The Blood of Olympus
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Um Reino de Sonhos

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Um Reino de Sonhos - Página 5 Empty Re: Um Reino de Sonhos

Mensagem por Perséfone em Ter Abr 30, 2019 3:45 pm


Daron


Valores máximos que podem ser obtidos

Máximo de recompensa a ser obtida: 20.000 XP e Dracmas

Realidade de postagem + Ações realizadas – 20%
Cumprimento do desafio – 40%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc –30%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 10%


Realidade de postagem + Ações realizadas – 20%
Cumprimento do desafio – 40%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc –30%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 10%

Recompensas: 20.000 XP (x2)= 40.000 XP +20.000 Dracmas.

Bruce foi resgatado e Daron conseguiu a habilidade com uma modificação, conforme explicado por MP.


Comentário:
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Mensagem por Perséfone em Ter Abr 30, 2019 4:29 pm


Logan


Valores máximos que podem ser obtidos

Máximo de recompensa a ser obtida: 20.000 XP e Dracmas

Realidade de postagem + Ações realizadas – 20%
Cumprimento do desafio – 40%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc –30%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 10%


Realidade de postagem + Ações realizadas – 20%
Cumprimento do desafio – 40%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc –30%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 10%

Recompensas: 20.000 XP +20.000 Dracmas.

Blake resgatado e livre para postagens.

Comentário:
xx
 




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Mensagem por Black Cat em Qui Maio 02, 2019 10:09 pm

dreamer
Blake tinha aprendido naquele dia quem eram os filhos de Morfeu. E, principalmente, o que eles eram capazes de fazer. Filhos do deus dos sonhos, a felina foi deitada com outros voluntários, pronta para uma aventura em um reino onírico do qual desconhecia. Foi calma, mas rapidamente explicado o que iria acontecer quando Blake adormecesse: ela entraria nos sonhos de uma filha de Melinoe, uma filha da deusa dos fantasmas. A partir dali, a gata estaria nadando pelo inconsciente ativo de uma completa desconhecida, tentando resgatá-la de uma prisão feita pela própria mente.

Induzida pelo sono graças a um chá ofertado por um curandeiro, Blake sentiu pouco a pouco o corpo relaxar. Mesmo que tentasse lutar contra, o sono veio dominante e poderoso, a fazendo cair em sua armadilha. Ao abrir os olhos novamente, a felina piscou os olhos diversas vezes, franzindo o cenho sem compreender o que estava acontecendo.

O mundo já não era o mesmo. Não porque ela estava em alguma dimensão louca, com monstros bizarros ou um apocalipse acontecendo. Mas sim porque tudo estava em escala de cinza. Nenhuma cor que destoasse das variações entre o preto e o branco era vista ao seu redor. Assustada, olhou para os próprios braços e depois para o corpo, notando com certo pavor que até mesmo a cor de suas roupas havia sido “roubadas”. A segunda coisa que percebeu foi que estava em uma rua deserta de alguma cidade. Os postes tendiam a deixar o local mais “iluminado”, porém tenebroso em alguns becos, sendo incapaz de ver através do breu que habitava entre as paredes.

A gata engoliu em seco, começando a vagar pela rua buscando qualquer indício da garota descendente dos fantasmas. Sabia que seu nome era Sandy e que vivia no acampamento desde os oito anos. A garota que repousava sobre a cama, presa na maldição do sono, possuía pele pálida e os lábios naturalmente rosados. O cabelo castanho claro poderia ser facilmente confundido com o loiro, liso e longo. Ninguém sabia muito sobre a garota, já que ela era reservada e introvertida, passando mais tempo falando “sozinha” e no chalé reservado para proles da deusa ctônica. Sentindo arrepios pelo corpo, a gata negra respirou fundo pronta para gritar pelo nome da garota.

“SANDY”

Nenhum som foi proferido de sua garganta, mas uma enorme caixa preta surgiu a sua frente, a fazendo saltar no lugar e liberar um som característico de gato assustado.

“Meoowww rrrrrr”

Outra caixa surgiu, imitando o som proferido pela felina. Blake colocou a mão sobre a boca, confusa e desnorteada com aquele lugar. Que tipo de sonho era aquele? Quem produziria um lugar sem cores e sem som?! Ou... Ou seria esse um pesadelo? Não havia ninguém por ali, não existia cores e não era possível gritar por ajuda. A sensação de tristeza parecia residir em cada esquina daquele bairro. Blake começou a correr instintivamente, como se assim pudesse fugir daquele lugar, encontrar de novo os sons e a vivacidade. Forçou as pernas, ficou ofegante, já não ligava mais para o rabo que desprendeu da cintura, revelando parte de sua identidade animalesca. Quando parou, cansada da corrida constante, repousou as mãos sobre os joelhos e inspirou profundamente. Porém, ao ajustar a postura, um calafrio intenso perpetuou pelo corpo da felina.

Ela tinha retornado para o mesmo lugar.

Não importava o quanto tinha tentado fugir, Blake retornou ao ponto inicial. Presa no mesmo lugar insano. Incapaz de aceitar aquela realidade, a criatura voltou a correr, dessa vez tentando pegar caminhos diferentes, passando por ruas estreitas, esbarrando em uma lata de lixo ou outra.... Até que algo a segurou e puxou para um dos becos obscuros. Uma caixa nova tinha sido aberta próximo a elas, emitindo uma imitação escrita de um grito e depois um grunhido. Uma mão cobria a boca de Blake, que finalmente reagiu instintivamente ao tentar socar o agressor, ficando satisfeita quando seu punho acertou o rosto de quem quer que fosse.

Mas foi nesse momento que a pessoa cambaleou para o lado mais iluminado da rua que Blake finalmente pode ver que era uma garota. A filha de Melinoe! A felina tentou gritar, mas mais uma vez foi impedida por uma mão nada gentil sobre sua boca. Dessa vez, ela conseguiu ver um dedo sobre os lábios, exigindo silêncio. O mesmo dedo foi em direção para o outro lado da rua. Ocupada com o pensamento de que estava sendo atacada, ela não viu o grande vilão daquele pesadelo.

Sombras de tentáculos cresciam pela parede, destruindo a estrutura pouco a pouco, como se abraçasse o prédio com um aperto crescente. Sandy apontou para o final da rua, para um lugar que tinha uma placa escura escrita EXIT e um túnel relativamente pequeno. Blake impulsionou para sair, mas foi novamente jogada contra a parede. Sandy tinha uma mão esticada, a palma aberta em um sinal que dizia “espera” ou “pare”. Blake conteve a vontade de rosnar, sabendo que ficaria mais irritada ainda se uma daquelas caixas aparecesse uma vez mais.

Sandy a segurou até quando o prédio estava quase desabando; só então ela bateu no ombro da felina e saiu correndo pela rua em direção a saída. Blake mordeu o lábio inferior em frustação, correndo atrás da filha de Melinoe. Ela não escutou quando o prédio caiu, mas sentiu o chão tremer abaixo de seus pés. Faltavam poucos metros de distância entre elas e a saída, quando repentinamente a semideusa caiu no chão como se tivesse sido puxada para trás. Blake freou o avanço, quase tropeçando ao parar tão abruptamente.

Os olhos dobraram de tamanho quando ela viu um dos tentáculos enrolados no tornozelo de Sandy. Segundos depois ela começava a ser puxada pela rua, tentando desesperadamente escapar daquilo ao arrastar as mãos pelo asfalto. Blake correu e se jogou no chão a tempo de segurar o braço esquerdo de Sandy, esticando a mão livre em direção ao tornozelo. Teve de usar de toda a sua concentração em manipulação das sombras para fazer com que o tentáculo se desprendesse. Ofegante, ajudou a grega a erguer-se e finalmente correram em direção a saída.

Dentro do túnel a escuridão as envolveu como um manto. No entanto, tinha deixado de ser assustador quando elas começaram a escutar os sons dos próprios passos. Assim como o barulho da respiração pesada e alguns resmungos liberados pela boca. Ao alcançar o outro lado, o mundo de cores explodiu na frente delas. No alto de um morro, elas foram agraciadas por um belo e magnifico por do sol.

▬ AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!

O grito advindo do seu lado fez com que Blake saltasse e liberasse outro som felino de susto. O que fez com que Sandy risse e deitasse no chão.

▬ Eu nunca consegui vencer os tentáculos! Eles sempre me pegavam e me impediam de escapar daquele pesadelo! Espera, você é real não é? ▬ Sandy falou rouca, franzindo o cenho desconfiada.

▬ Os filhos de Morfeu estão tentando nos tirar daqui. Precisamos encontrar alguma forma de sair do mundo dos sonhos. De seus sonhos. ▬ Blake explicou e deu de ombros. ▬ O que era aquele lugar?!

▬ Eu amo filmes. Aquilo era uma réplica de um filme tão antigo que as falas dos personagens eram escritas e não verbalizadas. Infelizmente também era um filme de terror barato.

Sandy levantou e espreguiçou o corpo. Blake soltou um longo suspiro, sabendo que teriam uma jornada pela frente.

▬ Vamos, precisamos encontrar uma saída de verdade. ▬ Comentou ao começar a descer por uma trilha.


•••


O cenário ainda continuava urbano e assustador aos olhos de uma nativa tribal. Dessa vez, no entanto, pessoas caminhavam e se aglomeravam em uma rua extensa e ampla. Blake escutava sons estranhos e misturados, vozes agitadas e risos roucos. Música estranha e ensurdecedora beiravam o limiar de dor sobre seus sensíveis tímpanos. Sandy parecia o oposto da acuada e incomoda gata preta. A filha de Melinoe ficava cada vez mais agitada a medida que adentravam a rua, os olhos brilhando como se estivesse dentro de algum sonho perfeito.

Talvez estivessem.

O ambiente era tomado por humanos trajando roupas estranhas e de cores berrantes. As mulheres usavam o mínimo de tecido, enquanto os garotos pareciam satisfeitos com roupas maiores do que o tamanho adequado. Carros personalizados e cheios de adesivos estavam estacionados por todos os lados e, mais a frente no bairro, uma espécie de pista com várias curvas se formava em um ambiente inóspito de natureza.

▬ Oh meus deuses! ▬ Sandy exclamou excitada, quase saltitando no lugar. ▬ Agora eu consigo compreender um pouco mais. Estamos vivenciando meus gostos por filmes! O primeiro era um filme de terror e agora estamos em um dos meus filmes favoritos!

Blake franziu o cenho, irritada consigo mesma por não compreender todos os termos que a semideusa usava. Filmes? Buscou com afinco o que isso significava, até lembrar de uma conversa com uma ninfa do lago sobre uma espécie de magia que exibia imagens que se movimentavam.

▬ Apenas precisamos sair daqui, tem alguma ideia? ▬ Blake resmungou, cansada de não entender o que estava acontecendo.

▬ Bom, no outro sonho nós precisamos chegar à saída, que era o local mais perigoso em todo o “filme”. Eu aposto que conseguimos sair daqui se competirmos e vencermos.

Aquilo era alguma espécie de corrida? Sandy pareceu compreender a confusão da felina, ou talvez estivesse apenas empolgada demais para ignorar o que acontecia aos eu redor. A filha da deusa fantasmagórica segurou no pulso da criatura e arrastou até a beirada da pista. Foi só então que a gata preta entendeu que aquelas caixas metálicas eram conduzidas a uma velocidade assustadoramente alta por aquela pista asfaltada. O risco de morte era evidente e, mesmo encantada e temerosa, Blake considerava uma loucura praticar aquele tipo de corrida!

O ganhador daquela rodada foi circulado pelas pessoas, sendo cumprimentado como um verdadeiro campeão. Venerado e ovacionado, ele sorria e se gabava para com os de sua mesma espécie.

▬ OMG! ▬ Sandy “gritou” de maneira baixa, ela segurava no braço de Blake com uma força alarmante. ▬ É ele, é ele, é ele!

▬ O inimigo? Onde?!

▬ Não! É... É o Paul Walker!

▬ Alguém poderoso?

▬ Sim, não! É o Paul Walker!

Blake olhou para a garota preocupada com o estado mental dela. Questionava-se seriamente se permanecer tanto tempo no reino onírico tinha afetado a cognição dela. Sem se incomodar com o olhar que recebia, a semideusa grega arrastou a criatura romana mais uma vez, a conduzindo para uma área mais calma.

A felina não demorou a compreender algumas coisas. A primeira era que Sandy estava agitada por causa de um fantasma. A segunda era que o espectro era um homem que sorria para as duas como se estivesse a espera delas. O que deixou a gata extremamente desconfiada. Ela já teve sua cota de encontros com fantasmas e sabia que nem todos eram malignos. Conversava bastante com os Lares desde que tinha iniciado sua aventura em terras romanas. Mas estava em um mundo de sonhos com uma garota que estava encantada pelo espírito de alguém. Uma que alias tinha sonhos extremamente estranhos.

▬ Você... Oh meus deuses... Você está aqui! ▬ Sandy exclamou tão agitada que Blake preocupou com a saúde dela.

▬ Aqui estou! Pronta para aprender como vencer uma corrida? ▬ O homem perguntou em um olhar desafiador, mas com um sorriso de lado.

▬ Você vai mesmo me ajudar?

▬ Claro, é para isso que eu estou aqui, você precisa de mim.

Pela primeira vez em meio aquela loucura toda Blake conseguiu reconhecer algo facilmente. Um sorriso sincero e emocionado advindo da pessoa que deveria salvar. De braços cruzados, a filha de Plutão olhava para aquela situação de longe, pensando se era realmente seguro ou não. Estava no sonho alheio, em um reino que ela não conhecia e que poderia ficar presa para sempre. Até o momento, Sandy parecia ter um pouco de conhecimento sobre o que acontecia. O que não era estranho, já que estavam na mente dela. Então se ela achava que para sair daquele sonho tinham de vencer aquela corrida maluca, provavelmente este seria o caminho.

▬ Isso é perigoso. ▬ Blake comentou cautelosa.

▬ Mas é preciso! Só vamos sair daqui se vencermos a corrida. ▬ Sandy parecia bem convencida disso. ▬ E nós temos o melhor! Você nunca assistiu Velozes e Furiosos? ▬ O silêncio a falta de reação da gata deixou tanto o fantasma como a semideusa incrédulos e surpresos. ▬ Não acredito! É por isso que está tão travada, vamos, estamos presas aqui e nada vai mudar esse fato, mas pelos menos nós podemos aproveitar um pouco. Paul, me ensine tudo o que você sabe!

O fantasma sorriu e caminhou até uma esquina onde tinha um carro estacionado. Para Blake era apenas uma caixa metálica com rodas emborrachadas. Para Sandy era um sonho de consumo chamado Nissan GTR em tom preto fosco com detalhes desenhados nas laterais em estilo tribal. Paul parou ao lado do carro e começou a passar instruções que, para a gata, eram incompreensíveis. Embreagem? Carburador? Freio de mão? Por que a mão iria frear uma máquina como aquela? Confusa, irritada e temerosa com a situação, assim que Sandy adentrou o carro a gata estava saltando para dentro pelo outro lado.

▬ Eu não vou deixar você sozinha, pode ser perigoso! ▬ Blake explicou.

Isso fez com que o sorriso da grega aumentasse ainda mais. Sandy começou a falar, revisando o que Paul tinha dito inicialmente.

▬ Você confia em um fantasma? ▬ A felina questionou uma de suas preocupações. ▬ Como pode aprender algo com um espírito assim?

