The Blood of Olympus
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[O efeito de Sun Hee] Missões fixas de Claudia Ox Crowngärd

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[O efeito de Sun Hee] Missões fixas de Claudia Ox Crowngärd

Mensagem por Claudia Ox Crowngärd em Qui Maio 24, 2018 11:40 am


ESSA ROMA ESTÁ UM CAOS


Você sabe que a coisa está feia quando o Acampamento de Júpiter pede ajuda para proteger sua preciosa cidadezinha. Ainda mais quando ela é vigiada por todos os lados e cheia de legionários aposentados que ainda podem muito bem balançar uma espada. Ou eu acho que é assim. Nunca fui visitar para ver, na verdade. Mas essa situação está prestes a mudar, pois como uma boa semideusa me juntarei às forças gregas para ajudar a salvar o dia ou morrer tentando. Aqui relatarei minhas aventuras. Isto é, se eu sobreviver para contar.

Que Morfeu me ajude.
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Re: [O efeito de Sun Hee] Missões fixas de Claudia Ox Crowngärd

Mensagem por Claudia Ox Crowngärd em Qui Maio 24, 2018 12:53 pm


NOVA ROMA PEDE SOCORRO


Uma coisa que você deve saber sobre semideuses romanos: eles são exibidos. “Ah, olha como somos organizados”, “olha que universidade linda nós temos”, “olha como não morremos antes dos trinta”... E assim vai. Por isso quando ouvi a notícia de que eles estavam pedindo nossa ajuda comecei a rir como uma marmota engasgada. O cara alto e de barba rala que entrara no chalé de Thanatos em uma marcha pesada para dar a notícia não gostou nada disso. Franziu a testa, suas sobrancelhas que mais pareciam duas taturanas desnutridas se unindo, e perguntou:

— Você acha engraçada uma chacina?

Tive vontade de perguntar se ele sabia onde estava, mas a falta de reação de meus tios adolescentes foi o suficiente para demonstrar que “morte” não era um assunto tão sensível para os descendentes do deus que a regia. Contentei-me em cair na cama e dizer:

— Fala sério. Eles são romanos. O caralho que pediriam ajuda para nós, oh, pobres gregos de merda. — Levei a mão à testa e ergui um pezinho em uma encenação melodramática.

Ouvi uma risadinha abafada, mas com toda certeza ela não vinha do mensageiro. Esse ficou ainda mais carrancudo, se é que isso era possível, cruzando os braços na frente do peito e se empinando como um galo de briga. Dei um sorrisinho de escárnio. Suas mãos fechadas em punho começaram a tremer, tamanha a força que nelas colocava para não simplesmente marchar até a cama e me dar um tapa.

— Faz um favor para todo o mundo e passa no chalé de Hermes para aprender a inventar uma história direito.

— Ele não está inventando — um de meus parentes mais velhos falou. — Dá para sentir o cheiro de morte.

Na mesma hora meu sorriso morreu.

— Os filhos de Hécate abriram portais daqui para o Júpiter? — perguntou ao cara das taturanas na testa, que precisou de um minuto para deixar a vontade de torcer meu pescoço diluir-se na satisfação de ver meus olhos esbugalhados e a boca aberta em "o". Outros filhos de Thanatos começavam a balançar a cabeça e cochichar afirmativas, percebendo que havia, de fato, algo grande acontecendo. Algo grande, perigoso e mortal.

— Sim, mas a fila para atravessar é longa. É melhor que vocês viajem pelas sombras.

Movi-me desconfortavelmente na cama.

— Eu não sei fazer esse tipo de coisa.

— Eu te levo — ofereceu meu meio-tio no mesmo momento em que o mensageiro falava “então pegue a fila”. Os dois se encararam. — Mesmo com os portais eu não devia estar sentindo essa aura daqui. Precisamos do máximo de gente no menor tempo possível.

— Isso aí que ele falou — afirmei, pulando para fora da cama e tirando meu canivete de debaixo do travesseiro.

O sobrancelha de taturana soltou um bufo e balançou a cabeça, mas não fez mais objeções. Soltou um “eu preciso passar nos outros chalés”, girou nos calcanhares e saiu na mesma marcha apressada para fora. O jeito como ele agia fazia com que eu me perguntasse se não era um romano enviado para o acampamento errado.

— Pegou suas armas?

— Está na mão. — Abri o canivete e deixei que sua lâmina se expandisse até o tamanho máximo, formando uma foice curta.

— Então vamos.

O rapaz de dreads segurou meu braço e pisou na própria sombra, e a partir daí o que vi foi escuridão.


NOVA ROMA PEDE SOCORRO: Você não estava em Nova Roma no momento do ataque! Mas de alguma forma ficou sabendo do ocorrido e agora precisa chegar o quanto antes para ajudar os romanos. Todos que não vivem em Nova Roma ou no acampamento Júpiter devem postar nessa missão, ela está aberta a todos, mas aqueles que postarem essa fixa não poderão participar das duas primeiras rodadas dos MvPs.
Recompensa Máxima: 500px e 500 dracmas.
Itens:
• Foice Curta [Embora pareça com o instrumento agrícola comum, essa foice é balanceada e reforçada para o combate, sendo que sua lamina é capaz de se alongar. | Efeito 1: A lâmina, feita de bronze celestial e capaz de alongar, ganhando até doze centímetros e, da mesma forma com que alonga, pode também diminuir, ganhando a aparência de um canivete. | Efeito 2: A arma nunca é perdida, sempre retornando para seu dono na forma de canivete caso seja perdida. | Bronze celestial. | Sem espaço para gemas | Beta | Status: 100% sem danos | Mágico | Arsenal do acampamento]
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Re: [O efeito de Sun Hee] Missões fixas de Claudia Ox Crowngärd

Mensagem por Hipnos em Qui Maio 24, 2018 2:26 pm


Claudia Ox Crowngärd


Método de Avaliação:

Valores máximos que podem ser obtidos

Máximo de XP da missão: 500 XP e dracmas

Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

Realidade de postagem + Ações realizadas: 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc: 18%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência: 30%


RECOMPENSAS: 490 XP e dracmas


Comentários:

Escrita simples, fluida e agradável, com uma narrativa coerente e fácil de ser imaginada. Captei erros simples, como ausência de umas vírgulas, nada demais.

