The Blood of Olympus
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[CCFY] Espelho, espelho meu

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[CCFY] Espelho, espelho meu

Mensagem por Aislynn Prescott em Ter Jul 10, 2018 10:47 am



Espelho, espelho meu


Na varanda frente à Casa Grande, Quíron aguardava os dois campistas. Eles estavam prestes a chegar de uma missão, e ele precisava vê-los. Não era comum agir desta forma, mas a mensagem de Íris o deixou alerta. Esta noite a lua aparentava estar mais bela, com a falta das costumeiras nuvens atrapalhando, o luar pôde clarear o Acampamento sem obstáculos. Um detalhe que auxiliava a visão do centauro. Não queria acender a luz e correr o risco de acordar o Sr. D, o temperamento do deus, quando interrompido de seu sono, tornava-se duas vezes pior.  
Os dois meninos apareceram ao longe trazendo alívio ao coração de Quíron. Endireitou o seu corpo a espera dos garotos. Inicialmente, o centauro visualizou apenas uma grade sombra caminhando para a sua direção. Conforme eles saíam das sombras produzidas pelas construções ao redor, o seu campo de visão melhorava tornando-se mais nítido as silhuetas, o suficiente para distingui-los. Neste meio tempo, o centauro reparou mais ao longe um pequeno contorno que, pelos movimentos e o que aparentava segurar, treinava arco na arena. A prova veio quando uma flecha laranja reluziu. Sorriu de canto ao passar por sua mente quem seria. O ranger das escadas produzidos pelos meninos subindo chamou sua atenção, eles pararam diante da figura de autoridade.  

— Vejo que estão exaustos devido à jornada que traçaram, crianças. — Demorou o olhar sobre eles. As vestes rasgadas, os arranhões por todo o corpo e suas pálpebras aparentando pesar, confirmavam a fala de Quíron. No entanto, ambos faziam o possível para manterem-se firmes diante dele. — Tentarei ser breve. — Gesticulou com as mãos para que o seguisse e, passando pela entrada da casa, o centauro atravessou a sala de estar. Parou ao passar por um portal que levava a um pequeno cômodo. Quíron acendeu a lareira situada na parede oposta à porta, assim apenas aquela parte seria iluminada. — Mostrem-me. — Com esta ordem os garotos se entreolharam e, engolindo seco, obedeceram.  
O mais velho, Bernardo, possuía um ar de campeão. Seu corpo demonstrava o quanto treinava constantemente a parte física, os músculos dos braços eram nítidos. Seu cabelo encaracolado estava todo embaraçado e o seu rosto coberto de poeira. Em contrapartida seu parceiro, Gregorio, era galgaz e pequeno, quase a metade da altura do colega. Possuía uma bolsa amarrada ao redor da cintura repleta de ferramentas, e suas roupas estavam cheias de buracos. Puxando o zíper do maior bolso da bolsa, colocou as duas mãos dentro e começou a puxar, expressando em sua face dificuldade em remover o que quer que fosse.  

Quando uma parte pôde ser vista Bernardo o ajudou. Utilizando apenas uma mão, retirou o espelho com extrema facilidade e o entregou a Quíron. Observando o centauro, Gregorio brincava com os dedos das mãos devido ao nervosismo que sentia enquanto Bernardo mantinha sua postura de soldado. Assim que as mãos de Quíron pegaram o objeto, começou a examinar. Inicialmente aparentava ser comum: um pequeno espelho veneziano dourado que cabia em suas mãos. Ele poderia até julgar que pertencia a alguma Náiade. Arranhões e a falta de brilho indicava que o objeto possuía no mínimo vinte anos e, apesar de ser pequeno, o veneziano deixava-o pesado.    

Estava prestes a dizer que não encontrava sinal de perigo, mas parou ao localizar o que deixou os garotos em alerta. O reflexo não existia, um espelho que não refletia a imagem das pessoas. Conseguia visualizar a lareira, a parede e até as decorações que estavam ao seu redor, mas a sua imagem não. Quíron não gostou deste acréscimo, forçou os olhos buscando analisá-lo melhor, porém não conseguia encontrar justificativa plausível no momento para algo desta magnitude.    

— No-no- nós somos vampiros? — Gregorio perguntou e Bernardo deu um tapa na sua nuca, lançando um olhar repreensivo.  

— Onde o encontraram? — Quíron questionou, ignorando a pergunta anterior. Desconfiado, olhava para o objeto enquanto acariciava a sua barba, pensativo. Não gostava do que tinha em mãos.  

— No covil de uma bruxa. Ela o defendia com garras e dentes... precisávamos derrotá-la para conseguirmos acesso ao objetivo central da missão. Quando a vencemos, descobrimos que tudo não passava de enrolação e, infelizmente, tivemos que partir. — Bernardo explicava com calma, mas sua expressão demonstrava indignação pela falha. — Trouxemos por ser o que sobrou. Além disso, temíamos que caíssem em mãos erradas. Da forma que o protegia, julgamos ser algo poderoso.  
— Agiram bem... — Olhou para eles — não sei exatamente o que pode ser. — "mas sei a quem recorrer.", completou em pensamentos antes de continuar. — Acredito que não seria interessante cair em mãos indesejadas. — Não precisou dizer mais para captarem que ele se referia à seita. — Obrigado, assumo por aqui. Cuidem-se meninos, não hesitem em passar na enfermaria para cuidar de seus ferimentos. Podem parecer leves, mas nunca se sabe. — O seu ar paternal sempre presente. Não importava se eles estavam cansados de saber sobre, insistia em falar como se fossem calouros.  

Assim que a dupla se retirou, o centauro subiu as escadas que levava ao sótão, dessa forma colocaria o espelho com os demais pertences. Deixaria ali, em segurança, até conseguir contato com a Baba-Yaga. Independente do que seja, a entidade mágica poderia dar pistas ou, melhor ainda, saber do que se trata. Uma das possíveis possibilidades, a que mais estava torcendo para que não fosse, era a de estar prendendo algum espirito maligno. Antes de sair do recinto, jogou um pano por cima para cobrir a imagem do objeto, por cautela.    

