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Warrior of the Sea - Alexia Watts

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Warrior of the Sea - Alexia Watts

Mensagem por Alexia Z. Watts em Qui Out 16, 2014 3:40 pm



Warrior of the sea and magic
ALEXANDRA MALONE ZERSTÖREN WATTS
She is a hurricane
Filha de Netuno
17 anos
Ex Rainha das Amazonas
I Coorte
Feiticeira de Circe
Residindo no CHB

→ Alexia é impulsiva, manipuladora, cruel, vingativa, sarcástica e ousada. A garota nunca tem medo de falar algo. É geniosa, temperamental, teimosa e imprudente. Gênio forte e um pouco compulsivo, dona de uma bipolaridade quase que fora do comum e uma perseverança inquebrável. Portadora oficial do poço de sarcasmo e ironia. Ela é secretamente sádica e costuma ser ciumenta, maldosa e agressiva.

© lucy


Última edição por Alexia Z. Watts em Sab Abr 04, 2015 11:40 am, editado 3 vez(es)


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Alexia Z. Watts
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Re: Warrior of the Sea - Alexia Watts

Mensagem por Alexia Z. Watts em Seg Dez 29, 2014 2:55 pm


I'm not saved

nascimento. família. infância. labirinto de dédalo. lupa. início no acampamento.✖︎


Nascida em Atlantic City, uma cidadezinha muito conhecida por sua arquitetura moderna ao sudeste de New Jersey, tendo a fama por seus casinos e também por seu território ser quase a metade ocupada por água. Alexandra Malone Zerstören Watts residia numa mansão de frente para o mar, com sua mãe (uma empresária quase-aposentada de tão rica) e sua meia-irmã mais nova, que tinha apenas cinco anos de idade. Para entender a história de Alexia, vamos ter que viajar um pouco no tempo, apenas um pouco, em como sua mãe, Camile, conheceu seu pai e como todo esse inferno começou.

Camile era uma mulher alta e atlética que surfava nos horários vagos e trabalhava no aquário da cidade; ela era jovem, muito jovem, tinha 19 anos na época. Ela amava surfar todas as madrugadas até o sol nascer, não precisava se preocupar com nada, nem com dinheiro, uma vez que sua família era bem sucedida. A mansão ficava bem em frente a praia, e uma parte da praia até pertencia a família Zerstören. Netuno não conseguia ficar longe de Atlantic City, por motivos óbvios e por ele ter “construído” a cidade para ele, um lugar onde ele se sentisse bem, como se fosse seu reino fora de água, mas é claro que ele não governava a cidade nem nada disso. Ele só ficava em paz. Quando Netuno viu Camile pela primeira vez, surfando, ficou fascinado primeiramente pela beleza da mulher, tinhas olhos castanhos, mas muito brilhantes e encantadores, e cabelos cor de mel com luzes loiras, pele bronzeada, perfeita aos olhos de Netuno. Mais tarde o deus se inscreveu na companhia de surf em que ela era instrutora para poder se aproximar ainda mais dela. Após algumas semanas, eles acabaram se apaixonando. Camile era perfeita para Netuno, gostava de surfar para relaxar, tinha um bom senso de humor, adorava pregar peças e mesmo parecendo tão criançona, sabia realmente falar sério e agir com situações delicadas. Dois meses depois, a notícia de que Camile estava grávida mudou tudo. Camile ficou ciente de tudo, ou quase tudo, mas a situação ficou muito mais grave por causa dos pais de Camile, que eram políticos influentes em Atlantic City. Forçaram Camile a se casar com Netuno em menos de três dias, apenas no cartório. Camile, ciente de tudo, não queria, e muito menos Netuno; casamento era algo que não poderia acontecer jamais entre um mortal e um deus. Mais eles se casaram mesmo assim. Eles ainda se amavam, mas não era perfeito como antes. Tinha compromisso, tinha pressão. Tinha um filho. Netuno já explicara a situação diversas vezes para Camile, e ela tinha que concordar. Nascera uma menina, deram-lhe o nome de Alexia, graças a Camile, pois Netuno queria colocar Yemanja, que significa princesa do mar. Dá pra perceber que o deus não tem muita noção de nomes atuais. Quando Alexia completou sete meses, Camile e Netuno forjaram um acidente em qual Netuno não sobrevivera, claro que era uma façanha para os pais de Camile, então, ela constou no cartório como viúva. Foi a única solução que encontraram para o problema que seus pais tinha com o status na sociedade. Um ano depois da morte de seus pais em um avião, Camile casou-se com um homem repugnante, Alexia tinha oito anos de idade. O tal cara sempre costumava maltratar Alexia, chegando a humilha-la simplesmente pelo fato de ser filha de outro homem. Camile engravidou do homem quando Alexia tinha dez anos de idade, sua meia-irmã mais nova atualmente tem seis anos de idade e se chama Melissa. Até hoje Alexia acha uma sorte a sua meia-irmã ter nascido com a aparência de uma boneca, devido ao pai que tem.

Alexia estudava em uma escola chamada St. Avery, a única escola particular de toda a cidade, uma vez que a economia de Atlantic City é suficientemente forte para implantar escolas de boas qualidades. Os fatores que levaram Alexia a estudar no St. Avery desde seus sete anos foi seu déficit de atenção e sua hiperatividade, sem falar ela costumava a imaginar coisas, como visões borradas. A garota sempre portou o surf como seu hobby principal, mesmo tendo uma carinha um tanto quanto delicada e angelical para um esporte tão praiano. Gosta de compor músicas com sua irmãzinha, e fez-lhe uma canção de dormir, que sempre canta; Alex ama de coração, alma e tudo que tem direito, algodão-doce de coloração verde e azul. Não ofereça sorvete de Blue Ice para ela, se não é capaz de você perder até a colher, ela come verduras só porque são verdes. Em Atlantic os parques de diversão eram montados nos gigantes píeres na praia, e ela ia praticamente todo o pôr do sol sentar-se ao pier. Seu santuário era passear pelo Atlantic City Aquarium, onde passava horas lendo ou até mesmo escondida depois de uma briga com alguém. No lugar Alex também prestou serviços comunitários apenas para passar mais tempo no ambiente. La era o lugar perfeito para surfar, para não ter amigos, para ser excluída, para não participar de festas, para estudar num colégio de retardados, de ser uma menina de 12 anos problemática... A garota amava Atlantic City!

No décimo segundo aniversário da garota as coisas começaram a ficar muito complicada, tudo começou a se embolar e perguntas começaram a brotar na cabeça da garota; sonhos estranhos começaram a assombrar as noites da menina. Às vezes eram coisas estranhas como monstros, sombra, vultos, pessoas encapuzadas dizendo coisas sem sentidos. Às vezes, eram coisas agradáveis, o fundo do mar, um grande castelo, corais, uma voz masculina tranquilizadora. Sua mãe começou a se comportar de forma estranha e assustada, ela já sabia do futuro de sua filha, já haviam a alertado sobre sua descendência e da urgência necessária em enviar Alexia para o acampamento para semideuses. Camile pensara que Alex ia para um acampamento para semideuses perto, como Netuno lhe informará, e não para um acampamento do outro lado do país.

Uma tarde normal, a garota foi admirar a beleza marinha nas dunas, procurando possíveis ovos de tartaruga nas areias. Andava pela as areias até que chegou a um conjunto de rochas enormes perto da água, embaixo e um píer. Ela viu algo brilhar lá dentro, uma luzinha estranha e convidativa; curiosa, a garota se aproximou do lugar e entre uma rocha e outra, ela escorreu para dentro de uma fissura íngreme. Ao tocar o chão Alex percebeu que já não se encontrava entre os rochedos da praia de Atlantic City, ela estava em um lugar com péssima iluminação, um lugar onde não se tinha sinal de celular e um lugar com barulhos estranhos.

Alexia não sabia que havia encontrado o Labirinto de Dédalo, se soubesse tal fato na época talvez teria se desesperado ainda mais. Ela procurou uma saída, mas não encontrou o lugar de onde caíra; clamou por ajuda, mas ninguém a socorreu. Não vendo outra alternativa ela começou a correr entre os corredores, utilizando sua boa audição para correr dos estranhos barulhos que se eram produzidos. Desesperada, ela começou a correr. Depois de mais ou menos algumas horas ela começou a ter ilusões, a ficar fraca, a ficar com fome e sede. Alexia não se lembra quantas vezes havia desabado no chão, inconsciente, só se lembra de ter encontrado uma luz e corrido para ela. Escalou a parede rochosa e se fez presente em uma floresta não muito densa; com seu instinto ela se guiou até um rio. Machucada e assustada, a pequena Alexia se esbaldou na margem do rio, a última coisa que se lembra deste dia foi às estrelas do céu e um lobo.

A notícia circulou pelo país inteiro, o curioso desaparecimento de Alexia Zerstören, de apenas doze anos. Enquanto todos se horrorizavam com a fatalidade, Alexia tentava acreditar nas palavras de Lupa e aceitar seu treinamento. Em seus cinco dias com Lupa e seus lobos tendo seu treinamento, Lupa descobriu a hipótese de Alex ser filha de Netuno e quando a garota viu as coisas sobrenaturais que poderia fazer começou realmente a acreditar na existência dos deuses romanos.

