The Blood of Olympus
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Intelligentia II - Treinamento Especial

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Intelligentia II - Treinamento Especial Empty Intelligentia II - Treinamento Especial

Mensagem por Maisie K. Blackwood em Qua Mar 13, 2019 4:21 pm


Intelligentia
deslize a imagem!

A inteligência é a insolência educada.
(Aristóteles)
Intelligentia II - Treinamento Especial OuIgCD4


Introdução:

O psicólogo norte-americano Howard Gardner desenvolveu a teoria das inteligências múltiplas. Essa teoria diz que os cérebros dos indivíduos têm sete tipos diferentes de inteligências, com o predomínio de pelo menos duas delas que seriam mais desenvolvidas que as demais.

Os caracteres especiais dos semideuses os fazem propensos a desenvolver mais estes tipos de inteligência do que os humanos comuns. Portanto, nos treinos ministrados pela centuriã da III Coorte, os semideuses serão incentivados a desenvolver estes sete tipos de inteligência, que são: lógico-matemática, linguística, musical, espacial, motora, intrapessoal e interpessoal (não necessariamente nesta ordem).


Personagem:

Maisie Knight Blackwood é filha de Athena e legado de Belona. Apesar da ascendência grega, está no acampamento Júpiter devido ao seu pai, que foi um legionário da I Coorte. Maisie é alguém de pavio curto e marcada por sua volatilidade. Às vezes ela é uma pessoa difícil de lidar devido ao sarcasmo que usualmente está em sua voz e o fato de ser insuportavelmente inteligente. Como líder e instrutora, irá controlar seu estresse e impaciência, mas algum aluno pode ser vítima de um comentário irônico se fizer uma pergunta óbvia demais ou um comentário infeliz. Maisie tornou-se centuriã apenas para provar que os romanos estão errados sobre os filhos de Athena e para levar orgulho ao seu pai.



A Aula e Missão
O que fazer:

Inteligência é o meio para dominar nossos instintos
(Sigmund Freud)
Intelligentia II - Treinamento Especial B3bB5Bq


Com a ajuda de um semideus que estava estudando Engenharia Mecânica e Mecatrônica na Universidade de Nova Roma, construiu-se o cenário daquele treinamento. Ele aconteceria na Floresta, longe de tudo, onde o estudante colocou uma cadeira, um computador e um óculos de realidade virtual. A atividade não seria física, mas psicológica e intrapessoal.

Enquanto os campistas se aproximavam, Maisie e Arthur organizavam os comandos do computador e as configurações necessárias antes do treinamento ter início. Então, quando tudo estava ajustado e já haviam alunos suficientes para iniciar a aula, a centuriã levantou-se e iniciou as explicações para a atividade.

– Sun Tsu, que escreveu a Arte da Guerra, dizia que era importante conhecer seus inimigos para criar uma estratégia eficiente de batalha. Mas antes, é muito mais importante conhecer a si mesmo. Seus medos, suas limitações, sua forma de pensar e agir. Caso você não se conheça, outro adversário vai interpretá-lo e usar seus medos contra você - Maisie dizia, percorrendo o espaço à frente dos alunos enquanto falava. Ela queria fazê-los entender a importância de cada um conhecer a si mesmo para ter êxito na sua jornada. – Conhecer a si mesmo é o começo de toda a sabedoria - ela disse, parafraseando Aristóteles.

Após essas palavras, a filha de Athena explicou como o treinamento aconteceria. Após uma injeção, os campistas iriam um de cada vez para o simulador ao lado de Arthur. Ali, os semideuses iriam enfrentar os seus piores medos e teriam que superá-los. As situações vividas seriam extremamente pontuais para fazê-los enfrentar seus temores e encarar a si mesmos.

Aqueles que têm medo de altura, teriam que passar por uma corda bamba entre dois prédios. Os claustrofóbicos encarariam um local apertado, que se fecharia cada vez mais enquanto eles tentavam sair. Medo de se afogar? O semideus cairia no mais profundo oceano. Palhaços, escuridão, aranhas, cobras. Os medos mais comuns estavam ali para serem enfrentados e vencidos.

– Depois de vencer a primeira simulação, terá outra que usará outro de seus medos para afetá-los - a legionária explicou, respondendo algumas dúvidas. – Eu e Arthur estaremos monitorando o que acontece nas simulações. Se alguém não conseguir, iremos tirá-lo de lá.

Respondidas as dúvidas, alguns semideuses já estavam enfrentando o medo de agulhas ao receber uma pequena injeção antes de irem para a simulação. Tratava-se de um soro para induzi-los ao estado necessário para entrarem na simulação e para que o leitor identificasse os medos daquele semideus.

– Quem será o primeiro corajoso?


Instruções
• O semideus será induzido a uma simulação onde enfrentará seus piores medos. Podem ser: escuridão, altura, aranhas, pessoas ou situações específicas. Traga os piores medos do seu personagem para essa simulação e veja como ele vai se sair.
• É necessário enfrentar no mínimo dois medos na simulação.
• Narre como seu personagem superou o medo e não deixou que ele o dominasse.
• Lembre-se que o foco desta simulação é o auto-conhecimento. Para vencer o medo, você terá que buscar pontos fortes dentro de si para superar sua fobia.
• Seja enfático com as reações que aquele medo provoca em seu personagem. Afinal, ele não é invencível e nem tem coração de pedra.

Exemplos
• Seu personagem tem medo de falar em público. Será colocado em uma simulação onde está em uma sala de aula e precisa apresentar um trabalho escolar diante de uma turma.
• Seu personagem tem medo de perder alguém importante para ele. Na simulação, verá essa pessoa morrer e terá de lidar com a perda.
• Seu personagem tem medo de palhaços. Estará em um circo, repleto deles, e deve assistir ao menos uma apresentação.
• Seu personagem tem medo de falhar, cobra muito de si mesmo. Estará em uma situação onde recebe uma nota vermelha na aula ou é humilhado por um erro diante de outras pessoas.
• Seu personagem tem medo de uma pessoa ou criatura específica. Na simulação, terá que enfrentá-lo (pode não ser fisicamente).
• Caso você tenha lido Divergente, considere a atividade muito semelhante às simulações da facção Audácia.


Informações
Regras, prazo e habilidade

O topo da inteligência é
alcançar a humildade
(Provérbio judeu)
Intelligentia II - Treinamento Especial YATpVjF


Regras e Informativos

• O mínimo exigido são 500 palavras por postagem;
• Não use templates estreitos, fontes pequenas ou cores desconfortáveis à leitura;
• Estão livres para interagirem com Maisie, mas sigam o que foi descrito sobre ela;
• Para conquistar a habilidade é necessário que o post tenha 80% de rendimento;
• A atividade acontece na Floresta do Acampamento Júpiter, mas gregos e integrantes de grupos extras podem participar;
• É obrigatório incluir o link da sua FPA no final do post ou tê-lo colocado no perfil;
• As dúvidas podem ser solucionadas via chatbox ou MP;
• Prazo do treinamento: 15/04/19 (Sem prorrogações!)


Recompensas: 2.000 XP + Habilidade:

Nome do poder: Inteligência Intrapessoal
Descrição: Quem possui a inteligência intrapessoal bem desenvolvida tem a capacidade de se conhecer e compreender a si mesmo, desde seus medos, fraquezas a capacidades. Dentre as sete, é a inteligência mais rara que alguém pode desenvolver, pois está ligada à capacidade de neutralização dos vícios, entendimento de seus limites, preocupações, estilo de vida, autocontrole e domínio das emoções.
Gasto de MP: Nenhum
Gasto de HP: Nenhum
Bônus: +10% de inteligência; +20% de autocontrole e concentração.
Dano: Reduz em -10% os danos que visem afetar as emoções do semideus.





Maisie Blackwood
intelligence is the only way we have to master our instincts.
Maisie K. Blackwood
Maisie K. Blackwood
Centuriã III coorte
Centuriã III coorte


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Mensagem por Blake Wicker em Qua Abr 10, 2019 11:32 am





They think I'm callous

Can you blame me?




Quíron colocou no quadro de avisos sobre um treino no acampamento romano, algo relacionado aos medos de cada um. Engoli em seco pensando em Dan e talvez conseguisse controlar melhor essa minha superproteção do mesmo, não era incomum fora dali com toda nossa história e ele realmente não ser de brigas, mas ali era outra coisa. Ela tinha que se defender sem mim e nem sempre eu realmente conseguia lidar com aquela situação de uma forma boa. Aquele treinamento poderia me ajudar, então terminei de ler sobre ele e com as diretrizes corretas para passar pelo portal o grupo todo da aula daquele acampamento.

Sem confusão seguimos até a tal floresta que foi o destino descrito no aviso do treino, com direito a desenho considerando novatos e visitantes de primeira viagem. Não entendia muito bem o porquê e a relação do treino com o local em si, mas deixando esses pensamentos de lado para enfim seguir até o destino já encontrando outros daquele acampamento mesmo. Haviam dois deles mexendo em computadores, e depois dos grupos se misturarem, a semideusa que mexia no computador começou a discursar.  

Uma frase de Arte da Guerra, uma explicação sobre o que significava realmente colocando na prática a parte de se conhecer antes de pensar em estratégias, focar em suas próprias forças, limitações e medo. Meu peito puxou mais ar pensando em Dan ficando nervoso com o quanto eu ficava fraco com ele, mas sem tempo pra pensar demais nisso. A explicação foi para onde a maioria se preocupava de verdade, em como aquilo funcionava, sobre a injeção e o treinamento enfrentando o medo que a própria mente desenvolveria o cenário.  

Não tinha ficado bem claro alguns detalhes em como as coisas aconteceria como se fosse apenas “ceder” ao medo. Me fazendo imaginar o medo de altura e já cogitar pular de um prédio, mas a garota exemplificou as coisas de outro modo. Se fosse medo de altura, haveria uma corda bamba para atravessar entre dois prédios, citou a água, escuridão e palhaços. Nada disso me fazia reconhecer meu medo de verdade que pelos exemplos ali poderia nem temer perder Dan, mas dele morrer na minha frente. Estava respirando forte e sem saber realmente para onde aquilo iria já que o medo seria aquele pior de todos, talvez fosse algo que eu sequer cogitava fazer.

Caso não conseguíssemos, iriam nos tirar de lá e já começando a furar quem ouvia eles, com o soro para nos induzir ao estado da simulação, ou algo parecido. Meu peito estava apertado de nervosismo sem saber o que ia passar e quanto ela perguntou, levantei a mão passando à frente de alguns trocando um pouco de educação para a passagem e enfim ficando perto daquela resposta. Me sentando naquela cadeira que lembra a de dentista, deixei eles conectarem aqueles cabos na testa e verificar o sistema, fechei os olhos e aguardei seja lá o que fosse, começasse a acontecer. Não precisando de muito, Dan apareceu na minha frente correndo e estava naquela cadeira, mas todas as pessoas sumiram.

Respirei fundo focando que era uma simulação do medo, correndo atrás de Dan pela floresta chamando seu nome até que ele para e abraça alguém. Fiquei estático assistindo a troca de carícias e engolindo em seco não querendo acreditar, não podia ser verdade, aquilo estava errado. Minha respiração parecia mais forte e então me aproximando e então os dois foram para Nova Roma, meus olhos lacrimejando, quase ficando tudo desfocado e então ouvi os gritos que eu não entendi direito. Duas crianças passaram por mim e me olharam depois de esbarrar, Dan veio até mim como que reconhecendo a mim, mas se aproximando negou com a cabeça e ouvi falar que parecia alguém de seu passado.

Meu rosto foi ficando cada vez mais molhado com os olhos vazando, meu peito quente tentando controlar minha respiração e minha boca com lábios tortos tentando não chorar com aquilo. A intenção era matar aquele homem, não queria me importar com a vida dele sem mim, mas me forcei a se segurar com os punhos fechados. Ele não estava comigo, mas ele estava feliz, era isso o que importava. Levantei os braços com um xis no peito e me segurei para não fazer nada, o choro estava ali arrombando a porta, mas não ia reagir, me recusava a não deixar ele ser feliz mesmo sem mim. Repetia isso pra mim até que eles fossem embora, era difícil, cansativo de ficar pensando, mas faria até acreditar e passar por aquilo.

A imagem daquela família foi sumindo até parecer que não eram eles, minha visão ao redor foi mudando e sequei os olhos mesmo sendo apenas uma simulação. Fechei os olhos respirando fundo para me focar ao objetivo daquilo e que não poderia ceder facilmente. Abrindo os olhos depois de um tempo, me sentindo confortável de novo em enfrentar seja lá o que fosse e então era eu. Não em um espelho, não uma projeção e aquela versão quase pareciam um Duplo se eu não lembrasse que era uma simulação.  

