The Blood of Olympus
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[CCFY] The Fire below the Mountain

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Mensagem por T'zza Roth em Sex Mar 22, 2019 5:26 pm

Leia com atenção, por favor:
Olá leitor, tudo bem? Eu espero que sim.
Essa história tem seu início dois anos atrás, justificando o sumiço de T'zza Roth no acampamento durante o início da guerra e todo seu confronto posteriormente todo o desenvolver da guerra. Espero que goste da narrativa, temos muita coisa para contar até lá.

Don't you know? This is the future you've always
dreamed


Chapter 1: Conhecendo Ornn.


Sob as luzes fantasmagóricas daquele fliperama, as cores mortas do neon pareciam espalhar com mais facilidade o vermelho vivo e incandescente que se espalhava a cada martelada no ferro aquecido. O suor na minha pele descia pelas minhas costas, ficava em meus braços sempre aquecidos pela proximidade com o fogo e ocasionalmente escorria pelo meu rosto, sempre pegando no canto dos meus olhos e trazendo a velha ardência que eu já estava acostumado. Ao fundo, o som dos tiros se misturavam em único ritmo junto das marteladas como se cada batida do martelo no metal fosse um novo impacto; uma nova explosão guiada também pelo som dos arcades, dos gritos nos jogos de luta ligados para ninguém ou do ritmo acelerado nas máquinas de pinball. No fim, esta era minha pequena orquestra, ouso dizer. Este era meu lar, ainda que escondido e afastado dos demais, eu precisava me esforçar para manter o meu refúgio e, com isso, quero dizer que eu precisava trabalhar para aqueles que lutavam por mim nas guerras.

Já fazia algum tempo que eu voltei a caminhar, você sabe bem, está acompanhando minhas crônicas já fazem alguns anos, não é? De lá para cá, eu não fiz muita coisa a não ser trabalhar, trabalhar e trabalhar ainda mais em novos projetos e novos mecanismos que pudessem me ser úteis algum dia ou que fossem servir à algum propósito de alguém. Relacionamentos? Tive uma breve amizade e um certo interesse em uma jovem loba mas não foi algo que consegui fazer ir mais para frente, o trabalho e a dependência das máquinas me chamou de volta para perto do fogo e é aqui que eu vivo na maioria do tempo - quando não dormindo na poltrona atrás do balcão do fliperama com os pés apoiados sobre o balcão, estou jogando sozinho nesse lugar que chamo de casa ou trabalhando em novos equipamentos para o arsenal já que todo o dia sempre chegam e saem semideuses do acampamento. Deveria ser eu um daqueles que sempre estava saindo do acampamento, em missões, como outros veteranos faziam mas... Eu não queria ir em nenhuma missão. Eu não me sentia pronto para nenhum tipo de missão ou de aventura que pudesse encarar pela frente até aquele momento. Sejamos francos, eu não estava pronto para nada por que no fundo ainda me sentia levemente covarde mas sabia que uma hora ou outra eu precisaria sair do acampamento e, se fosse para sair, que houve um bom motivo - um ótimo motivo aliás por que eu não desejava voltar para casa de mãos vazios ou sequer sem adquirir um pouco de experiência, por menor que fosse.

Você deve estar se perguntando o que é essa tal coisa tão importante que está me fazendo sair de casa depois de meses escondido no subsolo, não é verdade? Vamos dizer que o motivo é algo pequeno, provavelmente com uma perna maior que a outra e o que esse ser tem de deformação certamente ele tem de rancor, consegue adivinhar quem seja? Vamos repetir para ter certeza que você pegou tudo certinho, tá? Mantenha a casa trancada e as luzes apagadas, eu não quero ter uma nova surpresa com a conta de luz que nem tive no mês passado, está bem? Cancela os registros faciais de todos que tenham passado por aqui, eu não quero ninguém dentro de casa que não seja eu, entendeu, Avarosa? Perguntava para o sistema operacional que tomava conta de toda a casa e então suspirei mais uma vez ao me virar para encarar meu pequeno paraíso particular já que essa poderia ser a última vez que eu olhava para minha forja na vida. Ninguém sabe como lidar com meu pai, nem mesmo a Lupa sabe então acho que é bom estar preparado para qualquer coisa, não é? Dói deixar nossa história para trás, mesmo que por alguns dias, mas eu precisava ir atrás de alguém que certamente teria as respostas que eu precisava e a experiência que eu desejava obter. Desligue as luzes, Avarosa. Até daqui a duas semanas. Sussurrei e esperei até que todas as luzes se deslizassem para finalmente abrir a porta de casa e sair para o dia claro e ensolarado que estava fazendo lá fora no acampamento. Eu, realmente, preciso sair de casa mais vezes... E era um fato, sabe? Eu tenho pele morena mas daqui a pouco estaria parecendo um vampiro e sim, antes que você pergunte, existem vampiros negros e caso sua mente esteja te confundindo, lembre-se de Blade, ok? Vesti a mochila que carregava em minhas mãos, sabe que era um objeto sem fundo era algo que me trazia um certo conforto, sabe? Quem sabe a sorte de itens que talvez eu pudesse conseguir por lá, não é mesmo? Talvez conhecendo papai sem nem mesmo ter visto ele pessoalmente, acho bem difícil que ele me dê alguma coisa mas não custa nada tentar... Custa? Eu sou filho dele, vai que ele resolve me dar um presente depois de vinte aniversários sem nem sequer manter uma notificação no facebook ou afins. Passei a bandoleira do meu rifle por cima do meu ombro esquerdo em diagonal para o direito, deixando a arma pendurada do meu lado enquanto terminava de guardar os cartuchos de balas nas caixinhas e colocar estas na mochila.

Levou um tempinho pra achar as forjas do meu pai aqui nos Estados Unidos, sabe? Eu sei que ele se divide entre sua contraparte grega também e que alguns de seus filhos rezam para ele todos os dias em busca de uma benção na hora de fazer suas armas, é, eu também faço minha fézinha quando estou trabalhando mas me pergunto se algum deles já resolveu ir diretamente à fonte do problema e, nesse caso, eu quero especificar claramente se algum filho de Vulcano - ou Hefesto - já tinha tido coragem de ir atrás de nosso pai em suas forjas para aprender com o mesmo. Lupa achava que essa seria uma péssima ideia e, lá no fundo, eu também achava. O cara poderia me incendiar em um instante! Ou acabar comigo só de se transformar em sua forma divina diante dos meus olhos! Talvez explodir uma erupção bem abaixo dos meus pés e, como um gêiser de magma, me fazer desaparecer desse mundo mas admito que sou teimoso como o próprio e quando estou determinado então eu juro que viro um pé no saco de tão chato que sou. Era o que eu queria, foi para isso que eu me preparei mentalmente e se ele gostasse de mim desse jeito ou não, o que eu posso fazer? Estive estudando, durante todo esse tempo, as coordenadas das forjas e percebi que uma vez a cada quatro meses, meu pai sempre visitava sua forja localizada no Monte Santa Helena por, em tempo passados, ter sido alvo de uma espécie de ataque de Saturno e conhecendo bem meu velho, ele não gostava nem um pouco quando mexiam em seus brinquedos. Bom, eu o entendo... Não gostaria nada de voltar pra casa e ter alguém brincando no meu fliperama particular. Comentei em voz alta antes de chamar pelo táxi das irmãs, mais uma vez, uma escolha nada sensata para se fazer em uma aventura por que as três tinham apenas um olho e passavam mais tempo brigando para ver quem ficaria com este do que prestando a atenção na direção. Eu passei por tantos momentos de susto nessa viagem que eu poderia contar quantas vezes vi Leto aparecer de relance, me dando um singelo tchau cada vez que eu me aproximava demais da morte por conta de algum acidente que poderia ser causado por essas loucas.

Eu cheguei nas proximidades do Monte um dia antes do que imaginava que meu pai chegaria, descansei em um quarto alugado no condado de Skamania e partir ao amanhecer para meu destino enquanto falava para os mortais que estava indo fazer uns estudos no vulcão adormecido. Não menti para eles, eu estava, de fato, indo estudar com alguém que deveria estar naquele lugar a uma altura dessas - ou ao menos era o que eu estava esperando até então. Subir o monte foi uma das tarefas mais complicadas que eu poderia ter enfrentado na minha vida mas eu estava com tanta determinação, tamanho meu foco que eu sabia que nada poderia me parar até minha escalada.