Depois de ser devidamente treinada ela foi levada para o Camp Jupiter.. A garota começou a estudar profundamente a mitologia grega e romana, criando suas próprias teorias. Ouvia vários semideuses dizendo como foram parar ali, e que como eram perseguidos por monstros, isso fez pensar que Atlantic City era um lugar bom para se viver, o denso odor marítimo devia ocultar seu cheiro de meio-sangue... se falar que seu padrasto também não era muito cheiroso. Alexia passou a morar em Nova Roma até mesmo no período de férias, mesmo não gostando muito da ideia de viver longe de sua família. Quando ligou para sua mãe e contou-lhe oque tinha acontecido, perguntou se ela queria morar em Nova Roma com ela, Camile já tinha se separado do traste de seu marido e agora viva com Melissa naquela mansão sozinha; o local do acampamento era demasiadamente longe de seu país para poder fazer uma visita de três meses a sua família. O conselho não deixou com que a mãe e a irmã de Alexia morassem em Nova Roma, seria perigoso demais, complicado demais. Não era permitido mortais e fim. Nas férias, onde alguns poucos semideuses voltavam para suas famílias, Alexia viajou para Atlantic City, foi de carro com uns amigos semideuses que moravam perto de New Jersey. Alexia passou apenas duas semanas de normalidade com sua mãe e sua meia-irmã, quando a casa, do nada, explodiu, com todos dentro. Alexia fora arremessada pelos ares, caindo perto da água do mar (já disse que a mansão ficava de frente por mar? Pois bem). A explosão não parecia ter sido causada por fogo, de longe Alex poderia deduzir oque causaram, mas ela estava perdendo a consciência, estava se sentindo fraca... se sentia morrendo. Sua única saída foi arrastar-se para a água e banhar-se; ali, perdeu a consciência, a única coisa que se lembra antes de desmaiar foi uma voz indistinta e sinistra e ecoar em sua mente “Foi para o seu bem, elas eram uma distração. Agora você se tornara uma guerreira melhor”. Alex tinha certeza de que aquela voz em sua mente não estava prezando pelo bem da garota. Só acordou horas depois, em uma cama de hospital. Ao acordar descobriu que sua mãe e sua irmã tinham morrido e que a explosão aconteceu por causa de um botijão de gás. Claro, um truque da Névoa. Não ficou muito tempo acordada, logo perdeu a consciência novamente. Seus amigos, souberam do que aconteceu com Alexia através da televisão  e correram para Atlantic City, sequestraram a garota do hospital e correram para o acampamento Júpiter.

the beginning of the Sea's daughter


Última edição por Alexia Z. Watts em Sab Abr 04, 2015 12:09 pm, editado 2 vez(es)


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Re: Warrior of the Sea - Alexia Watts

Mensagem por Alexia Z. Watts em Seg Dez 29, 2014 3:57 pm


found my home

conhecendo as amazonas. ingressando ao grupo. ✖︎

Seis meses. Hoje se completa seis que eu fiquei orfã, que perdi minha mãe e minha irmã para algum deus que até hoje é um mistério completo para mim. Minha vida não podia ficar pior, não mesmo. O acampamento até que estava sendo legal, mas me sentia sufocada com tantas regras, tanto poder. Isso até que é legal, mas não o tempo todo. Viver assim por toda a minha vida não está em meus planos, embaixo de regras, somente treinamento e nada de diversão. Até a Casa de Banho é limitada aos poderosos! Como pode isso! Não tinhamos diversão, apenas trabalho e mais trabalho. Eu estava me sentindo desgastada demais, ainda mais por estar in probatio, estava sendo muito cobrada por todos da primeira Coorte. Eles apostaram tudo em mim me aceitando na Poderosa, então eu tinha que honrar e me dedicar mil vezes mais.

Eu ainda tinha pesadelos com o labirinto de Dédalo, local o qual foi meu meio de transporto para o CJ. Os corredores escuros, monstros, e toda a ingenuidade que eu tinha... Suspirei e balancei a cabeça, fazendo aqueles pensamentos saírem da minha mente. Não posso pensar nisso, não agora.

— Tudo bem, querida? Parece um pouco esverdeada - perguntou uma voz feminina parada em frente a mim. Céus, que vergonha. Estava literalmente viajada e ignorado a paletra sobre guerra. Estávamos no auditório para uma palestra especialmente dada pela irmã de nossa pretora, Hylla, que também era a Rainha das Amazonas! E agora ela estava ali reparando que eu estava ignorando completamente suas palavras e táticas de guerra. Suspirei e reuni coragem para dizer algo.

— Acho que não estou me sentindo muito bem - respondi e mordi o interior da bochecha, sentindo o poder que aquela mulher emanava. Ela era mais velha que Reyna, e mais poderosa também. E embora eu quisesse muito prestar atenção em suas palavras, eu não conseguia afastar as memórias do passado. — Mas tudo bem... não se preocupe - mantive o tom de voz firme e decidido. A menina deu um sorriso encorajador e voltou a palestrar para os legionários. Respirei fundo e foquei meus olhos em suas palavras.

A menina era tão confiante, se portava como uma dama mais parecia que a qualquer momento se tornaria uma arma de matar. Ela era diferente, e eu estava disposta a conversar mais com ela. Pelo que eu ouvi falar pelo refeitório no almoço antes da chegada dela, as Amazonas eram guerreiras barbaras que esquartejavam os homens indefesos por onde passavam... mas acho que isso não é verdadeiro. Quando a palestra acabou, me levantei e caminhei até o centro do palco, esperando algumas pessoas terminaram de falar com a rainha Hylla, que ali no CJ era apenas Hylla. Quando eu me aproximei a menina sorriu.

— Então, está melhor? - ela perguntou, esbouçando um sorriso.
— Sim, obrigada... eu gostaria de falar com você, saber um pouco sobre as amazonas - eu digo, quase que tímida. Era difícil admitir que eu era uma garota de 13 anos orfã e tímida que não estava conseguindo se integrar tão bem no Camp Jupiter quanto gostaria.

O sorriso e o brilho no olhar de Hylla me encorajou a falar tudo que era necessário, e ela me explicou perfeitamente como funcionava o grupo de mulheres guerreiras. Eu me senti impulsionada a me juntar a elas, mas estava com vergonha demais, poderia ser um tiro no escuro e eu nem ao menos havia sido convidada, então apenas guardei o desejo dentro de mim. Enquanto conversávamos, Reyna apareceu com um sorriso para a irmã. Raramente eu a via sorrir, e seu sorriso era muito bonito.

— Irmã! Está querendo arrancar mais uma de meu exército? - perguntou Reyna, abraçando a irmã. A mesma riu, retribuindo o abraço e eu senti que não deveria estar ali.
— Claro que não - respondeu Hylla — Essa aqui apenas se mostrou curiosa pelas amazonas e eu estava explicando-a como funcionava.
— Nem vem, Hylla. Mesmo sendo filha de Netuno essa garota tem grande potencial, falta apenas um mês para sair do probatio e já está querendo pesca-la? - Reyna não parecia estar brigando com a irmã, parecia mesmo uma brincadeira, mas eu não saberia dizer ao certo, já que não conhecia Reyna o suficiente.
— Você tem uma grande capacidade de achar que eu venho roubar suas meninas - ela disse para Reyna, então depois se virou para mim — Então, pequena Alexia, se quiser se juntar a nós, basta me procurar, estarei aqui a semana inteira... Não se preocupe. Agora, se me der licença, tenho assuntos de guerra para tratar com Reyna.

Elas acenaram para mim e partiram. Eu fiquei curiosa e em dúvida. Era tão jovem e já tinha que atirar no escuro. Suspirei e sai do auditório, pensando sobre minha escolha.

***

Hylla iria embora hoje e se eu quisesse me tornar uma amazona a chance era naquela hora. Fiquei pensando a semana toda no assunto e percebi que não sentia que o Camp Jupiter era meu lugar, eu nunca me integraria no local, mesmo sendo da Primeira Coorte. Parece que esse negócio de descendência é muito levada em conta, e os filhos de Netuno e o próprio deus não tiveram muita fama em Roma. Acontece que estava sendo complicado aturar todas as provocações e as regras. As Amazonas seria uma ótima oportunidade e eu aposto que Hylla não oferece uma vaga no grupo assim para qualquer garota. Eu pensei tanto que minha cabeça ficou pesada e a escolha ficara mais difícil. Apesar de não estar me integrando bem com os legionários, tinha alguns que eram meus irmãos e irmãs, pessoas que me acolheram e cuidaram de mim, semideuses aposentados que me apararam quando voltei para cá orfã. O Camp Jupiter em parte também era meu lar... mas as amazonas poderia ser algo muito maior. Respirei fundo e caminhei para o refeitório. Hylla estava sentada com os pretores e centuriões, todos rindo e bebendo suco de uva como se fosse cachaça. Respirei fundo e reuni coragem, parando em frente a mesa e colocando a mão da mão na mesa, olhando diretamente para Hylla.

— Então? Aquele convite ainda está em aberto?

A rainha das amazonas sorriu.

— Partiremos amanhã a tarde.
entry into the group of Amazons


Última edição por Alexia Z. Watts em Sab Abr 04, 2015 12:24 pm, editado 3 vez(es)


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Re: Warrior of the Sea - Alexia Watts

Mensagem por Alexia Z. Watts em Seg Dez 29, 2014 4:08 pm


i'm the queen

abdicação de hylla. anúncio da nova rainha. missão nas terras antigas. ✖︎

Eu estava numa sala qualquer na Amazon, resolvendo problemas administrativos e dando tarefas para nossos escravos, quer dizer, trabalhadores, quando Kinzie chegou com o semblante sério e me convocou para uma reunião com a Rainha. Quando ela deu as costas, toda a minha postura confiante e séria desabou; eu já sabia que coisa boa não estava para acontecer, e sinceramente eu não estava preparada para ter que enfrentar outros problemas, já que não faz nem uma semana que voltei do Acampamento Júpiter. Lembro-me que a última vez que uma reunião aconteceu foi quando Otreta quis roubar o trono da Rainha Hylla e não foi nada divertido. Massageei as têmporas fechando os olhos, tentando aceitar que eu nunca irei ter paz nessa vida. Encerrei o computador, ajeitei minha jaqueta preta por cima da blusa roxa e a calça jeans e fui prontamente para o salão de reunião. Embora eu estivesse quase quatro anos com as Amazonas, aquele lugar ainda era um labirinto para mim. Após ficar dando voltas e voltas pelos armazéns, salas e lugares estranhos, quase matar um homem que estava batendo papo com outro e quase morrer quando vi uma replica da estatua da Medusa, encontrei um grupo de Amazonas no fim de corredor e decidi segui-las, já que deviam estar indo para a reunião também.

