The Blood of Olympus
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Nykos {Trama Pessoal}

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Nykos {Trama Pessoal}

Mensagem por Alexandra Nikolaev em Ter Set 25, 2018 1:47 pm







NYKOS
O Começo

Gostaria de começar o dia relembrando a mim mesma o motivo para estar bufando e de extremo mal humor. Eu tinha perdido a primeira semana de meu estágio nas empresas Griffin Enterprises. Recém-formada no curso de engenharia mecânica e mecatrónica, eu tive a sorte de receber a tutela profissional de Leonard Griffin, filho de Athena e dono de uma das empresas de tecnologia e outras áreas que começava a se destacar no mercado internacional. O convite para a criação de um projeto só meu veio um pouco depois de salvá-lo de um mini Endth, uma versão menor do monstro colossal que destruiu Nova Roma. Ou uma boa parte dela.

Estava tudo pronto para começar uma vida adulta, tendo uma rotina no Acampamento e fora dele, trabalhando em uma das sedes californianas do empresário e professor. No entanto, o meu algoritmo de localização de sedes do grupo extremista e violento da Seita tinha finalmente dado certo. Viajar pelo país não era um problema quando se podia criar portais com um feitiço, o que tornou fácil o deslocamento de São Francisco até Atlanta. A questão foi realmente descobrir que a CDC, um famoso órgão governamental de pesquisa contra doenças, possuía uma ala secreta que estava sendo usada para pesquisa com semideuses. O que era bastante inteligente do grupo, já que eles tinham acesso a laboratórios financiados e uma rede interna de informações. Além de civis que trabalhavam no local, dando um disfarce perfeito. Com certo desespero ao ser atingida pelas lembranças do primeiro resgate que tinha realizado, fui em busca de ajuda até encontrar com Elena Garcia e o senador Daron. Junto com outra amazona, Max, nós conseguimos resgatar todas as crianças e adolescentes das garras daqueles monstros.

Havia sido uma vitória que eu poderia ter comemorado e apreciado. Se não tivesse recebido uma ligação quando ainda estava na enfermaria. Era Alice perguntando onde eu estava que senão na sala de reuniões da Griffin. Perceber que a missão de resgate aconteceu no meu primeiro dia de trabalho provocou um susto e desespero tão grande que eu cai da cama, piorando ainda mais o meu estado. O resultado disso não poderia ter sido pior. Alfonso, líder das enfermarias romanas, praticamente me prendeu ao leito do local para que eu pudesse me recuperar. Mesmo administrando ambrósia e néctar, o curandeiro deixou claro que se não fosse pelos itens mágicos eu passaria meses em recuperação e não apenas dias.

— Como está a paciente hoje?

Revirei os olhos ao escutar a voz de Leonard. Meu ex professor e atual chefe era bastante compreensível. Ao saber do enredo que provocou minha falta no trabalho, o charmoso empresário retornou rapidamente para as terras romanas, junto com minha melhor amiga. Por falar nela, Alice estava com um sorriso enorme ao me ver, acentuando o repuxar de seus lábios assim que notou meu semblante emburrado.

— Que paciente mais teimosa e chata essa. — Ela brincou, sentando na cama em que eu estava. — Deveria ficar mais animada, amanhã você estará finalmente lá!

Resmunguei e afundei a cabeça no travesseiro. O meu lado inseguro sobrepunha toda a coragem adquirida com Lexi, minha antiga metade ousada e atrevida. Era assustador mudar a vida totalmente, ainda mais com uma grande confusão interna que eu era. Outrora amaldiçoada a ter duas personalidades que não se comunicavam ou lembrava o que a outra fazia. Agora uma mistura das duas, incerta de quem eu realmente era. Sair da zona de conforto parecia um desafio tão grande quanto enfrentar duas hidras ao mesmo tempo. A cada cabeça cortada, outra aparecia no lugar ainda mais aterrorizante. A cada novo desafio vencido, dois outros piores surgiam a minha frente.

— Já disse que você vai amar a equipe inicial — Alice cutucou o meu ombro. — Eles estão mega curiosos quanto a cabeça do projeto dos sonhos deles.

— Isso é culpa minha, achei interessante criar um pouco de mistério para poder não levantar tantos rumores negativos quanto a sua falta inicial. — Leonard puxou uma cadeira para sentar.

O meu projeto foi a entrada inicial para o trabalho fora do acampamento. Leonard precisava de um motivo para realizar um contrato sem levantar suspeitas dos sócios. Afinal, para alcançar o horizonte que o grego almejava, ele precisou de aliados financeiros. Nos meus últimos semestres da universidade eu me dediquei a criação de um projeto. Um desafiador e que só seria possível com acesso a equipamentos avançados e uma equipe multidisciplinar.

Eu queria criar um jogo e um novo jeito de jogar.

Com o avanço dos óculos de realidade virtual, produzidos já para jogos e outros objetivos, eu pretendia criar a imersão virtual. O público iria literalmente entrar no jogo, como assim acontecia em alguns títulos de ficção como Jogador Número 1. Para tanto, eu precisaria criar uma plataforma, uma que mexeria com as sensações corporais e nas sinapses. O que por si só já exigia cientistas e engenheiros de hardware e software. Então viria a construção do jogo, com enredo, design, programação e codificação do cenário e NPCs. Era um projeto que poderia levar anos para ser desenvolvido.

Mas tanto Leonard era ambicioso quanto eu estava empolgada em me dedicar aquilo. O pensamento motivador era um só. Ao criar um jogo baseado na vida de semideuses em um ambiente tanto futurístico quanto fantasioso, eu poderia colocar a população em geral em contato com a realidade dos meios-sangues, os tornando menos assustadores. Ainda éramos um segredo, assim como também somos protegidos pela névoa. Mas, assim como aconteceu na invasão dos monstros as capitais americanas, toda a nossa delicada segurança e proteção poderia ruir. Quando isso acontecesse, esperava amenizar o impacto e a rejeição por causa do jogo criado. Caso não atendesse esse propósito subliminar, ainda estaria criando algo incrível e ganhando dinheiro com isso.

— Então eles não sabem quem você realmente é. Eu acabei brincando com isso também, acho que eles pensam que você é um velho louco. Inteligente, mas louco. — Alice deu de ombros sorrindo divertida — Você poderia aparecer como estagiária que eles nem perceberiam.