▬ Espíritos já foram alguém, tiveram uma vida. Então eles possuem experiências, informações, conhecimento. Se você tem afinidade com eles, os fantasmas podem ensinar bastante coisa. Claro que alguns vão tentar enganá-la só por diversão... Mas isso também fazem os vivos, então não faz tanta diferença.

Blake franziu o cenho e permaneceu quieta, pois pela primeira vez admitia que aquela garota meio louca poderia ter algum resquício de maturidade. No momento seguinte ela cortou essa ideia da mente, pois assim que o carro foi ligado a gata estava fincando as unhas no estofado ao sentir a vibração no assento.

Sandy acelerou bruscamente, fazendo os pneus cantarem contra o asfalto. Blake meio que gritou, meio que miou, emitindo um som representava todo o pânico que sentiu quando viu a parede cada vez mais próxima de si.

▬ Gira o volante para a esquerda! ▬ Paul repentinamente estava sentado no banco de trás do carro. ▬ Passe a marcha ou você irá forçar o motor, isso Sandy! Você não bateu o carro!

Blake achava muito cedo para comemorar aquilo, principalmente quando as curvas eram feitas de maneira perigosamente erradas. Sandy não sabia dirigir. Mesmo que a gata preta não soubesse nada sobre veículos e como conduzi-los, o modo como a grega se portava atrás do volante era claramente o de alguém inexperiente. Porém, nada fazia com que ela desacelerasse, o que fez com que a criatura felina visse a morte perante os olhos no mínimo umas três vezes durante as duas horas que se passaram.

No entanto, depois dos longos minutos ali dentro, Blake percebeu o quanto a melhora de Sandy era exponencial. Naquele período de tempo ela aprendeu a conduzir o carro e a manobra-lo cada vez melhor. A surpresa era evidente quando a filha de Melinoe estacionou perfeitamente o carro no exato ponto em que tinha começado, depois de fazer uma curva perigosa, mas perfeita.

▬ Como...? ▬ Blake olhou para o lado ainda sem conseguir compreender o que tinha acontecido. ▬ É porque é um sonho seu?

▬ O que quer dizer? ▬ Sandy franziu o cenho.

▬ Você aprendeu rápido demais! I-isso é tão complexo, todos esses comandos e eu sei que você não tinha experiência prévia, era meio óbvio.

▬ Auch! Mas você tem razão, eu nunca tinha dirigido antes, eu tenho só 15 anos, não é legalmente permitido. ▬ A grega deu de ombros, desfivelando o cinto de segurança. ▬ Quem me ensinou foi o Paul, ele é um fantasma. ▬ Blake continuou a encarar a garota, sem entender como apenas aquela informação bastava. ▬ Eu sou filha da rainha dos fantasmas! Qualquer um que tenha afinidade com os espíritos pode aprender mais rápido com eles, se conseguirem conquistar a simpatia deles é claro. É apenas mais fácil de entender e executar dessa maneira. Aliás, de quem você é filha? Eu consigo sentir uma aura fria ao seu redor, mas não é algo ruim... É até familiar.

O movimento na garganta denunciava o engolir em seco. Blake estava prestes a dizer que era filha de uma sacerdotisa catfolk, quando pensou melhor. Mesmo que estivesse em uma missão de resgate e precisasse confiar em Sandy para manter-se viva até o final da aventura... Ainda não se sentia confortável em revelar algo tão pessoal quanto a sua natureza felina.

▬ Plutão. ▬ Falou com cuidado e hesitação.

▬ Oh! Entendo sua hesitação, todo mundo vê os filhos dos deuses do submundo de um jeito diferente. Acham que somos estranhos, ao menos a maioria. Sabia que seu pai é casado com minha avó? Loucura essa árvore genealógica.

Se a gata se sentia confusa antes, agora encontrava-se em um labirinto de informações que ainda lutava por processar. Sandy riu da expressão da felina, voltando a colocar o sinto e a respirar fundo.

▬ Vamos, temos uma corrida para vencer. Você vai ser minha co-piloto, o que quer dizer que vai me dizer quando um obstáculo ou outro corredor estiver se aproximando.

Sandy tornou a ligar o carro, o fantasma de Paul Walker já tendo desaparecido desde que a garota ligada aos espíritos tinha dominado a habilidade que ele tinha transmitido. Na pista de corrida, o Nissan GTR ficou entre dois carros similares. Blake afundou no assento do banco do passageiro, o coração disparando cada vez mais que ela escutava o ronco de algum dos motores.

Uma mulher com pouquíssimas roupas e seios exuberantes parou a frente dos veículos. Sandy fez o motor reproduzir aquele som forte, as mãos da gata quase se transformaram em garras ao agarrar o estofado do banco. Era uma falsa sensação de que ao se segurar de maneira firme, ela conseguiria não sair voando com a alta velocidade. A mulher ergueu um lenço, desfilando de um lado para o outro, até soltar o tecido dando início a competição.

Todos aceleraram, alguns até mesmo liberando algo que Paul tinha chamado de gás nitro. Elas logo estavam em uma posição desvantajosa, o que deixou Blake preocupada. Depois de uma curva fechada sendo feita em alta velocidade, a gata sentiu o estômago ser preenchido por um friozinho, o coração passando a bater na garganta, os ouvidos sendo arrebatados pelos sons de pneus queimando no asfalto. Naquele movimento, Sandy tinha conseguido ultrapassar dois carros de uma única vez ao ousar fazer uma curva mais aberta, estabilizando o carro a centímetros de colidir com os barris de água na lateral da pista.

Sandy gritou de excitação, mas foi o riso baixo e animado de Blake que chamou a atenção das duas. A gata não poderia mais enganar a grega e nem a si mesma, ela estava adorando aquela emoção e sensação de perigo que estava sentido! Sandy gargalhou, acelerando e ultrapassando mais um carro, restando apenas mais um a frente dela. Em uma linha reta, a filha de Melinoe finalmente liberou o gás nitro, impulsionando aquela máquina a atingir os limites de velocidade.

▬ Cuidado! O terceiro colocado está tentando acertar o fundo de nosso carro! ▬ Blake anunciou assim que viu o reflexo de um Mustang pelo retrovisor.

▬ Ah mas ele não vai machucar o Júnior! ▬ Sandy exclamou furiosa.

▬ Júnior?!

▬ O nome desse bebê que estou dirigindo, é Júnior!

A felina achava aquela garota completamente louca, mas não achava que isso era de fato algo ruim. O Mustang tentava acertar a traseira do carro delas – Júnior – enquanto a grega ainda tentava ultrapassar o carro que estava em primeiro lugar. Foi por muito pouco, quando Sandy finalmente conseguiu ficar lado a lado com o primeiro, o terceiro colocado sofrendo um acidente ao tentar fazer uma curva fechada com velocidade demais. A grega gritou em excitação, como se fosse um urro de batalha. O modo rápido com que o carro se movimentava deixava Blake tonta, mas a gata era incapaz de fechar os olhos, não quando via a linha de chagada cada vez mais perto, restando apenas mais um pouco, apenas mais alguns metros para ultrapassar e...

...tudo ficou extremamente branco. A sensação de velocidade fez com que o corpo de Blake repentinamente em pé cambaleasse para frente, seguindo a lei física de que o que está em movimento tende a continuar em movimento.

▬ Sandy?! ▬ Blake gritou olhando para os lados, até ver a garota parada próxima dela. ▬ Graças aos deuses, nós vencemos?!

▬ A corrida sim... ▬ Sandy sorriu, mas dessa vez era algo diferente. Era triste, algo que não alcançava o olhar. ▬ Mas acho que não conseguiremos passar desse sonho.

Blake olhou alarmada ao redor, esperando encontrar algo perigoso que tivesse assustado a semideusa. Mas tudo o que encontrou foi uma espécie de quarto escuro com uma porta amadeirada a frente.

Elas tinham vencido a corrida, algo que a garota ao seu lado tinha desejado demasiadamente. Então por que ela não estava feliz? O que aquele quarto representava para ela? A felina respeitou o silêncio da outra por quase cinco minutos, até soltar um longo suspiro e colocar-se a frente da semideusa.

▬ Qual o desafio desse sonho? ▬ Questionou da maneira mais serena que conseguiu no momento.

▬ Não há desafio. ▬ Sandy segurou um dos braços e desviou o olhar, a postura era a de alguém vulnerável.

▬ Claro que há. O primeiro foi conseguirmos atravessar a rua e chegarmos na saída. O segundo foi vencermos uma corrida usando os ensinamentos de um fantasma. Todos os dois você sabia o que tínhamos de cumprir. Por que esse seria diferente?

▬ Porque não!

▬ Isso não é uma resposta Sandy, eu quero ajudar você...

▬ Eu não pedi a sua ajuda! Eu não pedi para ser salva! Eu nem conheço você e nem você me conhece, então é culpa sua se você ficar presa aqui. Eu não quero voltar!

Aquelas frases tinham sidas ditas com uma mágoa palpável. Blake sentiu as orelhas cobertas pelo chapéu que usava abaixarem. Gatos eram, em sua maioria, sensitivos a energias emanadas pelas criaturas. E o que sentia advindo daquela garota era uma solidão profunda. Sandy tentava lutar inutilmente com as lágrimas, começando a andar de um lado para o outro pelo quarto.

▬ Olha só para isso, são meus sonhos, eu posso viver o que eu quiser! Posso conhecer meus atores favoritos, posso criar um cenário emocionante de filme de terror. Porque eu retornaria para um mundo em que todos os outros me acham diferente e estranha? Eles nem ligam para mim!

Blake mordiscou o lábio inferior, a empatia sendo ainda mais apurada com aquelas falas. Ela compreendia o que Sandy passava e pensava, pois apesar de aparentar ser mais forte, a gata já tinha passado por aquele estado de vulnerabilidade. Hesitou por alguns momentos, assistindo as lágrimas silenciosas da grega deslizarem cruelmente pelas bochechas pálidas. Engoliu em seco, torceu os dedos uns nos outros até que finalmente reuniu a coragem que precisava.

As ações que executou eram lentas, tão vagarosas que atraiu a atenção de Sandy para si. Ela tinha erguido a mão, levando até o topo da cabeça para retirar o tecido que escondia as orelhas de gato. O ar travou na garganta de Blake quando atreveu a erguer o olhar, temendo encontrar um olhar de repulsa ou até medo vindo de Sandy. Mas tudo com o que se deparou foi curiosidade e surpresa.

▬ Minha mãe não é humana... ▬ Começou, a mente tentando manter uma ordem lógica para explicar as coisas, sem deixar que as emoções a sobrecarregassem e atrapalhasse a fala. ▬ Ela é da tribo Catfolk, todos eles são mais semelhantes a felinos, com o corpo todo coberto de pelos, presas e garras. São lindos, ágeis e poderosos. Alguns possuem pelos tão macios que e bonitos que eu não poderia sentir nada mais do que inveja. Eu cresci nesse lugar, sendo a única que possuía a pele exposta, sem bigodes para sentir mais o ambiente, sem garras constantes para me defender. Minhas pernas não tem a anatomia deles, o que me fazia sempre a mais lenta, mais fácil de derrubar. ▬ Blake desviou novamente o olhar para baixo, engolindo em seco com algumas brincadeiras que recebeu na infância, mas que acabaram machucando o ego e a autoestima dela. Mas isso não era sobre ela, não era o seu pesadelo e medo a ser enfrentado. ▬ É um inferno achar que estamos sozinhos nesse mundo vasto, e acredita em mim Sandy, esse mundo de sonhos não é o que você realmente quer.

▬ Como pode ter certeza disso?!

▬ Porque você só conseguiu mudar de um sonho para outro apenas quando esteve comigo. ▬ Blake sorriu um tanto tímida, passando a mexer de novo nos próprios dedos. ▬ Quando você acordar eu vou estar ao seu lado e, apesar de viver no Acampamento Júpiter, ainda podemos atravessar portais.

▬ Você... Você está dizendo que quer ser minha amiga?

▬ Se você quiser também... Humanos são estranhos demais e você é louca. Mas isso não é um traço ruim de verdade, eu achei divertido.

Sandy começou a chorar ruidosamente. Blake empalideceu, julgando que talvez tivesse interpretado tudo errado. Antes que pudesse começar a pedir desculpas, a filha de Melinoe praticamente jogou-se nos braços da felina. O impulso e a força da garota foram o suficiente para fazer com que a gata cambaleasse para trás, a fazendo bater contra a porta e cair em um precipício sem fim.

A sensação de queda despertou a mente dela, a fazendo ter um lapso muscular que quase a jogou para fora da cama. Ofegante e com a mente ainda embaralhada pelo acordar abrupto, Blake apenas acalmou quando sentiu uma mão segurando o seu braço. Ao olhar para o lado, sorriu ao ver Sandy deitada na cama ao lado, fazendo esforço para tocá-la.

▬ Oi estranha. ▬ Blake cumprimentou baixinho.

▬ Oi... ▬ Sandy cumprimentou fraca, começando a tossir e logo sendo atendida por curandeiros, afinal, ela estivera dormindo a muito mais tempo do que Blake.

Black Cat relaxou sobre o colchão, percebendo que mesmo tendo dormido por todo esse tempo, estava se sentindo exausta.

bônus:
Pack de EXP [Ao usar desse pack, qualquer atividade que renda exp (mvp, evento, missão etc) passará valer o dobro. Para ser validado, esse pack deve estar em spoiler. Uso único.]
Habilidades Plutão:
Nome do poder: Comunicação Fantasmagórica
Descrição: Os filhos de Hades/Plutão conseguem ver e falar com mortos, fantasmas e espíritos. Porém não os comanda ou pode dar ordens.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Pode conseguir informações com fantasmas e mortos, por ser capaz de entende-los.
Dano: Nenhum

Nome do poder: Umbracinese I
Descrição: Habilidade que permite ao filho de Hades/Plutão moldar e manipular sombras, nesse nível consegue apenas retira-las da superfície e usa-la para prender coisas pequenas, como ratos ou objetos menores, também consegue molda-la a fazendo ganhar forma. Poderes de Luz podem anular a habilidade, ou enfraquece-la.
Gasto de Mp: 5 MP
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Essa habilidade permite ao semideus (durante a noite), prender coisas pequenas, ou até mesmos as pernas de um adversário (que não um monstro gigante), pelos tornozelos por dois turnos. Durante o dia a habilidade é enfraquecida, e só consegue prender por um turno, podendo ter a sombra detida pelo sol, ou poderes de luz.
Dano: Nenhum
Extra: Nenhum
Habilidades Catfolk:
Nível 1
Nome: Atributos Felinos
Descrição: Catfolk é uma raça que une aspectos felinos. Isso é refletido em seus atributos físicos.
Gasto de MP: Nenhum
Gasto de HP: Nenhum
Bônus: +30% de agilidade, equilíbrio e esquiva.
Dano: Nenhum
Extra: Nenhum

Nível 10
Nome: Sentidos de Gato
Descrição: Os sentidos começaram a se sobressair, tornando-se mais apurados de acordo com a raça felina, especificamente dos gatos. A visão permite captar melhor as coisas em movimento e permite uma excelente visão noturna. Os ouvidos dos felinos, principalmente dos gatos, são altamente desenvolvidos e capazes de detectar um leque extremamente vasto de sons em intensidades muito baixas. A amplitude (faixa) de vibrações detectadas pelo gato é quase 3 vezes maior que o limite de seres humanos. O gato também é capaz de girar as orelhas em diferentes sentidos, independentemente uma da outra, para localizar e identificar a origem do som com maior eficiência. O tato extremamente eficiente torna o gato sensível a diferenças muito pequenas na pressão ou na temperatura.
Gasto de MP: Nenhum
Gasto de HP: Nenhum
Bônus: +30% de audição, visão e tato
Dano: Nenhum
Extra: Reduz em -30% as chances de cair em uma emboscada ou ataque surpresa.
Sugestão de Habilidade:
Nome: Afinidade Fantasmagórica
Descrição: A ligação com os fantasmas se torna mais intensa, permitindo que Blake se relacione melhor com tais criaturas. Eles tendem a ser mais simpáticos com ela, apesar de não serem obrigados a seguirem ordens, eles se sentem confortáveis na presença da filha de Plutão felina. Essa afinidade também permite que os fantasmas transmitam conhecimentos e habilidades para Blake, sendo um processo com maiores chances de sucesso e rápido aprendizado.
Gasto de MP: Nenhum
Gasto de HP: Nenhum
Bônus: Permite aprender com fantasmas mais facilmente e mais rápido.
Dano: Nenhum
Extra: Nenhum

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Black Cat
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Monstros mitologicos
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Um Reino de Sonhos - Página 5 Empty Re: Um Reino de Sonhos

Mensagem por Puermina em Sex Maio 03, 2019 7:32 pm


Reino dos Sonhos II
Pelos Corredores De Morfeu

Chegava na enfermaria e passava pelos semideuses acamados até avistar Josephine. A loira estava com aspecto frágil, mais branca que nunca. Se eu entendesse de anatomia, diria que beirando a morte. Os filhos de Morfeu tinham seus motivos para ter pressa. A situação dos oito ali parecia realmente preocupante. Um dos meninos do deus dos sonhos nos dizia que oito camas foram preparadas para receber os viajantes que adentrariam no reino de seu pai. Nossa missão era uma e individual: localizar e resgatar o semideus aprisionado em seu próprio sonho. Assentia e olhava uma última vez para Jose, prometendo que faria meu melhor.

