The Blood of Olympus
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Um Reino de Sonhos

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Um Reino de Sonhos - Página 2 Empty Re: Um Reino de Sonhos

Mensagem por Kendall Burkhard em Sex Abr 05, 2019 7:32 pm

Uma cor: Azul.
Uma flor: Lírio.
Um amor: Híale
Uma fruta: Uva.
Uma história: Malévola.
Um medo: Perder o pai.
Um arrependimento: Não estar presente para Coraline quando ela precisou de uma amigo.


A million thoughts in my head
Nothing lost but something missing.
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Mensagem por Perséfone em Sex Abr 05, 2019 7:35 pm

ENCERRADO.


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Mensagem por Perséfone em Sex Abr 05, 2019 7:57 pm


Desafio: Um reino de sonhos

JOSEPHINE: Você adentrou em um livro de história, mais precisamente o conto em que tanto adora. Transformar-se na Cinderella não é uma tarefa fácil, seu pai está morto e suas irmãs parecem sempre solicitarias. Sua madrasta não lhe trata bem e diferente do que você espera não existe príncipe encantado. Aliais nesse conto distorcido ninguém além de você pode se salvar. Seu dom está relacionado aos animais com os quais se comunica. O seu desafio está em descobrir como começar de novo, sem os arrependimentos que marcaram tanto seu passado.

GENEVRA: Você acordou em um campo de Girassol com um relógio pairando por entre as nuvens. Ele não parece feito de matéria e o que mais te intriga é que esse marca exatamente três da madrugada, ou seja, deveria ser noite! Horas andando por ali te fizeram perceber que nesse mundo estranho a noite não tem vez e que todos... Absolutamente todos! Estão sempre felizes. Não existem carros, nem moradas e os seres que ali habitam estão sempre alegres, positivos e bem-humorados. Seu desafio é descobrir o erro nesse cenário estranho, onde o mundo parece desprovido de coisas negativas.

RAKAN: Você acordou preso em um caixão de vidro. Pessoas estão a sua volta, mas não te escutam gritar. Ao redor você pode ver a floresta queimando e em breve tudo aquilo que ama deixara de existir, exceto você e seu caixão de vidro. Então o mundo para, tudo ao redor some e fica escuro. Uma única arvore surge sobre o caixão acima da sua cabeça, o galho se curva e as aranhas começam a aparecer. Então você percebe que não há esperança e seu desafio, se torna encontrá-la.

HARU: Você acordou em uma cidade moderna onde a natureza finalmente deixou de existir. Tudo aquilo pelo que você presa lhe foi arrancado, carros voadores passam a sua volta e os prédios ao seu redor parecem não ter fim. Finalmente os humanos podem tocar as nuvens. Então no meio de tudo isso algo lhe chama atenção, é apenas um brotinho brigando na estrada, uma pequena gramínea nascendo de uma fenda rachada, mas é ela que te faz perceber: Que seu desafio nesse mundo é salvar aquilo que um dia você deixou para trás, seu arrependimento, seu carma, sua mãe, seu futuro.

BLAKE: Você acordou no paraíso e agora precisa encontrar um jeito de ir embora. Tudo ali é imortalizado, jovem e bonito. Os problemas não existem, a dor e o arrependimento foram embora, mas em troca você teve que abrir mão daquilo que mais amava, mesmo que no agora não consiga se lembrar. O paraíso na terra é na verdade um inferno e para recuperar suas memorias primeiro vai ter que descobrir o que te levou a morrer. Seu desafio? Reviver sua morte.

AVERY: Você adormeceu e acordou em um jogo de vídeo game, onde tudo é feito de livros variados e todos com capa de couro em tom amarronzado. Passam horas e horas, mas nunca cai a noite, tendo a luz branca de um tela sempre ligada. Quando você toca em algum livro, pessoas saem dele e dentro do jogo você encontrará dois morangos, podendo comê-los, mas cada vez isso acontece, o jogo reinicia do começo, fazendo você voltar ao lugar onde acordou.

SEEL: Você acordou em um poema e agora a mesma frase fica se repetindo em sua mente: “O cravo brigou com a rosa, debaixo de uma jangada. O cravo saiu vitorioso e a rosa muito assustada.” O poema reflete a um momento de arrependimento do seu personagem que agora fica se repetindo, seu desafio é descobrir o que teria feito diferente para alterar esse momento. Ou melhor, se teria feito diferente, afinal nossas escolhas refletem nosso futuro e se você tivesse mudado algo, tudo que tem no agora também seria diferente. Você vai descobrir que essa mudança nem sempre é pra melhor.

DANIEL: Você acordou em uma floresta vestido como um verdadeiro caçador. Seu peito está cheio de coragem e você sabe que sua personalidade também está diferente. O vilarejo no qual vive foi atacado e o herói da história é você, a fruta da imortalidade dos deuses foi capturada por um ser maligno e para impedir que algo muito ruim aconteça você precisa trazê-la de volta. Seu desafio é descobrir se a coragem pode ser uma virtude assim tão boa, ou se ser um covarde é muito melhor.

ADELIA: Um conto de horror se tornou sua nova vida. Você acordou em uma realidade alternativa onde sua personagem é uma assassina de aluguem contratada para matar todos os seus amigos da sua antiga realidade, seu desafio é descobrir o quanto seus arrependimentos poderiam ter valido a pena se você tivesse agido de outra maneira.

KENDALL: Você acordou em uma tragédia e tem a chance de mudar tudo. O que ser um anjo significa pra você? O mundo precisa de equilíbrio, mas e se você pudesse ser o equilíbrio de alguém o que faria? Seu desafio é descobrir o que é ser um celestial.



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Mensagem por Perséfone em Sex Abr 05, 2019 7:57 pm

Prazo de postagem: 15/04/2019 (meia noite horário de Brasilia).

Não existem regras fixas para esse desafio, o desafio é descobrir.


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Mensagem por Daniel Sundfør Hellavich em Sab Abr 06, 2019 5:52 pm




sweet dreams

are made of this



Havia ido dormir cedo aquela noite, não me lembrava muito bem dos motivos, porém eu estava exausto pelo dia atarefado e então apenas me enrolei em meus lençóis e adormeci em questão de poucos minutos – o que era incomum para mim, visto que durante a noite eu me sentia mais vivo e até mesmo elétrico. Foi um sonho longo e escuro, com poucas imagens se formando bem na minha frente, mas sumindo e se desintegrando no vazio como fumaça. Quando meus sonhos acabaram, ouvi o som doce do canto dos pássaros em meu ouvido e então despertei, abrindo os olhos e erguendo a mão protegendo-me da claridade do sol.

Espera... era dia? E o que havia acontecido com minha cama? Onde eu estava? De repente as minhas memórias falharam, enquanto eu me levantava e apoiava a mão numa árvore, percebendo que minhas roupas estavam diferentes. Usava botas marrons, com uma calça preta e justa, porém confortável, além de uma camisa e uma sobrecasaca enorme e que, honestamente, fazia-me parecer saído diretamente do filme do Van Helsing. Pigarreei, notando minha voz ligeiramente mais rouca e então pude ver ao longe a fumaça vinda de um pequeno vilarejo, cujas torres se sobressaíam ao quererem atingir os céus. Estreitando os olhos, fui na direção da vila e então deparei-me com um lugar que parecia ter saído de 1800 ou ainda mais anterior.

— Onde eu estou? — Perguntei para mim mesmo, caminhando e vendo as tendas de frutas, os pães caseiros recém assados dispostos em panos brancos e limpos, mulheres em trajes enormes e homens em roupas apertadas e com botas e capas e sobrecasacas, assim como eu. Deparei-me com uma senhora que, assim que me viu, arregalou seus olhos e segurou meus ombros com força, sacudindo-me.

— Você precisa nos salvar, nobre caçador! O fruto dos deuses foi roubado do nosso precioso jardim, foi pego pela criatura durante a noite, você precisa nos proteger! — Recuando alguns passos, achei tudo aquilo muito estranho e olhei à minha volta, como que procurando por alguém. Eu deveria ter alguém ao meu lado, não deveria? Alguém que me amasse, que me protegesse, que fizesse tudo por mim, mas subitamente era como se eu dependesse apenas de mim e tivesse apenas a mim mesmo como único protetor.

— Leve-me até o local onde ocorreu o roubo, senhora. — Pedi, sendo guiado pela mesma e recebendo olhares de admiração, complacência e também temor.

No centro do vilarejo de solo cinzento e de pedras, pude então me ver diante de um pequeno jardim adornado de ovos de ouro, onde havia um gramado verdejante que, mais de perto, pude ver que eram esmeraldas. Havia uma árvore gigantesca de quase cinco metros de altura, com galhos compridos e folhas da cor de limão. No tronco, havia um buraco redondo onde deveria estar o fruto dos deuses. Não sabia como ele se parecia, mas provavelmente deveria ser tão chamativo quanto a árvore e seus enfeites de ouro e esmeraldas.

— Você irá nos proteger, caçador? — Perguntou um senhor e, quando me virei, deparei-me com praticamente a cidade inteira à minha volta. Senti-me um pouco intimidado, porém meu peito ficou inflado de coragem e eu tomei ar preenchendo os pulmões, assentindo e sendo aplaudido.

Como eu iria conseguir fazer aquilo, eu não sabia, mas não tinha a mínima chance de desistir agora.

***

Com uma espada embainhada nas costas, prossegui rumo a floresta acompanhado de cinco bravos homens que se ofereceram para me acompanhar. Senti-me mais seguro na hora, enquanto caçávamos a fera e eu permanecia em silêncio sepulcral, ignorando a conversa dos homens que falavam sobre bruxas terem de ser queimadas na fogueira ou enforcadas, prostitutas com doenças sexualmente transmissíveis e sobre como suas esposas eram insuportáveis. Enfim, problemas do século XIX. O sol aos poucos começava a se pôr, as luzes alaranjadas iluminando a copa das árvores.

— É depois do crepúsculo que a fera sai para caçar. Semana passada ela quase matou a pobre Srta. Blackwood, se não fosse pelo senhor, ela teria morrido. — Comentou um dos homens, enquanto bebia algo de seu cantil – definitivamente não era água a julgar pelo cheiro – e falava diretamente comigo.

