The Blood of Olympus
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CCFY - O que separa os homens dos meninos

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CCFY - O que separa os homens dos meninos

Mensagem por Jim Howard Phillips em Dom Jan 14, 2018 3:22 pm

O carro já estava na reserva do tanque de gasolina e eu pisava fundo. Ester, do meu lado, se preocupava com os rugidos que ouvíamos vindo das árvores em volta e ficava pulando no banco, sem cinto de segurança, procurando algo nos seguindo, com medo de outras Dracaenaes, mas foi então que, à mais ou menos 1(um) quilômetro do lugar apontado no nosso mapa, um animal quadrúpede surgiu na nossa frente, vindo da floresta, eu desvio porém choco com uma árvore, lançando Ester no meio da floresta fazendo-a gritar alto de dor, minha cabeça bate no volante fazendo-me tontear, prestes a desmaiar ali, mas não poderia permitir isso acontecer. Para buscar forças lembro de minha mãe.


Minha mãe não era nem perto de ser uma pessoa perfeita. Era egoísta, explosiva e orgulhosa, porém era forte, alta e metia medo em qualquer marmanjo com seu olhar ameaçador que ajudou a me disciplinar, e além do mais ela nunca quis me abandonar.
Nos mudávamos como nômades, como se minha mãe fugisse de algo, e em todas as cidades arranjava um emprego em alguma delegacia, me deixando em casa com minhas carcaças eletrônicas e peças de metal, das quais ela incentivava que eu mexesse, e ficava extremamente feliz em ver minhas construções. Quando chegava em casa, estando animada ou emburrada por seu dia de trabalho, ainda assim tirava um tempo para me educar em casa mesmo, me ensinava latim, história antiga, inglês, alguns tipos de defesa pessoal, e principalmente mitologia grega. Mas em geral deixava eu me divertir com minhas pequenas máquinas no tempo livre.

Você me lembra seu pai. — Ela falava com os olhos brilhando. — Que puxe o lado dele e jamais o meu.

E aquele era o único momento em que aquela mulher rígida e forte se demonstrava frágil, falar do meu pai emocionava minha mãe, ela dizia que meu pai era um homem muito simples, tímido, adorável, era um homem habilidoso com as mãos, assim como eu e minhas invenções, engraçado, criativo e gentil com todos, mesmo tendo uma cara carrancuda. Ela ria ao comparar minha cara de mal e minha altura com a de meu pai.
Mas foi com dez anos que isso mudou. Parece que as coisas mudam de uma hora para outra na minha vida, tudo sempre é muito intenso, como está acontecendo agora e como aconteceu cinco anos atrás.
Lembro do dia que ela se foi, com uma clareza de detalhes impressionante, cedo da manhã eu tive um sonho, e nele um homem alto aparecia para mim, comigo dentro de um grande círculo de fogo o homem vestia um macacão cinza e uma braçadeira de metal na perna, tinha uma volumosa barba, cabelo desgrenhado e cara com cicatrizes, sua mão grande e calejada encostava em meu ombro no meio daquele círculo, seus olhos emanam dor ao me encarar, e ele balbucia algumas palavras.

— Vai doer, vai doer. Mas vai sarar, filho.

E então acordei com um pulo botando a mão na testa, estava suando frio e com muito medo. Levantei pé por pé e fui a procura de carinho materno da minha mãe, torcendo para que ela não tivesse ido ao trabalho ainda. Quando piso na sala vejo ela sentada no sofá conversando com alguém que não vejo quem é, por estar sentado de costas para mim, rapidamente me escondo atrás da porta e escuto a conversa, com medo de levar uma repreensão de minha mãe.

Chegou a hora de me pagar aquela dívida, velho amigo — Minha mãe dizia com sua voz firme e intimidadora. — Você sabe que Jim corre um grande perigo. Eu tento fugir com ele e nos mudamos o tempo todo, nunca contei nada para ele p’ra não aumentar ainda mais seu cheiro, mas eles continuam farejando seu grande poder, o poder de Jim é incomensurável, Yuri, o fogo de dois deuses poderosos queima dentro de seu corpo e os monstros querem ele quase tanto como me querem. — Meu corpo gelou, eu comecei a lacrimejar tentando manter o silêncio. — E você como meu guia espero poder ajudar ele. Sei que faz tempo desde o último semideus que você guiou, e lembro muito bem que a experiência não foi agradável, mas embora nossas vidas tenham nos separados, e podemos ter desavenças um com o outro, Yuri, você continua sendo O Sátiro Guerreiro, e Jim não vai sobreviver se eu não voltar dessa jornada. — Vejo minha mãe engasgar e pela primeira vez vejo ela demonstrar fraqueza de verdade. — E você sabe que isso é possível.

O caso dele com certeza é raro, Dandara. Ele não faz parte apenas da prole de um deus qualquer, mas em união com uma das semideusas mais poderosas que eu já vi se criarem naquele acampamento, seu potencial deve correr para os dois lados e nós precisamos da força dele ao nosso lado no acampamento. Por que não deixá-lo ir para lá agora? — O homem falando, segura a mão da minha mãe, que ao final da frase o olha com fogo nos olhos.

