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1º Aula de Combate Corporal

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1º Aula de Combate Corporal

Mensagem por Artemis em Dom Set 07, 2014 9:53 pm


1º Aula




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Re: 1º Aula de Combate Corporal

Mensagem por Samanta Sink em Qua Abr 05, 2017 2:30 pm



1ª AULA DE COMBATE CORPORAL




BOXING


O boxe ou pugilismo é um esporte de combate, no qual os lutadores usam apenas os punhos, tanto para a defesa, quanto para o ataque. A prática do pugilato, na Grécia Antiga, os concorrentes envolviam os dedos com tiras de couro. O embate terminava quando um dos lutadores ficava inconsciente ou colocava um dedo no ar em sinal de desistência. Lá havia uma modalidade chamada de Pancrácio, que era uma combinação da luta e do pugilato, sendo o seu resultado uma prova extremamente violenta, cujos concorrentes poderiam mesmo vir a morrer. Tudo era permitido, com exceção de enfiar dedos nos olhos, atacar a região genital, arranhar ou morder. A vitória ocorria quando um dos atletas já não conseguia continuar a lutar, levantando um dedo para que o juiz percebesse.

Remontando aos séculos 18 e 19, quando deu seu nascimento na Inglaterra, o boxe era praticado com as mãos nuas. Essas lutas com as mãos descobertas eram frequentemente brutais, de modo que o boxe acabou sofrendo intensas mudanças em 1867, com a formulação das Regras de Queensberry, que previam rounds de três minutos, separados por um intervalo de um minuto, além do uso obrigatório das luvas. Essas regras entraram em vigor em 1872.


INFORMAÇÕES IMPORTANTES


LOCAL DA AULA

A aula acontecerá em ambas as arenas de treinamento, ou seja, poderá narrar em seu acampamento. Para os romanos: basta informar que a líder do chalé de Ares estava lá para ensinar algo como uma atitude de boa fé entre os acampamentos. Quanto aos gregos, a narração será na Arena. Por terem uma estrutura similar, o cenário será o mesmo para ambos.


PERSONAGEM

Samanta Sink é líder do chalé de Ares e como toda boa filha do Deus da Guerra pode ser extremamente agressiva e imperativa com comandos, ser severa com a forma de punição para petulância e, também, acabar levando para o lado pessoal alguma afronta e querer tirar a limpo a história na própria aula, chamar o aluno para demonstrar o golpe e pegar um pouco pesado, apenas para mostrar quem realmente manda. Por mais que possua o sangue quente e a personalidade forte, Samanta é interessada em ver que seus alunos aprendem as lições passadas, e não se importa de repetir o processo "n" vezes, até que o lecionando demonstre não ter mais dúvidas.

Caso não tenham lido no seu perfil, a filha de Ares é alta, com 1,82m de altura, o corpo é definido e possui um perfil "fitness" com 70Kg perfeitamente distribuídos, além de possuir uma tatuagem prateada de um dragão chinês no antebraço esquerdo, com a boca terminando na mão. Nesta aula estará usando uma legging preta com detalhes em vermelho, na lateral, e um top/regata do mesmo modelo, com a barriga à mostra. Luvas de UFC, com proteção emborrachada nas falanges para não machucar a si mesma ou os outros. A aula exige movimentos rápidos de quadril, abdome e braços, então quanto menos pano para oferecer resistência, melhor.


CENÁRIO I



CENÁRIO II



MOVIMENTOS




JAB
Um golpe direto e frontal, que consiste em atingir a face do oponente com o punho que estiver à frente na guarda. Geralmente é desferido com a esquerda dada a porcentagem elevada de pessoas com lado preferencial a direita, mas também pode ser desferido com a direita, caso o lutador seja canhoto.



DIRETO
Um golpe direto e frontal, que consiste em atingir a face do oponente com o punho que estiver atrás na guarda. Este golpe é mais poderoso do que o Jab por ser desferido com o braço forte e ter uma distância maior do alvo e ser capaz de acumular maior energia cinética. Muitos narizes foram quebrados com golpes assim.



CRUZADO
Um golpe indireto e lateral, que consiste em atingir a lateral da face do oponente com qualquer um dos punhos. Por mais que seja relativamente fácil de defender este golpe, quando efetivo, é capaz de atordoar, por geralmente atingir o queixo ou a têmpora, ambos diretamente conectados ao ouvido, principal responsável pelo equilíbrio.



GANCHO
Este golpe é lançado em arco, lateralmente, com um braço curvado. Pode ser executado com qualquer uma das mãos. O pugilista troca o peso para o seu pé de trás, enquanto gira o quadril e roda o seu pé dianteiro para o interior, fazendo com que o braço se direcione juntamente com o corpo num golpe de mão dianteira. O poder no gancho advém da rotação explosiva da anca e ombros, que permite o balanceamento de uma grande quantidade de peso corporal a apoiar o golpe.



UPPERCUT
Este golpe é lançado para cima, com qualquer uma das mãos (apesar de ser mais frequentemente empregue um uppercut da mão de trás). O uppercut viaja no plano vertical, de baixo para cima, junto ao tórax do adversário e entra pela sua guarda em direção ao seu queixo.

AULA


MISSÃO DA AULA

Na primeira parte da aula, em que Samanta aguardará todos os semideuses se reunirem próximos a ela e pedirá para que se sentem, a filha de Ares chamará um voluntário e o entregará uma almofada de sparring para demonstrar os golpes. O primeiro que disser que serviu de voluntário ganhará 50exp a mais por ter sentido a execução dos golpes, visto de frente e testado as forças de impacto. ATENTEM-SE PARA NÃO DIZER QUE SE VOLUNTARIARAM DEPOIS DO PRIMEIRO VOLUNTÁRIO.

Enquanto os semideuses praticam os golpes demonstrados pela filha de Ares, em sacos de pancadas ou com outros semideuses, ela circulará entre os lutadores e corrigirá possíveis erros de postura ou de execução do golpe.

Ao final da aula a ruiva organizará duplas para que se enfrentem de igual para igual, podem ser entre dois semideuses, um semideus e um NPC ou um semideus e a própria Samanta, mas sejam coerentes com o nível de força da instrutora.


REGRAS

Minimo de 20 linhas por postagem e sabemos que esse número é insignificante.
Não usem templates estreitos ou com cores berrantes que dificultam minha leitura por favor
São livres para interagir com a Samanta, mas peço que tomem cuidado com a personalidade dela!
Para conquistar a habilidade é necessário que o post tenha 80% de rendimento.
Dúvidas podem ser tiradas diretamente no chatbox ou via MP.
A aula deve conter necessariamente a parte do treino e a do desafio final, usando cada um dos golpes aprendidos
Prazo da aula até o dia 20/04 (Sem prorrogações!)


HABILIDADE ADQUIRIDA


Nome: Noção Básica de Pugilismo
Descrição: Pugilismo, ou boxing, é a habilidade de usar os próprios punhos como poderosas armas de impacto. São extremamente úteis quando o semideus encontra-se desarmado e precisa lidar com uma situação crítica com o uso da própria força. Golpes só serão descontados de dano se atingirem áreas sem armaduras. Em caso de golpe em armadura de couro ou golpes de raspão, dano reduzido em 50%.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum.
Dano: Todo dano físico, com o uso dos punhos, recebe dano padrão de 25HP.


You Want a Battle? Here’s a War
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Re: 1º Aula de Combate Corporal

Mensagem por Oliver Chad Matt em Sab Abr 08, 2017 12:56 pm

Lá estava eu, em minha primeira semana no acampamento meio-sangue, tinha acabado de conversar com Quíron e realmente não sabia se estava em minha sanidade. O choque em minha realidade foi enorme, em um momento eu estava tendo aulas de inglês, matemática e educação física e no outro eu era um semideus no meio de incontáveis outros semideuses em um acampamento que nos treinava como que para guerra. Eu estava adorando aquilo. Claro que Quíron me prometeu que meu pai seria informado de tudo, se não o tivesse feito, eu provavelmente iria até ele eu mesmo. O centauro me disse que agora que eu tinha conhecimento da minha real situação sair sozinho pelas ruas era de perigo mortal, e que ele iria enviar um sátiro. Aquilo me deixou tranquilo, mas não sei o que meu pai vai pensar quando for me responder. "Mas eu não tenho tempo para distrações" pensei comigo, "Estou vivendo um sonho, em um lugar que vai me ensinar coisas muito mais interessantes do que regras gramaticais".

Caminhei pelo acampamento, recebia olhares curiosos aonde eu passava - O que será que esse novo filho de Athenas é capaz? - Ouvi alguém dizer perto de mim, mas não me dei ao trabalho de ver quem era. Eu fui acostumado a ouvir sobre mim pelas costas na escola.

Percebi uma movimentação em um local que me parecia uma espécie de arena e logo percebi do que se tratava - Ótimo, minha primeira aula, Boxe! Que novidade! - Eu tinha a impressão de que ali iria aprender a matar com espadas, arcos e magia, por isso a minha indignação. - Ah, que ótimo, um garotinho revoltado! Estilos de luta são importantes para a sua sobrevivência novato! Se não está feliz com isso ser algo que você já conhecia em seu mundinho, adivinha, cai fora! - disse a professora da aula, que depois iria descobrir se chamar Samanta Sink, filha de Ares. "Ótimo", penso eu, "começar a minha primeira aula tendo a atenção da professora de temperamento forte, era tudo o que eu precisava". - Vai ficar então? Ótimo, a aula já vai começar.

Samanta espera todos os alunos chegarem e pede para sentarmos, logo depois começa a demonstrar os golpes com um voluntário devidamente equipado. Fico imaginando o que seria do voluntário se não fosse sua proteção, que mulher feroz! Presto a devida atenção em cada movimento da lutadora, tento aprender cada golpe com o máximo de minha concentração. Eu sabia que para provar que não estava de brincadeira teria que tirar o melhor possível daquela aula.

Acabada a demonstração Samanta separa os alunos em duplas para praticar, como eu não conhecia ninguém ali ainda eu fui direto para um saco de pancadas. Me posiciono em guarda, sou destro então o lado esquerdo a frente. Começo a desferir golpes no alvo, toda sequência de jabs, diretos e cruzados que eu conseguia pensar, de vez em quando variando com um uppercut e um gancho, mas todos aplicados com toda a minha vontade. Meu pai sempre me levava para fazer exercícios e eu tenho um biotipo forte, leve e ágil, era como se aquilo tivesse sido feito para mim. Mesmo com toda a minha dedicação, a professora se dirigia a mim com todas as criticas possíveis. Eu podia ser talentoso com aquilo, mas era exatamente por isso que ela estava exigindo ainda mais de mim - Seus pés estão muito afastados! Ponha força nesse soco, você realmente acha que pode derrubar alguém com isso? - Ela me provocava a todo instante, mas eu não podia perder a concentração. Fiz o que ela pediu, juntei mais os pés e desferi socos com ainda mais força, mas cometo um deslize e baixo a guarda - Você nunca pode se distrair assim novato! Em uma batalha de verdade baixe a guarda e você está morto. Eu achei que tivesse visto algum talento nessa criatura ignorante, mas parece que eu estava enganada. Muito bem turma, vamos as lutas! Cada um escolha um parceiro. - Foi quando eu fiz o que queria ter feito desde o começo da aula - Vamos lutar eu e você, professora, se você não achar que eu possa derrotá-la, é claro.

- Hahahaha, você só pode estar brincando criança, você? Contra mim? E ainda dizer que pode ser que me derrote? Pois bem, eu aceito o desafio. Não volte atrás criança, mas você parece um pouco cansado, vá tomar um ar, a nossa luta será a última. - Como eu pensei, ela aceitou. O que eu queria era aprender o máximo que eu pudesse e meu pai me ensinara que a melhor forma de aprender era enfrentando algo melhor que você, se não houver dificuldades você apenas está nivelando aquilo que aprender. Eu tinha certeza da minha derrota, estaria lutando para observar de perto os movimentos da melhor e quem sabe oferece-la algum desafio.

