The Blood of Olympus
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Nykos {Trama Pessoal}

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Mensagem por Alexandra Nikolaev em Ter Set 25, 2018 1:47 pm







NYKOS
O Começo

Gostaria de começar o dia relembrando a mim mesma o motivo para estar bufando e de extremo mal humor. Eu tinha perdido a primeira semana de meu estágio nas empresas Griffin Enterprises. Recém-formada no curso de engenharia mecânica e mecatrónica, eu tive a sorte de receber a tutela profissional de Leonard Griffin, filho de Athena e dono de uma das empresas de tecnologia e outras áreas que começava a se destacar no mercado internacional. O convite para a criação de um projeto só meu veio um pouco depois de salvá-lo de um mini Endth, uma versão menor do monstro colossal que destruiu Nova Roma. Ou uma boa parte dela.

Estava tudo pronto para começar uma vida adulta, tendo uma rotina no Acampamento e fora dele, trabalhando em uma das sedes californianas do empresário e professor. No entanto, o meu algoritmo de localização de sedes do grupo extremista e violento da Seita tinha finalmente dado certo. Viajar pelo país não era um problema quando se podia criar portais com um feitiço, o que tornou fácil o deslocamento de São Francisco até Atlanta. A questão foi realmente descobrir que a CDC, um famoso órgão governamental de pesquisa contra doenças, possuía uma ala secreta que estava sendo usada para pesquisa com semideuses. O que era bastante inteligente do grupo, já que eles tinham acesso a laboratórios financiados e uma rede interna de informações. Além de civis que trabalhavam no local, dando um disfarce perfeito. Com certo desespero ao ser atingida pelas lembranças do primeiro resgate que tinha realizado, fui em busca de ajuda até encontrar com Elena Garcia e o senador Daron. Junto com outra amazona, Max, nós conseguimos resgatar todas as crianças e adolescentes das garras daqueles monstros.

Havia sido uma vitória que eu poderia ter comemorado e apreciado. Se não tivesse recebido uma ligação quando ainda estava na enfermaria. Era Alice perguntando onde eu estava que senão na sala de reuniões da Griffin. Perceber que a missão de resgate aconteceu no meu primeiro dia de trabalho provocou um susto e desespero tão grande que eu cai da cama, piorando ainda mais o meu estado. O resultado disso não poderia ter sido pior. Alfonso, líder das enfermarias romanas, praticamente me prendeu ao leito do local para que eu pudesse me recuperar. Mesmo administrando ambrósia e néctar, o curandeiro deixou claro que se não fosse pelos itens mágicos eu passaria meses em recuperação e não apenas dias.

— Como está a paciente hoje?

Revirei os olhos ao escutar a voz de Leonard. Meu ex professor e atual chefe era bastante compreensível. Ao saber do enredo que provocou minha falta no trabalho, o charmoso empresário retornou rapidamente para as terras romanas, junto com minha melhor amiga. Por falar nela, Alice estava com um sorriso enorme ao me ver, acentuando o repuxar de seus lábios assim que notou meu semblante emburrado.

— Que paciente mais teimosa e chata essa. — Ela brincou, sentando na cama em que eu estava. — Deveria ficar mais animada, amanhã você estará finalmente lá!

Resmunguei e afundei a cabeça no travesseiro. O meu lado inseguro sobrepunha toda a coragem adquirida com Lexi, minha antiga metade ousada e atrevida. Era assustador mudar a vida totalmente, ainda mais com uma grande confusão interna que eu era. Outrora amaldiçoada a ter duas personalidades que não se comunicavam ou lembrava o que a outra fazia. Agora uma mistura das duas, incerta de quem eu realmente era. Sair da zona de conforto parecia um desafio tão grande quanto enfrentar duas hidras ao mesmo tempo. A cada cabeça cortada, outra aparecia no lugar ainda mais aterrorizante. A cada novo desafio vencido, dois outros piores surgiam a minha frente.

— Já disse que você vai amar a equipe inicial — Alice cutucou o meu ombro. — Eles estão mega curiosos quanto a cabeça do projeto dos sonhos deles.

— Isso é culpa minha, achei interessante criar um pouco de mistério para poder não levantar tantos rumores negativos quanto a sua falta inicial. — Leonard puxou uma cadeira para sentar.

O meu projeto foi a entrada inicial para o trabalho fora do acampamento. Leonard precisava de um motivo para realizar um contrato sem levantar suspeitas dos sócios. Afinal, para alcançar o horizonte que o grego almejava, ele precisou de aliados financeiros. Nos meus últimos semestres da universidade eu me dediquei a criação de um projeto. Um desafiador e que só seria possível com acesso a equipamentos avançados e uma equipe multidisciplinar.

Eu queria criar um jogo e um novo jeito de jogar.

Com o avanço dos óculos de realidade virtual, produzidos já para jogos e outros objetivos, eu pretendia criar a imersão virtual. O público iria literalmente entrar no jogo, como assim acontecia em alguns títulos de ficção como Jogador Número 1. Para tanto, eu precisaria criar uma plataforma, uma que mexeria com as sensações corporais e nas sinapses. O que por si só já exigia cientistas e engenheiros de hardware e software. Então viria a construção do jogo, com enredo, design, programação e codificação do cenário e NPCs. Era um projeto que poderia levar anos para ser desenvolvido.

Mas tanto Leonard era ambicioso quanto eu estava empolgada em me dedicar aquilo. O pensamento motivador era um só. Ao criar um jogo baseado na vida de semideuses em um ambiente tanto futurístico quanto fantasioso, eu poderia colocar a população em geral em contato com a realidade dos meios-sangues, os tornando menos assustadores. Ainda éramos um segredo, assim como também somos protegidos pela névoa. Mas, assim como aconteceu na invasão dos monstros as capitais americanas, toda a nossa delicada segurança e proteção poderia ruir. Quando isso acontecesse, esperava amenizar o impacto e a rejeição por causa do jogo criado. Caso não atendesse esse propósito subliminar, ainda estaria criando algo incrível e ganhando dinheiro com isso.

— Então eles não sabem quem você realmente é. Eu acabei brincando com isso também, acho que eles pensam que você é um velho louco. Inteligente, mas louco. — Alice deu de ombros sorrindo divertida — Você poderia aparecer como estagiária que eles nem perceberiam.

Aquele momento breve de silêncio era quebrado pelo barulho ensurdecedor de nossas mentes trabalhando juntas. Sentei na cama olhando para Leonard sem esconder as expectativas que a possibilidade gerava.

— Isso seria possível?! Aparecer como estagiária apenas? Eu me sentiria tão melhor sem um cargo importante como fundadora do projeto! — Se eu estava praticamente implorando? Com certeza.

— Eu apresentei aos sócios que o fundador iria aparecer em nossa próxima reunião. Eles ainda não estão convencidos de que esse projeto dará certo. — Leonard coçou a nuca incerto.

— Mas eu posso aparecer na reunião de maneira bastante convincente... Como Nykos. É esse o codinome. Deuses minha mente tá fritando com ideias. Eles não precisam de minha presença física, mas sim da virtual para poderem ser convencidos de que isso pode dar certo. Leonard, quando será a reunião?

— Depois de amanhã.

— Precisamos partir. Agora.

Levantei da cama da enfermeira em um salto. Minha mente realmente funcionava de maneira rápida, queimando uma enorme quantidade de neurônios ao pensar em tantas possibilidades. A ideia de permanecer anônima no quesito criadora era não apenas misteriosa, mas algo que agradava o meu eu discreto. Naquele dia eu aprendia que esse meu novo eu não tinha medo social, porém não via necessidade de exposição desnecessária. Além de ser uma bela saída aos perigos que uma inventora poderia passar em uma indústria competitiva e sedenta pelo sucesso.

...

A Griffin Enterprises era uma empresa moderna e que visava o futuro. Essa frase poderia ser aplicada em vários dos projetos que Leonard financiava e até mesmo liderava. Pesquisas biotecnológicas, produção de softwares e hardwares, invenções que buscavam a inovação tecnológica e a venda de itens de qualidade para as diversas classes.

A sede em São Francisco era uma das principais, o que era convencional para o empresário que também era um docente em Nova Roma. A ideia de comparecer ali literalmente como uma estagiária e não como uma das desenvolvedoras do novo projeto parecia uma loucura. Mas uma que nós três tínhamos concordado em participar. O filho de Athena no fim viu como uma oportunidade, sendo algo que algumas empresas faziam para verificar o andamento dos funcionários tendo alguém infiltrado. Alice apenas achava divertido e parecia gostar da ideia de ser a minha “supervisora”.

Faziam quase dez minutos completos que eu estava do lado de fora da empresa, admirando a construção enquanto tentava reunir coragem de adentrar o lugar. Apesar de ter apenas quatro andares a vista, o prédio da Griffin Enterprises era bastante largo, assim como também possuía construção no subterrâneo. O ar californiano dava um ar menos moderno, porém mais aconchegante e bonito a construção. Era ali onde eu passaria boa parte do meu tempo, viajando entre o centro de São Francisco e o acampamento romano. Soltei uma longa respiração, pensando que o mundo não iria parar caso eu permanecesse congelada ali e eu faria uma primeira impressão terrível em meus colegas.

Mesmo com o nervosismo crescente, finalmente fiz minhas pernas funcionarem, caminhando em direção ao saguão de entrada. Meu queixo caiu alguns centímetros enquanto minha mente processava o ambiente ao meu redor. Eu poderia lidar com a tecnologia muito bem, mas aquela era a minha primeira vez em um local que era criadora de tecnologia e conhecimento. O espaço era amplo e, diferente de sua frente, era totalmente moderno. Sofás eram espalhados estrategicamente, plantas exóticas colocadas em centros específicos ou nos cantas para dar um charme natural em meio ao local futurístico. As pessoas que andavam de um lado para o outro era uma mescla de esquisitos com roupas que não combinavam de forma alguma, com aqueles que estavam no traje social dos pés à cabeça.

— Olá, seja bem-vinda a Griffin Enterprises! Veio para um passeio ou possui algum horário marcado? — A recepcionista questionou de maneira educada e gentil.

— Ah...Er... — Pigarreei em uma tentativa de recuperar o domínio sobre minhas cordas vocálicas. — Eu sou Alexandra Nikolaev e estou em um programa de estágio do Leonard Griffin...

Enquanto eu falava, ela agilmente digitava sobre o teclado luminoso em sua mesa.

— Sim, você está aqui! Muito bem-vinda a nossa empresa Nikolaev, irei pegar o seu crachá e a documentação que precisa ser entregue até o final da semana. Depois irei redirecioná-la para o andar correto.

— Obrigada!

A recepcionista foi ágil e bastante solicita, em nenhum momento parecia diferenciar se eu era apenas uma visitante insegura ou se era uma daquelas mulheres de cabelo arrumado ao extremo. Estava colocando o cordão do crachá em meu pescoço, quando Alice chegou serelepe pelo saguão, atraindo atenção graças a sua aparência. Não, ela não estava bagunçada como alguns nerds presentes ali, pelo contrário. A garota de cabelos pintados de branco era como um colírio chamativo em meio as pessoas.

— Kate, pode deixar que eu guio essa perdida aqui. — Alice falou com a recepcionista, parecendo já ter intimidade o suficiente. — Ela é minha estagiária, e você sabe como é, se ela toca em algo e quebra é meu nome que vai para o ralo.

— Agradável como sempre, Alice. — Eu podia sentir a ironia inerente de Lexi escapando de meus lábios.

Alice riu fácil e ajustou a postura, fazendo um sinal com a cabeça para que eu a acompanhasse. Ela ia indicando os locais, fazendo comentários espertos que acabaram me distraindo o suficiente. Dentro do elevador, eu não resisti a ação de cantarolar a música pop que ressoava dentro daquela caixa, enquanto observava todo o ambiente exposto já que as paredes eram feitas de vidro reforçado. Nós estávamos indo para o terceiro andar, reservado para as palestras e encontros de negócios. As portas abriram fazendo com que meu olhar erguesse para o corredor a minha frente.

Se você é um semideus e sabe disso por alguns anos, as chances de você ter enfrentado um monstro são altas. Então quero que lembre de sua primeira vez, que sinta novamente o terror e pânica de descobrir que a sua frente tinha uma criatura horripilante, de dentes enormes cujo principal objetivo era devorar você. Pegue esse sentimento e duplique, então terá uma ideia de que eu fiquei quando a vi.

O ataque de pânico fora eminente, os instintos de proteção aumentaram tão forte que antes que percebesse eu estava apertando o botão de fechar as portas e o botão do último andar. Virei de costas, amaldiçoando o fato de o elevador ter paredes transparentes, rezando com todas as minhas forças para que ela não tivesse me visto.

— Alex? O que...? Alex, você está pálida! — Alice olhou em minha direção com genuína preocupação. — Você está surtando?!

Neguei freneticamente com a cabeça, quase caindo quando as portas abriram depois daquele som agudo que anunciava a chegada no andar. Alice segurou meu corpo um tanto desengonçada, pois não sabia lidar corretamente com a situação. Porém, minha amiga de corpo franzino acabou por sustentar uma versão minha de pernas moles, me guiando até um enorme escritório. Só vim a descobrir que era de Leonard quando ele apareceu a minha frente, depois de me colocarem sentada sobre o sofá.

— Ela quebrou, eu estou dizendo! — Alice exclamava assustada.

— Alexandra. Olhe para mim. — Leonard abaixou o corpo, nivelando os olhos aos meus. — O que você viu que a assustou tanto?

Pensar naquela resposta trouxe as lágrimas a beirada de meus olhos. Uma vez que a vontade de chorar finalmente se manifestou, tornou-se impossível impedir a ação. Como eu pude esquecer dela? Oh deuses Lexi, o que você tinha em mente? Minha cabeça dava voltas e mais voltas, fazendo com que as lembranças inundassem e dominassem a minha consciência, brotando violentamente de um recanto do inconsciente ao qual Lexi tinha enterrado. Coloquei a cabeça contra o estofado do sofá e chorei, chorei como uma criança, soluçando desolada. Como se tivesse um coração partido naquele exato momento.

E eu tinha.

Longos minutos passaram antes de conseguir controlar o pranto, aceitando o copo de água que era ofertado. Engoli forçadamente o líquido, controlando também a minha respiração para finalmente explicar o que estava acontecendo.

— Eu tinha uma maldição. Uma real. — Comecei encarando o copo, sem conseguir erguer o olhar para enfrentar Leo ou Alice. — Desde pequena eu carregava isso comigo, sem entender o que realmente era. Os médicos diagnosticavam sempre como transtorno de personalidade dissociativa, com comorbidade em fobia social e TAG. Apenas um jeito nada gentil de dizer que eu tinha dupla personalidade e isso tinha sequelas. De dia eu era a Alex, filha de Vulcano, introvertida e ótima com máquinas, assustada na maior parte do tempo. Durante a noite eu era a Lexi. Ousada, aventureira, encrenqueira. O total oposto já que ela era ótima em suas habilidades sociais.

— C A R A M B A! — Alice quase soletrou a palavra, caindo sentada a minha frente.

— Eu quebrei a maldição com um item mágico e me tornei uma pessoa só. Bem confusa ainda com o que resultou da união de Alex e Lexi, mas ainda assim permanecendo sendo apenas eu mesma. O que uma fazia, a outra não lembrava de modo algum. As vezes até conversávamos, passando instruções fundamentais. Mas algumas informações ainda não apareceram por completo, elas precisam de algum estímulo, um gatilho.

— Se você recebesse todas as suas memórias, provavelmente isso faria com que sua energia psíquica sobrecarregasse. É um modo de seu cérebro proteger todas as funções e ir se adaptando as novas questões. — Leonard analisou rapidamente, passando a sentar ao meu lado no sofá. — Você viu algo que despertou uma lembrança?

— Não apenas uma lembrança em específico. Foi cerca oito meses suprimidos fortemente por Lexi — Expliquei segurando a vontade de chorar novamente. — Ainda está tudo embaralhado em minha mente, mas eu peguei o essencial da situação.

— O que, exatamente?

Olhei finalmente para Alice. A preocupação dela pareceu aumentar perante o meu semblante de sofrimento. Meu lábio tremeu antes de finalmente revelar algo que fora escondido de mim mesma.

— Aparentemente Lexi tinha uma namorada secreta. Ela não queria que Alex soubesse dela de maneira alguma. Se me lembro bem, foi o período em que nós duas entramos em maior conflito. Minhas notas na escola caíram terrivelmente, Lexi vivia em confusão e até mesmo acordei em um local completamente estranho uma vez. Eu... deuses isso é tão ferrado... eu esqueci dela. Nem mesmo quando minhas memórias voltaram, eu esqueci da Camila.

As lembranças eram coisas que envolviam as percepções dos sentidos. Você poderia lembrar de uma música, uma fala, um som. Ou até mesmo de um cheiro em específico. Naquele momento, eu estava recordando sobre um amor que uma parte de mim tinha enterrado com afinco. Meu coração era sufocado com o sentimento, transbordando abalado e confuso pelo que estava passando em minha mente. Eu tinha, ou Lexi, ou nós duas agora, tínhamos amado aquela mulher.

— Camila Guerrero? — Leonard repetiu o nome, demonstrando interesse na informação. — Uma de nossas principais engenheiras de software, ela completou seis meses de trabalho na minha empresa e recebeu destaque o suficiente para trabalhar no projeto Nykos.

Nykos era o nome do projeto como um todo. Um apelido carinhoso que derivava de meu próprio sobrenome, Nikolaev. Mas escutar que Camila estaria trabalhando comigo, em meu projeto pessoal, eu estava afundando no sofá e a beira de uma sincope novamente. Destino, quando iria parar de fazer graça comigo?

— Leo, podemos adiar a reunião? Ela não está bem... — Alice falou com o filho de Athena.

— Eu... não seria o ideal mas...

— Não. Eu sou apenas uma estagiária, adiar uma reunião por minha causa é bastante suspeito. Professor, ela é realmente boa o suficiente para esse projeto? Quando Lexi a conheceu... Quando eu a conheci na verdade, ela estava apenas no terceiro semestre.

— Sim, ela é. Provavelmente ficará também na equipe de design gráfico no futuro.

O jeito como Leonard falava não dava brechas para dúvidas. Ele estava convicto de suas afirmações em prol da latina. Levantei com as pernas ainda trêmulas e com um forte enjoo, mas eu precisava enfrentar o que quer que estivesse pela frente. Se Camila iria me ajudar com a construção do meu sonho, eu não poderia ignorá-la ou pedir por alguém menos qualificado. Iria me agarrar a isso para não enlouquecer com os pormenores. Alice me acompanhou até a porta, chamando o elevador mais uma vez.

— Então... — A garota de cabelo platinado chamou hesitante, mas com o tom evidente de curiosidade. — Você é lésbica?

Eu engasguei com o ar com a pergunta tão inusitada, olhando para Alice incrédula com a capacidade dela de indagar tudo, menos o que era esperado da situação. Ela deu de ombros, como se assim não pudesse se ajudar. Ri de nervoso, negando com a cabeça sem saber como responde-la. Deixaria para entrar em crise depois, agora precisava enfrentar uma latina furiosa.

(•••)

A sala de reuniões estava parcialmente preenchida. Alice foi a primeira a entrar, sorrindo e cumprimentando algumas pessoas pelo primeiro nome. Ela era uma verdadeira borboleta social, capaz de se comunicar com qualquer ser humano ou criatura pensante. Mexi em meu cabelo tentando ter uma boa aparência, agradecendo a Alice pela ida rápida ao banheiro para retocar a maquiagem e esconder a minha recém palidez. Quando eu entrei, eu podia sentir os olhos dela sobre mim. Pelo canto dos olhos, eu vi o choque que o reconhecimento provocou na hispânica.

— Pessoal, essa é Alexandra, ela formou na mesma universidade que moi. — Alice apresentou — Mas esteve finalizando algumas pesquisas para completar a inscrição no estágio. Ela estará auxiliando em quase tudo, hardware e software. Inclusive, como está a sua capacidade em fazer café, estagiária? Eu gosto do meu bem doce.

O tom que o legado usava era jocoso, indicando que era uma brincadeira que fez vários rirem. Camila permanecia com um semblante sério, congelada na cadeira. Eu tentava ao máximo possível olhar para ela, mas ao mesmo tempo eu queria admirá-la mais uma vez. Queria notar as mudanças que vieram com a idade, já que faziam anos que a não a via. A blusa de manga cumprida em estilo que variava entre o elegante e o despojado cobria as tatuagens que ela possuía no braço. Teria algum desenho novo sobre a pele cor de bronze?

— Podemos começar? Ou as mulheres ficarão conversando?

Meu olhar foi atraído rapidamente para o rapaz sentado próximo a cabeceira. Ele era alto, cabelo bem penteado, olhos verdes e pele morena. Com certeza tinha uma ótima aparência, mas existia algo nele que me fazia querer manter a distância prontamente.

— A reunião começa quando eu quiser, sr. Anderson — Leonard apareceu na porta, sério e em seu modo empresário. — Alexandra, bem vinda a equipe. Mas espero que consiga acompanhar as informações. Será de sua responsabilidade estudar o que foi trabalhado até aqui, não vamos retroceder em nenhum momento. Sentem-se.

Felizmente o local designado para mim foi ao lado de Alice, na mesma fileira de cadeiras que Camila encontrava-se. Não teria como nossos olhares correrem o risco de cruzarem, a não ser que olhássemos descaradamente uma para a outra. Leonard começou a reunião e com uma habilidade e domínio incrível, ele conseguiu esclarecer todos os pontos que eu tinha previsto para o início do projeto.

O primeiro desafio era o de construir uma plataforma funcional. Sem isso, não adiantaria o esforço de criar um jogo que não poderia ser rodado em nenhum console que já existia. Então precisaríamos de algo completamente novo e inovador. A ideia de que o projeto fosse composto principalmente por humanos era para que houvesse um sentido lógico para toda a comunidade, em todos os locais do mundo. Seria muito fácil um pequeno número de proles de Vulcano criarem algo como o que eu tinha em mente, mas a genialidade não seria acompanhada e – mais provavelmente – extremamente difícil de ser explicada.

— Já não é uma novidade aparelhos inteligentes que facilitam nossa vida através de uma ligeira conectividade. A Samsung criou um dispositivo que monitora as ondas cerebrais que é capaz de prever um AVC, por exemplo. — Alice tomou a frente quando Leonard deu o sinal. — Assim como a realidade virtual já não é algo tão futurístico assim, está em nosso presente, no aqui e agora e sendo utilizado por empresas com primazia pela Sony e a Google. Nós estamos pensando em um futuro mais além, vamos dar um grande salto no avanço tecnológico e criar algo ainda mais ligado ao entretenimento e ao fantasioso. Camila, diga a sua ideia garota. — Apesar da deixa, nenhuma palavra foi dita, o que me fez fixar o olhar na mesa usando de todas as minhas forças para resistir a tentação de olhar para a morena. — Guerrero?

— Um dispositivo que envolva a Interface Neural Interativa — Camila finalmente respondeu, de maneira lenta no início como se estivesse pousando na terra apenas naquele momento. — Mas de uma maneira ainda mais imersiva e eficaz. Por isso precisaremos do auxílio do pessoal que sabe lidar com o cérebro e eliminar efeitos colaterais possíveis.

O restante da reunião foi para colocar os primeiros passos em pauta. O primeiro objetivo era criar um protótipo, algo que desse esperanças de que a ideia era possível. Felizmente, essa era a parte mais fácil. O difícil seria encontrar um modelo que suportasse tanta energia e possuísse um design agradável de ser usado. Quando a reunião foi encerrada, pedi licença para Alice e saí para correr para o banheiro. Se eu estava me esquivando? Não, estava fugindo feito uma covarde mesmo.

Ao entrar no recinto específico para as mulheres, me tranquei no primeiro cubículo, permitindo que a respiração até então tão controlada finalmente ficasse desenfreada. Deuses, deuses, deuses! Fechei as mãos em punhos e encostei a testa no mármore gélido que formava as paredes que separavam cada cubículo com a privada. Como eu iria sobreviver aquilo? Como seria o nosso próximo encontro? E se ela pedisse demissão por minha causa? Fiz uma breve careta, sabendo que Lexi tinha simplesmente sumido da vida de Camila sem deixar vestígios, e eu nem ao menos conseguia lembrar porquê a minha outra versão tinha terminado as coisas daquele jeito! No entanto, eu sabia que ela estava apaixonada, não, ela estava amando de uma forma que eu nunca pensei que justamente ela fosse capaz de amar.

Demorei quase trinta minutos ali dentro, saindo apenas quando me senti segura o suficiente para isso. Mas assim que deslizei a porta, lá estava ela. Camila Guerreiro deveria ter cerca de vinte e cinco anos agora. As mangas da blusa social estavam dobradas até o cotovelo, exibindo uma parte das tatuagens que a latina possuía. O cabelo que antes estava muito bem penteado, agora aparentava uma leve bagunça de alguém que mexeu demais. Ela tinha a pele morena, grandes olhos escuros e cílios espessos, que se tornavam ainda mais marcantes graças a maquiagem que adornava ao redor dos olhos. Camila nunca foi do tipo muito magra, mas cheia de curvas e dona de uma sensualidade inerente. Mesclado ao olhar raivoso que era lançado em mim, eu poderia ter me apaixonado novamente só por aquela visão de mulher furiosa.

— O que inferno você está fazendo aqui, chica?! — Ela disse por entre os dentes, o sotaque hispânico ainda mais forte agora que ela não tentava se controlar tanto. — Depois de tantos anos, usted aparece em meu trabalho?!

