The Blood of Olympus
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CCFY: Benjamin Baker - Rumos.

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Mensagem por Benjamin Baker em Ter Fev 26, 2019 4:03 pm



Capítulo 1: rumos

Quanto tudo parece perdido, sempre surge um novo rumo para seguir.


Algumas pessoas acham que a vida pode ser maravilhosa. Tsc, que lixo. Sonhadoras. A vida é uma merda se ela não tiver sido perfeitamente organizada antes mesmo de você nascer.  Sem uma família unida, com dinheiro e recursos, você é só mais um enjeitado abandonado pelo destino, ao sabor da própria sorte e desprezado pelo outros. ... Bem, era assim que pensava até aquele dia.  

De meus pais, a única lembrança que eu tenho é de suas vozes quando eu ainda deveria ser bem pequeno. Fico imaginando que minha mãe deveria ser bonita, talentosa de alguma forma. Mau pai poderia ser um homem gentil, ou não, não sei. Ficar pensando nestas coisas deixou de ser algo que eu fazia depois que descobri o quão pé no saco a vida podia ser.

Até os nove anos eu fui criado em um orfanato. Parecia mais um acampamento estranho, cheio de coisa que não me lembro exatamente. Tudo parecia muito... Mágico? Não sei dizer. Sempre que falo disto, minha tia Liliam reclama. Diz que imagino de mais, que isto faz mal. Que deve ser por isto que vou tão mal na escola.  Quem me dera fosse por isto.

Liliam e Roy são meus tios. Bem, deveriam ser meus pais, segundo o estado de Nova York, mas isto só durou até o nascimento dos gêmeos. Eles gastaram uma pequena fortuna em inseminação artificial e quando perderam as esperanças, me adotaram. Isto até em uma ultima tentativa, eles conseguirem realizar o sonho de serem pais. Desde então, sou o sobrinho. Aquele que virou problema, que tem dificuldades na escola por uma maldita dislexia, déficit de atenção e em geral, hiperatividade elevada. De filho querido a sobrinho indesejado, foram questões de semanas. Bastou eles se acostumarem coma  idéia de gravidez.

Tento deixar isto pra lá. Eles que fiquem com suas vidas perfeitas enquanto dou um jeito de seguir a minha sem que eles me encham o saco. Estou cansado de suas cobranças, desmandos e de toda sua felicidade, quase como se a esfregassem na minha cara, quando pra mim nem um sorriso é direcionado. Não que eu me importe com isto. Não mais.

Minhas malas, poucas coisa que eu ainda tinha, já estavam prontas. Basicamente era um mochila daquelas de acampamento, cheia de roupas e tralhas. Stuart disse que eu poderia ir morar com eles, se me dedicasse à causa.

Stuart era um dos membros de uma gangue local de NY, os Black Eagles. Apesar do nome que lembra um grupo de motoqueiros, são uma gangue que se diz anarquista e com roubos, golpes e situações não muito convencionais, se mantém apesar das tentativas da policia de pegá-los.  Assim como eu, existem vários outros garotos que estavam fartos de suas famílias, perdidos e sem saber para onde fugir ou a quem recorrer. Os cabeças da gangue se aproveitam da fragilidade de jovens que se dizem fortes, para os introduzir ao seu mundo de crime. Era mão de obra barata e descartável. Bem, ao menos para eles.

Eu sabia disto, não sou burro, apesar de minhas notas na escola dizerem ao contrário. Contudo, que outra escolha eu tinha? Esta era a saída que estava a minha frente, não havia por que não ir. Era errado? Talvez. Mas desde quando fazer o certo e dar meu melhor ajudou em algo? Não quando sua vida é rodeada de criaturas estranhas que ninguém acredita existirem.

Louco, não? Sei que vocês devem pensar que sou  e não os culpo, pois nem eu acreditaria se não os visse. Quando fui expulso da minha segunda escola, ali pelos 12, alegaram que eu havia explodido o ginásio, e bem, realmente foi uma explosão e tanto. Uma criatura enorme, escamosa e cheia de cabeças, cuspia fogo e tentava me abocanhar como podia. Eu corri muito naquele dia, cheguei a achar que não sairia vivo, até que encontrei atrás da arquibancada do ginásio o gerador reserva da escola. E, estranhamente, bem ao lado dele, um cilindro de transmissão de gás.

A criatura era feroz e mesmo quando eu joguei pedras e um branco de madeira nela, ela sequer sentiu. Aquelas coisas simplesmente quicavam no corpo dela para longe. Era assustador. Suas investidas múltiplas com as várias cabeças eram desafiadoras, mas os jatos de fogo que saiam de sua boca eram piores. Corri e desviei o que pude, até que com uma investida de uma das cabeças, fui lançado contra a arquibancada de forma tão violenta que chegou a romper os bancos de madeira com meu corpo. Achei que eu morreria ali se não fosse ter encontrado o gerador reserva. Meu corpo doía, sangrava, mas eu tinha que tentar algo ou acabaria morrendo.

Por um momento me fiz de morto, mas a criatura sabia que eu não estava. Será que podia sentir? Não sei. Assim que se aproximou, fechei os braços ao redor do corpo e cai cerca de dois andares, arquibancada abaixo, atravessando o buraco anteriormente feito com meu corpo. Foi então que a criatura se enfureceu. Só tive tempo de correr quando, com um jato de fogo de cinco cabeças juntas, ela explodiu aquilo tudo.  Foi um enorme BOOOOOOOOM! Voei por vários metros aterrissando sobre o carro da senhora Robertz, que ao ver como ficou seu Dallas, entrou em fúria descomunal, quase pior que a criatura.