ATUALIZADO



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Re: [O efeito de Sun Hee] Missões fixas de Claudia Ox Crowngärd

Mensagem por Claudia Ox Crowngärd em Dom Maio 27, 2018 2:57 pm


TRAÇÃO NAS QUATRO PATAS


Eu e minha carona entramos em Nova Roma pela melhor sombra de todas: a de uma enorme coluna caindo. Só tive meio segundo para processar a visão do bloco de concreto cedendo e pular para o lado, evitando assim me transformar em mais um cadáver enfeitando o chão da cidade.

— Mas que buceta, viu — reclamei, esfregando os cotovelos ralados e ficando de pé. Eu tinha esquecido minha boa e velha jaqueta no chalé.

— Você está bem? — ouvi a voz de meu meio-tio misturada à cacofonia de prédios cedendo, pessoas gritando e outras coisas que não consegui distinguir. Uma olhada rápida ao meu redor mostrou que ele tinha pulado para o outro lado da coluna.

— Estou viva, e você?

— Preso. Vá chamar ajuda. — disse num tom de comando que teria tirado uma resposta sarcástica de minha boca, não fosse a situação tão séria.

— Como quiser, vossa senhoria. — Eu disse “teria”? Erro meu.

Alonguei os ombros e virei a cabeça para os lados. O lugar estava uma bagunça, longe do que eu esperava de qualquer coisa romana, e não parecia haver algo que pudesse me ajudar a ajudar o filho do deus da morte.

— Isso pode demorar um pouco — avisei. — Eu falaria “não saia daí”, mas não é como se você tivesse escolha.

Não esperei que ele respondesse ao meu gracejo. Corri para a confusão a minha frente mantendo o corpo encurvado para evitar as coisas grandes, vermelhas e afiadas que cortavam o ar.

Entre fazer aquilo, desviar das pessoas e tentar evitar prédios desabando eu quase não vi o elefante enorme puxando uma parede a uns trezentos metros de onde eu estava. Quase. Tomei nota de sua presença quando um serzinho verde e orelhudo passou por mim em seu caminho para o grande animal.

— Mas que porra é... — Deixei a frase pender, pois mais outras duas daquelas criaturinhas surgiram, ambas carregando facas na mão. Aquilo não podia ser boa coisa.

Atirei minha foice na que estava mais próxima. A ponta da arma entrou no seu ombro como a calda de um escorpião, o que foi bom. O orelhudo gritou e chamou a atenção dos outros dois, o que também foi bom. Apesar disso demorou pouco para eu perceber que minha ideia tinha sido muito, mas muito fodida: agora os três monstrinhos vinham para cima de mim enquanto eu estava sozinha e desarmada.

— Puta merda. — Trinquei os dentes e recuei um passo. O que eu não daria para poder voltar cinco segundos no tempo... Minha foice, provavelmente.

O desejo de ter a arma de volta em minhas mãos ardia forte em minha cabeça quando de repente o orelhudo soltou outro guincho. A lâmina tinha rasgado a pele, se libertando literalmente sozinha, e agora voava em minha direção. Agarrei o cabo da foice num impulso.

— Aí sim — murmurei. Nada melhor do que descobrir um poder no calor da batalha.

Dobrei os joelhos para firmar minha base. Um dos monstrinhos tinha parado e encarava assustado o colega ferido, mas o outro já estava quase encima de mim.

— Cai para dentro! — E ele veio. Estúpido, pois apesar de pequena, minha foice ainda era maior do que aquela faquinha de merda que o feioso carregava. Antes que pudesse encostá-la em mim desci a lâmina em direção à sua cabeça.

A criaturinha se jogou para o lado, escapando de uma morte rápida e limpa, mas ganhou um rasgo nada bonito que descia do ombro até o cotovelo. Soltou um lamento de cortar o coração. Ah, espera, eu disse coração? Erro meu: de cortar o pescoço, já que no tempo que levou para processar a dor eu libertei minha arma e enfiei sua ponta afiada na garganta do monstrengo.

Mas é claro que alegria de semideus dura pouco. Mal o serzinho caíra no chão, espalhando um sangue verde e gosmento que cheirava errado, e os outros dois já estavam encima de mim. Um detalhe: os dois ao mesmo tempo.

Estendi meu braço, deixando a foice entre eu e as pestes, mas isso não as seguraria por muito tempo. O orelhudo saudável já começava a tentar me circundar. Apertei o cabo da arma com força. Aquilo não era bom: eu estava num lugar aberto demais. Mesmo se encontrasse um ponto de enforcamento o tiro poderia sair pela culatra, já que a cidade estava literalmente caindo aos pedaços.

Só para provar meu argumento, o ruído alto e raspado de alguma construção cedendo soou. Quase dei um pulo de tão próximo que aquilo pareceu. Um dos monstros decidiu aproveitar minha distração com o ambiente para avançar.

— Caralho! — Parei o golpe de sua faca com minha foice, mas isso deu abertura para que seu amiguinho sangrento pulasse no meu braço livre e mordesse com força.

Meti o pé na barriga do ser a minha frente e girei minha arma em direção ao outro, fincando a lâmina bem entre suas costelas. Ao invés de gritar, o maldito cravou seus dentes ainda mais fundo. Torci a arma. Seu corpo pendeu mole e com um sacolejo fiz com que largasse de mim.

Um merdinha a menos, faltava mais um.

O último orelhudo me encarava com os olhos esbugalhados, raiva e medo pintando seu rosto. Raiva e medo fazem uma criatura estúpida, e esses bichos já eram idiotinhas por natureza, então fiquei um pouco mais tranquila. Um pouco, apenas, porque não era só com ele que eu tinha de me preocupar. Os espinhos vermelhos voando, as coisas caindo... A probabilidade de alguma merda acertar minha cabeça aumentava a cada segundo.

Não esperei que o verdinho viesse para cima de mim. Ao invés disso soltei um grito gutural e ergui a foice com uma cara de “eu vou enfiar isso bem no olho do seu cu”. Ele não gostou nada. Gritou, também, e veio com a faquinha para cima de mim. Bem como em queria. Ou quase isso.

