The Blood of Olympus
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Mensagem por Sara Lim em Sab Out 20, 2018 11:52 am

institute eden
Neste tópico serão postadas todas as CCFY's referentes ao Instituto Éden por Sara Lim e Céline Bernard.

capítulos:

I. vivid. → disponível,,, [x]

sinopse: é o estado de tédio de ambas as garotas pré-éden e o momento que elas se conhecem e descobrem que são, lá no fundo, a mesma coisa. é o início da jornada, onde a mente e também a visão da raça humana delas começa a se abrir e a se aflorar. (clique para escutar a música.)

I.I. let me in. → não disponível,,,

sinopse: o confronto com quem elas realmente são e com o que pretendem se tornar. é a última que se passa no passado e na época do instituto. assim como em vivid, elas enfrentam uma batalha contra si mesmas. (clique para escutar a música.)

II. new. → não disponível,,,

sinopse: um novo mundo que se abre para ambas. o sentimento de liberdade após anos presas no jardim do éden. encontram o seu verdadeiro eu que se cria e se molda junto com o alheio.   (clique para escutar a música.)

III. sonatine. → não disponível,,,

sinopse: a volta para o jardim do éden não mais como alienadas. a descoberta de um segredo. também o que finaliza esse capítulo da história das duas. (clique para escutar a música.)
Mesmo se digam que eu vim de um mundo estranho, Está tudo bem! Pois então eu sou a principal desta história. Eu não preciso de nenhum jardim do Éden, Pois o tempo em minhas mãos Já me diz que estou no céu.


Última edição por Sara Lim em Sab Dez 22, 2018 6:30 pm, editado 4 vez(es)


demigods who don't even have haters, shut up. where are your haters at? wash your eyes and face and look in the mirror there's your hater, living and breathing we're celebrate more than celebrity.
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Mensagem por Sara Lim em Seg Out 22, 2018 3:29 pm

All day, I’m laughing
To the point where my heart pounds

Casa da Família Lim, North Vancouver, 07:00 da manhã do dia 07 de maio de 2016.


O tecido fino do blazer xadrez de Sara pinicava levemente seus braços, mas ela não reclamava. Olhava-se no espelho com uma cara de tédio enquanto trançava seu cabelo. Era dia sete de maio de dois mil e dezesseis, dois dias antes do dia oficial de volta as aulas do Instituto Éden. Isso significava que a sino-canadense era obrigada a acordar mais cedo, colocar o uniforme correspondente ao seu ano escolar e pegar carona na minivan de Elisa (Sua madrasta).

Naquele ano, ela ostentava uma camiseta branca com o símbolo do Éden, uma saia xadrez clara e um par de suspensórios. Além disso, usava um blazer que combinava com o tecido de sua parte de baixo. Era o uniforme do primeiro ano do Ensino Médio de sua escola, já que ele era composto de 4 séries. Isso também significava que depois daquele dia, ela estaria hospedada nos dormitórios, junto de uma colega que também estava frequentando os quatro anos que finalizavam a sua jornada lá.

Era uma das regras obrigatórias, fazia com que qualquer menina tivesse que se mudar. Também dizia que elas só poderiam sair nos fins de semana. Para a prole de Éris, aquilo era a mesma coisa que viver em uma prisão de segurança máxima católica. Ainda mais quando não se tinha nenhuma amiga.

Graças a uma regra de sua madrasta, ela era terminantemente proibida de conversar com qualquer pessoa que não trabalhasse nas instalações. Por algum motivo, a mulher que a criava tinha medo de alguma coisa lá dentro. Meinu não tinha coragem de descobrir do quê. Não ainda.

Ao descer as escadas, ela carregava uma mala de rodinhas. Além daquela, haviam mais duas no carro, que garantiriam um ano escolar sem dificuldades em sua nova casa. Não que as professoras a deixariam usar qualquer uma das roupas que insistia em levar com ela. Queria pelo menos fingir que tinha uma escolha em algo na sua vida.

As irmãs mais velhas olharam para ela com desdém quando chegou à base das escadas. — Bom dia, mamãe. Bom dia, papai. — O sorriso logo apareceu em seus lábios e ela se aproximou dos adultos, envolvendo os ombros do homem com seu braço. — Eu sei que vão morrer de saudades de mim! — Disse, soltando uma risadinha. O mais velho apenas sorriu, balançando a cabeça em positivo. Sentou-se em uma das cadeiras do balcão da cozinha, se servindo com o café da manhã que Elisa tinha preparado.

