The Blood of Olympus
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CCFY - Breath of life.

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CCFY - Breath of life.

Mensagem por Hanna Norling Ahlström em Qui Jan 04, 2018 11:36 pm

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Hanna Norling Ahlström
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Mensagens : 16

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Re: CCFY - Breath of life.

Mensagem por Hanna Norling Ahlström em Sex Jan 05, 2018 12:05 am




All you ladies hands in the air
explore and enjoy the adventure



Capítulo I: O início

Um espírito livre no mundo, assim era definida Aleyna. Uma semideusa habilidosa, a prole de Íris se destacava por sua paciência. No auge dos seus vinte e seis anos, vivendo no acampamento meio sangue desde os quinze, tornou-se instrutora de arquearia. Ensinar era uma das coisas que mais amava no mundo, sentia-se completa quando conseguia passar seus conhecimentos para alguém. Considerada uma das melhores arqueiras, sempre era convocada para missões de alto risco, porém, em uma delas sua vida mudou completamente.

Um semideus precisa estar preparado para combater monstros cotidianamente e no acampamento eles te preparam para isso, mas é impossível preparar alguém para perder um amigo. E mais impossível ainda preparar para vê-lo morrer a frente de seus olhos.

Acompanhada de mais três amigos, uma filha de Athena e dois filhos de Apolo, Aleyna partiu para uma missão nos confins do tártaro. Contudo, quando chegaram, vários monstros controlados por Hades os aguardavam. Os semideuses lutaram bravamente, mas os números estavam contra eles. Havia tentado salvá-los, cada um deles, mas não conseguiu.

A prole de Íris acordou dois dias depois no acampamento. Graças a sua mãe divina estava viva, porém, seus amigos não haviam tido a mesma sorte. Quando soube da morte dos três, Aleyna passou dias sem conseguir comer ou dormir, sempre recordando do que haviam passado naquele dia. Ela os viu morrer, nunca iria esquecer aquela imagem.

Não poderia mais viver daquele jeito. Então decidiu morar com o pai na Suécia, longe de qualquer coisa que lhe lembrasse aquele mundo maluco que fazia parte. Se perdesse mais alguém, certamente enlouqueceria.

[...]

Dois anos se passaram desde a última vez que a mulher esteve no acampamento. Sentia saudades das aulas que ministrava, mas não trocaria a tranqüilidade da fazenda pela vida que possuía antes.

— Obrigada, papai. – Agradeceu com um sorriso pontuando os lábios quando o homem de cabelos grisalhos lhe trouxe um copo de leite, reclamando dela sempre estar cuidando dos cavalos e esquecendo-se de si mesma. — Agora preciso ir, vou me encontrar com Cecília no centro da cidade. Prometo não chegar tarde. – Acrescentou, tendo em vista o quanto ele era super protetor.  

Ceci era uma velha amiga de infância, desde que voltara para a cidade as duas haviam se (re)aproximado novamente. Infelizmente ela estava passando pelo fim de um relacionamento de longa data, por isso nada melhor do que uma cerveja e boa música para esquecer as tristezas. Como Aleyna sempre dizia: a vida é muito curta para ficar sofrendo por alguém.

A prole de Íris nunca havia se apaixonado verdadeiramente por alguém. Gostava de se sentir livre e os homens não conseguiam entender isso, queriam prender ela, mandar e controlar suas ações. Por isso preferia ficar solteira, uma paqueira aqui e outra ali, mas nada realmente sério. Amava a si e isso era mais do que suficiente.

As duas amigas chamaram atenção logo que adentraram o bar. A semideusa trajava um vestido azul marinho até a altura dos joelhos, com algumas ondulações nas pontas. O decote era simples, nada que chamasse atenção, até porque os seios eram pequenos e não fartos como os de Ceci que logo conseguiu um companheiro.

— Tudo bem, vou ficar no balcão caso precise de algo. O barman parece entediado... – Proferiu com um sorriso meigo e ao mesmo tempo travesso nos lábios. Ficava feliz em saber que ela estava se divertindo, mesmo que no fundo sentisse uma pontada de tristeza por não ter uma noite das garotas.