— E-eu não sabia que você trabalhava aqui! — Exclamei em defesa, recuando até as costas colidirem contra a parede intermediária de um cubículo e outro. — Camila eu...

—  Então se soubesse não estaria aqui? — A mulher avançou, o jeito lembrando uma felina prestes a atacar a sua presa. — Fugiria mais uma vez, Lexi?

Dentro de mim, mesmo que eu não soubesse o motivo ainda, a resposta era sim. Existia aquela sensação inexplicável de que a Lexi amou aquela latina a minha frente com todas as forças. Merda, eu ainda a amava, mesmo sem conseguir explicar, entender ou estruturar a noção de amor. Todos os meus instintos diziam que eu deveria me manter afastada, pela própria segurança dela. Desviei o olhar, ofeguei duas vezes antes de finalmente ajustar a minha postura.

— Eu era uma adolescente de quinze anos, Camila, o que você esperava de mim? Responsabilidade? — Abusei de toda a coragem e ironia que a Lexi possuía no passado, finalmente encarando aquele olhar irado e tão belo. — Sim, eu fugi e agora estamos aqui, nessa situação. Podemos ser adultas e cumprir com nossas tarefas, porque eu não sei você, mas eu não vou deixar essa oportunidade passar.

As narinas dela se expandiram em demonstração de raiva mal contida. Camila fechou as mãos em punhos e afastou um passo para trás depois de um longo e gritante momento silencioso.
— Seremos adultas então, nosso relacionamento será único e exclusivamente profissional.

Aquelas palavras doeram como se armas perfurassem minha pele em todos os poros. Camila deu meia volta e em passos duros saiu do banheiro. Escorreguei para o chão, não sentindo mais forças o suficiente para poder me manter de pé. Levei mais trinta minutos dentro daquele banheiro, para poder recuperar o suficiente a minha coordenação motora. Ao chegar no saguão principal, poucas pessoas circulavam pelo local agora. Leonard e Alice estavam no centro, conversando de maneira distraída. O que provocou um sorriso pequeno em meu rosto, pois era visível como os dois começaram a desenvolver certa... Harmonia.

— Acho que se você pudesse escolher ser atropelada pelo Minotauro ou por uma latina, você teria escolhido o homem touro. — Alice comentou depois de uma rápida olhada em minha direção.

— Isso será um problema Alex? — Leo perguntou de maneira complacente.

— Não, estou bem. Vamos ficar bem. Conversamos... Se é que aquilo possa ser chamado de diálogo. Apelei pela ideia de adultas civilizadas que querem muito o trabalho. Eu só quero me afundar em algum canto e ficar quietinha.

— Então acho que você precisa conhecer a Griffin Cave.

Olhei para Leonard, ele possuía um sorriso empático. Fez um mover de cabeça e nos guiou em direção a um elevador mais reservado. Dentro da caixa metálica, ele apertou um dos botões do subterrâneo. Paramos no quinto andar no subsolo, as portas abrindo apenas com um jogo de números que Leonard digitou sobre um painel ao lado dos números que acionava os andares. Quando o metal deslizou para o lado, literalmente mostrou uma nova faceta da Griffin Enterprises.

Era como uma Bat-Caverna muito moderna e bem mais confortável. Ou o QG do próprio Arrow, com tecnologias e armamentos por todos os lados. Além de uma área social com sofás, poltronas e mesas para jogos. Era como um local planejado para um homem moderno escapar, um que pudesse pagar pelo melhor do conforto e mistério. Do lado esquerdo, monitores e painéis de interface digital.

— Por que você não me mostrou isso antes? — Alice beliscou Leonard.

— Queria surpreender as duas. — Ele sorriu quase travesso, mas definitivamente charmoso. — Darei acesso as duas, podem usar essa sala a vontade. O sofá se transforma em sofá cama e ali mais a frente temos até mesmo um espaço médico. O utilizei muito em minha juventude, hoje preciso de terapia para lidar com os negócios.

Corri em direção aos computadores, acionando-os com minha benção. Eu quase gemi de deleite com a velocidade do processador, os monitores exibindo basicamente tudo o que eu queria que fosse exibido.

— Mas tecnologia de rede sempre atraiu monstros. Como você lidou com isso? — Questionei sem desviar o olhar dos monitores. — Eu e Alice temos meio que permissão para isso, já que somos descendentes do deus criador de coisas.

— Na verdade, era bem complicado no passado. Ataques aconteciam periodicamente, por mais que usasse itens que suprimissem parte de minha energia, a tecnologia ao meu redor potencializava tudo novamente. Mas então uma empreendedora em Nova Roma criou alguns apetrechos que permitem o aviso da chegada de monstros. Espalheis sinalizadores da Pandevie pela região de maneira discreta, além de ter pessoalmente um anel chamado Alertat da F&G.

— Os deuses abençoem as mulheres romanas. — Alice comentou.

— Amém sis, amém.

O clima melhorou um pouco, o que permitiu que Alice brincasse comigo e distraísse a minha mente. Mas algo estava me incomodando, não relacionado a Camila, apesar disso abalar facilmente o meu humor. Encarei a tela por um longo tempo, enquanto o filho de Athena e o legado de Hefesto discutiam algumas expectativas que tinham para os próximos passos do projeto.

— Leo... Você colocou os sinalizadores em que região mesmo? — Indaguei incerta.

— Pelos limites da propriedade, mas em pontos estratégicos ao redor do próprio prédio. — Griffin explicou, levantando para ficar do meu lado.

— Isso incluiu o telhado?

O silêncio vindo do empresário me fez prender a respiração. Tentei encontrar câmeras do próprio prédio que tivessem uma boa visão do telhado, mas todas eram bastante limitadas as entradas específicas a cobertura. Resmunguei baixo, ativando o bracelete em meu braço para que se transformasse em um dispositivo avançado.

— Uou! Desde quando você tem isso?! — Alice pulou do meu lado.

— Explico depois, estou acessando as câmeras dos prédios vizinhos e da rua. Se eu não tomar cuidado a polícia pode acabar rastreando meu sinal e vindo parar aqui. Tudo o que eu quero é um ângulo da empresa pelo alto e... Oh merda.

Pela câmera de segurança de um dos prédios vizinhos, que possuía seis andares, era possível ver a aproximação de uma criatura enorme e alada, com asas de morcego e pele tão escura que ficava camuflada com a escuridão da noite.

— É uma fúria?! — Leonard inclinou para os monitores incerto.

— Fúria? Uma Erínia? Mas elas não são criaturas do submundo?! — Era impossível esconder a minha surpresa.

— Seja o que for, está atacando as nossas antenas e equipamentos da cobertura!

— Eu deixei meu equipamento no banheiro enquanto me lembrava como ser humana novamente. Eu preciso ir pegá-los! — Disse com urgência.

— Eu verificarei quem ainda está no prédio e dar um jeito de não subirem para o último andar. Leo, você cuida daquela moça ali, use todo o seu charme!

A expressão do filho de Athena seria digna de uma boa gargalhada se não fosse o teor da situação. Nós fomos para o elevador e lá dentro o empresário deu lugar a um guerreiro grego, ativando o relógio em seu pulso que se transformou em braceletes de bronze celestial. A caneta de bolso assumiu a clássica aparência de uma espada, sendo algo até clichê para o nosso mundo. Eu parei no terceiro andar, enquanto os outros dois continuaram para iniciarem as funções designadas.

Entrar no banheiro as pressas quase me fez cair ao escorregar pelo piso liso, mas felizmente a minha mochila ainda estava ali. A joguei sobre os meus ombros, enquanto saia do recinto com a mesma pressa com a qual tinha chegado. Correr em direção ao elevador provou ser uma péssima ideia, não por causa de alguma desventura que pudesse ocorrer pelo caminho, mas sim por aquela caixa se mostrar malditamente transparente. O lugar já estava em uso, e quem estava ali dentro era Camila e o rapaz que eu não tinha apreciado durante a reunião. Eles estavam próximos um do outro, invadindo o espaço pessoal a ponto de deixar interpretações erradas da situação. Ou corretas já que Camila estava encarando o rapaz sem afastá-lo. Engoli em seco, paralisada no lugar e sentindo o mundo cair quando a latina percebeu minha presença, como se o meu olhar tivesse algum tipo de peso sobre a consciência dela. A latina sorriu brevemente, ficando na ponta dos pés enquanto a caixa tecnológica descia, sem me permitir ver onde tinha sido o beijo. Oh sim, eu acreditava que aquele aproximar foi justamente para aplicar um beijo no homem.

Maldita latina vingativa!

Sem ter tempo para absorver o impacto daquilo, tive de usar as escadas. Pela primeira vez, estava agradecendo por ter um monstro por perto, pois assim eu podia concentrar toda a minha mente em um problema real e físico. Forcei minhas pernas a serem rápidas, subindo quatro lances de escada com a bravura que alguém sedentário poderia ter. Ao finalmente alcançar o terraço do prédio, eu escutei o som de batalha. Berros eram lançados, barulhos esquisitos surgiam aqui e ali, até minha visão finalmente encontrar com Leonard tentando atingir a Fúria que voava dois metros acima de si.

— Semideus maldito! Você provocou esse ruído! Você infernizou a minha vida! — A mulher do inferno gritava em uma ira sem precedentes. — Pagará por todo o sofrimento que me causou!

Aquele era o dia mundial de mulheres enfurecidas? Aproximei com cuidado, observando Leonard pular para o lado e rolar no chão evitando que as garras da fúria atingissem seu corpo. Ele logo saltou para ficar de pé, retornando a postura defensiva.

— Eu não sei do que está falando, mas você não pode danificar a minha propriedade!

— POR ISSO É SUA CULPA! FOI VOCÊ QUEM COMEÇOU! EU VOU DEVORAR VOCÊ.

Minha mente deu um estalo, finalmente começando a compreender a situação. Leonard tinha comentado na reunião sobre a instalação de uma nova rede que aumentaria a velocidade de conexão. De alguma forma, os monstros eram sensíveis aos equipamentos que emitiam qualquer tipo de onda. Era uma das teorias que justificavam o fato deles conseguirem rastrear semideuses através da tecnologia. A lembrança das imagens do monitor vislumbradas momentos antes também me conduziram até uma antena que estava sendo atacada anteriormente. Bingo! Aquele era o dispositivo que conectava a rede da empresa com os satélites.

Leonard ainda lutava, gemendo de dor quando foi atingido. Isso foi o suficiente para apressar meus movimentos. Tirei de dentro de minha mochila a lapiseira mágica, também chamada de constrói tudo. Com ela, abri a caixa de proteção que mantinha o dispositivo interno em segurança. Usando isso, puxei a interface de metal para que pudesse ter acesso aos fios e aos itens internos. Conectei meu bracelete com o dispositivo, alterando o algoritmo enquanto movia os fios de maneira mais calma possível, afinal poderia levar um choque ou queimar tudo. Depois de refazer as conexões e reescrever os códigos de programação, ativei o novo sinal e levantei de maneira tão rápida que quase tropecei nos meus próprios pés.

— Já resolvi! Já resolvi! — Gritei como se tivesse marcado um ponto em um jogo. Mas eles estavam tão entretidos na batalha que não pareceram me notar. Revirei os olhos, filhos da guerra ainda eram amantes de combate. Aproximei dos dois e invoquei uma prisão de correntes contra a Fúria assim que ela ficou próxima do chão, assim como levitei a espada de Leonard para que ele não finalizasse o monstro rendido. — Senhora! Eu resolvi o incomodo, as ondas ainda afetam você?

— Que insolência me prender! Você arderá no fogo do... Espera, realmente parou. — A Erínia finalmente pareceu notar a mudança no ar, respirando fundo diversas vezes até assumir a forma de uma mulher, provavelmente manipulando a névoa para mudar o aspecto monstruoso para algo mais humano. — Eu ainda vou devorar vocês! Tinha trabalho para fazer e não consegui por causa dessa estúpida dor de cabeça. O que Hades irá dizer de mim?!

— Culpe-nos, mas deixaremos o lance devorar para a próxima rodada ok? — Negociei.

— Nós podemos simplesmente derrota-la... — Leonard argumentou.

— Uma morte desnecessária é apenas isso, desnecessária! — Olhei um tanto brava para o meu novo chefe. — Podemos resolver essa questão, viver mais um dia, morrer por algo estúpido depois. O que acha disso?

Cruzei os braços e a mulher monstro apenas revirou os olhos. Aquilo foi o sinal que eu precisava para desfazer a corrente que a aprisionava. Ingenuidade acreditar em um monstro? Talvez. Mas aquela era uma das criaturas com inteligência do submundo e, até onde eu sabia, era ela e as irmãs que puniam os injustos e pecadores. Sem se despedir ou falar algo a mais, a Fúria simplesmente correu para a beirada do prédio e saltou. Por impulso, eu e Leonard fomos até a beirada para encontrar nada de diferente. Ela tinha desaparecido.

— Ela pode voltar para nos atacar — Alertou o filho de Athena.

— Assim como qualquer outro monstro. Colocarei autômatos por aqui para nos avisar e ser a primeira defesa. — Comentei passando a mão no meu rosto. — Posso usar a sua caverna? Eu não tenho forças para retornar ao acampamento. Posso começar o projeto de defesa assim que acordar também, vai ser uma boa forma de não pensar em mulheres furiosas por um tempo.

Leonard concordou com um certo olhar de solidariedade. Devolvi a espada do garoto, que logo transformou-se em uma caneta de bolso.

Sugestão e Considerações:
Com essa parte, eu queria solicitar a permissão de criar a Griffin Enterprises no mundo humano, pois é um tópico onde vou postar constantemente no futuro e convidar outras pessoas a postarem lá. Futuramente, pretendo usar o andar subterrâneo para fazer uma forja particular no mundo humano, podendo assim atender pessoas que estejam fora do acampamento. Caso desejarem, posso mandar previamente a descrição do local.

Periodicamente estarei postando missões para impedir o ataque de monstros. Coloquei itens que são vendidos em lojas de Nova Roma que protegem tanto o NPC dono do lugar, como alertas no perímetro do local. Isso não impede que o local seja ameaçado, apenas diminui a frequência de ocorrência disso. O prédio é formado basicamente por humanos, salvo Leonard que é filho de Athena, Alice que é bisneta de Hefesto e uma futura assistente que será uma ninfa.
Itens usados:
• Personal [Um bracelete que deve ser usado no pulso, com design que remete ao estilo sci-fi. É na verdade um dispositivo, com processador avançado e placa-mãe personalizada. Funciona como um computador, exibindo um display holográfico. Graças a benção de tecnologia, Alexandra não precisa de muitos toques sobre o item, sendo ligado perfeitamente ao pensamento e desejo da filha de Vulcano. | Efeito de ligação: retorna a dona quando perdido ou roubado | Efeito 1: Possui o elemento luz, usado para a projeção dos hologramas | Bônus de forja: +15% de dano; bônus de FPA: +30 de dano | Vibranium | Super Alfa | Espaço para 1 gema | Status 100% | Mágico | Forjado por Nikolaev]

• Constrói tudo [Inicialmente esse item é apenas uma lapiseira simples de desenho, contudo para o forjador pode virar muito mais. | Efeito 1: A lapiseira pode se transformar em qualquer item utilizado para ajustes, desde afiadores, chaves, polidores, marcadores, tesouras e qualquer coisa que sirva para realizar e ajustar detalhes em suas criações, as deixando ainda mais perfeitas. Efeito 2: Esse item ajuda e auxilia a encontrar erros e ajustar os detalhes mais complicados e minuciosos. | Hefestiana | Sem espaço para gemas. | Alfa | Status 100%, sem danos. | Mágico. | Sistema de medalhas]
Poderes:
Passivos:
Nome do poder: Reparos Rápidos
Descrição: Filhos de Hefesto/Vulcano conseguem consertar aparatos mecânicos rapidamente, gastando metade do tempo que uma pessoa comum levaria para tal.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Conseguem concertar qualquer coisa em apenas dois turnos.
Dano: Nenhum

Nível 3
Nome do poder: Tecnopatia
Descrição: É a capacidade de se comunicar e entender qualquer tipo de mecanismo, ou seja, filhos de Hefesto/Vulcano, podem se comunicar e entender as maquinas.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum

Nível 4
Nome do poder: Pensamentos Velozes
Descrição: Os filhos de Hefesto/Vulcano possuem uma capacidade de analisarem rapidamente a situação em que se encontram e criarem uma estratégia param se safarem dela.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Ganham um turno para conseguirem agilizar mecanismos e armadilhas, e assim, criarem algo para ganhar vantagem perante a batalha.
Dano: Nenhum

Nível 5
Nome do poder: Programar
Descrição: Além de criar os mecanismos você sabe bem como programa-los para que ajam de acordo com o planejado. Vale para autômatos, armadilhas com tempo de ativação e etc, conhecendo inclusive diversos softwares e sua linguagem.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Isso permite criar mecanismos mais fortes e mais elaborados. Autômatos feitos pelos filhos de Hefesto/Vulcano, tem uma média de falha menor.
Dano: Nenhum



]Nível 8
Nome do poder: Receptor de Frequência
Descrição: Consegue interceptar ondas transmissoras, por exemplo, de celulares, rádios ou comunicadores. Isto permite bloquear comunicações ou mudar as rotas das ondas para que sejam transmitidas em outros lugares que não os intencionados. Tal capacidade também pode ser usada para que os filhos de Hefesto não sejam rastreados por monstros quando tentarem realizar ligações ou usar a internet.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum

Nível 9
Nome do poder: Sensibilidade Mecânica
Descrição: O filho de Hefesto/Vulcano  pode detectar falhas em minérios de metal e identificar o tipo de maquinaria e uso por toque.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Sempre saberá o que está errado e como concertar
Dano: Nenhum

Nível 11
Nome do poder: Respiração forte
Descrição: Você se acostumou com fuligem e ar carregado. Ar rarefeito e toxinas que agem por meio respiratório já não lhe afetam como a maioria, bem como lugares fechados e variação de pressão – Hefesto/Vulcano vive dentro de um vulcão, e como filho dele você tem a mesma resistência.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Consegue respirar normalmente em lugares carregados, e não ficam tão cansados durante a batalha. Poderes relacionados a respiração, ar, e asfixia são 50% menos efetivos contra você.
Dano: Nenhum

Nível 14
Nome do poder: Forjador III
Descrição: Agora você entende de mecanismos complexos e avançados, podendo fabrica-los com uma facilidade e maestria inexistente em qualquer outro semideus. Suas armas são mais fortes do que as armas de qualquer outro forjador, e agora que entende isso, você simplesmente se torna o destaque do momento.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +25% de resistência e +20% de força em armas fabricadas pelo semideus. Além disso, as gemas nas mãos dos filhos de Hefesto não precisam ser reforjadas, ele encaixa sem precisar modelar a arma, e a deixa tão perfeita quanto. É algo extremamente natural. (Armas Betas podem virar alfas, mas nunca alfa prime, o status da arma (Alfa, beta, ou sigma, sempre subira um nível acima do atual, não mais que um).
Dano: +15% de dano as armas fabricadas pelo semideus de Vulcano/Hefesto.

Nível 15
Nome do poder: Geek
Descrição: Sua familiaridade com máquinas o torna apto a usar qualquer tipo de tecnologia e aprimorá-la, futuramente, em seus projetos. Além disso, não atrai monstros ao utilizar aparelhos mecânicos/ tecnológicos, como celulares e afins.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum

Nível 19
Nome do poder: Força de Vontade
Descrição: Os filhos de Hefesto/Vulcano são considerados semideuses voláteis e extremamente teimosos. Com isso, caso o HP deles seja zerado, uma vez por missão ou evento, conseguirão recuperar uma parte de seu HP, a fim de continuarem vivos. (Essa habilidade só pode ser usada uma vez por missão ou evento).
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Recupera +30 HP
Dano: Nenhum

Nível 25
Nome do poder: Detalhistas
Descrição: Meus filhos são acostumados a lidar com engenhocas e peças, reparando em pequenos detalhes, por isso é mais difícil esconder algo deles - são observadores atentos. Isso permite que encontrem coisas com mais facilidade, descubram segredos, e coisas ocultas – como o Bunker na floresta quando Leo Valdez seguiu a trilha deixada pelo dragão – esconderijos, e outras coisas.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Ganham vantagem em encontrar pistas, e achar rastros.
Dano: Nenhum

Nível 50
Nome do poder: Visão Espacial
Descrição: Filhos de Hefesto/Vulcano são especialistas na montagem de coisas, portanto, possuem a visão lógica e espacial mais desenvolvida que outros semideuses sabem em que lugar colocar uma peça intuitivamente, e qual será o efeito, seja para consertar ou destruir um aparato mecânico-tecnológico. Esta noção espacial pode ser utilizada em outras situações quando chega a tal ponto de aprimoramento, podendo usá-la agora para descobrir a exatidão de distâncias e medidas utilizando somente o olhar. Podendo calcular distâncias entre corpos somente com uma rápida olhada.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Ao observarem o ambiente ao redor e conhecerem o campo, entenderem como funcionam, ganham uma vantagem de campo de +20%, seus atributos de velocidade, resistência, e esquiva serão melhorados em +10%, lhe dando uma vantagem diferente.
Dano: Nenhum
Ativos:
Nível 18
Nome do poder: Prisioneiro II
Descrição: Agora o semideus consegue fazer essas correntes crescerem e se fortalecerem um pouco mais, já não são feitas de metal, e sim de bronze celestial, e prendem o inimigo dos pés, até os ombros, se enrolando em seu corpo a ponto de derruba-lo no chão, o período de tempo que as correntes o envolvem também aumentou.
Gasto de Mp: 40 MP
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum
Extra: Dura dois turnos

Nível 15
Nome do poder: Magnetismo II
Descrição: É a habilidade que permite aos filhos de Hefesto/Vulcano, controlarem o magnetismo. Já consegue manipular objetos de porte médio, podendo faze-los se voltar contra os inimigos que os lançaram em sua direção, ou manipula-los para se voltar contra os mesmos.  Pode desviar e controlar tais objetos.
Gasto de Mp: 30 MP por turno ativo
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum
Extra: Funciona com objetos de porte médio, máximo de 70 kg. O dano será a critério do narrador, e da forma com que o poder foi utilizado.
Habilidades UNR:
3º Semestre
Nome do poder: Comunicação com Máquinas
Descrição: O semideus aprende a usar a sua energia para, através do toque, escanear uma máquina e compreender as mensagens que ela pode passar. A máquina não “fala” de fato, mas transmite mensagens que o estudante é capaz de compreender.
Gasto de Mp: 30 MP
Bônus: Nenhum

5º Semestre
Nome do poder: Programador
Descrição: O semideus aprende a falar a mesma linguagem que as máquinas e computadores - seja essa linguagem C, C+, Java, PHP, etc. Dessa forma, ele pode desenvolver um algoritmo para programar alguma de suas criações a fazer algo.
Gasto de Mp: Nenhum
Bônus: Nenhum

7º Semestre
Nome do poder: Restaurador
Descrição: O estudante desta área concorda que máquinas são mais simples que seres humanos: se estragam, há uma solução ao alcance de suas mãos. Então, assim como o semideus pode criar, ele também pode restaurar alguma máquina que tenha sido estragada, aprimorando sua funcionalidade ao substituir peças e restaurar o aparelho.
Gasto de Mp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Kyra


Alexandra Nikolaev
Alexandra Nikolaev
IV Coorte
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Nykos {Trama Pessoal} Empty Re: Nykos {Trama Pessoal}

Mensagem por Cupido em Sex Set 28, 2018 3:38 pm


Alexandra Nikolaev

Método de avaliação:

Recompensa máxima: 20.000 XP e 20.000 Dracmas.

Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%


Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 19%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

Recompensas: 25.740 XP + 29.700 Dracmas
Status: - 70 MP

comentários:
Você tem uma mente fértil, moça. Fico chocado com as ideias que você desenvolve, e me dá muito gosto de lê-las. Pelo ótimo desempenho, então, você recebeu quase a recompensa máxima e a permissão de criar o tópico da Griffin Enterprises no mundo humano.

Sabia que o desconto na escrita se deu por alguns erros como pânica, quando pânico era o correto, "As pessoas que andavam de um lado para o outro era uma mescla de esquisitos com roupas que não combinavam de forma alguma, com aqueles que estavam no traje social dos pés à cabeça.", errando na concordância do verbo destacado com o sujeito, e outros errinhos simples assim. Eles não atrapalharam a leitura, mas estiveram presente ao longo do texto.

No mais, meu bem, só tenho a te parabenizar! Estou ansioso para o que vem por aí.

Atualizado!
Cupido
Cupido
Deuses Menores
Deuses Menores


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Mensagem por Alexandra Nikolaev em Qua Jun 05, 2019 12:53 pm

Snowflake
Fallen Snow


Informações iniciais
• Link onde Lexi mostra a Alex sobre a mãe: aqui
• Conversa de Éter com Alexandra: aqui

Ter um escritório particular na Griffin Enterprise era apenas uma demonstração física da minha atual relação com a empresa. Leonard Griffin tinha se tornado meu sócio, aliando a sua capacidade de empreendedorismo e sua inteligência característica de filho de Athena; com minha habilidade criativa de criação. Ele ainda possuía a maior parte das ações da empresa e, formalmente, eu possuía apenas uma pequena influência entre os associados. Mas diferente dos outros que visavam apenas o lucro, eu trabalhava diretamente com os funcionários.

