The Blood of Olympus
Para visualizar o forum é necessário estar cadastrado, por favor registre-se no rpg ou entre em sua conta. É necessário estar cadastrado para ver as informações contidas no forum. Lembre-se de usar nome e sobrenome, não se cadastrar usando nomes geralmente utilizados por Hacker. Exemplo: "Barum" "Hakye" e por ai vai. Bem vindos.

O Game que causou inveja - Missão para Wade.

Ir em baixo

O Game que causou inveja - Missão para Wade.

Mensagem por Zeus em Qui Jul 12, 2018 3:22 pm


Go to Play

O ultimo projeto dos mentalistas na câmera do pensamento foi um sucesso revolucionário! Os mais jovens conseguiram criar uma realidade virtual onde a mente do jogador é transportada para uma dimensão diferente e o personagem é obrigado a vivenciar perigoso com uma única habilidade. O que eles não esperavam?

Era que Hefesto ficaria com inveja desse brilhantismo de jovens carismáticos e resolvesse “sabotar” tal diversão.

Para superar os mentalistas o deus das forjas recriou a realidade do jogo em sua própria ilha vulcânica, colocando os mesmos perigos e limitando as habilidades do semideus em uma só, exatamente como a do videogame. Agora quem coloca o equipamento é diretamente teletransportado para a ilha e precisa vencer o jogo para poder sair da mesma.

Mas bem... não é muito fácil vencer um game criado pelo deus mais brilhante de todos, não é mesmo?

Informações:

• Wade, você resolveu que seria legal testar a nova invenção dos mentalistas e se aventurou pelo game modificado por Hefesto, agora foi levado para sua ilha e precisa jogar o jogo do deus para poder sair da mesma.

• As criaturas na ilha e seus desafios são completamente reais, mas os NPC’s do jogo são apenas autômatos criados para te auxiliar. O Game possui quatro habilidades ao todo, apenas uma vai pertencer ao seu personagem, as outras três vão ser dos autômatos NPC’s que devem te auxiliar nessa pequena aventura. São elas:

Gênio (conhece mapas, estratégias, monstros e sabe como encontrar caminhos seguros).

Atleta genial (todos os atributos relacionados a corpo – salto, velocidade e força) entram nessa habilidade.

Curandeiros (capacidade de cura que permite curar a todos os outros, menos a si mesmo).

Intangibilidade (você não ajuda em nada, mas pode passar pelas paredes).

• A arma escolhida como recompensa vai estar dentro do jogo como sua arma de defesa, além dela o seu personagem dentro do Game também poderá estar portanto uma faca, uma espada ou uma lança (apenas um dos itens) e seus NPC’s outros tipos de item (um de suporte e um de ataque) de acordo com suas narrativas, você decide.

• O cavalo que você quer ganhar vai precisar ser domado e capturado em uma das fases, ele vai ser um ganharão selvagem na ilha de Hefesto, mas no final não vai passar de um filhote.

• Para vencer o jogo você deve passar por três desafios que vão te levar ao final da ilha, onde o “game over” aparece e te leva de volta. Você cria os desafios que achar mais condizente com seu personagem, mas entre eles é preciso ter pelo menos uma batalha.
REGRAS:
:
• Mínimo de 30 linhas e sabemos que pode fazer mais do que isso.
• Não use templates berrantes, com fonte pequena ou largura menor que 500.
• Prazo de duas semanas a partir da data de hoje.
• Dúvidas envie MP.
• Poderes Ativos estão barrados, passivos livres. A única habilidade que poderá usar além dos passivos que já possui é a escolhida do game, afinal seu personagem vai se tornar um jogador de Hefesto.
• Link da FPA ao final do post em spoiler.
• Não é permitido uso de armas próprias nessa missão como já descrito.
• Dúvidas Mp.
• Bom divertimento.


Lorde Zeus
avatar
Zeus
Deuses Olimpianos
Deuses Olimpianos

Mensagens : 1365

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: O Game que causou inveja - Missão para Wade.

Mensagem por Wade Logan Warren em Sex Jul 13, 2018 6:57 pm

WADE LOGAN
WHO
Eles disseram: "você consegue". Eu provei que estavam errados.


