The Blood of Olympus
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Deceiver of Fools

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Deceiver of Fools

Mensagem por Gideon Cox em Ter Ago 21, 2018 3:14 am



Última edição por Gideon Cox em Qui Set 13, 2018 7:12 pm, editado 1 vez(es)
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Gideon Cox
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Re: Deceiver of Fools

Mensagem por Gideon Cox em Qui Ago 23, 2018 1:58 am

HOUSEOFMEMORIES
"O efeito da memória é levar-nos aos ausentes, para que estejamos com eles, e trazê-los a eles a nós, para que estejam conosco."
— António Vieira


A noite parecia mais longa que o normal. A chuva forte havia expulsado todos os nova-iorquinos da tumultuada madrugada de sábado, menos um cidadão deslocado. Gideon estava sentado no terraço de um prédio em Hell's Kitchen, Manhattan. Os pingos fortes que caíam dos céus não incomodavam em nada o semideus, pelo contrário. Às vezes tudo o que um indivíduo precisa é de um belo banho para lavar a alma. E ele, mais do que ninguém, estava com a alma manchada.

Estúpido, demônios não possuem almas murmurou para si mesmo.

Por mais que fosse difícil para ele admitir, ainda tinha problemas com o fato de ter se tornado quem era. Uma parte de seu âmago o repreendia por ter se tornado aquilo que repreendeu a vida inteira. Enquanto que a outra aceitava que aquela era a única maneira de fazer justiça aos injustiçados. Dentre eles, sua mãe. Mas, se dividido entre duas vertentes opostas, como poderia ficar em paz como um todo?

Aquela era uma pergunta que há muito atormentava seus momentos pré-sono. Isto porque, durante o descanso, tinha o privilégio de não sonhar com nada. Aquele tinha sido um presente de sua mais nova matrona. Um muito bem-vindo, se pudesse comentar. Dormir era uma das poucas alternativas que o meio-sangue tinha de se desligar de tudo e esquecer suas aflições. Dormir era de fato convidativo para ele, mas não naquela noite.

Naquela específica madrugada, havia algo que o seguidor de Nyx deveria fazer. Uma missão especial designada pela própria deusa. Cox tinha algo que seus servos não tinham: o carisma natural. O jovem era seu melhor diplomata e, portanto, enviado sempre para resolver situações em que diálogos eram necessários. Só que aquela não seria uma simples tarefa diplomática. Zero, como gostava de ser chamado, teria de provar sua eficiência ao conquistar um importante aliado para a deusa.

O outdoor brilhante com o símbolo do Ziza Cucina, um restaurante italiano novo no bairro, apagou subitamente atrás do semideus e então ele desapareceu de cena. Era hora de fazer sua investida. Giddy estava há cerca de um mês em Nova York envolvido em pequenas atividades a mando da deusa. Nesse meio tempo, ele não parou um minuto sequer para fazer algo além das obrigações. Como já dizia aquela antiga canção: "ain't no rest for the wicked". E o menino perverso, além disso, reafirmava na própria cabeça que teria a aprovação da mãe naquilo, caso ela estivesse viva.

Pensar na mulher fez com que o meio-grego andasse mais rápido pelos becos e ruas escuras da cidade. Ela era seu combustível quando precisava fazer algo e estava fraquejando. Sabendo exatamente para onde ir, em pouco tempo alcançou um museu antigo e abandonado nos confins da região intitulado de: A Casa das Memórias.

Já de fora era possível notar claramente o porquê do status "abandonado". Não havia mais vogais no letreiro que carregava o nome do local, o que tornava engraçado e um tanto quanto difícil de se ler. A tinta amarela das paredes externas estava descascada e cheia de lodo e sujeira nos pontos sobreviventes. A construção era tão alta quanto uma casa de dois andares podia ser, mas não era tão larga quanto deveria. Uma pequena sacada com dois pilares gregos na entrada davam um ar, ironicamente, caseiro à espelunca. Por fim, as duas portas de dois metros estavam quebradas e caídas, de maneira que para entrar bastava atravessar as fitas isolantes com avisos de "área de risco".

Nada temoroso com o aviso, Gideon pisou no asfalto molhado pela chuva que não parava de cair e adentrou o recinto. Lá dentro, reparou que não fosse sua capacidade de enxergar mesmo no escuro, não veria nem um palmo à sua frente. O ar era quente e abafado, o que quebrou o clima gélido do exterior úmido. A poeira do lugar era tanta que fez ele espirrar pela irritação das narinas. Aproveitando o gesto involuntário, sacudiu a cabeça primeiro e depois o corpo como um cachorro tentando se secar.

— Que falta de modos, garoto — uma voz feminina ecoou no cenário.

Não havia nada dentro do museu que o caracterizasse como um museu. Nada de esculturas, quadros ou qualquer outro tipo de atração nesse segmento. Na verdade, a única coisa no centro da construção era um espelho imenso quase três metros de altura que ia até o limite do teto. Ele era um pouco largo, o que cobria grande parte do que quer que estivesse atrás dele.

Quem disse isso? questionou o semideus.

— Eu — ela respondeu seguido de uma risada.

O reflexo do jovem adulto no espelho tremeluziu e mudou. Ariel, sua mãe, apareceu frente a ele como um fantasma do passado. Gideon tremeu na base por um rápido segundo e engoliu em seco. Estava nervoso, pois aquela era a figura que usava como desculpa para todos os seus atos pecaminosos. Mas, ao mesmo tempo, aquela que mais sentia falta e amava.

— O que foi, Giddy, o gato comeu sua língua? — a filha de Hades provocou.

O apelido de infância fez com que ele ficasse ainda mais aflito.

Mãe conseguiu falar. As palmas de suas mãos estavam molhadas por conta do suor. Não é você afirmou, lembrando-se de que aquilo era algum tipo de truque.

— Sim, sou eu — ela sorriu como sempre fazia quando o filho aprontava alguma. — Ou melhor, uma lembrança sua de mim. Uma recordação. Uma parte de sua memória.

As palavras ecoaram novamente no cenário e então o reflexo sumiu. Não havia mais nada no espelho, como se o semideus tivesse desaparecido do lugar - o que não tinha acontecido. Foi nesse momento em que ele enfim percebeu o que estava acontecendo. Nyx lhe alertara de que seu alvo era ardiloso e inteligente. Aquilo era algum tipo de teste ou intimidação, considerou.

Moros ao pronunciar o nome do deus em voz alta, sentiu toda a estrutura do museu estremecer.

Moros, na mitologia grega, era o deus da sorte e do destino, da morte e das criaturas do Tártaro. Filho de Nyx, era considerado um daemon o que explicava de onde viera a ideia dos membros do grupo da deusa serem apelidados de demônios. A própria fatalidade, o "destino" que ditava os acontecimentos e estava acima de tudo e todos, deuses e mortais. Isso, claro, antes de ser esquecido e se retirar para seu exílio.

Por séculos a divindade esteve escondida em seu canto, alheia aos acontecimentos mundanos devido à troca de responsabilidades (algo comum entre a transação de civilizações, assim como o que houve com Hélio e Apolo). No entanto, a deusa primordial tinha planos para seu filho e precisava atraí-lo para seu lado novamente. Assim, enviou seu agente até o encontro do deus para o convencer a repensar em seu afastamento.

— Você ainda ressente a partida de sua mãe, criança — a divindade respondeu de algum lugar indistinto. — Preso nas lembranças dela e em seu julgamento.

Um pouco respondeu, sem hesitar ou considerar mentir. Todos temos aquilo do que nos ressentimos. Até mesmo o senhor continuou.

— Até mesmo eu — repetiu alterando o sujeito. — Quanto atrevimento em vir até minha casa e usar minhas palavras contra minha existência — apesar da resposta, ele não soou ofendido ou algo do tipo.

Sua mãe me enviou até aqui. Ela precisa de você disparou, sem rodeios. Com passos lentos e cuidadosos, Gideon passou pelo espelho e se deparou com uma escadaria do outro lado.

— Quão irônico é você vir aqui falar sobre uma mãe precisar do filho — Moros riu, como um idoso ri de maneira falhada e rouca.

Eu diria que, numa escala de zero a dez, dez brincou ao pisar nos degraus velhos que rangiam.

— Sei de quem você é filho, semideus. Já ajudei seu pai antes e ele estendeu minha benção aos filhos como uma fração do meu poder. É disso que veio atrás? Mais poder? — indagou.

Não, vim atrás do senhor. Precisamos de sua ajuda agora mais do que nunca seus passos o levaram até o segundo andar, que nada mais era que um sótão ainda mais empoeirado que o andar debaixo.

Aquele lugar definitivamente não era um museu - ou pelo menos não mais. O sótão estava entupido de caixas de papelão empilhadas umas sobre as outras. Parecia que alguma família imensa tinha se mudado para ali, guardado toda a mudança naquele espaço e morrido antes de desempacotar tudo. A luz da noite iluminava um pequeno espaço do lugar através de uma janela redonda na parede oposta à escada. Ali, uma cadeira de balanço também de madeira era ocupada por um esqueleto cheio de teias e fedorento.

— Não tema, criança, nem sempre aparentamos o que somos de fato — Moros disse, o que revelou que ele era o esqueleto sentado.

Não temo falou, de pé próximo ao deus.

— Você tem coragem, apesar de cheirar como um filhote de cachorro perdido da mamãe — riu novamente. — Admiro isso. Me diga, o que minha mãe deseja?

Que tudo volte a ser como antes.

— Como na era do Caos? — ele teria arregalado os olhos se fosse possível.

Não, não tanto. Mas na época em que os deuses não tinham o poder sobre tudo. Quando ela e os mais antigos podiam colocar ordem no rumo das coisas umedeceu os lábios. Quando você regia acima até mesmo de Zeus.

As palavras do meio-sangue pegaram o deus de jeito e um silêncio estranho tomou conta do recinto.

— O destino é imutável, criança. Eu sei como tudo terminará e a verdade nunca será arrancada de mim, minha mãe sabe disso — Moros se agitou.

Ela não quer a verdade, ela quer você reafirmou. Cox não sabia exatamente o que Nyx pretendia já que o deus poderia saber de antemão que, não importando o que ela tentasse fazer, não daria certo. Ainda assim, continuou acreditando no discurso de sua matrona e se empenhando naquilo. Se há a remota possibilidade de mudar tudo de errado que está acontecendo com esse mundo, vamos nos agarrar a ela.