Desci minha arma em direção a seu braço enquanto a faca se aproximava de minha barriga. Rápido demais. Dei um passo para trás, mas mesmo assim senti a dor do metal arranhando minha pele. Só aí a lâmina de bronze chegou naquele bracinho fino e ceifou-o como um ramo verde. A criatura agonizou. Como a alma generosa que sou, dei um fim a seu sofrimento do mesmo jeito que acabei com o do primeiro monstrinho: um furo profundo na garganta.

— Caralho... — repeti o xingamento, dessa vez com menos raiva e mais preocupação. Olhei para a ferida em meu braço. Será que aqueles bichos tinham germes? Eu precisava lavar aquilo. Mas não agora: antes tinha de conseguir uma ajudinha para libertar meu tio.

Corri para o paquiderme rebocador, minha mão livre apertando a barriga e os dentes cerrados por causa da dor. Ele tinha acabado de mover a grande parede despencada, revelando um bando de idosos assustados e uma garotinha que devia ter no máximo cinco anos. Timing perfeito. Olhei para a mulher que montava o animal e falei com a expressão mais séria do mundo:

— Ei, me empresta o elefante?


TRAÇÃO NAS QUATRO: Hanibal está sendo usado por alguns outros semideuses para puxar uma parede que trancou a passagem de alguns idosos. Ajude a proteger o grande elefante de alguns goblins que sentem o cheiro de medo dos velhinhos, do outro lado da parede, para que ele possa puxar o bloqueio em paz e com cuidado, impedindo que a parede inteiriça se desmanche e caia sobre os civis.
Recompensa Máxima: 800xp e 400 dracmas
Habilidades utilizadas:
Passivas de Thanatos:
Nível 1
Nome do poder: Perícia com Foices I
Descrição: Sendo a foice o instrumento característico da morte, os filhos desta possuem maior facilidade a aptidão no manuseio da arma em questão. O objeto em suas mãos é manobrado de maneira mais fácil e precisa, tanto ofensiva quanto defensivamente.
Gasto de Mp: Nenhum.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: 15% de assertividade no uso da foice.
Dano: +10% de dano ao ser acertado pela foice de um filho de Thanatos/Leto.
Ativas de Thanatos:
Nível 2
Nome do poder: Arremesso de Foice
Descrição: Uma habilidade especial que permite ao semideus lançar sua foice, que irá girar e poderá atingir seu alvo, retornando para sua mão ao fim do movimento.
Gasto de Mp: 5 de MP.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: Nenhum.
Dano: 10 além do dano da arma.
Extra: Nenhum.
Itens:
• Foice Curta [Embora pareça com o instrumento agrícola comum, essa foice é balanceada e reforçada para o combate, sendo que sua lamina é capaz de se alongar. | Efeito 1: A lâmina, feita de bronze celestial e capaz de alongar, ganhando até doze centímetros e, da mesma forma com que alonga, pode também diminuir, ganhando a aparência de um canivete. | Efeito 2: A arma nunca é perdida, sempre retornando para seu dono na forma de canivete caso seja perdida. | Bronze celestial. | Sem espaço para gemas | Beta | Status: 100% sem danos | Mágico | Arsenal do acampamento
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Re: [O efeito de Sun Hee] Missões fixas de Claudia Ox Crowngärd

Mensagem por Júpiter em Dom Maio 27, 2018 9:28 pm


Claudia Ox Crowngärd


Método de Avaliação:

Valores máximos que podem ser obtidos

Máximo de XP da missão: 800 XP
Máximo de Dracmas da missão: 400 Dracmas

Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

Realidade de postagem + Ações realizadas: 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc: 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência: 30%


RECOMPENSAS: 800 XP e 400 Dracmas


Comentários:
Bem, srtª Crowngärd, não tenho ponderações a fazer. Volto a elogiá-la, como dito por Hipnos, pela escrita — simples e divertida, repleta de humor e ação. Uma personagem cativante que tive o prazer de conhecer através desta leitura.

Meus parabéns!

Atualizado por Febo.


that is JÚPITER
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Re: [O efeito de Sun Hee] Missões fixas de Claudia Ox Crowngärd

Mensagem por Claudia Ox Crowngärd em Qui Maio 31, 2018 8:08 pm


PROTEÇÃO AOS MAIS VELHOS


Convencer a mulher do elefante a deixar aquele bando de velhinhos de lado foi difícil. Entre todo o barulho e o receio da romana em acreditar que uma graecus podia fazer qualquer coisa direito, levei uns quinze minutos para fazê-la entender que enquanto qualquer um podia escoltar os velhotes para a segurança, só um paquiderme de cinco toneladas conseguia rebocar paredes, pilares e tudo o mais.

Apenas quando um homem de cabelos ralos e cara mais enrugada que um maracujá de gaveta concordou comigo a legionária aceitou, mesmo que relutante, deixar-me encarregada de proteger seus resgatados e ir salvar meu meio-tio. Isso é, se ele ainda estivesse esperando pacientemente atrás da coluna caída. Tanto demorara a discussão que poderia muito bem ter se recuperado o suficiente para viajar pelas sombras.

Aquilo não era mais assunto meu, no entanto. Tinha arranjado a ajuda que ele pediu, agora precisava levar meus novos protegidos para um lugar seguro. O problema: até onde eu sabia não havia lugar seguro.

— Tudo bem, romanos. É minha primeira vez, então sejam gentis. — Dei um sorrisinho de lado. Ele não foi bem recebido, como era de se esperar – Roma e mau-humor pareciam sinônimos. Soltei um suspiro e continuei: — Alguém conhece uma saída fácil daqui?

A resposta veio da única criança no grupo – uma menininha gorducha de cabelos encaracolados. Os cachinhos castanhos pularam em sua cabeça quando virou para o lado e disse:

— Tem os portais brilhantes.

— Boa, garota. Vamos lá.

Assim começamos a andar para a direção que ela apontou. Mal demos meia dúzia de passos, entretanto, e as coisas começaram a dar errado.

— Para o chão! — gritei quando vi uma leva sangrenta de espinhos voando em nosso rumo. Já empurrei o velho com cara de maracujá murcho para baixo, jogando minha foice como um boomerang em direção a uma daquelas hastes mortais. A arma bateu com o cabo na ponta vermelha e afiada. Não era exatamente o que eu queria, mas desviou o curso do espinho.