Eu me lembro de ter me sentido feliz daquela forma aos treze anos de idade quando descobri que minha escola não teria mais período integral, o que significava que eu teria ½ dia para conseguir dedicar inteiramente ao que eu mais amava em todo mundo: jogar videogames.
A abstinência estava batendo como um viciado sem crack desde que tive que abrir mão da minha amada tecnologia quando cheguei ao acampamento Meio-Sangue, e até mesmo o gameboy que eu havia conseguido contrabandear no chalé de Hermes não parecia ser suficiente para sanar o desequilíbrio mental que a falta de horas sangrentas de videogame estava me causando.
Eu estava morrendo aos poucos, como se minha alma estivesse perdendo a luz.
E é claro, após o videogame, o meu esporte favorito era ser dramático e reclamar sobre isso. Eu havia conseguido encontrar uma boa distração quando Ariel se ofereceu para me treinar, fazendo com que eu tivesse que concentrar meus esforços em sobreviver a mentalista Godzilla e não sucumbir aos seus exercícios quase psicóticos. Uma ótima forma de passar o tempo livre dos finais de semana! Mas a minha entrada nos mentalistas havia se pagado, não apenas pelo fato de eu não ser um autista solitário no mundo e ter pessoas que realmente se importavam comigo, mas também porque depois de muita insistência, estávamos inventando um videogame.
E aquilo tinha que ser a melhor notícia do universo.
Realidade virtual era o futuro, e os mentalistas eram a melhor aposta para criação de tecnologia tão complexa por entender como funciona o cérebro e seus estímulos. É claro que os filhos de Hefesto são muito bons com tecnologias, mas os mentalistas de psiquê não apenas entendiam o funcionamento das máquinas - que muito se assemelhava ao funcionamento do cérebro - como também dominavam todos os estímulos e impulsos que fazem com que uma experiência sensorial seja tão realista. E por isso nós mandamos muito bem com a formulação daquele bendito!
E eu estava prontíssimo para testá-lo.
Eu havia implorado milhões de vezes para que eu pudesse ser o primeiro a testar a versão final, e haviam me concedido a gentileza. Nós havíamos jogado a versão BETA algumas vezes, mas eu tinha certeza que a final seria ainda mais aprimorada e divertida. Aquela tecnologia era ótima, principalmente para novos semideuses, que poderiam utilizar espadas e arcos sem fazer queijo ralado do próprio corpo por falta de experiência.
Eu melhor do que ninguém poderia dizer aquilo.
E como uma criança prestes a ser levada para a maior loja de doces do mundo, eu estava vestindo as luvas hepáticas e encarando o belíssimo visor que havíamos construído com tanto cuidado e que, aos poucos, tomou conta do meu campo de visão ao ser posicionado em meu rosto. Não consegui evitar sorrir.
- Está pronto, Wade?
- Eu nasci pronto, bebê! - Respondi animadamente, sendo tomado pela sensação de vergonha  pelo silêncio que tomou o local pela minha fala. Limpei a garganta antes que pudesse apanhar de alguém por ser chamado de “bebê”. - Ér... Perdão.
Não demorou para que a visão diante de mim tomasse a coloração esbranquiçada e o novo título do nosso jogo aparecesse diante dos meus olhos, como se fosse possível tocá-lo: ELISIOS. Soltei o ar pesadamente para só então perceber que estava o prendendo. Aquele tinha que ser o momento de maior emoção da minha vida, mesmo considerando que eu falava diariamente com garotas tentando não morrer e lutava com monstros em missões de resgate.
É agora, Wade.
O fundo branco foi substituído por uma coloração escurecida, e logo uma paisagem se formou diante dos meus olhos. Pisquei algumas vezes observando o cenário à minha volta e sorri. Nós havíamos nos superado! Olhei para o meu corpo e movi minhas mãos, minhas pernas e pulei, conseguindo ter uma visão perfeita de mim, como se estivesse na vida real. E a parte mais impressionante era que eu usava as mesmas roupas que estava vestindo quando entrei na simulação, o que - pensando melhor - não era tão impressionante assim já que eu sempre estava vestindo uma camiseta laranja do acampamento, jeans e all stars.
Olhei para meus braços e percebi que minha tatuagem azul em espiral havia desaparecido. Tateei meus bolsos e não encontrei nada ali: meu gameboy, torrões de açúcar e um desenho de Autumn - que ninguém sabia que eu tinha - haviam desaparecido. Ok, é uma simulação. Mas mesmo repetindo essas palavras e me lembrando que eu havia colocado um visor há poucos segundos, ainda era difícil fazer meu cérebro processar que era tudo de mentirinha.
A paisagem era real, mas as simulações atuais também eram. No entanto, eu conseguia sentir todos os outros quatro sentidos, o que era mais bizarro ainda. Eu sentia o vento contra o meu corpo, o aroma da maresia era mais do que perceptível, e até mesmo me atrevi a puxar uma frutinha de um pé-de-algo para me surpreender com o gosto completamente realista. Eu ouvia as árvores balançando com o vento, as ondas se quebrando no mar e me permiti a ficar surpreso com os detalhes que haviam sido cuidadosamente programados para remeter à vida real.
Nós éramos incríveis, eu sei.
- Olá!
- Ahgh!
Soltei um berro nada heroico quando fui surpreendido por uma aproximação. Me virei na direção do barulho para me deparar com uma pequena garota com não mais de 1,50m de altura. Ela tinha os cabelos castanhos presos em um rabo de cavalo, e assim como eu vestia uma camiseta do acampamento. Em suas costas havia preso um machado e, quase inconscientemente - toquei as minhas costas também para perceber que eu carregava uma espada. No entanto, aquela não era a mesma que eu havia ganhado quando entrei para os mentalistas.
- Meu nome é Riley!
- Oi Riley, eu sou o Wade. - Falei em tom curioso, erguendo a mão para tocar os cabelos da garota. Quando o fiz, recuei rapidamente pela sensação real. Aquele NPC era incrível! - Ops, me desculpe, eu...
Eu não costumava ficar sem jeito quando estava em um jogo, mas a sensação havia sido tão real que me esqueci que era uma simulação. Em meio aos meus passos tentando recuar da abominável oompa loompa, acabei esbarrando contra algo sólido e muito, muito grande.
Girei em meu eixo para me deparar com o maior garoto que já vi em toda a minha vida, maior do que um filho de Ares! Seu corpo escuro era coberto por músculos e ele tinha um semblante meio assustador, mesmo que não parecesse se esforçar para isso. Assim como a garota, ele abriu um sorriso, mas não senti simpatia.
- Eu sou Arthur.
- Oi Arthur, eu sou...
Senti um terrível calafrio inexplicável que me impediu de completar a minha frase. Olhei para o lado bem a tempo de perceber que um garoto de cabelos ruivos e óculos grossos havia acabado de passar por mim sem sequer pedir licença. E quando eu digo por mim, eu quero dizer literalmente através de mim. Arregalei os olhos em surpresa quando ele me atravessou como se eu não fosse sólido, e pisquei algumas vezes conforme o via abrir um sorriso e arrumar seus óculos no rosto. Se existe um estereótipo de nerd, eu estava olhando diretamente a ele.
- Eu sou Carter.
- Carter, ok, eu sou...
- Oi, Wade.
Congelei no momento em que escutei aquela voz.
Meu coração parou de bater por um momento, e eu pareci incapaz de me mover. Girei meu corpo cuidadosamente após alguns segundos de choque, e me virei para finalmente encontrar a imagem que eu mais temia em toda a minha vida.
Eu havia tido todos os tipos de sonhos possíveis com aquele momento, mas não pensei que uma única imagem teria o poder de trazer tantos sentimentos de uma só vez, como se eu estivesse sendo atropelado por um caminhão. Literalmente falando. Senti minhas mãos fraquejarem, e minha boca em formato de “o” pareceu incapaz de formar um som. Quando eu finalmente falei, saiu mais como um sussurro:
- A-Autumn?
Senti certa raiva tomar o meu corpo, e por um momento tive vontade de começar a xinga-la logo ali, mas acabei me lembrando que estava em uma simulação. Me aproximei de Autumn com a curiosidade à flor da pele e toquei seu cabelo cuidadosamente, sentindo todo o meu corpo esquentar com a forma com que aquilo pareceu real.
E então o meu ódio foi direcionado aos meus amigos que acharam que seria engraçado colocar Autumn naquela simulação. Segurei os visores em meus olhos, mas me surpreendi quando minhas palmas bateram diretamente contra o meu rosto. Pisquei algumas vezes e senti o desespero tomar conta de mim, conforme tentava encontrar o mecanismo que me tiraria do jogo e falhando em conseguir.
E foi então que escutei uma risada ao longe, alta e intangível, como a risada de... A risada de um deus.
- Bem-vindo à minha simulação, Wade Warren! Com exceção de que... Bem, não é uma simulação! - Olhei à minha volta tentando encontrar a origem da voz, mas não obtive sucesso. Autumn e os outros NPCs estavam parados com a mesma expressão congelada, como se o game estivesse pausado conforme as instruções seguiam. Olhando para o horizonte, consegui encontrar letras flutuando, formando um texto da fala que eu escutava naquele momento, como se viessem de gigantes caixas de som. - São poucas as oportunidades que tenho de trazer semideuses à minha ilha, e estou muito feliz com essa em especial! Fiquei sabendo que você gosta de um bom jogo a ponto de criar um junto com os mentalistas, certo? Então vamos jogar! Se ousa ofender a mim e minhas proles clamando que o seu jogo é o melhor já feito, então apresento um ELISIOS 2.0! Com sensações, mortes e tudo de verdade! E a melhor parte? Você tem que vencer todos os níveis para escapar!
Pisquei completamente incrédulo com o que estava acontecendo. Meu cérebro funcionava melhor do que os dos demais seres humanos, mas ainda estava com dificuldade de processar as informações. Então aquilo não era uma simulação? Eu estava realmente em uma ilha? Eu havia sido teletransportado e não conseguiria sair dali ou morreria tentando?
Senti meu estômago se reduzir ao tamanho de uma ervilha e quis vomitar. Continuei seguindo as legendas, agora com medo de perder qualquer informação.
- Tudo o que você irá experienciar na ilha: desafios, monstros, tudo isso será do mais puro realismo! No entanto, os seus acompanhantes são autônomos criados unicamente para ajuda-lo a superar os seus desafios! - Não consegui evitar de olhar para Autumn no momento em que a voz misteriosa soltou aquela informação. Ela era tão real! Eu odiava como os deuses gostavam de nos torturar até com pequenos detalhes. - Você deverá combinar as suas habilidades com as do NPC para conseguir sobreviver. Você será capaz de se teletransportar, Wade, mas esse será o seu único poder. Escape a tempo da minha ilha Vulcânica e poderá viver para contar sua experiência! Falhe, e você será consumido pelo vulcão que entrará em erupção! Boa sorte e bom jogo!
Filho da puta!
Eu estava tão incrédulo com tudo o que havia acontecido que comecei a desesperadamente tentar tirar o visor que não existia dos meus olhos. Tentei chutar, correr, meditar, até mesmo abrir as minhas ridículas asas de borboleta, mas assim como as instruções haviam informado, nada disso surgiu efeito. Soltei um grito frustrado e atirei uma pedra fortemente contra um dos NPCs que, por sorte, não possuía tangibilidade. Por fim, acabei caindo sentado sobre a areia, completamente impotente.
E quando eu penso que os deuses não conseguem me dar mais razões para odiá-los, sou surpreendido.
- Wade, nós vamos conseguir sair dessa. - A garota Oompa Loompa falou, chamando por minha atenção. - Mas não podemos perder tempo, ou vamos ser consumidos pelo vulcão.
Meus olhos se voltaram para onde a menina estava apontado, e sobre nossas cabeças - no céu - vi um enorme cronometro contando 5 horas. Ok, nós teríamos cinco horas para conseguir cumprir os desafios até o vulcão entrar em erupção e matar a todos nós. Ok. Fácil.
Abaixei a cabeça e respirei fundo tentado ao máximo não chorar. Eu não tinha mais dez anos, e não era mais bonitinho.
Wade, atenção. Isso é um jogo, e se tem uma coisa que você sabe fazer é jogar videogames.
