The Blood of Olympus
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Diário de um feiticeiro

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Mensagem por Esmeralda Kyle Santinne em Dom 28 Out 2018, 21:45


Em edição
Esmeralda Kyle Santinne
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Idade : 18
Localização : Acampamento para Semideuses

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Mensagem por Esmeralda Kyle Santinne em Dom 28 Out 2018, 22:21

Halloween
A noite dos Mortos!



A surpresa de que Quíron o tinha liberado para viajar deixou Ruan completamente estupefato. Como novato no acampamento, não tinha aprendido o suficiente para se virar. Argos levaria o rapaz os limites da cidade e seu pai o buscaria de lá. Teoricamente ele poderia entrar no acampamento por ser um semideus, mas ele não queria dar aquele gostinho para Hécate. Os dois estavam se odiando mais que o normal.

— Está tudo aqui! – Disse Ruan para uma irmã que o ajudava. Fechou a mala e acionou a rodinha. Puxou por todo o acampamento, atraindo mais olhares que o normal. Todos tinham curiosidade no que acontecia de tão importante para um semideus deixar a moradia semi grega em uma época fora das férias. — É sério, eu não sei o que querem comigo. – Mentiu.

Argos encontrou o rapaz no limite do acampamento, lugar onde Kyle sabia que existia a barreira do pinheiro de Thalia. Com tudo posto na porta malas, o transporte desceu a colina em direção ao centro de Nova Iorque. A criatura mitológica não precisou de muito para localizar o veículo de Phill.

Phill por outro lado tinha localizado o carro de onde o filho estava apenas por sentir que o motorista não era comum. Os olhos espalhados pelo corpo não era escondido pela névoa diante de outros semideuses.  

— Eu assumo daqui, Argos. – Disse o pai de Phill sem um pingo de humor. Porque crias de Ares tinham dificuldade em demonstrar simpatia? — Entra no carro, moleque! – Ordenou. Pegou a mala de Ruan e guardou no novo transporte. Não foi dito uma só palavra no caminho até o aeroporto. Quando dentro do avião em direção ao Canadá, o homem quebrou o silêncio retirando o rosto de uma revista onde a capa intitulava “Os 10 homens mais influentes da Política”. — Como está sendo o acampamento, garoto?

Kyle sabia que educação do pai o forçava a pergunta, mas não estava interessado na resposta. Na realidade a simples menção de outros filhos de Hécate convivendo juntos fazia o rosto da prole do deus da guerra esquentar. Ruan apenas deu de ombros.

— Está legal, pai! A gente treina o tempo todo, luta. Se resume a obedecer as regras de combate dos meus tios, seus meio irmãos. – A resposta foi bastante satisfatória, tanto que após isso Phill se calou o restante da viagem.

Tomaram um sorvete quando pousaram em Toronto, Ruan passeou com ele até a enorme colina coberta para névoa, local onde escondia a residência dos Santinne. Desde a entrada do enorme portão, o jovem soube que não era uma data comum. Eram os dias das bruxas, o mês inteiro era a preparação para o Samhain, uma festividade que reunia toda a família Santinne e clãs próximos. Honravam os mortos e faziam oferendas para os patronos da morte. A sua avó, cumpria anualmente o agradecimento a Perséfone.

O segredo de Ruan ainda era um mistério, ninguém comentava sobre a sua descendência. Muitos pensavam que as habilidades ocultas do jovem era por ser descendente dos Santinne e não por causa de Hécate.

Logo no enorme jardim, local onde o carro estacionou, as aboboras estavam sendo esculpidas. Só que não eram apenas meros enfeite, dentro carregavam velas aromatizadas e devidamente encantadas para direcionar os espíritos até o próximo caminho. O semideus da magia retirou a sua mala e entrou na casa, sendo invadido pelo cheiro dos doces e bolos da noite. Caminhou para o seu quarto onde tomou um rápido banho e desceu para ajudar no necessário.

— Oi, vovó. – Beijou as duas faces de Margaery. A senhora arrumava uma forminha com vários rolos de ervas presas com laços negros. — Há algo que eu possa fazer? – Indagou se sentando na cadeira ao lado.