Realizou nota mental antes de voltar ao seu aposento, precisava impedir Sr.D de mandar algum campista realizar tarefas no lugar. Ele sabia o quanto o deus do vinho gostava de importunar as crianças e as colocar para limpar ou catalogar aquele monte de, aparentemente, entulhos. Infelizmente, antes mesmo do alvorecer colorir o lugar, Quíron foi solicitado para apartar uma briga entre dois veteranos, ambos fortes o suficiente para destruir metade dos chalés. Algo que tomou uma boa parte de sua manhã.  


Preferindo ficar calada para não arranjar mais problemas do que este que ele estava prestes a coloca-la, a filha de Apolo aproximou-se da sacada sabendo que uma vez vista jamais tinha retorno. — Seja boazinha Alika e tire o pó do sótão. A poeira daquele lugar me incomoda. — Enquanto falava, não retirou o olho das cartas que segurava, muito menos levantou de sua cadeira. Observando-o, ela tinha a impressão de que ele estava jogando cartas sozinho. — Ou será que são os ratos... — acrescentou, fazendo-a expressar uma careta ao escutá-lo. — Algum problema? — A pergunta saiu fria. Mesmo o Sr.D  não a olhando, Aislynn tinha a impressão de que ele enxerga tudo ao redor.  

— Como chego ao sótão?
— Perguntou na tentativa de escapar de qualquer futura maldição, acrescentando um sorriso sem graça. O humor do deus mudou da água para o vinho. Relaxou na cadeira e gesticular com a mão para que ela se retirasse. Dessa forma, deixou claro que não iria dar mais informações ou auxiliá-la. Com a impressão de que se ficasse mais tempo ao lado do Sr.D correria o risco de ser amaldiçoada em um estalar de dedos, não tardou a sair de perto da divindade.    

Por ter lavado algumas vezes as roupas do diretor, sabia onde guardavam produtos e itens de limpeza. Rapidamente encontrou pano e espanador na dispensa. Acreditando ser o suficiente, os pegou e subiu as escadas. Chegando ao final, olhou para cima e avistou o alçapão. Uma parte sua estava confiante, acreditava que seria moleza e logo poderia voltar ao seu exercício matinal. Gostaria muito de motivar esta parte otimista, porém, estava cansada de saber que nada que vinha do Sr.D era fácil.

— E lá vamos nós. —  Sussurrou ao puxar a cordinha pendurada. A escada desceu de forma estrondosa forçando-a a se afastar. Aislynn precisou tampar o rosto, pois o cheiro de mofo invadiu as suas narinas. Abanou com as mãos para tentar se livrar ao menos um pouco o odor, o que foi inútil. O fedor piorou ao subir as escadas, parecia ter algo morto no lugar. Há quanto tempo não realizavam uma limpeza descente no ambiente? — Espero não encontrar os restos mortais do rato que o Sr.D comentou. — Torceu.  

Conforme analisava os objetos do lugar, menos eficaz achava os itens que trouxe. Existiam caixas empilhadas prestes a rasgar, armaduras enferrujadas e até um grande pente que poderia ter pertencido a um gigante. — Por que eu? Por que sempre eu?! — Choramingou ao tirar teia de aranha das mãos. Tentou andar no meio dos objetos, mas foi impedida ao tropeçar em um capacete que estava no chão. Caiu de joelhos na madeira velha, sua calça de moletom evitou que arranhasse o joelho, o que não queria dizer que escapou da dor. Acariciou o lugar, fazendo uma rápida massagem.  

Ao fim, se ajeitou para voltar a ficar de pé, mas parou imediatamente ao ouvir uma voz: "chegue mais perto". Ela virou o rosto sem uma direção precisa. — Quem está ai? — Perguntou firme. Mal terminou de se levantar e já estava com a mão por cima do cabo de sua adaga, pronta para usá-la a qualquer sinal de perigo. "Não temas, estou aqui para ajudá-la". Aislynn bufou — a limpar? Seja bem-vinda, pegue uma vassoura. — Olhava para todas as direções, ainda buscando a origem da voz. Ela era doce e feminina, todavia tinha algo de errado, não parecia ser... natural. "Injusto não acha? Ser a única a pegar as tarefas que ninguém deseja."    

— Você está errada, eu não sou a única. — Dessa vez, algo entre todos os outros objetos prendeu a sua atenção. Um pano estava por cima de algum item oval, aparentemente pequeno. Ele estava exatamente no centro de uma prateleira de parede. Curiosa para saber do que se tratava, andou naquela direção a passos lentos, precisava ser cautelosa. Aos poucos começou a se esquecer desse detalhe e até da voz, como se apenas ela e aquilo existissem. Ainda acreditava estar no controle de seu corpo, sequer imaginava que o objeto a estava seduzindo. "Venha me conhecer, chegue mais perto". A voz voltou a falar, dessa vez Aislynn não a retrucou.  

Ao se aproximar o suficiente, esticou sua mão levando-a até o pano azul que o cobria. — Só uma olhadinha... — sussurrou antes de agarrar o tecido, puxá-lo e jogá-lo no chão, revelando assim o que escondia. Seus olhos brilharam ao se deparar com um lindo espelho. Não pensou duas vezes e o pegou, suas mãos seguraram as bordas de veneziano dourado e o trouxe para mais perto. Para a sua surpresa ele não era pesado e sim leve, o suficiente para conseguir segurá-lo sem dificuldade. Se não fosse loucura, poderia dizer que ele se adaptou a ela. Notando que estava malcuidado, tratou de pegar o pano e começou a limpá-lo. Após passar o tecido por cima do vidro finalmente reparou na imagem.  

Não estava acostumada a se admirar no espelho, pelo contrário. Por isso, acabou não entendendo o motivo deste a chamar tanta atenção. Ao ver o seu reflexo não conseguiu desviar o olhar. Os cachos presos no coque, os lábios carnudos, a pele morena e, principalmente, o olhar hipnotizante. Todas essas características aparentavam ser mais belas do que ela acreditava que era. Sentia como se estivesse diante de outra Aislynn. “Será que é este o poder do espelho? Deixar as pessoas se sentirem mais bonitas?” Sorriu com estes devaneios. Satisfeita, começou a recolocá-lo no lugar. Assim que o objeto tocou a prateleira novamente, o reflexo de Aislynn sorriu com ar sinistro.    