Em seguida me concentrei nas sombras da noite, sentindo um nó desconfortável no estômago ao fazer isso. Eu detestava ter de usar essa coisa. O negrume tomou forma sólida em minha mão, transformando-se em uma esfera do tamanho e textura de uma bola de vôlei. Fiz um saque perfeito e vi minha recém-criada bolinha ser furada por outro dos espinhos, soltando um assobio triste e desaparecendo. Pior para ela, melhor para mim, já que o impacto tirou aquele pedaço de morte voador da rota.

— Caceta... — xinguei por antecipação. Ainda faltavam mais três. Não ia dar tempo. Segurei a foice que retornava para mim e também grudei minha barriga no chão.

Um grito de dor anunciou para os deuses e o mundo que as coisas tinham dado muito errado. Fiquei de pé num pulo, encarando com a mais genuína cara de “fodeu” a menininha de cachos castanhos. Mais especificamente: a perna sangrenta da menininha de cachos castanhos.

Lilly! uma senhora berrou em um lamento triste, quebrando o espinho e ameaçando puxá-lo para fora da carne. Coloquei minha mão encima da dela.

— Eu não faria isso se fosse você. A não ser que queira que essa gracinha ganhe uma passagem só de ida para o Hades.

— Para o Hades? Graecus inútil! Por que eu deveria confiar em você? — Deuses, ela conseguia ser mais dramática do que eu. — Minha filha tinha razão, e agora minha netinha... Era seu trabalho nos proteger!

— Tá, tá. Já chega. O que você quer que eu faça? Peça desculpas? Coloque uma camiseta de “herói trainee”? Nada disso vai ajudar. — Endireitei a coluna. — Agora, se você quer que sua netinha sobreviva vai parar de tagarelar e me seguir. Porque advinha só: é sua única escolha.

— Eu prefiro ir sozinha a...

— Margareth, ela tem razão — disse meu velho enrugado preferido. A idosa se virou para ele com a expressão de quem mordeu um maracujá esquecido na gaveta por um ano.

— Foi isso o que você disse antes. Olhe a perna da Lilly, agora!

— E vai ficar pior, a não ser que cheguemos a um lugar seguro.

— Isso mesmo que ele falou. Agora que tal parar de drama? Eu carrego a menina.

— Como se nós fôssemos com você!

Ela ficou de pé, o peito inflado e os ombros jogados para trás. Se não tivesse o corpo de uma modelo anoréxica seria até intimidadora. Espelhei sua postura e falei:

— Olha aqui, velhota, se você quer se matar indo sozinha a porta da rua é a serventia da casa, mas não vai arrastar uma criança junto.

— Tente me impedir. Cadent! a desgraçada bradou. Senti como se um urso tivesse me empurrado para trás, caindo de costas no chão. Quando fiquei de pé outra vez ela já estava andando com a menininha no colo.

— Filha da-! — me cortei quando percebi que sua mãe provavelmente era Hécate. Ou a mãe de sua mãe, não importava. Em qualquer um dos casos era melhor trocar o palavrão — Arrombada!

Cadent! gritou de novo, e eu caí outra vez.

— Bom! Muito bom! Boa sorte não morrendo, sua demente! — Espanei minha calça depois de me levantar e virei minha carranca irritada para os outros. — Alguém mais quer ir? Não? Ótimo.

Na verdade um ou dois seguiram a velhota, mas eu decidi ignorá-los. Fui marchando na frente dos que decidiram permanecer comigo, dessa vez me arriscando a andar perto de paredes derrubadas e casas instáveis para ter alguma cobertura contra as chuvas de espinhos. Precisei gritar “abaixa!” umas três ou quatro vezes antes de chegarmos a nosso destino: o meio do nada.

— Eu... Posso ter errado o caminho — admiti num muxoxo desconfortável, coçando a parte de trás da cabeça.

— Deuses... — choramingou o velho maracujá. Eu não podia culpá-lo – já estava com vontade de chorar, também. Ou pelo menos estive até reparar no edifício quase intacto em meio às árvores.

— Espera, aquilo é o quê?

— A universidade.

Dei um sorriso de orelha a orelha

— Hoje é nosso dia de sorte, velhotes. — Apontei para o lugar. — Atrás da biblioteca tem um portal que vai levar vocês direto para o meu lar, doce lar. Vamos lá.

Eu queria poder dizer que corremos epicamente até o conjunto de prédios, mas quem iria acreditar? Eles eram um bando de velhos, e como todo bando de velhos foi na velocidade de uma tartaruga manca que se locomoveram. Isso sem contar com as quase quedas, pausas para descansar, reclamações de fincadas nas juntas... As dores e lamúrias pareciam vir todas de uma vez, agora que estávamos afastados do centro do perigo e tínhamos grandes copas de árvore entre nós e os espinhos sangrentos. Ah, e também nos perdemos dentro dos corredores, porque é claro que isso ia acontecer.

Quando enfim chegamos ao nosso destino quase dei um beijo bem estalado no portal. Opa, eu disse quase? Realmente coloquei minha boca lá. Os velhinhos estavam tão desesperados para se salvar que nem estranharam minha ação – alguns até me imitaram antes de atravessar o círculo brilhante. Mesmo assim não recomendo. Foi uma coisa estúpida e estranha de se fazer, senti como se tivesse beijado um desentupidor de privada.

Ao que o último dos meus protegidos passou para o Acampamento Meio-Sangue eu soltei um suspiro aliviado.

— Muito bem, agora é limpar isso... — passei os dedos sobre a marca de dentes em meu braço. Aquela coisa estava começando a me preocupar.

PROTEÇÃO AOS MAIS VELHOS: Nova Roma é a cidade onde os semideuses podem ter uma vida tranquila depois de anos agitados em missões, com a segurança de poder viver como uma pessoa comum e construir uma família. É o único lugar onde semideuses podem chegar à terceira idade, e infelizmente, o ataque à cidade pode estragar tudo. Você estava próximo de um ex-legionário idoso quando um dos ataques foi lançado, e decidiu que seria sua tarefa protegê-lo.
Recompensa Máxima: 900 XP e 900 dracmas.
Habilidades utilizadas:
Ativas de Thanatos:
Nome do poder: Umbracinese
Descrição: Sendo capaz de manipular as sombras, nesse nível o semideus consegue criar objetos de pequeno porte feitos puramente de sombras. Pode ser utilizado durante o dia, desde que se tenha sombra suficiente para isso. Feitos de sombras, os objetos possuem baixa resistência, além de serem facilmente dissipados pela luz.
Gasto de Mp: 5 de MP por objeto criado.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: Nenhum.
Dano: Nenhum.
Extra: Somente um objeto pode ser criado por turno.

