The Blood of Olympus
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CCFY do Owen

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CCFY do Owen

Mensagem por Owen Rice em Seg Jan 29, 2018 5:10 am

Promoção de natal
CCFY



John estava sentado em sua antiga poltrona, item de colecionador. Os pés pendiam sobre a mesa de centro, em posição de praxe. Um jornal estava equilibrado sobre a barriga saliente do homem. Ele parecia concentrado em sua leitura, um bom observador, no entanto, perceberia facilmente que era apenas um homem se esforçando para se distrair com algo mundano. Vez por outra fingiria se atentar as notícias, ao assalto que ocorrera em uma loja ou ao aumento gradativo da inflação, não haveriam de ser notícias boas, não teriam como ser, se fossem, aquilo perderia o sentido.
Johanessa, tal como seu marido, se mantinha focada em seu próprio mundo, enquanto sentada em uma cadeira reclinável, daquelas que se espera ver na recepção de um hotel de luxo. Concentrava-se essa, por sua vez, em dar continuação ao diário que mantivera em Paris. Tão monótonos  tinham sido aqueles anos (aparentemente) que a coleta de detalhes diários (sempre um método pobre de autopreservação) mal ia além de uma breve descrição do clima do dia; e é curioso notar a esse respeito que os diários pessoais de soberanos — não importa quais problemas aflijam seus reinos,  preocupam-se sobretudo com o mesmo assunto. Sendo a sorte o que é quando deixada em paz, ali vi ofertada alguma coisa que eu nunca teria encontrado tivesse sido essa uma busca escolhida. Posso, portanto, declarar que a manhã do aparecimento de Owen foi uma bela manhã sem vento, com dois graus abaixo de zero... Isso é tudo, porém, que a boa dama achou dignos de registrar.
Tal cenário sofreu então, drástica transformação, quando se ouvem batidas na porta dos aposentos do casal. John colocou seu jornal sobre a mesa de centro, e ajeitou a coluna, adotando uma postura anormalmente ereta, como um rei pronto para receber uma audiência.
A porta se abre, entra-se em cena, por sua vez, uma das criadas da casa dos Rice, carregando em seus braços mulatos, um cesto alaranjado, o qual segurava com tanto cuidado quanto seria possível.
John, com seu olhar altivo e prepotente de quem se considera mais do que poderia ser, fitou a empregada com a expressão de quem exigia uma explicação. A empregada se encontrava exacerbada, não sabia como dizer o que precisava ser dito. Talvez nem soubesse o que precisava ser dito, quando vira a cesta em frente á porta, pensara apenas em carregá-la para dentro o mais rápido possível, temendo que a “encomenda” pudesse sofrer danos.
Johanessa, mais esperta do que o marido, já havia presenciado aquela cena centenas de vezes nas peças francesas que assistira. Um bebê abandonado em frente á casa de um casal rico, não seria este o tema de centenas de peças artísticas, clichê do século XIX.
-Encontrei-o em frente a vossa moradia, nesta manhã, não sei se ainda vive. –Apressou-se a dizer, a empregada. –Temo que o frio tenha-lhe danificado os pulmões.
John estava exacerbado, não sabia como reagir á situação, era um homem medíocre em essência, herdara uma posição e uma fortuna e aprendera apenas a parecer alguém imponente, nunca se concentrara realmente em colecionar virtudes. Sua esposa , no entanto, possuía a astúcia das mulheres, e com um solavanco, levantou-se da cadeira aonde se encontrava e tomou com ferocidade cesto das mãos da criada. Colocou-o em seguida, sobre a mesa de centro, onde anteriormente estavam os pés do marido.
O bebê ali presente era pequeno e frágil, não era bonito e parecia saber disso, mantinha os olhos fechados, o corpo estava em posição fetal, como se o lenço o qual estava enrolado não fosse o suficiente para aquecê-lo. O que o destacava de uma criança mundana não eram os traços, e sim o cabelo.
-Johan, olhe o cabelo dele! –Exclamou o gorducho, como se estivesse presenciando uma aberração da natureza.
-Oh, o cabelo dele é acinzentado como o pelo de um lobo  –Disse a mulher, alisando o único tufo de cabelo presente na cabeça do garoto. –Ele é tão bonitinho, John.
O homem, percebendo as intenções de sua mulher, se sentiu obrigado a recusar, era seu papel no teatro, afinal. Mesmo que soubesse que iria ceder á primeira ou a segunda insistência dela. Naquela casa, como em muitas, era a mulher que dava a palavra final.
-Sei o que está pensando, mas não podemos ficar com ele, não sei se conseguiria criar uma criança sabendo que não é meu filho, ele não tem a linhagem dos Rice. –Afirmou o marido, com olhar acusador.
-Pois bem, Johnson Silvester Rice. O que pretende fazer com a criança? Dar-lhe para os cães? É só até aí que vai a sua bondade, homem? Quem se importa com linhagem, nos dias atuais? Aposto que faria meia dúzia de bastardos se a sua situação permitisse. –Bradou a mulher, olhando para a virilha do marido.
-Mas.... –Estava pronto para argumentar, no entanto foi interrompido.
-Sabe o que dizem de vocês por suas costas, Oh grande Sr. Rice? Todos sabem que meu sonho sempre foi ser mãe, mas já estou ficando infértil, e ainda não realizei isso. Sabe o que dizem, meu amor? –Indagou, já gritando, John estava vermelho, suava de nervosismo, nunca vira a mulher daquele jeito. A empregada estava boquiaberta, não sabia se saía ou se ficava. –Eles dizem. Eles dizem. –Falou enquanto tentava prender o riso. –Que você é dotado de um vergalho fadado a falho.
John ergueu a cabeça e fitou nos olhos a mulher que havia sido destinada a ele desde o nascimento, até o nome deles era correspondente. Não sabia como reagir aquilo, estava constrangido, derrotado. Ele olhou para empregada, ela quase caíra de espanto um momento antes, agora tentava em vão prender o riso.
-Vamos ficar com ele. –Disse, simplesmente.
Johanessa sorriu e levantou a criança, que permanecera impassível durante toda a discussão, como se soubesse que não deveria interromper aquele momento importante.