Quando me interrogaram, e olha que até a policia estava lá, ninguém acreditou em mim. Mas porra, e as pegas da criatura? O lugar tava cheio de marcas de dentes dela e baba de monstro. Ninguém viu isto? E da onde acharam um resto de explosivo? Estão loucos?
Eu teria passado bons anos no reformatório se na época, não fosse novo de mais até pra isto.

Logo então, os gêmeos nasceram. Apesar dos pais babacas, eles são bem legais. Eu gostava deles, mas Liliam sempre dizia que não me queria por perto para não os tornar delinquentes como eu. Nisto, eu mal os via, apenas quando passava do quarto no porão pro banheiro, ou quando ia pra escola. Coisas do tipo.

Agora, outra coisa doida aconteceu.  Não um, mas vários soldados caveira tentaram me encurralar em um beco na 15.  Tive que fugir, mas não foi fácil. Eles pareciam regenerar de qualquer coisa, até quando atropelados por aquele taxi que passou as pressas quando eu atravessei a rua como um raio, tentando me salvar daquelas coisas. Ok, eu saí saltando por cima de alguns casos e arrebentei a janela daquela senhora pra tentar sair daquele beco, mas porra, ninguém via aquilo? Subi um longo lance de escadas de um prédio visinho e pulei pelo telhado de outros dois prédios para fugir e então desci pelo cano da calha da mercearia do senhor Wills, que até agora me xinga por ela ter se soltado e eu meu corpo ter caído sobre seu toldo, o furando. Mas de boas, to vivo.

Mas... Que diabo de câmeras eram aquelas que me viram comprando drogas com uma gangue? Eu não quis pagar? Pelo amor de deus, eram esqueletos guerreiros com espadas, lanças e tinha um com o que parecia uma bola de ferro como pontas em uma corrente. Como eles não vêem isto? Ou será que sou eu que sou louco? Talvez eu seja. Mas não vou ficar aqui pra descobrir. Talvez em uma ou duas horas o pessoal do reformatório venha me buscar e dali é pra prisão. Na boa, não vou dar este mole, nem fudendo.

Stuart prometeu que eu teria onde ficar lá, então é pra lá que eu vou. Bem, acreditei nisso até chegar lá e dizerem que eu precisaria ajudar a ganhar dinheiro vendendo aquelas coisas.  Eu disse: “ Não sou uma merda de traficante, não vou vender estas porcarias!”

Foi então que o punho veio voando em direção ao meu olho. Eu caí na hora, meio atordoado. Uma sequência de chutes veio e então eu já não sentia mais nada. “Merda, ta nos chamando de merda, seu bostinha?” ele dizia, junto com aqueles dois que estavam o ajudando.  Naquele momento, fiquei me perguntando onde realmente seria meu lugar no mundo.  Acho que não tinha.

Eu já não sentia mais nada. Sabia que estava sangrando, mas não sentia. A única coisa que eu sentia naquele momento era vontade de socar aquele otário até explodir a cara dele contra uma parede qualquer. Com alguma dificuldade, me levantei e com um gancho de esquerda acertei o segundo rapaz, um loiro, que caiu de imediato. Acho que foi um golpe bem encaixado, pois ele não levantou mais. Ao menos não enquanto eu estava ali.

O terceiro garoto, menor, tentou pular e me segurar pela cintura. E conseguiu, mas logo a joelhada na boca o fez soltar e rolar pro lado. Acho que arranquei a ponta da língua dele, pois o sangue que saia dali parecia que tinha sua própria correnteza, como um rio. Ele entrou em desespero e saiu correndo. Eu teria ficado com pena e ajudado se não fosse à situação, se não fosse o fato de eu não sentir nada mais naquele momento do que raiva. Eu me sentia enganado, mas a verdade é que eu sabia que ia ser assim. Eu mesmo havia me enganado, tentando buscar uma ultima vez uma ultima saída pra mim. Mas isto não existia. Não haviam saídas para mim.

Stuart, o ultimo de pé, então puxou um canivete em apontou sua lâmina em minha direção.  A esta altura eu já não via muita coisa. Acho que era sangue escorrendo por sobre meu olho direito, o que não me deixou medir direito a situação. Bem, se é que minha raiva deixaria. Sem hesitar, avancei. Soube que a ponta da faca adentrou a lateral esquerda de meu abdômen instantaneamente, mas não senti. Estava com tanta raiva que apenas soquei Stuart, uma, duas, três, quinze vezes.

A única coisa que eu sentia naquele momento era a dor em meus punhos, que já pareciam estar pedindo pra parar, quando notei que o garoto estava todo ensanguentado no chão comigo montado em cima ele. Ele ainda parecia se mexer, mas estava tão machucado que eu não sabia dizer sua expressão. Neste momento, me perguntei o que diabos eu estava fazendo. Foi então que toda a dor do mundo pareceu ter me invadido de uma vez só. E eu nem estava falando da surra que eu tinha acabado de levar.

Desmontei de cima do rapaz que ficou ali, se contorcendo e gemendo. Naquele momento eu me senti um monstro, assim como aqueles das histórias que eu contava. Será que eu tinha ficado louco de vez?