Quando finalmente cheguei ao salão de reunião percebi o quanto a coisa realmente parecia ser séria. Todas as guerreiras estavam reunidas no espaço, a Rainha Hylla mantinha sua expressão severa sentada em seu trono de livros. O cinto de vários elos de ouro juntos, como um labirinto, que Hylla tinha em volta dela chamava mais minha atenção do que o normal. Agora imagine quase 200 mulheres cochichando entre si num grande salão? Então, o barulho não era pouco. Olhei em volta, tentando captar algum sinal de que alguma coisa ruim estivesse acontecendo; mas todas as guerreiras estavam descontraídas em suas conversas sobre assuntos irrelevantes. Ok, então não era nada demais. Não, espera, ela convocou todas as Amazonas, então era uma coisa bem grande sim!

— Você sabe de algo?  – perguntei para uma amazona ao meu lado, acho que era Stacey.
— Não, todas estão ansiosas e algumas parecem que já sabem – respondeu a garota, mordendo o lábio pensativa. Suspirei e prendi a respiração, varrendo o salão com meus olhos.

— Alexia Watts – meu nome ribombou em meio aos murmúrios que logo cessaram. Senti meu sangue gelar, mas apenas mantive minha expressão inexpressiva enquanto um corredor se formava diante de mim, como uma grande passarela que me levava até a Rainha. Ok, agora que eu estou mortinha. Será que eu devia ter matado os homens que conversavam na hora do serviço? Oh, céus, que merda eu fiz no Acampamento Júpiter? Será que Hylla descobriu que eu estava sendo legal e ensinando Ruppert a lutar com tridente? Pelas cuecas de Netuno, vou matar o fofoqueiro que espalhou isso... Enquanto outros motivos para justificar minha sentença de morte passavam por minha mente, eu andei da maneira mais corajosa possível em direção a Hylla. Os murmúrios começaram a preencher novamente o salão, mas quando fiz a reverência para a rainha e parei em frente ao seu trono, a mesma mandou todos se calarem. As meninas fecharam o corredor, mas ficaram numa distância desconfortável de mim, como se eu fosse radioativa. — Ser Rainha de vocês é uma honra inimaginável, vencemos muitas lutas em nosso nome, ganhamos respeito e temor dos homens. Trabalhamos arduamente para termos e sermos o que somos hoje... – e ela continuou a discursar sobre como havíamos feito um bom trabalho junto e bla bla bla. Eu estava atenta a cada palavra que ela dizia, tentando captar algum resquício de futura eliminação. Bem, conheço Hylla há bastante tempo, praticamente me juntei as Amazonas junto com a mesma, então se ela quisesse me matar eu tenho certeza de que não estaria respirando agora. — Nunca fui boa em enrolar, então vamos direto ao assunto – ela disse. Amém, já estava tendo um ataque cardíaco aqui. Seus grandes olhos castanhos se voltaram para mim, brilhantes. Agora saber se eles estavam brilhando de orgulho ou maldade eu já não sabia.   — Eu estou abdicando meu cargo como Rainha das Amazonas. Normalmente seria uma luta e a vencedora se tornaria Rainha, mas como eu estou abdicando o cargo, as coisas serão diferentes – ela disse alto e com a voz firme. A surpresa e conversa preencheu o salão novamente, todos surpresos com a notícia. Hylla teve que mandar todas calarem novamente para prosseguir. — Sinto que preciso deixar que outra tome meu lugar, então assim será. Não pensem que foi uma decisão mal pensada, pois muito eu ponderei sobre ela. Meses, aliais. Escolhi no uma de vocês que possivelmente se tornaram uma rainha tão boa quanto eu e as outras – não conseguia mais sentir meus pés no chão, parecia que o peso do céu estava sobre minha cabeça e que eu estava prestes a desmaiar. Estava tão obvio quanto meu amor por pudim que Hylla estava pensando em mim como a próxima Rainha. Senti vários olhos fixos em mim, mas continuei a encarar a rainha, tentando clarear desesperadamente meus pensamentos... Ser rainha das Amazonas era como ser pretora no Acampamento Júpiter... não, acho que era algo maior que isso, e melhor.

Soltei o ar que nem percebi que prendia e engoli em seco. — Alexia Malone Watts, você atraiu meu olhar pela sua lealdade, coragem, justiça e liderança. Acredito que será uma ótima Rainha, mas terá que provar seu valor antes.

***

— Alexia! – chamou uma voz atrás de mim, eu ignorei e continuei andando pelo corredor deserto. Meu passo era apressado e tudo estava rodando, eu estava repentinamente enjoada. — Alexia! Pare! Me ouça! - gritou a voz atrás de mim. Sem paciência alguma eu me virei de braços cruzados e uma expressão furiosa.
— O que você quer, Meeg? - eu perguntei, áspera. A garota encolheu os braços e engoliu em seco. Suspirei e deixei os braços caírem ao lado de meu corpo e minha expressão se suavizar. Eu não servia para ser rainha, não era boa o bastante para isso.
— Eu queria dizer que estou muito feliz por você, você tem que aceitar! Você é tão incrível, corajosa, leal... vai ser uma ótima Rainha! - ela disse, cautelosamente. Meeg, como minha melhor amiga, muito bem sabia de como eu estava naquele momento. Desorientada, confusa, com uma auto-estima abaixo do Tártaro.
— Não, Meeg, eu vou ser uma péssima rainha! Eu não posso aceitar, eu nem vou sobreviver ao que Hylla me preparou! - eu digo, exasperada. — E ainda tem o Camp Jupiter, você sabe como todas aqui odeiam que eu tenha vínculos por lá, sabe que eu vou ter que parar de visitar minha casa por causa desse título, eu não estou pronta para isso, Meeg, eu não estou... - antes que eu pudesse me conter, lágrimas desciam pela minha bochecha e meu peito parecia apertado.

A garota me abraçou e afagou meus cabelos, tentando me acalmar.

— Shhh... você vai ser uma ótima Rainha, não vejo pessoa melhor que você para isso, não fique assim, tudo vai se resolver - ela disse.

Se afastou de mim, e limpou minhas lágrimas. Meeg era como uma irmãzinha mais nova para mim. Era como Melissa, minha falecida irmã mais nova. Eu a amava tanto, e ela se foi. E agora eu teria que me apegar a todas aquelas garotas, fazê-las de minha irmã mais nova. E estar pronta para perder cada uma delas. Funguei ao ver Meeg sorrir docemente para mim, depositar um beijo estalado em minha bochecha e se virar, indo embora pelo corredor.

***

Meu quarto nunca pareceu tão assustador antes. Na Amazon tinha de tudo, então eu aproveitava e pegava algumas quinquilharias para decorar meu quarto, o resultado disso era pilhas de coisas que eu nunca iria utilizar na minha vida, mas que continuava a ficar inutilmente ocupando espaço. Eu estava sentada na cama, as costas na cabeceira e meu olhar fixo numa bonequinha assustadoramente parecida com minha irmãzinha Melissa, de cinco anos... que morrera numa explosão provocada por algum deus que não tinha nada melhor pra fazer. Respirei fundo. Tinha até a noite para aceitar a oferta e tinha 24 horas para me preparar para a missão que Hylla me enviou. Eu estava tão confusa que sentia que eu poderia chorar a qualquer momento. Se tornar Rainha era cuidar e zelar da vida de cada uma dessas garotas – e outras que estavam espalhadas no mundo -, era sofrer pela morte delas, aconselha-las e ser como uma mãe ou uma irmã mais velha. Não sei se estou pronta para me apegar tanto a elas para perde-las ou pior, vê-las morrer numa batalha liderada por mim. Elas esperariam sempre algo de mim, e se eu não for o que elas esperam? Solucei, sentindo o peso em meus ombros ficarem mais pesados. E a missão que Hylla me enviou... era suicídio, praticamente. Eu poderia ser expulsa do Acampamento Júpiter e nas melhoras hipóteses eu poderia morrer. Ir para as Terras Antigas era insanidade, ainda mais para recuperar artefatos tão valiosos que eu fui incumbida de achar. Limpei as lágrimas e me levantei, caminhando até o espelho e deixando minha expressão firme e séria. — Quando você precisou de mim eu não estava, Melissa, e agora essas meninas precisam de mim, não vou dar as costas para alguém novamente. [...]

***

Então, eu partir para a missão suicida que era ir para as terras antigas e encontrar o Diadema de Minerva, o Anel de Vesta e o Cetro de Diana. A missão foi um sucesso, mas o decorrer dela foi um caos completo e inimaginável. Embora as Terras Antigas sejam belíssimas, são extremamente perigosas. Voltei diferente de lá, mais poderosa e madura, e o tempo que fiquei lá me ajudou a pensar sobre a decisão de ser a Rainha das Amazonas. Eu estava pronta, e sabia que seria uma boa rainha.