Repousei na cama e seguia as instruções da menina de cabelos prateados que havia sido escalada para me levar com segurança ao reino dos sonhos. Ela disse que a partir do momento que eu me encontrasse lá, estaria sozinha e não poderia mais ajudar. E ainda alertou que caso eu não conseguisse encontrá-la, ficaria perdida lá para sempre...

— Sempre é muito tempo... – bocejei, sentindo meu corpo mole e os olhos fecharem, caindo em sono.

Ao abrir os olhos, observei bem o local onde me encontrava. Era... uma espécie de corredor cheio de portas à esquerda e à direita. Estava bem escuro e não conseguia ver se ela tinha um fim. Comecei a caminhar pelo lugar, procurando decifrar as portas. Cada um possuía peculiaridades que as distinguiam como cor, material e símbolos presos à porta. Me atentava ao que conhecia de Josephine. Ela era filha de uma deusa de gelo e tinha sido caçadora e instrutora de arte, bem como princesa em sua vida mortal. Não fazia ideia do que procurar, mas assumia que conhecia ela minimamente para encontrar seu sonho... Ao menos queria acreditar que sim, pois ela tinha sido uma inspiração em momentos de fraqueza.

Tocava nas portas e procurava sentir cheiro e ouvir sons por elas. Algumas estavam em completo silêncio, assim como tinham odor apenas do material de qual a porta era confeccionada (algumas de ferro, apesar da maioria em madeira). Uma de madeira em azul claro com montanhas geladas desenhadas me chamou atenção. Não tinha cheiro, mas conseguia ouvir um ruído. Respirava fundo e abria a porta, adentrando no seu ambiente privado.

Estava escuro e o ruído era intensificado. Parecia vir de um motor com defeito. O chão era frio, como se fosse feito de metal. Sentia um chacoalhar esquisito e agora notava que não só o material do chão era frio, como o ar que respirava. Meus olhos estavam aos poucos adaptando-se à escuridão, porém, quando percebi uma figura humana mais adiante, fui cegada por uma luz esbranquiçada que me sugava para ela numa força surpreendente. O mesmo acontecia com o dono da silhueta, que gritou no susto, e foi jogado para aquele infinito. Procurando não ter o mesmo destino, segurei na primeira coisa que pude e percebi o que estava acontecendo. Estava num avião e quem caía era uma criança aleatória, em direção às montanhas suíças, tão pontudas quanto lanças. Aquilo não era um sonho. Era um daqueles pesadelos de queda livre e não era Josephine quem estava em apuros. Não sabia o que aconteceria caso eu morresse como o menino naquela queda, mas não gostaria de descobrir.

O avião dava sinais de que não estava bem, explodindo algo lá na frente, fazendo toda sua estrutura tremer e quase me jogar longe. Tentava voltar para dentro, pois ficar pendurada já cansava. Olhei para dentro e vi que minha entrada ainda estava lá, mas o avião explodia novamente, quase me lançando longe. Ainda resistia, ficando suspensa por um cano numa só mão. Não iria conseguir chegar à saída. Ouvia então o grito do garoto, como se ele estivesse do meu lado. Olhei para trás e me odiei por isso. Se ele acordasse antes deu conseguir acessar a saída eu não sabia o que poderia ocorrer.

Então larguei minha mão e me lancei para a queda em direção à morte certa.

A paisagem abaixo até poderia ser aproveitada se eu não estivesse tão preocupada e com um pouco de medo em falhar. Procurei focar em uma coisa de cada vez. Tinha de sair dali e o avião já não estava ao meu alcance. Cerrei os dentes e toquei meus anéis para ativar as soqueiras. Levava então as mãos de encontro ao corpo para descer ainda mais veloz e conseguir encontrar com o garoto. Acreditava que conseguiria manipular a mente dele para mudar o desfecho do pesadelo. Nisso, liberava disparos de diamantes de minha arma branca e disparava descida abaixo!

Já tinha me aproximado o suficiente para que fosse notada. O menino cessou seus gritos por segundos para me interrogar coisas tolas como “quem é você?” e então, sem muito interesse nas respostas, voltava aos berros. Resolvi ignorar tudo que me foi questionado e procurei agir. Ao que reparei, o vento ali não parecia atrapalhar nossa comunicação. Melhor pra mim.

— AHHAHAHA NOSSA, COMO ISSO É DIVERTIDO, AAAAH! – menti entre gargalhadas e gritos animados.

O garoto me olhou confuso, como se eu fosse louca, e então voltava pra sua queda. Senti que estávamos acelerando na direção do fim. Meu coração começou a gritar em histeria como o guri. Ele estava com tanto medo que resistia ao instinto de me questionar e conhecer. Antes de qualquer coisa eu tinha de acalmar ele. Me aproximei ainda mais, com o disparo de alguns outros diamantes e segurei nos braços dele. A primeira reação foi estranhamento, mas depois de olhar nos meu rosto, ele ficou um tanto quanto desnorteado. Tinha noção que isso era uma das heranças de meu pai, pois ele também tinha essa influência em algumas pessoas, por conta de Afrodite, que nos abençoava com uma beleza anormal. Para bem, eu acho.

— Ei, esqueça o que tem lá embaixo – iniciava minha dominação, sentindo pela minha garganta o vazio caótico naquela primeira frase - fica alegre comigo! – sorri, por fim, carregando doçura ao charme na voz que proferia.

Meu toque auxiliava na influência dos sentimentos do menor. Procurava rir e animá-lo. Por vezes fui capaz de “colocar uma máscara” e atuar como a situação pedia para conquistar o que almejava, auxiliando assim o poder de minhas palavras. Naquele momento não era diferente. Eu estava apavorada, mas tinha que superar isso para atingir meu objetivo. O menino já não demonstrava mais medo ou parecia lembrar que abaixo de nós se aproximava um terrível fim. Ele se divertia e ria de nada durante nossa queda. Agora viria a parte mais difícil: plantar uma nova semente - ideia – na mente dele, afim de influenciar o desfecho do pesadelo. Como cria da discórdia, as pessoas que sabiam disso esperavam que eu soubesse como manipular perfeitamente outras pessoas, mas eu evitava a todo custo usar os poderes herdados de minhas progenitoras para ferir alguém. Achava errado e acreditava que nada de bom viria com aqueles dons, no entanto, agora acreditava que esse poder nos salvaria. E eu precisava acreditar que não machucaria o garoto com isso. Me aproximava mais dele e relutei um pouco em começar, mas não tanto, pois sabia do perigo que corríamos.

— Você é muito inteligente. Montou uma super mega ultra blaster master cama elástica de marshmellow lá embaixo! Hahaha – me apoiava ainda no charme para plantar aquela ideia.

Ele parecia meio confuso e buscou olhar para baixo para conferir, mas o impedi. Segurei em seu rosto e fazia ele olhar apenas para mim e ouvir a minha voz.

— Fecha os olhos e acredita que vai ser o pulo mais alto e divertido das nossas vidas! Acredita... acredita...

Me percebia fechando os olhos também e enrijecendo o corpo, querendo acreditar que conseguiríamos, mas também esperando o pior. E com um solavanco, sentia a batida do “solo” na pele. Então afundava e continuava afundando até ser ricocheteada para cima e perder o equilíbrio, me dispersando do garoto. Ele tinha conseguido. EU tinha conseguido! O menino ria alto, esquecendo de mim. Com a altura dos saltos via a porta que me trouxe aqui reaparecer, como se me expulsasse do sonho que não era meu. Sem ela precisar dar outros sinais, corri ao máximo que pude e voltei aos corredores dos sonhos.

Depois da experiência de queda livre, acho que ficaria bem próxima da terra nos próximos dias. Passeava pelos corredores ainda vasculhando as portas. Ora ou outra abria de leve e colocava o olhinho pela brecha para ter certeza de que não era aquela a passagem do sonho que buscava. Se a filha de Morfeu me jogou naquele corredor, julgava que ela sabia por alto onde Josephine estava.

Não conseguia ter noção de tempo, mas algumas portas estavam trancadas ou mostravam um completo vazio e silêncio. Numa oportunidade, avistei uma tiara entalhada numa porta brilhosa. Lembrava que Josephine tinha postura de princesa e uma vez revelou algo sobre a família, assim como almejou o cargo de tenente das donzelas caçadoras. Pelo palpite, entrei devagar na sala me perdi numa imensidão de cores.

Aquele definitivamente não era o sonho de Josephine... Bem, a menos que ela tivesse uma imaginação infantil não acreditava que as árvores de algodão doce coloridos, os rios de chocolate e as pontes de biscoito fossem criação dela. Estava para dar meia volta quando senti ser revestida por algum material maleável e suspendida no ar. Amarram meus pés e me apertaram com tanta força que foi difícil escapar. Eu não conseguia nem acessar minha adaga, então tive que ceder àquelas forças e esperar por um momento de conversa (esperançosa de que isso ocorreria). Quando aconteceu, me desamarraram e tiraram o tecido que me envolvia, mas continuavam a me segurar firme. Uma figura diante de mim se levantou de um trono dourado e pediu para que todos os outros se afastassem. Ela parecia furiosa ou ao menos confusa.

— Perdão pela forma como te trataram. Você CLARAMENTE não é um grobb. - Ela fez questão de enfatizar a última frase. - Então, quem és e por que invadiu Didilândia?

Demorei para entender que a menina era a princesa do lugar que chamava de Didilândia. A tiara e o vestido fru-fru a denunciou. O cabelo crespo ruivo tinha tanto destaque quanto as roupas dela.

— Sou Puermina, de Sinnoh, majestade - entrei na brincadeira - viajante de Half-Blood, onde treinam os herdeiros de magias tão antigas quanto o princípio dos mundos.

Pude ver os olhos dela brilharem com as palavras “viajante” e principalmente “magia”. Por mais que a única coisa visivelmente mágica que eu era capaz de fazer fosse manipular sombras (e nem isso com muita perfeição), ainda sim considerava magia. Isso porque o poder das minhas palavras não era tão mágico assim.

— Seja bem-vinda Puremina – segurei o riso ao ouvir sua pronúncia do meu nome – infelizmente não é uma boa hora. Os grobbs estão ameaçando o reino e destruindo meus guardas chiclete. Se nada for feito, eles vão devorar tudo o que construí até não sobrar mais nada...

Olhei para trás e descobri o que me raptou até ali se tratavam dos guardas chiclete dela. Ao voltar minha atenção para a menina, ela estava bem mais próxima e com um olhar esperançoso sobre mim.

— E se... se a gente juntasse nossas magias? – ela dizia – Você me ajudaria a vencer os grobbs? Didilândia seria grata pra sempre!

Observei o rosto clemente, com olhos de cachorrinho pidão. Eu queria dizer que estava em missão, mas duvidava que ela me deixaria ir e levar os chicletes para encontrar a porta se não fizesse isso por ela.

— Então... diferente dos meus irmãos e irmãs, ainda não desenvolvi muitos poderes. Me considero mais uma princesa guerreira que feiticeira. Consigo movimentar algumas sombras, invocar pequenos demônios e dizer palavras de maldição...

Parei para refletir e meus dons eram bem sinistros para uma criança. A usuária de magia doce piscou sem saber como reagir. Então éramos tomadas por um tremor, que nos assustou. O fenômeno era sentido novamente, nos levando ao chão com a força. Um outro guarda surgia e dava a notícia de que era um ataque grobb, aos gritos. Ela me encarou, com medo, sem saber o que fazer, pedindo ajuda.

— Se você é uma guerreira, pode liderar meu exército? Eles estão sem um general. O último foi comido e estou sem forças para criar outros guardas.

Cerrava os lábios e sacava a adaga. Aceitava a missão de defender o castelo e reunia os guardas presentes, pedindo para me levarem a uma posição alta afim de surpreender o elemento. Eles me conduziram por torres, me fazendo subir escadas infinitas. Entre alguns andares a torre tremia parecendo que iria desmoronar. Esse terror por trás das criaturas que atacavam o sonho da princesa me fazia questionar quantos eram e seu tamanho.

Ao chegar no ponto mais alto daquela torre, não acreditei no que meus olhos viam. Havia uma massa de uns 50 ou talvez 60 criaturas invadindo os muros do castelo colorido. Eles tinham caudas e eram muito velozes para o tamanho. Deviam ser tão altos quanto Ciclopes adultos! E estavam fortemente armados. Aqueles chicletes mais pareciam bananas pela forma que lutavam. Em questão de segundos o território seria tomado e aquele sonho fofo seria transformado num pesadelo... E minha cota já estava cheia!

— General, o que faremos? – fui interrogada por um dos guardas

— Temos que distraí-los e impedir que invadam o castelo... Vão, se posicionem entre as colunas principais do pátio central e aguardem meu sinal. Tenho um plano que dará a vocês uma vantagem.

E sem duvidar eles foram. Continuava observando-os se espalharem pelo reino e sentindo a pressão da liderança. Enquanto dava o tempo de os guardas ficarem em posição, tomava minha adaga ne frente do corpo e a segurava nas duas mãos. Me concentrava nela e no poder da discórdia, encantando-a pelo toque. Assim que feito, sentia bem o material da arma e mirava num grupo bem no centro da bagunça. Minha perícia com armas curtas como aquela era melhor que com qualquer outra. O plano traçado consistia em instaurar o caos entre os semelhantes por conta daquele objeto, como Éris havia feito um dia com o Pomo de Ouro. Com a distração, os chicletes teriam tempo o suficiente para reverterem o quadro da batalha e vencerem a guerra. Então colocava o plano em ação, reunindo minha força e assertividade para arremessar a adaga. Como um projétil, desceu incandescida e atingia o peito de um dos grobbs. Os que estavam ao lado olharam confusos, mas não conseguindo tirar os olhos da lâmina maldita. Um tentou pegar a arma, mas outro pareceu querer também e então a discórdia tinha início.

