The Blood of Olympus
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Intelligentia II - Treinamento Especial

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Intelligentia II - Treinamento Especial - Página 2 Empty Re: Intelligentia II - Treinamento Especial

Mensagem por Daron A. Herzl em Seg Abr 15, 2019 5:26 pm


Inteligência Intrapessoal


A centuriã da III Coorte causava curiosidade ao senado desde que tornara-se líder. Daron lembrava-se da reunião onde ela recebeu o cargo e dos comentários dos seus colegas mais velhos, que desprezavam-na devido à sua ascendência. O filho de Marte havia votado favoravelmente à semideusa que, embora de origem grega, era de criação romana. E, aos poucos, percebia que Blackwood mostrava-se merecedora daquele voto de confiança.

O legionário juntou-se aos demais semideuses que participariam daquele treinamento e observou a maneira como a atividade se desenrolava. Apesar de deixarem a simulação afetados, cada meio-sangue parecia mais decidido e valente após enfrentar os seus medos. E era aquilo que Daron buscava.

▬ Serei o próximo, anunciou ao se aproximar.

A perfuração da agulha em seu braço não doeu tanto quanto o que estaria por vir. Poucos segundos após, o senador romano estava caindo em um sono profundo enquanto sua mente o levaria para os seus medos mais profundos.

Abrindo os olhos, o semideus viu-se em um cômodo vazio. Parecia um quarto ou uma sala desprovida de móveis, não havia sequer uma janela. Havia uma simples porta de madeira fechada à sua frente, por onde alguns feixes de luz adentravam o espaço pelas frestas. Era apenas isso que existia ali: quatro paredes e uma porta. Então o mais lógico era caminhar até a porta e deixar o cômodo, certo?

Herzl adiantou-se alguns passos, indo em direção à porta para deixar aquela sala vazia. Mas, ao fazê-lo, outra coisa também se movimentou. As paredes ao seu redor começaram a se comprimir e tornar o espaço ainda menor. Apesar disso, a porta pareceu ainda mais distante, como se o semideus tivesse se afastado dela ao invés de se aproximar.

O legionário colocou-se a correr para tentar alcançar a porta antes que as paredes o comprimissem naquele cômodo, mas a porta ficava cada vez mais distante. Aquilo era fisicamente impossível, sem lógica alguma. As paredes estavam tornando o ambiente menor, então era para a porta se aproximar também. Mas era como se a sala estivesse se transformando em um apertado e extenso corredor.

Os batimentos cardíacos de Daron tornavam-se cada vez mais acelerados, e não apenas devido ao exercício de correr sem alcançar a porta. Conforme as paredes se estreitavam, ele se sentia cada vez mais desesperado pela saída. Sofria de claustrofobia. Ver a sala se tornando menor e mais apertada era desesperador. Ao mesmo tempo, ele sentia o ar se tornar mais rarefeito ali, o que lhe trazia dificuldades para respirar corretamente.

Em determinado momento, tornou-se praticamente impossível continuar. As paredes laterais já pressionavam o corpo do filho de Marte e o teto já havia feito-o se abaixar o máximo possível. E a porta parecia existir apenas em sua imaginação agora. Estava preso, sem poder retornar, pois a parede posterior também havia se comprimido e estava logo atrás de Daron.

“Pare”, disse a si mesmo tentando se acalmar.

O legionário percebia suas mãos trêmulas ao tocar na parede, enquanto sua mente o fazia acreditar que seria prensado pelas paredes em poucos segundos. Ele parou de caminhar, tentando respirar o pouco ar existente à sua volta em uma tentativa de se acalmar. Com os olhos fechados, apoiou a testa contra a parede à sua esquerda enquanto respirava fundo. Quando parou de andar, as paredes também cessaram sua movimentação.

Abrindo os olhos, Herzl percebeu o movimento contrário das paredes, afastando-se depois que o filho de Marte cessou os passos. E, enquanto ele se mantinha estático e sem reagir, as paredes foram voltando ao normal. Ele só não podia fugir da sala. Ele tinha que encarar o seu medo.

O som das paredes em movimento era agoniante. Parecia que, a qualquer instante, elas voltariam a pressioná-lo, comprimindo o ar à sua volta até esmagá-lo. Enquanto o concreto rangia e tomava forma sozinho, o legado manteve os olhos baixos enquanto se esforçava para controlar o seu medo. Elena havia ensinado-o a usar a prática da yoga para controlar a respiração e, assim, controlar os seus sentimentos. Foi apenas assim que ele foi capaz de reencontrar a razão para continuar.

Em um piscar de olhos, o cenário havia mudado. Já não existia uma sala vazia com paredes vivas, mas ele preferiria voltar a encarar a claustrofobia do que aquilo. Ele sabia que estava em Belzec, na Polônia, onde ele e outros judeus foram aprisionados durante o regime nazista.

A simulação o levou de volta ao Campo de Concentração polonês, onde por meses foi submetido a um trabalho escravo. Além disso, os nazistas haviam visto o semideus usar suas habilidades e fizeram dele uma cobaia de estudos e experimentos. Daron havia conhecido algo pior que a Seita décadas atrás. Ao revisitar aquele lugar, Herzl respirou fundo.

Gritos preencheram o ambiente depois que alguns hebreus receberam chibatadas por algo que fizeram de errado. Uma criança assustada chorou em seguida, enquanto um grupo mais idoso encolheu-se contra uma parede. Alguns soldados riam de um semita que havia sido torturado e, agora, estava estirado no chão tentando se levantar.

▬ Ei, você aí!, um soldado disse assim que enxergou Daron. ▬ Volte ao trabalho! Ou quer se juntar a ele?

Devido aos segundos que permaneceu inerte, o militar germânico se aproximou para disciplinar o semideus. Os passos eram decididos e ele estava prestes a golpear a face de Herzl com um soco. Anos atrás, o filho de Marte teria se encolhido de medo, embora suportasse a dor com valentia.

Por muito tempo os pesadelos de Daron eram povoados por aquelas memórias. Lembrava-se de perder sua mãe para os nazistas, das torturas, dos estudos e das surras. Agora perceba que, ao reviver aquela lembrança, ele já havia se tornado uma pessoa diferente e aquilo não lhe causava medo, mas raiva.

Ao receber o soco, o senador sentiu o gosto de sangue preencher a boca, mas não se moveu do lugar. Seus punhos se fecharam e ele os pressionou severamente antes de devolver o olhar ao soldado. Volvendo o olhar ao algoz, os orbes azuis de Daron pareciam tempestuosos.

Enxergava ali todo o passado que sempre o perturbou, o amedrontou e preencheu seus pesadelos. Ele sempre desejou que nunca tivesse passado por tudo aquilo, que nunca tivesse perdido seus amigos e sua família naquela situação, que nunca tivesse ficado preso no Cassino Lótus e acordado em uma realidade diferente da sua. O pior período de sua vida havia acontecido ali, em Belzec, mas olhar de novo para tudo lhe trazia um novo sentimento.

O soldado agora tinha uma face abstrata, com olhos negros e vazios, sem expressão alguma. Ele representava o espírito do passado que voltava frequentemente para assombrá-lo e fazê-lo reviver aqueles medos e traumas. Até então, ele sempre obtinha sucesso. Agora, Herzl percebia que não era mais o garoto assustado e solitário que havia sido aprisionado por nazistas. Então, em alto e bom tom, tinha algo a dizer àquilo tudo.

▬ Eu não tenho mais medo de você!

O ser à sua frente esboçou frustração em sua face fazia, logo emitindo um grito de derrota e desmanchando-se em pó. Da mesma forma, todo o cenário construído ao seu redor começou a se desmanchar e desaparecer. Os sons de tortura e maus-tratos havia se extinguido e só havia o vazio.

...

Daron acordou de sobressalto e sentou-se na cama, respirando fundo algumas vezes até lembrar-se que era tudo uma simulação e que estava bem. A centuriã levou uma mão ao seu ombro para ajudar a acalmá-lo, mas ele logo estava bem. Sentia-se vitorioso e sabia que seu pesadelo mais frequente não ia mais se repetir.


Habilidades aprendidas:

Nome do poder: Controle melhorado
Descrição: É a habilidade que permite ao semideus ter certo controle sobre si mesmo. Isso faz com que ele seja capaz de diminuir as batidas de seu coração, respirar de uma maneira mais calma e não demonstrar tanto medo quanto deveria. Esse controle faz com que as reações naturais que temos quando estamos nervosos, ou com medo – seja transpirar mais aumentando os odores do corpo, fazer suas batidas ficarem mais rápidas, a voz tremula e a respiração rápida – sejam controladas com um pouco de calma, o tornando mais firme em relação a si mesma. Esse tipo de reação faz com que monstros identifiquem semideuses com mais facilidade, e ter controle sobre elas também o torna um ágil gatuno na hora de escapar, atacar ou pegar seus inimigos de surpresa.
Gasto de MP: Nenhum
Gasto de HP: Nenhum
Bônus: +60% de controle sobre reações desencadeadas por nervosismo ou medo. O semideus também se torna mais silencioso, seus passos ficam mais controlados o que o impede de ser detectado diretamente por inimigos sem audição aguçada.
Dano: Nenhum
Extra: Os bônus e o controle dados por essa habilidade não garantem imunidade contra poderes desencadeados por fatores externos (como criação de medo e descontrole, e até mesmo a audição aguçada). O personagem ainda pode ser encontrado por outras maneiras ou ter descontrole do corpo por ativas relacionadas a habilidades de outros personagens.

