The Blood of Olympus
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[CCFY] Hela Ahn Deverich - Alma Mortal

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[CCFY] Hela Ahn Deverich - Alma Mortal

Mensagem por Hela A. Deverich em Qua Jun 13, 2018 9:18 pm

Cause I'mma be me 'til the death of me
 ʤ  listening wreak havoc with xxx ʤ words: 4840  ʤ


“Nas histórias, dos antigos contos de fadas, um herói sempre aparece. Mas todos os meus heróis estão longe ou mortos. Ninguém vai aparecer para mim.”
- A Rainha Vermelha

Hela sabia, depois daquele tempo, que havia atingido o ápice de seu lado divino. Não havia nada que ela não conseguisse fazer quando se tratava de dominar o sangue mágico em suas veias. Ela havia se tornado uma exímia guerreira e agora só precisava manter o seu condicionamento.

Entretanto, a Deverich não parava de pensar em seu lado mortal. E era isso que martelava em sua cabeça enquanto a água quente corria por entre os cabelos escuros que agora estavam mais curtos do que jamais haviam estado em toda a vida de Hela. Embora ainda estivessem próximos da altura da cintura da jovem adulta.

A semideusa vestiu o pijama antes de sair do banheiro, secando o cabelo com a toalha em uma calma que ela jamais imaginar que teria. – Oi. – Sorriu para a namorada, deitada em sua cama. Hela sentia-se feliz e completa ao lado de Pipper. Mas ainda tinha sede de vingança. A mesma sede que a fizera firmar sua lealdade em Érebus. Embora essa sede fosse subjugada para os cantos mais ínfimos de sua mente enquanto estava com a namorada.

Deitou ao lado da mais nova com a toalha enrolada em sua cabeça. Pipper estava de novo com o livro de física e tudo que Hela conseguia fazer era torcer o nariz. Hela não era boa em física. Embora se saísse bem com quase todas as matérias, física era seu calcanhar de Aquiles. Ainda mais depois que se descobrir semideusa.

Toda aquela noção que Newton, Einstein e outros cientistas haviam dado pareciam meio falhas quando ela parava para pensar nas coisas que via em seu dia-a-dia. – Amanhã eu vou ao mundo mortal. Preciso pegar o que é meu, hm? Não se preocupe. Não é para ser nada perigoso. Eu posso te buscar depois, se preferir. Talvez até seja melhor por causa do colégio. – Sussurrou, passando os dedos pelos cabelos escuros da Kang.

Uma das poucas coisas das quais Hela tinha certeza, era que amava a namorada. Amava Pipper. Faria qualquer coisa por ela. Matar. Morrer. Nada importava. Pela garota, Hela desceria até as mais profundas camadas da imoralidade e não se importaria em passar por cima de ninguém.

Perdeu a noção de quanto tempo ficou ali, acariciando a cabeça de Pipper, a olhando com a mesma admiração tola de sempre. Pipper trazia para Hela uma espécie de inocência que ela perdera havia muito tempo.

Observou a garota fechar o livro sem dizer nada e então se ajeitar perto de si. Embora a filha da Noite tivesse seu próprio quarto, tanto ela quanto Hela fazia questão de dormirem juntas. Com tudo que acontecia, Hela não queria perder qualquer segundo que podia passar com a jovem.

Mas seria necessário, ao menos pelos próximos dias.

Quando o dia amanheceu, Hela se levantou com o maior cuidado possível para não acordar a menina. – Já vai? – ouviu a mesma sussurrar enquanto tirava a blusa do pijama. Suspirou de forma pesada, pegando uma das regatas brancas na gaveta e a vestiu antes de se virar para Pipper. – Já sim... me desculpe. É só por uma semana. E eu volto inteira. Prometo. – Se curvou sobre a mesma, deixando um selar sobre a testa da mais nova, que sorriu.

Pegou a camisa social e a colocou, abotoando até o último botão antes vestir o blazer. – Aonde vai? – Pipper parecia desperta ao ver que Hela não teria problemas em falar. A necromante sorriu, se sentando na cama para calçar as botas de salto alto que não usava havia muito tempo. – Já disse, tenho que resolver umas coisas da empresa, lembra? Se nenhum monstro aparecer, nem vou precisar das armas que estou levando.

Pipper pareceu aliviada por Hela não estar procurando encrenca, mesmo que procurar encrenca fosse exatamente a missão da necromante. Hela estivesse escondendo a parte perigosa sobre a empresa: os mafiosos que seu pai mantinha a tiracolo, comendo nas palmas das mãos de Jack. Era deles que Hela estava indo cobrar favores. De cada um deles. Precisava desses favores para concluir o plano de vingança. Ainda que ela não estivesse feliz com isso e essa ideia lhe causasse certa repulsa.

Ela traria seu pai de volta com um ritual de necromancia. E o faria sofrer. Tiraria tudo o que ele tinha. O deixaria na sarjeta com todos os “pobres desprezíveis” de quem ele sempre reclamou. Hela era boa com vinganças e tinha quase certeza total de que ele havia deixado a empresa para ela. Sabia que ele não iria deixar sua filha favorita se envolver com a laia de gente que ele havia se envolvido.

Mas Hela? Bem, Hela era escória para ele. E ele esperava viver mais do que ela. Então, se a empresa ficasse para a garota porque ele veio a falecer antes, não haveria peso algum em sua consciência. Hela era tão suja quanto ele. E ele não teria problema em lhe provocar problemas e sofrimento. Não. Hela não passava de um item descartável.