NÃO! — Ela esbravejava retumbante, estremecendo o local e me fazendo encolher atrás da porta. — Ele não vai p’ra lá, afinal se eu quisesse isso teria o enviado antes. — Ela solta a mão do homem e se levanta, me encolho mais e paro de enxergar qualquer coisa, apenas escutar a voz imponente de minha mãe. — O poder dele não vai ser manipulado por Quíron, não quero que sua vida seja condenada à conquistas indesejadas como a minha foi. Portanto eu quero que lhe acompanhe se eu falhar nessa missão e que conte a ele quando achar que ele está pronto, sem pressionar para que ele escolha aquela mer#@ de acampamento, e então, sabendo suas origens, sabendo de Hefesto e da história da sua mãe, que ele possa escolher — Eu entendia as palavras, entendia o que eles pareciam querer dizer, mas parecia tudo apenas um grande conto, pensei ainda estar sonhando. Minha mãe continua —  Até lá você vai disfarçar o cheiro dele nas ruas e transformá-lo em um bom homem, ele não pode se desvirtuar para o lado do avô, o sangue de Ares ferve em seu corpo quase tão forte como o de Hefesto, mas ele tem que conter esse lado de meu pai, Ares não vai fazer bem a ele, não faz bem p’ra ninguém.

Certo senhora, jamais recusaria uma oferta de pagar o que devo à você. Mas creio que não será necessário, nenhum monstro pode te deter. — A voz trêmula do homem responde.

Não sei, Yuri, tem coisas que estão longe do nosso alcance, mas tenho que tentar isso pelo Jim. — Escutei o barulho da porta se abrindo. —  Agora saia, Jim deve acordar logo, você já sabe o que fazer.

Sim, sim. Boa sorte, amiga. — Ouço trotes para o lado de fora da casa.

Eu não sou sua amiga, Yuri, não mais. — O peso na voz da minha mãe já não era de raiva, mas sim de pena.


Acordo do transe com adrenalina percorrendo todo meu corpo. Tudo que havia escutado minha mãe falando, tudo aquilo que ela me ensinou sobre mitologia grega, tomando cuidado para que eu aprendesse direito, era porque aquilo realmente era do que minha vida dependia e desde que aqueles heróis apareceram nas cidades eu começava a acreditar naquilo, e buscar forças para contestar Yuri sobre esse dia, mas nunca tive a coragem, e agora já era tarde demais. E já não bastasse isso agora havia metido outra pessoa nisso, se minha mãe realmente era uma heroína, eu tenho sangue heróico correndo em minhas veias nesse momento, e precisava proteger Ester, aquele dia com ela já havia feito meu cérebro parar de pensar em qualquer outra garota, e eu ficaria com ela.
Saí em um pulo do Toyota Supra e me virei para a estrada, tendo então uma visão apavorante, estávamos em uma estrada sem postes, escura e tortuosa, mas mesmo com a escuridão o ser de quatro patas brilhava, com quase dois metros de altura estando de quatro patas, com uma juba estonteante e dentes afiados, o maior leão que eu já tinha visto rosna para nós e se prepara para atacar. Sinto meu sangue ferver e só consigo gritar para Ester se proteger.

Entra no carro! — Minha voz saiu imponente e o medo se escondia em palavras firmes, Ester consegue se levantar do chão pulando em uma perna só enquanto se apoia no capô, e senta no banco do passageiro.

Seguro o carro com uma das mãos e me concentro, fazendo com que todas as portas fechassem e se trancassem, Ester se assusta lá dentro, e então o carro começa a soar a buzina sem parar, eu precisava chamar atenção de alguém que pudesse me ajudar, afinal estava de frente com o famoso Leão de Neméia, que minha mãe me ensinara o que é, e não o venceria sozinho. O animal cansado de esperar rugiu, e seu rugido soou muito mais alto que a buzina, levando toda minha coragem embora, mas eu não podia recuar agora, e lembrei de quem me ensinou a não ter medo, Yuri.



Voltei ao meu quarto rapidamente depois de ter escutado toda aquela conversa, enquanto minha mãe usava o banheiro, e lá chorei confuso por muito tempo, eu havia entendido o que eles falavam, pelo meu conhecimento de contos gregos, mas não podia ser verdade, e me assustava muito esse sentimento. Eu estava confuso, com medo, sem saber o que fazer, e a única coisa que me tirou daquele transe foi a porta se fechando. — Minha mãe foi para o trabalho. — Corri para fora com esperança de ainda ver ela antes de ir nessa “coisa que estava fora do alcance” como ela tinha dito, mas foi tarde demais, e ao chegar na porta da frente o carro dela já se encontrava dobrando a esquina. Bufei, berrei e empurrei a mesa de casa, derrubando ela no chão e correndo ao meu quarto.

As horas passaram e o sol já começava a ir embora, batendo de leve na janela do meu quarto, iluminando com pobreza o local escuro, onde uma criança chorava sem parar já faziam horas. E foi então que incrivelmente um arco íris surgiu em frente ao meu rosto, sem a probabilidade disso ali surgir, e o mais incrível ainda foi ter a visão que tive, dentro do arco íris vi minha mãe, ela estava machucada, muito machucada, mas seu rosto se enchia de alegria ao me ver, e antes que eu pudesse dizer algo ela toma a dianteira.

Filho, por favor, me escuta. — Eu tomo um susto, mas era impossível não seguir a ordem de Dandara, esteja você o mais assustado possível. — Tem muita coisa acontecendo da qual eu não posso te contar agora, mas você não é bobo e já deve ter percebido o quão diferente e especial você é. — Lágrimas escorriam como chuva do rosto de minha mãe, e logo começaram a sair do meu, porém ela não estremeceu a voz nem sequer por um segundo. — Eu sempre tentei te proteger, negar a você mesmo quem você é, porque você não merece essa vida, você não merece essa perigo, nem eu nem seu pai queríamos que você sofresse o que vai sofrer ainda. — Ela para por alguns segundos, sorri, como se também estivesse me enxergando do outro lado desse arco íris, e continua falando. — Eu não posso explicar nada p’ra você agora e sei que isso é uma bos#@, mas você precisa me obedecer, docinho. Você tem que fugir, nossa casa não é segura, mas não fique com medo porque um amigo da mamãe vai te ajudar ok? — Ela olha para mim com um sorriso emocionado enquanto sua lágrimas escorrem pelo vinco das rugas do sorriso.