Minha mão tremia e o ouvia comentando disso: - Isso é a sua fraqueza, não consegue lidar com verdade. Dan pode ser feliz sem você e ele será, mas você não é nada sem ele. - Sem esperar outra baboseira daquela versão minha, pulei contra ele, soquei seu rosto, ou meu rosto, não sei explicar direito. Soquei aquele rosto repetidamente até deixar de ouvir aquele riso que eu tinha, não percebi o quanto aquilo podia me irritar e então parei de socar aquele crânio. Já havia amassado tudo aquilo que uma vez fora um rosto, não reconhecia mais aquilo e por um segundo me tranquilizei por ter me livrado de mim.

Ouvi um grito e então olhei pra cima vendo Logan pulando contra mim me perguntando o porquê eu tinha feito aquilo. Meu deu um soco como finalizando a pergunta e o questionei do que estava falando, mas uma outra voz falara “...filho de Hades mata namorado filho de Perséfone.” e então eu me encolhi começando a chorar de novo e não querendo mais viver. Logan me sacudia e eu só sussurrava “Me desculpe” por ser a única coisa que eu conseguia dizer, era só o que saía da minha boca. Pessoas o ergueram do chão e me levantaram em seguida, afastando-o de mim e me levantando até a Casa Grande a tempo de ver mais um pouco a destruição que eu fiz no rosto de Dan.  

Eu podia jurar que era eu, o que não fazia sentido antes, agora menos ainda. Fiquei chorando durante o caminho e então me largaram na sala de espera. Eu revivia aquela cena me encarando, ouvindo aquela coisa toda de novo e novamente repetindo aquela cena. O culpado era claro, fosse uma ilusão, ou não, eu era um assassino e não conseguia viver com aquilo. A cena mudou e estava na floresta com alguns lobos ali perto, com um único humano entre eles, com a aproximação pude ver Logan no escuro, comecei a perguntar o que acontecera e então o ar saiu de meus pulmões. Fui jogado pra frente, percebendo minhas presas e começando e a cuspir sangue.

Havia uma espada no meu peito, ele falara alguma coisa que eu não compreendia no início, era sobre Dan e traição, dor e culpa. Tudo foi ficando nublado em minha mente e como um relâmpago. Eu acordei assustado sentindo aquela dor ainda mesmo sem nada, tateando meu peito, pescoço e estava tudo no lugar. Ainda estava ali, minha visão parecia que tudo ia desmoronar, então alguns dos espectadores se aproximaram pra me ajudar, mas lembrei da simulação e afastei as mãos deles. Caminhei torto até uma árvore ali perto, olhando aquele rosto destruindo aos meus pés, e me deixei cair tentando esquecer aquilo.

Não conseguir chorar direito, minha respiração atrapalhava com a sensação de choro, mas querendo meu acalmar. Minhas mãos tremiam e me arrependia levemente de ter ido primeiro de todos, aquilo não era adequado pra experimentar de primeira. Aproveitando do tempo dos outros sendo traumatizados para eu colocar minha cabeça na realidade sem ver aquilo em qualquer coisa que eu olhasse. Aguardei o final daquele treino para voltar pro acampamento sem querer arriscar a me perder vendo-o de novo, ou me assustar no caminho com algumas vozes me chamando. Eu não sabia o que poderia me lembrar a cena, mas queria evitar o que eu achei que fosse um gatilho.  

Não sei se passou muito tempo comigo ali sozinho na árvore até que aquela garota se aproximou de mim com um copo d’água e tocou minha mão sob meu joelho. Eu ainda tremia e evitava olhar pra ela, mas a ouvi: - Você não falhou tanto assim, encarou não ser a única razão da felicidade de alguém e a si mesmo. Já é mais do que muitos, só não foque naquilo que viu como uma realidade certa, ta bom. - Minha respiração parecia mais controlada, mas ainda tremia um pouco e me contive com as mãos juntas para pegar a água das mãos dela e a assisti se afastar de mim. Não era exatamente uma solução, mas já era uma direção para eu seguir, meu que eu não enxergar o caminho ainda.

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Blake Wicker
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Ceifadores de Thanatos/Leto
Ceifadores de Thanatos/Leto

Idade : 17
Localização : Chalé de Hades

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Mensagem por Daniel Sundfør Hellavich em Qua Abr 10, 2019 3:48 pm

inteligência interpessoal
Havia ingressado nos argonautas de Hera com o objetivo de usufruir melhor de minhas habilidades e também para me tornar um guerreiro. Confesso que, após ter um estranho mais do que esquisito que, depois descobri ser obra de Morfeu, acabei confrontando os meus piores demônios e que o principal deles era a minha passividade. Eu estava acostumado a depender de meu progenitor durante toda a minha vida, me arrastando por migalhas de afeto e aprovação, logo após, busquei ser o mais perfeito o possível no orfanato e, na minha adolescência, tornei-me dependente quase que exclusivamente de meu irmão, Blake. Seja para me defender de valentões ou comprar brigas por mim, ele era como um guardião leal, mas que era como uma sombra em minha vida que, apesar de eu amar, não podia tornar-me cem por cento dependente dela. Precisava ter minha independência e o primeiro passo era ser forte.

Hera, matrona dos argonautas e deusa da fidelidade e do casamento, era de longe a principal escolha. Seus soldados eram leais, balanceavam perfeitamente a razão e a emoção e só de me unir a eles podia sentir que minhas crises de bipolaridade diminuíram severamente. Eles eram como um contraponto essencial na minha vida, como um refresco para a minha mente perturbada de luz e trevas. Em meio a meus afazeres na sede dos argonautas, eis que acabo por ficar ciente de um treinamento especial que envolvia inteligência interpessoal. Aparentemente, uma meio-sangue grega que vivia no acampamento Júpiter decidira auxiliar várias pessoas com um computador de ponta e algum tipo de exercício emocional forte. Claro, como eu havia saído recentemente de uma ilusão onírica, eu precisava ter todo o cuidado ao lidar com minhas emoções, ou poderia ficar pior do que havia saído do sonho de Morfeu.

Arrumando minhas coisas e tomando um banho, fui até o acampamento rumo ao meu treinamento.

***

Dizer que o acampamento Júpiter era diferente do nosso era pouco, mas não tinha tempo para passear. Fui direto para a floresta onde já encontrei algumas poucas pessoas reunidas ao redor da garota que só poderia ser a condutora daquela experiência. Vi o computador como me fora passado, mas havia também um óculos de realidade virtual e isso me consternou um pouquinho. Iríamos ter de passar por alucinações? Não, muito obrigado, mas já tive minha cota de decepções com ilusões. Assim que Maisie e seu amigo terminaram os preparativos para nossa aula, ela começou a falar sobre uma parábola antiga de Sun Tzu, incluindo uma frase boa de Aristóteles que ressoou na minha mente: “conhecer a si mesmo é o começo de toda a sabedoria”.

Isso me fez viajar na maionese ao tentar conjecturar uma imagem de mim mesmo. Eu meditava, fazia ioga, costumava fazer diversos exercícios por aconselhamento de minha psiquiatra, mas eu realmente me conhecia? Graças a meus problemas envolvendo bipolaridade, eu acabava tendo surtos que eu só conseguia identifica-los depois de passar por eles. Era difícil me conhecer dessa forma, mas eu tentava o máximo que eu podia e a terapia servia de grande ajuda para mim na maior parte do tempo. Mas será que isso era suficiente para eu ser um guerreiro? Seja como meio-sangue ou agora como argonauta de Hera, precisava ser o mais forte que eu pudesse, custe o que custar.

Com injeções dispostas numa maleta, Maisie e seu amigo pareciam cautelosos com os instrumentos, e então recebi na minha vez uma injeção rápida e quase indolor, que parecia mais uma picada. Não sabia o efeito daquilo, mas provavelmente isso deveria ser parte do mistério de todo aquele treinamento. E se ela estivesse tentando nos matar ou nos dopar para nos entregar para o maldito Morfeu mais uma vez? Tentei não entrar em pânico, fechando os olhos enquanto ia dissipando meus pensamentos paranoicos. Isso é só a sua cabeça mexendo com você, é a ansiedade, não é sua mente de verdade, controle-se!, repeti para mim mesmo, ouvindo também a voz de minha psiquiatra ecoando. Ao perguntar quem iria primeiro, ergui minha mão e tomei a frente, dando alguns passos e me sentando numa confortável cadeira negra.

— Se eu não conseguir vencer meus medos... — Perguntei ainda um pouco receoso, umedecendo os lábios e fechando as mãos com força. — Você vai me tirar de lá com essa tecnologia, não vai? — Sussurrei, ignorando algumas risadas de outros campistas próximos de mim e encarando Maisie. Ela era muito bonita, tinha um ar simpático, porém tinha um quê de desafio estampado em seus olhos, o que parecia indicar uma filha de Zeus, Poseidon ou Atena. Cogitaria Ares, porém, ela não tinha nada que indicasse agressividade nela.

— Não, iremos deixar todos vocês presos dentro de uma realidade simulada, tipo Matrix — debochou ela com aquele ar sarcástico que me provocava uma mistura de raiva e simpatia, visto que sua beleza e o seu jeito de ser era fofo, mesmo que ela fosse bem atrevida com sua língua afiada.

— Está tudo bem... se eu puder desviar de balas igual o Neo, eu topo. — Dei de ombros, sentindo-me um pouco sonolento e então aceitando os óculos de realidade virtual, pondo-os em meus olhos e relaxando um pouco. E então, em poucos segundos, comecei a viajar.

***

Abri os olhos, e ainda estava na floresta, com os óculos de realidade virtual e o computador. Entretanto, não havia mais ninguém ao meu redor. Senti um arrepio na espinha, então fui ficando de pé, batendo as palmas olhando para todas as direções em busca de qualquer um daqueles babacas. Que ótimo, estavam me dando um belo de um trote! Revirei os olhos, cruzando os braços e caminhando rumo ao acampamento, onde eu iria ter a chance de dar o fora dali. Mas o local estava completamente vazio.

— Tem alguém aí? Olá? — Aos poucos, comecei a me preocupar, tendo em vista que não havia absolutamente ninguém. Estreitei os olhos, começando a me perguntar se eu estava preso de verdade naquela simulação futurística e tecnológica. Xinguei baixinho, saindo dos limites do acampamento e então não encontrando nenhum monstro nas redondezas. Estranho. Muito estranho.

Estava com meu cajado em mãos, então retirando minha presilha de cabelo e transformando-a em meu elmo dos argonautas. Caminhando pelo meio do mato e alcançando a pista, logo cheguei à cidade de Nova Iorque e então ela estava, surpresa, vazia. Não havia ninguém por perto. Não existiam meus pais adotivos, Blake, meus irmãos do chalé, meus companheiros argonautas... Nada, nem ninguém. Comecei a ficar desesperado, meu coração parecia que ia pular do meu peito e eu começava lentamente a entrar em pânico. Vagando, entrei numa loja aberta e cacei algumas batatinhas, comendo-as enquanto pegava uma lata de refrigerante.

Com o tempo, comecei a ficar um pouco mais tranquilo. Entrava em lojas, observava como determinados locais funcionavam – no caso, como deixavam de funcionar – sem ninguém por perto, como restaurantes, shoppings e afins. Cocei a testa, no meio da Times Square completamente vazia. Era estranho todo aquele silêncio, todo aquele vazio. Angustiado, abracei minhas próprias pernas e encarei o vazio lá embaixo, chorando e observando tudo do parapeito do prédio onde eu havia subido. De repente, uma ideia me veio à mente: o Empire State Building era um acesso para o Olimpo. Subindo até o topo, eis que me vejo subitamente na estrada para o reino dos deuses e...

— MERDA! O que porra vocês querem de mim? Isso é um teste? Vão se foder! Eu quero acordar! ME ACORDEM! — Gritei, dando tapas em minha própria face e puxando meus cabelos enquanto tinha uma verdadeira crise enquanto o elevador descia. Comecei a bater minha cabeça na parede, gritava e tentava acordar de todas as formas, enquanto as lágrimas desciam por minha face avermelhada. — Por favor, eu quero acordar, eu não posso, eu não quero ficar sozinho... — Choraminguei, e então ouvi o som de um avião estilo militar.

Corri, enquanto saía do hall de entrada do prédio e então me via no meio de um campo de guerra. Aviões antigos sobrevoavam os céus e haviam vários soldados escondidos nas trincheiras, com armas enormes nas mãos e tentando se esquivar dos tiros dados. Com uma armadura no estilo grega, me via usando uma saia, uma armadura, braceletes e meu elmo na cabeça. Os homens me olharam, alguns aplaudindo enquanto outros gritavam extasiados e estressados.

— Eu não acredito que você fez isso, Daniel! Como pôde? — Gritou um dos soldados e, em resposta, só pude rir diante da presença de vida humana depois de tantas horas sozinho.

Desci por uma escada simples para as trincheiras, subindo numa outra para ver os nossos problemas logo à frente. Fiquei boquiaberto, vendo o acampamento do outro lado invadido por homens armados com símbolos nazistas. Na verdade, haviam dois acampamentos, o Meio-Sangue e o Júpiter. Dava para ver pilhas de corpos no meio do campo de guerra, muitos tinham suas cabeças enfiadas em estacas, outros enforcados em árvores secas e velhas e muitos outros sendo queimados.