Não sabia como reagir diante daquilo. Eu era um herói, salvava pessoas e protegia fielmente a minha cidade cujo nome eu nem sequer sabia. Eu não precisava de ninguém ao meu lado, pois eu sabia me proteger sozinho. Apesar disso, eu ainda sentia que faltava algo em mim, uma parte essencial da minha vida. Mas o que era?

— Como é esse monstro? — Perguntei enquanto subíamos numa parte um pouco mais enlevada, rumo ao topo de uma colina.

Foi então que um uivo alto ressoou, parecia vir de todas as direções e era como se o lobo estivesse em todas as partes simultaneamente. Puxei a espada da bainha, enquanto nos agrupávamos formando um círculo, o olhar em riste e alertas para o perigo. Ouvíamos o som alto de pisadas de animal se aproximando, mas não sabíamos de onde ele vinha.

— Está prestes a ver a fera pessoalmente, caçador. — Proferiu o homem e, tomando a frente, ele agachou e observou uma marca de patas no chão enlameado, e então uma sombra negra o pegou subitamente, arrastando-o numa força sobre-humana e atirando-o contra uma árvore, sendo empalado por um grosso galho.

Sobrávamos apenas nós quatro. A criatura sumiu no meio do mato denso e o escuro caía sobre a gente, nos ocultando e nos deixando ainda mais vulneráveis. Foi então que pude vê-lo saindo da mata. Tinha olhos amarelos que brilhavam como ouro refletindo o sol, o seu focinho proeminente se destaca, além dos dentes enormes e todos pontiagudos. Cada pata era como se fosse minha cabeça, de tão grande, seu pelo era preto e lustroso, refletindo o brilho da lua cheia. Rosnando, o lobisomem avançou contra nós cinco.

Tomei a frente, mas um outro homem acabou tendo seu braço agarrado com força pela enorme boca do monstro, sua espada caiu inútil ao chão e então de repente o membro inteiro foi arrancado do corpo do pobre homem, que caiu gritando e com litros de sangue esguichando. Com minha espada em mãos, avancei e consegui desferir um golpe quase fatal no pescoço do lobo, fazendo-o recuar e dar um salto sobre mim, fincando suas garras em meu peito e por pouco não me machucando – por sorte minha sobrecasaca vermelho-vinho era muito resistente. Dei um soco na garganta do bicho e, caçando uma pedra, agarrei-a e bati no focinho do monstro.

— Morra, criatura infernal! — Gritou um dos homens, fincando sua lâmina no estômago do lobisomem e fazendo-o soltar um ganido agudo e entristecedor, como um cão ferido.

Antes de desferir mais qualquer golpe, eis que outro lobo surge de uma enorme pedra logo acima de nós e pula direto no meu salvador, literalmente arrancando sua cabeça numa só mordida e me batizando com todo o sangue espirrado para todas as direções. Os três homens restantes gritaram, um deles com uma espingarda na mão tentando em vão atingir a criatura veloz, porém a arma emperrou e sua face literalmente explodiu assim que ele apertou o gatilho. O outro escorregou no chão molhado e caiu em cima de sua própria espada e, o último, simplesmente correu e foi seguido pelo outro lobo, menor que o lobo que estava em cima de mim.

— O que você quer de mim, monstro? — Gritei, recebendo como resposta um rosnado agressivo e intimidador.

— Você! — Replicou o lobo numa voz gutural e, baixando sua cabeça gigantesca, agarrou uma das minhas botas e começou a me puxar com força, sem nem me dar a chance de alcançar minha espada.

***

Sendo arrastado pelo chão, sujava minha roupa e só não me feria por conta da capa vermelha que eu usava. Foi então que nos aproximamos de uma caverna e logo senti a dor do meu corpo sendo arrastado pelas pedras do local. Tentei me agarrar a qualquer lugar, mas só quando o lobo parou de me puxar foi que eu pude ficar de pé e me livrar dele. Tentei correr, fugir, mas meu corpo ficou imóvel e, impulsivamente, peguei um pedaço de osso ali no chão e tentei ferir o lobo, cuja reação foi recuar com um salto e rosnar. Foi então que notei algo diferente. Seus olhos haviam mudado de cor, agora pareciam humanos e céus, eles eram tão familiares! Estendendo a mão, toquei sua pelugem preta e ele começou a se metamorfosear, transformando-se num homem.

Ele ficou de pé, completamente nu e eu tinha o nome dele na ponta da língua, mas não conseguia me recordar. Blaine? Bruno? Batata? Respirei profundamente, o homem se aproximou de mim e pôs uma mão ensanguentada na minha face, sorrindo contente. Ele parecia feliz ao finalmente voltar à forma humana. De alguma forma, eu havia feito o lobo voltar ao seu estado natural de homem e havia livrado aquele ser de sua maldição. Mas ele era tão conhecido! Quem era ele? Engoli em seco assim que pude ver o fruto dos deuses: uma fruta de cor âmbar, enorme, parecendo um ovo da páscoa grande.

— Esse é o fruto dos deuses? — Perguntei, aproximando-me e sendo impedido pelo lobo, que segurou minhas mãos e as levou ao seu peitoral, quente e macio. Prendi a respiração, mas ele me puxou e me beijou. Blake! — Blake, por que você virou um lobisomem? Por que estava caçando todas essas pessoas e matando-as? Você roubou o fruto dos deuses, por quê? — Perguntei sem nem pausar, fazendo-o rir.

— Porque você não precisa deles, amor. Não precisa agradar aqueles cidadãos, nem os deuses. Por isso os mantive longe de você, eles só pedem e pedem mais de você, igual seu pai, só tomando de você e nunca devolvendo nada. Você não é obrigado a fazer nada por eles, entende isso? Para ter coragem não é preciso se tornar um herói, nem fazer nada por ninguém. Eu o amo exatamente do jeito que você é, Dan. — Com seus braços fortes em torno de minha cintura, ele me deixava próximo dele. Seu cheiro era gostoso, inebriante, era como um perfume sombrio e preternatural, que me fazia sentir-me numa praia de areia negra.

Ele tinha razão, não tinha? Desde pequeno eu havia aprendido com o meu pai a apenas servir. Cuidar da casa, lavar e passar as roupas, preparar a comida, ser obediente e complacente sempre, de cabeça baixa. Mas eu não precisava agir daquela forma com ninguém, nem mesmo com meu irmão e namorado. Ele sempre havia sido bondoso, carinhoso e gentil, mas tinha a mania de ser sempre o alfa, ele sempre sabia o que era certo para mim, cuidava de mim e protegia-me, sem nunca perguntar se eu sabia me defender sozinho, ou se eu tinha interesse em aprender a como me defender por conta própria.

— Eu agradeço que se preocupe comigo e queira me ajudar a ser mais independente, mas você não pensou nem por um momento que eu também desejo coisas? Digo, e se eu escolhesse ser um herói? E se eu realmente quisesse ser um caçador para proteger a nossa vila? Você não pode escolher o que eu quero e decidir o que é o melhor para mim, Blake. — Pondo as mãos em seus ombros, beijei-o mais uma vez, e de repente me senti em casa, são e salvo. Ele sempre havia tido aquele nível de influência sobre mim.

— Eu apenas me preocupo com você. Só você importa e nada mais. Esse é o caminho certo, Daniel, e você sabe disso. Eu te amo, eu sei o que é melhor para você. — Sussurrou ele enquanto acariciava meus cabelos e meu queixo. Engoli em seco, um pouco aturdido pela situação bizarra.

— Você parece o papai... — Murmurei, desfazendo o nosso braço e sendo segurado com força por Blake que, de repente, era meu pai. Ele estava ali, vivo e com os olhos arregalados e azuis queimando minha alma. Fiquei sem reação e, tentando fugir, nada pude fazer a não ser tentar me desvencilhar e cair no chão, engatinhando feito um medroso, sem minha espada e sem nenhuma defesa.

— Você é frágil e medroso, meu anjo, precisa de um homem de verdade que possa protege-lo, que possa lhe dar carinho e amor. Você é como uma rosa, meu amor. — Riu papai, puxando-me pelos pés e tentando arrancar minhas vestes, até que agarrei um pedaço de costela no chão e, deixando-me ser puxado, virei-me para ele e atingi o peito bem no coração.

— Eu sou o meu próprio homem, papai. E sim, sou uma rosa, mas sou filho de Perséfone e eu tenho espinhos! — Gritei, cravando ainda mais fundo o osso em seu coração, sentindo-o parar de bater enquanto seu corpo se desintegrava e virava pó.

De pé, passei a mão na testa e olhei ao meu redor, as velas acesas e os ossos inúmeros de humanos. Peguei o fruto enorme num altar, pondo-o num saco de pano e amarrando-o na minha cintura. Retornando para o vilarejo, cheguei completamente banhado em sangue e com o fruto agora em mãos, pondo-o na árvore dos deuses e então virando-me para o vilarejo. Todos começaram a aplaudir e, sorrindo, peguei o fruto e o encaixei na árvore que, imediatamente, transformou-se em ouro e rubis. Estendendo a mão, peguei o machado de um homem na plateia e, sem pensar duas vezes, acertei a árvore, começando a derrubá-la.

— Mas Sr. Wicker, essa árvore foi um presente dos deuses! Não podemos derrubá-la, o ouro e as joias são um lembrete da grandeza dos nossos deuses. — Clamou uma senhora se ajoelhando no chão e começando a rezar em grego. Ainda cortando a árvore, ela pendeu, caindo e espalhando pedaços de ouro e rubi por todas as partes.

— Não! A árvore é um lembrete da fome que nosso vilarejo passa, do descaso dos deuses para conosco. Distribuirei igualmente o ouro, esmeralda, safira e rubi desse jardim dos deuses com todos. Não haverá mais fome, prostituição ou pobreza. Não enquanto eu viver. — Ergui o machado, sendo acompanhado de gritos e urros de todos do pequeno vilarejo.

E, foi nesse singular momento de autodescoberta, que finalmente descobri o meu propósito, que cheguei à conclusão de que eu não precisava servir a ninguém. Eu era o meu próprio senhor, minha vida era somente minha e eu amava Blake mais do que tudo, mas ele teria de aprender a me amar e a me respeitar, de forma que evoluíssemos lado a lado, como uma boa dupla. E, sendo assim, aquele estranho sonho acabou.