Aquele momento breve de silêncio era quebrado pelo barulho ensurdecedor de nossas mentes trabalhando juntas. Sentei na cama olhando para Leonard sem esconder as expectativas que a possibilidade gerava.

— Isso seria possível?! Aparecer como estagiária apenas? Eu me sentiria tão melhor sem um cargo importante como fundadora do projeto! — Se eu estava praticamente implorando? Com certeza.

— Eu apresentei aos sócios que o fundador iria aparecer em nossa próxima reunião. Eles ainda não estão convencidos de que esse projeto dará certo. — Leonard coçou a nuca incerto.

— Mas eu posso aparecer na reunião de maneira bastante convincente... Como Nykos. É esse o codinome. Deuses minha mente tá fritando com ideias. Eles não precisam de minha presença física, mas sim da virtual para poderem ser convencidos de que isso pode dar certo. Leonard, quando será a reunião?

— Depois de amanhã.

— Precisamos partir. Agora.

Levantei da cama da enfermeira em um salto. Minha mente realmente funcionava de maneira rápida, queimando uma enorme quantidade de neurônios ao pensar em tantas possibilidades. A ideia de permanecer anônima no quesito criadora era não apenas misteriosa, mas algo que agradava o meu eu discreto. Naquele dia eu aprendia que esse meu novo eu não tinha medo social, porém não via necessidade de exposição desnecessária. Além de ser uma bela saída aos perigos que uma inventora poderia passar em uma indústria competitiva e sedenta pelo sucesso.

...

A Griffin Enterprises era uma empresa moderna e que visava o futuro. Essa frase poderia ser aplicada em vários dos projetos que Leonard financiava e até mesmo liderava. Pesquisas biotecnológicas, produção de softwares e hardwares, invenções que buscavam a inovação tecnológica e a venda de itens de qualidade para as diversas classes.

A sede em São Francisco era uma das principais, o que era convencional para o empresário que também era um docente em Nova Roma. A ideia de comparecer ali literalmente como uma estagiária e não como uma das desenvolvedoras do novo projeto parecia uma loucura. Mas uma que nós três tínhamos concordado em participar. O filho de Athena no fim viu como uma oportunidade, sendo algo que algumas empresas faziam para verificar o andamento dos funcionários tendo alguém infiltrado. Alice apenas achava divertido e parecia gostar da ideia de ser a minha “supervisora”.

Faziam quase dez minutos completos que eu estava do lado de fora da empresa, admirando a construção enquanto tentava reunir coragem de adentrar o lugar. Apesar de ter apenas quatro andares a vista, o prédio da Griffin Enterprises era bastante largo, assim como também possuía construção no subterrâneo. O ar californiano dava um ar menos moderno, porém mais aconchegante e bonito a construção. Era ali onde eu passaria boa parte do meu tempo, viajando entre o centro de São Francisco e o acampamento romano. Soltei uma longa respiração, pensando que o mundo não iria parar caso eu permanecesse congelada ali e eu faria uma primeira impressão terrível em meus colegas.

Mesmo com o nervosismo crescente, finalmente fiz minhas pernas funcionarem, caminhando em direção ao saguão de entrada. Meu queixo caiu alguns centímetros enquanto minha mente processava o ambiente ao meu redor. Eu poderia lidar com a tecnologia muito bem, mas aquela era a minha primeira vez em um local que era criadora de tecnologia e conhecimento. O espaço era amplo e, diferente de sua frente, era totalmente moderno. Sofás eram espalhados estrategicamente, plantas exóticas colocadas em centros específicos ou nos cantas para dar um charme natural em meio ao local futurístico. As pessoas que andavam de um lado para o outro era uma mescla de esquisitos com roupas que não combinavam de forma alguma, com aqueles que estavam no traje social dos pés à cabeça.

— Olá, seja bem-vinda a Griffin Enterprises! Veio para um passeio ou possui algum horário marcado? — A recepcionista questionou de maneira educada e gentil.

— Ah...Er... — Pigarreei em uma tentativa de recuperar o domínio sobre minhas cordas vocálicas. — Eu sou Alexandra Nikolaev e estou em um programa de estágio do Leonard Griffin...

Enquanto eu falava, ela agilmente digitava sobre o teclado luminoso em sua mesa.

— Sim, você está aqui! Muito bem-vinda a nossa empresa Nikolaev, irei pegar o seu crachá e a documentação que precisa ser entregue até o final da semana. Depois irei redirecioná-la para o andar correto.

— Obrigada!

A recepcionista foi ágil e bastante solicita, em nenhum momento parecia diferenciar se eu era apenas uma visitante insegura ou se era uma daquelas mulheres de cabelo arrumado ao extremo. Estava colocando o cordão do crachá em meu pescoço, quando Alice chegou serelepe pelo saguão, atraindo atenção graças a sua aparência. Não, ela não estava bagunçada como alguns nerds presentes ali, pelo contrário. A garota de cabelos pintados de branco era como um colírio chamativo em meio as pessoas.

— Kate, pode deixar que eu guio essa perdida aqui. — Alice falou com a recepcionista, parecendo já ter intimidade o suficiente. — Ela é minha estagiária, e você sabe como é, se ela toca em algo e quebra é meu nome que vai para o ralo.

— Agradável como sempre, Alice. — Eu podia sentir a ironia inerente de Lexi escapando de meus lábios.

Alice riu fácil e ajustou a postura, fazendo um sinal com a cabeça para que eu a acompanhasse. Ela ia indicando os locais, fazendo comentários espertos que acabaram me distraindo o suficiente. Dentro do elevador, eu não resisti a ação de cantarolar a música pop que ressoava dentro daquela caixa, enquanto observava todo o ambiente exposto já que as paredes eram feitas de vidro reforçado. Nós estávamos indo para o terceiro andar, reservado para as palestras e encontros de negócios. As portas abriram fazendo com que meu olhar erguesse para o corredor a minha frente.

Se você é um semideus e sabe disso por alguns anos, as chances de você ter enfrentado um monstro são altas. Então quero que lembre de sua primeira vez, que sinta novamente o terror e pânica de descobrir que a sua frente tinha uma criatura horripilante, de dentes enormes cujo principal objetivo era devorar você. Pegue esse sentimento e duplique, então terá uma ideia de que eu fiquei quando a vi.

O ataque de pânico fora eminente, os instintos de proteção aumentaram tão forte que antes que percebesse eu estava apertando o botão de fechar as portas e o botão do último andar. Virei de costas, amaldiçoando o fato de o elevador ter paredes transparentes, rezando com todas as minhas forças para que ela não tivesse me visto.