— Meu pequeno, como você cresceu! – Ela estudou o neto com cuidado. — Você pode se juntar ao meu grimório e estudar o ritual de hoje. Quero você ao meu lado representando a sua mãe. – E assim Ruan fez. Ao lado da cozinha da casa existia um cômodo quase que escondido, entre duas samambaias enormes, uma segunda por quase oculta. No interior funciona uma sala de poções e encantamentos. Enfeitado com vidros de ingredientes, aquele lugar estava aceso com inúmeras velas. Ao centro uma mesa com um livro imenso, junção de todos os encantos já descobertos pela família.

Ruan pensou não ter evoluído o suficiente. Sentia-se praticamente igual, como se nada tivesse mudado em sua vida. Ainda assim quando colocou as mãos sobre o glossário foi invadido por um suave arrepio. Em sua mente, sentiu os poderes contidos ali e desconfiava que nem mesmo a sua avó soubesse.

— Muito bem! – Se incentivou a ler três páginas da descrição do ritual, tudo em latim.


Samhain, Morte e Ressurreição

A bela noite chegou trazendo uma áurea mórbida ao lugar. A lua cheia brilhava no céu, iluminando o cemitério pessoal da família. As lápides marcadas com velas negras, e ao centro uma enorme mesa com doces, cidras, vinhos de todos os tipos, frutas e uma enorme travessa com romãs e maçãs. As pessoas também transitavam pelo lugar, em sua maioria mulheres pagãs, poucos ali tinham nascido com a marca da bruxa para assistir além da névoa. Phill não estava por perto, ele sempre participava por obrigação. Forçar um filho de Ares e ex amante de Hécate a fazer um ritual era difícil.

Ruan por outro lado se sentia bastante conectado com tudo aquilo. Ele era apresentando a alguns amigos da família, membros de covens na cidade. Usava uma camisa de manga longa preta, uma calça de risca de giz cinza, seguindo de um sapato de borracha. O seu cajado em forma de pulseira estava nos seus pulsos.

De repente houve um enorme silêncio, Margaery entrou tocando um pequeno sino de prata, objeto usado para atrair espíritos.

— Irmãos e irmãs, o horário da queda do véu se aproxima. – Completou. O Samhain era marcado por aquilo, a queda do muro sobrenatural, noite em que a magia se manifestava no mundo. Mortais geralmente comemorava o halloween, os pagãos a festa mais importante de todo o calendário bruxo.

Aos poucos todos foram formando um círculo em volta da central do cemitério. Ruan ocupou o seu lugar ao lado da avó e de mais outras duas tias. Girou a pulseira no pulso e ativou o cajado, tirando Margaery e mais três ou quatro pessoas, ninguém parecia notar o objeto. Sua avó sinalizou para ele, e então o garoto deu um passo a frente. Estendeu o cajado ao alto.

— Que aqueles que foram antes de mim possam retornar hoje para abençoar-me. Que as Bruxas ancestrais façam-se presentes. Elas que tudo sabem, elas que tudo podem. Elas que possuem luz, força, poder e magia. Elas que possuem brilho, encantos e sabedoria. Que venham transmitir boas energias e que possam me ajudar neste rito sagrado de Bruxaria. Eu invoco Hécate, Lilith e Circe. – Sentiu uma onda de poder invadir a sua mente, suas palavras se misturaram entre o inglês e o latim. Ao seu lado uma de suas tias segurou a sua mão para tranquilizá-lo. O semideus respirou fundo inúmeras vezes e então prosseguiu ainda em latim. — Que o fruto da vida revigore o meu corpo e minha alma, para que assim todos os meus sonhos, desejos, esperanças e objetivos se realizem. Pelo poder do 3 vezes 3, que assim seja e que assim se faça!

Um burburinho começou a ecoar pelo lugar, primeiro parecia que alguém tinha tropeçado em algo, depois o rapaz viu seu pai cambaleando bêbado. Ele parou em frente da mesa, pegou uma garrafa de vinho e bebeu descontroladamente. Para finalizar soltou um enorme arroto.

— Vocês chamaram Hécate? – Ele tropeçava nas palavras, enrolava a língua. — Hécate é uma vagabunda, que só pensa nela mesma. Deusa da magia é o cacete, ela gosta é de gemer. Deus verdadeiro é apenas Ares, meu pai. Ela, Circe e Lilith são todas piranhas! – Jogou a garrafa em cima do único caldeirão que seria usado para queimar os pedidos.

