The Blood of Olympus
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[ CCFY ] Golden Blood

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[ CCFY ] Golden Blood

Mensagem por Máire Lynch em Ter Jan 30, 2018 12:02 pm


Warm me up
And breathe me...


O único ruído que escutou além da porta encontrando o batente foi o suspiro doloroso de seu tio Sean quando ela apenas se preocupou em avisar que faria uma caminhada, mas não pretendia demorar. As escapadas pré-noturnas transformaram-se num hábito constante depois do período de luto. Era difícil para o homem entender os sentimentos da sobrinha, independente de ambos compartilharem a mesma dor: a perda de Nola. Mas não havia lágrimas, narizes vermelhos ou lamentos escondidos pelos cantos de casa. Somente uma drástica alteração na rotina, como se estivessem vivendo a vida de outras pessoas completamente estranhas a eles, embora sejam seus rostos que enxergam no reflexo do espelho quando vão escovar os dentes ou pentear os cabelos. Às vezes, Máire quase não se reconhecia e nesses momentos tinha medo de imaginar as palavras de sua mãe ao vê-la assim, tão... apagada.

Tão... morta.

Na garagem que ficava na lateral esquerda da residência, Maíre procurou o capacete velho e desbotado e arrumou sobre a cabeça, prendendo cuidadosamente o fecho logo abaixo do queixo, tendo que ajustar até ter a certeza que o mesmo não cairia durante as pedaladas. Ela não olhou para trás assim que subiu na bicicleta e começou a se afastar daquele lugar que a deixava infeliz como um bicho aprisionado no interior de uma jaula bonita... porém limitada. Amava o tio Sean, mas odiava morar ali. Desde o começo.

Mas sabia que a culpa não era dele, ou de sua mãe...

Só estava cansada de mudanças.

Cansada dessa infelicidade que adorava se infiltrar nas brechas das alegrias tão arduamente conquistadas por ela.

Primeiro, aconteceu no seu aniversário de nove anos. Precisaram, às pressas, viajar para os Estados Unidos, abandonando uma história inteira, marcada por gerações e mais gerações em solo irlandês, devido a um “problema” mal explicado na época. Afinal, Máire ainda era novinha demais para entender a verdadeira herança que carregava no sangue e as consequências desta. Lembrava-se do quanto sua mãe chorou na partida e, apesar do sofrimento estampado no rosto delicado e pálido, tentava dizer que tudo ficaria bem e que elas achariam um lugar tão mágico quanto Dublin para estabelecerem uma nova etapa. Na ocasião, a pequenina apenas sorriu, controlando o impulso de falar que não queria outro lar e nem aventuras diferentes, mas no fundo ela compreendia que o pedido traria mais angústia à mamãe. Porque como a filha, Nola também amava a sua casa. Entretanto, com a perspectiva de perder a garotinha que criou e protegeu ano após ano, descobriu a certeza de que, na verdade, Máire era o seu porto-seguro. E, então, partiram.

Abandonando um legado.

Diferente do que Máire imaginou, não ficaram na cidade grande. Ela recordava-se perfeitamente do homem alto e negro, trajando couro, linho e uma expressão sisuda. Jamais sentiu tanto medo de alguém, mas a forma que a mamãe o abraçou e se desfez diante do toque carinhoso entre as madeixas aneladas fizeram com que a menina relaxasse.

- Nós iremos protegê-las.

A voz trovejava de maneira segura enquanto queria acalmar as duas Lynch..

E Máire acreditou em cada sílaba de Calun.

O homem com quem, mais adiante, criou um laço singular.

De pai e filha.

Calun as levou até a vila e de imediato, Máire não quis morar num lugar tão distante do mundo real. Ela soltou-se dos braços da mãe e correu copiosamente, libertando o desespero que, feito um parasita, se alojou no coração da criança.

Correu e correu e correu... até deparar-se com uma imensidão molhada e levemente brilhante graças aos tons prateados da lua que se refletiam no mar. Mais do que a fuga, aquela visão retirou o fôlego e as forças dela, fazendo-a tombar, de joelhos, acima da areia macia. E sentiu... a paz. Vinda do vaivém das ondas que traziam o cheiro de maresia no encalço, da brisa morna e úmida...