— Alex? O que...? Alex, você está pálida! — Alice olhou em minha direção com genuína preocupação. — Você está surtando?!

Neguei freneticamente com a cabeça, quase caindo quando as portas abriram depois daquele som agudo que anunciava a chegada no andar. Alice segurou meu corpo um tanto desengonçada, pois não sabia lidar corretamente com a situação. Porém, minha amiga de corpo franzino acabou por sustentar uma versão minha de pernas moles, me guiando até um enorme escritório. Só vim a descobrir que era de Leonard quando ele apareceu a minha frente, depois de me colocarem sentada sobre o sofá.

— Ela quebrou, eu estou dizendo! — Alice exclamava assustada.

— Alexandra. Olhe para mim. — Leonard abaixou o corpo, nivelando os olhos aos meus. — O que você viu que a assustou tanto?

Pensar naquela resposta trouxe as lágrimas a beirada de meus olhos. Uma vez que a vontade de chorar finalmente se manifestou, tornou-se impossível impedir a ação. Como eu pude esquecer dela? Oh deuses Lexi, o que você tinha em mente? Minha cabeça dava voltas e mais voltas, fazendo com que as lembranças inundassem e dominassem a minha consciência, brotando violentamente de um recanto do inconsciente ao qual Lexi tinha enterrado. Coloquei a cabeça contra o estofado do sofá e chorei, chorei como uma criança, soluçando desolada. Como se tivesse um coração partido naquele exato momento.

E eu tinha.

Longos minutos passaram antes de conseguir controlar o pranto, aceitando o copo de água que era ofertado. Engoli forçadamente o líquido, controlando também a minha respiração para finalmente explicar o que estava acontecendo.

— Eu tinha uma maldição. Uma real. — Comecei encarando o copo, sem conseguir erguer o olhar para enfrentar Leo ou Alice. — Desde pequena eu carregava isso comigo, sem entender o que realmente era. Os médicos diagnosticavam sempre como transtorno de personalidade dissociativa, com comorbidade em fobia social e TAG. Apenas um jeito nada gentil de dizer que eu tinha dupla personalidade e isso tinha sequelas. De dia eu era a Alex, filha de Vulcano, introvertida e ótima com máquinas, assustada na maior parte do tempo. Durante a noite eu era a Lexi. Ousada, aventureira, encrenqueira. O total oposto já que ela era ótima em suas habilidades sociais.

— C A R A M B A! — Alice quase soletrou a palavra, caindo sentada a minha frente.

— Eu quebrei a maldição com um item mágico e me tornei uma pessoa só. Bem confusa ainda com o que resultou da união de Alex e Lexi, mas ainda assim permanecendo sendo apenas eu mesma. O que uma fazia, a outra não lembrava de modo algum. As vezes até conversávamos, passando instruções fundamentais. Mas algumas informações ainda não apareceram por completo, elas precisam de algum estímulo, um gatilho.

— Se você recebesse todas as suas memórias, provavelmente isso faria com que sua energia psíquica sobrecarregasse. É um modo de seu cérebro proteger todas as funções e ir se adaptando as novas questões. — Leonard analisou rapidamente, passando a sentar ao meu lado no sofá. — Você viu algo que despertou uma lembrança?

— Não apenas uma lembrança em específico. Foi cerca oito meses suprimidos fortemente por Lexi — Expliquei segurando a vontade de chorar novamente. — Ainda está tudo embaralhado em minha mente, mas eu peguei o essencial da situação.

— O que, exatamente?

Olhei finalmente para Alice. A preocupação dela pareceu aumentar perante o meu semblante de sofrimento. Meu lábio tremeu antes de finalmente revelar algo que fora escondido de mim mesma.

— Aparentemente Lexi tinha uma namorada secreta. Ela não queria que Alex soubesse dela de maneira alguma. Se me lembro bem, foi o período em que nós duas entramos em maior conflito. Minhas notas na escola caíram terrivelmente, Lexi vivia em confusão e até mesmo acordei em um local completamente estranho uma vez. Eu... deuses isso é tão ferrado... eu esqueci dela. Nem mesmo quando minhas memórias voltaram, eu esqueci da Camila.

As lembranças eram coisas que envolviam as percepções dos sentidos. Você poderia lembrar de uma música, uma fala, um som. Ou até mesmo de um cheiro em específico. Naquele momento, eu estava recordando sobre um amor que uma parte de mim tinha enterrado com afinco. Meu coração era sufocado com o sentimento, transbordando abalado e confuso pelo que estava passando em minha mente. Eu tinha, ou Lexi, ou nós duas agora, tínhamos amado aquela mulher.

— Camila Guerrero? — Leonard repetiu o nome, demonstrando interesse na informação. — Uma de nossas principais engenheiras de software, ela completou seis meses de trabalho na minha empresa e recebeu destaque o suficiente para trabalhar no projeto Nykos.

Nykos era o nome do projeto como um todo. Um apelido carinhoso que derivava de meu próprio sobrenome, Nikolaev. Mas escutar que Camila estaria trabalhando comigo, em meu projeto pessoal, eu estava afundando no sofá e a beira de uma sincope novamente. Destino, quando iria parar de fazer graça comigo?

— Leo, podemos adiar a reunião? Ela não está bem... — Alice falou com o filho de Athena.

— Eu... não seria o ideal mas...

— Não. Eu sou apenas uma estagiária, adiar uma reunião por minha causa é bastante suspeito. Professor, ela é realmente boa o suficiente para esse projeto? Quando Lexi a conheceu... Quando eu a conheci na verdade, ela estava apenas no terceiro semestre.

— Sim, ela é. Provavelmente ficará também na equipe de design gráfico no futuro.

O jeito como Leonard falava não dava brechas para dúvidas. Ele estava convicto de suas afirmações em prol da latina. Levantei com as pernas ainda trêmulas e com um forte enjoo, mas eu precisava enfrentar o que quer que estivesse pela frente. Se Camila iria me ajudar com a construção do meu sonho, eu não poderia ignorá-la ou pedir por alguém menos qualificado. Iria me agarrar a isso para não enlouquecer com os pormenores. Alice me acompanhou até a porta, chamando o elevador mais uma vez.

— Então... — A garota de cabelo platinado chamou hesitante, mas com o tom evidente de curiosidade. — Você é lésbica?