Novamente um silêncio.

— Suas palavras são inspiradoras, criança, mas as coisas não são tão simples quanto parecem — murmurou. — Estou enfraquecido e enferrujado. Eu precisaria de ajuda para voltar à velha forma. Veja, nem mesmo meu museu funciona mais.

Eu posso ajudá-lo prontamente se ofereceu.

— Assim como um dia ajudei seu pai, hm — ponderou. — Talvez seja possível, sim. Tenho um papel a desenvolver na trama do mundo — ao falar isso, ficou subentendido que no fundo ele mesmo estava ciente de que, qualquer que fosse o resultado daquilo, teria inevitavelmente que seguir com o próprio destino. O destino era tão poderoso que nem mesmo ele poderia escapar da própria influência.

O que eu preciso fazer? perguntou, como uma criança que pede instruções para receber a mesada dos pais.

— Meu poder foi difundido ao longo do tempo. Eu precisaria de um receptáculo para reacendê-lo — jogou a ideia no ar.

Posso ser esse receptáculo se ofereceu. Você agiria através de mim, certo? não era tão inocente quanto parecia, ciente de como aqueles acordos entre deuses e semideuses funcionavam.

— Sim, mas há uma porém — sua voz soou mais sombria do que o normal. — Um preço a se pagar, como tudo nessa vida, criança.

Eu pago afirmou com convicção.

Moros riu pela terceira vez. — Eu vi a sua chegada, criança de Eros. Eu sabia que esse dia chegaria, mas não imaginei que você estaria tão confiante quanto a isso — fez uma pausa dramática, mas Gideon nada disse. — Pois bem, posso te ajudar a dar à minha mãe o que ela quer, pela minha obrigação como personagem dessa história. Contudo, como pagamento por carregar consigo parte dos meus poderes, toda a memória de sua existência e, portanto, sua história até esse ponto, será esquecida.

Aquilo pegou Zero de jeito. Um calafrio percorreu toda sua espinha e uma tontura atrapalhou sua visão. Aquilo significava que ele mesmo esqueceria do próprio passado, o que incluía perder de vez Ariel, sua mãe. Se isso acontecesse, perderia todo seu propósito de vida e seus ideias se tornariam vazios, como se fosse apenas um peão de Nyx.

E ela, ela vai continuar sabendo quem eu sou? questionou, sem deixar claro a quem se referia.

— Minha mãe ou a sua? Se estiver falando da minha, ela é mais poderosa do que os deuses comuns, é claro que lembrará. Já a sua... — terminou a sentença com pesar.

O coração de Gideon começou a bater com força e em ritmo acelerado. Estava diante da decisão mais importante de sua vida e o único espectador do momento já sabia o que ele escolheria. E se esse tempo inteiro Moros soubesse que ele daria para trás e estivesse apenas se divertindo? A hipótese ficou em sua mente, assim como todas as lembranças sagradas que guardava da progenitora. Até onde valia ir com aquilo para fazer o certo?

De olhos fechados, Giddy controlou a respiração e clareou a mente. Sua mãe um dia lhe dissera que sacrifícios são necessários para se alcançar um objetivo. São eles que distinguem um verdadeiro herói de um covarde amedrontado. Em seu encontro com Nyx, o meio-sangue jurara para si mesmo que não seria mais um covarde. Aquela era sua hora de mudar as coisas, de se tornar o herói que sua mãe sempre quisera.

Eu aceito enfim concordou.

Uma energia verde começou a fluir da caveira através de sua boca e circulou o rapaz. Gideon fechou os olhos e abriu a boca ao ser subjugado pelo poder do deus. Uma dor forte fez com que ele estremecesse e caísse sobre os joelhos. Sangue escorreu de seu nariz; ele mais parecia estar tendo um AVC devido ao fato das órbitas oculares estarem para trás exibindo apenas a parte branca dos olhos. Toda sua memória foi varrida durante o processo até aquele encontro.

No que restou de suas lembranças, apenas a quem servia, quem era e o que havia acabado de acontecer prevaleceram. Mesmo o apelido que carregava consigo como algo que o representava foi perdido. E, claro, sua mãe. Cox se levantou e notou que a sala estava vazia. O esqueleto havia desaparecido e a sensação de estar sozinho tomou conta do seu estado de espírito.

Paz.

Pela primeira vez em muito tempo o garoto se sentiu em paz e isolado. Ou talvez não. Já não se lembrava de mais nada, logo poderia apenas estar delirando. Era estranho saber que tinha esquecido toda sua existência ao mesmo tempo em que realmente não se recordava de nada. Torturante, se pudesse comentar. Por sorte não era uma pessoa muito curiosa, caso contrário teria surtado ali mesmo.

Ainda um pouco tonto, o demônio desceu a escadaria novamente para sair daquele lugar. Precisava encontrar sua líder, contar o que havia acontecido. Todavia, um mal-estar forte e estômago embrulhado o fizeram cair dos degraus e rolar até o chão. Fraco, o meio-sangue se esforçou ao máximo para não apagar, mas acabou desmaiando. Não demorou muito e seus olhos se abriram para revelar que estava sendo arrastado por um terreno abandonado.

Uma voz estranha despertou o aliado da deusa primordial, alertando-o do que estava acontecendo.

Como eu consigo te ouvir? questionou em voz baixa, ainda tonto.

— Eu estou apenas na sua cabeça, meu estimado — o timbre era masculino e distorcido, como se estivesse falando através de um rádio velho à pilha. — Você foi capturado, reaja ou então morrerá e tudo terá sido em vão.

O filho de Eros levantou a cabeça com muito esforço e viu que um lestrigão maior que os que encontrara antes o puxava pelos pés. Não tinha sido pego por algum mortal, se aliviou. Entretanto, seu alívio desapareceu ao olhar melhor e visualizar uma fogueira imensa com mais criaturas ao redor dela. Estava sendo levado para um covil de monstros para, na melhor das hipóteses, ser servido de lanche da madrugada.

Ainda um pouco fraco, ele sentiu as pedrinhas na terra baterem em seu corpo enquanto era arrastado. Aquilo era dolorido e ao mesmo tempo prazeroso, como algum tipo de massagem maluca. Abusando do frio natural da noite chuvosa, o meio-sangue recorreu à criocinese e sua pele fria para fazer o lestrigão o soltar. Nisso, percebendo a surpresa do monstro, se arrastou para longe e conseguiu se levantar.

Estava fraco demais para lidar com aquela criatura sozinha, quem diria então com mais dois lestrigões ao longe próximos à fogueira. Todavia, não podia também simplesmente fugir. O que tinha de fazer era comprar tempo para que a escuridão fizesse o trabalho de o curar. Assim sendo, tirou as roupas e ficou completamente nu em meio ao campo de grama. Estavam nos fundos de um prédio aleatório de Manhattan, então quem quer que pudesse estar assistindo aquilo apenas confundiria a cena com alguma briga maluca entre homoafetivos, quem sabe.

Seu inimigo o observou confuso até que ele desapareceu em meio à noite.

— Oh! — a besta balbuciou, surpresa.

Camuflado, Gideon sabia que seus passos podiam ser ouvidos e, portanto, se moveu com cautela. Atento, reparou que o sequestrador havia chamado a atenção dos outros dois e então a batalha tinha assumido o caráter de três contra um. Aquele era um excelente momento para fugir, reconsiderou. Mas uma voz em sua cabeça, a mesma que o acordara instantes antes, o encorajou a encarar o desafio. Não sabia ao certo o que era aquela coisa se comunicando com ele, não obstante pouco ligava.

Pouco mais de um minuto bastou para que suas energias voltassem a si e então ele deu início ao combate. Ativando suas asas e ainda camuflado nas sombras do ambiente, o semideus invocou Destemor e fez com que as lâminas assumissem o aspecto de punhal -  aquele seria um ataque furtivo, no fim das contas. Flutuando para que seus passos não pudessem ser ouvidos, ele se posicionou atrás de um dos monstros e cravou as duas adagas em seu pescoço.

A explosão de pó dourado alertou sua posição para os outros dois e, pior, denunciou sua presença por grudar em seu corpo. Cox havia se tornado um homem invisível coberto por partículas douradas reluzentes. Quase uma aparição - ou super-herói, a depender da perspectiva.

— Leve sua angústia a esses seres menores e insolentes — a voz surgiu novamente.

Sem a possibilidade de continuar disfarçado, Giddy avançou com tudo para cima de um dos inimigos e esticou o tamanho das lâminas. Em um giro de última hora, fez dois cortes profundos na barriga do bicho. Este, por sua vez, conseguiu acertar o rapaz com a parte externa da mão direita e o jogou longe. O dano não foi tremendo, apesar da força, só que serviu para que o ferido largasse uma das armas que brandia.

A incitação de estar desarmado deu coragem aos aliados que correram para cima do meio-sangue. Fortalecido pela noite, o helênico se levantou em um salto e esquivou a tempo de um murro. Próximo demais dos bichos para elaborar uma ação composta, ele desferiu outro ataque com a espada longa em mãos e fez outro ferimento no mesmo lestrigão.

O ataque atingiu o braço do monstro e este caiu sobre um dos joelhos, fraco. O outro, no entanto, avançou novamente e agarrou o legado de Hades. Julgando estar no controle da situação, a besta não muito racional apertou sua presa com as duas mãos apenas para sentir o frio de sua pele se tornar insuportável. Tão insuportável que largou o jovem.

Aproveitando-se da brecha, Gideon ativou o bracelete e o transformou em Desespero. Juntas, as lâminas das duas armas foram enterradas no peito do monstro e o mataram. Dois a zero, pensou consigo mesmo. Animado, ele avançou novamente contra o inimigo previamente ferido e tentou uma estocada dupla, só que este último abriu os braços em um ato de ira e atingiu o rapaz.

O pseudo-soco atingiu Cox na altura do peito e o pôs ao chão. Ar faltou para o rapaz que agoniou no chão em busca deste. Ironicamente desesperado, tentou se arrastar para longe mas teve a perna direita agarrada pela criatura - a qual já estava acostumada ao frio. A dor das pancadas era forte e a dificuldade para respirar pior ainda.

— Você possui um dom, use-o — ouviu a mesma voz que parecia assistir ao combate.

Não entendeu o que ela quis dizer com aquilo, entretanto se recordou dos momentos anteriores àquela confusão - e únicos que tinha em sua memória -, no encontro com Moros. Desde aquele momento ele era seu casulo e, com isso, guardava consigo verdades e poderes que até então não conhecia.

