The Blood of Olympus
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CCFY - Never Forget

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CCFY - Never Forget

Mensagem por Alöysius Lecter em Sex Jan 11, 2019 5:41 pm



NO,
I'LL NEVER FORGET
PRÓLOGO


Öphélia observava Alöysius repousar, como havia feito muitas vezes antes, desejando saber para onde ele ia em seu subconsciente. Mais um minuto não faria mal, ela convenceu a si mesma, relutando em perturbar a solicitude do moreno. Seu peito magro subia e descia, e ela se viu sincronizando sua respiração com a dele. Alöy tinha os punhos cerrados, um deles enfiado sob a rosto, o que certamente deixaria uma marca na pele. Sob o tremor de suas pálpebras, seus olhos se moviam, concentrados em um cenário visível apenas para ele, com situações e pessoas seletamente definidas por sua mente subalterna. Ele parecia em profunda inconsciência, um rapaz como qualquer outro, normal, uma παιδί comum que descansava. Ela manteve aquele momento suspenso, de modo a permitir que se prolongasse.

A três noites atrás, Öphelia havia se encontrado com o progenitor de Alöysius. Ele havia deixado bem claro para ela: quando ele fizesse 11, alguém viria atrás dele, e se ela não fizesse nada, ele morreria. Ele fora específico. Aquilo a atingiu como uma faca límpida em seu peito.

Uma gotícula translúcida escorreu por seu rosto; e pendendo sua cabeça para trás, ela definhou uma das mãos pelo torço de seu Alöy. Seu, e de ninguém mais ele seria. Öphélia fechou seus orbes acastanhados, e ela podia ver claramente suas madeixas finas e embaraçadas, ele sangrava nos lábios, e, enquanto a beijava repetidamente, Alöysius bateu com sua cabeça contra a borda do maxilar dela. Ele sentia amor, amor, amor por ela, e ela o amava de volta como qualquer mãe faria. Seu moreno de 8 anos, obstinado. Ele a havia abraçado, discorrendo sobre o que teria acontecido - foi atingido por um murro de Adam, um qualquer, enquanto defendia-se com Aleksander, Bern Niëlsen (respectivamente, de 22 e 29). Öphélia sempre achou bom que Alöy andasse com eles, apesar dos pesares, já que o mostravam que ele precisava ser firme se quisesse resistir, e consequentemente, ser alguém.

E também, para ele nunca esquecer de onde veio

Um ruído forte interrompeu seu devaneio, um impacto abrupto de algo grande batendo contra uma superfície rígida com uma força considerável. Öphélia ergueu-se no mesmo instante, e sentiu um soturno escorrendo por suas mãos, sem entender, vasculhando seu corpo sem ver feridas ou nada úmido, esperando um novo ruído, uma resposta ao primeiro. “Alöysius!”, ela gritou. Ele não estava mais lá.  Alguns compassos de silêncio se sucederam enquanto ela aguardava uma resposta. Öphélia não podia apontar com precisão de onde viera o ruído. Alguma coisa teria caído escada abaixo, estaria ele bem, ou o ruído viria de algo desastroso?

- Alöysius? - clamou, com um tom mais ponderado. Ela podia não saber o que estava acontecendo, mas sua intuição não consternava nada de bom.

Não houve retorno.

- Você está bem, querido? - prosseguiu, já sentindo sua pressão descer, e seu corpo enrijecer.

Outro baque provocou vibrações por todas as extremidades, mas Öphélia ainda não sabia dizer se vinha de dentro ou de fora. Ela correu até o andar inferior da pensão. Os estrondos aumentaram em frequência e intensidade. "Onde você está?!", diz desesperada, vendo sangue descer por todos os lados, como se vazasse de todas as frestas.

No baque seguinte, ela hesitou. Pareceu vir do lado esquerdo de fora, mas, quando Öphélia se virou, começou uma amartelar, um stacato acelerado que percorria toda a extensão mais próxima da via pública. Ela correu até uma vidraça, mas não conseguia ver nada na escuridão. O lado esquerdo da pensão foi atingida por algo que ela não soube discernir de onde vieram, ou o que eram.

“Não saia”, Alöy arfou. Öphélia não o via, não tinha como saber se era ele ou o que quer e estivesse lá fora. Ainda que receosa, saiu. Ela rapidamente se sentiu fria, com o ar gélido batendo em suas pernas nuas e seu rosto. Imediatamente, se arrependeu da decisão de deixar o interior da pensão: enquanto andejava no entorno, arrastando-se, esperando, e tremendo. A ideia de um confronto a deixava pávida. Ela não tinha nenhuma arma, nem mesmo uma faca de aço. Öphélia examinou a fachada em busca de danificações, mas os abalos não haviam produzido sequer um arranhão. Onde ela cogitara haver enormes fendas de áreas lascadas, nada se via.