É um jogo. Essa frase por si só já era mais positiva do que qualquer outra coisa. A minha vida inteira eu era um perdedor, um zero à esquerda que falhava em todos os objetivos que tentava alcançar, mas se havia uma coisa na qual eu me sobressaia, essa coisa eram os games. Pac Man, Donkey Kong, Crash, Smash, pode escolher: eu tinha o record. Eu conseguia ser o número um em qualquer placar desde número de kills em Halo ou missões no GTA. Eu não poderia desistir da única coisa que eu sabia que eu conseguiria ganhar, então era isso o que me restava:
Eu precisava jogar.
Me coloquei de pé e analisei os NPCs diante de mim. Era mais difícil olhar para Autumn do que para os outros, então eu evitava contato visual com ela de tempos e tempos. Eu precisava descobrir exatamente o que cada um deles fazia para poder utilizar nossos recursos da melhor maneira. E o tempo estava passando.
- Ok, vamos lá. Temos algum painel de habilidade? Alguma ficha técnica? - Tagarelei comigo mesmo enquanto passava a mão ridiculamente sobre o meu corpo. Quando apertei meu peito, me surpreendi ao ver diante de mim brilhar uma ficha com minhas habilidades. - Ok, ótimo. Wade Warren, teletransporte, espada curta. Ei, Carter! O que você tem aí?
O rapaz intengível bateu em seu peito e o quadro de especificações se abriu. Franzi a testa quando encontrei uma única palavra estampada ali:
- Intangibilidade. É isso? - Olhei indignado para o rapaz, mas logo mudei a expressão quando percebi que ele me olhou com uma cara ofendida. Abri um sorriso forçado, erguendo os dois polegares. - Ótimo! Ok! Muito útil. Huh... Riley? Temos alguma coisa de cura ou de conhecimento aí?
- Eu tenho... - Ela se interrompeu conforme apertava o peito direito e lia a ficha que aparecia diante dela. Franzi a testa em confusão. - Habilidades de um atleta nato! Força, velocidade, resistência...!
-... Okay... - Me virei completamente abestalhado na direção de Arthur sem saber ao certo o que esperar. Quando olhei para a menina de um metro e um biz, pensei que talvez ela fosse ser o nosso suporte, e claramente não o nosso tanque e ataque. Agora olhando para Arthur, me questionei se teríamos dois tanques, o que não seria exatamente equilibrado. - E você...? - Me interrompi conforme ele apertava o peito e me olhava sorridente. -...Reconhecimento de campo, reconhecimento mítico e... Estratégico? - Olhei de Riley para Arthur vezes consecutivas tentando fazer algum sentido, mas logo desisti. - Ok.
Me virei na direção de Autumn e senti meu semblante congelar só de olhar para ela. Engoli em seco e apontei para o meu próprio peito em um gesto que ela entendeu. Quando o fez, a palavra “cura” estava estampada, junto com especificações que diziam que ela poderia usar com os demais jogadores, mas não com ela.
Isso talvez fosse bom, porque mesmo se ela não fosse uma peça chave para o jogo, eu ainda teria que resistir aos meus impulsos de proteger Autumn como a minha vida. Agora eu tinha a desculpa para mantê-la em um potinho.
- Ok, tudo certo. Temos cura, conhecimento, ataque e... O Carter. Ok, vamos fazer isso.
Falei em tom animado, agora sentindo certa injeção de ânimo tomar conta de mim. Observei a paisagem praiana e o sol alto, tentando descobrir quais seriam os nossos próximos passos. Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, Arthur foi mais rápido e tomou a dianteira, segurando um mapa surpreendentemente grande em suas mãos.
- Ok, segundo coordenadas, para chegar aos deques de fuga, devemos fazer uma trilha até o outro lado da ilha. Lá nós iremos encontrar as caronas que irão nos levar para longe daqui e para longe da morte certa. - Respondi o sorriso dele com um sorriso completamente sem humor quando ele olhou pra mim. Arthur continuou: - Devemos passar pelo circuito do desespero, pela floresta da condenação, e por fim da clareira dos unicórnios!
- Clareira dos unicórnios, ok, isso não parece tão ruim. - Assenti, tentando olhar o mapa nas mãos do garoto gigante. Franzi a testa quando nada estava escrito ali. - ... Ok. Ao circuito do desespero!
Eu adorava como games funcionavam, porque qualquer frase do tipo que eu tivesse dito provavelmente teria feito com que todo o meu time desse risada da minha cara. No entanto, como um game era projetado para dar uma experiência de ambiente heroico e até parcialmente sombrio, frases dramáticas como “ao circuito do desespero” ficavam até legais quando misturadas com a música de fundo para dar local ao clima. E eu adorava! Afinal, aqueles eram os poucos momentos em que eu podia realmente me sentir como um herói.
Meu grupo e eu caminhamos pelo que pareciam horas, mesmo que o marcador gigante no céu ainda apontasse 4:30:17. Conforme a paisagem da floresta foi se tornando mais e mais sombria diante de nós, saquei minha espada e me mantive pronto para reagir a qualquer ataque que viesse de surpresa. Riley, Arthur e Carter me ajudavam a dar cobertura para Autumn como eu havia solicitado, e juntos caminhávamos atentos e em passos cuidadosos, todos seguindo as instruções do garoto gigante que parecia reconhecer o terreno melhor do que todos nós.
- Senhoras e senhores: o circuito do desespero!
Arthur ecoou com voz grave conforme eu piscava algumas vezes, tentando entender o que eu via diante de mim.
Nosso grupo estava parado na beira de um precipício que se finalizava no meio de uma densa floresta, iluminado apenas pela luz forte da lava que corria como um rio metros abaixo de nós. A queda era alta, e eu conseguia sentir o calor da rocha derretida mesmo da distância em que nos encontrávamos. Ao nosso redor haviam apenas rochedos negros e lisos, e a trilha que tínhamos que percorrer consistia em pedras arredondadas que flutuavam no ar, muitos metros acima do enorme magma escaldante.
Não precisava ser um gênio para saber que teríamos que pular pedra por pedra até alcançarmos o outro lado do penhasco. E que teríamos que fazer isso sem cair, pois encontraríamos uma queda livre em direção à morte certa.
O céu havia escurecido um pouco como se beirasse o anoitecer, e a música de fundo havia sido substituída por um gênero mais de surprese com ação. Observei o percurso das pedras e olhei para os NPCs pensando como poderíamos fazer aquilo sem perder ninguém no meio do caminho. Precisávamos pensar em ordem de prioridade.
- Ok, nós precisamos nos assegurar que Autumn chegue em segurança do outro lado da trilha, então não vamos deixar que ela vá sozinha. Riley: você que tem os melhores reflexos, forças e habilidades atléticas do grupo, você leva Autumn nas suas costas, ok? Arthur: nós não iremos conseguir continuar o percurso sem você, então eu vou te guiando pelas pedras comigo e te seguro caso você cair. No entanto, eu não vou conseguir te carregar porque... Bem, olha pra mim e olha pra você. E Carter... Boa sorte.
Abri um sorriso largo e acenei conforme via Autumn subir nas costas de Riley - que era menor do que ela, mas parecia incrivelmente forte - que a segurou tranquilamente e pulou em direção á primeira pedra. A pedra flutuante pareceu balançar um pouco pelo peso, mas a menina de cabelos castanhos seguiu por seu caminho sem muita dificuldade, parecendo ter toda a concentração voltada para o ato de conseguir atravessar em segurança.
Lava e morte certa. Belo nível um.
Olhei para Arthur e respirei fundo, abrindo o meu melhor sorriso confiante.
- Me siga.
Falei antes de analisar o percurso de pedras diante de mim e mapeá-las uma a uma em minha mente. Observei seus padrões, tamanhos, extensões e probabilidades de balanço conforme assistia Riley pular uma a uma, se aproximando cada vez mais do outro lado do penhasco. Dezoito pedras. Esse foi o caminho mais rápido que consegui traçar em minha mente.
Ok, isso não pode ser tão difícil assim.
Usei de todos os treinamentos de equilíbrio de tive com Ariel e engoli o meu medo ao pular para a primeira pedra. Quando passei para a segunda, acenei para que Arthur me seguisse, e pulasse exatamente nos mesmos espaços onde eu havia pisado para ter melhor balanço e impulso. Lhe dei a mão de tempo em tempo quando ele cambaleava um pouco mais do que deveria, e me certifiquei de que Carter estava conseguindo nos seguir sem morrer logo no início do percurso.
Meu corpo estava suando e eu sentia minha pele reclamar pela ardência causada pela temperatura de onde estávamos. Minha concentração era inteiramente voltada ao percurso, seguindo a seguinte regra de padrão: pular na pedra planejada, sustentar o equilíbrio, me virar na direção de Arthur, esperar ele pular e erguer a mão caso ele precisasse de um ponto para apoio.
É impressionante como o cérebro funciona e como pequenos auxílios como dar uma mão para tocar já era o suficiente para a sensação de equilíbrio. Quando cambaleava, Arthur sequer apoiava seu peso em mim, mas apenas tocava a minha mão pela sensação de suporte. E caso contrário, se ele tentasse de fato se segurar em mim e eu não soltasse se necessário, ambos cairíamos para a morte.
O que pareceu durar horas finalmente chegou ao fim quando toquei o solo com meus pés e soltei um suspiro aliviado. Abri um sorriso acenando para Arthur vir, e assim que o fiz, o homem pousou ao meu lado. Carter estava com um pouco mais de dificuldade em manter um bom ritmo, mas esperamos até que ele finalmente alcançasse as últimas pedras. Eu cheguei a soltar um suspiro de alívio por pensar que havíamos completado o primeiro desafio quando as coisas começaram a dar errado.
Não sei se foi um piso em falso ou a insegurança, mas logo o corpo de Carter tombou para o lado, fazendo com que ele soltasse um grito pela antecipação. Acenei para que ele ficasse quieto e não se remexesse muito, mas em desespero para recuperar o seu eixo, ele começou a cambalear de um lado para o outro, levando a pedra a fazer o mesmo sob os seus pés.
Eu não precisava ser um mentalista para sentir o pânico emanando do rapaz conforme ele perdia completamente o equilíbrio e era engolido pela gravidade. Se não fosse pelo reflexo completamente inconsciente do meu corpo, o rapaz de cabelos ruivos e sardinhas teria virado churrasquinho.
- Carver, segure em mim!
Berrei conforme segurava o seu braço firmemente. Tentei puxá-lo para cima, mas o chão de terra não me deu o suporte necessário, fazendo com que meu corpo escorregasse mais para frente no precipício. Eu estava deitado com a barriga no chão, meu corpo suportado apenas da cintura para baixo pela superfície plana. Meu equilíbrio já estava no limite, e se eu escorregasse um pouco mais para frente, Carter e eu iríamos mergulhar pela última vez em toda a nossa vida.
E no momento em que eu senti as mãos de Riley segurando o meu corpo, e puxando Carter e eu de volta para terra firme, me permiti a suspirar alto pelo alívio. Virei de barriga para cima, encarando o céu estrelado sobre nossas cabeças.
- Obrigado.
- Não há de que!
Ela exclamou animadamente, saindo saltitante. Me sentei apoiando sobre minhas penas e olhando para os NPCs que me observavam em expectativa. Eu estava exausto.
- Ok, vamos continuar.
Anunciei me colocando de pé, mas logo fui parado pela mão de Arthur que tocava o meu ombro. Ergui uma sobrancelha, o observando por rabo de olho.
- Acho que devemos descansar para repor energia.
Ele anunciou, e acabei desejando não discutir. Encontramos uma caverna não muito longe do circuito da morte, e nos deitamos em superfícies que fossem seguras e confortáveis o suficiente para conseguir descansar. Minha mente apenas se preocupava com o cronômetro que brilhava no céu, e o medo de não conseguir chegar até o final começou a me atingir, junto com uma insegurança com motivo.
Eu não queria morrer para uma brincadeira psicótica de um deus. E se eu sobrevivesse aquilo, eu colocaria fogo no chalé de Hefesto pessoalmente.
Soltei um suspiro com o pensamento e olhei para o teto da caverna, completamente frustrado porque não conseguiria dormir. Mas no segundo seguinte, antes que eu pudesse verbalizar uma reclamação, fui envolvido no mundo dos sonhos.