Desejava ter conhecimento de parkour ou pelo menos maior habilidade com descidas perigosas, pois decidia pegar o caminho mais rápido para chegar no campo de batalha, pois o efeito na arma não duraria muito. Procurava saltar entre pontos de fácil acesso e que me permitissem ter algum apoio. Por conta de meus treinamentos, meus saltos eram realmente altos e não sentia o impacto. Logo pousava ao lado de um grobb, deferindo-lhe dois golpes com os punhos cerrados e um giro seguido de um golpe de perna, provinda das aulas de capoeira. Ativava o par de soco inglês de ouro imperial e finalizava aquele grobb. Como se esperassem meu sinal, os chicletes só saíram de suas posições quando cheguei. Aquilo me incomodou, como se eles não tivessem autonomia. De toda forma, ao menos eles atacavam.

Tomava minha luta agindo na maior velocidade com que conseguia. Atacava dois ou três por vez, desarmando-os e os socando onde estavam desprotegidos. Ora ou outra era atingida por golpes de caudas, mas logo pisava nelas e saltava sobre o dono, desfigurando-lhe o rosto, que já era feio. Fui ficando cansada e perdido, vendo muitos deles e poucos dos guardas aliados. Procurei abrir espaço entre os monstros e pulava bem no lugar onde tinha arremessado minha adaga, recuperando-a das mãos vis e asquerosas de um grobb gorducho. Maximizava meus movimentos entre gritos de força, arremessos da arma, recuperando-a em seguida, saltos, chutes e muitos socos! Em um dado momento me vi cercada e tive de reunir ainda mais forças. Mirando as soqueiras para ambos os lados -direito e esquerdo- atirava os diamantes que surgiam da arma branca, como se fossem dardos de bestas. Girava para conseguir atingir o maior número possível de grobbs! Gritava o mais alto que conseguia ao passo que disparava feixes de diamantes pontiagudos. No entanto, eles ainda eram muitos. Em um instante eu parecia intocável e no outro, grobbs aos montes pulavam e caíam sobre o meu corpo, me impedindo de continuar. Fui arranhada, principalmente nas costas, nos braços e nas pernas. Sentia uma ardência como se tirassem minha pele! Os gritos agora eram de dor. Não conseguia enxergar. O único lugar que não sentia ser rasgado era sobre os braceletes. Isso me lembrava do poder deles, mas para isso eles precisavam se tocar. Com custo, estendia os braços, procurando deixar um chegar perto do outro, procurando suportar a dor e ultrapassar a força exercida sobre meu copo. Focava apenas nesse movimento que me custava muito pesar. Gritava, não sabia mais pelo quê. Talvez uma mistura de sentidos e emoções. Estava quase lá. Só mais um pouquinho e...

Boom!

Sentia minha energia se esvaindo à medida que era transformada naquela massa trevosa que explodia, levando todos num raio de 20m aos ares. Meu peito não estava mais sendo pressionado contra o chão, porém, sabia que aquilo não seria o suficiente para destruir um exército. Ao me erguer, eles pareciam se recuperar aos poucos. E quando dizia “eles” eram apenas os grobbs. Não via mais um chiclete de pé. Ou estavam jogados no chão, sem vida, ou pela metade, comidos pelos gigantes. Meu corpo pesou e senti um luto profundo, ficando paralisada, sem saber o que fazer. E para a minha infelicidade, ouvia mais hordas se aproximando.

Um brilho tratava de me cegar. Procurando de onde vinha, fui guiada a olhar o castelo. Da torre central, a princesa me convocava. E como se ela estalasse os dedos eu aparecia no salão anterior. A pequena estava aflita e os tremores continuavam. Ela caminhava de um canto ao outro, como se não fosse suportar a pressão. E eu era a mais ferida! Contudo, o sonho não era meu e eu tinha de procurar uma forma de ajudá-la, já que estava envolvida.

— Rainha, não entre em pânico – tentei acalmá-la, sem muito o que fazer.

Ela me olhou, desesperançosa, com as íris magoadas, pronta para derramar lágrimas.

— Você não entende. Não restou ninguém... Meu reino vai ser destruído e seremos as próximas... estou com medo.

Ela chorava como, bem, uma criança. E não fazia mal! Eu só não queria que o sonho dela terminasse assim, sendo devorada. Cheguei bem perto e a questionei se não tinha nenhum último recurso que aquela humilde guerreira não poderia usar. Ele parou de chorar, soluçou um pouco e pensou. Parecia ter desvendado algo, pois me olhava com um fio de esperança.

— Fadas... – ela disse.

— O quê? – olhei para os lados, ouvindo maiores bagulhos, e voltei a fitá-la.

— A magia das fadas é a única que pode derrotar os grobbs. Precisamos invocar um exército feérico... eu tinha um pergaminho, mas não sou capaz de fazer isso sozinha. Preciso de você. E para isso você tem que aprender a língua das fadas! – a rainha disse, erguendo-se para seu desfecho.

Meus olhos não poderiam estar mais fascinados com aquela narrativa, mesmo se tratando de um pesadelo meio fantástico, onde o mundo dela estava sendo consumido por criaturas malignas e eu poderia morrer, eu estava prestes a aprender a me comunicar com fadas! Isso era tão emocionante que por alguns momentos esquecia que tinha uma missão.

Ela dizia que precisávamos acessar o quarto dela, onde guardava essa magia. Me ajudando a caminhar, fomos nos equilibrando pelos corredores do castelo. Em um momento, uma das paredes cedia e abria um buraco, dando plena visão do exterior. Eles agora já eram mais de 100 e os domínios coloridos não passavam de ruínas cinzas. Fomos identificadas por alguns, que procuraram escalar o edifício. Continuamos nossa caminhada até chegar no cômodo e nos trancar lá dentro (como se uma porta fosse segurar aqueles bichos). A princesa da Didilândia acessava o closet, revirando-o do avesso. Ainda sentia meu corpo dolorido, mas procurava focar em qualquer outra coisa, evitando sentir essa dor. Me permiti sentar na cama enquanto ela procurava, pois ainda sentíamos o castelo inteiro vibrar. Ela logo surgia me entregando um saquinho de couro e estendendo um papel velho no chão.

Levantei-me para ver melhor o que tinha ali. Enquanto ela desembrulhava, uns desenhos surgiam, mas não entendia nada do que significavam. Ao terminar de abrir, a princesa veio até mim e abriu o saquinho dizendo:

— Você vai botar um pouquinho desse sal mágico debaixo da língua e pronunciar as palavras “eu acredito em fadas” três vezes. Precisa se concentrar e desejar poder falar com elas. Eu conto com você!

Assentia e pegava um punhado do sal que mais parecia glitter e colocava debaixo da língua. Tinha gosto de canela. Sentia um formigamento e a substância se dissolver ao falar:

— Eu acredito em fadas... Eu acredito em fadas. Eu. Acredito. Em. Fadas! – olhei para os lados e relaxei o corpo perguntando para ela – Funcionou?

— Você quem vai me dizer – ela apontou para o pergaminho grandão.

Ao olhar, sentia meus olhos arderem e uma coceira se instalar na parte de trás do cérebro. De repente as imagens ali começaram a dançar e, magicamente, eu conseguia decifrar o que estava escrito e pude ler o título: RIEF - Ritual de Invocação do Exército Feérico.

— Eu to lendo, eu to lendo! – me animava com a novidade.

Pude ver o sorriso esperançoso da princesa antes de ter a porta do quarto arrombada e ser capturada por um grobb. Perdi dois segundos paralisada. Corri, ignorando minhas feridas, e saltei o máximo que pude, alcançando a mão da criatura horrenda. Fiz uma pressão para baixo e nisso, saltava outra vez, ativando as soqueiras e aumentando as garras de diamantes, cravando cada mão nos olhos do infeliz. Busquei apoiar ambos os pés no rosto dele e saí dali, recuperando a princesa e a carregando no colo para voltarmos ao quarto. Peguei o pergaminho e dei pra ela dobrar, pois o grobb vinha derrubando tudo pelo caminho, chamando reforço. Ele já estava quase invadindo o quarto, não nos dando escolha. Tive que pular a janela.

Durante a segunda experiência de queda perigosa durante a missão, pensei que era agora que ia quebrar uma perna, mas para a minha felicidade, o salto nos fez cair em parábola até uma outra torre, de acesso a uma varanda. Claro que ainda assim caímos feio no chão, pois não tive tempo de projetar a queda direito, mas pelo menos sobrevivemos. Corremos para nos escondermos, passando por uma cozinha e chegar num outro grande salão. Ela estendia o pergaminho outra vez, com certa pressa. Meus olhos conseguiam compreender com perfeição aquela escrita. Ela se levantou e segurou minha mão. Sentimos um tremor ainda mais bruto naquela parte da torre, vendo alguns pedaços do castelo cair. Ela apressou-se e disse para começarmos, tendo em mente a crença na existência de fadas, pois só assim elas viriam.

Venham fadas para a sua morada!
Venham para a sua hora dourada!
Venham até nós por favor!
Fadas dancem com louvor!
Espíritos do Ar!
Formosas criaturas do lar!
Venham fadas, venham me abraçar!
Estou aqui para te contemplar!
Venham para a minha oração!
Me ajude com a sua varinha de condão!
Venham enfrentar o mal!
E seduzir todos com sua mágica pureza!  

Da minha garganta as palavras de poder eram totalmente diferentes dos dons de Éris ou Afrodite. Durante cada frase, um pedaço do pergaminho incandescia e ao terminar ele todo brilhava e tremeluzia, apagando no instante posterior. Quase como em sequência, o salão fora invadido e as paredes derrubadas. Os grobbs nos acharam. E o que arranquei os olhos chiava, como se falasse algo. A princesa me sussurrava que ele queria vingança contra a guerreira, no caso, eu.

Procurava acessos para uma possível fuga, mas estávamos cercadas. Não era possível que seríamos vencidas por primos de lagartixas gigantes. Não queria acreditar. Só que estava acontecendo. Eles davam o primeiro passo e sentia um arrepio na minha nuca. “Eu acredito em fadas” – comecei a falar baixinho, como último recurso. A princesa me olhava sem expressão, mas seguia minha crença dizendo as mesmas palavras que ela me ensinou que tinham poder, na prece. Eles estavam ainda mais perto. Falamos pela terceira vez aquelas palavras, acreditando no poder das palavras. Entreguei verdadeiramente meu coração.

Como um gêiser, uma luz forte brotou do pergaminho, desenhando uma linha até os céus – agora possível, já que os grobbs destruíram tudo – e assustando as criaturas que nos amedrontavam. Olhei para a princesa e seu sorriso ia de orelha a orelha.

— Conseguimos – ela soltou, como um alívio.

E daquela fonte de luz, surgiam pequenos seres de asas coloridas, soltando pigmentos de magia por onde passavam. Sua luminosidade parecia tão viva quanto de estrelas! E com milhares delas o salão era preenchido, banindo as criaturas malignas com seu poder. Algumas usavam os ventos, outras, elementos provindos da terra, como plantas e areia. Outras faziam magia com luz e algumas usavam a força coletiva para chutar umas bundas mesmo. Eu gostava mais dessas. A princesa tinha soltado minha mão e torcia para as fadinhas, que não demonstraram problemas em exterminar os monstros.

Sentia então algo atrás de mim. Virava apresada, achando que iria ser atacada, mas era apenas a porta que me trouxe ali. Já estava em tempo de voltar à missão principal. Então, sem que notassem, me afastava escondida nas sombras e atravessava o portal daquele sonho me perguntando se ao acordar ela lembraria de nossa aventura.

Estava de volta aos corredores de infinitos sonhos. Meu corpo tentava se acostumar com a dor das batalhar contra os seres do último sonho, mas era inevitável sentir. Suspirava, pesada, me apoiando em uma das paredes. Ao tirar a mão, vi que tinha deixado uma marca brilhante. Olhava para minha mão e via um pozinho nela. Era um pouco do sal de fada que tive de pôr na boca para aprender a língua das fadas. Pensava se ele não tinha outras propriedades mágica e o trazia junto do peito desejando encontrar a porta de Josephine. Então libertei os pigmentos, que flutuaram e tremeluziam naquele lugar escuro até tocarem o chão. Minha cabeça acompanhou o movimento tristonho de descida.

Desacreditada, começava a duvidar se devia ter vindo realmente. Talvez um semideus mais experiente pudesse ter dado conta melhor da missão. Entretanto, esses pensamentos de baixa autoestima eram interrompidos pelo movimento espiralado que algumas partículas do pozinho fizeram. Não tinha vento ali, mas notei que agora uma brisa fria vinha mais a frente. Caminhei na direção o vento e então passei a dar passos acelerados até parar de sentir. Voltei alguns passos e sentia de novo. Não havia nenhuma porta entreaberta. Vinha das brechas de uma porta toda branca, rachada pelo tempo, aparentemente frágil, mas resistente. Ao tocar na maçaneta, senti o frio pelo metal.

Abria a porta e já entrava. Estava no meio de uma nevasca em meio a escuridão e a lua era nova. Não havia estrelas no céu, mas o ambiente era um bosque de pinheiros. Tive de me concentrar e mudar minhas roupas para agasalhos fofinhos de unicórnio roxo num estalo de dedos.

— E eu achando que essa habilidade era fútil.

Depois de ter soltado essas palavras, uma silhueta humana de olhos brilhantes portando um arco prateado se assustou com a minha presença e corria para longe. Sem muito pensar, corri atrás, mas não vi para onde a pessoa tinha ido. Ao olhar para as pegadas no chão, via marcas de pés até um certo ponto e depois elas simplesmente sumiam. Procurei nas árvores e ao redor, mesmo assim nenhum sinal da figura vista anteriormente. Pensava que talvez ela tinha se escondido e camuflado entre os pinheiros.

— Jose? – chamava, atenta a sinais em resposta.

Nada.

Dava meia volta, me assustando com a presença de um gato branco em veio a tempestade de neve. Soltei um grito e o animal um “purr”. Então ele fugia. Me dei conta de que como aquilo era um sonho, o animal poderia falar. Corria atrás do ser vivo e o questionava:

— Gato, você sabe quem era aquela pessoa que estava ali antes? Conhece Josephine Nieckhale?

Ele grunhia para mim, enriçando as costas, como se me mandasse para um lugar feio e escalava a árvore mais próxima. Relevei aquilo e já não queria mais ficar dentro daquele sonho. Contudo, ao olhar para trás, não avistava mais a porta e minhas pegadas foram cobertas pela neve que caía. Me via perdida em meio ao bosque. Olhava para cima e o gato não tinha deixado nem o sorriso.

Caminhava com a condição climática se instalando sobre meu corpo. Mesmo agasalhada, ainda sentia o frio, o que não fazia sentido, pois estava num sonho. Mas daí a dor que eu sentia também não fazia sentido. Preferi não pensar muito mais, pois não conhecia os limites dos sonhos. Num dado momento, avistava um castelo de gelo, bem Frozen, um pouco depois do bosque. Ao chegar perto da escada de acesso, o gato branco ressurgia e rugia para mim. Me assustei com a intensidade daquela sonoridade. O animal caminhava na minha direção e a medida que se aproximava, seu tamanho aumentada e a ferocidade também. Eu acompanhava os movimentos, só que indo para trás, devagar. Passando algumas árvores, a imagem do gatinho virava um tigre. No segundo rugido, dei meia volta e corri.