Nome: Pranayama
Descrição: Inspire; expire; respire; aspire; não pire. Com o aprendizado sobre a prática do Pranayama, o semideus sabe a forma mais proveitosa de respirar e beneficiar o corpo com a distribuição correta do oxigênio. Isso o ajuda a controlar a sua energia vital adequadamente, ajudando-o a encontrar o equilíbrio entre seu corpo e sua mente. Com isso, consegue manter-se tranquilo diante de situações adversas e isso melhora seu controle corporal durante atividades físicas.
Gasto de MP: Nenhum
Gasto de HP: Nenhum
Bônus: +30% concentração, percepção e destreza corporal.
Dano: Nenhum
Extra: O semideus tem mais chances de manter o controle emocional diante de situações adversas.

Habilidades passivas de Marte:

Nome do poder: Imunidade Claustrofóbica
Descrição: Ares/Marte ficou treze meses trancado em urna de bronze pelos gigantes Oto e Efialtes, de modo que apenas conseguia uivando e gritando. Pelo tempo que Ares/Marte conseguiu sobreviver em um lugar tão pequeno e apertado, seus filhos herdaram uma habilidade natural de seu pai; a de conseguir sobreviver em lugares fechados e pequenos, de modo que se sintam desconfortáveis em ambientes fechados mas não sofrem possíveis efeitos negativos referente a escuridão, assim como não possuem dificuldade para lutar em lugares com pouco espaço.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Ainda conseguirão se manter vivos.
Dano: Nenhum

Nome do poder: Preparo Físico
Descrição: Cultivadores de seus corpos e exímios treinadores, os filhos do deus da guerra, sempre buscam ultrapassar seus limites, trabalhando arduamente para isso. Sempre serão os últimos a cansar em batalha, de modo que em caso da MP do semideus ser gasta a ponto de chegar a zero, ele não irá desmaiar e poderá continuar lutando, desde que não gaste mais energia em poderes ativos. (Será impedido de usar poderes ativos, mas poderá continuar lutando, diferente de outros campistas que se chegarem a 0 de MP desmaiam e são incapazes de continuar em campo).
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum







Daron A. Herzl
רעם על ירושלים
Daron A. Herzl
Daron A. Herzl
Senadores
Senadores

Idade : 20
Localização : Nova Roma

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Intelligentia II - Treinamento Especial - Página 2 Empty Re: Intelligentia II - Treinamento Especial

Mensagem por Koda Smith em Seg Abr 15, 2019 9:00 pm



Intelligentia
Inteligencia intrapessoal


A pior coisa em participar de uma aula ministrada por uma filha de Athena era que tudo poderia acontecer. Maisie poderia nos jogar contra um bando de monstros furiosos, ou então nos propor os enigmas mais difíceis do mundo. Porém, visualmente, as coisas não seriam tão complicadas.

Uma cadeira e um computador estavam na floresta do Acampamento Júpiter. Devido ao histórico militar daquele lugar, aqueles aparatos pareciam bem deslocados. Mas logo a centuriã iria explicar para que serviria toda aquela parafernália.

Durante a explicação, não pude deixar de perceber uma pequena onda de orgulho emanando de Amber. A mentalista parecia muito feliz com as realizações da irmã. Voltei minha atenção para escutar o resto da explicação.

O treino parecia ser, ao mesmo tempo, simples e complicado. Participar de uma simulação era fácil. O problema era o que seria simulado. Nossos maiores medos. Até agora, o único medo que eu conhecia era a clássica aracnofobia, que aparentemente era um medo compartilhado entre os filhos de Athena (Obrigado, Mãe, por ter irritado Aracne). Contudo, havia um medo que rondava meus pensamentos, e eu odiava admitir tal coisa.

Absorto nesses pensamentos, não percebi minhas próximas ações até estar tomando uma injeção aplicada por Maisie. Ela sorriu para mim, e então me levou à cadeira e aos óculos de realidade aumentada. Me senti um pouco estranho, sentado no meio da floresta com aquele negócio no meu rosto. Então tudo apagou. Meus sentidos praticamente pararam de funcionar. E, de súbito, eles voltaram. Gritos ecoavam a minha volta. Sons de espadas se chocando também invadiam meus ouvidos.

Estava no meio de um campo de batalha. Havia dezenas de monstros lutando contra dezenas de semideuses. Parecia que o Tártaro havia sido derramado no mundo mortal. Pessoas gritavam por ajuda, ou então devido a ferimentos severos de batalha. Tentei ignorar a maioria desses gritos, afinal eu não tinha como salvá-los. Mas duas vozes me fizeram congelar.

— Koda. Precisamos da sua ajuda. — Quase não conseguindo emitir som, Amber estava caída no campo de batalha. Ao seu lado estava Maisie. As duas pareciam bastante feridas, com sangue vertendo de várias partes de seus corpos.

— Não, não, não... Amber... Maisie... — Minha mente, que antes estava tentando se manter racional, entrou em uma espécie de colapso. — Eu... eu vou buscar ajuda. — Minha voz saía em tropeços, mas consegui encontrar forças para gritar. — SOCORRO! PRECISO DE UM CURANDEIRO AQUI!

— K-Koda, não adianta. — Cada palavra parecia um esforço hercúleo para Amber. Maisie já não falava, e mal conseguia respirar. — Parece... parece que nossa hora chegou. Você precisa se manter seguro. — Com um último fiapo de voz, Amber fechou os olhos. Sua respiração estava fraca, e pelo jeito, não duraria muito tempo.

— Não, eu não vou deixar vocês morrerem. Não nesse campo de batalha. — Lágrimas saíam de meus olhos e minha voz estava embargada devido ao choro contido, mas ainda assim encontrei forças para fazer uma última tentativa desesperada para salvar minhas irmãs.

Ativando meu escudo para me proteger de possíveis ataques, comecei a procurar no campo de batalha um curandeiro que estivesse por perto. Não era uma tarefa fácil, pois toda aquela situação estava embotando meus sentidos. Os gritos eram a pior parte. Eles me amedrontavam mais do que tudo.

Pensamentos sombrios percorriam minha mente. Uma voz, bem no fundo da minha cabeça, me dizia para desistir de tudo e fugir daquele lugar, mas alguma coisa me fazia continuar ali. Foi então que, por uma graça dos deuses, localizei um semideus correndo pelo campo, utilizando uma braçadeira branca com uma cruz vermelha. Um curandeiro.

— Não morram. Vou buscar ajuda. — E, mal terminando de falar, ativei meu teleporte até o curandeiro. Mal esperando ele registrar minha presença, segurei firmemente seu braço e voltei até onde minhas irmãs estavam. — Por favor, faça alguma coisa para salvar elas. Eu te imploro.

Com um aceno de cabeça, o curandeiro começou a trabalhar. Entre cânticos e orações, os vários ferimentos estavam começando a cicatrizar. A cor estava voltando ao rosto delas, e suas respirações estavam voltando a ficar mais ritmadas e mais fortes. Parecia que tudo estava finalmente se resolvendo, porém minha mente foi bombardeada com informações novas, me obrigando a fechar meus olhos devido a rapidez da mudança de cenário. Quando abri os olhos, estava em uma casa comum.

O ambiente parecia uma típica casa de uma típica família mortal. O cheiro de bacon frito pairava pelo local. Um sorriso começou a se espalhar pelo meu rosto, pois aquele lugar me trazia sensações boas. Parecia algo familiar para mim. Foi quando uma voz feminina me chamou de algum lugar que meu coração pareceu falhar algumas batidas.

Uma garota, com pouco mais de dezesseis anos estava parada aos pés de uma escada. Ela olhava para mim como se visse um fantasma. Suas mãos estavam tremendo e seus olhos começaram a verter lágrimas.

— K-Koda... Você voltou... — A garota começou a andar em passos trêmulos até mim. Parecia que eu era alguém importante para ela, e alguma coisa dentro de mim dizia que era verdade. Meus pés começaram a se mexer lentamente. Até que a distância entre nós foi encurtada e ela se jogou em meus braços, que estavam erguidos sem eu perceber.