O..Ok mamãe. — Falei sem esperar que ela escutasse, mas ela corresponde com um sorriso maior ainda.

A mamãe vai ter que te deixar sozinho agora, mas eu sei que você é forte, forte como seu pai, seu avô, sua mãe... E é por isso mesmo que eles te querem.

Eu vou ser forte mamãe, mas e se eu ficar com medo?

Se qualquer dia você estiver em uma situação que nada parece fazer sentido, e você estiver com medo, sempre pode chamar a ajuda de seu pai, ele jamais te deixará sozinho. Espero demorar para te ver de novo aonde mamãe vai descansar, ok? Se cuida, inventorzinho. — Ela estendeu a mão e por um momento pensei que sairia daquele arco íris, me abraçaria e tudo ficaria bem, mas quando sua mão ensanguentada se aproximou de tocar a minha o arco íris se dissipou e ela foi embora, e dessa vez não voltou, nunca mais.

“Eu preciso ser forte pela mamãe” — Era o que eu pensava com dez anos de idade, botando meus carrinhos de metal no bolso e pulando a janela do quarto ao ouvir um estampido na porta da frente da casa.

Eu chorava e corria, corria e chorava, pedia ajuda a adultos na rua, desesperado, perguntando por eles sobre Dandara e esperando algum tipo de resposta, mas eu vivia em Oakland, Califórnia, a cidade do crime, do desemprego, do tráfico e dos assaltos, os adultos já estavam acostumados a ignorar crianças assim, então me joguei num beco amedrontado e comecei a falar baixinho.

Pai, seja você quem for, eu preci...

Não peça ajuda de seu pai agora. — Me interrompeu um homem baixinho com um andar desengonçado, cabelo cacheado volumoso e uma grande barbicha no queixo. — Ele só atenderá em um momento, e você vai saber qual.

Você é o amigo da mamãe? — Perguntei encolhido.

Agora sou amigo? — Ele ri parecendo lembrar de alguma coisa. — Prazer, eu sou Yuri, você vai viver nas ruas comigo agora. Vim sim por causa de Dandara.

Mamãe está bem? — Perguntei me levantando e me esgueirando para perto do homem, limpando minhas lágrimas. — Nós vamos viver na rua?

A rua não é tão ruim assim, ela te ensina coisas que você jamais vai esquecer. — O homem coça a cabeleira e me olha sério. — Agora seque essas lágrimas e venha comigo, se quiser continuar vivo vai ter que ser forte.


        Desperto do flashback novamente com palavras cravadas na minha mente, o que Yuri dizia — “se quiser continuar vivo vai ter que ser forte” — e ele realmente me ensinou a ser forte, e hoje raramente tinha que secar lágrimas com minhas calejadas mãos. Meu sangue ainda fervia e eu já não mais arrepiava na presença daquele animal imenso, e foi quando outra frase de Yuri ecoou em minha cabeça — “Ele só atenderá em um momento, e você vai saber qual.” — E ele realmente estava certo, eu sabia o momento.

        — Cuidado! — Escutei o grito de Ester abafado pelo vidro do carro me avisando do monstro.

E ao ver o imenso monstro investindo para cima de mim, com seus olhos fixos em mim, pulei com um pé no capô do carro, dando um mortal por cima do leão e caindo de pé na estrada, Ester olhava sem saber como eu havia feito aquilo, e eu também não sabia como.

        Mas então sem perder tempo demais eu parei, fechei os olhos enquanto o animal se recompunha, e pedi “Pai, agora eu entendo tudo, e entendo porque me deixaste na minha infância, e não te culpo por isso, afinal minha mãe o amava muito e se você fez ela feliz, você deve ser incrível, porém agora estou para entrar em uma vida que não fui preparado para viver, me ajudar nela, por favor, não me deixe agora.”, e então abri os olhos, mas nada havia mudado.
Por um momento pensei estar perdido, abandonado mais uma vez, sem ninguém para me ajudar, o Leão se preparava para mais um ataque, estava parado do lado da porta de motorista do carro, enquanto me encarava com seus olhos profundos e antes de que qualquer um dos dois pudesse agir, Ester pulou do banco do passageiro para o banco do lado, ficando ao lado do monstro, abriu o pino do carro e chutou a porta, fazendo-a dar na cara do monstro, que não esperava a audácia da garota e se atordoa.

Meu deus, essa garota, acho que estou apaixonado” — Caí nos meus pensamentos novamente.



O dia havia recém começado em uma manhã quente e nublada, e eu precisava de algo para comer, pois já fazia mais de vinte e quatro horas desde a última refeição. Falei com Yuri, que resmungava alguma coisa do tipo, “Vai sozinho, garoto, você já tem quinze anos.”, e então decidi de fato levantar sozinho e ir procurar algo para comer.
Procurei em algumas lixeiras de restaurante sobras da noite anterior mas não achei nada comestível, então fui fazer o de praxe, jogar futebol para esquecer da fome, o que eu fazia quase todo dia que havia uma partida amadora de futebol americano de jovens dos quais eu havia feito amizade.
Contei moedas para ver se tinha o suficiente para o ônibus mas não dei sorte, então peguei o caminho mais longo à pé. O caminho não era tão difícil, mas para quem mora em Oakland todo dia pode ser difícil, e ao virar em uma esquina à duas quadras do campo de futebol dos garotos, eu vi uma garota sendo assediada por dois marmanjos com camiseta dos Golden State Warriors. Ela era muito bonita, mais alta que os garotos mas não tanto como meus 1,90, pele morena e com cabelo cacheados curtos, que batiam no seu queixo, mas bem volumosos, seu corpo era voluptuoso e ela se defendia dos dois homens com corajosos chutes e socos, pessoas passavam na rua mas ninguém dava a mínima.