O susto a fez dar um passo para trás, não acreditando no que via. Entretanto, não conseguiu se afastar muito, pois as mãos do seu eu do espelho apoiaram-se nas bordas do objeto, utilizando-as de apoio para se libertar em uma velocidade impressionante. O seu rosto demonstrava uma felicidade assombrosa enquanto gargalhava. O coração de Aislynn faltava sair pela boca ao presenciar tal cena. Sua garganta estava seca, tentou gritar, mas nenhum som saiu e, ao pensar finalmente em usar a adaga, aquela coisa segurou forte os seus ombros com os dois braços e a puxou para dentro do espelho. Tudo em questão de segundos. A risada cessou e um silêncio perturbador pairou. No sótão, o único vestígio de que Aislynn esteve ali foram o pano e o espanador que estavam caídos no chão.

Por conta do medo que sentia, fechou os olhos ao ser levada. No momento que seus pés tocaram o chão, as mãos a soltaram. Sentiu-se zonza por ser trazida de forma brusca para um lugar desconhecido. Além disso, o ar parecia estar diferente, sufocante. Abriu os olhos, mas era como se não os tivesse aberto, estava em completa escuridão. Tentando não entrar em pânico, mesmo com seus batimentos cardíacos acelerados e sentindo-se amedrontada por ter sido sugada por si mesma, buscou o mínimo de sanidade que ainda restava e se concentrou.  

Através das emissões de ondas ultrassônicas, Aislynn conseguia detectar a localização de objetos ao seu redor, o que incluía seres vivos. Uma façanha que estava adquirindo conforme praticava cada vez mais o seu violino. Seus ouvidos estavam tornando-se cada vez mais sensíveis ao som. Para o seu desespero, conseguiu distinguir no mínimo duas criaturas e algum tipo de objeto.  

— Não fique assim, querida. — A voz soou praticamente como um ecoo atrás de seu corpo. Ao se virar, o lugar foi iluminado por uma lareira situada ao seu lado e, a sua frente, a cópia a olhava com um sorriso falsamente acolhedor. — Está segura comigo, não precisa temer nada. — Sorriu como se fossem melhores amigas. Irritada por este discurso sem sentido, Aislynn deu um passo à frente.

— Não sei o que você é, mas diga onde está a outra criatura?!  


Achando piada da atitude ameaçadora, a garota falsa tampou a boca tentando conter o riso. Não aguentando, soltou uma gargalhada alta e segurou a barriga com as suas duas mãos:

— Oh, me desculpe. — Tentou dizer entre risos. Respirou fundo na busca de se conter. Limpou uma lágrima e, ainda sorridente, continuou. — Bobinha, eu sou você não vê? — Realizou uma volta sem sair do lugar. — Idêntica, uma gêmea legitima. — Efetuou uma pausa dramática antes de continuar. — E o outro... — abriu os braços e olhou ao redor. — É todo o lugar. Lindo não é mesmo? — Perguntou voltando a olhá-la, existia um brilho ameaçador em seus olhos.  

— Do que está falando? Onde estamos? — Perguntou confusa. Agora que o lugar estava iluminado poderia olhá-lo melhor, mas temia tirar os olhos dela. Geralmente possuía noção se a pessoa estava mentindo ou não, porém ela não demonstrava quaisquer indícios que pudesse ajudar a distinguir, o que deixava Aislynn mais cautelosa.

— Pergunta difícil de responder... — Ponderando, começou a andar em círculos ao redor de Aislynn que acompanhava cada um dos seus movimentos. A semideusa aproveitou a oportunidade para tentar visualizar algo atrás ou ao lado dela. Para o seu terror, parecia que apenas as duas e a lareira existiam, o resto estava em completo breu, mesmo com a luminosidade proporcionada pelo fogo.  — Não consegue lembrar o que eu fiz? — Parou e perguntou com uma expressão inocente.  

Não gostando nada da situação, Lynn a encarou friamente. Quanto mais ela respondia, mais perguntas surgiam. Estava confusa, com medo, todavia, não pretendia demonstrar estes sentimentos. Com aquela pergunta, sentiu arrepio ao lembrar-se daquela figura saindo do espelho e a colocando nele: — O espelho... — sussurrou desacreditando no que acabara de dizer.  

— Bingo! Tinha a certeza que existia um pouquinho de inteligência aqui dentro. — Apontou para a própria cabeça. — Sabia? Eu sou bem legal se comparada a alguns amiguinhos meus. Você tem sorte. —  Aislynn não sabia dizer se a atacava ou não, apenas limitava a manter o tempo todo a mão sobre a sua adaga, ao contrário da sua adversaria que estava alheia, ignorando o perigo enquanto dizia ladainhas. — De qualquer forma, sei muito bem que deve estar ciente que eu sou uma parte sua. — Aislynn bufou e revirou os olhos como se ela acabasse de dizer um absurdo.  

— Ah, não aja assim... magoa. — Fez beicinho. — Até parece que nunca se perguntou se tinha algo de errado com a gente, afinal, nem mamãe nos queria. — A expressão de Aislynn mudou de fria para surpresa, mas novamente voltou a ficar fria. Contudo era tarde demais, a cópia notou que a abalou. — Lembra quando ela pegou a caixinha do papai — a falsa semideusa olhou para as próprias mãos, fingindo estar segurando uma pequena caixa. — e a queimou, queimou com ódio no olhar. — Finalizou fechando as mãos como se esmagasse algo.

Lembrando-se perfeitamente da situação, a mente de Aislynn se teletrasportou para o passado: havia fugido da escola naquele dia, na realidade de dois garotos mais velhos que a perseguia no recreio. Como sua mãe sempre trabalhava muito, acreditou que estaria tudo bem se voltasse para casa. Porém, ao abrir a porta, sentiu cheiro de fumaça. A origem era o quarto de sua mãe. Correu até lá e encontrou a porta entreaberta. Estava prestes a entrar, mas ao olhar pela fresta deixada ela tudo, sua mãe observava suas cartas, seus poemas, seus desenhos pegar fogo dentro da pequena caixinha de ferro e não fazer nada. O coração da pequena doeu, doeu tão forte que ela quis arrancá-lo do corpo.