- Ei, novato! Venha cá pra cima, é a nossa vez. Ou será que você reconsiderou depois de esfriar a cabeça? - Não, eu vou lutar. - Eu subo ao ringue sabendo o que me espera, uma surra colossal. Não estou com medo, se eu estivesse não conseguiria tirar nada daquilo. Entro em posição, levanto a guarda. O juiz da início a luta, "Sem tempo" foi a orientação da professora. Como esperado ela vem para mim com toda a experiencia e confiança de alguém que sabe que será dominante. No começo posso apenas me defender, minha guarda contra os socos dela. A agilidade dela é incrível, combina golpes poderosos com uma movimentação de pernas impecável.

Percebo um certo padrão em seus golpes, um cruzado sempre vinha depois de um direto. - Qualé novato! Cade toda a sua confiança? - Ela me grita enquanto desfere mais um direto. "É agora!" penso e só consigo espera um cruzado, se ela não o fizesse eu estaria vulnerável. Em seu próximo golpe esquivo pelo lado do seu braço, deu certo ela havia feito um cruzado. Só tenho mais um instante para um golpe antes que ela volte a guarda e tento um cruzado, mas a distância havia sido muita e ela se esquiva com um movimento para trás. - Nada mal criança. Mas a luta já é minha. - Meu posicionamento agora é de atacar, se voltar a apanhar eu não duro muito.

Estamos frente a frente, tento dois jabs e um direto. Nenhum efeito. - Vamos! Estava se gabando tanto e agora só consegue isso. - Tenho uma ideia. Tento mais alguns golpes, um cruzado depois de dois jabs e dois diretos. Ela defende e revida com um direto bem colocado que me atinge no rosto. - Mais uns dois e você vai pra lona. - Tento um jab e finjo baixar a guarda, ela tenta outro direto, eu esquivo e tento um gancho, mas erro. - Você tem que saber escolher melhor os seus golpes menino. Um gancho nunca me acertaria dessa distância. - Ela estava certa, eu estava testando limites.

Minha chance agora seria colocar a minha ideia em prática, eu não poderia sair dali sem um golpe. Me ponho na frente dela e espero, meu golpe viria de uma contra ataque. - Bem, se você não atacar eu ataco. - Ela se aproxima, dois jabs e um direto, enquanto ele vem parece que eu não penso, eu só sinto o que deve ser feito. Eu abaixo a minha guarda, troco a minha base e esquivo rapidamente enquanto o meu braço esquerdo acerta um uppercut no queixo da minha adversária.

- Belo golpe novato. Acho que com isso encerramos a nossa luta, você foi bem para a primeira aula. Qual o seu nome e progenitor? - Oliver, filho de Athena. - respondo. - Athena? Tem razão, seus olhos são como os dela. Temos aqui um lutador talentoso filho da deusa da estratégia, você vai ganhar belas lutas um dia jovem. Aula encerrada semideuses, espero que alguma coisa de útil tenha entrado nessas cabecinhas...

Não sei se ela continuo falando a partir dai, eu sei que eu estava exausto e satisfeito. Sai andando da arena de treinamento sem conseguir pensar, sem conseguir entender quem quer que estivesse falando comigo sobre coragem ou loucura. Eu estava procurando um lugar para descansar daquela aula e pensar sobre o que eu aprendi dela. Minha primeira aula só aumentou a minha curiosidade e motivação, eu queria aprender tudo daquele lugar incrível, nos meus olhos eu devia estar transmitindo obstinação, com certeza, mas talvez um pouco de loucura também. - Eu quero mais.




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Re: 1º Aula de Combate Corporal

Mensagem por Guitti em Sex Abr 14, 2017 3:09 pm

Aula de Combate Corporal
        Samanta Sink. A famosa filha de Ares, líder de seu chalé está hoje certamente proporcionando uma ótima aula de pugilismo. Ensinamentos estes que eu não poderia perder de maneira alguma. Isso porque eu sou ótimo com espadas e adagas, por causa da minha furtividade e agilidade, mas, nem sempre terei o elemento surpresa ou minhas lâminas por perto para me auxiliar em combate. Por isso, vesti-me da melhor maneira para a ocasião com um short preto folgado e uma camiseta cinza de tecido leve.

        Meu corpo é magro e talvez meus golpes físicos a mão desarmada não sejam tão poderosos assim, mas talvez com a técnica correta eles façam mais efeito no inimigo, podendo atordoá-los ou afastá-los com um soco. Não demorou muito para que eu chegasse ao belíssimo Campo de Marte – isso porque estou no Acampamento Júpiter por conta do treinamento da Pretora Evie Farrier e pelo festival de música. – e visse os cenários montados pela professora, que por sinal é muito charmosa com seus cabelos ruivos e corpo bem estruturado.

        Aproximei-me a cumprimentando e a semideusa me deu boas-vindas, pedindo para que eu me sentasse. Deixei os meus calçados em um cantinho e sentei próximo aos outros alunos, cruzando as pernas e em seguida segurei meus dois pés com as mãos. Depois de um tempo esperando mais alguns alunos chegarem, a Júlia marca sua presença no local com sua beleza inenarrável. Cabelos loiros e olhos azul-acinzentados que mexiam facilmente comigo. Estava usando uma legging preta justa às suas pernas, o que a deixava ainda mais sensual e uma camiseta amarela – combinando com a cor de seu cabelo – cavada nas laterais, deixando seu top preto a amostra.

▬ Olá, Guitti. ▬ Ela acena para mim, sentando-se do meu lado e simplesmente aceno de volta, cumprimentando-a. ▬ Mulherão da porra, não é mesmo?

        Ela sussurra para mim sobre a beleza da prole de Ares e concordo, fazendo que sim com a cabeça. Agora a professora pedia que um voluntário se aproximasse, para fazer uma pequena demonstração. Certamente não serei eu afinal, temo que não aguente a força de um filho de Ares por possuir pouca musculatura. Uma pessoa corajosa levantou-se e foi à frente, agarrando a almofada de sparring para aparar os golpes. Ela nos ensinou passo-a-passo todos os golpes e fiquei instigado a aprendê-los, assim como a Júlia cujos olhos brilharam ao observar aqueles ataques.

        Após a teoria ser passada para todos, levantei-me e peguei uma das luvas acolchoadas que havia ali para o treinamento e as coloquei uma em cada mão. Direcionei-me até a Júlia, convidando-a para praticar os golpes comigo. Ela sorriu e veio em minha direção apontando para mim.

▬ Será que você aguentaria a pressão imposta por mim, Guitti? ▬ Quando chegou a minha frente, pôs sua delicada mão em meu ombro esquerdo.

▬ Certamente você não me dará trabalho, querida. ▬ Eu dei um sorriso largo, provocando-a apesar de saber que provavelmente ela me daria bons socos.

▬ Segurarei a almofada então já que estás com a luva já posta, enquanto você repete os golpes ensinados, ok? Depois invertemos. ▬ Ela sugere enquanto pega uma das almofadas e assinto, concordando.

        A vestal ergueu a almofada e posicionou os pés de maneira que sua guarda aguente os golpes sem muitos problemas. Encarei-a, como se perguntasse se ela estava pronta e ela faz que sim com a cabeça e então começo a praticar. Começo posicionando meus braços, para que o esquerdo fique mais à frente que o direito. Desfiro um jab contra a almofada e logo depois um direto, mas sinto que de certa forma, meu golpe está fraco. Felizmente, Samanta estava passando por entre os alunos e consertando-os quanto às suas posturas de combate e as maneiras que eles estavam desferindo seus golpes. Ela passou por nós enquanto eu fazia aqueles movimentos e parou, me observando.

▬ Está fazendo errado, semideus. ▬ Ela sinalizou para a Júlia virar a almofada em sua direção para que ela pudesse fazer uma demonstração. ▬ Tens que deixar o tronco de seu corpo firme, pois a força do seu soco vem dele.

        Ela desferiu um poderoso golpe com seu braço esquerdo contra a almofada, o que fez com que a Júlia desse um passo para trás, desequilibrada por causa da força do golpe. A Júlia encarou a prole de Ares como se pensasse “Precisava de tanta força?”.

▬ Entendeu agora, querido? ▬ Ela sorriu, ajeitando uma mecha do seu cabelo ruivo atrás da orelha e voltou a andar ao redor de seus alunos, os observando.

        Dei de ombros, enquanto olhava para a Júlia e contorci os lábios. Ela torna a erguer a almofada em minha direção e me preparo para golpear o objeto. Desta vez, sigo as instruções da professora, deixando o meu tronco firme e não mole como antes. Desfiro com força um jab, seguido de um direto e a Júlia certamente sente o pesar do golpe pela expressão de seu rosto.

▬ Olha só, parece que ela estava certa, não é mesmo? ▬ Ela ri baixinho, enquanto me encarava.

        Senti-me satisfeito por perceber que o treinamento estava dando certo. Posicionei os pés corretamente e tentei um cruzado, sendo que a Júlia defendera-se com o seu antebraço. ▬ Uppercut. ▬ Avisei-a de que o golpe viria por baixo para que ela pudesse se defender e assim o fiz, tentando dominar o golpe. Aproveitei que a sua guarda estava direcionada para baixo e desferi alguns ganchos, sendo defendidos com sucesso. Não queria machucá-la, por isso os avisos.

▬ Sua vez. ▬ Falei, tirando as luvas e entregando a ela em troca da almofada.

        Na segunda parte, seria obrigado a lutar contra a Júlia afinal, não tenho intimidade com mais ninguém aqui. Levantei a almofada, pronto para defender os golpes da vestal. Sorri para ela e assenti com a cabeça, dando permissão para que ela atacasse. O suor já escorria em meu resto, pude sentir um pouco do gosto salgado do mesmo com as gotas que sem querer tocaram meus lábios.

        Os golpes da Júlia são mais fortes do que eu imaginava. Ela dá vários jabs seguidos de diretos na almofada, o que faz com que eu precise concentrar muito da minha força em meus pés e no tronco do meu corpo para não acabar perdendo a posição e acidentalmente receber um golpe no rosto. Impressionante a força da semideusa, o que me fez temer a segunda parte da aula afinal, quem parecia que iria apanhar era eu, não ela. De surpresa, ela tenta um ganho, mas, graças a minha agilidade, consigo desviar agachando-me, o que me permite sentir o vento que seu braço faz ao passar por cima da minha cabeça.

        Depois de um tempo considerável treinando, Samanta decide que já é hora da segunda parte da aula, nos mandando formar duplas para um verdadeiro combate. Sem almofadas dessa vez, apenas dois pares de luva lutando para conseguir o primeiro nocaute ou desistência por cansaço do seu inimigo. Sabia que a Júlia não iria pegar leve comigo, portanto não pegarei leve com ela também. Ficamos ali, ao redor do ringue, olhando as duplas se enfrentar pouco a pouco, quando finalmente chega a nossa vez.

▬ Está pronto, Gui? ▬ Ela pergunta carinhosamente, mas sabia que seus socos não seriam carinhosos da mesma forma.

▬ Sempre estive. ▬ Sorri de canto, enquanto me agarrava à uma das cordas para subir ao ringue.

        Subimos ao ringue já com as luvas em nossas mãos, um em cada canto do ringue. Ela prende o cabelo em um rabo de cavalo e entra em posição de combate, o que me faz acreditar que a porra vai ficar séria. Faço o mesmo, posicionando o pé esquerdo um pouco mais a frente que o direito, me preparando para o combate. O sino bate, dando permissão para que a primeira rodada comece. Ao mesmo tempo, vamos até o meio do ringue e batemos uma luva com a outra, como sinal de respeito assim como era feito praticamente em quase toda luta de box. Começamos a rodar em torno do ringue, nos encarando.