Minhas mãos ensanguentadas e feridas tremiam e eu sabia que não dariam mais nenhum golpe. Um embolo tomou conta de minha garganta como um grosso nó que tentava sair violentamente por minha boca. Era doloroso. Um grito alto, estridente e descontrolado se fez ecoar por todo o local, junto às lágrimas que escorriam do meu rosto. Naquele momento a chuva começou a se adiantar dos céus sobre mim. Parecia programado, planejado. Era como se aquilo fossem como meus sentimentos a tanto suprimidos para poder suportar tudo aquilo. Todo o desprezo que tive que aturar, todos me dizendo que eu era doido, os problemas, a falta que meus pais me faziam, me fazendo eu me perguntar por que diabos eles me abandonaram. Será que eu já era tão ruim assim mesmo quando pequeno? Eu não sabia, mas sabia que aquela chuva era como se fosse uma enxurrada que lavaria tudo, inclusive esta falsa mascara de durão que eu carregava para poder sobreviver.

Naquele momento eu estava nu, mesmo que vestido. Me sentia impotente, um verdadeiro fracassado. Independente de quem eram ou o que tinham feito, o que eu tinha feito com Stuart não tinha perdão. A este momento ele estava inerte no chão. Será que eu tinha o matado?

Ao longe, podia ouvir as sirenes, algo que seria completamente natural em NY se não fosse os flash de luz em azul e vermelho se aproximando. Tentei juntar minhas ultimas forças e correr, correr o mais rápido que pude. Eu estava sendo covarde de abandonar eles lá, sem saber se o garoto estava vivo? Ou era um ultimo esforço de coragem para tentar me manter, fugir da policia e tentar uma ultima vez encontrar vida nova? Eu não sabia, mas não me sentia bem com isto.

Corri, corri e corri até que minhas pernas vacilaram e eu caí em frente a uma loja de artigos variados. Caí sobre uma poça de água que se tingia de vermelho, lembrei-me do corte feito em meu abdômen por Stuart. A dor tomou conta do local e ao levar a mão a este, notei o tamanho da incisão. Tentei me apoiar no vidro dianteiro da loja, que como um espelho, refletia minha cara em azul, vermelho e verde, inchada, machucada e que demonstrava o quão desesperado eu estava. Meus olhos refletiam o pânico, medo e incertezas em minha mente naquele momento. Eu não sabia mais nem quem eu era. Já estava no meu limite.

A dor então piorou e uma fisgada no meu abdômen me fez hesitar e cair de joelhos não chão. Senti minha cabeça pesar, meu corpo ficar mole e minha visão embaçar. A dor então sumiu e eu sabia que não ia aguentar mais.  Pelo visto, eu não teria mais uma chance. Seria agora que deus cobraria seu preço por meus pecados? Acho que sim. Meu único arrependimento era o de não ter vivido, apenas sobrevivido. Não tive nada para me orgulhar, para me lembrar nem para agradecer, apenas lamurias e dor. Isto é horrível.

Meu corpo então fraquejou de vez e a ultima coisa que vi antes de cair foi um reflexo através do vidro da loja, refletido por um relâmpago que cruzou os céus naquele instante. Uma figura atrás de mim. Parecia séria, quase brava. Possuía chifres, patas no lugar de pés e segurava o que parecia um bastão. Seus olhos brilhavam em meio ao breu e a chuva. Seria este o demônio encarregado de buscar minha alma? Eu não soube, pois apaguei.

Quando enfiem acordei, estava em um local completamente desconhecido. Parecia algo como uma enfermaria. Era simples, mas ao mesmo tempo acolhedor. Quase como se eu conhecesse aquele lugar. Ao lado, um rapaz moreno, de pele clara e olhos verdes parecia analisar alguma coisa. Foi quando ele notou que eu acordei e veio me atender, que notei que ele era quem estava cuidando de mim naquele momento.

- Hey, vai com calma, ok? Ainda precisa descansar.  Venha, tome isto, você vai ficar melhor. –

Ele então me estendeu uma caneca com um líquido que parecia meio dourado, meio translúcido. Eu não sabia o que era, mas o rapaz parecia tão gentil que sequer pensei em não aceitar. Era quase que como um magnetismo em seu olhar, como se confiar nele fosse minha única opção.

Ao beber, meu ânimo subiu quase que instantaneamente. Naquele momento eu acordei de verdade. Apesar da cor estranha, aquilo tinha gosto de refrigerante de uva e... Chá gelado?  Dava pra misturar estas duas coisas? Olhei ao lado e tirando outra garota que trocava os curativos de um rapaz que parecia ter tido o braço quebrado, estava apenas eu ali.

– A – a onde estou? – Perguntei, ainda um pouco confuso.

- No acampamento meio-sangue. Espere aqui, vou chamar Quiron pra te explicar. – O rapaz então sai apressado e alguns minutos após, retorna acompanhado de um homem já mais velho e de cabelo e barbas grisalhos em uma cadeira de rodas.

- Você acordou. Benjamin, não? – O homem falava de forma calma, como se tentando me manter calmo. Contudo, ele saber meu nome já não era algo que deveria me manter tão calmo. Ah, pera. Será que ele era da policia?

- É... Acho que tenho o direito de falar com um advogado antes, não? – Eu não sabia o porque, mas naquele momento, eu sentia que tudo ia mudar. Não sabia dizer se seria pra melhor ou pior, mas sabia que nada mais seria como antes.