Adentrava outra vez pelo bosque e me perdia entre as árvores, mas o tigre me encontrava e tomava um caminho que dava na minha frente. Parei de correr em súbito e caí no chão. Ele se aproximava devagar, como se apreciasse meu medo. Me deslocava para trás, olhando diretamente para o animal quando bati em algo atrás de mim. Sentia que era madeira, mas era lisa. Tocando o chão, percebia que tinha se tornado porcelanato. O tigre branco rugia uma nova vez e avançava. Rolei para o lado em reflexo e me levantei para correr. Nisso, via que não estávamos mais no bosque gelado. Era... a sala de artes e ofícios do CHB! Fitei os olhos do tigre e ao trocar olhares, franzia a testa. Não tinha sido eu que nos levei até ali e aquele espaço só poderia ser comungado com uma única outra pessoa no mundo.

— Jose?

O tigre respondeu com mais ira, correndo atrás de mim, mas deslizando no piso liso. Eu chegava ao outro lado da sala, onde estavam os materiais de cerâmica e alguns campistas – que não percebiam o animal carnívoro – fazendo objetos com o barro. Aos meus pés havia a estrutura bem contornada de um vaso. O tigre me avistava e soltava seu maior rugido até então. Ele ameaçou saltar sobre mim e eu ameacei tacar o jarro na pessoa que estava ao meu lado, sendo brutamente interrompida pela fala:

— Puermina! Quantas vezes terei que falar que não é pra machucar o coleguinha com arte?

Desviava o olhar, permanecendo imóvel. Josephine estava bem do meu lado, me devorando com os olhos, sem vestes e descabelada. Graças as deusas era só ela. Largava o artigo no chão com cuidado e a abraçava. Ela falava algumas coisas que não faziam sentido (para ela) como o porquê de estar dando aula nua e de eu estar com roupas de sobra, entre outras. Isso me fazia questionar que figura era aquela que avistei assim que entrei no sonho e como Josephine perdeu o controle no próprio universo. Ela era uma das guerreiras que mais admirava.

Durante esse momento esquisito, uma porta tremeluzia à direita. Colocava meu casaco nela e dizia que precisávamos ir, caso contrário seria o nosso fim. Segurava a mão dela e esperava que acompanhasse meus passos, pois nossa saída daquele pesadelo constante que era o reino de Morfeu estava prestes a ter fim. Ela assentia e me seguia.

Ao tocar a porta e atravessá-la, o mundo se iluminou e meus pulmões explodiram, pedindo ar. Sentava, pois estava deitada e procurava me controlar. Estava na sala com os outros semideuses. Eu tinha... conseguido? Me levantava dali indo ver como estava minha resgatada, pois só ficaria em paz depois de descobrir se tinha concluído a missão com louvor.



Código:
Habilidade Desejada
Nome: Fluente em Feérico
Descrição: A usuária desta habilidade adquiriu conhecimento da antiga linguagem das fadas, conseguindo ler escritos ancestrais, compreender e comunicar-se com essas criaturas de forma natural. Seres meio-fadas também podem ser compreendidos.
Gasto de MP: Nenhum
Gasto de HP: Nenhum
Bônus: +15% na influência sobre esses seres por saber sua língua.
Dano: Nenhum

arsenal:
• Faca de Bronze Celestial [ Uma faca de lâmina curta - cerca de 10 cm - com cabo em madeira envolvido em couro para tornar o manuseio melhor. | Não produz feridas em mortais. | Bronze celestial, madeira e couro. | Sem espaço para gemas. | Alfa. | Status 100%, sem danos. | Comum. | Nível 1. | Item inicial. ]

⊰ Diamond Knuckles [Par de soco inglês em ouro imperial com pontas em diamante. A arma branca tem espaço para os 4 dedos de cada mão, excluindo os polegares. | Efeito 1: Sendo encantadas por mágica, se transformam em anéis encrustados com diamantes a desejo da portadora | Efeito 2: Tais armas funcionam como bestas, disparando diamantes afiados. | Efeito 3: Uma vez por evento/missão os diamantes poderão se alongar como garras de até 30cm e irão causar +20% de dano no ataque. | Ouro Imperial. | Sem espaço para gemas. | Beta. | Status 100%, sem danos. | Mágica. | Herança.]

⊰ Braceletes da Discórdia [Um par de braceletes de ouro que ocupam cerca de 3/4 do antebraço do portador. Há desenhos de fissuras ligadas à pomos pela extensão do artefato, onde uma energia escura fica circulando como se fosse uma corrente sanguínea divina. | Efeito 1: Funcionam como artigo de defesa, sendo super resistentes, conferindo +25% de constituição. | Efeito 2: Quando ambos são chocados, sugam a energia sombria que habita Puermina e libera uma explosão de Trevas num raio de 20 metros, causando 80 de dano, custando 30MP. | Efeito 3: Não podem ser retirados, pois os braceletes estão conectados ao corpo da semideusa. | Ouro Imperial e Magia Sombria. | Sem espaço para gemas. | Beta. | Status 100%, sem danos. | Mágica. | CCFY: a escuridão que habita em mim (parte 1).]
passivos de éris:
Nível 28
Nome do poder: Sobrevivente
Descrição: O filho de Eris/Discórdia, não sofre como outras pessoas a torturas relacionadas a fome, sendo capaz de passar mais de 10 dias sem comer e ainda assim – apesar de muito fraco – permanecer vivo.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Mesmo com uma fome infernal, poderá se manter vivo por um longo período de tempo.
Dano: Nenhum

Nível 17
Nome do poder: Resistência à Pressão
Descrição: Como Éris/Discórdia foi ao Tártaro, seus filhos possuem a capacidade de suportar grandes pressões/variações bruscas de pressão sem sofrer algum tipo de dano colateral.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Podem resistir a grandes pressões sem sofrer danos.
Dano: Nenhum

Nível 9
Nome do poder: Bom ator
Descrição: Devido a sua habilidade em contar mentiras, você acaba sendo um improvisador nato e essa habilidade pode lhe ser muito útil para sair de momentos difíceis.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +10% de força em poderes ativos que necessitem de persuasão, ilusão ou mentiras. +15% de chance de sair de uma situação complicada usando tal habilidade.
Dano: Nenhum

Nível 12
Nome do poder: Aprimoramento de força
Descrição: Como Éris/Discórdia acompanhava Ares/Marte em batalha, seus filhos conseguem aumentar sua força de modo que ela se compara a da prole do senhor da guerra, ficando abaixo apenas de tais crias.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +15% de força em batalha.
Dano:  +5% de dano se os golpes acertarem.

Nível 13
Nome do poder: Estrategista Habilidoso
Descrição: De tanto criar mentiras você começa a se tornar um bom estrategista, sendo capaz de criar estratégias de batalha quase tão eficientes quanto a das proles de Atena.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +20% de chance de que seus planos funcionem conforme o esperado.
Dano: Nenhum

Nível 15
Nome do poder: Perícia com facas e lanças II
Descrição: Agora a sua habilidade começa a se aperfeiçoar ainda mais e você com toda certeza passa a ser um dos destaques no uso de ambas as armas.
Gasto de Mp: Nenhum.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: +35% de assertividade no uso de uma dessas armas.
Dano: +15% de dano.

Nível 30
Nome do poder: Guerreiro Nato
Descrição: Assim como a deusa acompanha sempre Ares/Marte, seus filhos estão sempre prontos para briga. Podendo lidar com conflitos/combates inesperados de forma eficaz.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: 50% de chance de não ser pego de surpresa.
Dano: Nenhum
ativos de éris:
Nível 16
Nome do poder: Maldição do Esquecimento I
Descrição: O filho de Éris/Discórdia, pode amaldiçoar o inimigo, o fazendo se esquecer de tudo o que estava fazendo, ou de algo que muito importa durante um curto período de tempo, ficando ineficaz e vulnerável em batalha.
Gasto de Mp: 25 MP
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: 5 HP
Extra: Dura apenas um turno, nesse turno, o inimigo não se lembrara de como lutar, de onde está, ou o que estava fazendo, lhe dando a chance perfeita para atacar.

Nível 22
Nome do poder: Toque da Discórdia I
Descrição: O semideus pode, com um simples toque sobre um objeto, uma arma, ou qualquer coisa semelhante, torna-la objeto de discórdia entre seus oponentes. Esse objeto estará encantado, e tornara-se o desejo de seus oponentes, inimigos, ou amigos, causando a discórdia no local que estiver presente. Isso trará discussão, desordem e brigas entre todos aqueles que forem afetados pelo objeto. Pode fazer com que briguem a tapas e arranhões, ou até mesmo, usem armas para fazê-lo.
Gasto de Mp: 20 MP
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Pode fazer inimigos lutarem entre si pela posse do objeto, gerar discussões e desacordos, além de causar distrações.
Dano: Nenhum
Extra: O efeito dura dois turnos. O filho da deusa não é afetado pelo poder.
passivos de afrodite:
Nível 1
Nome do poder: Beleza Natural
Descrição: Os filhos da deusa do amor são campistas naturalmente bonitos e charmosos. A beleza supera a de qualquer outro semideus no acampamento, sendo algo beirando ao sobrenatural. É simplesmente indescritível. Isso faz com que inimigos e aliados acabem se distraindo por sua beleza perturbadora, ou encantados pela mesma.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Pode deixar o inimigo atordoado durante o primeiro turno, evitando atacar logo de cara, ou se atacar (poderes que exijam miras, ou armas com a mesma característica), irão errar o alvo. Não acertarão o filho de Afrodite/Vênus, pois, de primeira, o inimigo não saberá porque não nutre o desejo de ataca-lo.
Dano: Nenhum

Nível 5
Nome do poder: Pericia com Adagas I
Descrição: O semideus possui certa afinidade com as adagas, uma arma delicada, simples, que em suas mãos se torna mortal. O filho de Afrodite/Vênus costuma repelir armamentos mais pesados, por isso a adaga o atrai com mais facilidade. E mesmo que ele nunca tenha se utilizado de uma, conseguira maneja-la com certa facilidade. Nesse nível, ainda apresenta alguns poucos erros.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +15% de assertividade no manejo de Adagas.
Dano: +5% de dano se a arma do semideus acertar o oponente.
ativos de afrodite:
Nível 3
Nome do poder: Charme I
Descrição: Os filhos de Afrodite/Vênus têm grande capacidade da persuasão, afinal, é impossível resistir aos pedidos de alguém tão carismático.  Neste nível o poder está começando a se desenvolver, portanto só funciona com semideuses e monstros mais fracos.
Gasto de Mp: 15 MP por turno ativo
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum
Extra: Pode usar para enganar ou persuadir alguém a fazer o que você quer, por exemplo, fazer um inimigo se voltar contra um aliado dele mesmo. Porém, só funciona com pessoas de nível inferior ao seu.

Nível 5
Nome do poder: Sentimentos Conturbados
Descrição: O semideus consegue fazer com que seus oponentes troquem os sentimentos do momento, ou algo semelhante, assim sendo, uma pessoa com raiva pode ficar calma, e uma pessoa feliz pode sentir um ciúme incomodo. Isso pode atrapalhar ou ajudar na batalha, depende da forma com que o semideus o utilizar.
Gasto de Mp: 20 MP por turno ativo
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: 5 HP
Extra: O efeito dura em média um turno, então o poder precisa ser ativado novamente para continuar funcionando.

Nível 1
Nome do poder: Sempre na Moda
Descrição:  Você tem um pequeno controle sobre a moda. Onde o lugar é frio, consegue em um estalar de dedos se vestir apropriadamente ao clima, e se for quente também. Esse efeito de roupas para uso próprio dura quanto tempo você quiser.
Gasto de Mp: 5 MP
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum
Extra: Isso permite que você mude de roupas sempre que desejar.
”habilidades”:
Nome: Concentração
Descrição: A capacidade de criar esculturas em argila ou outros materiais, exige concentração o que pode ser fundamental em batalha e ter foco naquilo que se faz no momento. Com isso, você consegue ter um foco maior.
Gasto de MP: Nenhum
Gasto de HP: Nenhum
Bônus: Com tal habilidade você tem uma melhora na sua concentração de 15%.
Extra: Se sua FPA possuir mais de 3 pontos em determinação, a probabilidade aumenta para 20%

Nome da Habilidade: Capoeirista
Descrição: Após uma aula de combate corporal, o aluno aprendeu a arte da capoeira. Assim, aplicará golpes eficientes principalmente com os pés, além de ter melhorado a sua capacidade de esquiva e agilidade graças ao método de combate dessa modalidade.
Gasto de MP: Nenhum
Gasto de HP: Nenhum
Bônus: +30% de esquiva e agilidade
Dano: +20% de dano em golpes feitos com as pernas/pés.
Extra: Nenhum

Nome: Pratyahara
Descrição: Através da Yoga, o semideus aprendeu a prática da Pratyahara e a habilidade de retrair seus sentidos para melhor controle da sua mente. Devido a isso, o personagem é capaz de diminuir as influências externas sobre os seus cinco sentidos e consegue aumentar a sua concentração e controle da própria mente.
Gasto de MP: Nenhum
Gasto de HP: Nenhum
Bônus: +30% concentração e auto-controle mental.
Dano: Nenhum
Extra: Uma única vez por ocasião, o semideus é capaz de cessar um dos seus sentidos a fim de aprimorar a sua concentração.
Observação: Esta habiliade não o torna totalmente imune a ataques mentais. Ao enfrentar semideuses com poderes sobre a mente, é necessário que o portador dessa habilidade descreva o que aprendeu na aula para explicar como dominou a própria mente e diminuir os efeitos do ataque sofrido. O dano e os efeitos serão amenizados de acordo com a interpretação do narrador.




♥️ Puermina ♥️
embaixadora do amor próprio e protetora da infância
Filha de Éris & Legado de Afrodite
Puermina
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Amazonas
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Um Reino de Sonhos - Página 5 Empty Re: Um Reino de Sonhos

Mensagem por Koda Smith em Sex Maio 03, 2019 11:43 pm



The Dreaming


Se algum dia eu recuperar minhas memórias, vou pedir para algum mentalista esquadrinhar cada cantinho da minha mente, para ver se eu já fiz algo tão louco quanto entrar nos sonhos de outra pessoa.

Havia oito camas preparadas para os voluntários. Na minha cabeça, nos chamávamos de Caçadores de Sonhos. Não compartilhei esse pensamento com ninguém, mas era algo para lidar com o nervosismo. Os filhos de Morfeu vieram até nós e nos colocaram nas camas. Uma jovem, que não aparentava ter mais do que dezesseis anos, veio até mim, me preparar para a viagem.

— Koda, não é? — Assenti em resposta. Um sorriso solidário surgiu no rosto dela. — Meu nome é Karin. Irei te colocar no mundo de nosso pai. Mas antes, tem algumas coisas que você precisa saber. Preste bem atenção no que irei te dizer, pois basicamente é a sua vida e a de sua irmã que estão em risco. — Karin preparava todo o maquinário que iria me monitorar com uma calma surpreendente. — Fazer você dormir é fácil. Te induzir a sonhar, mais ainda. Colocar você no mesmo sonho que Melinda? Extremamente complicado. Não há certeza que você irá direto para onde sua irmã está. O reino de meu pai é grande, muito grande. Os sonhos são muito voláteis. Sem uma forma definida. Você pode encontrar seu maior desejo ou então seu pior pesadelo.

— Por acaso isso era para me animar? Pois não acho que esteja dando certo. — Minha voz saiu um pouco tremida, mas a tentativa de piada não passou despercebida pela jovem, que sorriu ao ouvir minhas palavras.