Esperei receber o peso dela, porém tudo o que recebi foi uma fumaça branca. Não havia mais garota chorosa a minha frente. Apenas o vazio. Imediatamente entrei em desespero. De alguma maneira, sabia que estava vendo alguém do meu passado. Sem raciocinar direito, comecei a andar pela casa, e cada foto que eu via me assustava mais e mais.

Fotos de um homem de meia idade com um garoto, de aparentemente uns quatorze anos, eram frequentes nos porta-retratos. Vez ou outra, via a mesma garota que sumiu com outra mulher, parecida com ela. Uma das fotos me fez congelar. Eu estava nela, parecido com meu eu atual. Uma garotinha estava nos meus ombros e o casal estava ao meu lado. Parecia uma clássica foto de uma família feliz.

— Você não deveria ter voltado, Koda. — Uma voz grave e severa veio de cima das escadas. Era o mesmo homem de meia idade que estava nas fotos. — Olhe o que aconteceu com a Liz. Isso tudo foi sua culpa. SUA CULPA E DE SUA MÃE! — As palavras finais saíram cuspidas da boca dele. Ao seu lado, a mulher das fotos chorava copiosamente.

— N-não foi culpa minha. — Minha voz saía como um sussurro estrangulado. — Ela simplesmente veio até mim e desapareceu. Eu não fiz nada. — As lágrimas aumentaram em meu rosto.

— É sua culpa. Tudo isso é sua culpa. — Ele começou a descer as escadas. Parecia mais ameaçador do que qualquer monstro que havia enfrentado. — Se você preza a família que um dia você teve, saia daqui e NÃO VOLTE NUNCA MAIS. — Aquilo havia sido demais para mim, então dei meia volta e saí correndo da casa.

Meu coração estava acelerado. Não conseguia pensar em nada. Só queria que aquele tormento acabasse. Chorava sem parar, mesmo sem saber qual era o motivo. Mas então, depois de respirar fundo algumas vezes, voltei a pensar um pouco.

— Se isso é um pesadelo, eu posso ter algum controle sobre isso. — Como um estímulo a mim mesmo, voltei para dentro da casa a qual eu tinha fugido. O casal ainda estava lá, me olhando com raiva. — Eu não posso desfazer o que aconteceu comigo, nem voltar atrás. Mas posso prometer que um dia eu me lembrarei de tudo, e voltarei para cá, para acertar as coisas. — Foi então que a raiva abrandou dos dois, e algo mais parecido com saudade tomou conta de seus rostos.

— Volte logo. Estamos te esperando. — Uma voz ecoou pelo local, e a garota que havia virado pó em meus braços retornou a sua forma física. Ela sorria e estava com os braços abertos. Contudo, havia uma voz da razão falando em meu ouvido. E eu concordava com ela. Ainda não era a hora de voltar. Um dia, talvez, mas não agora.

— Voltarei. O mais breve que eu puder. — Com isso, dei meia volta e, com tranquilidade, saí da casa. Mas não encontrei a rua. Tudo o que vi foi escuridão. Parecia que estava caindo, até escutar, muito ao fundo, a voz de Maisie dizendo que a simulação estava encerrada.

— E então, como foi? — Maisie parecia ansiosa em receber meu relatório da simulação. Contudo, ainda estava um pouco abalado para realmente conversar com alguém.

— Foi interessante. Que bom que você está viva. — Deixei escapar, enquanto saía da floresta.

FPA:

Ao Avaliador:
Só pra especificar, os medos apresentados no post são: Deixar as irmãs, com quem Koda mais se aproximou depois de voltar pro mundo real, morrerem; Ser rejeitado pela família, se conseguir voltar para eles. Outra coisa: Favor se atentar a essa habilidade: Nível 25
Nome: Aprendizado apurado II
Descrição: A inteligência de um filho de Athena é um dos pontos mais fortes do semideus, quando bem desenvolvida e estimulada. Ao estudar algo, o filho da deusa da guerra estratégica ganha mais domínio sobre o assunto do que qualquer outro semideus.
Gasto de MP: Nenhum
Gasto de HP: Nenhum
Bônus: +10% de bônus em habilidades aprendidas.
Dano:  +10% de dano em habilidades aprendidas.
Extra: Necessário colocar essa habilidade em destaque, para que narrador esteja ciente do aumento no bônus e dano.

PODERES DE ATHENA:
Nível 5
Nome do poder: Inteligência
Descrição: Um filho de Athena é naturalmente inteligente, por sua mãe ser a deusa da sabedoria, o semideus aprende as coisas mais rápido, o que também permite que ele note coisas que outras pessoas não percebem. O semideus de Athena sempre procura uma saída lógica, consegue bolar um plano e encontrar pontos chaves, pois tudo aquilo que não consegue entender lhe deixa frustrado. Ele sempre buscará respostas.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +5% das estrategias darem certo. (Aumenta em +5% a cada 5 níveis que o semideus adquirir).
Dano: Nenhum.

Nome do poder: Estratégia I
Descrição: O campista é bom em elaborar planos e estratégias de batalha, o que torna a chance de erro para ataques diretos, ou criação de armadilhas, menor, ou seja, a margem de erro será inferior ao dos outros semideuses.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +10% de acerto em ataques planejados previamente.
Dano: Nenhum


Nome do poder: Resistência mental I
Descrição: A mente é uma das armas dos filhos da deusa da guerra e sabedoria. Inicialmente, a prole de Athena/Minerva consegue perceber quando algo está tentando enganá-lo, como uma sensação de que algo não está certo.
Gasto de MP: Nenhum
Gasto de HP: Nenhum
Bônus: 10% de resistência a golpes mentais.
Dano: Nenhum.


Nível 17
Nome do poder: Memorização
Descrição: A mente do semideus é capaz de arquivar informações com mais facilidade, lembrando-se de caminhos percorridos, dados sobre coisas que já viu ou conheceu. A boa memória do semideus o faz capaz de lembrar informações importantes sobre o cenário ou sobre inimigos que já enfrentou.
Gasto de MP: Nenhum
Gasto de HP: Nenhum
Bônus: +10% de inteligência e +30% de capacidade memorial
Dano: Nenhum
Extra: Caso o semideus já tenha enfrentado determinado inimigo ou passado por alguma situação, se lembrará de detalhes que o ajudem a superar o problema.


Nível 24
Nome do poder: Estratégia II
Descrição: O campista é bom em elaborar planos e estratégias de batalha, o que torna a chance de erro para ataques diretos, ou criação de armadilhas, menor, ou seja, a margem de erro será inferior ao dos outros semideuses.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +20% de acerto em ataques planejados previamente.
Dano: Nenhum

Nível 25
Nome: Aprendizado apurado II
Descrição: A inteligência de um filho de Athena é um dos pontos mais fortes do semideus, quando bem desenvolvida e estimulada. Ao estudar algo, o filho da deusa da guerra estratégica ganha mais domínio sobre o assunto do que qualquer outro semideus.
Gasto de MP: Nenhum
Gasto de HP: Nenhum
Bônus: +10% de bônus em habilidades aprendidas.
Dano:  +10% de dano em habilidades aprendidas.
Extra: Necessário colocar essa habilidade em destaque, para que narrador esteja ciente do aumento no bônus e dano.

Nível 26
Nome do poder: Foco
Descrição: Com uma das mentes mais apuradas, é difícil distrair um filho de Athena quando este está dedicado a suas ações.
Gasto de MP: Nenhum
Gasto de HP: Nenhum
Bônus: 40% de foco em combate ou atividades.
Dano: Nenhum.

PODERES DE PSIQUÊ:
Passivos:

Nível 1
Nome do poder: Capacidade cerebral aumentada
Descrição:  Ao se tornar um Mentalista, o semideus potencializa a capacidade cerebral. Suas sinapses são mais eficientes e sistema nervoso funciona melhor do que qualquer outro semideus ou ser vivo. Isso permite que o Mentalista use de sua mente como sua principal arma, sem enlouquecer ou sofrer danos cerebrais durante o uso das habilidades.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum

Nível 2
Nome do poder: Memória Fotográfica
Descrição: Os mentalistas possuem uma memória perfeita. Ao se depararem com um estímulo, ele irá lembrar futuramente, mesmo depois de um longo tempo. A memória aqui não se prende apenas ao visual, envolve também os outros sentidos do corpo. Senso assim, poderá lembrar de um som, de um cheiro, de um gosto em específico.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum

Nível 4
Nome do poder: Corpo equilibrado I
Descrição: O seguidor de Psiquê tem tanto mente quanto corpo alinhados. Isso acaba por potencializar o equilíbrio corporal. Nesse nível o mentalista ainda começa a aprender noções de seu corpo, tendo um ótimo equilíbrio que um humano treinado teria.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +30% de equilíbrio
Dano: Nenhum