Com exceção de um.

Aquilo que tinha abrido mão em troca do que Nyx queria. Aquilo que, se um dia recuperasse, poderia custar toda sua missão. Aquilo que todos tinham como as prováveis coisas mais sagradas:

As memórias.

Sagaz e esperto, o daemon focou na mesma energia estranha que tinha tomado conta de seu corpo e concentrou o poder nos membros deste. Não era tão estranho àquilo pelo conto de Eros, contudo aquela também era sua primeira vez. Assim sendo, teve dificuldades de conseguir o que queria e obteve sucesso apenas quando o lestrigão chegou perto de quebrar sua perna. Foi aí que exteriorizou toda sua raiva e a descontou no bicho.

Da mesma maneira como no sótão do museu, o monstrengo foi afetado pelo truque do deus por estar tocando no semideus e caiu para trás. O corpo do monstro tremeu sem controle e seus olhos reviraram, revelando o processo de destruição de lembranças. Intrigado em saber como funcionava aquilo, o seguidor da deusa primordial andou mancando até sua vítima. Quando esta abriu os olhos confusa, percebeu que obteve sua resposta naquele simples vislumbre e a matou com um furo na garganta.

— Muito bom, meu estimado — Giddy sentiu um calafrio percorrer seu corpo ao ouvir a voz de antes.

Quem é você? se sentou no gramado para sentir os chuviscos fracos que denunciavam o fim do temporal.

— Um aliado. Nyx precisa de sua pessoa inteira para terminar a grande missão e por isso me deixou contigo.

Exausto e sem muitas referências sobre o restante de seus aliados - nem quantos eram ou onde ficavam -, o adolescente apenas aceitou aquilo como uma verdade.

E como é seu nome? questionou, em um tom inocente.

— Você pode me chamar de Mister M, apreciado.

Notas:
Bem, escolhi a dedo a divindade que resolvi ir atrás nessa missão. Moros é filho de Nyx, na história, e tem uma relação boa com Eros - a combinação do Gideon. Tentei traduzir o conceito de datado do deus para os tempos atuais, já que ele é, na maioria das vezes, esquecido por todos e usar isso ao meu favor. A grande missão agora é outra, mas ela envolve conquistar a simpatia da divindade e isso já teve início aqui. Na verdade, não só isso.

Moros sabe de tudo o que vai acontecer e, portanto, sua aliança se torna um pouco tricky. Pois ele pode saber que no fim Nyx perderá a guerra, mas mesmo assim a ajudará para cumprir seu próprio papel na grande trama. Afinal, como deixei claro, nem mesmo ele pode escapar do destino. Então, em qualquer fim que a história tenha, ele estará ativo e acima de qualquer um dos lados: sua mãe e Zeus.

Aqui, Cox se tornou recipiente do deus e, inevitavelmente, bússola para o que está procurando. Nessa parte, ele sacrificou toda sua existência antes daquele encontro em troca de algo poderoso em mesma proporção. Sei que a habilidade pode parecer muito forte, mas não é invencível e possui uma condição para funcionar. Por fim, já introduzi um outro personagem do grupo à trama. Ele será de tremenda importância no futuro e não precisa de muito para saber quem é - pelo menos não para nós que temos acesso às informações e poderes dos demônios em OFF.

Recompensa requerida:
Nome do poder: Estiolar a Mente
Descrição: Gideon carrega uma parcela dos poderes de Moros consigo, assim como Eros um dia o fez. A habilidade funciona como uma faca de dois gumes; uma maldição que apagou sua existência e lembranças na mente de tudo e todos (inclusive dele mesmo), com exceção de Nyx; mas também uma benção que o permite fazer algo parecido com outras pessoas. Um simples toque com o poder ativo é capaz de apagar completamente todas a memória de um indivíduo, criatura e até mesmo objeto. Não apaga a existência do afetado para os outros, mas sim tudo o que ele sabe e lembra.
Gasto de Mp: 40% dos pontos de mana no momento.
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum
Extra: A memória da vítima é apagada até que Gideon seja morto, quando então ela retorna e nunca de outra maneira.

Itens Utilizados:
• Desespero [Uma espada de ferro estígio que tem aproximadamente oitenta centímetros de lâmina, sendo um dos gumes como o de uma espada comum e o outro gume serrilhado com um cabo feito de ossos resistentes e um pomo com uma joia que parece ter sido feita de uma obsidiana com uma aparência envelhecida. A própria lâmina possui riscos brancos como se estivesse bem gasta e já tivesse visto várias batalhas mas não ouse duvidar de seu corte ou pode ser que acabe pagando caro demais por isso. | Efeitos mecânicos: A espada costuma se transformar uma pulseira metálica, basta que o semideus a remova do braço para que ela tome forma. | Esta arma tem como efeito principal causar a paralisia de um membro do oponente sempre que este for atingido pela lâmina. O local atingindo se tornará duro e o ferido terá uma dificuldade de mover o local. | Resistência Beta | Sem espaço para gemas. | Status: 100%, sem danos | Nível 3. | Lendária | Presente de reclamação dos Demônios de Nyx]

• Destemor [ Um par de espadas gêmeas de aproximadamente sessenta centímetros feitas de uma mistura de ouro imperial com ferro estígio. As lâminas dessas espadas foram banhadas no sangue de uma cobra rara e venenosa as tornando assim além de extremamente afiadas, muito venenosas. | Efeito 1: as espadas são guardadas em uma dimensão paralela de onde podem ser tiradas sempre que quiser. | Efeito 2: conforme a vontade de seu dono, a lâmina pode ser aumentada até mais trinta centímetros ou diminuída até o tamanho de uma adaga. | Efeito 3: o veneno dessa lamina é único, se uma delas ferir um oponente, este ficará paralisado por um turno | Ouro Imperial e Ferro Estígio | Um espaço para gema | Beta | Status 100%, sem danos. | Épica | Origem desconhecida ]

Habilidades Passivas - Demônio de Nyx:
Nome do poder: Visão Noturna
Descrição: Os demônios tem sua visão aprimorada durante a noite, por estarem diretamente ligados a uma deusa noturna. Com isso, durante a noite, esse sentido fica ainda mais apurado, ganhando um alcance de 500 metros. (Esse poder não funciona durante o dia)
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Enxerga melhor a noite, do que de dia, pois, sua visão noturna é ampliada.
Dano: Nenhum

Nome do poder: Atributos melhorados II
Descrição: Os demônios da noite conforme evoluem, conseguem desenvolver um pouco mais seus movimentos de esquiva, velocidade e salto, ganhando uma vantagem extra de campo ainda maior.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Durante o dia ganham + 15% de velocidade, esquiva, e salto, durante a noite essa porcentagem dobra, vira +30%.
Dano: Nenhum

Nome do poder: Escuridão Curadora II
Descrição: Os demônios tendem a ficar mais forte durante a noite, ou quando estão em locais escuros, fechados. A escuridão é vista como uma aliada, portanto, quando estiver em local escuro, ou coberto por sombras, ou ainda, durante a noite, poderá usar a escuridão ao seu redor para se curar. É algo instantâneo, suas feridas simplesmente começam a se fechar, e sua energia parece ser restaurada aos poucos. Feridas mais fundas começam a fechar mais rapidamente, e uma parte maior de sua energia é restaurada. (Só pode ser usado uma vez a cada 3 rodadas, as feridas se fecham no turno em que você usar o poder).
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Recupera +40 MP e 40 HP
Dano: Nenhum

Nome do poder: Perícia com Punhais e Adagas III.
Descrição: Os demônios possuem uma facilidade natural com o manejo de tais armas, podendo rapidamente usá-las em uma ofensiva quanto na defensiva.
Gasto de Mp: Nenhum.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: +20% de assertividade no manuseio de Punhais e Adagas.
Dano: + 15 de dano ao ser acertado pela arma do semideus, pois a precisão será mais certeira.
Extra: Nenhum.

Nome do poder: Força I
Descrição: Os demônios de Nyx/Nox se tornam mais fortes do que semideuses comuns, por serem atribuídos a uma características demoníacas, e adquirirem um lado animal único, tornam-se mais astutos, e sua força fica avantajada.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Durante o dia os demônios conquistam +10% de força, durante a noite essa força dobra para +20%.
Dano:  Nenhum

Habilidades Ativas - Demônio de Nyx:
Nome do poder: Camuflagem Sombria
Descrição: O demônio da noite consegue tornar sua pele completamente negra, incluindo os olhos – as roupas não entram nesse campo, por isso, para o disfarce ser completo, é preciso estar vestido de preto – e consegue se camuflar entre arvores e sombras da escuridão, podendo ficar praticamente invisível a outros olhos. Seu disfarce é perfeito.
Gasto de Mp: 20 MP
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum
Extra: Não poderá ser detectado por olhos comuns, e nem avançados desde que não se mexa, se mover-se pelas sombras aqueles que tiverem uma visão aprimorada, ou consigam ouvir e sentir ainda poderão captar o demônio, do contrário, desde que não emita ruídos, não conseguira ser encontrado.