Poderes usados:
nenhum




Daniel Sundfør Hellavich
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Mensagem por Josephine Diëhl Nieckhale em Dom Abr 07, 2019 10:55 pm

EVEN IF IT’S A LIE, I’LL MAKE YOU HAPPY WITH THE
SWEETEST LIE IN THE WORLD I TELL YOU SWEET LIES
Josephine naquele segundo, estava no chalé de Quione, onde estava apenas aproveitando, já que era um chalé vazio, seus irmãos estavam dispersados pelo mundo. Ou tinham sumido. Tinha visto e se divertido muito com Maxine e com Manu, quando as achou juntas. Quando a noite caiu, ela decidiu dormir, começando a se arrumar. Passou seus dedos pelos cabelos enquanto colocava o pijama ela pensava, porém cansada, decidiu dormir. Enfiou-se em sua cama e com suas cobertas, permitiu-se dormir. Seu sono vinha fácil, porém quando se permitiu perceber, sonhava com seu livro favorito de infância, Cinderela. Imaginava-se várias vezes naquele conto, como seria.

Quando abriu seus olhos, se viu em um ambiente diferente de seu chalé. Coçou seus olhos com delicadeza, quando se levantou com cuidado da cama, observando onde estava. Era um porão, era bagunçado. E Josephine não reconhecia aquele ambiente. Olhou para si mesma, vendo que  usava um vestido azul, tinha um avental em sua cintura, marrom claro. Soltou um bocejo, analisando o local, quando achou um espelho, viu seu rosto sujo, o qual limpou com o avental, a dinamarquesa sentia mais frio do que o habitual, como filha de Quione era difícil ela sentir frio. Seguiu para fora do porão, descendo as escadas com rapidez, mordendo seu próprio lábio curiosa. Com cuidado, caminhava para a cozinha, analisando o local com cuidado, porém sua meditação, foi interrompida por barulho de sinos. Correu até onde estava os sinos, onde os viu com algumas placas. "Madrasta", "Anastasia", "Drizella", "Sala", "Cozinha". Então, sua mente se tocou de onde estava.

Puta merda, eu tô fodida... — Sussurrou para si mesma, respirando fundo. Deveria se controlar para não dar uns socos nas irmãs da Cinderella. Que afinal, deveria ser Josephine.  Respirou fundo. Então, seguiu para seu "dia".

Primeiro, iria ao quarto das donas dos sinos, para que pudesse pegar os pedidos para os cafés das moças, para que pudesse preparar. Josie não cozinhava nem um pouco, mas daria o melhor para que pudesse fazer algo comestível. Entrando na casa, seus passos a guiavam para um ambiente de sala de estar, onde viu um sino ali, queria o destruir, mas não podia. Devia deixar aquilo ali, para que pudesse ajudar a descobrir o que estava fazendo ali. Seguindo para o primeiro quarto, após subir as escadas, vendo uma garota de cabelos escuros, uma expressão brava e ela era bonita. Literalmente. Porém o que percebeu, foi a decoração do quarto. Um local com tons de roxo, azul, com flores de lótus ali, o que a fez involuntariamente, deveria ser seu antigo quarto ali. Contou até dez. A princesa respirou tentando se controlar para não fazer nada idiota. Mordeu o lábio com um sorriso de canto.

Sim? Drizella? — Tinha sido no chute. Podia muito bem ser Anastasia.

Sim, sua lesada! Cadê a minha comida? Eu quero uma omelete e chá! Acelere seu projeto de lesma! — Reclamou, com seus braços cruzados.

Controlando seus instintos de socar a outra, concordou, anotando o pedido no braço, enquanto se retirava, indo ao quarto seguinte, onde esperava que estivesse a segunda irmã. Josephine em seu estado normal, já teria enchido a primeira irmã de portada, mas ela não podia fazer ainda. Devia assumir seu 'papel' de Cinderela, para descobrir como sair dali. Fechou os olhos, contando até dez. Deu uma batida na porta, vendo uma garota dessa vez, loira com feições delicadas, abrir a porta.  Josie apenas entrou, fez uma reverência, escondendo um sorriso de deboche. Então, esperou que a outra dissesse o que queria no café da manhã,  anotando no braço, antes de sair. Era a vez da madrasta, foi o mais rápido que conseguiu e com os três pedidos anotados, voltou para a cozinha, onde poderia ter uma paz das "projetos de capeta" dessa vida que estava. Procurou um livro de receitas sobre o ambiente, para a ajudar com as omeletes e o chá. A torrada, era o mais fácil.

Concentrada, ela preparava a refeição com cuidado, preparando a mais também, para si, para que pudesse comer. Esperou que os ovos estivessem prontos e a água fervesse, as torradas estivessem prontas, antes de colocar em bandejas, os pratos e os copos, indo para a sala de jantar, onde podia servir e preparar para as mulheres comerem. Assim que tudo ficou pronto, tocou um sino que tinha ali, para chamar as mulheres e saiu dali. Não queria ficar no mesmo ambiente que as víboras mais que necessário. Seguiu para a cozinha, onde comeu em silêncio, ignorando qualquer que fosse o pedido, até que terminasse. Quando acabou, lavou seus utensílios usados, seguindo para a sala de estar, onde abriu seu sorriso mais falso que conseguiu.

Eu não vou servir chá para vocês. Podem muito bem fazer isso. Fora isso, querem algo realmente importante? — Questionou, com um tom bondoso.

Limpe a sala de estar e vá lavar as roupas. Mas antes, vá ao mercado. Há alguns produtos que precisam ser comprados para Anastasia e Drizella, para a pele delas. Afinal, elas nao podem ficar imundas como você,  elas tem um futuro promissor! —Josephine riu alto. Aquilo tinha sido a coisa mais engraçada que tinha ouvido. — Do que está rindo, sua idiota? — A madrasta gritou, furiosa.

Vejamos. Estamos em que ano? 1840? 1880? Quem devia fazer as tarefas daqui, junto comigo, são Anastasia e Drizella. Duvido elas saberem passar um pano, varrer uma casa, nenhum homem vai querer uma mulher que não sabe fazer nada disso. Elas não sabem tocar nenhum instrumento, não sabem francês e elas não tem educação, veja o modo que me tratam. O futuro delas? Governanta, eu tenho certeza, por isso elas são inúteis, você mima suas filhas e não acha marido decente pra elas, sem dúvida eu já estaria casada com um homem rico. Agora, com licença. Eu tenho coisa pra fazer, diferente delas. — Antes que a madrasta pudesse falar um A decidiu se retirar, não sem antes fazer uma reverência em deboche, pegando um papel com os produtos que tinha visto na mesa.

Ela tentou absorver o que sabia da história francesa. Isso poderia lhe ajudar a situar-se historicamente, afinal, era importante para ela saber reconhecer aquele ponto, saber como agir, sobreviver e se misturar. Provavelmente se estava entre 1840 e 1880, a monarquia da França tinha acabado uma vez,  teve uma república,  que seria dissolvida, teve outra monarquia que acabou e uma nova república. Respirou, indo para os estábulos, onde pegou um cavalo e achou uma bolsa ali, segundo os livro, a França tinha passado por muita coisa. Assim que ajeitou o cavalo, pegou a bolsa onde devia colocar os produtos que ficava ali, colocando sobre seu corpo. A loira subiu no cavalo e deu graças aos céus, por seu pai ter insistido para ela fazer equitação, guiando o animal para onde devia ser a praça da cidade, onde tinha os mercados e produtos.

Ao chegar, desceu do animal e amarrou o cavalo onde os donos deixavam seus animais para descansar e tomar água, começando a andar. Enquanto andava, viu um garoto que lhe chamava a atenção, era um garoto extremamente bonito. Seus cabelos eram negros, ele tinha feições asiáticas, sua mente começava a formular teorias, porém aquilo devia ser impossível. Não tinha como Mikhail estar ali. Ele era seu amigo e pupilo, Josephine investia seu tempo treinando o garoto, vendo um potencial nele que poucos viam. E claro, apesar de tudo, ela não era cega, ele era um rapaz bonito. Não tinha como ignorar. Contra fatos, não haviam argumentos. Seguiu com a lista em mãos, procurando cada um dos produtos que devia comprar, com cuidado. Mandava colocar na conta de sua madrasta. E claro, tinha pegado umas coisinhas para si. Sua madrasta bancaria mesmo. Sempre pedia para os donos das lojas dizer que o produto extra, era cobrado por ela ter quebrado algo se a madrasta perguntasse, a beleza da loira era útil nessas horas. Estava para sair dali, quando o "pupilo" sem querer, esbarrou em si. Por sorte, nada de sua bolsa tinha sido quebrado.

Mianhae, eu sinto muito, senhorita, eu sou Sebastian Young, meu pai é nascido na Coreia mas se mudou para Paris e nasci aqui. Meu pai deu sorte, muitos países não são abertos para estrangeiros, mas meu pai tornou-se um magistrado. — Pronunciou, cheio de orgulho. Josie riu. — Eu quero seguir os passos dele. Ser um magistrado como ele. — O jovem explicou.

Sou Josephine, filha de Friederich Nieckhale. Eu tinha um pai comerciante, mas ele faleceu. Agora, minha madrasta e minhas meio irmãs me tratam como se eu fosse escrava. Será que eu posso denunciar isso para o seu pai e ele prender elas? Diz que sim, eu não aguento mais aquelas criaturas. — Riu baixo, com uma expressão de cansaço.

Eu queria poder ajudar, mas acho que não pode, se seu pai morreu e ele era casado com sua madrasta, ela é legalmente responsável por você, então pode fazer o que convier, segundo a lei. Porém... Você tem alguma chance contra ela, se encontrar o testamento do seu pai e ele te declarar dona das propriedades e heranças dele e que sua madrasta não é responsável. Sem isso, lamento, Josephine. — Ele explicava de maneira tranquila, com uma expressão triste. Ele realmente a ajudaria se pudesse. Aquilo acalmou seu coração.