Eu engasguei com o ar com a pergunta tão inusitada, olhando para Alice incrédula com a capacidade dela de indagar tudo, menos o que era esperado da situação. Ela deu de ombros, como se assim não pudesse se ajudar. Ri de nervoso, negando com a cabeça sem saber como responde-la. Deixaria para entrar em crise depois, agora precisava enfrentar uma latina furiosa.

(•••)

A sala de reuniões estava parcialmente preenchida. Alice foi a primeira a entrar, sorrindo e cumprimentando algumas pessoas pelo primeiro nome. Ela era uma verdadeira borboleta social, capaz de se comunicar com qualquer ser humano ou criatura pensante. Mexi em meu cabelo tentando ter uma boa aparência, agradecendo a Alice pela ida rápida ao banheiro para retocar a maquiagem e esconder a minha recém palidez. Quando eu entrei, eu podia sentir os olhos dela sobre mim. Pelo canto dos olhos, eu vi o choque que o reconhecimento provocou na hispânica.

— Pessoal, essa é Alexandra, ela formou na mesma universidade que moi. — Alice apresentou — Mas esteve finalizando algumas pesquisas para completar a inscrição no estágio. Ela estará auxiliando em quase tudo, hardware e software. Inclusive, como está a sua capacidade em fazer café, estagiária? Eu gosto do meu bem doce.

O tom que o legado usava era jocoso, indicando que era uma brincadeira que fez vários rirem. Camila permanecia com um semblante sério, congelada na cadeira. Eu tentava ao máximo possível olhar para ela, mas ao mesmo tempo eu queria admirá-la mais uma vez. Queria notar as mudanças que vieram com a idade, já que faziam anos que a não a via. A blusa de manga cumprida em estilo que variava entre o elegante e o despojado cobria as tatuagens que ela possuía no braço. Teria algum desenho novo sobre a pele cor de bronze?

— Podemos começar? Ou as mulheres ficarão conversando?

Meu olhar foi atraído rapidamente para o rapaz sentado próximo a cabeceira. Ele era alto, cabelo bem penteado, olhos verdes e pele morena. Com certeza tinha uma ótima aparência, mas existia algo nele que me fazia querer manter a distância prontamente.

— A reunião começa quando eu quiser, sr. Anderson — Leonard apareceu na porta, sério e em seu modo empresário. — Alexandra, bem vinda a equipe. Mas espero que consiga acompanhar as informações. Será de sua responsabilidade estudar o que foi trabalhado até aqui, não vamos retroceder em nenhum momento. Sentem-se.

Felizmente o local designado para mim foi ao lado de Alice, na mesma fileira de cadeiras que Camila encontrava-se. Não teria como nossos olhares correrem o risco de cruzarem, a não ser que olhássemos descaradamente uma para a outra. Leonard começou a reunião e com uma habilidade e domínio incrível, ele conseguiu esclarecer todos os pontos que eu tinha previsto para o início do projeto.

O primeiro desafio era o de construir uma plataforma funcional. Sem isso, não adiantaria o esforço de criar um jogo que não poderia ser rodado em nenhum console que já existia. Então precisaríamos de algo completamente novo e inovador. A ideia de que o projeto fosse composto principalmente por humanos era para que houvesse um sentido lógico para toda a comunidade, em todos os locais do mundo. Seria muito fácil um pequeno número de proles de Vulcano criarem algo como o que eu tinha em mente, mas a genialidade não seria acompanhada e – mais provavelmente – extremamente difícil de ser explicada.

— Já não é uma novidade aparelhos inteligentes que facilitam nossa vida através de uma ligeira conectividade. A Samsung criou um dispositivo que monitora as ondas cerebrais que é capaz de prever um AVC, por exemplo. — Alice tomou a frente quando Leonard deu o sinal. — Assim como a realidade virtual já não é algo tão futurístico assim, está em nosso presente, no aqui e agora e sendo utilizado por empresas com primazia pela Sony e a Google. Nós estamos pensando em um futuro mais além, vamos dar um grande salto no avanço tecnológico e criar algo ainda mais ligado ao entretenimento e ao fantasioso. Camila, diga a sua ideia garota. — Apesar da deixa, nenhuma palavra foi dita, o que me fez fixar o olhar na mesa usando de todas as minhas forças para resistir a tentação de olhar para a morena. — Guerrero?

— Um dispositivo que envolva a Interface Neural Interativa — Camila finalmente respondeu, de maneira lenta no início como se estivesse pousando na terra apenas naquele momento. — Mas de uma maneira ainda mais imersiva e eficaz. Por isso precisaremos do auxílio do pessoal que sabe lidar com o cérebro e eliminar efeitos colaterais possíveis.

O restante da reunião foi para colocar os primeiros passos em pauta. O primeiro objetivo era criar um protótipo, algo que desse esperanças de que a ideia era possível. Felizmente, essa era a parte mais fácil. O difícil seria encontrar um modelo que suportasse tanta energia e possuísse um design agradável de ser usado. Quando a reunião foi encerrada, pedi licença para Alice e saí para correr para o banheiro. Se eu estava me esquivando? Não, estava fugindo feito uma covarde mesmo.

Ao entrar no recinto específico para as mulheres, me tranquei no primeiro cubículo, permitindo que a respiração até então tão controlada finalmente ficasse desenfreada. Deuses, deuses, deuses! Fechei as mãos em punhos e encostei a testa no mármore gélido que formava as paredes que separavam cada cubículo com a privada. Como eu iria sobreviver aquilo? Como seria o nosso próximo encontro? E se ela pedisse demissão por minha causa? Fiz uma breve careta, sabendo que Lexi tinha simplesmente sumido da vida de Camila sem deixar vestígios, e eu nem ao menos conseguia lembrar porquê a minha outra versão tinha terminado as coisas daquele jeito! No entanto, eu sabia que ela estava apaixonada, não, ela estava amando de uma forma que eu nunca pensei que justamente ela fosse capaz de amar.

Demorei quase trinta minutos ali dentro, saindo apenas quando me senti segura o suficiente para isso. Mas assim que deslizei a porta, lá estava ela. Camila Guerreiro deveria ter cerca de vinte e cinco anos agora. As mangas da blusa social estavam dobradas até o cotovelo, exibindo uma parte das tatuagens que a latina possuía. O cabelo que antes estava muito bem penteado, agora aparentava uma leve bagunça de alguém que mexeu demais. Ela tinha a pele morena, grandes olhos escuros e cílios espessos, que se tornavam ainda mais marcantes graças a maquiagem que adornava ao redor dos olhos. Camila nunca foi do tipo muito magra, mas cheia de curvas e dona de uma sensualidade inerente. Mesclado ao olhar raivoso que era lançado em mim, eu poderia ter me apaixonado novamente só por aquela visão de mulher furiosa.