O objeto recebeu a garrafa e em seguida tombou caindo nos pés de duas mulheres. A fumaça cinza das ervas sendo queimadas logo começou a mudar a coloração, tornando verde. Ela se espalhou pelo solo e então no canto esquerdo alguém gritou, em resposta veio um novo grito no direito. E então foi a vez de Ruan descobrir o que estava acontecendo.

A prole de Hécate primeiro sentiu algo passando pelos seus pés, quando olhou viu unhas negras. Deu inúmeros passos a trás assustado, percebendo que nascia criaturas mórbidas de todos os túmulos. Zumbis! A reunião virou uma tamanha confusão, as pessoas gritavam assustadas. Poucos podiam ver por conta da névoa, mas sentir algo e não saber de onde vinha era aterrorizante. Da densa fumaça um espírito feminino surgiu. Com um manto estrelado, ela sorria sensualmente para o garoto.

— Filho de Hécate, vamos nos encontrar! – E dizendo isso sumiu evaporando em direção ao céu noturno.

Faltavam apenas os zumbis, onde um grupo de três lentamente se arrastavam em direção a Phill.

— Pai! – Gritou Kyle. O menino estendeu o cajado e então pronunciou lentamente. — Frigus Reptant! – O feitiço acertou o primeiro zumbi, fazendo o ser paralisado no braço direito. Em seguida, o meio sangue o chutou tão forte que a cabeça desgrudou do corpo. No outro lado, Margaery havia sacado a adaga ritualística e cortava os monstros próximos. Ruan conseguia enxergar nela o porquê Ares tinha se apaixonado, ela era forte para uma senhora e voraz com uma lâmina.

A cria da magia segurou o pai pelo braço e o saiu puxando para fora do cemitério.

— Leve Phill para longe, tranque as portas. Eu vou selar esses monstros. – Gritou a sua avó. E assim, Ruan fez. Puxou o pai moribundo pelo braço, até com um pouco de brutalidade. Ao chegar na casa, ele fechou a porta atrás de si e estendeu o cajado para a fechadura. — Signati! – Algo mexeu no metal da porta e se trancou. Olhou pela janela e percebeu que os zumbis estavam mais interessados em deixar o cemitério do que lutar. Os poucos caídos no chão estavam sendo nocauteados por Margaery e dois homens armados com madeira. Se jogando do penhasco, ele visualizava as criaturas.

Precisou de horas, ele transitava pelo chão da sala de um lado ao outro. Quando bateram na porta, ele recitou o mesmo feitiço para abri-la.

— Como está Phill? – A matriarca entrou assustada e ajoelhando-se ao lado do filho que dormia no sofá. A prole de Ares não causou nenhum outro problema após sentir o macio do estofado. Dormiu quase que imediatamente, deixando Ruan tentando se controlar, amedrontado, nervoso, raivoso e preocupado. — Os zumbis não queriam nos atacar. Foi apenas consequência daquela que saiu primeiro.

— Quem era aquela? Você nunca ouvi falar em Medeia? Alguém se aproveitou do nosso ritual para trazer a monstro a vida e quando o seu pai interferiu na energia, os zumbis surgiram juntos. Quero que você arrume as suas coisas, pedi ao motorista para te levar para Nova Iorque. Volte ao acampamento que é onde ficará seguro. – Ordenou Margaery.

Não foi trabalhoso arrumar a mala de volta. Em trinta minutos, um Ruan Kyle bastante preocupado apalpava o vidro do carro enquanto via a sua avó e mais seis mulheres se despedindo dele. Ele não queria ir, mas como semideus, o perigo era maior. Se lamentava por não poder ter sentido o gosto de casa, em menos de 24 horas tinha chego ao Canadá, preparado um ritual, atacado e fugido. Era como Quíron tinha dito certa vez; Nada será como antes, filho de Hécate!            

