimo novo guardião da Ilha dos Desejos, o mensageiro das verdades e o responsável por controlar as atividades da ilha — Completou orgulhoso, me fazendo suspirar e mover a mão para que ele continuasse, o que pareceu encorajá-lo a seguir em frente. — Se você veio até aqui precisa conhecer as regras das inverdades e ilusões da ilha, que fará de tudo para te manter nesse lugar. Eu sou o único que não pode ser pego por ela!

— Espera…. — Interrompi seu discurso e parei para analisar o ambiente ao meu redor novamente. Por que ele teria regras se nem ameaçador parecia?

Tudo bem, eu tinha sido alertada dos perigos da Ilha dos Desejos, tinha entendido a falta de informações e o mistério ao redor dela, mas até o momento tudo tinha me parecido o oposto então….

— Você fala desse lugar como se ele estivesse vivo — Constatei enfim.

— E ele está — Snifer afirmou, me deixando com cara de idiota enquanto continuava. — Como eu ia dizendo, a Ilha dos Desejos é um lugar mágico que…

— ELA ESTÁ VIVA? — O interrompi novamente, fazendo o bichinho fechar a cara e cruzar os braços em minha direção. — Ok, desculpe. Continue.

Snifer pigarreou e me olhou desconfiado, mas se rendeu ao pedido.

— Há muitos séculos, um humano desejou algo que não poderia ter e do seu desejo nasceu essa ilha. — Snifer mostrou o lugar de forma orgulhosa. — Com o primeiro desejo veio também o primeiro guardião, destinado a cuidar do lugar com sua vida e fazer com que seus sucessores fizessem o mesmo. Ele devia conhecer cada desejo, cada ideia proibida e cada perigo que a ilha apresentasse conforme fosse crescendo — Explicou antes de voltar o olhar em minha direção. — A ilha te lê, ela conhece seus desejos profundos e obscuros, ela sabe o que você quer e é assim que ela se apresenta. O que você está vendo não é real e não é como ela é e sim como você quer que ela seja — Continuou ele.

Agora eu entendia o porquê de eu achá-la um paraíso sem perigos, porque era isso que eu queria que ela fosse. A verdade é que a viagem até ali podia ter sido um desafio, mas um que eu tinha conseguido burlar e me sair bem. Contudo, a ilha era algo diferente e desconhecido e meu medo provavelmente tinha refletido na construção da “imagem” daquele lugar.

— Você não será capaz de entender tudo o que vai ver aqui, os desejos que surgiram ao longo dos anos são inúmeros e alguns deles perigosos o suficiente para te matar — Snifer falava baixo, como um professor ou uma mensagem programada. — Desejos não somem, porque há sempre alguém pedindo algo novo ou desejando algo que pertence há outro alguém... e é por isso que esse lugar não deve ser explorado. Se deseja continuar, eu vou instruí-la a sobreviver na ilha, mas não posso garantir sua sobrevivência, tampouco posso te dizer como pode voltar. — Snifer juntou as mãos antes de concluir sua história. — Você não entrou nela de verdade ainda. Vai entender o que eu disse assim que passar por entre árvores. Estamos na fronteira, mas é você que decide se quer continuar.

— O que tem lá? O que eu vou encontrar se escolher seguir por ela? — Perguntei baixo.

— Tudo que deseja e tudo que desejou algum dia de uma maneira distorcida e maravilhosa, tão maravilhosa que você não vai conseguir voltar e, então, será consumida por seus próprios desejos. — Explicou tranquilo.

— E como eu sobrevivo a isso?

— Não sobrevive. Não pelo que você veio buscar.

Ergui o olhar ao ouvir isso, confusa demais para entender a que ponto ele queria chegar.

— Me diga, Amélia, você está disposta a pagar o preço pelo mundo?


A pergunta de Snifer me pegou desprevenida e me deixou calada por um longo momento. Eu não estava preparada para aquele tipo de pergunta, embora soubesse o motivo dela. Eu já tinha feito minha escolha antes mesmo de entender a profundidade dela. Eu estava lutando por um propósito maior do que eu e meus amigos e tinha decidido me sacrificar por conta dele. Eu podia não sobreviver a tudo aquilo e tinha consciência disso, porém o significado por trás só veio com a pergunta do jovem guardião.

Eu estava disposta a pagar o preço?

E que preço seria esse?

Do que eu estava abrindo mão?

— Se eu aceitar a proposta…. — Balancei a cabeça em negativa, desistindo da pergunta ao olhar para ele de maneira firme. — Do que mais preciso saber para seguir em frente? — Decidi por fim.

— Eu esperava que dissesse isso — Snifer sorriu antes de bater as mãos umas sobre as outras. — Você vai sentir o caminho sem que eu precise guiar você, a ilha fará isso e te levará na direção certa. Então apenas siga essa vontade cegamente, não existe outro meio de se guiar por aqui — Snifer começou ao manifestar algumas imagens de viajantes antigos explorando as trilhas.

— Você não é mais forte que ela, mas é mais forte que suas vontades. Se mantiver isso em mente, você ficará bem e será capaz de sobreviver — Continuou, desfazendo a imagem antes de voltar a encarar-me de frente.

— E, por último, depois de conseguir aquilo que deseja, retorne à praia sem olhar para trás. Você se lembra da história de Orfeu correto? Ela foi inspirada nessa ilha e o motivo por trás é mais diabólico do que aquele que você conhece — Engoli seco, mas concordei antes de ajeitar a mochila nas costas, apertando as alças sobre meus ombros antes de suspirar.

— Bem, acho que nos vemos em breve então. — Murmurei baixo, tomando uma decisão precipitada que daria início a uma grande confusão.

.

Eu só entendi o que Snifer explicou sobre a sensação de saber por onde seguir quando passei a barreira mágica e deixei que a ilha me envolvesse. Era como um organismo vivo dentro de mim. Eu não estava agindo de maneira habitual, mas sim sendo guiada de maneira automática para um ponto desconhecido da ilha. Eu não processava o ambiente ao meu redor, apenas seguia aquele instinto que me fazia sentir fome….

Sim, essa era uma boa descrição.

Era como se eu estivesse sedenta por aquilo que eu buscava e a necessidade de encontrar era tão grande que eu tropeçava pelo caminho, andava apressada ou, às vezes, iniciava uma corrida desenfreada naquela busca sem fim.

Até que atingi aquele ponto.

Como um “x” no mapa, aquele lugar irradiava certeza para mim, me fazendo entender que era aquilo que eu buscava. O que quer que eu estivesse procurando, estava ali em algum lugar. Olhei em volta, busquei pela terra e revirei as folhas em busca do item, mas nada encontrei.

A frustração fez com que meu peito se apertasse e meu coração disparasse forte sobre meus ouvidos, me deixando tensa, arisca e irritada. Toda aquela busca tinha sido pra nada? O que eu tinha perdido? O que tinha feito de errado?

E se….

— Você demorou — A voz doce e conhecida fez com que meu coração disparasse ainda mais.

Me virei rápido para encará-la e, quando a vi, perdi o fôlego, esquecendo-me de como respirar.

Ivy….

— O que foi? — A risada da mais nova preencheu o ambiente, me fazendo fitá-la de maneira confusa e um tanto perdida.
O que ela estava fazendo ali?

Ou melhor…

Como ela tinha ido parar ali?

— Você me seguiu? — Acusei sem pensar, ignorando meu coração tolo e apaixonado que insistia em dar pulos de alegria apenas por vê-la.

— Você não quis me escutar — Ela retrucou. — Eu tentei te seguir, eu corri até você para impedir de vir sozinha, mas, como sempre, você me deu as costas — Ivy resmungou possessa. — Então eu fui mais rápida e ainda consegui isso antes de você — A mais nova atirou uma lança de ouro em minha direção, fazendo o metal cair em um baque mudo bem a frente dos meus pés.

Eu estava tão atordoada que nem tinha notado aquela arma até aquele momento.

— Era isso que você queria não era? — Perguntou ela, me deixando mais confusa ainda.

Aquela velharia era a Lança do Destino?

E como Ivy estava com ela?

Minha mente deu um nó e a enxaqueca me atingiu em cheio, me fazendo ter certeza de que estava vivenciando aquilo mais uma vez. Algo estava errado e eu não conseguia identificar o que era, por isso foquei na imagem da lança para buscar forças antes de encarar Ivy novamente.

A arma parecia feita de ouro comum, uma das pontas estava lascada e parte do cabo parecia antigo e quebradiço, mas ela irradiava uma aura poderosa…. Poderosa o suficiente para me fazer querer evitá-la.

— É ela? — Perguntei. — A Lança do Destino…. — Completei antes de erguer meu olhar.

— Sim. Você consegue senti-la também, não é? — Ivy questionou, me fazendo manear a cabeça. — Ainda dá tempo de se livrar disso, Ames. Existe um jeito de Adolf não consegui-la mais — Fiquei confusa e franzi as sobrancelhas, isso incentivou Ivy a continuar. — Eu cheguei antes de você e tive chance de explorar um pouco mais da ilha. Eu sei de um lugar que poderia acabar com essa arma e então poderíamos sair daqui juntas.

Algo estava errado.

Eu sabia disso…

Meu coração estava apertado e minha mente turva, meus olhos estavam presos na figura de Ivy e eu desejava profundamente que isso fosse verdade.
Eu desejava…

Então eu percebi e a dor que senti ao entender o que estava acontecendo foi tão grande que comecei a rir baixo de mim mesma. Deuses, como um coração podia continuar a bater depois de ser quebrado tantas vezes?

— Você não é real — Constatei sorrindo triste. — É fruto do meu desejo, Ivy — Meu olhar ergueu-se contra o dela de maneira amorosa. — Eu queria que fosse, queria poder escolher você…

— E você pode! Finalmente vamos poder ficar juntas, Amélia. Finalmente temos um lugar onde o meu destino não atrapalha nossas escolhas, finalmente…

— Pare! — Minha voz saiu baixa, mas, ainda assim, firme. — Isso não é de verdade, Ivy. Ilusões não são reais e a verdadeira Ivy não iria querer isso — Mordi os lábios com força antes de soltá-los para poder suspirar baixo. — Ela já fez a escolha dela e eu tenho que respeitá-la, mesmo a odiando com todas as minhas forças — Sorri de forma triste, então me abaixei para pegar a lança, estremecendo ao pegar no metal frio. — Eu sinto muito… mas o destino quis assim. — Meus dedos apertaram mais o cabo da lança enquanto eu me virava de costas para ela, pronta para partir com o que viera buscar.

— Eu também…. — Ouvi sua voz triste soar às minhas costas e dei alguns passos para frente, fugindo dela como fiz outras milhares de vezes. — Mas infelizmente, Amélia, eu não posso te deixar partir…

E então ela me atacou.

….

Eu demorei a entender o que estava acontecendo. Com a mente confusa, meus sentidos tinham sido tremendamente prejudicados, fazendo com que aquele lugar exercesse ainda mais influência sobre mim. Eu estava em desvantagem naquele ambiente e, para piorar, tudo estava lutando com o amor da minha vida, que não perdera tempo em me encurralar como se conhecesse cada um dos meus pontos fracos.
Algo que eu não duvidava sabendo que era Ivy ali a minha frente.

A mais nova tinha sacado um par de adagas ao se atirar em minha direção, ativando meus reflexos bem a tempo de me fazer virar sobre os calcanhares e erguer a lança para evitar seu ataque. Ela era feroz e se movia rápido, enquanto eu apenas me defendia com uma arma sobre a qual não tinha controle. Ivy me fez saltar para trás ao mover uma das adagas para baixo enquanto a outra vinha em direção ao meu pescoço em uma estocada lateral. A ponta da lâmina raspou em minha garganta, mas fez um arranhão superficial que me fez grunhir de dor.

Fechei a cara e joguei a lança para o lado antes de ativar meu bracelete, ativando minha espada e deixando de brincar com ela para poder lhe atacar de verdade. Brigamos pelo controle, movendo-nos de maneira rápida pelo campo e se atracando da melhor maneira que conseguíamos. Ela era rápida em desviar dos meus golpes, mas eu também não ficava muito atrás e conseguia bloquear muito bem os dela. Infelizmente para mim aquela Ivy não só conhecia meus movimentos, mas também sabia como me pegar.