— Você olhou em qual dormitório você está? — Sua madrasta perguntou, olhando-a com uma expressão de cansaço. — Sim. Eu peguei o Eva. Pode me deixar no complexo I. — Pelo resto do seu tempo na casinha apertada da família Lim, ela se forçou a engolir a comida, tentando conter a sua vontade de implorar para que a deixassem ficar em casa.

Nos últimos anos, era impossível para a menina fazer suas próprias decisões. Sua madrasta a dizia como deveria se comportar em casa e na cidade. Quando estava estudando, tinha que obedecer aos códigos de honra e os ensinamentos da Bíblia, mesmo que secretamente sentisse que o livro era apenas uma grande piada inventada por alguém sem muito o que fazer. E, agora, sendo obrigada a passar 24 horas por dia enfiada no Instituto, achava que poderia pirar a qualquer minuto. O que a impedia de fazer tal era a vontade gigante de agradar tanto a madrasta quanto DaXun, o patriarca da família. Se resolvesse largar tudo, perderia os milhares de dólares investidos em sua educação.


Dormitório Eva, Instituto Éden, 07:35 da manhã.


Deu uma última olhada na minivan que a mulher mais velha usava para trabalhar. Ela havia a deixado sozinha após levar suas malas para o seu mais novo quarto, afirmando que estava atrasada. Antes de ir, deu ênfase a sua regra sobre o corpo docente e as colegas. Como já estava cansada de saber sobre como falar com qualquer outra pessoa era errado, a nossa personagem principal apenas aceitou, dando um sorriso largo e desejando um bom dia de trabalho para a moça de meia idade.

Assim que pisou na soleira da porta de seu aposento, viu uma garota sentada em uma das camas, segurando uma maçã verde. Sara gelou. Estava em uma encruzilhada. Poderia falar com a adolescente (Que ela pensava ser do primeiro ano, graças ao uniforme azul que utilizava) e desobedecer, ou ficar quieta e parecer uma esquisita mais uma vez. Ela se curvou levemente, como todos deveriam fazer aos superiores (De ano ou de idade) e abriu a boca, pronta para falar algo, mas a fechou em seguida. Soltou um suspiro, começando a andar em direção a sua bagagem sem dizer nada. — Bom dia para você também. — A voz da outra não tinha nenhum tom de agressividade, o que fazia com que ela pensasse que a desconhecida não estava brava, apenas curiosa sobre o motivo dela não ter dito nada.

Olhou para trás, vendo que a fruta que antes estava intacta agora estava mordida. Esboçou um sorriso sem graça. — B-bom dia. — Apenas um sussurro tímido saiu, o que era raridade, já que Meinu era uma menina falante dentro de seu ciclo familiar. As suas bochechas esquentaram levemente, fazendo com que ela virasse sua cabeça com tudo para olhar seus pertences, não querendo que a outra tirasse sarro dela. — 긔업다.¹ — Os olhos da sino-canadense se arregalaram. Aquela pessoa que comia tranquilamente falava uma língua asiática, o que provavelmente faria todo o seu disfarce de “garota que só fala chinês” ir pelo ralo. Havia criado essa imagem de si mesma para que ninguém tentasse se comunicar com ela, assim não cairia em tentação (Pela segunda vez) e desapontaria a sua família. Bom, aquela era a segunda vez. E se iria quebrar o mandamento sagrado da Sra. Lim, pelo menos faria uma amiga. — Com licença, mas... Qual é o seu nome? — A sua voz era suave, esperando conseguir qualquer resposta positiva que seja.

— Céline.


Corredor do Complexo B e Sala de Tiro ao Alvo, Instituto Éden, 21:56 do dia 30 de junho de 2016.


— Jimin, já passou da hora do toque de recolher, se as monitoras descobrirem... — Recebeu um olhar censurador da filha de Thanatos, que continuava a puxando pela mão. — Estamos quase lá, certinha. Deus não colocou na Bíblia que era proibido andar pelo colégio depois das nove. — Sara se conteve de revirar os olhos, não aguentava mais ouvir de Deus com d maiúsculo. Ouvia sobre isso todos os dias e mesmo quando era no tom de zombaria de sua única amiga, ainda a deixava irritada. E era difícil fazer com que a menina se sentisse irritada.