Ei, deixem a garota em paz. — Eu tinha apenas quinze anos, mas não parecia, minha mãe era bem alta, e sempre disse que meu pai também era. Alto e forte, com uma boa quantidade de pelos na cara e uma pele morena infelizmente respeitada naquela região. — Voltem pro inferno de onde vocês vieram e eu não acabo com vocês agora.

Você está pensando o que? — Esbravejou um enquanto soltava ela, ela correu e se pôs atrás de mim, mas ainda em algum lugar onde poderia encarar os delinquentes. — Você é grande mas não é dois. — Ele sorria enquanto puxava uma faca de sua cintura, o outro fez o mesmo.

Vocês são dois mas eu sou ruim, rapaz, não quero tirar o que eu tenho na cintura. — Botei a mão na cintura, onde ficava minha faca, mas podia fazer um bom volume para assustá-los por dentro da camiseta. — Olha que hoje eu vim sem os caras do Bruce porque ele mesmo me disse que não ia ter problemas nessa área.

Você est- está com Bruce? — Perguntou o outro homem enquanto guardava a faca. O nome de Bruce, um grande traficante de drogas da região, do qual eu e Yuri já havíamos tido diversos problemas. — Desculpa, ele não nos avisou que viria ninguém aqui hoje. Pode passar, não o incomodaremos mais.

Caminhei com a garota nas minhas costas por mais uma quadra até os caras sumirem e ela começar a falar.

Olha, muito obrigado, não sei nem o que posso fazer p’ra te agradecer. — Ela parecia aliviada, mas não demonstrava medo. — Você mente muito bem a propósito, quase me convenceu. Gostei de você

Você não precisa agradecer. — Falei com um sorriso e levantando o punho como quem pedisse um soquinho de mãos. — Gostei de você também, detectora de mentiras, corajosa, e não parou de enfrentar aqueles garotos nem por um momento, acho que nos daríamos bem.

É? — Ela pergunta com um olhar abusado e irônico, correspondendo meu soquinho. — E o que você vai fazer agora?

Bom, na verdade eu estava indo jogar futebol americano com uns universitários amigos meus. Você gostaria de me acompanhar? — Perguntei coçando a cabeça.

Uh, futebol, eu amo, vou te ver jogar. — Ela dá pulinhos no lugar. —  E a propósito, meu nome é Ester.

Ela me acompanha e fica sentada na arquibancada, gritando e comemorando a cada corrida bem sucedida minha, e era a primeira vez em cinco anos que eu sentia que alguém realmente havia gostado de mim e se sentia feliz mesmo por eu me sair bem no campo. Saí do jogo e fui para o vestiário tomar um banho, saí de lá por volta das nove da manhã e para minha surpresa ela ainda estava lá, depois de duas horas de jogo e meia hora de banho, me esperando.

Ela pediu para que eu a levasse para casa, e assim pretendi fazer, andando ao lado dela e conversando apaixonadamente sobre nossas vidas. Descobri que ela tinha dezesseis anos e estava matando aula, pois não aguentava mais aquilo, queria fugir da cidade e nunca mais voltar, era uma garota inconsequente, rebelde, impulsiva e corajosa. Para ela eu contei boa parte da minha história, de como eu vivo com o Yuri, correndo nas ruas, desde meus dez anos, quando perdi minha mãe, e como Yuri toma conta de mim faz cinco anos, me dando lições de como viver na rua e em como ser forte. Contei também sobre os garotos do futebol, que me viram admirando o jogo deles um dia e me deixaram jogar, e é bom porque além de amar o esporte, é o único banho de verdade que eu consigo ter na semana, — Pelo menos estava limpinho p’ra ela — brinquei arrancando algumas risadas. Ela ficou com pena e perguntou como eu aguentava tantos problemas na vida, e eu brinquei novamente.

Problemas não são como seus olhos para eu me render tão facilmente. — Sorri vendo ela se envergonhar enquanto parávamos na frente de um restaurante mexicano. — Ué, você mora num restaurante mexicano?

Jim, eu estou matando aula, acha mesmo que eu ia voltar p’ra casa? Quero te dar uma refeição decente. — Ela sorria ainda envergonhada e fazendo um gesto para que eu entrasse no recinto.

Não, não posso aceitar. — Falei orgulhoso.

Considere isso um encontro então, vamos. — Ela fala me dando as mãos e entrando no restaurante.
       

        Desperto do flashback e Ester sai correndo do carro após abrir a porta, disparando em linha reta no caminho do tal acampamento que deveríamos chegar, o monstro já não mais atordoado vira e começa a se preparar para correr na direção de Ester.
Ok, um leão atinge 80km/h, eu acho que a garota não consegue correr mais que isso” — Penso rindo para mim mesmo — “Como você consegue fazer piada até numa situação dessas? Você não presta, Jim” — Saio dos meus próprios pensamentos e corro em direção ao Toyota Supra — “0 a 100 em 5 segundos, vamos ver se é isso mesmo.” — Entro no carro e seguro seu volante, piso na ré mas o carro não faz nada, travado na árvore da qual havia batido de frente. — “Vamos lá amigo, preciso de você por uma última vez. Sou filho do Deus das Máquinas, posso lhe oferecer muitas coisas.” — E então o carro dá partida sozinho, engatando a marcha ré e me botando na estrada sem que eu precisasse me mover.

