The Blood of Olympus
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Serendipitade - Trama pessoal

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Mensagem por Charlotte A. Blackwell em Dom Dez 09, 2018 10:53 am

Someday, somehow, I'm gonna make it all right but not right now
Meu mundo desabou junto a falta dela... foi como receber um tiro, só que mais doloroso e muito mais confuso, não existia maneira de descrever aquilo, a confusão era tanta que de alguma maneira, eu me perdi.

Três dias atrás Maisie tinha retornado ao acampamento, o que poderia ser considerada uma ótima noticia se Francesca estivesse com ela. Acontece que a Australiana tinha desaparecido e a única coisa que sabíamos é que seu destino final era a Noruega. Ter essa informação deveria ter sido útil, mas eu não fui capaz de localiza-la e continuava sonhando com ela.

Por falar em sonhos...

Eles começaram algumas noites depois de sua partida com Maisie, as imagens ainda eram um borrão, mas o pressentimento e a sensação eram sempre as mesmas e a insegurança, o medo e a angustia sempre me abatiam. Nos sonhos Francesca não retornava para casa, mas também se perdia em um caminho diferente e então, não éramos capazes de recupera-las. Parte de mim queria acreditar que os sonhos nada significavam, mas eu era semideusa, era filha de Apolo e já tinha tido premonições. Então sabia que por mais que não conseguisse ver o futuro em sua totalidade, alguma mensagem me era transmitida.

Foi por isso que ao descobrir seu desaparecimento eu surtei, surtei de um jeito meio insano que me fez mudar comportamentos, me deixando instável, perdida e com raiva. Merda, era a terceira vez que ela me deixava para trás, a terceira que não me avisava de suas aventuras, a terceira que eu fora abandonada com preocupações e medos, cheia de incertezas que não sabia se seria capaz de responder. As jornadas de Frannie sempre me afetariam de uma forma negativa, porque ela partia, não me avisava e eu ficava aqui com o coração na mão e a mente vagando longe. Dias depois ela aparecia, sorria e dizia que estava bem mesmo que possuísse alguns cortes, então eu a perdoava...

Mas até quando?

— Oh meus deuses! — A voz de Luna despertou-me dos pensamentos, me fazendo erguer o olhar para fita-la com uma careta no rosto, os olhos arregalados e a expressão atordoada, confusa, mas um pouco raivosa também.

Sem entender voltei o olhar para o paciente que atendia e foi assim que descobri o motivo de seu alarde. Minha expressão se moldou para algo semelhante à dela enquanto encarava meu paciente assustado, seu braço estava cheio de sangue, a agulha estava torta e sua careta de dor denunciava que ele só não tinha falado nada porque bem... estava tão atordoado quanto eu, confuso talvez.

— Charlotte! — Luna irrompeu pela porta, me fazendo dar um passo para trás enquanto ela ia de encontro ao paciente para arrumar meu estrago. Minhas bochechas ardiam de vergonha, mas eu me mantinha controlada até o momento, evitando o novo surto que insistia em se formar dentro de mim.

— Vamos conversar no meu escritório assim que eu terminar aqui — Ela me alertou antes de se voltar para o paciente e murmurar um pedido de desculpas, que eu, com o olhar também fazia.

— Sinto muito, isso nunca aconteceu antes e não vai se repetir — Me curvei de leve em um cumprimento breve ao garoto antes de sair da sala para aguardar do lado de fora, onde sabia que ouviria um sermão e tanto pelo ocorrido.

Luna não demorou muito, ela não precisava de muito tempo e era habilidosa o suficiente para arrumar meu estrago em segundos se quisesse, então foi rápida em terminar meu trabalho.

— Siga-me — A líder avisou, passando pela porta e encaminhando-se pelo corredor em direção a uma nova sala, para onde eu a segui em completo silencio.

Entramos juntas em seu escritório, ela fechou a porta e disparou a falar, sem me dar chance de defesa perante aos fatos ocorridos.

— O que deu em você? Faz dias que não dorme direito, não come, está com olheiras fundas e completamente distraída. Você trocou os remédios do ambulatório, organizou errado seus próprios equipamentos e agora furou um paciente com agulhas em vez de coloca-lo para tirar sangue — Abaixei a cabeça enquanto ela falava, pensando em tudo que ela repetia enquanto as imagens se formavam em minha mente. Corei mais forte ainda ao constatar que ela estava certa e que tinha mais.

— Charlotte você sabe que é uma curandeira formidável, e é por isso que me dói um pouco ter que fazer isso — Ergui o olhar um pouco assustada, mas sem saber o que podia falar para melhorar a situação. — Eu vou te dar uma dispensa temporária e não quero você no hospital até resolver o que está te deixando desse jeito — Luna avisou, deixando-me completamente estática no mesmo lugar, afinal era a primeira vez que aquilo acontecia.

— Vá para casa, vá ver sua mãe ou treinar no acampamento, mas não volte enquanto sua cabeça e coração estiverem aqui novamente, você precisa desse tempo e eu como sua líder e curandeira, estarei dando ele a você — Sua voz tinha um tom suave agora, quase materno e me abalou completamente.