Adendos:
Poderes Divinos:
Poderes Passivos Hécate:
Nome do poder: Descendente da Magia I
Descrição: O filho de Hectare/Trivia é descendente direto da magia, ela corre por seu sangue, e para ele, age como um condutor natural. Essa ligação lhe permite uma aprendizagem rápida de feitiços, conhecimento de livros antigos, bem como realização dos mesmos. Ao aprender sobre magia, a prole de Hécate/Trivia, também fica mais forte.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus:  Ganha 10% de força em seus feitiços (em poderes ativos).
Dano: +5% de dano se os feitiços acertarem.

Nome do poder: Detector de Magia
Descrição: Filhos de Hécate/Trivia sentem quando se aproximam de uma natureza mágica - seja outro filho de Hécate/Trivia, um feiticeiro, item mágico ou criatura que esteja sob o efeito de algum encantamento.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Sempre sabem quando estão na presença de outra pessoa com magia, item, ou monstro.
Dano: Nenhum
Poderes Ativos Hécate:
Feitiço: Frigus reptant
Descrição: Congela o membro atingido por um turno.
Gasto de Mp: - 20 de MP.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: Caso seja realizado durante a lua nova, há uma chance de +30% de que ele funcione corretamente.
Dano: - 15 de HP.
Extra: Com certo treino, pode ser realizado de forma não verbal.

Feitiço: Signati
Descrição: Usado para lacrar/trancar quaisquer fechaduras ou portas.
Gasto de Mp: - 20 de MP.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: Caso seja realizado durante a lua nova, há uma chance de +30% de que ele funcione corretamente.
Dano: Nenhum.
Extra: Com certo treino, pode ser usado de forma não verbal.
*** Poderes de Legado ***
Poderes Passivos de Ares:
Aqui
Poderes Ativos de Ares:
Armas:
Cajado Islar [Aparenta ser um pedaço de madeira velha, levemente curvado na ponta e segurando uma pedra alaranjada como o fogo. |Efeito 1: Sua aparência pode ser alterada e o cajado pode ser transformado em um bastão de Arambarium que amplia os poderes do portador de magia em +25%, dando um dano 25% maior ao realizar feitiços usando esse bastão como canalizador. | Efeito 2: Transforma-se em uma pulseira masculina | Arambarium | Espaço para uma gema | Beta | Status: 100% sem danos | Mágico | Arsenal do Acampamento]
FPA:


Vestindo: Uniforme do acampamento Acompanhado: Muitos Pagões Aonde: Canadá, Toronto Nota: Magia!

The White Swan  @CG
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Mensagem por Prometheus em Seg 29 Out 2018, 05:02


Ruan Kyle Santinne



Método de avaliação

Máximo de XP da missão: 5.000 XP  

Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

Pontuação alcançada
Realidade de postagem + Ações realizadas – 40%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 20%
Total alcançado: 6.000 XP + 4.000 dracmas

Uma baita paspalhão o seu pai, hein? Queria primeiro recomendar uma revisão de texto para evitar os descontos que quase tive de fazer no segundo quesito avaliativo. Erros de concordância, de escrita e algumas vírgulas ausentes ou excedentes. Não descontei nada por conta do seu nível (o que caracteriza uma avaliação menos rígida), mas aconselho que se esforce um pouquinho quanto a isto em postagens futuras. À parte dessa observação, devo comentar que você pecou na organização de ideias, semideus.

Filhos de outros deuses que não Zeus não costumam andar de avião livremente por aí, já que este último não é muito simpatizante do ato. Até daria para passar, considerando que você é bisneto dele, todavia ainda é algo alarmante que foi tratado com certo desleixo. Senti também que você apressou um pouco o ritmo da narrativa do meio para o fim, sem dar muito aprofundamento como no início (a falta dos pensamentos e impressões do narrador ao fim foi sentida por mim, detalhes estes que estiveram presentes no começo).

Ao meu ver você possui uma trama muito legal e curiosa, com problemas além do esperado para meio-sangues. Ainda que eu tenha ficado um pouco confuso sobre sua família ser mortal ou não, considerando que estavam em contato direto com magias e estudo de misticismo. Você podia ter apenas aumentado o desafio da batalha, que foi corrida e não muito complicada. Atente-se, por favor, aos comentários que fiz aqui e tenho certeza de que melhorará logo logo com o potencial que tem dentro de si. E boa sorte com o seu pai, pois tenho a ligeira impressão de que ele ainda irá te causar sérios problemas...