[...]

Eu acordei como se tivesse comido dois quilos e meio de ambrosia. Eu me sentia revigorado, o sol brilhava alto e os pássaros cantavam. Quando saímos da floresta, me surpreendi ao perceber que nosso cronometro havia perdido apenas alguns minutos, agora apontando para 3:49:01.
Eu e meu novo grupo de amigos seguimos em nossa mesma formação planejada - sempre mantendo Autumn protegida no meio - e nos dirigimos ao próximo local por onde passaríamos até alcançar a baía, o local onde Arthur havia chamado anteriormente de floresta da condenação.
Eu não estava muito animado para descobrir quais perigos nos esperariam em um local como esse - principalmente porque o nosso nível um envolvia grandes alturas e lava - mas não tínhamos muita opção e o tempo continuava rolando. Surpreendentemente eu não sentia fome, mesmo que minha última refeição tivesse sido feita no dia anterior, e me sentia mais disposto do que nunca, como se pudesse correr uma maratona.
Nossa trilha - assim como da primeira vez - consistiu em atravessar colinas, descer riachos e passar por algumas árvores que eram exatamente iguais as anteriores, e muito tempo se passou conforme tentávamos chegar no caminho pelo qual Arthur nos guiava. Eu havia tirado um tempo para conversar com os NPCs, saber um pouco sobre suas vidas, mas eles pareciam não ter sido programados com um background, então acabei me entediando logo.
O que pareceram horas se passaram enquanto eu inventava uma história para cada um dos meus amigos, e que eles pareciam gostar: Arthur era filho de um professor de escola de uma renomada universidade e havia crescido sem poderes, decidindo se tornar capaz através do seu cérebro e conhecimento sobre o mundo, assim como Professor Xavier, mas sem todos os lances mentais, é claro. Riley era filha de lutadores de MMA e a maior badass da cidade, que havia encontrado sua vocação em lutas ilegais e contrabandos, todos cobertos pela a sua cara fofinha. Autumn namorava comigo há dois anos e vivíamos felizes no Acampamento Meio-Sangue, e Carter... Bem, era Carter.
Eu poderia ter detalhado mais e mais a minha vida feliz com Autumn, mas logo tive que ser interrompido quando finalmente chegamos à uma floresta, mais densa e sombria do que um dia já havia visto.
O local parecia envolvido por uma aura negra, e o clima ficou automaticamente mais frio. Não era possível enxergar muito bem o espaço a sua frente por causa da quantidade de árvores juntas, e o local em si tinha cheiro de morte. Mais uma vez a música de ambientação tomou um tom mais de suspense, e eu não gostei muito daquilo. Saquei minha espada e pedi para que todos ficassem à postos caso algo desse errado.
Nós caminhamos por muitos minutos dentro da floresta, e aquele lugar era um labirinto. Se tivéssemos perdido Arthur na última fase, provavelmente morreríamos tentando encontrar a saída dali. O garoto nos guiava com maestria, e soltava comentários e fatos que eu nunca pensei que saberia na minha vida. E, naquele momento, eu surpreendentemente não era a pessoa mais inteligente do jogo. Eu não tinha ideia de como me sentia sobre aquele fato.
Interrompemos nossa conversa no momento em que eu senti uma movimentação.
Não tínhamos visibilidade muito boa do espaço, mas paramos nosso percurso quando ouvi passos abafados pelas folhas se aproximando de todas as direções. Concentrei a minha mente em mapear o local e agucei meus ouvidos e sensações para que eu pudesse decifrar com maior clareza as direções de onde aqueles ruídos se aproximavam. E assim que ergui o dedo em sinal de “espere” senti meu coração disparar.
- Todo mundo, se abaixe!
Gritei alto e bem a tempo de enxergarmos uma série de flechas passando por cima das nossas cabeças agora abaixadas. Meu grupo se dividiu conforme corríamos, e Arthur levou Autumn consigo para um local escondido e mais seguro, como eu já havia o auxiliado a fazer em caso de conflito.
Riley agarrou o seu machado, e Carter tirou um escudo que, por alguma razão, eu não havia notado antes. Senti meu coração disparar e a adrenalina tomar o meu corpo conforme a cena de conflito ganhava forma.
Os movimentos ganharam volume quando uma série de mulheres armadas surgiram das sombras, tirando o meu fôlego por completo. Eu não precisava ser especialista para reconhecer uma ninfa das florestas, com exceção de que aquelas pareciam corrompidas por seja lá qual fosse a aura negra daquele lugar. Assim como as outras ninfas, elas eram lindas, mas estavam vestidas em roubas sombrias e carregavam arcos pesados em suas mãos, outras carregando facões e punhais.
Sua pele tinha um tom acinzentado, e seus olhos vermelhos praticamente gritavam por sangue. Eu havia conseguido contar dez, e não sabia se haviam mais se aproximando.
Dez contra três. Estávamos completamente fodidos.
Como um herói nato faria, Riley girou o seu machado de duas pontas e investiu contra duas das mulheres com arcos. Decidi que a melhor estratégia seria mesmo derrubar as arqueiras para conseguir lutar corpo a corpo com as que possuíam armas de curta distância. As criaturas avançaram contra nós sem piedade, e observei conforme Carter corria para se colocar em nosso caminho, barrando flechas que vinham de todos os lados com o seu escudo.
Dar um escudo grande para um garoto intangível era uma ideia genial, uma vez que ele conseguia entrar na frente das flechas com a sua proteção de ferro, não sendo atingido e morto por aquelas que não conseguia defender. Prendi minha respiração quando vi uma flecha atravessar a cabeça do ruivo, mas logo abri um sorriso animado quando vi que ele continuava de pé.
É isso. Psiquê, essa é por você!
Investi contra três das arqueiras, atingindo suas armas com minha espada, cortando seus arcos ao meio. Rolei para o lado utilizando dos meus melhores reflexos para escapar de novos golpes, e contra-ataquei-as com movimentos da espada que, aos poucos, se sucedia em desintegra-las em poeira cinza.
Riley estava se saindo muito melhor do que eu. Ela já havia eliminado três das arqueiras, e agora lutava com outras duas que haviam se juntado à briga. Elas pareciam estar em muitas mulheres, e após alguns minutos em que estávamos ensopados de suor e poeira de monstro, comecei a perceber que talvez aquela nossa estratégia não fosse a melhor.
Nós precisávamos fugir, mas como?
Ergui a perna para chutar o peito de uma das ninfas quando fui atingido pelo punhado de uma das facas em minha cabeça. Perdi o equilíbrio momentaneamente pelo baque, e senti minha visão ficar embaçada, apenas sendo livrado de um belo de um golpe quando Carter empurrou minha agressora com o seu escudo.
Me arrastei para trás de uma árvore e pisquei algumas vezes esperando minha tontura sumir. Meu corpo estava todo repleto de pequenos cortes e minhas roupas estavam um lixo, mas me obriguei a respirar fundo e reunir energias para voltar para a luta. Não importava quantas ninfas matávamos, sempre apareciam mais, e eu não tinha certeza quanto tempo mais iríamos aguentar.
Eu tive que piscar algumas vezes para me certificar de que estava vendo direito, mas não muito longe de mim, encontrei um objeto brilhando. Ele estava rodeado por uma luz alaranjada, assim como nos RPGs que indicavam que aquele item deveria ser pego. Corri animadamente e usei todas as minhas forças para agarrar o objeto, mas acabei franzindo a testa quando percebi que se tratava de um guarda-chuva.
Isso é algum tipo de piada?
Olhei para os céus com minha melhor cara irritada, mas logo fui puxado à realidade quando ouvi gritos vindos do campo de batalha, e como se minha vida dependesse disso, disparei em direção à luta, balançando minha espada e chocando-a fortemente contra as mãos de uma ninfa.
Riley estava com tantos cortes quanto eu, e parecia machucada na perna. Carver parecia à beira da exaustão, e elas continuavam chegando.
Rolei para o lado, desviando de um golpe, e passei a perna por debaixo das da ninfa, derrubando-a em uma rasteira. Sua amiga que estava ao lado não pareceu gostar muito da cena, e investiu em minha direção, apontando o arco e puxando a flecha que em questão de segundos voava em minha direção. E por reflexo, mesmo que aquilo fosse ridículo, puxei o guarda-chuva, abrindo-o completamente na minha frente, fechando os olhos e esperando pela hora da minha morte.