Olhou a mala sobre a cômoda e respirou fundo. Não sabia se estava pronta para visitar todos aqueles lugares. Não sabia bem como reagir a eles. Que os deuses a ajudassem porque havia muita gente que ele veria sem estar minimamente pronta para ver. Fazer o que estava prestes a fazer iria revelar para o mundo sobre ela e isso chamaria muita atenção. Fosse da Seita – que a estava caçando –, da polícia – pelo desaparecimento de sua família e seu reaparecimento – ou até mesmo de civis comuns que haviam ajudado a tornar sua vida um verdadeiro inferno.

Ela não estava pronta para rever seu passado e a sucessão de coisas que a haviam feito quem ela era. Não estava confortável com aquela ideia. Mas precisaria fazer. Necessitava seguir em frente e assumir o controle de tudo, antes de trazer Jack de volta dos mortos.

Sua respiração saiu pesada ao que ela se virou para olhar Pipper. Estendeu a mão, segurando cuidadosamente no queixo da mais nova e beijou-lhe cuidadosamente sobre a testa, olhos, bochechas e, por fim, nos lábios. – Eu volto logo. Eu prometo. – Sorriu para a menina, se colocando de pé. Podia sentir o aperto em seu peito, quase a dominando. Entretanto, sabia que os filhos de Trivia já estavam com o portal praticamente pronto.

Ela iria do Acampamento direto para Nova Iorque. – Até mais. Amo você. – Murmurou para Pipper, pegando a mala antes de se retirar do cômodo. Desceu as escadas, alimentando o corvo e o dragão antes de sair de dentro da casa.

Notou que Kyle e Soren estavam parados em seu jardim, os cumprimentando com um aceno.

Se aproximou de seus irmãos romanos, sorrindo um pouco. – Obrigada por me ajudarem. – Eles sorriram de volta, encolhendo os ombros. – Sem problemas, Deverich. Seja cuidadosa. Não perca seu foco. Não nos responsabilizamos por efeitos colaterais. – Kyle disse com medida paciência.

Soren recitava o cântico em latim enquanto o portal começava a se materializar. Hela podia sentir a fluidez da magia de Kyle para o corpo de Soren. – Adeus. – Foi tudo que disse antes de mergulhar para dentro do portal e se focar na cobertura que tinha em Nova Iorque. Seu quarto. Amplo. Claro. Limpo. A vista para o Empire State. Seus ouvidos começaram a doer pela pressão e ela parecia estar sendo sugada por um vórtice de energia somente para ser cuspida em seguida.

Caiu no chão com um baque surdo, bem ao lado de sua cama. Um resmungo baixo passou pelos lábios da jovem, que parecia ter o coração pulsando nos ouvidos pela pressão que o portal de Soren criara contra seu corpo. Não se preocupou com a mala, pegando apenas a faca de ouro imperial de dentro da mesma.

Se levantou ajeitando-se e batendo a poeira. Seus olhos percorreram o espaço, sem demorar para se deixar ser guiada por seus pés até o antigo escritório de Jack. Abriu a porta, caminhando firmemente até o quadro que sempre estivera atrás da mesa. O puxou com uma quantidade razoável de força, abrindo a porta que cobria o cofre e digitou a senha – que nada mais era do que o número do aniversário de Robin –.

Seus olhos não demoraram para encontrar a caixa de madeira onde os arquivos sobre mafiosos ficavam. Pegou três pastas de papel pardo e as colocou sobre a mesa. Em seguida, puxou a mala preta e de aspecto profissional. Hela a abriu, notando que a Glock estava muito bem guardada e até mesmo limpa. Sabia que Jack era obcecado com a limpeza de suas armas. Mas esperava encontrar apenas uma 9 milímetros.

Hela pegou a arma pela coronha e colocou o cano, encaixando a mola em seguida. Colocou o ferrolho e pegou um dos pentes que estavam cheios dentro da mala, o encaixando no devido lugar. Sabia que deveria ser cuidadosa, mas não se importou muito em engatilhar a arma antes de prendê-la ao cós da calça justa e cobri-la com o blazer.

Fechou a mala, a devolvendo para dentro do cofre só para trancá-lo novamente.

Pegou as pastas de papel grosso e amarelado, suspirando de forma pesada ao caminhar até o elevador. Se tudo estivesse nos conformes, ao menos um dos carros ainda estaria na garagem. Olhou o porta chaves, notando que não havia nenhuma pendurada ali. O que indicava que alguém poderia ainda frequentar aquele lugar. O pensamento a fez estremecer.

Entrou no elevador, olhando pacientemente ao redor enquanto este descia em sua tradicional calma. Afinal, era ela quem estava nervosa. O elevador não seria, obviamente, afetado pela sua ansiedade. Com o estômago dando voltas e voltas, ela saiu na garagem procurando pelas vagas da cobertura e um suspirou de alívio tomou conta de seu ser ao notar que ao menos um dos carros estavam ali.

Sorriu levemente, abrindo a porta do motorista e se ajeitou no banco, enfiando as pastas sob o banco do passageiro. Hela abriu o porta luvas, sem surpresa alguma em encontrar a chave reserva no local. Jack era meio previsível. E bastante idiota. Ligou o carro, dirigindo para fora do estacionamento sem grandes dificuldades.