LINK DA MISSÃO
long live for queen of the Amazons


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Re: Warrior of the Sea - Alexia Watts

Mensagem por Alexia Z. Watts em Sab Abr 11, 2015 1:21 pm


goodbye, home

expulsão do acampamento júpiter. ✖︎

Finalmente o labirinto acabou. Mas eu ainda me sentia nele. Não estou louca e perturbada a ponto de ver uma sombra e gritar, mas estava degastada e todas as vezes que eu fechava os olhos apareciam flashes de uma grande sala repleta de estátuas da Medusa caindo em ruínas. Não foi nada tão assombroso ou horroroso quanto eu imaginei... só foi desgastante. É, talvez essa seja a palavra que melhor se encaixe. Lutar, a todo minuto, contra sua mente que insistia em lhe pregar peças. Traída pela própria mente, no final de tudo. Essa pode ser uma grande lição para mim, que tanto confio em minha razão, em meu pensamento, em mim... Ás vezes nada pode ser o que eu estou enxergando. Talvez, nem em mim mesma eu posso confiar.

Era madrugada no acampamento romano e, como se era de esperar, todos estava dormindo em suas respectivas coortes. Eu bem que gostaria de fazer o mesmo, mas sabia que seria complicado dormir de barriga vazia e com imagens assustadoras em minha mente. O estado da minhas vestimentas estavam impecáveis, o que contradiziam com toda a situação que eu acabara de passar. Meus cabelos estava presos de lado, arrumados e com poucos fios fora do lugar... e adivinhe só, sem nenhum resquício de poeira. Considerando, é claro, que minutos atrás eu achava que estava pior do que um mendigo que rolara em concreto.

Respirei fundo, continuando a andar em direção ao refeitório e tentando fazer com que as sombras não fosse um quadro para minha mente trabalhar imaginando coisas que não existem. Ao abrir a porta do refeitório tive a surpresa de não ser a única a ter o local como destino. Uma figura com roupas de dormir estava na bancada de frutas, escolhendo algo para comer. Eu reconhecia aquela cabeleira pálida em qualquer lugar. Seria melhor se eu desse meia volta, pois se eu conversasse com aquele garoto num refeitório vazio de madrugada coisas boas não iriam acontecer. Mas é claro que eu não iria sensata, mas é claro que eu não iria virar as costas e fugir de um garotinho magrelo só porque ele é o áugure do acampamento e acha que tem poder no mesmo. Caminhei até a bancada de pães o mais confiante que meu atual estado mental poderia me permitir; não me importava se ele tivesse notado minha presença, tão pouco também eu me importava de cumprimenta-lo.

— Vossa alteza, que surpresa lhe ver... pelo visto acabou de voltar daquele labirinto idiota - ele disse, parado em frente a mesa de frutas com uma maça na mão. Um de seus pés estava jogados para trás enquanto ele se inclinava numa reverência ridícula e exagerada, seus olhos transmitiam um divertimento lunático que beirava ao sacarmos.

— E pelo visto, ficar no labirinto era melhor - murmurei, revirando os olhos e colocando uma variedade de pães no prato, sentindo meu estômago roncar e minha boca salivar. Eu estava quase desmaiando de fome, não conseguia imaginar o tempo que fiquei sem comer. Ao mesmo tempo, tinha que me portar como uma dama e não pagar de desesperada na frente de alguém, o que me faz ainda mais ter o desejo de decepar a cabeça do Áugure para poder saborear minha refeição em paz.

— Sabe, é bem curioso suas ações... e suspeitas também. Então nesse tempo que você ficou fora eu tive o prazer de procurar saber sobre sua vida. É uma garota cheia de segredos, Alexandra, e foi um prazer desvendar cada um deles - ele disse o último período lentamente, sentindo o gosto de cada palavra que dizia, saboreando os efeitos que ela causava em mim. Inicialmente, não tive nenhuma reação denunciadora, apenas senti o calor invadir meu corpo e se acumular em meu rosto e tentava me controlar.  

Coloquei o prato em cima da mesa ao meu lado com força, o que fez com que o mesmo se quebrasse e os pães sobre eles voassem para os lados. O olhar que eu lancei para Benjamin foi tão consumidor que eu percebi que o mesmo encolheu os ombros. Minhas mãos se fecharam em pulso. Ele queria me provocar, e estava conseguindo. Por que ele queria saber sobre minha vida e o que pretende fazer com as informações? Ele quer algo em troca, só pode... Ele não falaria meu nome naquele tom. Meu verdadeiro nome, o qual eu havia enterrado junto com o túmulo de minha mãe e irmã em Atlantic City. Senti minhas mãos formigando, então as abri deixando o sangue circular. Preciso me controlar... Dei uma gargalhada. Alta e ruidosa, uma gargalhada que beirava a loucura. Pois sim, eu estava louca.

— Por favor, não me diga que algo inútil como você está me chantageando? Francamente... quase achei que isso era sério - eu zombei, dando mais gargalhada ao final. Romanos não estão acostumados com esse tipo de atitude, o que fez com que o garoto ficasse desconcertado por uns segundos, pensando enraivecido sobre como me destruir. Eu sabia que o áugure era o primeiro da lista de Pessoas que Odeio as Amazonas no Acampamento, e ele estava disposto a acabar com isso há tempos atrás. A expressão do garoto se endureceu e seus olhos faiscaram de raiva.

— Alexandra, não me subestime. Não queremos ser inimigos, não é? Afinal, imagina só se todos os legionários ficassem sabendo que foi por sua causa que sua mãe e sua irmã morreram? Sabe que isso é um crime imperdoável... e ainda foi a Terras Antigas! Nem deveria ter ousado pisar aqui depois disso! E aliais, devia saber que seu lugar não é aqui, você escolheu ficar com as Amazonas, não precisamos de você aqui, então por que você não... - não o deixei continuar suas provocações. Ele não sabia do que estava falado! Não sabia onde havia acabado de pisar, e isso vai ser um erro para ele. Eu praticamente voei na direção do garoto, dando um soco no seu nariz e o derrubando em cima da mesa, que se partiu ao meio com nosso peso. Soquei novamente o rosto dele enquanto ele tentava deferir algum golpe em mim, mas assim que suas mãos encontraram meu pulso eu arranquei-a de lá, girando os dois pulsos do garoto num ângulo estranho. Ele gritou de dor e debateu suas pernas, mas eu estava sentada em cima de sua coxa fazendo com que ele não tivesse grandes feitos. A minha grande sorte era que o garoto não sabia lutar muito bem, e mal tinha massa muscular.

— Benjamin, você não sabe com quem está lidando... espero que esse tipo de ameaças não ocorram novamente, a não ser é claro que você não tenha amor a sua vida. Você sabe que não vou pensar duas vezes em te levar para fora do acampamento e te matar - cuspi as palavras de forma dura, apertando cada vez mais o pulso do garoto e o fazendo se debater. Respirei fundo e soltei o pulso dele, saindo de cima, olhando-o como se fosse um inseto, o que é claro que não era. Os insetos não merecem isso. Ele era como muitos ali, incapaz de lutar como romano, mas com uma sede de poder e comandar que somente os filhos de Roma podem ter. É como se ser romano tivesse dois lados: aquele que luta e aquele que comanda. Era ridículo, embora a teoria não se encaixe a todos. Peguei meu prato de pães e coloquei tudo que estava ao meu alcance para sair mais rápido dali. Eu havia acabado de fazer uma besteira sem tamanho, algo que fazia parte do jogo de Benjamin... Ele queria algo e eu havia acabado de dar para ele. Agora, ele tinha pelo menos algo concreto para infernizar minha vida. Eu havia acabado de agredir em um oficial.

— Vamos ver amanhã então, Rainha. Eu sabia que você viria hoje e tive o enorme prazer de marcar sua audiência para amanhã, ao crepúsculo. No senado. Não se atrase - ele disse, se engasgando nas palavras enquanto se levantava da mesa quebrada. Não respondi, pois precisava me controlar. Não podia perder o controle eu estava cansada, faminta, impaciente e com uma brecha enorme aberta. Ele aproveitou meu estado mental frágil para me atacar, foi tudo uma jogada para me tirar dali. Caminhei até a porta e a abri, sentindo o ar fresco da madrugada. Antes que eu pudesse fechar a porta e ir para o dormitório feminino da I Coorta eu tive o desprazer de ouvir: — Aproveite o acampamento enquanto ainda pode ficar nele, Alteza.

▼▼▼

Havia dormido apenas míseras três horas antes de os pesadelos começarem a me bombardear e levarem todas as chances de uma noite de sono em uma cama de verdade. Depois, o sinal tocou e todos os legionários tinham que obrigatoriamente levantar para os afazeres. Continuei deitada na cama até todos saírem, então tentei dormir novamente, mas tudo que eu consegui foi tirar um cochilo. Estava sendo difícil dormir com aquela ameaça sobre minha cabeça, sem falar que eu havia acabado de sair daquele maldito labirinto e minha mente parecia elástica. Mas quem liga? Eu nunca paro, não importa se estou morrendo, se acabei de sair do Tártaro, do inferno, da tumba do faraó, ainda tenho que lidar com os outros querendo me destruir, lutar contra monstros, governar as amazonas e os problemas de nossa rede de compras e vendas. Embora não tenha dormido, fiquei até a tarde na cama, então às duas horas eu fui falar com Reyna apenas para ter a confirmação que minha situação era péssima e que a pretora estava tentando anular minha sentença de morte por meus crimes cometidos.