Da música.

Ah, a música...

Quase conseguia vê-la ondulando sobre a água.

Minutos mais tarde, Calun a encontrou deitada sobre o tapete arenoso, fitando o céu, até a figura masculina preencher sua visão. Ao contrário de antes, Máire sorriu para ele como se o desconhecido fosse sua pessoa favorita – Eu gosto daqui.  

Ele nada disse. Apenas pegou-a no colo e, enfim, carregou a filha de Nola, literalmente, para casa.

Como alimentava saudades de Calun... Nossa. Tudo que aprendeu sobre a natureza, sobrevivência e métodos de luta foi com ele. Cada detalhezinho ou aparentes besteiras... Calun a ensinou pacientemente. Porque Máire não foi uma aluna fácil. Apesar da aparência frágil e dos modos gentis, quando ficava irritada... A brisa virava tempestade, e era uma das coisas que mais apreciava na jovem. Esse espírito genioso e, ao mesmo tempo, dócil... Uma força incontrolável de várias vertentes.

E agora... Não existia mais Calun, ou vila...

Não existia mais a mamãe também.

O câncer, em menos de três meses, lhe devorou toda a energia. Nola, depois da trágica morte de Calun, não desejou mais viver. Ela... desistiu. A doença avançou sem se deparar com obstáculos. Por causa dos recursos, as irlandesas precisaram se mudar pela segunda vez, estabelecendo-se na casa do irmão de Nola, Sean, em Long Island, NY.

Pobre tio Sean...

A vista nublou devido ao acúmulo dos cristais nas pálpebras, mas ela não permitia que descessem, pois... não conseguiria mais conter o fluxo. Nunca mais.

- HEY!

Gritou, de repente, enquanto apertava os freios.

- O quê?

Ela podia jurar que viu alguém alguns metros a frente, ignorando a marcação da ciclovia e, mais ainda, a aproximação da bicicleta em alta velocidade. O corpo chegou a se projetar, quase a derrubando. Meio irritada, voltou a enfiar os pés nos pedais e recomeçou a se direcionar até a floresta, o único local que remetia um pouco as origens que tanto lhe faziam falta. Assim que alcançou a entrada composta por um conjunto de árvores, prendeu a bicicleta num tronco velho, mas ciente que o cadeado e a corrente eram meros e inúteis enfeites de segurança. Se quisessem roubar, apenas roubariam. Fato, ué. Máire não se enganava e sequer parecia dar importância. Pegou a lanterna na mochila e a bateu algumas vezes contra a mão para ligá-la, já que embora não fosse noite completa, a confusão de vegetação, raízes e galhos longos impedia os resquícios de luminosidade de penetrarem o ambiente nada amistoso. Entretanto, a maneira confiante e tranquila com que Máire se movimentava... A menina conhecia perfeitamente a área. Sabia onde pisar, qual lado seguir... Agia no automático. Todavia, isso não impedia o sentimento de abandono em dominar o emocional estilhaçado.

Perto de marcar uma hora de caminhada avulsa e desprovida de propósitos, Máire identificou barulhos de... passos - semelhantes aos cascos de um cavalo – apertando os restos secos de folhagens e madeira envelhecida. Rapidamente, parou de andar com a intenção de reconhecer a direção dos ruídos, mas só ouviu o som da própria respiração ofegante.

- Quem está aí?

A lanterna procurava o “intruso” nos diversos pontos escuros até que...

Dois olhos se destacaram.

A luz concentrada do objeto projetava-se de cima para baixo, iluminando parte por parte da criatura absurdamente enorme! Uma mistura bizarra entre touro e homem, cujos chifres avantajados indicavam a facilidade de perfuração nas pontas estreitas e a dor apertou as têmporas ao pensar na possibilidade daquilo acertá-la diretamente na carne. Máire recuou, porém a ação pareceu irritar o monstro.

- Semideusa...

O timbre gutural escapou junto das pesadas bufadas.

Máire franziu o cenho.

- Matar. Eu vou matar. Matar você.