— O que inferno você está fazendo aqui, chica?! — Ela disse por entre os dentes, o sotaque hispânico ainda mais forte agora que ela não tentava se controlar tanto. — Depois de tantos anos, usted aparece em meu trabalho?!

— E-eu não sabia que você trabalhava aqui! — Exclamei em defesa, recuando até as costas colidirem contra a parede intermediária de um cubículo e outro. — Camila eu...

—  Então se soubesse não estaria aqui? — A mulher avançou, o jeito lembrando uma felina prestes a atacar a sua presa. — Fugiria mais uma vez, Lexi?

Dentro de mim, mesmo que eu não soubesse o motivo ainda, a resposta era sim. Existia aquela sensação inexplicável de que a Lexi amou aquela latina a minha frente com todas as forças. Merda, eu ainda a amava, mesmo sem conseguir explicar, entender ou estruturar a noção de amor. Todos os meus instintos diziam que eu deveria me manter afastada, pela própria segurança dela. Desviei o olhar, ofeguei duas vezes antes de finalmente ajustar a minha postura.

— Eu era uma adolescente de quinze anos, Camila, o que você esperava de mim? Responsabilidade? — Abusei de toda a coragem e ironia que a Lexi possuía no passado, finalmente encarando aquele olhar irado e tão belo. — Sim, eu fugi e agora estamos aqui, nessa situação. Podemos ser adultas e cumprir com nossas tarefas, porque eu não sei você, mas eu não vou deixar essa oportunidade passar.

As narinas dela se expandiram em demonstração de raiva mal contida. Camila fechou as mãos em punhos e afastou um passo para trás depois de um longo e gritante momento silencioso.
— Seremos adultas então, nosso relacionamento será único e exclusivamente profissional.

Aquelas palavras doeram como se armas perfurassem minha pele em todos os poros. Camila deu meia volta e em passos duros saiu do banheiro. Escorreguei para o chão, não sentindo mais forças o suficiente para poder me manter de pé. Levei mais trinta minutos dentro daquele banheiro, para poder recuperar o suficiente a minha coordenação motora. Ao chegar no saguão principal, poucas pessoas circulavam pelo local agora. Leonard e Alice estavam no centro, conversando de maneira distraída. O que provocou um sorriso pequeno em meu rosto, pois era visível como os dois começaram a desenvolver certa... Harmonia.

— Acho que se você pudesse escolher ser atropelada pelo Minotauro ou por uma latina, você teria escolhido o homem touro. — Alice comentou depois de uma rápida olhada em minha direção.

— Isso será um problema Alex? — Leo perguntou de maneira complacente.

— Não, estou bem. Vamos ficar bem. Conversamos... Se é que aquilo possa ser chamado de diálogo. Apelei pela ideia de adultas civilizadas que querem muito o trabalho. Eu só quero me afundar em algum canto e ficar quietinha.

— Então acho que você precisa conhecer a Griffin Cave.

Olhei para Leonard, ele possuía um sorriso empático. Fez um mover de cabeça e nos guiou em direção a um elevador mais reservado. Dentro da caixa metálica, ele apertou um dos botões do subterrâneo. Paramos no quinto andar no subsolo, as portas abrindo apenas com um jogo de números que Leonard digitou sobre um painel ao lado dos números que acionava os andares. Quando o metal deslizou para o lado, literalmente mostrou uma nova faceta da Griffin Enterprises.

Era como uma Bat-Caverna muito moderna e bem mais confortável. Ou o QG do próprio Arrow, com tecnologias e armamentos por todos os lados. Além de uma área social com sofás, poltronas e mesas para jogos. Era como um local planejado para um homem moderno escapar, um que pudesse pagar pelo melhor do conforto e mistério. Do lado esquerdo, monitores e painéis de interface digital.

— Por que você não me mostrou isso antes? — Alice beliscou Leonard.

— Queria surpreender as duas. — Ele sorriu quase travesso, mas definitivamente charmoso. — Darei acesso as duas, podem usar essa sala a vontade. O sofá se transforma em sofá cama e ali mais a frente temos até mesmo um espaço médico. O utilizei muito em minha juventude, hoje preciso de terapia para lidar com os negócios.

Corri em direção aos computadores, acionando-os com minha benção. Eu quase gemi de deleite com a velocidade do processador, os monitores exibindo basicamente tudo o que eu queria que fosse exibido.

— Mas tecnologia de rede sempre atraiu monstros. Como você lidou com isso? — Questionei sem desviar o olhar dos monitores. — Eu e Alice temos meio que permissão para isso, já que somos descendentes do deus criador de coisas.

— Na verdade, era bem complicado no passado. Ataques aconteciam periodicamente, por mais que usasse itens que suprimissem parte de minha energia, a tecnologia ao meu redor potencializava tudo novamente. Mas então uma empreendedora em Nova Roma criou alguns apetrechos que permitem o aviso da chegada de monstros. Espalheis sinalizadores da Pandevie pela região de maneira discreta, além de ter pessoalmente um anel chamado Alertat da F&G.

— Os deuses abençoem as mulheres romanas. — Alice comentou.

— Amém sis, amém.

O clima melhorou um pouco, o que permitiu que Alice brincasse comigo e distraísse a minha mente. Mas algo estava me incomodando, não relacionado a Camila, apesar disso abalar facilmente o meu humor. Encarei a tela por um longo tempo, enquanto o filho de Athena e o legado de Hefesto discutiam algumas expectativas que tinham para os próximos passos do projeto.

— Leo... Você colocou os sinalizadores em que região mesmo? — Indaguei incerta.

— Pelos limites da propriedade, mas em pontos estratégicos ao redor do próprio prédio. — Griffin explicou, levantando para ficar do meu lado.

— Isso incluiu o telhado?

O silêncio vindo do empresário me fez prender a respiração. Tentei encontrar câmeras do próprio prédio que tivessem uma boa visão do telhado, mas todas eram bastante limitadas as entradas específicas a cobertura. Resmunguei baixo, ativando o bracelete em meu braço para que se transformasse em um dispositivo avançado.

— Uou! Desde quando você tem isso?! — Alice pulou do meu lado.