        Espero a filha de Zeus realizar a primeira investida afinal, por conta da minha agilidade eu desviaria facilmente de seus golpes e contra-atacaria com certa facilidade. E assim ela faz, avançando contra minha pessoa. Ela tenta me acertar dois jabs seguidos e um direto logo depois. Mantenho-me concentrado, olhando para a semideusa e com movimentos leves e calculados, desvio de seus golpes. Em contrapartida, assim que ela realiza o seu “combo”, contra-ataco com dois ganchos, acertando-a na lateral de seu corpo, fazendo com que ela recue. Na medida em que ela se afasta, eu me aproximo, tentando manter a pressão pra cima dela e a distância certa entre meu braço e seu corpo.

        Tento desferir mais dois golpes, sendo um jab e um direto, mas dessa vez ela é mais rápida que eu, aproveitando que estou confiante demais quanto meus golpes e me desfere um uppercurt atingindo o meu queixo. Dou dois passos para trás, desorientado e mal consigo manter-me em pé. Aparentemente tinha irritado ela com meus golpes anteriores. Respirei pausadamente, inspirando e expirando, tentando manter-me calmo enquanto ela avançava sobre mim me atacando com toda sua força, vários socos frontais. Protegi-me com meus antebraços em frente ao meu rosto, para não acabar sendo nocauteado. Entretanto, acabo tentando desferir um cruzado no rosto da Júlia, sabendo que ela iria defender-se com sucesso e minha guarda ficaria aberta de propósito. Não queria machucá-la mais.

        A Júlia aproveita a abertura que eu lhe dera e me acerta um jab bem na lateral do meu rosto, fazendo com que eu caia no chão já quase inconsciente. Bato no chão três vezes e logo depois levanto o dedo, clamando desistência. No momento eu já havia até mesmo esquecido qual era o sinal para se render, mas não importava mais afinal, o sino toca, dando final àquele duelo. Os outros campistas ali presentes aplaudem a Júlia, saudando a sua vitória. A Samanta aproxima-se com um balde cheio de gelo e água.

▬ Veja bem, semideus. ▬ Ela pausou, pondo o pano úmido e frio em meu rosto que já estava inchado. ▬ Sei que fez de propósito. Parabéns. Há poucos cavalheiros hoje em dia no mundo.

        Depois de ser aplaudida, a Júlia veio até eu e a professora, pegando o pano de sua mão e sorrindo para ela. ▬ Pode deixar que tomo conta dele agora. ▬ Ela segurou-me em seu colo e me olhou com certa pena. ▬ Desculpe-me, Guitti. Sei que você pegou leve comigo e eu fui árdua com você. ▬ Simplesmente continuei respirando e assenti com a cabeça, transmitindo a mensagem para ela de que estava tudo bem. ▬ Vem, vamos embora. ▬ Ela pegou meu braço e passou ao redor do cabelo dela, levantando-me e juntos, fomos embora daquele local. Aquele dia, eu sabia que seria bem cuidado afinal, estava com ela, com a Júlia.
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Re: 1º Aula de Combate Corporal

Mensagem por America Schreave em Sex Abr 14, 2017 3:37 pm

Fight Club


Surpreendentemente, acordei com pique para escalar o Empire State até chegar ao Monte Olimpo só para admirar a paisagem. Os dias estavam finalmente melhorando para mim no acampamento, e eu não poderia deixar passar batido esse raro momento de motivação e empolgação que resolveu tomar conta do meu ser. Após um demorado banho matinal cantando "The dog days are over" da banda Florence + The Machine, escolhi um tênis e vesti um top de algodão cinza e um short esportivo da mesma cor -com linhas verticais no quadril na cor goiaba- para a primeira aula de combate corporal.

Cantarolando e soltando "BOM DIA FLOR DO DIA!" para todos do chalé de Perséfone,  saí em direção à arena onde encontraria Samanta Sink, a campista instrutora e quem me informou sobre a aula de hoje. É incrível como tudo fica mais colorido e nítido quando estamos alegres, e toda aquela nuvem sombria que me rondava desde que cheguei ao acampamento parecia estar dissipando-se. Ô coisa boa que é sentir o solzão iluminando o rosto e a alma.

Chegando à arena, dei de cara com Samanta. Não pude conter a minha satisfação em encontrar alguém que considero amiga, e logo soltei um "BOM DIA" vibrante, percebendo o quão irritante eu poderia estar sendo. Sem ligar para isso, dei para a prole de Ares uma flor que peguei no caminho para a aula e fui juntar-me aos campistas que esperavam sentados pelo início da programação. Não tardou para que Sink desse a introdução, pedindo alguém como voluntário para as demonstrações dos golpes. Um arrepio fino atravessou a minha espinha e me fez levantar da cadeira, arrependendo-me quase de imediato por isso.

- Muito bom, America. Venha sentir a força de uma prole de Ares!- disse Sam, com uma expressão de divertimento. Dei uma risada nervosa, mas a empolgação em fazer parte de algo fez com que a tensão se esvaísse. Se o preço pra encaixar-me no mundo dos semideuses for levar porrada, então eu vou levar porrada!

Sink era pelo menos dez centímetros mais alta que eu, e tinha um físico invejável. Não me deixei intimidar, -é só ser saco de pancada, só isso- pensei, respirando fundo enquanto a instrutora comentava sobre o que aconteceria. Quando a ruiva me entregou uma almofada, dizendo que esse sim seria o saco de pancada, os meus ombros relaxaram e eu quase soltei um suspiro de alívio.

Paradas frente a frente, a garota começou insinuando os movimentos, trazendo a luva para bem perto do travesseiro e ditando o nome de cada golpe. A cada movimento inacabado, meu coração disparava em um ritmo diferente. Eu nunca apanhei na vida, nem dos meus pais, nem em briga de rua, então essa aula é uma coisa totalmente nova para o meu corpo e para o meu psicológico -que não parece estar preparado.

JAB! E a garota acertou em cheio a almofada com o punho esquerdo. Os meus braços cederam em direção ao meu rosto, assustando-me pela rapidez do golpe. -Segure com mais firmeza! Ou terei que chamar alguém mais forte?- Retorci o nariz e chacoalhei a cabeça, juntando uma força -que eu não tenho- para não receber um golpe indezejado e passar vergonha em frente a tantos campistas treinados. Afastei a almofada para uma visão melhor da explicação, e para prevenir sair daqui com o nariz quebrado.

Como eu não tinha senso algum de reflexo, não previa os golpes. Sam usou o punho direito para o golpe direto, que teve um impacto muito maior e exigiu mais dos meus braços. Meus músculos pareciam enrijecidos pela tensão, o que estava sendo vantajoso no bloqueio. Comecei a me imaginar no lugar da almofada, recebendo as fortes pancadas em meu corpo. E me imaginei no lugar da instrutora, sendo a que ataca. A segunda ideia me agradou mais.

No cruzado, a ruiva atingiu a lateral da almofada com um punho de cada vez -demonstrando a possibilidade de ambos- e eu quase deixei o objeto escapar. A força exercida pela garota parecia aumentar com cada golpe, e a prova disso foi ver a almofada no chão após o gancho, lançado lateralmente em arco, o primeiro com o movimento de todo o corpo na execução.

Peguei a almofada no chão e respirei fundo, tomando a postura anterior. Por fim -finalmente!- Samanta lançou o uppercut, golpe que veio de baixo para cima, e levou os meus braços junto ao movimento. A visão desse ataque contra uma pessoa me agonizou, imaginando os estragos que causaria.

- America, obrigada pela participação- a instrutora pegou a almofada das minhas mãos e me dispensou com um gesto- trate de malhar esses braços se quiser lutar de verdade.
- Sim, senhora- tentei levar como um incentivo, ignorando a parte maldosa que o comentário poderia ter. Voltei para junto dos outros campistas, e logo fomos mandados para os primeiros treinos na Arena.

A onda alegre e otimista não havia me deixado, e foi cantarolando que atravessei o local e escolhi o saco mais isolado que encontrei e vesti as luvas de luta.

Ok, eu não sou dessas pessoas que resolvem as coisas na porrada, mas o sentimento de adrenalina que sobe apenas em olharmos para o saco pedindo para ser esmurrado é irresistível. Com a posição de ataque que vi Samanta fazer, lancei o punho esquerdo em um golpe direto. JAB! O saco balançou levemente e o meu punho recebeu o impacto de volta. Ai! Sacudi os braços e tentei novamente com um cruzado, dessa vez com mais força. Esperei o saco voltar e soltei dois diretos antes que me atingisse. Respirei fundo e tentei um gancho, percebendo que comecei a pegar o jeito da coisa.

Quando menos esperei, já estava dando aqueles pulinhos que os lutadores dão e suando entre os seios. Meu sorriso de satisfação por estar conseguindo podia ser visto de longe, e eu não podia evitá-lo. Apesar do braço esquerdo estar cansando, os jabs estavam saindo melhor que os diretos -interessante, já que sempre pensei ter o direito mais forte. O que não estava dando certo era o uppercut, já que o saco é enorme e eu não sabia como intervir.

Parei um momento e tirei as luvas. Limpei o suor da testa, apertando o rabo de cavalo que estava frouxo. Fui onde estavam as cadeiras do início da aula e peguei uma garrafa d'água que estava em cima de uma mesa.
- Ei, ninguém me avisou sobre estarmos dividindo uma garrafinha- disse uma garota franzina e pálida com uma expressão irritada.
- Ah, sinto muito- disse, percebendo a sua insatisfação- Eu achei que estavam disponíveis para todos, não sabia que era sua.
- Pois é, melhor prestar mais atenção -e saiu andando. Uma lâmpada iluminou sobre a minha cabeça como nos desenhos animados quando a personagem tem uma ideia, e fui atrás da estressadinha.
- Hm, podemos descontar isso numa luta, o que acha?
- O que isso tem a ver?- ela me observou, e eu lancei um olhar de divertimento- ok, já que insiste.
Fomos lado a lado para a área semelhante à um ringue, onde outros campistas -e até a Samanta- treinavam. A garota tomou a posição de ataque, e eu fiz o mesmo. Com os pés afastados coloquei as luvas e ajustei os punhos em defesa, observando-a e esperando o primeiro golpe. A determinação que eu demonstrava pela postura não era nem de perto a que eu realmente tinha, mas as aparências a convenceram e eu não amarelaria agora.

A garota lançou um jab, o qual esquivei e levantei pronta para um gancho. Desviando, ela tentou um direto, que por pouco não me acertou. Estávamos cheias de energia, e os movimentos expressavam isso. Com um movimento rápido, a garota me acertou em cheio com um dublo jab, que atingiu o meu nariz e por pouco não me desequilibrou. Respirei fundo e parti para cima dela com um cruzado, onde ela abaixou e eu aproveitei para o meu primeiro uppercut. Primeiro e melhor uppercut da minha vida, que atingiu em cheio o queixo da garota, derrubando-a de costas no ringue. Sorri de satisfação mas logo corri para analisá-la.
- Ok, você pode ficar com a garrafinha- ela disse, recobrando o fôlego sem conseguir levantar. Soltei uma risada nervosa, sem saber se ficava aliviada ou apreensiva pelo ataque.
Peguei sua mão e a ajudei a sentar, devagar até que o tronco ficasse ereto. -É melhor limpar esse sangue, se não quiser assustar os outros- passei a mão na boca e senti o líquido quente nos dedos, escorrendo pelo nariz e pintando os meus lábios. Ignorei o machucado e voltei minha atenção à ela.
- É melhor você tratar de levantar, eu nem sei como te derrubei!
- Está tudo bem- levantou-se meio cambaleante- está vendo? Nada que uma ambrósia não resolva.
Olhei-a com uma pontada de alívio, limpando o sangue que impregnou minha língua.
- Ok, melhor assim. De tudo, foi um bom treino.- apertei sua mão e sorri cautelosa- até a próxima- soltei-a e saí do ringue, sem saber o que fazer em seguida.
Passando por Samanta, acenei em despedida e sorri, lembrando do sangue nos dentes quando vi sua careta de "o que houve?". Fechei a boca e dei de ombros, soltando uma risada e saindo da arena de volta ao chalé de Perséfone.