Para a minha surpresa, eu ainda estava vivo.
A flecha que a ninfa havia atirado em minha direção bateu contra o “tecido” preto e escorregou inofensiva ao chão. Olhei para os NPCs no mais completo choque, e abri um sorriso largo e empolgado. Aquele tinha que ser o escudo mais legal da história!
Me coloquei de pé em um pulo e saquei minha espada com a mão livre, usando-a para bater nas ninfas que se aproximavam, e abrindo o guarda-chuva sempre que estava prestes a levar outro golpe, ou receber uma flechada. Chutei uma das ninfas que chegou pela minha direita e abri meu mais novo escudo bem quando outra delas tentou me atacar pelo outro lado, fazendo com que a abertura do metal se chocasse contra o seu corpo e a mandasse para trás, tirando o seu equilíbrio.
Eu já estava engasgando em meus pulmões quando escutei:
- Wade! Por aqui!
Eu nunca achei a voz de Arthur tão linda. Olhei para Carter e berrei em meu melhor tom de voz.
- Carter! Barreira!
Com meu guarda-chuva aberto e seu escudo a postos, fizemos uma barreira como costumava ser feito em Tróia, e os deixamos na frente dos nossos corpos, enquanto Riley, Arthur e Autumn se escondiam atrás de nós, seguindo o guia conforme ele nos mergulhava novamente na sombra. Conseguimos andar alguns metros naquele estado até finalmente despistar as ninfas, mas eu sabia que isso não duraria muito tempo. Afinal, elas conheciam a floresta como a palma das suas mãos!
Arthur empurrou Autumn para dentro de um buraco, e antes que eu pudesse gritar, fui empurrado em seguida.
Senti meu corpo ser completamente engolido pela escuridão conforme eu escorregava em uma espécie de tobogã subterrâneo, que também abafava todos os meus gritos de terror conforme eu pensava que ia morrer. Não sei bem em que mundo o próprio NPC do seu jogo tenta te assassinar, mas por um momento pensei que aquele fosse o caso.
Mas por que?
Logo a escuridão foi dominada pela luz, e meu corpo foi atirado pela inércia sobre uma superfície nada macia, mas tão verde quanto o mais belo limão. Eu devo ter comido uns dois quilos de grama em minha aterrissagem, mas nunca me senti tão feliz por salada! Soltei um suspiro cansado, encarando o céu claro sobre nossas cabeças.
Não estávamos mais na floresta da condenação.
- Arthur, eu acho que estou apaixonado por você.
Falei no meu melhor tom aliviado. O rapaz deu de ombros, me observando com uma caretinha.
- Você não é o meu tipo.
- Espere... O que?
Pisquei algumas vezes o olhando indignado. Eu havia dito aquilo claramente com uma piada, mas por que eu não era o tipo dele? Nem do NPC? Tombei a cabeça para o lado e senti certo incômodo, pronto para questionar aquele comentário, mas fui interrompido por Carter antes que pudesse falar.
O ruivo já estava de pé a apontava para algo diante de nós.
- Ei Wade! Olha!
Me coloquei de pé e caminhei em direção ao ruivo para tentar enxergar o que ele apontava. Quando meus olhos finalmente conseguiram decifrar a imagem, senti meu coração disparar e meu queixo cair. Se Hefesto havia dito a verdade, e que todos aqueles monstros e criaturas eram reais e não simulações, eu tinha que estar diante do mais belo Pégaso selvagem que um dia já ousei imaginar.
Ele tinha o corpo digno do maior alazão de um conto épico, e suas enormes asas traziam penas tão grandes que uma única possuía o tamanho do meu antebraço inteiro. Seu pelo negro era tão escuro que chegava a brilhar pela luz que não penetrava sua cor sólida, e seus olhos eram de um tom mel, aproximando-se muito do rubi.
O animal parecia estar distraído pastando na grama que eu havia acabado de experimentar e se percebeu a nossa aproximação, não tomou como uma ameaça. Não sei explicar a razão da minha aproximação - na verdade sei sim. Domar um Pégaso selvagem seria do caralho! - mas meus passos logo se dirigiram até o animal, parando apenas quando ele interrompeu sua alimentação para me encarar com os olhos brilhantes.
- Bom Pégaso...
Falei em tom não muito seguro, erguendo a mão na tentativa de tocá-lo. Pégaso não pareceu gostar muito do meu ato, porque logo soltou um alto relinchar e bateu as patas de forma irritada contra o chão como se dissesse: “me deixe em paz para terminar o meu jantar, não me faça te dar uma surra”.
Ele não estava se sentindo ameaçado o suficiente para voar, mas se esforçava para bater no chão e me afastar por intimidação. Até o Pégaso sabia que eu não era uma ameaça. Incrível.
- Meu nome é Wade. - Falei apontando para o meu peito. - E nós realmente poderíamos usar de uma aju-
Eu nunca terminei aquela frase.
Por alguma razão, eu achei que seria inteligente caminhar na direção da criatura enquanto falava como o maldito Tarzan, estando completamente abestalhado pela imagem do animal. O Pégaso pareceu cansar da minha aproximação e, com um movimento mais rápido do que eu poderia prever, ele ergueu suas patas em um coice que me mandou voando para o outro lado da floresta - exageradamente, é claro.
Senti o impacto contra o meu peito e arfei completamente sem ar, sentindo o segundo impacto quando bati contra uma árvore. Olhei feio quando escutei Riley dar risada e respirei fundo, soltando um grito de dor ao sentir que provavelmente eu tinha quebrado alguma coisa.
Pégaso mal.
O animal bateu as patas contra o chão e continuou me encarando como um predador olha sua presa. Não resisti em fazer uma careta para ele. Se eu tivesse conseguido levantar o dedo do meio, eu teria feito.
- Wade! - Ouvi Autumn exclamar conforme disparava em minha direção e tocava cuidadosamente a área do impacto. Reclamei comum grunhido, basicamente implorando pra ela não tocar ali. - Você pretende morrer antes desse vulcão explodir, é?
- Bem, se eu morrer para um pônei, você pode me deixar aqui. - Falei entre grunhidos, sentindo a dor aos poucos desaparecer conforme as mãos de Autumn tocavam minha pele. - Eu vou merecer a morte.
- Cale a boca. - Ela revirou os olhos soltando uma risada divertida. Senti meu peito doer com saudade de realmente ouvir o som daquela risada. - Domar um Pégaso selvagem não é exatamente uma missão fácil. Coices inclusos.
- Certo. - Respirei fundo me colocando de pé. Eu não gostava mais daquele pocotó irritante, mas eu ainda achava que poderíamos usar da ajuda dele, principalmente após ver o poder do seu coice. - Vamos tentar de novo.
Resmunguei conforme erguia minhas duas mãos na frente do animal para que ele visse que eu estava desarmado. Me movimentei cuidadosamente, concentrando minha mente em ler cautelosamente cada parte da expressão daquele animal. O silêncio dominou, e aos poucos consegui identificar sons que não poderiam ser percebidos por um ser humano comum: frequência cardíaca, respiração. Senti as energias vindo do Pégaso diante de mim e me surpreendi com o misto de emoções que eu realmente não esperava encontrar: incômodo, impaciência e... Humor?
O malditinho estava realmente se divertindo com aquela coisa toda, não estava?!
É claro que eu havia cruzado com o primeiro cavalo sarcástico e com humor negro do universo. Sorte sua, Wade. E se ele compartilhasse de qualquer outra similaridade comigo, bem, ele não iria querer ajudar só por ajudar. Ele tinha que ganhar alguma coisa.
Por que eu não estava com os meus torrões de açúcar?
Meus olhos fitaram fundo os olhos do animal e respirei demoradamente conforme nossas pupilas se encaravam fixamente. Concentrei minha mente para que ela se emaranhasse aos pensamentos do Pégaso e foquei toda a minha atenção naquela única missão. E quando falei, minha voz firme que soou quase como um comando chegou até mesmo a me convencer de que eu dizia a verdade:
- Nós somos melhores amigos. Dos maiores. E você quer me ajudar. Você quer me ajudar mais do que tudo nesse universo.
Eu não gostava de hipnotizar pessoas, então gostava de pensar que eu dominava a arte de dar sugestões muito convincentes.