A medida que o crepúsculo se aproximava, minha raiva aumentava. Eu dividi meu tempo entre o descanso e a boa alimentação, e também a algumas horinhas na ala médica onde os curandeiros trataram de meus ferimentos e os ‘psicólogos’ aliviaram minha carga extra mental. Apesar de me manter ocupada, passava boa parte do tempo preocupada com minhas meninas em Seattle. Reyna me informara que tiveram três ataques desde que eu sumi, e o último causou grande destruição e morte. A notícia me arrasou, e o desespero realmente começou a tomar conta de mim. Eu precisava ir para lá o mais rápido possível, mas por ora estava proibida de deixar o local antes do julgamento. Ah, não é perfeito?! Ainda por cima eu estava sendo tratada como uma criminosa por todos, mesmo que tudo que eu fiz foi pensando em fazer a coisa certa. Caminhei quase soltando fumaça para o Senado, em Nova Roma. Assim que abri as portas da grande sala todos os olhares se direcionaram para mim. E não eram poucos. Os centuriões, conselheiros, ex-legionários, e alguns membros das coortes ocupavam as cadeiras do auditório. Engoli em seco e ergui um pouco o queixo, descendo as escadas no corredor. O silêncio que se seguiu foi constrangedor, eles me encaravam, queimando cada parte de meu corpo. Abusada, eu havia vestido a blusa do acampamento Júpiter com uma calça jeans e o cinto das Amazonas. Queria deixar claro que não importa o que eles fizessem, eu continuaria sendo romana. Meus cabelos loiros estavam encaracolados sobre o ombro, num ar rebelde. Eu não me importava com eles me olhando, pois meu olhar estava cravado em uma só pessoa: Benjamin, o maldito áugure. Deixei um sorrisinho debochado em meus lábios e continuei andando. Reyna e o pretor estavam ali, em seus lugares de honra na Assembleia, os fiéis cães da pretora ao lado do trono de sua dona. Subi então as escadinhas que levavam até o palco e me sentei no local onde seria julgada, sentenciada, ou sei lá.

A situação não estava boa, nem um pouco boa e eu estava com vontade de estripar aquele Áugure. Respirei fundo uma... duas... três vezes, mas nada me acalmava. Eu estava no centro das atenções, mas como sempre, não era para algo bom.

—Iremos começar o julgamento de Alexia Malone Watts, membro da I Coorte, filha de Netuno e Rainha das Amazonas, que recentemente voltou do Labirinto do Medo com clara insuficiência de continuar a servir a legião – começou Benjamin, falando alto e grosso para todos presentes ouvirem. Fechei a mão com força, cravando as unhas curtas na palma. Insuficiência de continuar a servir a legião? É assim que ele quer começar? Insinuando que eu estava debilitada mentalmente para lutar? Nunca. Levantei-me da cadeira, que fez um barulho estrondoso. Todos os olhares se voltaram para mim novamente. No canto do olho vi Reyna balançar a cabeça negativamente, me aconselhando a não fazer aquilo.

— Algum problema, senhorita Watts? – perguntou o pretor ao lado de Reyna. Ele estava bastante sério, com a postura rígida, mas em seus olhos eu podia ver algo estranho. No canto do olho vi o áugure dar um sorriso triunfante e entendi: todos estavam do lado de Benjamin, pois o pretor também estava. Reyna sozinha nunca que conseguiria me ajudar, e eu também não poderia pedi tamanha coisa para ela. Eu estava sozinha, mas não deixarei de lutar.

— Não, nenhum – pigarreei e voltei a me sentar na cadeira, endireitando-me. Benjamin anunciou então quem iria me ajudar na defesa, era um tal de Scott Flynd, mas isso não me deixou muito animada com a situação. Na verdade, não iria deixar que minha situação dependesse de um idiota.  

— A prole de Netuno contém uma longa ficha de delitos, entre os mais graves ter ido as Terras Antigas numa missão que não beneficiou de forma alguma o seu acampamento. Repassar informações restritas para terceiros, desonrar Roma e trair os romanos. Sua recente participação do Labirinto do Medo apontam que está também desqualificada para servir nossa legião – a cada novo item dito Benjamin sorria mais. Ele achou tantos delitos impossíveis que me fez achar que já seria uma benção que eu saísse sem uma sentença de morte. Obviamente a grande maioria era uma grande manipulação, mas como eu poderia explicar minha ida as Terras Antigas? É proibido a ida até ela. A única pessoa que foi até e conseguiu voltar para o acampamento foi Reyna, e ela me contou que era por causa de uma guerra... o problema dela foi maior que o meu, talvez eu pudesse resolver. Todavia, eles estavam numa guerra, não foi simplesmente para um capricho de ser a Rainha de uma nação de mulheres guerreiras.

— As acusações foram feitas, agora por favor, a defesa – disse o pretor. O idiota ao meu lado ameaçou se levantar, mas eu fui mais rápida e empurrei seu peito para que continuasse quietinho sentado onde estava. Levantei-me, contornado o local em que estava e parando no meio do local, quase de frente para Benjamin. Me sentia numa grande peça de teatro, encenando para divertir o povo.

— Não preciso que me defendam, sei fazer isso muito bem – digo, ríspida. Respirei fundo e olhei para Reyna, querendo encontrar um olhar de conforto ou dizendo que tudo vai ficar bem, mas só encontrei sua expressão dura e um olhar indecifrável. — Benjamin Sunner, muito arriscado dizer que eu estou instável mentalmente. Digo que estou muito bem, pode procurar seus irmãos curandeiros que estava trabalhando hoje na enfermaria. Você sabe muito bem que eu fui sim as Terras Antigas numa missão para as Amazonas e se quiserem me expulsar, que me expulsem! Só não invente coisa onde não para há para aumentar a minha pena. O que você quer? Eu morta? O que você vai ganhar com isso?

Murmúrios começaram a preencher o salão, todos surpresos e subitamente interessados com aquela reunião. Talvez não seria tão monótono quanto muitos pensaram que iam ser. Reyna perguntou se algum curandeiro estava ali presente e o fez subir até o palco, dando praticamente todo o relatório de meu estado de saúde. Os cães de Reyna não o deixaram mentir, minha saúde mental estava equilibrada e tudo que eu precisava era de descanso. Benjamin não se deixou ser vencido. Eu me sentia num ring de box. Eu contra ele. Ele me denunciou e por isso estava ali me atacando, ele estava se aproveitando de toda a situação.  

— Não teria tanta certeza assim. Ontem a Srtª Watts me atacou! Eu estava fazendo apenas uma refeição na madrugada quando ela chegou totalmente sem nenhum juízo e me atacou. Estão vendo esse corte aqui? Foi ela. Tive que enfaixar o braço também, porque ela me empurrou contra uma mesa que se quebrou embaixo de mim. Ela agrediu um oficial. Ela não é nada aqui para ter esse direito. Pode ser a Rainha lá daquelas meninas inúteis, mas aqui não é nada. Ela atacou um oficial, desonrou a legião, traiu! Me digam que tipo de animal impulsivo ela pode ter se tornado após conviver tanto com aquelas selvagens?

Antes que eu pudesse respirar fundo, meu auto controle explodiu. Num momento meus olhos queimavam, e no outro minhas mãos estava no pescoço de Benjamin. Não podia acreditar que ele havia mesmo me chamado de animal impulsivo e falado daquele jeito das minhas garotas. O garoto estava deitado no chão com a cabeça pendendo para fora do palco, meu corpo imobilizava o dele, estando por cima, e minhas mãos apertava firme seu pescoço. Eu podia sentir seus batimentos ali, cada vez mais rápidos, podia ver a pele dele ficando arroxeada e os olhos se revirando em desespero. E eu gostei muito de ver o sofrimento dele, até que grandes mãos seguraram meus braços e me içaram para cima. Parecia então que eu voltei a ter a audição e percebi o caos que estava. Reyna pedia silêncio enquanto os que assistiam no auditório reclamavam e diziam ofensas contra mim. Minha respiração estava rápida e pesada e não me sentia completamente satisfeita.

— Alexia! Esse tipo de comportamento é inaceitável em nossa Coorte – ralhou o centurião da primeira coorte, se levantando do seu acento e parando em frente ao palco. — Se ainda ficar nesse acampamento, o que eu duvido, não será mais bem-vinda entre nós.

— Ela atacou novamente um oficial! — As coisas não podem ficar assim! — Morte! — Ela está louca! — Levem Benjamin para a ala hospitalar, agora! — Ela não merece servir a Roma! — Eu te avisei, uma prole de Netuno nunca daria certo aqui!

— SILÊNCIO! – o grito de Reyna foi o suficiente para fazer todos se calarem. Toda a organização estava desfeita, o caos tomava conta do Senado.

O acusador estava a essa hora indo para a ala hospitalar, eu, a acusada, havia acabado de assinar minha sentença de morte. Reyna conversava baixinho com o pretor, ambos irritados e nada felizes com a situação. Os demais se mantinham quietos agora. E eu me mantinha de pé, apesar de tudo. Meus olhos encaravam o nada, perdidos em minha própria ruína, esperando minha sentença. Eu estava errada aos olhos de todo, e talvez eu realmente estivesse errada. Era mais que justo que eu ganhasse uma pena. Mas não iria deixar um idiota magricelinho me derrotar dessa forma, ganhar poder sobre mim. Virei-me para os pretores, o rosto tão endurecido que eu me perguntei se ele ficaria assim para sempre. Essa batalha estava perdida, mas não iria deixar que Benjamin tivesse todo o gosto de me ver fracassar. Puxei a barra da blusa do Acampamento para cima, retirando-a de meu corpo e mostrando uma regata preta colada por baixo. Minhas mãos tremiam quando andei até os tronos dos pretores e fiz uma reverência, colocando a blusa nos pés deles. Levantei-me, encarando o semblante confuso do pretor e o orgulho no de Reyna. Engoli em seco, fazendo o nó que se formava em minha garganta voltar para onde não deveria ter saído.

— Foi um prazer, servir a legião. Ave Romae! – bati continência e me virei, andando e pulando do palco para seguir o corredor e sair daquele lugar horrível antes que alguém fechasse o corredor ou me segurasse.