Habilidades Ativas - Filho de Eros:
Nome do poder: Asas I
Descrição: Os filhos de Eros/Cupido, assim como seu pai, possuem asas. O deus do amor é um dos poucos deuses alados, e os filhos destes herdam tal característica de seus pais, suas asas ficam ocultas nas costas, e só podem ser vistas quando libertas pelos filhos de Eros. Nesse nível, as asas ainda são pequenas, e apesar de suportar parte do peso das crias, eles só conseguem usa-las para levitar – se levantar – alguns poucos metros do chão, não sendo capazes de utilizar-se dessas para voar.
Gasto de Mp: 10 por turno usado
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum
Extra: Nenhum

Habilidades Passivas - Legado de Hades:
Nome do poder: Pele Fria
Descrição: Os filhos de Hades/Plutão são naturalmente gelados, sua pele se assemelhava a temperatura de um cubo de gelo, e ao tocarem o inimigo – por estarem gelados – podem causar certo atordoamento.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Ao tocar o inimigo - o fazendo sentir sua temperatura - pode deixa-lo atordoado, o fazendo querer recuar. (Seria o mesmo que tocar um morto).
Dano: Nenhum

Nome do poder: Cura Sombria I
Descrição: Os filhos de Hades/Plutão ao serem atingidos por sombras podem recuperar parte de sua energia instantemente. As sombras sempre foram aliadas das proles do deus da morte, e agora também servem como forma de regeneração. Nesse nível, apenas pequenas feridas se fecham – como cortes supérfluos – e parte da energia é restaurada. (Só poder ser usado uma vez a cada 3 turnos).
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Recupera +25 de HP e 25 de MP
Dano: Nenhum

Habilidades Ativas - Legado de Hades:
Nome do poder: Criocinese Limitado
Descrição: Quando enfurecido o filho de Hades/Plutão consegue gerar uma aura  de frio intenso, fazendo com que a temperatura em torno dele esfrie até congelar, com o chão em torno dele tornando-se branco como a geada.
Gasto de Mp: 20 MP
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: 15 HP de quem tentar tocar ou se aproximar do filho de Hades/Plutão.
Extra: Nenhum

 


Última edição por Gideon Cox em Qui Set 13, 2018 3:21 am, editado 1 vez(es)
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Gideon Cox
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Re: Deceiver of Fools

Mensagem por Cupido em Sab Ago 25, 2018 3:01 pm


Avaliação



Método de Avaliação:


Total de XP que pode ser alcançado: 4.000 XP
Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%


Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 19%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência –  30%  

RECOMPENSAS: 3.960 XP + 3.960 dracmas


Comentários:

Acredito que as pessoas nascem com dons. Umas sabem cozinhar perfeitamente bem, outras tem uma dicção invejável e outras, como você, escrevem incrivelmente bem. Seu texto prende o leitor do início ao fim, apresentando-o à personagem e ambientando-o de uma maneira maravilhosa, o que, no meu caso, me fez viver/sentir o que era lido com mais vontade e intensidade. No entanto, acredito que você tenha outro dom: a preguiça de revisar seus textos. E por isso efetuei o pequeno desconto na ortografia.

Quanto a habilidade solicitada, meu querido, saiba que ela foi discutida na Staff e então recusada. O primeiro problema encontrado, seguindo tanto a apresentação de Moros em seu texto quanto em outros textos na internet, não nos mostra relação alguma com a habilidade. Habilidade esta que você mesmo citou parecer muito forte; ela de fato é.

[Este é o trecho em que você o apresenta: "Moros, na mitologia grega, era o deus da sorte e do destino, da morte e das criaturas do Tártaro. Filho de Nyx, era considerado um daemon o que explicava de onde viera a ideia dos membros do grupo da deusa serem apelidados de demônios. A própria fatalidade, o "destino" que ditava os acontecimentos e estava acima de tudo e todos, deuses e mortais. Isso, claro, antes de ser esquecido e se retirar para seu exílio."]

Refletimos sobre essa habilidade durante um bom tempo, levando em conta até mesmo o grupo dos Mentalistas de Psiquê. Relacionados também à mente, que seria a colega de quarto da memória, eles não têm uma habilidade desse naipe. Sendo assim, considerando o que já foi dito, te damos as seguintes opções:

1- Substituindo esta habilidade, você tem a permissão de criar outra, desde que esteja nos domínios de Moros e não seja over power

ou

2- Ficar com a recompensa de XP e Dracmas, já exposta neste post.


Preferencialmente, Giddy, me avise por MP. Caso prefira a primeira opção, podemos discutir a nova habilidade antes de eu levar à Staff para aprovação.

Atualizado!

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Re: Deceiver of Fools

Mensagem por Gideon Cox em Qui Set 13, 2018 7:08 pm

GODENDSHERE
"Pensando em conseguir de uma só vez todos os ovos de ouro que a galinha poderia lhe dar, ele a matou e a abriu apenas para descobrir que não havia nada dentro dela."
— Esopo


O padre recitava os nomes sem intervalo, jogando para os fiéis a rápida e passageira chance de pescar aquele que o acometesse. A missa que parecia não ter fim abrigava incontáveis cristãos durante a tarde chuvosa de seis de setembro. Era possível ouvir o som dos carros no transito de Nova York mesmo dentro da igreja, mas isso não parecia incomodar ninguém ali dentro com exceção de uma pessoa.

Gideon estava sentado na terceira fileira mais próxima do altar. Com um robe preto cobrindo todo seu tronco, seus cabelos negros caíam sobre suas mãos juntas para a reza. O momento de quase silêncio para os pedidos e bons votos era aproveitado por ele, que sussurrava de olhos fechados seus anseios e pensamentos positivos.

Aquela era a missa de sétimo dia da morte de Margareth, a ex-agente da Seita que havia sido assassinada pelo demônio ali presente. Postado ao lado do viúvo, o jovem adulto se passava como o perfeito sobrinho distante que tinha recém descoberto a tia já quando a tinha perdido para todo o sempre. E ele era excepcional naquilo. Desde as lágrimas aos murmúrios de lamento pela perda, consolando seu tão alegado e querido tio naquele momento de infortúnio.

Ainda que empenhado em conquistar a confiança do homem, pois julgava que ele ainda era uma conexão com a organização governamental, a voz em sua cabeça não o deixava em paz. Desde o encontro com Moros, o deus do destino, quando Cox havia perdido todas as lembranças e sido varrido da memória global, aquela entidade não tinha saído de seu encalço. Ela o instigava a se comportar de maneira diferente. O encorajava a realizar atos impensáveis. Sussurrava desejos até então desconhecidos a ele.

Mesmo ali, em meio a uma missão, ela não o deixava em paz.

— Olhe ao seu redor. Veja como reluz — a voz da entidade referia-se ao dourado da decoração da paróquia.

Como uma igreja tradicional e inspirada no movimento cultural gótico, que perdurou-se até o advento do Renascimento Italiano, os adornos e detalhes tridimensionais folheados a ouro eram o maior destaque do local. Até mesmo as pinturas a óleo eram emolduradas em ouro e os vitrais dos janelões tinham seus acabamentos em mesmo material.

— Não é lindo? — ela perguntou bem no cantinho de sua mente.

A resposta era óbvia: sim. No entanto, ele não se sentia atraído por nada daquilo. Em verdade, pouco se importava com os valores daquelas peças ou o que elas poderiam lhe garantir. Mister M, como a entidade gostava de ser chamada, estava junto do semideus a mando de Nyx para vigiá-lo e guiá-lo durante a nova etapa de sua jornada, mas havia algo extra. Uma conexão entre ambos, motivo pela qual a deusa escolhera aquela dupla em específico. Só que mesmo o visitante não conseguia entender o que os conectava.

Eram como dois opostos: um cheio de desejos e cobiças e o outro vazio de ânsias e apegos.

Entrarei em contato assim que possível, tio o meio-sangue beijou a mão do viúvo, conforme se despediu deste na entrada da igreja. Não podia arriscar andar por aí acompanhado do mortal, então se aproveitou do fluxo de pessoas pós-missa para sumir logo após a despedida.

Naquela noite, Gideon sonhou com um local até então desconhecido para ele. Sem lembranças dos dias anteriores àquele, o sonho foi recebido com surpresa pelo rapaz que não sabia como se portar em um. A obviedade de que não se tratava de uma realidade ficou clara nas paredes escuras e psicodélicas do corredor, todavia as sensações eram reais demais para se duvidar.

Uma voz sedutora instigava o jovem a caminhar em sua direção. Ela dizia que o que ele procurava estava atrás da porta ao fim do corredor, mas o que estava escrito na mesma porta o deixou arrepiado. "Deus termina aqui" era uma referência clara a uma passagem bíblica de Apocalipse, na ala secreta de uma abadia onde outrora demônios foram invocados.

Ver aquilo fez com que o coração do semideus acelerasse. Um medo sem igual tomou conta de todo seu corpo e seus membros estremeceram. Ele não se recordava de ser tão religioso assim, contudo aquela citação havia de fato mexido com seu âmago. Mesmo temoroso, seus passos rumaram em direção ao proibido e, quando encostou na madeira entalhada, a porta se abriu e com uma ventania forte o sugou para a escuridão.

— Ei. Você não pode ficar aqui — um porteiro velho acordou o garoto do pesadelo.

Deitado sobre o concreto do terraço de um prédio aleatório, o meio-sangue abriu os olhos de supetão pela claridade do amanhecer. Sua respiração estava pesada e o suor do nervosismo tinha encharcado a camiseta que vestia por baixo do robe. Atordoado, ele virou a cabeça para o lado e reparou no mortal que o estava enxotando daquele lugar.

Se fosse Gideon em plena consciência, uma simples desculpa embebida em charme bastaria. Porém, havia alguém mais junto dele naquele momento. Mister M lembrou ao menino de que ele tinha o direito de estar ali. De que o não ter nada era revoltante e que aquela era a prova maior de que o poder movia o mundo. Então por um momento o grego foi movido pelo interesse. Aquele lugar, por mais tosco e desaconchegante que fosse, era dele e o velho não o tomaria de si.

Eu posso ficar onde eu quiser, porque em breve o mundo será nosso novamente respondeu com um sorriso sombrio antes de usar os poderes de Hades para sufocar o homem até a morte.

O barulho das sirenes da polícia já estavam desparecendo no fundo quando o demônio se perdeu novamente em meio às ruas da cidade. Estava se sentindo estranho sobre o assassinato, como se fazer o certo parecesse errado. Ou seria o contrário? A incerteza sobre tudo o que fazia parecia ser a única certeza em sua vida - além de Nyx, claro.

Focar na deusa e seu objetivo maior deu uma direção ao semideus que não sabia para onde seguir. De olhos fechados em um beco, ele se concentrou na voz de Moros. De acordo com o deus, bastava que o receptáculo se concentrasse na escuridão para encontrar onde estavam as flechas. Três delas estavam espalhadas ao redor do país. Fragmentos do poder maior do deus do destino, que tinha sido estilhaçado com o passar do tempo.

Gideon era o receptáculo do deus menor, não diretamente pois mesmo sendo um demônio carregar toda a essência de uma divindade era demais, então com a ajuda dele estava em busca de reagrupar as fontes de seu poder e por o plano da Noite em prática. Sendo aquele o ponto final antes de estagnar nas décadas, a primeira flecha estava em algum lugar daquela metrópole.

Paróquia de São Peter falou em voz alta o que leu na visão.