Abri um sorriso quando senti os olhos do animal se conectando com a realidade conforme ele parecia processar as palavras que lhe foram entregues. Assim como eu imaginei que fosse acontecer, o Pégaso abaixou suas asas e permitiu que eu me aproximasse, tocando a sua testa com a palma da mão conforme eu sentia a maciez dos pelos completamente negros.
Assenti, sentindo um aperto em meu coração.
- Bom garoto. - Ouvi o animal bufar em reclamação ao meu comentário. Franzi a testa, me sentindo um pouco confuso. - É isso aí... Bro?
Pégaso soltou um relinchar animado e isso fez com que eu soltasse uma gargalhada divertida. Ok, ele gostava de tratamento de igual para igual e eu podia viver com isso. Na verdade, seria até mesmo lucro, uma vez que aquela criatura era infinitamente superior a mim.
Meus amigos e eu - agora acompanhados pelo nosso mais novo convidado: Floquinho - continuamos pela trilha conforme Arthur nos guiava com seu mapa em branco. Pelo que eu havia entendido, nossa próxima fase se localizaria na clareira dos unicórnios, e isso não me parecia ruim. Nós havíamos passado pelo circuito do desespero e pela floresta da morte, então encontrar alguns unicórnios em uma clareira parecia uma ótima notícia.
O cronometro sobre nossas cabeças continuava contando, e agora estava com 1:30:15. Nós estávamos ficando sem tempo, e eu não conseguia evitar de me sentir ansioso. Tudo o que eu mais queria era acabar aquele maldito jogo e poder voltar para o Acampamento, coisa que eu nunca pensei que me veria dizer.
Se Hefesto acabasse com o meu amor pelos games, eu daria uma de Kratos e subiria no Olimpo para uma chacina.
Autumn parecia ter se dado muito bem com Groot - ainda estava em fase de decisão do seu nome de guerra - e os dois pareciam conversar, mesmo que eu não entendesse como a menina pudesse entender um cavalo, ou se ela sequer entendia alguma coisa de fato.
Diferente das vezes anteriores, não encontrei uma modificação do cenário, demonstrando a aproximação de um cenário obscuro e mortal. Na verdade, quando meus amigos e eu atravessamos o restante de outra floresta, nos surpreendemos ao nos deparar com uma baía onde encontravam-se quatro hipocampos. Pisquei algumas vezes um pouco em choque com a visão e me perguntei qual poderia ser a pegadinha.
E antes que eu pudesse alertar Arthur de que devíamos parar, que algo não estava certo, um enorme estrondo surgiu dos céus, seguido com a materialização de uma imagem que perdi o fôlego só de ver.
- Meus parabéns, Wade! Você chegou longe! E como eu já esperava, demonstrou ser um ótimo jogador! Mas agora iremos ao nível final, sim? O Final Boss.
O homem corpulento e de três metros de altura que eu imaginei ser Hefesto bateu em seu próprio corpo, sendo imediatamente coberto por uma armadura completa. Em suas mãos haviam um martelo e um escudo, e sua imagem gigante e corpulenta me fez querer sair correndo.
Eu já havia enfrentado chefões muito mais assustadores do que o deus das forjas, mas era tudo dentro de um videogame.
E ainda assim, algo parecia não fazer sentido para mim. Hefesto não perderia o seu tempo vindo lutar pessoalmente contra um semideus indefinido... Certo?
Eu sabia que 90% dos contos gregos começavam com Zeus tentando transar com algo que não deveria, mas os outros 10% eram todos baseados nos deuses e seus egos gigantescos. Hefesto estaria provando um ponto ao me matar por ter feito um videogame bem legal, mas ele realmente mediria os esforços?
Dificilmente.
Mas eu tinha que ter certeza disso, porque se aquela realmente fosse uma projeção do deus, isso mudaria absolutamente tudo. E só tínhamos uma forma de descobrir.
- Pelos deuses! O que aconteceu com a sua cara? O tombo do Olimpo foi feio mesmo, hein? Não há muita dúvida porque Afrodite te trai, afinal, você já olhou pra ela?
Eu sabia que se aquele realmente fosse Hefesto, eu estava morto e não havia deus que me salvasse, mas já era tarde. E como eu imaginei, o deus segurou seu martelo e investiu em minha direção.
E eu achei ótimo. Eu odiava atacar primeiro.
Rolei para o lado desviando da cratera que se formou no chão com o baque do enorme martelo, e saquei minha espada, correndo em direção aos meus amigos. Empurrei Arthur para o lado e berrei para que ele tirasse Autumn da briga enquanto Riley, Carter, Docinho e eu nos preparávamos para a porradaria.
- Riley, Carter, Bisquí: não deixem ele te acertar.
Falei rapidamente enquanto concentrava a minha mente e respirava fundo. Ok, isso ia cansar, mas se tudo desse certo, eu tinha um plano.
Éramos um semideus, dois NPCs e um Pégaso negro contra um deus enfurecido de três metros de altura, vestindo uma armadura de guerra completa e com um martelo mais pesado do que todos nós juntos. Fácil. Utilizei de todas as minhas forças para fazer com que meu poder de teletransporte fosse utilizado da melhor maneira: enfurecendo o deus e desviando para que ele não pudesse me atingir.
Eu sabia ser irritante, e os deuses sabiam disso muito bem. Passei a correr em círculos em volta do deus gigante, espetando-o com minha espada - mas não conseguindo me aproximar o suficiente para feri-lo - enquanto Riley, Carter e Piggy faziam o mesmo. Piggy batia com suas patas contra o deus e voava quando ele tentava revidar, enquanto Riley depositava pequenos cortes em seu corpo e Carter o empurrava com o escudo.
Nós variávamos de lado de forma com que ele sempre fosse atingido por trás por um de nós, e nos concentramos em não atacar, apenas desviar, porque eu suspeitava que levar um golpe do final boss talvez fosse insta kill.
Observei a cena atentamente conforme desaparecia de um lado, aparecia do outro, ria da cara dele e dizia que a mãe dele era suja. Depois eu puxava a sua barba, desaparecia de novo e reaparecia logo atrás, dando um chute em sua bunda divina.
Como eu suspeitava: eu estava certo. Perdemos 30 minutos brincando de cutucar a onça até eu perceber o primeiro padrão de comportamento.
Existia uma razão para eu ser o melhor nos videogames. Todas as programações respondiam a impulsos que eram desenhados pelos criadores, e que davam aos seus desafios um leque de formas de como reagir a um estímulo. Em jogos mais antigos, era possível encontrar esse padrão com maior facilidade: um chute faz com que o oponente defenda cobrindo o rosto, um giro faz com que ele erga as mãos, etc. Nos jogos atuais, esses padrões podem ser mais complexos de serem encontrados, pois podem ter inúmeras combinações de movimentos que levariam décadas para alguém conseguir realmente decifrar.
Mas ser mentalista tinha suas vantagens, e uma delas foi a aprimoração de uma habilidade que eu já tinha - memória fotográfica - e desenvolvimento de uma capacidade que eu sempre busquei desenvolver - lógica. O combo de possui memória fotográfica impecável, lógica avançada e um cérebro superdesenvolvido era o lado brilhante da moeda de ser um semideus devoto de Psiquê.
Foi exatamente descobrindo esse padrão de estímulos de “Hefesto” que concluí de fato que ele não era real, mas sim uma simulação. E melhor: agora eu sabia que se eu chegasse pela direita, Riley, Floquinho e Carver o encurralasse pelos lados, Hefesto tentaria me esmagar, ou dar uma cotovelada em Riley, ou tentar bater em Floquinho no ar como uma mosca. Mas ele não pulava, ele nunca pulava com essa configuração em específico, e isso já era o jackpot.
- Riley, Carver, Floquinho! Encurralar!
Berrei no momento em que todos investimos contra o deus, agora - pela primeira vez - em ataque. Rolei para o lado quando Hefesto tentou me esmagar e esperei que sua resposta se voltasse aos meus amigos, utilizando dos breves segundos para fincar minha espada fortemente contra sua coxa.
Observei conforme um líquido dourado escapava do ferimento, fazendo com que o deus urrasse tão alto que derrubou algumas árvores da floresta.
Riley rolou para o lado, e então seguimos para a segunda posição ao meu comando: Floquinho e eu pela frente, e Riley no ar, fazendo movimentos pendulares com o seu machado. Disparei na direção do deus com minha espada e tentei finca-la em seu abdômen, conseguindo sua atenção conforme Riley movimentava o seu machado, formando um enorme corte nas costas do deus.