Nível 5
Nome do poder: Inteligência Múltipla – Lógica.
Descrição: O cérebro possui múltiplas inteligências que os seres humanos desenvolvem com treinos ou a desenvolvem naturalmente. O mentalista agora possui a inteligência lógica apurada, tendo o seu “Centro de Broca” mais ativo no momento. Essa é a inteligência empregada para resolver problemas lógicos e matemáticos. É a capacidade para utilizar o raciocínio dedutivo e de calcular corretamente. É a inteligência que costumam ter os cientistas, matemáticos, engenheiros e aqueles que utilizam cálculos e deduções (trabalham com conceitos abstratos, elaboram experimentos).
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Suas estratégias ganham mais credibilidade; +20% de assertividade em arremesso de itens, graças aos cálculos realizados
Dano: Nenhum

Nível 9
Nome do poder:  Leitura empática
Descrição: a empatia é a capacidade de sentir e/ou perceber o que os outros estão sentindo no momento. Nesse nível, os mentalistas conseguem interpretar as emoções dos outros seres vivos.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum

Nível 10
Nome do poder:  Blindagem Psíquica
Descrição: A mente dos seguidores de Psiquê é sua principal benção. Assim, eles se tornam imunes contra poderes mentais que visam ler, alterar ou subjugar a sua mente ou danificar o cérebro. Apenas seres com 10 níveis a mais de diferença conseguem provocar efeitos em um mentalista.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de HP: nenhum
Bônus: 90% de defesa contra poderes mentais de todos os tipos.
Dano: Nenhum


EQUIPAMENTO LEVADO:
• Tatuagem Azul [Uma pequena tatuagem azulada, com o desenho de preferência do mentalista, que pode deixar a pele do semideus, se transformando em uma espada de acordo com o desejo do seu portador. | O efeito da espada, quando ativado, faz com que o mentalista seja capaz de se comunicar mentalmente com qualquer forma de vida animal, podendo o controlar por até dois turnos. Sendo que animais de porte pequeno, como insetos, podem ser controlados em quantidade, ao contrário de animais grandes como coelhos, veados etc. Tal poder só poderá ser utilizado até duas vezes por missão, evento, pvp etc. | Ouro Imperial. | Não possui espaço para gemas. | Resistência beta. | 100%, sem danos. | Nível 3. | Lendária. | Presente de Reclamação do grupo Mentalistas de Psiquê.]

• Escudo Guardião [Um escudo circular, diferente dos escudos a moda grega, que fica retraído em uma manopla, sendo ativado a um comando mental do usuário, se expandindo e ativando, para a proteção do usuário. Grande o suficiente para proteger metade do corpo do usuário. | Efeito de transformação: Sua forma original é uma manopla que cobre todo o antebraço, mas apenas uma parte da mão. Com o desejo do usuário, ele se expande formando o escudo. | Efeito 1: Quando ativado no momento certo, segundos antes de receber um ataque proveniente de energias (raios, trevas, elementos, etc.) O escudo pode refletir o ataque; Efeito 2: Quando utilizado ofensivamente, o Escudo tem 60% de chances de provocar atordoamento com o impacto, deixando-o mais lento e confuso (Custo de 20MP por impacto).| Bônus de forja, bônus de dano épico e FPA aplicados no dano base | Bônus épico: + 20% de dano crítico. | Vibranium | Espaço para 2 gema | Super Alfa | Dano base: 109 | Épico | Status 100%, sem danos | Forjado por Nikolaev]

Koda Smith
Koda Smith
mentalistas de psique
mentalistas de psique

Idade : 21
Localização : Mais perdido que cego em tiroteio

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Intelligentia II - Treinamento Especial - Página 2 Empty Re: Intelligentia II - Treinamento Especial

Mensagem por Brandon Handler em Seg Abr 15, 2019 10:47 pm



Conforme me encaminhava para aquele que seria o segundo treinamento de Maisie destinado ao desenvolvimento de habilidades pessoais, soltei um suspiro de cansaço. Tendo feito minha ronda durante o período da noite, as poucas horas de sono pareciam refletir em meu corpo. Ainda sim, eu sabia que não poderia permitir que meu corpo adquirisse uma rotina diferente daquele que estava acostumado. Um semideus tinha a necessidade e o dever de se manter em ação e em busca do constante desenvolvimento. Ao chegar ao ponto exato da Floresta, onde um pequeno grupo se reunia em volta da instrutora, passei meus olhos pelo ambiente. Aparentemente, aquele treino envolveria o uso de tecnologia avançada.

Não demorou muito para que Maisie desse início a primeira fala que se interporia entre nós e atividade que viria a seguir. O conhecimento de nossos medos era uma dadiva, mas também poderia se transformar em uma arma perigosa nas mãos de nossos inimigos. Maisie tinha razão, conhecer nossos medos nos colocaria um passo à frente de nossos adversários, conhecer a si mesmo era de fato o começo de toda sabedoria. Após sua primeira fala, a centuriã passou a explicar como ocorreria o treinamento daquele dia. Basicamente, uma injeção seria aplicada em nossos corpos antes que fossemos guiados em direção ao simulador. Dois medos seriam enfrentados dentro da simulação. Dois. Por alguns segundos enquanto o primeiro dos semideuses seguia em direção ao local onde o aparelho se instalava, eu senti que minha mente se transformava em um grande branco.

Eu não me considerava uma pessoa medrosa. Mas eu sabia que possuía alguns medos. Bem no fundo da minha mente eles sempre estiveram lá, mas eu me negava a permitir que meus pensamentos se encaminhassem naquela direção. Conhece-los nunca fez parte daquilo que eu considerava necessário para minha vida. –Eu!- anunciei me retirando de meus devaneios, minutos mais tarde quando o primeiro semideus finalizou sua simulação. O liquido foi aplicado em meu braço, meu corpo colocado na cadeira enquanto os olhos eram presenteados pelos óculos de realidade virtual. Foram questões de segundos para que a floresta desaparecesse e a imagem de paz se transformasse em um ambiente familiar. Sentado atrás de sua escrivaninha, a cruz pregada na parede, a bíblia em suas mãos, vovô demonstrava sua pior expressão.

Aquela que antecedia todos os sermões. –Brandon Handler. Quando você vai deixar de ser uma decepção?- seu tom parecia suave na superfície, mas eu sabia o quanto ele poderia se tornar letal em poucos segundos. –Tudo que eu pedi pra você, foi que pregasse para os jovens anjos! Isso era tudo o que esperávamos de você, é demais pra essa sua cabecinha vazia? – rosnou fechando a bíblia em um estrondo conforme seu corpo se punha de pé. –Eu sabia que você seria uma criança inútil desde o inicio. Eu disse pros seus pais que não poderíamos esperar muito de alguém como você – debochou meu avô focando seus olhos em minha face conforme puxava uma cinta de couro de sua gaveta. –Tentamos tanto, mas pareci que você só consegui aprender de uma única maneira- seus olhos pareciam não ter nenhuma emoção conforme seus passos se encaminhavam em minha direção.

-Decepção! Você que é uma decepção vô. Sempre fingindo ser quem não era, sempre me fazendo ser quem eu não queria ser! – murmurei dando alguns passos para trás antes de engolir em seco. Eu sabia o quanto suas cintadas doíam, ele já fizera aquilo algumas vezes antes. –O senhor sempre dizia que eu não era bom o suficiente, que eu não podia ficar perto dos outros se não me transformaria em um pecador como eles, que eu não teria salvação porque já era fruto de um pecado maior. O senhor sempre me fez acreditar que era menor, porque eu não era como o meu pai- sussurrei me lembrando de todos os discursos depreciativos que ouvira no decorrer de meus anos naquela casa. –Calado!- rosnou dando a primeira cintada. Meus olhos se fecharam de maneira automática enquanto a dor dominava minhas costas, uma cintada após a outra. A violência física nem de longe sendo tão prejudicial quanto a emocional.

-Você sempre foi fraco Brandon. A ovelha negra dessa família, tão imprestável, não merecia nada do dinheiro que gastamos com você!- rosnou parecendo ainda mais furioso. Meu corpo tremia, eu sabia que meu avô era meu ponto fraco, ele sempre o havia sido. Eu tinha medo do que ele podia fazer, eu tinha medo do quanto ele me faria sofrer. A dor não era nada comparada aos castigos que ele tendia a passar. Fome. Solidão. Ele me ensinara que aquelas palavras vinham atreladas a qualquer deslize. Sangue escorreu dos meus lábios ao passo em que eu arfava. –Chega- murmurei ouvindo-o soltar uma gargalhada cruel. –Você acha que consegui me enfrentar Brandon?- debochou me fazendo focar os olhos nos dele. Tão parecidos com o meu, mais tão longe de demonstrar qualquer emoção descente. –Chega- anunciei um pouco mais alto, lutando para conseguir erguer meu corpo do chão. –Eu odeio você. Tanto quanto eu deveria amar você vô, eu te odeio. Eu desprezo você, eu nunca mais vou permitir que você toque em mim, você não tem esse direito!- rosnei limpando os lábios.