        Segurei o volante firme, botei o pé na embreagem e no acelerador, troquei a marcha do carro e acelerei, troquei de marcha novamente e aumentei a velocidade, o carro já havia passado a velocidade do leão e estava conseguindo alcançá-lo, não demorou mais do que dois segundos para que a lataria do carro se chocasse com tudo nas patas traseiras do animal, fazendo-o rolar por cima do carro e cair estatelado no chão, lá atrás.

        — Toma essa, Hércules, poder da tecnologia. — Falei para mim mesmo, mas não tive tempo para comemorar. O carro ao se chocar com a pesada massa  do animal, perde totalmente o controle e novamente desliza em direção à floresta. Eu seguro firme no volante e com os pensamentos em meu pai, digo. — Pai, sei que não irá me abandonar, minha mãe confiava em você, então ela tinha motivos para isso. Eu preciso que ilumine meu caminho para que consiga salvar a pessoa por quem estou apaixonado. — E ao terminar a frase escuto barulho de algo se arrastando pelo chão rapidamente,  e ao olhar para a floresta da qual eu estava indo sem controle nenhum, vejo um machado, um grande martelo, se arrastando de muito longe pelo chão, como se estivesse magnetizado com algo muito poderoso em mim, e em segundos o martelo para do lado do carro, fazendo-o parar também.

        Saio com um pulo do carro me recompondo, olho para a direita e vejo o Leão tentando se levantar depois da porrada com o carro, mas com dificuldade de se colocar de pé. — “Esse bicho é duro na queda, por#@” — Olho para esquerda e vejo Ester correr desesperado em direção a esse tal Acampamento, e eu no meio com um carro que havia parado em algo que estava do outro lado, pulo o capô amassado do Toyota Supra e ao parar do outro vejo o martelo que vi parar ao lado do carro, com certeza um presente enviado por meu pai para me ajudar neste momento.

        — Obrigado, pai. — Olhei para cima. — Não sabia p’ra onde olhar, desculpa se você não está aí em cima.

        Coloquei minha mão em voltas do punho do martelo, ele era firme e feito com porcas, parafusos, pregos e rebites de uma espécie de bronze enferrujado, fundidos em forma de um cabo firme de um grande martelo de guerra, mas você ainda podia ver que eram utensílios do tipo, e esse cabo seguia por mais ou menos sessenta centímetros, dando então à uma cabeça de martelo, com um lado pontudo e feito de um material de bronze reluzente, que partia com um degradê até a parte de aço e chata do martelo, a parte para martelar, com dentes como um amaciador de carne, um lindo martelo de guerra.

        — Nos ajudem, estou com um filho de Hefesto, a gente precisa de ajuda. — Ouvi Ester gritando ao longe e uma movimentação acima dela.
        Saí do transe e olhei para o Leão de Neméia, ele estava mancando com sua pata traseira esquerda, mas continuava de pé, levantei com força o grande martelo de duas mãos do chão e o empunhei, pronto para o ataque, o leão rugiu e pulou para cima de mim. Lembro da minha última experiência batalhando contra mitos.



Eu e Ester estávamos terminando de comer no restaurante mexicano, conversamos muito sobre nossas vidas, e contei bastante de minha história para ela e ela a sua para mim, além de conversar bastante sobre gostos comuns, como futebol americano e música.

        — Velho, quero você p’ra minha vida sempre. — Disse a garota com encanto nos olhos. — A gente pode vir aqui tod...

        — JIM! — A garota foi interrompida por Yuri, que entrava em berros no restaurante, correndo até minha mesa esbaforido e puxando minha mão. — Você precisa vir comigo, não posso aguentar isso por mais tempo.

        Gaguejei algumas coisas sem sentido tentando contestar, mas Yuri parecia preocupado, então saio do estabelecimento com ele e Ester me segue.

        — Que por#@ é essa. — Bradou Ester — Quem é esse?.

        — Ester, Yuri. — Falei apontando um ao outro. — Yuri, Ester.

        — Não ligo pros seus rabos de saia, mas o papo é serio. — Disse Yuri rude. — Ouça, Jim, chegou a hora.

       — A hora do quê?

        — Você sabe do quê, não se faça de tonto, meu faro é inabalável, eu sei que você nos observava no dia que conversei com sua mãe. — Ele me olhava sério, quase sem piscar. — Eu sei que você sabe que não é normal e sua vida tem algo a ver com mitos do qual você provavelmente achou que eram de fato mitos, e o que eu vou falar agora é difícil de engolir, mas você tem que se ligar AGORA, e nós vamos partir, ok?

        — Ok. — Respondi receoso.

        — E eu posso ficar aqui? — Perguntou Ester.

        — Eu não ligo para você aí ou não. — Disse Yuri. — Mas escute, Jim, o que sua mãe dizia é verdade, e sei que já viu muitas coisas estranhas na sua vida p’ra negar que você é diferente, e especial. Agora olhe, você viu as coisas que aconteceram em São Francisco? Os monstros, os heróis? Então, você é um desses heróis, e não só um deles, um dos mais fortes possíveis. Eu vivi nas ruas com você para tentar esconder seu cheiro pela maior quantidade de tempo possível. E consegui, eu sou muito bom. — Ele fez uma pausa se vangloriando e dando um sorriso sem graça. — Mas você é forte demais para ficar escondido, um filho de Hefesto, um Semideus com o potencial para ser lendário, como sua mãe foi, mas agora o cerco está se fechando, sua mãe nunca imaginou que a situação poderia estar tão ruim como está ultimamente. Nyx acordando, a névoa, A Seita, o ataque nas cidades, você precisa ir p’ra um lugar seguro, mesmo que não fosse o que sua mãe gostaria.