Manteve-se parada frente ao quarto assistindo tudo. As lagrimas escorriam em um choro silencioso, molhando a sua face. Sua cabeça estava repleta de questionamentos: porque ela estava fazendo aquilo? O que tinha de errado? Aquela era mesmo a sua mãe? A mulher que incentivava colocar suas criatividades na caixinha? Neste momento, sua mãe mudou o ângulo do corpo e assim Aislynn pôde vislumbrar o rosto dela. Para aumentar a decepção, ela aparentava estar aliviada e seus olhos demonstravam um brilho sombrio. Aquilo foi demais para a criança assimilar e, querendo fugir, a garotinha correu para longe deixando sua mochila para trás.

— Não a culpo de ter acabado com tudo. Até o poema que foi a única coisa elogiada de tudo que fizemos na escola.
— A voz a trouxe de volta para o presente, seus lábios tremiam conforme a escutava e o brilho que sempre carregava em seus olhos diminuíram. — Ah... escola. — Neste momento, a cópia estava mais próxima de Aislynn. A cada volta que realizava mais se aproximada do corpo da semideusa. — Foi realmente difícil... como odiávamos não parar em nenhuma, sempre mudando e mudando. — A falsa fechou o punho e, pela primeira vez, demonstrou raiva na voz ao engrossá-la. — Toda vez que conseguíamos um amigo, toda vez que finalmente nos enturmávamos tínhamos que recomeçar.  

Fechando os olhos, respirando fundo, Aislynn tentava manter a calma e a compostura, mas era extremamente difícil. A cada palavra pronunciada, a cada frase dita, uma dor era sentida. Não imaginava como aquilo sabia tanto sobre si, e o pior, sabia exatamente como atingi-la. Ao abrir os olhos a viu parada em frente ao seu corpo. Encarar aqueles sombrios olhos pretos a deixou assustada, a fala a seguir apenas piorou esta sensação:

— Eu sei o que esconde por trás de seus sorrisos Lynn. — Fez uma pausa e prosseguiu com um sorriso. — Eu.  

Negando com a cabeça, a semideusa tentou se reorganizar e a interrompeu.  

— Não
guardo nada! Sei que tudo que minha mãe fez foi para o meu bem, até as trocas de escola.
— Esbravejou.

— Seu bem? — Soltou uma gargalhada extremamente alta, assustadora. — Não seja idiota, ela fez por ela e mais ninguém! Abra os olhos garota e pare de achar que tudo são flores. — O ódio estava embutido no sermão. — A vimos chorar e dizer "por que, por que eu preciso passar por isso?". Você pode ter esquecido, mas eu nunca. — Tentou rebater, mas não tinha argumentos. A cópia ter utilizado a imitação perfeita da voz de sua mãe piorou a situação. — Tudo culpa dele... ele que agora você vive vangloriando e agradecendo a cada refeição. Deveria destruir aquele arco inútil com o nome dele!  

Aislynn negou, fechando forte os punhos, irritando-se cada vez mais com aquela conversa.

— Não, não é assim que.  

— Que as coisas são? Ah, até parece. — Ela a interrompeu e jogou os braços para o alto, indignada.

A falsa Aislynn voltou a andar ao redor da pequena que, encolhida e sem reação diante de tantas dores jogadas, mantinha-se quieta, remoendo tudo. Queria lutar contra, dizer que eram mentiras e mais mentiras, mas não conseguia, estava perdendo completamente o chão, o apoio. Estava encarando aquilo que ela sabia que escondia de todos, incluindo dela mesma, que sempre esteve ao seu lado, esperando para se mostrar e, agora que encontrou a deixa, estava pronto para desmascará-la. Começou a questionar se era a verdadeira ou não, a sua cópia a conhecia muito mais do que ela mesma. Levantou o rosto e, com pesar, a encarou. “É mesmo uma parte de si?” a resposta estava virando um sim pouco a pouco conforme o que era ou não real se misturavam.

— Os deuses enamoram mortais, semideuses e afins. Acabam tendo filhos com eles e os ignoram. — Discorria. — Nosso pai nos teve e largou. Largou-nos, Aislynn, largou! — Brigava com a garota como se quisesse a fazer acordar. — Largou uma mulher com uma criança. Sem emprego, sem moradia e que teve que se virar para arranjar comida. — A história jamais contada, o lado jamais mostrado estava agora sendo exposto. — E você ainda o ajudou a reconciliar com um dos seus "casos" antigos. — A cópia a olhou de cima a baixo, com expressão de nojo. — Uma desonra que não teria acontecido se tivesse me ouvido, se não tivesse me trancado em um canto vazio aqui dentro. — Apontou para o coração.

— Eu...  

— Sente muito? — Completou a tentativa de reviravolta com brutalidade. — É só isso que sabe fazer, pedir desculpas! Você pediu desculpas para Leonard quando permitiu que a mãe dele morresse. — Afirmou.

— Não a matei! — Aislynn gritou desesperada. Negava com a cabeça com as lagrimas saindo.  

— Há não? A quem está enganando garota?! A mim? A mim que sou você? — Mais uma risada debochada. — Não mesmo. Ele pediu para procurá-la, esperava que chegasse com ela, mas ao invés disso preferiu fazer tudo menos encontrá-la. Antes o deixasse morrer naquele amontoado de entulhos. — Com isso ela se calou, não tentou mais rebater. Estava ficando cada vez mais esgotada, como se toda a sua energia estivesse sendo sugada, deixando à falsa cada vez mais feliz. — Chore, chore e chore. É a única coisa que sabe fazer, ser inútil. — Ela se aproximou mais da verdadeira. O seu rosto carregava um sorriso vitorioso que Aislynn não via, estava ocupada demais encarando o chão e abraçando a si mesma, caída no desespero, para ver a verdade.