- Alöysius, preciso que você apareça!

E do breu que recobria a árvore florida e mórbida da calçada, ele ressurgiu. Alöy estava inteiramente ferido, como se houvesse sido espancado, e conforme se aproximava da mãe, ela ia até ele exasperada: faltava-lhe ar. Seus pulmões doíam, mas não mais que seu coração.

- O que fizeram com você... Meu querido, meu amor - diz, pressionando-o contra seu corpo: - Eu nunca vou deixar que te levem, nunca.

Era uma promessa.

- Você não devia ter saído... Agora ela viu você.



TRÊS ANOS DEPOIS às 22:38.



Segredos são sempre insólitos.

Há três formas de segredos. Um é do tipo que todos conhecem, do tipo que precisa de pelo menos um par pessoas. Uma para guardá-lo. Outra para nunca sabê-lo. O segundo é um tipo mais difícil de segredo: aquele que você esconde de si mesmo. Todos as manhãs, várias confissões não são feitas a seus potenciais confessores, e nenhuma dessas pessoas sabe que todos os seus segredos jamais admitidos se resumem às mesmas três palavras: estou com medo.

E então há um terceiro tipo de segredo, do tipo mais escondido. Um segredo que ninguém sabe a respeito. Talvez ele tenha sido sabido, mas foi levado para o túmulo. Ou talvez seja algo inútil, oculto e solitário, perdido porque ninguém o quis saber.

Às vezes, algumas enxutas vezes, um segredo permanece desconhecido porque é algo exorbitante demais para a mente guardar. Esdrúxulo demais, vasto demais para ser contemplado. Todos nós temos segredos. Nós os guardamos ou temos alguns guardados de nós. Alöysius, diferentemente, era o primeiro segredo.

- Alöy, - disse Öphélia. Ela sempre falava seu antenome de forma diferente. Como se quisesse dizer uma palavra inteiramente adversa, algo como lança ou relapso ou lassidão, e então decidisse por "Alöy" no último momento: - Quando você saiu de meu ventre, quase toda Nova Orleans se calou, e todos ficaram inertes por quase três noites e três manhãs absolutas.

Isso era algo que ela havia contado mais de uma vez, mas a mulher da pensão, Ada, insistia que era mentira. Ela falava que, quando Alöysius surgiu, todas as árvores floresceram e os corvos brandaram. Quando ambas discutiam sobre o seu nascimento, ele nunca atenuava-se para o fato que as duas versões poderiam ser verdadeiras. Elas, ainda que discutissem, eram apaixonadas - mas se propuseram a crer que Alöy não fazia ideia do que havia entre elas, e isso desde sempre.

Naquela noite, Öphélia voltou para casa na escuridão e, quando acordou, encontrou Alöysius parado acima dela na sala, esbranquiçada e diminuta. O resplandecer da manhã deixara ambos com um semblante de pureza, o que já era a melhor parte de uma mentira. O rosto de Öphélia estava manchado de sangue e pétalas leitosas.

- Eu estava justamente idealizando com a madrugada em que você nasceu, Alöy - ela diz, e limpou o sangue para mostrar ao moreno que não havia nenhum corte embaixo. As pétalas grudadas no sangue tinham o formas peculiares.

Alöysius ficou espantado com a certeza que teve de que elas tinham vindo da mente de seu pai. Ele nunca se sentira tão certo a respeito de algo. A consciência se abafotou e se estendeu, subitamente mor. Ele disse para ela:

- Eu sei quem eu sou. E sei o que está fazendo.

- Não conte para ninguém - sua mãe disse: - Nem mesmo para Ada, entendeu?

E esse foi o primeiro segredo.

O segundo segredo foi perfeito ao velá-lo. Alöysius não o disse. Sequer o cogitou. Ele nunca criou uma profizão, e o escondeu de si mesmo. Mas, mesmo assim, o segredo ardia ao fundo.

E então havia isto: três anos mais tarde, Alöy ansiando por algo bem específico de Bern Niëlsen. Bern confiava a ele tudo o que era seu, exceto as armas. Jamais as armas, e de jeito nenhum seu Opala vistoso, preto e fosco. Alöysius nunca passou do lado destro do volante. Quando Bern deixava a cidade, levava a ignição consigo. Mas, na utopia do moreno, ele não estava ali e o Opala estava. Estava parado em um vaga una, montanhas apareciam com sua flora ao longe. A mão de Alöy se fechou em torno da maçaneta da porta dianteira. Ele tentou escanracar. Era um esforço utópico, apenas substancial o suficiente para se manter fiel à ideia de adentrar o Opala. Não havia problema nisso. Alöysius se recostou de frente ao guidão. As montanhas e o estacionamento eram uma utopia, mas o cheiro do interior era uma lembrança: a ignição está aqui, o moreno pensou. E estavam.