— Explico depois, estou acessando as câmeras dos prédios vizinhos e da rua. Se eu não tomar cuidado a polícia pode acabar rastreando meu sinal e vindo parar aqui. Tudo o que eu quero é um ângulo da empresa pelo alto e... Oh merda.

Pela câmera de segurança de um dos prédios vizinhos, que possuía seis andares, era possível ver a aproximação de uma criatura enorme e alada, com asas de morcego e pele tão escura que ficava camuflada com a escuridão da noite.

— É uma fúria?! — Leonard inclinou para os monitores incerto.

— Fúria? Uma Erínia? Mas elas não são criaturas do submundo?! — Era impossível esconder a minha surpresa.

— Seja o que for, está atacando as nossas antenas e equipamentos da cobertura!

— Eu deixei meu equipamento no banheiro enquanto me lembrava como ser humana novamente. Eu preciso ir pegá-los! — Disse com urgência.

— Eu verificarei quem ainda está no prédio e dar um jeito de não subirem para o último andar. Leo, você cuida daquela moça ali, use todo o seu charme!

A expressão do filho de Athena seria digna de uma boa gargalhada se não fosse o teor da situação. Nós fomos para o elevador e lá dentro o empresário deu lugar a um guerreiro grego, ativando o relógio em seu pulso que se transformou em braceletes de bronze celestial. A caneta de bolso assumiu a clássica aparência de uma espada, sendo algo até clichê para o nosso mundo. Eu parei no terceiro andar, enquanto os outros dois continuaram para iniciarem as funções designadas.

Entrar no banheiro as pressas quase me fez cair ao escorregar pelo piso liso, mas felizmente a minha mochila ainda estava ali. A joguei sobre os meus ombros, enquanto saia do recinto com a mesma pressa com a qual tinha chegado. Correr em direção ao elevador provou ser uma péssima ideia, não por causa de alguma desventura que pudesse ocorrer pelo caminho, mas sim por aquela caixa se mostrar malditamente transparente. O lugar já estava em uso, e quem estava ali dentro era Camila e o rapaz que eu não tinha apreciado durante a reunião. Eles estavam próximos um do outro, invadindo o espaço pessoal a ponto de deixar interpretações erradas da situação. Ou corretas já que Camila estava encarando o rapaz sem afastá-lo. Engoli em seco, paralisada no lugar e sentindo o mundo cair quando a latina percebeu minha presença, como se o meu olhar tivesse algum tipo de peso sobre a consciência dela. A latina sorriu brevemente, ficando na ponta dos pés enquanto a caixa tecnológica descia, sem me permitir ver onde tinha sido o beijo. Oh sim, eu acreditava que aquele aproximar foi justamente para aplicar um beijo no homem.

Maldita latina vingativa!

Sem ter tempo para absorver o impacto daquilo, tive de usar as escadas. Pela primeira vez, estava agradecendo por ter um monstro por perto, pois assim eu podia concentrar toda a minha mente em um problema real e físico. Forcei minhas pernas a serem rápidas, subindo quatro lances de escada com a bravura que alguém sedentário poderia ter. Ao finalmente alcançar o terraço do prédio, eu escutei o som de batalha. Berros eram lançados, barulhos esquisitos surgiam aqui e ali, até minha visão finalmente encontrar com Leonard tentando atingir a Fúria que voava dois metros acima de si.

— Semideus maldito! Você provocou esse ruído! Você infernizou a minha vida! — A mulher do inferno gritava em uma ira sem precedentes. — Pagará por todo o sofrimento que me causou!

Aquele era o dia mundial de mulheres enfurecidas? Aproximei com cuidado, observando Leonard pular para o lado e rolar no chão evitando que as garras da fúria atingissem seu corpo. Ele logo saltou para ficar de pé, retornando a postura defensiva.

— Eu não sei do que está falando, mas você não pode danificar a minha propriedade!

— POR ISSO É SUA CULPA! FOI VOCÊ QUEM COMEÇOU! EU VOU DEVORAR VOCÊ.

Minha mente deu um estalo, finalmente começando a compreender a situação. Leonard tinha comentado na reunião sobre a instalação de uma nova rede que aumentaria a velocidade de conexão. De alguma forma, os monstros eram sensíveis aos equipamentos que emitiam qualquer tipo de onda. Era uma das teorias que justificavam o fato deles conseguirem rastrear semideuses através da tecnologia. A lembrança das imagens do monitor vislumbradas momentos antes também me conduziram até uma antena que estava sendo atacada anteriormente. Bingo! Aquele era o dispositivo que conectava a rede da empresa com os satélites.

Leonard ainda lutava, gemendo de dor quando foi atingido. Isso foi o suficiente para apressar meus movimentos. Tirei de dentro de minha mochila a lapiseira mágica, também chamada de constrói tudo. Com ela, abri a caixa de proteção que mantinha o dispositivo interno em segurança. Usando isso, puxei a interface de metal para que pudesse ter acesso aos fios e aos itens internos. Conectei meu bracelete com o dispositivo, alterando o algoritmo enquanto movia os fios de maneira mais calma possível, afinal poderia levar um choque ou queimar tudo. Depois de refazer as conexões e reescrever os códigos de programação, ativei o novo sinal e levantei de maneira tão rápida que quase tropecei nos meus próprios pés.

— Já resolvi! Já resolvi! — Gritei como se tivesse marcado um ponto em um jogo. Mas eles estavam tão entretidos na batalha que não pareceram me notar. Revirei os olhos, filhos da guerra ainda eram amantes de combate. Aproximei dos dois e invoquei uma prisão de correntes contra a Fúria assim que ela ficou próxima do chão, assim como levitei a espada de Leonard para que ele não finalizasse o monstro rendido. — Senhora! Eu resolvi o incomodo, as ondas ainda afetam você?

— Que insolência me prender! Você arderá no fogo do... Espera, realmente parou. — A Erínia finalmente pareceu notar a mudança no ar, respirando fundo diversas vezes até assumir a forma de uma mulher, provavelmente manipulando a névoa para mudar o aspecto monstruoso para algo mais humano. — Eu ainda vou devorar vocês! Tinha trabalho para fazer e não consegui por causa dessa estúpida dor de cabeça. O que Hades irá dizer de mim?!

— Culpe-nos, mas deixaremos o lance devorar para a próxima rodada ok? — Negociei.

— Nós podemos simplesmente derrota-la... — Leonard argumentou.