A mais nova conseguiu uma brecha em minha abordagem e se aproximou ainda mais abrindo seu próprio espaço no campo, seu corpo se esgueirou pela lateral do meu e a deixou parcialmente de costas, nesse momento seu cotovelo atingiu em cheio meu estômago, me arrancando o ar e me deixando atordoada o suficiente para cair no chão. Ivy se aproveitou disso e bateu com a ponta de sua adaga em minha cabeça, escurecendo minha vista completamente.

Fechei os olhos e grunhi rouca enquanto repetia mentalmente que aquilo não era real. Minha Ivy jamais me deixaria daquele jeito, ela nunca tivera coragem de me atacar, nunca….

“Eu não consigo machucar você”.

A lembrança veio forte e fez meu coração acelerar novamente, tornando a imagem nítida em minha mente. Eu estava na arena com ela quando ouvi essas palavras mais uma vez, tinha lhe pedido que me atacasse direito enquanto treinávamos e Ivy respondeu que não conseguia fazer isso. Ela não suportava a ideia de me machucar mesmo que em treinamento.

E era por isso que eu sabia que a Ivy da ilha não era de verdade.

— Você não é real! — Gritei.

— Não sabe o que está dizendo — Ela retrucou, pronta para me atacar mais uma vez.

Joguei-me para o lado sem me importar se me machucaria, então chutei as pernas do desejo fajuto criado por minha mente e a derrubei no chão. Em seguida me levantei agilmente e agarrei a Lança do Destino, para, por fim, disparar colina abaixo sem olhar para trás. Eu não podia vencer aquilo que mais queria, porque enquanto a desejasse ela ficaria forte e continuaria a existir, era por isso que precisava dar as costas para ela, mesmo que todo meu ser implorasse para fazer o contrário.

Meu coração martelava dentro do peito e minhas pernas ardiam devido ao esforço que eu fazia, mas eu exigia mais e mais delas enquanto corria pela ilha com um único objetivo em mente, o de chegar até a praia.

Infelizmente para mim as coisas nunca saíam como o planejado. Por isso, conforme corria, tropeçava e me levantava em meio à floresta eu a ouvi, de novo e de novo e cada vez mais nítida em minha mente.

“Amélia, Amélia”

Implorava ela, atiçando meu desejo e me fazendo querer recuar, voltar para trás.

Não ousei olhar nenhuma vez, mantendo em mente aquele pensamento provocado por Snifer antes mesmo que eu me aventurasse pela ilha. Eu sabia que se a olhasse não teria forças para resistir a ela, afinal, tudo o que eu amava estava nitidamente representado em sua face e, se eu cedesse, jamais seria capaz de voltar.

“Amélia, Amélia”

“Ames….”

Acelerei mais meus movimentos, tropeçando em uma das pedras e rolando uns bons metros colina abaixo antes de me levantar. Eu estava ralada, sangrando e com o coração partido mais uma vez e, ainda assim, não ousei olhar para ela.

Eu queria aquilo, sabia que queria…. Mas ainda assim…

— Eu sinto muito Ivy….

Eu não era capaz de voltar.

….

Quando atravessei a barreira, eu não estava só exausta, mas psicologicamente destruída. Parte do meu corpo sangrava com cortes recém-abertos depois de levar tantos tombos e arranhões. Meu rosto estava manchado por lágrimas grossas que só naquele momento percebi que tinha permitido escapar. Minhas pernas ardiam, tanto pelo esforço físico quanto pelo cansaço, mas a lança ainda estava em minhas mãos.

Eu, de alguma maneira, tinha conseguido e tinha retornado à praia, agora só precisava descobrir uma maneira de…

— Já estava na hora, pensei que não voltaria — Ergui a cabeça de maneira abrupta e me deparei com a última pessoa que esperava encontrar naquela ilha. Primeiro porque ele não era inteligente para chegar sozinho até ali e, segundo, porque Ahren deveria estar em outro lugar.

— Como chegou até aqui? — Perguntei desconfiada, me erguendo mesmo ensanguentada e machucada apenas para manter aquela pose de orgulho que insistia em dizer que eu era forte e que conseguia me virar sozinha.

— Vim buscar a lança, Amélia. Agora, passe ela para cá — O filho de Dionísio estendeu a mão em minha direção, me fazendo grunhir baixo.

— Não mesmo, você nem devia estar aqui — Respondi arisca.

— Olha, podemos fazer isso do jeito fácil ou do difícil — Ele suspirou dramático antes de continuar. — Você escolhe.

— Nós dois sabemos que você não é páreo para mim, Ahren. Nunca conseguiu me vencer numa luta — Sorri irônica ao respondê-lo de forma ácida.

— E quem disse que eu preciso? — Ele arqueou a sobrancelha antes de sorrir malicioso e estalar os dedos, fazendo com que homens armados saíssem da floresta.

Vestidos de pirata, os capangas de Ahren rapidamente me cercaram, o fazendo sorrir largo em minha direção antes que um último soldado, que eu conhecia bem, se revelasse na praia.

— Sky…. — Murmurei baixinho. — Você deveria estar morta.

— Mas não estou — Ela retrucou, antes de jogar uma carcaça de animal no chão, deixando a cena pior do que já estava.

— Snifer! — Gritei atordoada, sem entender direito o que estava acontecendo. — Ele não fez nada, sua monstra!

— Ah, ele fez sim — Ahren chutou a criatura morta e sorriu mais largo em minha direção. — Ele não quis revelar seu paradeiro e essa foi a consequência. Agora, Amélia, me dê a lança — Puxei a arma de maneira firme contra o peito e ergui a cabeça de forma orgulhosa.

— Nunca.

— Então vai ser do jeito difícil — Ahren sorriu maldoso e Sky, ao seu lado, apoiou-se contra ele. — Peguem a arma e tragam a garota com ela. — Em sincronia, os capangas de Ahren me cercaram, me deixando sem outra alternativa a não ser a de atacar.

Eu consegui derrubar pelo menos três dos capangas e ferir uns quarto seriamente antes de ser abatida, embora soubesse que poderia lutar com mais deles se quisesse. Acontece que eu tinha um plano e, em terra, não seria capaz de executá-lo corretamente. Eu já não tinha meios de retornar e precisava de pistas para entender melhor o que estava acontecendo.

Ahren era um traidor?

E por que diabos Sky estava viva?

Eu me recordava muito bem de termos queimado uma mortalha para ela cinco meses atrás, quando supostamente a garota tinha sido encontrada morta. Mas se não era ela, de quem era o corpo? Deuses, minha cabeça estava dando nós e a enxaqueca tinha voltado com força mais uma vez.

Amarrada aos pés do convés, eu me perguntava o motivo de ainda estar viva. Afinal, eu era perigosa mesmo com os capangas de Ahren me vigiando o tempo todo. Por falar nele, o garoto tinha sumido assim que embarcamos no navio, levando com ele a Lança do Destino e a garota morta. Eu não fazia ideia do que eles estavam tramando, mas tinha quase certeza de que nada de bom sairia dali.

Puxei as mãos para afrouxar um pouco a corda e ergui o olhar em busca dos dois traidores, que agora caminhavam em minha direção de mãos dadas. Arqueei a sobrancelha e abri um sorriso debochado em direção a eles, fazendo Sky revirar os olhos enquanto Ahren me fuzilava com o olhar.

— Nós podíamos ter te matado, mas Adolf quer você em nosso exército — Sky começou, soltando Ahren para poder caminhar ao meu redor enquanto falava. — Embora eu não veja como um ser tão pequeno e magrelo possa nos ser útil.

Não respondi. Eu estava concentrada demais observando o ambiente ao meu redor para prestar atenção nela, formulando uma estratégia e contando quantos deles precisaria abater para conseguir roubar aquele navio. A tripulação não tinha mais do que vinte homens além de Sky e Ahren e não parecia bem armada. Parte dela estava dispersa e alguns nem estavam à vista. Eu conseguia dar conta, sabia que sim.

— Você não pode contra mim Amélia, embora consiga derrotar Ahren — Sky me fez erguer o olhar ao dizer isso e foi assim que percebi que algo mais estava errado.

— O que você quer de verdade? — Perguntei na lata.

— Você sabe o que quero, você sempre soube. — Ela devolveu, fazendo todos os pelos do meu corpo eriçarem novamente.
Poder….

A palavra veio repentinamente em minha mente e me fez recordar de todas as coisas que Sky tinha feito ao acampamento quando mais nova. Ela era manipuladora, cruel e sempre trapaceava nos jogos, adorava chamar atenção e, com a beleza singular que possuía, conseguia fazê-lo sem muito trabalho. Ahren sempre a seguia como um cachorrinho, mas ela nunca tinha dado bola para ele até aquele momento.

O que tinha mudado?

— Você percebeu — Ela sorriu mais ainda ao perceber que eu encarava o garoto, como se pudesse ler meus pensamentos e descobrir exatamente do que eu estava lembrando.

— Está usando ele…

— Ele era útil ao meu propósito.

Estreitei o olhar em direção a ela e deixei que essa se afastasse para o lado do filho de Dionísio que, relaxado como estava, só percebeu a emboscada quando já era tarde demais. Sky foi propositalmente silenciosa enquanto falava comigo e eu só percebi sua sutiliza por conhecê-la a tantos anos. Ahren, no entanto, não tinha essa sorte e estava cego por um amor unilateral que acabou lhe matando. O garoto não teve chance de se defender e a adaga penetrou seu corpo bem na altura do fígado. Atingido em cheio pelo menos três vezes, o filho de Dionísio desabou no chão, com os olhos bem abertos e a boca coberta de sangue.

— Por quê? — Foi tudo que ele deixou escapar, mas Sky sorriu com escárnio e apenas enfiou a adaga em sua garganta, matando-o de vez antes de se virar novamente em minha direção.

Ahren tinha sido manipulado por estar no acampamento e, embora fosse maldoso por conseguir enganar nosso lado por tanto tempo, não tinha sido bom o suficiente em perceber que também estavam jogando com ele. O resultado estava bem à minha frente e me deixou tão atordoada que cheguei a sentir pena mesmo sabendo que ele era um traidor.

— Agora você — Sky se abaixou a minha frente e tombou a cabeça de lado para me analisar. — Me diga como usar a lança.

— Eu não faço ideia de como ela funciona. Minha missão era apenas resgatar o item e não descobrir como matar vocês com ela. — Sorri cinicamente.

— Mentirosa — Sky rosnou em minha direção e sua mão veio certeira contra meu rosto, me fazendo trincar os dentes ao sentir a bochecha arder. — Você vai me dizer. A viagem é longa, Amélia, e eu sou paciente — Seus dedos correram pelo lugar que antes a garota tinha batido e, em seguida, deslizaram por meus lábios. — Seria uma pena destroçar seu rostinho bonito e, como não queremos isso, é melhor você colaborar. — Ao dizer isso, a neta de Afrodite se levantou e me deu as costas, se afastando sem me dar chance de retrucar.


Eles podiam ter removido todas as minhas armas, mas ainda tinham me amarrado com cordas normais. Por isso, aproveitei a chance de descanso enquanto pude para recuperar parte das energias, embora ainda estivesse bem machucada.

Sky me deixou sozinha por cerca de uma hora, tempo suficiente para que eu conseguisse afrouxar a corda e me preparar para emboscar todos eles da maneira que eu queria. Nesse meio tempo, descobri algumas coisas sobre a tripulação. Alguns dos soldados eram idiotas e se intitulavam com nomes musicais enquanto cantavam dó, ré, mi, fá, sol, lá, si, dóo. Outros, que não eram os de alto escalão apenas acompanhavam a trupe enquanto limpavam o convés. A maioria não pensava direito e se mentia em confusão com facilidade. Isso porque eles eram grandes e fortes, mas não muito inteligentes.
Era justamente isso que me daria a vantagem que eu precisava para tomar o navio.

— Ei, você! — Chamei o guarda mais próximo, que ergueu o olhar em minha direção antes de apontar para si mesmo, me fazendo revirar os olhos. — É você mesmo. Pode me dar um copo de água? — Perguntei como quem não quer nada, fazendo minha melhor cara de inocente.

— A capitã nos deu ordem para não entregar nada a você — Ele fechou a cara em minha direção, me fazendo suspirar antes de tentar novamente.

— Por favor, é só água e eu nem sou filha de Poseidon. Está quente…. — O pirata piscou algumas vezes, resmungou alguma coisa, mas acabou cedendo ao se aproximar de um navio e capturar um copo de água antes de voltar em minha direção e estender a bebida. — Eu não consigo beber sozinha — Arqueei a sobrancelha de leve.