[...]
Mesmo aposento, 7 anos depois.
John estava na mesma posição habitual, sentado na mesma poltrona, as únicas diferenças que aparentava eram uma cabeça mais calva, uma barriga ainda maior e um jornal mais novo.
Sentado aos pés do homem, estava um garotinha que ainda estava por florescer. Era pálido e franzino, tinha um olhar suave e amedrontado.
-Me conte onde e com quem esteve, rapazinho. –Disse o pai, com olhar severo,
-Eu estava com meus amiguinhos, brincávamos de construir castelos de areia. –Disse o garoto, podia-se ver em seu semblante a ausência de malícia.
-Não foi isso que me disseram. –Fez se então uma pausa dramática, para aumentar o clima da situação. –Me disseram que você estava brincando com a ralé. Disseram-me que estava se sujando de terra junto com os pobres.
O garotinho não conseguia levantar a cabeça, seu olhar estava fixo no chão, sentia as lágrimas prontas para transbordar a qualquer momento.
-Eu estava brincando... com ... amigos. –Sua fala se resumia a um ruído inaudível.
-Levante a cabeça, criança. –Owen assim o fez, tênues lágrimas rolavam pela sua face. –Eles faziam parte da ralé, você quer ser visto com a ralé? VOCÊ QUER QUE DIGAM QUE VOCÊ ANDA COM COMPANHIAS RUINS, E QUE DESMEREÇAM O NOME DE NOSSA FAMÍLIA? É ISSO QUE VOCÊ QUER, DESTRUIR O QUE LEVOU SETE GERAÇÕES PARA SER CONSTRUÍDO? –O gordo berrava, sua face estava vermelha e saliva jorrava a cada palavra.
-Não! –Disse, enquanto chorava.
-REPITA.
-Não
-MAIS UMA VEZ! –Gritou novamente, enquanto se levantava.