-O fraco aqui é você, sempre foi. Sempre vai ser- murmurei olhando para sua face e então, meu avô já não estava lá. As dores, assim como cada parte daquele cômodo haviam sumido bem diante dos meus olhos. O meu desafio acabava de se transformar. Eu vencera o primeiro dos meus medos. Aparentemente, um novo medo se instalara em seu lugar. O quarto parecia aconchegante e elegante. As cortinas em um bege claro entravam em contraste com a colcha bege e marrom em cima da cama de casal. Haviam fotos espalhadas pelo quarto, do criado mudo a um quadro na parede onde a cama se encostava. Foi inevitável que a surpresa me dominasse. As pessoas refletidas nas fotos vestiam roupas sociais, aparentemente retratando o dia de seu casamento. Mas, o mais espantoso eram as pessoas que ali estavam. Eu as conhecia. Ou melhor dizendo, eu era um deles. Maisie e eu. A ansiedade tomou conta de meu corpo de maneira quase automática. Brandon Handler não era uma pessoa feita para relacionamentos sérios. Brandon Handler nem se quer sabia o que era se envolver com uma pessoa a ponto de pensar em viver com ela pelo resto da vida.

-Bran? – a voz suave fez com que eu me virasse em direção a porta. Um sorriso dominava as feições de Maisie conforme ela se aproximava. Dando passos para trás, eu buscava me afastar, tanto quanto ela tentava se aproximar. Em questão de segundos seus lábios estavam juntos aos meus, seus braços em volta de minha cintura. Aparentemente, eu era casado com ela. A palavra que me afligia todas as noites, o medo que tendia a me dominar todas as vezes que uma nova garota adentrava a congregação de vovô. –Não-murmurei empurrando Maisie para trás. Sua cabeça se moveu em negativa enquanto novamente seus lábios se ocuparam dos meus, o beijo era mais urgente, Maisie parecia querer me distrair e eu sabia que me distrairia de um minuto a outro. –Eu não posso- murmurei me afastando novamente. –Não só pode, como deve- sussurrou em meu ouvido me empurrando em direção a cama.

Relacionamentos românticos sempre havia sido um dos meus piores medos. Meu avô pregava sobre amor, mesmo não tendo ideia do que era o amor. Meu pai dizia amar, mesmo quando todos nós saiamos que seu amor nunca parecia ser o suficiente. Mas seria eu capaz de viver aquela vida. De amar uma garota como Maisie, ser adorado, ser bem tratado. Sim. Eu tinha medo, muito medo. Mas, acima do medo eu tinha o sonho de ter aquilo, eu queria aquilo, eu sabia que poderia ter aquilo. Meus braços envolveram Maisie em um abraço carinhoso, no momento em que meus olhos se puseram nos seus, tudo se desvaneceu. Foi inevitável sentir que minhas faces adquiriam uma tonalidade avermelhada quando a verdadeira Maisie apareceu em meu campo de visão. Só de imaginar que ela via aquilo que eu havia vivido eu já me sentia constrangido. Levantando-me da cadeira, deu a vez para o próximo semideus, enquanto me preparava para poder voltar para a base ou eu vivia assim que a aula fosse findada e um pedido de desculpas fosse esboçado em direção a centuriã.
Brandon Handler
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Celestiais de Èter
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Mensagem por Fred Ashford em Ter Abr 16, 2019 11:36 am

.: Intelligentia II :.



O treino aconteceria em uma floresta não próxima, mas aos arredores do Júpiter, por isso fiquei um tanto ressentido de fazer parte do grupo de alunos. Tomei um delicioso café da manhã e me vesti a caráter para um treino e usei minha pulseira para me teletransportar da Ilha de Argos até o início da floresta, esta que eu precisaria caminhar por um tempo até encontrar o local do treino.

Me tornei invisível, assim não teria problemas com minha aparência e presença indesejada. Como havia lido no mural de avisos, Maisie era uma Centuriã que apareceu no acampamento depois do ataque que Nova Roma sofreu, então ela não me reconheceria, não a tempo de me manter preso ali e caso me conhecesse, eu seria, novamente, um prisioneiro ou, quem sabe, um cadáver.

Com passos calmos, ainda pude chegar antes das informações que a loira passava aos alunos. Mantive uma distância agradável dos demais alunos, assim não tive problemas. tentei me mover o mínimo possível, assim não fazia barulhos enquanto esperava que todos os alunos terminassem a simulação. Um a um foram terminando o treinamento psicológico que eles aplicavam, deixando-me cada vez mais nervoso.

Eu sabia dos meus medos, mas odiava enfrentá-los, preferia mil vezes contornar a situação do que realmente enfrentar aquilo que me deixava desconsertado. Entretanto, o último semideus passava pela simulação e a legionária agradecia aos deuses por ele ser o último, ou pelo menos era o que sua expressão me passava, mas talvez eu estivesse julgando um livro pela capa, pois ela estava com aquela expressão de entojo desde que um aluno acabou urinando em meio a simulação.

Quando o último sai da cadeira e desapareceu, Arthur e Maisie estavam prontos para encerrar o programa e realidade virtual, foi quando reapareci.

— Olá! - Disse com meu tom de voz simpático. — Ainda da tempo para eu participar?

Ela virou-se rapidamente, como se estivesse tentando entender de onde eu chegara, pois ela tinha certeza de que aquele semideus era o último. Um pouco cabreira, mas ela concordou.

Sentei-me confortavelmente e recebi a injeção próximo da nuca, um ponto estratégico, imaginei. Coloquei o óculos e respirei fundo três vezes, deixando meu corpo adormecer, assim como meus sentidos. Em poucos segundos eu já estava dentro do mundo virtual em meio a cidade de Nova Roma completamente destruída.

Olhei para os lados e só encontrei desordem e, até mesmo, Términos estava com suas dezenas de estátuas destruídas. Estava sem armamento nenhum, mas podia sentir que ali estava impregnada muita maldade e que muitos dali estava lutando para sobreviver, mas onde? Caminhei por algum tempo, até perceber uma energia densa o suficiente para atrair meus olhos nus. Uma mulher de pele quase branca com cabelos tão negros quanto a noite sem luar. Seu vestido preto com pequenas lantejoulas fruta-cor brilhavam como se fossem constelações a serem desbravadas.

— Você ainda está vivo... - Ela proferiu e gargalhou daquela forma que me arrepiava da cabeça aos pés. — Meu trabalho não foi feito corretamente.

Nox estava bem diante dos meus olhos, com a mesma expressão fria e maléfica de sempre, mas desta vez não parecia estar confortável com a minha presença.

— Você me traiu, Nox! - Disse trincando os dentes. — Me prometeu que ninguém se machucaria e que Nova Roma não sofreria sua fúria.

— Eu te traí? Bastou só um feitiço ridículo da minha filha mimada para que você simplesmente entregasse tudo sobre meus planos.

— Aí você simplesmente me trata como um brinquedo que não serve mais para você e me mata.

Ela gargalhou novamente e o som quase me fez desmaiar. O medo que eu sentia da mulher parecia ter aumentado drasticamente, mas eu sentia que meu ódio era muito maior.

— Poucos dos meus brinquedos se mantiveram firmes quando fui derrotada, Frederick! - Ela estava irritada. — Até mesmo aquele imbecil do seu namoradinho fugiu e eu não tive tempo nem de castigá-lo.

Meus punhos se cerraram. Pela primeira vez meu medo estava contido atrás do ódio que estava sentindo, mas isso mudou quando ela deu um passo em minha direção. Minhas pernas bambearam e eu senti um aperto no coração. Senti vontade de chorar, mas me controlei. Ela avançou mais alguns passos que me fizeram quase enlouquecer, pois não conseguia me mover de tanto medo que ela me causava.

— Você é fraco! - Ela disse enquanto enroscava a mão em meu pescoço. — Você nunca vai se livrar de mim, Frederick.

A deusa noturna me ergueu e conseguiu, por alguns instantes me sufocar.

— Você é forte, não é mesmo? - Ironizei quase sem conseguir falar. — Você é tão forte que precisou de fantoches para se manter de pé e mesmo assim fraquejou e caiu.

Dessa vez foi eu quem riu e desejei não ter feito isso logo depois. Nox me lançou contra a parede de uma residência destruída onde pude ver uma criança acuada com um ursinho nos braços, como se aquele objeto fosse a única segurança que ele possuía no momento. Meus olhos marejaram.

— Você conseguiu me destruir uma vez, Nox, mas desta vez será diferente! - Disse olhando para uma espada completamente arranhada que, provavelmente, não possuía mais fio de tão precária a situação. — Por meses eu senti medo de você e hoje eu vejo que me desesperei à toa, pois eu deveria ter sentido pena.