Em meio a sua confusão semidivina, Hela havia atrasado muitas coisas de sua vida mortal como, por exemplo, o ingresso em uma faculdade e até mesmo a renovação de sua licença de direção. E, por sorte, esta última ainda estava válida. Dirigiu na maior velocidade que o trânsito permitia até que estivesse entrando no estacionamento do grande prédio espelhado.

Não teve problemas em digitar o código de segurança que pertencia a seu pai. Sabia que ele não seria mudado porque ninguém imaginava que qualquer pessoa vivente soubesse qual era a combinação de números que dava a Jack acesso ao estacionamento.

Parou o carro na vaga de visitantes e olhou a arma com atenção, a devolvendo para a parte detrás de sua calça. Pegou os arquivos embaixo do banco, lendo-os rapidamente. Os nomes em caixa alta e letra negritada não lhe faziam se sentir melhor. Trump. Clinton. Huckabee. Este último, um líder religioso.

Hela os chamava de mafiosos. Eram homens cruéis e que pensavam apenas em ganhos financeiros, um deles até mesmo usava da fé de humanos para isso. Seus olhos percorreram a primeira folha. Quanto sangue havia em suas mãos? Quanto sangue sua família tinha ajudado a derramar?

Socou o volante, descendo do carro com os arquivos e pegou o elevador. Não demorou para pegar o elevador, subindo até o último andar. Saiu na recepção, vendo uma ruiva muito bem vestida. – Bom dia. Em que posso ajuda-la? – o sorriso brilhante, de dentes brancos e perfeitamente alinhados não passava de mera cordialidade. – Quero ver o CEO. Diga à ele que a filha de Jack Deverich está aqui.

Ela arregalou os olhos escuros, se levantando mais do que depressa. – Pensando bem. Eu vou com você. – Hela disse com calma, se aproximando da jovem. Seus olhos percorreram o lugar. Era tudo muito bem limpo, quase clínico. A ruiva parecia nervosa enquanto andava com Hela em sua cola pelo corredor.

Hela sentia os olhares sobre si. Sabia que alguns dos funcionários estavam de olho nela. Sabia que alguns podiam reconhece-la. Ela podia sentir seus olhos, sua aura, absorvendo a confusão de sentimentos que as pessoas tinham.

Pararam em frente à sala que pertencera a Jack, a ruiva colocou a cabeça para dentro da sala. – Com licença. A senhorita Deverich está aqui. – Ouviu a voz grave e sentiu o gelo preencher seu corpo. Não, não podia ser real. – Mande-a entrar. Imaginei que ela não demoraria a vir depois de saber que Jack desapareceu.

A ruiva olhou para Hela cheia de medo. Colocou a mão sobre a da mesma e puxou a porta, fechando-a. – Olha, não precisa dizer nada em voz alta. Só pisque uma vez caso a resposta seja sim. – Hela sussurrou de forma que só a garota ouvisse. – Ele já te assediou? Ele já tocou em você? – a ruiva parecia assustada. – Jack já tocou em você? – a ruiva piscou uma vez, mantendo os olhos fixos aos de Hela. – Ela vai entrar ou não? – ouviu a voz do homem de dentro da sala.

Hela respirou fundo, mordendo o inferior. – O cara que está ali dentro, Daniel Hunther, ele já tocou em você? – ela abaixou a cabeça. – Pode me dizer. – A garota assentiu e Hela tirou a mão, deixando a mesma sair. Hela abriu a porta com força, notando a surpresa de Daniel. – O que foi? Esperava a Robin? – disse com convicção ao fechar a porta atrás de si.

Caminhou até a poltrona, se sentando na mesma e o olhou nos olhos, um sorriso maníaco no rosto. – Você está bonita, Hela. Cresceu bem. – A morena colocou os arquivos no chão, aos seus pés, e olhou para o homem em sua frente com uma expressão de escárnio. – Você continua drogando e embebedando menininhas para transar com elas, Danny?

Você continua viciada, Hela? – ele se debruçou sobre a mesa, parecendo desconfortável com o assunto. – É difícil não ser viciada quando um cara mais velho batiza sua bebida. Mas temos negócios para resolver. O fato de você ter me estuprado quando eu tinha quinze anos não entra nesse diálogo. Não agora. – A semideusa puxou a arma da cintura, a colocando em um ponto visível sobre seu colo. – O que você pretende fazer?

Eu vim conversar. Por enquanto. Só conversar. – Sorriu levemente, olhando-o nos olhos. – Eu quero que você se demita. Você pode fazer isso ou eu posso te demitir por assédio. E eu não tenho dúvidas de que eu rapidamente encontraria algumas crianças com que você teve um... “caso”. – Ele a olhou com atenção. Parecia querer discutir. – Como vai provar isso?

Hela abaixou o olhar para a arma, cruzando as pernas somente para ergue-las e apoiar os pés sobre o tampo muito bem polido da mesa. – Eu tenho olhos e ouvidos em lugares inimagináveis. Mas se você se recusar, eu posso te matar e sumir com o corpo. – Seu tom de voz se tornou sombrio enquanto ela erguia a Glock, mirando no centro da testa de Daniel. – Você não sabe usar isso.