-Não! –Fazia esforço para separar as palavras dos soluços, em prantos, o jovem estava aterrorizado.
-Muito bem, considere-se repreendido, saia daqui antes que eu mude de ideia e faça seu castigo valer por três.
Owen se levantou do chão, e cabisbaixo se dirigiu a porta, as palavras do pai ficaram bem gravadas na memória, sabia que dali em diante qualquer um com status inferior não merecia nada além de desprezo da sua parte.
A mãe do garoto ouviu tudo, é claro, em alguns momentos pensou se deveria intervir, concordava com tudo que fora dito, então decidira ficar de fora, homens não nascem prontos, afinal.

[...]
7 ANOS DEPOIS.

Owen passara os últimos anos com o hábito de menosprezar os colegas a sua volta, acreditava firmemente que não precisava de pessoas. Era popular e era o astro do time de basquete, ninguém nunca havia retornado as suas ofensas.
Era sexta-feira a tarde, e Owen acabara de subir as escadas, quando fora solicitado a ir ao escritório do pai. Embora seus passos fossem apressados, demorou um minuto e meio para atravessar o casarão e chegar ao encontro do pai.
Ao entrar no cômodo, viu seu pai fumando um charuto e duas malas de viagem no chão.
-Owen, nós iremos viajar, sua mala já está pronta, partiremos em uma hora, retornaremos amanhã á noite, se tudo correr bem.
-Onde estamos indo, Senhor? –Perguntou
-Seu aniversário de 14 anos foi a poucos dias, na nossa família esta é uma idade ritualística. Eu irei lhe levar para conhecer a neve.
[...]
Os homens da família Rice se sentaram no banco de trás da limusine, e viajaram por algumas horas. Na despedida, Johanessa parecia estar triste, pensou em objetar, mas não ousou fazer alarde por conta daquilo, sabia que o marido era biologicamente incapaz de cometer adultério.
Ao todo a viagem durou cerca de dez horas de carro, mais duas horas de caminhada por sobre uma alta colina, que mais parecia uma montanha. O garoto estava surpreso, pois sabia que o pai não era atlético. Poderiam até mesmo ter vencido a distância em menos tempo, se John não parasse para descansar quatro vezes.
Ao fim da caminhada avistaram um sobrado de madeira, não muito grande. Não havia nenhuma luz acesa do lado de fora, fazendo com que a casa tomasse um aspecto fantasmagórico.
John abriu a porta e entrou, Owen o seguiu. Dentro da casa havia um sofá marrom e uma mesa de tamanho médio, em frente ao mesmo. O pai deixou as malas ao lado do sofá, e pegou uma pequena maleta de cobre, de dentro da mesma.
Owen se sentou ao lado do pai, e olhou com atenção a cada movimento dele. O homem destravou  a mala e a abriu, dentro, havia um pacote plástico preenchido até a metade por cocaína. John derramou um punhado na mesa e fez cinco carreiras, usando um cartão de crédito, em seguida, entregou o canudo de prata para o garoto, e assentiu com a cabeça.
O rapaz estava relutante, mas sabia o que estava acontecendo, seu pai queria uma prova de sua coragem, e teria. O adolescente colocou o canudo no nariz e cheirou uma carreira inteira, parando apenas para trocar de narina e aspirar a segunda. Sentiu os olhos lacrimejarem e os batimentos cardíacos acelerarem a 130 por minuto, sentiu cheiro de sangue, mas não conseguiu se concentrar. Teria cheirado mais, se seu pai não o tivesse impedido.
Nesse momento, seu pai mandou descerem as mulheres, eram doze no total, eram as francesas. Durante aquela longa madrugada o rapaz entendeu que a cocaína não era uma prova de coragem, era um estimulante para a noite de hedonismo que estava por vir, orgulha-se de ter feito todas as mulheres satisfeitas, embora não fosse um fato totalmente verdadeiro.
Aquela cocaína era pura, não era como a farinha que vendem nas ruas hoje em dia, as mulheres, por sua vez, não carregavam a mesma pureza.