Quando estava na segunda taça de whisky, um homem de belos olhos verdes sentou-se ao seu lado. Mesmo que a princípio tenha relutado em ter sua companhia, gostou da forma divertida com que a conversa se prolongou. Ele era inteligente, entendia sobre arte e filosofia, além disso, era incrivelmente bonito. Após uma pequena quantidade de álcool no sangue – apesar de não ser tão afetada – sequer conseguia parar de encará-lo, evidenciando seu interesse por ele.

— Quer sair daqui? – Propôs com segundas intenções sem nenhum pingo de vergonha.

Ele aceitou e os dois saíram do local, indo parar no primeiro motel que viram no caminho. Aquela altura Ceci também já estava se pegando com o homem que conheceu. Todos saíram felizes naquela noite.

— Você faz ideia de quem eu sou? – Perguntou ele enquanto deslizava os dígitos pela tez exposta de sua coxa.

— Um homem muito gato? – Brincou a mulher, distribuindo beijos pelo peitoral masculino.

— Sou Poseidon. – A princípio pensou ser mentira dele, preferindo negar a verdade a acreditar que de uma forma muito louca aquele mundo que deixou para trás estava voltando novamente.

Aleyna não acreditava no que estava acontecendo. Rapidamente pulou da cama, buscando as vestes para ir embora do local, mas ele a segurou pelo braço e a beijou.

— Não fuja de mim. Gostei tanto de você. – Poseidon sussurrou em seu ouvido, resvalando a ponta do nariz em seu lóbulo, fazendo a mulher relaxar em seu corpo.

Ela não conseguiu resistir a ele naquela noite e em nenhuma das outras que se seguiram, iniciando assim um romance com o deus dos mares.

[...]


O romance perdurou por alguns meses, mas tudo que tem início tem fim.

— Você não vai mandar em mim! – Proferiu, irritada. — Acha que pode ter amantes por todos os lugares do mundo e eu não? Entenda uma coisa, não sou sua propriedade. Eu sou livre. – A voz tornou-se tranquila, voltando ao controle de si.  Seus sentimentos por Poseidon eram verdadeiros, poderia dizer que o amava. Porém, não o suficiente para se render aos caprichos do Deus.

Após uma longa conversa, Aleyna cortou qualquer relação com homem.

— Eu sou livre, meu bem. Ao invés de me prender você deveria ter voado comigo. – Disse por fim, retirando-se do quarto.

Foi à última vez que o encontrou.

Um mês depois descobriu que estava grávida.

[...]

Com o apoio do pai, Aleyna teve uma gestação tranqüila e deu a luz a uma menininha de lindos olhos azuis. Nunca contou da paternidade para Poseidon e se algum dia o mesmo descobriu, não se interessou em conhecer a criança.

Quando Hanna completou um ano, a prole de Íris foi convocada para uma missão. O próprio Quíron enviou-lhe uma carta, informando a necessidade de tê-la a frente daquela missão em específico devido suas habilidades pacificadas.  A tarefa era teoricamente simples, deveria fazer uma negociação com as caçadoras, pois um semideus atrevido havia invadido a ilha ao quão habitavam. Sabendo da relação conflituosa das caçadoras perante os homens, era compreensivo o pedido do centauro, mesmo que no fundo soubesse que era uma tentativa inútil dele de atraí-la novamente para o acampamento.

— Papai, cuide bem dela. – Pediu antes de partir, sendo a última vez que os viu.

O barco ao qual a mulher navegou sumiu no oceano sem deixar sobreviventes ou corpos. Nunca ninguém foi encontrado, nem a embarcação.

Deixando para trás apenas uma carta com o pai caso algo lhe acontecesse, pedia nesta para que o mesmo mantivesse Hanna longe de todo aquele mundo ao qual fazia parte, deixando instruções para que ele a protegesse, além de uma carta reveladora para sua filha.  

Capítulo II: Infância

Vivendo com o avô na Suécia, a pequena Hanna desde os primeiros anos de vida se mostrou uma criança curiosa, esperta e muito carinhosa. Gostava do convívio na fazenda, mas sempre questionava o fato de não poder freqüentar a escola igual às outras crianças, recebendo aulas particulares em casa.