Um pequeno calafrio percorreu a espinha de Zero. Até algumas horas antes ele tinha tido um pesadelo envolvendo um local "sagrado" e estava atrás de outro local de mesmo cunho. Porém, Mister M interrompeu o momento e lembrou ao garoto de que havia um encontro marcado com Ellioth em uma cafeteria próxima. Seria prudente de sua parte comparecer, para não perder contato com seu "infiltrado" e comprometer a missão paralela. De acordo com isso - e levemente assustado com o destino posterior -, ele rumou em direção ao tal encontro.

Já na cafeteria, Cox aguardou por dez minutos antes de receber o homem à mesa. O viúvo, que apesar de não muito velho, tinha rugas por toda a testa mesmo quando sereno. Contudo, durante o encontro, uma fricção exagerada em sua epiderme era evidente pela constante expressão de preocupação. Gideon conversou sobre o futuro do "tio" e de como as coisas andavam, mas não pôde evitar notar que algo estava errado.

Os nespressos do tipo ristretto pedidos por ambos estavam esfriando na mesa enquanto a conversa fluía. O meio-sangue reparou na inquietude das mãos de sua companhia, que continuava a mexer no café com a colher sem parar. A movimentação dentro da loja de frente para o Central Park estava escassa mesmo para o primeiro horário do dia. Entretanto, somente quando ele viu pelas vidraças que substituíam as paredes frontais o carro preto parar lá fora, entendeu o que estava acontecendo.

Há algo que queira me contar, tio? indagou de maneira calma, seguido por uma golada única e finalizadora na bebida fria.

— N-não — o homem engoliu em seco. No instante depois, um casal suspeito adentrou o local e se sentou ao balcão.

Sei que está mentindo disparou sem firulas ou simpatia, o que deu ainda mais convicção à sua afirmação.

— Eles disseram coisas absurdas a seu respeito. Que você estava me enganando — se apoiou sobre a mesa e colocou a mão à boca para sussurrar — que era um deles.

Um deles? levantou a cabeça para olhar o outro de cima.

— S-sim. Uma — Ellioth se engasgou — uma das aberrações.

O diálogo foi interrompido por um sacar rápido de armas por parte do casal recém-chegado. Gideon já previa aquilo, então quando ameaçado pelos dois, desapareceu em um piscar de olhos sem deixar rastros. A bendita invisibilidade de Eros caiu como uma luva para a situação. Invisível, o semideus considerou correr para os fundos da cafetaria, mas a entidade o impediu. Ela estava agitada e furiosa. Queria que ele mostrasse aos agentes da Seita em posse de quem estava o controle daquela situação.

E ele mostrou aos insolentes.

Ao romper o primeiro selo, Zero transferiu todo o medo acumulado dentro dele para seus inimigos. O alívio causado por isso deixou a sensação de observar as pessoas no recinto em pânico ainda melhor. Mesmo os membros da organização não resistiram à aura e abaixaram as armas. O demônio se aproveitou disso para correr em direção a eles (já que sua invisibilidade não era perfeita e se mover acabava denunciando sua imagem). Com o garfo que vinha junto dos talheres das mesas, ele espetou um dos olhos da mulher e a derrubou.

A brutalidade da cena espantou todos os mortais ali presentes com exceção dos envolvidos na confusão. Giddy inutilizou um de seus oponentes, mas o outro reagiu à ação. Recorrendo à arma de fogo, o homem disparou duas vezes contra o jovem adulto. O primeiro tirou atingiu o ombro esquerdo do alvo de raspão e o segundo foi protegido por um tentáculo negro.

— O-o que — Ellioth assistia ao combate abaixado sobre a mesa.

Sinto muito, tio. Não queria que você presenciasse isso ele debochou com um sorriso largo estampado no rosto.

Os tentáculos surgiram a partir das costelas do daemon e se esticaram para agarrar o agente armado. O toque da mucosa do membro intensificou o medo no mortal e o deixou agonizando enquanto sufocava no apertão. A entidade riu na mente do garoto, completamente entretida e satisfeita com a posse do poder em meio ao momento. Entretanto, a mulher ferida conseguiu pegar a arma novamente e, mesmo cega de um olho e caída no chão, atirou no meio-sangue.

A bala atingiu a coxa direita de Gideon e ele mordeu a língua instintivamente. Só não caiu ali mesmo porque conseguiu se apoiar no balcão. O sangue do demônio ferveu e ele se virou como pôde para também agarrar a mulher e a sufocar com os tentáculos. Se continuasse assim seria capaz de torturar ambos antes de os matar, mas as portas do carro preto fora da cafeteria se abriram e mais pessoas desceram delas. Mister M tomou controle da situação e fez com que o legado de Hades abrisse o segundo selo.

Todos na região começaram a se estranhar, movidos pela desconfiança súbita e isso os distraiu. Mesmo os agentes da Seita, que eram aliados entre si, perderam tempo com discussões bobas. Aquela era a oportunidade perfeita de sequestrar um deles, pensou. A ganancia fez com que ele tentasse arrastar o homem que já estava em seus tentáculos.

— Você não vai conseguir levar ele, fuja — Ellioth tentou alertar, ainda compadecido e provavelmente louco por defender o semideus.

Não! Eu preciso dele sua voz soou demoníaca demais, como se não fosse o garoto respondendo sozinho.

E não era.

O efeito do segundo selo não perduraria por muito tempo. O ferimento a bala tinha enfraquecido o meio-mortal demais e continuar usando os tentáculos apenas forçava ainda mais a ferida. Ainda assim, Zero tentou ao máximo e, somente quando viu os outros agentes entrando na cafeteria, fugiu. Com a ajuda das sombras dos fundos do estabelecimento, ele viajou por elas até um armazém seguro na mesma cidade.

Havia muita poeira no grande salão e a luz solar entrava muito fracamente pelos vãos entre as janelas. Aquele lugar era utilizado pelos demônios de Nyx sempre que precisavam se esconder pela região, contudo ele encontrava-se desativado há um bom tempo. Os equipamentos para cuidados médicos ainda estavam lá, conforme avisado pela deusa, mas era difícil para ele - com toda a fraqueza do momento -, realizar os procedimentos adequados.

Vou morrer por sua causa culpou a voz em sua cabeça, enquanto se olhava no espelho para tentar retirar a cápsula da coxa.

— Você que insistiu em tentar arrastar um deles — ela respondeu de maneira calma.

Porque você me disse para fazer isso! vociferou, segurando as lágrimas por conta da dor de mexer na própria carne.

— Eu não disse nada. A iniciativa partiu de você, meu apreciado — e era verdade. Tão verdade, que Giddy se tocou de que não tinha mesmo a escutado falar nada naquele momento.

Um sentimento de culpa o impediu de continuar o tratamento. Frustrado, ele se jogou no colchão velho ao chão e fechou os olhos. Já não reconhecia as próprias ações, tampouco sabia a quem atribuí-las. Era difícil manter a sanidade com tantos pensamentos diversos na cabeça. Para piorar, ainda tinha a incerteza sobre quem de fato era.

— Seus batimentos estão ficando fracos. Você se arriscou demais ao viajar pelas sombras assim — ela voltou a falar — seu corpo está parando de reagir e agora virá o sono. Reaja ou morra, Gideon.

As palavras atingiram o semideus da mesma maneira que o tiro: forte e rápida. Movido pela vontade de viver, ou melhor, sobreviver, o helênico se levantou como pôde e continuou o que tinha de fazer. A escuridão ambiente ajudava no processo de cura, já que como legado do rei do submundo e demônio, ela o curava. Todavia, todo o processo de pressão nos músculos, remoção de projétil e esterilização foi difícil.

Mister M auxiliou seu protegido no que deveria fazer, instruindo-o com seu saber vasto e antigo. Por sorte havia o que enrolar ao redor da coxa para manter a ferida fechada. Fora de perigo, Zero se permitiu descansar por algumas horas. Em seu descanso, acabou caindo no sono novamente e dessa vez sonhou com algo diferente.

A época parecia ser outra, uma muito antiga a julgar pelas construções rústicas e a vestimenta das pessoas na rua. Gideon estava andando sem destino pelo chão de terra quando foi parado por uma garota. Ela segurou em sua mão e o arrastou para longe dali. O idioma em que ela falava não lhe era conhecido, mas seu sorriso era tão belo e convincente que bastava.

Os dois correram pelos grandes portões da cidade e depois por um campo florido. Atravessaram um bosque denso e um rio raso. Depois, o caminho de terra surgiu novamente e deu em um castelo acinzentado. O jovem percebeu que havia algo familiar naquele castelo, como se o conhecesse de algum lugar. Quando prestou atenção, ainda ao longe, notou que na verdade aquilo era uma abadia.

Lá dentro, eles atravessaram os corredores por onde as freiras caminhavam silenciosamente. Foi somente nessa parte que ele percebeu que desde a cidade, onde o sonho começara, não havia som. Sem conseguir parar de ser arrastado pela mão, ele olhou de canto de olho os grandes salões laterais onde as noviças realizavam seus votos.

A boca do meio-sangue se abriu para protestar contra aquilo, mas nem mesmo ele conseguia se ouvir. Todo o cenário religioso trouxe a si lembranças até então perdidas. Flashes de cenas onde ele, mais novo, brincava pelo pátio de uma igreja. Uma figura estranha o observava sentada em um banco próximo. Era uma mulher. Seu rosto estava embaçado e a criança não conseguia focar nela. O momento transitava entre a primeira e a terceira pessoa, o que o enlouquecia.

Quando fez toda a força para se soltar da menina que o arrastava, viu que estava no mesmo corredor de antes. A porta com o dizer satânico e pesado o aguardava. Não tinha para onde correr. Não havia o que fazer. Desesperado, o rapaz fechou os olhos e literalmente rezou para que aquilo parasse.

— Tolinho, Deus não vai te proteger aqui — uma voz masculina estranha o arrepiou todo e então o sonho acabou.

Acordado e suando de maneira descontrolada novamente, Cox abriu as cortinas que cobriam as janelas do armazém e percebeu que já era noite. Sua perna ainda estava dolorida, mas a cura sobrenatural já tinha dado jeito na maior parte da cicatrização. Pela primeira vez em dias, o erote se sentiu sozinho de fato. A entidade parecia ter sossegado em sua cabeça, o que tornava o silêncio agradável - embora ele passasse a sensação de ainda estar no sonho.

No banho, toda a sujeira do dia escorreu por sua pele e desceu pelo ralo. Aquele era o momento mais humano e frágil do daemon desde a maldição da memória. Ele tentou chorar. Chorar por conta do medo, das incertezas e das coisas ruins que fizera, mas não conseguiu. Quando colocou a mesma roupa, comeu um dos biscoitos que havia comprado na cafeteria e, antes que pudesse fazer qualquer outra coisa, ouviu o barulho do portão sendo forçado.