Ela riu e avançou com raiva. Juntei a espada esfarrapada e avancei junto, meu medo foi trocado por uma coragem no momento em que vi um inocente sofrendo por causa de uma divindade vazia de sentimentos bons. Meu medo se tornara ódio, pena e coragem.

Quando acertei a deusa com a espada sem fio, uma pequena explosão luminosa aconteceu e eu me vi diante de uma floresta, onde eu não podia ouvir nada, a não ser um sibilar de uma serpente. Ah, pronto. Acabara de sair de uma simulação com uma víbora e aparece outra com menos veneno que a anterior?

Procurei a dona do som, mas não encontrei e ele parecia ficar cada vez mais alto, me petrificando cada vez mais, até que senti meu corpo entrando numa metamorfose louca que fez meu corpo se alongar ao ponto de me fazer perder o equilíbrio e cair. Escamas reptilianas foram crescendo em meu corpo até que eu me tornasse uma cobra de dois metros de comprimento e alguns centímetros de diâmetro.

Não consigo descrever a agonia que senti naquele momento, mas foi horrível. Meu corpo lindo, minha pele macia e meu toque quente foram trocados por escamas pegajosas, um couro impermeável e a frieza de um réptil nojento. Me senti um como um ser completamente esquisito, principalmente quando vi uma criança de cabelos crespos que aparentava ter uns nove anos. Tentei gritar para que corresse, mas só pode ser ouvido um sibilar grotesco. O pequeno gritou e chorou.

Eu estava transformado em um monstro e ainda estava assustando um inocente. Deuses, porque diabos aquilo estava acontecendo? Rastejei até que fui parado por outro ser frio que rastejava: Outra cobra. Esta era menor, mas era ela que assustava a criança, principalmente com seu guiso ensurdecedor que anunciava sua localização e seu veneno.

Outro inocente que me fez perder a cabeça. Ainda com o corpo de cobra, me coloquei a frente da criança, e mostrei as presas à menor que fez o mesmo. Eu sempre tive medo de cobras, mas crianças me faziam perder ainda mais a cabeça, como se meu objetivo no mundo fosse cuidar e proteger elas com a minha vida e elas sempre estavam em meus desafios: Quando conheci a anti-seita foi uma menininha que me levou até eles. Me tornei instrutor das aulas infantis para me manter com os olhos nos pequenos e assim protegê-los. Vencera o medo de Nox com o auxílio de um menininho e agora estava ali, mesmo com o corpo de um ser grotesco, protegia outra vida de pouca idade.

Meu corpo era duas ou três vezes maior que o da cascavel, mas fiquei atento a cada movimento dela. Ela preparou um bote, mas a criança correu e chamou sua atenção e foi aí que ataquei com um uma mordida perfeita próxima à cabeça da peçonhenta, fazendo dois furos consideráveis no couro dela. A maldita se contorceu algumas vezes e eu aproveitei para esmagá-la com meu corpo mais forte e pesado.

Vencer um medo não é complicado demais, mas quando temos incentivo tudo fica mais fácil e eu descobrira como moldar a simulação para que ela me mostrasse algo que pudesse me ajudar com esse medo maluco que eu insistia em ter, mas graças aos deuses, tudo estava certo, exceto meu corpo que não modificava novamente.

Senti uma bordoada forte na cabeça. Quando consegui observar novamente, o pai da criança havia aparecido e acertado uma paulada na serpente que assustava seu filho. Infelizmente a serpente era eu, me fazendo acordar novamente.

Saltei da cadeira com os óculos e caí no chão. Arranquei eles da cabeça e aferi meu corpo se estava tudo em seu devido lugar. A garota hesitou em me dar a mão para ajudar a levantar, por isso aceitei de bom grado.

— Obrigado! - Disse olhando ao redor, ainda desconfiado com o que acabara de passar naquela simulação. Chequei minhas calças e não encontrei vestígios de urina, mas o nervosismo havia desencadeado alguma coisa em meu estômago, por isso agradeci uma segunda vez aos semideuses que me instruíram no treino e saí dali com o auxílio de minha pulseira de teletransporte que me permitiu voltar à Ilha de Argos.

Item:
Amuleto de portal
[ Uma pulseira feita de bronze sagrado e pedras pequenas água marinha em formato circular irregular. A pulseira possui várias pedras água marinhas ao seu entorno, a do meio possui uma runa de mudança que auxilia o semideus a abrir um portal por tempo o suficiente para que a sua passagem e mudança de ambiente se realize com sucesso, podendo levar consigo até duas pessoas. | Efeito 1: Abre um portal para qualquer lugar que o semideus deseja ir, por dois turnos, dando tempo para levar consigo até duas pessoas. | Efeito 2: Caso o semideus perca a pulseira, após um turno ela retorna para o mesmo. | Efeitos duram dois turnos. | Gasto de MP: 50 MP por uso. | Após uma ativação deverá esperar quatro turnos para poder ser ativado novamente. | Água marinha e Bronze Sagrado | Resistência Gama | Mágico | Comprado no Tea Drop ]
Poderes Usados:

Passivo

Nível 5
Nome do poder: Pequeno Corajoso
Descrição: Filhos de Eros/Cupido são extremamente audazes, ousados e destemidos. Não importa o inimigo os semideuses não se sentirão intimidados pela aparência ou potencial do inimigo.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Poderes relacionados a intimidação e medo, são 50% menos efetivos com filhos de Eros.
Dano: Nenhum

Ativo

Nível 32
Nome do poder: Invisibilidade II
Descrição:  Eros/Cupido conseguia ficar invisível para sua esposa Psique e para os casais quando ia flechá-los. Portanto, suas crias também o podem fazer. Seus corpos somem por completo, sem deixar rastros ou vestígios. Dura o quanto for preciso e só é desfeito quando a energia necessária não for mais suficiente para manter o corpo do usuário invisível.
Gasto de Mp: 25 MP por turno ativo
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum
Extra: Nenhum


Nox/Nyx
Serpentes
Morrer

Fred Ashford
Fred Ashford
Argonautas de Hera/Juno
Argonautas de Hera/Juno

Idade : 23
Localização : Ilha de Argos

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Mensagem por Eretria Ostergaard em Ter Abr 16, 2019 12:45 pm

If only I knew what my heart was telling me
1. Altura

— Vem, só falta você!

A voz inconfundível de Lia surtiu num eco irritante. Lá do topo da Colina conseguia vislumbrar vegetações virgens, espessas e de variedades hipnotizantes. A queda d’água era o foco da atenção maior, onde todos tinham decidido fazer tirolesa. Acompanhada de mais quatro legionários, era a quinta e última para atravessar as montanhas deslizando pelo vão entre elas sem nenhuma proteção além do corpo amarrado em um comporte metálico preso de um lado ao outro para correr pela corda grossa que funcionava como passagem mais rápida para o outro lado. Desgostosa com a situação, a morena não moveu um único pé para sair dali de cima. Seus olhos continuavam mantidos na altura extrema, poderia considerar que um prédio de vinte andares se elevaria entre as montanhas, bem naquele espaço.

As têmporas martelavam e a cada minuto que decidia não fazer nada, Lia gritava mais alto, não percebendo que a falta de atitudes da Ostergaard poderia ter ligações com coisas mais profundas do que a simplória pressa que lhe rondava para finalizarem a missão dada por Lupa. Vikran, ao contrário de Lia, percebeu que as coisas poderiam ter outras dimensões para a amiga e por este motivo resolveu tomar a frente por ela. Segurando na ponta do outro lado, ele se empurrou de volta até onde estava a única integrante do grupo que não conseguia passar para o outro lado.

— O que está acontecendo? Você aparenta não ter medo de nada, se soubesse que não gostava de altura, teria encontrado outro jeito. — Prestativo, o amigo lhe proveu um gesto de conforto ao apertar cuidadosamente o seu ombro pelo lado esquerdo.

Eretria se moveu desconfortável, saindo do contato. Não gostava daquilo, não gostava da situação em que se encontrava e o conflito interno parecia prestes a lhe levar ao limite do próprio temor. Voltar não estava em questão, assim como passar pela tirolesa também não estava. Apreciava a atenção do filho de Proserpina, mas internamente o culpava por estar naquela posição. Ele era o rastreador, poderia ter encontrado diversos outros caminhos, mas compreendia estar demonstrando sinais de fraquezas ao evidenciar a falta de atitude para atravessar o caminho. Era a única fazendo aquilo.

Eretria fechou os olhos, unindo as mãos frente ao rosto como um ato de concentração de energia espiritual. Precisava se acalmar um pouco mais. Vikran conhecia aquela tática como um ensinamento de Lupa, que servia para trazer paz interna aos neurônios e acarretava numa melhor apuração dos sentidos. A morena ouviria melhor, sentiria essências melhor que os demais e conseguiria entorpecer alguns sentidos do próprio cérebro. O medo era um deles. O rapaz lembrava-se bem das palavras da Loba anciã para todos os garotos e garotas do clã recém-chegado a sua alcatéia.