A vista do topo do vulcão para todo o condado era linda. A vista para dentro da forja de meu pai era tão incrível ou quem sabe até mais bela que a vista para toda a vila. Com receio, me aproximei do que seria aquele ferro velho de coisas antigas e quebradas que tanto ouvi falar dos semideuses mais velhos que tinham capacidades de puxar armas diretamente do cemitério de armas do nosso pai. Então é isso aqui o cemitério de armas? Quer dizer, um dos, né? Papai tem tantas coisas aqui que eu nem sei por onde começar a pesquisar para aprender mais... Acho que um dos erros mais banais que se pode cometer nas forjas de Vulcano é justamente tocar em suas coisas, não é? O arrepio foi instantâneo, assim que retirei o martelo de batalha do seu canto, eu senti o olhar nas minhas costas e a sensação não foi nem um pouco calorosa ou agradável. Pai? Eu perguntei assim que me virei e encarei o homem que me observava com um olhar sério e distante. Sua expressão fechada e carrancuda era bem aquilo que minha mãe descrevia do homem pelo qual se apaixonou e me teve. Eu lembro de ter soltado sua arma quebrada por um breve momento e então veio o ruído. O som era como se fosse o de um trovão explodindo bem lá no fundo e se misturava com o som grave de uma trombeta. O solo abaixo de nós começou a tremer e quando eu caí de joelhos, ele continuou andando para dentro da forja e do calor incessante do vulcão. Espera! Eu gritei enquanto tentava ficar de pé mas o chão não parava de tremer, mas que inferno! Pai, me espera! Eu preciso falar com o senhor! Gritei e então me dei conta de que o chão não estava tremendo por conta de um terremoto ou por conta do início de atividade daquele vulcão, não. O chão tremia por conta de um enorme animal que estava vindo em minha direção.

Negro como a noite, brilhante como um diamante feito da mais profunda escuridão. O enorme animal parecia muito com um bode e seus chifres retorcidos estavam marcados com runas que pingavam em magma recente. Assim ele vinha, em chamas na minha direção, aliás, todo o animal estava banhado em fogo enquanto corria para mim, como uma enorme bola de fogo. Merda, merda! Resmunguei antes de tomar o martelo de novo em minhas mãos e começar a correr para a entrada da forja enquanto a fera me seguia. Eu precisava fazer alguma coisa, eu precisava tomar alguma atitude por que convenhamos que apenas correr seria estupidez, não é? O bicho era muito mais rápido do que eu e, sendo bem sincero, eu nem quando foi que eu comecei a girar aquela marreta acima da minha cabeça pois minha mente trabalhava a mil por hora e só foi se ligar na realidade que estava vivendo de novo quando, por um milagre, eu acertei o bode na altura do queixo e o fiz recuar alguns passos com o impacto. A arma? Essa foi embora, o animal não sentiu o impacto mas a arma foi completamente despedaçada. Eu não sabia o que fazer além de sair da forja e correr pelas árvores. De alguma maneira, aquele bicho ficou parado na entrada da forja e começou a bater seus chifres em armas e autômatos quebrados próximos à entrada como se isso fosse aplacar sua fúria. De longe, eu voltei a chamar pelo meu pai mas acho que isso só serviu para fazer o animal correr atrás de mim até o começo da descida do monte e assim me vi obrigado a voltar para o meu lar improvisado.

Você deve estar pensando que isso foi uma atitude idiota, não é? Deve ser por isso que os semideuses não procuram por seus pais, eles sabem que vão ser ignorados ou então, forçados a se afastarem por forças maiores só que eu sei muito bem de quem sou filho e de quem eu puxei toda essa teimosia para conquistar tudo aquilo que eu quero. Sei que sou capaz de chamar a atenção do velho e eu vou fazer isso, quer ele queira ou não; eu sei ser bem chato quando eu quero e no dia seguinte lá estava eu de novo na entrada da forja chamando por Vulcano e gritando para que ele viesse apenas me responder algumas perguntas - eu precisava de ajuda para ser alguém maior, alguém melhor e poder lutar como todos os outros faziam mas sem um rumo ou um guia era tão difícil quanto lutar às cegas e, mais uma vez, o enorme bode se ergueu do solo e veio em minha direção com sangue nos olhos. Dessa vez, eu usei uma lança para afastar a criatura até o ponto de retorno e me vi forçado a voltar para o condado pela segunda vez, pela terceira, quarta, sexta, décima, décima segunda e por fim, décima quarta vez quando seria o dia em que meu pai passaria a visitar outra forja ou visitar outro lugar ao qual fosse chamado e agora, pelo visto só daqui a quatro meses ele voltaria. Eu sentia a raiva me comendo por dentro, sabe? Eu sentia a frustração me devorando e me alimentando como se fosse uma chama interior muito forte e estivesse pronto para lançar aquele fogo para todos os lados possíveis. Eu queria apenas provar meu valor diante de Vulcano, ser capaz de fazer ele me ouvir ao menos uma vez e me ensinar mais sobre a arte das forjas mas ele era irredutível. Irredutível... Eu repeti, erguendo minha cabeça que antes estava entre minhas pernas e, ainda com lágrimas correndo pelos meus olhos, olhei para o Monte novamente. Eu tinha um plano mas, se daria certo ou não, isso eu já não sabia responder por que, se falhasse, talvez eu nem existisse mais e, ainda que desse certo, também existia uma pequena chance de que isso causaria minha morte.

Todos os dias pela manhã, eu repetia o mesmo roteiro: Acordava cedo, escovava meus dentes, usava o banheiro, tomava um café da manhã mega reforçado e subia o monte para lutar contra aquele enorme bode de obsidiana - que soube depois de quase cinquenta dias, após finalmente conseguir tocar em sua pele depois de tanto tempo - e finalmente descia no começo do entardecer para estar em casa ao anoitecer, jantar e dormir para me preparar para um novo dia. Foram necessários cem dias até que a fera tombasse, estilhaçada depois de pesado bem aplicado em seus chifres. Lembro como se tivesse sido ontem quando eu lutei com a fera pela última vez. O fogo se apagava depois de um momento e o magma se endurecia em seus chifres, formando uma espécie de proteção e casca que causava ainda mais dano com o impacto dos seus chifres depois de uma forte cabeçada. Cada impacto que eu levava desse monstro era um medo diferente de morrer afinal, ele podia estar me jogando na direção de armas afiadas com suas lâminas voltadas para mim ou poderia me esmagar debaixo de suas patas. Hematomas? Eu tinha vários pelo corpo assim como cortes das vezes que fui jogado contra as armas ou queimaduras quando tentei parar a criatura em chamas mas eu percebia as rachaduras em seus corpo e sabia que, assim como eu, ele estava cedendo também. Estavam cansado dessa luta diária mas eu não falharia, eu não estava pronto para falhar por que isso significava muito mais do que simplesmente morrer; significava não ter atingido meus objetivos e não ter atraído a atenção de meu pai para mim. Quando peguei o martelo de batalha feito de vibranium foi que, de uma vez por todas, coloquei um fim naquela história e venci às custas de muitas armas que meu pai pensou não serem boas ou prestativas para o combate. O que era um lixo os seus olhos, fora extremamente gratificante para mim.

Cento e vinte dias havia se passado desde a primeira vez que vi Vulcano. Vinte dias se passaram desde que venci o seu monstro e estava escalando o monte Santa Helena pela centésima primeira vez. O cemitério de armas estava uma zona, isso eu precisava admitir e entendia o olhar do homem enquanto pegava as armas quebrada e analisava os pedaços negros do seu enorme bode que vivia me perseguindo. Eu o venci. Falei alto o suficiente para que me escutasse da entrada. Vulcano parou o que estava fazendo e finalmente olhou para mim, sem diminuir ou deixar de estar sempre frustado com alguma coisa. Eu vim até aqui para aprender com o senhor, pai. Não há ninguém no mundo que possa se comparar com o senhor e eu não deixarei que essa chance escape novamente. Soltei a mochila no chão e então me aproximei do homem a passos lentos, pesados e determinados. O meu olhar era como o dele, eu sentia que havia esse pequeno elo entre nós dois no quesito de teimosia mas Vulcano continuava sendo uma coisinha persistente em não me deixar chegar perto! Ele se abaixou para pegar o chifre daquele bode e então passou a mão por cima do material e foi como se o mineral derretesse até surgir por baixo dele um pesado e retorcido chifre negro com runas vermelhas incandescentes como a própria magma do vulcão onde estávamos. Vulcano soprou o chifre e eu percebi finalmente que aquilo era a corneta que chamou aquele bode da primeira vez. Peguei o primeiro machado que vi e então girei este acima da minha cabeça enquanto esperava o monstro vir mas... Mas ele estava menor e não parecia tão forte quanto a primeira vez que o enfrentei. No susto a arma voou de minhas mãos e foi parar justo de várias outras. Enquanto o animal vinha até mim, Vulcano suspirou de forma pesada e quando olhei para ele, este arremessou o chifre em minha direção. Faça bom uso do Guardião das Forjas. Eu estava tão confuso que nem soube o que responder, quando estava próximo de me atingir, o animal freou de maneira um tanto brusca e atrapalhada, como se fosse de fato um filhote e tombou próximo a mim. Se lançou, coçou os cacos no chão e então me atingiu com a cabeça de maneira fraca mas forte o suficiente para fazer andar dois passos para a esquerda. Pai, eu... Eu agradeço mas eu vim aqui para... Então Vulcano começou a caminhar para dentro de sua força e eu sabia que estava o perdendo mais uma vez. Eu corri em sua direção, soltei o chifre e o chamei mas ele apenas estendeu a mão em minha direção e de repente uma mão feita de metais estava me segurando pela cintura. Essa mesma mão me erguer muito, muito alto e de repente me soltou próximo ao meio da floresta onde havia uma trilha que indicava tanto a descida quanto subia do monte. Próximos à trilha estavam minha Sauron quebrada, minha mochila sem fundo e dentro dela, de maneira quase encantada, estava a ponta negra do chifre saindo para fora.