— O que está havendo? O que houve com o acampamento? Os dois, na verdade. — Perguntei desesperado, minhas mãos tremendo enquanto a levava paras as costas e eu podia sentir que lá havia uma espada que eu nunca havia visto na vida.

— O exército nazista, Daniel, é isso que aconteceu. Você estava fora, como sempre sendo um covarde e, durante esse tempo, os dois acampamentos foram invadidos. Todos morreram, procuramos por você, mas não conseguimos encontra-lo. Onde porra você estava, garoto? — Berrou um homem com um uniforme um pouco melhor que o dos outros, o que indicava que ele deveria ser o líder ali. Fiquei sem reação, maneando a cabeça e então baixando-a enquanto me agachava e sentia o peito pesar.

Estava sozinho no mundo, sem ninguém e nenhuma companhia, nem mesmo a dos monstros. Agora, os dois acampamentos eram destruídos e todos os campistas eram mortos por um exército de nazista? Encarei o homem, procurando por respostas.

— Foi bom, no início. Tivemos prosperidade e paz. Até que começaram as regras e as imposições. Ninguém notou nada até que os deuses caíram e a magia parou de funcionar. Todos nós, semideuses, fugimos e acabamos sendo pegos por último. Começaram com extermínios de todas as pessoas negras, depois invadiram países ricos para pegar riquezas, daí criaram venenos no ar para exterminarem qualquer pessoa não-heterossexual existente e por aí vai. No momento somos só umas mil pessoas no mundo todo e morremos a cada dia que se passa. — O homem falou e tudo o que eu podia fazer era assentir, assimilando as informações enquanto lágrimas rolavam.

Como conseguir sobreviver a isso? Como conviver com esse mundo onde a raça humana havia sido exterminada e tínhamos somente umas mil pessoas vivas? Éramos o quê, vinte deuses ali nas trincheiras contra quase mil nazistas? Eram todos os meus piores medos se tornando realidade. O mundo havia caído, tudo havia sido destruído e o preconceito havia vencido. O mal venceu. Engoli em seco, respirando profundamente e me recostando a parede com medo.

— O que faremos? — Perguntou o militar líder. Sua posição deveria ser o quê? Cabo? Não entendia muito bem de exércitos e posições na hierarquia.

Não tínhamos como vencer aquilo. Era o fim. Não! Gritei mentalmente um “não” milhões de vezes, comprimindo os lábios e então puxando a espada da bainha acoplada à minha armadura nas costas. Ela era comprida, com cabo de ouro que reluzia mesmo com o tempo nublado acima de minha cabeça e uma lâmina prateada afiadíssima. Estreitei os olhos, encarando também os braceletes e as runas e inscrições em grego. Comecei a subir as escadas, sentindo o chão fofo de terra debaixo de minhas botas douradas. Ali havia uma floresta no passado, mas agora eram só terra e pedaços retorcidos de madeira chamuscada.

Assim que dei o primeiro passo, um tiro foi disparado automaticamente e então ergui o antebraço esquerdo quase que automaticamente, desviando a bala que ricocheteou no bracelete. Mais uma bala e desta vez a parti ao meio com minha espada, provando de uma vez por todas que sua lâmina era realmente tão afiada e precisa quanto eu havia imaginado. Sorri, começando a correr e desviando das balas com os braceletes e com a minha espada. Assim que me aproximei, pude notar que meus braceletes brilhavam e haviam absorvido todo o impacto de cada bala atirada. Ri maliciosamente, agachando-me enquanto deslizava pelo chão fofo e fedido e então larguei minha espada, batendo os braceletes um no outro e liberando uma explosão de energia acumulada, destruindo as barreiras de pedras onde os homens se escondiam e lançando-os longe. Alguns caíam no arame farpado, outros batiam a cabeça na parede e a pintavam de sangue.

— Recuem! — Berrou um dos homens em alemão e, estranhamente, eu conseguia compreender.

Avancei contra os homens restantes e minha espada voltou automaticamente para minha mão direita, manuseando-a e cortando cabeças e decepando membros, matando um por um daqueles nazistas e por fim chutando o enorme portão duplo de madeira que caiu, tombando e me deixando com acesso livre para uma base enorme onde, pasmem, estava Hitler. Ele arregalou os olhos, e tal sensação me fez rir. Aquele homem com medo de mim? Dei um pulo e, para minha surpresa, conseguia pular com agilidade, quase como se eu fosse um felino. Eu era bom, eu era capaz de mudar o mundo e eu não podia me preocupar em me esconder ou priorizar tanto assim os meus sentimentos. Eu não precisava me preocupar em explorar tanto assim as minhas emoções, mesmo tendo meus demônios pessoais. Podia me focar em salvar vidas, por exemplo.

— Isso acaba aqui e agora. Sterben, filho da puta! — Gritei desejando sua morte, avançando enquanto eu literalmente voava e pousava à sua frente, enfiando a lâmina em seu peito, matando-o na hora.

***

Abri os olhos e meu corpo estava completamente elétrico, como se eu tivesse acabado de correr por minutos a fio. Retirei os óculos de realidade aumentada e sorri, caindo na gargalhada e recebendo a mão amiga de Maisie, auxiliando-me a ficar de pé. Respirei profundamente e era como se um peso tivesse acabado de sair dos meus ombros. Estava eufórico e então a abracei, agradecendo-a.

— Muito obrigado, Maisie. — Simpático, agradeci-a, mas logo decidi tomar o meu rumo e ir o quanto antes.

Estava decidido a seguir em frente, havia descoberto os meus medos e consegui desvendá-los, compreendê-los e, principalmente, aceita-los. Eu não precisava ser destemido, corajoso ou um herói, eu só precisava seguir em frente com um dia de cada vez, aprender com os meus erros e aceitar meus piores lados.

poderes utilizados:
perséfone:
ativos:
nenhum
passivos:
Nível 4
Nome do poder: Pericia com Espadas I
Descrição: O semideus tem certa facilidade em lidar com espadas, tanto curtas quanto longas, e mesmo sem nunca ter usado uma espada em batalha, saberá o que fazer, mesmo que cometa alguns erros.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +10% de assertividade no manuseio de espadas.
Dano: +5% de dano se o oponente for atingido pela arma do semideus.

argonautas de hera:
ativos:
nenhum
passivos:
Nível 1
Nome do poder: Aura Real
Descrição: Sendo seguidor de Hera/Juno, a rainha do Olimpo e dos céus, o argonauta tem uma aura real que o iguala à alta nobreza, tendo uma presença forte e imponente.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum

Nível 3
Nome do poder: Perícia com Espadas I
Descrição: Os argonautas se tornam ótimos esgrimistas, aprendendo a manejar uma espada com uma tremenda facilidade. Mesmo sem nunca ter pego essa arma, conseguirá usá-la para estocar e se defender, mas ainda com grandes chances de cometer erros, dependendo de um pouco de sorte para acertar pontos críticos de seu adversário, ou correndo o risco de ser desarmado.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +15% de assertividade no manuseio da espada.
Dano: +10% de dano ao ser acertado pela arma do semideus.

Nível 4
Nome do poder: Lealdade Incondicional
Descrição: Tal como Hera/Juno é uma deusa leal à sua família e seus princípios, essa é a primeira característica que ela valoriza em seus seguidores. Os argonautas são leais acima de tudo, sendo recompensados ao lutarem com a intenção de protegerem aqueles a quem são leais.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +10% chances de sucesso ao lutar por quem são leais
Dano: Nenhum
itens:
• Faca de Bronze Celestial [ Uma faca de lâmina curta - cerca de 10 cm - com cabo em madeira envolvido em couro para tornar o manuseio melhor. | Não produz feridas em mortais. | Bronze celestial, madeira e couro. | Sem espaço para gemas. | Alfa. | Status 100%, sem danos. | Comum. | Nível 1. | Item inicial. ]

• Cajado [Aparenta ser um pedaço de madeira velha, levemente curvado na ponta e segurando uma pedra azulada como a lua. |Efeito 1: Sua aparência pode ser alterada e o cajado pode ser transformado em um bastão de Arambarium que amplia os poderes do portador de magia em +25%, dando um dano 25% maior ao realizar feitiços usando esse bastão como canalizador. | Efeito 2: Transforma-se em um brinco de perola. | Arambarium | Espaço para uma gema | Beta | Status: 100% sem danos | Mágico | Arsenal do Acampamento]

• Elmo Real [ Um elmo de batalha em ouro imperial e entalhe de um pavão. O interior é acolchoado para promover um encaixe perfeito e confortável. O penacho sobre o elmo tem uma cor individual a cada argonauta, facilitando a identificação de cada integrante do grupo em campo de batalha. Cor: Vermelho  | Efeito 1: O elmo assume a forma de um acessório de cabelo escolhido pelo Argonauta, facilitando seu transporte e ativação. | Efeito 2: Além de conferir a proteção física, o elmo também pode ativar uma cúpula que fornece proteção mental e mágica durante dois turnos. | Efeito 3: Quando ativo, o elmo permite a comunicação entre os Argonautas. | Resistência Alfa | Espaço para uma gema | Status: 100%, sem danos | Mágico | Presente de reclamação dos Argonautas de Hera/Juno ]
observações:
1 - O primeiro medo do personagem era a solidão, portanto; ele ficou sozinho no mundo, sem nada ou ninguém

2 - O segundo medo era com o mundo como um todo. Daniel se preocupa com a situação sociopolítica e com o preconceito de todas as formas. Só de pensar em um mundo sem igualdade, justiça ou liberdade de expressão faz o personagem (e eu em off também) morrer de medo com o futuro do nosso planeta azul e verde.

3 - Daniel não possui uma armadura de oura nem espada, muito menos aqueles poderes descritos, porém como é tudo uma ilusão eu tomei liberdade de inserir isso, espero que não se importe.

4 - Amei o treino! :D
ficha de fpa:

XIII
Daniel Sundfør Hellavich
Daniel Sundfør Hellavich
Filhos de Nyx/Nox
Filhos de Nyx/Nox


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Mensagem por Nero Khan em Sab Abr 13, 2019 7:03 am


"Dentro de cada ser humano há um monstro


É muita filha da putagem que os deuses trabalhem com visões em sonhos. Quem consegue se lembrar de um sonho com todos os detalhes? Bem, para Nero, que sempre teve péssimo talento para isso, tudo passou a depender muito do sonho em questão. Primeiro, eram as visões do fatídico dia do desaparecimento da sua mãe. Depois, sonhos desconexos, difíceis de entender e piores ainda de se explicar, onde várias pessoas morriam, e era ele a segurar a espada.

Portanto, quando ficou sabendo sobre a aula, imediatamente interessou-se por ela. "Aprenda a controlar seus medos", dizia o anúncio. Isso seria o que, uma introspecção? Nunca pensou que, sendo filho do deus grego da guerra, e morando junto com outros semideuses, tendo que enfrentar o estresse da vida nas tentativas de não ser comido vivo por monstros, tivesse a chance de ir em um psicólogo. Provavelmente não seria tipo uma consulta, mas era o mais perto que chegaria de um tratamento, talvez. Valia a pena tentar.

"Eu odeio portais", pensava enquanto atravessava aquele. Viajou vários quilômetros a pé só para não ter que usar o Ponto, item que lhe permitia criar um portal para o Acampamento Meio-Sangue. Mas os romanos talvez não se sentissem muito a disposição de adiar a aula em algumas semanas para esperar ele atravessar o país caminhando. E não, não era medo. Era a náusea que provocava no estômago dele, e a sensação de não ter a certeza que seria jogado no lugar certo. Ok, ok, talvez haja um pouco de medo envolvido. Feliz?

Não foi o primeiro, para variar. O que nesse caos era bom, porque ele tinha alguém para seguir até o local da aula. Sua primeira visão do Acampamento Júpiter foi bem... Limitada. Não tinha muito para se ver naquela zona do portal, e rapidamente foram guiados para o interior da floresta. Aparentemente, mesmo sendo aliados, há coisas ali que estrangeiros não devem ver. Tanto faz. O importante é que ele conseguiu alcançar os outros alunos antes que a aula terminasse.

Pensar em alunos e aula o fez matutar que estava novamente na escola. Poderia facilmente dizer que já fazia anos sem que se recordasse disso, não fosse sua recente captura pela Seita e a ronda cerebral que fizeram nele, o forçando a reviver algumas lembranças em sonhos. Enquanto escutava a tutora falar, só podia esperar que a experiência fosse um pouco diferente dessa vez.
"Conheça o seu inimigo como a si mesmo" — a citação escapou do seu cérebro e foi parar em sua boca à menção da frase de Sun Tzu. Um pouco alto demais, fez com que ganhasse um olhar afiado da moça, mas que não disse nada e manteve a compostura na explicação.
"A lógica naquela frase", ele refletia, "estava em conhecer seu adversário tão bem como você se conhece". O que na teoria faz bastante sentido. Mas como fazer para conhecer verdadeiramente a si próprio? Bem, se ele tivesse a resposta, não precisaria estar ali hoje, afinal. O sr. Tzu tinha uma opinião bem categoria sobre pessoas como ele, que não sabem quem realmente são - fracassados que não vencerão uma só batalha.