Atualizado.
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Mensagem por Esmeralda Kyle Santinne em Ter 30 Out 2018, 00:51

Halloween
Possessão



O chalé de Hécate estava terrivelmente silencioso. Os semideuses da deusa se concentravam nos livros. Tinham aceitado uma competição amistosa com as crias de Perséfone e Nyx a respeito da comemoração do dia das bruxas. Os outros não ligavam para aquilo, mas agora os filhotes da magia tinham como obrigação manter viva a cultura mágica.

— Eu definitivamente não agüento mais. – Reclamou Ruan se jogando em um pufe mais próximo. Largou o livro em cima da mesa de canto e cruzou os braços abaixo do peito. Não tinha conseguido fazer absolutamente nada naquele dia, acordou respirando livros e se não fizesse nada dormiria também.

O rapaz tinha as suas próprias preocupações. Havia recebido mais cedo um telegrama de sua avó. Seu pai havia melhorado um pouco do péssimo humor, mas a criatura que tinha escapado no ritual não fizera contato. Embora Margaery fosse uma mortal com perícia em encantos, não podia fazer muita coisa. O seu sangue comum a impossibilitava de realizar inúmeras proezas. Kyle fechou os olhos por um momento e pareceram horas. Acordou todo torto deitado com a cabeça na parede e as pernas esticadas no chão.

Seu corpo doía pela péssima posição. Limpou a baba que se solidificou no canto da boca e esfregou os olhos. O relógio marcava quatro horas da manhã, os ponteiros lentamente se arrastando. O primeiro indicio que algo estava errado foi quando a porta do chalé se abriu violentamente deixando o lugar ser invadido por um vento frio.

O garoto correu a janela e quase tropeçou no caminho. Estava paralisado com o exterior. Não tinha percebido antes, mas chovia forte. Era curioso porque o acampamento grego tinha uma magia que protegia o seu interior. Não houve um só dia que não tinha feito sol e o clima não estivesse confortável.

— Vocês realmente se sobressaíram dessa vez. – Elogiou aos irmãos sussurradamente. Fechou as cortinas e pulou quase dois metros quando uma batidinha leve soou na porta. Encheu o peito de coragem e rodou a maçaneta. No outro lado tinha uma garotinha usando um vestido de chita, duas Maria Chiquinha. Os seus olhos eram tão negros, que em contraste com a pele branca parecia um fantasma. E Ruan se achava pálido demais!

— Gostosuras ou Travessuras? – Perguntou o ser angelical. Mesmo estando debaixo de grossas chuvas, ela parecia incrivelmente seca.

— Gostosuras! – Respondeu o rapaz procurando um cesto, mas nada vendo. — Cadê os doces? – A garota então revelou dentes afiados e negros. Seus olhos rodaram na órbita.

— Travessuras! – E riu malignamente.

— Não, eu falei gostosuras! Gosto muito mais de doce do quê qualquer outra coisa. – Forçou o garoto, só que agora afastando-se bem devagar.

— Meu senhor mandou travessuras. – Rodou no ar e começou a pular feito uma garota contente em meio às águas que caiam do céu. — Você vai ter travessuras! – E riu histericamente. Nesse momento Ruan já estava no centro do chalé, estendendo as mãos para a porta e ordenando para que a porta se fechasse.

— Signati! – A magia fluiu sobre os braços do semideus, controlando o portal de entrada e a fechando na cara da criaturinha assustadora. Um trovão ribombou no céu, fazendo ao mesmo tempo em que toda a iluminação se apagasse. Ruan travou as pernas e tampou a boca com as mãos para evitar um grito. Estava começando a sentir bastante medo e aquilo interferia no seu corpo que começava a tremer.

Deu mais alguns passos para trás e tropeçou no sofá, caindo no outro lado. O céu se iluminou novamente, revelando agora a garota dentro do pequeno cômodo de Hécate. O menino escondeu-se atrás do braço do assento.

— Eu estou te vendo! – Brincou a menininha. — Vamos brincar de pique esconde? Se eu te achar você morre!

