The Blood of Olympus
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The Seeker

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Mensagem por Beau G. Edmond em Dom Mar 17, 2019 7:09 pm

Tópico destinado a trama de Beau Garret Edmond


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The Seeker Empty Re: The Seeker

Mensagem por Beau G. Edmond em Dom Mar 17, 2019 7:33 pm

A Essência de Eros - parte 1
With: Kero || Where: Chalé de Eros / Jardim das Hespérides

A pós-guerra trouxe um clima mais ameno para o acampamento Meio-Sangue, os semideuses voltaram a suas rotinas diárias sem a pressão de se prepararem para a batalha e sem todo o medo que rondava o local. Eu era o responsável pela ronda dos guardiões lá naquele dia. Prezavamos pelo equilíbrio não só do Jardim, mas também dos dois locais que abrigavam semideuses. Assim que terminei de caminhar por entre a floresta que existia ali, um pequeno sentimento de saudade bateu no peito ao visualizar de longe o chalé de Eros. Decidi dar uma passada lá, e me assustei ao encontrar uma reunião de filhos do deus do amor logo na sala principal. O burburinho cessou assim que entrei, ficando aquele silêncio constrangedor com os olhares em minha direção, mas logo voltaram a falar, ignorando minha presença no local.

Era estranho ver aquilo ali cheio. Meu olhar percorria cada face presente ali, se eu conhecesse três deles, era muito. Um dos novatos, ruivo e de porte alto, que posteriormente descobri se chamar Paul, era o que encabeçava a reunião. Talvez, ele quisesse ocupar a vaga de liderança que estava disponível.

Por um momento senti falta do Kero, que dormia em um sono pesado no quarto do jardim, ainda se recuperando da guerra – pelo menos era a desculpa que ele dava. Por mais que eu soubesse que ele estaria reclamando do barulho, eu não me sentiria tão só. Era fácil perceber os olhares quando eu me aproximava. O que eu tinha? Não sei, mas era visível que não gostavam de minha presença ali, exceto pela Brynn. Uma garotinha de 8 anos que teve que carregar o fardo de ser semideusa precocemente, após a morte de seus pais adotivos.

Ela acenou para mim de dentro do circulo de conversa, provavelmente, também não estava prestando atenção na conversa do metido a líder. Correspondi ao seu aceno com um leve sorriso, foi quando finalmente me desconectei do transe de pensamentos e dei ouvidos a fala do ruivo.

— ... E por isso, Quíron escolheu a mim para essa missão. Permitindo que eu convidasse mais uma pessoa pra ela.

— Eu vou – respondi de imediato, sem pestanejar. Por mais que eu não soubesse do que se tratava, eu queria participar, queria mostrar minha participação diante o grupo dos filhos de Eros. Principalmente depois daquela recepção calorosa.

Após minha fala, pareceu que finalmente estavam interessados em mim: todos os rostos viraram em minha direção – mais uma vez. Alguns ficaram calados, outros fuxicavam com quem estivesse sentado ao lado. Segurei o riso por um instante, era engraçado ver aquelas reações.

— Talvez você não tenha entendido direito, Edmond – Paul exibia uma cara de desdém e falava em um tom quase que irônico — Quíron disse para eu convidar alguém. Eu.

— Então, por isso mesmo estou me oferecendo. Tenho tanta experiência em missão que qualquer outro aqui, se brincar, até mais que alguns.

— Mas não é um legítimo filho de Eros.

A fala dele saiu como uma flecha em disparada ao meu peito. Os outros herdeiros do deus recuaram seus corpos com a fala dele, olhando espantados para o ruivo, algo como se dissessem “ele falou isso mesmo?”. Eu fiquei um tempo sem reação, em silêncio. Então era isso o que pensavam de mim?

— Por que diz isso? – encarei-o diretamente nos olhos.

— Olha, com todo respeito, Beau – agora ele me chamava pelo primeiro nome — mas você não tem o arco como seu principal equipamento de batalha. Fora que você é um ioiô ambulante. Além de ser seguidor de outras divindades.

Passei a ponta dos dedões nos dois anéis prateados com cristal azul, a forma inativa de minhas correntes. Então era esse o problema? Não ter o arco como elemento principal? Não posso negar que uma certa raiva subiu meu corpo, me fazendo cerrar os punhos devagar. E ioiô? Talvez fosse uma referência as minhas idas e vindas ao acampamento.