        Me atordoei por severos segundos, tentando captar essas informações todas de uma vez, entendê-las não foi tão difícil devido à experiência de mitologia com minha mãe e com o que tinha ocorrido na cidade, mas aceitá-las sim era uma tarefa árdua.

        — Espera, então você quer dizer que aquilo não era um sonho? Minha mãe realmente é filha de Ares? E teve um filho com Hefesto? Isso nem faz sentido. — Fiz uma cara de nojo breve. — E se isso é verdade por que está me contando agora e desse jeito?

        —É... — Disse Ester tentando parecer ameaçadora, mas sem estranhar nada do que Yuri disse.

        — Olha, eu sei, gosto não se discute. E Hefesto e sua mãe tinham uma desavença em comum, os dois odiavam Ares. Mas isso não vem ao caso agora. FOCO GAROTO — Yuri estava definitivamente preocupado com algo. — Quanto mais os semideuses sabem sobre si mesmos mais forte é o cheiro deles, e bom, seu cheiro já era forte o suficiente p’ra eu ter que esconder, então não te contando seria o mais eficiente. E agora sou obrigado a contar. — Ele faz uma cara de preocupado, quase que abaixando as orelhas como um cachorro. — Os monstros rondam Oakland há meses para te caçar, até A Seita já sabe sobre você, eu não vou conseguir  te proteger por mais tempo, está fora do meu alcance, você precisa partir agora.

        — Não ssssem passsssar por nósss. sssserá um prazer acabar com alguém asssssim. — Disse uma voz vindo da esquina, eu viro para ver quem havia dito isso e me deparo com duas mulheres com troncos de serpente onde deveria estar as pernas, uma lança em uma das mãos e um escudo na outra, as duas prontas para atacar. Eram Dracaenaes, eu me lembro pelos contos da minha mãe.

        — O que é isso. — Berrou Ester.

        — Espere, ela consegue ver? — Se surpreendeu Yuri. — Você tem poder contra névoa?

        — Eu estou cada vez mais confuso. — Berrei para os dois.

        Mas ao dizer isso fui surpreendido por uma das Dracaenaes que disparou na direção de Yuri, ele desviou rapidamente e tirou uma faca de bronze de seu bolso, jogando-a para mim.

        — Só metal celestial fere elas. — Ele grita para mim, pegando uma outra para sí mesmo.

Ok, Jim, sua mãe era filha de Ares, você de Hefesto, você consegue fazer isso, você consegue.” — Pensei, empunhando a faca e partindo para o combate. E de fato eu não sei como fiz aquilo, mas meus pensamentos eram rápidos, eu sabia cada movimento que teria que fazer em batalha, como se seguisse planos mentais já bem elaborados, que vieram do nada. Ataquei a mulher cobra que estava mais atrás, ela desferiu um golpe de lança em mim, mas desviei para o lado e agarrei a lança com a mão esquerda quebrando-a com a pressão de meu braço e de meu abdomem. Puxei o que restou da lança, o cabo que ela ainda segurava, e a fiz ser alavancada em minha direção, vejo ela vindo com o escudo em suas mãos, mas faço um giro de futebol, parando atrás dela, e desferindo um golpe certeiro com a faca em seu pescoço, vendo-a se tornar pó. — Uh, isso foi demais.

        — Jim! — Ester berrava me tirando de meu momento de orgulho. — Seu amigo.

        Viro pro lado e vejo Yuri encurralado pela Dracaenae que havia sobrado, ela tinha a lança em sua barriga e meu amigo tentava se mover para trás mas impedido por um potente Toyota Supra que se encontrava nas suas costas. Corro até a Dracaenae e faço um movimento de futebol americano com ela, segurando seu tronco e me lançando ao chão junto com ela, ela perde a lança mas no chão me golpeia com o escudo, o metal atinge minha barriga e perco o ar momentaneamente por causa da dor, suas pernas de cobra rapidamente a fazem levantar e recuperar sua lança, que agora mirava em meu pescoço no chão.

        — Larga ele, seu demônio infeliz. — Gritou Yuri pulando em suas costas e se prendendo à mulher cobra. A mulher metade cobra se choca ao carro de costas e faz Yuri cair, Yuri se arrasta no chão para um pouco longe, saindo de trás do carro, porém a lança da Dracaenae ainda o alcançava, e ela faz um profundo corte em sua barriga.

        Ester corre em direção a Yuri, e antes que a Dracaenae pudesse reagir, meu corpo tomado de raiva pelo profundo corte que ela havia desferido à Yuri, se aquece, sinto meu sangue ferver, e então o Toyota Supra antes estacionado, liga e dá marcha ré rapidamente jogando o monstro metros a frente, me dando chances de me recompor.

        — Máquinas um, feiosa zero. — Falo me levantando e partindo para cima.
Ela tenta se preparar a tempo mas eu penso mais rápido, chuto seu escudo e piso em seus peitos, ela tenta me golpear com a lança mas a curta distância impede qualquer movimento efetivo, tento me baixar para esfaqueá-la mas suas mão seguram as minhas, estávamos numa posição que bloqueava os dois, mas aí vejo Ester pegando a faca de Yuri e correndo em minha direção, fazendo um grande corte no pescoço da Dracaenae que se encontrava no chão, fazendo-a virar pó e eu tropeçar um pouco em mim mesmo.