— Uma morte desnecessária é apenas isso, desnecessária! — Olhei um tanto brava para o meu novo chefe. — Podemos resolver essa questão, viver mais um dia, morrer por algo estúpido depois. O que acha disso?

Cruzei os braços e a mulher monstro apenas revirou os olhos. Aquilo foi o sinal que eu precisava para desfazer a corrente que a aprisionava. Ingenuidade acreditar em um monstro? Talvez. Mas aquela era uma das criaturas com inteligência do submundo e, até onde eu sabia, era ela e as irmãs que puniam os injustos e pecadores. Sem se despedir ou falar algo a mais, a Fúria simplesmente correu para a beirada do prédio e saltou. Por impulso, eu e Leonard fomos até a beirada para encontrar nada de diferente. Ela tinha desaparecido.

— Ela pode voltar para nos atacar — Alertou o filho de Athena.

— Assim como qualquer outro monstro. Colocarei autômatos por aqui para nos avisar e ser a primeira defesa. — Comentei passando a mão no meu rosto. — Posso usar a sua caverna? Eu não tenho forças para retornar ao acampamento. Posso começar o projeto de defesa assim que acordar também, vai ser uma boa forma de não pensar em mulheres furiosas por um tempo.

Leonard concordou com um certo olhar de solidariedade. Devolvi a espada do garoto, que logo transformou-se em uma caneta de bolso.

Sugestão e Considerações:
Com essa parte, eu queria solicitar a permissão de criar a Griffin Enterprises no mundo humano, pois é um tópico onde vou postar constantemente no futuro e convidar outras pessoas a postarem lá. Futuramente, pretendo usar o andar subterrâneo para fazer uma forja particular no mundo humano, podendo assim atender pessoas que estejam fora do acampamento. Caso desejarem, posso mandar previamente a descrição do local.

Periodicamente estarei postando missões para impedir o ataque de monstros. Coloquei itens que são vendidos em lojas de Nova Roma que protegem tanto o NPC dono do lugar, como alertas no perímetro do local. Isso não impede que o local seja ameaçado, apenas diminui a frequência de ocorrência disso. O prédio é formado basicamente por humanos, salvo Leonard que é filho de Athena, Alice que é bisneta de Hefesto e uma futura assistente que será uma ninfa.
Itens usados:
• Personal [Um bracelete que deve ser usado no pulso, com design que remete ao estilo sci-fi. É na verdade um dispositivo, com processador avançado e placa-mãe personalizada. Funciona como um computador, exibindo um display holográfico. Graças a benção de tecnologia, Alexandra não precisa de muitos toques sobre o item, sendo ligado perfeitamente ao pensamento e desejo da filha de Vulcano. | Efeito de ligação: retorna a dona quando perdido ou roubado | Efeito 1: Possui o elemento luz, usado para a projeção dos hologramas | Bônus de forja: +15% de dano; bônus de FPA: +30 de dano | Vibranium | Super Alfa | Espaço para 1 gema | Status 100% | Mágico | Forjado por Nikolaev]

• Constrói tudo [Inicialmente esse item é apenas uma lapiseira simples de desenho, contudo para o forjador pode virar muito mais. | Efeito 1: A lapiseira pode se transformar em qualquer item utilizado para ajustes, desde afiadores, chaves, polidores, marcadores, tesouras e qualquer coisa que sirva para realizar e ajustar detalhes em suas criações, as deixando ainda mais perfeitas. Efeito 2: Esse item ajuda e auxilia a encontrar erros e ajustar os detalhes mais complicados e minuciosos. | Hefestiana | Sem espaço para gemas. | Alfa | Status 100%, sem danos. | Mágico. | Sistema de medalhas]
Poderes:
Passivos:
Nome do poder: Reparos Rápidos
Descrição: Filhos de Hefesto/Vulcano conseguem consertar aparatos mecânicos rapidamente, gastando metade do tempo que uma pessoa comum levaria para tal.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Conseguem concertar qualquer coisa em apenas dois turnos.
Dano: Nenhum

Nível 3
Nome do poder: Tecnopatia
Descrição: É a capacidade de se comunicar e entender qualquer tipo de mecanismo, ou seja, filhos de Hefesto/Vulcano, podem se comunicar e entender as maquinas.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum

Nível 4
Nome do poder: Pensamentos Velozes
Descrição: Os filhos de Hefesto/Vulcano possuem uma capacidade de analisarem rapidamente a situação em que se encontram e criarem uma estratégia param se safarem dela.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Ganham um turno para conseguirem agilizar mecanismos e armadilhas, e assim, criarem algo para ganhar vantagem perante a batalha.
Dano: Nenhum

Nível 5
Nome do poder: Programar
Descrição: Além de criar os mecanismos você sabe bem como programa-los para que ajam de acordo com o planejado. Vale para autômatos, armadilhas com tempo de ativação e etc, conhecendo inclusive diversos softwares e sua linguagem.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Isso permite criar mecanismos mais fortes e mais elaborados. Autômatos feitos pelos filhos de Hefesto/Vulcano, tem uma média de falha menor.
Dano: Nenhum



]Nível 8
Nome do poder: Receptor de Frequência
Descrição: Consegue interceptar ondas transmissoras, por exemplo, de celulares, rádios ou comunicadores. Isto permite bloquear comunicações ou mudar as rotas das ondas para que sejam transmitidas em outros lugares que não os intencionados. Tal capacidade também pode ser usada para que os filhos de Hefesto não sejam rastreados por monstros quando tentarem realizar ligações ou usar a internet.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum

Nível 9
Nome do poder: Sensibilidade Mecânica
Descrição: O filho de Hefesto/Vulcano  pode detectar falhas em minérios de metal e identificar o tipo de maquinaria e uso por toque.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Sempre saberá o que está errado e como concertar
Dano: Nenhum

Nível 11
Nome do poder: Respiração forte
Descrição: Você se acostumou com fuligem e ar carregado. Ar rarefeito e toxinas que agem por meio respiratório já não lhe afetam como a maioria, bem como lugares fechados e variação de pressão – Hefesto/Vulcano vive dentro de um vulcão, e como filho dele você tem a mesma resistência.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Consegue respirar normalmente em lugares carregados, e não ficam tão cansados durante a batalha. Poderes relacionados a respiração, ar, e asfixia são 50% menos efetivos contra você.
Dano: Nenhum

Nível 14
Nome do poder: Forjador III
Descrição: Agora você entende de mecanismos complexos e avançados, podendo fabrica-los com uma facilidade e maestria inexistente em qualquer outro semideus. Suas armas são mais fortes do que as armas de qualquer outro forjador, e agora que entende isso, você simplesmente se torna o destaque do momento.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +25% de resistência e +20% de força em armas fabricadas pelo semideus. Além disso, as gemas nas mãos dos filhos de Hefesto não precisam ser reforjadas, ele encaixa sem precisar modelar a arma, e a deixa tão perfeita quanto. É algo extremamente natural. (Armas Betas podem virar alfas, mas nunca alfa prime, o status da arma (Alfa, beta, ou sigma, sempre subira um nível acima do atual, não mais que um).
Dano: +15% de dano as armas fabricadas pelo semideus de Vulcano/Hefesto.