A partir daqui, uma segunda parte será feita, assim que seus progenitores forem definidos e souber que caminho tomar. Por enquanto, vamos ver o que rola Smile


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Mensagem por Macária em Qua Fev 27, 2019 9:06 pm

Benjamin

Valores máximos que podem ser obtidos
Enredo e coerência de batalha – 50%
Gramática e ortografia – 20%
Criatividade – 30%
Total de XP e dracmas que pode ser obtido: 3.000 xp e dracmas


Resultado obtido:
Enredo e coerência de batalha – 40%
Gramática e ortografia – 13%
Criatividade – 27%

TOTAL:  2.400 xp e dracmas + 1 moeda de verão

Comentários:

Benjamin,
Econtrei vários erros que tornaram difícil a leitura de seu texto. Você escreveu algumas várias palavras de forma incorreta e algumas sentenças necessitavam de segunda leitura para ser compreendida. Sua lutas tinham alguns momentos bem confusos também e o foco de sua narrativa mudava rapidamente, tornando a leitura "desfocada". Ainda assim, eu cheguei a um resultado para sua filiação: legado de Hermes e legado de Ares. Seja bem-vindo, criança.

• Maça estrelada [ Uma grande bola com espinhos e uma corrente para prendê-la ao cabo, sendo que toda a peça é feita de bronze celestial, desde os mínimos aos maiores detalhes. É uma arma pesada e capaz de causar um bom dano. | Efeito: Transforma-se em um pente de bronze. | Efeito: Retorna para o dono após 2 turnos caso seja perdida ou furtada. | Bronze celestial. | Sem espaço para gemas | Beta | Status: 100% sem danos | Mágico | Arsenal do acampamento]




this a good death
money and diamonds can't save your soul

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Mensagem por Benjamin Baker em Qui Fev 28, 2019 8:32 pm



Capítulo 2: Duvidas

Se prender ao passado ou seguir em frente ao futuro? Que duvida cruel.



- Policia? Não, não. Você está no acampamento meio-sangue. Um lugar especial pra jovens especiais, assim com você. –

Comenta o tal de Quiron, tentando parecer simpático, mesmo que sua face só transparecesse sobriedade. Aparentemente ele parecia bom com este tipo de conversa, pois eu acreditei nele. Seria então de um centro para menores?

- Jovens problemáticos, você quis dizer, não? – Complementei. – Estou a onde, em um centro de reclusão para jovens infratores ou algo assim? –

Minha mente, apesar da calmaria do local, estava a mil. Eu não sabia onde estava e por mais que este tal de Quiron tentasse me explicar, parecia ainda mais que eu estava enrascado. Contudo, a calma do jovem atrás dele, que parecia já ter visto este tipo de conversa algumas vezes e estava bem tranquilo com isto, me deixou com uma pulga atrás da orelha. Esta não parecia a atitude que um enfermeiro de um centro para menores teria. Além disto, ele tem o que, uns 13 anos? Como pode estar cuidando do tratamento médico de alguém?

Inquieto com tantas duvidas, tento me mover para me ajeitar melhor na cama, me posicionar para caso seja preciso fugir ou algo assim. É neste momento que sinto uma fisgada na lateral do abdômen fazendo eu me contorcer de dor, que me lembro do ferimento que Stuart tinha feito em mim com seu canivete. Lembro-me de tudo o que aconteceu antes, inclusive daquela figura estranha que estava atrás de mim antes de eu cair. Eu estava... Morrendo, não?

- Por favor, não se esforce tanto. Seu ferimento foi um pouco sério, então vai precisar descansar mais.  – Fala o garoto, se aproximando e puxando minha coberta para ver o curativo do local. Ele então o retira com algum cuidado e nota que o ferimento abriu novamente. – Termine sua caneca, vai te ajudar. –

Ele então repousa as mãos sobre meu ferimento e um toque quente toma conta de meu corpo. Elas então parecem brilhar como a luz solar em menor intensidade, me fazendo recuar para trás e novamente sentir outra fisgada incomoda.

- Benjamin, relaxa. Deixa ele te curar. – A voz do homem que antes era amena, agora parecia um pouco mais séria. Não como se estivesse brigando ou nervoso, mas como se estivesse preocupado. Como se soubesse que sem aquilo, eu poderia piorar.

Por um segundo, um misero segundo, uma sensação de nostalgia tomou conta do meu ser. Não pude deixar de me lembrar das vozes de meus pais. Pais estes que eu sequer conheci, mas vez ou outra invadiam minhas lembranças. Um sorriso afetuoso, quente e reconfortante se mostrava em minhas memórias e isto me acalmou. Não sabia de quem era, mas sabia que era de um dos dois. Era como se eles estivessem ali, naquele momento.

Sem me conter, uma lagrima involuntária escorreu do lado esquerdo e um sorriso bobo se esboçou em meu rosto. Eu sequer percebi quando essa sensação de nostalgia tomou conta de mim e me fez perder a noção do que estava acontecendo. Foi então, com o aviso de “Tudo certo agora. Beba e vai se sentir melhor” do garoto moreno, que voltei a realidade.