        Corri em direção de meu amigo assim que pude e vi que o corte em seu abdômen era profundo e provavelmente mortal, grande demais para ser estancado e tarde demais para ser costurado, olhei com pena para ele.

        — Cumpri minha missão, sua mãe estaria orgulhosa de mim agora. — Ele se esforça para rir. — Veja, no meu bolso, pegue, é um mapa para onde deve ir para ficar seguro, este lugar é em Los Angeles, aprenderá a controlar seus poderes e tudo mais que necessita saber, reze por mim, e diga à ninfa Azzy que eu amo ela.

        — Adeus velho amigo. — Falo pegando o mapa de seu bolso e dando à Ester. — Aprendi muito com você.

        Seguro a mão dele por poucos minutos, sem exitar, até ver seus olhos fecharem, uma lágrima cai do meu olho e Ester rapidamente limpa ela.

        — Eu tenho que ir. Me dê o mapa. — Falo estendendo a mão.

        — Iludido você, se acha que eu não vou junto. — Ela segura o mapa com força.

        — É muito perigoso. — Respondi fazendo uma cara séria

        — Então me proteja. — Ela fala apertando meus músculos. — E seu cheiro de semideus forte já deve ter impregnado em mim nesse ponto, se eu sair por aí sozinha outros monstros podem me achar.

        A moça havia me convencido, pego o mapa, encosto no Toyota Supra e o convenço a nos deixar entrar, e então partimos nessa jornada para um tal de Acampamento Meio-Sangue.


        E lá estávamos, eu metendo uma garota na maior enrascada de sua vida só porque ela achou que seria divertido. Era meu dever proteger ela. Eu deixei minha mãe morrer, Yuri morrer, não deixaria outra pessoa. O Leão partia para cima de mim, mais lento dessa vez, escutei Ester voltando correndo, dizendo que ajuda viria logo, segurei meu martelo firme, com as duas mãos, e quando o animal pulou em mim desferi um golpe da direita para a esquerda com a parte chata, o acertando nas costelas e o arremessando pela estrada novamente junto com um belo som de ossos quebrando, minha força sempre havia sido impressionante, mas ultimamente ficava cada vez maior e os ossos do animal não pareciam gostar da notícia. Porém devido ao grande impacto com a pele impenetrável do animal meus braços foram jogados para trás, cambaleei e caí. O impacto arremessou meu martelo longe, e percebi que embora seja um ótimo presente eu não poderia lutar com o Leão desse jeito, eu tinha que matar tempo, e tinha que fazer isso desviando das investidas do animal.

        Meu corpo fervia, minhas mãos grandes e calejadas se encontravam ao lado de meu corpo, tentei pensar naquilo como um jogo de futebol americano, como os que eu jogava toda semana, o monstro se levantou e rugiu para mim, todos os pelos do meu corpo se arrepiaram, eu pensei em exitar, mas eu precisava aguentá-lo por Ester, meu corpo se prendeu ao chão e o monstro correu em minha direção.

        — Filho de Hefesto! — Escutei a voz de Ester metros atrás de mim. — Eu sei que nos conhecemos à pouco tempo,  mas o jeito que nos envolvemos, o jeito que nos tratamos. Você consegue fazer isso. EU TE AMO!

        Sua voz entrou no meu corpo como combustível, todo meu medo foi embora, olhei nos olhos do Leão que pulou em minha direção, tudo pareceu andar lentamente para mim, e então eu pulei para o lado, esquivando do animal, porém não sem ter o ombro cortado por suas grandes garras. Rosnei com a dor e me virei novamente para o animal, ele dessa vez estava preparando um ataque, mas não para mim, para Ester.

        — J...Jim. — Ela falou andando para trás com medo. — Me ajuda.

        A última vez que alguém tinha dito que me amava, fora mais de cinco anos atrás, meu corpo se sentia impulsionada a proteger a garota de todo o mal, como se nossos corpos tivessem sido impulsionados um ao outro quase como um imã, mas tive que parar de pensar nesse amor incomensurável que havia queimado dentro de nós tão rápido e pular para cima do animal, ignorando toda a queimação que havia em meu ombro, rasgado pelo ser. No pulo caí estirado em seu lombo, meus braços se seguraram em seu pescoço e apertei, firme, meus joelhos caíram para o outro lado do corpo do animal e meus pés arrastavam no chão, o animal rugia bravamente e eu me recomponho, ficando de pé ao lado dele e continuo enforcando-o.

        — A ajuda está chegando, Jim, você é forte, vai aguentar. — Disse a garota apontando para trás, de onde vinham três jovens com armaduras completas para me ajudar. — E então nós vamos poder ficar juntos, sem se preocupar com o que minha família quer ou pensa de mim, e sem você ter que viver do jeito que vivia.

        Sua proposta enche meus olhos de alegria, eu segurava o Leão com toda força pelo pescoço, mas ele é muito mais forte que eu, fora Hércules que havia o enforcado, eu não era Hércules. Aproveitei a segurança que tinha com minhas mãos em volta de seu pescoço e pulei em cima dele, como se estivesse num touro de rodeio, ele chicoteava seu corpo de um lado para o outro, quando para momentaneamente e então dispara em direção à Ester, me carregando como um chaveiro no seu pescoço.