— Pois bem, Paul... – respirei devagar, tentando não soar grosseiro [color=#413566]— sou mais filho de Eros do que algumas pessoas aqui – mais uma vez, meu olhar se fixou no mesmo — A preferência de arma não quer dizer absolutamente nada, muito menos a minha participação em outro grupo de semideuses – ele deu uma risada sarcástica.

— Tudo bem, Edmond – retornou ao estado natural de fala, me chamando pelo último nome — ainda sim, sou o líder da missão e eu convido quem eu quiser – Ele fitou uma garota loira dos peitões — Melissa vem comigo.

Eu não ia deixar aquilo terminar assim, meu orgulho não permitia que eu fosse ‘ofuscado’ na frente de outras pessoas daquele jeito. Então só me restava uma das armas dos filhos de tal erote: a mentira.

— Então infelizmente vou ter que falar com Quíron – todos tornaram a me encarar — Ah, eu não comentei? Mais cedo, ele me procurou para que eu liderasse essa missão. Eu neguei, disse que poderia passar para outra pessoa no chalé, pois não estava querendo liderar, entretanto, ele me disse para me juntar a equipe de missão pois sabia do meu potencial em campo. Por que acha que estou aqui no acampamento e não no Jardim das Hespérides? Acho que ele não vai gostar de saber que eu não fui escalado.

O metidinho estava me fuzilando com o olhar. Era possível ver as chamas de ódio em seus olhos, ele com certeza conseguiria lançar trilhões de ‘fire’ (poder dos filhos de eros com raiva) em cima de mim tranquilamente.

— Está certo, Edmond. Você vem com a gente.

— Três é o número do azar para missões, não? Quer arriscar mesmo assim? Garanto que sou um dos que retorna vivo.

Agora foi a vez da tal Melissa me encarar com raiva, ela quase que avançou em minha direção, mas foi impedida por Paul. Após a chantagem, ficou decidido que iríamos nós dois apenas, ou melhor, dois semideuses e um felino. Eu arrastaria o Kero nessa emboscada.

(....)

Retornei para o jardim, acordando o guardião mágico de seu sono após bater a porta do quarto com um pouco de força.

— Ahn? O que foi? O que houve?

— Nada, desculpa, volta a dormir.

Quando em sua forma pelúcia, ele dormia dentro de uma das gavetas que existiam na mesa de cabeceira. Eu tinha criado uma espécie de cama confortável para ele ali dentro, deixando a gaveta sempre aberta. Ele voltou a dormir na mesma hora, tornando a roncar em poucos segundos.
Me joguei de volta a cama para esticar as pernas, tinha que descansar até o horário combinado para a saída da missão.

(....)

De repente tudo mudou. Eu não estava mais em meu quarto, mas em algum templo grego em ruínas. Uma névoa cobria todo o ambiente, dificultando um pouco a visão. Aquilo era um sonho, definitivamente. Depois da descoberta do parentesco com Hipnos, esses tipos de sonhos se tornaram mais frequentes. Dei passos devagar por entre as colunas rachadas, até encontrar quatro grandes estátuas de crianças no centro do templo.

As figuras tinham arco e flecha em suas mãos e suas posições pareciam remeter uma dança. Demorei um tempo para perceber que nas costas de cada um deles existiam pequenas asas. Mas foi assim que notei que entendi quem eram ou onde eu estava.

— O templo dos Erotes – sussurrei.

— Exatamente – a voz masculina adocicada surgiu atrás de mim, me fazendo virar em sua direção — Filho.

Meus batimentos cardíacos aceleraram assim que o avistei: O homem loiro estava parado, sorrindo para mim, suas vestes era uma toga branca com alguns detalhes dourados e em seus pés uma sandália marrom estilo gladiador que subia até pouco abaixo do joelho. A típica imagem de um deus grego mostrada nos livros de história e em fantasias.

— Eros.

Era difícil não se constranger diante sua presença. Era possível que o poder dele relacionado a beleza e ao amor afetasse até a mim, seu filho? Curvei o rosto para baixo, na tentativa de esconder a vermelhidão em meu rosto. Eu queria gritar, eu queria pular em cima dele e batê-lo com meus punhos o mais forte que conseguisse para me vingar deste tempo todo sozinho. Mas meu corpo estava em uma calmaria toda, era como se eu não tivesse mais controle sobre ele.

— Eu não o culpo por seus sentimentos rebeldes – saber que ele tinha noção do que eu sentia ou pensava, me deixou mais constrangido ainda.

— O que você quer?