Vulcano podia não me querer por perto, é, eu sei, mas isso não me impediria de continuar tentando e tentando afinal, filho de peixe, peixinho é, não é mesmo? Se ele pode ser teimoso para conseguir as coisas, eu também posso ser e eu só voltarei pra casa com a certeza de que aprenderei o máximoq que posso com aquele que é o melhor dentre todos nós.

Recompensa da primeira parte (?):

Ornn (Clique no nome para ver a imagem meramente ilustrativa)

Descrição: Apresentado por Vulcano como O guardião das Forjas, Orrn é uma enorme cabra-montesa feito inteiramente de obsidiana e outros metais por dentro que o reforçam e endurecem seu corpo a ponto de o tornar tão resistente à armas de impacto ou perfurantes na maioria das vezes. Se trata de uma criatura única, feita pelo próprio Deus das Forjas para aquela situação e proteção de seus locais de trabalho. Ornn é, comparado a sua versão orgânica, muito maior e bem mais pesado também chegando a medir dois metros e meio de altura e pesar aproximadamente duzentos e cinquenta quilos. Seu par de chifres tem por volta de dois metros de envergadura, sendo perfeitamente por eles que o semideus guia o animal em caso de estar o utilizando como montaria.

Personalidade: Forte, leal e teimoso. De início é tempestuoso mas no fim, chega a ser dócil com aqueles que considera digno.
Classe: Lendária
Tipo: Elemental – Fogo, mágico.
Nível do mascote: 1
HP e MP: 100/100
Lealdade: 1
Quantidade no mundo: 1

P.S.: Montarei as habilidades caso o mascote seja aceito.

Poderes passivos:
Nível 1
Nome do poder: Reparos Rápidos
Descrição: Filhos de Hefesto/Vulcano conseguem consertar aparatos mecânicos rapidamente, gastando metade do tempo que uma pessoa comum levaria para tal.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Conseguem concertar qualquer coisa em apenas dois turnos.
Dano: Nenhum

Nível 4

Nome do poder: Pensamentos Velozes
Descrição: Os filhos de Hefesto/Vulcano possuem uma capacidade de analisarem rapidamente a situação em que se encontram e criarem uma estratégia param se safarem dela.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Ganham um turno para conseguirem agilizar mecanismos e armadilhas, e assim, criarem algo para ganhar vantagem perante a batalha.
Dano: Nenhum

Nome do poder: Força I
Descrição: O filho de Hefesto/Vulcano é mais forte que um semideus comum, podendo inclusive ser comparado a Ares/Vulcano, ou se igualar a eles nos primeiros anos de treinamento – os filhos de Ares/Marte ainda podem supera-los na força – e isso tudo devido ao trabalho continuo nas forjas. Os meninos geralmente ganham músculos avantajados, e mesmo que não o tenham, sua força ainda é superior, as meninas idem, mesmo sem os músculos.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +10% de força.
Dano: +5% de dano em golpes físicos relacionados pelo semideus, ou que exijam a forja avantajada.

Nível 9

Nome do poder: Sensibilidade Mecânica
Descrição: O filho de Hefesto/Vulcano  pode detectar falhas em minérios de metal e identificar o tipo de maquinaria e uso por toque.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Sempre saberá o que está errado e como concertar
Dano: Nenhum

Nível 10

Nome do poder: Pericia com Machados e Martelos II
Descrição: O semideus evoluiu conforme o esperado, ele sempre teve certa facilidade em lidar com armas pesadas, e agora mostra como isso pode ser verdadeiro. Os machados e martelos em suas mãos são armas perfeitas, consegue fazer movimentos únicos, mesmo que ainda cometa erros.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +35% de assertividade no manuseio da arma.
Dano: +15% de dano se arma do semideus atingir.

Nível 12

Nome do poder: Resistencia ao Fogo II
Descrição: Agora o fogo magico também não incomoda o filho de Hefesto/Vulcano como a maioria, ainda sofre alguns danos, e se machuca, mas adquiriu uma resistência natural, que impede seus ferimentos de serem mais graves.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Ataques relacionados a fogo magico agora são 30% menos efetivos em filhos de Hefesto/Vulcano, e o dano também é 30% menos nele.
Dano: Nenhum

Armas usadas:
Toda a sorte de armas velhas, quebradas e "inúteis" que seu pai deixou no seu cemitério de armas próximas à entrada da forja.


Our memories will be lost in time... Like tears in the rain.


Última edição por T'zza Roth em Ter Abr 02, 2019 12:18 am, editado 1 vez(es)
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[CCFY] The Fire below the Mountain Empty Re: [CCFY] The Fire below the Mountain

Mensagem por Afrodite em Dom Mar 24, 2019 5:19 pm


Avaliação
Método de avaliação
Valores máximos que podem ser obtidos

Máximo de XP da missão: 4.000 XP

Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

Realidade de postagem + Ações realizadas: 45%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc: 16%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência: 27%

RECOMPENSAS: 1.760 XP e dracmas + criação do mascote
Comentários:
T’zza,
O valor da sua XP foi reduzido em 50%, pois você pediu a criação e validação de um mascote lendário, que lhe foi permitido. Gostei bastante do enredo no qual você se inseriu, e sua narração é bastante interessante. Porém, o desconto em gramática aconteceu não somente por causa dos erros e palavras faltantes que encontrei – além de erros de digitação que podem ser corrigidos com uma revisão rápida –, mas também por causa do tamanho da letra do seu template e da falta de travessão antes das falas dos personagens. Peço encarecidamente que organize isso nas próximas postagens, ou os descontos serão maiores.
Aurevóir!




Aphrodite
Love's Goddess
heartbreaker
Afrodite
Afrodite
Deuses Olimpianos
Deuses Olimpianos

Localização : Olimpo

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[CCFY] The Fire below the Mountain Empty Re: [CCFY] The Fire below the Mountain

Mensagem por T'zza Roth em Ter Abr 02, 2019 12:18 am


Don't you know? This is the future you've always
dreamed


Chapter 2.1: Mudar, adaptar, evoluir.


Eu acho que já falei disso algumas vezes no capítulo passado e pode ser que esteja sendo repetitivo mas a intenção é para ser: Eu não me dou por vencido quando as coisas começam a dar errado e se eu consegui me levantar de uma cadeira de rodas, eu posso muito bem convencer um ser divino a me dar um estágio em uma de suas forjas com toda a certeza! Talvez ele me explodisse nesse processo teimoso e pentelho? Bom, isso era uma possibilidade que passava pela minha cabeça enquanto eu escalava a porcaria do Monte Santa Helena mais uma vez. Eu não vou desistir aqui. Eu não vim de tão longe para isso. Talvez Vulcano fosse capaz de ouvir minhas preces em meio aos meus sinais de teimosia e mau humor, com o suor escorrendo pela minha pele enquanto eu respirava ofegante para recuperar o fôlego e continuar subindo; não era o medo de cair que me assustava ou as chances de ser arremessado para baixo igual como aconteceu anteriormente nos últimos dias, era simplesmente a possibilidade de tentar e não conseguir que me deixava preso à essa agonia que era a experiência de estar perto do meu pai.