Nome do poder: Arremesso de Foice
Descrição: Uma habilidade especial que permite ao semideus lançar sua foice, que irá girar e poderá atingir seu alvo, retornando para sua mão ao fim do movimento.
Gasto de Mp: 5 de MP.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: Nenhum.
Dano: 10 além do dano da arma.
Extra: Nenhum.
Passivas de Thanatos:
Nome do poder: Perícia com Foices I
Descrição: Sendo a foice o instrumento característico da morte, os filhos desta possuem maior facilidade a aptidão no manuseio da arma em questão. O objeto em suas mãos é manobrado de maneira mais fácil e precisa, tanto ofensiva quanto defensivamente.
Gasto de Mp: Nenhum.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: 15% de assertividade no uso da foice.
Dano: +10% de dano ao ser acertado pela foice de um filho de Thanatos/Leto.

Nome do poder: Visão Noturna I
Descrição: Acostumados com a escuridão, os filhos de Thanatos/Leto possuem facilidade em enxergar em meio a esta. Entretanto, nesse nível, sua visão alcança até 20 metros à sua frente.
Gasto de Mp: Nenhum.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: Nenhum.
Dano: Nenhum.
Ativas de Trívia (NPC):
Feitiço: Cadent
Descrição: Serve para empurrar ou derrubar pessoas, coisas e criaturas.
Gasto de Mp: -20 de MP.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: Caso seja realizado durante a lua nova, há uma chance de +30% de que ele funcione corretamente.
Dano: -10 de HP.
Extra: Com certo treino, pode ser usado de forma não verbal.
Itens:
• Foice Curta [Embora pareça com o instrumento agrícola comum, essa foice é balanceada e reforçada para o combate, sendo que sua lamina é capaz de se alongar. | Efeito 1: A lâmina, feita de bronze celestial e capaz de alongar, ganhando até doze centímetros e, da mesma forma com que alonga, pode também diminuir, ganhando a aparência de um canivete. | Efeito 2: A arma nunca é perdida, sempre retornando para seu dono na forma de canivete caso seja perdida. | Bronze celestial. | Sem espaço para gemas | Beta | Status: 100% sem danos | Mágico | Arsenal do acampamento]
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Re: [O efeito de Sun Hee] Missões fixas de Claudia Ox Crowngärd

Mensagem por Nice em Sex Jun 01, 2018 7:23 pm


Claudia Ox Crowngärd


Método de Avaliação:

Valores máximos que podem ser obtidos

Máximo de XP da missão: 900 XP
Máximo de Dracmas da missão: 900 Dracmas

Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

Realidade de postagem + Ações realizadas: 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc: 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência: 30%


RECOMPENSAS: 900 XP/Dracmas
DESCONTOS: -10 MP (pelo uso de poderes ativos)

Comentários:
Oi, Claudia!

Eu preciso concordar com o Júpiter, que concordou com o Hipnos: você é ótima e tem uma escrita divertida e bem fluída. A única coisa que quero esclarecer para você é que o correto é "em cima" e não "encima", então tome cuidado quando for usar esta palavra! No mais, querida, meus parabéns!

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Re: [O efeito de Sun Hee] Missões fixas de Claudia Ox Crowngärd

Mensagem por Claudia Ox Crowngärd em Qua Jun 06, 2018 2:16 am


PURIFICANDO A ÁGUA COM JESUS


Nova Roma era grande. Muito grande. E com isso eu quero dizer que depois que me livrei dos velhotes acabei totalmente perdida na cidade. Uma coisa ótima para acontecer quando se está ferido.

Meus olhos corriam de um lado para o outro em busca de qualquer coisa que pudesse me ajudar a tratar dos machucados em meu colo e braço, mas tudo o que via eram prédios caídos e confusão, agora longe da mata tranquila onde se encontrava a Universidade de Nova Roma. Nada de uma tenda de primeiros-socorros ou sequer uma torneira onde eu pudesse lavar meu braço. Aquela mordida ia infeccionar, eu tinha certeza.

— Puta que pariu, viu? Esses romanos têm algo contra água ou coisa assim? — resmunguei.

Comecei a correr outra vez, tão focada em enxergar algo azul que mal reparei no pontinho laranja correndo até mim. Ei, sem ficar surpreso, aqui! As principais cores na paisagem eram vermelho, marrom e marrom avermelhado – era fácil não reparar na camisa laranja-presidiário do Acampamento Meio-Sangue.

— Caralho! — gritei quando quase trombei com sua dona. Ela na mesma hora começou a tagarelar desculpas, mas parou quando viu o estado do meu braço.

— Temos que te levar para um dos refúgios — deu a informação que eu com certeza não sabia. — Eu sei onde...

— Sabe onde? Então os deuses te mandaram, gracinha, porque eu estou cem por cento perdida. — Passei os dedos de leve sobre o machucado. — Nesses refúgios têm água? Se eu não limpar essa merda logo vai acabar infeccionando.

— Eu... Não sei onde estamos. — Murchou como um balão velho. Abri a boca para soltar um comentário azedo, mas antes que tivesse a oportunidade ela continuou: — Mas sei onde conseguir água!

A garota de cachos escuros abriu um pedaço de papel na minha frente. Um mapa. Dei um sorriso e juntei minhas mãos em uma palma solitária.

— Ótimo. Então a gente só tem que encontrar um lugar mais ou menos reconhecível e seguir de lá para a água.

Falei “a gente” sem me preocupar muito se a menina estava ou não se incluindo naquela mini-aventura. Ela tinha o mapa e eu não tinha tempo, iria arrastá-la se fosse preciso.

Para minha sorte não foi necessário puxá-la pelo braço – a negra logo começou a ajudar procurando no mapa algum ponto de referência. Não era a coisa mais fácil do mundo, considerando que tínhamos pedras e paredes caídas para todos os lados, mas havia uma coisa naquele desenho que chamou minha atenção: um coliseu. Esse era o tipo de edifício que costumava ser grande e visível à distância. Voltei meus olhos para cima e girei o pescoço.