Observei conforme Hefesto fechava a mão em um punho e esmagava Carver que provavelmente teria morrido se seu corpo tivesse consistência. Floquinho disparou na direção do deus, e observei, tendo minha atenção completamente tirada quando ouvi berrarem o meu nome atrás de mim.
E então eu percebi que estávamos ferrados.
Os olhos de Hefesto brilharam em um tom dourado, e ele ergueu as mãos para os céus, como se invocasse uma força fenomenal. Combo.
Berrei para que todos nos afastássemos, mas não obtive tempo de realmente retirar todo o meu time do caminho, quando grandes jatos de laser dourado saíram dos olhos do gigante, queimando todo o percurso por onde sua luz passou.
Observei conforme Riley caía no chão, um berro de terror escapava de seus lábios, mostrando a perna direita que não existia mais, agora substituída por restos de metal e o que me parecia ser algo simulando sangue.
Arregalei os olhos um tanto horrorizado com a cena, e pensei em correr em sua direção com Autumn, mas não sabia se ela seria capaz de curar uma injúria de tal tamanho. Os olhos do deus se acenderam de novo, e dessa vez ele se voltou na direção do Pégaso. Completamente tomado por uma adrenalina gritante, disparei na direção do animal e me joguei sobre o seu corpo, fazendo a coisa mais idiota que alguém poderia fazer.
Senti as laterais da minhas calças chamuscarem pelo calor do laser, mas por uma sorte descomunal, eu não havia sido acertado. Floquinho e eu estávamos no chão, e aos poucos o Pégaso parecia assimilar o que realmente tinha acontecido. No local onde estava anteriormente, havia apenas um único pedaço de chão torrado.
Eu não falo a língua dos cavalos, mas eu tinha certeza que ele estava grato. Na verdade, naquele momento consegui sentir até mesmo a energia equivalente à... Amizade? Senti meu coração esquentar, mas não tivemos tempo para o encontro fraternal, uma vez que tínhamos que evitar de virar churrasco nas mãos de um deus gigante.
- Blackjack, agora!
Berrei completamente na sorte, mas ele entendeu o que eu quis dizer. O Pégaso negro abriu suas asas no momento em que pulei em suas costas, e juntos disparamos em direção aos céus conforme o chão se afastava mais e mais de nós. Pairamos sobre a cabeça do deus e tentei montar todos os tipos de estratégias que pudessem possibilitar o assassinato daquele ser maldito.
Um headshot provavelmente resolveria, mas como?
- Bowser, eu preciso que você tente nos aproximar o máximo da cabeça daquele deus feioso, ok? Mas cuidado com os raios dourados da morte.
O cavalo relinchou animadamente e um sorriso confiante se abriu em meu rosto. Eu estava exausto, meus poderes estavam próximos a se esgotar, mas eu tinha um plano. Um plano louco, mas ainda assim um plano.
Assim como comandei, Bowser se aproximou de Hefesto, rodeando-o para não ser atingido pelo machado ou pelos olhos. Riley havia sido escondida mais para o canto da floresta, e o deus parecia mais focado em mim e no cavalo do que nos NPCs lá em baixo. E isso era bom.
Saltei de Blackjack quando a distância era segura e me segurei no pescoço do deus que agora se contorcia para tentar me tirar dali, movendo sua cabeça de um lado para o outro e atirando lasers cegamente.
Olhei em tom preocupado para meus amigos que estavam em perigo pelas árvores que caíam atingidas, e segurei a cabeça de Hefesto, usando toda a minha força e meu equilíbrio para conseguir me manter próximo ao seu ouvido quando disse com uma voz firme e completamente concentrada:
- Eu preciso que você fique quieto, por apenas uns segundos. Só assim você vai conseguir ganhar.
Mais uma vez fui tão convincente que por um momento acreditei em minhas palavras. Senti certa resistência do deus e senti minha cabeça começar a doer, uma pressão como nunca senti antes em meu cérebro, fazendo com que eu tivesse que fechar os olhos para continuar me concentrando. Ele estava lutando com a minha hipnose e aquela tinha que ser a pior enxaqueca da história.
Continuei falando, sentindo a pressão aumentar cada vez mais, principalmente quando encostei a lâmina da minha espada em sua garganta.
- Eu disse... Que você tem que ficar quieto... Para ganhar.
Eu mal conseguia falar. Minha cabeça ia explodir!
Soltei um grito de dor quando passei a espada pelo pescoço do deus e senti meu feitiço ser quebrado no momento em que a lâmina rasgou a sua garganta, fazendo com que sangue dourado descesse como uma cascata por seu corpo.
Segundos antes de despencar no chão como eu planejada, um único raio laser escapou dos olhos do deus, voltado certeiramente na direção que eu mais temia que ele fosse acertar.
Tudo ficou em câmera lenta.
Minha lâmina tirava o último suspiro do deus, e com ele, o laser solto pelos seus olhos se dirigia perfeitamente sobre o peito de Autumn que estava sentada com Riley apoiada em seu colo. Minha visão se voltou para ela no momento em que seus olhos azuis se arregalaram, e soltei um berro de terror - talvez o maior berro de toda a minha vida - completamente desesperado com o desfecho.
Meu corpo despencou ao chão com o do deus, mas não tive tempo de comemorar.
Disparei na direção da NPC e a segurei forte em meus braços, sentindo as lágrimas desesperadas correndo pelo meu rosto.
- Autumn!
Solucei como uma criança. Eu sabia que ela não era realmente a semideusa, e que como Riley ela era uma autômata, mas segurar Autumn em meu colo, sentir a sua pele macia e quente, o cheiro específico do seu cabelo e fitar os olhos azuis perdendo pouco a pouco a sua cor foi uma imagem que desejei nunca na vida presenciar de novo.
Aquilo era muito real.
Agarrei o corpo da menina contra o meu e enfiei meu rosto em seus cabelos conforme sentia meu rosto encharcado pelas lágrimas. A dor que eu sentia não poderia ser descrita.
- Wade! - Arthur gritou, apontando para o cronômetro sobre nossas cabeças. - Nós temos que ir!
Eu não sei se teria ficado para morrer na ilha, mas nem Arthur nem Jackpot me deram essa opção.
O garoto gigante me empurrou para cima do Pégaso e Jackpot disparou em direção à praia conforme meus amigos montavam um a um em um hipocampo. Observei a cena com os olhos mareados quando Autumn não se salvou como os demais, e Riley montou a sua carona sem uma das pernas.
Mas que experiência maldita.
Segurei-me forte sobre Jackpot e observei conforme meus amigos desapareciam entre as ondas, e eu era levado cada vez mais alto para o céu, deixando para trás uma ilha maldita e um vulcão em erupção.
00:01:15.
GAME OVER
Quando eu abri os olhos, estava novamente no templo dos mentalistas. Olhei completamente confuso para os lados conforme meus amigos me cercavam e perguntavam o que havia acontecido comigo. Pisquei algumas vezes completamente confuso e não consegui falar nada por hora.
Eu havia conseguido sair daquele jogo maldito com vida, mas me sentia como um veterano de guerra.
Eu havia desaparecido e reaparecido, e não estava afim de falar sobre tudo o que havia acontecido comigo nos últimos dias. Segundo meus amigos, eu havia desaparecido por cinco horas.
Eu nem teria notado que não estava sozinho se Derek - um dos mentalistas - não tivesse me alarmado, apontando para um filhote de Pégaso negro que estava ao meu lado, me observando em preocupação.
Pisquei algumas vezes novamente, olhando descrente para a cena.
-Jackpot?
Eu reconheci seu relinchado no momento em que ele abriu a boca.
Um sorriso largo se formou em meu rosto, principalmente quando encontrei também o guarda-chuva que eu havia pegado na ilha. Ok, aquilo era bem legal.
Me virei para meus amigos mentalistas e abracei o Pégaso que havia praticamente salvado a minha vida. Jackpot era o nome perfeito, principalmente porque ele havia sido uma sorte inesperada, e também porque ele parecia ter gostado do nome. Estávamos quites, mas ele não parecia querer ir a lugar algum, e não pude deixar de me sentir emocionado com o sentimento de amizade que emanava entre nós.
Acabou. Eu estava de volta e estava tudo bem! Eu jamais conseguiria descrever aquela sensação de alívio.
Talvez eu fosse precisar de uns shots.
- Ei, Derek. - Chamei um dos garotos que tentava se certificar se eu estava bem. Acenei para ele em tom completamente exausto. - Me arranje fósforos e alguns galões de gasolina, sim?