Embora a minha expressão fosse a mais forte de todas, eu me sentia em cacos por dentro. O pequeno ato de ousadia não me fez senti melhor. Eu sabia qual era a minha sentença, não precisava ouvir. Eu tinha que ser justa até mesmo quando eu não queria ser. Eu fui errada, quebrei as regras, pedi para Reyna me encobrir, pior ainda: permiti que Benjamin me usasse. Ele conseguiu jogar comigo direitinho, ele deve ter planejado isso faz tempos, ele aproveitou de meu pavio curto e me destruiu.

Ao abrir as portas e se banhada pela luz da lua, senti meus joelhos fraquejarem e eu desabei. Então era isso: Eu nunca mais colocaria os pés no Acampamento Júpiter. E não havia mais nada que eu pudesse fazer.
goodbye, Jupiter camp, First cohort, romans


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Alexia Z. Watts
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Re: Warrior of the Sea - Alexia Watts

Mensagem por Alexia Z. Watts em Qui Maio 21, 2015 10:10 pm


I'm destroyed

volta para Amazon. desafio pelo cargo de rainha. expulsão das amazonas.✖︎

Com a mochila nas costas com todas as minhas coisas, sai do acampamento naquela mesma noite. Apenas me despedi de Reyna, que trocou breves palavras comigo antes de o pretor chegar. Depois eu sai pela porta da frente. Estava mais calma, a fase de negação não tardou em ir embora. Eu não tinha o luxo de ficar murmurando pelas consequências de minhas escolhas. Eu ainda tenho um lar, tenho minhas Amazonas, tenho um reino para governar. Agora eu sei que seria melhor. Talvez isso fosse obra do destino. A baía de São Francisco estava calma naquela madrugada, parecia que fazia dias que eu havia deixado aquele Manicômio, mas foi apenas ontem, quase 24 horas atrás. E eu pensando que o pesadelo acabaria assim que eu saísse dele. Amargo engano. Pelo menos eu sabia que tudo que eu estava vivendo lá era uma ilusão, mas e isso aqui agora? Por acaso poderia ser uma ilusão?

Assobiei alto, chamando a minha carona que já me esperava. Moby sempre ficava naquela área quando eu estava no acampamento Romano. Sentei-me na borda do píer, balançando as pernas no ar enquanto observava a lua com certa melancolia até que Moby finalmente apareceu embaixo da água. Me permiti sorri, embora achei que não fiz um bom trabalho no ato. Pulei em cima das costas de minha megalondote e caminhei em suas costas até prender uma corda em meu corpo, e prende-la em sua barbatana. Segurei a mesma com as mãos e dei o sinal para que ele mergulhasse. Fechei os olhos, embora nem precisasse. Só queria ficar em paz, deixar que Moby me levasse e, quem sabe, descansar um pouco.

▼▼▼

Não levava muito tempo de São Francisco para Seattle, ainda mais quando seu meio de transporte é um tubarão de 15 metros. Com ele não se tinha os comuns imprevistos de semideuses, sabe, monstros, deuses malucos ou semideuses mais malucos ainda, sabe, essas coisas. O tempo, todavia, foi o suficiente para eu cochilar e ter pesadelos, porque afinal, nem nos sonhos os monstros e problemas nos deixam em paz. Quando chegamos a Seattle o sol estava começando a nascer. O céu estava coberto de nuvens rosadas e laranjas, dando uma paisagem incrivelmente bela aos prédios serenos da cidade. Despedi-me de Moby, que iria agora se aventurar nas águas daquela região até eu precisar dela novamente, e segui meu caminho até a Amazon. A sede estaria muito longe dali, e seguir a pé não era uma alternativa naquele momento. Andei apenas um quarteirão até encontrar uma lanchonete 24 horas; não hesitei em entrar lá.

— Está tudo bem, senhorita Watts? – perguntou o homem, com o semblante surpreso e assustado. Meu estado não deveria ser realmente bonito de ser ver e geralmente minha presença atordoa a maioria dos comerciantes de Seattle. O homem não devia ter mais que 25 anos e parecia até comum, a não ser é claro por dois pares extras de braços na lateral do corpo. Ele estava debruçado no balcão, completando um passatempo. — Sim – respondo, acenando brevemente com a cabeça. Passei por ele e pelo balcão, indo para os fundos da loja e entrando num corredor que tinha a porta para a sala de materiais e estoque. Continuei a caminhar até que finalmente encontrei um fundo falso no chão. Abri-o sem hesitar e coloquei os pés no primeiro degrau da escada antes de fechar novamente a tampa do fundo. Tínhamos essas entradas secretas na maioria dos comércios, e em alguns lugares escondidos por ai também, por motivos de emergências. Desci as escadas na escuridão, tomando cuidando para minhas pernas não fraquejarem e eu cair, até que então eu encontrei o corredor. Infelizmente eu comecei a lembrar do labirinto, daqueles corredores assustadores que sempre planejavam algo para mim. Minha respiração ficou mais pesada, eu estava assustada, e comecei a correr até que finalmente encontrei o fim do corredor. Era uma grande porta de vidro fechada que me impedia de cair num abismo. Na parede ao lado tinha botões coloridos para chamar o elevador. Apertei qualquer um deles e esperei que o elevador chegasse. Meus olhos passeavam pelo corredor, assustados com a escuridão. Onde já se viu, eu assustada com a escuridão? Isso realmente deve ser cansado mental.

Quando o elevador chegou as portas de vidro se abriram, entrei na caixa metálica e apertei o botão do setor um. A melodia que tocava era irritante, mas serviu de distração para minha mente. Se passou alguns segundos e eu comecei a suar frio, o ar pareceu se solidificar e se negar a entrar nos meus pulmões. Antes que eu pudesse perceber que estava no chão, arranhando as paredes e gemendo sem nenhuma lógica. Que diabos eu estava acontecendo? As paredes estavam diminuindo... elas iriam me esmagar! O elevador fez um barulho e as portas se abriram. Levantei-me com dificuldade e sai do elevador, olhando para dentro da caixa e vendo que tudo estava normal, em perfeita ordem. Foi tudo um surto. Ah, céus, agora eu era claustrofóbica? Puxei o ar para meus pulmões com força, tentando controlar meu sistema nervoso. Tudo parecia tão errado... não parecia que eu fazia parte do local. Eu havia parado na sala de recepção da Amazon. A grande sala tinha uma banca e algumas plantas. A porta de vidro estava trancada e dava para ver a rua principal sem movimento. Tudo estava tão em paz para o caos que estava dentro de mim.

Arrastei-me até a sala de reuniões das Amazonas, para a sala onde ficava o meu trono, embora tão pouco eu achasse que o merecesse ainda. Não havia ninguém no meu caminho, o sol ainda estava nascendo então todas estavam dormindo. Mas assim que eu abri a porta da sala de reuniões vi um grupo de mais ou menos trinta garotas reunidas. O silêncio se estabeleceu no local e eu continuei a andar, tentando entender o que estava acontecendo. As Amazonas se dividiram em dois grupos, formando um corredor que me levava até o meu trono intacto. Cansada, mais me arrastando do que andando, passei pelo corredor e me sentei no trono de livros, olhando para as presentes. Percebi que algumas eram as líderes de ataques, outras eram as que registravam tudo que ocorria, mas a boa parte do grupo eram as que eu sempre suspeitava estar com más intenções ao se integrar nas Amazonas. Elas tinham atividades suspeitas e eu desconfiava serem infiltradas do exército inimigo. Mas eu não tinha provas, e minha sagacidade não era um ponto alto suficiente para expulsa-as dali.

— Kenzie! – chamei alto. Ela deve estar ali, ou pelo menos deveria. Havia nomeando-a como minha vice, talvez princesa ou sei lá, esse negócio de monarquia não é comigo. Basicamente havia a deixado no controle enquanto estava fora. Ela não apareceu, então eu olhei questionadora para qualquer amazona que olhasse para mim. — Kenzie foi morta no último ataque, Rainha. Nesses três ataques que tivemos, perdemos 15 amazonas e tivemos vários itens mágicos roubados, estamos localizando ainda os ladrões e já recuperamos 5% dos itens, parece que eles dividiram entre si – respondeu Jenny, a menina dos registros. Sua voz parecia frágil e com medo. Aliais, todas pareciam com medo e fragilizadas. Uni as sobrancelhas, tentando digerir a informação... com todo o alvoroço no Acampamento Júpiter eu nem parei para pensar direito no que Reyna havia me comunicado, sobre os três ataques que a sede das Amazonas sofreu nesse tempo que eu estava fora. O simples ato de respirar parecia um sacrifício, o peito se apertava a cada rosto que eu olhava. Então eu vi o grupo de amazonas que não pareciam nem um pouco abaladas pelos acontecimentos. — O grupo de busca está conseguindo aos poucos recuperar os itens, mas perdemos muitas meninas – a voz de Jenny vacilou e eu percebi que ela estava chorando. Prendi a respiração, sentindo mais uma vez o chão desabar sobre meus pés. Eu havia falhado miseravelmente com elas. Elas deviam me odiar... eu deixei que tudo isso acontecesse, eu deixei que matassem Kenzie.

— Quem é o grupo de busca, Jenny? – perguntei, infelizmente não conseguindo conter a voz embargada. A garota apenas apontou para o grupo das amazonas que eu temia ser o grupo de busca. Eram as possivelmente infiltradas. Cada vez mais fazia sentindo, ou talvez eu estivesse enlouquecendo de vez. Mais eu tinha certeza de que foram elas... todas as evidências apontavam que sim. Na verdade, tudo que eu observei desde quando elas entraram aqui. Infiltradas do exército inimigo. Elas conseguiram botar gente para dentro de nossa sede, matar nossas amazonas e roubar itens raros e mágicos, agora elas mesmas que estão o resgatando, pintando o retrato de heroína. Se fazendo de mocinha, colocando-me contra as minhas amazonas. Elas deviam ter recrutado o grupo que não me queria no comando e influenciado as outras para que ficassem do lado dela, achando que eu sou a errada, que eu as abandonei, que eu prefiro ir para o Acampamento romano a protegê-las ali. Elas estavam me destruindo, mas está ai uma coisa que elas não sabem: não se pode destruir o que já está destruído.