7 ANOS DEPOIS
Fronteira do acampamento meio-sangue.
Aquele era um dia ensolarado de primavera, um daqueles dias tão freqüentes nas histórias, mas tão raros na vida real. Não, não era assim no acampamento meio-sangue, ali o clima eram determinados pelo diretor do acampamento, todos os dias eram dias perfeitos e ensolarados de primavera. Perdoe-me, divago.
Owen já havia se habituado ao acampamento meio-sangue depois de permanecer lá por algumas semanas e naquele dia, nosso herói estava determinado a explorar a floresta do lugar. Apesar de todos dizerem que era um lugar perigoso e inadequado para um campista inexperiente como ele, o semideus duvidava muito que haveria algum monstro capaz de sobreviver a um golpe do seu braço potente. Mas estava levando seu arco, só por precaução.
Por todo o trajeto o rapaz refletia sobre quem era sua mãe. Ele sabia que seu pai era o deus Apolo, isso já lhe tinha sido contado, pelo próprio, embora nunca tenha chegado á conhecê-lo pessoalmente. No entanto, Rice não tinha ideia de quem teria sido sua mãe, ou porque o abandonou, apesar disso, sentia-se grato por não ter sido entregue a adoção, muitos semideuses haviam crescido em orfanatos, e Owen tinha visto o que isso fazia com a personalidade de alguém.
Ao adentrar a floresta, o tempo rapidamente mudou, a pressão do vento aumentou, fazendo com que a camisa do garoto esvoaçasse, tornando a passagem muito mais heroica. Os raios solares penetravam por entra as árvores, fazendo com que a caminho permanecesse iluminado.
Owen caminhou por vários minutos, talvez fosse impressão sua, mas parecia ter se tornado bem mais atlético depois de ser reclamado pelo seu pai divino, mas isso ocupou apenas um pequeno espaço na mente dele, o resto estava apreciando o cenário e captando cada som ou ruído audível, que surgia. Havia também uma pequena parte, a parte lisonjeira da mente de Owen, esta por sua vez, se focava na árdua tarefa de impedir que seu ego abaixasse, então repetia elogios constantemente.
Ele captou um ruído, vinha da direita, virou-se rapidamente enquanto preparava uma flecha. Já com o arco retesado, percebeu que se tratava de um passarinho, a dois metros de distância, um alvo impossível de errar. Por já estar com a flecha preparada, acabou por decidir atirar.
A flecha acertou no centro do passarinho, que explodiu com a pressão de um arco élfico em seu pequeno corpinho, a flecha continuou viajando, até acertar um tronco e produzir um som alto de impacto.
O semideus ficou preocupado ante a possibilidade de o som atrair monstros, no entanto, essa questão permaneceu no estado de pré-ocupação por apenas um instante. No instante seguinte, surgiu um grunhido alto ali, no coração da floresta, e o surgimento dos monstros por fim ultrapassou totalmente a fase da preocupação, e entrou na fase da ocupação, quando um besouro gigante apareceu.
O monstro em si não preocupou muito Owen, achava que podia lidar com um besouro de 3 metros de altura, a situação estava sob controle. Ele então ouviu outro barulho, desta vez era semelhante a um rugido, virou-se para trás e avistou um ciclope, tão alto e imponente quanto o besouro. O filho de Apolo se arrependeu de ter caçoado dos semideuses que espalhavam boatos sobre um ciclope vivendo na floresta.
Owen percebeu que era a presa ali, percebeu também que a única maneira de sobreviver era tomando o papel de presa. Quando dois predadores têm uma presa em comum, eles lutam entre si por ela, então tudo que ele precisava fazer era se fingir de morto enquanto os dois monstros lutavam para decidir quem o comeria. Ele franziu o cenho ao relatar que a última parte do plano não parecia tão apetitosa assim, mas decidiu seguir em frente.
Soltou um alto e débil grito de lamento, enquanto levava a mão ao coração e se deixava cair no chão. Estava tudo sob controle, não estava com medo, era isso que o semideus repetia mentalmente sem parar, como um mantra.
-Estou morrendo, espero que vocês não sejam gentis e concordem em me dividir igualmente, espero que a minha morte sirva de refeição para apenas! – Bradou como se estas fossem suas últimas palavras, não sabia qual era a expressão dos monstros, pois estava de olhos fechados, mas esperou que tivessem acreditado.
Ainda de olhos fechados, Owen ouviu os dois monstros travando sua batalha, ouviu gritos dos dois lados, e não pode presumir quem estava ganhando, estava torcendo para que fosse o besouro.