— Isso é para te conscientizar. Estando no mundo dos sonhos, você poderá encontrar qualquer coisa que a mente humana possa imaginar. — Karin me entregou uma poção azulada. — Beba tudo. Isso irá induzir sua mente a aceitar melhor a sonolência e assim ficará mais fácil te colocar no caminho certo.

Peguei o frasco e, fazendo um brinde a filha de Morfeu, bebi o líquido de uma vez só. O gosto era diferente do que eu esperava. Parecia com suco de limão. Imediatamente meus olhos ficaram mais pesados. O sono tomou conta do meu corpo. Quase institivamente, me deitei na cama preparada para mim. A última coisa que me lembrava, antes de cair na escuridão era a voz de Karin me desejando boa sorte e, então, entoando um cântico em grego antigo.

Devido aos treinamentos que havia realizado nos acampamentos, as trevas que me englobavam já eram quase velhas amigas. O som do silêncio martelava em meus ouvidos, mais forte do que qualquer som que me lembrava de ter ouvido. Não havia muito que fazer, então decidi dar alguns passos a esmo na escuridão. Não sabia se estava partilhando o mesmo sonho que Melinda, ou se ainda estava a caminho de sua mente.

A escuridão continuava como uma companheira silenciosa, até que o silêncio foi cortado por um barulho abafado. Parecia com o barulho de um caminhão andando a alta velocidade. Uma buzina também estava soando em algum lugar. Não conseguia distinguir de onde vinha o som, até que a escuridão finalmente foi cortada por uma luz forte, que ficava cada vez maior.

Como meus olhos estavam acostumados com a escuridão, demorou um pouco até que eu finalmente percebesse o que era a fonte da luz e do barulho. Um caminhão, em alta velocidade, estava avançando na minha direção. Ainda atordoado, consegui saltar para fora do alcance do veículo. Ainda sem perceber o que estava fazendo, senti meu corpo bater com alguma coisa, e braços me segurarem.

— Olhe por onde anda, garoto. Vai acabar morrendo assim. — Uma voz masculina, forte, soou em meus ouvidos. Depois de alguns segundos, finalmente meus sentidos voltaram a trabalhar e pude observar o dono da voz.

Um homem, de aparente meia-idade, com cabelos grisalhos, vestindo uma camiseta regata branca, calças jeans e um par de óculos escuros, de lentes redondas. O acessório havia chamado minha atenção, pois estava de noite em, bem, onde quer que eu estivesse.

— Claro. Vou prestar. — Minha voz também havia voltado ao normal. — Me desculpe, mas onde estamos mesmo?

— Ahh, estamos na maravilhosa cidade de Saint Paul, no Minnesota. — O estranho possuía um sorriso estranho, quase sádico. — Imagino que você veio para a Convenção também, estou certo.

— Isso, convenção. Vim para a convenção. Pode me mostrar onde fica? — Tentei manter a voz calma, mesmo não fazendo ideia de qual convenção ele estava falando.

— Vocês ficam mais jovens a cada ano. — Uma risada sem alegria saiu de sua boca. E, por um segundo aterrorizante, tive a impressão que seus óculos se moveram de maneira estranha, como se estivessem escondendo alguma coisa tenebrosa. — Siga até aquela placa grande. Não é difícil. Qualquer coisa, pode dizer que é um convidado especial do Coríntio. — E apontou para si mesmo.

— Certo. Obrigado, e me desculpe pelo encontrão. — E sem esperar uma réplica de Coríntio, apertei o passo em direção a tal convenção.

Ao chegar ao local indicado pelo estranho, percebi que as coisas estavam muito erradas. Uma placa, muito grande, continha os dizeres “Convenção de Seriais”, em letras garrafais. Minha mente criou duas hipóteses: ou a placa estava errada, e o certo seria “Cereais”, ou a placa estava certa e alguma coisa macabra estava acontecendo ali. Rezei para todos os deuses pedindo que a primeira alternativa fosse a certa. Pena que eles estavam além do meu alcance, pois, quando entrei no galpão da convenção, a segunda alternativa era a correta.

Imagine o paraíso para um serial killer. Imaginou? Bem, aquilo era ainda pior. Vários tipos de armas estavam dispostos em vitrines chamativas. Desde armas de fogo a armas brancas extremamente elaboradas. Pessoas andavam por ali conversando umas com as outras, falando sobre suas vitimas. O modus operandi de cada um, técnicas para desovar um corpo sem ser pego por ninguém. Era assustador.

E o pior era que todos, em algum momento, pareciam olhar para mim como se eu fosse alguma atração da convenção. Eu sabia que tinha que fazer alguma coisa, antes que virasse mais uma peça na exposição. Porém, no momento em que iria de fato me mexer, uma voz preenche o salão. Era uma voz conhecida. Era o homem que havia encontrado mais cedo. Coríntio.

— Sabem, normalmente eu não falo em público. Mas a oportunidade de falar a todos vocês é muito boa para deixar passar. Porque vocês são pessoas especiais. Pessoas muito especiais. — A cada palavra, a vontade de sair daquele lugar tomava conta de mim, mas sabia que um movimento em falso poderia me matar. — Nós somos os sonhadores americanos, seguimos na rodovia sagrada em direção à sabedoria pavimentada com ouro e sangue. E através dos caminhos nesse país justo, estamos matando pessoas.

As pessoas aplaudiam o interlocutor com avidez. Segui os aplausos apenas para não demonstrar algo errado. Coríntio continuou sua fala, cada vez mais empolgado. Parecia mais um político do que um assassino. A plateia ia à loucura com sua fala. Contudo, uma presença diferente naquele local fez com que a voz do homem vacilasse.

Ao meu lado, encontrava-se uma pessoa diferente de tudo que já havia visto. Sua pele era branca como um papel, contrastando com seus cabelos e vestes negras como uma noite sem luar. Em seu ombro, havia um corvo, que alternava seu olhar entre mim e Coríntio.

— Nós somos gladiadores, somos soldados, heróis e reis da noite. Nós somos os que vivem e isso é uma vitória. Nossa vitória. E nossa glória! — O final do discurso de Coríntio não continha a empolgação do começo de sua fala. Raiva havia tomado o lugar do fervor, e ele veio até o desconhecido ao meu lado, com passos firmes.

— Coríntio, imaginei que você estaria aqui. — A voz do ser em vestes negras era calma, mas continha um poder desconhecido. — Você não tem permissão para sair do Sonhar. Irá voltar para lá agora mesmo.

— Morfeu, meu chapa. — Coríntio tirou seus óculos e um grito escapou de meus lábios. Pois, onde deveriam estar seus olhos, duas bocas com sorrisos cruéis, de algum modo, olhavam para mim. — Acho que esta criança a seu lado pertence a mim, não é mesmo?

— Este jovem não pertence a ninguém, a não ser ele mesmo. — O ser, que aparentemente era uma das formas de Morfeu, olhou para mim com indagação em sua face. — Você ainda tem mais dois desafios a cumprir, se quiser resgatar sua irmã, criança. Agora, vá em frente. Lidarei com Coríntio enquanto você cumpre as tarefas restantes. — E, com um estalar de dedos, tudo a minha volta sumiu. A escuridão me engolfou novamente.

Quando as trevas me abandonaram pela segunda vez, me encontrava em alguma espécie de quarto. Havia uma cama de casal e uma de solteiro. Nas paredes, havia vários monitores mostrando várias cenas estranhas. Parecia que alguém havia colocado vários filmes em cada uma das telas. Ao lado da cama de casal, em um criado mudo, havia uma foto com três pessoas. Aparentemente uma família. O que chamava mais a atenção na foto era o patriarca da foto.

Ele usava um uniforme que parecia com o de um super herói de quadrinhos, com cueca por cima da calça e tudo. Em seu peitoral, havia um desenho de uma ampulheta vermelha em um fundo amarelo. Os três sorriam genuinamente, apesar da fantasia bizarra utilizada pelo homem. Parecia que eu estava em alguma espécie de quarto de vigilância e, antes que eu pudesse investigar mais a fundo, uma porta se abriu e as três pessoas da foto entraram no recinto, seu riso morrendo conforme eles notavam minha presença.

— Família, acho que temos uma visita. — A voz do homem era descontraída, mas um tom sério havia dominado seu ser. — Eu tenho vários nomes, mas você pode me chamar de Morfeu.

Foi preciso cada célula do meu corpo para não cair na risada. Uma coisa era imaginar deuses em suas várias formas. Outra era um cara vestido com uma roupa amarela, com uma sunga vermelha por cima da calça, falar que era o deus dos Sonhos. Era muito mais fácil acreditar que o gótico que havia me salvado de Coríntio era Morfeu

— Certo, ahn, Lorde Morfeu. — Minha voz tremia um pouco, por causa do riso contido. — Acho que vim parar aqui por engano. Estou em uma busca, e preciso prosseguir com isso, ou então pessoas podem ficar presas no mundo dos sonhos.

— Ora, mas você está no lugar certo. — O falso Morfeu agora parecia mais amistoso com minha presença. — Aqui é o mundo dos sonhos. Você pode ir a qualquer sonho a partir daqui.

— Agradeço, mas posso prosseguir minha busca sozinho. — Um instinto interior me dizia para sair daquele lugar o mais rápido possível. — Como eu saio daqui mesmo?

— Para sair daqui, você só precisa me ceder um sonho. — O homem se aproximava de mim de forma perigosa. — Me deixe vasculhar sua mente a procura de um sonho e então você pode prosseguir.

Um pouco receoso, permiti que o estranho vasculhasse minha mente. Com minhas habilidades especiais, sabia que ele só veria o que eu permitisse ser visto. Uma parte da minha mente também focou em tentar perceber como ele fazia aquilo, pois não era de fato uma telepatia. Não eram minhas memórias que estavam sendo vasculhadas. Eram meus sonhos, algo que nascia de meu inconsciente.

No fim, ele ficou satisfeito com um sonho bobo que tive há alguns dias. O suficiente para que eu pudesse descobrir como ele fazia isso. A porta pela qual a família entrou se abriu, e eles abriram passagem para que eu pudesse prosseguir viagem.

Ao atravessar o portal, a escuridão me abraçou pela terceira vez. Dessa vez esperei pacientemente as trevas se dissiparem. Quando isso aconteceu, vi uma sala de aula ao meu redor. Ao meu lado, estava Melinda. Ela parecia extremamente assustada, e não precisei procurar muito para ver o motivo de seu tormento.

Uma aranha gigante estava à frente da classe. Somente isso já era o suficiente para fazer minha aracnofobia travar meu corpo. O pior era que essa aranha em específico estava vestindo uma roupa de professor.

— Melinda, eu sei o quanto isso pode parecer assustador, mas é apenas um sonho. — Minha voz saia abafada, e não sabia se ela conseguia me escutar. — Temos que sair daqui logo, antes que nós dois fiquemos presos para sempre.

A filha de Athena estava estática, olhando para a aranha gigante. Eu mesmo tinha que usar toda minha força de vontade para não cair gritando no chão, mas meu corpo dava sinais do medo que eu sentia: a respiração trêmula, a tensão muscular e os calafrios que subiam por minha espinha. A aranha estava calmamente falando sobre alguma matéria normal.

— Anda, Melinda, você tem que acordar. — Minha voz havia adquirido um tom de emergência. — ACORDA, MELINDA.

A garota piscou algumas vezes, e então finalmente olhou para mim.

— K-Koda… O que você está fazendo aqui? — A voz de Melinda estava fraca, mas só de ouvi-la já era algo incrível.

— Vim te tirar do sonho. Agora, acorde. Logo irei até você. — E observei a filha de Athena desvanecer aos poucos, assim que pareceu compreender o que eu tinha dito. Por fim, tudo a minha volta começou a virar fumaça, o cenário se desfazendo ao meu redor como em um passe de mágica.

— Muito bem, cria de Athena. — Uma voz conhecida ecoou na escuridão. Morfeu finalmente apareceu ao meu lado. — Você superou os desafios e conseguiu resgatar sua irmã. Mereceu o direito de voltar ao mundo dos mortais.

— Obrigado, Lorde Morfeu. — Fiz uma reverencia. — Contudo, preciso perguntar: por que você fez tudo isso?

— Não é óbvio? — Morfeu começou a desaparecer e sua voz ficou embotada. — Queria oferecer algumas provações para semideuses escolhidos. E você, passou com louvor. Quando voltar, receberá um presente meu.

Tentei perguntar o que seria o presente, mas antes que falasse qualquer coisa, acordei na cama confortável da enfermaria. Ao meu lado, Melinda estava me esperando ansiosa.

— Que bom que você voltou. — Foi o que saiu da minha boca, antes do cansaço dominar meu corpo e eu cair em um sono sem sonhos.

Poderes passivos Athena:
Nível 5
Nome do poder: Inteligência
Descrição: Um filho de Athena é naturalmente inteligente, por sua mãe ser a deusa da sabedoria, o semideus aprende as coisas mais rápido, o que também permite que ele note coisas que outras pessoas não percebem. O semideus de Athena sempre procura uma saída lógica, consegue bolar um plano e encontrar pontos chaves, pois tudo aquilo que não consegue entender lhe deixa frustrado. Ele sempre buscará respostas.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +5% das estrategias darem certo. (Aumenta em +5% a cada 5 níveis que o semideus adquirir).
Dano: Nenhum.

Nível 17
Nome do poder: Memorização
Descrição: A mente do semideus é capaz de arquivar informações com mais facilidade, lembrando-se de caminhos percorridos, dados sobre coisas que já viu ou conheceu. A boa memória do semideus o faz capaz de lembrar informações importantes sobre o cenário ou sobre inimigos que já enfrentou.
Gasto de MP: Nenhum
Gasto de HP: Nenhum
Bônus: +10% de inteligência e +30% de capacidade memorial
Dano: Nenhum
Extra: Caso o semideus já tenha enfrentado determinado inimigo ou passado por alguma situação, se lembrará de detalhes que o ajudem a superar o problema.

Nível 24
Nome do poder: Estratégia II
Descrição: O campista é bom em elaborar planos e estratégias de batalha, o que torna a chance de erro para ataques diretos, ou criação de armadilhas, menor, ou seja, a margem de erro será inferior ao dos outros semideuses.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +20% de acerto em ataques planejados previamente.
Dano: Nenhum

Nível 25
Nome: Aprendizado apurado II
Descrição: A inteligência de um filho de Athena é um dos pontos mais fortes do semideus, quando bem desenvolvida e estimulada. Ao estudar algo, o filho da deusa da guerra estratégica ganha mais domínio sobre o assunto do que qualquer outro semideus.
Gasto de MP: Nenhum
Gasto de HP: Nenhum
Bônus: +10% de bônus em habilidades aprendidas.
Dano:  +10% de dano em habilidades aprendidas.
Extra: Necessário colocar essa habilidade em destaque, para que narrador esteja ciente do aumento no bônus e dano.

Nível 26
Nome do poder: Foco
Descrição: Com uma das mentes mais apuradas, é difícil distrair um filho de Athena quando este está dedicado a suas ações.
Gasto de MP: Nenhum
Gasto de HP: Nenhum
Bônus: 40% de foco em combate ou atividades.
Dano: Nenhum.