— Rainha? – chamou-me Jenny, despertando-me de meu raciocínio. Olhei para minhas mãos, eu nem percebi que estava com os punhos cerrados com força, as minhas veias estavam bem a mostra por causa do ato, quase prestes a explodir. — O que devemos fazer? – Jenny perguntou, com olhos suplicantes. Me levantei do trono, descendo um degrau antes de parar e dizer: — Convoque as amazonas para uma reunião, hoje, ao final do dia. Irei colocar tudo a par, contar o que aconteceu. Mas agora eu... preciso apenas descansar.

Fechei os olhos e suspirei, engolindo as lágrimas. Por quanto tempo eu aguentaria toda a pressão? Parecia que algum deus estava me desfiando. “Até onde você consegue... vamos ver até onde aguenta... quero ver o quanto é forte...”. Aquilo estava me matando. Desci os degraus e comecei a andar para fora da sala de reunião quando mãos seguraram meus pulsos após eu dar poucos passos. Era Ravenna, quem eu julgava ser a líder das pilantras. A fuzilei com o olhar e ela soltou meus pulsos, devolvendo o olha com a mesma intensidade.

— Estávamos reunidas aqui por uma razão: a Amazon está desabando. Estamos em crise, devendo milhões, sendo atacadas e roubadas, e não estamos fazendo nada. Nossa rainha some e nos deixa no escuro, sem nenhum caminho para tomar. Perdemos 15 amazonas em menos de uma semana no seu reinado. Nós atacamos, mas a líder é você, precisamos de uma organização. E pensando apenas no bem da Amazon e de todas as guerreiras, decidimos que você não está pronta ainda para se tornar a nossa Rainha. É imatura e impulsiva, divide sua atenção entre aqui e o acampamento romano que apenas te ignora. Então, Rainha Alexia, eu te desafio para um duelo de guerreiras. A melhor você já sabe o que vai ganhar.

▼▼▼

Não era possível que realmente tudo esteja tão ferrado na minha vida. As coisas saiam dos trilhos e tudo que eu podia fazer era observar, pois estava sendo atacada por tantos lados que eu não sabia aonde defender primeiro. Não era possível que tudo isso seja apenas coincidência... Depois de umas horas rolando na cama, eu consigo dormir e descansar de verdade. Nada que comprimidos para dormir não resolvam. Desta vez eu estava tão cansada que não tive nenhum sonho ou pesadelo, e eu dormir pelo o que pareceu minutos, mas que na verdade foram horas.

Ao acordar, tudo que aconteceu nesses últimos dias pareciam ainda um sonho. Toda a normalidade em minha volta e, agora, dentro de mim. Sonolenta, me levantei da cama, arrastando meu corpo mole até a grande janela de vidro que ocupava uma parede inteira da minha suíte. Segurei o tecido da cortina e o puxei para o lado, arrastando-o até que a visão de Seattle se estendesse a minha frente e a luminosidade banhasse meu quarto. Um dia normal na grande cidade estava abaixo de mim, com os carros apressados na avenida, crianças com os pais indo para escola, adolescentes normais saindo do Starbucks... uma vida que eu nunca tive e que nunca terei. Engoli em seco e me virei, dando as costas para aquela vida perfeita inalcançável. A realidade novamente me atingiu e uma sombra pareceu cobrir meu coração.

Quinze amazonas mortas... entre elas Kinzie. Isso já havia acontecido no reinado de Hylla, quando as amazonas se junturam com as caçadoras para derrotar Órion. A diferença é que a Rainha estava lá e, querendo ou não, isso tinha um peso enorme.

Um semideus normal, nessa situação, iria fazer uma prece ao seu progenitor divino, mas eu não era tão amável ou simpática com meu doar de espermatozoíde. Porque ele era apenas isso, e sempre será. Olhei para o relógio vendo os ponteiros acabarem de chegar a 4 horas da tarde. Soltei um suspiro cansado e andei até o guarda-roupa, abrindo a porte sem cerimônia e vendo os diversos tipos de espada expostas ali. Estava quase na hora do combate.

▼▼▼

— Alexia... — ouvi uma voz apressada e grossa atrás de mim, mas continuei andando em direção a arena com a espada na mão. Seja quem for, iria me alcançar. — Não tivemos a oportunidade de conversar, você não falou com ninguém depois que foi para o quarto ontem. — era Clary, uma das garotas que entraram na mesma época que eu no grupo de amazonas. Assim como eu, ela era muito amiga de Kenzie. A garota conseguiu me alcançar e começou a andar junto a mim. De alguma maneira, eu senti vontade de chorar com sua presença. Tentei engoli o nó que se formava em minha garganta, mas não funcionou. Parei de andar por fim e olhei para a garota com cabelos de fogo.

— Me desculpe... - sussurrei. — Não queria falar com ninguém... eu sinto-me tão horrível pelo o que eu fiz, eu sinceramente não mereço mais ser a rainha de vocês... eu errei tanto — as palavras saiam misturadas ao choro, o desespero enlouquecedor que me consumia por dentro finalmente podendo ser transparecido. — Meus caprichos levaram a Kinzie, muitas amazonas e agora vocês estão sobe ameaça de serem lideradas por falsas amazonas. Não sei como as coisas chegaram a esse ponto, eu destrui tudo... eu nunca devia ter aceitado ser rainha de você.

— Não, pare, você está errada — disse Clary, sem saber o que fazer direito. Como era filha de Ares, não tinha muito aquela coisa de contato físico (a não ser numa briga) nem sentimentalismo, e isso era o que eu mais gostava nela. — Nada disso foi culpa sua, muitas amazonas que usam o cerébro sabem que tudo isso foi uma armação, que tem umas garotas aqui com outras intenções. Nada disso é culpa sua, só querem fazer com que pareça, e se eu ouvir você murmurando sobre isso novamente vou te dar um soco para voltar a realidade. Cadê aquela garota forte que aceitou ir as Terras Antigas sem pestanejar? Lembro que ela era muito durona.

Soltei um riso meio tremido e fraco, tão triste que pareceu tornar o significado de riso para melancolia. Clary não sabia o que tinha acontecido nessa minha viagem para o acampamento Júpiter, tudo que havia acontecido... Não tinha mais como eu ser durona, eu não conseguia, nã tinha mais forças para isso.

—Clary... eu fui a um labirinto do deus do Phobos e sai do Acampamento Júpiter com quase uma sentença de morte, e agora tem um grupo de vadias querendo roubar e levar as Amazonas para outro caminho. Olhe meu estado, a chance de eu perder é tão grande que nem sei se deveria tentar — minha voz saiu mais exaltada do que eu planejava, mas de alguma forma aquilo era libertador; sabia também que Clary não se importava. Respirei fundo e fechei os olhos com força, deixando as lágrimas caírem. Então completei com a voz mais calma: — Então sim, a culpa é minha.

Balancei a cabeça e sai andando em direção a arena sem esperar por Clary. A prole de Ares não disse mais nada e nem tentou me alcançar, apenas me deixou com meus pensamentos tumultosos e me seguia de longe. [...]

A arena estava lotada, todas as amazonas estavam presente no local ocupando os acentos das arquibancadas. Tudo parecia um grande show, mas a tensão era densa e quase palpável ali... muita coisa estava em jogo e a divisão das torcidas estava bastante clara. Ocupando a maior parte da arquibanca estavam as amazonas que estava contra Ravenna, as meninas estava sérias e apreensivas, olhando todo instante para o lado em alerta. Respirei fundo e entrei sem cerimônia, indo para o centro do local. Todos ficaram em silêncio, e fiquei grata por isso, assim não teria que gritar por minutos para todos se calassem. Pigarrei, estando já com minha falsa auto-confiança erguida e disse com um microfone em mãos:

— Não é novidade que muitas de nós não estão sastifeita com o atual governo das amazonas, preciso dizer uma coisa: se estou hoje aqui, a frente de vocês, é porque fui digna disso, me destaquei, mereci. De forma alguma eu poderia ser desqualificada para o cargo, todavia eu admito que talvez eu tenha pensado que nem tudo se depende da líder e que vocês seriam capazes de coisas grandiosas sem a rainha, creio que essa seja a verdade, mas a minha ausência por alguns dias se tornou um grande motivo para apontarem o dedo e dizerem que eu sou desqualificada para esse posto, que se eu tivesse aqui não teriamos perdido tantas amazonas nos ataques. Eu não acredito nisso, porque eu, Alexia, não faço diferença alguma, mas juntas podemos fazer oque quisermos. Pelo que percebi, colocaram na cabeça de vocês o contrário disso — soltei um suspirou e olhou para toda a arquibancada. Ravenna já estava pronta para o duelo, caminhando em minha direção com espada e escudo na mão. Seu rosto tinha um sorriso divertido e estranhamente confiante, ela não demonstrava nenhum ponto de hesitação e seus olhos beiravam a vitória. — De qualquer forma, espero termos outras oportunidades de debatermos sobre isso. Agora, temos algo para resolver. Jenny, repasse as regras por favor.

A garota caminhou até o centro da arena com sua prancheta em mãos e eu entreguei para ela o microfone. Dei um passo para o lado, pegando o escudo que uma amazona trazia para mim. —A semideusa Ravenna Stoller, filha de Nyx, desafiou Alexia Watts, Rainha das Amazonas e filha de Netuno, para um duelo pelo cinto e posto das amazonas. Todos os requisitos para Ravenna solicitar esse duelo estão válidos e de acordo com as novas regras, a vencedora irá se tornar a Rainha e a perdedora será expulsa de nosso grupo. O duelo acaba quando uma das duelista ficar desarmada e impossibilitada de continuar a luta. Tudo é válido, menos o uso de poderes divinos. Caso ocorra mortes, a agressora será expulsa — Jenny parou de ler e deu alguns passos para trás, ficando numa distância segura de nós duas. — Podem ficar em posição...