Uma agulhada e um sonho induzido? Já havia visto esse filme antes. Algumas semanas atrás, amarrado em uma maca, em no que parecia ser um laboratório clínico abandonado. Talvez não seja tão diferente assim, afinal. Respirou fundo. "Você consegue", pensou. Daí outra voz respondeu, "é claro que eu consigo, eu já passei por isso antes, e estavam tentando me matar. Dessa vez vai ser balela."
Ah, como ele queria ver a cara das Parcas em uma hora dessas.

Depois de vários minutos olhando semideuses sentarem na cadeira, e após um tempo se descontrolarem, levantarem chorando, ou alguns poucos que até conseguiam sair com dignidade, embora visivelmente mais pálidos do que quando relaxaram as nádegas ali, chegou sua vez. Por que estava fazendo isso, afinal? Qual era realmente seu medo? Cobras? Palhaços? Altura? Ele tinha bastante aversão a altura. Ou melhor dizendo, a locais suspensos. Será que só estava ali pelo roleplay, e porque precisava sentir que estava interagindo com pessoas novamente? Ao final de tudo isso, com certeza, o garoto iria desejar que uma cobra vestida de palhaço tivesse aparecido para ele dentro de um avião.
Colocou os óculos.

Sangue escorria pelas suas mãos. Haviam corpos pelo chão, dezenas deles, de homens, mulheres e crianças. O que estava acontecendo ali? Quem fez aquilo? Olhou para si mesmo, estava segurando no punho da Menzuripa. A lâmina, outrora cor de aço, tinha se tornado vermelha. Mas... Como...
Alguém passou correndo na sua frente. Sem saber por que, ele correu atrás. O cenário era desfocado, quase que como irrelevante. Tudo em que seus olhos conseguiam se concentrar era na pessoa correndo a poucos passos dele. Ele quis esticar a mão e gritar "Espere!", mas tudo que fez foi dar um golpe com a chokuto, que abriu um rasgo ensanguentado nas costas da garota, e ela caiu morta.

Nero parou, tremendo. Seu coração parecia que tentava rasgar o caminho através do peito. "Eu... como eu fiz isso...? Eu não posso ter... Eu matei ela? Por quê...?"
Porque é quem você nasceu para ser — Era Ares, que havia surgido em sua frente.
Não! — Khan gritou. Mas imediatamente outra silhueta passou correndo em sua frente, e seu corpo reagiu alheio a própria vontade. Rapidamente o alcançou e fincou a espada nas costas do garoto, sem ao menos ver seu rosto.
Você nasceu para ser como eu, Nero Khan. Você nasceu para matar.
Ele tentou protestar, tentou gritar, mas tudo que conseguia fazer era exatamente o que seu pai dizia: matar. Dois, três, quatro, cinco pessoas em menos de dez segundos. A lâmina cortou e fatiou através delas, rasgando roupas, penetrando pela carne e dilacerando os ossos no caminho. Depois de um tempo era como se aquilo fosse tão natural, tão fácil, que a espada tinha se tornado uma extensão de seu corpo, e seus movimentos fluíam como se fosse um escorpião ferroando uma ameaça. Só que ele era a ameaça ali.

"Então Ares está correto?", mais três, quatro corpos caíram. "Meu instinto é realmente o de um assassino?". Duas crianças foram cortadas ao meio enquanto tentavam fugir. "Eu fui feito para matar? Foi para isso que eu nasci?". O corpo de um guerreiro, ágil e flexível, estrutura óssea invejável, condição muscular digna de um atleta. "Sim, quem poderia se defender?". Qualquer golpe era realizado com naturalidade, sem dificuldade. "Basta pensar e qualquer técnica surge em minha cabeça. É tão natural. Meu corpo foi feito para ser uma arma. É isso que eu sou..."

Pensou em sua mãe, que tinha desaparecido tentando trazer ele até o Acampamento. Lembrou dos seus meses de treinamento, aprendendo a controlar suas habilidades, aperfeiçoando suas técnicas. Tudo aquilo, todo aquele esforço, no fim tinha sido apenas para afiar a si mesmo? Ares era o deus dos massacres durante a guerra, e ele era só mais uma arma para fazer cumprir a vontade de seu pai? Uma personificação dele? Pensou em Liz, a jovem filha de Hipnos, que deu a vida por ele. Não, sacrificou sua vida porque acreditava nele. Acreditava que ele era uma pessoa boa.

"Não!", por um instante conseguiu parar o braço da espada, permitindo que o homem se afastasse dele. Ainda assim correu atrás do sujeito, e quando preparava o golpe para decepar sua cabeça: "NÃO!". Girou o corpo, mudou a direção do ataque, cortando o vento ao seu lado. "Eu nunca aceitei nenhum dos poderes de meu pai por um motivo". Várias pessoas começaram a rodear ele agora, correndo, o provocando, pedindo para serem mortas. "Eu nasci com essas habilidades, mas não vou usá-las para machucar as pessoas. Eu não sou um monstro".
Correu, o mais rápido que pôde. Passou reto pelos que o cercavam, desviando dos que tentavam se jogar na sua lâmina. Uma criança vinha correndo de braços abertos para ele, não para ser abraçada, mas para ser morta.
"Eu serei semideus, mas não serei meu pai!"
Então saltou, usou da aceleração e da sua força e pulou por cima do garotinho, e golpeou a imagem de Ares que estava do outro lado.

Tudo mudou. Primeiro havia apenas escuridão. Piscou várias vezes, forçou os olhos, mas não era um breu no qual suas pupilas pudessem se adaptar. Será esse o vazio existencial?, brincou consigo mesmo. Até que viu alguém ali, bem ao longe. O deus da guerra, outra vez? Não, muito pequeno e magro para ser ele. Caminhou até lá. Estava de costas para o garoto. E não era Ares.

M-mãe? — A essa altura ele já deveria saber que tudo ali era só um sonho. Mas como se explica isso para o coração? Como fazer ele não doer por ver ela ali?
Nero — era a voz dela. — Por que você me abandonou?
De novo aquelas mesmas palavras. Da primeira vez Liz o alertou de que eram um chamariz para prender sua atenção. Então por que as estava ouvindo ali de novo?
Eu não abandonei você! — Tentava se justificar. — Eu fui atrás de você, te procurei, por quase dois anos!
Teria sido necessário isso, se tivesse ficado comigo naquele dia? Nero, você abandonou sua mãe para morrer.
Não..."NÃO!"Eu... Nós fomos atacados, eu fui jogado longe....
É o que diz para os outros? Nós dois sabemos, filho. Nós sabemos que após isso você correu.
Eu não...
Eu pedi para você ir e você foi. Você abandonou sua própria mãe.
"Aquilo era verdade?", pensou. Não podia ser, porque se fosse... Se fosse, então a culpa seria toda dele. Durante dois anos ele culpou Ares por ter provocado aquilo. Se seu pai não fosse um deus, eles não teriam sido atacados por monstros, e sua mãe não teria desaparecido. Era lógico culpar aquele que negou a ajudá-los, mesmo tendo o poder para isso.

Mas... E se tivesse passado tanto tempo culpando seu pai, apenas para tirar a culpa de si mesmo? "Não, não, não, não, não, isso não pode ser, não pode, não pode, porque se for... Se for verdade, então... Então eu tenho sido um covarde todos esse tempo". Sim, isso sim era racional, afinal.

Você me abandonou lá — ela não parava de repetir.
Sim — ele disse, por fim.
Você abandonou sua mãe para morrer.
Mãe... Mãe, eu corri, corri porque estava com medo. Eu fiquei completamente apavorado. Quando voltei, você já havia sumido.
Então por que, Nero? Por que toda essa procura?
Eu preciso te achar.
Por que?
Porque você é minha mãe!
Filho...
Não, para! Você aqui nem é real! Não te dou o direito de falar como se fosse ela!
Filho, você não está me procurando por eu ser sua mãe, está?
Eu... É claro que eu... — Estava?
Isso é culpa.

Silencio. Nero estava boquiaberto, estático. Olhava para o rosto da sua mãe, e então se deu conta de que não conseguia encarar aqueles olhos. Abaixou a cabeça. Seu corpo tremia da cabeça aos pés, e havia lágrimas se formando em seus olhos.

Eu a abandonei para morrer... — sussurrou.
O que disse, filho?
EU A ABANDONEI LÁ PARA MORRER! — Gritou, e fazendo isso foi como se alguma coisa saísse de dentro dele.— E a verdade... quer saber a terrível verdade? No fundo, meu maior medo é que você já esteja morta. Esse tempo todo, que tenha morrido naquele mesmo dia, e por isso eu nunca pude te encontrar. E por isso eu tento tanto, para lutar contra esse medo, mas na verdade só estou empurrando ele para debaixo do tapete. Eu nunca o confrontei de frente, eu nunca disse isso, mesmo que em pensamento. Mas a verdade? A VERDADE É QUE VOCÊ JÁ ESTÁ MORTA E A CULPA É TODA MINHA!
Seu corpo perdeu o equilibro, como se tivesse tido uma queda de pressão. Cambaleou para frente, tombou. Cairia de cara no chão, incapaz de impedir a queda. Sua mãe o segurou e o abraçou.
Está tudo bem— ela sussurrou para ele.
Não está tudo bem — agora ele realmente estava chorando. — Meu maior medo era ter sido o responsável pela sua morte, era admitir que você poderia estar morta.
Ela o segurou pelos ombros e o afastou um pouco, o suficiente para olhar seu rosto. O dela era meio redondo, com um sorriso, aquele sorriso que dizia que ficaria tudo bem, que o mundo não era um lugar tão terrível assim, e que ela estava ali por ele para o acolher.  
Eu perdoo você. Agora você precisa se perdoar.
Ela secou a lágrima dele com a mão, sorriu, triste. Ele tocou no rosto dela.
Pode ir.
Então ela se foi. Explodiu em um milhão de partículas que foram tragadas pelo vento, rodearam pelo ar como redemoinhos, e enfim desapareceram.

O assistente da instrutora - não conseguia se lembrar do nome de ambos - ajudou ele a tirar os óculos. Todos o olhavam, como antes olhavam a quem estava na cadeira primeiro. Lembrou das risadinhas que deu com os outros a cada um que saia sem conseguir se controlar. Naquilo, especialmente naquilo, não havia a menor graça, nada do que ele ou qualquer outro tivesse o direito de rir, não dos piores medos de alguém.

Ele se levantou e caminhou até onde havia deixado seus equipamentos. Lá, pegou a bainha da chokuto com uma mão e o punho com a outra, e a desembainhou. Todos que estavam a sua volta se afastaram, e até Maisie encostou na própria arma.
Nero?
Está tudo bem — disse, lentamente, olhando a lâmina maldita, que exigia do usuário um severo controle de sua raiva. — Eu não sinto nada.

FPA:

Armas:
• Menzurīpā No Tsurugi [Literalmente, Espada Ceifadora de Homens, trata-se de uma chokutō (espada reta de um gume), notavelmente maior do que as primeiras a serem fabricadas, mas ainda menor que uma katana. Essa diferença se dá pelo fato desta ter sido forjada muito tempo após as chokutō terem saído de moda, e seu ferreiro foi ninguém menos do que Muramasa Sengo, o lendário forjador das “espadas amaldiçoadas”. | Efeito 1: O usuário pode optar por canalizar uma parte do seu poder divino (60 MP, 30 por turno) na espada, para potencializar a agudeza enormemente através de alta frequência de vibrações energéticas, bem como aumentar a sua gama de corte, tornando-a capaz de cortar através de materiais com resistência beta ou menor. Esse efeito dura dois turnos, tendo que esperar outros dois para ativar novamente. | Efeito 2: Por ser amaldiçoada, a espada enche seus proprietários com sede incessante de sangue. Caso o portador não tenha a capacidade de controlar seus instintos, mergulhará em um frenesi onde tentará matar todos que estiverem a sua frente. Esse estado irá causar sérios danos a saúde corporal do usuário se não for contido | Bronze Celestial | Um espaço para gemas | Alfa | Status: 100% sem danos | Amaldiçoado | Ganho em missão]


cuidado para não alimentá-lo."


Nero Khan
"Não se pode esperar um final feliz de uma história de terror"
thanks to Larissa
Nero Khan
Nero Khan
Filhos de Ares
Filhos de Ares

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Mensagem por Kali Nam em Sab Abr 13, 2019 10:20 pm

The only freedom
you truly have
is in your mind.
 