Meu escritório tinha uma bela vista da cidade, localizado no último andar. Não era o maior, esse pertenceria sempre ao Leonard como o símbolo de autoridade. Porém, era aconchegante, com uma mesa tecnológica adaptada por mim. A lateral de uma das paredes era feita puramente de vidro, como uma enorme janela para o mundo. Eu estava ali, parada a poucos centímetros daquele material transparente, olhando para o céu azulado sem esconder o sentimento de melancolia.

Uma semana tinha passado desde a minha queda. A perca de minhas asas de uma maneira distante da metafórica. Levaria um tempo para me acostumar com a sensação de não ter mais a luz e o ar como aliados, da leveza que sentia ao caminhar sendo protegida por uma entidade primordial.

Como se percebesse o meu momento de solidão, braços calorosos envolveram meu corpo. Não era uma ação que provocou susto ou suspeitas, pois eu tinha sentido o cheiro dela antes mesmo de senti-la próxima de mim. Camila Guerrero, minha namorada e funcionária da empresa, me abraçava de maneira firme, mas carinhosa. Ela sabia parcialmente sobre a minha vida como semideusa, tendo testemunhado um momento de risco de vida em primeira mão. Com tantas coisas a serem explicadas, Camila não compreendia a extensão daquela realidade ainda, apesar de começar a perceber as coisas através da névoa. Afinal, o poder maior da camada protetora entre os mundos era o de provocar ilusão, um disfarce que programava a mente para produzir uma resposta lógica para as coisas extraordinárias que acontecia. Sabendo a verdade, a mente dela começava a se adaptar a nova percepção de mundo.

Você está suspirando novamente. — Camila murmurou ao pé de meu ouvido, inevitavelmente fazendo com que um suspiro escapasse de meus lábios. — Estou dando o tempo que você precisa, cariño, mas já faz uma semana. Estou preocupada...

Mordisquei o lábio inferior, permanecendo nos braços dela por quase um minuto inteiro antes de me afastar. Camila merecia uma resposta para o que estava acontecendo, sendo ela quem estava cuidando diretamente de mim. Alice e Leonard estavam ocupados em projetos, sendo que ainda não tinha anunciado a eles ainda a minha saída dos celestiais. Ao contrário de minha amada latina, que tinha me encontrado em sua cama machucada e aos prantos, depois de cair da ilha flutuante.

Lembra quando eu expliquei sobre os deuses? — Comecei um tanto incerta de como explicar as coisas para a morena. — Eles não são tão presentes em nossa vida, eu só encontrei meu pai uma única vez, antes de entrar em uma missão perigosa para resgatar outros meios-sangues.

Camila concordou com um breve acenar de cabeça. Ela encostou sobre a minha mesa, o olhar escuro atento a mim, enquanto eu estava atenta a ela. Mesmo com todo o conflito e momento delicado, minha mente jamais deixaria de pontuar o quanto aquela mulher era linda. Cinco anos mais velha, um palmo mais alta do que eu, cheia de curvas e tatuagens. Camila Guerrero era uma latina criada ao máximo em sua cultura, o que acrescentava a característica passional tão comum dessa comunidade. O cabelo escuro estava preso em duas partes, caindo sobre o ombro enquanto um chapéu fofo estava no topo de sua cabeça. O jeito com que ela se vestia era sempre um reflexo de seu humor e, naquele dia, Camila estava adorável e meiga com um macacão escuro.

Ale! — Ela chamou minha atenção.

Não é minha culpa. — Pontuei dando de ombros. — Você me distrai naturalmente, não vou pedir desculpas por causa disso.

Oh eu bem sei como você vem se distraindo comigo.

Camila!

Mas não é o tópico do momento, você estava explicando sobre os deuses.

Sim, sim. De maneira resumida, alguns deles não tem filhos e preferem cuidar de um grupo seletivo de indivíduos. É um compromisso ainda maior do que ser filho de uma entidade, pois foi uma escolha sua. — Aproximei dela, apenas porque era atraída pela sua presença. — Alguns são até populares, como as Caçadoras de Ártemis e Feiticeiras de Circe.

Ártemis como a deusa da lua?

Não me surpreendia Camila reconhecer tão facilmente alguns deuses. Popularmente, muitos deuses ainda eram referenciados, principalmente os doze olimpianos.

Sim. Esse é o nome grego dela. Eu fazia parte de um grupo até... Bem, uma semana atrás. Um bem seletivo, com um senhor misterioso e um tanto ausente, mas que tinha um ideal do qual eu pude me encaixar por um tempo. Até não conseguir mais associar minha vida pessoal com a deles.

Assisti a compreensão começando a se formar no olhar de Camila. Nos últimos tempos minhas mudanças de humor atingiram as pessoas mais próximas. Reclusa, irritadiça, insegura, um pequeno monstro controlador. Soltei a respiração de maneira pesada, sabendo que não precisaria entrar em tantos detalhes para explicar as coisas para ela.

Eu tive de fazer uma escolha, pois se não o fizesse todos sairiam machucados. Eu escolhi essa vida, perdendo minhas asas e minhas habilidades dadas por ele. Eu escolhi você e uma chance de relacionamento com uma dosagem mínima de normalidade.

Ale...

Eu não deixaria você novamente Camila. — A interrompi de maneira firme, segurando as mãos dela como uma forma de enfatizar o que estava dizendo. — Você não foi o motivo principal, mas não deixou de ser um. Eu fiz isso também por mim, pelo que eu vejo em meu futuro. — Meus ombros ficaram levemente tensos, preparando meu emocional para o que viria a explicar depois. — Mas Éter exigiu algo em troca, algo que eu não estou sabendo lidar muito bem. E sim, você pode saber o que é.

A soltei apenas para poder acionar a minha mesa. Ela era digital e tecnológica, com uma interface avançada que permitia que imagens fossem expostas em sua superfície. Sobre o vidro coberto pela película que permitia tamanha façanha, apareceu a imagem de uma mulher. Era uma foto preto e branco de uma jovem garota de cabelos curtos e, para a época, trajando uma blusa um tanto ousada. A única imagem que eu tinha encontrado na rede, um dos poucos registros de que Katerina Nikolaev existia. As semelhanças entre nós duas eram poucas, talvez um pouco do maxilar definido, os lábios cheios e os olhos claros. Mas isso era tudo o que eu conseguia pontuar como similar entre nós duas.

Essa é Katerina Nikolaev, minha mãe. — O meu tom se tornou um tanto distante e frio, exatamente como eu sentia que era a nossa relação. — Eu mal possuo lembranças dela, se for ser sincera. Apenas de uma mulher que enfrentava um mundo hostil com uma determinação de ferro. — Meus avôs eram russos tradicionais e ortodoxos. Meu avô veio com o intuito de crescer economicamente mesmo que em um país inimigo, já que a realidade no grande país gélido era dura e cruel com os menos afortunados. — Com toda a angústia gerada por meu comportamento estranho, minha mãe fez a saga para descobrir qual era o meu problema. Lexi protegeu a minha versão mais frágil, Alex, fazendo com que eu esquecesse o dia em que Katerina nos abandonou. Meus avôs nãos sabiam lidar comigo, então me internaram em um instituto psiquiátrico. Por sorte, foi a melhor coisa que poderia acontecer, pois foi lá que encontrei um legionário e fui levada ao acampamento. Desde então fui para Nova Roma e não mais sai de lá. Aos 14 anos lembro de tentar retornar ao hospital psiquiátrico para averiguar se minha mãe tinha se preocupado. Como Alex, obviamente. Lexi jamais faria algo desse tipo. Mas qual foi minha surpresa ao descobrir que ela nunca tinha ido me visitar?

O estremecer foi tão evidente que Camila repousou a mão em meu braço. Algo que foi apreciado, já que palavras não aliviariam a verdade de que Katerina tinha me abandonado. Lembro-me da decepção e do sentimento de solidão, acompanhado intimamente da ideia de que tinha sido rejeitada. Naquela época tinha culpado Lexi por ser uma “má garota” e que, por isso, nossa mãe não nos queria mais.

Com o tempo a dor foi diminuindo, até eu praticamente esquecer dessa parte de minha vida. — Balancei a mão fazendo com que a imagem sobre a mesa se tornasse um documento. — Quando Éter me pediu para encontrar minha mãe, eu não sabia que era algo tão sério. Esse é o único documento que encontrei dela, fora os mais comuns. O único registro significante de Katerina Nikolaev, formada em engenharia elétrica pela MIT.

A falta de informação era tão frustrante que um resmungo escapou de meus lábios quando “desliguei” a mesa. Os braços cruzados não escondiam o incomodo que eu sentia, assim como o conflito poderia ser enxergado em meus olhos. Eu não queria saber o que tinha acontecido com ela, ao mesmo tempo em que uma parte de mim implorava por mais informações. Sabendo agora como o mundo funcionava, de como era misteriosamente perigoso, temia que algo tivesse acontecido com ela. Assim como temia que nada tivesse acontecido e ela tivesse realmente ignorado a minha existência. Mas, ao mesmo tempo, se algo realmente aconteceu e eu a deixei em perigo esse tempo todo por ignorá-la?

Só resta uma saída para isso, Ale. Vamos agendar algum compromisso com a MIT e ter mais informações. Ficar paradas aqui não vai nos levar nenhum além de provocar essa nuvem negra que está sobre sua cabeça. — Camila falou calmamente.

Eu escutei o plural na sua frase?.

Você não vai sozinha nessa, é apenas uma visita para MIT. Não estou pedindo por sua permissão também, cariño.

Eu não tinha fé de que era possível amar alguém ainda mais do que eu amava Camila Guerrero. Mas essa mesma pessoa me provava que eu estava errada em uma coisa tão fundamental e emocional. Meu sorriso foi crescente, até estar de frente para a latina, envolvendo os meus braços ao redor de seu pescoço. O olhar dela se tornou estreito e desconfiado, o que fez com que meu sorriso se tornasse completo. Mas eu não precisei de palavras para me expressar, apenas de um longo e carinhoso beijo, já que era dessa forma que eu tentava demonstrar o quanto ela tinha sido incrível naquele momento.



「•••」


Dois dias depois

Era em momentos como esse que eu percebia o quanto Odyssey, meu jogo de realidade virtual, tinha impactado a sociedade científica. Bastou uma ligação de Leonard informando meu interesse de visitar uma das principais universidades americanas, com o pretexto de querer assistir a uma palestra de ciência quântica, que tudo foi resolvido em uma velocidade surpreendente.

A plataforma de jogo Nykos era algo criado exclusivamente para funcionar Odyssey, já que o game exigia uma performance imersiva em uma realidade criada não apenas por mim, mas por todos os cientistas que foram contratados. Parte do design fora responsabilidade de Camila Guerreiro, engenheira de software e com diversas capacidades em design digital. A “fórmula” era secreta, o dispositivo poderia ser investigado por todas as universidades do mundo, mas a criptografia tinha sido criada exclusivamente por mim e monitorada por um algoritmo que assustaria qualquer hacker profissional.

Era motivo suficiente para que eu estivesse em Massachusetts com roupas despojadas e até mesmo folgadas, usando um boné do MIT e tomando um copo enorme de achocolatado. Ao meu lado Camila permanecia simplesmente linda, usando uma calça jeans, blusa branca e uma camisa xadrez amarrada na cintura. Era um disfarce, já que não queríamos realmente chamar a atenção antes do necessário.

Você fica reclusa ao ponto de não saber o quanto é popular na comunidade. — Camila comentou em tom risonho, enquanto entravamos o prédio de ciências.

É difícil de acreditar as vezes, apesar de ter feito isso tudo de maneira consciente e com um propósito em mente. — Admiti, terminando de beber o conteúdo dentro do copo descartável. — Alex provavelmente estaria dentro de uma caverna pelo resto da vida se soubesse que é tão popular.

Camila riu divertida, tendo acostumado com minhas brincadeiras sobre minhas antigas personalidades. Era uma forma de neutralizar algo que era tão difícil de assimilar. Ao chegarmos na recepção, Camila tomou a frente e perguntou da palestra a qual iriamos assistir. Algo que eu faria questão, já que o assunto me atraia e precisava admitir, pouco sabia. Tinha noção de que para lidar com o banco de dados tão massivo que uma realidade virtual exigia, conceitos da ciência quântica tinham sido aplicados. Mas essa era uma das inúmeras coisas que os humanos tinham se apropriado para acompanhar a genialidade mística que eu possuía.

A sala era em formato de auditório, no centro um palco grande e com uma tela enorme ao fundo. Sentamos em uma ponta ao centro, para caso fosse preciso uma saída rápida. Uma de minhas manias desde que tinha descoberto ser uma meio-sangue: sempre tenha uma rota de fuga planejada.

Mike já está mandando mensagem. — Camila alertou, com o smartphone em mãos.

Diga apenas que já estamos aqui dentro. Queria realmente prestar atenção. Vamos investigar as coisas apenas depois.

Para uma pessoa cheia de poderes, você com certeza tem uma habilidade formidável de esquivar do problema. — Apesar do tom de descaso, a latina estava me alfinetando sem piedade.

Sem defesas para isso, mas... Ok, me dê seu celular.

Com uma sobrancelha arqueada em tom de aviso, Camila rendeu o celular a mim. Deixei um som baixo e risonho escapar de minha garganta, sabendo que aquele aparelho era um dos itens mais pessoais e preciosos de alguém. Porém era mais seguro usar o dela do que meu bracelete tecnológico. Abri a interface e logo jogava com os códigos de programação para deixar o celular sem formas de rastreio, antes de invadir a rede da universidade. Estando tão próxima da fonte, quebrar as defesas se tornava algo mais fácil pelo alcance de sinal. Apenas para garantir que nenhum problema fosse provocado por aquela pequena invasão, não usei de técnicas comuns, mas sim de minha ligação especial com a tecnologia para criar uma busca sobre Katerina Nikolaev e tudo que pudesse estar correlacionado. Deixei o programa em uma janela alternativa, permitindo que Camila usasse o aparelho caso ela quisesse.

Pronto, se houver algo na rede, qualquer coisa, logo teremos um relatório disso. — Expliquei devolvendo o smartphone.

Você acabou de invadir o sistema da MIT?! — Camila falou em um tom extremamente baixo, mas agitado.

Dei de ombros como resposta, sorrindo de lado perante o semblante surpreso e incrédulo dela. Se ela ao menos soubesse o quanto estava acostumada a invadir redes ainda mais seguras. Hackear as informações da Seita sempre era mais complicado e perigoso, somado ao tom de urgência que tudo o que envolvia aquela organização provocava. Felizmente, o palestrante logo adentrou a sala e ao lado dele Mike Zimmer. Mike era um dos estagiários da Griffin Enterprises, sendo selecionado para intermediar aquele momento. Para Camila, era uma estratégia apenas para nos dar cobertura enquanto buscávamos por informações.

Sem tempo de nos encontrar para não atrasar a programação, o palestrante não teve alternativa além de iniciar. Mike parecia preocupado e tenso, o que me fez rir baixinho enquanto repousava a cabeça no ombro de Camila para assistir o conteúdo.

Física ou mecânica quântica era ainda um mistério para a modernidade, sendo aquela palestra uma forma apenas de definir, sem mitos ou achismos, o que tinha sido descoberto até aquele ano. Apesar de tudo, ainda era uma palestra básica e que durou apenas uma hora, mas que deixou a maioria dos estudantes sonolentos. No final, perguntas poderiam ser feitas e eu não hesitei em participar um pouco. Foi então que Mike tinha finalmente me encontrado e parecia tentar avisar o palestrante de todas as formas possíveis. Eu praticamente escutava os risos mal contidos de Camila ao meu lado.

Obrigado senhorita pela participação. Qual o seu nome e qual curso você faz? – Ele questionou educadamente.

Eu já sou formada, pode não parecer mais sou engenheira! Pode me chamar de Alex. — Respondi com naturalidade, sentindo os olhares pousando em mim, meu coração disparando momentaneamente ao notar que não haveria mais como esconder minha identidade. — Alexandra Nikolaev, ao seu dispor.

Como eu imaginava, a partir dali os murmúrios começaram. Camila levantou e fez um pequeno gesto para que eu a seguisse. As apresentações foram feitas e logo o palestrante dizia que tinha encerrado, mas absolutamente ninguém saiu do lugar. Sustentei aquele momento estranho por quase quinze minutos, fugindo de respostas das quais eu não poderia dar sendo a maioria feita pelo próprio palestrante.

Mike! Tenho certeza de que você pode passar nosso contato para o doutor. Agora, se me dão licença. Tenham um bom dia!

Segurando a mão de Camila, praticamente corri junto com ela para fora da sala. Alguns estudantes chamavam meu nome, mas eu os ignorei e continuei andando até encontrar uma porta. Destranquei a fechadura com o controle sobre o metal, entrando rapidamente no que parecia ser um laboratório vazio. Ao fechar a porta, eu escutei poucos segundos depois passos correndo do outro lado.

Eu não acredito que fugimos deles. — Camila riu baixinho.

Não é meu objetivo no momento, mas me lembre de agendar algo para compensar as expectativas que estraçalhei hoje. Agora vamos checar os eu celular.

Rapidamente a latina pegou o aparelho e ofereceu para mim, mas eu neguei. Com um mover de meu braço, o bracelete esticou e produziu um pequeno holograma. Movendo os dedos pelo teclado digital, acessei facilmente o celular da humana obtendo a pesquisa que foi feita durante a palestra.

Franzi o cenho enquanto via as informações flutuando. Não existia muito além da grade de notas excelentes e a publicação de um único trabalho sobre a criação de um dispositivo de monitoramento espacial.

OH MEU PAI! — Quase gritei quando finalmente vi algo inusitado e surpreendente.

Encontrou algo?!.

Sim, veja quem escreveu a publicação junto com Katerina! — Apontei para o topo do artigo que flutuava em sua forma holográfica. O semblante confuso de Camila apenas denunciava que ela não tinha pistas de porque aquele nome era tão importante. — Aprille Ericksson, engenheira aeroespacial, primeira mulher afro-americana a receber PhD em engenharia mecânica pela Howard! Ela trabalhava para a NASA e conheceu Katerina!

Alex, não vamos invadir a NASA, certo?

Há coisas piores a serem feitas, acredite em mim. Agora vamos sair daqui em um passe de mágica.

Literalmente mágica, pois bastou pronunciar o feitiço que abria um portal para que a fenda dimensional fosse aberta naquela sala vazia. Não sem antes desligar as câmeras de segurança da sala usando da tecnopatia, afinal todo cuidado era muito pouco em um ambiente lotado de criaturas geniais e nerds.


「•••」


Uma semana depois.

Dessa vez, um pouco mais de preparo foi necessário. Invadir a NASA era perigoso em vários sentidos, pois mesmo que eu tivesse tanto controle sobre a tecnologia, qualquer agulha fora do lugar deixaria a todos em estado de alerta. Por isso precisei pesquisar tudo o que era possível sobre Aprille. Professora na Howard e consultora de desenvolvimento para coisas aeroespaciais, a mulher possuía um histórico inspirador e épico. Alguém tão famosa e importante para os americanos se tornava também alguém difícil de ser abordada facilmente.

Uma estratégia foi criada, uma que Aprille não iria gostar e que iria me expor como alguém especial ou suspeita, a depender de como ela fosse encarar a situação. A ideia era simples: abordá-la em casa e fazê-la falar sobre minha mãe. Ela era a única pessoa que poderia saber da mulher que me trouxe ao mundo, já que meus avôs tinham falecido quando eu ainda era adolescente.

Você tem certeza de que quer ir comigo dessa vez? Há altas chances de sermos presas se tudo der errado. — Alertei em um tom sério.

Camila estava ao meu lado, encarando os grandes portões de metal que nos separava da propriedade Ericksson. Esse era um dos raros dias em que a engenheira estava naquela casa, uma das três que possuía pelo país. Não era uma mansão, apenas uma residência modesta e com uma área espaçosa.

E perder a diversão? Cariño, eu não perderia isso por nada nesse mundo..

Aquela mulher era louca ou corajosa demais. Talvez os dois. Mas era a mulher que eu amava cada vez mais por me dar suporte em algo possivelmente ilegal. Soltei um suspiro e toquei no portal, destravando o sistema de segurança apenas ao desejar que isso acontecesse. Empurrei o portão, o abrindo e seguindo calmamente pelo caminho de pedra que levava até a varanda. Nós nem ao menos precisamos subir os pequenos degraus que nos daria acesso a porta de entrada, esta foi aberta bruscamente exibindo uma mulher já de idade, com uma mão nas costas e um semblante nada amigável.

Quem são vocês? Como invadiram minha casa?! — Ela exigiu saber em tom agressivo.

— [color:1d6b=#white]Não viemos causar nenhum mal, apenas conversar. — Camila explicou evidentemente tensa.

Você conheceu alguém importante para mim, queria apenas saber se você tem informações sobre...

Eu não sei de quem vocês estão atrás, mas buscaram a pessoa errada da maneira errada! Saiam daqui antes que eu chame os federais!

Tenho certeza de que os federais iriam também checar o que tem no subterrâneo daqui para ver se tudo está inteiro.

Talvez aquela afirmativa tivesse sido feita no momento mais errado, já que no momento seguinte Aprille movia a mão que estava atrás de seu corpo sacando uma pistola. Camila ficou tensa e se aproximou de mim, uma ação que quase teria me feito rir já que aquela era uma arma metálica e eu jamais deixaria que a trava de segurança descesse. Como filha de Vulcano, eu sentia o metal e a tecnologia, sendo esta a única razão por ter notado de maneira tão intensa que algo grande estava abaixo de meus pés. Pela reação da engenheira, essa era uma informação que o governo não conhecia. Ela estava prestes a protestar e ameaçar novamente, quando dei um passo para frente tentando sustentar um tom calmo.

Tudo o que eu quero saber é sobre Katerina Nikolaev. — A reação dela foi imediata, o ombro tenso, o aperto nos lábios e o semblante mais alarmado ainda. — Ela é minha mãe.

A informação pareceu finalmente desconcertar a engenheira armada. Ela franziu o cenho, me encarando dos pés a cabeça enquanto me mantinha imóvel e com as mãos erguidas.

Pequena Alex? — Aprille finalmente vacilou no aperto da arma.

Você terá de me desculpar por não lembrar de você, provavelmente eu era muito pequena. — Cheguei a brincar, mesmo que um tanto nervosa por estar caminhando para as respostas que eu tanto temia. — Podemos conversar? Sinto muito por ter entrado dessa forma, mas você é você, uma mulher importante e ocupada. Eu só preciso de algumas respostas.

Aprille olhou de mim para Camila, repousando os olhos na latina por mais tempo até que eu a apresentei como uma pessoa importante para mim. Apesar de saber que a mulher a minha frente era alguém admirável e brilhante, eu não a conhecia para saber de seus preconceitos. Ou a falta deles. A engenheira abaixou a mão, soltando um longo suspiro antes de entrar em casa, deixando a porta aberta. O suspiro de Camila foi audível o suficiente para que eu o escutasse, mas ela não tardou a estar ao meu lado, esperando que eu entrasse para depois me acompanhar.

A residência era ainda mais modesta em seu interior. O que me surpreendeu, considerando todo o prestígio que aquela mulher tinha. Certamente que a NASA oferecia dinheiro o suficiente para se ter determinado conforto. Aprille nos guiou até uma sala de estar com apenas dois sofás e uma poltrona. Ela sentou e manteve a arma em seu colo, fazendo-me morder o interior da bochecha ao pensar que eu poderia surpreendê-la em apenas atrair o item metálico em minha direção. Mas eu não queria assustá-la, intimidá-la ou alarmá-la.

De certo modo, eu sabia que esse dia chegaria. — Aprilla começou massageando a lateral esquerda da cabeça. — Que a pequena filha de Katerina Nikolaev apareceria em minha porta para me lembrar de minha maior missão.

Pelo seu tom e modo de expressar, algo de sério aconteceu. — Camila comentou desconfiada.

Sim, obviamente que sim. E se você for minimamente tão inteligente quanto sua mãe foi, eu sei que não precisarei enrolar ou que serei tratada como louca. Você sabe que é especial, certo?

Arqueei as sobrancelhas, incrédula como uma pergunta daquela poderia ter tantos significados. Especial no sentido de possuir algum transtorno dissociativo como os psiquiatras ditaram em minha infância? Ou especial por ser considerado um gênio de QI alto? Quem sabe especial por ser uma semideusa? Porém, todo a lógica indicava para a terceira opção, já que buscar por minha mãe tinha sido uma ordem dada por um deus primordial.

Meu corpo tensionou fazendo com que a mão de Camila fosse para meu joelho, acalmando quase que automaticamente a minha reação de pânico. Aquela mulher saber o que eu era indicava que minha mãe também sabia!

Até onde você sabe? — Perguntei com cuidado.

Sua mãe era diferente. Fria e distante socialmente, determinada e ambiciosa, mas diferente de qualquer outro humano. Ela nunca nomeou, nunca explicou, mas eu sabia e Katerina também percebeu quando eu descobri que ela era especial. Ainda mais quando você começou a apresentar os mesmos sinais ainda quando bebê.

A respiração travou em minha garganta. Aprille não sabia exatamente dos semideuses, mas sabia que algo existia nesse mundo para além do que os olhos poderiam ver. Ou ela enxergava através da névoa e apenas não sabia nomear? Apertei a mão de Camila sobre minha perna, sentindo que precisava segurar em algo para manter minha mente sã e longe da crise de ansiedade que rondava meu corpo.

Eu sei o que você está falando. Das coisas magnificas e perigosas que acontece ao nosso redor. Eu sei o que eu sou e Camila também sabe, então não precisa refrear as suas palavras.