Para sua proteção, o velho Sr. Frederek queimava ervas nos arredores da fazenda para proteger a neta de monstros que por ventura poderiam sentir seu cheiro, principalmente por ser um legado. A filha havia sido criteriosa na carta que deixou sobre esconder a criança do mundo ao qual pertencia, e assim ele o faria. Protegeria Hanna até mesmo com sua própria vida.

— Eu quero ir para a escola, vovô. – Hanna repetia sempre que via as outras crianças partindo para o ambiente escolar, mas o velho fazendeiro lhe dava a mesma resposta, não cedendo ao pedido da mais nova.

O tempo foi passando e a semideusa crescendo, tornando-se cada dia mais bela. Com sete anos chamava atenção pelos olhos esverdeados como o mar e cabelos tão loiros como o sol, sempre cascateando por suas costas. Quando não estava estudando com os professores particulares, dedicava o tempo com os cavalos ou outras atividades na fazenda, ajudando o avô no pequeno comércio. Além disso, todas as tardes visitava o túmulo da mãe, localizado em um pequeno jardim perto dos estábulos. Sequer imaginava que no local havia apenas uma cova vazia, sem corpo algum.

À medida que crescia sua aura divina aumentava, tornando a tarefa de Frederek cada vez mais difícil. As ervas eram queimadas três vezes ao dia, Hanna nunca havia entendido o motivo do avô fazer aquilo, mas imaginava que era para espantar os mosquitos ou algum animal.

Um dia, enquanto vasculhando o velho depósito em busca de ferramentas para concertar o celeiro, encontrou um arco prateado e uma aljava com flechas dentro de uma caixa. Na extensão da arma havia a sigla A.N.A entalhada em ouro. — Aleyna Norling Ahlström. - O nome dançou em seus lábios e sem conseguir conter a emoção começou a chorar, abraçada ao único objeto que havia sido da sua mãe enquanto estava viva, visto que o avô tinha doado todo o resto.

Hanna curvou o pequeno corpo em torno do arco abraçando-o por horas, como se segurasse a própria vida até que o senhor Frederek a encontrasse, preocupado com seu sumiço repentino.

— Vovô, olhe! – Disse animada, limpando as lágrimas que insistiam em deslizar por suas bochechas, indicando o objeto encontrado. Estava tão feliz, sentia como se o arco fosse uma espécie de meio para que ficasse sempre ligada a mãe. O velho fazendeiro, por outro lado, não parecia feliz. Na verdade, ele ficou irritado, talvez assustado. A pequena Hanna nunca havia visto o avô naquele estado.

Desesperada com a atitude do mais velho em tomar-lhe o arco, ordenando para que a mesma nunca mais o tocasse, a criança correu. Correu o máximo que conseguiu até alcançar a lápide da genitora, onde ficou o resto do dia chorando.

— Ele não me deixou ficar com ele, mamãe... – Choramingou baixinho, deixando as lágrimas escorrerem de seus olhos. — Vou pegar ele de qualquer jeito. – Acrescentou, fungando algumas vezes antes de esboçar um sorriso travesso. Se não conseguiria a arma por bem, conseguiria por mau. O avô não precisaria saber, afinal, o que os olhos não vêem o coração não sente.

Hanna passou dias sem falar com o homem, perdoando-o apenas quando o mesmo lhe permitiu ficar com um livro antes pertencente à Aleyna, mas aquilo não era o suficiente para ela. Apesar dele ter encontrado um novo esconderijo para o arco e a aljava com flechas, ela o encontrou depois de algumas semanas procurando. Durante a madrugada, sorrateiramente ia para o celeiro e treinava o manuseio da arma. Era um desastre. Sequer conseguia segurar a arma entre as mãos pequenas, mas era determinada demais para desistir.

Assim, escondida do avô, ocupou suas madrugadas com treinamentos. Na ausência do fazendeiro buscava livros na biblioteca particular da mãe sobre arco e flecha, surpreendendo-se com a variedade de obras referentes o assunto. Os livros de Aleyna eram as únicas coisas que Frederek não teve coragem de doar após sua morte.

A infância de Hanna pode ser tida como tranquila. Ela brincou e cresceu como qualquer criança comum, apesar de estar longe da normalidade. O avô lhe proporcionou um lar e segurança, mas nem mesmo a melhor das proteções poderia lhe esconder do mundo ao qual pertencia.  