— Estou presa — Expliquei, fazendo o pirata resmungar mais ainda antes de se aproximar mais para levar o líquido para perto de meus lábios. Nesse momento, puxei as cordas com força e as arrebentei, libertando meus braços antes de empurrar o corpo de encontro à face dele com força, o pegando de surpresa antes de empurrá-lo contra o chão. Nesse momento, capturei a espada presa à sua cintura e a enfiei com tudo em sua garganta, atraindo a atenção dos outros marujos no convés.

Girei a arma em mãos e me coloquei de pé encarando meus inimigos, que gritavam coisas como: “A prisioneira está solta”, “Chamem a capitã”, “Ela não pode sair do navio”.

Aproveitei-me dessa surpresa para abater outros dois marujos, jogando o primeiro ao mar ao atirar um raio em sua direção e nocauteando o segundo pelas costas. Contudo, isso foi o mais longe que consegui chegar antes que mais deles se reagrupassem para me atacar de verdade, iniciando a luta que eu deveria ter travado na praia.

O primeiro soldado tentou me emboscar pela esquerda, mas saltei para trás e fiz com que ele trombasse com o pirata à minha direita, fazendo com que ambos se chocassem enquanto eu habilidosamente escapava pela lateral. O terceiro veio de frente e ergueu sua espada em uma estocada de cima para baixo, o que me fez erguer minha própria lâmina para poder defender seu ataque. Brigamos pelo controle e ele poderia ter vencido se eu não tivesse girado pelo lado e movido minha espada para baixo, o fazendo perder o equilíbrio. Nesse momento, mais deles se aproximaram para me atacar. Vinham por lados diferentes e me obrigavam a usar tudo que tinha para me defender. Eu atacava com a espada, manipulava o vento para empurrá-los para longe e, quando não conseguia, fazia faíscas e raios voarem pelos lados, atirando-os em qualquer direção.

Eu estava dando um verdadeiro show no convés e teria vencido se mais piratas não tivessem surgido para me emboscar. Eles eram muitos para uma semideusa solitária lutando do lado oposto, por isso, não demorei muito a ser atingida. Acabei tendo parte do braço cortado durante a luta, ganhei um belo soco no olho e comecei a sangrar pelo nariz e pelas orelhas devido ao consumo excessivo de energia.

Toda essa atenção acabou atraindo-a até mim. Nossos olhos se encontraram por um curto período enquanto eu derrubava mais um de seus soldados. Tentei abrir caminho até ela, mas Sky era esperta o suficiente e não se deixaria abater facilmente. Ela sumiu bem diante dos meus olhos segurando a Lança do Destino e voltou a reaparecer em minhas costas sem me dar chance de me defender. Seu ataque foi letal.

Eu senti a lança perfurando minhas costas e atravessando minha barriga, curvei o corpo para a frente e pisquei algumas vezes antes de descer o olhar para baixo, apenas para me deparar com a arma atravessada dentro do meu corpo. Arquejei e cuspi um bocado de sangue antes de cair ajoelhada, fazendo a lâmina rasgar mais fundo dentro de mim. Engasguei-me com meu próprio sangue enquanto encarava a pirata que me emboscara, que sorriu largo antes de puxar a lâmina do meu corpo e ordenar aos piratas que me atirassem no mar.

Eu não fui capaz de reagir. Tudo queimava…. minhas pernas não se moviam direito e meus pensamentos estavam afetados pela dor da perfuração. Eu piscava tentando recobrar a consciência com os olhos fixos naquela arma. Sky sorria e dizia coisas que eu não entendia, embora tenha captado parte de suas palavras sobre a lenda.

Ela não precisava de mim, descobriria por si mesma como a arma funcionava e, com isso, tinha selado o destino do mundo.

Exatamente como dizia na profecia.

Senti meu corpo ser atirado contra o mar e lentamente afundei nas águas escuras. Meus pulmões se encheram com a água salgada e meus olhos capturaram o reflexo do barco enquanto minha mente era tomada pela voz de Ivy recitando a tão famosa profecia.

O príncipe dos mortos reluziu sobre a terra
E com ela o inferno ao céu proclama a guerra
Pela Lança do Destino deve batalhar
E milhares de almas consigo vai levar.
Imortal não vai se tornar
Pois o sacrifício da alma de Amélia lhe deterá
.

Tem mais um pedaço da trama em uma postagem abaixo, pois precisava de alguém para me tirar da maldição do sono ao qual fui submetido para reviver meu passado. Todos os spoilers significativos estarão nele.



Enzo Amelia Earhart Hawley
Enzo A. E. Hawley
Enzo A. E. Hawley
Celestiais de Éter
Celestiais de Éter


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[RP's] Enzo Hawley Empty Re: [RP's] Enzo Hawley

Mensagem por Amber K. Blackwood em Qua Jun 19, 2019 11:09 pm

Fairy Worlds
Ficou ali sentada, os olhos fechados, e quase acreditou estar no País das Maravilhas, embora soubesse que bastaria abri-los e tudo se transformaria em insípida realidade…



Essa missão está sendo postada após consulta a staff. Estou utilizando o contrato espiritual (mais detalhe em spoiler) que me garante um espírito que é de mesmo nível que o meu. Somando os níveis alcançamos o limite mínimo para realizar essa missão.

MF:
A maldição do Sono da Bela – Oh não! Parece que algo estranho aconteceu na floresta encantada e o reino do rei Estevão (Stefan em inglês) foi amaldiçoado pela segunda vez. O castelo foi tomado pela maldição do sono e todos os habitantes do reino também parecem estar sofrendo dos efeitos dela. Como se isso não bastasse qualquer personagem ou criatura que se aproxima (seja pelo ar ou pela terra) também cai no sono imediatamente. O culpado disso tudo é a fada negra, uma das personagens mais poderosas do reino dos contos de fada que teve seu coração tomado ainda muito jovem. A fada negra é a inimiga número um da fada azul, uma das protetoras da jovem Bela e no momento também está adormecida. O príncipe Philip estava fora quando tudo aconteceu e ao retornar descobriu a situação da amada antes mesmo de entrar no reino adormecido. Transtornado e em busca de ajuda ele acabou encontrando o seu personagem. Ajude Philip a conseguir os ingredientes certos para levar a fada madrinha e conseguir quebrar a maldição do sono.
INGREDIENTES DA POÇÃO:

Uma flor da meia noite (ela só floresce no jardim da bruxa Gotel e é melhor que ela não esteja em casa, ou você vai ficar preso na torre da Rapunzel).
Um objeto recheado de amor verdadeiro
Pó de fada
Essência da maldição (qualquer coisa do reino que esteja impregnada com a maldição, lembrando que se você entrar no reino pode acabar caindo no sono, então precisa encontrar uma maneira de conseguir a essência sem ser atingido por ela).
Nível Mínimo: 65
Recompensas: 15.000 XP e Dracmas + 12 Fragmentos.

Depois de tanto perambular pela Floresta Encantada, eu já esperava conhecer uma parte dela. Mas o ambiente nunca era igual ou repetitivo, mesmo com minha memória fotográfica, eu não conseguia reconhecer um mesmo cenário mesmo que eu voltasse pelo mesmo caminho que tinha percorrido. Talvez fosse isso o que significava estar em uma floresta mágica; ela jamais era a mesma, mutável como se fosse um organismo vivo.

Ao meu lado Watson carregava Jasper em sua lombar. O Ikagorinai, nome da raça a qual Jasper pertencia, estava cada vez mais afeiçoado ao husky siberiano. Um pouco mais a frente estava o Coelho Branco, nosso guia naquele enredo maluco e fantasioso. Ele não parava de tagarelar sobre os reinos e seus moradores, falava sobre como as coisas eram antes de Josh enlouquecer e ser consumido pela magia negra.

— Nessa direção iremos para o castelo do príncipe Phillip! — O Coelho quase saltitava de felicidade. — É onde a Fada Azul costuma passar a maior parte do tempo, sendo uma das protetoras da princesa Aurora.

— Essa não é a Bela Adormecida? — Ponderei alto, meu conhecimento sobre os contos poderia ser curto, mas não me impedia de reconhecer personagens clássicos como Branca de Neve e, aparentemente, a srta. Adormecida.

— Oh ela realmente detesta esse apelido! Aurora é...

Nós paramos bruscamente quando escutamos o som de galope. Watson colocou-se na defensiva, rosnando baixo e exibindo os dentes de maneira ameaçadora, olhando em direção a origem do som. Mantive meus olhos presos no mesmo ponto, pronta para usar qualquer habilidade que derrubasse quem quer que fosse. Quando o cavalo surgiu, era um enorme garanhão branco com um homem montado. Ao nos ver ele puxou as rédeas bruscamente, fazendo o cavalo empinar as patas frontais. Watson latiu feroz e alarmado, Jasper segurando em seu pelo para não cair com os movimentos bruscos.

— Coelho Branco! — O homem exclamou assim que reconheceu o animal. — Eu preciso de ajuda!

— Ele é aliado, ele é aliado! — O coelho saltitou ao lado de Watson tentando acalmá-lo, mas o cachorro apenas cedeu quando fiz um som curto ao estar a língua. — Príncipe Phillip!

Um príncipe encantado em um cavalo branco pedindo ajuda. Oh boy, isso nunca era algo bom. A leitura empática gritava que ele estava agitado e temeroso, preocupado em um nível intenso. Ele possuía o cabelo castanho escuro, curto e uma barba por fazer. Poderia classificá-lo até como bonito, mas não tão atrativo quanto eu esperava que um príncipe encantado fosse ser. Trajando uma malha de metal e roupas da época, ele saltou para fora do cavalo branco com destreza.

— Vocês não podem seguir para o meu reino, ele foi amaldiçoado novamente pela Fada Negra! — Phillip anunciou com os ombros tensos. — Todos caíram na maldição do sono, eu não consegui me aproximar ou seria afetado também. Todos que tentaram, por terra ou pelo ar, acabaram adormecendo rapidamente.

— Isso é ruim, muito ruim, extremamente ruim! — O coelho praticamente cantarolou em uma crise de ansiedade.

— O desespero não vai ajudar em nada, coelho. — Falei o segurando antes que começasse a correr de um lado para o outro. Voltei a olhar para o príncipe começando a compreender a preocupação que o assombrava. — Você disse que isso acontece novamente, então existiu algo que quebrou a maldição antes.

— Um beijo de amor verdadeiro. — O príncipe logo respondeu, mas seus ombros caíram enquanto eu o fitava incrédula. — Mas dessa vez não será possível, eu não consigo me aproximar da Aurora sem cair na mesma maldição. Precisamos quebrá-la com outro método. Felizmente a Fada Azul me disse ingredientes de uma poção para despertá-la caso algo acontecesse. Se eu consigo despertar a fada, ela quebrará o feitiço com sua magia.

— E deixe-me adivinhar, você precisa fazer isso o mais rápido possível, antes que seja tarde demais.

O tempo jamais estava a favor dos personagens principais em qualquer tipo de enredo.

— Eu preciso proteger o meu reino das criaturas da floresta. Eu não vou conseguir sozinho, não dará tempo dessa maneira! — Phillip parecia prestes a socar o ar em frustração.

— Diga os ingredientes e onde posso encontrá-los. — Ofereci.

— É perigoso demais para alguém ir sozinho, eu não posso pedir algo assim a uma donzela!

— Não sou uma donzela e sei lidar com o perigo. Desembucha de uma vez, vossa alteza! Ajudar os outros é minha profissão.

— Você pode confiar nela, Phillip. — O coelho interveio em minha defesa.

— Certo... — O príncipe respirou fundo, hesitando por alguns segundos antes de finalmente falar. — Há uma flor poderosa que se chama Flor da Meia-Noite, infelizmente ela só cresce no terreno de uma mulher chamada Gotel, ela é perigosa o suficiente para trancar uma garota no alto de uma torre. Também precisaremos do Pó de Fada, isso você poderá encontrar ao se aproximar de Fairytopia.

— Eu sei onde fica cada lugar, vou guiá-la! — O animal albino se ofereceu rapidamente.

— Há uma cabana ao noroeste de meu reino, use essa informação como ponto de referência e não se perderem. Nos encontraremos lá.