Quando Céline parou de andar, a menina Lim meteu a testa nas costas dela, soltando um gemidinho de dor. Ao ouvir aquele som, a mais baixa virou-se, com um biquinho no rosto. — Desculpa. — A mais nova esfregou a mão sobre o rosto, fazendo uma careta, mas caiu no riso alguns segundos depois, fazendo um sinal para que ela deixasse para lá.

Elas adentraram o quarto que a estadunidense queria tanto mostrar para a outra. Não era nada demais, era apenas um lugar grande, com um ou outro boneco de treinamento. — Eles tiraram as armas que a gente usa para treinar de dia. O que é inteligente, mas tudo bem, porque não é isso que eu quero te mostrar. — Ao terminar, começou a mexer as mãos, mordendo o lábio inferior com o esforço. Após alguns segundos, um objeto simples (Uma bola) feita de sombras surgiu em suas palmas, que logo foi atirado em Sara. Ela pegou, mas antes que pudesse jogá-la de volta, se dissipou. — O-o quê? — Mesmo gaguejando, ela não sentia medo. Apenas estava confusa. — Eu não sei, eu só consigo fazer essas coisas. É mais fácil quando está de noite e... Eu sei lá, só achei que você conseguiria me entender. — Um sorriso surgiu no canto dos beiços da chinesa, que usou de um poder extremamente parecido para tomar o calcanhar da coreana. As sombras envolverem-no, prendando a moçoila onde estava. — Não sei o que somos, mas sei que somos parecidas. — Assim como o resto da conversa, aquilo era um sussurro, como um segredo sendo compartilhado por duas crianças do primário. De certo modo, era sim um segredo, a única diferença é que era compartilhado por duas semideusas.


Dormitório Eva, Instituto Éden, 18:23 do dia 2 de julho de dois mil e dezesseis.


As costas da descendente de chineses estavam coladas com a porta do quarto que dividia com a filha de Thanatos. Uma das mãos de Jimin estava na madeira, bem ao lado de seu rosto. O odor do perfume que a mais velha usava estava em toda a parte e Sara podia jurar que estava ficando embriagada por causa dele. O corpo alheio estava tão perto do seu, mas ela não podia tocar. Sua mente estava preenchida pelas coisas que ouvira. Sobre o pecado, sobre como o toque entre duas mulheres poderia condená-la ao inferno. Mas, ao mesmo tempo, a adolescente mais bonita do mundo (Em sua opinião, claro) estava a encarando, estudando seus próximos movimentos. Se sentia em um jogo de xadrez. E estava longe de ganhá-lo.

— Vamos lá, Sara. Você fala tanto sobre sermos o mesmo... — As pontas dos dedos de Jimin tocaram seu rosto, colocando uma mecha de seu cabelo escuro atrás da orelha. Eles eram incrivelmente gelados, o que assustava e atraia Meinu. — Mas você não me vê mentindo pra mim mesma, vê? — O sussurro era rouco, como se a outra tivesse que fazer uma certa força para falar. — Você sabe o que você quer, só precisa se livrar das suas inibições de garotinha santa. E você só vai conseguir o que quer quando vier pegar. — Antes que a outra pudesse se afastar, ela se moveu. Sua palma foi até a cintura alheia e o seu rosto se aproximou do dela.

Estava na hora de se livrar dos medos do Éden. Se ela quisesse um novo mundo para viver sem ser o boneco de alguém, tinha que construí-lo ela mesma.


Dormitório Eva, Instituto Éden, 14:18 do dia 17 de julho de dois mil e dezesseis.


Conforme os dias passavam, Céline e Sara se tornavam mais próximas. E conforme elas se tornavam mais próximas, mais a filha de Éris entrava em um mundo diferente dos ideais de sua madrasta e de sua escola.


“Não tenha relações sexuais com um homem, assim como se costuma ter com uma mulher. É um ato detestável. — Levítico 18:22.”


A frase, assim como o que sua professora dizia, fez com que as bochechas dela se esquentassem. Não porque ela estava escandalizada, mas sim porque aquela passagem fazia-a se lembrar da noite passada.