Sua mão encostou-a, e ao erguer os olhos, deparou-se com um ser desumano, com a cabeça de Bern em sua boca repleta de presas. O cenário passou a oscilar de lá para a as feições lasceradas de sua mãe, desfalecendo em plena mata. Ada em prantos sobre o corpo de Öphélia. E Aleksander arrastando-o para cada vez mais longe.

Então acordou.

Quando abriu a mão, a ignição. Da utopia para os fatos. Esse havia sido o terceiro segredo.



MADRUGADA, às 00:00.



Alöysius se amparava em uma superfície qualquer enquanto vozes o chamava. E ele não fazia ideia de quem fosse. Ele pôs as mãos trêmulas a frente de seus orbes, estava sujo, adornado de sangue, e atônito. Ainda que não quisesse, eles não demoraram para achá-lo. Com alívio, agarraram seu corpo sem que ele relutasse, afinal, estava fraco. Sua mente estava completamente absorta: ele não sabia quem ou o que havia vindo atrás dele.

Por mais que se esforçasse, não conseguia abstrair-se do que havia acontecido na noite anterior. Haviam lhe tirado de perto de tudo que poderia ter composto a cena de morte. Ele nem mesmo poderia concluir onde estava, e como fora parar lá.

Afim de confortá-lo de alguma forma, por mais que soasse mais como murmúrios para Alöysius, algo como "Você vai ficar bem", ou "Não se preocupe". Não adiantou muito. Fora que, quando deram por si, um homem claramente enfurecido se aproximara:

- Presumo que este rapaz, ou que restara dele, seja Alöysius Lecter - a fala de Helge, fez com que todos recuassem. Vindo de um progênie de Érebos, era plausível. Ele se referia aos ferimentos no menor, provenientes de algo mordaz o suficiente para rasgar muito bem a sua pele. Alek endireitou Alöy nos braços de um dos alheios, volvendo-se para o homem com cara de culpado. - Até onde eu sei, era seu dever mantê-lo longe de ameaças. Öphélia fez melhor, devo salientar, e ela era uma mera mortal.

- Eu... Sei.

- Se sabe, porque estou vendo um indivíduo na faixa etária de 11 quase morto na minha frente? - brandou, arranhando a garganta inconformado.

- O que devemos fazer com ele?

- Mas que indagação estúpida, Aleksander! Acolhê-lo, e ampará-lo e prepará-lo para que algo assim jamais aconteça novamente - bufou, ponderando a lascidão de uma de suas têmporas: - Leve-o para ser tratado e não o percam.

Ambos assentiram, já dando as costas para o mesmo. Ao abandonarem as fronteiras, arrastaram o corpo quase inconsciente de Alöysius pelos arredores de onde passaria o resto de suas manhãs, se assim ele quisesse (como se houvesse opção para isso).

- Puta que pariu... Que merda - abafou para si próprio, vendo-o sumir no horizonte.

Mal sabia Alöysius, que sua saga estava prestes a alvorecer, e tudo prestes a ficar ainda pior. Talvez ainda fosse cedo para dizer, mas numa visão otimista, quem sabe, aquilo seria o pior do melhor.


Última edição por Alöysius Lecter em Sab Fev 09, 2019 1:39 am, editado 8 vez(es) (Razão : Sem querer substitui a CCFY na intenção de copiar o template. Não tinha a mesma na íntegra, faltava o final, e como me desesperei pus este novo. Caso julgue-se necessário, façam uma nova avaliação mediante o trecho alterado.)
Alöysius Lecter
Alöysius Lecter
Filhos de Phobos/Timmos
Filhos de Phobos/Timmos

Idade : 14

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Re: CCFY - Never Forget

Mensagem por Psique em Seg Jan 14, 2019 3:57 pm

Alöysius Lecter


Método de Avaliação:

Valores máximos que podem ser obtidos

Máximo de XP da missão: 3.000 XP  

Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

Realidade de postagem + Ações realizadas: 48%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc: 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência: 29%


RECOMPENSAS: 2.910 xp e dracmas

Comentários:

Alöysius,
Eu gostei muitíssimo de sua missão e a achei muito bem desenvolvida além de ser uma história interessante e não achei erros gritantes, mas teve um ou dois trechinhos onde precisei reler. Ainda assim, meus parabéns, criança! Uma pequena observação que tenho a fazer é: use uma fonte um pouco maior, por gentileza. Essa torna a leitura complicada.


Atualizado por Psique.


missed my tears, ignored my cries; life had broken my heart, my spirit, and then you crossed my path, you quelled my fears, you made me laugh, then you covered my heart in kisses
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