Acho que você pode não querer descobrir. E, para o caso de querer, eu recomendo que você pense duas vezes. Se a minha mira for ruim, eu posso te fazer sofrer muito até sua morte. – Tudo era dito com uma tranquilidade surpreendente. Hela não tinha medo de retaliações. Não por parte de mortais. Talvez dos deuses. Talvez. Ainda assim, não hesitaria em fazer o que quisesse. Ela já vira Jack cobrir crimes piores. – Certo. Eu me demito.

Sabia decisão. – Ela sorriu, se colocando de pé. – Agora, vamos anunciar para seus colegas. – Hela o acompanhou para fora da sala, olhando com atenção para a movimentação do corpo de Daniel. Não saberia dizer se ele estava armado, mas duvidava disso. Daniel sempre fora o tipo de cara com péssimo senso de proteção. Os olhos da garota pousaram sobre os outros membros da equipe quando o homem patético começou a fazer o anúncio.

Ela podia sentir os olhares em suas mão. Talvez se perguntando o quanto da demissão fora vontade de Danny e o quanto fora ela o obrigando sob coação. Então, Hela simplesmente virou-se colocando a arma na boca de Daniel enquanto ele falava. Notou alguns dos funcionários ficarem de pé e ergueu a destra, pedindo silenciosamente que eles permanecessem no local em que estavam. – De joelhos, Danny. Eu sei que você é abusivo para um caralho.  

Sejam sinceros comigo. Esse homem tornou a vida de vocês um inferno? Porque se a resposta for sim, vocês tem a oportunidade de vingança agora. – ela sorriu, não era um sorriso como os que dava para sua irmã, Pipper ou os amigos que tinha. Era um sorriso um tanto doentio. – Sabe o que eu quero, Danny? Eu quero que você rasteje até os seus colegas e beije os pés deles. Peça perdão pelos seus pecados. E não tente fazer gracinha. Eu passei os últimos anos treinando como manusear armas.

Hela retirou a Glock de dentro da boca do loiro, vendo-o engatinhar em direção às mesas, beijando os pés de cada um dos funcionários que olhavam atônitos para Hela. – Não vim para ser igual meu pai. Aliás, se temos algo em comum é o fato de que nós todos odiamos Jack. Ele era um homem repulsivo. E eu espero que ele esteja morto. De preferência, queimando no Hades. – tudo que ela falava soava friamente calculado, muito tranquilo e sem emoção enquanto ela limpava a arma com um lenço.

Não sou o tipo de pessoa que pede ajuda pra encobrir a minha sujeira. Não que eu não tenha nenhuma. Mas vocês já têm muitos problemas criminais graças a essa família. Eu não vou ser mais um. – ela finalmente voltou a olhar nos olhos dos funcionários, percebendo que Daniel estava de joelhos aos seus pés. – Você tem quinze minutos para limpar a sala. Não se atreva a tocar nos arquivos que estão no chão. Eu te mato se fizer isso. – foi tudo que disse. Seus olhos observaram o homem se colocar de pé sem ter a coragem de olhá-la nos olhos.

Quem é responsável pelo contato com a mídia? – viu uma jovem franzina erguer a mão, Hela havia dissipado toda a névoa do seu entorno, queriam que os funcionários a vissem como ela era. Os olhos vermelhos de ódio e ira contidos, as tatuagens, a magreza e o ar de poder que a acompanhava. – Você poderia marcar uma coletiva, por gentileza? Eu gostaria que fosse para amanhã.

A morena assentiu, pegando o telefone. – Senhorita Deverich? – ouviu a voz de um rapaz, que não devia passar dos vinte e três, a chamando. – Sim? – voltou a atenção para ele, guardando a arma no local que estava antes. – Eu já vi… seu rosto. Não está sendo procurada por invasão de propriedade privada?

Hela sorriu, se aproximando do garoto. – Você tem medo? De mim e das pessoas que estão sendo caçadas pelos eventos daquela época? Seja sincero. Eu sei quando estão mentindo. – ele engoliu seco. – Não é medo. Mas… eu não compreendo como… como pessoas podem fazer aquelas coisas.

Hela pegou o abridor de cartas que havia sobre a mesa do garoto, puxou a manga do blazer até o cotovelo e abriu um pequeno furo no braço. – O que você vê? – ele pareceu um pouco assustado. – Vamos, garoto. Eu não estou zangada. Estamos só conversando. Segure meu braço. – ele o fez, parecendo relaxar um pouco. – Pareço real para você?

Ele assentiu, olhando Hela com alguma curiosidade. – Eu sei que você é real. Mas… eu não sei o que pensar sobre isso… – ele soltou o braço da necromante, olhando ao redor. Haviam muitos olhares sobre eles. Hela tirou o blazer, olhando rosto por rosto. Não sabia o quanto podia falar para os mortais sem complicar tudo. – Vocês só precisam saber que gente como eu nunca foi parte dos vilões. Pelo contrário, estamos sempre tentando manter vocês vivos. Falhamos algumas vezes, mas é porque somos humanos também. Eu não posso falar muito sem tornar as coisas piores para vocês. Mas prometo que nem eu e nem outros como eu faremos mal.

Eu ainda devo marcar a coletiva? – a garota voltou a se manifestar, parecendo confusa. Hela riu. Estava sob tanta tensão nos últimos tempos que uma simples pergunta como aquela foi capaz de fazê-la rir em uma tentativa de aliviar a tensão. Algumas pessoas acompanharam, como se também precisassem daquilo para se recuperar do choque inicial. – É. Deve. Me avise o horário, sim?