— Ali! — Apontei para a construção semidestruída. Ela estava tão longe que parecia até pequena. — E se o Coliseu está para lá nós devemos estar... Perto dessas casinhas. Então esse negócio de água deve ser para o noroeste.

— Bingo! Vamos salvar esse braço — anunciou com um sorriso que engolia metade de seu rosto.

A garota abriu sua mochila e puxou alguma coisa de lá dentro. Soltou um suspiro. Girei meu pescoço para ver o que ela estava segurando, uma ruga cravada em minha testa.

— Braço infeccionando, devíamos estar andando, e não bebendo — cantarolei enquanto encarava a garrafa de vinho em suas mãos.

A semideusa lançou um olhar irritado para a mochila, quase como se fosse culpa dela que estivéssemos ali paradas observando o rótulo escuro com a palavra “BERINGER” escrita em letras garrafais. Murmurou alguma coisa que não consegui escutar. Não que me interessasse muito, no momento tudo o que eu queria era que tirássemos nossos traseiros dali.

— Sou Aislynn — ela se apresentou depois que começamos a caminhar. — Filha de Apolo.

Olhei para a menina baixinha e coberta de sujeira. Ela não se parecia muito com uma filha do deus Sol, mas quem era eu para julgar? “Debochada” e “encrenqueira” não eram adjetivos muito usados para descrever descendentes de Morfeu ou de Thanatos, e ainda assim aqui estava minha pessoa.

— Eu sou Claudia Crowngärd, mas já que você está me ajudando a salvar meu braço pode me chamar de Claudy — falei. — Neta dos sonhos e da morte.

Dei um sorrisinho de lado com a rima nem tão involuntária. Aislynn ficou pensativa, as mais leves rugas aparecendo em sua testa enquanto coçava a cabeça. Por fim exclamou:

—Thanos! — Ela ficou tão feliz com sua incrível dedução que começou a bater palmas. Já eu só não tive tempo para dizer que estava errada, porque cara-de-pau nunca me faltou. Mal acabaram as palmas e a menina acrescentou: — Prazer em conhecê-la, Claudy! Eu, bem... Nunca tive um apelido. Se quiser pode me dar um.

— Um apelido, huh? — Cocei o queixo, inclinando-o para cima. Nisso enxerguei uma construção difusa à distância. Estávamos longe dos incêndios, então era difícil de ver, mas meus olhos sempre foram melhores do que os da maioria à noite. — Isso! Conseguimos, porra!

E com esse urro antecipado eu comecei a correr em direção ao aqueduto. Dica: nunca comemore antes da hora.

— Caceta... — murmurei, meus pés congelando quando vi o que acontecia a minha frente: um homem forte encurvava-se sobre o aqueduto, carregando em uma mão um bidente e na outra uma urna repleta da mesma substância vermelha que escorria pela água. Por um mísero segundo eu tive a esperança de que ele estivesse tentando limpá-la, mas não demorou a ficar claro que esse não era o caso: o líquido caía no ducto.

— Um semideus! Ele precisa de ajuda.

— Ajuda o caralho, ele precisa de um... — Parei quando percebi que havia outra pessoa lá. Ei, não me culpe! Um cara monstruosamente forte destruindo a única reserva de água da cidade fez com que eu não prestasse tanta atenção no que estava jogado no chão. — Ah, porra... O que mais esse botijão movido a peido fez?

— Ele está poluindo a água! — a garotinha exclamou, seus olhos faiscando numa fúria quente como o sol. — Ah, mas isso não vai ficar assim.

Olhei para o aqueduto e mais uma vez para o desgraçado. Eu precisava dar um jeito de impedir que aquela diarreia rubra se espalhasse. Aproveitei que Aislynn estava fazendo... Alguma coisa com todas as formigas que já moraram sob aquela cidade para me focar nesse problema.

Concentrei-me outra vez na escuridão da noite, tentando moldá-la na maior rolha que aquele acampamento já vira, mas era algo grandioso demais para meus meros poderes de semideusa. Senti minha cabeça doer enquanto forçava-me ao máximo, até que com um estalo a forma de sombras se dissipou.

— Merda — cuspi. Não tinha jeito. Aquilo continuaria escorrendo até os deuses sabem quando. O máximo que eu poderia fazer era ajudar a parar aquele filhote de camisinha furada que poluía a água. Ajudar, apenas, porque as formigas de Aislynn já estavam fazendo um trabalho fenomenal entrando em suas calças. Ele até deixou a urna de lado para dançar como um macaco de circo.

— Vamos dar um jeito nele — a garotinha falou com um sorriso torto. Tinha um ar quase maníaco de prazer, como se colocar formigas nas calças de um cara fosse o melhor motivador do mundo. E o que eu achava sobre isso?

— Manda a ver. — Dei meu próprio sorriso.

Abri o canivete e esperei que sua lâmina tomasse outra vez o tamanho de foice, atirando-a em direção ao idiota.

Eu juro que não estava mirando na cabeça. Não que tivesse problemas em matar, só não queria uma morte rápida para aquele monte de estrume. Ainda tinha de fazer-lhe algumas perguntas. Mas o destino pode ser uma vadia abençoada, de vez em quando, e não só minha arma acertou-lhe a nuca como acertou com o cabo, fazendo com que ele cambaleasse para trás. Aislynn não esperou dois segundos: correu em direção ao brutamontes brandindo a garrafa de vinho como uma claymore, um urro animalesco saindo de sua boca. Parecia uma versão festiva de uma filha de Ares. Quebrou o casco na cabeça do cara, que dera o azar de ter se encurvado por causa da dor de minha “foicezada”. Ele caiu no chão como um saco de arroz e lá ficou.

— Claudy corre aqui!

Agarrei a arma que voada de volta para mim.

— Enfia essa garrafa no cu dele, mas não deixa fugir — berrei enquanto corria em sua direção. Precisei andar mais alguns metros antes de perceber que ela examinava o outro rapaz caído – aquele que já estava beijando o chão desde antes de nossa luta começar. — Ah. Não enfia essa garrafa no cu dele.