Graças a Deus, eu pensei que enlouqueceria sem poder confirmar que tudo o que eu achava era verdade. Ninguém acreditaria nisso! Venha criança, deixe-me mostrar no que eu e sua mãe estávamos trabalhando.

Como todo filme de cliché, Aprille levantou e foi até uma estante onde girou uma pequena estátua. A estante moveu para o lado, exibindo uma passagem secreta com acesso a uma escada que conduzia a um andar subterrâneo. Iriamos para o local que eu tinha sentido na frente da casa e que perpetuava por quase toda a propriedade! Mais curiosa do que deveria, levantei e segui a mulher de pele escura sem questionar, escutando os passos de Camila atrás de mim.

Aprille dava passos rápidos, como se houvesse certa urgência mesclada a uma euforia. No fundo, eu conseguia compreender aquela sensação de exibir algo que criamos para alguém. A mulher não me decepcionou, pois ao acender as luzes, eu me deparei com um laboratório tecnológico decente para alguém que não era uma meia-irmã ou uma semideusa. Aparelhos estavam espalhados por todo o lado, estantes com papeis e livros encostados em uma parede. Uma mesa longa com arquivos em aberto, além de mapas colados na parede oposta a das estantes. Porém, mais ao norte e em destaque, estava um forte monitoramento climatológico. Monitores exibiam o planeta terra em tons que variavam entre verde, amarelo e vermelho. Era uma visão térmica do mundo!

Essa é uma das funções secretas do Atlas Instrument. Oficialmente é um satélite que monitora as calotas de gelo polar da Terra e a influência do aquecimento global. — Aprille aproximou da mesa repleta de computadores. — Sua mãe possuía uma paixão nítida pela situação do planeta, apesar de não ser uma ambientalista de carteirinha, ela sabia que o aquecimento do mundo é um problema a ser levado a sério. Começamos a trabalhar nesse satélite juntas, eu como engenheira aeroespacial, ela com a parte elétrica.

Saber que Katerina possuía algo que influenciava o mundo de alguma maneira era uma sensação agridoce. Eu queria cada vez mais saber sobre aquela mulher, ao mesmo tempo em que ainda temia descobrir os segredos dela.

Isso é incrível... Mas ainda não é motivo suficiente para o desaparecimento de alguém.

Aprille ficou em silêncio por longos segundos enquanto fitava os monitores, virando o corpo lentamente como se hesitasse a cada segundo sobre o que iria revelar. Então ela contou sobre uma missão simples do governo. Era início do projeto e elas estavam apenas em fase teste quando descobriram uma leitura estranha. Era como nada visto ainda e isso tinha empolgado a toda equipe. O MIT financiou todo o processo de investigação, permitindo que elas fossem pesquisar o que tinha acontecido.

Naquela época Katerina Nikolaev já tinha abandonado nossa casa e saído de minha vida. O incomodo não fora forte o suficiente para interromper a engenheira ou demonstrá-lo de maneira latente. Mas estava ali, no fundo de meu peito, a dor por aquela mulher ter seguido a vida sem mim.

Aprille continuou a narrativa, lembrando como foi excitante os primeiros dias de pesquisa. Até que Katerina tinha retornado de uma caminhada em estado alarmado e assustado. A descendente russa tinha ordenado o fim das pesquisas, alertando que era perigoso demais. Aprille sabia que aquela agitação da amiga não era relacionada a nada que a mente humana fosse compreender, mas a curiosidade de alguns outros colegas não tinham a mesma percepção. Eles continuaram a investigar e adentraram o terreno desconhecido em busca da origem da assinatura estranha. Eles nunca mais tinham retornado.

Depois daquela noite, incidentes violentos começaram a acontecer na cidade mais próxima. Pessoas estavam morrendo, mudando o comportamento, sendo mais agressivas. Como se uma praga emocional e fatal estivesse no ar. — Aprille finalizava com o ar pesado e o olhar perdido. — Sua mãe pulou do navio no último instante já que era mais seguro ir para solo russo do que atravessa o país inteiro. Eu não tive como impedi-la, não entendo até hoje como ela aguentou as águas gélidas. Mas depois disso, todos os problemas da cidade tinham acabado e a assinatura nunca mais retornou. Essa foi a última vez que vi Katerina.

Apesar do aperto em meu peito, minha mente tinha começado a funcionar para a resolução do problema. O mistério finalmente começava a apresentar suas peças do quebra-cabeça, bastava apenas montá-lo ou procurar pelas restantes.

Onde foi isso tudo? Até o momento você não revelou o lugar. — Camila quebrou o silêncio mórbido que tinha se formado.

Interior do Alasca... — Aprille começou a responder.

Óbvio que tinha de ser o Alasca!

Afastar das duas era a coisa mais sábia, pois meu corpo começou a ficar agitado ao ponto de meus pés começarem a andar de um lado para o outro involuntariamente. Com uma mão na cintura e outro na nuca, minha mente processava as informações repetidas vezes, a genialidade começando a irritar-se por conta da falta de detalhes importantes para unir tudo. Porém, algumas coisas começavam a ficar cada vez mais óbvias.

Katerina Nikolaev conhecia o mundo dos deuses e monstros. Ela ficou para trás para lidar com o que quer que estivesse atacando a cidade. Ter essa certeza fez com que meu corpo travasse no lugar, um calafrio percorrendo o meu corpo. Se ela tinha ficado para enfrentar o perigo, uma das possibilidades era de que ela tinha sido morta.

Não! Ela não morreu! — Vociferei para mim mesma. — Se não ocorreu nenhum outro registro, é porque a coisa foi derrotada ou foi dominada. Então tudo o que precisamos é encontrá-la.

Eu pensei nisso nos primeiros anos, pequena. Mas... O lugar é realmente inóspito e sobreviver ali seria impossível para um humano. — Aprille tinha os ombros caídos e um olhar lacrimejante.

A não ser que ela não seja tão humana assim. — Camila acrescentou cuidadosamente.

Bingo! Era mais um motivo para acreditar que minha mãe possuía uma ligação maior com o mundo divino do que eu esperava. Precisei ignorar várias coisas e focar naquele ponto de esperança.

Aprille, preciso saber exatamente onde essa assinatura apareceu. — Solicitei.

Você não pode ir lá, é perigoso! — a engenheira falou em tom protetor. — Se você me der tempo, eu conseguirei montar uma equipe de confiança que---.

Eu irei.... Sozinha. Camila, me escute primeiro, não faça essa expressão. O Alasca é a Terra de Ninguém.

A latina precisou de apenas dois segundos para compreender o que eu tinha dito. Odyssey era um reflexo quase perfeito do mundo dos meios-sangues. No jogo que inventei, tinha implantado pontos importantes e locais que existiam secretamente tanto no mundo humano como no nosso. Como o Cassino Lótus e o Empire, o Alasca era representado por uma terra devastada pelo gelo e repleta de monstros de alta classe. Apenas jogadores de nível alto conseguiam acesso a região.

Então você deveria chamar alguém apropriado para acompanha-la. Não vá sozinha! — Camila exigiu, seu tom passional e preocupado.

Não irei só, eu prometo. Aprille, obrigada por tudo, já consegui a localização.

Enquanto tudo acontecia, obviamente tinha permitido minha conexão com a tecnologia hackear os dados importantes. Toquei em meu bracelete, abrindo um mapa holográfico projetando em um ponto vermelho onde eu deveria ir. Pela reação surpresa e incrédula da engenheira, eu tinha acertado em cheio, sendo essa a confirmação que eu precisava.

Quando nos vermos novamente, estaremos em três, doutora Ericksson.

Apesar dos esforços de Aprille, não demoramos mais do que cinco minutos naquela residência. Eu tinha finalmente uma rota definitiva para seguir e, com a ideia de que Katerina poderia estar em perigo todo aquele tempo, permitia que o tom de urgência se tornasse gritante em minhas ações.






Última edição por Alexandra Nikolaev em Qua Jun 05, 2019 1:28 pm, editado 1 vez(es)


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Mensagem por Alexandra Nikolaev em Qua Jun 05, 2019 1:08 pm

Snowflake
Fallen Snow

No dia seguinte.

Não tinha mentido para Camila quando garanti que não iria sozinha para o Alasca. Só não poderia dizer que minha companhia era muito falante ou, bem, uma criatura humana. Lunafreya estava comigo, ainda que segura dentro de uma pokemonster. Logo depois de sair da casa da engenheira aeroespacial, tinha reservado passagens para uma cidade canadense mais próxima das bordas do Alasca.

Eu sabia que existiam aeroportos em um dos locais mais frios do mundo habitados por humanos. Mas também sabia que aquele era um dos piores locais para estar, depois da Grécia e Roma. O nível de perigo poderia superar o do Mar de Monstros, a depender da perspectiva e do que você considerava ser pior: ser cercado pelo mar ou pelo gelo?

A viagem tinha sido relativamente tranquila, com turbulências e ansiedade de minha parte. Acostumada a ter a proteção de Éter e a viajar através de portais, ficar sentada por um longo tempo em uma aeronave repleta de pessoas provocou tensão em meu corpo. Minha mente divagava constantemente nas possibilidades de um ataque em pleno ar e, por mais assustador que enfrentar um monstro poderia ser, eu ficava mais apavorada com a ideia de colocar aqueles humanos em risco por apenas compartilharem um voo comigo.

Ao sair da aeronave, segui em direção a uma loja de roupas, adquirindo uma blusa térmica. Dentro do banheiro, em um dos cubículos, joguei minha mochila no chão e retirei a minha caneta mágica de dentro do cinto de utilidades. Sim, era uma forte referência ao Batman, sendo adquirido em uma sessão geek. Mas não de uma loja qualquer e muito menos apenas um item de uma fã, aquele item poderia comportar meus pequenos equipamentos e outros itens uteis em missões misteriosas como aquela.

Sentada sobre a privada, estando essa com a tampa abaixada, peguei a blusa térmica e a deixei ao avesso para poder escrever em seu interior. Furando levemente meu dedo com a ponta da caneta metálica, deixei que esta absorvesse meu sangue para ser usada como base da tinta. Dessa forma, quando comecei a escrever sobre o tecido, o líquido vermelho repleto de poder semidivino seria usado como fonte de selamento da magia. Apenas dois sigilos, palavras de poder celtas, foram descritos sobre o pano: a de mudanças em sentido inverso, provocando assim o bloqueio de uma mudança; e o signo de fogo.

Eu não sabia o que esperar sobre o Alasca, mas qualquer um poderia ter em mente a certeza de que o local era frio. O suficiente para matar alguém despreparado. Com aquele encantamento, pretendia manter a temperatura de meu corpo inalterada, não sofrendo assim com o frio enquanto a blusa cobrisse meu corpo. Assim que terminei, não tardei a vesti-la por baixo das camadas de roupa, já que o Canadá também era um país gélido.

O plano a seguir foi o de alugar um carro. Algo fácil desde que tinha acesso a um cartão de crédito exclusivo da empresa. O único critério era que fosse automático, para que assim eu pudesse dirigir usando apenas do controle da tecnologia. Para resolver o problema de ainda ser uma semideusa usando algo avançado em meio a um mundo invernal repleto de perigos ainda desconhecidos para nós, eu tinha ao redor de meu pescoço a Golden Magic. Um colar que reprimia minha presença como semideusa, diminuindo as chances de ser descoberta. O que era para ser você-com-certeza-vai-morrer poderia então se tornar algo como se-você-tiver-sorte-você-vive.

Dentro do carro, sem nem ao menos estar com as mãos no volante, eu analisava o mapa que era exibido pelo meu bracelete. A cidade onde Aprille e Katerina tinham ficado para investigar era na verdade um vilarejo de apenas 152 habitantes. Exatamente, apenas esse número de pessoas ocupava aquele espaço geográfico. Mas esse não era o maior desafio, mas sim chegar no extremo leste, mais próximo da Rússia do que do próprio Canadá. Ao ponto de existir apenas um parque florestal que separava a cidade do Estreito de Bering.

Sozinha no veículo, escutando música de uma playlist aleatória, eu tive tempo de pensar com calma no que estava acontecendo. A falta de urbanismo ao meu redor, além da paisagem que me rodeava, permitiam que minha mente encontrasse determinada paz e clareza. Distraída o suficiente com isso, só notei que tinha algo errado quando a música começou a travar, sendo seguida da iluminação interna começar a piscar. Finalmente segurei no volante, olhando pelos retrovisores e para os lados em busca de qualquer perigo.

Algo que foi facilmente encontrado. Ou eu que tinha sido facilmente encontrada por eles?

Uma espécie de manada se aproximava a galope, levantando poeira branca devida à neve. Estava em uma estrada que há mais de trinta minutos não passava carro, mas era a que me conduziria até Nome, uma metrópole daquele país. Acelerei com o coração parecendo seguir a mesma velocidade, os olhos bem abertos enquanto começava a escutar o som dos cascos se tornando audíveis mesmo com aquela distância.

O bando de animais estavam me alcançando, o primeiro quase batendo em meu carro ao correr ainda mais rápido que o meu veículo. Olhei para o lado em choque pela velocidade que a criatura possuía, mas não tardando a perceber que ela não era um animal qualquer. Similar a um alce albino, com olhos vermelhos e diversos chifres na cabeça, ele possuía aquela energia mítica ao seu redor.

Uma batida no fundo de meu carro fez com que minha atenção voltasse para o inferno a qual fazia parte. A manada não iria frear e eu seria, literalmente, atropelada por ela! Joguei o carro para o acostamento, deslizando pela neve por vários metros até bater em uma árvore longa e esguia. Estava para sair com urgência do veículo, quando finalmente notei algo importante em todo aquele cenário caótico.

Eles não estavam me atacando!

Não era uma corrida natural, aquelas criaturas – sejam elas o que forem – estavam correndo com certo desespero. Como que para responder a indagação em minha mente, um tremor forte percorreu o ambiente, fazendo com que a neve da árvore caísse sobre o meu carro. Sem poder enxergar o que estava acontecendo, finalmente empurrei a porta com força para conseguir abri-la, saindo de dentro da caixa metálica.

Apenas para querer voltar para lá como uma covarde que via o bicho-papão.

Atrás da manada de Alces místicos, estava um monstro. Um gigante e animalesco, podendo ser facilmente chamado por mim como um Pé Grande Demoníaco. Ele portava uma maça de madeira, da qual parecia balançar de um lado para o outro, se divertindo na crueldade de atingir os alces que corriam desesperados. Meu estômago embrulhou forte, enquanto meu corpo ainda estava paralisado pelo medo, quando o assisti capturar uma das criaturas desesperadas e o mordia até a metade do corpo, o partindo no meio com extrema facilidade.

Ele devoraria aquelas pobres criaturas e, pior, me devoraria! Do cinto de utilidades, finalmente tirei a pokemonster, permitindo que Lunafreya escapasse. Ela espirrou assim que sentiu o ambiente frio, mas bastou um rugido grotesco do Pé Grande para que ela rosnasse de volta.

Desculpa, eu não tenho tempo para explicar, mas precisamos dar tempo para que essa manada escape e, ao mesmo tempo, não sermos devoradas!

Montei sobre a criatura peluda, sentindo o corpo naturalmente quente dela aquecendo o meu. Lunafreya correu distante da manada seguindo a direção contrária, se aproximando da enorme criatura. Agora mais próxima, eu notava seus diversos dentes afiados e seu rosto monstruoso. Ele possuía um peitoral que lembrava um gorila, mas com uma crosta tão enrugada que lembrava pedra em algumas partes. Antes que ele pegasse mais um alce albino, a cadela abriu a boca e liberou um jato de fogo em cheio em seu braço.

O rugido de dor pareceu repercutir por quilômetros. O som tão, agudo e sofrido que me fez tampar os ouvidos com a mão. A Komainu, nome da raça de Lunafreya, encolheu ganindo baixinho. Atordoada, não vi o ataque chegando para poder me defender dele. Apenas senti em meu corpo quando a maça atingiu a lateral esquerda, arrancando-me de cima da cadela leoa. O ar escapou de meus pulmões de maneira dolorosa, o mundo passou a ter pontinhos pretos enquanto minha consciência lutava em processar o ambiente ou a agonia interna. Eu sabia que se não fosse pela minha resistência como semideusa e filha de Vulcano, eu teria sido literalmente esmagada naquele momento.

Apontei minha mão em direção a criatura gigantesca, tentando criar uma prisão de luz ao redor dela. Minha mente tão bagunçada com o ataque que não lembrava que aquilo não pertencia mais a mim. Eu não era mais uma celestial, não possuía os mesmos poderes! Tentei me erguer, assistindo de maneira turva Lunafreya duelando contra a criatura. Ela era rápida e possuía o fogo como aliado, mas o monstro era feroz demais para o que ela estava acostumada. Fiquei de joelhos, tossindo sangue sobre a neve. Ergui ambas as mãos em direção ao Pé Grande Demoníaco, usando da única estratégia que vinha a minha mente.

Invoquei uma prisão de hefestiana. O metal surgia ao redor do monstro, o impedindo de atacar e escapar, o fazendo se debater entre as barras de ferro que agora o aprisionavam. Sangue escorria de meu nariz, fazendo-me resfolegar quando sentir o gosto ferroso em minha boca. Lunafreya aproximou, seu rosto tocando o meu enquanto me empurrava levemente. A bela criatura de fogo abaixou o dorso, deixando claro que eu deveria subir ali o quanto antes. A prisão poderia conter até mesmo deuses no passado, mas eu não era meu pai, aquilo era apenas por um breve período.

Joguei meu corpo contra o dorso de Luna, a montando de maneira desajeitada. Precisei segurar nos pelos macios e quentes com força, provavelmente a machucando um pouco enquanto ela começava a correr em sua aceleração máxima. A mascote parou apenas quando nenhum som poderia ser escutado além dos assovios do vento gélido e minha respiração arfante. Ela mais uma vez abaixou o corpo, permitindo que eu escorregasse na lateral, usando o corpo dela como apoio quando sentei no chão.

Eu já odeio esse lugar. — Meio que reclamei, meio que choraminguei, olhando para o alto com os olhos lacrimejantes. — Eu não sei lutar sem a luz e o ar. Luna, eu sei apenas ser uma forjadora com esses poderes! Como é possível que eu vá salvar minha mãe?!

Lunafreya soltou um som de sua garganta que fez seu corpo inteiro vibrar perante o som. Logo a cabeça dela tocava a minha em um carinho e suporte. Aquela viagem não era apenas perigosa para meu físico, mas também para todo o meu estado psicológico. Levei algum tempo para acalmar a respiração e não chorar, minha mente me obrigando a concentrar no que eu poderia fazer no momento: encontrar um local seguro.


「•••」

Horas mais tarde.

A cidade mais próxima se chamava Talkeetna, próxima ao parque florestal ao qual dirigia com o carro. Ao falar do acidente, os moradores foram bastante gentis de permitirem que eu me alimentasse e passasse a noite em troca de pequenos serviços. Algo que eu estiquei para além de ajudar na cozinha, concertando a televisão e melhorando o aquecedor da pousada, só assim sentindo que eu tinha “pago” pela estadia e comida. A minha mochila com documentos e dinheiro humano tinha ficado no carro, não restando nada além do que eu tinha em meu próprio corpo.

Senhorita, o telefone está livre!

A recepcionista avisou. O sinal de celular era ruim o suficiente para que os moradores usassem os aparelhos mais antigos. No fundo eu não imaginava se isso não era apenas uma estratégia de manter os monstros distantes, arriscando menos ao usar coisas menos tecnológicas do que as atuais. Ao discar o número de Camila, soltei um longo suspiro apenas de escutar a voz dela. Para não preocupar a latina e evitar perguntas dos vários ouvidos que estavam ao meu redor, tinha resumido apenas o lado positivo de toda a viagem, mesmo que fossem poucas.

Ao finalizar a ligação, sentia-me menos incompetente e perdida, com a esperança um pouco mais firme do quando estava sozinha. Ri internamente de como aquela latina conseguia influenciar meu humor daquele jeito. Algo que evidentemente chamou a atenção de Cassandra, a dona do estabelecimento que me abrigava. Ela logo questionou se era meu amor do outro lado da linha e eu apenas concordei com um sorriso apaixonado.

Eu não gostaria de estar abusando da hospitalidade. Mas, o que você sabe sobre Noatak? — Perguntei enquanto ajudava Cassandra a arrumar as mesas para encerrar a noite na pousada.

Aquela vila quase sem gente? O que você perdeu lá criança? O juízo?!

O modo como ela falava, cheia de sotaque e indignação, acabou por me fazer rir mesmo que de maneira tímida. Eu tinha perdido minha mãe naquela região, mas não queria preocupar aquela senhora mais do que deveria.

Eu estou investigando um acontecimento de anos atrás. Eu soube por fontes seguras que o vilarejo sofreu com algo misterioso. Eu sou uma pesquisadora e, pelo meu azar, sou curiosa demais.

Você fala da tragédia? Está alguns anos atrasada, isso é notícia velha.

Então o mistério já foi resolvido?

Qualquer um enlouqueceria tão distante da sociedade e morando com um bando de louco. Aquele povo sempre fala de coisas estranhas, como Pé Grande e orcas que andavam em terra como se fossem cachorros.

O tipo de coisa que eu adoraria em meu artigo.

Olha criança, nem mesmo eu gosto daquela região e eu sou bastante cética. Há uma energia negativa na Cape Krusenstern desde que o incidente aconteceu. É o parque natural próximo da cidade. Os mais fanáticos contam que um espírito maligno está lá e foi isso que enlouqueceu os pobres moradores, os fazendo se tornarem violentos. Se eu posso dar um conselho bom em minha vida é: não vá para lá.

Porém o que Cassandra fazia era me dar todos os motivos para acreditar que estava no caminho certo. No dia seguinte, com um mapa em mãos para evitar usar de meu bracelete tecnológico, eu parti sobre os ombros de Lunafreya.

Tínhamos passado por um grupo de Hiperbóreas, monstros gigantes de gelo, mas eles não foram espertos o suficiente para conseguirem acompanhar a velocidade da Komainu. Passamos por pequenas cidades, onde aprendi rapidamente que eles trocariam os meus serviços de ferreira por alimento e um canto para dormir. Levou assim cerca de três dias para finalmente alcançar Noatak, já que eu não me atreveria a viajar durante a noite.

Existia apenas uma única pousada, uma única escola, um único hospital e um pequeno aglomerado de pessoas nas ruas. No fundo questionava-me o que levava as pessoas a permanecerem em um local como aquele. Tradição? Medo da modernidade? Talvez um pouco de loucura.

Diferente de quando parei nas outras cidades, permiti que Lunafreya ficasse fora da pokemonster, afinal estávamos próximos fisicamente do nosso principal problema. A sensação de perigo se tornava quase palpável, fazendo meu corpo estremecer constantemente. Ou talvez fosse apenas o frio intenso sendo mais forte do que o encantamento em minha roupa.

Cassandra estava certa quando classificou aquele povo como tradicional e reservado. Porém não de um ponto positivo, pois sempre que questionava a alguém, não importava o quanto estava sendo gentil ou solicita, bastava mencionar o incidente para que a expressão deles se tornassem sombrias. Até que eles pararam de simplesmente me responder qualquer coisa relacionada a isso, como aquele senhor na farmácia tinha acabado de fazer. Ele simplesmente fingiu que eu não tinha questionado sobre o incidente e continuou a falar sobre bons remédios para evitar resfriados e dores na garganta!

Frustrada, tinha sentado do lado de fora. Luna deitou a cabeça em minhas pernas, sendo solidária ao meu estado como sempre. Até que finalmente encontrei algo que distraiu minha mente. Uma garotinha que não devia ter mais do que oito anos, escondida atrás de uma caixa de correio presa ao chão. Ela olhava encantada para a mascote, fazendo-me sorrir e acenar com a mão para que ela se aproximasse.

Venha, ela não morde. — Chamei quando ela começou a dar os primeiros passos. — Qual seu nome?

Alexia! Ela é tããão grande e bonita!

Olha que legal, temos nomes parecidos, eu me chamo Alexandra. Essa é a Lunafreya, mas pode chama-la de Luna. Quer tocá-la?

A pequena sorriu ainda mais, esticando os dedinhos enluvados para roçar no pescoço e ombros da Komainu. Luna balançava o rabo de um lado para o outro denunciando a felicidade que sentia perante o mimo, sendo de sua natureza ser agradável e amigável com os outros. Sorri com o comportamento assertivo da mascote, até que os olhos castanhos de Alexia prenderam nos meus e ela pareceu ficar entre assustada e surpresa.

Você tem os mesmos olhos que a Mulher das Neves! — Alexia sussurrou em tom urgente.

Quem?

Ao leste existe a Mulher das Neves, a protetora de nossa cidade. Mas ela gosta de ficar sozinha e ninguém a vê por mais do que alguns segundos. Os garotos acham que ela é um fantasma, mas é porque eles são bobos. Mama disse que se não fosse pela Mulher das Neves, a maldição teria continuado e a vila teria sido destruída.

Você sabe onde eu poderia procurar por ela?

A garotinha abriu a boca para falar algo, mas a mãe dela a chamou da esquina, o seu tom ríspido deixando claro que a mulher não estava gostando de nossa interação.

Todos acham que ela mora na caverna na floresta, ao leste do rio! — Alexia falou tão rápido que eu mal tinha compreendido o que ela tinha pronunciado.