A menina assentiu e Hela apertou o tecido levemente áspero do blazer, caminhando para sua sala. Notou que Daniel estava saindo no exato momento em que ela se aproximava da porta. Mais que depressa o homem abaixou a cabeça e saiu pelo corredor, a necromante apenas suspirou pesadamente e entrou na sala, fechando a porta atrás de si. Seus olhos fixaram-se nos arquivos que estavam no chão. Exatamente como ela havia deixado.

Colocou a arma sobre a mesa e limpou a cadeira, revirando os bolsos do paletó na esperança de encontrar ali o telefone que recebera de sua cunhada. O estava mantendo por perto desde que o havia recebido. Demorou um pouco mais do que o desejável para encontra-lo e então fez a ligação.

Recolheu as pastas do chão, as colocando sobre a mesa, olhou a primeira folha de cada uma delas antes que Evie finalmente atendesse. – Eu posso ter me atrapalhado com o fuso... ainda é muito cedo aí? Se for uma hora ruim, eu posso ligar mais tarde. – esperava que não estivesse atrapalhando nada. Como ela notara recentemente, sua cunhada tinha uma família. Possivelmente gostava de aproveitar o tempo livre.

Bem, eu preciso te dizer que tenho um arquivo que é bem interessante comigo. Eu não sei o quanto eu posso vazar para você sem me colocar em risco. Mas você pode tentar procurar as coisas com mais... vontade. – Hela abaixou o olhar para o arquivo da família Trump. Seus olhos percorreram todo o resumo de algumas das ações do presidente. Espionagem, suborno, compra de votos e assassinato eram apenas a ponta do iceberg. – Eu tenho preferência por te entregar isso pessoalmente. Longe dos olhares dos romanos. Se puder me encontrar daqui dois dias, eu te mando o endereço.

Quando recebeu a confirmação de Evie, Hela achou melhor simplesmente juntar tudo e voltar para a cobertura. Precisava organizar as coisas e descobrir se realmente tinha alguém morando em sua casa.

Assim que desceu no elevador, no entanto, não precisou de fazer uma grande investigação. Pôde ouvir a voz familiar de um homem adulto que devia ter por volta de seus sessenta anos. Hela sentiu a garganta se fechar e parou na sala com os olhos cheios d’água e uma expressão incrédula. – Rafael. – disse alto o suficiente apenas para fazer o homem se virar e dizer que precisava desligar o telefone. – Hela? Hela! Você está viva, menina!

A garota sorriu, jogando as pastas, paletó e a arma no sofá. Caminhou em passos apressados até o homem e o abraçou. Rafael era um dos funcionários de Jack que o ajudava a limpar sua bagunça. Ele estava com a família dela desde que ela conseguia se lembrar. E era ele o responsável por cuidar dela sempre que Jack se cansava dela. Diferente de todos os outros, o homem realmente tinha um apreço pela menina.

Ele a afastou, segurando pelos ombros da necromante para olhá-la. – Você cresceu bem, que mulher linda você se tornou! Achei que aquele mala sem alça do seu pai havia te matado. Eu te procurei tanto nos últimos anos para anunciar o sumiço dele. Olha só para você! – a garota riu baixinho, colocando as próprias mãos nos ombros do velho amigo. – Eu fugi. Nem mesmo ele sabia onde eu estava. Eu senti tanto a sua falta, Rafael. Ele me disse que você tinha morrido naquele trabalho na Pensilvânia.

O homem negou com a cabeça, risonho. Rafael era o avô que ela nunca teve. – Bem, o que acha de comermos? Por quanto tempo pretende ficar? – ele parecia empolgado enquanto caminhava para a cozinha, sendo seguido por Hela. – Vou ficar uma semana apenas. Preciso voltar para minha namorada. – ela sentiu as bochechas esquentarem ao falar de Pipper. – Namorada? Achei que você nunca mais iria namorar ninguém depois daquele garoto.

Hela abaixou a cabeça. Havia muito tempo que ela não pensava em muitas coisas. O namorado morto e o filho que perdera antes mesmo de ter a chance de saber como ele seria eram algumas delas. – Eu tento não pensar no passado, Rafael. Estou bem melhor agora. Eu... preciso te pedir uma coisa. Ia encontrar uma amiga aqui porque achei que estava sozinha... seria muito abuso pedir para você sair na quarta? Eu preciso mesmo ficar só com ela.

Ele riu, colocando uma lasanha para descongelar no micro-ondas e balançou a cabeça. – Claro que não! Podem ficar à vontade. – ele disse com calma, se sentando em um dos bancos próximo ao balcão da cozinha. – Obrigada! – Hela sorriu abertamente, se sentando ao lado do homem de meia idade.

Conversaram por um longo tempo, Hela contou a ele tudo que achou pertinente e ele simplesmente contou tudo para ela. Disse que uma vez por semana uma moça espanhola ia lá para limpar o lugar, mas que o quarto de Hela era praticamente intocado. Também contou sobre onde escondera as outras armas e arquivos mais antigos, o que fez Hela respirar um tanto aliviada. Havia mais coisa. E estava bem guardada.

Quando acabaram, a garota seguiu para o quarto e tomou um banho. Se surpreendeu ao olhar o closet e ver que suas roupas estavam limpas. Não demorou para se vestir e cair na cama de lençóis cheirosos e macios.