— O medo vai acabar com vocês em algum momento. O sentimento tem ligações com a energia espiritual, alguns chamam de chácara, outros chamam puramente de energia. É isso o que controla você e se consegue se concentrar enquanto o medo te assola, nada conseguirá derrubá-lo.

Se a prole de Belona estava ali, concentrando a sua energia, via um claro sinal de força na morena que instigava o próprio corpo e mente para serem um só naquele momento. O que poderia dizer? Não era o mais indicado para vociferar qualquer frase quando o assunto era lidar com um de seus medos, mas ali, diante daquela cena, não poderia deixar de sentir admiração por ela.

A legionária respirou profundamente, tragando a maior quantidade de oxigênio que podia para preencher seus órgãos. De olhos fechados, passou a sentir a frequência em que o próprio coração bombeava sangue, pulsando num ritmo lento e frenético ao mesmo tempo. Sua respiração fluia como o vento que balançava as madeixas obscurecidas que eram seus cabelos. Durante cinco minutos se manteve imóvel, tendo a respiração como o único movimento notável, começando a irradiar energia, concentrando-a em áreas de sua própria força. Mãos, braços, pernas e quadril, para atingir as pernas.

Quando seus olhos se abriram, mirou o comporte metálico que Vikran segurava. O garoto olhou de um para o outro, pressionando o maxilar. Aquele era um momento de tesão para quem observava tão de perto alguém enfrentar um de seus medos. Era um momento de tensão para quem o enfrentava.

— Não posso deixá-lo me controlar. Eu estou no comando.

Soprando ar pelos lábios, a legionária tomou das mãos do amigo o seu meio de transporte. Abaixo deles, Lia arfou. Do outro lado, Maves e Royce sorriam. Segurando o comporte, Eretria assentiu para Vikran, que se distanciou para pegar impulso. Cinco segundos depois a legionária estava fitando o imenso sol surgindo no horizonte, enquanto atravessa por cima da cachoeira imensa. O vento espalhava seu cabelo pelo rosto, para trás, para os lados, mas nada disso era capaz de lhe propor a sensação de vitória do que ter aquela visão maravilhosa.

Certa de que o medo de altura estava lhe distorcendo algumas visões, a legionária prometeu a si mesma que faria aquilo outras vezes. A sensação de estar voando não era um comparativo. A força para se manter ali, segurando o comporte, podia ver garças voando em bando na peculiar forma de V, invertido para a horizontal, podia ver o reflexo do sol reluzindo na água, podia sentir que a liberdade estava nas improváveis causas.

Royce segurou o corpo da morena, que apoiou as mãos nos ombros dele. Colocada ao chão, tinha a sensação de dever cumprido. As pernas e mãos e tremiam, de certo, um medo não se enfrentava com tanta facilidade, as sequelas ficariam ali por um tempo, mas Eretria não se importava. Quando Vikran atravessou de volta, o agradeceu com um sorriso. Era a hora de ir para casa.


1.2 O passado desconhecido

O suor ocupava grande parte das nuances da legionária que tentava passar por mais uma vereda.

Eretria mal respirava, corria para salvar a si mesma do que estava lhe perseguindo. Tinha a sensação de que estava sendo observada a horas, passos soavam sem que precisasse parar para ouvi-los e se lhe perguntassem a quanto tempo estava fugindo, não saberia dizer. Sentia-se enferma, a fome causava grunhidos frequentes em seu estômago, os braços e pernas ardiam pelo esforço contínuo e em muito pouco tempo estaria fadada ao desmoronamento enérgico. Precisava de uma pausa, caso contrário, ali mesmo encontraria o fim de seus dias.

As mãos estavam amparadas nos joelhos, com a coluna dobrada para um pouco de descanso. Inspirando e expirando rapidamente, tentou retomar a posse do próprio controle emocional, o que não veio a ocorrer. Não conseguia nem mesmo deduzir que tipo de ambiente era aquele. As paredes, piso e teto eram completamente negras, lodo estava grudado nos canteiros, ratos pareciam chiar a todo instante, odores se misturavam de uma forma desagradável ao olfato. Precisava forçar a visão para enxergar onde estava pisando, já que por várias vezes caiu e se levantou rapidamente para não se tornar um alvo fácil. Estava começando a cansar. Sabia que se ignorasse a dor latente por tempo demais terminaria acabada antes mesmo de perceber o próprio fim, o que lhe estimulava e repreendia a não se forçar tanto.

O que poderia fazer? A cada vez que olhava para trás, tinha o vislumbre de encontrar diferentes pessoas. Da última vez que o fez, viu um homem de cabelos grisalhos, marcas no rosto e um corpo perfeitamente renderizado para alguém de sua aparente idade. Ele segurava uma tocha e estava acompanhado de várias outras pessoas que se vestiam de forma parecida. Calças surradas, camisas e jaquetas sem mangas, rostos e membros expostos cobertos por uma camada de sujeira que em muito se parecia com um misto de terra e sangue.

Ali, parada, deixou-se cair ao chão pela primeira vez. Não fez menções de se levantar, recostando-se serenamente na parede enegrecida mais próxima enquanto os olhos quase se fechavam pelo cansaço. Olhou para o ponto anterior, sempre para trás, encontrando a mesma multidão reunida. Seus olhos pareciam enxergar muito além daquelas paredes mórbidas, alcançavam aquele tempo sem lhe dar a menor pretensão justificativa. Era o passado? Futuro? Presente?

O homem de cabelos grisalhos repassou a tocha quando um cara alto e musculoso carregou uma tora de madeira partida com uma garota presa nela. Outro capanga ajudava no transporte do peso. Não podia ver o seu rosto, apenas os cabelos e todo o corpo molhado, tão sujos quanto todos eles. Seu corpo estava amarrado na tora, a tonalidade de sua pele parecia ser tão branca que por um instante imaginou uma correnteza do mais puro leite se solidificando para formar uma camada de derme. Ela se moveu. Por um instante, sua cabeça se elevou alguns centímetros e deu para ver as escoriações espalhadas por todo o corpo. Cortes profundos no rosto, ombros, braços, barriga, pernas. Um dos olhos estava tão inchado que não se abria, tinha o tamanho similar a uma romã em amadurecimento. Era um estado deplorável.

Mais quatro toras foram trazidas com prisioneiros em estados semelhantes. Alguns se encontravam muito piores, com membros faltando e fraturas expostas em mais de um lugar do corpo. Estavam todos lúcidos, apesar da grandiosa dor que lhes passava naquele momento. Se aquilo fosse um motivo para aterrorizá-la, Eretria poderia se considerar possessa pelo sentimento. Mas, aquilo não foi páreo para o que veio em seguida. De olhos quase fechados, viu quando a um corredor se formou entre a multidão. Todos dobraram a coluna para fazer uma reverência e em seus rostos era possível encontrar vestígios de um sombrio medo. Quem estava vindo?

Primeiro, viu a reluzente espada com lâmina de um único gume, tão brilhante quanto o próprio sol. Runas espalhavam-se pelo centro do material prateado principal do corte, tão bem forjada que mais parecia uma raridade divina perdida entre os mortais. O portador estava revestido por uma armadura dourada, com o elmo cobrindo seu rosto por completo, com espaço somente para os olhos em forma de vários mínimos quadrados. Até os prisioneiros baixaram os rostos para aquele que tinha chegado.

Sem pestanejar ou prolongar suas ações, o rei ordenou o carregamento dos presos até onde guilhotinas aguardavam para o arrebatamento. A cena era forte demais para ser vista sem que uma agonia atravessasse o peito de Eretria, que se encontrava hipnotizada pelo acontecimento. Em sua visão, todos se posicionaram em seus devidos lugares, enquanto o rei subia para o seu terraço, de onde teria a perfeita audiência de tudo. Ao seu sinal, o anjo da morte decretou que aquele era o fim dos tempos. Três segundos bastaram para a queda da lâmina encontrar a base, decepando cabeças e ceifando as vidas daqueles que provocaram a fúria de um governante.

Por um minuto se fez silêncio, após isso, o anjo - um ancião vestindo uma burca negra de aspecto tenebroso - da morte proferiu palavras de um antigo juramento que amaldiçoava a geração daqueles que tinham o sangue dos mortos naquele dia. Pragas, doenças e nenhuma graça seria dada pelo resto dos dias de seus descendentes, consolidando-os como escória da corte. Os súditos gritaram em alegria com a vinda dos urubus e os cães de caça da coroa para destroçar a sobra dos corpos. Nada deveria continuar perambulando pela terra dos vivos.

A surpresa veio quando o rei se revelou, tirando o elmo para apreciar a vista de seu reino em alegria com aquela brutalidade explícita. Aquele era o método mais eficaz para se mostrar um tirano capaz de manter o seu governo sem que outros tentassem atacá-lo. O preço a se pagar era sempre caro demais e ali estava uma prova daquilo.