Nesse momento, Kyle já não tinha mais voz. Queria apenas saber o porquê o chalé estava vazio. Onde estavam os seus outros irmãos? Passou por instinto a mão no pulso e percebeu que a sua pulseira de cajado não estava ali. Não tinha uma arma sequer. E mesmo se tivesse não tinha certeza se conseguiria ferir uma criança. Foi se rastejando até o outro lado e visualizou alguns livros jogados em um canto. Tateou e pegou um volume grosso que por conta da escuridão não conseguia ver.  

Ouviu passos atrás de si, quando olhou viu a imagem perfeita da menina com duas asas negras abertas.

— Peguei você! – Gritou!

Antes de mais nada ele gritou tão alto feito uma menina assustada. Em seguida arremessou a única arma que tinha. O livro bateu forte na garota e a fez voar para a parede. Foi automático. Ouviu um choro e então uma pirraça de alguém contrariada.

— Eu vou falar com a minha mãe. Você me machucou! – A garotinha batia os pés no chão, pelo menos ele pensava que ela fazia aquilo. Ouviu soluços e quando os relâmpagos iluminaram tudo, viu o vulto escorado no canto da parede, os joelhos segurando a cabeça. Aquilo tinha feito o meio sangue se sentir maldoso. Ferir uma criança não era o que ele tinha aprendido como educação.

Lentamente foi se aproximando da assombração.

— Me desculpe! Eu não queria machucar você. – Tocou a pele da mirim e se assustou com a temperatura fria. — Vamos, deixa eu ver se te machuquei. – Ela levantou o rosto e mostrou onde tinha sido atacada. Não havia ferimentos. — Você não está machucada, foi só um susto.

— Hehehe! – Fez a garota expondo garras longas que brilhou no escuro. Ruan conseguiu apenas pular para trás a tempo de evitar. Esticou a perna direita e acertou um chute. A garota levantou voou sobre ele. — Minha vez de te machucar.

Era aquele o momento de provar que era neto de Ares. Fechou o punho e logo sentiu o mesmo se envolver com uma áurea vermelha. Ele não sabia o que aquilo fazia, mas conhecendo a violência do deus da guerra, teve uma mera idéia. Esperou o momento certo e então socou a criatura infernal. Dois socos seguidos que a fizeram recuar e dar tempo suficiente para ele se colocar de pé e correr porta a fora.

Abriu a porta e correu, sentindo a chuva quente molhar a sua roupa. Sem olhar para trás, se dirigiu apressadamente até a casa grande. Sr D ou Quíron saberia o que fazer. Movido por uma curiosidade seguida de medo, de relance visualizou o local de onde tinha partido. Seu coração deu um pulo ao ver o exército de crianças marchando em sua direção.

— Tio Ruan é mal! – Dizia uma.

— Tio Ruan vai morrer! – Outra falou.

— Posso brincar de cavalinho com ele? – Indagou uma terceira.

O semideus olhou para os chalés, percebendo que as paredes derretiam como se fosse plástico ao fogo. Aquilo não poderia ser real. Sentiu um gosto estranho e quando estendeu as mãos para vê-las, viu que agora chovia sangue.

— SOCORRO! – Gritou pela primeira se dando por vencido. Invadiu a casa grande, parando rápido na parede oposta do leopardo do deus do vinho. No lugar do enfeite, apenas garras e elas se estendia por toda a extensão do cômodo. Não esperou ver algo para se aventurar pelo cômodos, não tinha idéia de onde Quíron dormia. Logo saiu abrindo todas as portas, sentindo-se motivado pelos passos ouvidos na tábua de madeira. Elas tinham entrado na casa.

No caminho viu um machado preso em uma redoma de vidro. Era usado como enfeite, mas serviria como arma. Viu uma escada de madeira, gasta pelo tempo que levava ao andar de cima. Tinha ouvido falar do sótão do oráculo e o quanto o lugar era amaldiçoado e assustador. Pesou mentalmente sobre o que ele teria mais medo; as crianças ou espírito de Delfos. Optou pelas criaturas assassinas. Socou a porta e logo ela se abriu, revelando ainda mais quinquilharias e objetos quebrados.

Abaixou-se e se rastejou para de baixo de uma mesa. Vendo ao lado uma cadeira de balança em madeira escura e coberta de teias de aranha. Ficou ali com o machado em punho, sentindo o seu coração saltitar mais forte a cada barulho. Viu uma sombra surgir e então outras.