Nível 15
Nome do poder: Geek
Descrição: Sua familiaridade com máquinas o torna apto a usar qualquer tipo de tecnologia e aprimorá-la, futuramente, em seus projetos. Além disso, não atrai monstros ao utilizar aparelhos mecânicos/ tecnológicos, como celulares e afins.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum

Nível 19
Nome do poder: Força de Vontade
Descrição: Os filhos de Hefesto/Vulcano são considerados semideuses voláteis e extremamente teimosos. Com isso, caso o HP deles seja zerado, uma vez por missão ou evento, conseguirão recuperar uma parte de seu HP, a fim de continuarem vivos. (Essa habilidade só pode ser usada uma vez por missão ou evento).
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Recupera +30 HP
Dano: Nenhum

Nível 25
Nome do poder: Detalhistas
Descrição: Meus filhos são acostumados a lidar com engenhocas e peças, reparando em pequenos detalhes, por isso é mais difícil esconder algo deles - são observadores atentos. Isso permite que encontrem coisas com mais facilidade, descubram segredos, e coisas ocultas – como o Bunker na floresta quando Leo Valdez seguiu a trilha deixada pelo dragão – esconderijos, e outras coisas.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Ganham vantagem em encontrar pistas, e achar rastros.
Dano: Nenhum

Nível 50
Nome do poder: Visão Espacial
Descrição: Filhos de Hefesto/Vulcano são especialistas na montagem de coisas, portanto, possuem a visão lógica e espacial mais desenvolvida que outros semideuses sabem em que lugar colocar uma peça intuitivamente, e qual será o efeito, seja para consertar ou destruir um aparato mecânico-tecnológico. Esta noção espacial pode ser utilizada em outras situações quando chega a tal ponto de aprimoramento, podendo usá-la agora para descobrir a exatidão de distâncias e medidas utilizando somente o olhar. Podendo calcular distâncias entre corpos somente com uma rápida olhada.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Ao observarem o ambiente ao redor e conhecerem o campo, entenderem como funcionam, ganham uma vantagem de campo de +20%, seus atributos de velocidade, resistência, e esquiva serão melhorados em +10%, lhe dando uma vantagem diferente.
Dano: Nenhum
Ativos:
Nível 18
Nome do poder: Prisioneiro II
Descrição: Agora o semideus consegue fazer essas correntes crescerem e se fortalecerem um pouco mais, já não são feitas de metal, e sim de bronze celestial, e prendem o inimigo dos pés, até os ombros, se enrolando em seu corpo a ponto de derruba-lo no chão, o período de tempo que as correntes o envolvem também aumentou.
Gasto de Mp: 40 MP
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum
Extra: Dura dois turnos

Nível 15
Nome do poder: Magnetismo II
Descrição: É a habilidade que permite aos filhos de Hefesto/Vulcano, controlarem o magnetismo. Já consegue manipular objetos de porte médio, podendo faze-los se voltar contra os inimigos que os lançaram em sua direção, ou manipula-los para se voltar contra os mesmos.  Pode desviar e controlar tais objetos.
Gasto de Mp: 30 MP por turno ativo
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum
Extra: Funciona com objetos de porte médio, máximo de 70 kg. O dano será a critério do narrador, e da forma com que o poder foi utilizado.
Habilidades UNR:
3º Semestre
Nome do poder: Comunicação com Máquinas
Descrição: O semideus aprende a usar a sua energia para, através do toque, escanear uma máquina e compreender as mensagens que ela pode passar. A máquina não “fala” de fato, mas transmite mensagens que o estudante é capaz de compreender.
Gasto de Mp: 30 MP
Bônus: Nenhum

5º Semestre
Nome do poder: Programador
Descrição: O semideus aprende a falar a mesma linguagem que as máquinas e computadores - seja essa linguagem C, C+, Java, PHP, etc. Dessa forma, ele pode desenvolver um algoritmo para programar alguma de suas criações a fazer algo.
Gasto de Mp: Nenhum
Bônus: Nenhum

7º Semestre
Nome do poder: Restaurador
Descrição: O estudante desta área concorda que máquinas são mais simples que seres humanos: se estragam, há uma solução ao alcance de suas mãos. Então, assim como o semideus pode criar, ele também pode restaurar alguma máquina que tenha sido estragada, aprimorando sua funcionalidade ao substituir peças e restaurar o aparelho.
Gasto de Mp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Kyra


Alex Nikolaev
☾★I'd prefer machines rather than humans! ★☽
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Alexandra Nikolaev
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Mensagens : 461

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Re: Nykos {Trama Pessoal}

Mensagem por Cupido em Sex Set 28, 2018 3:38 pm


Alexandra Nikolaev

Método de avaliação:

Recompensa máxima: 20.000 XP e 20.000 Dracmas.

Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%


Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 19%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

Recompensas: 25.740 XP + 29.700 Dracmas
Status: - 70 MP

comentários:
Você tem uma mente fértil, moça. Fico chocado com as ideias que você desenvolve, e me dá muito gosto de lê-las. Pelo ótimo desempenho, então, você recebeu quase a recompensa máxima e a permissão de criar o tópico da Griffin Enterprises no mundo humano.

Sabia que o desconto na escrita se deu por alguns erros como pânica, quando pânico era o correto, "As pessoas que andavam de um lado para o outro era uma mescla de esquisitos com roupas que não combinavam de forma alguma, com aqueles que estavam no traje social dos pés à cabeça.", errando na concordância do verbo destacado com o sujeito, e outros errinhos simples assim. Eles não atrapalharam a leitura, mas estiveram presente ao longo do texto.

No mais, meu bem, só tenho a te parabenizar! Estou ansioso para o que vem por aí.

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