 
 
 
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Re: 1º Aula de Combate Corporal

Mensagem por Devon Ackerman em Sab Abr 15, 2017 12:43 am


CAPITULO DOIS: O REGRESSO
PARTE DOIS: A TIA (???) BOXEADORA
Poderia ser considerado um grande milagre o fato de não estar escalada como alguma das faxineiras pessoais de Dionísio, vez que desde seu regresso ao acampamento aquele homem fazia plena questão de transformar sua rotina num verdadeiro inferno, ou ele finalmente decidiu dar uma trégua em todo o programa que apelidara como “reabilitação de semideusas idiotas que explodem um posto de gasolina só por birra de não querer voltar para o acampamento”. De toda forma um castigo era um castigo, e justamente por isso havia consentido em comparecer ao maior número de aulas que conseguisse, mesmo que isso implicasse em dores ou desconfortos futuros. Dito e feito, não fazia muito tempo que o sol já havia se feito presente no céu livre de nuvens e a filha de Atena já estava de pé e milagrosamente sem atrasos. — Caiu da cama, maninha? — um de seus irmãos a questionou num tom tanto quanto cômico, não lhe dando alternativa que não fosse emitir um riso nasal em meio a uma negativa por parte da cabeça. — Quem me dera ao menos conseguir dormir sem acordar todo maldito minuto. — comentava distraída, vez que sua atenção estava completamente voltada para os cadarços que estava a amarrar. — A gente se vê mais tarde, mate. — assim sendo, não tardou a deixar o território dos chalés e se encaminhar para a arena.

Era incrível como mesmo se arrumando a tempo, algo sempre a impedia de chegar no horário previsto, e o motivo da vez era justamente um campista que conseguiu a proeza de fraturar um braço após despencar como uma fruta podre da parede de escalada. — Sabe, eu não sou a pessoa mais responsável pra te dizer isso, mas é que eu acho que é exatamente por motivos assim que as pessoas acabam usando aparelhos de proteção tipo cordas ou afins. Mas não me leve a sério, ninguém leva. — seu tom era de puro sarcasmo à medida que acompanhava o jovem até a entrada da enfermaria, o deixando a encargo do responsável em plantão por ali. Respirou fundo a medida que, mentalmente, repassava todo e qualquer esporro que poderia levar assim que pusesse os pés na arena. Não conseguia recordar quem era Samanta, apesar do nome soar extremamente familiar para ela, de fato tudo o que esperava era sair sem muitas sequelas daquela aula de combate desarmado. Tentava emitir o mínimo de barulho possível ao se aproximar do grupo já sentado, os olhos verdes encarando o da mulher que estaria ocupada demais os instruindo de como realizar os movimentos da maneira correta. Não era uma especialista em boxe, muito menos uma aluna aplicada, mas para a semideusa em questão tudo parecia muito mais simples do que era demonstrado pela instrutora. De toda maneira preferiu ignorar completamente o olhar questionador por parte de muitos dos presentes e acabou se sentando um pouco afastada do grupo, as orbes sempre muito atentas a postura da instrutora. — Espera, se ela é filha de Ares então quer dizer que... céus, que porra é essa. — a árvore genealógica olimpiana era uma hierarquia que jamais seria capaz de compreender, principalmente por entender que a instrutora em questão poderia sim ser algo próximo de sua tia, por assim dizer.

Detalhes a parte, não demorou muito para que todos os campistas presentes recebessem uma ordem de se separarem em duplas e repassarem todos os golpes que foram ensinados pela de fios avermelhados. Mesmo a contragosto Devon sequer se opôs as ordens, e silenciosa rumou até um dos aparadores mais largos, prendendo as alças em suas mãos da maneira mais firme que conseguiu antes de procurar sua dupla. O escolhido da vez havia sido Jake Lancaster, um rapaz filho de Hermes que era bastante ágil quanto sua locomoção, mas lerdo demais para seu próprio bem em quesito raciocínio. — Não precisa pegar leve, eu já fiz algo assim antes. — insistiu a filha de Atena, afastando os pés e flexionando seus joelhos o bastante para conseguir estabilidade suficiente que aguentasse o impacto gerado pelos golpes do filho de Hermes. Seria cômico caso não sentisse vergonha alheia a cada soco fraquíssimo desferido pelo campista. Mas ela estava ali, parada, apenas recebendo os socos através do aparador enquanto mentalmente pontuava tudo o que o impedia de realizar um golpe mais forte. Não demorou muito, entretanto, para que a instrutora estivesse a par da situação, aproveitando sua proximidade dos dois para discorrer brevemente chamando a atenção de ambos. — É o seguinte, querido, antes de tudo você precisa estar ciente de que os seus pés devem sempre alinhados com os ombros, e nunca, em hipótese alguma, você deve socar alguém sem mover o corpo junto como está fazendo. Pense nisso como um sistema interdependente onde cada parte é influencia a outra. — o tom de Samanta era mais suave do que o esperado por Devon, que apenas assentiu mesmo que os dizeres não fosse diretamente para ela.

Estranhamente aquela aula a fez lembrar de um dos primeiros treinamentos que fizera por ali com um de seus irmãos quando mais nova, muito antes do ano em que decidiu fugir do acampamento. De toda forma, sua distração foi interrompida quando sentiu um forte soco em seu maxilar, já que havia esquecido completamente de proteger seu rosto com o aparador. Seu corpo se moveu para o lado, e cambaleante, a semideusa ainda se manteve de pé. — Por que você não deu um soco com essa força quando eu tava protegida por essa espuma mesmo? — questionou devidamente incrédula da força exercida pelo rapaz, mesmo que houvesse uma espécie de sorriso em seus lábios após testemunhar tal desempenho. — Esse cruzado pelo menos foi melhor do que absolutamente todos os jab's que você deu. — comentou divertida, movimentando o aparador de acordo com a direção dos golpes desferidos pelo filho de Hermes. Permaneceu de guarda a postos até o momento que a ruiva indicou para que as duplas trocassem de função, e desta forma já preparava as mãos de maneira a utilizar duas tiras, enfaixando primeiro a mão esquerda ao preencher os espaços dos dedos com o emborrachado, para fazer o mesmo com a mão sobressalente logo em seguida. Não era distraída a ponto de socar coisas com as mãos nuas, por assim dizer.

Fazia realmente muito tempo desde a última vez que realizou qualquer movimentação ofensiva, principalmente quando adotou uma postura mais pacífica desde o momento que deixou o acampamento cerca de quatro anos atrás, e talvez esse fosse o motivo que a deixasse tão incomodada. O corpo passou a estar disposto na diagonal para o filho de Hermes, Devon distribuindo alguns pulinhos característicos de boxeadores de um lado a outro ao que fazia o máximo para relaxar os ombros. Seu pai muitas vezes fazia aquele mesmo estilo de relaxamento quando ela era mais nova, e por isso resolveu manter essa mania. As mãos então encontravam-se em frente ao rosto, realizando um breve jogo de pés para que logo o esquerdo tomasse a frente junto de sua canhota, emitindo um baque surdo ao que o punho se chocou com a espuma do aparador. Em seguida recuou em mais uma série de pulos, sentindo a respiração começar a tornar-se mais rápida a medida que retomava seu velho costume. Ainda com a perna esquerda tomando a frente do corpo, moveu o torso para a direita, impulsionando a destra num cruzado que visou a região oposta de onde partiu o soco, ou seja, a parte esquerda do aparador. — Joelhos mais flexionados, pernas mais espaçadas, coluna ereta. — dizia a instrutora com precisão, a filha de Atena apenas absorvendo e reproduzindo o que lhe fora instruído. Girava o tronco sempre que os braços distribuíam algum soco direcionado ao aparador.

Aos poucos sentia o corpo reagir a cada soco; os antebraços ardiam tal como seu pulmão a cada porção de ar expelido pelas narinas, os músculos praticamente se contorcendo devido a repetição. No entanto seu avanço era nítido mesmo com pouco tempo, embora ainda não fosse nem metade do que um dia foi. O único golpe que a princípio preferia não praticar era o uppercut, preferia otimizar a velocidade e a precisão dos outros três estilos de soco. Esquerda, direita, direita, esquerda. Esta havia sido a sequência dos golpes, ou melhor, a direção dos mesmos. Um jab, um gancho, um cruzado e um direto respectivamente. Somente após repetir a sequência uma porção de vezes, atentando-se principalmente com a postura que deveria adotar em cada um deles – por vezes flexionando ainda mais os joelhos, como era o caso do gancho –. Mais uma vez a ruiva assobiou, dessa vez para que cada dupla passasse a utilizar de tais golpes numa espécie de duelo. — Relaxa, eu só vou descontar o soco que você me deu. — brincou ou nem tanto assim, já que havia sido claramente um aviso, montando guarda novamente. Observava atentamente a postura agressiva do filho de Hermes, resolvendo por si só aproveitar o quão travado parecia estar e usar o fato a seu favor. Permitiu então que ele viesse em sua direção, desferindo um jab por parte da canhota assim que teve a oportunidade, embora não tardasse a realizar uma esquiva para girar a destra num gancho. O braço estava firme, embora brevemente curvado, seu punho fechado se chocando com o rosto do semideus.

Não foi um soco forte, apenas o bastante para que Jake fosse obrigado a recuar se quisesse continuar de pé. Não era violenta a ponto de querer causar uma concussão num campista, nem mesmo era violenta, apenas... desinteressada demais. Limitou-se apenas a se esquivar dos socos do rapaz, por vezes utilizando o antebraço para aparar e desviar um ou outro soco. — Muito bem, muito bem. — A instrutora exclamou, chamando a atenção de todos os presentes que rapidamente cessaram todas as suas atividades ali. — Por hoje é só, acredito que tenham transpirado bastante e aprendido a se defender através desses socos. — dizia à medida que recolhia os aparadores e as faixas, deixando-as num canto dali. — É isso, estão liberados para suas outras atividades. — bateu palma duas vezes, os campistas logo de dispersando. Alguns iam para outras regiões da arena, outros mais ofegantes preferiam fazer seu caminho para fora dali. Devon torceu os lábios numa espécie de sorriso breve, cumprimentando Samanta com um ligeiro movimento por parte da cabeça pouco antes de girar sobre os calcanhares e se colocar a caminho de seu chalé. Precisava arrumar algumas coisas, e precisava fazer aquilo com o máximo de urgência.


WHEN: SABE ZEUS QUANDO :|: WHERE: ARENA DE COMBATE
WITH: JAKE LANCASTER O NPC MAIS BURRO QUE VOCÊS RESPEITAM
TAG: AULA DE COMBATE CORPO A CORPO
NOTES: ACONTECE  QUE É O SEGUNDO POST EM MENOS DE UMA SEMANA QUE EU FAÇO A RESPEITO DE BOXE E AFINS, ENOIS NÃO AGUENTO MAIS
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Re: 1º Aula de Combate Corporal

Mensagem por Evie Farrier em Qua Abr 19, 2017 2:59 pm



Aula de Combante
We're warriors, we're fighters, we're romans  




Eu sabia que possuía falhas.