Jurava que conseguia sentir os dedos gelados de sua colega de quarto em seu rosto, os seus lábios macios tocando a sua pele, o arrepio que percorria o seu corpo, o sabor da boca alheia e o cheiro do perfume de maçã que a filha de Thanatos amava usar, burlando a lei do Instituto que era contra cosméticos e modificações corporais.

— Vocês NUNCA devem desobedecer às leis divinas se não quiserem enfrentar a ira Dele. — Uma vontade de rir tomou o corpo da semideusa. Mas ela a conteve, começando a escrever o nome da garota que não saia de sua cabeça na folha do livro de exercícios relacionados à aula de religião. O inferno eram as leis e a autoridade sufocante do Éden. Se aquele era o paraíso, conseguia entender porque Eva havia pecado. Ninguém conseguiria aguentar aquilo sem pirar. Não se permanecesse santo.

Às vezes, tinha orgulho de pecar. Porque para ela, pecar queria dizer aumentar o seu conhecimento de mundo. Agora, ela entendia que não estava mais sozinha. Os monstros não eram uma maldição para enfrentar só. As sombras não mais a tratavam como inimiga, elas a aceitavam como parte de seu reino, dando-a poderes que a fariam ser considerada Lúcifer por qualquer uma das mulheres religiosas que treinavam garotas como uma fábrica criava robôs para a construção de um Novo Mundo obcecado pela Igreja. Pecar e se entregar para a mais velha era como aceitar o fruto da sabedoria. E, por ela, ela continuaria comendo maçã após maçã, se fosse preciso.

Porque ela não voltaria a obedecer aos outros, não precisava mais ceder para sua madrasta ou para aqueles que tentavam a encaixar em um molde. Tinha falado com uma desconhecida e feito uma amiga sem que magicamente desaparecesse do universo. Tinha beijado uma garota sem que seu corpo pegasse fogo, sentindo a ira de Deus Todo Poderoso. As consequências de quais os adultos tanto tinham medo não a encontraram, o que a dava a impressão de que brincar com o fogo as vezes não era perigoso, e sim libertador.

Ela sentia como se novas cores começassem a colorir seu mundo. E gostava disso.


Informações:
Por ser uma CCFY de trama pessoal (Ainda mais da trama de Sara e Céline, que tem 5 partes), não adicionei nenhuma batalha. Esse post fecha alguns pontos soltos que foram deixados nas fichas de ambas, dando início à jornada que elas tem pela frente. Esperam que entendam o motivo de não ter nenhuma luta.

¹: Fofa em coreano.

FPA.
Poderes:
Nível 14
Nome do poder: Umbracinese II
Descrição: O semideus aprimorou sua força, e aprendeu a controlar as sombras mais fervorosamente, consegue faze-las se enroscar entre as pernas de seu oponente, e prendê-lo até a cintura, enquanto estiver com o poder ativo, os membros inferiores do inimigo, ficarão totalmente imobilizados, ou seja, pernas, pés, e quadril, não conseguirão se mover enquanto estiverem presos pelas sombras. Ainda não consegue usar as sombras para ferir seus oponentes.
Gasto de Mp: 15 MP por turno ativo
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum
Extra: Nenhum
VIVID - PARTE I DE V.


Última edição por Sara Lim em Sab Dez 22, 2018 6:28 pm, editado 1 vez(es)


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Mensagem por Céline Bernard em Ter Out 23, 2018 2:31 pm

vivid!
The same black and white movie is boring

Diretoria, Instituto Éden, 06:45 do dia 07 de maio de 2016.

— Eu quero que você entenda, Céline, que nosso Instituto não aceitará nenhuma de suas brincadeirinhas. As freiras foram muito convincentes sobre aceitar-lhe e como você conseguiu a pontuação na prova de entrada, não vamos negar o seu direito de estar aqui. Apenas quero que entenda que somos uma escola tradicional, querida... Se você quebrar as regras, não vai sair com apenas uma detenção. — Franzi o meu cenho ao ouvi-la. — Isso é uma ameaça? — Arrumei minha postura na cadeira, encarando os olhos repreendedores dela. A dúvida não era verdadeira. Eu sabia o que ela queria dizer com escola tradicional. O orfanato tratava as crianças da mesma maneira. — Não, é apenas um aviso. Pode se retirar. Suas malas já foram colocadas em seu dormitório.