Sem pensar muito me atirei contra a curandeira e a abracei, murmurando um “obrigado” baixinho antes de me afastar na mesma velocidade.
— Eu vou resolver isso e vou voltar melhor do que antes — Prometi, saindo pela porta em seguida, com um único objetivo em mente.

O de encontrá-la.

...

Dois dias depois eu descobri que encontrá-la seria mais que uma missão desafiadora, afinal nem mesmo uma agulha podia se esconder tão bem.

— Nada — Hela murmurou de maneira curiosa, encarando o objeto antes de tentar um novo feitiço. Aquela era sua decima tentativa de localiza-la, a bruxa já tinha tentado vários meios e eu mesma já tinha ido em busca de outros, mas Francesca Blackwell só podia ter caído em outro mundo, afinal todas as nossas tentativas de encontra-la tinham sido um fracasso completo.

— Nenhuma pista? Maisie disse que ela estava na Noruega, não é possível que não consigamos encontra-la em outro país — Pronunciei de maneira desesperada.

— É possível, algo pode estar bloqueando meus feitiços e sempre existe a possibilidade de ela ter metido sua localização, existem lugares nesse mundo que nem mesmo meus poderes são capazes de alcançar — Hela me encarou seria, me deixando um pouco mais atordoada do que já estava.

— Mas.... — Mordi o lábio com força para conter as lagrimas que se acumularam em meus olhos, não era justo! Onde diabos Francesca tinha se metido.

— Eu sinto muito Charlie, mas não existe forma de encontra-la por aqui, eu acho... — Hela suspirou antes de voltar a falar. — Que você devia procurar pistas em casa, sua mãe pode ter outras alternativas de descobrir o que sua irmã queria na Noruega, talvez ir falar com ela possa te ajudar nessa sua busca. — A bruxa deu de ombros antes de apagar as velas e desfazer o pentagrama, me devolvendo a blusa de Frannie antes de me encarar.

— Você devia descansar Charlie, suas olheiras estão tão fundas, que é muito provável que em algum momento eu a confunda com um zumbi — E ao dizer isso, Hela se afastou para recolher suas coisas, voltando a adotar a postura indiferente que sempre ficava explicita em suas aulas.

...

Mais uma semana inteira se passou antes que eu me rendesse por completo. Tentei outros meios para conseguir localiza-la, conversei com Quiron, pedi conselhos ao meu dragão e busquei os filhos de Morfeu para me ajudarem a localiza-la por sonhos. Nenhuma das alternativas funcionou e nem mesmo as mensagens de Iris chegaram ate ela. Eu fracassei em todas as tentativas antes de finalmente me render.

Meu coração doía de angustia e meu corpo era pequeno para conter a raiva, nada me distraia e nada era capaz de fazer a sensação que me dominava passar. Eu tentei de tudo, meditação, treinos pesados e até mesmo habilidades empáticas de calmaria, entretanto as sensações eram passageiras e bastava que algo me lembrasse dela para tudo desandar.

Foi por isso que resolvi voltar para casa.

Eram por volta das dez da manhã quando cheguei a New York pensando na desculpa que usaria para enganar Aimée, afinal ainda era verão e as férias do acampamento não tinham começado. Muitos campistas retornavam para casa no fim dele, eu e Frannie estávamos incluídas no pacote, mamãe gostava de passar parte de seu tempo conosco e nós gostávamos de ficar com ela. Entretanto, a época de férias estava longe de começar, então claro que Aimée estranharia minha visita.

— Senhorita, chegamos — O taxista me informou, me fazendo despertar dos pensamentos e pegar a mala. O agradeci rapidamente e desci do carro, caminhando até o prédio de aparência luxuosa e me apressando para o lado de dentro. Não precisei me identificar com o porteiro, James me conhecia desde sempre e me deixou passar sem qualquer tipo de problemas.

Enquanto subia pelo elevador do prédio, ensaiava as desculpas que daria a mamãe assim que a encontrasse. Era cedo, mas Aimée tinha plantões praticamente todos os dias, então seria difícil encontra-la em casa, um consolo se parasse para pensar que não podia chegar para mamãe e dizer: “Frannie desapareceu”.

O barulho do elevador se abrindo me deixou com as pernas bambas. Ergui a cabeça e treinei o sorriso antes de caminhar até a porta de entrada. Abri-a com a chave extra e fechei-a em seguida, suspirando alto ao perceber que não tinha ninguém da sala, mais um sinal de que mamãe não estava em casa.

— Mãe? — Chamei para ter certeza.

— Charlotte? — Ela respondeu de algum cômodo, fazendo meu coração disparar forte enquanto minha mente trabalha rápido. — O que está fazendo em casa? — Ela vinha da cozinha, secando as mãos em um pano de prato, provavelmente estivera cozinhando, um dos muitos hobbies que adorava quando tinha tempo demais livre. — Achei que vocês voltassem só daqui dois meses — Mamãe me analisou dos pés a cabeça de maneira desconfiada e tenho certeza que ela percebeu os detalhes.