Naquele dia, ela havia ido para aquele treinamento em específico. Deuses sabem como ela acabaria se arrependendo depois. Talvez, se arrependesse mais do que podia mensurar e esse simples pensamento lhe causava enorme náusea. Odiava se arrepender de algo e já havia enfrentado seus medos com a ajuda de Psique. Deveria ser mais fácil para ela, certo? Errado.

Se você, meu adorável leitor, pensa que nossa jovem heroína vai se safar disso facilmente, está muito enganado. Ela tinha dois grandes medos: morrer e passar pelo julgamento era um deles. Retornar ao Tártaro era outro. A garota de olhos escuros e aspecto franzino, tinha a atenção fixa em cada palavra proferida por sua antiga centuriã. Logo, ela se voluntariou para tomar a injeção. Não queria fraquejar, por isso, fechou os olhos e virou o rosto para o outro lado.

Esperou por sua vez e se ajeitou confortavelmente no lugar, deixando que o semideus responsável terminasse os “toques finais”. Ela mal percebeu o que tinha acontecido até que se viu num lugar escuro e frio. Reconheceu como sendo o submundo. Estava por aquele grande corredor que a levaria até a sala de julgamentos.

Ela lembrou-se do frio. Lembrou-se da dor excruciante e da sensação de vazio que veio logo em seguida, arrebatando sua alma para o Hades. Ela pensou se iria para os campos Elísios ou se em seus breves dezesseis anos, ela tinha cometido pecados o suficiente para ser mandada aos campos de punição. Tudo aquilo fazia com que seu corpo reagisse com suor frio surgindo nas palmas de suas mãos e em suas costas.

Ela lembrou-se, naquele momento, que não morrera. Não havia razão em temer a morte, ela descendia dela e também dos fantasmas. A pequena Nam tentou achar o furo naquela visualização. Passara por aquilo em uma de suas meditações no templo de Psique e sobrevivera. Sobrevivera por lembrar que alguém, uma graecus, havia se importado com ela. Importado o suficiente para não deixar seu corpo ferido e de vísceras expostas caído no chão. Havia de importado o suficiente para não deixar que seu sangue fosse derramado naquele campo de batalha. Lembrou-se de como a curandeira era quente e como seu próprio corpo parecia minúsculo ao abrir os olhos naquele dia. Naquele dia, ela sentira-se pequena.

Mas Kali não era pequena. Já havia passado da fase de ser uma criancinha em apuros. Agora, ela estava ali. Desperta de sua ilusão, sobrevivente de seu próprio medo. O aroma floral, natural de sua salvadora, preenchia suas narinas. Luna, filha de Perséfone, curandeira. Ela fizera questão de descobrir quem havia salvado sua vida, vida que ela sacrificara pelos romanos que sempre lhe pagaram com desconfiança.

Então, como se não bastasse, caiu numa segunda visão. Estava no Tártaro. No meio da guerra. Seu coração martelava o peito. Ainda era um sonho recorrente. Ainda era um pensamento recorrente. Ela acordava suando frio durante a noite como uma sobrevivente de guerra. E não era o que ela era afinal? Seu coração parecia prestes a rasgar seu peito enquanto ela andava pelo cenário arrasado de corpos e destruição. O coração pulsante do Tártaro, aquele ser tão antigo quanto a própria Noite, tão poderoso quanto o próprio Caos, ecoava por seus ouvidos. Havia em seu peito a crescente sensação de que se ela morresse ali, seria ali que sua alma pereceria. Dessa vez, sem pais amorosos para busca, sem juízes para julga-la. Só a mais completa escuridão devorando cada canto de sua alma até que, talvez, ela se transformasse em um monstro ou sumisse de vez sem a chance de nunca retornar dos mortos.

Mas ali, onde aquele cheiro podre e que feria sua garganta tomava o ar, ela percebeu uma figura familiar. Ed. Uma onda de poder, indicando um grande sacrifício passou pelo local. Ela podia ver as feridas se curando e os ânimos se renovando. Esperança. Vida. Coragem. Era aquilo que ela havia recebido com aquela onda pulsante de energia que ela não sabia de onde viera, mas viria a saber mais tarde. Sacrifício. Uma palavra importante e com muitos significados.

Não importava qual medo ela tivesse. Ficar sozinha ou morrer. Se perder ou perder a quem amava. Em todo lugar, não importando o quanto estivesse devastado, sempre haveria esperança. Ela se lembrou da alegria todos ao retornarem para os Acampamentos. Da própria alegria ao abraçar o único amigo que tinha. Poderia sufocar com aquele pensamento da mais genuína felicidade.

Não importava o que dizia: ela era boa. E, sendo boa, sempre encontraria positividade nas situações mais adversas, mesmo diante de seus maiores medos. Se ela nunca perdesse a própria essência, poderia sempre sair das situações mais complexas.

Então, a simulação se desfez e ela retirou o equipamento, olhando ao redor. Não perguntou como se saiu, apenas se afastou e esperou.

 
Training • Solo •  #002







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Kali Nam
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Mensagem por Amber K. Blackwood em Dom Abr 14, 2019 8:09 pm

Chain reaction, it's so electric
treino


Eu estava sendo movida por uma série de emoções. A primeira e a mais evidente, era o orgulho. Maisie Knight Blackwood, filha de Athena e centuriã da terceira coorte, estava para treinar os legionários de modo a aprimorar as múltiplas inteligências. Ela estava alcançando algo que eu, enquanto legionária ativa no acampamento, não tinha conseguido. Minha irmã mais nova estava comandando, se destacando em meio a um sistema rígido e conservador. Ela brilhava em meio aos velhos costumes. Depois vinha a curiosidade. Maisie não falava mais do que o necessário, instigando minha imaginação de como seria os treinamentos que ela faria com os campistas. Eu sabia que era uma estratégia para que eu dirigisse por toda São Francisco para adentrar o lugar no qual uma vez já chamei de lar. Então vinha o sentimento de derrota, pois eu não tinha conseguido evitar cair na armadilha feita pela Blackwood caçula.

Apesar do local ser na floresta romana, o cenário era tecnológico. Com uma cadeira, computador e uma espécie de óculos virtual. Assisti com certa satisfação orgulhosa pela menção ao Sun Tsu e até mesmo a frase bem colocada de Aristóteles. O conceito por trás do treinamento não era difícil de entender, apesar de já provocar antecipadamente calafrios em minha coluna. Enfrentar dois medos seguidos em uma máquina criada por filhos de Vulcano? Era um risco que aparentemente todos que estavam ali presentes estavam dispostos a pagar. Assisti com curiosidade alguns participando da atividade, até ter coragem o suficiente para sair do pequeno aglomerado de semideuses e finalmente me voluntariar.

Você finalmente veio a um treinamento! — Maisie comentou com um sorriso de lado.

Não consegui a primeira por causa do trabalho, mas vou tentar ser mais presente. Afinal, não é todo dia que temos uma garota como você enfiando um pouco de inteligência na cabeça dos outros. — Comentei e fiz uma careta ao receber a injeção. — Quase que literalmente falando...

O riso mal contido de Maisie me fez sorrir enquanto sentava sobre a cadeira. Os óculos de realidade virtual foram posicionados sobre minha cabeça, sendo prontamente ajustado pela minha irmã. Eu precisei contar apenas até cinco para que minha mente fosse lançada para um mundo completamente novo, apesar de que era ainda uma simulação. Deparei-me com um local que eu já conhecia, mas a muito não visitava: a casa antiga de meu pai, em Nova Roma.

A sala de estar estava bagunçada como sempre, por causa dos brinquedos espalhados pela mesa e pelo chão. Eram peças de lego, pequeno arquiteto e outros jogos de lógica, algo que eu e minha irmã adorávamos brincar quando pequenas. Um pequeno sorriso nostálgico brincou em meu rosto, enquanto caminhava pelo espaço antigo. Os detalhes eram minuciosos, ao ponto de sentir o cheiro cítrico que sempre exalava do tapete.

O som de algo caindo no chão me fez para em meio ao caminho. A sensação de que algo ruim estava para acontecer podia ser vislumbrada através dos pelos arrepiados de meus braços. Girei nos calcanhares indo em direção a cozinha, meu coração travando dentro de meu peito ao ver algo que roubou não apenas meu fôlego, mas que também fez com que meu sangue congelasse. Adam Blackwood estava caído no chão, com uma adaga fincada em seu peito. A expressão de susto brindava o seu rosto pálido, o peito subia e descia em uma velocidade alarmante, fazendo com que o sangue escorresse para o piso ainda mais rápido.

Adam! — Gritei sem esconder o horror em meu timbre.

Eu estava pronta para correr na direção dele, quando meu corpo paralisou uma vez mais. Uma reação instintiva, pois meu cérebro demorou mais do que o normal para processar que meu pior pesadelo estava sendo formado e completo. Toda a batente da porta estava coberta por aranhas, dos mais diversos tipos e tamanhos, tomando um bom espaço também do chão que dava acesso ao cômodo da cozinha. Meus passos recuaram automaticamente, tentando colocar distância contra aquelas criaturas vis. Dessa vez, era meu peito que subia e descia, denunciando minha respiração irregular. Calafrios dominavam meu corpo, minhas mãos tremiam e o pânico parecia reinar em cada fibra de meu ser.

Elas iriam me matar.

Cada uma delas iria subir por meu corpo.

Cada uma daquelas inúmeras patas iria rastejar sobre minha pele.

As aranhas cobririam meu corpo e me devorariam viva.


O lado irracional provocado pelo medo estava vencendo. Pensamentos distorcidos dominavam a minha mente, controlando meu comportamento automático de paralisia e pânico. Eu mal processava a minha blusa colando a minhas costas, devido ao suor que agora estava intenso. Meus olhos não desviavam das pequenas criaturas cheias de pernas, mesmo que temesse, mesmo que quase estivesse tendo um ataque do coração só por elas estarem ali, eu não conseguia desviar o olhar.

A fobia por um momento me fez esquecer do mundo ao redor. Até que o gemido de dor reverberou pela antiga casa, despertando-me do mundo caótico para lançar-me a uma outra catástrofe. Meu pai estava ainda lá, apunhalado no peito, prestes a morrer... Enquanto eu estava paralisada pelo medo! Cai de joelhos no chão, sentindo as lágrimas escorrendo pelo meu rosto enquanto a sensação de sufocar travava a minha garganta, tornando difícil a ação de respirar. Era o pior quadro que minha mente poderia simular: a perda de alguém tão importante e próximo para mim, sendo que eu poderia ajudar... se não fosse pelas aranhas. O dilema vil e assustador não me permitia agir, pois tudo o que eu precisava para enfrentar um medo, era vencer outro.

Os olhos de Adam estavam perdendo a cor. A poça de sangue tinha aumentado ainda mais sobre o piso da antiga casa. Meu coração dilacerou, o medo finalmente provocando uma reação diferente. Eu iria perde-lo se não passasse pelas aranhas. Ele iria morrer e seria minha culpa! Levantei usando do que parecia todas as minhas forças como herdeira da guerra, mesmo que minhas pernas ainda permanecessem trêmulas ao me sustentar. Eu respirava de maneira forte, ensaiei o movimento e finalmente corri, saltando pelas aranhas sem ousar fechar os olhos. Ao pousar do outro lado, tentei ignorar o máximo possível os aracnídeos que se tornaram agitados com os meus movimentos bruscos. O medo das aranhas não tinha desaparecido, ele ainda estava ali, me fazendo escutar até mesmo cada passo que elas davam, mesmo que isso fosse incoerente. Minha mente não deixaria que eu esquecesse da presença delas, mas – ao mesmo tempo – eu tinha finalmente organizado as minhas prioridades. O instinto protetor não anulava o medo, mas me fazia conviver com ele e superá-lo.

Calma papa, não se mexa muito! Eu estou aqui! — Exclamei com urgência, abrindo as gavetas até encontrar toalhas de prato.

As coloquei ao redor do ferimento, tentando não mexer muito na adaga. Se eu a retirasse, Adam correria risco de morrer para uma hemorragia. Porém, ao deixar o item ali, a qualquer movimento o dano piorava internamente. Eu precisava buscar ajuda, eu precisava deixa-lo. Meu corpo paralisou uma segunda vez perante um pensamento. O medo de que algo acontecesse quando deixasse meu pai levando o melhor de mim. Sempre tinha sido eu e ele contra o mundo, criando Maisie da melhor maneira que nós dois poderíamos. Eu tinha amadurecido rapidamente para acompanha-lo na batalha que era a vida. Ele tinha abandonado os poderes para poder oferecer mais segurança as filhas.

No fundo compartilhávamos daquele medo de não sermos o suficiente um para o outro, de que algo de muito ruim iria acontecer se nos afastássemos. Por isso não importava que eu estivesse em uma vida adulta promissora no mundo humano, eu ainda morava com meu pai. Estava sempre ao lado dele para dar cobertura, me prendendo ao antigo legionário na maneira que poderia. Porque eu tinha medo de deixa-lo, de que ele corresse perigo. Isso era traduzido naquele momento, em que eu precisava sair mas não conseguia abandoná-lo! Porém, quando meus olhos repousaram sobre as mãos manchadas de sangue, eu finalmente tive um clique dentro de minha cabeça: se eu não saísse, ele morreria.