Posicionei bem o meu escudo frente ao meu corpo, na mão esquerda. A espada bem posicionada na direita e os pés separados numa largura aproximada aos dos meus ombros para me permitir uma melhor estabilidade. — Podem começar!

Joguei o peso de minha lâmina contra a garganta dela, crente de que ela já iria repeli-lo quando Ravenna apenas inclinou-se agilmente para trás e se desviou de minha espada. Eu não tinha modos de retornar com a lâmina para posição inicial, tal que meu corpo teve de dar uma volta completa para retornar ao ponto de partida, contudo o movimento de meu tronco foi interrompido por um escudo que batera contra a lateral do meu corpo, fazendo-o cambalear perigosamente para o lado, perdendo quase por completo a estabilidade de meus joelhos. Firmei meus pés no chão para evitar a queda e endireitei-me, balançando a cabeça um segundo e voltando a me por de frente com Ravenna, que mal havia saído de seu lugar. Entrementes ela avançava uns passos que lhe seriam permitidos se eu não houvesse me erguido novamente. Era aquele lance de “ganho de território”, e essa era uma das únicas coisas que poderiam acontecer em um combate. Fosse o meu déficit de atenção me fizeram notar que eu ainda não havia perdido muito espaço, porém em poucos segundos já perdera esse tanto. Não poderia me dar o capricho de fazer isso novamente. Mantive-me atenta e deixei que ela fizesse a cortesia desta vez, em uma distância de quase duas lâminas, começamos a estocar uma a espada da outra, enquanto ambas vez ou outra, dávamos um curto passo até que as estocadas se tornaram mais intensas e barulhentas pela extensão das lâminas se colidindo ter aumentado.

Quando nossas espadas se chocam uma última vez, sua espada investiu num rechaçar de dentro para fora e com um pouco mais de força ela empurrara a minha espada mais bruscamente que o normal — sua força era, sem dúvida, absurdamente grande — para mais longe de meu corpo, mantendo a minha guarda aberta para investir num ataque frontal, com a ponta de sua lâmina. Isso poderia ter me transformado numa peneira se eu não tivesse saltado numa diagonal para trás, no mesmo sentido de sua lâmina, de modo que me afastei de algum dano nos órgãos digestivos.

Girei o punhal de minha espada nas mãos, ajustando-a enquanto me estabilizava novamente, firmando os meus pés no chão da arena e arriscando ir mais para frente e impedindo Ravenna de invadir a minha área, mais uma vez. Semicerrei os olhos e avancei com um ataque ofensivo, erguendo a minha guarda armada para a lateral em que a garota igualmente portava sua espada, com a parte afiada de minha lâmina contra seu braço, e esta fez menção de repelir o ataque com a sua própria espada. Fiz questão de estender o meu braço num movimento largo, justamente para ela achar que não haveria um desvio e antes que os metais se colidissem, num giro rápido de pulso, virei a lâmina verticalmente para atingir-lhe com a parte plana de minha lâmina em suas pernas. Poderia ter sido um ataque ótimo se ela não tivesse saltado rapidamente. Minha lâmina ultrapassou a parte de baixo das solas de seus sapatos com um zumbido pesado de ferro cortando o ar. Não era possível... a velocidade que eu aplicava nos golpes era surreal, e Ravenna conseguia responde-los igualmente. Ela não estava lutando somente com a força dela, assim como eu também não. Eu tinha a ajuda do cinto das amazonas, mas e ela, o que tinha?

Quando vi, a ponta da espada da oposição iria atingir-me bem nas pernas, porém tive tempo suficiente para dar um salto para trás. Havia perdido quase metade da área que eu tinha no começo do duelo, o que estava tornando minha situação cada vez pior. Não trocamos palavras diretas, mas pude ver que ela estava se divertindo, tanto que investira num novo ataque que fora tão direto e rápido que eu não teria a capacidade de barrar com a minha espada. Dei um sorriso também, sentindo o suor escorrer pela minha testa. Deixei de subestimar o uso do escudo, impedindo que a sua espada abrisse uma lacuna em meu tronco. Forcei-o bem a frente, porém Ravenna parecia ter adiquirdo uma força sobrenatural. A mesma conseguiu me empurrar bruscamente alguns metros pra trás, e eu consegui contar uns seis longos passos quando a mesma fez isso. Contudo ela parou de avançar, e eu trinquei os dentes, firmando-me a não deixá-la mais a fazer isso. Finquei meus pés no chão até pensar no que fazer exatamente, e ousei um pouco mais.

Podia imaginar o leve correr das ondas do mar em minha mente e eu tirei força dali. Afrouxei a firmeza de meu escudo e dei um longo passo para trás, e logo me desviando para o lado. A força de Ravenna a levou para um leve cambaleio para frente. Nada considerável, mas o suficiente para me tirar da posição em que meu terreno era conquistado. Semicerrei os olhos e ambas estávamos novamente com a mesma extensão de terreno. Novamente, trocamos estocadas de nossas espadas, que estavam aumentando cada vez mais de velocidade e metais se colidiam com mais brutalidade quando me veio uma brecha. Quando minha espada, ainda firmada pela mão direita, iria estocar de fora para dentro em relação ao tronco da adversária, quando as lâminas se colidiram com o som incômodo e metálico, ousei meu aproximar sorrateiramente de Ravenna, firmando a minha espada contra a dela por tempo suficiente para que eu pudesse passar a minha lâmina por cima da dela e forçar sua espada para baixo com toda a brutalidade que me era permitida, girando o meu próprio corpo no sentido horário em relação ao ponto em que eu estava, para ficar ombro a ombro com Ravenna e empurrar sua lâmina ainda mais para baixo. Porém não foi suficiente para que eu pudesse ter obtido sucesso, pois essa captou minha ideia dois segundos depois e parou de forçar sua lâmina contra a minha — de baixo para cima — e tirou sua espada de onde estava com uma curta virada de pulso, facilmente se colocando novamente em minha frente.

Olhei para Ravenna, sentindo a tensão entre nós duas. As coisas estavam cada vez ficando mais sérias. A garota já erguia a espada para desferir um golpe em meu braço, mas eu ainda tinha um escudo e o ergui, repelindo o golpe. Empurrei o escudo contra a arma dela, inclinando a margem do escudo contra o pulso da garota a fim de pressionar o suficiente para ela largar a espada. A garota girou o corpo parcialmente, se livrando de meu corpo e eu tive que fazer a única coisa que era cabível naquela situação: partir para o ataque físico. Tentei usar o escudo como arma, o lançando contra o rosto dela, mas o movimento foi facilmente repelido pelo escudo de Ravenna. Ela conseguiua ter a agilidade e velocidade similar a minha, talvez maior, e isso é realmente algo curioso e extremamente errado. Procurei brechas para desferir um golpe com as mãos ou um chute, mas não tinha nenhum local que daria para aplicar com golpe com sucesso. Ela me atacou novamente, lançando sua espada contra a lateral do meu corpo e eu repeli com o escudo, aproveitando para gira-lo e usar a borda para atingir com força o estômago dela. O golpe não ficou por isso mesmo, ela começou a golpear com mais volúpia, fazendo-me ter que ficar na defensiva, dando um passo para trás a medida que ela avançava em mim. Por fim, corri na direção dela a empurrando e invertemos a posição. Eu precisava desarma-la, mas essa tarefa não parecia tão fácil. Posicionei novamente o escudo e avancei contra ela, conseguindo aplicar um golpe com as mãos em seu rosto e fazer seu nariz sangrar. Percebi que já estavamos perto da parede, e que aquilo poderia ser aproveitado para um bom golpe. Dei passos para trás até que finalment estivesse perto da parede, ela pensaria que eu estava recuando e se aproximaria. Quando ela estava perto o suficiente eu segurei o pulso dela, girando-o e apertando e usei toda a minha força e concentração para dar impulso para cima com os pés nas paredes, dei dois passos na parede me apoiando no corpo de Ravenna e dei impulso para cima dela, fazendo com que minhas pernas ficassem sobre os ombros dela e meu peso a derrubasse no chão.

Um lado da platéia gritou em euforia, pulando e comemorando, enquanto outro permanecia em silêncio mortal, totalmente atôtinos. Franzi o cenho, tonta. Algo estava errado, então olhei para baixo, vendo uma poça de sangue se formar perto da minha cintura; Ravenna me olhava com selvageria e orgulho deitada no chão, a espada molhada com meu sangue nas mãos. Eu não sentia dor física, pois acho que a emocional era muito pior. Olhei para as amazonas que estavam ao meu lado, com os joelhos começando a fraquejar. Minha visão estava se embaçando e se escurecendo, mas eu lutava com o resto de minhas forças para continuar acordada. Eu não podia acreditar... toquei o local que havia sido atingida, sentindo a dor lacinante começando a vencer o torpor. Cai de joelhos no chão e vi as amazonas vindo em minha direção, gritando para pegarem a maca. Parecia irreal, apenas um pesadelo... mas era a realidade: eu havia perdido o duelo. Ravenna me derrotara. Agora ela era a Rainha, não mais eu. Eu realmente havia fracassado com todas, com Hylla, com Reyna, com Kenzie... Eu havia me destruído e a todos ao meu redor. E pior de tudo: eu não era mais uma amazona.
the fall of the Queen


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Re: Warrior of the Sea - Alexia Watts

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