— Fique aqui para sempre. Não terá ninguém para ferir, ninguém para se machucar por você. — Disse chegando finalmente no seu objetivo final. Aproximou-se do ouvido de Aislynn e, segurando em seu ombro, sussurrou. — Estaria fazendo um favor a todos, incluindo Juanito. Aquele nosso amiguinho que você quase matou, ou será que matou? — Soltou uma risadinha de deboche e voltou a se afastar. — Você é fraca, inútil e digna de pena. Até mesmo Helena se aproximou apenas porque notou o quão perdida e patética es.

Essas palavras foram o estopim. Aislynn caiu de joelhos no chão e começou a chorar acreditando em tudo que ouvia, crendo ser a verdade. Tola era por acreditar que podia ser diferente, ser melhor do que antes. No entanto, apenas machucava as pessoas ao seu redor como uma bomba-relógio prestes a explodir e levar quem quer que esteja por perto. Não merecia retornar, não precisavam dela, ela era nada em meio a tantos heróis.  


Conseguindo finalmente apartar a briga, Quíron castigou os envolvidos obrigando-os a trabalharem juntos em diversas tarefas durante toda a semana. Esperava que desta forma a intriga que tiveram fosse resolvida, o que seria bem difícil, mas não impossível. De volta à Casa Grande, informou ao Sr. D sobre não permitir campistas no sótão. Ele apenas o ignorou como quase sempre fazia, e continuou a jogar o seu jogo interminável. O centauro esperava que o tivesse escutado. Sentia-se um pouco cansado diante de tantas situações que envolviam a sua presença. Caminhou para a sala que horas atrás estava com os dois garotos para poder resolver mais um problema.

Com a jarra de água, o centauro encheu um copo com o liquido. Abrindo a gaveta, pegou um pedaço de vidro e o colocou dentro do copo. A pequena janela que permitia a luz do sou adentrar no recinto era suficiente para que ele terminasse o processo e, colocando o copo exatamente onde o sol batia, um arco-íris apareceu. — Ó deusa, aceite a minha oferenda. — Sussurrou ao jogar o dracma que, demonstrando ser aceito, desapareceu. — Cabana viva da Baba-Yaga, por favor. — Aos poucos, o lugar pedido começou a aparecer permitindo-o visualizar uma porta de madeira. Supôs que estava na entrada da casa, o que seria plausível visto que nem mesmo a deusa do arco-íris poderia entrar na casa da entidade sem a devida permissão.  

— Baba-Yaga. — Chamou. Em menos de um minuto a porta foi aberta e uma figura apareceu. O nariz longo e arrebitado era o que mais chamava a atenção na fase da idosa, o cabelo grisalho estava protegido por uma manta marrom. Seu corpo todo enrugado e magro aparentava ser tão frágil que qualquer vento poderia fazê-la voar.  

— Quíron! — O reconheceu e o acolheu com um sorriso na face, deixando expostos seus dentes afiados de metal. — Gostaria que algo bom tivesse trazido você para realizar esta ligação, mas nunca é. — Riu um pouco deixando os seus olhos fechadinhos desta vez.

— Não posso discordar. — O centauro respondeu, envergonhado. Todavia, não poderia enrolar muito, por isso, tratou de ir direto ao ponto. — O que poderia dizer sobre um espelho que não reflete? — Começou com a pergunta e continuou com uma explicação breve sobre o ocorrido da madrugada para transmitir mais informações.

Ao fim, a idosa não ficou contente com a história, sua expressão demostrava que sabia de algo, mas Quíron jamais imaginou que seria tanto. Por sorte ele possuía um coração puro, o que a fazia sempre ela ser bondosa diante de sua presença e o ajudar, mas o centauro tinha extrema pena dos impuros que esbarravam com a feiticeira uma vez que ocorria justamente o contrário.

Anos atrás, visitei uma velha amiga que vivia em seu covil. Ela tinha perdido o seu amado e acreditava com todas as forças que sua alma ficou presa no espelho. — Negou com a cabeça como se tivesse pena da pobre coitada. — Sua sanidade estava fadada a sumir, não precisava de muito para perceber. Ao tocar no tal espelho, senti uma aura maligna, algo ruim estava crescendo pouco a pouco e com certeza não era o marido dela. — Seu olhar estava distante, imerso na lembrança. — Enquanto o segurava, a ouvia falar sobre os duplos e suas capacidades de viverem dentro do espelho. Ela tinha o plano de prender um para que seu marido não ficasse sozinho e, juntos, cuidariam deste monstro. — Esperou um pouco antes de continuar.  

— Obviamente a orientei do qual insano era a ideia desta "família", mas estava completamente cega pela ilusão que ela mesma criou. Depois disso, não a vi ou mantive contato, acredito que a coitada me adicionou na lista de inimigas pessoais. — Olhou diretamente nos olhos do centauro antes de terminar. — Quíron, os meninos não falharam na missão, pelo contrário. Porém, sem sua dona para controlá-lo aquilo ficará fora de controle. Apesar de louca, ela não era burra. O duplo que habita o objeto deve ter uma inteligência alta o suficiente para não enfrentar quem derrotou a sua dona ou você, ele sabe escolher as vítimas e por isso não os refletiu. O espelho por si só era forte antigamente, imagina agora? Destrua-o antes que seja tarde.  

A face da Baba-Yoda desapareceu juntamente com a mensagem indicando que o tempo acabou, mas foi o suficiente. Tinha o que precisava e agora sabia o que devia ser feito.



— Eu te proponho uma solução. — A cópia falou como uma empresária prestes a fechar um ótimo negócio. Aislynn sequer moveu um músculo, estava completamente quebrada, sem qualquer vestígio de reação. Não gostando desta atitude, a falsa Aislynn se aproximou de sua presa e, agarrando em seu braço, tentou levantá-la. — Uma ajudinha cairia bem... — sussurrou entre fôlegos. Quando finalmente a deixou em pé, limpou as mãos e as colocou na cintura. Observou a sua obra prima: um boneco sem vida que, com toda a certeza, perdeu qualquer vestígio do sentimento de liberdade. Agarrando a sua mão, a trouxe para mais longe da lareira e próxima a escuridão. — Aqui você será bem útil, terá utilidade de verdade sem que ninguém seja ferido por sua causa. — Dizia enquanto a levava.  