Hoje devia fazer quase seis meses desde que sai do acampamento para uma viagem que planejava ficar por apenas dois meses. Meu dinheiro acabou, minha comida estava no fim e as peças de roupa estavam um caco mas eu não me permitia pensar na possibilidade de voltar para casa, quer dizer, não sem antes conseguir meu estágio. Na hora eu admito que não seria uma cena engraçada por que eu estava puto, com sangue nos meus olhos e determinado a entrar naquela forja ao lado do meu pai mas agora, relembrando da cena e vendo por um outro ângulo de vista, isso teria sido hilário: Eu estava todo suado, a camisa cinza estava metade preta e a outra metade cinza devido o suor que se espalhava pela roupa. Meu cabelo trançado deviam estar todo desfiado, começando a se desfazer por falta de cuidados e quem diria que eu conseguiria me virar tomando banho em um lago ali perto e lavando minhas roupas ali também, né? Aliás, meu pai via esse tipo de coisa também? Será que ele parava para observar essas coisas? Se... Será que agora você vai me ouvir? Perguntei enquanto respirava fundo, recuperando meu fôlego depois de correr para a entrada do vulcão adormecido e dar de cara com o homem e seus equipamentos no colo. Vulcano me olhou de cima a baixo, eu tenho certeza que ele devia estar me julgando tal qual eu fiz quando isso tudo passou e, durante alguns segundos ficou em silêncio antes de voltar a caminhar para a entrada da forja e basicamente me ignorar como sempre fazia. Será que você pode ao menos falar comigo! Dar um sinal de vida, sei lá! Me xingar, me mandar para casa ou dizer qualquer coisa que não seja essa sua cara de bunda quando você me agarra com todos esses metais e me manda para o começo da floresta praticamente!? Eu exclamei enquanto descia a pequena colina até o ferro velho que ficava logo na entrada daquela forja e foi nesse momento em que o Deus parou, fincou a espada no solo instável do vulcão e eu percebi as chamas cobrirem o metal em uma labareda feroz. Isso fora o suficiente para me distrair do homem que se aproximou de mim com uma velocidade incrível para alguém manco - depois de uns instantes é que eu me lembrei que o cara, por mais que fosse um deficiente, era um Deus e sua velocidade era incompatível com a minha, assim como tudo que ele fazia. Vulcano me pegou pelo braço e nesse momento eu achei que ele fosse me explodir em cinzas já que sua mão era quente, tipo, bem quente. Eu olhei no fundo de seus olhos castanhos escuros e ele apenas aliviou o aperto, sacudindo meus braços por um momento enquanto dava a volta no meu corpo. Você disse que estava aqui por um motivo, certo? Para aprender comigo fora o que disse, estou certo? Nesse momento eu senti a minha espinha gelar, isso é, se ela pudesse gelar. Talvez tenha sido uma pequena falha na eletricidade da coluna? Eu tremi sob um arrepio involuntário. Eu estou te fazendo uma pergunta, rapaz. Foi para isso que você veio aqui? Vulcano tornou a repetir e eu concordei com a cabeça de forma automática antes de perceber que ele queria uma resposta concentra. S-Sim! Vim até aqui para aprender com o senhor mais sobre a arte da... Papai subitamente ergueu a mão, estava de frente para mim e seus dedos, ainda manchados de preto por conta da graxa mas visivelmente quentes da forja, quase encostavam no meu nariz quando fez isso. Eu pisquei assustado e ele não estava mais lá, o barulho veio nas minhas costas e era o homem recolhendo peças e armas do ferro velho para provavelmente fazer de matéria prima para uma nova criação? Está fraco. Não vai aguentar o tranco e isso eu consigo saber só de olhar para você. Talvez não tenha sido uma das melhores coisas para se ouvir, eu sei. A gente sempre espera por um contato carinhoso ou pelo menos amigável com nossos pais por parte divina mas as vezes eles não tem tanta empatia assim e eu consigo entender meu velho agora, depois de velho, por que como a convivência com a matéria orgânica para nós, ferreiros, é um tanto complicado. Para mim sempre foi complicado. Eu me virei imediatamente para falar com Vulcano sobre sua acusação e que eu estava sim, forte o suficiente mas repentinamente senti uma ardência em minha coluna e, quando percebi, estava de joelhos diante do Deus das Forjas. Você deveria medir cautelosamente suas palavras, rapaz. Meu temperamento é como o deste vulcão e ultimamente ambos estamos não estamos nem um pouco adormecidos. Ainda sim, mesmo com essa ardência na coluna e toda a repreensão do meu pai em não me deixar me aproximar, eu senti em mim a vontade implacável de continuar e lentamente arrastei meus dedos até uma espada próxima. Vulcano estendeu a mão e um machado de batalha veio até seu punho em chamas mas quando percebeu que eu estava usando a lâmina apenas para me apoiar e me erguer, aparentemente ele relaxou. Ou foi o que demonstrou. Se eu me preocupasse em ser chamado de fraco, eu sequer teria levantado daquela porcaria de cadeira de rodas, sabia? Eu não vim até aqui para me tornar forte, para ser mais poderoso - eu vim para aprender e não vou sair desse lugar até você me aceitar; eu não vou parar de vir até aqui, quantas vezes forem necessárias até você me ensinar mais sobre o que fazemos de melhor, sobre o que você faz durante milênios para todos os Deuses e semideuses! Provavelmente era um curto nas configurações da coluna pois eu só lembro de sentir a fraqueza nas pernas e então sentir o impacto do meu peito contra o braço do meu pai antes de cair no chão e apagar.

A primeira sensação que tive ao acordar foi o calor, estava quente demais para meu gosto mas ainda sim, confortável de certa maneira. De repente o clima parecia mudar e resfriar levemente enquanto a luz trêmula piscava no teto negro. Eu me coloquei de pé, minhas costas doíam mas era apenas uma sensação passageira. Eu caminhei na direção da luz e dei de cara em uma porta de metal negro, finalmente percebendo que estava em uma espécie de quarto todo apagado e que aquele lugar certamente não era o mesmo quarto onde passei os últimos meses dormindo. Ao abrir a porta, o ar quente veio de encontro ao meu peito seguido da sensação harmoniosa ecoando no ar que era o martelo se chocando contra o metal aquecido e o que poderia ser o próprio vulcão respirando. Demorei muito a entender que aquela respiração dentro do vulcão, pulsando em chamas e magma, não era bem o próprio lugar vivendo mas sim a respiração da forja, a própria respiração do meu pai. Não preciso dizer que ainda estava fora de mim quando encontrei o homem trabalhando sob a bigorna em mais uma de suas invenções. Vejo que enfim você acordou, hein? Não fazia ideia de quanto tempo os humanos tendem a dormir quando estão enfraquecidos e precisei recorrer da ajuda de Febo para tratar de você. Eu me aproximei do centro da forja e o lugar, que mais parecia uma sala que mesclava a tecnologia com a luz pulsante do magma correndo entre as rochas, traziam tons que misturava o real com a fantasia. O universo cyberpunk e toda a magia presente com o steampunk. Você mal chegou e já me causou trabalho, sabia? Foi um porre precisar explicar para ele que eu não estava tratando de uma humana e sim de um filho que estava insistindo para trabalhar como e... Ei! Você está prestando a atenção em mim? Vou ser sincero em dizer que eu nem percebi o que estava fazendo até que a mão calejada de Vulcano tomou o livro de minhas mãos. Eu pisquei algumas vezes antes de sacudir a cabeça e tentar me desconectar daquele transe que estava passando por estar finalmente dentro da forja de meu pai e conhecer seu local de trabalho por dentro. Pequenos robôs correram por baixo das minhas pernas, entre elas, indo na direção da fogo para retirar o item que ali descansava. Me... Me desculpa. Eu sussurrei enquanto voltava a encarar meu pai que, a essa altura, estava folheando o livro. O deixei em silêncio até que ele fechasse o objeto e então, para minha surpresa, me devolveu com certa calma nos olhos. Robótica? Você é mesmo filho de sua mãe, garoto. Ela teria um orgulho e tanto de você... Isso me pegou desprevenido. Foi como um chute forte no meu pé de apoio e um soco forte no meu rosto para me nocautear por que foi por muito pouco que não me desfiz em lágrimas enquanto segurava o livro mais próximo do meu peito. O... O senhor acha? Perguntei enquanto voltava a acompanhar Vulcano que caminhava de volta para a bigorna onde parecia estar fazendo uma espada muito bem trabalhada. O material era algo que eu nunca tinha visto ou sequer trabalhado antes. Se eu acho? Ela teria ido a loucura se visse o que você fez com sua coluna mas não que isso seja uma coisa boa ou ruim, ela poderia surtar por você ter ficado anos em uma cadeira de rodas mas saber que você deu a volta por cima seria algo que a encheria de orgulho sim. Vulcano martelou o metal e as faíscas voaram, pegando na minha cintura e finalmente me fazendo perceber que eu estava sem camisa e vestindo uma calça diferente da qual eu usava quando fui ali da última vez. Quando foi que eu...? Então minha frase foi interrompida por mais um impacto do martelo e pela respiração profunda de Vulcano que ecoou por todo o vulcão. Três dias atrás. Você estava febril, sua coluna estava dando falha em alguns fios e você parecia ter contraído alguma doença. Febo me instruiu a como cuidar de você então, se quiser agradecer à alguém, agradeça a ele. Eu concordei com a cabeça em silêncio e esse foram os segundos de silêncio mais longos da minha vida. Eu apenas observei com atenção o trabalho de meu pai enquanto continuava com o livro em meus braços. Ele fazia a forja parecer algo tão natural que mesmo hoje, depois de tanto tempo, ainda sinto arrepios só de lembrar de quando vi seu primeiro trabalho pronto.

Eu nem sei quanto tempo se passou desde que um de nós falou alguma coisa mas fora Vulcano quem quebrou o silêncio primeiro. Você que a produziu? Eu demorei um pouco a entender o que ele estava se referindo e, quando percebi que se tratava da coluna, concordei brevemente com a cabeça. Tem certeza de que não foram nenhum de seus irmãos? O homem perguntou enquanto se aproximava de uma bancada e, com um bater de palmas, um pequeno banco de ferro surgiu próximo de si. Um autômato veio até ele trazendo o que eu imaginei ser uma cerveja ou algo assim por sua aparência. Eu sei bem o que eu produzi. Fiz isso usando uns quadrinhos antigos de mamãe como inspiração e usando de alguns pontos de vista científicos que eu tenho para a vida. Nesse momento o autômato que trouxe a cerveja para meu pai estava vindo em minha direção com uma caneca também. Eu a apanhei e ofereci um brinde ao próprio Deus antes de tomar um gole. Era uma cerveja tão amarga e forte quanto o próprio Deus das Forjas pelo visto, claramente foi uma péssima ideia aceitar e eu precisei deixar a bebida de lado. O corpo humano interage através de impulsos e estímulos elétricos produzidos pelos neurônios que ligam todos os nervos do nosso corpo à coluna vertebral. Uma vez encontrada a frequência, religar um membro perdido ao nosso corpo é fácil até, sabe? Perguntei antes de me apoiar sobre a bancada de ferramenta e assistir meu pai tomar um longo gole da cerveja enquanto pensava. Interessante... Ele começou antes de colocar a cerveja no braço da cadeira e então se levantar e seguir mancando até uma estante para pegar algumas ferramentas. Vulcano pegou os materiais de forja necessários para se montar uma adaga e então diversos tipos de metais. Você não queria trabalhar comigo? Estágio era o que você estava falando antes de apagar, não é? Venha, me mostre o que sabe fazer. Pediu enquanto apontava para a bigorna e eu me aproximei de todos aqueles metais e materiais. Alguns eu conhecia, já tinha tido contato com eles antes mas outros eu nem fazia ideia do que eram! Peguei uma placa de vibranium e analisei completamente antes de botar em outra bigorna, fazendo assim com todos os materiais que eu desconhecia e começando a trabalhar com aqueles que eu já conhecia ou tinha trabalhado. Vulcano me disse que queria adagas iguais feitas todas com a lâmina de um metal diferente e eu preciso dizer que a tarefa, por mais fácil que pareça, não era menos complexa. Uma coisa é trabalhar com materiais que você está acostumado, em um lugar descompromissado e tranquilo como sua própria forja e outra é você está forjando em um lugar diferente com seu pai, o Deus das Forjas, te julgando pelo seu trabalho.