Ser pretora do acampamento, líder de cinco coortes de legionários que, em sua maioria, eram adolescentes parecia criar uma falsa imagem de que eu não as possuía. Mas elas estavam ali, mascaradas pela lacuna em meu próprio treinamento. Em suma, minha história era recheada de momentos de improviso e movimentos instintivos. Oh sim, o instinto de sobrevivência, o impulso da guerra... Tudo isso compunha todos os genes que me mantiveram viva até o momento.

Mas a falta de técnica era uma falha. Uma que quase permitiu a Morte dar o seu beijo gelado em meus lábios, pouco tempo atrás. Se eu soubesse o que estava fazendo, talvez tivesse salvado mais pessoas naquele maldito clube de luta clandestino. Eu havia apenas reagido naquela época. Sem planejamento. Sem movimentos precisos. Sem controle.

Então quando a proposta de uma aula de combate corporal foi lançada, eu sabia que eu deixaria o meu manto roxo de lado e me tornaria uma legionária qualquer. Seria uma aluna perante uma pessoa que eu sabia ter mais experiência em combate do que eu. Se havia algo que um romano sabia ter, era respeito por guerreiros mais experientes e fortes. E ela era definitivamente uma guerreira excepcional.

Também era difícil não nota-la, com os cabelos rubros e altura de mais de um metro e oitenta, a filha da guerra estava esperando pacientemente pelos romanos. Talvez não fossem tantos quanto ela gostaria. Ainda havia aquela pequena sensação de atrito entre os acampamentos, uma rivalidade mais velada, porém que ainda existia. Essa era uma das questões mais difíceis que eu e Becka, minha companheira na pretoria, enfrentávamos. Aqueles velhos senadores em nada entendia a necessidade de tanta mudança e flexibilidade.

Havia adentrado os Campos de Marte de maneira discreta. Cumprimentei alguns ex colegas de coorte que apenas acenaram para mim de maneira contida. Posicionei-me um pouco mais atrás, os braços cruzados, a postura que se tornou impecável com o passar dos anos no acampamento. Usava um short de academia em tom preto, um top vermelho e um casaco fino escuro com o zíper aberto. Obviamente usava tênis com ótima aderência, aquele não era um treinamento qualquer para se usar calçados simples. O cabelo não estava trançado como sempre, ao invés disso, os fios castanhos estavam presos no alto da cabeça em um rabo-de-cavalo, um penteado próprio para que as madeixas escuras não fossem um problema.

Assim que a turma esteve completa, Samanta iniciou as explicações básicas sobre o que seria aquela aula. Eu podia notar a diferença dela para a garota que conheci um tempo atrás. Algo singelo havia mudado. Sua postura, talvez? Seu tom de liderança estava mais forte, o seu olhar esverdeado mais afiado, encarando cada romano sem temor. Eu sabia que ela havia se tornado conselheira do seu chalé, assim como ela também deveria saber que agora eu portava um título ainda maior do que centuriã. Pouco tempo havia se passado desde o nosso último encontro, mas era perceptível como pequenas coisas tinham mudado. Quando a ruiva precisou de um voluntário para exibir os golpes como exemplo, eu escutei os cochichos mais a frente. Alguns tinham medo de sua altura e presença, afinal ela era filha do deus da guerra, Marte era tão respeitado quanto o próprio Júpiter. Outros apenas soltavam sons de deboche por ela ser grega, fazendo-me revirar os olhos e finalmente ter uma atitude. Já estava parada demais para a minha própria hiperatividade reclamar.

-Eu me voluntario.

Uma frase. Foi dita em tom normal, nem tão alto, mas claramente determinada. Os legionários prontamente abriram caminho para mim, o que me deu uma visão completa do jeito surpreso que a filha de Ares ficou ao me ver em meio aos seus alunos romanos. Um pequeno sorriso brincou no canto de meus lábios enquanto eu avançava de queixo erguido e um olhar um tanto travesso. Em meu trajeto, retirei o casaco que usava e o amarrei a minha cintura. Peguei as almofadas dela, que ainda me observava de maneira intensa, e as vesti em minhas mãos. Dei passos para trás para oferecer uma distância confortável para a execução dos golpes.

-Se pegar leve comigo vai ficar feio para sua imagem – alertei com um sorrisinho de lado – Vamos lá grega, mostre os movimentos.

Bati uma almofada na outra, melhorei minha posição de pernas e flexionei mais os cotovelos para aguentar a sequência de golpes que a ruiva iria realizar. De fato, alguns sabiam que meu pai havia sido filho de Belona. Assim como todos sabiam que era uma questão delicada quando um semideus envolvia-se com um deus, nunca se tinha plena certeza do resultado da sua prole. Muitos conquistavam apenas alguns traços do parente divino mais distante. Porém eu havia batalhado para conquistar todos os traços de Belona. Literalmente batalhado! E essa informação ninguém sabia ainda.

Quando Samanta começou a sequência de golpes, minha atenção havia sido dividida. Primeiro em prestar atenção na execução de golpes, agradecendo internamente quando ela o repetia de maneira mais lenta. A segunda parte da minha atenção estava em defender os golpes. Sabia que ela estava tomando cuidado, mas desde o primeiro soco eu senti o impacto de seu punho contra a almofada. Ela era realmente uma guerreira escarlate.

Depois das demonstrações era hora de praticar. Retirei as almofadas jogando em um canto, preferindo me distanciar para ajeitar as ataduras ao redor de minhas mãos e pulsos. Não iria querer treinar com as luvas de boxe, preferia sentir cada impacto que iria causar diretamente em meus punhos.

Caminhei para os sacos de areia dando pequenos pulinhos para aquecer o sangue. Estiquei meus braços para a frente e finalmente tomei posição. Pés afastados, joelhos ligeiramente flexionados, o corpo sempre em um pequeno movimento para que a esquiva e o avanço fossem mais fáceis e naturais de fazer. Mãos erguidas a frente do rosto, contei mentalmente até três até aplicar um golpe direto e frontal, o punho esquerdo indo em direção ao alvo. Aquele era uma simples jab, um golpe que muita gente realizava sem nem ao menos saber. Não demorou para que Samanta estivesse ao meu lado, ela observou a execução de dois jabs antes de interferir.

-Seu golpe com o punho está perfeito, mas não abaixe a mão direita, mantenha sempre a guarda erguida. Às vezes você está abaixando.

Depois das instruções, veio o exemplo básico. Samanta aplicou o golpe no saco de pancadas com força suficiente para movê-lo do lugar. Porém eu havia prestado atenção em sua postura, em como a mão direita manteve-se sempre alinhada ao rosto com o punho fechado, enquanto a esquerda desferia o golpe.

Essa era a minha falha. Eu não possuía boa parte da técnica. Era uma sensação ruim não ter noção de coisas tão básicas, mas usei esse desconforto para treinar o jab até tornar-se perfeito. Samanta afastou-se para poder auxiliar outros romanos, o que foi realmente necessário já que a maioria parecia apenas socar livremente o saco de areia. Depois do Jab, treinei o golpe direto que era relativamente mais fácil por ser com o braço dominante. Dessa vez, atentei-me ao movimento do corpo para poder gerar ainda mais impacto.

Resolvi tentar algo que eu realmente fazia sem saber como fazia. O golpe cruzado. Primeiro o tentei de maneira livre, instintiva e fiz uma careta ao ver que o impacto no saco de areia foi menor do que eu esperava. Eu podia sentir os olhos de Samanta em mim e, ao olhar para o lado, podia ver que ela estava me observando. Talvez para avaliar o quão errado eu estava fazendo o golpe. Dei de ombros, ela era a minha instrutora no momento, então tentei fazer melhor ao lembrar como o corpo dela havia movido durante as exibições.

Primeiro, a postura. Pés um na frente do outro, joelhos inclinados. Segundo, os punhos erguidos corretamente, à frente do rosto, cotovelos alinhados. Antes de aplicar o golpe, ainda me veio na mente o que ela repetiu mais durante a apresentação: a força do golpe não estava apenas no soco, mas também na rotação do quadril. Então lá estava o golpe sendo executado uma segunda vez. Braço direito erguido na lateral, um golpe indireto atingindo o saco de pancadas com muito mais impacto do que o primeiro cruzado.

-Apenas atente-se a postura do braço. O cotovelo tem de estar alinhado com o ombro e alinhado com o punho. Isso vai causar ainda mais impacto e fluxo.

Ela passou tocando o meu braço quando estava prestes a dar o terceiro cruzado. Dessa vez, não consegui evitar um pequeno sorriso em agradecimento. Ela não apontava os erros diretamente, ao invés disso, já oferecia a instrução prática e clara. Quando o cruzado foi finalmente perfeito, Sink ergueu os polegares em positivo, com um sorriso pequeno. Então foi ser professora mais uma vez de um garoto que tentava dar um gancho.

Ao tentar fazer o upper, eu realmente senti a diferença que o quadril fazia. O golpe não esteve apenas no poder do soco, mas quando eu movia tanto o quadril e impulsionava melhor, a eficácia era assustadoramente maior. Tornava o golpe de baixo para cima um poderoso ataque, rápido e certeiro se fosse o inimigo fosse pego com a guarda baixa. Ao pegar o jeito de mover o quadril e base dos pés de acordo com os golpes, treinar a técnica tornou-se inevitavelmente mais fácil. Era hora de socar até os dedos dos ossos começarem a ranger, como se estivessem chorando por alívio.

(...)

Depois de todo o treino era hora de demonstrar o que havíamos adquiridos. Sam propôs um duelo em um ringue simples.

Dessa vez eu não fui a primeira. Em verdade, pensava se deveria mesmo competir com outro legionário depois de ter conquistado os poderes de legado. Não seria tão justo e eu não gostaria de diminuir a moral de ninguém. Ao mesmo tempo em que me questionava se eles não se sentiriam ofendidos por não querer duelar com outras pessoas. Posições de poder tinham essa mania de nos colocarem em um impasse de ideais e suposições.

Respirei fundo pegando uma toalha pequena para limpar o suor ao redor do rosto e da nuca. Estava jogando o tecido felpudo contra o ombro quando um garoto parou a minha frente. Ele deveria ter por volta de 1,75m de altura, dez centímetros a mais do que eu. Seu corpo não era corpulento como os garotos de Marte ou Vulcano, mas os músculos dos braços deixavam claro que ele possuía o corpo definido e forte. A pele era bronzeada, o cabelo curto tinha cor de cobre. Mas era o seu olhar acastanhado que me chamou a atenção. Não por ser bonito ou de tirar o fôlego. Era pesado. Intenso. Carregado de um sentimento que eu não sabia identificar.

-Eu quero duelar com você – ele disse simplesmente.

-Você parece ter algum motivo em especial – cruzei os braços sem me intimidar com aquela postura toda.

-Sim, eu tenho. Todos estão com medo de uma filha de Nox – ele disse debochado, o olhar brilhando ainda mais – Ainda mais uma que conseguiu se tornar pretora. Você é só pretora por ser filha de uma deusa primordial que todos estão temendo. Eu posso derrotar você!

Soltei o ar de maneira cansada. Aquele era um preconceito velado. Um grito mudo que ressoava em meu ouvido volta e meia. Minha mãe havia atacado os acampamentos seguindo uma lógica que ninguém sabia discernir. Ela havia provocado mortes com esses ataques. Consequentemente, todos passaram a olhar-me de maneira um tanto diferente, afinal era filha dela e, de alguma forma, meu poder os assustava também. Mesmo sendo pretora, mesmo estando liderando bem a legião até o momento, sempre existia alguém como aquele garoto. Desconfiado. Machucado. Temeroso.

-Algum problema? – Sam apareceu de repente ao nosso lado.

-Vamos duelar – anunciei em um tom neutro.