Sai da sala daquela... Coisa o mais rápido possível. Não tinha o menor interesse em continuar ali, escutando a sua voz monótona me tecer ameaça após ameaça disfarçada de conselhos. Você, mortal, imortal, alma penada, deve estar se perguntando onde eu estou e porquê estou aqui. Como já deve ter ligado os pontos, eu sou órfã. Tanto de mãe quanto de pai. Nem cheguei a conhece-los, apenas sei que fui parar em um orfanato quando tinha três meses de vida. E, digo com muito orgulho, consegui fugir dele mais de cinco vezes. Claro, cada uma por um motivo infantil e bobo, mas dessa vez era diferente. Com algum esforço, eu conseguira me livrar de uma família de bocós cristãos que queriam uma filha adolescente, — como sempre, eu era a única a conseguir ver as pernas de cobra e o olhar maníaco dos bichos —, concordando em tentar a prova para esse lugarzinho.

Esse lugarzinho nada mais era o Éden. Não o Jardim do Éden, idiota. Esse aí é mais exclusivo, creio eu. Éden em Instituto Éden. O lugar mais católico de toda a América do Norte. Também era o lugar onde criavam garotas como máquinas de matar e as chamavam de boas cristãs. Sério, o Canadá é um lugar esquisito. Eles promoviam o colégio como um lugar para ensinar suas filhas como serem damas de verdade, mas promoviam aulas de tiro ao alvo, artes marciais e até mesmo tinham bons professores de história. Quem pensasse, acharia que as mulheres sairiam fortes e empoderadas dali. Mas não saiam. A lavagem cerebral era tão grande que elas acreditavam fortemente que nunca deveriam usar aquilo para agredir aqueles que as machucavam e sim para se defenderem do pecado.

Basicamente, eles tornavam as fiéis em máquinas mortíferas que atacariam a qualquer pedido, tanto dos líderes cristãos quanto dos maridinhos.

E, bom, eu estava bem longe de achar que o ideal para a minha vida era lavar, passar, cozinhar e beijar as botas de um cara qualquer. Qualé, eu não tenho fetiche por pés, tenho?

Ao chegar em meu quarto novo, olhei para as malas que estavam em uma das camas e dei de ombros. Aparentemente, a minha colega já estava se hospedando. Peguei a maçã verde que alguém tinha deixado sobre meu criado mudo, observando-a. Em alguns minutos, uma garota alta entrou pela porta. Ela se curvou, — o jeito mais idiota de dizer oi para alguém —, e me encarou, prestes a dizer algo. O fato dela ter ficado calada foi o que me irritou ligeiramente. O gato havia comido sua língua?

— Bom dia para você também.

Sala de Aula, Instituto Éden, 18:45 do dia 27 de maio de 2016.

Os meus olhos passavam pela bíblia com tédio. A professora estava falando e falando e falando e a aula parecia não passar. Como todas as aulas naquele inferno. Eu odiava essa aula mais do que todas as outras. Era uma das únicas fixas e impossíveis de faltar. Faltar queria dizer ser interrogada pela diretora. E então ela fez a pergunta que eu mais queria responder.

— Alguma de vocês sabe me dizer qual é o papel da mulher na sociedade? — Minha mão foi a única que foi até o alto. Covardes. Não aguentava mais toda aquela bosta. — É o que ela quiser, prof. Até mesmo ateia. — Enquanto as outras me encaravam chocadas, eu dei o meu melhor sorriso irônico. Todas sabíamos que eu estava pedindo para ser mandada até O Banco. Mas, sinceramente? Eu não aguentava mais sentar e fazer o papel de cristã fiel. Foram 20 dias fingindo e eu já estava no limite. Nem mesmo a minha colega de quarto feliz e, — Deus me perdoe —, bonita para um caralho conseguia tirar a minha atenção da vontade de socar a cara dessas mulheres adultas que tentavam nos fazer ajoelhar aos pés delas.