Alguém o tinha descoberto ali. Sem perder tempo, Gideon saiu pela janela dos fundos e fugiu. Não era possível para ele se locomover com velocidade, já que sua coxa ainda estava machucada. Assim, andou como pôde até um diner aleatório onde se sentou para comer. Na televisão, a notícia da confusão na cafeteria de mais cedo estampava todos os noticiários. As câmeras não tinham conseguido pegar o rosto do semideus, mas ainda assim era perigoso continuar por ali.

Determinado a cair fora daquela cidade, ele decidiu ir até seu destino final para se livrar de Nova York de uma vez por todas. Moros já tinha dito para onde ir e como chegar lá, então bastou que Cox colocasse todo seu temor de lado para pegar um táxi. Durante o trajeto, o taxista começou a conversar sobre a rixa entre a Uber e os táxis. Um papo completamente relevante para o mortal, mas tedioso para o semi-imortal. Somente um trecho da conversa foi  marcante:

— Por isso que não acredito mais nesse governo — o motorista disse — a única coisa em que se pode ter fé é o dinheiro.

Gideon não conseguiu evitar a risada. Com isso eu concordo.

Ao fim do trajeto, uma igreja antiga e bela estava postada em um terreno baldio. A área encontrava-se reservada para a construção de algum edifício moderno, mas a paróquia provavelmente era a única coisa no caminho da obra. Seu exterior era todo cinza, com pilastras adornadas em ouro e carmesim. A escadaria na frente dava em uma grande porta imensa, a qual parecia trancada por dentro.

Após ter enrolado o taxista que acreditava apenas no dinheiro - e que ironicamente caiu na ladainha do filho de Eros -, o daemon subiu os degraus. Sua carona o esperaria do lado de fora para uma fuga de emergência, caso necessário. Uma ventania forte agitou o robe do menino e fez com que a temperatura caísse. Ele sentiu, ainda ali fora, que uma energia muito poderosa o aguardava dentro daquele lugar.

Só não tinha certeza se era exatamente o que procurava.

Quando o rapaz se aproximou da entrada, as portas se abriram automaticamente como se já o estivessem aguardando. O estranhamento do ocorrido passou despercebido por ele, que estava acostumado a coisas estranhas sendo quem era. Lá dentro, o hall de entrada (comum em igrejas) era inexistente. No lugar dele, havia de cara o salão principal onde as missas aconteciam.

O altar principal estava no lado oposto à entrada. Entre ele, as cadeiras enfileiradas com espaçamentos curtos encontravam-se vazias. Estátuas diferentes e incomuns estavam postadas nas duas paredes laterais, uma ao lado da outra. Sete delas, contabilizou rápido. Levemente curioso, Zero andou pelas quatro da esquerda e leu seus pedestais.

A primeira era referida como "aquele que tinha caído" e continha em seu espaço a atribuição do orgulho. Seus entalhes no mármore eram belíssimos, com a figura de um homem esguio e com asas. Não havia nada de errado com sua aparência o que, ironicamente, devia ser intencional tratando-se de quem era.

A segunda tinha a luxúria como seu título. Sua aparência era um misto de figuras estranhas, como cabeças de animais saindo de um mesmo tronco. Ao centro dele, a cabeça de um homem mal-encarado encontrava-se destacada do restante.

Ele foi absorvido pelo judaísmo, que o associa ao rei de Sodom. Daí a luxúria comentou sozinho, surpreso por saber daquilo.

— Muito bem — uma voz conhecida falou. Uma figura estranha estava sentada na primeira fileira perto do altar. — Continue, quero saber se conhece todos.

A terceira definitivamente era familiar. Um ser metade humano e metade bode com um pentagrama invertido marcado em seu corpo. A Gula. Em suas costas duas asas grandes encontravam-se abertas assim como sua boca, a qual continua presas imensas.

Sua imagem veio do deus da fertilidade Baal, idolatrado pelos cananeus, mas considerado um falso ídolo pelos cristãos afirmou, para a satisfação de sua companhia.

Quando se virou para continuar andando em direção à quarta, a outra pessoa no recinto pediu que ele voltasse do início pelo outro lado. Que deixasse a quarta estátua por último, pois seria seu maior teste. Sem discordar, Gideon assim o fez.

A Preguiça era a quinta estátua. Ela tinha uma aparência atlética, grande estatura e chifres de carneiro. Sua cabeça era a de um velho com chifres e nariz grandes, além de uma barba espessa e igualmente longa. Porém, o fato mais curioso era a cadeira de rodas na qual estava sentada.

Atribuíam as descobertas e inventos a ele acrescentou os inventos engenhosos trariam riqueza fácil aos homens, tornando-os vítimas da preguiça.

Um som de confirmação foi proferido pela figura misteriosa, o que permitiu sua passagem para a sexta estátua.

A estátua de número seis era também um homem com a metade inferior em características de bode. Contudo, diferente da terceira, sua aparência era mais mortal e nada exagerada - sem as asas ou riscos satânicos. A Ira.

Foi ele quem supostamente teria ensinado aos homens como fabricar armas de guerra falou.

— Por que supostamente? — questionou em um tom que denunciava o saber da resposta.

Porque sua representação é inexata, então essa é apenas uma das versões respondeu.

Ao fim daquela fileira, a sétima estátua tinha as maiores dimensões de de todas. Seu aspecto pendia para um verme gigante ou uma serpente marinha, sem certeza de qual das duas era a verdadeira. Seu pecado era a inveja.

Ela costumava dizer que ele era um dos demônios mais poderosos, capaz de transformar homens em hereges disse em um tom melancólico.

— Ela quem?

Não sei coçou os olhos, um pouco tonto.

Restava então a última das sete estátuas, mais especificamente a quarta. Gideon passou pelo vão entre a primeira e a segunda fileira, por trás de onde a figura estava sentada. De costas para o semideus e com um manto preto cobrindo tudo, ele não pôde ver quem era aquela pessoa. Todavia, foi capaz de observar de cara a última das representações esculpidas.

Avareza disparou ao se aproximar da quarta e última.

A figura de um nobre deformado agarrando um saco cheio continha uma expressão furiosa, como se algo ou alguém estivesse tentando tirar seus bens. O mesmo calafrio dos pesadelos percorreu a espinha do meio-sangue. Ainda que não soubesse como tinha ciência de tudo sobre aqueles pecados e suas histórias, a familiaridade com aquele ídolo em mármore era absurda.

— O que sabe sobre ela? — a figura provocou, ciente do que o outro sentia.

Eu e-eu balbuciou eu n-não, não sei uma forte dor de cabeça fez com que ele fechasse os olhos.

— Sabe sim. Me diga, Gideon — o tom alterou, assumindo um teor mais tirano.

Você não pode servir a Deus e ao dinheiro citou um dos versículos bíblicos de Mateus.

— Qual é o seu nome? Me diga seu nome — inqueriu.

Não posso a dor aumentou, o que o fez levar as mãos à cabeça em um gesto involuntário.

— Pode. Me diga, Gideon, me diga o seu nome — a voz expandiu, como se de alguma forma estivesse engolindo todo o ambiente.

Giddy caiu sobre os joelhos em frente à estátua. O ferimento do tiro em sua perna se abriu novamente e sangue começou a sair dele. Vozes e mais vozes falavam em sua mente. Várias delas ele nunca tinha escutado antes, mas outra lhe eram conhecidas de algum lugar.

Eu não sei o seu nome suplicou, surtando com a mudança de personalidade.

— Sabe sim. Diga e tudo isso passará.

Flashes de cenas desconhecidas voltaram a aparecer em sua cabeça. Momentos que ele havia vivido antes do encontro com Moros, mas que tinham sido perdidos por conta da maldição. Rostos e vozes bagunçadas surgiam aos montes, tornando impossível para ele distinguir o que era o quê. O sangue de sua ferida não parava de sair, formando uma poça rubra imensa ao seu redor.

Todas as lembranças de sua vida que haviam sido descartadas e escondidas em algum canto de sua mente. Tudo o que era seu. Seu bem maior: a sua própria existência. Ele queria tudo de volta. Era sua posse e ninguém tinha o direito de lhe tirar.

Mamon! Mamon é seu nome! gritou com toda a força que tinha, o que expeliu tudo o que tinha guardado dentro de si para fora.

Os olhos do semideus se abriram e suas órbitas embranqueceram por completo. Seus braços se abriram assim como a boca e o sangue ao seu redor assumiu uma forma de pentagrama. Seu corpo tremia enquanto algo parecia tomar controle sobre este.

— Eu te darei tudo o que desejar, meu apreciado. Suas memórias são apenas minha oferta primária. Elas são suas assim como o mundo será nosso novamente. Nos aceite como um só e então nada será capaz de nos parar — a voz recitou, enquanto o ritual satânico acontecia.

Gideon não tinha controle de suas ações, mas estava de acordo com tudo aquilo. Não queria mais não saber quem era ou o que preferia ou não. Se Moros o queria como seu receptáculo, teria de o aceitar daquele jeito ou então que procurasse outra pessoa para ser seu peão.

Pouco a pouco, as memórias de toda a sua vida foram retornando na ordem e de maneira correta. Sangue escorria pelos olhos, orelhas, nariz e boca do meio-sangue. Entretanto, seu aspecto parecia diferente. Ele não estava preto como o de um demônio comum deveria estar. Diferente do normal, uma coloração dourada como ouro tomava conta de suas hemoglobinas. Uma cena verdadeiramente macabra e teatral, como uma obra de arte viva e visceral.

Ao fim dela, Zero conseguiu assumir o controle de seu corpo e todo o sangue havia sumido. Ar voltou a entrar em seus pulmões e ele agarrou o peito em busca dele, assim como um recém-nascido dá o seu primeiro choro abafado. O ferimento em sua perna havia se fechado novamente. Ou talvez ele nunca tivesse sido reaberto.

Eu me lembro agora falou em voz baixa, ainda ajoelhado em frente à estátua.

Um leve dorzinha de cabeça ainda persistia a incomodar o rapaz. Revitalizado, ele se levantou e caminhou até a figura aconchegada na primeira fileira. Sentado ao lado dela, manteve o olhar em direção ao altar central, onde a figura de Jesus Cristo encontrava-se pendurada em uma cruz de cabeça para baixo.