Depois disso ela saiu correndo rapidamente, chegando a escorregar ao frear de vez perto de sua genitora. Meu coração disparou forte, tendo finalmente uma pista da qual eu poderia seguir. Tudo parecia indicar que deveria ir para o leste, para Cape Krusenstern, a zona florestal que seguia nessa direção.

Impaciente, eufórica e nervosa. Levantei bruscamente, fazendo com que Lunafreya também acabasse agitada com minha atitude. Eu não esperaria mais, não com ela tão perto! Não quando eu poderia descobrir o que estava acontecendo ainda naquele dia! A passos rápidos, comecei a sair da cidade sendo acompanhada pela mascote, atraindo a atenção dos nativos que estavam na rua. Quando longe o suficiente, a montei seguindo para o destino indicado por todos: leste.

Cape Krusenstern era enorme, quase sem vida animal, mas com uma vegetação única e apropriada para o clima gélido. A zona norte do planeta era conhecida por ter apenas duas estações e definitivamente não estávamos no verão. A neve afundava sobre o peso de Luna, mas nada impedia a criatura de fogo de cortar aquele branco enquanto enfrentava a aventura a qual a tinha levado.

Todo o estado de animação foi se esvaindo com o passar do tempo. Longos minutos tinham se tornado em decepcionantes horas. A noite se aproximava, fazendo com que um suspiro pesado e melancólico escapasse de meus lábios. Eu não colocaria a vida de minha companheira por conta de uma missão como aquela. Estava para abrir minha boca e ordenar o retorno, quando um som monstruoso cortou o ambiente, trazendo consigo um forte calafrio na espinha.

Eu não precisei ordenar Lunafreya de que avançasse, ela mesma começou a seguir o som, nos levando ao que deveria ser uma pradaria coberta pela neve. Sem árvores ou rochas, era possível ver ao longe o que parecia ser o alfa dos alces albinos, porém muito mais monstruoso. Ele deveria ter por volta dos três metros de altura, com chifres e corpo que misturava uma pele grossa como a de um dragão. Alguém o enfrentava, vestindo roupas brancas pesadas, mas que deslizava pela neve como se dançasse.

Era algo tão incrível de ver que nem mesmo a mascote estava se movendo, ou talvez Luna apenas estivesse esperando pelo meu comando. Meus olhos, no entanto, não conseguiam desviar por um segundo sequer. A criatura alfa tentava acertar a pessoa com seus chifres, mas ela apenas deslizou para o lado e atirou dardos de gelo em seu traseiro. Dardos que colidiram e quebraram, denunciando a resistência do monstro. Isso pareceu irritar demasiadamente o inimigo, pois feito um touro ele fez uma investida direta. A pessoa quase não conseguiu desviar, mas algo pareceu drenar suas energias, a colocando de joelhos sobre a neve.

Luna!

Com o meu grito e comando, a Komainu avançou com um latido poderoso. Antes que a criatura atingisse a pessoa, Lunafreya soltou um rugido poderoso e forte, algo que parecia atordoar os inimigos e assustá-los. O alfa recuou alguns passos, mas não parava de grunhir em ameaça.

Lunafreya, fogo!

A mascote abriu a boca e soltou o jato flamejante. Eu capturei parte daquelas chamas com o meu controle de fogo, conduzindo aquela parcela de chamas para rodear o alce albino. Ele ainda foi atingido pelo jato, mesmo que enfraquecido. Aquilo foi o suficiente para finalmente assustá-lo e fazê-lo recuar e correr para longe.

Pulei das costas de Lunafreya, correndo para o lado da pessoa caída no chão. Porém, antes mesmo que minhas mãos alcançassem seus ombros, ela levantou bruscamente e mesmo trôpega colocou metros de distância entre nós duas.

Não me toque! Vá embora, seja lá quem você for!

As roupas brancas dela cobriam todo o corpo, o que contava com um capuz que escondia boa parte de sua face. Mas eu reconheceria aquela voz, mesmo que anos tivessem passado. Lexi não esqueceu, o que me trazia a tona todas as vezes que a tinha escutado. Meus olhos lacrimejaram e eu engoli em seco diversas vezes. O que eu deveria dizer? Como abordá-la? Quando ela começou a se afastar sem nem ao menos erguer o olhar em minha direção, parte de meu coração foi destroçado uma vez mais.

Mesmo que não fosse o caso, eu sentia como se não fizesse nada, seria abandonada novamente! Esse era um medo tão absurdamente maior do que qualquer outro que antes que percebesse estava gritando no meio de um mar de neve.

Katerina! — Isso foi o suficiente para fazê-la parar, meu coração disparando com a possibilidade cada vez mais real de ser ela. — Mãe...

Então ela virou o corpo bruscamente, o capuz finalmente caindo para trás com o movimento. Minhas mãos fecharam em punhos enquanto as lágrimas desciam sem permissão. Ali estava ela, viva! O cabelo escuro estava em total bagunça, como se não encontrasse um pente por longos anos. O rosto estava envelhecido, a pele quase tão branca quanto a neve ao nosso redor. Os olhos eram claros e expressivos, assim como os meus eram. Aquela era a Mulher da Neve, também conhecida como Katarina Nikolaev, a minha mãe.

Alex... Lexi? — Katerina questionou duvidosa.

Alexandra. — Informei, esperando que ela entendesse o que portar aquele nome significava.

Ela resfolegou e eu aproximei alguns passos. Automaticamente a mulher vestida de branco recuou, seus olhos se tornando alarmados.

Não se aproxime! — O restante de meu coração tinha quebrado naquela fração de segundo. Então ela iria me abandonar uma vez mais?! Era tudo o que passava em minha mente quando tinha processado aquela exclamação tão forte. — Não chegue mais perto, é contagioso!

O conflito cresceu em meu peito. Parte de mim almejava sumir magicamente dali, outra – uma maior e mais esperançosa – questionava o que era contagioso e se ela estava realmente bem. Minha mente finalmente exibindo a lembrança recente dela caindo de joelhos repentinamente.

Contagioso? Ah nem tente, eu só vou sair daqui com respostas! Então podemos ficar aqui a noite toda, lutar com alguns monstros, quase morrer, mas eu só vou sair daqui quando souber o que aconteceu!

Lexi, você não pode ficar aqui!

Eu não sou apenas a Lexi! Eu não tenho mais a maldição e nem a dupla personalidade! Eu sou Alexandra Nikolaev, apenas uma versão ainda incompleta de mim mesma.

Os olhos dela se tornaram desconfiados e eu entendia o porquê. Lexi sempre tinha sido a minha versão mais ardilosa e rebelde no passado, mentir era uma das características mais marcantes dessa personalidade. Por isso sustentei o olhar, por mais que provocasse sensações que eu nem saberia por onde começar a nomear.

Vamos para um local seguro primeiro. Apenas, não toque em mim de maneira alguma.

Triplamente desconfiada e temerosa, apenas concordei com um acenar de cabeça. Aproximei de Lunafreya e acariciei o pescoço da mascote, murmurando palavras de carinho e agradecimento, mas não tardando a coloca-la novamente na pokemonster. Katerina observava a cena com curiosidade e surpresa, provavelmente não conhecendo o equipamento que eu portava.

Nenhuma palavra foi trocada até alcançarmos a caverna que Alexia tinha comentado, fazendo com que eu quase tivesse sorrido ao lembrar da pequena. Crianças em qualquer lugar do mundo ainda possuiriam aquela qualidade de serem melhores do que qualquer adulto.

O interior da caverna era como um lar de gelo. Cadeiras, mesas, uma cama coberta por peles de animais. Tudo feito daquele material refinado. Katarina me guiou até ao que parecia ser uma sala, que contava com uma única cadeira e uma espécie de poltrona. Era aquele lugar em que ela tinha morado por tantos anos? Essa foi a pergunta gatilho para inúmeras outras questões que passeavam em minha mente, provocando quase uma dor de cabeça pelo pensamento tão acelerado.

Você faz a mesma expressão que seu pai quando está pensando demais — Katerina comentou, mas seu tom de voz estava distante e frio. Ela não exibia mais nenhum tipo de emoção em sua face, o que me fez sentir mais um calafrio, esse o mais doloroso de todos. — O que está fazendo aqui, Alexandra?

Minhas sobrancelhas arquearam. Como ela poderia fazer uma pergunta dessas? Não poderia ser óbvio que eu estava ali para encontra-la?! Meu corpo tensionou com aquele tipo de tratamento, meus braços cruzando de maneira defensiva a frente de meu corpo.

Vim em busca de respostas. — Resumi toda a saga dos últimos dias. — Mesmo que eu não saiba fazer as perguntas certas, eu preciso de respostas! O que aconteceu tantos anos? Por que está aqui por todo esse tempo? O que é você exatamente?

Um longo momento de silêncio seguiu aquelas questões mais urgentes. Mas várias outras eram lançadas através de meu olhar.

Anos atrás nós tínhamos capturado a assinatura de uma criatura chamada Aipaloovik. Uma divindade que seria fraca em solo americano, mas que aqui é como um deus violento. Eu percebi tarde demais, aqueles humanos estúpidos provocaram a ira de Aipaloovik, o levando a estender sua crueldade até o vilarejo. — Katerina iniciou as explicações, os olhos dela não desviavam dos meus, mesmo que sua expressão fosse apenas fria. — Eu permaneci para conter essa ira e acabei sendo contaminada com uma doença emocional. Ele passou para mim o fardo de ter um tipo de vírus, quem me tocar terá a área límbica e o córtex pré-frontal alterados drasticamente. Ela está avançando me consumindo aos poucos, provavelmente tenho alguns poucos anos pela frente.

O modo profissional com que minha mãe falava não excluía o terror daquelas palavras. Para provar o que dizia, Katarina começou a abrir a jaqueta que trajava a retirando logo em seguida. Os braços foram expostos, meu corpo recuou assustado ao ver como a carne estava com aparência apodrecida. O olhar dela desviou do meu e eu finalmente vi o resquício de emoção em sua expressão inalterada. Aquilo era contagioso, o que tinha provocado o isolamento da mulher.

As coisas começavam a se encaixar, o quebra-cabeça sendo montado aos poucos, mesmo que para exibir uma imagem de tragédia.

Você é uma semideusa, certo? — Indaguei, minha mente voltando a trabalhar.

Isso já não é óbvio? Minha mãe, sua avó, é Khione. Não me pergunte muito como isso aconteceu, seu avô nunca falou muito e você sabe como sua avó é. A deusa também nunca me agraciou com sua presença.

Como eles eram — A consertei, meus ombros caindo brevemente enquanto a deixava absorver as informações. — Vovô foi primeiro. Infarto, é o que disseram. Vó foi meses depois, ela simplesmente parou de tomar os remédios.

Ela podia odiá-lo pela traição, mas nunca o abandonaria. Era tóxico e bonito ao mesmo tempo. Alexandra, você entende agora porque não posso ir ou você poderia ficar? Volte para a sua vida e me esqueça, como deveria ser.

Como deveria ser? Você deveria ser minha mãe! Deveria ter estado ao meu lado enquanto eu duelava comigo mesma, sem entender o que estava acontecendo comigo!

Minha presença estava atraindo mais monstros do que o necessário e não é como se existisse um manual explicando como criar uma garota com duas mentes em um corpo.

Apesar de tudo, era apenas eu quem estava gritando. Katerina mantinha-se distante emocionalmente, sendo isso tão perturbador e irritante que comecei a andar de um lado para o outro. Minha mente encaixava as informações, processava aos poucos como aquilo tudo acabava me influenciando e a mulher a minha frente. Eu era neta de Khione, ninfa da neve. Minha mãe tinha me “abandonado” para me proteger da atração dos monstros. A mesma mulher em que tinha preferido se isolar em um local perigoso ao extremo para não contaminar ninguém com uma maldição de uma criatura.

Soltei um longo suspiro, almejando olhar para o céu e questionar a Éter o que eu deveria fazer. Mas ele já não era mais o meu senhor. Katarina precisava de uma cura, mesmo que sua personalidade fosse uma decepção e contrário de uma mãe calorosa... Ela tinha feito tudo para proteger a mim e aos outros, mesmo que isso custasse mais do que muitos estavam dispostos a pagar.

Espera... uma cura!

Você, não saia daqui!

Ela me olhou como se questionasse para onde mais iria. Sorri de lado, o primeiro sorriso que eu dava em dias. Murmurei o feitiço que abriu uma fenda no meio da caverna de gelo, assustando a filha de Khione. Eu estava cortando o espaço entre o Alasca e minha forja, passando para o outro lado de maneira apressada. Corri até a prateleira na área do laboratório de magia lutando contra o tempo, pois não queria abrir um outro portal. Não tinha certeza se funcionaria de maneira inversa, sendo o Alasca um local tão confuso e denso. Fazendo uma verdadeira bagunça até achar a rosa branca dentro de uma caixa de cristal.

Voltei a passos apressados, saltando no portal um pouco antes dele fechar atrás de mim. Soltei o fôlego, finalmente analisando a rosa branca congelada em mãos. Era um item mágico extremamente raro e com um poder praticamente milagroso. Um item que eu jogava em direção a Katerina, a fazendo se atrapalhar um pouco para pegar a caixa de cristal sem aviso prévio.

Pegue a rosa, ela vai curar você. É um item praticamente divino, dizem que se a pessoa ainda não tiver sua alma ceifada, ela ainda poderá ser curada. Isso deve ser o suficiente para curar a sua doença.

Você... Você consegue usar magia?

Muitas coisas aconteceram com você. Mas também aconteceram comigo. Isso ficará para depois, primeiro use logo essa rosa!

Katarina quebrou a caixa de vidro e pegou a rosa congelada. Os dedos trêmulos e de pontas negras tocaram as pétalas leitosas. A rosa entrou em ação no mesmo instante, se fragmentando e penetrando o corpo dela. A respiração da mulher se tornou acelerada, lágrimas escorriam por sua face enquanto ela observava a doença literalmente se desfazer de seu corpo. Todo o processo durou quase dez minutos, mas quando finalizou não havia qualquer resquício visual de que minha mãe estava doente.

Uma troca de olhares aconteceu. Hesitação. Receio. Temor. Ambos os olhares idênticos em suas tonalidades e emoções, não desviavam um do outro. Então, sem dizer nada, nós duas avançamos em direção uma a outra, um abraço sendo trocado em meio a um choro profundo e silencioso.

Vou tirar você daqui, nem que tenha de sequestra-la.

Katerina riu fraca, afastando alguns passos enquanto as mãos enxugavam o rosto. Fiz o mesmo, buscando ar para tentar acalmar as emoções a flor da pele. Dessa vez, ao abrir o portal com o feitiço, do outro lado era exibido a praia californiana. Uma visão tão divergente e oposta a realidade o Alasca que eu não poderia julgar a mulher por voltar a chorar. Ao atravessarmos a fenda dimensional, eu finalmente percebi que estava voltando para casa com um pedaço de minha família.

「•••」

Dias depois

Mais uma vez eu estava olhando pela janela, encarando o céu de maneira pensativa. Braços envolveram o meu corpo com carinho, provocando um sorriso em meus lábios. Dessa vez estava no apartamento de Camila, sendo ainda madrugada quando despertei sem ter a capacidade de retornar ao mundo onírico.

Você não está dormindo bem, mas não consigo julgá-la, com tudo o que aconteceu — Camila beijou o meu ombro carinhosamente logo depois de comentar.

Eu sinto que eu deveria estar feliz, eu finalmente descobri o que aconteceu com minha mãe e a resgatei... Mas... É tão estranho!

Virei o corpo, sendo automaticamente abraçada pela latina. Ela era do tipo de pessoa tátil, que abraçava quando tinha chance, que tocava na primeira oportunidade. Mesmo que fosse algo gentil e inocente, Camila era muito mais de ação do que de palavras. Quando tornei a ficar pensativa novamente, mesmo que nos braços dela, escutei um pequeno resmungo em espanhol e um beijo foi roubado. Sorri contra os lábios da morena, sabendo que essa era a melhor forma de ter a atenção conquistada por ela.

Seu mundo é muito estranho, de qualquer jeito. Vocês duas não vão se dar bem de um momento para outro, muitas coisas acontecerem nesses anos, cariño. — Camila comentou quando afastou brevemente. — Como está a adaptação dela?

Aprille está cuidando disso. Conseguiu até mesmo um apartamento para ela, assim como forjei alguns documentos. Não sei o que Katerina está planejando, mas também estou dando tempo e espaço. Ela sabe como e onde me encontrar. Apesar de tudo eu sei que é mais difícil para ela do que para mim.

Eu estou confusa com algo, no entanto. Ela é uma semideusa como você, então você é menos humana do que os outros?

De certa forma. Também não compreendo muito o que acontece. Não saber das coisas é realmente uma benção em nosso mundo, pois quando você descobre que é um semideus, sua percepção e consciência faz com que seus próprios poderes e presença se torne mais forte. É quando também se começa a ter mais controle. — Expliquei e dei de ombros. — Sempre vivi em locais quentes, então nunca notei se tenho a mesma resistência que ela ao frio, por exemplo. Ou também nunca tentei controlar o gelo, eu a vi jogando alguns dardos elementais contra aquele monstro...

As minhas ponderações seguiram pelo restante da madrugada e boa parte da manhã. Eu sabia que Camila não entendia metade do que eu estava falando, mas ela não deixava de prestar atenção e tentar. Eu não sabia como seriam as coisas dali para frente, como ficaria a relação com a filha da neve, ou o que seria de mim mesma. Porém agarrava-me com todas as forças ao fato de que eu não estava sozinha, tendo Camila e meus amigos do meu lado eu poderia convencer a mim mesma de que tudo ficaria bem no final.

Com essa CCFY Alexandra descobre que a mãe é filha de Khione (versão romana de Quione), sendo assim um legado parcial desta deusa. O conflito previsto entre "fogo e gelo" será trabalhado futuramente.

Habilidades da UNR foram aplicadas ao reparar itens dos moradores, usar de programação e comunicação com as máquinas. Conferindo assim +30% de exp e x2 dracmas.

Itens levados/utilizados:
• Rosa Branca [ Uma rosa branca, congelada em uma caixa de cristal. Tal rosa possui uma propriedade curativa única, ela restaura o corpo e cura qualquer doença, retira qualquer veneno, e pode inclusive, salvar alguém a beira da morte, mesmo que esse já não tenha mais solução. Sacrificando essa rosa poderá recuperar a vida de alguém, independente do estado em que a pessoa estiver, se ela ainda possuir alguma vida (Até se o HP estiver em 1) você ainda poderá recupera-la completamente. (Some após o uso) | Flor mágica | Sem espaço para gemas | Sigma | Status: 100%, não utilizada | Mágico | Loja Especial do Dia dos Namorados ]

• Personal [Um bracelete que deve ser usado no pulso, com design que remete ao estilo sci-fi. É na verdade um dispositivo, com processador avançado e placa-mãe personalizada. Funciona como um computador, exibindo um display holográfico. Graças a benção de tecnologia, Alexandra não precisa de muitos toques sobre o item, sendo ligado perfeitamente ao pensamento e desejo da filha de Vulcano. | Efeito de ligação: retorna a dona quando perdido ou roubado | Efeito 1: Possui o elemento luz, usado para a projeção dos hologramas | Bônus de forja: +15% de dano; bônus de FPA: +30 de dano | Vibranium | Super Alfa | Espaço para 1 gema | Status 100% | Mágico | Forjado por Nikolaev]

Golden Magic [Um colar que possui um pingente a escolha do seu dono. Seu formato ou estilo em nada se compara a magia que está presente nesse acessório | Efeito: Ele esconde em 75% a presença semidivina do usuário, permitindo que ele passe despercebido por monstros e use até mesmo tecnologia mais avançada. Monstros superiores e mais poderosos ainda conseguem reconhecer o usuário do colar como um semideus, mesmo que leve um tempo para distinguir a aura | Prata ou Ouro | Sem espaço para gemas | Gama | 100% sem danos | Mágico | Comprada na Pandevie Magie]

Blood Magic [Uma caneta aparentemente comum, porém de aparência elegante. Porém essa caneta não funciona com tinta normal, mas apenas com sangue. Para encher o tubo, é preciso encostar a ponta da caneta em um pequeno machucado ou qualquer fonte do sangue a ser usado. Sua grafia varia de acordo com o desejo do dono, podendo ser mais forte e assim usando mais da tinta sangrenta, ou mais fina e delicada. Feita basicamente de arambarium - metal que conduz magia com mais facilidade – e ouro compondo todos os detalhes. | Efeito: Ela tem o efeito de sempre retornar ao dono depois de algum tempo. Foi encantada para criar runas mais duradouras, e com uma intensidade 10% maior do que de uma runa original, além disso, a caneta diminui o gasto de MP em 50%, e da choques em qualquer um que tentar rouba-la. A caneta possui sangue suficiente para a criação de até 10 runas, depois disso precisa ser recarregada novamente. | Arambarium e Ouro | Resistência: Beta | Status: 100%, sem danos | Mágica | Comprado no Pandevie Magie]

Cinto de utilidades [Um cinto cheio de compartimentos apropriado para levar itens de tamanho pequeno, mas que faz contar como apenas um único item em missões. É permitido levar itens que atinjam em média 20cm de comprimento, sendo ideal para poções, pedras, amuletos e acessórios. | Efeito 1: Runas de proteção foram utilizadas nesse item, impedindo que mesmo com movimentos bruscos e impactos, os itens em seu interior estejam protegidos e não quebrem ou sofram danos.; Efeito 2: Irá aparentar apenas um cinto comum para as outras pessoas, sua real forma sendo vista apenas pelo usuário. | Couro mágico | Beta | Espaço para uma gema | Status: 100%, sem danos | Mágico | Comprado no Pandevie Magie]
Habilidades Vulcano:
Passivas:
Nome do poder: Visão Espacial
Descrição: Filhos de Hefesto/Vulcano são especialistas na montagem de coisas, portanto, possuem a visão lógica e espacial mais desenvolvida que outros semideuses sabem em que lugar colocar uma peça intuitivamente, e qual será o efeito, seja para consertar ou destruir um aparato mecânico-tecnológico. Esta noção espacial pode ser utilizada em outras situações quando chega a tal ponto de aprimoramento, podendo usá-la agora para descobrir a exatidão de distâncias e medidas utilizando somente o olhar. Podendo calcular distâncias entre corpos somente com uma rápida olhada.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Ao observarem o ambiente ao redor e conhecerem o campo, entenderem como funcionam, ganham uma vantagem de campo de +20%, seus atributos de velocidade, resistência, e esquiva serão melhorados em +10%, lhe dando uma vantagem diferente.
Dano: Nenhum

Nome do poder: McGayver
Descrição: Você se especializou no improviso. Com materiais que outros não achariam adequados ou inúteis você é capaz de construir coisas improváveis pra outros semideuses. Um clipe de papel e um chiclete na sua mão podem ter utilidades mortais, e aquela tampa de garrafa pode se fazer de engrenagem.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Precisa apenas de dois turnos para montar uma engenhoca completa e improvisada, nada mortal, mas bom o suficiente (com chances de falhar).
Dano: Nenhum

Nome do poder: Detalhistas
Descrição: Meus filhos são acostumados a lidar com engenhocas e peças, reparando em pequenos detalhes, por isso é mais difícil esconder algo deles - são observadores atentos. Isso permite que encontrem coisas com mais facilidade, descubram segredos, e coisas ocultas – como o Bunker na floresta quando Leo Valdez seguiu a trilha deixada pelo dragão – esconderijos, e outras coisas.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Ganham vantagem em encontrar pistas, e achar rastros.
Dano: Nenhum

Nome do poder: Resistencia a Impactos
Descrição: Filhos de Hefesto/Vulcano são mais resistentes a grandes impactos, podendo cair de grandes altitudes e ainda sobreviver. Quedas de até dois metros de altura não machucam os filhos do senhor das forjas, mais que isso, tem o dano reduzido.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Impactos de grandes altitudes podem ter o dano reduzido em 40% para o filho de Hefesto/Vulcano, ou menos, no caso de ser algo realmente absurdo, como um penhasco. Apesar de ficar fraco, ainda poderá sobreviver.
Dano: Nenhum

Nome do poder: Detector Natural
Descrição: os filhos de Hefesto/Vulcano são como detectores de metais. Não precisam olhar, eles apenas sentem quando há metal por perto e sentem também o local onde estão.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Pode solicitar ao narrador que indiquem se existe metal ou algo semelhante por perto, a quantidade e onde está localizado.
Dano: Nenhum

Nome do poder: Pericia com Armas Criadas
Descrição: Armamentos criados pelo filho de Hefesto/Vulcano, em suas mãos são armas perfeitas, por entenderem seu mecanismo e funcionamento, também adquirem certa facilidade ao lidarem com elas.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +75% no manuseio das armas criadas
Dano: +20% de dano se a arma atingir o inimigo.

Nome do poder: Força de Vontade
Descrição: Os filhos de Hefesto/Vulcano são considerados semideuses voláteis e extremamente teimosos. Com isso, caso o HP deles seja zerado, uma vez por missão ou evento, conseguirão recuperar uma parte de seu HP, a fim de continuarem vivos. (Essa habilidade só pode ser usada uma vez por missão ou evento).
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Recupera +30 HP
Dano: Nenhum

Nome do poder: Geek
Descrição: Sua familiaridade com máquinas o torna apto a usar qualquer tipo de tecnologia e aprimorá-la, futuramente, em seus projetos. Além disso, não atrai monstros ao utilizar aparelhos mecânicos/ tecnológicos, como celulares e afins.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum

Nome do poder: Força II
Descrição: Você ficou ainda mais forte, conforme cresce, se desenvolve, e executa seus treinamentos – além de claro, trabalha nas forjas, pois, se sente extremamente atraído por elas – também desenvolve uma força superior aos demais campistas, você está se saindo bem.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +20% de força.
Dano: +10% de dano em golpes físicos relacionados pelo semideus, ou que exijam a forja avantajada.