Você vai segurar esse pano com o resto de sua força e vai tentar não se mexer, eu vou buscar ajuda!

Levantar exigiu uma quantidade de força de vontade similar ao salto que dei sobre as aranhas. O medo de que algo ruim acontecesse funcionava como um campo gravitacional, tentando me puxar e segurar no lugar. Decisões poderiam ser mais pesadas e poderosas do que uma batalha entre corpos, pois uma decisão poderia mudar absolutamente tudo. O medo ainda residia em meus pensamentos, mas, dessa vez, eu o estava usando como combustível. Ao estar sobre minhas pernas, meu corpo – um tanto letárgico – saiu pelas portas do fundo, e em plenos pulmões eu gritei por ajuda.

Os vizinhos vieram quase no minuto seguinte, junto com eles atravessei a porta uma vez mais. Meu pai estava com um sorriso orgulhoso no rosto, mesmo que pálido e fraco; estava prestes a dar um passo em sua direção, quando toda a simulação se desfez e eu me vi ofegante sobre a cadeira. Desesperada, retirei os óculos virtual e levantei bruscamente, agitada por meu corpo ainda conter toda a adrenalina produzida pelas emoções conturbadas.


Make a wish change to reality
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Intelligentia II - Treinamento Especial Empty Re: Intelligentia II - Treinamento Especial

Mensagem por Puermina em Seg Abr 15, 2019 12:46 am


Intelligentia
Treinamento Especial

Atualmente estava praticando muito do que aprendi em aulas de concentração, como nas artes, por exemplo, porém, ainda havia muito o que melhorar. Minha experiência enfrentando os perigos da minha mente não foi muito agradável, fora aquela coisa que sussurrava em meu ouvido nos piores momentos e vinha ganhando mais força a cada dia.

Como se o deus do acaso, Kairós, tivesse a par das minhas necessidades, me colocou na mesa, durante a refeição mais importante do dia, ao lado de um grupo de filhos de Ares que ridicularizavam um irmão por ir buscar conhecimento no "Acampamento Júpiter" com uma grega, filha de Athena. Fingia estar interessada em oferecer parte do meu alimento em oferenda à Éris apenas para ouviu melhor do que se tratava. Aparentemente um treinamento especial de controle mental. Tratei de comer o que pude, de pé mesmo, e taquei o resto no fogo, desejando que chegasse queimado seja onde Éris estivesse.

Seguia por um caminho no acampamento onde, uma vez, tinha visto uma espécie de portal. Ao chegar lá, viu um menino atravessá-lo. Olhou ao redor e não viu seguranças então, aventureira, segui adiante. Não saberia descrever a sensação da viagem nem se quisesse muito, mas estar diante daquele novo acampamento era surreal de esquisito. A vibe era outra, no entanto, não tinha ido explorar e sim com objetivo de participar de um treino. Segui o semideus e chegava numa floresta onde uma loira falava sobra a Arte da Guerra. "Conhecer a si mesmo é o começo de toda a sabedoria" - ela disse, parafraseando Aristóteles, dando a introdução de sua proposta. Ela explicava que seria uma simulação virtual onde deveríamos enfrentar alguns medos. Isto seria estimulado por uma aplicação de alguma substância. Ela convidou o primeiro e pudemos ver o desempenho um do outro. Um tanto quanto vergonhoso ter suas fobias expostas para o acampamento, mas isso me colocava para pensar... quais eram os meus medos? Enquanto pensava, chegava minha vez. Suportei a agulhada e sentei na cadeira, me desligando por um tempo do mundo "real".

Depois de ter a visão escurecida por um óculos meio doido, tinha o sentido clareado aos poucos. O céu estava meio esverdeado e fazia muito calor. Tonalidades laranjas coloriam o cenário, bem como a terra vermelha do chão. Olhava para os lados e sentia sede. Não havia uma pessoa se quer na cidadela. Os prédios e casas tinham partes quebradas e bem sujas. Quase que abandonadas. Olhava mais uma vez ao redor, mas porque desta vez escutei algo. Gritei esperando resposta. Sentia suor na minha testa. Passava a mão e sentia humidade. Me questionava como aquilo era possível, se estava numa simulação. De toda força focava no treinamento. Desta vez além de ouvir eu via algo passar rápido, rastejando pelo chão, debaixo de um carro próximo. Pensei ter sido um cachorro ou algo do tipo. Minha curiosidade mandava eu chegar perto, mas meu bom senso discordava. Enquanto pensava, a criatura se expôs, me arrepiando dos pés à cabeça. A carne putrefata e a vida sem sanidade mental, bem como a forma como se locomovia, me fez paralisar.

— Ai não... zumbis não... - me negava a acreditar, tremendo coma fobia de vivo-morto.

Eu queria me mover e sair correndo ou enfrentar aquilo na porrada, mas não conseguia mexer um só músculo. A criatura quase sem vida, por outro lado, se arrastava pelo chão lentamente em minha direção. Minha respiração foi ficando pesada e meus membros queriam ceder aos esforços da gravidade como sacos de batatas. A cada centímetro que ele se aproximava eu sentia a falência de algum órgão, mas ele estava fazendo aquilo para brincar, pois numa velocidade surreal o zumbi ficou de pé e correu.

"corre" - ouvi algo sussurrar, me despertando os sentidos.

Pisquei algumas vezes e dei meia volta, me pondo a fugir do corpo nefasto, gritando horrores como a menininha assustada que eu era. Corria e corria, com os olhos cheios de lágrimas, não querendo olhar pra trás. O cenário não mudava, era a mesma pista abandonada entre construções vazias de aspecto abandonado. Era como se eu corresse para o infinito sem fim. Em algum momento percebi que, por mais rápida que fosse fugir não era a opção válida para vencer o desafio. Logo, parava e tomava coragem para olhar pra trás. Ao fazer isso, desejei ter continuado minha corrida. Uma horda de incontáveis seres fugidas do submundo se aproximava. Sentia meus músculos começarem a enrijecer outras vez. Olhava para os meus pés e os via virando pedra. Não queria morrer naquela situação. Não! Não sem ser uma morte honrosa! Colocava força nos pés e movia-os um por vez na direção que ia de encontro aos mortos. Eles vinham até mim em velocidade faminta. E eu ia até ele com medo concreto. Mas ia! O coração palpitava a milhares de batimentos por segundo. Da boca seca, não descia uma saliva se quer. Da mão frouxa, nem mesmo os soquetes se materializavam. Fora o anel nos dedos, os braceletes da discórdia brilhavam nos braços, fluindo energia. Olhei para frente e avistei-os ainda mais próximo. Acelerava meu passo. Algo era despertado em mim. A mesma coragem de toda missão, talvez. Agora corria. Estava de cara com os zumbis, todos querendo me atacar, quando brandi os braceletes, um ao outro, liberando uma energia das trevas durante todo meu percurso. Eu gritava e só parava quando tive certeza de que todas as criaturas tinham alcançado seu devido lugar. O hades!

Sem tempo a perder, eu era imersa em escuridão e dela um outro universo surgia. Mal me recuperava dos zumbis e outro ser morto me aparecia em simulação.

— Pai? - chamei, com voz sofrida.

Como se minha voz fosse dotada de magia necromântica, um dos dois homens que mais amei se virava para mim, com seu sorriso terno e olhar protetor. Havia algo amargando em minha garganta. Muitas lembranças ruins se instalaram no meu imaginário depois da catástrofe de 10 anos. Chamava assim, pois recusava-me a chamar a festa de aniversário. A presença da Discórdia foi a ruína de minha família.

Querida, já lavou as mãos? Parece que andou brincado com bicho morto! Venha, sente-se à mesa que o jantar será servido!

Sem questionar, segui seus comandos e me comportei à mesa como uma filha pródiga. A louça estava toda arrumada, esperando apenas a refeição. Aguardei, pensando que Luka traria a comida, porém, ele sentava na ponta e meu outro pai vinha nos servir. Colocou uma panela sobre a mesa e a destampou, permitindo-a exalar um aroma formidável. Ao servir, primeiro meu pai, percebi algo estranho. Quando Louis se aproximou, percebia que usava maquiagem em casa. Eu não entendia muito disso, mas não era costume do filho de Apolo, talvez do outro. Ele percebeu que eu observava demais e me deu um sorriso caloroso. Eu sorri de volta, bem... até notar defeitos na boca. Louis então se sentou do outro lado da mesa e serviu a si próprio. Estava afim de questionar aquilo tudo, mas me sentia... uma criança boba e manipulada pelos pais. Era como se aquilo se passasse antes do meu treinamento e independência, sendo que isso nunca aconteceu. Eu me sentia um mero espectador.

Após jantar, Luka penteou meus cabelos e me colocou para cima, afirmando que Louis me botaria na cama. Esperei por meu pai e quando ele chegou, me cobriu e desejou bom sono. Antes dele ir, consegui tocar em sua mão e a segurei por alguns instantes. Ele questionou o que era e respondi com uma pergunta: “Está tudo bem entre vocês, papai?” Foi notável a expressão de pavor em seu rosto, mesmo que tenha durado uma fração de segundo, então ele mentia que sim. Eu detestava mentiras, mas entre minha família eu procurava descobrir os motivos, contudo, antes que eu pudesse falar algo mais, ele se despedia e saía do quarto, deixando a porta entreaberta.

Não dormi. Fiquei parada olhando para o teto do quarto, com estrelinhas enfeitadas, por um tempo até ouvir um barulho vindo do mesmo andar dos quartos. Curiosa, saí da cama e coloquei a cabeça para o corredor. Não haviam estranhos, pelo contrário, sons de discussão vinham do quarto do casal. Nas pontas dos pés eu fui até lá e olhava pelo fecho da porta. Via apenas vultos percorrendo o quarto. Fiquei preocupada, pois os sons não eram nada agradáveis. Quando ouvi um grito dolorido não pensei em nada mais que arrombar a porta com um chute ao estilo martelo. Ao entrar, me deparo com uma criatura num canto do quarto e Louis, assustado e repleto de arranhões, do outro. Ele me mandava voltar pro quarto, mas permaneci. O ser de pelugem avermelhada, que antes dava as costas, agora me encarava com aquele olhar doentio, no entanto familiar. Era a mesma figura transfigurada de meu pai Luka. Sua forma humanoide ainda tinha os membros, mas representava dificuldade em permanecer bípede. Os olhos, amarelos em transição para laranja, me sinalizavam perigo. Eu poderia repetir o feito de um ano antes. Éris me confidenciou que a família era a fraqueza dele, e somente por ela, ele seria morto. Entretanto, estava tendo uma segunda chance, sem influência do Caos sussurrando ao meu ouvido. Enfrentar meu pai e o relacionamento doentio que ele aparentava ter naquela situação era uma tarefa árdua. Respirava e concentrava minha energia para entende-lo melhor. Me pus entre os dois, o que não o agradou em nada, pois ameaçou me atacar, mas deu apenas um urro.

— Você é muito mais poderoso que nós dois, eu sei disso, mas também sei que me ama. Que nos ama! E por isso você vai se acalmar. - Enfrentei-o, tomando passos à frente. - Você traiu. Mentiu. Proibiu. Machucou. E aprisionou sua família em nome de um suposto amor. Você me ensinou a amar e nada disso se compara. Se tem alguém que devia virar uma fera, este não é você... Mas nós ter perdoamos porque te amamos. Nós te amamos porque você não é esse monstro!

Ele recuava, mostrando preocupação, porém, contra argumentava.

É claro que sou. Fui enviado ao Tártaro e retornarei. Você deve me matar todas as vezes, essa é sua penitência por assassinar seu pai!

— Blasfêmia. Não pode mentir para mim. Eu o impedi de tornar-se monstro por completo. Seu lugar é nos Campos de Elísios, como todos os outros heróis. O lugar de vocês dois! Podem não ter tido a morte mais honrosa, mas viveram pelo bem e cercados de amor.

Avançava então sobre ele, mas não para lhe ferir, e sim para um abraço. Tomei um impulso tão forte que quebrou aquela dimensão e me levou de volta à realidade.