A feição de desaprovação da Madame Sei Lá o Nome Dela já me dizia tudo. Eu estava encrencada. Levantei-me, como eu deveria fazer nessas ocasiões, e fui até ela, estendendo minhas mãos. Com uma aluna normal, ela bateria nas mãos 10 vezes e depois a deixaria ir para a enfermaria. Mas não comigo, a que não fazia questão de esconder os pecados. Ela apontou para a porta e eu dei de ombros, seguindo até ela. Antes de sair, olhei para as minhas colegas. Nenhuma delas erguia os olhos para me encarar. As vezes eu me sentia mal por elas, mas na maioria das vezes eu me lembrava de quem eram. Uma delas era filha de um político que lutava fortemente contra os direitos dos LGBTs e eu me lembrei do seu sorriso na foto onde os dois queimavam uma das bandeiras arco-íris. Outra, tinha um canal cristão no Youtube, — sim, gente, eles não param! —, e a melhor de todas, a que havia me dado uns beijos no armário do zelador no primeiro dia de aula, porém depois se fez de mini-freira. Patéticas.

O caminho até a sala de punição era um dos que eu mais fazia quando estava no St. James. Lá, era apenas o aposento da coordenadora das freiras, mas ali era um lugar totalmente diferente. Não havia janelas além de uma minúscula, que estava localizada bem no topo, quase colada ao teto. Havia uma mesa acompanhada de duas cadeiras. Você provavelmente esperava que eu te dissesse que era escura e tinha um cheiro pode. Mas não. Era extremamente iluminada, graças as luzes que pendiam do teto. Além disso, fedia a rosas.

A professora fez sinal para que eu me sentasse, e eu obedeci. Cruzei as pernas e coloquei meus cotovelos sobre a mesa e esperei. Depois de alguns segundos, ela estava sentada na minha frente. — Céline, acredito que você sabe que não deveria ter respondido aquilo. Nós temos regras aqui. E queremos que você as obedeça. — Engoli a minha vontade de gargalhar e arqueei minhas sobrancelhas. — Nós quem? Os reptilianos? Essa coisa de Deus nos mandou é muito ruim pra imagem de vocês. Se o governo des... — Antes que eu pudesse continuar, a mão dela acertou meu rosto. Mesmo contra a minha vontade, meus olhos lacrimejaram e evitei olhar para ela. Não estava afim de dar-lhe o gostinho de ver minhas lágrimas.

— Você acabou de ganhar mais 5 com essa brincadeira. Levante e se apoie na mesa.

Dormitório Eva, Instituto Éden, 19:50 do dia 27 de maio de 2016.

— Você demorou muito hoje. O que fizeram com você? — Como sempre, a canadense transbordava preocupação em sua voz. Não pude deixar de sorrir enquanto me sentava na cama, feliz por ter alguém que se importava comigo e furiosa pelo ardor que eu sentia graças aos golpes que havia tomado. Comecei a desabotoar a camiseta branca, sem me importar com a reação da mais nova. Não que ela iria pirar, mas eu sabia que era um pouco conservadora. — Umas palmadas. Elas não me disseram quantas foram e eu também não contei. Dói um pouco, mas estou acostumada. Orfanato cristão. — Escondi a minha dor, respirando fundo. Joguei a camiseta na cama e olhei para Meinu, — havia descoberto seu nome chinês após encher um pouquinho o saco da mais alta —.

Encarei as feições angelicais dela, perguntando-me se ela já havia sido levada para a sala de punições ou se tivesse pelo menos tido suas mãos machucadas na frente das outras. Provavelmente não. Ela era quieta demais para levantar a voz, hétero demais para que as professoras nem sonhassem de vê-la com outra garota e acredito que nunca tentara cabular uma aula. Soltei um suspiro, fazendo uma certa força para me levantar. Comecei a revirar minhas coisas, procurando por algo para aliviar a sensação da pele queimando. — Se você passar hidratante e massagear a dor alivia. Os meus olhos se arregalaram. Não acreditava que ela tinha experiência nesse assunto. — Quando eu era mais nova, convenci a minha mãe a pintar meu cabelo de roxo. A Sra. Moonbile tentou cortar, mas eu sai correndo. Demos duas voltas no complexo II antes que ela me pegasse. Fiquei na sala de punição por um tempo. — Vi seus lábios formarem um sorriso sem graça e eu assenti. Talvez essa garota não seja um dos robôs.