— Salve a rainha Eretria!

Pasma, a legionária se afundou no próprio cansaço enquanto tinha a imagem do próprio sorriso doentio na face.


1.3 O despertar

Quando acordou, ficou em choque. Não conseguia se mover, apesar de sentir tudo o que acontecia ao redor. Era como se estivesse em coma, mas de olhos abertos. Conseguia enxergar Maisie, alguns curandeiros próximos, alvoroçados, enquanto nenhum som alcançava seus ouvidos. Tudo estava fora do eixo, o sentido de ser quem era estava se deslocando conforme a consciência retornava e vinha devagar. A simulação havia despertado um medo bobo inicialmente, algo tão superficial que nem mesmo um desafio grandioso se mostrou no desenrolar dos fatos. Mas o segundo veio para lhe arrebatar, tirá-la da zona de conforto e levá-la ao extremo limite da própria mente trancada. O que aquilo significava?

Ao resolver participar daquele treino não imaginava a dimensão do que teria como consequência. O perigo morava em sua mente, sabia daquilo, não podia culpar Maisie por tentar explorar e promover o combate aos piores medos. Culpava a si mesma por não dar ouvidos a própria razão. Não deveria enfrentar-se daquela maneira. Era um método agressivo demais.

Sendo levada para a tenda mais próxima, a prole de Belona não conseguia tirar da mente o sangue frio e a postura malévola demonstrada. Quem era aquela Eretria? Por que tinha feito aquilo? Aquilo era uma verdade? Uma ilusão? Não deixou de pensar no que Lupa lhe dissera antes de liberá-la para encontrar o Túnel Caldecott.

— As trevas existem dentro de você, Eretria. Decida se irá expulsá-las ou abraçá-las. O seu caminho não vai ser fácil.

Ali estava decretado.

Era o começo de uma história desconhecida pelos homens, conhecida pelos deuses.

Era a história de uma criança apocalíptica.


(C) Ross


That's my shape, I made the shadow. That's my name, don't wear it out though. feeling myself can't be illegal, so
sue me
Eretria Ostergaard
Eretria Ostergaard
V Coorte
V Coorte


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Intelligentia II - Treinamento Especial - Página 2 Empty Re: Intelligentia II - Treinamento Especial

Mensagem por Maisie K. Blackwood em Ter Abr 16, 2019 1:04 pm


Intelligentia
Avaliações

A inteligência é a insolência educada.
(Aristóteles)
Intelligentia II - Treinamento Especial - Página 2 OuIgCD4


E assim, terminamos uma sessão intensiva de treinamento psicológico e mental! Todos puderam enfrentar seus medos e sair vitoriosos da batalha, ou com um autoconhecimento melhor sobre si mesmo. E este era o grande objetivo. Eu me diverti muito lendo suas aventuras no mundo simulado que enfrentaram e como seus personagens cresceram com isso.

Como tivemos muitos alunos, foi difícil fazer comentários individuais para cada um. De maneira geral, todos compreenderam a proposta e encaixaram suas narrativas dentro dela de maneira criativa e que tornou os personagens melhores conhecedores de si mesmos. Alguns descontos foram feitos unicamente por ortografia, frases mal construídas, pequenos erros de escrita ou porque não ficou clara a maneira que o personagem usou para vencer ou contornar o seu medo. A boa notícia é que tivemos um bônus de participação no treino, já que muitos alunos postaram.

→ O treino especial Intelligentia III já está disponível. Clique aqui para conferir. Ele vai estar aberto até o dia 13/05/2019.


Método de Avaliação
Criatividade: 500
Ortografia: 500
Coerência: 500
Ações Realizadas (como superou o medo): 500
Bônus: 100 x 14 alunos = 1.400

Sobre a Avaliação
Para as finalidades dos treinamentos de inteligência, os critérios de avaliação são a criatividade, ortografia, coerência e ações realizadas. Todas têm o mesmo peso, pois é a perfeita sincronia entre elas que tornam um texto incrível. A criatividade é um quesito particular a cada um, por isso considerei o desenvolvimento de seus personagens em suas tramas pessoais e o quanto o post tenha sido inovador para esta atividade. Na coerência, vocês foram avaliados conforme a descrição da parte prática da aula, a forma como narraram suas ações e se elas estavam dentro da proposta exigida. E, para as ações realizadas, considerei a maneira como cada um superou ou contornou seus medos. E a ortografia, indispensável para qualquer texto, foi considerada da primeira à última linha. O bônus foi oferecido por participação em aula: número de alunos x 100.


Avaliações
Desempenho individual

Inteligência é o meio para dominar nossos instintos
(Sigmund Freud)
Intelligentia II - Treinamento Especial - Página 2 B3bB5Bq

Blake Wicker
Criatividade: 500
Ortografia: 450
Coerência: 500
Ações realizadas: 480
Bônus: 1.400
Total: 3.330 XP
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Daniel Sundfør Hellavich
Criatividade: 500
Ortografia: 500
Coerência: 500
Ações realizadas: 480
Bônus: 1.400
Total: 3.380 XP
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PS: Entre a postagem e a avaliação, o personagem foi resetado. Repasso à staff a dúvida se a atualização deve ser feita ou não.

Nero Khan
Criatividade: 500
Ortografia: 500
Coerência: 500
Ações realizadas: 500
Bônus: 1.400
Total: 3.400 XP
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Kali Nam
Criatividade: 500
Ortografia: 500
Coerência: 500
Ações realizadas: 480
Bônus: 1.400
Total: 3.380 XP
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Amber K. Blackwood
Criatividade: 500
Ortografia: 500
Coerência: 500
Ações realizadas: 500
Bônus: 1.400
Total: 3.400 XP
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Puermina
Criatividade: 500
Ortografia: 490
Coerência: 475
Ações realizadas: 500
Bônus: 1.400
Total: 3.365 XP
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Avery Hernández
Criatividade: 500
Ortografia: 475
Coerência: 500
Ações realizadas: 500
Bônus: 1.400
Total: 3.375 XP
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Kyra C. Ferreli
Criatividade: 500
Ortografia: 490
Coerência: 500
Ações realizadas: 500
Bônus: 1.400
Total: 3.390 XP
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Becka Klasfox La'Fontaine
Criatividade: 500
Ortografia: 490
Coerência: 500
Ações realizadas: 480
Bônus: 1.400
Total: 3.370 XP
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Daron A. Herzl
Criatividade: 500
Ortografia: 500
Coerência: 500
Ações realizadas: 500
Bônus: 1.400
Total: 3.400 XP
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Koda Smith
Criatividade: 500
Ortografia: 500
Coerência: 500
Ações realizadas: 500
Bônus: 1.400
Total: 3.400 XP
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Brandon Handler
Criatividade: 500
Ortografia: 490
Coerência: 500
Ações realizadas: 500
Bônus: 1.400
Total: 3.390 XP
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Fred Ashford
Criatividade: 500
Ortografia: 500
Coerência: 500
Ações realizadas: 500
Bônus: 1.400
Total: 3.400 XP
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Eretria Ostergaard
Criatividade: 500
Ortografia: 500
Coerência: 500
Ações realizadas: 490
Bônus: 1.400
Total: 3.390 XP
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Informações
Habilidade adquirida

O topo da inteligência é
alcançar a humildade
(Provérbio judeu)
Intelligentia II - Treinamento Especial - Página 2 YATpVjF


Habilidade adquirida por todos:

Nome do poder: Inteligência Intrapessoal
Descrição: Quem possui a inteligência intrapessoal bem desenvolvida tem a capacidade de se conhecer e compreender a si mesmo, desde seus medos, fraquezas a capacidades. Dentre as sete, é a inteligência mais rara que alguém pode desenvolver, pois está ligada à capacidade de neutralização dos vícios, entendimento de seus limites, preocupações, estilo de vida, autocontrole e domínio das emoções. Com esta habilidade, o semideus é capaz de conhecer suas fraquezas e superá-las, através de autocontrole e concentração.
Gasto de MP: Nenhum
Gasto de HP: Nenhum
Bônus: +10% de inteligência; +20% de autocontrole e concentração.
Dano: Reduz em -10% os danos que visem afetar as emoções do semideus.





Maisie Blackwood
intelligence is the only way we have to master our instincts.
Maisie K. Blackwood
Maisie K. Blackwood
Centuriã III coorte
Centuriã III coorte


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Intelligentia II - Treinamento Especial - Página 2 Empty Re: Intelligentia II - Treinamento Especial

Mensagem por Nêmesis em Ter Abr 16, 2019 7:40 pm

Aula atualizada, alunos e instrutora devidamente avaliados.


if you must faulter, be wise
Nêmesis
Nêmesis
Deuses Menores
Deuses Menores


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Intelligentia II - Treinamento Especial - Página 2 Empty Re: Intelligentia II - Treinamento Especial

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