Deu um sorriso grato e seguiu com o rapaz ao centro da praça, onde viu um homem com umas roupas chiques surgir. Ele falava de um baile que seria organizado pela família real, fazendo Josie sorrir. Seria bom se distrair. Mordeu seu lábio inferior, assim que chegou perto do cavalo, desamarrando-o. Sebastian lhe ajudou a subir no cavalo e lhe ajudou com a bolsa. A princesa deu um carinho sobre a bochecha dele como agradecimento e com cuidado, começou a cavalgar novamente para casa. O trajeto dessa vez foi tranquilo. Ela estava pensativa sobre o baile enquanto seguia e trajeo. Assim que chegou, guardou o cavalo e pegou a bolsa, primeiramente, indo para o porão, onde guardou o que tinha comprado para si em um canto escondido. Então, seguiu para a casa, deixando a bolsa em frente a Anastasia e Drizella. Cada uma pegasse o que fosse dela.

Com tudo o que tinha comprado guardado, a garota pegou os produtos de limpeza, começando a limpar a sala de cima a baixo. Varreu, passou pano, lavou as escadas e ainda aproveitou aquilo, para limpar a lareira. Ela demorou um pouco com aquilo, logo seguiu para preparar alguma coisa para o almoço para as mulheres, fez a única coisa que sabia, com certeza, macarronada. Então, partiu para a roupa. Começou a lavar uma a uma e lavar manualmente, fazia suas costas doerem. Respirou fundo, contando até dez. Então, assim que acabou, estendeu uma a uma com calma, aquilo demorou também, então, foi a cozinha, onde lavou a louça do almoço que ali estava e pelo o horário que parecia, já fez o jantar. Separou um pouco para si e deixou a comida das mulheres da mesa, para ela mesma ir comer em seguida. Ao acabar seu jantar, se permitiu esperar em um canto aquecido da cozinha, para lavar as louças assim que as mulheres terminaram, onde logo subiu para o porão, quando acabou o que devia. Deitada sobre o divã, a garota deixava sua mente vagar. Seus pensamentos e raivas sobre sua saída das caçadoras, ficariam para si. Ela tinha muitos, porém com o tempo, ela superiaria,  tinha visto em uma série coreana, tudo passava. A dor e a raiva também passavam. O sono logo chegou e a garota dormiu.

No dia seguinte, a mesma rotina a esperou, o café da manhã, as ordens, já tinha aceitado. Porém, quando chegou a cozinha depois de limpar os quartos ouviu os gritos das irmãs sobre o baile. Aquilo a fez revirar os olhos e imaginar se Sebastian seria seu acompanhante. Decidiu que perguntaria quando o visse no mercado novamente. Respirou fundo, ouvindo mais ordens, subindo para o porão, onde pegou uma capa e um chapéu básico que tinha ali. Com os produtos que tinha comprado para si, arrumou-se de um modo não chamativo e olhou para 3 ratinhos que a olhavam. Eles pareciam felizes. Josie riu e aproximou-se deles, fazendo carinho nos mesmos. Ser gentil era uma virtude que adquiriu ali.

Oh queridos, perdão não ter trazido comida, eu estava esquecida. Eu estou bem ocupada ultimamente. — Explicou e o ratinho fez alguns barulhos, que sua mente traduziu de imediato como "Está perdoada, mas queremos muita comida" e entender aquilo, a chocou e ainda chocada, concordou com um sorriso de canto. Assim que foi possível para ela, após brincar com os roedores, a jovem se retirou do local.

Seguiu até os estábulos, onde pegou o cavalo e a bolsa, para que pudesse comprar o que tivesse de ser comprado, montou no animal e se pôs a rumar até a cidade. Ao chegar, deixou o cavalo na área de descanso, estava para descer, quando sentiu uma mão puxar com cautela a saia de seu vestido. Virou o rosto, vendo Sebastian ali. Ela abriu um sorriso e ergueu os braços, num sinal claro de pedido de ajuda. Obviamente que a princesa poderia descer sozinha, mas uma bela figura masculina perto de si com força o bastante para a tirar dali, claro que aproveitaria, ela se posicionou se sentando de lado, de frente para ele. O rapaz riu com uma expressão divertida, segurando a garota pela cintura, enquanto a jovem passando a erguer para logo a colocar ao chão.

Com o rapaz em seu enlaço, eles começaram a caminhar, comprando as coisas pendentes para as casas de ambos, quando tudo estava comprado, mencionando do baile, que deveria encomendar os vestidos das suas "postiças mães e irmãs". Não que Josie se importasse com elas. Mas era melhor que ouvir ladainhas depois. Ela passou os dedos sobre os cabelos enquanto seguia até a fila, que faltava poucas pessoas para serem atendidas. O baile era naquele dia, então a jovem pediu os vestidos, deu o dinheiro da madrasta e sorriu, agradecendo, quando Sebastian a olhava.

Você não vai no baile? — Questionou surpreso.

Eu não tenho vestido, não tenho par e duvido que minha madrasta deixaria. — Listou os motivos por qual não iria, erguendo um dedo a cada motivo.

Eu posso ser seu par, o vestido eu te dou de presente e com a sua madrasta, eu posso ameaçar ela com um processo por abuso psicológico e físico. Porque ela não deve saber como funciona pra abrir um processo, então não acho que ela vá desacreditar. — A simplicidade com qual ele falava aquilo, a fez rir. Josie concordou e esperou Sebastian, para que pudessem ir falar com sua madrasta.

Com os vestidos dentro da bolsa, a garota seguiu para seu cavalo, onde com a ajuda do jovem, montou. Seguiu para perto do rapaz que ia para seu cavalo, onde rumaram em direção a casa onde morava. A garota respirou profundamente, mordendo o próprio lábio enquanto o caminho ficava cada vez menor, ao ver a casa mais próxima. Desceram dos cavalos, a garota deixou seu vestido no porão, após pedir para Sebastian a esperar, seguindo até o rapaz para finalmente entrar na casa com o vestido das mulheres.

_ Sra. Tremaine, sou Sebastian, filho do Magistrado Young. Vim pedir permissão para levar sua enteada, Josephine, ao baile dessa noite. — Anastasia e Drizella a olhavam com surpresa.

Com licença um minuto, meu querido! — A madrasta sorriu, puxando Josephine para fora dali, furiosa. — Você vai dizer a Sebastian que não vai ir ao baile e para ele convidar Drizella, sua inútil! — A garota sentiu um tapa em sua cara, rindo daquilo.

Eu não vou! Você destruiu o meu pai, por sua causa ele morreu e eu não pude dizer a ele que eu o amava. Mas quer saber... Eu não precisava dizer para ele que eu o amava. Eu acho que ele sabia, só de eu estar ali com ele. Se eu ficar com Sebastian, eu terei o futuro que meu pai queria para mim. Você não vai me tirar isso. — Josephine grunhiu, se retirando dali, e puxou o filho do Magistrado dali.

Num rompante, Josephine sentiu que algo acontecia. Acordou e abriu seus olhos, sobre seu chalé, surpresa. Seu recomeço tinha sido aquele. O futuro ao lado de alguém que poderia a amar e se devotar a ela.
@ recomeços
eve's codes


I’m scared to begin, because I can taste the bitter scent in my mouth If you close your eyes and want me Even if it’s a lie, I’ll make you happy With the sweetest lie in the world I tell yousweet lies
Josephine Diëhl Nieckhale
Josephine Diëhl Nieckhale
Sem grupo
Sem grupo

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Mensagem por Seel C. García em Ter Abr 09, 2019 6:12 pm



O Cravo e a Rosa

Não lembro muito bem como fui dormir, mas ao acordar me senti extremamente zonzo, pois uma musiquinha com vozes infantis ficava soando em meus ouvidos. De início não consegui identificar, mas parecia aqueles corais da igreja onde as crianças cantavam com o auxílio de um adulto.

" O cravo brigou com a rosa,
debaixo de uma jangada.
O cravo saiu vitorioso
e a rosa muito assustada. "

Era uma musiquinha muito parecida com a que havia aprendido no orfanato, mas alguma coisa nela estava errada, alguns versos estavam trocados e eu não entendia muito bem, mas isso não me impediu de começar meu dia normalmente. Levantei, coloquei uma roupa e fui até o refeitório para meu café da manhã. Ralf, que estava comigo, não havia proferido nada pelo caminho, mas quando começou, alguma coisa estava muito errada. Ao invés de falar, ele cantarolava, coisa que era atípica demais para o filho de Vulcano. — Hoje nós temos os jogos de guerra contra a primeira e a terceira coorte. - Meus olhos encararam os deles com tom de surpresa. De onde aquele homenzarrão tirara àquela voz tão delicada e de uma afinação sem igual.

— O que está acontecendoooo? - Deuses, minha voz ficara igual aqueles desenhos musicais que eu não era muito fã. Pus a mão de encontro à boca e segurei a língua dentro dela até que parasse, mas não cessava, nem comigo, nem com qualquer um dos semideuses que estavam ao meu redor, pois as conversas estavam tão malucas que pareciam vários rádios ligados em estações diferentes.

Não terminei de comer, levantei e fui em direção de qualquer lugar que me mantivesse sozinho e uma cena bastante conhecida por mim se repetiu: Eu derrubei um livro de Maisie numa poça d'água. Ela se enfureceu, mas ao invés de me xingar, ela cantou a mesma música que as crianças em minha mente. Dei de ombros e me escondi pelo resto do dia, assim não precisaria ouvir ninguém cantando, mas quando se aproximava da hora do jantar, meu estômago não suportou a distância da comida e eu precisei reaparecer. A música infernal que soava em meus ouvidos não parava por momento nenhum.

Chegando ao refeitório, Romeo cantarolou que haveríamos jogos de guerra após o jantar e a mesma cena do primeiro jogo que participei se fez. Queriam Ficar na defensiva, mas alguma coisa me deu e eu cantarolei para que atacássemos. Tivemos a mesma uma hora para nos preparar para jogar e esse mesmo tempo usei para encorajar meus companheiros de coorte. A cena se repetiu normalmente, eu pedindo que fossem fabricadas aranhas para um exército. Ralf, sutilmente me chamou de canto e perguntou para que serviam, como se ele já não soubesse. Eu já havia dito para ele quais eram os motivos, mas repeti e ele se comprometeu em fazê-las.

(...)

O jogo começou e eu consegui evitar que algumas das cenas do primeiro jogo de guerra que participei se repetissem, mas era tudo muito igual. A música em meus pensamentos havia cessado por algum tempo, mas ao ver a filha de Athena aquela música maldita começou. Peguei a água caída e me transformei no homem invisível, não tendo aparência nenhuma até colocar os pés na torre inimiga. Diferente da última vez, chutei dois dos arqueiros e eles caíram da amurada. O terceiro a água gigante tratou de cuidar, mas agora eu já estava visível novamente e com a caixa de aranhas na mão enquanto Maisie estava com os olhos pregados nos meus em tom de surpresa, o mesmo que ficara antes de receber a saraivada de aranhas sobre seu corpo.

Eu já havia errado uma vez e pensei mais de uma vez se deveria fazer aquilo, mas ela foi rápida e chutou a caixa antes que eu pudesse ativá-la. Entretanto, ao cair sobre o piso de pedras que o forte vermelho possuía, a caixa se abriu sozinha uma espeça fumaça pairou no local. As aranhas foram soltas.

Maisie estava em choque e eu já sabia o que lhe acalmava, mas havia prometido a mim mesmo que não usaria o charme contra ela novamente. Porém, seria para amenizar aquele pavor. Chutei as aranhas para longe dela e me aproximei, deixando-a mais próxima da parede. Com o indicador e o polegar, peguei em seu queixo e fiz com que nossos olhos se encontrassem. — Maisie, meu amor. - Falei usando todo o charme que eu pudesse em meu tom de voz. — Acame-se! - O pavor começou a dar lugar à algo muito mais forte que a fobia de aranhas. O sentimento.

Ela já estava sob o meu charme e fora daquele pavor pelas aranhas, estas que já estavam mais interessadas com a coruja da filha de Athena. Lembrei do estandarte vermelho, mas aquele momento eu já havia vivido e me arrependido por não ter feito o que eu desejava. Esquecendo o estandarte, tomei coragem perguntei: — Sabe o que eu queria? - Um sorriso brotou em meus lábios logo após proferir as palavras com um tom de voz mais delicado. Pude sentir um arrepio na espinha e sabia que ela deveria estar sentindo a mesma coisa. — Um beijo? - Respondeu ela com os olhos grudados nos meus. — Acertou! - Proferi num tom quase inaudível. Direcionei minhas mãos até a nuca da menina e aproximei nossos lábios, fazendo o beijo acontecer enquanto a musiquinha infantil continuava soando com mais intensidade que antes.

Uma dor atingiu fortemente meu saco escrotal e eu senti saudade de não tê-lo. A música que soou o dia inteiro em meus ouvidos, agora era como uma leve melodia que foi se abafando e abafando até que só restasse o som de uma garota extremamente irada gritando e cuspindo. Minhas mãos foram de encontro ao local onde eu havia tomado uma joelhada enquanto eu perdia a noção de tempo e do que acontecia ali. Um outro chute (estilo 300) foi desferido pela loira e este me jogou para fora do forte e a música modificou totalmente.

" O cravo beijou a rosa
encima da amurada.
A rosa saiu sorrindo
E o cravo foi massacrado.

O cravo ficou doente
e a rosa a gargalhar
O cravo foi um idiota
por, pela rosa, se apaixonar. "

Acordei num susto e sem a maldita dor, mas suava frio. Por dias fiquei arrependido por perder a chance de beijar, mas aquele sonho me mostrou o que, provavelmente, aconteceria se meu desejo fosse concretizado. Meu sonho de ser um legionário ainda estaria em prática, pois eu não seria admitido na coorte e continuaria com a plaquinha de probátio.

Fiquei feliz por ter pensado mais em mim e, hoje, estar com a tatuagem do Júpiter no antebraço. O lado ruim é que a maldita música levaria dias para sair dos meus pensamentos.

Poderes:
Nível 12
Nome do poder: Charme II
Descrição: A sua voz começa a ser mais persuasiva, fazendo a pessoa fazer coisas um pouco grandiosas por você. Como: Fazer seus deveres, entrar em uma pequena briga. O efeito só dura dois turnos, depois disso a pessoa fica confusa e para de te obedecer, ao menos que você consiga convencer a pessoa mais uma vez.
Gasto de Mp: 30 MP por turno ativo
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum
Extra: Só consegue confundir e persuadir pessoas com nível inferior ou equivalente ao seu.



Seel García
if i could make amends with all my shadows, i'd bow my head and welcome them. but i feel it burning, like when the winter wind stops my breathing; are you really gonna love me when i'm gone? i fear you won't, i fear you don't.
Seel C. García
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Mensagem por Blake Wicker em Ter Abr 09, 2019 11:09 pm





They think I'm callous

Can you blame me?




Cocei a cabeça acordando com o início do alarme, já tirando a mão debaixo da coberta e deslizando o dedo na tela do celular. Me espreguiçando e me sentando na cama bocejando. Limpei os olhos das remelas e senti uma mão nas minhas costas, arqueei a sobrancelha direita e virei o rosto igual no exorcista vendo uma loira ali. Ela tinha o corpo bem desenhado, lembrava de ter visto aquele corpo de algum lugar com areia, talvez uma praia provavelmente. Sorri com ela se sentando e me beijando na boca. Sorri e correspondi ao beijo como um costume até sermos interrompidos com a porta do quarto abrindo e então meu pai sorrindo sem graça pedindo desculpas pela cena.

Ele me avisou da hora como todos os dias, sorri e agradeci a ele pelo aviso, acabei indo com Keli para o banheiro, tomamos um banho muito bom, estudei um pouco de anatomia com água e saímos do banheiro como que brincando sem as toalhas. Segui ela correndo e rindo até encarar meu quarto, meu quarto tinha uma cama de solteiro e uma estante de troféus, mas não lembrava deles. Recebi uma toalha na cabeça e então um beijo por cima da toalha, me fazendo sorri e abaixar a toalha para beijar a garota direito.

Segurei-a pela cintura, nos aproximando mais ainda e quase intensificando aquilo para algo mais íntimo se não fosse outra batida na porta. Ergui a mão com a toalha e decidimos nos arrumar de vez, vestindo nossas roupas e vendo aquele armário parecia que faltava algo, mas continuei vestindo as roupas imaginando ter tido uma impressão diferente apenas. Neguei com a cabeça e dei uma mão pra garota saindo do quarto e passando pela casa cumprimentando meus pais adotivos, peguei as chaves do carro e seguimos para a escola.

Mais alguns beijos com aquela garota sem qualquer defeito de qualquer tipo, mas chegando no estacionamento tendo uma surpresa com cartazes em meu nome. Aparentemente eu tinha ganho algo e meus olhos arregalados enquanto estacionava em uma vaga com meu nome. Não fazia sentido, não lembrava de ter ganho nada na noite anterior e muito menos de ter uma fucking vaga de carro. Sai do carro quase esquecendo das coisas que esqueci, cumprimentando os outros e recebendo alguns ursinhos de pelúcia. Keli me ajudou colocando os bichinhos no banco do carro e com o grupo de recepção se desfazendo ela veio se despedir para a aula.

Mexendo na minha virilha pra eu “lembrar dela” me fazendo sorrir malicioso com a piadinha e batendo em sua bunda em resposta. Segui o caminho do estacionamento para o prédio. A primeira aula foi chata, daquelas que já esqueci depois que acabou, a segunda foi interessante com uma apresentação de trabalhos que ficavam pendentes da aula anterior. Um garoto magrelo, Daniel qualquer coisa ficou de apresentar, ele tinha fama de maluco com umas roupas estranha e aquele olhar perdido. Alguns fizeram piadas quando a professora o chamou, mas senti aquela vontade de rir, ele parecia familiar de algum modo estranho.

O restante do dia de aula foi comum, sem nenhuma novidade, então teve treino de basquete, e quando sai pude ver o tal Daniel passando pelo estacionamento, talvez pela saída da detenção que ele estivesse por algum motivo. Não sei porque, minha boca falou antes de eu ter pensado nas coisas e o chamei: - Ei Daniel. - Corri até ele com a mala de roupas do basquete na mão para não sacudir e toquei seu ombro sorrindo: - Detenção neh? É bem chata, quer uma carona? Andar até em casa depois da detenção é uma tortura.

Ele me olhou como se não me compreendesse, e minha cabeça parecia também estranhar minhas ações, mas ele aceitou e foi como se um peso tivesse saído de mim. Ele me levou até sua casa, era quase um cemitério das drogas, no bairro de classe média, mas os caras do time sempre iam ali por perto para conseguirem drogas. Ele agradeceu a carona, mas antes de sair me olhou nos olhos e me questionou: - Porque me deu a carona. Nunca nos falamos. - Eu não soube responder e ele saiu do carro, deu a volta e começou a subir as escadas para o prédio, tentei responder: - Ei Dan, talvez eu só quisesse fazer algo legal por alguém.

Ele se virou pra mim e negou com a cabeça: - Devia voltar anos no tempo e talvez trocar nossos pais adotivos, mas aí você estaria na minha vida e voltamos a esse momento com nossos papeis trocados. - Ele me pegou de surpresa com aquelas palavras, era tão doido que eu não tinha com responder uma possibilidade de destino imutável. Parecia que independente de poder voltar no tempo, aquilo aconteceria de qualquer modo com as exatas pessoas ali. Percebendo minha viagem, ele se divertiu e me deu parabéns pelo jogo de ontem.

Voltando pra casa recebi uma notificação de ligação perdida de Keli, ouvindo o recado sobre um maluco que estava assustando-a com uma fantasia estranha. Mandei-a ligar pra polícia, mas caindo na caixa postal significando que podia ser tarde, mas que eu já estava indo pra lá. Aproveitei que ainda estava na cidade, virando para o bairro dela e agilizei na direção do carro até a casa dela. De noite, ninguém na rua, então sai do carro e peguei no porta malas o pé de cabra pra defender ela. Segui para a casa dela dando a volta primeiro e chamando por ela, sem nenhuma resposta, entrei na casa pela porta dos fundos. Tudo escuro e entrei procurando por ela, seguindo direto para o quarto dela e assim que entrei a vi toda aberta na cama.

Sentindo um embrulho no estomago, mas o chorro fazendo aquilo ficar em segundo plano enquanto me aproximava dela tentando me aproximar querendo muito que ela esteja viva. O rosto dela ainda estava lindo como na escola, ela estava toda mole e todo aquele sangue me fazendo sentir uma dor de perder alguém que eu amava. Senti uma dor e então virando o rosto para alguém de preto e uma máscara, tirando a faca das minhas costas para me deixar cair no chão. Não entendia aquilo, foi excessivamente brutal e pedi pra ele parar estendendo a mão. O mascarado me seguiu e repetiu as facadas em meu peito e barriga me fazendo engasgar e tossir sangue até que enfim apagou tudo.

...

Acordei ouvindo o despertador e meio lesado com aquele sonho, tossi um pouco tentando ter certeza que não havia sequências daquilo, mas nada além de saliva comum. Uma mão no ombro que me fez olhar com medo, mas me tranquilizando em ser Keli. Me virei beijando-a na boca e agradecendo por ela ainda estar viva. Tocando seu rosto quente, seus peitos por cima do sutiã e aquela barriga sem nada pulando pra fora dela. Ela estranhou minha atenção, mas não achou ruim e já foi retirando a calcinha, que sinceramente senti um fogo de ter ela viva e não importando a hora. Transamos até a porta abrir, sorri para o meu pai e voltei a me divertir com ela sem mais interrupções.  

Seguimos para o banho com mais algumas carícias sem outros atrasos, nos arrumamos, cumprimentamos nossos pais e fomos para a escola. Ela seguiu com a mão na minha perna me deixando um leve dejavu como se já tivesse sentido aquilo, mas ela fazia isso geralmente e não me importei. Novamente chegando no estacionamento, estranhando ter uma vaga no estacionamento, toda aquela comemoração e cartazes com meu nome. Estava muito estranho, minha cabeça parecia girar com Keli me ajudando com os ursinhos e seguimos para a aula brincando com as mãos antes de irmos. Ela adorava uma safadeza pública realmente e eu respondia na mesma moeda. Na segunda aula foi uma apresentação de trabalhos, Daniel foi chamado e alguns dos caras do time fazendo piadas com ele.

Eu o olhava estranhando aquilo, parecia um longo dejavu, então no decorrer do dia fui pro treino do time como qualquer outro dia. Saindo dali com eles ficando mais no banheiro e eu encontrei Daniel no estacionamento, indo até ele e perguntando se era detenção. Fiz a proposta de levar ele pra casa e seguimos até lá daquele mesmo modo, lembrando das drogas que os caras buscavam ali por perto e então ele me perguntou sobre a carona de novo. Mas neguei com a cabeça: - Já teve a impressão de estar revivendo um dia de novo? - Ele deu de ombro: - Tipo um dejavu? - Eu confirmei com a cabeça e então o meu celular tocou.

Engoli em seco como uma lembrança ruim e acompanhei o outro saindo do carro e então aquele pedido de ajuda de novo, ainda ligação perdida me deixando preocupado em chegar tarde demais. Antes de Dan entrar no apartamento, bati na porta do carro e chamei: - Dan, minha namorada ta com problemas, pode me ajudar? - Ele semicerrou os olhos desacreditando que eu tinha dado uma carona e agora pedia ajuda. Eu neguei com a cabeça e o olhei nos olhos: - Olha eu sei que não somos próximos, mas nunca te fiz nada de mal e ela ta em perigo. - Engoli em seco e ele acabou aceitando, voltando com a mochila pro banco com os ursinhos. Expliquei que pedi pra ela chamar a polícia, mas não sabia se teria tempo.

Apressei o caminho lembrando do tempo do sonho e quando chegamos, entreguei o pé de cabra pra Dan e seguimos o caminho de antes. Para os fundos e então peguei uma faca na cozinha já que a arma que eu tinha antes estava com Dan. Deixei-o com a retaguarda e nos apressamos pela casa, subindo a escada e não adiantando para salvar Keli, ela estava morta de novo. Meus olhos vazando novamente e então a facada nas costas, chamei por ajuda e então ouvi uma batida, me virei para ver o que era, e acompanhei Dan me batendo com o pé de cabra na cabeça. Tudo girava, não pensei que ele pudesse fazer aquilo. Minha faca havia se perdido em algum lugar na cama enquanto caía com tudo desfocado. Tentei me afastar dele estendendo a mão pedindo pra parar e então uma facada na cabeça sem qualquer hesitação da parte dele.  

...

Acordei assustado e sem voz, como se tivesse perdido em algum momento do sono. Keli estava ali do meu lado acordando aos poucos sem entender o meu susto e avisei que estava atrasado e que a levaria pra casa pra ela se arrumar melhor. Vesti as roupas tão rápido que parecia até que tinha planejado isso na noite anterior, saímos de casa e a deixei na casa dela tentando entender como aquilo podia estar acontecendo daquele jeito, não fazia sentido toda aquela bagunça que estava encarando.  

Fui pra escola deixando meu carro fora dela pra evitar aquela bagunça e esperei encontrar Dan no caminho certo pela direção da casa dele. Não esperei e logo ele viera com aquela postura derrotada de todo dia. O chamei pra dentro do carro e o convenci porque estava vivendo uma loucura que só ele poderia me ajudar. Acho que ele gostava de mistérios aparentemente, ou fugir da escola não precisava de um motivo realmente bom dava o inferno que ele devia viver. Ele entrou e o levei para o estacionamento grande de um mercado ainda fechado. Meu peito parecia um tambor de algum evento e me virei olhando em seus olhos: - Porque matou minha namorada e a mim?

Ele sorriu me achando maluco, mas tranquei o carro e puxei a mochila dele pra mim, ele tentou tirar de mim, mas o empurrei de novo para o banco dele. Voltei a ver o que tinha dentro e havia a faca, o casaco preto de capuz e a máscara. Joguei a faca para o chão perto dos meus pés e devolvi a mochila pra ele repetindo: - Porque matou nós dois e estamos revivendo esse dia. Não consigo ficar preso nisso mais vezes. - Ele me olhou nos olhos e começou a chorar. Aquele sentimento do primeiro dia ainda estava ali, me senti triste por ele e queria ajudar, mas não sabia como. A faca estava nos meus pés e toquei seu braço querendo saber: - Ei, não precisa chora, só me explica.  

Ele negou com a cabeça e fungou um pouco o nariz: - Você não lembra de nós. - Limpou o nariz e me beijou na boca. Senti algo mais forte do que com Keli, mas não fazia sentido apenas com um beijo. Se afastou e eu segurei sua mão incrédulo que ele me fez sentir algo tão forte e perguntei: - O que foi isso? Como posso sentir isso por você? - Ele chorou mais um pouco e me bateu sem realmente intenção de me fazer sentir dor. Ele acabou perdendo as forças e eu o abracei ouvindo: - Você me traiu, eu fiquei com ciúmes e te matei depois que matei a garota.

Engoli em seco com um receio do que ele estava me dizendo, mas neguei com a cabeça e ergui a cabeça dele olhando em seus olhos: - Eu não posso explicar, mas se isso que sinto por você é tão real assim, não tenho porque te trair. Eu te amaria por inteiro, teria lhe dado meu coração por completo e viveria por você. - Neguei com a cabeça passando a mão em seus olhos: - Não sei o que você viu, mas deve ter uma explicação pra isso tudo que não foi eu te traindo. - Me abaixei um pouco e peguei a faca, não aceitava aquilo sem sentido, mas aquilo que senti foi real e o ciúme com aquele sentimento na balança me fez querer aquilo.  

Toquei seu rosto e deixei a faca em seu colo, levei o olhar para mim: - Não entendo exatamente o que viu, mas eu sei que o sentimento era real e traição não pode ser perdoada. Eu quero que você faça isso, não posso te deixar sentindo isso impedindo que se cure... sem mim. - Travei no final da frase com uma dor no peito, ele realmente fez. Fechei os olhos me contendo pra não impedir ele e segurei em ombro e no volante deixando com que ele terminasse. Como um rio a minha vida era, ele acabara de fazer uma barragem, meu peito sem tanta facilidade de respirar até que como um furacão as coisas vieram e antes de qualquer coisa entendi o que quis dizer.

Olhei nos olhos dele sem forças para levantar a mão de novo e sorri: - Agora eu me lembro, ela só queria tentar o charme em alguém realmente apaixonado. Não foi uma traição de verdade. - Sorri fechando os olhos e senti seu toque na minha mão. Tossi um pouco e abri de novo o olhando: - Sinto muito por ter sentido tudo aquilo, nunca quis que sofresse por mim. -  Achei que pudesse proteger ele de tudo, mas não pensei que acabaria machucando ele um dia. Aquilo era minha culpa mesmo sem intenção e sem mim, esperava que ele fosse feliz agora.  

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Um Reino de Sonhos - Página 2 Empty Re: Um Reino de Sonhos

Mensagem por Genevra E. Diarmaid em Ter Abr 09, 2019 11:32 pm

Sem o amanhecer, não poderíamos ver o sol
Tic tac...


Foi esse o som que ecoou em sua mente, quase inaudível, mas ensurdecedor conforme aumentava. Mas não só isso lhe incomodava, já que uma luz amarelada obrigou que abrisse os olhos e revelasse o lindo campo de girassóis em que se encontrava. A bela paisagem lhe invadia a alma, trazendo calmaria ao seu peito e a sua mente, quase fazendo com que não notasse a peculiaridade que se encontrava nos céus.


Um enorme relógio pairava acima de sua cabeça, com algumas partes escondidas pelas nuvens. Mas nada segurava o objeto, ele sequer parecia ser matéria. Então por qual razão estava ali com seus ponteiros parados? Marcava apenas uma hora e não se mexia, não provocava som algum. Não parecia nem existir.


3h da manhã.


Era isso que os ponteiros insistiam em mostrar, mas era dia e o sol alpino reluzia nas flores como nunca antes. Parecia até um poema filosófico de mau gosto. O amanhecer tomava conta, como se dissesse que aquele lugar era um mundo particular do sol.


- Ele está quebrado. – Indagou para si própria, mas rapidamente seus devaneios foram embora no exato momento em que ouviu risadas. Eram risadas de alegria, como se acabasse de acontecer um dos melhores eventos das vidas dessas pessoas.


Olhou para trás e as viu andando em meio as flores, algumas até mesma saltitavam por pura felicidade. Todos estavam absolutamente felizes demais e sequer pareciam notar que mais alguém estava ali. Era realmente um poema de mau gosto.


- Olá? Sabe me dizer onde estou e como vim parar aqui? – Perguntou a uma mulher jovial que passava ao seu lado, mas essa pareceu nem lhe notar.