Com as costas da mão eu limpei a lagrima que escorria e desfiz o sorriso bobo, fitando os dois ali. O garoto, ocupado com o que estava fazendo, sequer notou meu momento emocional, mas Quiron ficou me olhando com um singelo sorriso que quase apareceu em seu rosto, contido talvez por uma tentativa de não me constranger ou algo do tipo. Quando levei os dedos ao ferimento eles estavam curados, mesmo que superficialmente, sendo que a instantes atrás o ferimento estava tão aberto que eu poderia colocar dois dedos dentro da ferida e talvez sobresse espaço para um terceiro. Fitei o rapaz com um pouco de medo, mas neste momento, outra criatura adentrou a porta.

- O fedelho já acordou? Cadê ele? Vou enfiar juízo naquela cabeça oca. –

Uma voz engraçada, como se fosse à mistura de um velhinho com o uivar dos ventos por sobre as arvores de uma floresta, se pronunciava. Junto dela uma figura estranha, não devia medir mais do que um metro e meio, com barriga generosamente saliente, pernas peludas de carneiro, cascos, expressão zangada e mal humorada que com seus cabelos quase inexistentes despontando na cabeça com chifres longos e pronunciados lhe davam uma expressão tão rabugenta que poderia ser o próprio zangado dos 7 anões, versão terror tropical. A figura estava apoiada em um bastão de madeira maior que o próprio corpo com galhos que pareciam ainda vivos em uma arvore, dançantes mesmo sem vento, para evitar tropeçar ou cair.

Ele então me fitou com uma cara de desagrado e sem hesitar, me acertou com seu bastão, direto na cabeça. Sem dó, piedade ou maneirar na força. A pancada de imediato levantou uma saliência em minha cabeça, que doía e latejava, quase tanto quando o ferimento anteriormente aberto.

- AAAAAHHHH, DEMÔNIO!!!! –

Com um berro, saltei para trás na cama, já assustado com as mão brilhantes do rapaz, e agora vinha aquela aquela figura bizarra que apareceu do nada já me agredindo sem motivo algum aparente. Talvez eu tivesse surtado se não fosse a nova sequência de pesados golpes aplicados pela criatura, que, ou eu me preocupava em tentar me defender, ou ficaria cheio de hematomas.

- Que demônio o que garoto. Ta doido? Eu sou um Sátiro, um ser da floresta, servo de Pan e guardião de semideuses idiotas que nem tu. Me respeita muleque. –

Neste instante, Quiron interveio colocando a mão a frente do bastão e segurando a fúria do Sátiro, comigo encolhido no canto da cama sem entender nada da situação.

- Vamos com calma Chaliki (Pedregulho, em grego), eu ainda nem falei com o rapaz. –

O sátiro então parou e com uma cara ainda mais rabugenta respondeu.

- Ainda não? Que lerdeza. Fala logo com ele enquanto eu vou mascar um refrigerante lá fora. E não demora que eu não tenho o dia todo. Hunf. –

O sátiro então saiu do local dando vários mini-trotes como se fosse um pinguim com cascos que faziam um sonoro barulho ao chão, junto às batidas de seu bastão, quase como se quisesse mesmo incomodar com o barulho de seu andar. Quiron, por sua vez, suspirou como se estivesse engolindo o que pretendia dizer, para não pronunciar. Então, se dirigiu novamente a mim.

- Então, como eu ia dizendo, Benjamin, certo? – Ele espera uma resposta minha, que com um aceno de cabeça confirmo, sem me pronunciar com medo de que novamente aquela criatura estranha entre para em agredir. – Então, não delinquentes. Especiais mesmo. Você é um rapaz especial, que possui habilidades mais que especiais originadas dos deuses. No seu caso, Ares e Hermes, pelo que pude notar ai. - Ele então aponta para a correntinha em meu pescoço.

Apenas continuo ouvindo sem entender muito da situação, ainda perdido com tudo que estava acontecendo e bastante confuso. Pera, eu tinha poderes de deuses? Que?

- Éeer, vou explicar melhor. – Quiron então nota minha confusão e pigarreia, limpando a garganta para explicar novamente, desde o inicio. – Você, Benjamin, é uma um ser especial. Herdou em si habilidades e poderes de dois deuses antigos bastante poderosos. Assim como vários jovens de nosso acampamento, você é especial e vem passando por problemas até então.  Aqui, no acampamento, podemos lhe proteger, lhe dar um lar e te ensinar a usar seus poderes para enfrentar aqueles monstro do lado de fora, que tenho certeza que você já deve ter visto alguma vez na vida, certo? –

Quiron então dá uma pausa esperando uma resposta minha. Contudo, continuo calado. Esta história não fazia nenhum sentido pra mim, nada, nadinha mesmo. Contudo, ele sabia dos monstros e com aquela criatura chifruda e baixinha e o garoto com mãos quentes e brilhantes que curam, não tive muito como desacreditar que ele sabia sim do que estava falando. Que não era só para me enganar.

Uma expressão um tanto perdida se formou em meu rosto e junto a ela, a duvida ficou clara em meus olhos. Apesar de não me pronunciar, tentei me ajeitar na cama, agora um pouco mais relaxado, para ouvir o que o homem tinha a dizer. De alguma forma, aquilo estava atraindo minha atenção de algum jeito.