Ajoelhei-me ao seu lado, observando os diversos hematomas espalhados pelo corpo caído. Pelo visto o grandalhão não usara o bidente, e sim os próprios punhos para derrubar aquele semideus.

— Temos o seu braço, e agora também um ferido. O que vamos fazer?

Cocei o queixo, minha ferida mandando uma pequena saudação dolorida ao ser mencionada. Aquele era mesmo um problema.

— Talvez saber de quem ele é filho ajude.

Puxei a manga roxa da camisa e revelei a tatuagem no braço do romano. Nunca tinha entendido aquela ideia doida de tatuar um código de barras e um símbolo divino nos campistas, mas agora, encarando o desenho da videira enrolada num tirso, até consegui compreender a segunda parte.

— Baco — anunciei.

— O deus... Do vinho?

— Não, o deus das tattoos. — Fiz uma pausa, minhas sobrancelhas levantadas para destacar o sarcasmo na voz. — É claro que é o deus do vinho.

Não venha me chamar de má ou espertalhona – nós literalmente vivíamos com a versão grega do cara. Era difícil de acreditar que ela não reconhecera os símbolos sagrados. Mas não mais difícil do que entender sua genial ideia para despertar o pobre coitado: pegar um dos maiores cacos de vidro, que ainda tinha um pouco de vinho retido sobre si, e enfiar na boca do cara. Ou tentar enfiar. Quando aquilo estava quase tocando os lábios finos e pálidos o loiro entreabriu os olhos. Eles se arregalaram como ovos ao que viu o que estava acontecendo.

— Não estou tão desesperado assim — soltou num fio trêmulo de voz.

Confesso que quase dei um pulo. Aislynn deixou o caco de vidro cair e se espatifar em mil outros caquinhos.

— Você não tem muita escolha, princesa. Não fique pensando que vamos te levar no colo.

— Vocês... Descendem de quem?

— Do deus que vai vir te buscar se você não tomar esse vinho, nem que seja lambendo do chão.

Tudo bem, eu tinha acabado de criticar a ideia do caco de vidro, mas de fato nenhuma outra me vinha à cabeça. Então não me restou muita escolha a não ser apoiar Aislynn naquele experimento maluco.

As coisas mudaram, no entanto, quando ela disse ser filha de Apolo. Me senti estúpida – como se estivesse há meia hora encarando uma prova e descobrisse que a pergunta que flutuava diante de meus olhos era “quanto é dois mais dois?”. Quatro. Ela era filha do deus da cura. O semideus romano informou isso com a cara de quem tinha ganhado na loteria. Insistiu que a menina devia ter herdado o dom de seu pai. A grande surpresa da noite foi que ele estava certo – atravessei meio mundo para encontrar um bendito aqueduto quando a resposta estava bem do meu lado. Aislynn desgrudou os lábios e começou a cantar uma música gentil. As notas pareciam acariciar minhas feridas como um beijo de mãe. Quando vi estava cantarolando no ritmo, a dor e o cansaço desaparecendo aos pouquinhos.

Ficamos naquele momento de paz até um estrondo perpassar nossos pés. Alguma coisa acontecia na cidade – algo grande o suficiente para que os tremores chegassem até o aqueduto e derrubassem a urna de sangue na água.

— Puta que pariu — rosnei. — Estava bom demais para ser verdade.

— Me ajude aqui, rápido — pediu o romano. — Eu tenho uma ideia.

Ele tentava se arrastar para a borda do aqueduto. Coloquei um de seus braços sobre meu ombro e Aislynn pôs o outro sobre o dela. Com isso levamos o semideus até lá. O loiro se desvencilhou de nós e jogou as mãos na água contaminada.

—Mas que caralhos...

Uma breve luminosidade surgiu. O cheiro de sangue foi substituído pelo aroma suave de vinho.

— Prazer, eu sou Jesus — disse o herói do dia pouco antes de desmaiar de fraqueza. Voltamos a agarrar seus braços.

Mergulhei minha mão livre na água-com-vinho medicinal, retirando um pouco e escorrendo por seus lábios. Ele soltou um gemido fraco e entreabriu os olhos mais uma vez. Com um movimento de mãos, fez com que o vinho se reunisse e tomasse uma forma humanoide, caminhando para fora do aqueduto.

— Tudo termina bem quando acaba bem — suspirei, sentindo um novo tremor sob meus pés e olhando para trás. Alguma coisa me dizia que era bom estarmos longe da cidade.

— Esse tremor não foi natural né...

Balancei a cabeça em uma negativa. Seria muita coincidência um terremoto tão pequeno aqui e agora. O que quer que tenha causado aquilo, no entanto, estava bem fora de nosso alcance. Era melhor nos concentrarmos no que podíamos resolver.

— Gracinha, você tem uma corda nessa sua mochila? Acho que o desgraçado aí no chão vai ter umas perguntas para responder.

— Serve? — Estendeu um rolo de arame. — Ela é um pouquinho temperamental.

Encarei o objeto por um momento, tentando entender como uma mochila podia ser temperamental, até que lembrei do item surrado que ficara séculos encalhado no arsenal do acampamento. Era aquela mochila. Dei um sorrisinho de lado.

— Quem sou eu para reclamar de alguém temperamental? — comentei, ignorando o fato de que fazia isso o tempo todo. — Pelo menos não é farpado.

Peguei o arame estendido e comecei a enrolá-lo em volta dos pulsos e tornozelos do brutamontes caído – do mesmo jeito que se amarra um porco no frigorífico.

— Algum plano para arrancar dele as respostas? — Aislynn perguntou. Tinha uma expressão preocupada, quase como se pensasse que eu ia colocá-la para torturar o cara até que cuspisse o nome de quem o mandara ali. Um nome que provavelmente começava com “N” e terminava com “yx”.

— Não se preocupe. Nós cuidamos do traidor — o filho de Baco disse, sua voz ainda fraca pela quantidade de energia gasta para transformar e transportar tanto sangue.

Pouco depois descobri que o alcance da purificação tinha sido muito maior do que eu pensara: vários legionários vinham buscar o que provocara as mudanças repentinas na água.

— A cavalaria sempre chega nos minutos finais — a negra bufou. Eu não pude fazer nada além de concordar.