Talvez outro ponto interessante sobre isso é que, ali embaixo, eu sequer tinha noção de quanto tempo havia se passado lá fora além do fato de que passei três dias dormindo desde que subi o monte pela última vez. Meus braços? Doloridos, exaustos e ainda sentia espasmos do trabalho depois de tanto martelar por algumas horas seguidas o resultado do meu trabalho. Vulcano pegou as armas que eu fui, analisou-as com cuidado e então passou a arremessar as adagas contra as paredes de obsidiana que formavam sua forja. Muitas adagas entortaram enquanto outras simplesmente explodiram suas lâminas ou se desmontavam após o choque. Eu senti o ar faltar em meu peito enquanto via meu pai aplicar esse tipo de teste com meu trabalho e no fim ele foi atrás de cada arma e as colocou sobre a bigorna onde eu trabalhei. Vamos por partes, nesse caso, literalmente. Me surpreendi com o breve momento de senso de humor do meu pai mas isso morreu quando ele pegou a faca de vibranium que estava completamente destroçada e inutilizável. O que você tem a me dizer sobre essa arma aqui? Eu gelei e então peguei a arma de sua mão, analisando a destruição feita e tentando ver as possibilidades de se trabalhar novamente naquela arma mas... Não dava. Estava longe de ser consertada. Pai, me desculpa... Eu nunca havia trabalho com vibranium antes e eu tentei fazer o meu melhor para fazer uma arma funcional e... Vulcano novamente me calou erguendo a mão, como havia feito anteriormente e eu respirei fundo para o ouvir falar e me aplicar sua bronca. Uma arma é um instrumento poderoso na mão de um sábio guerreiro mas também pode ser fatal se não for bem criada ou estruturada. Nós, que trabalhamos com a forja, somos tão importante nessa guerra como os filhos de Febo ou os curandeiros, você consegue entender? Suas palavras marcavam em minha mente, como ferro quente na pele e eu apenas concordei com a cabeça, visivelmente chateado. Não é a mim que você pede desculpas, é para os amigos do semideus que provavelmente morreu por que sua arma quebrou. É para os amigos daquele semideus que você fabricou uma armadura que não resistiu o tanto que deveria por que você não soube ser sincero e assumir sua falta de conhecimento para tal trabalho. O dinheiro ou o desespero para se provar algo são duas coisas que vão te quebrar ao meio se você se apegar demais a isso, principalmente aqui. Por fim, Hefesto pegou uma adaga simples feita de bronze celestial que ainda estava inteira e com seu fio praticamente impecável. Raspou no dedo e o sangue dourado escorreu de seu indicador. Ao contrário daquela arma, essa continua boa mesmo depois de um impacto violentíssimo. Consegue entender onde eu quero chegar? Assuma seus erros, suas falhas e sua falta de conhecimento; isso são coisas que vão te fazer crescer com o tempo, te tornaram mais experiente e eu espero que menos estúpido para colocar a vida de alguém em perigo. Ele girou a arma em sua mão e a arremessou no teto da forja, pregando a arma entre centenas de espadas e outras armas brancas presas ao teto, de tamanhos e modelos tão variados que eu nem sabia como começar a listar todos eles. Sua lição de casa é aprender sobre esses materiais e estudar eles, saber mais sobre como tratar eles. Estude como se seu, ahn, estágio dependesse disso.. Isso eu já faria mesmo se ele não me lembrasse mas um autômato chegou até mim e me pediu para retornar ao quarto. Ele estava com os livros indicados para estudo dos metais e já estava me empurrando para fora enquanto eu ouvia, ao fundo, um Vulcano dizer. Ah, e tenha uma área de testes em sua forja! Você nunca se sabe quando vai precisar testar uma arma antes de entregar ela para seu comprador!

E assim começou meu período de estágio.

Continua no próximo post.


Our memories will be lost in time... Like tears in the rain.
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V Coorte
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Mensagem por T'zza Roth em Ter Abr 02, 2019 4:11 pm


Don't you know? This is the future you've always
dreamed


Chapter 2.2: Mudar, adaptar, evoluir.


Se eu faço alguma ideia de quanto tempo se passou desde que vi meu pai? Não, eu não faço. Chutando por alto, acho que o homem me deu coisa de uma semana ou pouco menos para absorver todo o conhecimento que poderia vir daqueles livros e sobre os relatórios de seus trabalhos assim como, também, relatórios de trabalhos feitos por outros semideuses que ali estiveram. Eu que achei que fui o primeiro filho de Vulcano a decidir fazer estágio com meu pai estava é muito que enganado; muitos outros fizeram ao longo dos anos e alguns deixaram escritos maravilhosos com dicas valiosas para se trabalhar cada um dos materiais mas todos, ou grande maioria deles, sempre voltavam para uma mesma temática, uma mecânica repetitiva de formular seus projetos e fazer suas armas que... No fundo me dava até certo tédio analisar. O robô bateu em minha porta e a abriu assim que respondi. Ele veio me dizer que meu pai estava me esperando na forja e eu apanhei os livros para seguir até o local indicado pela máquina com um sorriso radiante nos lábios, ah... Eu e minha doce inocência. A começar que nem mesmo um bom dia eu recebi, Vulcano estava inquieto naquele dia e andava tantas vezes de um lado para o outro que estava começando a me deixar tonto. Você leu os manuscritos e relatórios que eu te dei? Os projetos? As armas? Concordei pacientemente com a cabeça e o Deus voltou a se concentrar em seus próprios pensamentos. Eu me aproximei de um dos computadores velhos ali largados e limpei a tela da máquina e seu teclado sem pressa enquanto meu pai estava preso em seus próprios dilemas. De repente a máquina desligou e eu olhei para um Vulcano que estava com a cara fechada e bastante preocupado. Preciso que você faça as armas indicadas nos projetos, ouviu bem? A guerra se aproxima do seu fim, eu sinto isso, e nosso papel é fundamental para a vitória do Olimpo. Eu já havia entendido a importância de um ferreiro em uma batalha e sabia que, por mais que estivesse ali para aprender, meu pai não estaria o tempo inteiro tomando conta de mim como uma babá, convenhamos. Ele era um deus e eu era apenas seu filho, ele tinha muito mais a fazer do que simplesmente me dar algumas aulas de forja. Faça conforme o protocolo. Voltarei em alguns meses para buscar as armas. E dito isso, Vulcano se dirigiu até uma sala que sacudiu e brilhou ferozmente quando meu pai se desmaterializou para outro lugar. Me pergunto se algum dia veria Hefesto ali, naquela forja ao invés de estar falando com a sua versão romana e isso me fez rir.

Os pequenos robôs se aproximaram e eu me lembrei do que era pedido no projeto, mais uma vez me pegando suspirando enquanto analisava o trabalho a ser feito e seguido de maneira tão metódica e banal que parecia ser um porre. Fala sério! Eu nunca consegui entender o motivo dos filhos de Vulcano - ou quiçá de Hefesto - sempre se utilizarem de artifícios e mecanismos steampunk quando somos os únicos, ou talvez parte dos poucos, filhos ou protegidos de algum deus que podem usar a tecnologia a seu favor. Era estupidez continuar preso ao passado, não viver o presente ou sem pensar e projetar o futuro!  Talvez nesse quesito eu fosse mesmo mais filho da minha mãe do que do meu pai por que havia uma diferença gritante entre esses dois sobre a visão da tecnologia em armas, armaduras e acessórios. Minha mãe, por mais tenha sido uma mera mortal, teve alguns escritos guardados a respeito da tecnologia daquela época onde se conheceram e o livro de robótica, aquele mesmo que eu estava lendo dias atrás, me contaram que havia sido dela. Me pergunto se ela já veio aqui alguma vez e, se sim, talvez um dia teria me contado? Ela não me contou de papai durante todos esses anos que esteve viva, talvez sequer pudesse me falar ou nem sei dizer se estaria afim de o fazer mas, considerando o tanto que ela deveria gostar daqui e gostar do meu pai, sabia que eu viria para cá e não demoraria muito para isso acontecer. Talvez fosse só questão de tempo, hum? Pegar experiência, uns anos de vida e ganhar maturidade antes de começar a trabalhar com ambas as partes, mortal e divina, trabalhando com ferramentas e porcas e parafusos e tecnologia. Você não precisa ser um gênio como o Akinator para saber que eu estava fazendo merda a uma altura dessas, precisa? Se você se perdeu até esse ponto aqui, relaxa, vamos recapitular a história de maneira calma e tranquila para que você possa entender - ou do contrário você reler esse arco desde o início, é curtinho, ainda estamos no início. Vulcano, meu pai, queria que eu produzisse armas e armaduras para meus companheiros de acampamento pois ele tinha essa espécie de feeling que a guerra estava próxima mas não sabia dizer sobre o quão próxima do fim ela se encontrava. As coisas para o velho precisavam seguir o padrão arcaico da coisa ou, do contrário, punições e broncas educativas nada agradáveis seriam aplicadas e foi aqui que eu cometi minha primeira cagada: Apliquei meu desejo tecnológico nas armas que meu pai queria que fosse apenas armas, sem firulas ou efeitos, apenas efetivas.