— Ele não está aqui, sua maluca. – Falou uma voz doce e infantil. Tudo ficou em silêncio novamente, ele percebeu que logo seria descoberto. Engatinhando de quatro, deixou o esconderijo procurando um mais seguro. Bateu acidentalmente com o machado em um lampião e logo ele despencou se espatifando no chão. O vidro quebrado soou alto, atraindo as atenções para aquele cômodo. Ele estava perdido.

Era um pesadelo, só poderia ser um sonho ruim.

— Aha! – Gritou alguém, fazendo o menino bater o machado no ar. Ele se levantou e correu para a janela. Os relâmpagos agora permitia ver o sótão se enchendo de pequenas criaturinhas, entre eles um leopardo malhado. As menininhas vestidas praticamente iguais agora tinham objetos nas mãos. Facas, espadas, machados e até uma vassoura velha.

Ruan foi se achegando para a janela, não morreria ali. Afastou os pés e armou o machado. Nunca tinha usado um antes, mas percebeu que sabia exatamente como fazer. O que ele não esperava era que ao se preparar, as crianças fizessem o mesmo. Elas não correriam, o enfrentaria. De um jeito ou de outro, ele morreria ali. Olhou para trás e viu apenas uma saída. Abriu a janela e pulou.

Pular do sótão era algo bastante doloroso e Kyle não era um gato para cair de frente. Bateu com as costas no chão seco, sentindo cada parte do corpo reclamar de dor. Gemeu baixinho e quando pensou em correr deu de cara com um semideus assustado. Outros também o observavam. Quíron trotou logo em seguida furando a roda de curiosos.

— Elas vão me matar! – Gritou Ruan agora já chorando vergonhosamente.

— Prole de Hécate, acorde! – Recebeu um tapa na cara. — Isso é um pesadelo. Ele é sonâmbulo? Ninguém me disse que ele era sonâmbulo.

— QUEM ROUBOU O MEU MACHADO? – A voz de Dionísio quebrava as perguntas de Quíron. Ele vestia um roupão amarelo ouro e tinha uma touca muito vergonhosa no cabelo. Por um momento Ruan deixou de ser o foco, mas quando os poucos semideuses viram que olhando para o deus do vinho iriam rir, começaram a ignorar o olimpiano com toda a força do mundo. — Ah, foi esse semideus? – Ele indagou. Colocou a mão no queixo e coçou a barbicha. Estudou a cria de Hécate por um tempo. — Bem que eu tinha sentido que tinha um invasor de sonhos aqui no acampamento, mas pra mim o invadido já tinha morrido. – Ele parecia realmente decepcionado. — Tragam o rapaz para a casa grande. Os demais vão dormir. As harpias não comem tem um bom tempo.

Logo dois fortes garotos colocaram Ruan entre os ombros e levaram o mesmo para a verdadeira casa grande. Os móveis estavam todos estilhaçados, incluindo o animal de estimação que agora se encontrava no chão.

Colocaram o menino sentado em uma cadeira, Quíron trouxe uma xícara de um líquido iluminado que tinha o gosto de suco de abacaxi.

— Sente-se bem? – Perguntou o centauro.

Era óbvio que o rapaz estava péssimo. Tinha o corte no rosto, seu braço estava em uma posição estranha e se não fosse pelo corpo ainda tremendo de medo, Ruan estaria gritando de dores. Ele apenas balançou a cabeça negando.

— Levem-o até a enfermaria e cuidem dele. – A criatura parecia preocupada. — Quero alguém do lado da cama dele, não o deixem se levantar. Eu não entendo de feitiços, mas esse ai foi acertado pelo demônio do pesadelo.

— Um bem incompetente por sinal. – Ressaltou Dionísio ainda demonstrando decepção.

— O importante Sr D, é que o menino está vivo. Se ele tivesse em uma cidade poderiam encontrar o corpo dele agora debaixo de algum carro. – Os rapazes seguraram Kyle novamente e partiram em direção a enfermaria. Porém, antes o garoto ainda conseguiu ouvir bem ao longe as vozes dos regentes do acampamento discutindo. — Não foi apenas um caso simples de pesadelo, foi possessão.            