O príncipe montou novamente em seu cavalo branco, dessa vez sua aura transparecendo mais confiança do que antes. Como ele conseguia confiar tão facilmente em uma estranha? Talvez fosse algo que envolvesse as criaturas daqueles reinos, tão acostumados a serem ajudados e a ajudarem em troca que não conheciam o egoísmo e a individualidade tão presentes em minha realidade. Phillip acenou uma última vez antes de incitar o cavalo para sair dali.

Soltei um longo suspiro, imaginando a confusão que tinha concordado em fazer parte. Estiquei minha mão para o alto, fazendo com que uma marca vermelha surgisse sobre a minha pele.

— Espírito guerreiro dos Fionna, venha até mim Diarmuid! — Invoquei o espírito que estava ligado à minha alma, assistindo com encanto como ele se materializava a minha frente.

Variando em tonalidades de azul e branco até se tornar um corpo material, o herói celta logo estava “vivo” uma vez mais. Diarmuid Ua Duibhne poderia não ser o personagem principal do conto que representava os guerreiros de Fionna; mas certamente tivera um papel fundamental no enredo trágico e recheado de provações. O lanceiro estava com seu traje costumeiro, em suas costas as lanças presas a um coldre de couro. Ele possuía intensos olhos amarelados, cabelos escuros e ondulados. Diarmuid foi um homem amaldiçoado por ser belo, atraindo a atenção de mulheres mesmo quando não desejava, sendo isto o que ocasionou todo o mal-entendido em sua história.

— Um castelo foi atacado por uma Fada Negra, provocando a maldição do sono. Precisamos encontrar os ingredientes para uma poção para despertá-los e, pela urgência que o príncipe deixou, pensei em ter um pouco de suporte. — Resumi para o espírito heroico.

— Se um reino precisa de ajuda, é o que faremos. — Diarmuid respondeu com uma breve reverência.

Um guerreiro leal e corajoso, era assim que eu via Diarmuid. Sorrindo mais confiante, finalmente soltei o Coelho para que ele nos guiasse pela floresta. Primeiro passo: a Flor da Meia-Noite.

•••

Quando o príncipe falou algo sobre uma mulher que prendia garotas em torres eu tive minha desconfiança de quem ele estava mencionando. Mas ver de longe o local onde Rapunzel tinha sido aprisionada durante toda sua infância e adolescência me fez rever todos os conceitos que tinha sobre contos de fadas. A garota de longos cabelos tinha sido sequestrada e mantida em cativeiro em um local como aquele.

— Rapunzel já foi salva, certo? — Murmurei para o Coelho Branco.

— Está feliz com seus pais no Reino de Corona. — O animal albino me garantiu e apontou para uma parte atrás da Torre. — É lá onde fica o jardim de Gotel, a Flor da Meia-Noite é de várias tonalidades de azul. Você a reconhecerá, pois ela é magnifica.

— Certo, é o local mais difícil de alcançarmos mesmo sendo furtivos. — Ponderei enquanto observava o ambiente como podia.

Estávamos abaixados atrás de um monte que separava a floresta do terreno de Gotel. Tínhamos uma visão parcial, mas ainda assim vantajosa do cenário a nossa frente. No meio de uma enorme clareira estava uma torre que poderia facilmente ser comparada a um prédio de dez andares. Um pequeno córrego passava a esquerda, enquanto a frente as folhas esverdeadas da grama mostrava o quanto o lugar, apesar de ser um cativeiro, era bonito. O jardim que almejávamos estava fora de nosso alcance, mas não as medidas de segurança que Gotel tinha tomado para proteger o lugar.

— Aqueles cachorros são amaldiçoados. — Diarmuid ponderou ao meu lado, sorrindo de maneira breve. — Apesar de achar que todos já sabiam disso, por causa da aparência deles.

Arqueei uma sobrancelha, sabendo que ele estava pontuando o óbvio. Como verdadeiros guardiões malditos, existiam três cachorros que vagavam pelo terreno. Eles eram do tamanho de um rottweiler, mas ao invés de pelos possuíam uma camada grossa de couro com rachaduras que demonstravam que fogo circulavam em sua derme. Mesmo a distância podíamos ver como os olhos brilhavam como chamas poderosas e assustadoras.  O rosto mal parecia o de um canino, correspondendo minimamente aos traços dessa espécie.

— Eu não escuto os pensamentos dela. — Anunciei depois de expandir minha mente em uma busca. — Então podemos ser rápidos e evitar encontrar uma vilã sequestradora.

Minha mente bolava rapidamente um plano, levando em conta todas as variáveis e possibilidades que o ambiente ofertava. Estava com algo quase formado, quando um dos cachorros de fogo ergueu o olhar e tornou a cabeça em nossa direção. Um calafrio perpetuou por meu corpo, provocando um desgosto forte o suficiente para embrulhar meu estômago. Estava para dizer para termos cuidado, quando Watson latiu forte e saiu correndo na direção do outro canídeo de maneira brusca.

— Não, Watson!

Mesmo sendo geralmente um animal obediente e submisso, Watson não me escutou. Seus instintos gritavam mais alto do que minha voz, o que fez com que o husky continuasse a correr em uma velocidade estupenda. Jasper que tinha permanecido em suas costas se segurava assustado. O cão preto e branco ia cegamente de encontro com um dos inimigos, sem perceber que o segundo se aproximava pelo seu flanco. Dessa vez, fora meu próprio instinto que impulsionou minhas ações, fazendo com que teleportasse para próximo deles.

Em meio a confusão, meu corpo apareceu ao lado de Watson. Bem a tempo de ver o segundo cachorro saltando em direção a ele. Por mais que o husky fosse um animal treinado, ele não era místico como o Ikagorinai arcano em suas costas. Ele morreria no primeiro impacto em seu corpo frágil e mortal. Sem pensar duas vezes ou medir as consequências, joguei meu corpo contra o do cachorro flamejante, provocando uma colisão que fez com que nós dois rolassemos para o lado. No meio do emaranhado de patas e rosnados, as garras dele atingiram minha cintura e perfuraram meu ombro. Engasguei-me com o som de dor, parando sobre a terra gramada com o animal sobre mim. O rosnado alertou para um novo ataque, meu reflexo agiu ao levar meu braço para a frente de meu rosto, fazendo com que ele mordesse o bracelete que cobria meu antebraço. O metal especial que adornava aquele item fez com que os dentes dele rachassem em meio a mordida poderosa. Meu músculo sofreu com o impacto, provocando outra onda de dor pelo meu corpo, mas o bracelete fez sua função de me proteger e impedir que toda aquela região fosse estraçalhada.

Estiquei minha palma livre, fazendo com que a tatuagem de borboleta agisse rapidamente. Em minha mão surgiu uma espada curta, sendo essa lâmina que usei para desferir um golpe no pescoço do cão. Ele tombou para o lado com o impacto, engasgando-se com o próprio sangue em seu processo rápido para a morte. Levantei-me em um salto, ignorando a dor que senti em meu ombro e cintura. Vi como Jasper lançava bolas de energia em direção ao inimigo a frente, enquanto Diarmuid atravessava a lança na altura da cintura do terceiro cachorro amaldiçoado. As bolas de energia atingiam a criatura e o impedia de atacar, mas não provocava dano o suficiente para derrotá-lo.

— Ei, aqui cachorro feio!

Gritei para chamar a atenção da última criatura inimiga ainda viva. O cachorro amaldiçoado latiu e virou a atenção para mim, farejou o ar e veio correndo em minha direção, atraído pelo sangue que escorria. Esperei o mais calma que podia, contando exatos três segundos antes de me jogar para o lado escapando do salto que o cão deu, com as garras apontadas em minha direção. Sobre meus joelhos, girei o corpo e lancei o meu braço em direção ao cachorro, fincando a espada com toda a força que possuía, atravessando as costelas dele. Como ainda estava no ar, a lâmina foi impulsionada para o lado quando ele pousou no chão, abrindo ainda mais o corte que tinha sido feito. Ergui meu corpo, resmungando alto perante a dor que perpetuava cada fibra de meu ser. Puxei a espada, a transformando novamente em uma tatuagem para ter as mãos livres.

— WATSON! — Gritei, meu tom tão raramente hostil e bravo quando direcionado ao husky que ele encolheu. — Nunca mais repita isso! Ou dormirá do lado de fora por um mês!

O siberiano ganiu baixinho, deitando-se no chão envergonhado. Balancei a cabeça negativamente, indo em direção ao jardim. O coelho estava certo quando disse que eu saberia o que era uma flor da meia-noite quando a visse. Era algo delicado, com várias pétalas ao redor que iniciavam em tom branco e ia se tornando azul até o miolo. Para prevenir, peguei três dela e a entreguei ao Coelho.

— Vamos sair daqui antes que Gotel apareça e nos tranque na torre. Não tenho cabelo grande o suficiente para ser usado e nem paciência para esperar um príncipe encantado. — Falei ainda de mau-humor.

Watson me seguiu cabisbaixo, Diarmuid encarava meus ferimentos e eu o tranquilizava com nossa ligação empática. Cuidaria dos machucados quando estivéssemos seguros e fora da possibilidade de me colocar como uma donzela em perigo.

•••

Estávamos a caminho de Fairytopia e, como o próprio nome já dizia, seria provavelmente um mundo feito para fadas. Meu ombro estava enrolado com o pedaço rasgado de minha camisa, evitando que sangrasse mais ainda. Ao sair do perigo, tinha meditado para recobrar um pouco das forças e estancar o sangue que escorria. Watson estava evidentemente arrependido, ainda mais quando Jasper passou a andar no ombro do Coelho ao invés de suas costas.

O roedor de cenouras com um amável blazer de época não parava de falar sobre como as fadas eram brincalhonas, travessas e amáveis quando não estavam ciumentas. Era uma boa forma de distrair e acalmar Jasper, o pequeno tinha passado por um belo susto por causa de seu companheiro quadrupede. Porém, em meio ao falatório, minha cabeça deu uma pontada quando uma sensação ruim perpassou meu corpo. Ser mentalista era como ter um radar interno de mentes malignas ao redor. A empatia, a telepatia e a capacidade de detectar presenças pareciam entrar em harmonia para me alertar do perigo. Infelizmente isso não funcionava o tempo todo e, quando acontecia, meu ser por inteiro entrava em estado vigilante.

“Vamos ganhar muito com essas fadas!”

“Elas não calam a boca, será que podemos arrancar as línguas e não perder o preço?”

“Gostaria de ter porco no jantar”

— Por aqui. — Falei subitamente, fazendo com que os meus companheiros me olhassem em dúvida. — Acho que encontrei algo. Ou algo me encontrou.

Adentrei mais a floresta, saindo da trilha que estávamos seguindo. O coração batia forte dentro da caixa torácica, pois o rumo que aqueles pensamentos seguiam deixava a interpretar de quem eram seus donos: traficantes.

Não andamos por mais de dez minutos para encontrarmos o que tinha alertado meu instinto mentalista. Um acampamento estava montado, com apenas duas tendas e alguns cavalos amarrados a troncos de árvore. No centro uma fogueira ainda sem chamas estava montada, quatro homens ao seu redor. Todos eram bastante parecidos, de cabelos curtos, roupas maltrapilhas e espadas presas a cintura. Ao lado de um, o mais gordo de todos, estava uma gaiola de pássaro. Porém, no interior das grades de aço estavam pequenas criaturas brilhantes.

— Traficantes de fadas! — O Coelho quase se engasgou ao perceber o que estava a nossa frente.

— Você fique aqui. — Apontei para Watson, quase sentindo dó do animal quando ele abaixou as orelhas e os ombros. — Jasper, você também. Coelho, é perigoso demais para você, poderá ser o jantar deles

— Qual o plano? — Diarmuid questionou, pegando a sua lança amarelada.

— Causar confusão, assustá-los se for preciso. Caso não... Bem, eles vão ter o que merece.

Como oficial da justiça eu sempre tentava capturar os bandidos para que eles encarassem a corte e as consequências de seus atos. Mas como julgar e condenar corretamente ladrões de fadas? Meu espírito borbulhava de raiva apenas em pensar nas pequenas criaturas presas, ainda mais depois de assistir quatro vezes Peter Pan com Maisie e gritar em todas elas que acreditava em fadas. Maisie ainda era jovem e apaixonada por filmes, ao menos era o que eu dizia a mim mesma sempre que pensava nesses momentos.