Quando Vulcano voltou, me levou até uma sala onde, segundo o próprio, era sua sala para testar as armas antes de entregar tais para os semideuses ou para os Deuses que estivessem precisando. Ele apanhou as espadas que eu tinha feito e as usou, golpeando placas de metal e autômatos mais resistentes de forma que as armas não encontraram tamanha dificuldade para serem efetivas mas, como sempre... Sua dificuldade para me ouvir é algo que precisa ser conversado, T'zza. Eu olhei para meu pai, tirando os olhos do livro sobre robótica por um instante e então erguendo uma sobrancelha, sinal entre nós dois para que o outro pudesse continuar a conversa sem ser interrompido. O que eu lhe disse sobre inserir a tecnologia nas armas? Ele me perguntou e eu marquei a página do livro antes de fechar o exemplar e suspirar de maneira intensa e pesada. Não usar a tecnologia é quase como desperdiçar o ouro para os mortais, isso não faz o menor sentido! Podemos trabalhar com a tecnologia, podemos amplificar a força de nossas armas e ainda sim, nos prendemos a mecanismos antigos e banais! Por que isso? Então Vulcano de repente estava na minha frente, o caderno que tinha em mãos era o meu de anotações e ele o lançou aberto na bancada onde eu estava apoiado com o meu projeto desenhado. A resposta é simples, meu rapaz: Nem todo mundo é meu filho para brincar com a tecnologia sem ser abocanhado por um monstro na primeira oportunidade. Bingo, uma resposta rápida e um corte bem dado em meus argumentos. Seu dedo sujo de graxa tocou a folha do meu caderno sem manchar a página e isso me deixou encucado. O que é isso aqui? Ele perguntou enquanto apontava para o desenho de uma mão ligada a um extensor. O desenho não estava perfeito mas, na minha cabeça, fazia sentido. Eu estava determinado a falar, a resposta ousada estava na ponta da minha língua mas quando olhei para o rosto do meu pai, eu só... Senti vergonha em dizer. É... É apenas um projeto... Comecei e o homem então tirou o dedo, levantou o caderno e parecia estudar ele. Tecnológico pelo visto, não é? Por fim ele colocou o caderno no lugar mais uma vez e suspirou, empurrando o mesmo na minha direção. Eu me mantive em silêncio e quando Vulcano percebeu que eu não tinha o que falar, continuou. Sabe meu rapaz, eu não estou aqui para brigar com você. Não estou aqui para o colocar para baixo, para impedir de trabalhar ou de expressar suas ideias mas sim colocar um direcionamento nelas. Eu entendo que você queira trabalhar com tecnologia afinal, sua mãe era uma expert nisso mas você precisa entender que nem todos os semideuses podem trabalhar com isso já que, para eles, mexer com a tecnologia é algo fatal e extremamente perigoso. Vulcano moveu as mãos e uma das armas que eu havia feito estava ali, sobre a bancada, desmontada e inutilizada. Ele suspirou antes de passar a mão na arma que foi se separando magicamente de todos os mecanismo tecnológicos que eu havia posto na peça. Entendo sua boa vontade mas eu preciso também que você entenda com o que está lidando e como vai fazer daqui para frente, percebe? Agora, voltando ao seu projeto, nunca tenha vergonha do que você está criando. Nunca tenha vergonha de sua invenção, por pior que ela seja; abrace sua ideia, assuma seus riscos e então faça ou não de acordo com sua vontade sabendo que isso poderá um dia ser uma benção em batalha ou uma maldição se estiver na mão do inimigo. Ele virou o caderno na minha direção de forma que eu pudesse ler o projeto, que estava desenhado de forma bem melhor e aparentemente modificado, e me mostrou um sorriso pela primeira vez. Eu sei exatamente do que se trata mas quero ouvir de sua boca qual é seu plano com isso aqui e então saberei se isso vai dar certo ou não. Ele perguntou e eu pude sentir meu rosto se puxando em um sorriso empolgado antes de começar a falar.

Se eu vou te contar o que eu disse para ele? É, eu vou te contar, calma! Relaxa, caramba! Deixa eu explicar algumas coisas antes, pode ser? Obrigado. Então, começando que antes de fazer isso eu assumi a responsabilidade de refazer todas as armas ao invés de deixar que meu pai trabalhasse nisso e, portanto, eu tinha um intervalo de tempo curtíssimo para refazer as armas, armaduras, escudos e afins que poderiam ser utilizados em combate durante aquela guerra e é exatamente aqui que você me pergunta: Poxa T'zza, e como é que você vai fazer tantas armas em pouquíssimo tempo? A resposta é simples, meu jovem padawan sem conhecimento em forja, hahaha! Braços extras. Eu respondi para Vulcano, que me observava sentado em uma banqueta de metal. Em sua mão, a caneca de cerveja e na outra, um óculos para leitura. Me surpreende que você tenha tido esse tipo de ideia anos depois de ter feito a coluna, sabia? Sua mãe teria feito esses braços quase que instantaneamente. Meu pai comentou enquanto balançava a perna boa no ar e a manca continuava travada no mesmo lugar. Eu dei uma risadinha vendo essa cena, admito. Do jeito que mamãe era uma geek fervorosa, eu não duvido não, sabe? Mas a ideia aqui não foge muito que eu tinha visto nos quadrinhos, quer dizer, é mais voltado para isso mesmo do que outra coisa. Vulcano concordou com a cabeça e movimentou sua mão direita como se pedisse para que eu continuasse falando então foi o que eu fiz. Eu não terminei esse projeto então não decidi ao certo quantos braços farei ou se vão ser mesmo braços, se farei garras ou afins... E foi nesse ponto que meu pai se levantou, andou mancando em minha direção e tomou o caderno da bancada com a maior calma do mundo para fazer mais alguns estudos. Isso vai ser usado para sua forja e seu trabalho? Em silêncio, concordei com a cabeça e ele voltou seus olhos para o projeto. Pretende usar isso como uma arma? Bom, agora estava ficando interessante. Eu poderia usar isso como arma? Se sim, como? Se as pontas fossem como mãos, eu não poderia fazer os braços tão grossos a ponto de serem extremamente resistentes por que ficariam pesados e, com tamanho peso, minhas costas não aguentariam. Se eu fizesse garras, precisaria reforçar os braços mas, em troca, duas bastariam para machucar meus inimigos de maneira eficaz só que, em contrapartida, seriam péssimas para se usar durante o trabalho nas forjas. Fazer algo que funcione tanto para o trabalho quando para a funcionalidade de uma arma não é algo tão fácil quanto parece, meu rapaz... Requer tempo, atenção e principalmente... Então o momento de epifania me veio, aquele choque de pensamentos que nos surge do nada trazendo a resposta certa para o dilema torturante que estamos enfrentando e, antes que meu pai pudesse concluir sua fala, eu me vi estalando os dedos e rindo. É isso! Disparos! Exclamei, virando o caderno para o Deus e então pegando uma nanquim nas mesas de trás. Se eu fizesse garras, sabe, como as do Octopus, eu poderia acabar ficando com muita dor nas costas por estar usando um metal muito reforçado e... Então me peguei pensando se meu pai conhecia o personagem mas pela cara dele e sua calma, ele sabia muito bem no que eu estava me preocupando por que apontou para o caderno e soltou. Eu sei quem é Otto Octavius, continue sua linha de raciocínio antes que ela se vá. Ele comentou e eu sacudi a cabeça para espantar a distração e voltar a falar. É, então! Se eu fizesse algo assim, não demoraria muito para estar todo torto devido o peso nas minhas costas mas, se eu fizesse algo menor e menos reforçado e com mãos nas pontas ao invés de garras, talvez não fosse a melhor maneira de ferir meus inimigos maaassss me ajudaria, e muito, no meu trabalho nas forjas, você entende? Perguntei para Vulcano e era óbvio que o homem entendia, ele só queria ver se eu estava entendendo bem o plano que estava montando por que, novamente, ele moveu as mãos como quem indica para seguir em frente. Eu estava tão empolgado que me sentia inquieto, tal qual meu pai no dia que me passou aqueles projetos. Talvez aja uma forma de se colocar disparos mecânicos nas mãos mas... Vamos nos focar em trabalhar primeiro com o que é mais urgente. Talvez tenha sido esse o comentário que despertou interesse do meu pai no que eu estava fazendo, ou planejando fazer.