Poderes passivos Psiquê:
Nível 1
Nome do poder: Capacidade cerebral aumentada
Descrição:  Ao se tornar um Mentalista, o semideus potencializa a capacidade cerebral. Suas sinapses são mais eficientes e sistema nervoso funciona melhor do que qualquer outro semideus ou ser vivo. Isso permite que o Mentalista use de sua mente como sua principal arma, sem enlouquecer ou sofrer danos cerebrais durante o uso das habilidades.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum

Nível 2
Nome do poder: Memória Fotográfica
Descrição: Os mentalistas possuem uma memória perfeita. Ao se depararem com um estímulo, ele irá lembrar futuramente, mesmo depois de um longo tempo. A memória aqui não se prende apenas ao visual, envolve também os outros sentidos do corpo. Senso assim, poderá lembrar de um som, de um cheiro, de um gosto em específico.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum

Nível 4
Nome do poder: Corpo equilibrado I
Descrição: O seguidor de Psiquê tem tanto mente quanto corpo alinhados. Isso acaba por potencializar o equilíbrio corporal. Nesse nível o mentalista ainda começa a aprender noções de seu corpo, tendo um ótimo equilíbrio que um humano treinado teria.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +30% de equilíbrio
Dano: Nenhum

Nível 5
Nome do poder: Inteligência Múltipla – Lógica.
Descrição: O cérebro possui múltiplas inteligências que os seres humanos desenvolvem com treinos ou a desenvolvem naturalmente. O mentalista agora possui a inteligência lógica apurada, tendo o seu “Centro de Broca” mais ativo no momento. Essa é a inteligência empregada para resolver problemas lógicos e matemáticos. É a capacidade para utilizar o raciocínio dedutivo e de calcular corretamente. É a inteligência que costumam ter os cientistas, matemáticos, engenheiros e aqueles que utilizam cálculos e deduções (trabalham com conceitos abstratos, elaboram experimentos).
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Suas estratégias ganham mais credibilidade; +20% de assertividade em arremesso de itens, graças aos cálculos realizados
Dano: Nenhum

Nível 15
Nome do poder: Inteligência Múltipla – Espacial
Descrição: O cérebro possui múltiplas inteligências que os seres humanos desenvolvem com treinos ou a desenvolvem naturalmente. O mentalista agora possui a inteligência espacial apurada, tendo o hemisfério direito mais ativo no momento. É a habilidade para pensar em três dimensões. Uma capacidade que nos possibilita perceber imagens externas, internas, transformá-las ou modificá-las e produzir ou decodificar informações gráficas. Pilotos, escultores, pintores, marinheiros e arquitetos são exemplos claros. Pessoas que gostam de elaborar mapas, quadros, desenhos, esquemas, plantas de casas.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de HP: nenhum
Bônus: Ganha uma visão espacial, podendo ter noções de tamanho, profundidade e densidade de prédios e ambientes urbanos. Sabe ler qualquer tipo de mapa.
Dano: Nenhum

Nível 27
Nome do poder:  Corpo equilibrado II
Descrição: O equilíbrio do corpo do seguidor de Psiquê está cada vez melhor. Agora ele consegue equilibrar-se em superfícies escorregadias e em espaços pequenos de se locomover. Porém, ainda é necessária certa concentração.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +60% de equilíbrio
Dano: Nenhum

Habilidade almejada:
Nome do poder:  Apanhador de sonhos
Descrição: O semideus pode procurar sonhos na mente de qualquer um, em um período de até três meses atrás. O sonho pode ser utilizado para fins investigativos.
Gasto de Mp: 50 por busca
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum

Fpa:
Koda Smith
Koda Smith
mentalistas de psique
mentalistas de psique

Idade : 22
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Um Reino de Sonhos - Página 5 Empty Re: Um Reino de Sonhos

Mensagem por Sofya I. Petrovna em Sex Maio 03, 2019 11:46 pm

Confesso que no fundo não estava nada feliz com a missão que havia recebido, ainda mais porque precisava concentrar-me no que estava por vir, na decisão que havia tomado em minha vida. Mas, precisavam de mim e não poderia negar ajuda ou fingir que estava alheia aquela situação e por mais receosa que estivesse, iria prosseguir com a ideia até o fim.

- Parece que estou dentro do Jogos Vorazes. – Sussurrei para mim, dando uma risada ao fim da frase. Aquilo parecia uma piada de mau gosto comigo.

O livro do mundo dos mortais contava a história de uma garota que havia voluntariado-se no lugar de sua irmã, para participar de um jogo mortal. E era completamente isso que eu estava fazendo. Oferecendo-me para salvar uma criatura mesmo sabendo que poderia nunca mais voltar. E era sobre esses riscos que os filhos de Morfeu falavam no exato momento em que espantava os meus devaneios.

No fundo não ligava para os riscos, se voltaria ou não. Se pudesse ao menos salvar o Haru, já seria bom o bastante, e, portanto, afastei-me daquela conversação toda e concentrei-me em apenas fumar um último cigarro antes de partir para aquela “aventura”. Sabia muito bem dos riscos que seria caso não conseguisse voltar, hibernaria para sempre e no fim isso não era uma ideia tão ruim assim. Estava completamente de saco cheio de tudo e de todos.

Apaguei o cigarro antes mesmo de termina-lo e voltei para enfermaria, onde estava completamente silenciosa, disposta apenas de oito camas, os filhos do deus do sono e das autoridades maiores daquele acampamento. Além de nós, os voluntários.

Suspirei mais uma vez e conferi em meus bolsos distribuídos pela calça jeans que usava, se não havia esquecido nenhum item importante, mesmo que tivesse saído com eles pela manhã, antes mesmo de saber sobre essa história toda. E após checar que tudo realmente estava ali, deitei e fechei meus olhos. Não estava com sentimento algum dentro de mim, mas ainda sim meu corpo estava completamente pavoroso por dentro, minhas mãos suavam frio e já não tinha a menor certeza se voltaria a ver aquele lugar novamente.

As instruções eram claras, precisávamos esvaziar qualquer tipo de pensamento que tínhamos, relaxar o corpo e imaginar que nossa energia possuía cor, impulsionar toda nossa aura para um local determinado e assim viajaríamos para o reino dos sonhos. Na fala era bastante fácil, porém na prática não era tão fácil.

Demorei uns longos minutos para conseguir concentrar-me e projetei toda a energia corporal para a minha mente, e não sei dizer-lhe quanto tempo permaneci ali, mas como em um passe de mágica, senti meu corpo afundando na cama fofa abaixo de mim e tudo o que eu conseguia ver era um longo buraco negro, pelo qual eu estava caindo. Não conseguia gritar, nem sequer me mover, apenas cair.

Fechei os meus olhos com força, acreditando que morreria ali mesmo, mas não foi isso que ocorreu. Senti um tranco percorrendo meu corpo e não era possível que havia voltado, era? Abri os olhos e deparei-me com uma longa escada branca e uma porta ao fim dela. Não havia mais nada em volta, sequer havia ruídos fora a minha respiração e meu coração descompassado. Não tinha mais o que fazer, senão, prosseguir.

Em passos cuidadosos desci a escada, que era de cor branca e em espiral. Sem a menor pressa alcancei o último degrau e guiei minha mão esquerda para a maçaneta dourada da porta, que também era branca e abri.

O mundo além daquela porta era diferente de onde era o acampamento. Já estava noite, estava quente e ao meu lado um homem caminhava segurando alguns objetos em mãos. Do outro lado um menino, que não tinha um pouco mais que dezesseis anos, o acompanhava e cada vez que meus olhos batiam no garoto, um sentimento de raiva insistia em bater no meu peito. Não conseguia entender o que estava acontecendo, e eu não conseguia entender o motivo que eles estavam tão alheios a minha presença.

- Oi? – Mas o tom que saiu dos meus lábios assustou-me completamente. Minha voz estava um pouco mais aguda e um pouco mais grossa, alternando entre esses dois tons. Parecia estar com voz de um adolescente que descobria sua puberdade.

Desviei os olhos para baixo e notei que já não trajava as roupas anteriores e sim uma bermuda surrada e um tênis preto e velho, que só consegui distinguir a cor porquê alguns pontos não estavam sujos de barro. Fora isso, uma camiseta listrada terminava aquele look desastroso que eu usava, mas não era isso que chamou minha atenção e sim os pelos grossos que desenhavam minhas pernas. Não era eu, não era o sonho do Haru. Eu estava perdida no mundo dos sonhos de alguma outra pessoa.

Os dois que caminhavam a minha frente ignoravam ainda mais a minha presença, mas podia ouvir ao longe o homem mais velho dando instruções ao mais novo. Seria ele o pai de nós dois? O que íamos fazer? Só que o engraçado da situação toda é que podia ouvir os pensamentos daquele corpo em que eu “estava”. Era como se pudesse estar dentro dele e não ao mesmo tempo, estava tendo uma visão privilegiada de toda a situação.

Curiosamente queria disputar com o outro menino cada centímetro de atenção do que poderia ser o meu pai ou o pai do corpo que invadi. Disputávamos ombro a ombro, mas foi o outro que conseguiu ganhar a lanterna e no exato momento um ódio cresceu em meu peito, que poderia gritar a qualquer momento, mas permaneci em silêncio.

O homem colocou ao chão os objetos que antes estava carregando. Era um balão pequeno e com o conhecimento que parecia ter, com toda a certeza ele fazia aquilo frequentemente. E por alguma razão, sentia que todas as vezes eu que o acompanhava.

Segurei o bico do balão, enquanto o outro garoto procurava algumas folhas secas e caminhamos em direção a uma trilha que era cercada por mato, mato esse que era alto demais. E ao encontrar nosso destino, “meu pai” acendeu a tocha e acreditando que entregaria para mim, vi que não foi isso que aconteceu.

Curiosamente o nome Arthur surgiu em minha mente e ali soube que era o nome do menino. E ao vê-lo segurando a tocha e acendendo o balão, surtei e discuti.

- Pai, aqui é o nosso lugar secreto, nosso e só nosso. – Estava chorando, podia perceber mesmo que com pouca luz. – Arthur é um invasor. Adota ele logo, eu tenho raiva e ódio de ser seu filho. Você só me despreza. – Gritei a plenos pulmões e a única resposta que recebi foi o sorriso calmo e acolhedor do homem, enquanto o mesmo orientou o outro a que horas acender a parafina que guiaria o balão para os céus.

E assim Arthur o fez, podia ver o brilho alaranjado nos olhos dele, era a primeira vez que presenciava aquilo, com toda a certeza. “Posso ir buscar, tio? ”, perguntou o mesmo para o meu pai e antes que obtivesse resposta, eu corri o mais rápido que podia. Corri demais e jurei que aquela peste não tiraria aquela sensação de mim.  Aquele balão era meu, aquela família era minha. Saltei e peguei o balão.

Ainda chorava, sentia as lágrimas correndo por meu rosto e parada no meio da estrada que se encontrava ao fim da trilha, ergui o balão, comemorando a vitória. De repente, senti uma mão em meu ombro e ao virar pude ver meu pai paralisado, os olhos estáticos em algo a sua frente. Com força, empurrou-me para o lado e então uma Combi branca o atingiu em cheio, atirando-o muito metros à frente.

Tudo foi muito rápido, mas o vi girar a parte de cima do corpo para um lado e parte de baixo para o outro, quase podendo ouvir o barulho dos ossos da costela se quebrando. Eu jamais esqueceria aquela cena e com mais um solavanco, me afastei daquela cena. Vi o garoto caído ao chão, suas roupas surradas de tanto brincar, seu rosto sujo de lágrimas e terra. Eu já não era mais ele e sim eu mesma, Sofya.

Em um piscar de olhos estava em outro ambiente, um quarto. Agora como telespectadora, pude ver o garoto que eu era antes parado, diante de uma cama e indagando onde seu primo pudesse estar. Não sei quanto tempo pôde ter passado desde o incidente, mas algo parecia estar errado naquele cenário.

O menino correu e o acompanhei, vi quando pegou um balão e foi em direção do acidente. Permaneci ao longe, enquanto ele tentava acender a tocha, segurando o isqueiro de forma trêmula. E sem conseguir o feito de pôr o balão no ar, desistiu.

Mais um tranco.

Novamente estava no corpo dele, era ele. Por quê tudo aquilo estava acontecendo? Por que não podia simplesmente ir para o sonho do Haru? Só que não havia tempo para indagações. Ouvi um barulho no mato e virei-me com rapidez, algo se aproximava de mim. Algo que estava longe de ser humano. Do meio da escuridão, emergiu algo que parecia ser um homem alto, magro, com rosto oval e branco. Lembrava bastante um gafanhoto. Sua boca pequena estava projetada para frente e seus olhos eram grandes e amarelados.

Ele sorria.

Parecia usar um vestido poroso e emborrachado, certas partes do corpo estavam amarradas com um arame. Ele tinha alguns fios de cabelo na cabeça, dedos finos e unha pretas. Atrás dele duas sombras semelhantes a pessoas o acompanhava, andavam de quatro como se fossem cães guias.

Tentei correr, mas não conseguia, tentei gritar e foi impossível. Na verdade, não conseguia nem mesmo piscar, só tremer de medo. De muito medo e ainda mais por ouvir uma voz grossa romper da garganta daquela coisa.

“Vim buscar você, preciso levar. Sem o macho adulto não pode se defender, você nos chamou e eu vim. Mandou sinal de fogo e fibra. Dói, vem comigo. Não posso voltar vazio, se não, viro um deles. ”

As sombras riram e contorceram-se, minhas pernas mexeram-se e foram em direção a criatura estranha, mas eu não queria ir, não podia. Precisava sair daquele lugar, sumir, voltar. É só um pesadelo, Sofya. Só um pesadelo.

- NÃO!!! – Gritei e um último solavanco em meu corpo fez-me cair ao chão e assim perdi os sentidos.

Minha cabeça doía com tanta força que fui obrigada abrir os olhos, mas ao contrário do que pensei, não estava de volta a enfermaria. Encontrava-me caída a um chão de terra, cercada por casinhas antigas, como se fosse um vilarejo antigo. O céu amarelado denunciava que o sol estava se pondo, mas não havia ninguém nas ruas. Nada estava aberto, nem mesmo os comércios ou as portas das casas dos moradores.

- E lá vamos nós. – Minha frase foi interrompida quando senti que estava sendo vigiada. Olhei para as janelas e pude ver olhos grandes e amarelados observando-me. Não estava sozinha como acreditei estar.

Levantei-me depressa e comecei a correr, não sabia onde estava indo, só queria poder sair dali o mais rápido possível e ao longe pude ver um bar aberto, o único lugar que havia alguém que pudesse ajudar-me.

Ao adentrar o local um velho alto, curvo e de olhos amarelados limpava o balcão calmamente. Não fazia questão de notar a minha presença e ignorou-me solenemente. Dei um pigarro alto e bati com a mão esquerda sobre o balcão, tentando chamar atenção do velho.

- Onde eu estou??? O que é aqui??? – Falei com pressa demais e não obtive resposta. Então segurei o braço dele com força, obrigando-o a olhar para mim.

O velhote puxou o braço de volta e encarou-me bravo, parecia eu a qualquer segundo iria gritar comigo, mas ao invés disso, ele só vomitou. Uma espuma branca saiu de sua boca e atingiu o local que antes estava limpando. Aquilo embrulhou o meu estômago.

- Por favor? – Mais uma vez não obtive respostas e mesmo que tentasse muitas vezes, não conseguiria arrancar-lhe nada, portanto, saí. Com a noite chegando, ouvi a porta fechando-se atrás de mim e um barulho alto de buzinas de navio. Procurei em volta e não encontrava nada que indicasse que estava próxima a um porto, nem mesmo água.