Capítulo III: O novo começo

— Vovô, estou indo para a escola e não ser possuída por um demônio. – Brincou ela enquanto o homem de cabelos grisalhos movia-se ao seu redor com um defumador, impregnando-a com o aroma das ervas queimadas. — Estou fedida... – Murmurou, incapaz de entender aquela maldita mania dele, mas por outro lado, ele estava velho. Estranho ou não deveria o entender e respeitar.

Apesar de estar fedendo a mato queimado, finalmente estava indo para a escola como qualquer outra adolescente da sua idade. Nada de professores particulares e aulas solitárias, agora conheceria outras pessoas. Estava tão ansiosa. Desejava causar uma boa impressão no primeiro dia por mais que o avô não ajudasse nesse quesito.

As experiências na escola foram melhores do que qualquer outra que havia vivido em seus quinze anos de vida. O senhor Frederek tentou o máximo impedi-la, mas ela não era mais nenhuma criancinha que poderia ser controlada, chegando ao ponto que ele finalmente precisou ceder e matricular Hanna na escola.

Ainda atrevida e muito esperta, não se incomodou em ser chamada de caipira pelos outros alunos. Crescer na fazenda era um orgulho para ela e não uma vergonha. Além disso, seu jeito meigo e paciente foi conquistando até mesmo os colegas de turma mais desprezíveis ainda que comentassem sobre o estranho perfume de mato queimado que usava.

Sua paixão por água a fez ingressar na equipe de natação da Stockholm Flight Academy, instituição ao qual estudava. Campeã de nado livre com diversas medalhas e vitórias em seu histórico, era considerada a melhor nadadora da modalidade de sua faixa etária. Muito comunicativa, participava da rádio e do jornal escolar. Suas notas eram excelentes apesar da relativa dificuldade em matemática, mas sempre conseguia se sair bem com um pouco mais de esforço.

Hanna gostava da sensação de liberdade, desejava viajar pelo mundo todo. A única pessoa que lhe prendia era o avô, o qual amava incondicionalmente.

Apesar de ter muito amigos, tinha um carinho especial por Saphira. A garota era sua confidente e melhor amiga. Andavam sempre juntas na escola e compartilhavam da mesma paixão pelo esporte aquático. Nas férias, Saph costumava ir à fazenda visitar Hanna, aonde as duas iam para o lago e passavam a tarde toda nadando até que o senhor Frederek interrompesse a diversão por causa do horário.

Sobre o quesito paixões, Hanna era muito parecida com a mãe. Não gostava da sensação de estar presa a algo ou alguém. Pode-se dizer que era como um pássaro que precisava ser livre para voar, afinal, o céu é o limite.

[...]

Se você leu até aqui, deve estar achando o quão previsível foi à vida de Hanna. E não discordo de você, mas não se esqueça que a vida é uma caixinha de surpresas.

Terminado o ensino médio com um histórico exemplar, poderia ter ingressado em uma universidade. Contudo, a saúde do velho Frederek já não era a mesma. Com problemas no coração e pressão alta, a garota se viu no dever de administrar a fazenda e o comércio da família, pelo menos até que o avô se recuperasse.

Não foi um ano fácil.

Mesmo tendo crescido na propriedade, não entendia absolutamente nada sobre a parte administrativa. As vendas haviam caído e funcionários estavam com os salários atrasados. Pensava em pedir ajuda ao velho fazendeiro, mas como poderia preocupá-lo mais ainda? A situação estava indo de mal a pior.

— Tudo vai dá certo. – Repetia para si sempre que algo dava errado. Daria um jeito, sempre conseguia um.

O homem de cabelos grisalhos – apesar de doente – continuava a queimar ervas todos os dias. Definitivamente era um hobbie muito, muito estranho, pensava ela enquanto o observava.

[...]

Com dezenove anos de idade, precisava dividir sua atenção entre cuidar do avô e da fazenda. Felizmente Margot, uma velha senhora que cuidava da casa há anos, ajudava nas tarefas. As coisas estavam indo bem até o dia que Frederek passou mal.

Levado as pressas para o hospital mais próximo, a equipe de médicos no plantão do dia o socorreram. Hanna estava desesperada, pedindo que salvassem seu avô. Foram horas de angústia até que um dos médicos lhe informou sobre o quadro de saúde dele. O velho fazendeiro havia tido um acidente vascular cerebral, mais conhecido pela sigla AVC. Por sorte havia sido socorrido a tempo, mas provavelmente ficaria com seqüelas na fala e nos movimentos.

Foi como se o chão fugisse de seus pés no instante em que recebeu a notícia, sem saber exatamente o que fazer. Pela primeira vez ela não sabia o que falar.

Depois de duas semanas Frederek recebeu alta hospitalar, não conseguia se comunicar direito e o lado esquerdo do corpo estava completamente perdido. De acordo com os médicos, depois de um árduo e longo tratamento com fonoaudiólogos e fisioterapeutas ele melhoraria aos poucos. Não voltaria a ser como era antes, mas já era um começo.

Decidida a cuidar do avô, a jovem repeliu qualquer idéia ou possibilidade que ainda possuía de um dia viajar pelo mundo ou cursar uma faculdade. Nunca abandonaria o homem que a criou, ficaria ao seu lado por todo o tempo que fosse necessário.

Na primeira noite em que voltou do hospital, o velho Frederek estava agitado, tentava falar com a neta, mas ela não o compreendia. Estava nervoso, inquieto, uma voz em sua cabeça gritava sobre a necessidade de queimar as ervas na fazenda ou eles a encontrariam. Encontrariam sua doce menina. Havia enviado um pedido de ajuda ao acampamento dias antes mediante seu estado de saúde, mas não obteve respostas. Notando o estado do homem, a prole de Poseidon lhe deu um calmante, saindo do quarto apenas quando o mesmo adormeceu.

Dois dias depois enquanto estava o alimentando, ouviu um barulho do lado de fora.

— O que será isso? – Disse, apoiando o prato sobre o criado mudo. O avô resmungou algo incompreensível, agitando-se novamente sobre a cama. — Vovô, fique tranqüilo. Eu volto logo. – Depositou um beijo cálido em sua fronte antes de sair, descendo as espadas rapidamente até a entrada.

Não havia nada de diferente na propriedade, exceto pelo barulho dos cavalos nos estábulos. Estavam agitados, rinchando como se quisessem dar um aviso para a garota. — Calminha aí, pequena padawan. – Brincou, buscando acalmar a égua. Porém, um novo barulho se sucedeu. Dessa vez mais alto do que antes, como se uma árvore tivesse caído. Hanna encolheu o corpo ao sentir um arrepio percorrer o mesmo, escondendo-se atrás do animal, os olhos fixos na entrada do celeiro.

Três criaturas passaram pela entrada, seguindo em direção a residência. Hani engoliu em seco, tremendo da cabeça aos pés. Não conseguiu visualizar exatamente o que eram devido à escuridão da noite, mas ao julgar pelos tamanhos certamente não eram humanos. Os eqüinos ficaram ainda mais agitados, alguns até mesmo conseguiram escapar dos estábulos e correr para fora. Os membros superiores e inferiores estavam completamente paralisados pelo medo, mas precisava correr até o avô. Precisava ligar para a polícia e pedir ajuda.

— Tudo bem, deve ser apesar um rato muito grande... – Murmurou, incrédula com o próprio pensamento. A teoria era bem melhor do que aceitar que estava tendo um verdadeiro apocalipse zumbi.

Gritos foram ouvidos de dentro da casa, impulsionando a semideusa deixar o celeiro e correr em sua direção. Não conseguia pensar em mais nada além de salvar o avô. Como? Não sabia e também não dispunha de tempo suficiente para pensar sobre o assunto.

A frente da residência estava completamente destruída. A expressão presente no rosto da jovem era indescritível enquanto ultrapassava os destroços.

— Senhora Margot? – Ousou chamar a mulher, ouvindo passos pesados no compartimento de cima. “Vovô”, pensou, subindo imediatamente as escadas com cuidado, visto que estava com várias fendas e madeiras quebradas, como se algo muito pesado tivesse tentado subir.

Havia destroços por todos os lados, até mesmo o teclado estava destruído. Além disso, as paredes estavam completamente negras, queimadas para ser mais exata. Alternando os passos entre o pé esquerdo e o direito, buscando ao máximo não provocar barulhos, caminhou até os aposentos do velho fazendeiro. A porta do aposento estava no chão e quando o adentrou, bem, foi como se tivesse caído dentro de um dos seus pesadelos.