Nome do poder: Corpo de Aço
Descrição: Todos os equipamentos de defesa usados por meus filhos irão adquirir maior resistência enquanto estiverem em seus corpos.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +10% de defesa em ataques desferidos contra os corpos de mecanismos como armaduras.
Dano: O dano diminui em +5% caso o semideus seja atingido, enquanto estiver usando uma armadura ou algo semelhante.

Nome do poder: Respiração forte
Descrição: Você se acostumou com fuligem e ar carregado. Ar rarefeito e toxinas que agem por meio respiratório já não lhe afetam como a maioria, bem como lugares fechados e variação de pressão – Hefesto/Vulcano vive dentro de um vulcão, e como filho dele você tem a mesma resistência.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Consegue respirar normalmente em lugares carregados, e não ficam tão cansados durante a batalha. Poderes relacionados a respiração, ar, e asfixia são 50% menos efetivos contra você.
Dano: Nenhum

Nome do poder: Sensibilidade Mecânica
Descrição: O filho de Hefesto/Vulcano  pode detectar falhas em minérios de metal e identificar o tipo de maquinaria e uso por toque.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Sempre saberá o que está errado e como concertar
Dano: Nenhum

Nome do poder: Receptor de Frequência
Descrição: Consegue interceptar ondas transmissoras, por exemplo, de celulares, rádios ou comunicadores. Isto permite bloquear comunicações ou mudar as rotas das ondas para que sejam transmitidas em outros lugares que não os intencionados. Tal capacidade também pode ser usada para que os filhos de Hefesto não sejam rastreados por monstros quando tentarem realizar ligações ou usar a internet.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum

Nome do poder: Programar
Descrição: Além de criar os mecanismos você sabe bem como programa-los para que ajam de acordo com o planejado. Vale para autômatos, armadilhas com tempo de ativação e etc, conhecendo inclusive diversos softwares e sua linguagem.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Isso permite criar mecanismos mais fortes e mais elaborados. Autômatos feitos pelos filhos de Hefesto/Vulcano, tem uma média de falha menor.
Dano: Nenhum

Nome do poder: Pensamentos Velozes
Descrição: Os filhos de Hefesto/Vulcano possuem uma capacidade de analisarem rapidamente a situação em que se encontram e criarem uma estratégia param se safarem dela.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Ganham um turno para conseguirem agilizar mecanismos e armadilhas, e assim, criarem algo para ganhar vantagem perante a batalha.
Dano: Nenhum

Nome do poder: Tecnopatia
Descrição: É a capacidade de se comunicar e entender qualquer tipo de mecanismo, ou seja, filhos de Hefesto/Vulcano, podem se comunicar e entender as maquinas.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum

Nome do poder: Reparos Rápidos
Descrição: Filhos de Hefesto/Vulcano conseguem consertar aparatos mecânicos rapidamente, gastando metade do tempo que uma pessoa comum levaria para tal.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Conseguem concertar qualquer coisa em apenas dois turnos.
Dano: Nenhum
Ativos:
Nome do poder: Prisioneiro III
Descrição: Agora do chão, abaixo dos pés do inimigo surgira uma espécie de quadrado feito de Hefestiana – o material mais resistente existente no mundo dos olimpianos – esse metal se expande ao tamanho do corpo do inimigo, e dos quatro cantos, ao redor de seu corpo, surgirão barras, o prendendo em uma espécie de gaiola humana. O material não pode ser rompido por força física, armamentos e magia, pois é único. Hefesto usou esse mesmo tipo de material para prender dois deuses, e se esses não foram capazes de escapar, quem dirá um inimigo mais fraco.
Gasto de Mp: 70 MP
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum
Extra: Dura três turnos.

Nome do poder: Magnetismo I
Descrição: É a habilidade que permite aos filhos de Hefesto/Vulcano, controlarem o magnetismo. Nesse nível, ainda não são tão desenvolvidos, mas podem fazer pequenos metais que forem atirados em sua direção, mudar o curso, ou até mesmo voltar-se contra aquele que o lançou.
Gasto de Mp: 10 MP por turno ativo
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum
Extra: Só funciona com objetos relativamente pequenos, como porcas e parafusos, ou objetos de até 20kg. O dano será a critério do narrador, e da forma com que o poder foi utilizado.

Nome do poder: Magnetismo III
Descrição: É a habilidade que permite aos filhos de Hefesto/Vulcano, controlarem o magnetismo. Agora já consegue manipular metais pesados, de porte grande, podendo desvia-los e manipula-los da maneira que bem entender.
Gasto de Mp: 40 MP por turno ativo
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum
Extra: Funciona com objetos de porte médio, máximo de 150 kg. O dano será a critério do narrador, e da forma com que o poder foi utilizado.

Outras Habilidades:
Bençãos:
Nome da Benção: Guardiã dos Kahunas
Descrição: Alexandra foi abençoada com o "Aloha" do povo Kahuna após uma batalha árdua no qual quase saiu morta. Boa parte dos ensinamentos Kahunas também será passada a ela, que terá acesso aos ensinamentos mágicos do povo e suas bênçãos. Esse tipo de poder é guiado por duas polaridades (negativa e positiva) e é manifestada através do espirito, da harmonia e do amor. Os Kahuna olham por sua criança na terra e intercede por ele através de seu poder divino e Alexandra agora é um deles.
Gasto de MP: Nenhum
Gasto de HP: Nenhum
Bônus: Alexandra possui uma magia única, portanto também ganha livre acesso ao laboratório, pode criar encantamentos, rituais e continuar a desenvolver suas poções (perde acesso aos bonecos de voodoo e tônicos). O teor dessa magia é restrito a própria capacidade da semideusa, permitindo apenas desenvolvimento voltado aos domínios dos quais já possui no momento, por exemplo, magias baseadas em forjas/criação ou as propriedades dominadas por Vulcano.
Dano: Nenhum
Extra: Todo e qualquer ritual/encantamento criado pela semideusa deverá ser diretamente relacionado a magia dos Kahuna, com a qual agora a semideusa é abençoada. Levando isso em consideração, fazer uso do grimorio do fórum já não é mais permitido, o que não impede a semideusa de criar suas próprias marcas.

Benção: Domínio da Tecnologia, Computação e Robótica
Descrição: É uma evolução das habilidades referentes a computação, tecnologia e robótica que a filha de Vulcano naturalmente possui. Porém, com maior intensidade, controle, eficácia e amplitude. Agora ela não precisa estar próxima do item para obter acesso e invadir o sistema, assim como consegue comandar sistemas simples quase instantaneamente (mudar os sinais das sinaleiras, mudar canais, comandar um computador sem tocar no teclado ou mouse etc). Programas que possuem uma defesa muito grande, ainda podem oferecer uma resistência, porém se Alex estiver tocando uma parte física do mecanismo (como a CPU ou qualquer outra peça que esteja conectada à rede/programa) torna-se algo mais acessível. O raio agora é de 500m, tendo a semideusa como centro. Pode assumir o controle de várias máquinas ao mesmo tempo, porém se elas forem fortes e o fluxo de informação forem altas, pode acabar gerando sangramento nasal, enxaqueca e demandar maior esforço mental. Além disso a semideusa passa a possuir um controle sobre sistemas elétricos, desde que tal eletricidade esteja conectada a eletrônicos de qualquer tipo. Lembrando que ela não consegue controlar a eletricidade para fora dos aparelhos, apenas conduzir a corrente por sistemas existentes ou provocar sobrecargas e curtos.
Gasto de MP: Sem custo para sistemas simples, 25MP ao usar a benção em sistemas complexos ou em vários ao mesmo tempo e 30 de MP ao manipular a eletricidade.
Gasto de HP: Nenhum
Bônus: Nenhum
Extra: Ao estar tentando dominar uma máquina/sistema/programa mais complexo, os olhos de Alex assumem uma fisionomia diferente, um efeito tecnológico.

Benção: Sigil
Descrição: Um sigilo é um signo criado para um propósito mágico específico. Um sigilo é geralmente composto por uma combinação complexa de traços ou figuras geométricas, cada uma com um significado ou intenção próprio. Essa benção permite que a semideusa use o conhecimento de sigil oferecido por Rhiannon, deusa celta dos encantamentos.
Custo de MP: Variável
Custo de HP: Variável
Dano: Nenhum
Bônus: Permite que a semideusa faça encantamentos, usando novos símbolos que são um reflexo dos que existem no livro de magia do RPG. Ou seja, a imagem e o nome muda, mas o objetivo e o efeito permanecem igual ao das runas.
Extra: Não dá acesso as outras sessões do laboratório, apenas para encantamentos.
Sigilos e Feitiços:
Ag Bogadh
Posição normal: Aumenta a movimentação, seguindo a velocidade dos ventos (dura um turno ao ser ativada).
Invertida: Evita ações, mudanças (dura um turno ao ser ativada).

Dóiteáin
Posição normal: Invocação de Fogo (Tal runa deverá ser aliada a outras runas para ter efeito mais efetivo, caso não seja, uma pequena área, irá surgir o elemento invocado. Será o suficiente para caber na mão de uma pessoa e desaparecerá depois de um turno).
Invertida: Essa Runa não tem posição invertida.

Nome: No mākou
Descrição: Para os Kahunas, tudo está interligado de alguma maneira e por isso merece respeito. Isso inclui tanto coisas materiais e imateriais, simbólicas ou concretas. Ao pronunciar esse feitiço, Alex consegue usar a energia que circula a própria Terra e abrir um portal. Muitos conhecem essa energia como linhas ley, sendo um conhecimento que atravessa várias culturas. Ao abrir o portal, Nikolaev consegue viajar entre os locais do mundo. Para ir em outros locais especiais, como Mundo Inferior ou protegidos magicamente, Alexandra precisa ter estado lá previamente, para deixar sua impressão no local, resquícios de sua própria magia e existência.
Gasto de MP: 50 MP
Gasto de HP: Nenhum
Dano: Nenhum
Bônus: Nenhum
Extra: O tamanho do portal varia com o desejo, porém quanto maior, mais tempo para se formar.
UNR:
Nome do poder: Comunicação com Máquinas
Descrição: O semideus aprende a usar a sua energia para, através do toque, escanear uma máquina e compreender as mensagens que ela pode passar. A máquina não “fala” de fato, mas transmite mensagens que o estudante é capaz de compreender.
Gasto de Mp: 30 MP
Bônus: Nenhum

Nome do poder: Programador
Descrição: O semideus aprende a falar a mesma linguagem que as máquinas e computadores - seja essa linguagem C, C+, Java, PHP, etc. Dessa forma, ele pode desenvolver um algoritmo para programar alguma de suas criações a fazer algo.
Gasto de Mp: Nenhum
Bônus: Nenhum

Nome do poder: Restaurador
Descrição: O estudante desta área concorda que máquinas são mais simples que seres humanos: se estragam, há uma solução ao alcance de suas mãos. Então, assim como o semideus pode criar, ele também pode restaurar alguma máquina que tenha sido estragada, aprimorando sua funcionalidade ao substituir peças e restaurar o aparelho.
Gasto de Mp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Habilidades Aprendidas:
Nome do poder: Corpo Intuitivo I
Descrição: Após um árduo treinamento no qual o semideus pôs o corpo a prova, estressando-o até o limite, o semideus ganhou a capacidade de se adaptar a qualquer situação adversa. A habilidade lhe confere a capacidade de manter suas bonificações de agilidade e velocidade mesmo que sua movimentação esteja limitada por outros fatores que não sejam ferimentos e magias.
Gasto de MP: Nenhum
Gato de HP: Nenhum
Bônus: +20% de Velocidade e +20% Agilidade, também não perderá bonificações destes atributos quando estiver com movimentação limitada por algo que não seja lesão, congelamento ou magia.

Nome: Blood of Chaos
Descrição: O semideus detentor dessa habilidade ganha uma capacidade extrema se de concentrar em meio à difíceis situações, sejam elas de desastres naturais, em problemas de relacionamento, em lutas ou em uma guerra. Consegue situar-se com mais facilidade do que os outros semideuses, podendo sair de grandes enrascadas por saber exatamente como agir sob uma grande pressão.
Gasto de MP: Nenhum
Gasto de HP: Nenhum
Bônus: +15% de assertividade em situações que precisem da inteligência.
Extra: +5% de velocidade, caso use a habilidade em situação que necessite de rapidez.
Lunafreya:
FPA dela aqui

Nível 6
Nome da habilidade: Roar
Descrição: O famoso rugido majestoso do leão é liberado nesse nível, um som que pode ser bonito para os aliados, mas terrivelmente intimidante para quem é inimigo. O som se propaga por todo o ambiente, causando efeito em inimigos em uma área de 10m²
Tipo: Ativo
Gasto de MP: 50
Dano: Nenhum
Bônus: +65% de intimidação e medo.
Extra: Animais ou semideuses que possuem resistência ao medo não são totalmente afetados, aqueles que não tem a resistência podem perder até uma ação.

Nível 7
Nome da habilidade: Lança-chamas
Descrição: O cão leão consegue reunir energia flamejante em sua boca e, similar a um dragão, lançar chamas em direção ao inimigo. O alcance é de até 25m de distância.
Tipo: Ativos
Gasto de MP: 30
Dano: 60-80
Bônus: Grandes chances de provocar queimaduras.
Extra: Nenhum






Alexandra Nikolaev
Alexandra Nikolaev
IV Coorte
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Nykos {Trama Pessoal} Empty Re: Nykos {Trama Pessoal}

Mensagem por Athena em Sab Jun 08, 2019 11:54 am


Alexandra Nikolaev

Método de avaliação:

Recompensa máxima: 20.000 XP e 20.000 Dracmas.

Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%


Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

Recompensas: 10.000 XP + 30% = 13.000 XP e 20.000 Dracmas (metade da recompensa pelo pedido) + legado de Quione.

Lunafreia recebe 200 XP.

comentários:
Eu sempre fico impressionada quando avalio suas postagens. Adoro a maneira fluida com que você escreve mesmo as coisas mais simples e amo a maneira divertida com que você aborda diversas situações. Parabéns.

Atualizado!


Palas Athena...
Sometimes the power must bow to wisdom. You can be strong, may have power, but if you are wise, you are all well. And more than that, yes you can defeat them. Once warned that to save the world destruiri you-your friends, maybe I was wrong.
Athena
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Deuses Olimpianos
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Mensagem por Alexandra Nikolaev em Sex Set 20, 2019 10:11 am

evento
Trama Pessoal


O Vidente de Argos

Alice pairava ao meu lado quase como uma criança prestes a receber o melhor presente de Natal. A neta de Hefesto, alguém que eu considerava parte de minha própria família, não parava de exigir, suplicar e implorar para que eu o apresentasse.

— Eu não acredito que você o construiu sozinha. — Ela falava pela centésima vez.

Era difícil segurar o sorriso quando se estava perto dela, já que Alice irradiava positividade e expectativa. Ela era, indubitavelmente, uma das coisas nesse mundo que seguravam a minha sanidade e humanidade.

— Era a forma mais saudável de lidar com tudo. — Dei de ombros. — Quando as coisas ao meu redor pareciam ruir e se quebrar, é o momento em que eu preciso construir e criar.

— Isso é tão metafórico. Mas não importa, o resultado foi o Bee!

Ao sair da Griffin Enterprises, fomos diretamente para a região lateral onde ficava a saída da garagem. Um dos funcionários animadamente foi buscar o meu Camaro, fazendo com que Alice quase se voluntariasse a segui-lo. Neguei com a cabeça, colocando as mãos nos bolsos de minha jaqueta. Enquanto aguardávamos, um carro passou próximo de nós. Um Ranger Rover preto de última linha de lançamento, com os vidros baixos ofertando a dolorosa visão de quem estava ali dentro.

Rodrigo era o gerente de Relações Humanas. Um bom rapaz, dedicado e que terminava sua especialização em gestão de pessoas com todo o seu afinco. Argentino, com quase trinta anos e duas graduações completas. O perfil dele era perfeito para um homem moderno de sucesso, ainda assim benevolente e humilde. Aparentemente, estável o bastante para que Camila Guerrero o escolhesse. A latina estava no banco ao lado do motorista, com seu sorriso enorme e mão tocando a nuca do rapaz. Foi uma visão rápida, mas o suficiente para que apertasse o meu peito.

— Alex...

— Não. — Cortei Alice da maneira mais delicada que poderia. — Sim, ainda é um pouco doloroso, não por causa do término em si... Mas como terminou. No fundo, fico feliz de termos chegado à conclusão de que ela não aguentaria toda a extensão de meu mundo. Estava fadado a falhar em algum momento.

— Não deixa de ser uma merda.

Ri sem humor, pois apesar de ter toda a noção de que terminar com uma humana era o mais correto, ainda não deixava de provocar todas as sensações negativas. Semanas já tinham passado, a dor ficava cada vez mais suportável, não significando que se tornava menor ou mais suave. Por sorte, o funcionário finalmente chegou com o meu Camaro amarelado, em sua melhor versão e atualizado. Alice segurou em meu braço, como se isso fosse impedi-la de sair correndo e roubasse o meu veículo robótico.

— Só para deixar claro, você não irá dirigir. — Alertei.

— Tudo ao seu tempo, honey!

Revirei os olhos, mas dessa vez o sorriso que desenhava meus lábios era mais sincero. Entramos no carro que possuía tudo o que um item moderno como aquele poderia oferecer. Alice soltou um grande suspiro, tocando o painel, observando o visor digital, babando em cada detalhe interno que Bumblebee possuía.

— Como isso daqui não atrai monstros? — Alice indagou curiosa e encantada.

— Transferi a magia de um colar para uma gema. — Expliquei dando a partida. — Diminui drasticamente a presença semidivina, o que atrapalha o radar dos monstros. Não quer dizer que estamos totalmente seguras, nunca estamos.

— Ok, ele fala?!

Isso foi o suficiente para que o Bumblebee ligasse o rádio e começasse a responder as perguntas através de trechos de música. Isso foi o suficiente para que Alice fosse totalmente arrebatada por uma máquina.

Estávamos seguindo em direção a minha casa, o turno na empresa tendo encerrado um pouco mais tarde devido a uma reunião um tanto conturbada sobre novos produtos. Dirigir o Camaro era algo natural para mim, já que era uma criação que eu tinha feito, além do próprio carro ter a sua consciência. Mas nada, nem mesmo a perícia e a sabedoria por trás disso tudo, poderia ter evitado o que aconteceu. Foi em uma virada de esquina, Alice exigia saber os detalhes sobre o motor do Bee quando a figura foi finalmente focalizada pelos faróis.

Um homem estava parado no meio do asfalto, braços abertos como se estivesse se entregando a alguma força divina. Tanto meu comando quanto o do Bee foi o de uma freada brusca, quase não sendo o suficiente quando a parte frontal do carro parou a centímetros da perna do desconhecido. O movimento abrupto fez com que nossos corpos fossem para frente, não colidindo com o painel e o volante apenas por conta dos cintos de segurança.

— Ali, você está bem? Baby Bee?? — Questionei alarmada.

Alice resmungou em resposta enquanto que o Bumblebee ligava o farol de milha, expondo ainda mais o desconhecido. Ele deveria ter por volta dos 60 anos e ainda assim parecia jovem para a idade, cabelos grisalhos e marcas dos anos que já foram vivenciados. Ele abaixou os braços, a expressão indiferente e ao mesmo tempo conformada. Eu saí do carro abruptamente, ainda sentindo a adrenalina do perigo de quase ter atropelado alguém.

— O senhor está bem? Deuses, você surgiu do nada! — Falava, mesmo que um tanto nervosa com a situação toda.

— Estou sim, não era o meu tempo ainda! Mas eu estava destinado a encontrar o meu jogador dourado. Não esperava que fosse ser tão literalmente dourado.

— Alex, vamos, ele está bem e parece ter comprado ervas muito boas. — Alice falou com a cabeça do lado de fora da janela.

— Alex, que nome formidável! Seria de Alexis? Alexia? Alexandra? Oh, Alexandra! — O desconhecido ainda falava sorrindo abertamente. — Muito prazer, jogadora dourada, eu sou Anfiarau, o Vidente de Argos!

O segundo de silêncio que se seguiu foi levemente constrangedor. Pela dramatização e ênfase do homem, aquele nome deveria significar alguma coisa. Olhei para Alice que ainda estava parcialmente fora do carro. A neta de Hefesto apenas deu de ombros, indicando que também pouco sabia sobre o que estava acontecendo.

— Olha senhor, eu sinto muito, está tarde. Passar bem! — Nada sutil, eu sei, mas aquilo já estava ficando estranho demais para sutilezas.

— Você é uma semideusa, sabe como não se deve fugir do destino.

Eu estava já de costas para ele, pronta para adentrar o meu autômato quando aquela frase me paralisou por completo. Videntes. Argos. Semideuses. O mundo místico exigia minha atenção uma vez mais? Travei a minha mandíbula, sentindo calafrios tomarem meu corpo e um leve tremor em minhas pernas, ao ponto de me fazer duvidar ser capaz de ficar em pé por tanto tempo.

— Então eu espero que pela primeira vez o destino esteja enganado.

O murmurar foi escutado pelo homem louco, pois ele começou a rir como se a frase fosse tão absurda quanto engraçada. E talvez fosse, mas, naquele momento, tudo o que eu conseguia fazer era adentrar Bumblebee e pedir para que ele me levasse para casa. Graças a gema de sabedoria, o carro-robô era independente o suficiente para dirigir sozinho.

— Você está ok? — Alice questionou com cuidado.

— Eu não estou pronta para outra missão, Ali. — Revelei soltando todo o ar preso em meu pulmão, afundando no assento do carro enquanto Bee deslizava pelas ruas californianas. — Não depois de tudo o que eu já fiz. Será que nunca vai ser o suficiente?

Monstros. Povos secretos. Magia. Mitologias. O próprio céu e inferno. Humanos extremistas... Quantas provações a mais eu teria de enfrentar para poder viver uma vida comum quanto qualquer outro meio-sangue?

— Nunca irá ser o suficiente, Alex...

O tom sério e ao mesmo tempo calmo de Alice chamou tanto a minha atenção quanto a sua fala. Meu olhar azulado repousou na garota de cabelo platinado, surpresa com o que ela estava tentando dizer.

— Sempre haverá problemas, sempre haverá algo a ser feito pelo mundo. É assim desde os primórdios, com os clássicos valentões como Héracles e Jasão. Pessoas como você e seus amigos poderosos... Serão necessários em um mundo tão caótico. E deuses, eu queria que não fosse, gostaria de você segura, morando em sua bela casa com uma bela mulher ao seu lado, com criancinhas e um monte de bichos!

Bufei e soltei um longo suspiro, pois, no fundo, esse também era o meu desejo. Meu último relacionamento poderia ter encontrado o seu fim, mas a vontade de estabilizar como qualquer outra pessoa ainda residia em mim.

— Mas não hoje. — Resmunguei. — Tudo o que eu quero é chegar em casa e jogar uma partida de algum game para distrair.

Alice riu e negou com a cabeça, mas decidiu que também ficaria comigo aquela noite. O que eu internamente agradeci, já que eu não estava disposta a ficar sozinha mais uma vez.

•••

O maldito vidente estava em todos os lugares.

Na minha cafeteria favorita. Em meu arcade que sempre ia as quartas-feiras. No saguão da Griffin Enterprises exatamente no mesmo momento em que eu passava. Na banca de jornais quando eu parei para atravessar a rua. Na fila do Subway do outro lado da cidade de São Francisco.

Alice tinha investigado um pouco sobre aquela figura tão inconveniente e persistente. Anfiarau tinha sido uma figura mitológica, assim como a maioria que envolvia minha realidade mais fantasiosa. Casado com a irmã de um rei, ele participou de uma jornada da qual levou fama, envolvendo uma guerra e jogos olímpicos. Mas, sua maior característica era como vidente. Protegido por Zeus e Apolo, o grego fora transformado em imortal depois de morrer em combate.

Era uma quarta-feira, no final de uma tarde. Eu estava particularmente cansada, após participar de uma reunião com os gerentes da empresa. Todos estavam lá, o que incluía desde o corpo científico ao de propaganda, enquanto era construído a nova atualização de meu famoso jogo virtual. Depois de enfrentar monstros, soldados extremistas, descer ao próprio inferno... Fingir que estava tudo bem parecia uma tarefa simples e que eu estava assustadoramente aperfeiçoando.

— Sabe, não preciso ser um vidente para saber que se você não tomar esse café, ele irá esfriar rapidamente.

O som de derrota escapou de minha garganta. Ao meu lado, o suposto senhor que lia o jornal abaixou o papel, revelando ser na verdade Anfiarau. Ele sorria, como sempre, dobrando o folheto com calma enquanto esperava uma reação minha. Nesses momentos, eu geralmente apenas me levantava e fugia, o deixando para trás junto com sua mensagem do destino. O vidente não me seguia ou fazia qualquer coisa para me impedir, como se pudesse ter a paciência como uma de suas principais virtudes.

Mas eu estava cansada demais para fazer algo. Resmunguei e beberiquei o café que começava a ficar morno dentro do copo descartável.

— Você irá dizer que previu que eu desistiria em algum momento? — Indaguei um tanto incomoda com a situação.