Joguei a toalha no chão e não encarei ninguém enquanto dava passos firmes para o ringue. A dupla que outrora lutava, já pulava para fora. Ao verem quem estava entrando na arena, os legionários se aproximaram mais. Eu conseguia escutar os murmúrios, as especulações. Conseguia ver o sorriso prepotente no sorriso do garoto. Sabia que ele era filho de Marte apenas pela tatuagem em seu braço. Não me culpem, a legião era enorme demais para que lembrasse de cada semideus presente.

Nós dois nos posicionamos um na frente do outro. Samanta havia entrado no ringue para poder ditar algumas pequenas regras de duelo. Nada de machucados graves, ossos quebrados ou lesões graves. O garoto nem ao menos piscava, seu olhar ainda caído sobre mim como se estivesse perseguindo uma presa. Eu podia sentir sua aura de filho da guerra se manifestando, expandindo, tentando intimidar. Talvez isso funcionasse com os outros, mas eu também tinha uma aura de guerra agora.

Bastou que a ruiva saísse para que ele avançasse. Eu mal havia conseguido fazer o posicionamento correto quando eu já estava movendo o meu quadril e tronco para esquivar. Golpe direto, jab, golpe direto. Eu esquivava movendo o corpo de um lado para o outro, não sendo acertada por muito pouco. Meus braços erguidos permitiam a defesa, sem abaixar a guarda, mas eles também me permitiram um contra-ataque. Bastou uma pequena abertura que um passo para frente foi dado, o braço direito erguido e flexionado. Movi o quadril em sincronia com o pé, o golpe era um cruzado que atingiu em cheio o rosto do garoto. Não um golpe perfeito, pois havia acertado apenas a maçã do rosto. Entretanto, fora o suficiente para fazê-lo recuar.

Com espaço suficiente, ergui minha guarda corretamente. O sangue já estava quente, pulsando em minhas veias, distribuindo adrenalina por todo o meu corpo. Meu espírito em fúria era malmente controlado. Eu estava em uma situação que não era por minha culpa, nem por meus comportamentos passados. Mas por causa de alguém que eu nunca nem tinha tido contato. Uma deusa com ideais que divergiam dos outros e matavam quem estivesse em seu caminho.

-Você é até forte – o garoto admitiu – Não se tornou pretora a toa, eu confesso – ele fez usa pose de batalha e seu olhar tornou-se sinistro, seu tom diminuiu e eu tinha certeza de que apenas eu poderia escutá-lo naquele momento – Mas nada me convence que você não segue a sua mãezinha. Quantos semideuses você já matou também, pequena filha da noite?!

Se ele tivesse feito esse mesmo comentário duas semanas atrás, eu teria entrado em um estado de fúria e o derrubado em dois tempos. Porém, depois de tudo o que tinha acontecido, meu corpo paralisou. Sim, eu havia matado um semideus. Um irmão distante dele se fosse levar em consideração o parentesco divino. Irmão mais próximo ainda de Samanta, uma garota que eu admirava e respeitava tanto. Não o havia matado porque queria, nós estávamos em uma situação de vida ou morte. E, por mais que ele realmente não ligasse para isso e quisesse matar a todos que estivessem em seu caminho, eu nada sabia sobre o Isaac e o motivo dele ter estado lá em primeiro lugar. Nem ao menos conseguia imaginar o que ele havia passado para se tornar um animal ao ponto de matar semideuses perante uma plateia.

Foi graças a esse momento de paralisia de corpo e mente que o filho de Marte avançou. Minha guarda baixa, meu corpo entregue facilmente para receber golpes. Um cruzado vingativo e um gancho que me jogou contra as cordas de proteção do ringue. Ele não havia economizado na força que usou. Eu sentia o mundo girando já que ambos os golpes foram em minha cabeça. Eu mais o escutei se aproximando do que realmente enxerguei. Por puro instinto, girei meu corpo ainda apoiado sobre as cordas, me afastando de um golpe direto e o deixando atingir o nada enquanto o próprio corpo musculoso atingia os limites do ringue. Afastei cambaleante, cuspindo no chão o sangue que havia acumulado junto com a saliva.

Ele tinha um sorrisinho convencido por ter conseguido me atingir. Seu olhar de relance para os legionários que nos assistia era do tipo “eu não disse que ela pode sangrar?”. Eu respirei fundo, tentando clarear minha mente e impedir que os sentimentos negativos me distraíssem novamente. Esperei ele avançar novamente, esquivando de seus jabs e golpes diretos. Mas foi na tentativa de um novo cruzado que eu abaixei o corpo e apliquei um soco direto na boca de seu estômago. Girei em meus pés para sair pela lateral, recuando alguns passos para poder ficar de frente para o garoto que segurava o estômago com um olhar surpreso. Ele era um filho de Marte, se eu queria causar algum impacto nele, eu tive de deixar que minha força agisse. A luta ia seguir realmente mais perigosa naquele momento se não fosse Samanta pulando no ringue novamente.

-Desculpa! – ela pediu um tanto sem jeito – Mas é que temos outras duplas e um tempo a cumprir, vamos considerar esse um empate!

Eu não sabia se ela tinha feito de propósito ou não. Porém, no fundo, eu estava agradecida. Respirei fundo e dei as costas para saltar para fora do ringue. Estava partindo sem olhar para trás, sabendo que me arrependeria de não ter trocado mais palavras com a grega. Mas, no momento, meus ombros estavam tensos e minha respiração estava pesada. Quanto mais distante eu ficava deles, mais minha pose ia cedendo as lembranças dolorosas do que eu havia feito.


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Re: 1º Aula de Combate Corporal

Mensagem por Samanta Sink em Sex Abr 21, 2017 11:34 am



AVISO



A pedidos estarei estendendo essa aula até o dia 30, pois dei apenas 15 dias para o prazo de postagem e alguns campistas precisaram deste tempo para provas e afins.

Novo prazo para encerramento: 30/04 às 11:59 PM



You Want a Battle? Here’s a War
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Samanta Sink
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Re: 1º Aula de Combate Corporal

Mensagem por Kyra C. Ferreli em Ter Abr 25, 2017 9:56 am




Aula de Combate
Volta teu rosto sempre na direção do sol, e então, as sombras ficarão para trás.

Acho que todo mundo procura um motivo para levantar cedo da cama, algo que te impulsiona a ir para frente e melhorar, o meu era um pequeno garoto que a pouco tempo foi morto por minha incompetência. Acredito que seja apenas falta de treinamento acessível, e que se de alguma maneira puder melhorar meus atributos físicos ficarei mais forte. É claro que nada disso justifica o que aconteceu, mas em minha mente de alguma maneira ajuda a melhorar a situação. Creio que se me esforçar um pouco mais poderei ir mais longe, e é justamente esse o fator que me levou em direção a aula de combate logo pela manhã. Levantar foi fácil, encontrar a motivação certa é que foi difícil, mas isso é apenas um mero detalhe que eu poderia ter deixado passar em branco.

Fazia apenas alguns minutos que eu estava sentada junto aos demais campistas, ordens diretas de uma semideusa cuja a altura se sobrepunha em muito a minha. Samanta era filha de Ares, uma grega bastante atraente com cabelos cor de fogo – num tom acima do meu, algo que se destacava – era magra demais para sua altura, e estava claro para mim que sua força era muito superior à de qualquer outro semideus ali presente. Não me assustava com isso, mas achava curioso o fato de que uma garota podia superar um atributo físico normalmente herdado pelo sexo masculino, o que mantenho em mente é que esse mundo, não é totalmente real. Digo isso porque os deuses deveriam estar apenas em livros, fabulas e historias antigas, mas que não estão.

Eles saíram, povoaram o mundo e causaram confusão em minha mente, me adaptar não é exatamente fácil quando fui acostumada a viver entre aqueles que são considerados normais, ou menos especiais. Definam como quiser, só não tentem entrar em minha mente, no momento, ela está bastante confusa. Suspirei baixinho pousando as mãos sobre o colo, minha atenção se voltara novamente para a garota cuja experiencia elevara níveis extremos de conhecimento, e agora estava ali, nos ensinando. Samanta tinha aguardado de forma paciente por todos os seus pupilos, e ao dar início a aula não partira para uma explicação teórica sobre o assunto, mas sim para a pratica. Particularmente prefiro esse estilo de ensino, pois acredito que tenho uma capacidade mais ampla de gravar imagens do que informações.

Minha surpresa, no entanto, não foi o seu pedido, mas seu voluntario. Em meio a tantas pessoas presentes a única que eu não esperava ver ali era ela, Evie tinha erguido a mão em meio a todos corajosamente, e agora caminhava em direção a instrutora para servir de exemplo para os demais. O que me impressionava não era o fato de Evie ser a pretora, mas sim de frequentar uma aula. Acho que sempre imaginei que tais lideres tivessem um ensinamento diferente, especial e muito mais elevado do que aquele frequentado por nós, meros campistas. Ainda assim não consigo deixar de me impressionar com esse fato, e acho que é justamente por saber que ele não acontece, e por ter suposto tudo errado mais uma vez.

Aquela garota sempre evidenciava minhas falhas, tornava-as mais evidentes e me fazia sentir pequena, fraca e estranhamente dependente. Eu não gostava disso, não gostava da atração continua por seu corpo e seus movimentos, e nem do fato de estar curiosa em relação a ela, de querer chegar mais perto e estar mais presente. Também não gostava da forma com que as pessoas a olhavam, se por ciúme ou medo eu não saberia dizer, acho que está mais para aquela de “eu posso, os outros não”, e deuses como isso soa egoísta. Deixei de lado esses pensamentos e voltei a prestar atenção no que ocorria a frente. Samanta testava os movimentos de luta para com a semideusa, me deixando impressionada pela força de seus golpes, certamente outro campista não teria aguentando tão arduamente como aquela garota. Tenho que admitir que apesar de minha antipatia pela filha de Nox, ela é bastante forte. Percebam aqui a contradição em meus sentimentos, entendem agora o porquê da garota me deixar tão confusa? Acho que não, nem mesmo eu me entendo.

Fomos liberados para a pratica ao fim da demonstração, algo que não durou muito mais que cinco minutos. Agradeci por isso, pois ficar observando Evie não estava ajudando a manter minha cabeça em ordem. Levantei-me depressa, puxando para baixo o short fino e o ajeitando, estralei o pescoço e estiquei o corpo evidenciando os seios fartos muito bem destacados pelo top de ginastica. Minhas roupas podiam parecer ousadas para aquela aula, mas na verdade fora um pedido antecipado de nossa instrutora, segundo ela, quanto menos melhor, não atrapalharia nossos movimentos. Segui para a area de treinos e optei por um par de luvas simples, não aquelas de boxe, mas sim as de pratica, finas e com pouco tecido, que deixavam parte das palmas a mostra, mas evitavam machucados mais sérios. Queria sentir o impacto de meus golpes, e quem sabe, aprender como usa-los corretamente.

Em outra ocasião teria preferido as faixas, mas creio que não sei o suficiente para lidar com elas no momento, não podia perder tempo, ele era valioso demais naquele momento. Segui para o primeiro saco de areia que encontrei livre, o segurando de leve apenas para testar a resistência. Comecei dando pequenos socos, levando a mão à frente do corpo e testando a força presente em minhas mãos, não era muito, e me fazia sentir bastante fraca e atrasada em relação aos demais, mas eu não me importava, estava ali para aprender, não para ensinar. — Você consegue — Incentivei a mim mesma, fechando o punho da mão direita e o lançando para frente em um ataque direto, acertando o saco com uma força mediana, mas sem mover o quadril como devia. Era difícil concentrar ambos e posiciona-los de forma correta, mas eu aprenderia com o tempo.