Sem mais delongas, o Minotauro avançou como um trator e a única reação de Máire foi se jogar para o lado, saindo do foco, mas a enorme mão da criatura a segurou pela perna e enquanto tudo girava, ela sentiu as costas se chocarem contra algo sólido – provavelmente um tronco. Ainda ficou se contorcendo próxima da árvore, tossindo graças à súbita perda de ar. Ele voltava a se aproximar conforme Máire arrastava-se sobre a grama, numa tentativa inútil de escapar...

- Eu vou arrancar seus braços, pernas e te enforcar com o instes... GRRRRRRRR! AHHHHHHHHHHH! - o Minotauro urrou por conta de uma série de cortes na altura dos joelhos. No entanto, era forte e resistente o suficiente para se sustentar de pé, apesar do sangue espesso que vertia das feridas fundas.

- Vem!!!

Um par de mãos a puxava pelos braços, sem qualquer cuidado, e mesmo com a dor queimando a coluna, Máire obrigou-se a desenvolver o ritmo do garoto. Quando conseguiu levantá-la, ele iniciou a corrida, arrastando-a praticamente à medida que os dedos seguiam cravados na manga do suéter creme bem clarinho.

Minotauros são criaturas fortes, resistentes e ferozes, porém... lhes faltavam vários neurônios e certa agilidade nos ataques. Graças a isso, a dupla ganhou vantagem. Máire estendeu o braço livre para impedir que os obstáculos a acertassem no rosto ou nos olhos. Como estava um pouco mais atrás, apenas enxergava os fios claros do menino balançarem se destacando no cenário obscuro e opressivo – Eu... Eu... –  o rapaz a ignorava. A irlandesa ainda se encontrava num estado de pura anestesia e torpor. Aquilo... era real? Estava, de fato, acontecendo? A boca balbuciava frases soltas e incoerentes... Mas...

Não havia surpresa nas feições frágeis, coradas e molhadas de suor, onde as mechas escuras prendiam-se.

Ano passado, a mãe contou a verdade que envolvia o nascimento de Máire e... quem era o pai. Explicou o motivo dela se sentir tão bem próxima da água e a razão de nunca ter se encaixado.

Porque era especial... de uma maneira muitíssimo torta.

Ela era...

- Cuidado!

Gritou, enfim, assim que escutou os grunhidos de uma nova criatura que descia do céu na direção da dupla, preparando o bote. Pensando rápido, Máire girou o punho e ao invés de ser segurada pelo garoto, ela quem o segurava, o que pareceu surpreendê-lo. E mais chocado ficou quando ela o empurrou, tirando-o da mira e transformando-se no único alvo. As garras fincaram nos ombros, furando a pele com as unhas enquanto a Harpia alçava voo... levando a presa. Conforme se debatia, ela olhou para cima, vendo as pernas idênticas as de uma ave, porém o rosto que a fitou de volta assemelhava-se ao de uma mulher.

O coração se comprimiu assim que notou no quanto se afastava do chão.

Ia morrer.

Ia mesmo morrer.


Num momento tão decisivo, não lembrava-se de nenhum dos ensinamentos de Calun, mas sim... de como sua mãe desistiu de viver. Por que não podia fazer isso também?

Desistir... Seria fácil...

Fechar os olhos, amolecer os músculos...

“A concha...”

Ahn?

"Toque a concha, Máire.”


Aquela voz... Não conhecia, mas lhe soava tão reconfortante e passava a segurança que deixou de sentir desde a partida precoce de Nola. Máire... então... chorou. Chorou escandalosamente, soluçando e gritando, conforme apertava o pingente no formato de concha dentro da palma. E no instante seguinte, não segurava-o mais, e sim o cabo de uma espada... distinta. Única.  

Sua.

A jovem arregalou os olhos.

O colar tinha sido um presente da mãe.

Uma herança de família.

Que família, afinal???

“Máire...”


- Não!!! Não preciso da sua ajuda!