De maneira furtiva, usando as árvores como camuflagem, eu e Diarmuid fomos nos aproximando. Passo por passo, cuidadosos para não pisar em galhos secos ou provocar ruídos desnecessários. Ao ficar próxima o suficiente, concentrei meu olhar sobre as rédeas que prendiam os cavalos a madeira. Desatei cada um deles, sorrindo quando Diarmuid compreendeu meu plano. O herói celta seguiu para perto dos equinos e, depois de trocarmos um olhar cheio de cumplicidade, o espírito deu tapas fortes nos traseiros dos cavalos. Assustados, eles empinaram e saíram correndo, praticamente atropelando o acampamento. Levitei a gaiola com as fadas usando da telecinese, fazendo elas virem até mim.

— Fiquem calmas, nós vamos salvar vocês. — Falei para os pontinhos brilhantes assim que eu segurei a gaiola. — Não vou soltá-las ainda pois é perigoso no momento, apenas aguardem um pouco mais.

Levitei mais uma vez a gaiola, a levando para próximo de Watson e Jasper, contando com meus pequenos para que as protegessem de qualquer ataque surpresa. Voltei minha atenção para o acampamento, os traficantes estavam erguidos, com as espadas empunhadas e vociferando contra Diarmuid. O irlandês apenas permanecia calmo, como se nenhuma palavra fosse capaz de abalar suas estruturas. Teleportei para próximo dele, apareceu as costas do guerreiro espiritual. Minha aparição repentina fez com que os bandidos calassem a boca, dando tempo para que eu invocasse a minha espada curta através da tatuagem.

— Podemos começar? — Questionei um tanto divertida.

Nesses momentos a guerra se sobressaia. Descendente de deusas guerreiras, meus pudores e limites eram quebrados, dando vasão ao impulso de combate. A adrenalina percorria meu corpo enquanto minha espada colidia contra a do primeiro a tentar me enfrentar. O som de metal contra metal vibrando em meus ossos, deixando-me ainda mais em estado de alerta. Girei o corpo para o lado, atacando o flanco do bandido. Ele fora rápido, defendendo com a própria lâmina a sua lateral, mas não foi rápido o suficiente para impedir que meu chute atingisse o diafragma, aproveitando da grande abertura que ele tinha feito para impedir que minha espada fincasse em suas costelas.

Pelo canto dos olhos, vi Diarmuid usando do cabo da lança para amparar os golpes de dois bandidos enquanto o terceiro tentava atingi-lo pelas costas. Gritei para chamar a atenção do covarde, ele virou instintivamente, arregalando os olhos quando viu minha espada indo em sua direção. A lâmina foi direto em seu pescoço, o fazendo soltar a própria espada pelo medo que sentiu de ser decapitado. Porém, aquela espada era feita de ouro imperial, um material divino que não machucava humanos. A lâmina se tornou fantasmagórica, perdendo sua propriedade material para atravessar o homem sem provocar danos.

— Ops, brincadeirinha. — Sorri de lado, aproveitando o susto do homem para fechar a mão em punho e acertar um soco forte em sua garganta.

Eu sabia sobre o material divino não afetar os humanos. Mas eles não sabiam disso, passando instintivamente a defender-se com seus próprios equipamentos. O traficante que eu tinha chutado anteriormente recuperou o ar e vinha a toda em minha direção.

— Diarmuid!

Conectados por causa do contrato espiritual, Diarmuid sabia o que fazer mesmo que eu não verbalizasse. Ele desviou para a esquerda ao mesmo tempo que eu realizava a mesma ação, permitindo que os bandidos se chocassem ao sairmos de sua linha de mira. Olhei para as tendas, desamarrando-as com a telecinese e fazendo o tecido flutuar em direção aos adversários que estavam embolados uns nos outros depois da colisão. Movendo a mão canhota para facilitar a imagem mental do que eu queria fazer, comandei o tecido a envolver os corpos daqueles humanos grotescos, logo em seguida fazendo com que as cordas os amarrassem.

— Acho que isso resolve. — Falei enquanto retornava a espada ao seu modo tatuagem.

Diarmuid olhou para a espada dourada em suas mãos, mais sério e tenso do que eu tinha percebido inicialmente.

— Essa arma abençoada foi dada a mim por Manannán mac Lir, rei das fadas em meu reino. — O irlandês aproximou-se dos bandidos enrolados pela tenda, o seu tom se tornando assustadoramente ameaçador. — Se vocês ousarem tocar em uma fada novamente, podem ter certeza de que essa lança entrará por um lado e sairá do outro.

A minha capacidade empática logo capturou o medo que aqueles bandidos sentiram com a ameaça que escutavam. Eles não sabiam que Diarmuid estava preso a mim, ou muito menos de onde ele era. O medo do desconhecido as vezes era mais poderoso do que um medo real. Sorri satisfeita, seguindo com o herói celta ao meu lado.

Watson estava em posição de guarda, sentado com o corpo ereto e em alerta. Ao me ver, ele sustentou a postura, mesmo que seu rabo tivesse balançando de um lado para o outro em expectativa. Incapaz de continuar sendo dura com o animal, acariciei a cabeça dele murmurando um bom trabalho, sendo o suficiente para que o movimento do rabo triplicasse de velocidade. Peguei a gaiola, nos afastando ainda mais dos traficantes até que eu não pudesse sentir mais o cheiro do medo deles, por assim dizer. Longe o suficiente, finalmente abri a prisão que continha as pequenas criaturas brilhantes.

As fadas voaram rapidamente para fora, suas vozes finas quase sendo incompreensíveis. Mas eu entendia a emoção de liberdade que transpassava os pequenos corpos. Elas flutuaram ao redor das árvores, davam loops constantes até que uma delas, de brilho esverdeado, flutuou ao redor de Diarmuid.

— Fico contente de ter protegido uma bela criatura como a pequena lady. — Diarmuid pareceu responder aos barulhos que a fada fazia. — Apesar de não gostar de pedir nada em troca, é deveras verdade que precisamos de ajuda também. Escute a minha senhora e me ajudará também.

A fada voou para a minha frente. Quando perto, eu finalmente pude distinguir a sua fisionomia mesmo que esta ainda brilhasse fortemente. Eu mais senti a pergunta do que entendi, já que ela era pequena e sua capacidade vocal era difícil de captar com meu aparelho auditivo.

— Preciso ajudar a Fada Azul, estou a serviço do Príncipe Phillip. Ele solicitou pó de fada para uma poção que quebra a maldição do sono. Poderia nos ajudar? — Disse suavemente.

A pequenina voou em direção ao Coelho Branco, fazendo tantos barulhinhos que o roedor albino ficou nervoso ao tirar um pequeno saco de couro do bolso. Ele o abriu e a fada pulou lá dentro. Eu poderia jurar que ela estava se debatendo ou fazendo uma festa de uma pessoa só, pois o pó brilhante escapava por todos os lados. Voando exausta para fora do saquinho, ela flutuou até Diarmuid e tocou na bochecha dele, deixando o espírito levemente avermelhado.

— Acho que com isso podemos retornar para o príncipe encantado. — Comentei assistindo a fada se reunir com as outras e finalmente partirem.

•••

Apesar do Coelho Branco ser um ótimo guia entre os reinos, acabamos por nos perder duas vezes. A floresta mudava constantemente, tornando-se um labirinto vivo. A lua já estava em seu auge quando avistamos uma modesta cabana. O coelho foi o primeiro a correr, alcançando a porta e batendo repetidas e irritantes vezes. Se ele fizesse isso em minha casa, meu pai que o transformaria no prato principal do jantar.

A porta fora aberta por uma criatura que flutuava, de asas feéricas azuladas e vestido azul. Talvez ela fosse reconhecida como a fada dessa determinada cor. Porém, diferente das pequenas criaturas que salvamos, essa possuía um tamanho mais humano.

— Nossos heróis finalmente chegaram! — Ela exaltou, mas logo colocava as mãos na cintura. — Atrasados. Precisamos correr ou será tarde demais e ainda precisamos de um último ingrediente! O mais difícil de todos.

— Qual seria? — Perguntei sem esconder a preocupação.

— A essência da maldição. Precisamos de algo que esteja dentro do castelo, sobre o efeito do sono. Pode ser qualquer coisa! Um pedaço de pano, fios de cabelo, um objeto... Mas esse não é o verdadeiro desafio. — A fada flutuava de um lado para o outro.

— É não cair na maldição. — Deduzi pensativa. Uma mão sobre a cintura e a outra no queixo enquanto fazia meu cérebro ateniense funcionar. — É uma maldição que afeta as criaturas vivas, certo?

— Qualquer um que se aproxime, não importa por onde, será vítima!

— Mas apenas os vivos, correto? — Voltei meu olhar para Diarmuid.

— Ahn? — A fada flutuou ao redor do irlandês, até finalmente perceber a essência dele. — Oh! OOOOH! Pode funcionar! Você está tão real e... vivo! Mas não é vivo.

— Ele compartilha de minha energia para estar nesse plano. — Expliquei de maneira simples. — Vou com você até o mais próximo que puder, não sei o quão distante você pode ficar de mim e não gostaria de testar isso em uma situação de risco. Crianças, vocês ficam aqui e protejam a cabana.

Watson não gostou de não poder me acompanhar, ele olhava seriamente para mim, passando a caminhar de um lado para o outro. Jasper chegou a pular em meu ombro – tomando o cuidado de pousar sobre o lado que não estava machucado – e dar um abraço desengonçado que envolvia meu rosto. Era a primeira vez que ele demonstrava certo afeto por mim, o que me fez sorrir e acariciar as costas do pequeno, ignorando que tinha pelos por todo o meu nariz.

— Diarmuid fará o trabalho pesado, não se preocupe ok? Ninguém vai ficar órfão tão cedo. — Prometi para acalmá-los.

Assim que consegui retirá-lo, segui Diarmuid em direção ao castelo que aparecia sombrio no horizonte. Parei de andar assim que dei o primeiro bocejo involuntário, recuando dois largos passos para ficar segura. O espírito heroico balançou a cabeça em um pequeno aceno, seguindo em frente. Cruzei os braços, aguardando e invocando toda a minha paciência enquanto o esperava. Se ele ficasse em perigo, eu sentiria, mas não poderia fazer muito sem poder adentrar aquele terreno. No mais, eu poderia cortar a nossa ligação e tirá-lo do cenário de risco bruscamente, mesmo que isso o deixasse bastante irritado.

Diarmuid pareceu demorar uma eternidade até retornar com o que parecia ser um colar. Ele explicou ter retirado de uma serviçal que desmaiou enquanto estendia roupas. Não segurei o item para que minha presença viva não o afetasse, seguindo o espírito de volta para a cabana. Watson foi o primeiro a vir nos cumprimentar, correndo em minha direção e enroscando em minhas pernas. Dessa vez, príncipe Philip estava presente, aparentando extremo cansaço e alguns machucados no corpo.

— Tenho tudo o que preciso! Resta apenas uma coisa... Phillip.

A fada azul esticou a mão em direção ao garoto. Ele hesitante, retirou as luvas pesadas que protegiam seus dedos, para ter acesso a aliança que residia em seu anelar. Com um ar tristonho, Phillip tirou o acessório e o entregou para a fada.

— Um objeto recheado de amor verdadeiro. — Ele explicou quando notou os olhares confusos na direção dele. — Esse foi o anel de casamento de meu pai também, que amou minha mãe até seu último suspiro. É também o meu, que representa a união entre mim e Aurora. Porém é apenas um objeto, não se compara a não ter minha amada comigo!

— Todos eles irão despertar logo, querido. Agora saiam daqui para que eu possa fazer a poção!

A fada praticamente nos expulsou da cabana. Troquei olhares com Phillip e ele apenas deu de ombros, jogando-se no chão gramado cansado e ainda preocupado. Diarmuid tocou o meu braço para chamar minha atenção, mas eu sabia que ele queria retornar ao mundo espiritual depois de passar tanto tempo no material. Apenas concordei com um acenar de cabeça, assistindo o espírito se fragmentar em uma luz azulada antes de desaparecer por completo. Joguei-me ao lado do príncipe, sentindo-o ainda tenso e cheios de expectativas. Por sorte, Watson não sabia o que era ficar parado e ansioso, começando a brincar com Jasper para distrair.

— Eu não acredito que deixei meu reino cair na mesma maldição, de novo! — Phillip desabafou depois de longos minutos de silêncio.

— O que você poderia ter feito para evitar isso? — Indaguei de maneira suave, encarando ainda Watson que servia como “cavalo” de Jasper.