O termo de compromisso com meu pai havia sido claro: Entregar 200 armas e 200 armaduras em um período de dois meses e, de quebra, preparar meu projeto antes que o homem voltasse mas não, nesse meio termo, nada que me impedisse de fazer o meu plano, certo? Ele queria ver o projeto todo encaminhado para fazer comigo mas não tinha nada dizendo que eu não podia inicia-lo enquanto Vulcano estivesse lá fora. Meus braços estavam doendo tanto, eu estava exausto de tanto martelar metais e moldar lâminas todo o dia, o dia todo, mas quando chegava a noite, eu sempre estava trabalhando de maneira dedicada em meu projeto. Com o tempo, aprendi a mexer na forja de meu pai e havia estabelecido um horário para encerramento das atividades para início dos meus estudos e nós vamos nos focar mais nele do que nas atividades em si - por que você certamente não vai querer me ver falando sobre como foi o dia martelando e metendo a mão em metal quente, limpando o suor na camisa e afins, quer? Isso é robótica básica, 101. Talvez meu pai esteja certo sobre fazer um diário dos meus trabalhos, nunca se sabe quando eu precisarei rever um projeto mas acho que fazer algo clássico como escrever em um livro ou um diário mesmo seja... Ultrapassado demais. Sussurrei enquanto buscava nas gavetas por gesso e por um kit de molde que eu já tinha visto em algum lugar por ali. Um autômato desligado estava largado no canto da sala. Isso por si só já seria estranho dentro das forjas do meu pai se não fosse o fato de que aquele robô estava sem um de seus braços. Certo, então eu devo ligar os fios aqui, aqui e aqui? Vamos marcar esses pontos como L1, L2, e L3 para ficar mais fácil. O modelo de desenho para meus braços estava sendo aquele braço mecânico. O cotovelo disso aqui está bem danificado, hein? O resfriamento disso não me parece tão adequado mas acho que é mais pela sua função, não foi feito para carregar peso então danificações nesse ponto não são importantes. Vale a pena anotar isso aqui também. Você deve estar pensando que anotar, desenhar e fazer alguns rascunhos seja uma tarefa simples, né? Vamos fazer um pequeno pulo temporal para a parte onde colocamos isso em prática, dez dias depois que meu pai saiu. A forja estava pronta, o fogo ainda acesso e os moldes prontos. As placas de arandur estavam em cima da bancada com os traçados já riscados por cima com caneta permanente. O horário marcava dez e trinta e sete da noite e contando. Vamos começar moldando o braço e retirando ele da chapa. Sussurrei para ninguém em específico, quer dizer, ninguém além de você que está lendo isso, e carreguei a placa até um cortador de metal onde fui moldando o metal no formado do braço estendido com toda sua expansão. Uma vez retirado o pedaço que garantiria o braço, era vez de retirar os dedos e estes eu cortei usando um cortador de plasma programado no computador central da forja por era bem mais rápido, prático e menos trabalhoso do que ficar retirando as peças de metal com o cortador. Enquanto a máquina começava a ligar e iniciar seu trabalho, era o momento de moldar o metal na curva de um braço. O arandur foi posto na têmpera, aquecido e colocado sobre um poste próximo à bigorna com uma bola de metal em sua ponta, que daria a curva para o metal se moldar como um braço. O trabalho começou martelando aquele metal até que ele estivesse curvo, como o começo de uma manopla e assim era vez de pegar uma nova placa e a moldar de novo na têmpera até que se formasse uma espécie de proteção para o braço mas sem a sua parte final onde se daria com a manopla e os dedos. Isso está bom? Não é pesado, não é muito largo e parece ótimo, hum? Duas marteladas breves no arandur e nada de amassar, isso era impressionante. Vamos deixar você em aguardo, meu amigo. Eu ainda preciso descansar e fazer outras coisas. E no dia seguinte, como você deve estar imaginando, eu fui construindo a extensão do braço graças a esse primeiro molde feito com base no braço do robô que estava com defeito. O lado bom de se fazer o trabalho com um braço bem mais fino que o meu era justamente de não precisar trabalhar horrores com isso, quer dizer, de fazer algo mega reforçado e... Eu poderia inserir uma segunda camada de placa por baixo da camada de arandur, algo que reforçasse o metal e não danificasse os braços... E que não fosse pesado também. E se você, por algum acaso, chutou em Vibranium, acertou. O molde para esse metal foi feito com metade do molde inicial já que sua intenção era servir como uma segunda camada para a fiação e impedir que metal fosse entortado ou quem sabe partido. Estava bem mais pesado do que eu gostaria. E mais complicado também. Talvez fosse melhor ter mesclado vocês dois para fazer algo descente... Sussurrei e ao invés de seguir o meu roteiro, lá estava eu, modificando os meus planos para trabalhar com a mistura de metais e suas propriedades afim de fazer uma chapa só única, leve e resistente o bastante da maneira como eu queria.

Esse era o sétimo dia desde que meu pai se foi. Esse é o sétimo dia seguido que estou quase sem dormir direito de tanto trabalhar, estudar e fazer meus próprios projetos. Isso precisa dar certo. Se não der certo, eu juro que eu vou me matar. Eu resmungava enquanto ligava os fios de cobre por dentro das placas de metal moldado que seguia do pulso até o cotovelo onde haviam pequenos engates e mecanismos de resposta à impulsos elétricos. As mãos estavam soltas, eu ainda não havia terminado a fiação delas mas já fazia testes nos "cotovelos" mas estes sempre quebravam ou travavam com o impulso elétrico. Eu estava perdendo as esperanças já quando misteriosamente eu entro no meu quarto e haviam diversas revistas em quadrinhos onde Octopus aparecia lutando contra o amigão da vizinhança. Não é para fazer similar ao corpo, faça maleável. Dizia o bilhete dentro de uma das revistas e olhando novamente para os desenhos, eu entendi o que meu pai quis dizer. Não era para seguir o padrão humano por que nós não fomos feitos com quatro braços e sim com apenas dois. Seguir esse padrão não me daria chances para expandir meu trabalho, apenas dor de cabeça. As placas de metais e testes feitos até então? Excluídos, deixados de lado. Não faria isso em minha própria forja, provavelmente estaria chorando pelo dinheiro gasto a troco de nada mas ali era como uma enorme loja de materiais sempre aberta e com tudo a minha disposição. Dessa vez, trabalharia diferente.

Não utilizaria arandur para essa criação, estava mais focado em fazer algumas modificações interessantes que me surgiram e quando fui ver, estava eu trabalhando com arambarium e vibranium. Placas maleáveis, T'z. Faz isso longo, como um tentáculo, não como um braço. Eu reclamava enquanto redesenhava o projeto todo de novo e voltava a tirar as medidas e moldes para aquele metal. Dessa vez, trabalharei fazendo duas camadas de metal diferentes, ligados diretamente pelo enlaçamento dos fios e da tecnologia e não apenas do metal e da forja. A primeira camada a ser trabalhada foi a de arambarium e que seria responsável por encobrir os fios de cobre e todos os mecanismos de resposta para mover os tentáculos. A segunda camada foi feita mesclando o vibranium em cortes "V" formando o que seriam escamas de placas de metal sobre o arambarium reto e maleável e semicírculos por baixo, protegendo a parte principal de quaisquer impacto ou chances de entortar, ser cortado ou enfim de ser destruído. Em sua ponta, os tentáculos tinham três dedos supostamente longos e que mais lembravam garras do que dedos verdadeiramente falando. Suas pontas eram feitas de vibranium mas não necessariamente eram afiados já que isso poderia estragar meus trabalhos na forja mas... Eficientes. Onde deveria ser a "palma" daquela mão, pequenos reatores foram colocados ali com uma câmera central ligada à máquina. Essa câmera era o que permitia a máquina de ver, interagir com o mundo e se localizar sozinha enquanto eu estivesse olhando para um outro lado. O brilho prateado-azulado, classicamente conhecido do arambarium, era o que iluminava os reatores e trazia essa luz fraca para a câmera enxergar, como se fosse nossa retina. Finalmente, ela estava pronta...