Frederek estava no chão, tentando se mover. Haviam mordidas espalhadas por todo o seu corpo, principalmente no abdômen. Ele sangrava, sangrava muito. A prole de Poseidon ajoelhou-se ao seu lado, deslizando os dígitos com cuidado por sua face.

— Vovô... – Chamou, as lágrimas deslizavam por suas bochechas, pairando sobre o homem em seus braços. Não, ele não estava morto. Não poderia estar. Já poderia acordar daquele pesadelo e ver que tudo não passava de um sonho ruim.

Apertava-o contra si enquanto chorava compulsivamente, chamando-o o mais alto que conseguia para que a ouvisse, foi então que ele resmungou. Os olhos esverdeados da mais nova brilharam, observando-o apontar para a gaveta do criado mudo. Foi o último gesto do avô antes de falecer em seus braços.

Ainda em choque, cobriu o corpo daquele que mais amava no mundo com a coberta. Passou alguns minutos deitada sobre o mesmo, chorando em desespero. Perguntava para qualquer força superior – se é que existia uma – sobre o motivo daquilo estar acontecendo com ela. Mesmo com dificuldade forçou-se a ficar de pé, indo em direção ao móvel que o mais velho havia indicado antes de morrer, dentro da gaveta havia um bilhete de Aleyna Norling Ahlström destinado a ele. Hanna pegou o envelope, mas antes de abri-lo um barulho atrás de si chamou sua atenção.

Uma espécie de reptiliano com cinco cabeças surgiu a sua frente, cuspindo fogo pelo quarto. A semideusa gritou antes de rolar pelo chão, desviando do ataque desferido contra ela. O que diabos era aquilo? Não poderia ser simplesmente um rato gigante? Outra rajada de fogo veio em sua direção, atingindo sua perna esquerda enquanto tentava escapar.

Ahlström gritou de dor, sentindo a pele arder mediante a queimadura. Arrastando-se pelo chão, jogou qualquer coisa que viu pela frente. Desde roupas, abajur e até mesmo os tênis. De repente, senhora Margot surgiu na porta, trazendo consigo uma frigideira ao qual jogou na Hidra, que em resposta foi furiosa para cima da velha mulher.  

— Corra, Hanna! – Proferiu antes de ser atacada.

A cena a frente de seus olhos foi tão terrível quanto ver o avô morrer. O corpo dela foi totalmente destroçado pela criatura maligna. Ela havia se sacrificado por Hanna. Lutando contra a vontade de voltar e salvar a mulher, engatinhou pelo chão até alcançar a janela do quarto. Com dificuldade, gemendo de dor devido à perna machucada, reuniu forças de onde nem sabia que possuía e pulou a mesma, segurando-se nas paredes para não cair. Quando era criança costumava fazer a mesma coisa para conseguir fugir para o celeiro treinar com o arco, mas em nenhuma delas estava fugindo de uma criatura que além de feia, com cinco cabeças, cuspia fogo.

Com cuidado, trilhou a madeira coberta pelas telhas, segurando-se nas janelas, estas eram alternadas entre um cômodo. Quando finalmente alcançou o cano de ferro – que ia do chão até o teto da residência pelo lado de fora – desceu pelo mesmo, quase escorregando durante o percurso devido à perna machucada.
Mesmo que tivesse perdido a conta de quantas vezes caiu e chorou pelo caminho até alcançar o celeiro, correu o mais rápido que conseguiu.

— Tudo bem, sou eu. – Falou com dificuldade, tranquilizando os cavalos. Hanna pegou o arco e a aljava com flechas que pertenceu a sua mãe, escondidos em um pequeno depósito dentro do celeiro para que o avô não encontrasse. Alinhou a aljava nas costas e colocou a cela em Padawan, pronta para fugir da fazenda e procurar ajudar. Antes de subir na égua, apertou a palma contra o bolso, certificando-se de que o bilhete ainda estava no mesmo. Dessa forma, deixou o celeiro, cavalgando para fora.

A sorte parecia nunca estar ao seu favor.

O cuspidor de fogos parecia ter arranjado um novo amigo, afinal, outro mostro havia surgido. Ele era grande e tinha uma pelagem dourada, além de unhas tão afiadas que a garota imaginou serem capazes de cortar qualquer coisa. O Leão de Neméia rugiu, assustando Padawan de forma que a mesma elevou as patas dianteiras, derrubando sua dona contra a grama fresca. As costelas da semideusa bateram de forma abrupta contra o solo, causando uma dor tão grande que a mesma gemeu, contraindo os lábios para não gritar.

Um medo anormal percorreu suas veias, impedindo-a de executar qualquer movimento. Era seu fim, iria morrer. Tentou atirar algumas flechas contras as duas criaturas, conseguindo acertar seus alvos poucas vezes. O Leão de Nemeia rugiu novamente ao ter uma única flecha cravada em seu olho enquanto o resto de seu corpo mantinha-se ileso. Como? Ela havia soltado mais de uma flecha em direção à ele. A Hidra queixava-se de mais dois projéteis em seu corpo escamoso, todos em sua perna. O pânico começava a apossar novamente a semideusa, que acabou desistindo de lançar flechas e decidiu se levantar. Tentou correr, mas a ferida em sua perna latejada, indicando a gravidade do ferimento.

Morreria mesmo daquele jeito?

Sem ver saída enquanto os dois monstros se aproximavam. Hanna encarou o grande cano de água, responsável por transportar a água do lago para o jardim. Talvez se conseguisse alcançá-lo poderia ter uma chance, mas estava fraca demais. Seu corpo já não respondia aos seus comandos.

— Por favor... – Murmurou com lágrimas nos olhos, não sabia a quem exatamente estava pedindo ajuda, em sua mente só conseguia pensar na mãe e no avô.

Não sabe-se ao certo como aconteceu, mas ao se concentrar no cano foi como se conseguisse sentir a correnteza da água que perpassava o mesmo. Em segundos, sem explicação alguma, o cano explodiu, saindo água para todos os lados, distraindo momentaneamente as duas criaturas.

No instante em que a água tocou seu corpo, sentiu-se parcialmente revigorada. A perna ainda doía, mas não o suficiente para impedi-la de correr e foi exatamente isso que fez: correu. Até encontrar o terceiro integrante da gangue dos monstros. Droga, como ela pôde se esquecer sobre aquele? O grandalhão bobo parecia ser um humano feio e lento, sem mencionar o enorme e único orbe que a olhava com fome.

Estava encurralada.  

Quando a água cessou, Hanna também percebeu a presença agressiva das duas últimas criaturas. O Leão de Neméia abaixou seu corpo em uma postura de ataque, ainda com a flecha estacada em seu olho. A Hidra vinha logo atrás, mancando um pouco pelas flechas que lhe atingiram a ‘perna’ esquerda. Hanna estava perdida, mas não morreria sem gastar todas suas flechas.

Ainda com seus olhos marejados e seu corpo posicionado entre as três criaturas, ela coloca duas flechas no cordel e alterna sua mira em todos os monstros, ameaçando soltar enquanto tentava contornar o local. Ao reconhecer o avanço do Leão, ela rapidamente se vira e mira os orbes e o foucinho do animal, acertando apenas a última. A hidra empurrou o companheiro de forma nervosa, tomando a frente enquanto o outro rugia em incomodo. A semideusa estava perdida... Tinha apenas uma flecha.  

As forças se esvaíram de seu corpo, não conseguia mais reuni-las para lutar; Então, como seu último ato, ela estica o projétil restante em seu arco, mirando o crânio do Ciclope, que grita e cambaleia para trás ao ter seu pescoço atingido. Hanna pôde ao menos sorrir ao ver o grandalhão se dar mal antes de perceber o ataque ágil do felino, jogando-a para longe.

Já perdia sua consciência ao perceber a voz de uma mulher, surgindo no local. Pensou ser a polícia, mas tudo que viu antes de desmaiar foram olhos tão azuis quanto o próprio céu da Suécia.

[...]

Hanna acordou cinco dias depois na enfermaria do acampamento meio sangue. Desnorteada ao recordar a consciência, não fazia idéia de onde estava. Olhou em volta, piscando algumas vezes até que a claridade não fosse mais um incômodo para as íris verdes.  Desceu os olhos pela perna machucada, à mesma estava enfaixada. Além disso, os ferimentos espalhados pelo corpo aparentavam estar sendo devidamente tratados. Deveria estar em algum hospital da Suécia.