Notas: Notas notas ou qualquer coisa.





Última edição por Wade Logan Warren em Sex Jul 13, 2018 7:47 pm, editado 2 vez(es)


Indefinido por certificado®

avatar
Wade Logan Warren
mentalistas de psique
mentalistas de psique

Mensagens : 179
Idade : 16
Localização : CHB

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: O Game que causou inveja - Missão para Wade.

Mensagem por Wade Logan Warren em Sex Jul 13, 2018 6:58 pm

WADE LOGAN
WHO
Eles disseram: "você consegue". Eu provei que estavam errados.


OFF: tive que postar em dois diferentes porque o texto da missão + as habilidades utilizadas ultrapassaram o limite do post permitido pelo fórum.

adendos:
=adendos]
poderes:

PODERES PASSIVOS

Nível 1
Nome do poder: Capacidade cerebral aumentada
Descrição:  Ao se tornar um Mentalista, o semideus potencializa a capacidade cerebral. Suas sinapses são mais eficientes e sistema nervoso funciona melhor do que qualquer outro semideus ou ser vivo. Isso permite que o Mentalista use de sua mente como sua principal arma, sem enlouquecer ou sofrer danos cerebrais durante o uso das habilidades.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum

Nível 2
Nome do poder: Memória Fotográfica
Descrição: Os mentalistas possuem uma memória perfeita. Ao se depararem com um estímulo, ele irá lembrar futuramente, mesmo depois de um longo tempo. A memória aqui não se prende apenas ao visual, envolve também os outros sentidos do corpo. Senso assim, poderá lembrar de um som, de um cheiro, de um gosto em específico.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum

Nível 4
Nome do poder: Corpo equilibrado I
Descrição: O seguidor de Psiquê tem tanto mente quanto corpo alinhados. Isso acaba por potencializar o equilíbrio corporal. Nesse nível o mentalista ainda começa a aprender noções de seu corpo, tendo um ótimo equilíbrio que um humano treinado teria.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +30% de equilíbrio
Dano: Nenhum

Nível 5
Nome do poder: Inteligência Múltipla – Lógica.
Descrição: O cérebro possui múltiplas inteligências que os seres humanos desenvolvem com treinos ou a desenvolvem naturalmente. O mentalista agora possui a inteligência lógica apurada, tendo o seu “Centro de Broca” mais ativo no momento. Essa é a inteligência empregada para resolver problemas lógicos e matemáticos. É a capacidade para utilizar o raciocínio dedutivo e de calcular corretamente. É a inteligência que costumam ter os cientistas, matemáticos, engenheiros e aqueles que utilizam cálculos e deduções (trabalham com conceitos abstratos, elaboram experimentos).
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Suas estratégias ganham mais credibilidade; +20% de assertividade em arremesso de itens, graças aos cálculos realizados
Dano: Nenhum

Nível 6
Nome do poder: Hipnose I
Descrição: A hipnose é a arte da sugestão, a capacidade de induzir alguém a obedecer aos comandos do hipnotizador. Nesse nível, o mentalista consegue hipnotizar apenas uma pessoa por vez, sendo necessário o foco da vítima em sua voz. É necessária uma indução prévia, como uma introdução que deixa a mente da vítima mais suscetível aos comandos.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: 25% de chances de hipnotizar no primeiro turno.
Dano: Nenhum
Extra: A vítima permanece hipnotizada apenas por dois turnos. A hipnose pode ser quebrada caso um estímulo externo interfira.

Nível 7
Nome do poder: : Meditação I
Descrição: A meditação acalma o espírito e o expande, assim como conecta o corpo com a natureza ao seu redor. Ao sacrificar turnos em prol da meditação, o mentalista consegue reunir mais força interna e espiritual, melhorando assim seu desempenho em batalha.
Gasto de Mp: nenhum
Gasto de HP: nenhum
Bônus: +15% em força, agilidade e velocidade.
Dano: Nenhum
Extra: Obrigatoriamente é necessário sacrificar um tempo para meditar e esse tempo é equivalente a quantidade de tempo que a meditação foi realizada. Ou seja, ao meditar por 1 turno, o poder da meditação irá durar os 2 turnos seguintes. Ao meditar 2 turnos, o poder reunido irá durar 4 turnos... E assim por diante.

Nível 9
Nome do poder:  Leitura empática
Descrição: a empatia é a capacidade de sentir e/ou perceber o que os outros estão sentindo no momento. Nesse nível, os mentalistas conseguem interpretar as emoções dos outros seres vivos.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum

Nível 11
Nome do poder:  Detectar Presenças
Descrição: O seguidor da deusa Psiquê pode notar presenças escondidas dentro do ambiente em que se encontra, mesmo que elas estejam camufladas ou invisíveis. É uma sensação forte de que a algo a mais ali. Caso concentre-se um pouco mais, poderá sentir a origem da presença.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de HP: nenhum
Bônus: 75% de chance de encontrar coisas invisíveis e camufladas. Caso o item tenha sido encantado por alguém mais forte ou o semideus "escondido" seja alguém mais forte, não conseguirá encontrar a presença, apesar de saber que ele ou o item está ali.
Dano: Nenhum

PODER ATIVO ESCOLHIDO:

Nível 9
Nome do poder: Teletransporte I
Descrição: É a capacidade de ignorar o espaço e o tempo entre um ponto e outro, locomovendo-se de um lugar para o outro em um tempo de segundos. Inicialmente o mentalista consegue teletransportar-se em uma distância de 5 metros. É extremamente perigoso usar do teleporte sem saber para onde está indo, pois pode acabar ficando preso em objetos sólidos como paredes e morrer instantaneamente. O tempo de teletransporte pode durar de 5 a 10 segundos, ou seja, o tempo em que você desaparece no ponto inicial e reaparece no ponto final.
Gasto de Mp: 15 por teleporte
Gasto de Hp: 5
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum
Extra: Ao usar o teleporte, o mentalista deixa um pequeno rastro azul em seu ponto inicial.
armas:

Wade - Espada;
Riley - Machado de duas pontas;
Carter - Escudo;





Notas: Notas notas ou qualquer coisa.



[/quote]


Indefinido por certificado®

avatar
Wade Logan Warren
mentalistas de psique
mentalistas de psique

Mensagens : 179
Idade : 16
Localização : CHB

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: O Game que causou inveja - Missão para Wade.

Mensagem por Vênus em Seg Jul 23, 2018 3:33 pm


Go to Play

Wade, confesso que quando comecei a ler sua one post tive uma impressão um tanto quanto... ruim. As frases estavam repetitivas, você comeu algumas virgulas e o excesso de informações – e por vezes falta delas – em relação a games ou a si mesmo acabou me dando um pequeno nó. Conforme a leitura foi se desenvolvendo, no entanto, percebi que estava redondamente enganada e que você foi abrindo um leque de possibilidades que UAU! Não tenho outra palavra para descrever o que senti quando li, eu ri, me diverti bastante e me surpreendi com seu personagem ao longo do texto, estou encantada e cativada de um jeito que nem sabia ser possível. Parabéns.

Recompensas: 3.500 XP e Dracmas.
Lembrando que o xp e dracmas diminuem de acordo com a recompensa e você pediu um item e um mascote, portanto a recompensa em xp é bem menor.
+ o guarda-chuva escudo e o Mascote. Você deve enviar a descrição do item por MP pra mim (farei os ajustes necessários) juntamente ao nome da mascote.



Vênus, love's lady
..
diva, déesse de l'amour et de la beauté ♦️
avatar
Vênus
Deuses Olimpianos
Deuses Olimpianos

Mensagens : 1954

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: O Game que causou inveja - Missão para Wade.

Mensagem por Conteúdo patrocinado


Conteúdo patrocinado


Voltar ao Topo Ir em baixo

Voltar ao Topo

- Tópicos similares

 
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum