The Blood of Olympus
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Skeletons in the closet.

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Skeletons in the closet.

Mensagem por Skyler H. Moonhead em Seg Jan 08, 2018 4:42 pm

I'm rolling thunder, pouring rain
informações gerais
Registro۰ Skyler Heaven Moonhead. Skyler como uma referência ao céu. Heaven, por ser o nome de sua mãe e também uma referência ao paraíso. Moonhead, bem, é o seu sobrenome, mas não deixa de ser verdade de que ela vive no mundo da lua mesmo.

Apelidos۰ Sky, Heavy, Lua, Ler e Avoada são algumas variações dos seu nome que as vezes são usadas. Sobre as suas características, pequena e bailarina são as mais apontadas pelos que tentam se achar superiores a ela. Todavia, em alguns outros casos, termos como “senhora” ou “chefe” ou “líder suprema” podem ser utilizados e, particularmente, são os favoritos da pequena.

Filiação۰ Heaven Rayley Moonhead e Zeus.

Estado Civil۰ Solteira.

Cidade natal۰ Nova Iorque.

Residência atual۰ Acampamento Meio-sangue.

Data de nascimento۰ Uma informação que, como muitas outras, ficaram perdidas no tempo quando sua mãe morreu. O orfanato já tentou comemorar com a data de chegada dela no orfanato, mas aquela data nunca foi algo que ela quisesse comemorar, por motivos óbvios.
informações mitológicas
Linhagem۰ Filha de Zeus, neta de Ares.

Defeito Mortal۰ Húbris, ou orgulho mortal ou arrogância. Sobre esse, um trecho do poema Pedra Filosofal pode descrever muito bem o que se passa na mente dela: Eles não sabem, nem sonham, que o sonho comanda a vida. Que sempre que o homem sonha o mundo pula e avança como bola colorida entre as mãos de uma criança. Acredita piamente que só morrerá quando deixar de sonhar e de nada adianta sonhar se não trabalhar em busca do sonho. Por isso, antes de acreditar em qualquer um, acredita em si.
descrições
Descrição Física۰ À princípio, não parece realmente ameaçadora. Sua aspecto é levemente esquelético, apesar das curvas bem determinadas. Os quadris são um pouco mais avantajados que o busto e contrastam bem com a cintura bem fina. Na verdade, ela é toda contraste. Os olhos e a pele bem claros entram em um contraste quase perfeito com os cabelos, as sobrancelhas e maquiagem negra. Seu rosto é perigoso e doce ao mesmo tempo, bem como todo o corpo. Geralmente, tem uma expressão séria acompanhada por um olhar tempestuoso quebrado por uma pele extremamente macia e um corpo aparentemente frágil. Não se anime; pode não ter a maior das forças, mas a flexibilidade e agilidade estão sempre ali e, com elas, sabe fazer um estrago considerável. Além disso, pode não ser exatamente forte, quando se trata do exterior, mas ninguém pode negar a potência de seu interior.

Descrição Psicológica۰ Passou por muita coisa, sabe? Não é uma menininha comum como qualquer outra e só isso já a fazia ver o mundo de forma diferente. Podia parecer inocente, na maior parte do tempo, mas não era realmente alguém que você pode perturbar à seu bel-prazer. É bem impaciente, quase nunca demonstra timidez ou temor, seja qual for a situação. Adora argumentar e expôr seus ideais, mas também não costuma negar confrontos físicos. Raramente fica calada quando afrontada diretamente, mas, se a situação exigir, sabe bem como manipular os demais da forma mais graciosa e calma possível; mesmo não passando de uma máscara. É gentil e nunca se importa em ajudar o próximo. Exatamente por isso, faz amizades com certa facilidade, mas o único sentimento que acredita ser duradouro é o ódio aos inimigos ferozmente marcado em seu encéfalo. Mesmo quando parece calma e despreocupada, apenas rindo e olhando para o tempo, está friamente analisando todas as situações.

Talentos۰ Praticou por muito tempo de sua infância diversos tipos de danças e artes marciais. Faltou várias das aulas normais da escola para isso, no entanto, não que ela ache que tenha perdido alguma coisa.
história
Nascimento۰ Nasceu em uma cidade normal ao lado da mãe e do padrasto que sempre a amaram muito. O padrasto era tido como infértil e, por quererem muito um filho, acabaram por recorrer aos deuses por um. Mesmo sendo filha de um deus, Heaven não havia conhecido muitos deles, então só foi perceber o que tinha feito de verdade depois de alguns meses, quando a filha começou a mostrar o que era.

A morte dos pais۰ Tinha três anos quando, pela primeira vez, a mãe tinha permitido a ela passar algum tempo fora de casa. Ela tinha sido inscrita em uma escola para que, principalmente, aprendesse a lidar com outras pessoas, uma vez que estava sendo mantida principalmente escondida em casa pela mãe. A mãe demorou alguns dias antes de notar que tinha feito uma escolha realmente errada ao matricula-la naquela escola. Não sabia como explicar ao marido o que tinha feito. Os perigos que sua filha estava correndo. Mas, naquele dia, se negou a mandar ela para a escola. Não esperava, no entanto, que o perigo viesse bater em sua porta depois disso, apesar de estar preparada para tanto, caso precisasse. Sky demorou anos para saber o que realmente havia acontecido naquela noite. Até lá, apenas tinha pesadelos com as partes que ainda lembrava; a sua visão das coisas.

Infância۰ Depois da morte da mãe e do padrasto, foi mandada a um orfanato e, apesar de tentarem ficar com ela, não conseguiram. Ela atraía todos os tipos de problemas conhecidos e desconhecidos desde muito nova. Por isso, em menos de um mês as pessoas do orfanato decidiram que ela seria uma das órfãs que não permaneceria no orfanato em tempo integral. Era mandada para internatos sempre que possível. Quando era expulsa de um, ia para outro e ficava, de fato, no orfanato apenas em períodos de transição ou nas férias. Nesses tempos, eles tentavam muito coloca-la em uma família adotiva, mas nunca conseguiram ter sorte com aquilo, já que ela nunca apoiava as tentativas e sempre assustava os possíveis pais.

San Francisco۰ Tinha 12 anos quando foi mandada pelo orfanato desavisadamente a um internato que ficava na cidade de San Francisco. Nele, conseguiu bater o próprio recorde de tempo mínimo no qual conseguira ficar em uma escola antes de ser expulsa. Seu recorde anterior era um pouco menos de um mês, quando conheceu uma amiga e acabaram se metendo em uma enrascada bem grande juntas e foram expulsas as duas (reencontra-la no Acampamento Meio-sangue fez as coisas fazerem muito mais sentido, posteriormente). O fato é que conseguiu ficar menos que uma semana em San Francisco antes de ser atacada e, por sorte, acabar esbarrando com alguém que pudesse de fato ajuda-la em seguida.

O trajeto até o Acampamento۰ O orfanato lhe deu dinheiro para sobreviver no internato e esse foi suficiente para ser usado em duas passagens de avião até a metade do caminho para Nova Iorque. Foi provavelmente o vôo mais calmo da história e o sátiro que a acompanhava aproveitou o tempo para instrui-la sobre a mitologia (o que mais precisava saber). Depois disso, tudo o que ela aprendeu foi na prática. Lutando com vários monstros enquanto caminhava ao lado do sátiro e as vezes até encontrando alguns semideuses novatos também em seu caminho. Preferiram não andar juntos sempre que possível, para a segurança geral da nação, mas acabaram eventualmente encontrando problemas juntos em seus desvios de rota.

Acampamento Meio-sangue۰ Um lugar bem divertido aquele. Onde descobriram sobre ela após ela fazer uma entrada um pouco catedrática ao lado de outros semideuses, em seu aniversário de 13 anos. Uma história realmente longa que provavelmente vou contar um pouco mais sobre daqui a pouco nesse mesmo tópico. O que vem depois disso, bem... Essa parte não se sabe ainda. Essa parte ainda iremos deixar passar para ver até onde ela vai chegar e como ela vai evoluir lá dentro. Provavelmente vai ser uma parte divertida de sua história, mas vamos ter que esperar para ver.
bônus
Informações da Player۰ Tenho 23 anos e faço faculdade nesse momento. Comecei a jogar RPG quando tinha 10 anos e parei quando cheguei na minha época de pré-vestibular, ficando cerca de 3 ou 4 anos sem jogar até que voltei a jogar no meio do ano de 2017, por saudades e incapacidade de manter a minha sanidade mental sem uma distração apropriada. Comecei jogando poterriano (tal como fiz agora que voltei) e depois passei a jogar nas plataformas olimpiana, mutante e sobrenatural. Dessas últimas, a que sinto mais falta é a olimpiana e, por isso, comecei a buscar por RPGs desse tipo até que, há pouco, encontrei a Blood e resolvi arriscar. Então, em resumo, sou uma novata aqui e estou há muitos anos sem jogar olimpiano, então espero que não cometa nenhum erro muito grave nos turnos que vou enviar a seguir. Mas, acima de tudo, espero que se divirtam lendo tanto quanto me divirto escrevendo. Qualquer erro ou observação a fazer, podem me contactar.

Formas de Contato۰ Vocês podem me contactar por Skype, lá o meu nick é lufanalouca. Caso prefiram, podem me contactar por MP mesmo, prometo que tentarei responder o mais rápido possível. Também tenho facebook e whatsapp, mas prefiro não deixa-los públicos, então, caso queiram, peçam por alguma das outras duas formas de contato.

Criação۰ Por enquanto, tenho nesse RPG apenas dois personagens, apesar de ter a intenção de criar mais um. Eles são a Skyler H. Moonhead, que estou inscrevendo para filha de Zeus. A outra é a Jyn Erso Stern, que criei a algum tempo quando ainda não sabia se queria entrar mesmo no RPG e pretendo ativa-la em seguida como filha de Atena e neta de Apolo. Veremos se conseguirei criar inspiração para escrever tanto.
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Re: Skeletons in the closet.

Mensagem por Skyler H. Moonhead em Qui Jan 11, 2018 7:37 pm

a pior noite de sua vida
Capítulo I • morte da mãe e do padrasto
Há cerca de dez anos, num pequeno mundo perdido em algum lugar no meio de nenhum lugar específico, estava chovendo. Chovia muito e já fazia algumas horas. A chuva formava uma névoa sobre a superfície, castigava as árvores, ensopava as ruas e deixava alguns motoristas realmente irritados. Em especial, batia e dançava sobre o teto das casas com um barulho ensurdecedor, mas, em uma singular, esse som passava quase despercebido por seus ocupantes, cuja atenção estava ocupada com outra coisa. Três eram os habitantes daquele lar: três pessoas com a pele bem branca e os cabelos bem escuros especialmente risonhos. A menor dentre esses estava pulando inquietamente, essa estava nas vésperas de seu aniversário de três anos e saltitava sem parar pela sala inteira. 

Doce, doce, doce. Quero doce! Muito doce! Proferia em um tom ritmado com toda a hiperatividade do mundo e era certo que crianças eram hiperativas, mas nenhuma conseguiria bater aquela ali. O homem de cerca de 30 anos riu das palavras da pequena e ficou de joelhos, colocando as mãos uma em cada lado de sua cintura. Nesse instante, parou de pular e olhou para o padrasto com toda inocência do mundo de quem certamente não tinha aprontado traquinagem alguma… Hoje. 

Como você consegue passar tanto tempo pulando? Indagou o mais velho pouco antes de levantá-la nos braços e a menor se acolheu ali, enterrando a bochecha no ombro dele. 

Vou ganhar quantos doces se te contar? Barganhou em um tom absurdamente infantil, arrancando um gargalhar do outro, ao que respondeu com um sorriso triunfante.

Seja esse ou não de fato um triunfo, conseguiu o que queria e foi levada até o estoque super secreto de pirulitos de caramelo onde teve o direito de escolher seu preferido. Escolheu o em formato de águia, mas, como era bem esperta e tinha duas mãos, se agarrou também àquele com formato de unicórnio. Depois de muita argumentação, o gênero mais forte acabou vencendo, quer dizer: a criança está com o pirulito. Skyler, esse era o nome da mais nova. Um nome bonito e adequado a alguém tão elétrico quanto um raio, ou um turbilhão deles. Mas afinal, eram três, não eram? Onde estava a mãe então? Ah, sim, lá estava o tempo todo: curvada sobre o parapeito da janela com um olhar de certa preocupação.

Estava certamente inquieta e sentia um arrepio estranho percorrer sua coluna enquanto observava uma movimentação, em particular, lá fora. Há algum tempo — não muito, apenas alguns dias —, os pais tiveram uma discussão e a cria não mais ia à escola inicialmente frequentada naquele ano. Não que estivesse realmente reclamando daquilo, gostava de passar mais tempo perto dos pais, mas era algo importante de se mencionar quando a diretora da escola estava ali em baixo junto a um dos professores e dois de seus colegas. Os envolvidos com a questão do pirulito ainda não tinham percebido nada, mas Heaven tinha e, por algum motivo ainda não muito claro, não gostava nada daquilo. 

Jam? Chamou, finalmente, o marido quando decidiu sair do parapeito da janela e tomar a filha nos braços. 

Heav? Indagou imediatamente antes de carinhosamente selar os lábios à testa da esposa que, em resposta, apenas maneou a cabeça de forma a apontar para a janela.

Ao passo que alcançou a janela, a campainha tocou e o olhar de um se voltou aflito para o outro enquanto a pequena estava distraída demais para processar o ocorrido. Uma discussão muito breve e com palavras rápidas demais para serem processadas por alguém ainda em processo de aprendizado da fala aconteceu naquele momento, mas pensou não poder ser nada muito ruim quando o debate acabou no esconderijo dos pirulitos e todo o pote foi entregue a ela. Tudo estava bem naquele instante, mas os pais corriam: o homem para a porta e a mulher com a pequena para o porão, onde foi posta em pé dentro de um guarda-roupa e essa não era a pior parte. Nunca tinha descido ali, não sabia como era, mas, agora que sabia, tinha consciência de nunca mais querer estar ali. Tudo fedia como se o lixo fosse jogado ali e não no lugar adequado. Todos os cheiros horríveis juntos de uma maneira nauseante.

Não vou ficar aqui; vamos embora. Anunciou à mãe enquanto já começava a caminhar na direção da porta, mas foi barrada e levada de volta ao guarda-roupa, surpresa demais com o fato para reclamar de súbito.

Meu amor, você vai ter de ficar aqui, só assim a mamãe e o papai vão conseguir protegê-la. Tem de ficar quietinha aqui e esperar até um de nós dois vir pegar você, ok? Entendeu tudo? Proferia com toda a serenidade do mundo e a outra não respondeu verbalmente, apenas assentiu e sentou quieta em seu canto enquanto levava o pirulito à boca. Boa menina, não esqueça que te amo e sempre vou te amar. Concluiu com o mais calmo dos sorrisos e deu um beijo na testa da pequena, sem nunca suspeitar daquele ser o último. Então a porta se fechou e conseguiu escutar os passos da mulher até deixar o lugar.

Depois disso, um momento de silêncio com o qual se mantinha concentrada no pirulito e estava com medo. Medo pela mãe ter dado ordens diretas, algo nada costumeiro, por estar em um lugar sombrio e fedido e, acima disso tudo, por conseguir agora escutar fragmentos do assunto tratado lá em cima. Não realmente entendia, mas podia notar as mudanças de tons de voz e capturar, ocasionalmente, uma palavra ou outra. Não gostou da quantidade de vezes que ouviu “Skyler” ou algum dos nomes ditos, pela mãe, feios demais para ser ditos por alguém tão lindo quanto Sky; também não demorou a reconhecer as vozes das pessoas da escola e achar aquilo tudo ainda mais estranho. Todavia, além daquele barulho, ainda podia escutar o barulho da chuva e os trovões, ressoando livremente. Algumas vezes, imaginava até enxergar o clarão dos relâmpagos e, naquele escuro, aquilo a confortava significativamente.

Era estranho, não era? A maior parte das crianças tinha medo do barulho estrondoso provocado pelos raios, mas não ela. Isso se devia a uma pequena história contada por Heav algum tempo atrás: “O trovão é uma forma do grandão que vive lá em cima dominando os céus e o paraíso lá existente dizer que nos ama, está olhando por nós e pronto para nos proteger, quando necessário; uma benção”. Apegava-se àquelas palavras no momento e toda sua concentração estava voltada a pedir ao grandão por proteção, tanto para os seus pais quanto para si, porque um barulho novo tinha se juntado ao das vozes e aquilo a assustava ainda mais. Eram sinais de briga e os tons estavam cada vez mais exaltados e ameaçadores. Tremia ao ouvir a voz da mãe fraca e ainda mais depois, ao ouvir gritos. Muitos gritos. Os escutou por segundos capazes de pareceram anos e agora lágrimas escorriam pelas bochechas da menina sem serem notadas pela mesma.

Aos poucos, os gritos foram cessando e, por um momento, ficou feliz com aquilo. Achava que agora a mãe desceria para buscá-la no porão, mas isso não aconteceu. Continuava a ouvir os ruídos. Não eram mais agitações relacionadas a brigas e pouca fala existia; nenhuma, quando se tratava dos pais. Os barulhos agora eram como se coisas estivessem sendo destruídas e era necessária toda a força de vontade do mundo para não seguir seus impulsos e descumprir a ordem direta da mãe; seu impulso e curiosidade estavam a chamando. Entretanto, se prometeu cumprir e assim faria. O fez por toda a noite, cochilando sem perceber em curtos intervalos de tempo, mas, na maior parte do período, ficou calada com os seus pirulitos, tentando ignorar os barulhos e odores irritantes e pensando no grandão. Pedia pelo fim daquilo e começava a sentir sede provocada pela perda de água com lágrimas.