Quanto mais Aislynn se aproximava, mais a sua audição ficava aguçada. A outra vida que estava presente no ambiente, que ouviu ao chegar, parecia ficar cada vez mais perto. De qualquer forma, já não se importava mais, poderia ser devorada pela criatura que, dessa forma, estaria fazendo um bem para os demais semideuses e, principalmente, para a sua mãe.  

— Chegamos! — A cópia falou entusiasmada e apontou para a parede. Como se a chama da lareira estivesse viva, ficou mais forte e iluminou um pouco aquele ambiente que anteriormente estava imerso na escuridão. Vagarosamente, Aislynn levantou a cabeça e olhou na direção que a cópia apontava. Forçou um pouco a vista na tentativa de compreender o que estava vendo. Existia alguma coisa presa à parede. Ela começou a se aproximar curiosa para saber o que poderia ser, não que seu coração tivesse parado de doer ou que não estivesse esgotada, apenas permitiu que a sua única qualidade restante, a curiosidade, emergisse e a conduzisse.

— Isso mesmo aproxime-se. Você irá servir de alimento para... — a voz ficou cada vez mais distante na mente de Aislynn, logo não passou de um murmurinho e sumiu. Apenas a parede a sua frente importava, mais nada. Ao tocar seus olhos se arregalaram, estava sentindo os movimentos de uma respiração. Tateou mais um pouco e, ao tocar no que aparentava ser uma face, começou a rasgar a superfície. Era grudento e assemelhava a teias de aranha, todavia ela não se importou. Conseguiu finalmente ver um pouco do que estava "enterrado" e se assustou. Era a cabeça de um filhote de tatu.  

Olhou para todos os lados da parede e notou que, na realidade, era um cemitério repleto de seres enterrados. Contudo, aquele que foi o primeiro a ver ainda tinha vida, ao contrário dos demais que não mais respiravam. Ele não tinha muito tempo, os intervalos entre as respirações ficavam cada vez mais longos. Horrorizada com o que presenciava, se perguntou que tipo de criatura faria algo tão terrível assim, mataria tanto e ainda mais filhotes que sequer tiveram a chance de conhecer o mundo. AIslynn estava frente ao que alimentava aquela coisa. Seu sangue começou a ferver, raiva pulsava por suas veias e a verdade chegou aos seus olhos.  

— Não sou eu. — Sussurrou, levando a mão até a adaga e, com força, segurou o cabo.  

— Disse alguma coisa? — Alheia, acreditando que venceu, a cópia perguntou interrompendo o discurso que estava pregando até então. Ela via apenas as costas de Aislynn curvada, sem vestígio de perigo, pois estava crente que a sua presa não tinha qualquer vontade de revidar.

— Você não é parte de mim! — Esbravejou e, virando-se rapidamente, urrou ao pular em cima daquele ser que foi pego desprevenido. No chão, em cima de seu corpo, a semideusa fazia força para acertar o peito de sua vítima. Porém, ela conseguiu agarrar o seu braço a tempo, impedindo-a de terminar a ação. Não desistindo, empurrou a faca ao ponto de suas mãos tremerem devido à tensão exercida nos braços. A sua rival não cedia e continuava a lutar pela vida.  

Encarando aqueles olhos castanhos, Aislynn lembrava cada pessoa e criatura que conseguiu salvar: Leonard, Clarice, o filho do vinho e não podia se esquecer do basilisco e até mesmo alguns goblins. Todos eles estavam vivos graças a ela, por ela estar no lugar certo na hora certa e, principalmente, por conseguir evitar conflitos. Exerceu mais força em sua mão fazendo a lâmina chegar mais perto do coração daquela coisa, esta que não compreendia o motivo dela ter ajudado o pai.  

— Sim! Eu tenho ódio, eu tenho raiva. — Dizia enquanto empurrava cada vez mais, a lâmina estava começando a penetrar a pele de sua adversaria. — Mas também tenho amor, e perdão. Sentimentos que jamais devem ser ignorados! — Empurrou mais fundo. — Eu fiz uma promessa e vou cumprir! — Disse ferozmente, lembrando a sua última conversa com Leonard e empurrou ainda mais.

Aislynn mergulhou a faca no coração daquela coisa, vencendo-a. O sangue escuro começou a jorrar como uma fonte. Barulho estridente saiu da boca da criatura que cedeu às mãos e começou a se contorcer enquanto se destrasformava conforme a sua vida esvaia de seu corpo.  Cansada, ainda em cima da criatura coberta por um musgo preto, Aislynn retirou sua arma no momento que aquilo parou de se mover.

Suas mãos estavam fracas, seu corpo exausto, sentia sua cabeça prestes a explodir de dor. A dor no seu coração ainda permanecia, pois uma ferida foi aberta e custaria ser fechada. Olhando para o teto escuro, soltou um grito liberando toda a frustração acumulada, aliviando um pouco os seus tormentos. O lugar começou a tremer a avisando que a missão ainda não cessou, que ainda precisava se libertar.  

Saindo de cima da coisa, Aislynn colocou sua faca de volta na bainha e correu para a parede onde avistou o animal indefeso. Começou a rasgar aquela cobertura por cima dele o mais rápido que podia e, assim que o libertou, o segurou com toda a cautela possível para não o machucar. — Te peguei amiguinho, aguenta firme. — Sussurrou para ele que mexeu a cabeça, ajeitando-se no seu braço. O tremor aumentou avisando que o lugar estava cedendo.  

A única coisa a vista além da parede e do corpo inerte era a lareira. — Como vamos sair daqui? — Questionou chorosa, não fazia ideia, a única que poderia dizer como sair estava morta. Quase que imediato, Aislynn ouviu algo a chamar. Reparou que próximo a lareira uma luz começou a brilhar, iluminando ainda mais o ambiente com sua luminosidade. No centro, avistou o rosto de seu sátiro favorito. — Juanito! — Exclamou alegre.  