Tentou mais algumas vezes e novamente foi ignorada. Enquanto procurava alguém que pudesse lhe dar alguma informação, imaginou como poderia ter parado ali. Talvez alguém tivesse lhe mandado para lá enquanto dormia ou bateu com a cabeça em alguma luta e não lembrava. Mas por qual motivo iria parar em um campo de girassóis distante do acampamento?


Caminhou em direção ao norte, em passos largos, porém com dificuldade por conta das flores. As pessoas ainda caminhavam a sua volta, mas curiosamente desapareciam ou iam embora sem que notasse a direção a qual seguiam. Ainda assim poderia encontrar alguém que lhe ajudasse ou ao menos tentasse, mesmo que já estivesse um pouco cansada de andar. Parecia que havia caminhado por vinte minutos, mas por mais que essa impressão estivesse forte em sua mente, as coisas ao redor não haviam mudado completamente em nada. O sol continuava no mesmo lugar, como se a hora não tivesse passado de jeito nenhum.


- Por favor, pode me ajudar? – Segurou no braço de um rapaz, o parando imediatamente. O mesmo não pareceu se incomodar com aquela ação, apenas continuou com o semblante risonho e resolveu escutá-la. – Não sei onde estou. Poderia dizer como faz para sair daqui?


- Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajetos.


Assustou com as palavras desconexas, não fazia o menor sentido o que ele dizia. Será que estava doente? Possuía algum problema? Não saberia e nem mesmo teria coragem de indagar sobre, somente o soltou e deixou com que continuasse seu trajeto em paz, notando que também desaparecia em meio aquele amarelado todo. Mais uma pessoa lhe abandonava.


Cada vez que via aqueles ao seu redor sumirem, uma dor no peito lhe atormentava. Era a dor da partida e que se intensificava conforme os minutos se passavam. Mas, que minutos? Tudo parecia igual, exatamente igual quando acordou. Não teria mais o tempo que passou, mas parafraseando um cantor do mundo dos mortais, tinha todo tempo do mundo.


- Alguma coisa não se.... – Parou a frase ao meio, sentindo mais uma vez a dor de alguém indo embora. Aquilo era tão agoniante que não podia conter as lágrimas que rolavam por seu rosto. - ... encaixa. 


Terminou a frase e olhou para o relógio estagnado naquela hora, assim como tudo a sua volta. A agonia de estar ficando para trás não conseguia deixá-la feliz de forma alguma. Colocando seus joelhos ao chão, levou a mão direita até o peito e apertou, tentando fazer com que a dor fosse embora de algum jeito. Tudo em vão.


Era isso.


Era em vão estar ali, era em vão sofrer por pessoas que automaticamente passariam por ali, por sua vida. O tempo não iria parar para que aproveitasse os minutos e segundos, o tempo não pararia só porque queria e mesmo que isso acontecesse, todos um dia iriam embora. Essa era a regra da vida. Sofrer e chorar não mudaria nada, não mudaria o cenário. Mas como foi parar ali?


- O tempo... O tempo. É isso!!! – Gritou, enquanto limpava suas lágrimas, levantando do chão. O tempo era a resposta para tudo. Algum deus havia mandado para lá por algum propósito com toda certeza. Havia passados os dias no acampamento sem aproveitar, amargurando as coisas do passado como se fossem voltar ou se pudesse consertá-las.


Poderia Hades ter criado algo como um campo Elíseos para que pudesse ter sua lição? Poderia ter morrido e não se dado conta? Já que tudo continuava no mesmo lugar. Não. Já havia lido em algum lugar como era a aparência do campo e não era nada parecido com aquilo. Não estava morta. 
Andava em círculos, matutando algumas coisas em sua mente. Por algum motivo alguém havia lhe colocado ali. Se não era Hades, também não poderia ter sido Chronos já que o deus havia virado pó. Macaria não teria motivos para lhe colocar naquele lugar.


- Ah! Isso está virando um pesadelo. – Exclamou alto, jogando as mãos para o alto e observando o relógio mais uma vez. – Pera. Pesadelo? – Saiu caminhando sem direção, procurando de onde as pessoas estavam surgindo, mas não tinha uma ordem certa ou um lugar certo. Era como se brotassem do chão do nada. Mas não foi só isso que lhe chamou a atenção.


Como uma filha do amanhecer não estava emitindo seu brilho quando acordou? No momento em que abriu os olhos e se viu ali, teve certeza que o sol estava em seus primeiros minutos, mas em momento algum o seu corpo emitiu algum brilho. O relógio parado, as pessoas o tempo todo felizes. Era tudo muito mais claro do que imaginava, estava presa em um pesadelo.


Morfeu.


Quando pensou no nome do deus, quando se deu conta que estava sonhando, acordou no mesmo instante. Abriu os olhos e respirou fundo, como se estivesse o tempo todo embaixo d’água sem respirar e riu consigo mesma. Procurou seus irmãos pelo chalé, constatando que todos ainda estavam ali dormindo e que não passava de 3h da manhã. Com toda certeza havia aprendido muito com o sonho. Dali em diante aproveitaria todos os segundos, sem se importar com as dores do passado. 


Poder citado:
 Nível 1 
Nome do poder: Proteção Luminosa I
Descrição: Um escudo de luz dourada surge ao seu redor, no entanto, nesse nível, o escudo é tão frágil quanto você é inexperiente e não resiste a ataques mágicos de seres mais fortes que você, ainda sim funciona bem para ataques físicos.
Gasto de Mp: 10 de MP por turno que permanecer ativo.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: Nenhum.
Dano: Nenhum.
Extra: Nenhum.


THANK YOU WEIRD BY LOTUS GRAPHICS EDITION!


genevra ellora diarmaid
save your loving, you can just lay it on the line and pour it up
Genevra E. Diarmaid
Genevra E. Diarmaid
Filhos de Eos
Filhos de Eos

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Um Reino de Sonhos - Página 2 Empty Re: Um Reino de Sonhos

Mensagem por Avery Hernández em Sex Abr 12, 2019 9:21 pm


Você realmente existe?
Os passos que você dá não precisam ser grandes. Eles só precisam te levar na direção certa.

Tenho a sensação constante de estar sempre dormindo. Meu corpo pode ser real, as emoções me dominam da mesma forma e minha mente ainda vaga para longe, ainda assim o mundo ao redor não parece de verdade. Quando você passa a vida inteira na dura realidade da vida humana, tende a duvidar de qualquer tipo de milagre, magia ou pingos irrealistas que te chocam e consomem. Exatamente como esse mundo.

Qual é! Deuses? Heróis e um acampamento cheio deles? Quem em sã consciência poderia acreditar nisso? Com toda certeza eu não.

Eu acho que não tenho um coração crédulo, então a cada dia que desperto mais de mim é tomado. Não de forma rápida, mas sim lenta e dolorosamente. Não sei mais quem sou e tenho certeza que ninguém aqui sabe, afinal como na citação de um velho livro que li uma vez: Se ninguém no mundo se importa com você, você se quer existe?

Espanto o pensamento rapidamente e pisco para ajustar minha mente a nova realidade da vez, essa que me deixou vagando pelos pensamentos acima. O acampamento tinha ficado para trás há apenas alguns minutos e minha última lembrança era de estar deitada em um dos beliches do chalé seis. O cheiro de flores ainda parecia impregnado no ambiente, mas o ronronar suave dos meus irmãos mais novos tinha me deixado por completo.

Hola? Hay alguien ahí? Questiono o vazio, mas nada acontece. Estou sozinha novamente em uma nova realidade, mas dessa vez não tem ninguém ali para me orientar.

Ninguém me responde... mas eu já esperava por isso. Suspirando dou dois passos a frente, apenas para observar – com certo espanto – um cenário se formando ao meu redor. Talvez seja minha mente brincando comigo, mas talvez, só talvez... seja algo mais.

...

O chiado e a luz que se acendem a minha frente são as mesmas que revelam aquele cenário distorcido pela quarta vez. Tenho a impressão que os vi mais vezes do que isso, mas como demorei a me dar conta acabei contando apenas os momentos dos quais me recordo. Não faço ideia do que está acontecendo, mas desconfio que tem a ver com o par de morangos que sempre encontro no meio do caminho.

Descobri algumas coisas nesse meio tempo, conheço o cenário ao meu redor e encontrei um padrão curioso que sempre me leva a um ponto específico naquela fase de videogame. Isso mesmo, eu estou em um tipo de jogo e as pessoas ao meu redor já estão todas programadas para me derrotar. Não sei como vim parar aqui, mas desconfio que tenha algo a ver com a maneira que adormeci no chalé de Demeter. Eu sabia que algo lá estava estranho, a ansiedade que me dominou antes que eu caísse no sono não poderia ser considerada normal.

Existem muitos sinais além dos que já disse que me fizeram descobrir essa fase em específico. A primeira é que de alguma maneira eu sempre “morro” ou “reseto” a fase – não encontrei termos melhores para descrever minha situação – então volto para o início e tudo se repete. O início é sempre branco, a luz cega meus olhos, o chiado incomoda meus ouvidos e a fase toma forma por completo antes de me jogar em um cenário cheio de livros.

A estrada há minha frente não tem mais nada além disso, livros por toda a parte encadernados em couro marrom é que formam prédios, casas e uma cidade inteira de conhecimento. Os títulos mudam e nem todos estão na mesma língua, alguns emitem brilhos mágico e outros parecem totalmente inofensivos, mas a maioria possui a mesma característica horripilante de criação.

Isso mesmo! Criação.

Tudo que eu toco ganha vida, basta um mínimo roçar de dedos sobre as capas de couro e pronto, um novo personagem surge a minha frente para me ignorar completamente. Exceto eles... a dupla de morangos! O que não faz o menor sentido!

Eu adoro morangos, pois embora sejam meio excêntricos são ótimos ouvintes. Porém depois de chegar aqui e me deparar com essa dupla em especial estou começando a questionar que diabos está acontecendo, eles me fazem duvidar de mim mesma e chega um momento da fase que simplesmente não consigo controlar a vontade de devora-los. E eis que vem o último motivo que me faz ter certeza de que essa fase não é real, mas sim um fruto de uma ilusão, um sonho ou alguma manipulação psicológica.

Nesse lugar não existe noite, é sempre dia e dios sabe que isso não é possível. Estou aqui há horas... esse fenômeno é simplesmente surreal, como um gatilho que me obriga a focar a mente, me impedindo de ficar totalmente presa aquela realidade.