Os óculos eram tirados e eu sentia diversos olhares. Baixei os olhos, lembrando da sensação daquele abraço... falso, mas ao mesmo tempo tão real!

adendos:
FPA:
poderes e habilidades:

Nome da Habilidade: Concentração
Descrição: A capacidade de criar esculturas em argila ou outros materiais, exige concentração o que pode ser fundamental em batalha e ter foco naquilo que se faz no momento. Com isso, você consegue ter um foco maior.
Gasto de MP: Nenhum
Gasto de HP: Nenhum
Bônus: Com tal habilidade você tem uma melhora na sua concentração de 15%.
Extra: Se sua FPA possuir mais de 3 pontos em determinação, a probabilidade aumenta para 20%
Nome da Habilidade: Capoeirista
Descrição: Após uma aula de combate corporal, o aluno aprendeu a arte da capoeira. Assim, aplicará golpes eficientes principalmente com os pés, além de ter melhorado a sua capacidade de esquiva e agilidade graças ao método de combate dessa modalidade.
Gasto de MP: Nenhum
Gasto de HP: Nenhum
Bônus: +30% de esquiva e agilidade
Dano: +20% de dano em golpes feitos com as pernas/pés.
Extra: Nenhum

Nível 10
Nome do poder: Reconhecimento de mentiras
Descrição: Nada melhor do que um bom mentiroso para reconhecer outro, certo? Desde que o oponente não acredite na mentira que está contando, você poderá descobrir que a história dita não passa de uma falácia.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Não será afetado por mentiras, pois, sempre sabe quando alguém está mentindo ou tentando engana-lo.
Dano: Nenhum
arsenal:
⊰ Diamond Knuckles [Par de soco inglês em ouro imperial com pontas em diamante. A arma branca tem espaço para os 4 dedos de cada mão, excluindo os polegares. | Efeito 1: Sendo encantadas por mágica, se transformam em anéis encrustados com diamantes a desejo da portadora | Efeito 2: Tais armas funcionam como bestas, disparando diamantes afiados. | Efeito 3: Uma vez por evento/missão os diamantes poderão se alongar como garras de até 30cm e irão causar +20% de dano no ataque. | Ouro Imperial. | Sem espaço para gemas. | Beta. | Status 100%, sem danos. | Mágica. | Herança.]
⊰ Braceletes da Discórdia [Um par de braceletes de ouro que ocupam cerca de 3/4 do antebraço do portador. Há desenhos de fissuras ligadas à pomos pela extensão do artefato, onde uma energia escura fica circulando como se fosse uma corrente sanguínea divina. | Efeito 1: Funcionam como artigo de defesa, sendo super resistentes, conferindo +25% de constituição. | Efeito 2: Quando ambos são chocados, sugam a energia sombria que habita Puermina e libera uma explosão de Trevas num raio de 20 metros, causando 80 de dano, custando 30MP. | Efeito 3: Não podem ser retirados, pois os braceletes estão conectados ao corpo da semideusa. | Ouro Imperial e Magia Sombria. | Sem espaço para gemas. | Beta. | Status 100%, sem danos. | Mágica. | CCFY: a escuridão que habita em mim (parte 1).]



Última edição por Puermina em Seg Abr 15, 2019 7:20 pm, editado 2 vez(es)



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Mensagem por Avery Hernández em Seg Abr 15, 2019 3:02 pm


Haru
Os passos que você dá não precisam ser grandes. Eles só precisam te levar na direção certa.

Descobrir que o acampamento era real me fez querer desvenda-lo completamente. Eu estava curiosa sobre aquele mundo e saber que agora fazia parte dele me deixava completamente eufórica, era normal me ver sorrindo pelos cantos em busca de novas atividades, afinal pela primeira eu percebia que podia fazer parte de tudo aquilo.

O começo foi difícil, quando se vive no mundo real seu coração fica incrédulo e um pouco endurecido, embora uma grande parte de si ainda queira acreditar a maior e mais racional continua persistindo em te fazer ver a verdade. Por conta disso demorei a me dar conta de que tudo ali realmente existia e por mais incrível que pareça essa reação surgiu de um sonho.

Era por isso que eu estava ali agora. Pra início de conversa as aulas do acampamento não me geravam interesse até eu entender tudo que descrevi acima, agora, no entanto, parecia que eu não tinha tempo suficiente para fazer tudo que desejava. Eu queria conhecer absolutamente tudo do acampamento, então estava me inscrevendo no maior número de atividades que conseguia.

Maisie explicava sobre a importância de conhecer a si mesmo enfrentando seus medos, como um princípio para não deixar que o inimigo os use contra você. Em meio a isso eu observava os outros campistas, uns apreensivos, outros curiosos e muitos como eu, totalmente neutros.  A instrutora ainda explicou sobre o funcionamento do treinamento e o equipamento que utilizaríamos para adentrar em uma simulação que estimularia nossos medos, o que me deixou com certo receio, mas não me fez recuar.

Eu mesma não conhecia todos os meus medos e o mais nítido era também a última lembrança que eu tinha do orfanato cubano, o que de fato acabava me fazendo querer correr como uma garotinha assustada. Minha motivação ali era a superação, eu não podia viver me escondendo como fazia em Ciego de Avila.

— Quem é o próximo? — A loira perguntou assim que um terceiro garoto saiu da simulação e sem pensar muito ergui minha mão, me voluntariando. — Muito bem, venha — Maisie respondeu com um sorriso encorajador, me dando chance de levantar e ir em direção a ela.

Uma injeção dolorosa foi aplicada em meu braço antes que eu fosse arrastada para a câmara onde deveria iniciar meu treinamento. Sentei-me em uma cadeira larga e relaxei o corpo brevemente, um piscar de olhos e pronto, eu já não estava no mundo real.

Abri os olhos lentamente e tentei adaptar minha visão a falta de luz, mas o breu diante do meu rosto se tornou um verdadeiro pesadelo, porque diferente das outras vezes, dessa eu não conseguia enxergar nada. Respirei fundo tentando controlar o medo em minha mente, sabendo que o escuro era apenas uma relação de incerteza, o medo do desconhecido e não o medo da falta de luz realmente. Porém isso não funcionou, ainda mais quando eu notei o segundo detalhe daquele ambiente.

Tentei mover meu corpo para frente e dei de cara com uma parede de ferro, o metal era gelado e por isso descobri que não era concreto, a superfície lisa me dava uma vaga ideia diferente e o barulho era o mesmo de quando o martelo de forja batia no material. Sufoquei o medo e movi para trás tentando recuar prontamente, porém outra parede bloqueou meu caminho.

Ergui os braços para o lado e na metade do percurso mais duas paredes se fecharam ao meu redor, me trancando em um tipo de caixa que me fez sufocar um grito. Lugares apertados sempre me deixaram tensa, mas só naquele momento eu percebia o quanto realmente não gostava deles.

— ¡Me deja salir! — Gritei batendo o punho contra o metal, me dando conta de que estava começando a entrar em desespero. A falta de visão já tinha me deixado tensa, eu detestava o escuro porque sabia o que a escuridão causava e o medo dela já tinha me dominado anteriormente. Eu sentia minhas mãos geladas e tremulas por conta desse fato, mas foi o lugar apertado que me deixou em desespero.

A claustrofobia parecia ter dominado cada partícula de ar presente em meu corpo. Eu suava e ofegava em busca de ar enquanto tateava tudo ao meu lugar em busca de uma saia. O teto era baixo e não tinha fechaduras, as paredes ao meu redor – todas as quatro – eram completamente lisas e por mais que eu pisoteasse o chão nada abaixo revelava algum tipo de saída.

Sufoquei outro grito e comecei a bater em todos os lados do metal, fazendo um barulho ensurdecedor preencher minha mente enquanto lagrimas grossas se acumulavam em meus olhos. — Por favor, alguien me ayuda, por favor, por favor... — Pedi em desespero, implorei e gritei para que me tirassem daquele lugar.

Minhas esperanças estavam se esvaindo junto as minhas forças. Esperneei e gritei ainda mais alto em puro desespero, sufocando e chorando com o corpo tremulo e cansado. Bati tanto os punhos contra aquelas paredes que meus dedos agora recusavam-se a abrir, mas como esperado ninguém veio ao meu encontro. Não era surpresa considerando que sempre estive sozinha, mas não deixava de ser triste da mesma maneira.

Me sentindo pequena e acuada abracei meus ombros e encostei meu corpo contra a parede de trás. Silenciosamente chorando enquanto respirava lenta e profundamente, tentando me recordar dos motivos para continuar brigando. O medo tinha me dominado completamente e me fazendo sentir vulnerável como nunca antes. O desespero estava claro, mas minha mente insistia em procurar por alternativas e saídas que pudessem me deixar um pouco melhor.

Tentei combate-lo recriando imagens de infância, mas nenhuma delas era boa o suficiente para retirar aquele pesadelo, afinal eu não tinha tido lá muitos momentos felizes na minha vida. Me recordei então de como cheguei no acampamento, do dia em que descobri que tinha finalmente deixado o orfanato para entrar em um universo desconhecido. Me lembrei de Haru nos campos de morango, me levando a acreditar que eu tinha uma chance de construir algo novamente, algo duradouro e de verdade que ficasse para sempre.

E foi isso que me acalmou.

A lembrança de como construir coisas me agradava encheu meu peito de uma esperança contida. Me apeguei a essa sensação e fechei os olhos para não permitir que ela escapasse, me imaginei segurando um martelo e criando todas as coisas que queria. Assim, quando voltei a abri-los já mais calma a simulação tinha desaparecido e embora eu soubesse que o medo ainda estava presente, de alguma forma eu também sabia que tinha encontrado uma maneira de contorna-lo.


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Avery Hernández
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Mensagem por Kyra C. Ferreli em Seg Abr 15, 2019 3:43 pm




Inteligencia
Treinamento e medo.

Não era segredo para ninguém que tanto eu, quanto Evie, tínhamos nos afastado das atividades do acampamento. Minha noiva tinha deliberadamente desistido de seu cargo para se dedicar a nossa família e seus projetos na loja, enquanto eu aproveitava seu tempo livre, a faculdade e fazia algumas poucas missões para Lady Psique.

Isso e os gêmeos acabaram tomando todo nosso tempo, me fazendo relaxar nos treinos e atividades do acampamento. Com o passar do tempo conseguimos organizar a rotina. Benjamin e Nathaniel já estavam com seis anos de idade e em breve iriam iniciar seus próprios treinamentos, algo que confesso me deixava receosa e um pouco insegura. Demorei a aceitar que meus bebês estavam crescendo e só consegui realmente quando os vi se aquecendo com Evie pela primeira vez.

Meus filhos eram guerreiros, tinham sangue de uma das semideusas mais poderosas de toda a Roma, como eu poderia impedi-los de fazerem algo que eles tinham nascido pra ser?

Simples, não podia.

Foi isso que me fez retornar ao acampamento. Com os gêmeos cheios de atividade acabei ganhando horas extras que me fizeram ter vontade de retornar com as aulas de Nova Roma, ainda mais ao descobrir que novos instrutores estavam sendo escalados e que por ventura um deles vinha a ser descendente de Athena. Era no mínimo desafiador descobrir que alguém conseguiria me propor um contratempo de verdade, por isso não perdi tempo antes de me inscrever para aquela aula.

Agora estava aqui escutando o funcionamento da simulação enquanto via muitos dos campistas recuarem com medo do que poderiam enfrentar. O medo é uma emoção perigosa, porém bastante recompensadora as vezes. Nós faz agir por instinto e muitas vezes também é o que nos mantem vivos.

Ao terminar sua explicação Maisie pediu por um voluntario e vendo que muitos dos campistas mais novos não pareciam assim tão animados em explorar sua mente eu me levantei. — Vou primeiro. — Expliquei ao me aproximar, sabendo que boa parte dos campistas agora me encaravam de um jeito curioso.

— Pode doer — A filha de Athena alertou antes de aplicar a seringa na pele do meu braço, me fazendo estremecer brevemente enquanto uma careta nascia em meu rosto. Ao puxar a agulha a garota me questionou se estava tudo bem e com um breve acenar de cabeça confirmei isso para ela.

Em seguida me aproximei de Arthur no simulador e deixei que ele me explicasse sobre seu funcionamento, algo que me distraiu por tempo suficiente para me fazer apagar. Eu estava sentada em uma espécie de cadeira de dentista – ou algo muito parecido com isso – e o conforto me fez pegar no sono alguns segundos depois dele ter começado a falar. Isso, mesclado a explicação inicial de Maisie me fez ter certeza que era aquele o proposito, me distrair para que minha mente relaxasse e me levasse para um lugar distante, diferente daquele em que eu me encontrava.

...

Eu não me recordava do motivo de estar ali, mas conhecia aquela casa com a palma de minha mão há muito tempo. A mansão era moderna com uma garagem grande o suficiente para comportar pelo menos três carros, a frente do jardim estava muito bem cuidada e não existia portão para me impedir de caminhar até a porta.

Eu podia sentir que estava apreensiva e sabia exatamente o motivo de estar assim. Evie estava gravida e eu tinha lhe acusado de traição alguns dias antes, até me dar conta de que a responsável por seu estado era bem... eu! Meus poderes de mudança me fizeram alterar o corpo em uma de nossas noites de comemoração.

O álcool me afetou o suficiente para causar uma transformação completa e o resultado foi nós duas nuas transando loucamente pelo apartamento. O detalhe crucial disso? Eu estava como uma figura masculina e não com o corpo esbelto e feminino de sempre.