Pronta, começou a correr naquela direção crente que era a saída, mas parou quando sentiu uma mordida em sua mão. — Ai. —  Reclamou irritada olhando para o animal. Estava prestes a ir novamente para lá, mas parou quando os dentes do tatu cravaram novamente a sua pele. Dessa vez foi forte o suficiente para fazê-la largá-lo. Antes que ela pudesse verificar se ele estava bem por conta da queda, o animal escapou de suas mãos e correu em direção a lareira com o restante de forças.  

—  O que está fazendo?!
—  Esbravejou desesperada. Fechou os olhos não querendo presenciar churrasquinho de tatu. Para a sua surpresa ele desapareceu nas chamas. O ambiente tremia violentamente, Aislynn não tinha tempo para pensar. Respirando fundo olhou para Juanito uma última vez.  — Espero não me arrepender — Sussurrou antes de seguir o animal e também pular nas chamas deixando para trás a luz.

Acreditando que iria morrer queimada, soltou um grito ao rolar na brasa. Para a sua surpresa, ao abrir os olhos não encontrou vestígio de fogo ou escuridão, muito menos tremores. Estava no chão sujo do sótão, o lugar que jamais imaginou ficar tão feliz em rever. O que jamais saberia, era que aquele vislumbre do Juanito era mais uma tentativa desesperada do espelho a prender para sempre. Antes de qualquer início de comemoração por estar livre, Aislynn avistou Quíron que a olhava atônito.  

O espelho estava sobre uma pequena mesa, e nas mãos do centauro havia um martelo de bronze celestial. O espelho começou a tremer e instintivamente os dois protegeram os olhos, segundos depois ele explodiu jogando estilhaços para todo o lado. A pele do centauro era resistente o suficiente para fazer apenas cocegas em sua pele, ao contrário de Aislynn que acabou tendo alguns pedaços enfiados no seu braço. Contudo ela não se importou, olhou para os lados a procura do seu salvador.  

—  Cadê você? — Perguntou, olhando nos cantos das caixas. Todavia, não demorou muito para uma pequena bolinha sair rolando e tocar em sua coxa. Sentindo algo frio, Aislynn se virou para ver e sorriu ao assistir o tatu desfazer a bolinha e lamber a sua cocha. — Obrigada pela mordida. — Riu ao pegá-lo. O animal parecia um pouco mais energético, na realidade até ela sentiu a diferença. Enquanto dentro do espelho parecia todo o tempo que o ar a sufocava, fora dele era libertador, um ar fresco até mesmo em meio a tanto pó. No entanto, ao olhar para Quíron o sorriso se desfez juntamente com a alegria.  

— Eu não sei como ou o que estava fazendo dentro deste espelho mocinha. — Disse com os braços cruzados. — Só sei que está bem encrencada. Passe na enfermaria e depois venha a minha sala. — A irritação era nítida em sua voz.  

— Sim senhor. — Concordou sem questionar, até porque estava sentindo-se exausta, o corpo dolorido e precisava tomar cuidado com os cacos em sua pele. Levantou e, encolhida, saiu do sótão sem olhar para trás com o animal nos braços. Havia se metido em grandes problemas, às vezes acreditava ter um imã para encrencas.  

— Não se esqueça de deixá-lo com um veterinário. — Falou antes de ela desaparecer e Aislynn sorriu de canto, gostando da preocupação do centauro não somente com ela, mas também com o animal.  

Quíron olhou para o espanador e o pano no chão, em seguida para os cacos de vidro ligando A mais B. "O espelho por si só era forte, imagina agora?" Lembrou das palavras da Baba-Yaga antes de olhar para a saída do sótão. Não sabia como Aislynn entrou no espelho, muito menos o que passou para sair: — Talvez ela não seja tão pequena assim.  — Sorriu de canto ao sussurrar a frase antes de também se retirar do lugar trancando-o ao fim. O melhor era deixa-lo assim até limpar os cacos do objeto, já que o deus do vinho sequer escuta seus pedidos.


EQUIPAMENTOS:
(O arco foi usado apenas no inicio da postagem, quando Quíron avista alguém (Aislynn) treinar)
• Arco [Um arco de ouro imperial com peso mediano possuinte de um cordão invisível onde ao se retesar, forma-se flechas luminosas de tons alaranjados. Segurando-a por muito tempo, é capaz de assistir a flecha escurecer proporcionando assim ao atirar o projétil, ver que ondas sonoras são capazes de se propagarem para auxiliar o semideus. Atirada inicialmente é capaz de manar ondas de 135 decibéis que fazem separar o vácuo, porém ao se aguardar um tempo relativo se concentrando na presa até sua ponta se avermelhar, a flecha será capaz através do som brando, vibrar os objetos e corpos a sua volta com 140 decibéis. Na sua lateral possui o nome do pai escrito no dialeto grego. | Efeito 1: Possui uma corda que aclama as flechas. | Efeito 2: Possui duas combinações de dois tipos de sons igualmente brandos. Todavia, a segunda opção poderá ser apenas destravada pelo semideus se não correr o risco de ser atacado por monstros ou humanos e possui o efeito de consequência por até dois turnos em eventos e um em missão. | Ouro Imperial | Espaço para um gema | Beta | Status: 100% sem danos | Mágico | Arsenal do acampamento]

• Faca de Bronze Celestial [ Uma faca de lâmina curta - cerca de 10 cm - com cabo em madeira envolvido em couro para tornar o manuseio melhor. | Não produz feridas em mortais. | Bronze celestial, madeira e couro. | Sem espaço para gemas. | Alfa. | Status 100%, sem danos. | Comum. | Nível 1. | Item inicial. ]
PODERES PASSIVOS AISLYNN:
Nível 21
Nome do poder: Pericia com Lâminas Curtas III
Descrição: O filho de Apolo/Febo sabe manusear uma faca como ninguém, além de atacar e defender com a arma, dificilmente é desarmado e, ainda por cima, usa de sua facilidade com mira, para arremessar sua arma.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +80% de assertividade no manuseio de lâminas curtas (facas, adagas, etc.).
Dano: + 30% de dano ao ser acertado pela arma do semideus.