PURIFICANDO A ÁGUA: O jorro de sangue do monstro escapou para o aqueduto, contaminando toda a água. Além de atrapalhar o trabalho dos curandeiros, é um dano que permanecerá na cidade por tempo indeterminado. Seu trabalho aqui é parar a contaminação e purificar a água.
Recompensa Máxima: 1.500 XP e 1.500 dracmas.
Habilidades utilizadas:
Passivas de Thanatos:
Nome do poder: Silenciosos
Descrição: Assim como a morte nem sempre anuncia sua chegada, os membros desse grupo podem escolher abafar seus sons. Podendo assim passarem despercebidos, ou então não denunciar sua aproximação.
Gasto de Mp: Nenhum.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: 50% de chance de não ser notado.
Dano: Nenhum.

Nome do poder: Visão Noturna I
Descrição: Acostumados com a escuridão, os filhos de Thanatos/Leto possuem facilidade em enxergar em meio a esta. Entretanto, nesse nível, sua visão alcança até 20 metros à sua frente.
Gasto de Mp: Nenhum.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: Nenhum.
Dano: Nenhum.

Nome do poder: Perícia com Foices I
Descrição: Sendo a foice o instrumento característico da morte, os filhos desta possuem maior facilidade a aptidão no manuseio da arma em questão. O objeto em suas mãos é manobrado de maneira mais fácil e precisa, tanto ofensiva quanto defensivamente.
Gasto de Mp: Nenhum.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: 15% de assertividade no uso da foice.
Dano: +10% de dano ao ser acertado pela foice de um filho de Thanatos/Leto.
Ativas de Thanatos:
Nome do poder: Umbracinese
Descrição: Sendo capaz de manipular as sombras, nesse nível o semideus consegue criar objetos de pequeno porte feitos puramente de sombras. Pode ser utilizado durante o dia, desde que se tenha sombra suficiente para isso. Feitos de sombras, os objetos possuem baixa resistência, além de serem facilmente dissipados pela luz.
Gasto de Mp: 5 de MP por objeto criado.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: Nenhum.
Dano: Nenhum.
Extra: Somente um objeto pode ser criado por turno.

Nome do poder: Arremesso de Foice
Descrição: Uma habilidade especial que permite ao semideus lançar sua foice, que irá girar e poderá atingir seu alvo, retornando para sua mão ao fim do movimento.
Gasto de Mp: 5 de MP.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: Nenhum.
Dano: 10 além do dano da arma.
Extra: Nenhum.
Ativas de Apolo (Aislynn):
Nome do poder: Canção da cura I.
Descrição: Com sua voz encantadora e seus dotes de curandeiro, os filhos de Apolo/Febo podem cantar uma canção que cura todos ao seu redor, exceto a si, numa área de 3 metros.
Gasto de Mp: 40 de MP
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +10* de HP e MP para todos os aliados ao redor do usuário.
Dano: Nenhum

Nome do poder: Praga I
Descrição: Você pode criar uma praga para seu inimigo, fazendo um enxame em cima dele (apenas com animais pequenos: aranha, formiga, gafanhoto, abelhas... nada de Elefantes e coisa do tipo).
Gasto de Mp: 35 de MP
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: 30 de HP
Extra: A praga só fica 1 turno em campo
Ativas de Baco (NPC):
Nome do poder: Festa no Sangue
Descrição: O filho de Dionísio/Baco consegue alterar um cenário por completo, podendo modifica-lo para um ambiente festivo em questão de minutos, e para isso basta estralar os dedos. Paredes ganham decorações, água vira vinho ou refrigerante e até lembrancinhas ganham vida em uma mesa qualquer. Eles são literalmente os reis da festa.
Gasto de Mp: 10 MP por alteração realizada no cenário.
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum
Extra: É necessário ter objetos para poder modifica-los, por exemplo: Pode fazer garfos virarem chapeuzinhos de festa, grama virar um piso reluzente, e arvores se transformarem em pilastras. Tudo volta ao normal após 24 horas.

Nome do poder: Clone de Vinho I
Descrição: O filho de Dionísio/Baco pode criar uma cópia sua de vinho, que fará o que você ordenar, como, por exemplo, atacar algum inimigo, ou então enganar o adversário, dando chance para o filho de Dionísio original fugir, entre outros.
Gasto de Mp: - 20 de MP, por clone.
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum
Extra: Nesse nível os clones só atacam a mão ou servem de distração, não podem compartilhar dos poderes do semideus. Eles vem com réplicas do armamento que o semideus está utilizando no momento.
Passivas de Baco (NPC):
Nome do poder: Uvas e Vinhos II
Descrição: Agora você pode usar de tal fruta/bebida para curar algumas feridas medianas e dissipar/retardar o efeito de venenos fracos.
Gasto de Mp: Nenhum.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: +10 de HP e +10 de MP.
Dano: Nenhum.
Itens:
• Foice Curta [Embora pareça com o instrumento agrícola comum, essa foice é balanceada e reforçada para o combate, sendo que sua lamina é capaz de se alongar. | Efeito 1: A lâmina, feita de bronze celestial e capaz de alongar, ganhando até doze centímetros e, da mesma forma com que alonga, pode também diminuir, ganhando a aparência de um canivete. | Efeito 2: A arma nunca é perdida, sempre retornando para seu dono na forma de canivete caso seja perdida. | Bronze celestial. | Sem espaço para gemas | Beta | Status: 100% sem danos | Mágico | Arsenal do acampamento]
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Claudia Ox Crowngärd
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Re: [O efeito de Sun Hee] Missões fixas de Claudia Ox Crowngärd

Mensagem por Marte em Qui Jun 07, 2018 12:01 pm


Claudia Ox Crowngärd


Método de Avaliação:

Valores máximos que podem ser obtidos

Máximo de XP da missão: 1.500 XP e dracmas

Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

Realidade de postagem + Ações realizadas: 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc: 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência: 30%


RECOMPENSAS: 1.500 XP e dracmas

STATUS:
HP: 160/160
MP: 140/160





"Eu sou o deus de Roma, criança. Eu sou o deus da força militar usada para uma causa justa. Eu protejo as legiões. Eu fico feliz em esmagar meus inimigos sob meus pés, mas eu não luto sem razão. Eu não quero guerra sem fim."

Marte Ultor


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Marte
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Re: [O efeito de Sun Hee] Missões fixas de Claudia Ox Crowngärd

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