A cada segundo que passava o barulho aumentava ainda mais, incomodando-me de uma forma que não podia explicar. Aquele som irritante de certa forma causava medo e insegurança. E pude entender o motivo minutos depois. Ao fundo das ruas de terra eu vi as criaturas que andavam de quatro, muitas delas. Os cabelos negros cobriam-lhe os olhos, mas não os dentes pontudos e cheios de sangue. Estavam procurando por comida. Estavam procurando por mim. Corri mais uma vez, corri o quanto meus pulmões podiam aguentar e sem olhar para trás, entrei a direita, encontrando um muro de uma casa alta, a única do vilarejo que possuía muros. Sem nem pensar duas vezes, escalei o mesmo e pulei para o outro lado, encontrando uma família inteira de olhos amarelos encarando-me.

Eram como pessoas comuns, mas os olhos de cor diferente denunciavam que não eram humanos. As crianças dessa família tocavam em mim, cutucavam-me como se eu fosse uma espécie de bicho. O som da buzina do navio dava lugar para o som das risadas dos pequenos, mas seus pais assustados afastavam-nos de mim e em seguida vomitavam a mesma espuma branca daquele velho.

Fui afundando meu corpo ao chão, encolhendo-me acreditando que não havia uma saída. Sabia que mesmo que tentasse perguntar algo, não obteria respostas da mesma forma. Só poderia chorar, chorar de desespero, de medo, de agonia, de dor. Chorar por talvez ter falhado?

“Você não é desse mundo. Vá embora. AGORA. ”

Ouvi uma voz feminina gritar e quando dei por mim, estava diante de um bosque. Um local ensolarado e cheio de árvores frutíferas. O cheiro das flores exalava pelo local e o som das abelhas trabalhando invadia meus ouvidos de forma calma e doce. Já não havia mais tensão.

Ao longe uma casinha simples enfeitava a paisagem, e mais uma vez, uma risada infantil preencheu o ar, mas dessa vez era uma risada de felicidade, aquela risada gostosa que invadia a nossa alma. Só que no momento a minha distração foi parar em outro lugar, em uma árvore um pouco distante pude ver a criança colhendo frutas. Parecia completamente animado ao que estava fazendo e abaixo dele uma mulher linda, de pele clara e que emanava luz, observava-o.

- Ha-Haru? – Indaguei e no momento que o fiz, os olhos do pequenino e da mãe vieram em minha direção.
Mesmo que em forma de criança, eu o reconheceria em qualquer local. Por mais que a criatura já tivesse sua forma de adolescente em nosso mundo, o ar angelical e a inocência de sua infância permaneciam intactas.

Mesmo que em forma de criança, eu o reconheceria em qualquer local. Por mais que a criatura já tivesse sua forma de adolescente em nosso mundo, o ar angelical e a inocência de sua infância permaneciam intactas. Consegui, estava no sonho certo dessa vez.

Levantei-me e fui em sua direção, a mulher que ali também estava ignorava minha presença por completo e já estava acostumada a passar despercebida pelas criaturas desde o momento que adormeci. Até mesmo porque estava feliz demais para importar com aquilo.

O vi descer da árvore e o abracei com força, dando um peteleco em sua testa logo depois. Aquilo era por ter passado por todas as provações só para resgatá-lo. Ri comigo mesma e soltei-o dos meus braços, segurando suas mãozinhas com força.

- Haru, você precisa vir comigo, por favor. Vamos! – Girei meu corpo, pronta para caminhar, enquanto a mulher afastava-se de nós, dizendo qualquer coisa e sumindo entre as árvores e a casa que ali estava.

“Não, por favor. Eu encontrei minha mãe, finalmente. Aqui é bom. E consegui salvá-la. ”

Meus olhos reviraram-se no exato instante que ouviu o que o pequeno dizia. Morfeu estava de brincadeira com minha cara, não era possível. Ajoelhei diante da criança e segurei suas grandes bochechas rosadas, afaguei as mesmas e sorri. Mais uma vez abracei e aninhei ele em meus braços, fechei os olhos e aproximei os lábios de seu ouvido.

- Isso não passa de um sonho pequeno, sua mãe está em um lugar muito melhor que esse aqui. Ela não iria querer que ficasse preso aqui dentro, tente lembrar de tudo o que aconteceu. E há um menino de cabelos de fogos que precisa de você. – Sussurrei. Sentindo a relutância dele, ao mesmo tempo em que tentava escapar de meus braços. As lágrimas quentes do pequeno caiam em meus ombros, mas eu não podia desistir. Não ali – Acorde, Haru. Nós precisamos que você acorde, ou iremos morrer. – Disse mais uma vez, segurando-o mais forte ainda, impedindo que debatesse ou escapasse.  - Acorde! – Dei o último sussurro, abracei a criatura com um pouco mais de força e suavemente assoprei em seu ouvido. E mais um tranco foi sentido e dessa vez não era meu corpo e sim o dele.

Consegui.

Quando abri os olhos estava novamente na enfermaria, deitada e suando frio mais do que um porco em véspera de ano novo. Finalmente estava livre daquele local, da mente daquelas pessoas e de toda a história horrível que presenciei. E a única lição que levaria comigo, era jamais adormecer perto de algum filho de Morfeu novamente.

- Alguém tem um cigarro?

Itens:
• Faca de Bronze Celestial [ Uma faca de lâmina curta - cerca de 10 cm - com cabo em madeira envolvido em couro para tornar o manuseio melhor. | Não produz feridas em mortais. | Bronze celestial, madeira e couro. | Sem espaço para gemas. | Alfa. | Status 100%, sem danos. | Comum. | Nível 1. | Item inicial. ]
Aviso:
Eu fiz a missão como se ainda não tivesse recebido o chamado para entrar nas caçadoras, já que iniciei a missão antes de entrar no grupo. Espero que não tenha problema.


「R」


warrior
I could show you incredible things
Sofya I. Petrovna
Sofya I. Petrovna
Caçadoras de Artemis
Caçadoras de Artemis

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Um Reino de Sonhos - Página 5 Empty Re: Um Reino de Sonhos

Mensagem por Kalel Levitz em Sex Maio 03, 2019 11:54 pm

You're the pulse in my veins
You're the war that I wage! Can you change me? Can you change me?  You're the love that I hate You're the drug that I take

Pesadelo


Após deitar em uma das camas preparadas pelos enfermeiros e alguns filhos de Morfeu, Kalka’il dormiu extremamente rápido, afinal foi induzido aquilo com os poderes dos semideuses. Teve ordens claras de se focar em sua missão e lembrar que aquilo era um sonho, por isso algumas coisas poderiam ficar confusas ou não fazer o menor sentido.

Assim que seus olhos se abriram ele estava em uma sala totalmente negra, como se não existissem paredes ou chão, apenas ele e a vasta imensidão de nada. Não conseguia enxergar, apenas sentia que algumas coisas rondavam o seu corpo. E então algo surgiu bem diante de seu rosto. Era uma face de um homem, completamente ensanguentada.

Mas não era qualquer pessoa, era seu irmão Abramov. O rosto sumia e aparecia de forma constante, cada hora parecendo ter sido morto de uma maneira diferente. Vezes era sem olhos, outras com um buraco na testa, até mesmo com a mandíbula arrancada. Todas as vezes que aquilo acontecia uma enorme vontade de chorar surgiu no interior de Kalka’il, como se ele fosse culpado por aquilo.

O rosto começou a ganhar corpo e então diversos Abramovs surgiram, apontando o dedo para o celestial. Os corpos seguiam o modelo da cabeça, como se estivessem sido danificados pela mesma coisa. Então eles abriram a boca e começaram a falar em uníssono.

— Você é o culpado! — Eles falam causando ainda mais pânico no filho de Belona, que nessa altura já estava sentado no chão, abraçando seus joelhos.

— Eu não estava lá. — Kalka’il gritou, mas a voz estava abafada por estar com a cabeça entre as pernas. — Eu não pude te proteger, não tinha o que eu pudesse ter feito.

— Você nos abandonou! — Eles voltaram a gritar, ainda culpando o garoto.

Ele se mantinha abaixado, enquanto começava a chorar de forma agoniante para ele mesmo. Quase não conseguia respirar e por estar no reino dos sonhos, aquilo acabou começando a acontecer. O ar não ia mais para os seus pulmões e ele se jogou para trás, enquanto tentava procurar por oxigênio.

Foi então que uma criança, o Abramov criança pra ser exato, surgiu e correu até Kalka’il o ajudando a se sentar. Ele sorria para o celestial e fazia com a mão para que ele acompanhasse a respiração dele.

— Ta tudo bem, respira com calma, maninho. — Disse a criança. — Isso não é real, se esqueceu? Até por que eu não te culpo por nada, sei que faria de tudo por mim. Então esqueça esses bundões ai e foca na sua missão.

— Claro, Abinho, eu sempre farei de tudo por você... — Ele conseguiu se levantar após enxugar as lágrimas e tentar focar a mente no seu objetivo. — Vocês não me dão medo!


Heroico


Então os clones de Abramovs simplesmente desapareceram em uma fumaça negra. Logo após isso o cenário mudou por completo, Kalka’il agora estava em uma linha de trem, no meio de várias árvores e logo a sua frente tinha uma ponte. Um homem estava de pé nela, bem na beirada, como se fosse pular.

Quando o som do trem se aproximando começou a ficar aparente o coração do rapaz acelerou, sentindo medo do que podia acontecer. Era claro que o homem na ponte iria tentar se suicidar. O corpo de Kalka’il estava começando a suar frio, seu coração palpitava e ele sentia que precisava ajudar aquele rapaz.

Mas antes que pudesse fazer algo ele se recordou do que o pequeno Abramov disse. Aquilo não era real. Mas ainda assim o seu instinto de protetor se ativou, ele precisava fazer algo mesmo que não fosse valer de nada. Uma vida ainda é uma vida.

O celestial começou a correr de maneira desenfreada assim que o homem se jogou da ponte. Parecia que quanto mais ele corria mais o som do trem se aproximando aumentava. Aquilo realmente o deixava aflito, com pensamentos que podiam faze-lo vacilar e não conseguir salvar aquela vida.

Mas quanto mais ele corria mais parecia estar ficando lento. Foi então que decidiu usar as suas asas para isso. Ele as abriu, rasgando a sua roupa e então começou a voar na direção dele, afinal era muito mais rápido na sua forma aérea do que com as pernas. O trem já estava próximo de onde o homem estava, preste a chocar com ele.

Em um movimento rápido Kalka’il conseguiu agarrar o homem antes que ele se espatifasse no chão. Girou o seu corpo para o lado e o jogou na direção de um arbusto, para que o impacto fosse amortecido. Levitz então se chocou com o trem.


Kendall


Então o cenário mudou novamente. Agora era uma sala branca e ao fundo estava Kendall, flutuando com um vestido branco. Ela parecia morta. Kalka’il tentou se aproximar para chegar a sua irmã e companheira de grupo, mas foi impedido por uma espécie de parede de vidro e na frente dela haviam alguns frascos, havia um papel junto.

Era quatro frascos, um azul, um amarelo e um vermelho e um era vazio. Na carta havia algumas instruções bobinhas. Elas faziam referência a junção de cores.

— Eu era um amarelo, radiante como o sol. Você chegou vermelho, como o sangue pelo chão. Ao se encontrar comigo viramos uma laranja de destruição. — Kalka’il começou a ler. — Eu era o azul do céu estrelado e você era amarelo como o sol num dia nublado, querendo aparecer na minha noite acabou ficando verde de inveja. — Ele continuava observando os frascos e os líquidos. — Eu era apenas um azul tristonho e ferido e ela surgiu em um vermelho apaixonado, sem demoras me transformei em um roxo totalmente curado

Para o celestial as frases não faziam o menor sentido, mas ele podia entender que deveria misturar os frascos, mas não sabia de falto qual deles deveria. Ele começou a reler várias vezes para poder tentar decifrar. Mas nada fazia sentido. Então ele optou que iria pela linha que mais parecia fazer um mínimo de lógica.

Pegou o frasco azul junto com o vermelho despejou no vazio, formando um líquido roxo bem bonito e brilhante. Afinal era o único que parecia ser bom, por citar uma cura. Assim que ele misturou a parede de vidro sumiu e ele correu até a sua irmã. No final da carta mandava dar para a pessoa beber qual fosse a opção. Então ele derramou na boca dela, torcendo para que ela conseguisse engolir, mesmo desacordada.

A garota simplesmente desapareceu. Logo em seguida, sem tempo de pensar em nada, Kalka’il acordou na enfermaria e suspirou aliviado. Ao olhar para a maca da Kendall pode notar que ela estava bem.

Poderes usados:
Passivo
Nível 2
Nome do poder: Asas
Descrição: Os celestiais são reconhecidos principalmente pelas suas asas. Majestosas e belas, as asas são geralmente brancas em sua totalidade, mas ainda há alguns seguidores de Éter que possuem detalhes nas extremidades de suas penas. São como asas de anjos, nunca assumindo a tonalidade negra. Cada celestial pode descrever suas asas, porém uma vez feito não poderá muda-lo. As asas crescem a partir dos ossos das costas, por isso, muito cuidado com as camisas, elas consequentemente ganham dois rasgos nas costas sempre que permitem o alongamento das asas.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum

Ativo

Nível 23
Nome do poder: Voo III
Descrição: Voar tornou-se tão natural quanto respirar. Agora a mobilidade e a velocidade se tornaram quase perfeitas. O semideus pode atingir uma velocidade de voo similar a 80km/h.
Gasto de MP: 20
Gasto de HP: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum
Extra: Ao carregar alguma pessoa, sua velocidade e mobilidade cai pela metade (caso seja alguém dotado com passivas de força essa observação se torna nula).



This is the numer #00X post and was made to @"Nome da Conta"



K
A
L
K
A
'
I
L
「R」
Kalel Levitz
Kalel Levitz
Celestiais de Èter
Celestiais de Èter

Idade : 24

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Mensagem por Perséfone em Sab Maio 04, 2019 1:14 pm

ENCERRADO


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Deuses Olimpianos
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Um Reino de Sonhos - Página 5 Empty Re: Um Reino de Sonhos

Mensagem por Perséfone em Sab Maio 04, 2019 1:22 pm


Black Cat


Valores máximos que podem ser obtidos

Máximo de recompensa a ser obtida: 20.000 XP e Dracmas

Realidade de postagem + Ações realizadas – 20%
Cumprimento do desafio – 40%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc –30%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 10%


Realidade de postagem + Ações realizadas – 20%
Cumprimento do desafio – 40%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc –30%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 10%

Recompensas: 20.000 XP (x2) = 40.000 XP e +20.000 Dracmas. + Habilidade

Sandy Resgatada

Comentário:
xxx
 




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Um Reino de Sonhos - Página 5 Empty Re: Um Reino de Sonhos

Mensagem por Perséfone em Sab Maio 04, 2019 1:26 pm


Puermina


Valores máximos que podem ser obtidos

Máximo de recompensa a ser obtida: 20.000 XP e Dracmas

Realidade de postagem + Ações realizadas – 20%
Cumprimento do desafio – 40%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc –30%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 10%


Realidade de postagem + Ações realizadas – 20%
Cumprimento do desafio – 40%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc –27%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 8%

Recompensas: 19.000 XP e Dracmas. + Habilidade

Josephine resgatada e livre para postagens.

Comentário:
Puermina, os descontos foram referente a confusão que senti ao ler seu primeiro sonho. Demorei a entender o que você estava querendo me passar e não foi algo tão fácil a principio. Quanto a gramatica encontrei frases com "deu" no lugar de "de eu", muitas informações repetidas, alguns erros de pontuação e coerência que acabaram prejudicando e lhe dando um pequeno desconto.
 




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