Sua noite começou tranquila, mas quando um vento frio invadiu as janelas, Hela se levantou para olhar ao redor. Estava com a sensação de ser vigiada. Pegou a faca de ouro imperial que estava debaixo de seu travesseiro e caminhou pelo quarto calmamente. Não havia ninguém no cômodo. Sequer havia um indício de que alguém além dela passara por ali nas últimas horas. Sabia que poderia ser um deus, mas ainda assim, não relaxou. Mexeu na gaveta do criado mudo ao lado da cama, procurando por algum remédio que a ajudasse a dormir.

Ao invés disso, encontrou um frasco com anfetaminas e pequenos pacotes fechados de cocaína. Ninguém mexera em suas gavetas. Disso ela tinha certeza. Caminhou para dentro do banheiro com o frasco e os sacos em mãos. Abriu-os, jogando tudo dentro do vaso antes de apertar a descarga repetidas vezes. Havia sofrido demais para se livrar daquilo e queria distância. Provavelmente não havia ninguém. Era só a sensação que ela tinha quando Erebus a vigiava. Jogou o que restou no lixo e lavou o rosto.

Caminhou até o banheiro comum e pegou duas aspirinas, tomando-as antes de retornar ao quarto e dormir profundamente. Não teve mais nenhum sonho ou sensação estranha e quando acordou na manhã seguinte com Rafael dizendo que Carly – a garota da mídia – havia marcado com a imprensa às duas da tarde, tudo que ela fez foi tomar café e se arrumar para ir ao local marcado.

Se colocar na mídia para atrair a atenção do que restara da Seita era um plano arriscado. Sabia que alguns homens que estavam envolvidos por traz do projeto tinham um passado sujo com sua família. Por essa razão, tudo que Hela desejava era que eles viessem atrás de si com a certeza de que não poderiam feri-la sem jogar tudo aos quatro ventos. Tudo fora friamente calculado. Ela estaria anunciando que o poder da empresa voltara para a mão de um Deverich de sangue. E que eles estavam dispostos a negociar com quem desejasse.

Esperava ser subjugada pelos líderes que buscava atingir. Era uma asiática magricela com pouco mais de um e sessenta. Era mulher. Era a perfeita combinação do que os homens esperavam ser uma mulher submissa. Pequena e magra. Aparentemente muito frágil. Vestindo uma roupa clara, bem cortada e sapatos de salto. Ela esperava passar uma imagem de beleza e vulnerabilidade, embora não pudesse conter a postura de nobreza que sempre mantinha.

Aquele pronunciamento devia bastar para ela ser procurada por algumas pessoas importantes. Inclusive membros da própria Seita e do governo. Assim que a conferência acabou, ela tratou de sair do local. Podia ser uma semideusa, mas não era estúpida. Seus olhos procuraram em cada canto por alguém que não estivesse bem-intencionado ali e, felizmente, ela não encontrara ninguém.  No dia seguinte ela se encontraria com Evie. Estava tão ansiosa que podia sentir cada pequeno nervo de seu corpo formigando. Elas iriam mudar as coisas.

A quarta chegou. E com ela, trouxe uma Hela impaciente. Os olhos da menina não paravam quietos em uma só cor. Ela usava uma roupa de verão. Shorts, uma camiseta justa e o cabelo em coque. Estava descalça e tomando um iogurte quando sentiu a magia se aproximando antes de “cuspir” Evie em sua sala de estar. – Oi, Evie. Como foi a sua viagem até aqui?




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Re: [CCFY] Hela Ahn Deverich - Alma Mortal

Mensagem por Evie Farrier em Sab Jun 16, 2018 9:33 pm




Deverich
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O som do impacto do meu punho com o saco de treinamento era alto, breve e repetitivo. A cada soco aplicado no item era como uma descarga de raiva e frustração, algo que me motivava a bater mais uma, outra e mais uma vez. O ritmo parecia interminável, o suor escorria por meu corpo fazendo com que a camiseta escura grudasse em minha pele. A respiração era sutilmente arfante, pois tentava controla-la para sustentar aquele treino árduo. Felizmente, tinha encantado aquele item um pouco antes de começar a amaldiçoa-lo com meus golpes.

Essa era uma das formas mais eficazes de dissipar o estresse que me consumia cada vez mais. Nova Roma precisava ser reconstruída. A seita precisava ser caçada e demônios precisavam ser identificados. Definitivamente alguém precisava nomear melhor as coisas, pois a ironia poderia fazer qualquer um rir ao falar sobre. No entanto, talvez o que deixava meus músculos mais tensos e provocava a minha insônia, fosse o luto eterno que cobria o meu lar. Centenas de vidas haviam sido perdidas e uma delas em particular... Era justamente de alguém que eu costumava chamar de “minha luz”. A frustração de não entender direito o que Sun Hee passou, o momento em que falhei para com alguém que considerava minha família...

O soco desferido foi forte, como se assim que pudesse golpear o pensamento que provocava tanto incomodo. Coloquei as mãos enfaixadas com ataduras sobre o quadril, afastando do saco que balançava de um lado para o outro depois do grande impacto que absorveu. Andei pela minha sala de treinamento, jogando a cabeça para trás enquanto tentava lidar com aquele turbilhão de pensamentos e sentimentos.