Me aproximei um pouco mais do saco, e testei outros três socos daqueles diretos, apenas com uma das mãos – minha dominante, a qual tinha mais força – socando-o como bem entendia, testando o movimento. Dois passos para trás e um para a frente, ergui a mão esquerda em direção ao rosto aumentando minha guarda, e posicionei a segunda da mesma maneira, lançando-a em seguida em direção ao saco de areia em um golpe direto. Não tinha aplicado tanta força, portanto acredito que em uma luta ele não teria me sido tão efetivo. Ainda tentei alguns golpes cruzados, sempre me lembrando de manter a guarda enquanto aplicava os socos um a um no saco de areia, mesmo que boa parte deles estivesse dando errado.

Uma mão firme me pegou pela cintura, me fazendo saltar no mesmo lugar arregalando os olhos. Ao me virar me deparei com a instrutora – Samanta – em minha traseira, analisando meus movimentos. Corei de vergonha, pois certamente ela tinha visto o quanto eu era ruim em combate direto, ou melhor, naquele estilo de luta. Devia achar que eu não tinha prestado a devida atenção, o que de fato não era totalmente mentira, mas culpem aquela filha de Nox que fica bagunçando meus pensamentos.

— Você não está movimento o quadril, fica parada e está toda dura — Ela me informou, me fazendo encara-la como uma completa paspalha. — Aqui — Samanta me pegou pela cintura, ajeitando minha postura de maneira firme, deixando a região formigando de tensão e dor, ela tinha uma mão pesada e muito forte, o que me fazia perguntar se tinha mesmo noção de sua força. Não tinha me machucado, mas me fizera sentir cada um dos nós de seus dedos.

— Okay — Foi minha resposta inteligente. Me virei para frente, e ela se posicionou ao meu lado.

— Tente novamente, jogue a mão e mova o quadril ao mesmo tempo, aplicando a força no lado do corpo em que fara o movimento — Assenti, movi o braço rapidamente e movi o quadril ao mesmo tempo, usando o punho direito para socar o saco de areia. — Quase, você não tem força nenhuma... — Ela examinou, tomou a frente e demonstrou o golpe novamente, me mandando focar em sua cintura e na forma com que o braço se movia. Tentei fazê-lo, prestando atenção em sua demonstração e tentando repetir seu ato em seguida. Foram necessárias algumas tentativas antes de acertar o primeiro dos golpes.

— Você não é forte, mas é rápida e pequena, isso te dará vantagem em uma luta com um adversário mais forte, sempre comece atingindo o pescoço, isso deixa a pessoa desestabilizada por um momento, e te dá chance para atacar. Um único golpe na garganta e você tem a vantagem — Ela me deu a dica, e eu a guardei na memória, pois sabia que em algum momento ela me seguiria útil. Sorri ao assentir, lhe agradecendo, e voltei a praticar com ela os movimentos de luta, eram básicos, e não podiam ser assim tão difíceis de aprender. Alguns minutos se passaram com ela me observando e ensinando, mas claro que não sou exclusiva, e em algum momento ela precisaria se afastar.

— Muito bem — Ela elogiou, se afastando em seguida para ajudar os outros campistas. Eu tinha aprendido alguns poucos golpes, mas agora praticava todos eles apenas para ter certeza de que não erraria na segunda parte do treinamento.

Não demorou muito para que nosso grupo fosse reunido uma segunda vez, mas diferente da primeira, nessa, fomos separados em duplas. Minha dupla era uma garota da segunda coorte com cara de arrogante, não trocamos muitas palavras, não precisávamos disso quando em breves íamos nos matar – e quando digo isso é apenas uma forma meio dramática de dizer que nos enfrentaríamos no ringue, nada mais – e pior, na frente de todo mundo.

A primeira luta tinha se iniciado a algum tempo, mas terminara rápida com a vitória de um garoto, a segunda aconteceu da mesma maneira, sem muitas surpresas ou revelações. Mas, foi justamente quando essa dupla deixou o ringue e deu lugar a terceira que meu olhar ficou atento. Evie tinha subido junto a outro garoto e não parecia muito contente com a situação. O jovem por sua vez era debochado, tinha o dobro do tamanho da pretora, músculos bem evidentes e um olhar pesado, carregado de uma ira que nem mesmo eu entendia. Por algum motivo desconhecido não gostei daquilo, mas gostei menos ainda quando a luta começou. Minhas mãos se fecharam em punho e minha expressão se tornou rija, meus olhos não perderam nenhum movimento. Evie estava se saindo bem, desviava e bloqueava os golpes do legionário com certa facilidade, mas ele também conseguia defender-se da mesma maneira.

Trinquei os dentes ao ouvir a provocação dele, estava perto o suficiente para ouvir o chiado de acusação, não gostei disso, mas gostei menos ainda de ver a morena levando um golpe direto, e com isso, ser atirada de forma grosseira contra uma das cordas. Desviei o olhar sem querer ver o restante, e recuei alguns passos para não captar mais nada, me colocando para trás dos demais legionários sem ver o fim da luta. Terminou de maneira rápida e ambos desceram, captei Evie de relance, mas meus olhos estavam fixos naquele garoto.

Suspirei baixinho enquanto o via seguir direto para um grupo de amigos, soltando risadinhas debochadas por todo o percurso. Foi ali que me ocorreu uma ideia, e mesmo sabendo que jogaria sujo, não me importei. Me coloquei logo atrás dele, movendo os dedos cuidadosamente apenas para pintar e trocar seu short de malha por um de tom rosa brilhante – como neon ou chiclete – coberto por flores coloridas. Não satisfeita com isso subi a mão, tomando cuidando para não ser pega, mudei a cor de seus cabelos, alonguei os fios e os tornei mais lisos, prendendo-os com fitas coloridas nas pontas, um Chanel perfeito e muito delicado para alguém tão bruto quanto ele.

Prendi o riso enquanto me movia para o lado, mais atrás do grupo e de frente para ele – mesmo que esse não me visse ou notasse – e então mudei seu rosto, comecei pintando sua boca com batom vermelho, deixei seus cílios um tanto maiores, semelhantes aqueles falsos que colocam em bonecas. Exagerei no blush, deixei suas bochechas tão vermelhas e malfeitas, que chegava a ser engraçado de olhar. Pintei seus olhos com sombras azuladas e afinei suas sobrancelhas, no fim disso, ele estava uma verdadeira Lady, a Lady do horror.

— Ei você, o que está fazendo?! — A voz aguda da legionária preencheu meus ouvidos. Me virei depressa me deparando com a garota da segunda coorte, e dei de ombros sem responder. — Venha, é nossa vez, e estou cansada de esperar, já vacilou? — Ela me perguntou, abrindo um sorrisinho convencido que só me deixou com nojo.

— Vamos terminar logo com isso, tenho coisas importantes para fazer ainda hoje — Sorri delicadamente, ocultando o fato de que a coisa em questão era terminar de maquiar o idiota que humilhara a pretora. Não que eu me importe, estou apenas dando o troco e.… podemos fingir que isso não é uma desculpa? Okay, vamos esquecer.

Subimos juntas na arena, uma de cada lado, nos posicionando de frente uma para a outra e ouvindo as instruções. As regras eram bem simples, não podíamos acertar golpes nos seios e nas partes baixas, nada de puxar cabelos, nada de morder... e por aí vai, nada muito complicado de lembrar ou seguir.

— Preparadas? — Samanta perguntou, ambas assentimos rapidamente, nos encarando sem desviar o olhar. Eu sabia que podia ler seus próximos movimentos pelos olhos, era algo que tinham me ensinado semanas antes, e que se eu fosse esperta, me daria alguma vantagem.

— Comecem! — Samanta deu a largada, mas não avancei, a garota fora mais rápida ao dar um passo à frente, me fazendo recuar dois e inclinar o pescoço para o lado na tentativa de não ser atingida. Funcionou, e me deu uma brecha para avançar. Eu queria me mostrar corajosa, e foi justamente isso que me fez avançar contra ela, dois passos para encurtar a distância, e um golpe bem aplicado na lateral de seu rosto. Ela tinha a guarda levantada, e me bloqueou com a mão, em consequência a esse ato lancei a mão livre no lado contrário de seu rosto, lhe causando uma distração. Deu certo, enquanto ela bloqueava meu segundo golpe eu grudei nossos olhares. Passei a mão direita por baixo de sua esquerda e a lancei contra sua garganta, aplicando força e a fazendo recuar ao ser acertada. Tinha conseguido deixa-la sem ar, mas não estava satisfeita com isso.

Avancei novamente sem dar chance a garota de se recuperar, ergui o punho fechado e lhe acertei a barriga. Era contra as regras? Eu não tinha certeza, mas quando a instrutora me ensinou os golpes nunca me disse para não atingir o estomago. A luta não foi parada, o que me fez acreditar que estava no direito de golpeá-la como bem entendesse, desde que não lhe puxasse os cabelos. Sorri sozinha, recuando dois passos e voltando a erguer minha guarda, uma mão de cada lado do rosto, e o olhar fixo no dela.

— Vou tirar esse sozinho lindo do seu rosto, princesinha — Ela cuspiu no chão, voltando a avançar em minha direção. Recuei novamente na tentativa de conseguir distancia, mas não foi uma boa ideia. Eu estava no limite da arena e acabei ficando presa entre as cordas, sem alternativas de fugir, não podia usar as pernas, então fechei ambas as mãos ao redor do meu rosto. É claro que isso não ajudou em nada, ela me acertou de ambos os lados, golpeando a lateral e acertando a região entre minha mandíbula e minha orelha. Vi estrelas – sua força era muito maior que a minha – e senti a cabeça latejar enquanto ela devolvia meus golpes sem muito esforço, estava irritada e vingativa, e me acertou outras duas vezes antes de se afastar.

Tirei as mãos do rosto a encarando, foi uma péssima ideia, no minuto em que baixei a guarda sua mão veio de encontro ao meu rosto, e acertou entre meu nariz e meus olhos. Acho que fiquei cega, porque minha vista embaçou e meu corpo pendeu para o lado, me fazendo cair no chão. Balancei a cabeça algumas vezes tentando recobrar a consciência, mas era tarde demais, eu tinha perdido a luta, e Samanta já anunciava.

— Vitoria de Helena, saiam, próxima dupla se apresente! — Ela pediu, encerrando a batalha ali mesmo.

Dois dos garotos vieram em minha direção, me ajudando a levantar e sair da arena, bem, eu tinha conseguido não morrer enquanto lutava, e isso para mim já era uma grande vitória. Tinha pintado e maquiado um garoto por vingança sem ser pega, ali eu tinha ganhado mais alguns pontos, é, por hora, estava de bom tamanho. Quando recobrasse minhas vistas e minha mente, poderia rir da situação, mesmo que não o fizesse agora.
Passivas:

Nome: Perícia em Parkour
Descrição: Parkour é a capacidade de usar movimentos naturais do corpo humano como correr, saltar e escalar combinadas com técnicas específicas que melhoram o desempenho do praticante perante obstáculos do ambiente. Com essa habilidade, o semideus potencializa sua habilidade corporal podendo realizar movimentos complicados e acrobáticos por causa do treino. Pode realizar saltos complexos, pular de um ponto a outro (dentro dos limites lógicos), escalar paredes, andar em locais inclinados, passar por obstáculos do cenário, escalar mais rápido.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +30% em equilíbrio, velocidade e flexibilidade.
Dano: Nenhum

Nível 4
Nome do poder: Inteligência
Descrição:  Um filho de Athena é naturalmente inteligente, por sua mãe ser a deusa da sabedoria, o semideus aprende as coisas mais rápido, o que também permite que ele note coisas que outras pessoas não percebem. O semideus de Athena sempre procura uma saída lógica, consegue bolar um plano, e encontrar pontos chaves, pois tudo aquilo que não consegue entender lhe deixa frustrado. Ele sempre buscara respostas.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +10% de descobrir alguma coisa, ou aprender alguma coisa. (Aumenta conforme em +5% a cada 2 níveis que o semideus adquirir).
Dano: Nenhum.
Ativas:

Nome do poder: Controle sobre a Moda II
Descrição: Basta estalar os dedos para mudar a roupa do oponente. Você pode vesti-lo com roupas nada ágeis, atrapalhando-o. Caso você mude a sua roupa, durará quanto tempo você quiser. Mas se mudar a roupa do oponente, durará duas rodadas. (Só pode ser usado duas vezes por missão ou evento).
Gasto de Mp: 20 MP por peça de roupa
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum
Extra: O inimigo vestindo uma armadura, pode ter isso também trocado por um vestido e saltos, por exemplo, mas o efeito só dura dois turnos, não é permanente, depois disso, o inimigo voltara ao normal.