        — Corra! — Bradei firme enquanto deslizava minha mão de seu pescoço para sua boca, e assim que ele a abre coloco minha mão direita na parte de baixo de seu maxilar e a esquerda no topo, fazendo força para abrir o máximo possível da boca do animal, e além, prendo minhas pernas ao seu tronco para me firmar mais e conseguir tirar o maxilar do animal do lugar, mas a escolha havia sido horrível, e num solavanco minhas pernas escapam e caio do lado do animal, vendo minhas mãos escaparem e o Leão seguir firme em frente buscando Ester. — NÃÃO!

        O animal assim que se desvencilhou de mim pulou em direção de Ester, suas grandes patas se chocam contra o peito da garota, tombando-a na estrada, e antes que eu pudesse sequer me levantar, a bocarra do animal se abre e seus afiados dentes se cravam no pescoço de Ester, quase que no mesmo momento em que uma chuva de flechas chama atenção do animal, que levanta a cabeça com sangue em sua boca e corre na direção de três guerreiros que estavam armados até os pés.

        Jim dispara em direção à Ester sem nem se levantar, meio em quatro pés, e para ao seu lado, segurando sua mão. A jovem ainda estava lúcida.

        — Jim... Ah grande Jim... — Ela sorria e apertava minha mão. — Se os deuses realmente existem, e toda essa grande mitologia é real. Oh Jim. Você tem com certeza o futuro mais divino que pode existir. — Ela não se movia, seu batimento estava lento, mas não conseguia tirarmos os olhos um dos outros. — Eu vou morrer, e estou bem com isso, em um só dia com você vivi muito mais do que em todos os meus dezesseis anos. Até depois da morte, amor, sei que nos encontraremos lá.

        — Ester... — Lágrimas tomavam meu rosto, eu nunca havia sentido nada parecido, maldito seja o cupido. — Se tudo isso é verdade, você irá para algum lugar, e eu prometo pelos deuses, que eu vou lhe buscar. — Beijo seu rosto e sento exausto no chão. Por um momento esquecendo de toda a briga, de todo o terror do monstro, só sinto um grande vazio por dentro. Minha mãe, Yuri, Ester, todos esses poucos que se importaram comigo haviam perecido, e agora eu estava sozinho, com o martelo vindo de meu pai e um novo mundo prestes a ser descoberto. Volto ao seu corpo e deito em seu peito, completamente em choque, chorando, até desmaiar de exaustão.


Informações:
Jim ainda tem muitos mistérios na sua vida, sobre a história de sua mãe e o motivo dela odiar Quíron e o Acampamento, mas isso se desenrolará em sua trama pessoal, podendo servir inclusive de motivação para escolher seu lado na guerra. Jim também tem o caso de sua amada, uma paixão fulminante, que quis deixar bem claro que foi culpa de Eros, minha intenção é desenvolver uma trama pessoal como a de Orfeu e Eurídice, mas isso fica mais para frente, obrigado pela disposição de ler minha história e qualquer crítica é bem vinda.

Não tive template e nem imagens para decorar o texto pois ainda estou proibido de usar links externos, mas creio que não tenha atrapalhado o entendimento da história, assim que for liberado usarei um template customizado para meu personagem.
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Jim Howard Phillips
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Re: CCFY - O que separa os homens dos meninos

Mensagem por Vênus em Dom Jan 21, 2018 12:42 pm


Jim Howard Phillips

Método de Avaliação:

Valores máximos que podem ser obtidos

Total de XP e Dracmas: 3.000 XP e 3.000 Dracmas.

Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%


Enredo e coerência de batalha: 45%
Gramática e ortografia: 16%
Criatividade: 30%

RECOMPENSAS:  2.730 XP + 2.730 Dracmas

• Martelo Sucata [Um martelo de guerra com noventa centímetros de comprimento, porém mais leve do que deveria, seu cabo é feito de vários instrumentos de metal, sejam eles parafusos, rebites, pregos e até mesmo cabeças de martelo, fundidos em forma de cabo, continuando ainda sim confortável com seus sessenta centímetros de comprimento. Já a cabeça do martelo era quase que uma poesia em forma de metal, a parte afiada e pontuda do martelo é feita de bronze celestial, para cravar nos mais terríveis monstros, e em um degradê quase que impossível o aço bronzeado se transformava em uma cor fosca de aço, aonde se encontrava a parte do martelo feita para bater, com pequenos dentes como se fosse para amaciar a carne, e esse lado feito de aço humano, sendo assim capaz de machucar quem quer que se ponha na frente do semideus | Efeito 1: Tem peso diferente, sendo mais pesado na mão daqueles que não são filhos de Hefesto, tendo um peso confortável na mão dos semideuses e um peso quase nulo quando levado pelo semideus em algum outro lugar que não suas mãos. | Bronze Celestial e Aço | Sem espaço para gemas. | Beta. | Status 100%, sem danos. | Mágica.]
Comentários:

Jim eu acredito que sua historia tenha sido suficientemente bem explicada para lhe garantir tanto a filiação quanto o legado, assim como a arma que você montou (só ajustei a descrição). Eu encontrei alguns erros de português bem evidentes, muitas virgulas colocadas em frases que não eram necessárias virgulas e algumas onde deveriam haver pontos. Excesso de palavras repetidas também lhe garantiram alguns descontos no quesito ortografia em sua avaliação. Quanto a história, no geral ela tem coerência e está enquadrada dentro de uma proposta adequada, mas friso a parte da batalha que acho que poderia ter sido um pouco melhor, alguns trechos me fizeram acreditar que você poderia ter morrido, principalmente pela escolha do monstro. Contudo, estou aceitando-a sem muitos problemas, mas deixo o recado para que em suas próximas postagens tente escolher monstros diferentes que sejam mais de acordo com o nível atual do seu personagem sim? Fora isso, nada a dizer. Parabéns e bem-vindo.


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