- No passado, existiam deuses, vários deles. Os mais conhecidos, pra você, provavelmente são os deuses gregos. Athena, Zeus, Hera, Apolo e afins. A primeira coisa que você precisa entender é que sim, eles existiram e sim, eles ainda existem. E não apenas isto, mas são tão ativos que além de controlarem aspectos de nosso mundo, como Aurora que trás o dia todas as manhãs, Poseidon que cuida dos mares e Eolo que guia o ventos sem que os humanos saibam para manter o equilíbrio do mundo e de seus sistema, eles também tem uma vida e tiveram filhos com humanos. Estas crianças são semideuses. –

Neste momento noto que antes ele tinha dito que eu era um semideus e que este acampamento era pra crianças especiais, semideuses, assim como eu. – Pera, então eu sou filho de deuses? – Pergunto, quebrando meu silencio.

- Não exatamente. Mas ainda é um semideus. Seus pais eram filhos de deuses. Seu pai era filho de Hermes, o deus dos viajantes e ladrões e sua mãe, filha de Ares, o deus da guerra. Você, entretanto, é um Legado, filho de dois semideuses. Não deixa de ser semideus por causa disto, só não é filho deles. É como herdar traços genéticos de um avô ou avó por parte materna ou paterna, entende? –

Bem, na verdade eu entendia. Não muito, mas entendia. Contudo... – Não, acho que não. Não alguém como eu. Eu não tenho nada de especial. Não consigo fazer nada direito, minha dislexia não me deixa sequer ler. Sou hiperativo de mais e não me concentro nem ferrando. Tudo que eu faço dá errado e to quase certo que tô ficando loco. Eu destruo tudo ao meu redor e só me lembro de monstros que ninguém mais vê e... –

Neste momento, me calo. Realmente, tudo que acontecia de errado ao meu redor tinha dedo destes monstros que me perseguiam. O foda era que só eu via eles e até quando filmavam isto, eu aparecia fazendo algo errado, me envolvendo com algo errado e completamente fora do contexto original, como quando os esqueletos guerreiros me atacaram e as câmeras filmaram uma gangue onde eu tinha acabado de comprar drogas e cara, eu não uso drogas. Definitivamente não!

- Isto é normal. Semideuses são geneticamente hiperativos pois é sua divindade latente te protegendo e preparando para combater monstros e sobreviver. É como... Um meio de defesa que sue corpo tem. Já percebeu que você está sempre pronto para esquivar, correr e se defender se algo estranho acontecer? – Quiron espera minha resposta, que com a cabeça aceno positivamente, interessado em sua explicação. - Sua atenção também é alterada. Sua mente sempre está focada no perigo ao seu redor, em tentar evitar problemas mortais e ficar alerta de tudo que pode acontecer. É como... Como mesmo que o Dimmmy tinha dito aquele dia? ah, sentido das aranha, ou algo assim. É como um sexto sentido que tenta de prevenir de ataques. –

Um riso escapou de minha boca naquele momento. Era sério que um homem daqueles estava tentando citar Homem-Aranha naquela situação? Se bem que fazia sentido. Assim como o Homem-Aranha, que seu corpo era preparado geneticamente pelo DNA de aranha para agir nas piores situações e seu sentido aranha lhe alertava de perigos eminentes, meu corpo parecia fazer o mesmo. Tipo quando aquela besta cheia de cabeças me atacou no colégio quando pequeno, que eu praticamente senti que ela ia me atacar antes mesmo de a ver chegar.

- Pera, eu sou um super herói? – Pergunto, confuso.

- Podemos dizer que sim. –
Quiron explica. – Em geral, semideuses se tornaram heróis na Grécia antiga. Hoje em dia nos escondemos dos mortais comuns, as pessoas em geral, pois elas não entendem mais o que vocês são, e quando descobrem, agem de forma agressiva pelo medo do que pode acontecer. Contudo, ainda podem virar heróis conforme treinam, evoluem e cumprem missões e tarefas a pedido dos deuses ou para proteger o mundo, os humanos de criaturas terríveis. –

- Então, protegemos o mundo? – Pergunto, tentando imaginar que tipo de coisa teríamos que fazer para proteger o mundo.

- É, as vezes isto acontece. Nem todos os deuses são tão sensatos quanto se espera. Alguns são um tanto quanto... Hum... –
Quiron então parou um instante para buscar palavras pra tentar não parecer ofender a nenhum deles. – Temperamentais. É, eles tem um temperamento difícil de se lidar e as vezes isto pode gerar problemas. Mas é para isto que vocês são treinados. –

- Nós? Então “tem” muitos como eu? Cara, eu não consigo nem ler direito, como vou ser um herói? –
Pergunto, confuso. Pra alguém que não conseguia nem se sair bem em uma prova de escola em que sabia as respostas, não tinha como eu virar um super herói.

- Por isto vocês são trazidos pra cá. Sua dificuldade com a leitura, sua dislexia seu cérebro preparado para ler o grego antigo e que possui um pouco de dificuldade de entender as línguas atuais, menos utilizadas por divindades, são preparados para isto. Veja... – Ele então para um segundo e volta a falar. – Se eu falar assim com você, você entende, não? Aqui, ensinamos as crianças a superarem seus problemas de leitura, concentração, hiperatividade e focarem em treinos, estudos e formas de aprendizado para poderem se proteger de monstros e evoluírem suas habilidades. Você entende, certo? –

- Tá, entendo. – Comento, meio desacreditando a fala dele. – Mas como um inútil que nem eu que nem boas notas na escola tem, pode fazer isto? – Argumento.