— Eu não sei!

— Exatamente, vossa alteza. Nós sabemos nos preparar para o perigo que conhecemos, nos munimos e protegemos da melhor maneira que podemos. Mas a vida é traiçoeira e prepara jeitos esquisitos de nos desafiar. Eu vim de outro mundo, outra realidade e acredite, eu não tinha como me preparar para conhecer fadas e coelhos falantes.

— O que eu devo fazer então?

— Sempre melhorar, evoluir, agarrasse naquilo que acredita e as pessoas boas ao seu redor. Ser forte não é a ter a melhor arma ou a melhor estratégia. É ser a melhor versão de si em momentos de perigo e desafios.

O príncipe soltou um longo suspiro e sorriu cansado, a mente dele estando mais em paz depois daquela pequena conversa. A fada demorou bastante para concluir a poção, o interior da cabana ficava iluminado diversas vezes, como se uma festa estivesse acontecendo ali dentro. Até que, finalmente, ela saiu voando e serelepe.

— Eu vou despejar a poção sobre o reino, me esperem na entrada! Darei o sinal de quando for seguro!

Foi como acender fogos de artifício ao redor do príncipe. Rindo do pulo que ele deu, o segui junto aos outros, correndo um pouco mais atrás dele. Do alto, era possível ver um brilho azulado movendo-se de um lado para o outro, despejando um pó brilhante por todo o castelo. Era como assistir uma estrela cadente que se movia livremente, sem seguir uma única direção.

Os grandes portões do castelo estavam fechados, mas a sensação de sonolência ao estar próximo dele já não existia mais. Eu poderia jurar que o príncipe estava prestes a chorar quando começou a escutar vozes. O som de metal se movendo o deixou emocionado, assim como ver seus soldados o aguardando próximos da Fada Azul.

Eu sorria abertamente, o seguindo a distância, apenas para garantir que tudo estava bem realmente ou se ainda precisavam de alguma assistência. As pessoas ainda estavam sonolentas, meio lerdas e preguiçosas. Tudo não tinha passado de um sonho para eles, alguns até mesmo reclamavam de dores pelo corpo, pelo modo que tinham adormecido. Para o príncipe, no entanto, o grande momento veio quando Aurora apareceu na entrada principal.

Eu precisava admitir que a princesa era realmente linda, mas não teve nada de gracioso no choro e no modo como ela correu desesperada em direção ao seu príncipe. Mordi o lábio inferior para não rir da cena, afinal era algo feliz e que deveria ser comemorado. Estava pronta para começar a me despedir quando a Fada Azul parou rapidamente a minha frente, o sentimento de alarme e preocupação residindo no corpo feérico.

— Temos um problema! Uma pessoa não acordou e eu acho que ele é um dos seus. Um garoto do outro mundo!

Um semideus? Franzindo o cenho e preocupada, comecei a seguir a fada para dentro do castelo. Watson e Jasper me seguiam de perto, sendo acompanhados do Coelho Branco. Seguimos para um corredor enquanto dois guardas terminavam de colocar alguém sobre uma cama. Quando eles se afastaram, o mundo sobre meus pés pareceu desaparecer.

— ENZO!

O nome escapou de meus lábios quando reconheci o melhor amigo de minha irmã. Corri para a lateral da cama, sentando-me sobre o colchão enquanto levava a mão para a lateral do pescoço dele. O pulso ainda estava ali, a expressão serena não denunciava nenhum tipo de dor. O celestial apenas dormia.

— Por que ele não despertou com os outros? — Exigi saber ao olhar para a Fada Azul.

— A maldição foi mais forte para ele, por algum motivo. Apenas a poção não foi o suficiente. — A mulher feérica azulada justificou rapidamente.

— O que podemos fazer então? Alguma outra poção? Uma mais forte?! — Sugeri com certa urgência.

— Só há uma coisa mais forte do que a poção. — Phillip falou da porta, abraçado a esposa.

— Um beijo de amor verdadeiro. — Aurora completou.

Meu queixo caiu alguns centímetros sem acreditar naquela sugestão. Merda de contos de fadas que incentivava beijos como cura para tudo! Não poderia ser chá como na maioria dos locais? Passei a mão sobre o meu rosto, tentando lembrar de quem o garoto gostava, até que uma ideia passou pela minha mente tão inusitada e absurda que eu franzi o cenho.

— Preciso retornar ao meu mundo e procurar por minha irmã, apenas ela conhece Enzo o suficiente para saber quem ele gosta. — Levantei da cama, um plano seguro passando por minha cabeça.

— Você deveria tentar. — O coelho soltou a bomba de maneira serena.

— Você enlouqueceu? — Indaguei prontamente.

— O garoto disse na missão que vocês dois combinam! Isso é um sinal, Amber. — O roedor argumentou.

— Você poderia tentar ao menos, se ele não despertar com isso, poderá seguir com o seu plano sem ficar ponderando o “e se”. — Aurora sugeriu.

Passei a mão em meu cabelo enquanto andava de um lado para o outro, sem acreditar naquela sugestão absurda. Era um beijo de amor verdadeiro! Eu não o amava... Não que eu tivesse conhecimento. Eu saberia se o amasse, não saberia? Mas eu não poderia negar que sabia que o garoto tinha algo por mim. Engoli em seco, olhando para Enzo em um conflito de ideias e sensações. Mas quando o notei tão imóvel e ao mesmo tempo sereno, já não pareceu importar o que eu achava e como eu interpretava as coisas, eu precisava ao menos tentar.

Voltei a sentar ao lado do garoto, tocando suavemente o seu rosto. Ele sempre fora um rapaz jovem e bonito, cheio de vida e um sorriso iluminado. Como alguém cheio de vida poderia gostar de alguém como eu? Mordisquei o lábio inferior, sentindo meu corpo estremecer enquanto inclinava em direção ao garoto, hesitando por alguns segundos. Nossos rostos estavam tão próximos que eu podia vislumbrar os fios de barba que cresciam. Meu coração disparou, tornando o momento tão mais intenso do que deveria ser! Resmunguei baixo, criando a coragem para finalmente selar nossos lábios. Não era o nosso primeiro beijo, afinal de contas!

Afastei logo depois, não deixando que o contato durasse mais do que três segundos. Levantei da cama e fitei o garoto, o coração em dupla expectativa. Se ele acordasse o estaria livrando de uma maldição. Se ele não acordasse, eu teria de resolver aquele problema de outra maneira. Mas logo o corpo dele começou a mover-se, meus olhos dobrando de tamanho com a simples ideia de que aquele tinha sido um beijo de amor verdadeiro.

— Ninguém dirá como a maldição foi quebrada! — Alertei a todos de maneira ameaçadora e baixa.

Eu tinha de lidar com a ideia de amor e ainda acrescentar o adjetivo verdadeiro. Já era difícil conciliar essa noção, tudo o que eu menos precisava era ter de fazer isso com ele sabendo!


C
Amber K. Blackwood
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Mentalistas de Psique
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Mensagem por Amber K. Blackwood em Qua Jun 19, 2019 11:23 pm

Fairy Worlds
Ficou ali sentada, os olhos fechados, e quase acreditou estar no País das Maravilhas, embora soubesse que bastaria abri-los e tudo se transformaria em insípida realidade…



Itens Levados:
• Arsenal [Anel brilhante com uma pedra preciosa, esbranquiçada e minúscula em seu centro | Aço | . Possui o efeito de alterar uma arma, mudando assim sua forma, detalhes, e qualquer outra coisa que o portador desejar, desde que as alterações sejam apenas físicas. Ou seja, utilizando o efeito do anel, é possível transformar uma lança em uma espada ou faca, ou qualquer outro item de ataque. Um escudo circular pode ser transformado em um broquel, ou um escudo de corpo. Os materiais dos itens podem ser alterados, mas seus efeitos sempre serão os mesmos (exemplo: uma espada elétrica ainda causaria dano por eletricidade se transformada em uma lança) | Não possui espaços para gemas | Comum | Resistência: Sigma | Status: 100%, sem danos | Comum | Comprado na loja ].


• Wonder Bracers [Um par de braceletes de tom prateado, feito de vibranium, que cobre desde o pulso até abaixo do cotovelo. Protege, portanto, toda a área do antebraço. | Efeito mecânico: Assume a forma de uma pulseira prateada | Efeito 1: Graças aos encantamentos de proteção, bloqueio e elemento ar, um escudo translúcido feito de energia e vento é feito, defendendo de ataques a longa distância. O tamanho do escudo varia desde a área do bracelete até o diâmetro ser grande o suficiente para proteger o tronco de quem usa o bracelete.; Efeito 2: Ao receber impactos, o material absorve o dano e o transforma em um contra-ataque em forma de onda de energia. Isso é possível graças as propriedades do metal e os signos mágicos selados no item. Consumindo 50MP para tal feito, os braceletes podem absorver 25% do dano e lança-lo em forma de uma onda de energia que pode atingir um raio de até 10m, tendo o usuário como ponto de referência. O dano pode ser acumulativo, absorvendo no máximo até 4 golpes, sendo o dano da onda referente a soma dos 25% de cada ataque, porém irá custar 80MP. Pode ser usado novamente apenas após 2 turnos de espera. | Bônus de forja: +15% de dano; Bônus de FPA e lendário: +60 de dano. | Vibranium | Alfa prime | Crystal: gema que oferece a propriedade de cristal, convertendo poderes relacionados a elementos (água, ar, terra, fogo, raio e etc), a cristais, sendo capaz de fazê-los sair do chão, atingirem uma pessoa (para endurecer membros, como braços e pernas), criar prisões, e até mesmo materializar o material na superfície da água, a endurecendo; espaço para 2 gemas | Status: 100% | Lendário | Forjado por Nikolaev]

• Tatuagem Azul [Uma pequena tatuagem azulada, com o desenho de preferência do mentalista, que pode deixar a pele do semideus, se transformando em uma espada de acordo com o desejo do seu portador. | O efeito da espada, quando ativado, faz com que o mentalista seja capaz de se comunicar mentalmente com qualquer forma de vida animal, podendo o controlar por até dois turnos. Sendo que animais de porte pequeno, como insetos, podem ser controlados em quantidade, ao contrário de animais grandes como coelhos, veados etc. Tal poder só poderá ser utilizado até duas vezes por missão, evento, pvp etc. | Ouro Imperial. | Não possui espaço para gemas. | Resistência beta. | 100%, sem danos. | Nível 3. | Lendária. | Presente de Reclamação do grupo Mentalistas de Psiquê.]
Habilidades:
Algumas habilidades irão dar a sensação de estarem duplicadas, mas isso é devido a semelhança do controle mental tanto de Psiquê quanto de Athena. O que torna os poderes mentais da Amber mais poderosos.
Ativas:


Nome do poder: Teletransporte III
Descrição: O seguidor de Psiquê tornou-se um teletransportador veloz, apesar de não ter atingido o ápice ainda, seus teletransportes podem durar agora um piscar de olhos. Nesse nível também é possível teletransportar outras pessoas, desde que esteja tocando no mentalista. A distância também aumenta para vários quilômetros de distância. Na prática, é como transportar de um estado para o outro.
Gasto de Mp: 15 a 35 (+10MP por pessoa)
Gasto de Hp: 5
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum
Extra: Ao usar o teleporte, o mentalista deixa um pequeno rastro azul em seu ponto inicial.

Nome do poder: Telecinese III
Descrição: Consegue levitar qualquer tipo de objeto com peso até 100 Kg aproximadamente. Esses objetos podem se mover pelo ar com o controle da telecinese do semideus com mais precisão, pois seu controle já está mais aprimorado.
Gasto de Mp: 50 MP
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: 20 a 85 dependendo de como for utilizada. (Dano a critério do narrador).
Extra: Nenhum

Nome do poder: Telecinese IV
Descrição: A telecinesia já faz parte natural do mentalista. Ele não precisa mais ajuda das mãos para coordenar e guiar o poder da mente. O poder está tão avançado ao ponto do mentalista conseguir levitar ao próprio corpo, o fazendo voar por um determinado tempo.
Gasto de MP: 15 para leves e médios, 20 para objetos pesados.
Gasto de HP: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum
Extra: É possível levitar objetos pesados, como carros, cofres com conteúdo etc. Limite de 2 objeto pesado por vez, sem limites para objetos pequenos e medianos. É possível usar a telecinese para “voar”. Porém não é um voo ágil ou veloz, literalmente é a sensação de flutuar em pleno ar. Só é possível usar em si mesmo.