— A vidência é uma coisa engraçada, ela não vem quando mais queremos ou nos dar as respostas que mais almejamos. — Anfiarau comentou tornando o corpo ao meu lado. — Apenas sei que nossos destinos iriam continuar a se cruzar. Eu já estava aqui quando você chegou e não o contrário, semideusa, aproveitando esse final de tarde para ler o jornal em um local não tão agradável.

A rua não era tão movimentada, mas não tinha nada demais além de ser, bem, uma rua. Após a reunião eu apenas precisava caminhar, sair daquele local em que todos tinham grandes expectativas sobre mim e respirar o mesmo ar que qualquer outra criatura viva. Inevitavelmente, eu tinha parado em algum momento para comprar café e apreciar o líquido, sentada em um banco onde aparentemente tinha apenas um senhor lendo um jornal.

— Supondo que esses encontros “aleatórios” irão continuar, o que você espera de mim? — Perguntei olhando finalmente para o vidente.

— Nesses séculos de vida, você aprende a valorizar o que realmente importa. No meu caso, foram as amizades que eu poderia cultivar. Não são todos que podem compartilhar da minha mesma maldição de sobreviver ao longo do devasto tempo.

Franzi o cenho, teimosa demais para admitir que estava ficando cada vez mais curiosa. Eu já poderia ter encontrado diversas pessoas, mas jamais um imortal. Não um como Anfiarau, que tinha vivenciado a gloriosa época de ouro da Antiga Grécia.

— Conheço alguém que está ganhando uma segunda chance. Uma de se livrar de uma maldição da qual não tinha culpa. Mas, se não for feito com cuidado, esse alguém querido para mim cairá em uma complicação tão grande quanto a sua situação atual---

— Anfiarau, as vidências podem ser metafóricas, mas você não. — O interrompi com o máximo de delicadeza que eu possuía. — Estou ouvindo, seja mais direto, quanto mais claro ficar, mais eu poderei entender o que está acontecendo.

— O que você sabe sobre Atalanta?

A pergunta feita de supetão me fez arquear as sobrancelhas e ficar pensativa. Durante a construção de meu jogo, eu tinha participado um pouco das pesquisas sobre os mitos greco-romanos para usar como background do game. Chegávamos até mesmo a ter um pouco de favoritismo na equipe, de quais figuras mitológicas mais gostávamos.

— Se há alguns pontos em comum sobre Atalanta é que é uma guerreira de Arcádia, talvez uma princesa, abandonada pelo pai por não ser um garoto. O que é estúpido, diga-se de passagem. Criada por uma ursa, caçadora de Ártemis, lutou contra o Javali de Cálidon e conheceu o famoso clube dos machos, conhecido como Argonautas.

Anfiarau começou a gargalhar. Arqueei uma sobrancelha, lembrando vagamente de que as chances dele ter feito parte daquele grupo era grande. Vidente ou não, eu tinha de admitir que a natureza do homem se tornava fácil estar ao lado dele. Após o riso, o imortal tornou o corpo em minha direção, respirando fundo para completar a história que eu tinha começado.

— Ela também era bastante resistente ao casamento, apesar disso acabar atraindo ainda mais a atenção alheia. Para escapar da obrigação de casar-se que existia naquela época, Atalanta criou um jogo perigoso de corrida. Se alguém a vencesse, ela se casaria. Mas caso perdesse, ela mesma matava o candidato.

— Isso que é literalmente morrer pela mão de uma mulher...

— Sempre existia um desafiador que se achava bom o suficiente, digno o suficiente de Atalanta. Mas fora apenas um, abençoado por Afrodite, quem conseguiu casar-se com a guerreira. Com um truque de jogar maçãs de ouro no caminho para atrasá-la. — Anfiarau deu de ombros, quando minha expressão se tornou de pura indignação. — Por um momento eles foram felizes. Mas vamos colocar que em meio a tanta felicidade e prosperidade, ele esqueceu de agradecer a deusa do amor.

— Oh merda.

— Os dois foram transformados em leões.

O mito se formou de maneira mais clara em minha mente. Alice tinha comentado algo sobre como um único homem poderia ter estragado o futuro brilhante de uma mulher apenas porque tinha orgulho demais para agradecer. Soltei a respiração, assistindo a expressão de Anfiarau manter-se um pouco pesarosa.

— Por um tempo, isso também não foi um problema. Até a maldição de verdade começar. Eles eram fortes demais, amados demais para morrerem. Com o passar dos séculos, conquistaram o direito de virar humanos por um período de tempo. Complicações aconteceram aqui e acolá, até finalmente chegarmos ao nosso grande momento! — O vidente finalmente voltou a sorrir, mostrando o quanto estava envolvido na história. Eu poderia não ser mais uma celestial, mas tinha aprendido a ler muito bem as pessoas através de suas micro expressões. — Com tantas reviravoltas, os deuses percebem o quanto precisam de heróis ativos, mais do que nunca. Hermes, sempre admirado da velocidade que Atalanta tinha, intercedeu por ela e um novo jogo foi criado.

Minha mente deu um estalo quase ao mesmo tempo em que meu corpo ficou tenso. No primeiro encontro com aquela figura, ele tinha me chamado de jogadora dourada. Eu sabia que ele finalmente estava adentrando no ponto principal.

— Uma corrida pela liberdade condicionada. Enquanto continuar vencendo, Atalanta estará livre, em sua forma humana e desprendida da maldição. Mas, no momento em que perder, terá de casar-se novamente. — Anfiarau explicou. — É uma corrida sem igual, em todos esses milênios eu fico impressionado com cada partida.

— Ok, se ela está bem até o momento, então ela está vencendo. — Deduzi com cuidado.

— É uma armadilha divina. Apesar de ser solidário a Atalanta, o deus mensageiro não pode desafiar tanto a deusa do amor. A deidade está cada vez mais encontrando adversários para Atalanta e, desde então, ela vive apenas para as corridas, tendo cada vez menos tempo de aproveitar esse mundo enquanto ele ainda se mantém inteiro.

Minha mente foi preenchida com as imagens das filhas de Vênus e Afrodite que eu conhecia. Elena e Kyra pareciam tão destoantes do padrão criado para as descendentes dessa deusa que, por vezes, eu esquecia o quanto a divindade podia ser vingativa e perigosa.

— Quando roguei aos deuses, eu tive uma visão. — O tom do imortal tornou-se misterioso e intenso. — Eu vi abelhas.

— Abelhas? — Repeti confusa.

— Sim, abelhas! Eu fiz essa mesma expressão, afinal, como abelhas conseguiriam vencer uma corrida? De tantas mensagens enigmáticas, como deduzir essa? — Anfiarau riu quase sem humor. — Até que ao virar a esquina, eu vi uma enorme máquina amarela e preta.

O copo quase caiu de minha mão, tendo a mesma realização que o vidente. Bumblebee era apenas um termo para zangão. Uma abelha. Meus ombros caíram e meu corpo encolheu no banco, um resmungo tão sincero escapou de meus lábios que o imortal sorriu solidário com minha situação. Porém, três segundos depois, eu estava saltando do banco a beira de um colapso com a segunda realização que eu tive.

— Você quer que eu corra! — Apontei acusadoramente na direção dele.

— Aparentemente o destino quer. — Anfiarau ergueu as mãos defensivamente.

— Mas se eu ganhar, ela irá se casar comigo!

E aí estava a maior realização de todas, o maior absurdo de toda aquela história. Afinal, deuses transformando semideuses em criaturas? Não era novidade. Imortais caminhando pela terra mesmo depois de milênios? Não tão raro quanto deveria ser. Alexandra Nikolaev se casando com uma heroína grega? Oh sim, definitivamente um colapso na realidade.

Anfiarau soltou a respiração, levantando-se do banco ao mesmo tempo em que mexia no interior de seu casaco. Ele retirou um envelope branco elegante, o esticando em minha direção. Eu sabia que não deveria aceitar, toda a minha experiência e instinto dizia isso. Mas ali estavam meus dedos, capturando o convite para encrenca mesmo com claros sinais de hesitação.

— É uma decisão sua, Alexandra. — O imortal falou. — Não tenho recompensas grandiosas, nem mesmo promessas de que estará segura. Apenas um pedido de alguém que deseja que uma preciosa amiga finalmente encontre o destino que merece. Esse é o convite para a próxima corrida e, caso decida participar, precisa saber de mais um detalhe: a corrida só pode ser feita por homens. Algo estúpido sobre tradição.

— Rá! Eu sou mulher! Muito feliz por isso, alias!

— Como se isso tivesse impedido algo, ou devesse impedir. Apenas homens podem correr, não quer dizer que o casamento não possa ser de outra forma. — Anfiarau colocou a mão em punho sobre o peito, curvando levemente o corpo. — Cumpro aqui o meu papel de vidente e amigo, não há nada que eu possa fazer a mais nessa situação, apesar de torcer pela vitória das duas.

— Espera, você não pode--- — E sim, ele simplesmente desapareceu no ar, usando o famoso teletransporte para qualquer lugar do mundo que não fosse ali, bem a minha frente. — Yebena mat'!

Xingar em russo parecia o mínimo para extravasar a confusão que residia dentro de mim.


A Corrida Mortal


O convite possuía poucas informações. Coordenadas de longitude e latitude, além de uma data e de uma hora local. Não fiquei tão surpresa por algo assim acontecer em pelo Arizona, sendo um dos Estados americanos que continha maior vastidão territorial. Era também conhecido por suas zonas áridas e desertas, sendo propício para uma corrida – ilegal? – entre criaturas divinas acontecer.

Faltavam apenas duas horas para a grande corrida e ali estava eu, andando de um lado para o outro dentro de uma casa temporariamente alugada pelo aplicativo Airbnb. Há alguns quilômetros de distância, uma enorme e misteriosa corrida aconteceria, onde estaria em jogo a mão e a liberdade de uma guerreira. Uma que estaria disposta a lutar pela sua independência, mesmo que isso significasse atrito com a própria deusa do amor.

Eu não deveria estar ali.

Naquele exato momento, em São Francisco, acontecia um jantar beneficente a alguma causa que Alice tinha abraçado. Eu deveria comparecer ao lado de Leonard Griffin, meu sócio e amigo, auxiliando a sociedade para além de derrotar monstros. Era a opção mais segura, mais lógica, mais apropriada...

E justamente a que eu não tinha feito.

— Maldito complexo de herói! — Resmunguei para mim mesma, puxando meus cabelos em frustração com minhas próprias ações. — Um dia você morrerá por causa disso, Alexandra Nikolaev, e não poderá culpar ninguém além de si mesma!

Mas eu sabia o que era estar presa a uma maldição. Eu compreendia o desespero de tentar se tornar melhor, de superar os conflitos do passado, de não ser definida por causa deles. Talvez eu estivesse idealizando Atalanta, talvez fosse apenas mais um aspecto ingênuo de minha parte. No entanto, eu não teria paz ou tranquilidade se não fizesse algo, por mais estúpido que isso pudesse soar.

Resmungando uma última vez, fui até ao pé da cama, abrindo a minha mochila sem fundo para retirar a roupa. O vidente tinha sido claro apenas em uma questão: eu precisava ser um homem para participar daquela corrida. Algo que, devido a magia, era relativamente fácil.

Primeiro, peguei o traje de combate comprado no Pandevie, em sua forma mais comum de jaqueta unissex. Estiquei o tecido sobre o colchão, selecionando logo depois uma gema mágica e cristalina, além de uma ferramenta chamada Constrói Tudo. Era aquela pequena pedrinha que faria toda aquela loucura dar certo, já que ela possuía a capacidade de mudar completamente a aparência de alguém. Com a ajuda da lapiseira mágica, eu consegui encaixar a gema no lado interno da jaqueta para que ficasse discreta e menos perceptível.

Com a adaptação feita ao traje disfarçado de jaqueta, comecei a me vestir com as roupas masculinas que tinha dentro de minha mochila. No fim, engoli em seco, fechando os olhos ao ter a imagem mental que precisava para que a peça e o cristal fizessem – literalmente – a sua mágica. Ao levantar e me olhar no espelho, meu queixo caiu prontamente. O reflexo era a de um homem por volta de seus trinta anos, com barba por fazer e cabelo curto. Os olhos, no entanto, permaneciam na mesma tonalidade de azul.

— Ok, isso é puramente científico!

A fala era tão nervosa quanto as mãos que seguiram para o zíper da calça. Ergui o olhar rapidamente depois de averiguar, flagrando meu rosto completamente vermelho e constrangido no espelho. Definitivamente, um homem completo.

Passei a mão em meu cabelo, choramingando por sentir os fios tão curtos, franzindo o cenho ao escutar o som mais grave escapando de minha garganta. Deuses, ser homem era tão estranho! Balancei a cabeça de um lado par o outro, pegando minha mochila sem fundo para sair da casa alugada. Estacionado do lado de fora estava Bumblebee em sua forma de Camaro amarelo. Sorri quando aproximei e o autômato abriu a porta, tocando a música “It’s rainning men” com bom humor. Ele era vinculado magicamente ao meu sangue, podendo me reconhecer facilmente em qualquer aparência.

— Certo baby Bee... OW! Minha voz! — Pigarreei, percebendo que teria de parar de ficar surpresa com qualquer coisa que minha forma masculina fizesse. — Temos uma corrida para vencer, provavelmente muito arriscada. Eu prometo que irei reparar você por inteiro, vamos focar em apenas sair vivos, ok?

Acionei o GPS, ajustando o Golden ao redor de meu pescoço. Se íamos para um lugar místico, diminuir a presença divina poderia ser não apenas uma questão de sabedoria, mas sim de sobrevivência. Bee não tardou a seguir o destino, seguindo para a saída da cidade pequena no interior do Arizona, nos levando até uma estrada de chão.

Ao nos aproximarmos do ponto, literalmente no meio do nada no deserto, franzi o cenho por não avistar nada além de... Deserto. Segurei no volante, assumindo a direção e diminuindo a velocidade, potencializando minha atenção aos arredores. Apenas para ter meu fôlego capturado quando parecíamos atravessar uma espécie de cúpula de força translúcida. Era uma sensação similar a de ultrapassar um portal, porém mais intensa e incomoda. Soltei o ar quando passamos por completo a barreira, tossindo forte enquanto meus pulmões se acostumavam aquela realidade.

Meus olhos lacrimejaram quando olhei ao redor, freando de vez com o Bumblebee. Eu estava no paraíso! O lugar era como uma dimensão alternativa que nos levava para uma cidade que misturava um pouco de tudo, criando um cenário caótico em que tinha trilhas de montanha russa passando pelos prédios, sombra de dragões voando e hologramas publicitários. Era como um jogo cyberpunk de fantasia!

Uma batida na janela me assustou, o que provavelmente foi engraçado para quem assistisse um homem daquele tamanho saltando de maneira tão afeminada. Bee abaixou o vidro, fazendo com que Anfiarau surgisse.

— Você está deslumbrante, para um rapaz. — Fora a primeira coisa que o vidente comentou, sorrindo abertamente. — Chegou bem a tempo, posicione seu carro, a corrida começará em cinco minutos!

— Espera! E as regras? O percurso?!

— Tudo é permitido, desde poderes a truques no carro. Sobreviva, você saberá onde está a linha de chegada.

O imortal apontou em direção a onde inúmeros veículos estavam estacionados, acenou e se afastou, sumindo na multidão. O local estava cheio, criaturas se mesclavam a pessoas com togas e roupas antigas. Trêmula e agitada, acelerei com Bumblebee para um espaço livre em meio aos carros, segurando no volante enquanto assistia as coisas ao meu redor. Uma empousa passou ao lado de meu carro, sorrindo com seus dentes vampirescos e piscando um olho de maneira... Oh my! Ela estava flertando?! Voltei minha atenção para frente, engolindo em seco quando alguém apareceu a frente da linha de partida.

Era um homem belo, com mais de dois metros de altura, com sandálias aladas e roupas gregas clássicas. O sorriso dele se tornou enorme quando ele ergueu os braços e a plateia espalhada pelo ambiente começou a gritar o seu nome: Hermes.

— Senhoras, senhores! Criaturas do céu e do submundo! Bem-vindos a mais uma corrida de Atalanta!

Aplausos explodiram ao redor, junto com fogos de artifícios que fizeram uma leoa em pleno céu aberto. Meus olhos brilharam, naturalmente encantada com tudo ao meu redor. Do alto, no entanto, o ronco de um motor superou todo ruído, fazendo meu corpo estremecer com a potência. Como filha de Vulcano, eu sabia exatamente quando uma máquina era poderosa e, deuses, aquela poderia me fazer suspirar sem nem ao menos ter tido um vislumbre dela! O que logo foi remediado, quando uma moto vermelha surgiu do alto, saltando de uma rampa e ultrapassando todos os carros, pousando ao lado do deus mensageiro com o máximo de graça que um salto como aquele poderia ter.

A pessoa sobre a moto tinha evidentemente um corpo feminino, mas as roupas escuras e o capacete impediam de ver totalmente a sua fisionomia. No entanto, não era preciso ser um gênio para saber quem ela era: Atalanta. Os uivos masculinos começaram, o que me fez sentir um incomodo pela heroína grega.

— Preparem-se, jogadores! — Hermes gritou animado, voando mais cinco metros para o alto. — A corrida irá começar!

Os sons dos roncos de motores se tornaram ensurdecedores e, ao mesmo tempo, excitantes. Era uma loucura, era perigoso, era um risco alto de morte... Mas deuses, eu estava adorando cada segundo daquilo. Acelerei junto com os outros, vendo uma espécie de semáforo flutuando a frente, começando a contagem do vermelho. Respirei fundo para concentrar, imaginando que aquela corrida seria tudo o que eu menos esperava, o que me colocava em um mar de surpresas a minha frente. No sinal amarelo, Bumblebee ligou o som, fazendo algum solo de guitarra soar mais alto do que o nosso próprio motor. Sorri grande poucos segundos de finalmente o sinal verdes aparecer.

Todos aceleraram ao mesmo tempo. Batidas aconteceram desde o primeiro segundo: carros, motos e outros veículos que eu nem ao menos saberia classificar pareciam se embolar na pista para obter alguma vantagem. Eu não usei de toda a potência, afinal não estava em uma posição vantajosa a frente, precisando de toda a precisão possível para desviar de rodas, portas e até mesmo jogadores que saiam voando depois de colidir em algo ou em alguém.

Um trator literalmente atravessou a minha frente, fazendo-me girar o volante e entrar em uma esquina estreita. Meu coração apertou ao escutar o fundo de Bumblebee arrastando contra a parede, provocando os primeiros arranhões. Acelerei ainda mais, mesmo que aquele beco fosse perigosamente estreito, eu tinha total propriedade sobre a visão especial e sobre minha própria criação. Ao sair, derrapamos em um drift, fazendo com que dois carros batessem contra a parede em uma tentativa de desviar.

De volta para a corrida, eu tive um vislumbre de uma moto vermelha. O único veículo que possuía aquela cor, como se fosse a presa que precisava ser caçada pelos outros competidores. O que, de fato, era o que estava acontecendo. Troquei a marcha para ganhar mais aceleração, acompanhando de perto quando um caminhão atravessou o caminho dos competidores mais a frente. Atalanta, no entanto, não desacelerou. Ela jogou o corpo para baixo, derrapando por debaixo do caminhão, em uma manobra que me deixou de queixo caído e dependendo de Bumblebee para desviar de um carro que capotava em nossa direção.

Cena Representativa:
Nykos {Trama Pessoal} NeedyFarflungChrysomelid-size_restricted

— Ela é louca! — Exclamei para o Bee, rindo sem nem ao menos saber o motivo.

O próximo desafio veio de maneira assustadora. Pêndulos surgiram repentinamente do ar, colidindo contra os prédios ao nosso redor, fazendo tudo ruir. O carro a minha frente acelerou e eu estava prestes a gritar por ele, quando ele se tornou intangível. Xinguei alto em russo, pois ao não colidir contra o veículo a frente, o pêndulo estava vindo em minha direção! Girei o volante ao mesmo tempo em que puxava o freio de mão, fazendo com que Bee derrapasse de maneira circular. A frente esquerda foi atingida, com força o suficiente para fazer com que o carro continuasse a girar, mas graças as trações e ao próprio Bee, tudo foi estabilizado.

Cena Representativa:
Nykos {Trama Pessoal} Tumblr_p5gynxUMwz1r5cyr0o1_500

Uma avenida em linha reta começou. A pista se tornava mais fácil, porém, ao mesmo tempo, o jogo se tornava mais perigoso. Eu assisti quando um semideus manipulou a pista ao lado, fazendo com que o asfalto deslocasse e formasse uma espécie de rampa curva. Do outro lado, outro homem estava em uma Ferrari vermelha, com uma espécie de besta de repetição presa ao pulso, atirando nos carros e veículos a frente.

— Baby Bee, cuidado redobrado, é o campo de guerra agora!

Eu mal tinha terminado de falar quando o rapaz da Ferrari colidiu na lateral de meu Camaro. Resmunguei alto, olhando para o lado bem a tempo de ver a arma apontada em minha direção. Abri bem os olhos, freando o carro no último segundo, fazendo com que o dardo lançado passasse a poucos centímetros do para-brisa de Bumblebee. Como contra-ataque, estiquei minha mão para frente, conectando precariamente com o metal do carro italiano, mas que ao fechar o punho, eu sabia que coisas estavam sendo amassadas em seu interior. O suficiente para que fizesse fumaça saísse de dentro do capô e o garoto ficasse para trás.

De volta para a corrida, eu finalmente percebi que existiam apenas quatro corredores restantes. O número reduzido de centenas era assustador, fazendo-me questionar o que deve ter acontecido durante o percurso que eu não tinha visto. Quem liderava o caminho era a moto vermelha. Atalanta não hesitava em acelerar e enfrentar os obstáculos a frente, desviando por centímetros ou até mesmo saltando por eles. Ela tinha acabado de desviar de um post que caia, quando o mesmo semideus que tinha a capacidade de manipular a terra apareceu próximo dela. Eu vi a mão esticada para fora da janela, apontando para baixo e, sem precisar ser um adivinho para saber que ele iria atacá-la, eu acelerei o carro.

Bati contra a lateral dele, repetindo inúmeras desculpas ao Bee por machucá-lo no processo, mas persisti empurrando o veículo até que esse bateu contra um poste. Porém, ao salvar Atalanta de cair em alta velocidade, eu tinha acabado em última posição. Talvez eu devesse apenas torcer para que ela ganhasse a corrida e...

— Bee? — Questionei quando o volante girou sozinho, indo em direção a uma garagem dentro de um prédio. — O que você está fazendo? — Ele foi rapidamente até o topo, parando em uma garagem no último andar. Então meu carro acelerou com tudo. — BUMBLEBEEEEEEE!!!

Eu já tinha assistido inúmeros filmes em que os carros saltavam de um prédio para outro. Mas uma coisa era uma projeção feita por Hollywood, outra totalmente diferente era estar dentro de um veículo amarelo possuído! Segurei onde podia, sentindo o ar preso em minha garganta enquanto Bumblebee estava em pleno ar, o corpo todo estremecendo quando alcançamos o outro prédio em um pouso nada sutil. Bumblebee não parou, continuou saltando de um terraço a outro, até estarmos próximos da linha de chegada.

Tudo aconteceu em câmera lenta, quando ele saltou de uma altura de cinco andares enquanto a moto vermelha estava praticamente emparelhada ao lado. Aquele foi o pouso mais bruto, fazendo com que meu corpo balançasse e não colidisse com o volante apenas por causa do cinto de segurança. O carro finalmente parou, mas o mundo continuava a girar e a girar de tal modo a me fazer acreditar que se eu me movesse rápido demais cairia no Tártaro novamente.

— Bee? Baby? Você está bem? — Questionei temerosa dos danos sofridos por meu bebê. Assustada o suficiente para sair do veículo e colocar as mãos na cabeça ao ver a quantidade de amassos e arranhões. — Deuses, o que eu fiz com você?

— NÓS TEMOS UM CAMPEÃO!

A voz de Hermes fora alta e vibrante o suficiente para provocar um pequeno susto. Ao olhar para os lados, a multidão tinha retornado e telas holográficas flutuavam exibindo minha versão masculina e Bumblebee.

Espera.

Parem a realidade.

Eu tinha vencido?

A moto vermelha estacionou perto, a mulher vestida de preto desceu fazendo-me perceber que ela era alguns centímetros mais alta do que eu. Ela repousou as mãos sobre o capacete, finalmente o retirando. Mais uma vez o mundo pareceu entrar em câmera lenta, como em uma cena típica de filme quando a personagem principal fazia sua grande entrada e todos a percebiam. Dizer que aquela mulher roubava o fôlego de tão linda não era uma hipérbole, não quando eu estava exatamente vivenciando isso de maneira literal.

Atalanta possuía cabelos dourados, lisos e revoltos. Seu rosto era um dos mais lindos que eu já tinha presenciado de perto. No entanto, era o olhar dela que me mantinha ali, paralisada por breves segundos enquanto a admirava. Verde, intenso, predador, felino.

— Quem é você? — A mulher questionou de maneira rude, repousando o capacete sobre o tanque da moto nada contente.

— A-alex.

Ótimo, estava gaguejando como uma adolescente recebendo a atenção da garota mais popular da escola. Atalanta pareceu me olhar de cima a baixo de maneira crítica, deixando-me extremamente acanhada quando percebi a desaprovação em seu semblante.

— Alex!

— Anfiarau! — Tanto eu quanto Atalanta falamos ao mesmo tempo.