Quiron então sorri e eu fico me perguntando o porquê. Neste instante, noto uma coisa estranha. – Veja, estamos falando grego antigo há algum tempo e você me acompanha fluentemente. Inclusive, conseguiu migrar gírias e seu jeito de falar para o grego antigo, sem nem perceber. –

Neste instante, como em um susto, levo as mãos a boca parando de falar, assustado. – Caramba, isto é... Nossa! – E quando volto a falar, noto que não estou falando inglês, mas sim grego. Como diabos eu fazia isto?

- Relaxa, isto é normal. Todos aqui no acampamento foram considerados garotos problema no mundo lá fora, pois o mundo lá fora não foi preparado para os aceitar. Mas aqui dentro todos estamos preparados para lhes aceitar, entender, ensinar e ajudar. Não precisa ter medo, apenas aceitar que agora você encontrou pessoas que te são como você e estão preparadas para fazer o melhor que puderem pra te guiar e te preparar para viver neste novo mundo, desde que se dedique, se emprenhe e entenda que esta é sua nova realidade, cheia de deuses, semideuses, monstros, desafios, problemas e coisas que antes não achava possível. –

Ele então para um segundo, respira enquanto espera que eu assimile todas aquela informações e complementa.

- Humanos são vulneráveis a uma coisa chamada “névoa”. É como um véu mágico que separa a realidade deles, o que sua mentes e crenças são capazes de acreditar e aceitar, deste mundo mágico. Enquanto você vê monstros, eles vêem coisas normais. Enquanto você vê um ciclope, eles vêem uma pessoa enorme. Se um dragão soltou fogo destruindo toda uma rua, eles imaginam uma explosão de gás do subsolo. Assim como sua hiperatividade, dislexia e falta de concentração são mecanismos que te protegem, este é o mecanismo deles para entenderem o mundo ao seu redor sem ficarem loucos ou surtarem. Mas aqui, todos são como você, então, todos entendemos o que sente, o que vê e o que te acontece. Por isto, pedimos para que fique, para que possamos lhe ensinar a viver no mundo, sem que corra risco e entendendo que humanos, mesmo sem entender, ainda são apenas humanos e como parte humano, você precisa os ajudar e proteger, se for preciso. –

Realmente, agora que Quiron explicava, tudo fazia sentido. Eu sempre senti como se entre mim e aqueles ao meu redor, tivesse uma espécie de fumaça que os deixava cegos para o que acontecia. Uma vez, juro ter visto fumaça mesmo, sobre seus olhos. Se isto tudo era verdade, explicava tudo, literalmente tudo. Eu não sabia se devia ficar feliz com isto ou assustado com esta nova realidade. contudo, depois de tanto me foder, ser enganado, usado e rejeitado. Depois de tantas pessoas me chamarem de doido, louco e problemático, e agora eu saber que eu não estava doido, que tudo isto realmente existia e que existiam mais pessoas que, assim como eu, viam tudo isto e tinham as mesmas dificuldade e que me queriam ali, no seu super incrível e mágico lugar secreto? Nossa. Não seria este o rumo que eu esperava aparecer na minha vida, uma fuga de tudo aquilo que antes me atormentava? Bem, acho que sim.

- Bem, você entendeu né? Então não vou te assustar se eu esticar as patas. – Quiron então “abre” sua cadeira de rodas se levantando a partir dela sobre quatro patas, como se montando em um cavalo... NÃO, PERA, ELE ERA UM CAVALO PORRA.  Um olhar mais atento meu após o susto me faz notar que apenas a parte inferior de seu corpo era de equino, enquanto a superior era de humano, comum. Me lembro de na quinta série, com 11 anos, ter aprendido algo sobre. Era um centípede...? Não, um cent... Cent... Centauro. Bem, eu teria surtado se ele tivesse feito isto antes, mas agora, apesar do susto inicial, eu poderia me acostumar com isto.

- Venha, vou te mostrar o acampamento. Além disto, seu padrinho deve estar comendo a centésima latinha de refrigerante enquanto espera. To surpreso dele não ter entrado reclamando, ainda. –

O centauro então me estende a mão para que eu me levante e ele me guie. Após terminar de dar o ultimo gole em minha caneca que parecia sempre ter o que eu queria no copo na temperatura perfeita, o que agora era chocolate quente, eu coloquei o copo na mesinha ao lado da cama e me levantei, como se revitalizado. Olhei o copo, estranhando.

- Néctar dos deuses. É como um remédio mágico com o gosto eu você mais te agrada. Mas cuidado. Tanto o néctar quanto a Ambrosia, que é uma comida que tem quase o mesmo efeito, podem matar se você beber ou comer de mais. Lembre-sê sempre, você é apenas uma parte deus. Seu corpo ainda é humano e portanto, seu corpo não deve ter surtos de poder e divindade o tempo todo ou pode não aguentar. –

Engoli em seco sua frase, tirando os olhos do copo. Eu imaginava que algo assim aconteceria. Um corpo humano com poderes divinos? Uma hora ele poderia sobrecarregar. Isto seria horrível.

Segui Quion até o lado de fora, observando o local. Ele era enorme, de um verde incrível. Era como um grande acampamento de verão com campos de esporte, grandes áreas verdes, uma mansão azul enorme, várias construções de estilo grego antigo bastante suntuosas, um paredão de escalada que... Estava pegando fogo? Caramba! Tinha também um lago, áreas onde eu podia ver outros jovens brincando, jogando se enfrentando com um machado e escudo e uma lança e um escudo maior ainda... Pera, aquilo é de verdade?