Acontece que minha ficha demorou a cair e acabei magoando minha namorada mais do que devia, agora temia ter perdido minha alma gêmea pra sempre. Ninguém devia ter ideia do que isso causava, era como se parte de mim tivesse sido arrancada e consumida toda vez que eu estava longe dela e eu já tinha presenciado sua morte, portanto sabia o quanto isso podia machucar e sufocar.

Meus dedos tremiam e eu hesitava em bater na porta, porém a ansiedade também me dominava, fazendo com que uma briga interna se instalasse em meu peito. Suspirei e tomei coragem antes de dar três batidas na madeira e me afastar um passo, aguardando de maneira temerosa sobre a soleira da porta.

A fechadura foi girada e uma Pandora descabelada surgiu a minha frente com as bochechas vermelhas de raiva. Pisquei confusa por me dar conta de que aquela não era a minha mulher, então abri a boca para lhe dizer algo quando repentinamente fui estapeada. Senti minha bochecha arder com o tapa e com isso também entrei em choque. Minha reação deveria ser cômica, mas eu estava ali parada sabendo que tinha merecido.

— Sua cretina — A garota começou, mas minha mente reagiu antes que ela terminasse.

— Onde está Evie? — Questionei.

— Não te interessa — Pandora estava mais do que furiosa agora, lagrimas tinham se acumulado em seus olhos e a garota parecia prestes a me matar. Isso me deixou ainda mais apreensiva, mas aliviada também, raiva era bom porque podia significar que Evie estava bem, certo?

— Eu preciso saber, eu cometi um erro e...

— E esse erro custou uma vida — A filha de Melinoe gritou, me deixando estática.

Meu coração agora disparava forte no peito, minhas pernas tinham virado gelatina e minha mente não processava mais nada.

— O que...? — Perguntei baixinho, minha voz não passava de um sussurro agora.

— Evie desistiu do bebê, ela — A voz de Pandora vacilou e seu olhar se tornou triste repentinamente.

Eu não escutava mais nada, meu coração martelava em meus ouvidos e minhas pernas tinham finalmente cedido. Parecia que todo o sangue do meu corpo tinha se acumulado na ponta dos meus dedos, minha vista estava embaçada e a dor que me abraçava era tão grande que estava quase se sobrepondo ao medo.

Evie tinha desistido.

Evie não teria mais um filho meu...

A culpa dominou meu corpo e me abraçou com uma tristeza tão grande que me senti sufocar. Droga! Eu não a merecia, nunca mereci. Eu sempre fui a mimada e a preconceituosa da nossa relação, tinha estrago tudo e agora além de perder ela também perdera o nosso filho.

Sufoquei o grito. Flashes de lembranças agora passavam minha mente como borrões mal retratados. O cenário a minha frente tinha sido congelado me deixando sozinha. Nesse momento risadas infantis preencheram minha mente. Pisquei confusa com o barulho e olhei ao redor sem perceber nada, então um sorriso doce apareceu a minha frente.

— Mamãe! Mamãe! Eu quero chocolate — A voz de Nate despertou minha atenção me fazendo perceber que, embora aquela lembrança pudesse ser fruto de um medo real, também era uma memória distorcida. Aquilo nunca tinha acontecido. Não desse jeito.

— É uma ilusão — Me dei conta e assim que percebi isso o cenário também se desfez, engolindo minhas memorias e me levando para um outro momento.

O campo de força a minha frente poderia não aguentar os poderes de Sun Hee, mas eu sabia que precisava aguentar mais um tempo porque não era só a minha vida ali em jogo, era a de Evie também. A traição queimava por entre meus dedos dominando minha mente de um jeito doloroso, porque embora soubesse do perigo que corríamos eu também não conseguia deixar de lhe amar.

Sun Hee era uma das pessoas mais importantes na minha vida, mas também era parte da família de Evie e eram seus sentimentos que mais me dominavam. Ela não entendia o que estava acontecendo e parte de si ainda gritava para que ela salvasse a filha de Iris, que agora estava tomada por um ser maligno que insistia em querer nos matar.

E conseguiu.

A explosão dentro do meu campo de força fez com que Evie desaparecesse em uma chuva de pedaços antes de desfazer meu campo completamente, me atirando de encontro a uma parede de concreto recém destruída. Sun Hee parecia desolada por conta disso, mas também vitoriosa.

Minha alma gêmea estava morta e era por isso que eu também tinha falecido. Afinal...A benção que liga nossa vida sempre nos tornou mais fortes, mas também sempre foi uma fraqueza.

...

Voltei a realidade completamente assustada com o que tinha visto, sabendo que a simulação não tinha acabado porque eu tinha medo de morrer. Não, era pior do que isso.

Desde que descobrira que tinha me tornado uma alma gêmea minha maior fraqueza e medo eram também relacionadas a ela, ou seja, todos os meus medos incidentemente também estavam ligados a Evie. Assim sendo quando ela morreu eu também faleci, nossas almas eram apenas uma, se uma não existia a outra não podia viver também e naquele momento eu a tinha perdido.

Abalada com o que acabara de ver demorei a escutar que estavam me chamando. Eu não tinha superado aquele medo e nem poderia, porque era um medo que não podia ser vencido, apenas contornado de maneira segura por algo que dependia apenas de um detalhe: O destino.


Kyra


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Intelligentia II - Treinamento Especial Empty Re: Intelligentia II - Treinamento Especial

Mensagem por Becka Klasfox La'Fontaine em Seg Abr 15, 2019 4:33 pm



↞ A suposta falta de Medos ↠
Quando lhe disserem que você não consegue, lembre-se que os grandes heróis já ouviram isso e nunca desistiram.

Faziam exatos seis anos que aquela garota não participava de um treino deliberadamente. Roma tinha passado por muitos problemas nos últimos anos e todo o tempo da loira tinha sido sugado, consumido ou lotado por compromissos extremos que lhe deixaram fora da area de combate e conhecimento externo.

Isso claro, não queria dizer que ela estava atrás de algum campista. Becka recebia treinamento sim, mas em particular onde ninguém podia ver a forma com que ela evoluía. Como líder era bom manter algumas coisas em anonimato e seus poderes e conhecimentos com toda certeza faziam parte disso.

Mas algo tinha lhe chamado a atenção e esse algo era exatamente a garota a ministrar aquela aula. Maisie era uma criança deveras curiosa e inteligente e Becka tinha um interesse especial nela, queria lhe observar mais de perto.

— Eu me pergunto o que diabos estou fazendo aqui se não tenho nada a ver com as suas loucuras — Gena reclamou ao seu lado, a fazendo revirar os olhos.

— Você veio por livre e espontânea vontade para garantir que eu não faria nada de errado — Becka retrucou prontamente antes de voltar a se situar do que estava acontecendo mais à frente.

Ela tinha lido sobre o treino e os métodos que seriam utilizados para aplicação dele, como pretora tinha acesso a esse tipo de informação restrita antes que os demais campistas tivessem, afinal também era a responsável pela aprovação deles.

— Eu não teria vindo se você tivesse me dito o que de tão especial tem nessa garota pra você querer assistir a aula dela — Becka sorriu de um jeito misterioso, mas não esboçou seus argumentos e pensamentos. Ela gostava de saber que os tinha só pra ela.

— Quer saber qual a maior vantagem de ser a pretora? — Perguntou, fazendo Gena resmungar alguma coisa antes de completar. — É que eu não tenho que te dar esse tipo de explicação — Ela sorriu e piscou para a melhor amiga, antes de deliberadamente cortar caminho entre os campistas para atrair atenção da filha de Athena.

— Sou a próxima — Anunciou quebrando a distância entre elas de maneira divertida, ela estava seria por fora, mas por dentro sorria por ter pego aquela criança de surpresa.

Becka estendeu o braço para que a injeção fosse aplicada em sua pele, então encaminhou-se para a cadeira de simulação, sabendo que de todos ali era provavelmente era a única que venceria esse desafio sem surtar de medo.

...

Um arrepio familiar percorreu sua espinha dorsal e lhe arrepiou a pele, a fazendo sentir aquele cutucão que insistia em lhe dizer que algo estava errado. Seus olhos tinham se ajustado ao novo ambiente e demoraram a entender onde ela realmente estava, mas ao reconhece-lo sua testa se franziu em descrença e curiosidade.

Ela estava no prédio do senado, mais precisamente na torre mais alta dele, onde poucos funcionários tinham acesso, mas a vista maravilhosa presidia por dar uma noção completa de toda a cidade. Ela amava aquele lugar e por isso não desconfiou de nada até se aproximar da janela, foi aí que se deu conta de que seu único medo tinha finalmente se tornado real.

O império estava desabando. Crianças corriam pelas ruas em chamas e adultos tentavam conter a retaliação, monstros estavam espalhados por toda a parte. A ponte tinha sido destruída e muitos mortos empilhavam-se entre os moradores de Roma que ainda sobreviviam. O exército lutava para conte as feras de avançar, mas estava claro que não durariam muito tempo, Roma não tinha heróis suficientes para conter aquele ataque.

O coração da pretora apertou ao perceber que seu lar tinha finalmente ruído. Por milhares de anos o acampamento tinha estado de pé para abrigar órfãos desconhecidos que foram abandonados pelos deuses e apenas no império dela ele realmente caia. Becka tinha conseguido guiar o acampamento por inúmeros ataques e inclusive dera suporte para que os semideuses de Roma vencessem uma guerra. Por deus! Ela tinha conseguido ajuda para descobrir demônios, conseguira capturar um deles e vira-o morrer bem a sua frente. Descobrira traidores e fechara ainda mais o circo da desconfiança instalado entre os campistas e agora...

Tudo estava acabado.

Era culpa dela, ela sempre soube que se Roma caísse seria assim sobre seu reinado. Ela nunca esteve preparada para aquilo, ela não queria ser líder a colocaram ali e agora... a prova de que ela não era boa o suficiente se expandia bem diante de seus olhos.

Seu corpo estava tremulo, seus olhos estavam arregalados e a expressão de choque deu lugar a todo divertimento que um dia tomaram conta de seu corpo. Becka sentia que morria com Roma e sabia que merecia isso, afinal não importava quantos inimigos ela derrotasse agora, estava destruído. Morte e retaliação, era esse o seu destino.

A garota engoliu em seco e apertou os dedos ao redor da janela da torre. A fumaça e o fogo adentraram suas narinas e a obrigaram a fechar os olhos. Ela não conseguia lutar ou resistir aquilo então poderia simplesmente desistir. Mas por quê? Por que faria isso? Porque isso estava acontecendo.

Parte de si insistia em lhe dizer que algo não estava certo. Roma tinha sido preparada durante anos, aguentara e crescera tanto que aquilo simplesmente não podia ser real, não parecia real...

E não é!

A Becka maluquinha gritou com ela para fazê-la entender. Sua parte teimosa lhe forçou a ver a verdade e as imagens se misturaram bem a sua frente, uma hora o acampamento estava em perfeito estado e sua mente viajava de volta para a cadeira. No outro a simulação tomava conta e a destruição surgia novamente. Becka brigou com ela e forçou-se para fora, mas foi empurrada novamente pela escuridão que insistia em lhe abraçar com o medo, embora esse já não fosse mais o mesmo.

Antigas lembranças do labirinto surgiam a sua frente. A voz de Phobos parecia estar em toda parte, mas nunca chegava a lugar nenhum, afinal ela não tinha medo dele fazia muito tempo. Ela tinha lhe superado.

Seu corpo do lado de fora tremia sobre a cadeira de forma aleatória. Seu peito se erguia e seus dentes estavam trincados, até que ela foi – literalmente – expulsa de sua mente e desabou na cadeira, que estava e chiava com fumaça saindo da lateral.

Ofegante a garota abriu os olhos e encarou um rosto surpreso, que a fez piscar algumas vezes antes de entender o que tinha acontecido. Puta merda! Ela tinha acabado de danificar a cadeira de simulação e ela sabia exatamente o porquê. Becka não tinha medo de mais nada, porque já tinha derrotado todos os seus medos ao derrotar Phobos, que tentara dominar a garota muito tempo atrás lhe colocando em um labirinto de horror. Becka já não se assustava com esse tipo de coisa, ela não tinha nada a temer porque também não tinha nada a perder. Exceto... Roma.

— Vai ter que me desculpar por isso — Sorriu amarelo, sem explicar ou entrar em detalhes antes de se levantar e acenar brevemente. Ela não poderia explicar no agora e não esperava que Maisie ou Arthur entendessem o que tinham visto, o breu da sua mente tinha mostrado a eles exatamente o que que eles precisavam entender: Ela já não temia mais nada.

❄️


Becka Klasfox La'Fontaine
Quer ser feliz? Seja louco, sorria sempre mesmo sem motivo..
Becka Klasfox La'Fontaine
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Pretores
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Idade : 24
Localização : Camp Jupiter

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