Era a hora de testar minha invenção. O lugar? A arena de testes que meu pai criou para suas invenções - ele havia dito para sempre testar minhas invenções então nada mais justo, certo? Diferentemente do comum que havia por ali, a sala inteira estava iluminada e havia algumas câmeras espalhadas pelo ambiente. Autômatos ainda me cercavam, conferindo a invenção e checando se estava tudo perfeitamente encaixado. Meu coração batia acelerado quando olhei para a câmera à minha frente. Meu nome é T'zza Roth e esse é meu registro de invenções para o futuro. Por que fazer um diário de invenções em um caderno mesmo, em pergaminhos ou sequer em um livro como fizeram meus irmãos e todos os outros que aqui estiveram era muito mainstream para meu gosto. Esse é meu primeiro teste da minha nova invenção. Então retirei o sobretudo e os tentáculos mecânicos começaram a se erguer, desengonçadamente, e a se bater antes de tudo. Foi um caos total, admito. Os autômatos se lançaram para meus tentáculos e houve uma confusão generalizada para fazer eles pararem e, se isso não fosse o bastante, a quantidade de robôs destruídos ou quebrados foi... Grande. Meu pai vai me matar. Foi apenas o que eu sussurrei antes de retirar os tentáculos das minhas costas com auxílio das máquinas e consertar os danos feitos um pelo outro. Novamente as luzes se acenderam. As câmeras ligadas mostravam um rapaz negro com olheiras e uma barba crescendo no queixo como se fosse um bode. Esse é o sétimo teste dos braços que eu projetei. Então retirei o sobretudo e os tentáculos se ergueram, subindo, subindo e então quebrando a luz e derrubando as câmeras ao invés de atender meus impulsos neurais para pararem. Claramente não estavam respondendo tão bem ao meu sistema nervoso como deveriam. Mais noites em claro, mais trabalho a ser feito. Meu nome é T'zza Roth. Disse para a câmera enquanto tomava uma caneca de café cheia até a boca. Meus olhos cansados refletiam meu esforço e dedicação para fazer aquilo dar certo. Esse é o trigésimo teste dos braços que eu criei, até agora consertamos a resposta neural e tiramos as falhas na programação e erros no sistema. Então, já sem o sobretudo, os tentáculos se ergueram do chão até o teto sem derrubar as coisas. Desceram devagar, lentamente vindo na minha direção e de repente um deles se soltou e o outro enlouqueceu voltando a quebrar as luzes. Meu pai claramente vai me matar por toda essa bagunça que eu estou fazendo. Disse no escuro, sem saber que a câmera ainda me gravava. Com a luz fraca do arambarium do tentáculo iluminando meu rosto, eu encostei no "olho" daquela máquina e suspirei lentamente o meu cansaço para fora. Eu não vou desistir de você, amigo. Você vai me ajudar muito daqui pra frente e nós vamos ter bastante trabalho para fazer daqui até a velhice. E assim chegamos ao último registro. Meu cabelo estava todo bagunçado, minha cara era claramente a derrota e o cansaço mas eu continuava em frente da câmera com a plaquinha de cinema em mãos com todas as informações necessárias. Nome meu é... Pausa para um longo bocejo e um gole de café também para ver se eu conseguia acordar. T'zza. Meu nome é T'zza e esse é o quadragésimo quarto teste dos braços que eu projetei. Sussurrei antes de colocar a placa de lado e então me posicionar onde devia, olhando para o teto. Que Vulcano me ajude. Sussurrei antes de erguer um dos meus braços e ser acompanhado prontamente pelo tentáculo do meu lado direito que se ergueu e apanhou a câmera no topo de uma estante. Abri um sorriso para ela, vendo o vídeo no computador central e então colocando a mesma sobre a bigorna. Com calma ergui a cabeça e os tentáculos se elevaram até o seu limite, se estendendo por doi metros e meio pela ampla sala de testes. Eu abri os braços para o lado e então suspirei. Quero um martelo. E logo um dos tentáculos agarrou um martelo e veio me entregar o objeto. Molde. E assim estava com o molde em mãos. Ferro. Cobre. Ouro. Titânio. E a todos os meus comandos, os tentáculos seguiam buscando os metais e trazendo até mim ou colocando eles onde eu pedia para que fossem colocados. Novamente, caminhei até a área marcada com um X na arena e senti o nervosismo batendo forte no meu peito. Os últimos testes disso foram complicadíssimos. Muito bem, vamos lá. Vamos lá, T'z, tá tudo bem... Eu apertava e soltava minha mão de forma rápida, tentando imitar as batidas no meu peito antes de suspirar e respirar profundamente. Vamos subir. Falei e rapidamente senti o chão sumindo dos meus pés. A sensação de estar no ar e ser elevado era algo maravilhoso, era ótimo! Estar quase três metrôs acima do solo era bom mas também causava um certo arrepio da velha sensação de falhar. Muito bem, vamos esticar! E dito isso, um dos tentáculos se soltou do solo e subiu até seu limite em direção ao teto e eu devo dizer que, vendo o vídeo depois, eu me sentia como uma obra de arte. O homem que vai do inferno ao paraíso, esse seria o nome do quadro ao ver que eu conseguia tocar o chão e o teto, cinco metros de distância entre ambos. Funciona! Eu exclamei antes de voltar ao solo e então fazer um high-five com cada tentáculo de tão animado que eu estava. Funcionamos! Caramba, eu nem acredito que funcionamos! Então voltei a realidade rindo, pulando e tão empolgado quanto uma criança que realiza um sonho. Cara, eu ainda não estou acreditando... Imagina o tanto de coisas que podemos fazer! Imagina o que você pode fazer! Então passou um segundo para respirar e a ficha finalmente caiu em minha cabeça. Imagina quando meu pai ver você; não! Imagina quando o Beorn ver você! Ele vai surtar! Acho que os dois vão surtar mas isso é... Então a risada cortou o momento quando Vulcano finalmente se revelou com a câmera em mãos gravando toda a minha momentânea felicidade. Um agradecimento por ter feito isso dar certo? Talvez. Você insistiu tanto nisso que eu precisei dar uma ajudinha. Ele soltou e então se aproximou, olhando para os tentáculos em minhas costas e soltando seu martelo no chão ao seu lado. Voltem. E os tentáculos se dobraram lentamente até ficarem com aproximadamente um metro de extensão, eles envolveram meu corpo em um abraço suave na altura da minha cintura e mais pareciam um cinto. Isso é uma invenção sua com um pouco de conhecimento meu. Considere isso uma prova da sua evolução e aprendizado enquanto esteve aqui. Então ergui minha sobrancelha e Vulcano lentamente suspirou antes de se dirigir até o computador e mexer em algumas coisas. Aconteceu alguma coisa, pai? Então ele me mostrou a destruição de algumas cidades e o caos que os monstros fizeram entre os semideuses e os mortais. Os seguidores de Nox estão indo longe de mais, meu filho... Receio que seja sua hora de voltar. Vulcano me disse mas antes que pudesse encostar a sua mão pesada em mim, eu segurei seu pulso sem fazer muita força pois não queria parecer um rebelde mas mantive meu olhar determinado em sua direção. Não, pai. Agora, mais do que nunca, é minha hora de trabalhar e mostrar o por que estou aqui. Então soltei a mão de meu pai e passei pela bancada para pegar a caneca de café que deixei ali. Com calma, os tentáculos foram se soltando de minha cintura e eu fui sumindo da visão do meu pai.

Se os acampamentos estavam em guerra, era meu dever fortalecer ambos e não apenas chorar pelos mortos.

Item criado:
Resultado do trabalho (Imagem meramente ilustrativa)

• Protocolo Otto [Tentáculos de metal criados pelo filho de Vulcano para o auxiliar não apenas com o trabalho nas forjas mais também em futuros desafios. Sua primeira camada, a parte de cima e protetora dos tentáculos, é feita com Vibranium em camadas de "V", similares a escamas. A parte de baixo do tentáculo possuí aros bem ajustados onde a camada de Arambarium não é vista mas seu brilho persiste entre os espaçamentos breves. A parte interior é revestida de Arambarium de maneira a facilitar que a eletricidade e trabalhos mágicos possam ser feitos nessa arma futuramente. Em sua ponta, os tentáculos tem três garras que não são afiadas e uma câmera onde deveria ser a palma, que lhe serve para interagir com o mundo e ter noção do distanciamento das coisas enquanto T'zza não estiver olhando para esse lugar. | Efeitos mecânicos: Quando não utilizados, esses tentáculos de metal se encolhem e envolvem o corpo de T'zza Roth em uma espécie de abraço e se unem em sua cintura como se fosse um cinto de metal. Podem se esticar até dois metros e meio e, devido sua resistência, podem facilmente aguentar o peso do rapaz para o erguer do solo nesse limite de altura. | Efeito 1: Ainda não aplicado. (Posteriormente será com a aplicação da gema) | Resistência Alfa | Espaço para uma gema | Status: 100%, sem danos | Comum | Item forjado por T'zza Roth]

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Our memories will be lost in time... Like tears in the rain.
T'zza Roth
T'zza Roth
V Coorte
V Coorte

Idade : 24

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Mensagem por Nêmesis em Ter Abr 02, 2019 8:26 pm


Avaliação

Método de avaliação
Valores máximos que podem ser obtidos

Máximo de XP da missão: 4.000 XP

Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

Realidade de postagem + Ações realizadas: 45%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc: 12%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência: 27%

RECOMPENSAS: 1.300 XP e dracmas + item
Comentários:
T’zza,
O valor da sua XP foi reduzido por alguns motivos. Vamos lá: O primeiro deles, é o tamanho minúsculo da fonte desse template. Além de me fazer forçar a vista, você fez parágrafos quilométricos, o que cansa de certa forma a leitura e adicionais da falta de travessões para indicar as falas e vários erros de digitação. São regras básicas do português que não se podem ser ignoradas e você foi alertado disso na avaliação anterior! Mais cuidado na próxima vez.
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