Nome do poder: Telepatia III
Descrição: O mentalista está se tornando um mestre telepata. Agora, ele consegue ler até cinco mentes diferentes e comunicar-se entre elas de maneira clara e sucinta. Nesse nível, a comunicação pode dar-se até mesmo com imagens, não reproduzindo apenas a voz do telepata na mente dos outros.
Gasto de MP: 5 por turno ativo.
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum
Extra: A telepatia é uma habilidade que permite apenas a leitura e comunicação mental, não há nenhum controle ou influência mental.

Nome do poder: Meditação e Reza
Descrição: O filho de Athena fica parado durante alguns segundos rezando para sua mãe - pedindo ajuda - e caso ela atenda seu pedido, pode recuperar até 30 HP.
Gasto de Mp: 10 MP por rodada usada
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum
Extra: Válido lembrar que o poder pode ser falho, pois Athena pode não atender o pedido. Ficará a critério do narrador e da situação em questão.
Mentalista:
Nome do poder:  Inteligência Múltipla – Corporal
Descrição: O cérebro possui múltiplas inteligências que os seres humanos desenvolvem com treinos ou a desenvolvem naturalmente. O mentalista agora possui a inteligência corporal apurada, tendo o hemisfério esquerdo mais ativo no momento. É a inteligência que utiliza todo o corpo para expressar ideias e sentimentos, e também a habilidade no uso das mãos para transformar objetos, como no artesanato. As capacidades de equilíbrio, flexibilidade, velocidade, coordenação, assim como a habilidade cinestésica, ou a percepção de medidas e volumes, se manifestam neste tipo de inteligência. Atletas, cirurgiões, artesãos, bailarinas, são os exemplos mais conhecidos.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de HP: nenhum
Bônus: +30% em equilíbrio, flexibilidade, velocidade e coordenação motora.
Dano: Nenhum

Nome do poder:  Corpo equilibrado II
Descrição: O equilíbrio do corpo do seguidor de Psiquê está cada vez melhor. Agora ele consegue equilibrar-se em superfícies escorregadias e em espaços pequenos de se locomover. Porém, ainda é necessária certa concentração.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +60% de equilíbrio
Dano: Nenhum

Nome do poder:: Auras
Descrição: Os seguidores de Psiquê possuem a capacidade de ver a aura dos seres vivos. São como uma luz translucida que envolve tudo o que é vivo. Dizem que é a habilidade de ver a cor da alma. Cada mentalista tem uma interpretação diferente para as cores das auras, não havendo assim um padrão de cores.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum

Nome do poder: Leitura de personalidade
Descrição: é a capacidade de interpretar a personalidade de outras pessoas, sabendo reconhecer as características mais fortes dos outros passando apenas um tempo mínimo com eles.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum
Extra: Necessário pelo menos dois turnos de interação ou observação da pessoa para poder definir parte de sua personalidade.

Nome do poder: Inteligência Múltipla – Espacial
Descrição: O cérebro possui múltiplas inteligências que os seres humanos desenvolvem com treinos ou a desenvolvem naturalmente. O mentalista agora possui a inteligência espacial apurada, tendo o hemisfério direito mais ativo no momento. É a habilidade para pensar em três dimensões. Uma capacidade que nos possibilita perceber imagens externas, internas, transformá-las ou modificá-las e produzir ou decodificar informações gráficas. Pilotos, escultores, pintores, marinheiros e arquitetos são exemplos claros. Pessoas que gostam de elaborar mapas, quadros, desenhos, esquemas, plantas de casas.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de HP: nenhum
Bônus: Ganha uma visão espacial, podendo ter noções de tamanho, profundidade e densidade de prédios e ambientes urbanos. Sabe ler qualquer tipo de mapa.
Dano: Nenhum

Nome do poder:  Detectar Presenças
Descrição: O seguidor da deusa Psiquê pode notar presenças escondidas dentro do ambiente em que se encontra, mesmo que elas estejam camufladas ou invisíveis. É uma sensação forte de que a algo a mais ali. Caso concentre-se um pouco mais, poderá sentir a origem da presença.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de HP: nenhum
Bônus: 75% de chance de encontrar coisas invisíveis e camufladas. Caso o item tenha sido encantado por alguém mais forte ou o semideus "escondido" seja alguém mais forte, não conseguirá encontrar a presença, apesar de saber que ele ou o item está ali.
Dano: Nenhum

Nome do poder:  Leitura empática
Descrição: a empatia é a capacidade de sentir e/ou perceber o que os outros estão sentindo no momento. Nesse nível, os mentalistas conseguem interpretar as emoções dos outros seres vivos.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum

Nome do poder: Inteligência Múltipla – Lógica.
Descrição: O cérebro possui múltiplas inteligências que os seres humanos desenvolvem com treinos ou a desenvolvem naturalmente. O mentalista agora possui a inteligência lógica apurada, tendo o seu “Centro de Broca” mais ativo no momento. Essa é a inteligência empregada para resolver problemas lógicos e matemáticos. É a capacidade para utilizar o raciocínio dedutivo e de calcular corretamente. É a inteligência que costumam ter os cientistas, matemáticos, engenheiros e aqueles que utilizam cálculos e deduções (trabalham com conceitos abstratos, elaboram experimentos).
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Suas estratégias ganham mais credibilidade; +20% de assertividade em arremesso de itens, graças aos cálculos realizados
Dano: Nenhum

Nome do poder: Memória Fotográfica
Descrição: Os mentalistas possuem uma memória perfeita. Ao se depararem com um estímulo, ele irá lembrar futuramente, mesmo depois de um longo tempo. A memória aqui não se prende apenas ao visual, envolve também os outros sentidos do corpo. Senso assim, poderá lembrar de um som, de um cheiro, de um gosto em específico.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum

Nome do poder: Capacidade cerebral aumentada
Descrição:  Ao se tornar um Mentalista, o semideus potencializa a capacidade cerebral. Suas sinapses são mais eficientes e sistema nervoso funciona melhor do que qualquer outro semideus ou ser vivo. Isso permite que o Mentalista use de sua mente como sua principal arma, sem enlouquecer ou sofrer danos cerebrais durante o uso das habilidades.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum
Athena:
Nome do poder: Furtividade III
Descrição: Assim como as corujas, o campista consegue se deslocar pelos lugares sem ser notado com facilidade. Chega ao ápice da furtividade que um filho da deusa pode alcançar, movendo-se com precisão o suficiente para não chamar a atenção, além de saber ler o ambiente para identificar pontos estratégicos que escondam sua presença.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: 30% de chance não ser notado
Dano: Nenhum

Nome: Aprendizado apurado III
Descrição: A inteligência de um filho de Athena é um dos pontos mais fortes do semideus, quando bem desenvolvida e estimulada. Ao estudar algo, o filho da deusa da guerra estratégica ganha mais domínio sobre o assunto do que qualquer outro semideus.
Gasto de MP: Nenhum
Gasto de HP: Nenhum
Bônus: +15% de bônus em habilidades aprendidas.
Dano:  +15% de dano em habilidades aprendidas.
Extra: Necessário colocar essa habilidade em destaque, para que narrador esteja ciente do aumento no bônus e dano.

Nome do poder: Campo de visão
Descrição: Tão ligados a coruja, símbolo de Athena/Minerva, os filhos da deusa desenvolvem a capacidade de enxergar o campo ao seu redor como uma coruja que pode virar seu pescoço a quase 360º graus.
Gasto de MP: Nenhum
Gasto de HP: Nenhum
Bônus: +50% de chances de perceber um ataque surpresa.
Dano: Nenhum.

Nome do poder: Racionalidade
Descrição: Apesar de não serem frios e calculistas, filhos de Athena/Minerva possuem como uma de suas principais características a suas capacidades cognitivas apuradas. Graças a isso, eles conseguem ser mais racionais e até mesmo camuflar algumas emoções sentidas. Conseguem captar facilmente traços ou dicas que os ajudem pensar logicamente perante uma situação.
Gasto de MP: Nenhum
Gasto de HP: Nenhum
Bônus: Nenhum.
Dano: Nenhum.

Nome do poder: Agilidade II
Descrição: Os filhos de Athena/Minerva podem não ser tão fortes quanto os de Ares/Marte, mas possuem um controle corporal ainda mais aprimorado. A agilidade da prole da deusa é apurada, permitindo movimentos cada vez mais elaborados e complexos.
Gasto de MP: Nenhum
Gasto de HP: Nenhum
Bônus: +20% de agilidade.
Dano: Nenhum.

Nome do poder: Foco
Descrição: Com uma das mentes mais apuradas, é difícil distrair um filho de Athena quando este está dedicado a suas ações.
Gasto de MP: Nenhum
Gasto de HP: Nenhum
Bônus: 40% de foco em combate ou atividades.
Dano: Nenhum.

Nome do poder: Estratégia II
Descrição: O campista é bom em elaborar planos e estratégias de batalha, o que torna a chance de erro para ataques diretos, ou criação de armadilhas, menor, ou seja, a margem de erro será inferior ao dos outros semideuses.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +20% de acerto em ataques planejados previamente.
Dano: Nenhum

Nome do poder: Visão de batalha
Descrição: Com o decorrer dos anos e a inteligência avançada, vem a visão aprimorada de uma batalha. Essa visão permite ao semideus entender a forma como os outros lutam mais rapidamente, e conseguir identificar e se adequar às diferenças. Por exemplo: um romano e um grego não são soldados da mesma maneira, assim como um humano também não o é. Ao compreender isso e adquirir essa visão, o semideus também consegue achar meios mais eficazes de se defender e de derrotar um inimigo, apenas o estudando.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +10% de chance de acertar o alvo em pontos críticos.
Dano: + 15% de dano se o golpe acertar.

Nome do poder: Memorização
Descrição: A mente do semideus é capaz de arquivar informações com mais facilidade, lembrando-se de caminhos percorridos, dados sobre coisas que já viu ou conheceu. A boa memória do semideus o faz capaz de lembrar informações importantes sobre o cenário ou sobre inimigos que já enfrentou.
Gasto de MP: Nenhum
Gasto de HP: Nenhum
Bônus: +10% de inteligência e +30% de capacidade memorial
Dano: Nenhum
Extra: Caso o semideus já tenha enfrentado determinado inimigo ou passado por alguma situação, se lembrará de detalhes que o ajudem a superar o problema.

Nome: Golpes Críticos I
Descrição: Graças a capacidade estratégica dos filhos de Athena, eles têm uma maior chance de acertarem pontos críticos ou retirarem um dano crítico em um golpe.
Gasto de MP: Nenhum
Gasto de HP: Nenhum
Bônus: 10% de chance a mais de tirar crítico em seus golpes.
Dano: +10% de dano quando tem acerto crítico
Extra: Nenhum.

Nome do poder: Sabedoria em Combate
Descrição: Os filhos de Atena conseguem descobrir os pontos fracos de seus inimigos, fazendo com que seus golpes sejam mais efetivos. Em monstros que já conheçam, ou tenham lutado, eles já saberão o ponto fraco.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +15% de chance de acertar um ponto crítico em batalha.
Dano: +10% de dano em monstros que já tenham enfrentado anteriormente.
Extra: Precisa avisar ao avaliador quando enfrentou o monstro.

Nome do poder: Inteligência
Descrição: Um filho de Athena é naturalmente inteligente, por sua mãe ser a deusa da sabedoria, o semideus aprende as coisas mais rápido, o que também permite que ele note coisas que outras pessoas não percebem. O semideus de Athena sempre procura uma saída lógica, consegue bolar um plano e encontrar pontos chaves, pois tudo aquilo que não consegue entender lhe deixa frustrado. Ele sempre buscará respostas.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +5% das estrategias darem certo. (Aumenta em +5% a cada 5 níveis que o semideus adquirir).
Dano: Nenhum.