O vidente se aproximou com um enorme sorriso, abraçando-me fortemente. Ele parecia risonho e contente, feliz demais para notar que Atalanta o fuzilava com o olhar. Mas o imortal não teve tempo de se explicar, não quando duas criaturas divinas flutuaram do céu até pousar próximo a nós. Anfiarau desfez o abraço rapidamente, curvando-se perante a presença dos dois deuses, assim como Atalanta o fez mesmo que de maneira mais discreta.

— Hermes, Afrodite. É uma honra está na presença de vocês. — Anfiarau praticamente cantarolava.

— De todas as artimanhas que você já fez ao longo desses milênios, essa supera todas. — Hermes cruzou os braços. — Você pensou que eu não saberia da trapaça?

— Nenhuma regra foi quebrada, meu senhor. — Anfiarau argumentou pacientemente. — Qualquer homem poderia participar da corrida, nada dizia sobre o gênero ser temporário.

Eu estava totalmente tensa. Hermes, apesar de ser um deus mensageiro e dos viajantes, também era o deus dos ladrões. Obviamente ele saberia que aquela imagem que eu usava magicamente era apenas um disfarce! E, para piorar, ao lado do deus estava a entidade divina que eu mais respeitava e temia: Afrodite. Eu não conseguia olhar diretamente para ela sem sentir minhas bochechas avermelharem. Ela era surrealmente linda e magnífica, como eu poderia ser digna de olhar para algo assim?

Por isso, quando ela se aproximou, eu tive meu fôlego roubado uma vez mais. A deusa tocou meus ombros suavemente, gerando um calor e conforto por minha pele. Mas, eu senti a magia se desfazendo, inibindo o efeito da gema mágica ao ponto de retornar a minha real aparência.

— Alexandra Nikolaev. — A voz suave e aveludada de Afrodite ressoou no ambiente. — Filha de meu querido Vulcano.

Engoli em seco, me perguntando se Afrodite teria alguma mágoa por causa de minha existência. Afinal, eu era resultado de uma traição de seu marido romano.

— Ei! Isso é trapaça, não foi válido! A corrida tem de continuar! — Um dos competidores se aproximou, ele era alto, com tatuagens nos braços e um verdadeiro garoto problema. — Ela é uma garota!

— Ah Josh, meu querido filho, por mais que eu tivesse torcido por você, não se iluda meu bem. — Afrodite se afastou, rindo de maneira jovial. — Ela é uma heroína e, como sabiamente o vidente de Argos pontuou, não foi quebrada nenhuma regra.

— Eu sou mais forte, mais digno, deixe-me duelar por Atalanta e---

— Bee.

O carro amarelo prontamente respondeu ao meu chamado, se desdobrando tão rápida e maravilhosamente até completar sua forma mais robótica. Bumblebee ainda acionou a sua espada, a cravando no chão próximo ao filho de Afrodite. O garoto recuou com os olhos arregalados, encarando o autômato como se fosse um ciclope ou hiperbóreas.

— Sem mais interrupções. — Hermes alertou.

— Não estrague um pouco de drama, Hermes! É a melhor parte de um enredo! — Afrodite reclamou com um beicinho, mas logo suspirava. — Mas vamos ao que importa, trato é trato. Atalanta e Alexandra, eu vos declaro casadas! Enquanto utilizarem as alianças, a maldição será anulada. Sem as alianças, vocês terão apenas dois dias para colocá-las novamente ou o casamento estará desfeito e a maldição retornará... permanentemente.

— Estou indo para o Jardim dos Deuses, minha bela Afrodite. Aceita acompanhar-me? Soube que Dionísio está testando algo novo...

E assim, em meio a risos, os deuses desapareceram em um jogo de luzes. Soltei finalmente minha respiração, passando a mão no meu rosto como se assim pudesse me livrar de toda a tensão. Mas, graças a isso, notei a aliança em meu dedo. Era dourada, delicada e simples. Um símbolo de união estável com alguém, porém que significava um novo começo. Ergui meu olhar para Atalanta, a vendo encarar a própria aliança como se não conseguisse acreditar no que estava acontecendo.

— Hm... Er... Oi! — Arrisquei aproximar alguns passos, mas parando assim que os olhos verdes repousaram sobre mim. — Então, só para esclarecer, você é livre ok?

— Livre? — Atalanta questionou confusa.

— Sim? Eu não vou tirar a aliança, nem usar como ameaça. Você é livre pra fazer o que bem entender, ir para onde quiser, viver sua vida. — Dei de ombros. — Esse “casamento” é pra ser o contrário de uma prisão.

— Você não me quer?

— Não. Digo, você é linda e até me deixou meio que sem ar, e eu vi como você pilota uou! Mas não. Você se pertence e a mais ninguém, ok? — Eu estava nervosa ao falar, mas precisava deixar claro para a mulher do que estava realmente acontecendo.

— E você arriscou sua vida para me ter como prêmio e me deixar partir?

Atalanta parecia ter dificuldades em aceitar a situação. O olhar dela era desconfiado, defensivo, como se aguardasse a qualquer momento que tudo desse errado. Eu não a culpava, não com a história que ela possuía.

— Não é todo dia que eu posso participar de uma corrida como essa. — Dei de ombros e mordisquei brevemente o lábio inferior. — Também já tive uma maldição, sei como é. Se eu podia ajudar, por que eu não o faria? Qualquer coisa, culpe o Anfiarau.

O vidente estivera quieto o tempo todo, sorrindo em seu canto enquanto observava a cena. Ao ter seu nome mencionado, ele arqueou as sobrancelhas e riu de maneira breve. Atalanta começou a questioná-lo no que parecia ser grego antigo, algo que eu entendia apenas brevemente. Olhei para Bee e sorri para ele, sendo isso o suficiente para que ele retornasse a sua forma de carro. Ao nosso redor, uma festa parecia acontecer, mas eu não queria permanecer em um lugar como esse, desconhecido e exposta.

— Eu preciso ir. Alice provavelmente vai surtar, tentar me matar, surtar novamente e só então pedir detalhes da corrida. — Comentei abrindo a porta do carro.

— Você irá sobreviver. — Anfiarau sorriu.

— Espero que tenha previsto isso, vidente de Argos. Boa sorte Atalanta! — Entrei no veículo, finalmente respirando fundo. — Vamos para casa Bee, preciso deixar você novinho em folha. Você foi um louco sabia?

Ele respondeu tocando vários trechos de música que falassem sobre “crazy”. Gargalhei dentro do carro, sentindo finalmente a adrenalina deixando meu corpo depois de uma situação tão atípica, perigosa e excitante como a que tinha vivido.

•••

Eram quase quatro horas da manhã quando finalmente comecei a guardar as ferramentas. Estava na garagem de minha casa, ajustando parte por parte de Bumblebee depois de nossa corrida. Eu não conseguiria dormir enquanto não deixasse meu baby novinho em folha, com a sensação de que ele estava bem novamente. Talvez tivesse terminado mais cedo, se não fosse as longas mensagens de íris que Alice a todo momento acionava, sempre questionando algo novo sobre o que tinha acontecido.

Estava limpando a graxa de minhas mãos quando a companhia da frente de casa ressoou por todo o ambiente. Chequei o horário, desconfiada e alarmada de quem estaria em minha residência naquele momento. Os únicos que sabiam onde eu morava, eram apenas Leonard, Alice e minha própria mãe, Katerina. Com uma chave de fendas em mãos como arma, sai da garagem e fui até a porta. Através de um dispositivo digital, consegui ter um vislumbre de quem estava do outro lado. A surpresa tinha sido grande o suficiente para deixar a ferramenta cair no chão, minha mão indo rapidamente até a porta para abri-la de uma vez.

— Você?! O que... Como?!

— Você disse que eu poderia fazer o que quisesse e bem entendesse. Então decidi morar com você, esposa.

Atalanta não esperou por permissão para passar por mim e entrar em minha casa. Meu queixo estava caído, meu corpo tenso enquanto minha mente processava o fato de que existia uma loira exuberante no meio de minha sala. Que, porventura, era minha esposa. Atalanta tinha apenas uma grande mochila presa as costas, nada mais do que isso e as roupas de seu corpo. Ela parecia olhar ao redor e, com um sorriso presunçoso, a mulher se sentou confortavelmente no sofá deixando evidente que não tinha pretensão nenhuma de sair dali.

Holly shit!


Item almejado

• Aliança [Um anel dourado simples e discreto, mas característico de uma aliança de casamento. Atalanta possui um anel idêntico, sendo o complemento para que o efeito funcione. | Efeito 1: Ao estar em uso, impede que a maldição de Atalanta esteja ativa, a permitindo viver sem sua forma humana.; Efeito 2: xxx; Efeito 3: xxx; | Ouro imperial | Beta | Espaço para 1 gema | Status 100%, sem danos | Mágico | Trama Pessoal]





Alexandra Nikolaev
Alexandra Nikolaev
IV Coorte
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Mensagem por Alexandra Nikolaev em Sex Set 20, 2019 10:26 am

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Informações


Itens:
• Bumblebee [Um autômato de 4m de altura, possuindo características similares ao do personagem de igual nome da franquia Transformers. Ou seja, é um construto que pode assumir a versão mais atual e potente de um Camaro amarelo, com potência capaz de alcançar 100km/h em 4,5seg. Em sua cabeça foi implementado sistemas que reproduzem voz e rádio, além de análise de ambiente. Seus olhos possuem dispositivos infravermelhos e de calor. De seu braço direito, uma espada retrátil foi implementada, possuindo dois metros de cumprimento. Assim como no braço esquerdo um escudo circular retrátil também foi acrescentado a constituição. Ambos como dispositivos que podem ser acionados de maneira mecânica. Em seu peitoral há o motor em forma similar ao de coração, além de um sistema interno que faz a máquina funcionar com energia solar e uma bateria extra. Durante o dia Bumblebee recarrega, podendo mover-se em plena função por até dois dias sem necessidade de carregamento novamente. A bateria extra, no entanto, dura apenas 12h de funcionamento. Em seu peitoral estão os faróis que seguem o comando básico de iluminação. | Efeito de ligação: é vinculado a Alexandra, retornando e obedecendo a ela como principal mestre e programadora.; Efeito de transformação: Capaz de tomar uma forma de miniatura, tanto em sua versão automobilística quanto em seu aspecto robótico. | Efeito 1: Transformação acelerada, permitindo que o robô se transforme em um carro e o carro em um robô de maneira magicamente fluida e perfeita.; Efeito 2: Encantamentos foram feitos nas rodas, capacitando Bumblebee a flutuar sobre superfícies, contanto que haja uma, sem perder a velocidade.; Efeito 3: xxx | Bônus de forja: 15% de dano, bônus de FPA e lendário +60, bônus PosUNR: 20% de dano (já aplicados no dano base). | Efeito lendário elemental: Ganha propriedade de conduzir raio e metal, qualquer poder de raio lançado contra Bee poderá ser rebatido e lançado novamente para o lançador, ou seja, quem lançou o poder. Tal dano ainda poderá ser neutralizado.| Vibranium e dispositivos | Super Alfa | Gema Anuladora: Reduz em 75% a presença mística; Gema de Sabedoria: Ao ajustar essa gema a um acessório ou item, permitirá que o portador seja abençoado com a sabedoria, apurando a inteligência e a capacidade de ajudar.; Espaço para uma gema | Status 120%, sem danos | Dano base: 145 | Lendário | Forjado por Nikolaev]

Traje xXx [Para os grandes fãs de heróis e vilões dos quadrinhos, esse item oferece a perfeita oportunidade de usar um traje digno das HQs mais famosas e populares. Ao vestir o traje, o usuário será revestido com todas as qualidades que o item poderia oferecer. | Efeito de transformação: Pode assumir a forma de uma peça de roupa comum | Efeito 1: Similar ao efeito de transformação, porém de maneira mais apurada e rápida, o traje pode assumir a forma que a mente criativa do usuário desejar. Em um momento estará usando a roupa do Spiderman, no outro um dos trajes da Batfamily. Também é possível criar um modelo próprio; Efeito 2: Ao estar com o traje, seu personagem reduz em 75% os ruídos do corpo, ou seja, se torna mais silencioso ao se movimentar. Isso não exclui a percepção de outros fatores, como o cheiro. | Fibra de carbono, couro mágico, kevlar | Beta | Espaço para uma gema | Status: 100%, sem danos | Mágico | Comprado no Pandevie Magie]

• Gema Aparência Cristalina [Um cristal que possui uma energia azulada dentro de si | Efeito único: Pode mudar a aparência do semideus completamente, o fazendo parecer outra pessoa enquanto estiver usado esses sapatos. | Gama |Mágico | Status 100%, sem dano | Encantado por Stefan]

• Golden Magic [Um colar que possui um pingente a escolha do seu dono. Seu formato ou estilo em nada se compara a magia que está presente nesse acessório | Efeito: Ele esconde em 75% a presença semidivina do usuário, permitindo que ele passe despercebido por monstros e use até mesmo tecnologia mais avançada. Monstros superiores e mais poderosos ainda conseguem reconhecer o usuário do colar como um semideus, mesmo que leve um tempo para distinguir a aura | Prata ou Ouro | Sem espaço para gemas | Gama | 100% sem danos | Mágico | Comprada na Pandevie Magie]

• Constrói tudo [Inicialmente esse item é apenas uma lapiseira simples de desenho, contudo para o forjador pode virar muito mais. | Efeito 1: A lapiseira pode se transformar em qualquer item utilizado para ajustes, desde afiadores, chaves, polidores, marcadores, tesouras e qualquer coisa que sirva para realizar e ajustar detalhes em suas criações, as deixando ainda mais perfeitas. Efeito 2: Esse item ajuda e auxilia a encontrar erros e ajustar os detalhes mais complicados e minuciosos. | Hefestiana | Sem espaço para gemas. | Alfa | Status 100%, sem danos. | Mágico. | Sistema de medalhas]

• Mochila sem fundo [Mochila de prata com material simples, sem bolsos laterais, com um único zíper, uma única entrada e uma única saída.| Efeito 1: A mochila não possui fundo, foi encantada para caber inúmeros objetos, ou seja, seu espaço é infinito, tudo que você colocar dentro dela permanece ali, desde que passe pela parte de cima, ou seja, você precisa conseguir colocar o item pelo buraco, que é largo o suficiente para passar até uma panela de pressão. Para pegar o item de volta basta colocar a mão dentro da mochila e pensar nele, e ele retorna para suas mãos.| Efeito 2: A mochila permite ao semideus levar 3 itens a mais em missões e eventos, como uma forma de burlar as regras. Por exemplo, se o narrador estipulou apenas 1 item para a missão, o meio-sangue poderá levar essa mochila e com ela liberar mais 2 itens (pois ela conta como 1, gastando um dos 3 extras) | Indefinido | Sem espaço para gemas | Alfa | Status: 100% sem danos |Lendário e mágico | Comprado na Loja Especial do BO]

Traje depois do ajuste, pfvr atualizar!:
Traje xXx [Para os grandes fãs de heróis e vilões dos quadrinhos, esse item oferece a perfeita oportunidade de usar um traje digno das HQs mais famosas e populares. Ao vestir o traje, o usuário será revestido com todas as qualidades que o item poderia oferecer. | Efeito de transformação: Pode assumir a forma de uma peça de roupa comum | Efeito 1: Similar ao efeito de transformação, porém de maneira mais apurada e rápida, o traje pode assumir a forma que a mente criativa do usuário desejar. Em um momento estará usando a roupa do Spiderman, no outro um dos trajes da Batfamily. Também é possível criar um modelo próprio; Efeito 2: Ao estar com o traje, seu personagem reduz em 75% os ruídos do corpo, ou seja, se torna mais silencioso ao se movimentar. Isso não exclui a percepção de outros fatores, como o cheiro. | Fibra de carbono, couro mágico, kevlar | Beta | Gema Aparência Cristalina: Pode mudar a aparência do semideus completamente, o fazendo parecer outra pessoa enquanto estiver usado esse traje. | Status: 100%, sem danos | Mágico | Comprado no Pandevie Magie]
Poderes Passivos:
Nome do poder: Reparos Rápidos
Descrição: Filhos de Hefesto/Vulcano conseguem consertar aparatos mecânicos rapidamente, gastando metade do tempo que uma pessoa comum levaria para tal.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Conseguem concertar qualquer coisa em apenas dois turnos.
Dano: Nenhum

Nome do poder: Tecnopatia
Descrição:  A tecnopatia é a habilidade de se conectar mentalmente a diversas formas de tecnología. Isso permite ao semideus entender, controlar e gerar transmissões eletrônicas, digitais e de rádio. Pode interagir com computadores, manipular vídeos e frequências de rádio.
Gasto de MP: Nenhum
Gasto de HP: Nenhum
Bônus: Tecnologia não atrai monstros quando usadas pelo filho de Hefesto/Vulcano.
Dano: Nenhum
Extra: Nenhum

Nível 4
Nome do poder: Pensamentos Velozes
Descrição: Os filhos de Hefesto/Vulcano possuem uma capacidade de analisarem rapidamente a situação em que se encontram e criarem uma estratégia param se safarem dela.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Ganham um turno para conseguirem agilizar mecanismos e armadilhas, e assim, criarem algo para ganhar vantagem perante a batalha.
Dano: Nenhum

Nome do poder: Detecção de Armadilhas
Descrição: Os filhos de Hefesto/Vulcano podem sentir armadilhas, especialmente armadilhas mecânicas, habilidade que permite encontra-las, e desarma-las remotamente.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Pode solicitar ao narrador que indique onde estão as armadilhas, pois, nunca será pego por elas.
Dano: Nenhum

Nome do poder: Respiração forte
Descrição: Você se acostumou com fuligem e ar carregado. Ar rarefeito e toxinas que agem por meio respiratório já não lhe afetam como a maioria, bem como lugares fechados e variação de pressão – Hefesto/Vulcano vive dentro de um vulcão, e como filho dele você tem a mesma resistência.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Consegue respirar normalmente em lugares carregados, e não ficam tão cansados durante a batalha. Poderes relacionados a respiração, ar, e asfixia são 50% menos efetivos contra você.
Dano: Nenhum

Nível 12
Nome do poder: Corpo de Aço
Descrição: Todos os equipamentos de defesa usados por meus filhos irão adquirir maior resistência enquanto estiverem em seus corpos.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +10% de defesa em ataques desferidos contra os corpos de mecanismos como armaduras.
Dano: O dano diminui em +5% caso o semideus seja atingido, enquanto estiver usando uma armadura ou algo semelhante.

Nome do poder: Forjador III
Descrição:Agora você entende de mecanismos complexos e avançados, podendo fabricá-los com uma facilidade e maestria inexistente em qualquer outro semideus. Suas armas são mais fortes do que as armas de qualquer outro forjador, e agora que entende isso, você simplesmente se torna o destaque do momento.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Confira abaixo
Dano: +15% de dano aos itens fabricados pelo semideus de Vulcano/Hefesto.
Vantagens:
• O metal manipulado pelo semideus em forja se torna naturalmente mais forte, passando a ter uma resistência a mais do que a sua forma natural. Por exemplo, ao fazer um item com metal considerado gama, ele passará a ser de resistência beta ao ser usado na forja de um filho de Hefesto/Vulcano.
• Acoplar gemas de maneira simples e fácil
• Criar mecanismos complexos, sendo o nível ideal para criar autômatos.
• Mecanismo de transformação: para a cria do deus forjador, basta visualizar na mente a forma que deseja que o item assuma e o metal irá se dobrar e manipular até assumir a imagem na mente de seu forjador ao receber marteladas suaves para não danificar sua estrutura. O martelo é o condutor perfeito para realizar tal ação.
• OBS: Itens beta se transformam em itens alfa; alfa em super alfa, mas jamais em alfa prime, esse nível de resistência só é obtido pela sorte nos dados ou em eventos.

Nível 15
Nome do poder: Geek
Descrição: Sua familiaridade com máquinas o torna apto a usar qualquer tipo de tecnologia e aprimorá-la, futuramente, em seus projetos. Além disso, não atrai monstros ao utilizar aparelhos mecânicos/ tecnológicos, como celulares e afins.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum

Nome do poder: Inteligência
Descrição: Os filhos de Hefesto/Vulcano são extremamente inteligentes e tem facilidade de aprender, absorver e compreender tudo aquilo que é ensinado a eles. São autodidatas e ao se dedicarem são capazes de descobrir coisas mais facilmente, criando suas próprias teorias, projetos e sistemas com base em suas próprias pesquisas.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus:  +20% de inteligência e raciocínio logico.
Dano:  Nenhum

Nome do poder: Habilidade com as mãos
Descrição: Os filhos de Hefesto desenvolvem habilidades diversas com as mãos devido a manipulação constante de objetos (pequenos e grandes). Por conta disso tem facilidade em utilizar qualquer uma das duas sem grandes problemas, tornando-se ambidestros.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Podem utilizar qualquer uma das mãos sem problemas.
Dano: Nenhum

Nome do poder: Resistência a Impactos
Descrição: Filhos de Hefesto/Vulcano são mais resistentes a grandes impactos, podendo cair de grandes altitudes e ainda sobreviver. Quedas de até dois metros de altura não machucam os filhos do senhor das forjas, mais que isso, tem o dano reduzido.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Impactos de grandes altitudes podem ter o dano reduzido em 40% para o filho de Hefesto/Vulcano, ou menos, no caso de ser algo realmente absurdo, como um penhasco. Apesar de ficar fraco, ainda poderá sobreviver.
Dano: Nenhum

Nome do poder: Matemático
Descrição:  O semideus tem grande facilidade com números e é um ótimo matemático. Sempre saberá com precisão altura, largura, peso, distância e profundidade apenas analisando um objeto ou local por um tempo.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +30% de percepção.
Dano: Nenhum

Nome do poder: Visão Espacial
Descrição: Filhos de Hefesto/Vulcano são especialistas na montagem de coisas, portanto, possuem a visão lógica e espacial mais desenvolvida que outros semideuses sabem em que lugar colocar uma peça intuitivamente, e qual será o efeito, seja para consertar ou destruir um aparato mecânico-tecnológico. Esta noção espacial pode ser utilizada em outras situações quando chega a tal ponto de aprimoramento, podendo usá-la agora para descobrir a exatidão de distâncias e medidas utilizando somente o olhar. Podendo calcular distâncias entre corpos somente com uma rápida olhada.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Ao observarem o ambiente ao redor e conhecerem o campo, entenderem como funcionam, ganham uma vantagem de campo de +20%, seus atributos de velocidade, resistência, e esquiva serão melhorados em +10%, lhe dando uma vantagem diferente.
Dano: Nenhum

Nome do poder: Pericia com armas criadas II
Descrição: Armamentos criados pelo filho de Hefesto/Vulcano, em suas mãos são armas perfeitas, por entenderem seu mecanismo e funcionamento, também adquirem certa facilidade ao lidarem com elas. Como são os criadores das armas conseguem lidar com elas perfeitamente.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +100% de assertividade no manuseio da arma.
Dano: +40% de dano se o inimigo for atingido pela arma do semideus.

Ativos:
Nome do poder: Magtocinese III
Descrição: A prole de Hefesto/Vulcano é capaz de gerar e controlar o magnetismo. Com essa capacidade o semideus poderá mover livremente metais e qualquer outro tipo de matéria que possa ser magneticamente atraída pelos campos magnéticos. É a habilidade de mover, atrair, levitar e repelir principalmente os metais.
Gasto de MP: 40MP
Gasto de HP: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum
Extra: Consegue manipular objetos de até 150kg. Quanto mais leve, melhor o controle. Não funciona em objetos desmagnetizados.

NPCs

Anfiarau, o Vidente de Argos

Protegido por Apolo e Zeus, foi uma figura heroica que participou da caçada do mitológico Javali e de guerras ao lado de alguns argonautas. Teve um casamento difícil graças ao seu cunhado e uma esposa que foi manipulada pelo irmão. Tornou-se imortal após uma guerra, servindo como adivinho dos deuses ao passar dos milênios. É simpático, divertido e enigmático como qualquer vidente deve ser. Amigo de Atalanta desde a grande caçada.


Atalanta, a guerreira de Arcádia.

Um dos mitos femininos mais conhecidos da Grécia Antiga, Atalanta possui uma história cheia de altos e baixos. Nessa trama pessoal, conquistou a chance de lutar por sua liberdade ao vencer corridas, porém se viu presa nesse ciclo de competição constante. Agora, “casada” com Alexandra, consegue finalmente a liberdade de fazer e viver como quiser.



Alice, legado de Hefesto

Melhor amiga de Alexandra e o mais próximo de família que ela tem. Trabalham juntas na Griffin Enterprises, por isso estão constantemente em contato uma com a outra.





Alexandra Nikolaev
Alexandra Nikolaev
IV Coorte
IV Coorte


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Nykos {Trama Pessoal} Empty Re: Nykos {Trama Pessoal}

Mensagem por Hefesto em Sab Set 21, 2019 12:00 am


Avaliação


Método de Avaliação:

Valores máximos que podem ser obtidos

Máximo de XP da missão: 5.000 XP    

Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%


Realidade de postagem + Ações realizadas: 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc: 20%
Criatividade + inteligência: 30%


RECOMPENSAS: 5.000 XP + 5.000 dracmas + item



Comentários:

Senhorita Nikolaev, devo dizer que estou muito orgulhoso em ler seu post. Você soube bem trabalhar sua trama pessoal, seus problemas, com a necessidade de criar coisas. Uma verdadeira filha de Hefesto, digo, Vulcano. Seu texto foi excepcional, e muito gratificante de ser lido. Parabéns.

Atualizado


Hefesto
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Deuses Olimpianos
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