Corredor do Complexo B e Sala de Tiro ao Alvo, Instituto Éden, 22:01 do dia 02 de julho de 2016.

Nós estávamos sentadas uma de frente para a outra e ela me encarava como se tivesse altas expectativas. E, bom, eu sabia que ela realmente tinha. Algumas noites atrás, depois de descobrir que ela também conseguia brincar com as sombras, eu a prometera procurar sobre o que éramos na biblioteca. É claro que eu não usara os livros, apenas o computador velho de uso comunitário para os alunos maiores de 16 anos. Mesmo pesquisando por bastante tempo, tudo que eu tinha encontrado era um artigo muito interessante sobre Wicca e alguns poucos relatos de pessoas anônimas. Sinceramente, não sabia o que pensar sobre isso. E também não sabia o que dizer para a outra. Respirei fundo, tocando a mão dela com a ponta dos dedos, cuidadosamente.

— Desculpa, mas eu não achei nada. Vou continuar procurando, não se preocupe. — Afirmei, apertando sua palma para lhe dar confiança no que eu dizia. A verdade é que eu estava começando a me apegar. Ela era adorável, fofa e tudo de bom que poderia existir no planeta. Quando eu estava perto da chinesinha, muitas das minhas dúvidas sobre o que eu era se apagavam. Apenas o sentimento de me sentir igual a alguém e parte de algo já me acalmava.

Ela retribuiu o aperto, entrelaçando nossos dedos. Depois, abriu um largo sorriso, balançando a cabeça de um lado para o outro. — Não tem problema, Cél. — Em seguida, a vi se pôr de pé. — Vamos continuar a tentar. Enquanto estivermos juntas, tudo vai ficar bem.

E, pela primeira vez na minha vida, senti uma chama de esperança se acender dentro do meu coração.

Diretoria, Instituto Éden, 09:45 do dia 10 de julho de 2016.

— Você sabe porquê eu te chamei aqui? — A diretora olhava para os papéis em sua mesa, como se não se importasse com a minha presença. O que ambas sabíamos muito bem que não era verdade. Eu conseguia sentir o clima que pairava sobre nós duas, também conseguia ver a sua mão que tremia levemente e a perna que não parava de mexer sob a mesa. — Acredito que seja para me parabenizar por não ter te decepcionado, senhora.

Um riso escapou dos lábios da mulher, que olhou para mim como um leão olha para uma gazela extremamente gata. — É claro que não, querida. Te chamei aqui para entender um pouco melhor sobre você. Dentre todas as alunas de sua sala, você é a pior em Estudos Bíblicos, entretanto é a melhor em todas as outras matérias. Não acho que você tem dificuldade, acho apenas que você está se forçando a ir mal. Quero saber o motivo disso.

Revirei meus olhos, soltando um suspiro cansado. Assenti com a cabeça, começando a falar. — Sabe, eu não gosto muito de faz de conta. E essa aula é basicamente ler um bando de mentiras em um livro grosso. Se forem fazer algo assim, poderia ter ao mesmo escolhido um livro melhorzinho. Harry Potter não é tão caro, sabe? — O meu desafio era bem fraco, não posso dizer que estava em um bom dia para desafiar a autoridade. Nós duas sorrimos, porém, uma sensação esquisita começava a me corroer. Por que ela estava sorrindo depois de eu ter dito algo como aquilo? Não deveria estar ofendida ou escandalizada? — Você nunca teve vontade de descobrir onde sua mãe está? — Engoli a vontade de ficar vermelha, fazendo que não com a minha cabeça. Como diabos ela sabia sobre a minha mãe?

— Sabe, quando ela teve você, ficou escandalizada por ter tido um filho com o demônio. Não tinha coragem de te abortar e tinha muito menos coragem de te criar. Então, pediu a minha ajuda. Nós a enfiamos naquele orfanato cristão, esperávamos que você pudesse florescer como uma boa garota, mas acabou se tornando, bom... Isto. — O tom de zombaria dela era o que me irritava. Querendo ou não, eu havia aprendido a lidar com a falta de uma mãe e tinha completamente certeza de que demônio para ela era provavelmente um músico ou um artista. Ou um ateu. Qualquer um que não se rendesse ao amor fanático delas por Deus, basicamente.