— Na verdade eu que deveria fazer essa pergunta, se estou aqui é porque você precisa de mim.

A fala dele me fez levantar o rosto e finalmente encará-lo. Era como se eu me visse no espelho, com cabelos loiros e o rosto um pouco mais afilado, fora isso, tínhamos muitas coisas em comum. Ele estava ali por conta do acontecido de hoje? Pelo meu questionamento interno sobre ser seu filho?

—- Seja lá o que for, eu estou bem, não preciso de ajuda.

— Você não está acreditando no Paul não é? – ele sabia do acontecido — Sim, vocês acham que não sabemos dos nossos filhos, mas estamos sempre os observando. Ele tem o mesmo espírito de encrenca que a mãe dele, parece que nasceu para isso.

— Ele está certo, não está? Digo, eu me afastei da minha essência. Do que te representa.

— Está? – Ele arqueou uma de suas sobrancelhas e caminhou devagar até os pés das estátuas, sentando na base delas e olhando para cima — Me diga, Beau. O que você vê? Quem são?

— Os 4 erotes. Eros, Hímeros, Photos e Anteros. – afirmei.

— E o que eles representam?

— Eros, deus do amor, da união. Anteros, deus do amor correspondido, ou, do não-correspondido. Hímeros, irmão gêmeo de Eros, representa o desejo sexual e Photos, deus da paixão, do anseio.

— Muito bem. E o que tudo isso tem a ver com o arco e flecha?

Desta vez eu não sabia a resposta. Talvez fosse uma metáfora para dizer que esses sentimentos nos atingem feito uma flechada no peito, ou vai ver esse ‘ditado’ veio exatamente deles por conta disso. Aquela pergunta me deixou confuso, o que provavelmente ficou visível em minha expressão ao julgar pela risada dele.

— Não tem ligação alguma. Os gregos gostavam de romantizar as histórias e acharam que arco e flecha seria o equipamento ideal para nós. Sempre soubemos manuseá-los não porque era nosso símbolo, mas porque existia competições no Olimpo e sempre tentamos ser melhores que Apolo. Achávamos divertido.

Meus olhos pareceram iluminar diante aquela história. Então aquilo não passava de um mito distorcido? Eu abri a boca para perguntar, mas não conseguia emitir nenhum som que fizesse sentido. Tornei a fechá-la para respirar fundo e me acalmar um pouco.

— Você está me vendo com meu arco? Não. Quando você conheceu Hímeros, ele estava com algum? Também não – meu rosto ficou mais vermelho do que anteriormente. Como ele sabia que eu tinha conhecido o outro deus? — Relaxe, sei o quanto ele é provocativo. Eu mesmo não resisti ao meu irmão algumas vezes.

Sua risada após a fala ecoou pelo templo. Aquele comentário desnecessário me causou um misto de sensações, desde positivas a algumas bizarras. Engoli o seco e tentei focar no que interessava.

— Então eu não devo me preocupar com o que ele disse?

— Você deve se preocupar com o que você pensa – ele se levantou, parando a minha frente e levantando meu queixo com sua destra — Beau, você consegue ser mais confuso do que eu. Eros não é apenas amor. Eros é vida. É essência. Você esqueceu?

Ele estava certo. Muitos considerava-o uma entidade primordial, filho de Caos, aquele que unifica os elementos e que passa o caos ao cosmo. Mas o que ele queria dizer com aquilo? Estava prestes a perguntar quando a imagem dele e de tudo a minha volta começou a tremeluzir.

— Nosso tempo acabou – ele soltou meu rosto, se afastando devagar – Você me lembra muito sua mãe, sabia? – mordi levemente o lábio inferior, tornando a abaixar o rosto — Lembre-se Beau. Você é tão meu filho quanto eles. Desperte sua essência e você atingirá seu propósito.

— Meu propósito? Do que está falando? – Ele abriu suas grandes asas antes de desaparecer — Espera...

(....)

— BEAAAAAU! - a pior forma de acordar de um sonho era ouvir o Kero gritando. Levantei-me em um pulo, sentando na beira da cama — Pelos deuses! Você dormiu muito, o garoto metido de nome Paul enviou uma mensagem de íris, disse que está te esperando na colina. Você vai sair em missão?

— Nós vamos – Falei ao me levantar.

— Como é?!

Os minutos seguintes se resumiram em: eu me arrumar para a missão e discutir com o Kero, convencendo-o a ir junto. Mas, o pior ainda estava por vir: partilhar uma missão com um meio irmão que me detesta.





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