Suspiro profundamente quando olho mais pra baixo e vejo a figura baixinha sentada na grama com 2 engradados plásticos de refrigerante de 12 unidades cada, já vazios e outro pela metade. Ao observar, noto que ele fura a latinha com os dentes deixando boa parte do refrigerante escorrer, para então comer a latinha? Cara, que bizarro.

Ele então nota nossa presença e resmungando coloca a ultima latinha inteira na boca e se levanta, com um pouco de dificuldade. – Achei que passariam o dia inteiro lá dentro. Por que demoraram tanto, estavam fazendo tricô? – E lá vinha toda a rabugice dele novamente.

- Chaliki, você sabe que não é simples explicar estas coisa. As vezes leva dias. Calma. – Quiron tenta enfiar um pouco de sensatez na cabeça dura do Sátiro, que dá de ombros. – Benjamin, vou te deixar com o Chaliki, como seu padrinho ele vai te mostrar o acampamento e tirar suas duvidas, se tiver alguma. Também vai te levar ao sue chalé e... –

- Não vou não.  – Se pronunciou o sártiro. – Eu disse que tinha mais o que fazer. Tenho que ir pra reunião do clã agora. Ele que se vire. – O sátiro então se arrumou, pegou seu bastão e saiu trotando, como se tivesse alguma pressa para chegar ao seu compromisso. Acho que ele ficou tão entretido com as latinhas que esqueceu completamente deste, até nossa chegada.

Quiron suspirou parecendo perder a paciências, mas em seguida relaxou. Após isto, ele assoviou com 2 dedos levados a boca formando um circulo com o polegar e indicador e com isto, alguns garotos da arena olharam para nós. Ele então acenou com a mão pedindo para que um deles viesse até nós. Um dos garotos que lutava, o do machado, começou a andar em nossa direção. Ele retirou o elmo e a armadura de coro que vestia durante o caminho, posicionou o escudo no chão, colocando o machado sobre elem e então a armadura e o elmo, demonstrando seu um rapaz lde cabelos loiro escuro, forte, de pele bronzeada e olhos castanhos. Devia ter o que? 1,80 de altura? Parecia ter uns 18, talvez 19 anos e uma barba rala que combinava com sua expressão mais durona. Era bastante bonito, apesar da cicatriz que despontava em seu pescoço e parecida descer pelo seu peito.

- Este é Yurik, um de seus... Tios. Ele vai te apresentar ao local e aos chalés. Yuriki, ele é um legado de Hermes com Ares, como pode ver aqui. – Quiron então se direciona ao meu pescoço e apanha uma medalhinha de metal entalhado, parecia uma moeda antiga com um machado cruzado com uma espada e um bastão no meio com uma serpente o envolvendo.

A primeiro momento nem havia me lembrado, já que eram tantas coisas novas e incríveis acontecendo, mas aquela medalha me trouxe um peso no peito que chegou a me faltar o ar naquele instante. Eu sempre tive ela. As mulheres do orfanato me disseram que estava comigo quando fui deixado lá, enrolando em um pano velho, estranho, que parecia meio rasgado, meio chamuscado. Elas se desfizeram do tecido, mas mantiveram a medalha. Atrás do símbolo localizado na face da medalha, está meu nome entalhado sobre o que parecia um símbolo antigo de valor monetário.

Quando pesquisei mais sobre a tal medalha na época que tive oportunidades em minha infância, descobri que era um Dracma de ouro, apesar da aparência bastante envelhecida. Era uma antiga moeda grega que foi entalhada manualmente com os símbolos e o meu nome atrás. Na época, o homem que avaliou na loja de penhores me ofereceu um bom dinheiro por ela, mas como era esta a única coisa que eu tinha, acreditando que possivelmente era dos meus pais, eu fiquei com ela. Era meu tesouro, algo importante para mim. Muito importante.

- Prazer, sobrinho... Eu acho. Seja bem vindo ao acampamento. Venha, vou te mostrar o lugar. -  Fala o rapaz, tentando ser simpático.

- Quiron, sobre meus pais, eu... –

- Não é o momento, Benjamin. Acho que Chaliki pode te explicar isto melhor, quando puderem conversar. Como dito, ele é seu padrinho, mesmo. Escolhido por seus pais. -  O Tom se voz do centauro era uma mistura de sério com pesaroso. Neste momento senti um aperto no peito, uma sensação estranha de que saber disto seria doloroso.  

- Hey, vamos. Temos muito quer ver ainda. – Quebrando o clima pesado no ar, Yurik me acerta com um soco no braço, até que bem forte. Este ficou dolorido e a dor me tirou deste marasmo de lamentação, voltando minha atenção para o rapaz

- Ai, isto dói. – Falo, de forma energética.

- Eu sei, foi pra doer mesmo. – Responde o filho de Ares, de forma sorridente e me empurrando em direção aos chalés. – Vamos, Vamos. –

Mesmo que momentaneamente contrariado, vejo Quiron se afastando de simultâneo e noto que Yurik, a sua maneira, só queria quebrar aquele clima de pesar. Ao jeito dele, estava sendo simpático e tentando me ajudar. Após alguns passos, não precisei mais ser empurrado, o seguindo por vontade própria. Muitas duvidas ainda estavam em minha mente e várias delas eram sobre meus pais. Contudo, eu sabia que teria que esperar. Era melhor ocupar minha mente enquanto isso, do que sofrer por antecipação.


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