Armas:
Nenhuma

Habilidades Divinas:
Poderes Passivos de Hécate:
Nome do poder: Descendente da Magia I
Descrição: O filho de Hectare/Trivia é descendente direto da magia, ela corre por seu sangue, e para ele, age como um condutor natural. Essa ligação lhe permite uma aprendizagem rápida de feitiços, conhecimento de livros antigos, bem como realização dos mesmos. Ao aprender sobre magia, a prole de Hécate/Trivia, também fica mais forte.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus:  Ganha 10% de força em seus feitiços (em poderes ativos).
Dano: +5% de dano se os feitiços acertarem.
Poderes Ativos de Hécate:
Feitiço: Signati
Descrição: Usado para lacrar/trancar quaisquer fechaduras ou portas.
Gasto de Mp: - 20 de MP.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: Caso seja realizado durante a lua nova, há uma chance de +30% de que ele funcione corretamente.
Dano: Nenhum.
Extra: Com certo treino, pode ser usado de forma não verbal.

*** Poderes de Legado em Ares ***

Poderes Passivos de Ares:
Nome do poder:  Espírito de Guerra
Descrição: Ares/Marte é o deus da guerra, profundo amante de combates e um dos principais deuses amantes da morte. Seus filhos possuem um espírito parecido com o do deus, de modo que todos os conhecimentos referentes a guerra (como sinais de comunicação, técnicas de sobrevivência básica, manuseio de armas e tudo mais o que tiver ligação direta com guerra), surgem naturalmente na mente do semideus, mesmo que ele jamais tenha passado por alguma situação de dificuldade.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Conseguem elaborar planos, ler mapas e criar estrategias com mais facilidade.
Dano: Nenhum

Nome do poder: Pericia com Machados I
Descrição: Filhos de Ares/Marte têm certa facilidade em trabalhar com armas violentas e o machado sempre foi visto como algo macabro. Sua força sempre foi superior, portanto, nas mãos desses semideuses essa arma se torna ainda mais letal. Mesmo sem nunca ter empunhado um machado, sentirá certa facilidade em manejá-lo, mesmo que ainda cometa alguns erros.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +10% de chance de acerto no manuseio de machados.
Dano: + 5% de dano ao ser acertado pela arma do semideus.
Poderes Ativos de Ares:
Nome do poder:  Punhos de ferro
Descrição: Ao concentrarem suas forças nos punhos, os filhos de Ares/Marte conseguem fazer com que uma aura avermelhada circunde suas mãos fechadas, sendo capazes de desferirem socos com a força de um martelo feito de ferro. O efeito possui duração de duas rodadas, sendo que também protege a mão do semideus, não deixando que a mesma se machuque.
Gasto de Mp: 10 MP
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: 15 HP
FPA:
Observações ao avaliador:
Embora eu não tenha utilizado habilidades acima do nível 2 por razões de fraqueza e trama, eu acredito que esteja acima do nível 2. Fui avaliado, mas não fui atualizado. Segundo meus cálculos (e ele com certeza pode está errado) sou nível 10, com essa avaliação agora não sei mais de nada.  

Vestindo: Uniforme do acampamento Acompanhado: Espiritos Aonde: Acampamento Grego Nota: Possuído

The White Swan  @CG
Esmeralda Kyle Santinne
Esmeralda Kyle Santinne
Sem grupo
Sem grupo

Idade : 18
Localização : Acampamento para Semideuses

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Diário de um feiticeiro  Empty Re: Diário de um feiticeiro

Mensagem por Hefesto em Qui 01 Nov 2018, 02:33


Modelo de Avaliação


Método de Avaliação:

Valores máximos que podem ser obtidos

Máximo de XP da missão: 5.000 XP 
Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

Realidade de postagem + Ações realizadas: 43%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc: 18%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência: 22%


RECOMPENSAS: 6225 XP + 6000 dracmas

Comentários:

Bem, a ideia geral da história é muito interessante, porém senti que faltou um timing, um tempo de ação do seu personagem...alguns momentos ficaram incoerentes, o ritmo do "terror" causado pela presença demoníaca é outro, senti que seu personagem foi muito passivo com a presença dela, senti falta de uma urgência, um medo. Acho que para histórias assim, a narração tem que ter uma sintonia com os fatos que ocorrem, para que prenda a atenção de quem está lendo.


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