Nome do poder: Metamorfo I
Descrição: O filho de Afrodite/Vênus consegue modificar pequenas partes do corpo, da forma que bem entender ou se sentir mais atraído. Nesse nível, só é capaz de mudar a cor dos olhos, dos cabelos, também podendo modificar o cumprimento desses último, e das unhas.
Gasto de Mp: 10 MP
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum
Extra: Nenhum
Kyra


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Re: 1º Aula de Combate Corporal

Mensagem por Alexis C. Chwe em Sex Abr 28, 2017 3:35 pm


Learning punches and fights — ☀
WITH ALLURA NAM. - WHERE: BODY FIGHT CLASS



Havia muito tempo que Alexis não treinava nenhum tipo de combate corporal. Desde que chegara no acampamento o seu foco tinha sido totalmente em suas habilidades de filha de Apolo e arquearia. Esteve muito enganada por todo o momento em que pensou que o básico de auto defesa e as “lutas” que Evan a submetia eram o bastante, pois assim que precisou ter o primeiro combate corporal com um monstro acabou com hematomas e dores que preferia ter evitado. O anúncio da aula lhe chamou a atenção principalmente por isso, mas era por ter Samanta como instrutora que tinha certeza que poderia aprender mais.


A coreana tinha evidente admiração pelo deus da guerra e seus filhos, tudo levado por convivência com o padrasto durante sua criação. Via neles atitudes que buscava ter para ser uma boa guerreira, para lutar como acha que se deve lutar. Desde que se tornou conselheira chefe do chalé, ao mesmo tempo que a filha de Ares e a líder do chalé de Afrodite, passou a observá-las justamente pela referência que tinha da mãe e do padrasto, tento grande interesse em aprender com as colegas de conselho mais sobre como ser uma verdadeira heroína.


Logo cedo levantou-se, havia avisado a Allura que iria participar da aula e que, se ela quisesse, poderia vir consigo. Vestiu um top preto e uma regata larga por cima, além de uma calça leggin e um par de tênis esportivos – todos os itens presentes de Evan para seus treinamentos em casa -, prendendo os cabelos em um rabo de cavalo alto. Assentiu para si ao ver seu reflexo, apesar de resmungar um pouquinho pelos braços finos lhe parecerem mais fracos do que deveria. Lex saiu do chalé 7 em passos apressados, combinou com a filha de Hermes que lhe encontrasse na frente da enfermaria e depois fossem juntas para a aula. Assim que alcançou o lugar sorriu amplamente por ver que Lulu estava realmente disposta a treinar consigo. A mais velha entrou na enfermaria animada, abrindo um armário e pegando algumas ataduras para si e para a menor. Ouviu-a questionar algo sobre ser pessimista a ponto de levar ataduras para aula de combate, o que a fez rir, porém logo se virou para ela para explicar.



“É para enrolar nos joelhos e nas mãos. Caso tenha alguma aula de impacto, isso impede que sua pele se machuque, entende? Para dar socos ou em caso de cair no chão. Eu usaria joelheiras, mas acho que seria zombada por isso. Então... Bem, o mínimo de cuidado eu posso ter.”



Allura pareceu entender seu raciocínio, porque rapidamente pegou as ataduras e começou a enrolar nos joelhos. Lexi a acompanhou, erguendo o tecido da calça e enrolando nos joelhos. Separou um rolinho de ataduras após o término e segurou chamando a mais nova para irem diretamente para a arena.


Chegando no ambiente sorriu admirada, sentia que aprenderia coisas úteis daquela forma e não se arrependeria, mesmo que tivesse dores. As duas meninas sentaram-se bem próximos dos outros, mas não demais para que não deixassem ninguém desconfortável. A empolgação da mais velha era quase palpável, pois Alexis movia o corpo mesmo sentada, balançando o tronco de um lado para o outro e murmurando algumas coisas que tinha em mente. Ao ouvirem as primeiras palavras de Samanta a Chwe se endireitou, prestando extrema atenção, mesmo que aquilo fosse apenas a apresentação da aula. “Boxe” ouviu a instrutora apresentar, respirando fundo e revisando mentalmente o que sabia sobre pugilismo e o que Evan havia lhe falado sobre tal atividade.



“Muito bom, America. Venha sentir a força de uma prole de Ares!” ouviu Samanta comentar para a – corajosa – garota que se voluntariou. Por quanto tempo havia se desligado pensando em Evan? Ignorou esse fato, meneando a cabeça e observando as duas na prática.



A ruiva desferia golpes fortes, porém evidentemente contidos por ser uma aula. Ela explicava cada um de seus movimentos e não usava a força que usaria em uma batalha corpo a corpo de verdade, era fácil para Alexis dizer já que havia observado lutas com certa frequência.



“O problema é por na prática o que a teoria diz” murmurou para si, fazendo a filha de Hermes ao seu lado lhe olhar. Percebeu na face dela que a menina estava tão preocupada com a execução quanto si, mas tinha certeza que com as explicações poderia fazer aquilo que era ensinado. “É o básico, Lulu. A gente consegue”



Ambas sorriram, precisavam ser confiantes a respeito disso, então fariam conforme estavam sendo ensinadas. Ao menos a mais velha tinha plena certeza que sairia dali com algo a mais para treinar e desenvolver.



“Quero ver os movimentos sendo replicados com o máximo de precisão. Nos sacos de areia ou em duplas, vocês que escolhem. Eu só exijo que façam o melhor e nada de brincadeirinhas.” A instrutora deu seu recado, começando a se mover entre seus alunos, analisando cada movimento que faziam.



Lex se ergueu quase em um pulo, estendendo a mão para Lulu e a puxando para ficar em pé. Mexeu os braços, os relaxando e apontou para um saco de areia livre próximo delas.



“Quer tentar ali antes de trocarmos uns socos?”



Com a resposta positiva da mais baixa a conselheira do chalé sete se encaminhou em passos calmos para o item de treino, enrolando as mãos com as ataduras e as amarrando bem. Fez questão de puxar a mão da filha de Hermes para si, enrolando com cuidado e atenção as mãos pequenas e se certificando de que estava tudo bem ali. Foi a primeira a desferir um golpe contra o objeto, repetindo o que havia visto na demonstração, porém com menos força do que deveria.


“Isso era pra ser um jab, não um carinho no saco. Yah” reclamou consigo mesma, fitando Allura diretamente ao ouvir risos de sua amiga. Franziu a face e desferiu um direto com a mão forte, dessa vez movendo minimamente o saco. Fez uma expressão dolorosa logo em seguida e ergueu o punho, o balançando enquanto resmungava. “Ta vendo?” ponderou para sua dupla “Eu disse que precisaríamos das ataduras. Sem isso eu quebraria os meus dedos!”



Após alguns golpes já se organizava melhor, olhando sempre por cima do ombro para ver os outros e ter como referência onde Sam estava. Observava a instrutora mesmo quando ela explicava aos outros, tomando nota mental de cada movimento que ela demonstrava para eles até que pudesse chegar nas duas. Revezou-se com a moradora do chalé 11, dando dicas sempre que lembrava de algum comentário de Evan sobre as lutas ou de Samanta em seus ensinamentos.



“As suas pernas têm que te dar mais equilíbrio, neném.” Ela afirmava, abaixando ao lado de Allura. “Separadas em média na mesma distância que os seus ombros têm, assim.” Começou sua orientação sobre o que tinha entendido, arrumando as pernas da menina. “E mantendo alinhado o seu calcanhar esquerdo com os dedos do pé direito, assim você fica firme!” Ergueu o corpo, parando ao lado dela e assentindo para que a menor desferisse o golpe que desejava, um cruzado de direita que moveu o saco com o impacto arrancando um sorriso de ambas as garotas.



Não demorou muito para que Samanta se aproximasse das duas, observando Allura e lhe ajudando com dicas de como usar o peso do corpo para ter mais força no golpe e a aconselhando a investir na agilidade, ela sabia como se mover habilmente e isso a ajudaria muito. Na vez de Alexis a garota tentou repetir o que conseguiu assimilar, posicionando as pernas e golpeando o saco algumas vezes seguidas.



“Nessa altura aqui” a instrutora começou, movendo as mãos dela para a posição correta. “Seus ombros e braços devem estar relaxados, assim. Cotovelos para baixo e para dentro, mãos para cima e queixo para baixo. Sua mão esquerda fica no ar aproximadamente a 30cm do seu queixo, porque desse jeito ela estará alta o suficiente para cobrir o seu rosto, mas baixa o suficiente para não atrapalhar a sua visão. É a sua defesa estruturando o seu ataque.”



“Assim eu consigo retomar a defesa depois de um jab rápido, certo?” a filha de Apolo perguntou, lembrando do que Evan a dizia e assentindo para afirmar compreensão.



A instrutora afirmou para si e apontou para Allura. “Tentem as duas, apenas jabs de início. Uma desfere um golpe, depois a outra. Assim que se sentirem seguras podem partir para algo mais forte.”



As meninas obedeceram, se posicionando com as informações que haviam aprendido, dando início ao treino em dupla enquanto Samanta se afastava para ajudar outros. Alexis começou com seu jab, movendo a mão esquerda em direção da face de Allura, que mantendo a postura de defesa barrou o golpe e repetiu o feito da mais velha também sendo barrada pela defesa de mãos dela. Os golpes se iniciaram leves, sem força, apenas testando os movimentos e gradativamente foram ganhando força e velocidade, as duas tentando se mover o mais rápido e esquivar da melhor forma possível. Era no mais simples, mas tendo confiança nesse elas poderiam prosseguir. Após alguns minutos Lex já desferia diretos com sua destra, fazendo Lulu rir quando era atingida com um pouco mais de força já que a mais velha tomava extremo cuidado para não a machucar. Quando pareciam cansadas da brincadeirinha as duas se olharam determinadas.



“Quer tentar uma à sério? Um treino físico mesmo.” Propôs a mais velha enquanto a menor parecia analisar a proposta. Teria sido uma falha na defesa de Alexis se ela não conhecesse a amiga, mas antes mesmo da resposta Allura se moveu, desferindo um cruzado em direção da maior. “Ei! Onde você aprendeu isso?”



A menina respondeu em meio a risos, sem baixar a guarda, sobre uma filha de Hefesto em seu primeiro treino. A Carter franziu o cenho, movendo os braços e revidando aquele golpe. Trocaram ganchos, cruzados e diretos diversas vezes, sem parar nem mesmo quando uma das duas reclamava ao ser atingida. Pela diferença de altura muitos dos golpes acertaram os ombros e a cabeça uma da outra, mas a defesa e os reflexos foram pontos em que puderam investir de forma eficiente. Ao término da aula todos agradeceram a Samanta e as amigas apoiaram-se uma na outra, rindo enquanto saiam para ir ao refeitório. A fome era tanta que nem pensaram em como estariam suadas e fedendo.



“Ei, Lulu. Ta roxo aqui!” Lex indicou, tocando o lado da face da mais nova e rindo quando ela reclamou de dor. “Vamos passar na enfermaria, ok?”







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Re: 1º Aula de Combate Corporal

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