Nível 20
Nome do poder: Verdades Ocultas II
Descrição: O seu personagem aprendeu a identificar as mentiras no ato, e consegue saber quando alguém está falando a verdade, ou tentando engana-lo, nesse nível poderes de charme e ilusão tem um efeito menor sobre seu personagem, apesar de atingi-lo, não terão o efeito total, que teriam com personagens sem qualquer tipo de imunidade ao poder.
Gasto de Mp:: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +20% de proteção ao ser iludido, enganado, ou cair em ilusões referentes a mente. (Pode tentar escapar, mas não consegue, porém, o efeito do poder será menor no semideus de Apolo/Febo).
Dano: Nenhum

Nível 20
Nome do poder: Senso de Direção
Descrição: Filhos de Apolo/Febo são ótimos com direções para se orientar assim como são ótimos com qualquer tipo de direção mecânica, podendo pilotar carros, motos e até mesmo aviões (em momentos de maior desespero, ainda que não sejam especialistas)
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum
Extra: Nenhum

Nível 17
Nome do poder: Concentração de Arqueiro II
Descrição: Arqueiros precisam se concentrar para acertarem o alvo, pois qualquer distração, podem fazer seu tiro certeiro sair pela culatra. Os filhos de Apolo têm a benção de seu pai, que faz com que eles sejam mais calmos e objetivos quando precisam realizar uma tarefa que exija concentração. Ao estarem usando o arco/bestas, essa concentração torna-se ainda mais fácil e natural de ser adquirida.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus:+ 25% de vantagem ao realizarem uma tarefa que exija concentração. +50% de facilidade em concentrar-se ao estar usando o arco/bestas.
Dano: Nenhum

Nível 16
Nome do poder: Ecolocalização
Descrição: Filhos de Apolo/Febo possuem a audição naturalmente mais apurada do que os outros semideuses. Capacitando-os de detectar a disposição dos corpos em um ambiente através de ondas ultrassônicas emitidas por eles, eles analisam as reflexões destas e com isso adquirem consciência da posição e distância dos ''obstáculos'' no arredor. Isso também faz com que possam interagir e alterar a rota de outros animais que se utilizam desta habilidade, como morcegos e golfinhos.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum

Nível 15
Nome do poder: Audição Aguçada I
Descrição: Músicos não possuem só uma capacidade técnica apurada, eles também têm um ouvido muito sensível e com os filhos de Apolo isso não seria diferente. O Semideus neste nível consegue distinguir os sons a sua volta, além de ouvir numa distância muito maior do que outros semideuses.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: + 30% de vantagem em escutar ao seu redor, diminuindo a chance de ataques surpresas contra ele.
Dano: Nenhum
PODERES PASSIVO DUPLO:
Nível 1
ome do poder: Imitação Sonora I
Descrição: O semideus poderá usar da própria voz para provocar imitações com extrema facilidade. Nesse nível, ele consegue apenas imitar vozes humanas e de alguns animais domésticos, dos quais são mais fáceis de se ter contato.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum

Nível 8
Nome do poder: Persuasão
Descrição: Apolo/Febo é um deus naturalmente bonito, e o chame do deus é passado para os filhos com uma precisão impressionante. Persuasão é o poder que permite ao semideus – através de palavras e gestos – conquistar as pessoas com mais facilidade, isso faz com que elas queiram ceder a você, ou sintam uma imensa vontade de te ajudar, mesmo sem saber exatamente o porquê. Basta um sorriso, um olhar, e as palavras certas, você é certamente um conquistador nato, e as pessoas acabam gostando de você.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +25% de chance de conseguir alguma informação
Dano: Nenhum


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Aislynn Prescott
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Re: [CCFY] Espelho, espelho meu

Mensagem por Hécate em Sab Jul 14, 2018 6:21 pm


Avaliação


Método de Avaliação:

Valores máximos que podem ser obtidos

Máximo de XP da missão: 3500 XP e 3500 dracmas

Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

Realidade de postagem + Ações realizadas: 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc: 19%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência: 30%


RECOMPENSAS: 3465 XP + 3465 dracmas + Tatu

STATUS:
HP:   315/320 (-5 pelos cacos de vidro;)
MP: 320/320

Comentários:

Boa tarde, chuchu! Sua missão foi encantadora, deu para ver que você pesquisou bem sobre o que enfrentava e o jeito como expôs as informações criou um ar de suspense muito bom de se ler. Também é interessante como resgatou eventos passados de seu personagem. Em suma, a trama foi bem construída, o personagem bem desenvolvido e tudo mantém-se coeso. O único defeitinho que encontrei foram alguns erros de digitação e pontuação (falta de vírgula), além dos seguintes erros de concordância:

Em "tornando-se mais nítido as silhuetas", o objeto da frase (o que está se tornando nítido) é "as silhuetas". Por isso "nítido" deve concordar com "as silhuetas" e não e necessário o "-se" em "tornando-se". A frase corrigida seria: "tornando mais nítidas as silhuetas";

Em "O ranger das escadas produzidos pelos meninos", "o ranger" é o substantivo da frase, sendo "das escadas" apenas um adjetivo. Logo "produzidos" deve concordar com "o ranger". A frase corrigida seria: "o ranger das escadas produzido pelos meninos";

Em "ela não demonstrava quaisquer indícios que pudesse ajudar", "que pudesse ajudar" se refere a "quaisquer indícios", e portanto os dois devem concordar. A frase corrigida seria: "ela não demonstrava quaisquer indícios que pudessem ajudar";

Em "dois garotos mais velhos que a perseguia no recreio", "perseguia" deve concordar com "dois garotos", a frase corrigida ficando: "dois garotos mais velhos que a perseguiam no recreio"

Foram poucos, considerando o tamanho do texto, e por isso o desconto de apenas 1% de XP.

IMPORTANTE: Você deve criar seu mascote neste tópico. Lembrando que ele passará por avaliação da staff para checar a questão de poderes.



ATUALIZADO!


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Hécate
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