Nome do poder: Camaleão
Descrição: O filho de Athena sabe como procurar um esconderijo. Normalmente se camufla muito bem, conseguindo encontrar um lugar pra fugir do perigo.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: A chance do semideus ser encontrado baixa em 25%
Dano: Nenhum

Nome do poder: Visão noturna
Descrição: Você enxerga relativamente bem no escuro, graças à ligação entre Athena e as corujas. O efeito de apagar a luz, ou locais desprovidos de qualquer claridade tem menos efeito em você, significa que sua visão será remota, mas não ficará totalmente cego. (Esse aprimoramento não conta para magias, ou poderes de escuridão que exerçam de cegueira temporária).
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +50 de visão ao enxergar no escuro. A visão ainda será relativa.
Dano: Nenhum
Legado Belona:
Nome do poder: A arte da guerra
Descrição:  Filhos da deusa da fúria da guerra, esses semideuses possuem um conhecimento apurado em estratégias básicas e de sobrevivência. É similar a um instinto, uma intuição, uma sequência de pensamentos que permitiam ao romano a analisar o combate como se fosse uma arte. Graças a isso, raramente entra em estado de desespero quando situações de risco surgem.
Gasto de Mp:  Nenhum
Gasto de Hp:  Nenhum
Bônus:  Conseguem elaborar planos e estratégias, assim como não são abalados com a eminência de um combate ou situações de perigo.
Dano: Nenhum

Nome do poder: Combate não Armado
Descrição: A prole da deusa Belona tem um vasto conhecimento sobre combates. Seu corpo e seu espíritos foram forjados para o combate. Assim, eles possuem a capacidade de luta corporal muito elevada, sabendo técnicas marciais mesmo que nunca tenha realizado uma aula sequer antes. As técnicas podem ser utilizadas para a elaboração de movimentos complexos, como mortais, piruetas, ataques acrobáticos e golpes que requeiram uma grande elasticidade.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum

Nome do poder: Ambidestria
Descrição: A ambidestria nada mais é do que a capacidade de se usar ambas as mãos como predominantes. Tanto a mão destra quanto a canhota possuem um desenvolvimento motor elevado, permitindo o manejo de equipamentos e, principalmente, armas. Assim sendo, filhos da deusa da guerra conseguem manusear com perícia duas armas ao mesmo tempo ou alternando as mãos.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Conseguira manusear duas armas com naturalidade, desde que essas não precisem das duas mãos para ser empunhadas (ex: podem usar uma espada curta em cada mão, dois machados mais leves, duas adagas), lutando com a mesma destreza que lutaria apenas com uma arma.
Dano: Nenhum.

Nome do poder: Corpo Guerreiro I
Descrição: O filho de Belona tem o corpo preparado para a guerra e combates de longa duração. Seu metabolismo e funcionamento é diferente de qualquer outro semideus, tendo assim os componentes biológicos potencializados. Isso oferece maior resistência corporal (diminui o cansaço físico e a dor de impactos no corpo), imunológica e permite que a hipercinesia não cause sobrecarga cerebral ou muscular.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +15% em resistência corporal, +20% de imunidade a infecções e venenos.
Dano: Nenhum
Habilidades Aprendidas + Tatuagens:
As habilidades aprendidas ganham +15% de bônus e dano graças a uma habilidade passiva de Athena.


Nome: Atleta olímpico
Descrição: O triatlo é um esporte olímpico de origem grega que compreende natação, ciclismo e corrida. O atleta desta competição precisa exercitar suas habilidades motoras para um bom desempenho nestes esportes, que exigem resistência física, velocidade e controle do corpo. Portanto, após experienciar o triatlo, o semideus terá desenvolvido sua condição física tal como um atleta deste esporte.
Gasto de MP: Nenhum
Gasto de HP: Nenhum
Bônus: +30% (+15% = 45%) de resistência física, velocidade e controle corporal
Dano: Nenhum

Nome: Dia do caçador
Descrição: Com essa habilidade o semideus tornara-se silencioso como um espírito, conseguindo correr em meio a vegetações e terrenos desconhecidos. Conseguem apurar seus sentidos e coordenação ao desenvolver tal habilidade, também notam com mais facilidade o que acontece a sua volta, tendo seus sentidos mais aguçados, a fim de perceber quando estão em problemas dando-os a chance de fugir ou lutar.
Gasto de MP: Nenhum
Gasto de HP: Nenhum
Bônus: +40% (+15% = 55%) de furtividade e percepção
Dano: Nenhum.
Extra: Nenhum.

Nome do poder: Speed and Strength
Descrição:Todos sabem que a força e a velocidade são diretamente ligadas, sendo uma companheira da outra para diversas tarefas onde o corpo é exigido ao máximo. Após um árduo treinamento, o semideus que adquiriu essa habilidade corpórea, consegue utilizar igualmente as duas característica para fins como, subir em locais de difícil acesso, correr sobre terrenos inclinado que exijam mais de seu corpo entre outros cenários problemático. Sempre onde as duas grandezas trabalham em dupla.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +45% (+15% = 60%) de Velocidade e 25% (+15% = 40%) de força.
Extra:  livro Truques não Revelados aplicado.

Bart Allen | Velocidade | (Apanhador de Sonhos em estilo aquarela AQUI) | Aumenta a velocidade do semideus em 30% | (Costela esquerda) | marca mediana | Permanente.

Invicto | Inteligência | (Coruja aquarela AQUI) | Amplia a mente do semideus, o fazendo aprender mais rapidamente tudo que lhe é ensinado. Além disso, sua capacidade de descobrir coisas e sua percepção sobre situações aumenta em 20%, seus planos e estratégias com isso, ganham bônus de 20% de chance para darem certo| Ainda recebe bônus de 5% em habilidades adquiridas em aula.(Um pouco acima do quadril, parte frontal) | marca pequena | Permanente.

IPeper | Percepção | (Uma pena que se desmancha em pássaros no fim AQUI) | Aumenta a percepção do semideus em +30%, aumentando as chances de descobrir algo ou alguma coisa, além de reduzir as chances de ser enganado por meio de palavras, rastros e pistas forjadas, entre outras coisas. Além disso, ele fica mais habilidoso quando está procurando por algo ou alguma coisa, e as chances de encontrar rastros, pistas ou coisas deixadas, também se torna maior.| (Lado esquerdo das costas) | marca pequena | Permanente.
Contrato Espiritual - Diarmuid:
Informações Detalhadas AQUI

"Psiquê é principalmente conhecida por ser a deusa que representa a alma. Sendo assim, alguns de seus seguidores podem acabar desenvolvendo uma ligação com um espírito realizando um contrato com ele. Esse espírito irá aparecer em batalha ao lado do mentalista, lutando como aliado possuindo habilidades e pontos de vida próprios, porém a energia será compartilhada com a do mentalista. Graças a energia compartilhada, o espírito terá o mesmo nível que o mentalista. Quanto mais forte é o mentalista, mais forte também é espírito vinculado a ele."

Diarmuid | Invocação | (Uma marca tribal vermelha, que deverá aparecer nas costas da mão canhota da mentalista. Aparece apenas quando usada para a invocação.) | Permite a invocação de um espirito. Focalizar na marca na mão, a fazendo surgir e então fazer um chamado (que pode ser silencioso, ou seja, mental): “Espírito guerreiro dos Fionna, venha até mim Diarmuid!” | (Mão canhota) | marca pequena | Permanente.

• Gáe Buidhe [Uma lança curta, de tom amarelado e entalhes por toda a sua extensão. Tem 1,4 metros de cumprimento e, quando com a habilidade ativa, inflige feridas que dificilmente podem ser curadas, mesmo com magia. Foi um presente dado a Diarmuid Ua Duibhne por Manannán mac Lir, o rei das fadas, e ele normalmente o mantém envolto em um pano de talismã para selar suas habilidades e impedir que ele revele sua identidade. Em sua lâmina há as runas ᚷ ᛒ ᛞ ᚺ ᛏ desenhadas em sua extensão. | Efeito 1: Quando ativado a habilidade The Golden Rose of Mortality, a arma passa a desferir golpes que dificilmente são curados | Material desconhecido | Espaço para 1 gema | Beta | Dano base: 35 para todos | Status: 100%, sem danos | Mágico | Arma do Espírito]

• Armadura Lancer [Mais um traje do que uma armadura, é incompleto, expondo parte dos braços e do ombro. Seu tecido é, no entanto, bastante resistente e inibidor de eletricidade. | Material desconhecido | Espaço para 1 gema | Beta | Dano base: 35 para todos | Status: 100%, sem danos | Mágico | Arma do Espírito]

Nível 10
Nome do poder: Aprendizado de Batalha
Descrição: Em batalha, o irlandês aprende rapidamente o estilo do inimigo, ganhando vantagem sobre eles ao aprender como ele se movimenta em combate.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Aumenta as chances de defesa de um golpe que já sofreu ou assistiu a execução.
Dano: +15% de dano no contra-ataque.

Nível 15
Nome do poder: Maestria com lanças II
Descrição: É nesse momento que o guerreiro atinge seu auge como lanceiro, recobrando toda a sua capacidade e conhecimento no uso dessa arma. Agora ele já pode lutar com as duas lanças.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +90% de assertividade com lanças
Dano: +50% de dano.

Nível 1
Nome do poder: Vigor de combate.
Descrição: Quando em combate, o vigor do herói se torna enorme, dificilmente se cansando ou sentindo dor. Graças a isso, Diarmuid conseguia batalhar durante horas e enfrentar ondas de inimigos.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Não se cansa facilmente e possui a capacidade de ignorar a dor.  
Dano: Nenhum

Mascotes:
Watson:
FPA AQUI

Nível 1
Nome da habilidade: Audição apurada
Descrição: Os canídeos são conhecidos por terem uma audição muito apurada, eles conseguem escutar tudo ao seu redor.
Tipo: Passivo
Dano: Nenhum
Bônus: Nenhum

Nível 3
Nome da habilidade: Olfato apurado
Descrição: Os canídeos são conhecidos por serem grandes rastreadores de cheiro. Eles conseguem facilmente distinguir cheiros e até mesmo localizá-los. É uma de suas principais armas para rastrear a sua presa.
Tipo: Passivo
Dano: Nenhum
Bônus: Nenhum

Nível 4
Nome da habilidade: Corrida resistente
Descrição: Apesar de não ser tão rápido em comparação a alguns felinos, os canídeos possuem mais resistência em suas corridas. Assim, o seu mascote se cansa muito menos mesmo que correndo demasiadas distâncias. Geralmente ao caçar presas maiores eles as vence pelo cansaço.
Tipo: Passivo
Dano: Nenhum
Bônus: +10% de resistência física

Nível 6
Nome da habilidade: Garras Ferozes
Descrição: As garras finalmente cresceram, tornaram-se mais fortes e mortíferas. Nesse nível, o mascote possuem garras tão afiadas quanto uma lâmina.
Tipo: Passivo
Dano: 15 a 20
Bônus: Pode provocar sangramento.

Nível 8
Nome da habilidade: Líder da Matilha
Descrição: Seu mascote agora é, literalmente, o alfa. Em sua presença, outros canídeos selvagens irão respeitá-lo e obedecê-lo sem questionar. Ele é mais forte, mais rápido e mais feroz do que qualquer outro canídeo de sua raça.
Tipo: Passivo
Dano: Nenhum
Bônus: Aumenta 20% dos atributos físicos.
Jasper:
FPA AQUI
Nível 1
Nome da habilidade: Sabedoria e Inteligência
Descrição: Jasper é um Ikagorinai de sabedoria infinita, um nato pesquisador. Isso provem da inteligência que essa espécie possui. Ele já consegue falar as línguas humanas, tendo uma capacidade de aprendizado avançada até mesmo em comparação aos seres humanos.
Tipo: Passivo
Gasto de MP: Nenhum
Dano: Nenhum
Bônus: Nenhum
Extra: O Jasper é capaz de aprender habilidades facilmente.

Nível 2
Nome da habilidade: Armadura Natural
Descrição: Esse Ikagorinai prefere está sempre com a sua armadura natural, feita de energia que envolve o seu corpo de maneira translúcida, sendo visível apenas com a iluminação correta.
Tipo: Passivo
Gasto de MP: Nenhum
Dano: Nenhum
Bônus: +40% de defesa contra-ataques físicos.
Extra: Nenhum

Nível 4
Nome da habilidade: Manipulação de Energia I
Descrição: Esse Ikagorinai tem a capacidade de manipular a energia, concentrando seu chi e o manifestando de maneira física no ambiente. Nesse nível inicial, ele consegue produzir bolas de energia e imitar pequenos itens para lançá-los contra o inimigo.
Tipo: Ativo
Gasto de MP: 15
Dano: 30
Bônus: Caso o ataque seja aplicado em um ponto de chi, pode tirar também dano de MP no inimigo, além do de HP.
Extra: Nenhum

C
Amber K. Blackwood
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Mentalistas de Psique
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