— Isso é bom. Sua plenitude me é vantajosa — a figura se revelou sendo ele mesmo. A única diferença entre os dois eram os olhos, que do demônio possuíam uma coloração completamente preta.

Mamon disse, admirando o outro. Você sou eu e eu sou você.

— Exato. Eu não entendia o porquê de minha senhora nos ter colocado juntos, até que me infiltrei em sua psiquê — levou a destra ao coração do semideus, tocando seu peito com a ponta dos dedos — você carrega um vazio dentro de si que precisa preencher de qualquer forma.

Apesar de não gostar muito de admitir aquilo, o grego sabia muito bem ao que a entidade se referia.

— Sempre fui atrelado à avareza, à sede pelo dinheiro e bens. Mas sou muito mais do que o desejo pelos bens materiais. A fome de afeto que você tem dentro de si não é gula ou luxuária, muito menos inveja ou orgulho. Você não é preguiçoso, porque vai atrás do que almeja e, apesar de se enfurecer contra quem se coloca em seu caminho, sua ganância é o que te move.

Mamon pausou o discurso e agarrou a mão do menino, encarando-o diretamente nos olhos.

— Foi a ganância que te fez retornar ao acampamento quando perdeu sua mãe, desejando poder e proteção. Foi ela o que chamou a atenção de Nyx para seu potencial. Ela foi a responsável por você continuar no encalço de Ellioth, mesmo após tendo matado sua esposa e comprometido toda a missão. Eu quero poder, quero controle. Quero o mundo novamente. E você, meu apreciado, quer tudo isso assim como eu.

As palavras pegaram Gideon de surpresa, pois aquela análise de sua pessoa era perfeita e precisa. Seu apego às coisas era tamanho e, quando tomara a única atitude que contradizia tudo isso - ao ceder suas memórias a Moros -, entrou em um processo de auto-destruição, comprovando que não era capaz de abrir mão do que era seu.

Os dois apertaram a mão, em um pacto silencioso e então todo o cenário mudou. A sala de missa com as estátuas havia dado lugar a um espaço abandonado e destruído. A decoração da paróquia estava vandalizada e nada de valor tinha permanecido a salvo da mão dos saqueadores. Contudo, ainda havia algo ali dentro que detinha um valor imensurável.

E que será meu falou sozinho, guiado pela energia que o atraía para outro cômodo.

Um vão onde outrora uma porta estivera era a única outra saída daquele lugar. Gideon se sentia estranhamente mais forte, como se pudesse enfrentar qualquer coisa que se colocasse em seu caminho. Não obstante, estava com pressa para sair dali e recuperar todo o tempo perdido sem as memórias. Em algum lugar de seu íntimo ele ainda tinha a certeza de que o deus menor estava do seu lado, ou então algo de estranho teria acontecido.

A escuridão dos fundos da igreja não foi um problema para o demônio que enxergava mesmo nela. O problema mesmo foi entender como abrir a câmara secreta ao fim da descida. Ciente de que o que procurava estava ainda mais abaixo que a cripta, o semideus desceu pela escadaria e alcançou o primeiro nível abaixo da terra.

Lá, se deparou com ossos e restos mortais revirados nos túmulos dos padres e sacerdotes. Alguém tinha realizado algum ato profano naquele lugar, o que tornava todo o terreno ao seu redor nada sagrado. Imaginando as cenas sobrenaturais que aconteceriam a quem quer que ousasse morar ou frequentar o edifício que seria construído ali, o garoto se distraiu e acabou não notando a movimentação suspeita.

Os vultos no escuro da cripta pareciam apenas alucinações, mas quando um deles agarrou seu pé, viu que não era coisa da sua cabeça. Zero foi derrubado e depois arrastado pelo chão. Com gritos altos e tentando chutar a coisa, ele se viu sendo jogado para dentro de uma das covas de pedra. Sabia o que estava acontecendo: um sepultamento forçado.

Ser enterrado vivo era, sem dúvidas alguma, um de seus maiores medos.

Desesperado, o meio-sangue se debateu e quando conseguiu raciocinar melhor, usou as sombras para sair da cova. De pé do lado de fora, ele sentiu o estômago embrulhar por conta do poder exaustivo, mas não recuou. A criatura escura avançou novamente em sua direção, como uma assombração, e quando ela tentou lhe pegar novamente, o impossível aconteceu.

A avareza mostrou seu poder e seu abençoado interceptou o ataque da coisa com a mão direita. O simples toque de sua destra no bicho bastou para ativar o efeito da transformação e, em poucos segundos, uma estátua de ouro surgiu à sua frente. Todos os detalhes do monstro foram preservados, o que dava um ar ainda mais macabro à obra de arte.

Suspirando aliviado, Cox observou sua criação com orgulho. Queria poder expor o que podia fazer. Mostrar a todos seu dom e conquistar o mundo onde o dinheiro vinha sempre em primeiro lugar. Porém, Mamon sussurrou em seu ouvido de que havia ainda um bem maior, algo que precisavam pegar. Movido pelo interesse, o jovem adulto continuou sua jornada descendo pelo segundo lance de escadas.

No segundo nível abaixo da terra, uma sala pequena e iluminada por tochas reservava uma pilastra de um metro de altura com um livro pesado sobre a mesma. Gideon folheou o item e, a princípio, não entendeu nada do que estava escrito. As figuras desenhadas nas páginas eram monstruosas e perturbadoras, como demônios antigos. Foi nessa hora em que ele se tocou de que aquele era um livro de invocações e que algum ritual tinha acontecido naquele lugar.

Isso explica os túmulos revirados comentou em voz baixa.

Apesar de toda a atmosfera obscura e misteriosa, não havia mais para onde seguir. A energia que procurava irradiava de todos os pontos daquele lugar, então era impossível determinar o lado certo. Frustrado, ele tateou todas as paredes em vão. Não havia nenhum buraco secreto ou algo do tipo. Era como se aquele fosse o fim.

Deus termina aqui pensou alto, o que o fez acordar para a verdade.

Todos os valores cristãos que ainda carregava dentro de si precisavam ser deixados de lado. Os ensinamentos de sua mãe e o apego desta a Deus eram a coisa mais sagrada da qual ele conseguia se lembrar. Mas como poderia abandonar algo que era tão valioso para si? Simples: trocando algo tão pequeno quanto o amor de um morto por algo infinitamente mais valioso. E aquela troca parecia irrecusável.

Com a ajuda de Mamon, que entendia os escritos do livro, Gideon proferiu as palavras satânicas e iniciou o ritual. Nada de anormal ou especial aconteceu durante este, mas ele sentiu o peso do significado de sua mãe diminuir lentamente em seu peito. Ao fim, nada mais sentia quando pensava na mulher. Ela, que outrora fora seu combustível, já não significava nada assim como tudo o que ensinara.

E então a câmara abriu.

As chamas nas tochas se apagaram e a pilastra central onde o livro estava rodou. O chão se repartiu em três pedaços ao seu redor e uma escada revelou uma nova descida. Gideon sorriu de felicidade. Contente em ter finalmente conseguido o que tanto queria. Apressado, ele desceu os lances e se deparou com uma sala ainda menor que a anterior. Nela, um baú branco com detalhes em azul turquesa reluzia mesmo em meio à escuridão. O maior detalhe: ele estava aberto e vazio.

Não disse, incrédulo.

Alguém já havia encontrado aquele lugar. A primeira flecha tinha sido roubada.

Não! Não! esperneou, enquanto socava as paredes.

Ele havia aberto mão de algo valioso em troca de nada. Sua ganância o cegara mesmo diante de uma situação óbvia. Furioso, o semideus subiu tudo de novo apenas para se deparar com uma pequena horda de espíritos o esperando lá em cima. Abandonar seu resquício de bondade e pureza permitiu que as entidades presentes naquele lugar fossem soltas - e ele era o único ser vivo passível de ser atormentado ali.

Por um breve instante o filho de Eros considerou se entregar aos espíritos, devido à sua grande perda recente. Contudo, repensou na possibilidade e invocou Destemor, o par de espadas gêmeas forjadas com ouro imperial e ferro estígio. O material negro das lâminas bastava para atingir os monstros e foi isso que ele fez.

A primeira das aparições voou em sua direção e o meio-sangue apenas rolou para o lado. Com um cenário aberto e sem objetos, a movimentação era mais fácil. Ao se reerguer, ele colocou as duas espadas à frente do rosto para se defender do ataque de outro bicho, emendando um contra-ataque com a abertura dos braços e três cortes seguidos.

Estando em menor número, Zero acabou sendo pego por trás na altura do pescoço e erguido do chão. Quem visse de fora poderia imaginar que o menino estava sendo possuído. E ele meio que estava mesmo. Engenhoso, o capturado encostou na mão que o sufocava e transformou a coisa em ouro.

Quando começaram a cair por conta do peso, as asas de morcego surgiram em suas costas e ele quebrou o membro que o segurava. No ar, voou em direção ao inimigos e começou a desferir golpes contra eles. Vários foram destruídos assim, mas alguns restaram e tentaram puxar o demônio para o chão. Canalizando todo seu poder nas partes do corpo onde era tocado, Gideon transformou seus adversários em estátuas douradas.

Um a um os encostos foram caindo no chão e se despedaçando. Ao fim, só restou o jovem adulto cansado e cheio de queimaduras na pele (pelo toque dos espíritos) cercado de ouro. Uma das coisas mais valiosas do mundo e que para ele não tinha valor algum.

Já do lado de fora, o abençoado de Mamon foi abordado pelo taxista sentado na escadaria. O homem estava impaciente e reclamando de que precisaria de um pagamento maior para compensar o tempo em que ficou parado ali. Ele teve toda a oportunidade do mundo para ir embora, mas escolheu ficar para recolher o pagamento.

Ganancioso.

Cox sorriu e tirou o último dos biscoitos que tinha em seu bolso. Com o toque, transformou a comida em ouro e os olhos do mortal se arregalaram.

Você quer? estendeu a mão com o objeto valioso para o outro pegar. Tem muito mais de onde veio esse.

Desejando aquele item valioso, o taxista se aproximou do semideus e pegou a bolinha dourada. Uma risada exacerbada escapou por entre os lábios dele, contente com o pagamento. Todavia, seus dedos acabaram encostando nos de Gideon e todo seu corpo se transformou em ouro. Estampado em seu rosto reluzente, o sorriso de satisfação que não se desmanchou antes de sua perdição.