Com as vistas ainda turvas, ela virou a espada e a enfiou na Harpia, acertando a coxa direita da criatura. Por conta da dor, ela abriu as garras, finalmente a libertando, porém Máire, com o braço livre, já se segurava no pé disforme do monstro, caso contrário, a queda a mataria. Ambas, Harpia e Semideusa, pousavam de um jeito terrível. Faltando uns três metros, perdeu a firmeza e despencou. Para piorar, o monstro também acompanhava o trajeto, atropelando a menina no processo, e acabaram se embolando. Máire perdeu a espada, que voltou a virar uma conchinha. A criatura mitológica continuava berrando de agonia, sofrendo uma tortura invisível, porém não a impediu de se erguer e avançar – mais lentamente – contra a presa. A dor motivava o ódio, o alimentava contra a filha... de Poseidon.

- Não vai escapar, criança... Não vai... Está longe de casa, não está? Não devia sair de noite... Não devia...

Então, começou a bater as asas, criando uma intensa ventania e Máire visualizou as dançantes manifestações de singelas moléculas que alteravam-se até ganharem molduras líquidas. Ela esticou a mão de um jeito agressivo, num gesto de comando, seguindo instintos anormais. Uma quantidade de aproximadamente um litro de água entrou nas cavidades nasais da criatura e também pela boca, dando, por segundos, a sensação de afogamento. Máire ficou pé e mancando, se apressou até o pertence pessoal, mas a Harpia se recuperou antes dela alcançá-lo. Como única opção, jogou-se o bastante para pegar o objeto, todavia a criatura já estava praticamente em cima, a encurralando. Em tempo cronometrado, esticou a joia e a espada novamente ganhou forma, e assim, a lâmina trespassou o abdômen humano. Sangue a tingiu por inteiro e a criatura agonizava, mas ainda estava viva, recuperando-se para o último ataque. A garra envolveu a garganta de Máire, apertando até abrir feridas devido as unhas afiadas.

- Adeus, pequena órfã.

Mas o golpe final não veio da Harpia que, literalmente, perdeu a cabeça.

Ficou confusa e não demorou a reconhecer o menino que a salvou do Minotauro.

- Garota.Você.Está.Fora.De.Forma.

O loiro dizia pausadamente enquanto limpava os punhais gêmeos banhados de carmesim na calça.

- Você...

Ele sorriu de canto, um sorriso debochado.

- Eu sou Landon... – arqueou a sobrancelha – Filho de Zeus. Bem-vinda ao acampamento meio-sangue, novata.

Máire suspirou.

Profundamente.

E, logo, a consciência se esvaiu.

Poderes Utilizados:

- Perícia com Espada I (Passivo)
- Geração de Água I (Ativo)


TAG: Missão.
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Re: [ CCFY ] Golden Blood

Mensagem por Hades em Ter Jan 30, 2018 2:28 pm


Máire
Método de Avaliação:
Valores máximos que podem ser obtidos

Total de XP e Dracmas: 3.000 XP e 4.000 Dracmas.

Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

Enredo e coerência de batalha: 45%
Gramática e ortografia: 20%
Criatividade: 30%

RECOMPENSAS:  2.850 xp + 3.800 Dracmas + Espada [Uma espada aparentemente comum, apesar de bela e chamativa. O cabo azul-marinho possui alguns detalhes semelhantes às escamas, mas que não prejudicam o toque, pelo contrário, oferecem mais sustento e encaixe. A lâmina forjada do resistente Oricalco tem por volta de 90cm. | Efeito 1: A lâmina transforma-se em um pingente de concha e vice-versa. | Efeito 2: A espada possui a habilidade de adquirir – em contato com o mar – propriedades congelantes, o que acrescenta 10% de dano a mais. | Oricalco. | Sem espaço para gemas. | Mágico. | 100% sem danos | Beta | Herança.]

Comentário:
Máire, creio que sua CCFY foi bem desenvolvida e não permaneceu estática no mesmo ponto ou contou com cenas desnecessárias,
tudo foi rápido, porém bem feito e aprofundado nas medidas corretas. O desconto foi gerado por conta de uma pequena "transição" que ficou confusa e precisei ler mais de uma vez para compreender. Que trata-se da saída de memórias e entrada no presente.
A arma necessitou sofrer modificações por conta do poder que a mesma apresentava.



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