— Eu acho que estou enlouquecendo. No sé lo que está sucedendo aqui! Resmunguei para mim mesma. De nuevo Avery, de nuevo!Incentivei antes de estalar os músculos e começar a correr por entre os livros, evitando tocar neles o máximo que conseguia.

Estar ali era o mesmo que se sentir presa em um labirinto, existiam milhares de caminhos, escolhas e incertezas. Alguns eram estreitos e outros pareciam não ter saída, mas todos em algum momento me levavam até aquele mesmo ponto. O livro era grande e não existia uma maneira logica de evita-lo. Eu precisava passar por baixo dele para chegar ao outro lado e fazer a fase continuar, mas toda vez que isso acontecia os morangos saltavam para me dar conselhos. Então seguíamos em trio pelo labirinto com eles gritando incentivos e me guiando.

E lá estava ele mais uma vez.

De ponta cabeça e com as páginas abertas formando um triangulo gigantesco, apenas aguardando que eu fosse envolvida por seus braços e como das outras vezes é exatamente isso que acontece. Tento me espremer e passar para o outro lado, mas parte do meu corpo roça de leve nas páginas dos livros e então eles saltam e param bem a minha frente.

— Eu sou Oggie! — Grita o primeiro.

— E eu sou Angie — O segundo completa antes de ambos gritarem em uníssono.

— E nós somos morangos! — Os dois abrem os braços e abrem sorrisos alegres, me arrancando um suspiro longo e pesaroso, afinal minha teoria era de que para vencer a frase eu precisava evitar essa dupla estranha.

— Bem-vinda a terra do quem nunca, você está preparada para responder a pesquisa misteriosa antes de continuar? — Oggie me perguntou, já sacando sua folha cheia de perguntas enquanto seu irmão fazia o mesmo.

Outro suspiro escapou dos meus lábios, eu não tinha como escapar, não tinha como evitar eles, então era melhor terminar logo com tudo isso.

— Não posso responder seu questionário porque todas as perguntas presentes nele não são fatos relevantes na minha vida, aliais eles se quer existem — Comecei franzindo a testa antes de completar. — Eu não tenho um melhor amigo — Encarei o primeiro seriamente. — Eu não faço ideia do que é Néctar e Ambrosia — Desviei o olhar para o segundo.

— E não, eu não acredito que o acampamento é real, embora esteja me questionando seriamente sobre isso, porque se é aquilo é esquisito isso aqui é ainda mais! Aliais essa realidade é completamente impossível... Livros? Fala sério, minha mente é mais criativa do que isso. — Resmunguei baixinho, fazendo os morangos baixarem as pranchetas e me encarem de maneira curiosa.

Era a primeira vez que isso acontecia e por algum motivo isso me pareceu muito familiar. Aliais agora que parava para reparar neles também percebia que suas feições pareciam conhecidas, o que soava praticamente impossível porque 1: Morangos não tem feições e 2: Eles eram exatamente iguais.

Bufando cortei o caminho entre eles e segui em frente sozinha, afinal sabia que eles me seguiriam mesmo sem eu pedir. Conselheiros do labirinto literário – era assim que os morangos se determinavam – precisavam garantir que eu estivesse em segurança.

Eu tentei, juro que tentei ignorar o falatório, mas minha mente estava confusa o suficiente para que eu permitisse que os morangos me guiassem mais uma vez para o caminho estreito dos livros. Ali era difícil não resvalar – mesmo que sem querer – nos livros de couro e cada vez que eu fazia algum personagem aleatório saia de dentro dele. Harry Potter, Branca de Neve e até os Minions pareciam tornar meu caminho cada vez mais estreito. A turma do Sítio do Pica Pau amarelo se juntou a eles e até a lagarta azul veio para completar a festa, e todos, absolutamente todos me encaravam.

Os personagens não falavam, os morangos sim, mas parecia que seus olhares continuavam a me dar indícios e pistas do que estava acontecendo. Eu trombava neles o tempo todo, mas como explicado... eles não me diziam absolutamente nada.

— Ela não faz ideia do que está acontecendo não é mesmo? — Oggie questionou seu irmão.

— Suspeito que ela nem sabe onde esteja — O segundo concordou.

— Ela devia ter nos escutado — Continuavam, como se ela não estivesse presente.

— Pelo menos ela está indo pelo caminho certo — Mordi o lábio com força, então parei bruscamente e me virei para eles, bem a tempo de ver Lilo e Stich saltarem de um livro de couro infantil.

— Podem, por favor parar de falar como se eu não estivesse aqui? — Perguntei mal-humorada antes de cruzar os braços.

Em sincronia os dois passaram um zíper sobre a boca e piscaram inocentemente.

— Ótimo — Respirando fundo continuei seguindo em frente, sentindo meu corpo começar a pesar e minhas pernas doerem no caminho. Eu estava com fome de novo, mas não uma fome comum e sim atordoadora. Eu podia sentir o desejo pinicando minha língua e podia sentir minha cabeça nublando com aquela sensação. Meu estomago estava raso, dolorido e foi aí que percebi que tinha chegado naquela parte do percurso.

Se seguisse o roteiro mais uma vez iria acabar caindo na tentação novamente, morderia um dos morangos e saciaria a sensação que dominava meu corpo, mesmo sabendo que isso “reiniciaria” o meu sonho.

— Ela sabe que temos a chave para sair daqui? — Os morangos começaram a tagarelar novamente, me deixando vermelha de raiva enquanto pisava mais duro e seguia em frente.

A sensação de fome se tornou mais ardente e o caminho entre os livros diminuiu mais uma vez. Respirei fundo sentindo que poderia sufocar. Mais personagens pularam ao meu redor, os 40 ladrões e Aladim bloquearam o caminho a frente, tive que seguir pela esquerda e adentrar mais fundo do labirinto, cada vez mais vermelha e suada.

Parei bruscamente para prestar atenção ao meu redor. O que eu não estava vendo?

Tinha que ter alguma coisa, minha mente estava cheia de teorias, mas nenhuma era boa o suficiente para me explicar o que estava acontecendo. Afinal era obvio que aquele lugar não era real e eu estava começando a ter certeza de que o acampamento meio sangue era, porque apesar de tudo ele ainda tinha traços que o tornavam bastante realistas. Naquela realidade nada era realista, era tudo tão confuso e diferente que minha mente parecia querer entrar em combustão.

Sufoquei o ataque de pânico e respirei fundo, então decidi fazer a única coisa que até o momento não tinha conseguido e me virei para os morangos novamente.

— O que eu não estou vendo? — Questionei temerosa, eles eram os únicos ali que poderiam me ajudar já que os demais personagens não falavam, apenas me deixavam mais perdida com seus olhares de: Eu sei o que você faz aqui, mas eu não vou te contar.

— Para resolver seu enigma você precisa responder uma de nossas perguntas corretamente — Angie respondeu docemente, parando de um jeito extremamente suculento a minha frente.

Ele era vermelho, docinho e parecia tão tentador que minha boca chegou a salivar. Mas engoli a vontade de morder um pedaço dele antes de me virar para seu irmão igualmente suculento.

— E que pergunta é essa?

Os morangos se entreolharam e sorriram entre si, como se eu finalmente tivesse aceitado algo.

— O que torna uma história real? — Angie e Oggie perguntaram juntos, me fazendo franzir a testa.

— A crença, o autor, o sentimento que ela passa, são muitas coisas! — Respondi incerta. — Histórias são feitas de elementos, cenários e emoções — E passam tudo isso também... completei mentalmente.

Eu passava horas na biblioteca do orfanato, viajando entre mundos e desejando ser um personagem. Por muito tempo acreditei que se me aventurasse por entre os livros não estaria sozinha, afinal os livros de alguma fora poderiam me tornar real. Eram uma boa maneira de escape, uma forja de viajar sem nunca sair do lugar, de conhecer pessoas, descobrir coisas, lugares... aprender sobre eles.

— A resposta não está correta — Angie respondeu confuso antes de olhar seu irmão.

— Olhe em volta Avery, o que você está vendo? — Oggie incentivou.

— Livros, muchos libros por toda parte, miles deles!Expliquei abrindo os braços exasperada por não conseguir encontrar aquela resposta por mim mesma.

— E o que mais? — Angie se inclinou para frente, aumentando aquela vontade, aquela sede em minha garganta. Mierda! Eu queria muito morde-la.

Respirei fundo e fechei os olhos, buscando tudo que tinha visto no cenário até aquele momento. Livros empilhados, corredores brancos, luzes por toda parte, o dia claro que me fazia pensar que a noite nunca viria e...

Personas... Respondi no impulso, vendo os olhos dos morangos crescerem de tamanho enquanto adquiriam um brilho único de desenho animado.

Ao longe, também pude ouvir um grito de “aleluia” como em músicas de desenho.

Sin personas ... no hay histórias Meu coração acelerou com essa constatação, mas também me fez perceber algo. Um bebê abandonado em frente a um orfanato também não tinha história, mas isso não significava que ele não podia encontra-la, afinal, alguém tinha que ter deixado ele ali. — Exatamente como eu, eu preciso de pessoas para fazer a minha história, encontrar a minha história.... — Murmurei para mim mesma, perdida enquanto encarava meus dedos em meio àquela revelação.

Ao me dar conta disso mais pensamentos surgiram em minha mente e quando ergui o olhar percebi que os livros tinham sumido junto aos suas milhares de personagens. O cenário ao meu redor agora não passava de uma sala branca e os morangos tinham se transformado em dois rostos conhecidos. Haru e Quiron, as pessoas que me abrigaram.

— E eu sei exatamente por onde começar a procurar....

Sorri ao perceber isso, porque finalmente tinha me dado conta.

O acampamento meio sangue.

Era real.

...

Despertei ofegante sobre a cama do chalé 6. Meu coração estava tão acerado que podia senti-lo batendo em meu estomago. Minha testa estava suada e do lado de fora ainda não tinha amanhecido, o quarto estava escuro e minha coberta estranhamente quente. Eu estava sonhando o tempo todo, mas esse sonho, tão esquisito e cheio de sentimentos fora exatamente o que me fizera perceber que de alguma maneira eu tinha encontrado uma casa e agora, só precisava buscar por uma maneira de me encaixar.



@
Avery Hernández
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Filhos de Demeter
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