Meus cabelos já não tinham o mesmo brilho, eu estava mais magra – se é que isso era possível – com olheiras fundas, sem cor nas bochechas e os lábios rachados da falta de hidratação dos últimos dias. Sem graça, corri as mãos pelo pescoço antes de abaixar a cabeça, fungando baixinho incapaz de me controlar. Eu era uma péssima mentirosa, então claro que arrumar uma desculpa não daria certo.

— Charlie, querida o que aconteceu? — Mamãe se aproximou e seus braços me envolveram, então eu me permiti desabar.

O choro veio forte e o soluço me escapou dos meus lábios, afundei o rosto no pescoço de mamãe e me permiti ser frágil naquele momento. Incapaz de falar apenas me apertei contra ela e a deixei me envolver como fazia quando era pequena.

— Filha, você está me deixando preocupada — As mãos macias de Aimée acariciavam meus cabelos, funguei mais alto e tentei conter as lagrimas, mas não tive muito sucesso.

— Frannie sumiu de novo — Resmunguei baixinho, envolvendo sua blusa com a ponta dos dedos para conter a raiva. — Me deixou no acampamento sem noticias mais uma vez e foi em uma missão para a Noruega, antes eu deixava que ela fosse e voltasse porque era ingênua, não conhecia os meios — Expliquei, limpando os olhos e me afastando antes de continuar. — Agora que os conheço tentei rastreá-la, mas não fui capaz nem mesmo disso, é como se — Meu olhar se tornou perdido enquanto meus pensamentos se embaralhavam. — Ela nem estivesse no mesmo mundo.... como se tivesse saído do planeta terra — Conclui, percebendo ali o quanto deveria parecer tola.

— Ah querida... eu sinto muito, mas sua irmã é forte e se você não conseguiu localiza-la, o melhor que podemos fazer é esperar e confiar que ela será forte o suficiente para voltar para nós — Mamãe pegou meu rosto entre as mãos e limpou minhas lagrimas com a ponta dos dedos. — Frannie está em uma busca continua por respostas desde que descobriu seu passado, não podemos tirar isso dela.

— Como sabe que ela foi atrás do passado dela? — Perguntei baixinho, confusa com a resposta de minha mãe.

— Intuição querida, intuição...

...

Um mês inteiro se passou sem que tivéssemos noticias dela. Eu me recuperei nesse tempo e percebi que a raiva se transformou em um sentimento diferente, que tomou conta de mim junto aquele bolo de emoções. Eu estava dormindo bem nos últimos dias, embora os pesadelos ainda me incomodassem. Tinha voltado a me alimentar sobre a supervisão de mamãe e estava treinando arduamente em casa enquanto tentava viver um dia de cada vez, mesmo que na maior parte do tempo pudesse parecer perdida.

Em meio a isso fiz novas descobertas e percebi o que tanto me incomodava naquele sumiço repentino de Frannie. Ela tinha me abandonado de novo sem explicação e isso me fez perceber que de alguma forma, ficar para trás estava começando a afetar minha forma de pensar. Ela sempre me deixava sem se importar com como eu ficaria, sem me deixar ir com ela ou protege-la, sem me deixar fazer parte de suas aventuras individuais. Eu sabia que Frannie precisava buscar seu passado, mas a pergunta que ficava era: Ela não me queria nessa parte de sua vida? Não queria que eu a ajudasse com isso?

Era egoísta da minha parte pensar que ela estava me excluindo de algum jeito, mas a vida toda eu passei com ela, conhecendo-a e desvendando-a. Estivemos juntas em vários momentos e de certa forma o mundo parecia mais certo assim. Entretanto desde que descobrimos que éramos semideusas as coisas desandaram, não era mais Frannie e Charlie contra o mundo, era Frannie por um caminho e eu por outro, encruzilhadas, desencontros....
As lembranças de tudo que passamos tinham tomado grande parte de mim, me feito perceber que de alguma maneira aquilo me incomodava porque eu queria estar junto dela, mesmo sabendo que algumas jornadas ela teria que trilhar sozinha. Ainda assim parte de mim queria que ela ao menos me avisasse, me deve permissão para saber onde ela estava.

Mas isso nunca acontecia.

Pensando nisso, refletindo sobre tudo que queria, o que tinha, o que não tinha e o que acontecia de verdade foi que me dei conta que estava magoada e que essa magoa estava tomando conta de mim. Eu não tinha controle sobre essa parte e percebi, que se não era capaz de controla-la, não queria que Frannie tivesse esse controle sobre mim.

— Eu não posso deixar que você tenha esse controle sobre mim — Murmurei baixinho para mim mesma, deitando a cabeça entre os joelhos e decidindo, naquele momento... que eu tomaria o controle.

— Se eu não tenho esse poder sobre mim, não deixarei que você o tenha também.




Charlotte Aimée Blackwell
One of the happiest moments is when you find the courage to let go of what you can’t change.
Charlotte A. Blackwell
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Curandeiros de Asclépio
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