“First things first
I'ma say all the words inside my head
I'm fired up and tired of the way that things have been, oh ooh
The way that things have been, oh ooh”

O primeiro trecho da música Believer começou a ressoar pelo cômodo, anunciando que alguém tentava entrar em contato. Poucas pessoas tinham o meu número particular, principalmente porque semideuses tinham o costume de usar mensagens de íris para se comunicar. Grata por aquela interrupção, peguei o smartphone divino e um princípio de sorriso rebuscou meus lábios. Ali estava um nome que provocou uma surpresa agradável.

Olá cunhada! E não, não é uma má hora para conversarmos — Era perfeita na verdade, mas não falaria aquilo, pois daria aberturas para perguntas que não seriam respondidas. — Em que posso ajuda-la?

Tinha oferecido um aparelho exatamente igual aquele que segurava contra o ouvido a filha de Hécate. Como mencionado antes, meios-sangues se comunicavam por mensagens de íris, o que poderia ser um problema caso alguma divindade quisesse se intrometer. O celular tornava as coisas mais particulares, na medida do possível. Sentei sobre um banco mais próximo, escutando atentamente a garota grega. Eu não conseguia evitar a excitação por algo finalmente está acontecendo. Recentemente tinha aprendido a valorizar o poder da informação, por isso ao receber um convite como aquele, não hesitei em nenhum instante.

Eu irei ao seu encontro, não se preocupe quanto a discrição. Passe a sua localização e a hora, então nos encontraremos.

A ligação foi encerrada de maneira simples, mas enquanto encarava o celular em minhas mãos, permiti que um sorriso de verdade crescesse. Sem perceber, o estresse que estava sentindo estava desaparecendo aos poucos, dando lugar ao cansaço e a fome. Kyra iria brigar comigo por tomar todo o sorvete das crianças, mas lidaria com problemas domésticos depois.

(•••)

“Sintonize na CNN” – Nikolaev.

A mensagem que chegou no celular no meio da tarde me fez franzir o cenho. Largando a papelada que tinha a minha frente, sai do escritório em minha casa e corri para a sala de estar. Nate e Benjie estavam fingindo assistir desenho animado, pois em verdade estavam adormecidos sobre o estofado confortável. Abri um sorriso, pensando em leva-los para o quarto depois de verificar o significado daquela mensagem.

Capturei o controle remoto em meio as almofadas e troquei o canal de desenho pelo de notícias. Meus olhos dobraram de tamanho enquanto via a filha de Hécate vestida como uma empresária de sucesso, a frente de inúmeros repórteres. Desde o incidente dos monstros e da captura de inúmeros semideuses, eu tinha pedido a Alexandra Nikolaev para que me mantivesse informada diariamente de qualquer coisa no mundo humano. Aquilo era um grande coisa. Aumentei um pouco do volume, escutando o pronunciamento da namorada de minha meia-irmã. Quem diria que ela fosse se tornar alguém tão importante no mundo dos negócios? Por um breve momento, permiti sentir um pouco de preocupação. Um ato público como aquele apenas chamava a atenção, seria uma estratégia da pequena oriental?

Soltei um suspiro, dando de ombros quando o pronunciamento acabou. Eu pouco poderia saber sobre Hela Deverich, mas tinha certeza de que ela era uma sobrevivente. Pelo tanto de campos de batalha que compartilhamos, e por termos saído vivas dele, eu sabia que a filha da magia não compraria uma briga pela qual não soubesse lutar. No momento seguinte, minha curiosidade apenas parecia ter se multiplicado em força. Que tipo de informação ela poderia estar pronta para me entregar?

Depois de colocar as crianças para dormirem no próprio quarto, voltei ao escritório disposta a deixar tudo pronto para que pudesse me ausentar por um turno inteiro. A vida como senadora era ainda mais tediosa e puxada do que como pretora. Porém, definitivamente melhor do que uma exilada, o que me impedia de reclamar. No fundo, eu gostava de liderar, era um campo em que me sentia confortável e bem. Não comandar os legionários não me impedia de cuidar de todos os outros romanos. Eu só tinha de aprender como vencer batalhas políticas para poder sobreviver nessa guerra de interesses e posicionamentos.

(•••)

Evie, espere!

Kyra me impediu de criar o portal, entrando em meu campo de visão com seu olhar crítico ativo. Os dedos da ruiva ajeitaram meu cabelo, esticaram minha blusa e depois me analisaram novamente. Revirei os olhos perante aquela atitude da filha de Vênus.

Eu só estou indo encontrar a Hela, você sabe certo? — Comentei em tom divertido.

Não quer dizer que você precise ir desleixada — Kyra cantarolou antes de ficar na ponta dos pés e selar nossos lábios brevemente — Se você entrar em uma grande confusão, é bom voltar inteirinha, Farrier!

O riso escapou por meus lábios quase inaudível. Foi irresistível não beijar aquela mulher uma última vez antes de me afastar. Segurando o chaveiro, o transformei em minha espada para poder “cortar” o ar. Em verdade, a sensação que eu tinha era de rasgar a própria dimensão, abrindo uma fenda para o local que desejava ir. Pisquei acenei para minha namorada uma última vez, saltando para dentro da fenda que tinha acabado de abrir. Ao pousar, eu estava literalmente do outro lado do país, em uma bela cobertura em New York.