Ao abrir os olhos, o semideus se deparou com uma cena raramente vista. O ciclope estava apenas com o toco de um braço, o resto tinha sido destruído por ácido, lançado pelo besouro gigante. A luta parecia pender para o lado do inseto por um momento, então o ciclope agarrou o tronco de uma árvore, que estava caído no chão, e se jogou em cima do besouro.
Tal investida louca resultou em um dos chifres do besouro penetrando cerca de 15 centímetros no quadril do Ciclope. Neste momento o caolho ficou enlouquecido e golpeou com o tronco repetidas vezes no casco semi-indestrutível do besouro, os golpes eram velozes e sempre acertavam o mesmo ponto, uma falha no casco, uma vulnerabilidade no centro das costas do inseto. Depois de cerca de quinze golpes o casco finalmente cedeu e um barulho crocante soou alto, como quando se pisa em uma barata, só que mais alto.
O ciclope finalmente se virou para o semideus, que já estava em pé e com o arco preparado. Com um movimento fluído, mirou na testa do Ciclope e atirou. Só que a flecha acertou no ombro, e nem era no ombro bom, e sim no ombro cujo braço já estava destruído. Owen percebeu que atirar contra um monstro real que estava tentando matá-lo era bem diferente de atirar contra um boneco inanimado.
O Ciclope se aproximava rapidamente, cada passo o jogava para mais perto do semideus, Owen sabia que só teria uma chance antes do monstro o alcançar. Mirou e atirou, mirando no coração. O tiro estava fazendo a trajetória correta. O monstro se lançou em direção ao semideus, e a flecha o atingiu no ar, cravando-se em seu abdômen.
A criatura caiu de pé a menos de um metro de distância de Owen. Era aterrorizante, o caolho arfava e sangue escorria pelo braço e pela barriga, como se fosse um chafariz. Ele abriu a boca e preparou o porrete em sua mão, o meio-sangue sentiu o hálito pútrido do monstro e pode ver todos os dentes dele, afiados, enormes.
Atingido por uma insanidade passageira, causada pela adrenalina de se estar diante da morte, Rice pulou em cima do monstro, colocando o pé direito sobre a haste da flecha presa no abdômen do ciclope, a usou como ponto de apoio, enquanto passava a outra perna sobre seu ombro, e sentava confortavelmente sobre o cangote do caolho.
Sentindo uma aura de batalha avassaladora, o semideus retirou sua adaga do cinto e enfiou fundo no único olho do monstro, que berrou de dor. Owen sentiu a faca penetrando o olho como se fosse manteiga, e em seguida, sentiu uma sensação de furar algo mais esponjoso, o que devia ser o cérebro do monstro.
O Ciclope berrou e se balançou para frente e para trás, lançando o semideus no chão, que sofreu com o impacto. Ali, jogado no chão como um cachorro que acabou de ser chutado, Rice estava quase perdendo as esperanças de continuar vivo.
Então, uma lança surgiu sob sua cabeça, o símbolo de Ares, nesse momento, Owen sentiu um vigor possuindo seu corpo e imediatamente ergueu o tronco, o monstro se aproximava trôpego, semi-cego, seu interesse agora era apenas tirar a vida do semideus que o aleijara.
Sentindo a força da descendência de dois deuses dentro de si, o garoto desprendeu o arco das costas, preparou a flecha, e quase sem mirar, atingiu um ponto no centro da testa do Ciclope. Uma flechada perfeita. A criatura parou de se movimentar instantaneamente e caiu para trás, derrotado.
Rice se levantou e a dor inundou seu corpo novamente, havia vencido, mas pagara um preço por aquilo, algumas costelas quebradas e vários hematomas, provavelmente. Um mês atrás a possibilidade de ter hematomas estragando a sua aparência perfeita, teria o aterrorizado. No entanto, naquele momento aquela era a menor de suas preocupações. Ele era um legado de Ares, sua mãe era uma semideusa. Aquela descoberta o chocara, mas pelo menos lhe dera uma resposta, agora ele sabia o motivo pelo qual a mãe dele o tinha abandonado, o mundo é muito perigoso para os semideuses, criar um filho só a colocaria em risco.
Owen andou novamente em direção ao acampamento, carregando no peito o orgulho da vitória e a feliz descoberta de ter sangue de guerreiro, sentia que ele era um ser ainda mais incrível do que antes. Ironicamente, começou o céu nublou e começou á chover, uma daquelas chuvas de fim de tarde. Com uma onda repentina de inspiração, a prole de Apolo declamou uma poesia.