Estúpido vociferou.

Com uma sensação mista de vingança e ódio, Giddy roubou o táxi e ligou o rádio. Uma música da banda Twenty One Pilots estava tocando na rádio quando ele ligou o carro com as chaves que ficaram dentro dele. Não sabia para onde ir, mas sabia quem procurar: aquele que o tinha roubado. Entretido com a música peculiar, ele dirigiu para longe dali e então o veículo menos suspeito do mundo desapareceu nas ruas escuras da cidade...

She asked me, "Son, when I grow old
Will you buy me a house of gold?
And when your father turns to stone
Will you take care of me?"

benção requisitada:
Nome do poder: Abençoado de Mamon
Descrição: O demônio terá o poder de transformar qualquer coisa que toque em ouro, ou seja, uma espada de bronze em suas mãos, ao seu desejo, vira ouro. O toque é controlado, portanto, ele pode decidir o que vira ouro, e o que não vira. Funciona até mesmo se ele tocar em criaturas com poder inferior ao dele, e em humanos, ou semideuses, porém nesses últimos (humanos e semideuses), o efeito pode ser revertido, desde que sejam banhados em aguas sagradas, ou recebem um sopro de vida de um deus.
Gasto de Mp: 100 MP por objeto usado
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum
Extra: Nenhum semideus foi registrado com essa magia ainda, vaga (0/1)

Arma utilizada:
• Destemor [ Um par de espadas gêmeas de aproximadamente sessenta centímetros feitas de uma mistura de ouro imperial com ferro estígio. As lâminas dessas espadas foram banhadas no sangue de uma cobra rara e venenosa as tornando assim além de extremamente afiadas, muito venenosas. | Efeito 1: as espadas são guardadas em uma dimensão paralela de onde podem ser tiradas sempre que quiser. | Efeito 2: conforme a vontade de seu dono, a lâmina pode ser aumentada até mais trinta centímetros ou diminuída até o tamanho de uma adaga. | Efeito 3: o veneno dessa lamina é único, se uma delas ferir um oponente, este ficará paralisado por um turno | Ouro Imperial e Ferro Estígio | Um espaço para gema | Beta | Status 100%, sem danos. | Épica | Origem desconhecida ]

Habilidades utilizadas - Demônio de Nyx:
Nome do poder: Visão Noturna
Descrição: Os demônios tem sua visão aprimorada durante a noite, por estarem diretamente ligados a uma deusa noturna. Com isso, durante a noite, esse sentido fica ainda mais apurado, ganhando um alcance de 500 metros. (Esse poder não funciona durante o dia)
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Enxerga melhor a noite, do que de dia, pois, sua visão noturna é ampliada.
Dano: Nenhum

Nome do poder: Detecção de Mentiras
Descrição: Um rosto inocente não pode enganar os demônios que, devido à ligação de sua patrona com os grandes males do universo, podem facilmente rastear a culpa ou a mentira na face de qualquer ser.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Se alguém tentar enganar um demônio através de palavras mentirosas, no próximo turno, os poderes ativos do demônio terão um dano maior. Ele saberá que está sendo enganado, e usara isso ao seu favor.
Dano: +20% de dano em poderes ativos durante um turno. (só funciona se alguém tentar enganar o demônio através de palavras, ou jogos persuasivos através delas, como o charme).

Nome do poder: Escuridão Curadora II
Descrição: Os demônios tendem a ficar mais forte durante a noite, ou quando estão em locais escuros, fechados. A escuridão é vista como uma aliada, portanto, quando estiver em local escuro, ou coberto por sombras, ou ainda, durante a noite, poderá usar a escuridão ao seu redor para se curar. É algo instantâneo, suas feridas simplesmente começam a se fechar, e sua energia parece ser restaurada aos poucos. Feridas mais fundas começam a fechar mais rapidamente, e uma parte maior de sua energia é restaurada. (Só pode ser usado uma vez a cada 3 rodadas, as feridas se fecham no turno em que você usar o poder).
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Recupera +40 MP e 40 HP
Dano: Nenhum

Nome do poder: Selo I
Descrição: O primeiro selo liberado é o selo do pânico. Ao se sentir intimidado, sua aura muda de tal forma que as pessoas ao redor de você passam a absorver parte desse medo, que será aliviado de você.
Gasto de Mp: 10 MP
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: O medo do seu corpo será transferido para o do seu oponente.
Dano: 20 HP
Extra: Nenhum

Nome do poder: Asas de Morcego
Descrição: Conforme o pacto com Nyx/Nox fica mais forte, o semideus faz crescer asas de morcego em suas costas, que ficam ocultas sobre um par de cicatrizes em forma de V, e se abrem ao comando dele. Essas asas podem alcançar grandes altitudes, e tem pontas de esporas, que permitem ao semideus lançar rajadas de espinhos – semelhantes a garras afiadas – em direção ao inimigo.
Gasto de Mp: 10 MP por turno ativo pelas asas, o lançamento dos espinhos é de 5 MP cada espinho lançado, podendo lançar no máximo 20 espinhos.
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: 5 HP cada espinho (100 HP total dos 20 espinhos)
Extra: Nenhum

Nome do poder: Tentáculos Protetores
Descrição: Alguns demônios menores possuem tentáculos com aparência viscosa, que soltam um muco nojento das pontas. Esses tentáculos surgem das costelas do seguidor de Nyx/Nox (seis ao todo), agarram o inimigo e o atiram para longe, o impedindo de atacar o corpo principal do demônio da deusa, deixando no local atingido – onde os tentáculos tocaram – uma sensação de entorpecimento, e causando medo no oponente, pois, o liquido ativa a parte do cérebro que reage ao medo, deixando a pessoa um tanto horrorizada.
Gasto de Mp: 50 MP por turno usado
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: 30 HP
Extra: Nenhum

Nome do poder: Selo II
Descrição: Ao liberar o segundo selo, aquele pânico crescente nas pessoas irá lhe permitir plantar as sementes da discórdia, fazendo com que - independente de serem aliados ou inimigos - eles passem a desconfiar de tudo e todos.
Gasto de Mp:  30 MP
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Faz amigos se voltarem contra amigos, e inimigos se voltarem contra inimigos. Não saberão mais diferir uns aos outros. (Dura dois turnos)
Dano: Nenhum
Extra: O segundo só poderá ser usado em sequência do primeiro.

Habilidades Utilizadas - Legado de Hades:
Nome do poder: Respiração subterrânea
Descrição: Respirar em locais de baixa pressão e em locais subterrâneos e fechados é o mesmo que respirar ao ar livre para os filhos de Hades/Plutão, eles não são afetados por locais assim, e chegam a se sentir tão bem quanto ao ar livre, se não melhor.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Não é afetado por locais fechados, cavernas, ou locais com pressão baixa.
Dano: Nenhum

Nome do poder: Cura Sombria I
Descrição: Os filhos de Hades/Plutão ao serem atingidos por sombras podem recuperar parte de sua energia instantemente. As sombras sempre foram aliadas das proles do deus da morte, e agora também servem como forma de regeneração. Nesse nível, apenas pequenas feridas se fecham – como cortes supérfluos – e parte da energia é restaurada. (Só poder ser usado uma vez a cada 3 turnos).
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Recupera +25 de HP e 25 de MP
Dano: Nenhum

Nome do poder: Umbracinese I
Descrição: Habilidade que permite ao filho de Hades/Plutão moldar e manipular sombras, nesse nível consegue apenas retira-las da superfície e usa-la para prender coisas pequenas, como ratos ou objetos menores, também consegue molda-la a fazendo ganhar forma. Poderes de Luz podem anular a habilidade, ou enfraquece-la.
Gasto de Mp: 5 MP
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Essa habilidade permite ao semideus (durante a noite), prender coisas pequenas, ou até mesmos as pernas de um adversário (que não um monstro gigante), pelos tornozelos por dois turnos. Durante o dia a habilidade é enfraquecida, e só consegue prender por um turno, podendo ter a sombra detida pelo sol, ou poderes de luz.
Dano: Nenhum
Extra: Nenhum

Nome do poder: Viagem das sombras I
Descrição: Assim como seu pai e boa parte das criaturas do inferno, o semideus terá a capacidade de viajar por entre as sombras, podendo usa-las para acessar qualquer parte do mundo, mas cuidado. Em tal nível o semideus consegue apenas viajar sozinho, com a próprias armas e roupas. Quanto o filho de Hades/Plutão passa muito tempo viajando entre sombras, começa a desaparecer.
Gasto de Mp: - 15 de MP.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum
Extra: Nenhum.

Habilidade Utilizada - Filho de Eros:
Nome do poder: Invisibilidade I
Descrição: O amor é algo sentido, não visto. Os filhos de Eros/Cupido, herdam a habilidade de seu pai de ficar invisível, contudo, essa habilidade e exige certo treinamento, e em um nível tão baixo, apesar de conseguirem ficar translúcidos, só conseguem manter uma pequena parte de seu corpo invisível por completo, como um braço, ou uma perna. O restante do corpo, ainda será visível, mesmo um tanto transparente ou apagado.
Gasto de Mp: 20 MP por turno ativo
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum
Extra: Nenhum

 
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Gideon Cox
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Re: Deceiver of Fools

Mensagem por Vesta em Sex Set 14, 2018 5:34 pm


Gideon Cox


Método de avaliação:
Total de XP e Dracmas: 6.000 XP e 6.000 dracmas
Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

Pontuação obtida:
Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 19%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

Recompensas: 8.910 XP e dracmas + Benção de Mamon

Status: 130/350 MP e 300/350 HP

Comentários:

Olá, demoniozinho! Gostei muito do desenrolar da sua missão, com fatos narrados que dariam sequência de capítulos nos livros do Rick. Teve de tudo: drama, ação, suspense e um clímax muito bem narrado. Vou citar pequeninas coisas que percebi durante a leitura, mas que não ocorreram com frequência, então não prejudicaram sua avaliação:
- Em pequenos trechos, senti ausência de vírgulas para separar adequadamente o aposto da frase;
- Alguns erros de digitação, como continua ao invés de continha;
- Uma pequena desatenção ao contexto, considerando que o sangue dos demônios é negro e não rubro: "O sangue de sua ferida não parava de sair, formando uma poça rubra imensa ao seu redor";

No mais, parabéns pela ótima narrativa, Gideon.

Atualizado





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Re: Deceiver of Fools

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