Não sabia quanto tempo estava ali, mas parecia ser mesmo a eternidade; só queria que acabasse. Na verdade, precisava. Então, em algum ponto, acabou. Pegou-se de surpresa ao finalmente notar a ausência de barulho lá em cima e um sorriso mínimo surgiu nos seus lábios: o pensamento dos pais logo vindo a tirar dali dava sentido à sua vida naquele instante. Os olhos brilhavam em alegria por um momento, mas o cenário não tardou a mudar. Um som de sirene, a qual já devia estar sendo escutado lá em cima a muito, foi seguido de passos invadindo a casa e agora não parecia aterrorizador, porém não sairia do seu esconderijo para conferir. Apenas ficou quieta ali por não sabia quantas horas mais até, em meio aos passos e murmúrios, conseguir ver um clarão pelas brechas do guarda-roupa, obrigando Sky a fechar os olhos, os quais, devido ao tempo no escuro, já ardiam em contato com a luz. Piscou para se acostumar com a luminosidade leve surgida quando a outra cessou.

Então os passos estavam dentro do porão e não reagia mais, o queixo caído e o olhar arregalado em puro pavor acompanhavam respiração e batimentos cardíacos descompassados. Em conseguinte, começou a ver um... Homem? Tinha cabelos negros, pele alva brilhante e os seus olhos eram de um azul tão elétrico capas de lembrar os dela de uma forma deveras estranha. A princípio, teve medo de tocá-lo, porque podia sentir a energia dele emanada e era muita; achava que ia ser eletrocutada, ia fazê-la gritar como fizeram seus pais gritarem. Sim, os gritos muito provavelmente eram o maior de seus medos naquele momento. O barulho ainda parecia ecoar em sua mente, como se continuassem acontecendo em um ciclo, mesmo que já tenham cessado há algum tempo.

 Está tudo bem, Skyler. Você pode confiar em mim. Proferiu com toda a paciência do mundo e, em resposta, não recebeu nada além de um olhar de medo e um encolher maior, a criança abraçando suas próprias pernas como se a vida dependesse daquilo. Suspirou e, então, estava provada a impaciência daquele agora ajoelhado na frente da menina, pousando os olhos sobre os dela com seriedade. Vou te proteger, pequena. Vai ficar tudo bem. Você vai ir para um lugar seguro. As palavras saiam pausadas e seguiam praticamente enfeitiçando a mais nova, que acabou cedendo. Agarrou-se ao pote de pirulitos e estendeu uma mão para ele antes de, finalmente, se levantar e segui-lo.

O fez meio no automático e bem lentamente, se deixando guiar pela própria casa e tendo alguma dificuldade para se concentrar nos degraus da escada, tropeçando mais de uma vez, mas não caindo por estar firme à mão do adulto. Passou pela entrada de madeira oculta no chão da dispensa e, finalmente, deu de cara com a confusão formada pela cozinha e sala. Estava tudo tão bagunçado… Não conseguia se decidir para onde olhar, mudando o foco da visão rápido demais para processar tudo, mas, em um ponto, estancou. Simplesmente parou de caminhar e ficou encarando aquilo, a mão soltando a do mais velho com certa automação e seguindo para o pote, o abraçando como quem abraça um urso de pelúcia. Foi quando viu os corpos dos pais completamente ensanguentados jogados ao chão da sala e envoltos por sangue em todos os lados. Estavam flácidos; não restava nenhum resquício de vida e, junto a isso, dos abraços, sorrisos e todo o pacote de felicidade formado em torno de uma simples palavra: família. 

O grandão do trovão não protegeu a mamãe e o papai. Constatou em um tom infantil embargado à medida que mais lágrimas se formavam em seus olhos, rolando quando o suficiente para tanto era acumulado; os soluços iam brotando e agora se jogava sentada ao chão, se deixando soltar todos os sons antes abafados em nome do pedido de quietude.

Não sabia ao certo qual parte disso tudo havia irritado seu salvador, mas certamente alguma parte havia irritado. Esse proferiu instruções rápidas para um dos policiais e se retirou do lugar para nunca mais ser visto por ela. Destarte, pegaram a pequena no colo e a tiraram dali, levando direto para o orfanato e, em algum momento do trajeto, suas lágrimas e seu cansaço a dominaram e acabou adormecendo nos braços de algum desconhecido. Buscava ali não só o conforto do contato humano, mas também a perspectiva de acordar e descobrir, com o maior dos sorrisos, que toda aquela noite não passou de um tenebroso, terrível e duradouro pesadelo do qual não conseguia acordar. À vista da realidade imaginada, sonhava com os pais a acordando e fazendo de tudo para vê-la sorrir, contando as histórias mais loucas para lhe fazer esquece o pesadelo e mesmo lhe deixando comer uma pilha de doces dos seus favoritos.
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