Contei até 10, — como Sara me falava para fazer em situações como aquela —, e coloquei meus braços sobre a mesa alheia. — E o que você vai fazer sobre “isto”? — A pergunta era bem clara, mas apontei para mim mesma, reforçando o que eu dizia. — Vou fazer um trato com isto. — Com certeza ela era uma das pessoas que não merecia o privilégio de sorrir. Ficava ainda mais horrorosa com um sorriso no rosto.

— Se você se comportar, te digo quem é a sua mãe. Ela está mais perto do que você imagina.  E vai ficar muito feliz se souber que a filha está indo muito bem e sendo uma ótima aluna. — Os meus olhos rolaram sem mesmo que eu precisasse forçar. — E se eu não estiver nem aí para saber quem ela é? — O que era parcialmente verdade. Não que eu não tivesse curiosidade em saber qual doida parira essa gostosura, eu apenas não queria que ela entrasse na minha vida depois de ter passado 16 anos fazendo Deus sabe o quê e fingisse que tinha sacrificado muito por mim. Não, muito obrigada. De gente hipócrita e doida eu já estava bem servida. — Então você vai se comportar para que eu não te obrigue a ir embora daqui com ela e deixar a Srta. Lim sozinha. As paredes têm olhos, meu anjinho. E eles veem tudo.


Merda.

Corredores, Instituto Éden, 12:56 do dia 19 de julho de 2016.

Os meus olhos passeavam por todo o prédio. Eu tentava encontrar os informantes que ela havia comentado. Já tentara achar câmeras, mas nenhuma pegava o nosso quarto ou a sala que usávamos para treinar os nossos recém descobertos poderes. Nunca nos falávamos entre as aulas. Era impossível que a mulher soubesse.

Eu passara minha vida fugindo. Do orfanato, das famílias adotivas, das escolas. Mas eu não queria mais correr da minha própria vida. Eu encontrara alguém que verdadeiramente ligava para quem eu era. E não estava disposta a deixa-la para trás. Chegara até a duvidar da veracidade do argumento da diretora, porém era impossível. Talvez ela tivesse chutado alto para ver a minha reação, ou apenas achava que eu tentaria pegar qualquer coisa feminina que se movesse. De qualquer maneira, ela me fizera ficar paranoica o suficiente para me retrair. Agora que ela sabia que eu realmente gostava de Lim, eu tinha que proteger Meinu de acabar nas garras dela.

Porque Sara estava colorindo o meu mundo, fazendo com que eu percebesse que existia algo a mais do que o preto e branco da incerteza.


Adendos:
[/color]
Sara Lim escreveu:Por ser uma CCFY de trama pessoal (Ainda mais da trama de Sara e Céline, que tem 5 partes), não adicionei nenhuma batalha. Esse post fecha alguns pontos soltos que foram deixados nas fichas de ambas, dando início à jornada que elas tem pela frente. Esperam que entendam o motivo de não ter nenhuma luta.

FPA.
「R」


The moon rises And I am becoming you. We were so different, But my heart Is now being colored with you.
Céline Bernard
Céline Bernard
Lycans
Lycans

Localização : Covil.

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Mensagem por Hefesto em Ter Out 23, 2018 7:21 pm


Sara Lim


Método de Avaliação:

Valores máximos que podem ser obtidos

Máximo de XP da missão: 3000 XP 

Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

Realidade de postagem + Ações realizadas: 48%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc: 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência: 30%


RECOMPENSAS: 3000 XP + 3000 dracmas

Comentários:

Sara gostei de sua narrativa de maneira geral, apresentou muito bem a personalidade da personagem.




Céline Bernard


Método de Avaliação:

Valores máximos que podem ser obtidos

Máximo de XP da missão: 1500 XP

Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

Realidade de postagem + Ações realizadas: 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc: 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência: 30%
[/quote]

RECOMPENSAS: 1500 XP + 1500 dracmas

Comentários:

Céline de maneira geral, gostei de seu texto, a atitude rebelde da personagem, não tenho coisas para pontuar em específico.


Avaliação para ambas:

Parabéns pela narrativa, gostei que ambas foram as protagonistas das próprias histórias e não deixaram a personagem da outra se sobressair no próprio texto. O texto seguiu coerente, sem muitas falhas que eu pudesse perceber.
Hefesto
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Deuses Olimpianos
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