“Voltando para casa na chuva
O vento e a água surgiam violentos
Não impediam a minha passagem
A terra estava firme sob meus pés
As árvores balançavam ao meu redor
Como se curvassem-se para mim
Não com reverência
Pareciam querer facilitar minha passagem
Como se soubessem do caminho adiante
E das dificuldades que me traria
Aquele momento era uma profecia
Medo não sentia
Tremia apenas pelo frio
A única luz era a que a lua me trazia
Iluminando o meu rastro, revelando meu passo
As dores, as cores, os temores
Tudo mais dramático do que deveria, como uma atuação
A paisagem fingia ser ela mesma, exagerada
Minha dor não estava mais em mim
Guardava-a do lado de fora como uma capa
Que esvoaçava a cada passo
Na tentativa de me arrastar para trás
Os joelhos pesavam para me impedir de andar
Embora não soubesse para aonde estava indo
Sabia de onde estava vindo, e não poderia parar
Não podem me matar, a vida já se foi
Vim da terra, minha casa, para lá irei voltar
Sempre a procurar.
O lugar ao qual devo me enterrar.”

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Owen Rice
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Re: CCFY do Owen

Mensagem por Febo em Seg Jan 29, 2018 6:24 pm


Owen Rice

Recompensa máxima: 5.000 xp + 5.000 dracmas

Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

Realidade de postagem + Ações realizadas: 40%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc: 12%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência: 24%

Recompensas finais: 3.800 xp/dracmas

Comentário:
Embora você tenha um vocabulário culto, Owen, e escreva de maneira formal e interessante, eu fiquei tentado a descontar mais um pouco da escrita. Entretanto, não sou um profissional que sabe tudo sobre ela. O que eu sei é que, primeiramente, você tem um vício leviano em usar vírgulas, cortando o sentido de quase todas as sentenças do seu texto e usando-as no lugar de pontos finais. Por exemplo, em "Tal cenário sofreu então, drástica transformação, quando se ouvem batidas [...]" a primeira vírgula é totalmente desnecessária, entende? Ela quebra a fluidez da frase e origina outras duas bem desconexas. Além disso, nesse mesmo exemplo, podemos ver um verbo no presente. Eu sei bem que existem autores que usam um personagem no presente para contar uma história no passado, mas eu não entendi muito bem se era esse o seu caso. Uma outra coisinha que me deixou encafifado foi o "á". Essa forma de usar o artigo também não existe, então peço para que você se policie um pouco mais nos seus textos daqui para frente para evitar esses errinhos, tá bem? Então tá bem.

Quanto a missão em si, querido, eu acho que você se empolgou com o passado do seu personagem (que por sinal é bem interessante) e resumiu demais o que deveria ser o foco da CCFY: a descoberta do legado de Ares. Isso, somado a uma constante confusão em seu texto (como por exemplo o Owen bebê aparecer possivelmente morto e depois esse fato ser ignorado e você narrar que surgiram dois monstros no coração da floresta para depois dizer que só um besouro gigante apareceu) e, finalmente, à descoberta do legado (resumida em dois parágrafos), contribuíram para que eu te negue a recompensa almejada. Sinto muito. Espero que você não desista, mas sugiro que da próxima vez você desenvolva um encontro com a mãe do personagem, o próprio Ares ou talvez Apolo, em vez de usar o símbolo do deus da guerra para efetivar a descoberta. Lembre-se: a aparição do símbolo ocorre quando um deus reclama um filho!

Atualizado por Mercúrio.
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