Hela, a semideusa que tinha me convidado para aquele momento, já me aguardava e cumprimentava. Sorri de maneira educada, afastando-me daquele rasgo no tempo e espaço, permitindo que o mesmo se fechasse. Estava usando roupas menos formais do que trajava desde que tinha me tornado uma senadora. Calças jeans rasgada, botinhas e uma blusa preta sem estampas. Estarmos informais naquele momento apenas me deixava mais confortável, mesmo que aquele fosse um terreno um tanto novo.

Depois de tantas viagens por portais e fendas, acabamos por perder aquela sensação de enjoo — respondi parando a um metro de distância da menor — Hela, devo dizer que você sabe como conquistar a atenção alheia.


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Re: [CCFY] Hela Ahn Deverich - Alma Mortal

Mensagem por Hela A. Deverich Ontem à(s) 3:20 pm

It's just my past.
 ʤ  listening xxx with Evie   ʤ words: 785 ʤ


As sobrancelhas de Hela se arquearam ao ouvir a cunhada, ainda que não houvesse surpresa alguma na expressão de seu rosto. Hela era a rainha dos planos suicidas. Sabia que com gente como ela vindo a público, semideuses anônimos teriam um pouco mais de chance. Primeiro, eles iriam querer derrubar os grandes peixes. Afinal, para os mortais, dinheiro era poder. Assim como influência. E Hela tinha ambos.

- Aceita? – estendeu a garrafinha com a bebida láctea tentando não se sentir estúpida. Não era dada a informalidades. Provavelmente, até aquele momento, Pipper havia sido a única pessoa de todos os acampamentos a ver suas pernas. Pensar naquilo a fez torcer o nariz um pouco. – Bem, é fácil conseguir a atenção sendo alguém como eu... se é que entende.

Deixou a garrafa sobre o móvel branco ao lado do sofá, pegando uma chave no bolso dos shorts. – Pode se sentar. Fique confortável. – olhou para os pés de Evie e fez um leve bico ao notar que a garota estava calçada enquanto seus próprios pés estavam nus. Parecia estranho que aquela tradição fosse mantida. Mas a menina não gostava de usar sapatos dentro de casa, mesmo que o fizesse na maior parte do tempo e para cômodos onde pessoas de costumes diferentes pudessem entrar.

Abriu a porta do móvel e pegou as pastas espessas, colocando-as nas mãos de Evie. Se sentou no braço do móvel em que Evie se encontrava. – Você pode estar confusa. Mas eu sei que precisamos de apoio para derrubar a seita. O meu pronunciamento é para que eles saibam onde me caçar. Mas para que me temam também. – podia sentir o estômago dando voltas e mais voltas enquanto cogitava contar tudo para Evie. – Não sou uma boa pessoa. Nem a minha família. Não conhecemos ou respeitamos honra ou moral, senão a nossa própria. Tudo que envolva os Deverich se resume em poder.

- O que você precisa saber é que ajudamos pessoas poderosas a chegarem onde estão. E fizemos coisas que poderia nos mandar para o túmulo só para garantir que nada do que ajudamos a fazer vai ser exposto. Evie, você precisa entender que assim que você ler os arquivos e ver os vídeos... não tem como voltar atrás. – olhava a romana com toda a intensidade que tinha dentro de si. Queria deixar claro que não era uma brincadeira. – Não deixe os seus filhos perto dessas coisas. Eu mesma passei dias sem dormir bem depois de ver alguns dos vídeos. Eu poderia sugerir que você mantivesse longe da Kyra. Mas algo me diz que isso tem chances gigantescas de não acontecer.

Tocou no ombro da senadora, apertando-o como se parar ter certeza de que estava acordada e não era apenas uma brincadeira de seu subconsciente. – Nada do que está aí é útil para você se você não conseguir suas próprias provas. Não pode usar o que estou te dando porque isso me mataria. O que eu estou te dando é um caminho. Você vai saber aonde ir e o que procurar com base no que está aí. E seu trabalho não vai ser fácil. Eu sei que meu pai era meticuloso. Seu trabalho vai ser quase impossível. Mas há sempre provas. Nas mínimas coisas. Eu sei. Jack... meu pai já falhou uma vez. Sei que há meios para você conseguir o que precisa.

Coçou a nuca. – Esses três são... políticos grandes. Dois deles... o religioso e os Trump, eu sei que estão com a seita. E eles vão ser minha chave para continuar imune. Também tenho arquivos de militares. Mas eles não seriam úteis para você. – abaixou a cabeça, incapaz de prosseguir enquanto olhava a garota romana. – Eu estou fazendo isso por ela. E pela pessoa que ela me fez ser. E, para as pessoas desse mundo, já é ruim o suficiente que sejamos mulheres e que estejamos juntas. Não quero que o fato de sermos semideusas se torne uma ameaça maior do que já é de fato.

- Eu já vi o quanto as pessoas podem ser más. Eu já vi o quanto o mundo é cruel. Eu sei que tudo, sempre, sempre pode piorar. Mas se eu puder impedir ela de passar por tudo isso... é o que eu vou fazer. – fechou as mãos assim que sentiu os tremores. Pensar em ter Pipper ferida sempre a deixava transtornada. – Por enquanto, essas pastas são o que eu posso te dar. Eu vou tentar te dar mais coisas. Só preciso ter acesso ao cofre. E para isso, eu preciso lidar com a papelada. Advogados e essas coisas. – Hela cruzou os braços, praticamente se abraçando. – Assim que eu resolver essas questões legais, eu devo conseguir mais coisas. Coisas que possam ser úteis de fato.





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Hela A. Deverich
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