— Você é médica? – Perguntou ao constatar a morena sentada ao seu lado.

— Olhe só quem acordou! – Ela disse com um sorriso pontuando os lábios ao mascar um chiclete. — Eu me chamo Eiva. – Se apresentou, estendendo a destra com um envelope para a garota. — Acho melhor você ler, linda. – Murmurou antes de se afastar, com um sorriso duvidoso no rosto.

"Pai,

Escrevo esta carta para deixar meu profundo arrependimento por ter participado dessa vida como semideusa. Alguns dizem que toda essa situação é um dom mas eu afirmo ao senhor que isso se tornou um peso a qual eu não consigo me livrar.

Os Deuses são maus, papai. Eu vi isso com meus próprios olhos… Eles apenas se importam com o próprio nariz e possuem um ego gigantesco! Assim como Poseidon! Como pude ser tão estúpida e ter uma filha com ele? Como fomos parar nesse meio? Foi diferente com Íris, minha mãe?! Não importa agora… Eu já fiz minha escolha.

Estarei viajando até a América novamente. Não pretendo dar esse gostinho à eles, mas se caso eu não voltar, quero que prive Hanna de toda essa bagunça e caos a qual eu estava destinada. Sei que será difícil no começo, mas confiaria minha vida e de minha filha ao senhor.

Caso esteja assustado, não fique! Estarei sempre com você onde quer que eu vá… E com ela também. A deixo em suas mãos, mas estou feliz com essa escolha. Me sinto mais leve… Bem mais leve…

As ervas que cultivamos são para o disfarce de Hanna. Infelizmente, como filha de um dos três grandes, será perseguida por monstros e esse cheiro natural ajudará a esconder seu cheiro mágico por algum tempo. Prometa-me que vai deixá-la a salvo.

Eu vivi meus melhores anos em sua companhia pai. Sei que ela também irá presenciar isso.

Eu te amo. Amo os dois. Estaremos juntos algum dia… Eu anseio por isso.


De sua filha Aylena, com todo o amor do mundo."


A carta deixada por sua mãe era tão absurda que precisaram injetar um sonífero na garota para que conseguissem a controlar.

— N-não pode ser... – Falou baixinho, sentindo uma tontura começar a lhe puxar novamente para o subconsciência. Antes de adormecer novamente, leu o último adendo da carta: “De sua filha, Aleyna”. A mãe dela havia lhe escondido tudo.

Pelo menos em seus sonhos não precisava lidar com a idéia de ser filha de Poseidon e legado de Íris, neles não havia nenhuma mentira sobre sua origem e como o mundo não era exatamente o que pensava. Naquele momento, só por aquele momento não precisava surtar com toda a onda de informações, mas uma hora ou outra teria que acordar e enfrentar a realidade, mas será que estava preparada?

Poderes passivos:

Nível 3
Nome do poder: Cura I
Descrição: O semideus possui a habilidade de se curar ao tocar na água. Independente da onde a água provenha, seja ela doce ou salgado. Ao tocar a água, suas feridas começam a se fechar lentamente, mas nesse nível, apenas as feridas mais leves são curadas, e parte da força do semideus é restabelecida. (Só pode ser usado uma vez a cada 3 turnos).
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Recupera +25 de HP e 25 de MP
Dano: Nenhum

poderes ativos:

Nível 1
Nome do poder: Hydrokinesis I
Descrição: A prole de Poseidon/Netuno, em tal nível consegue, caso concentrado, controlar a água presente em rios e mares, levantando pequenas quantidades de água e moldando-a ao seu bel prazer, entretanto a habilidade do semideus ainda é considerada pouca.  
Gasto de Mp: - 5 de MP.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum.
Extra: Nenhum.

Observação:

O sumiço da mãe de Hanna foi citado brevemente de forma proposital, pois será o gancho para a trama da personagem.




AT
WITH
SO
suécia - acampamento meio sangue
Eiva Dähl Bouwknech
end? Is not it just the beginning?



Última edição por Hanna Norling Ahlström em Sex Jan 05, 2018 12:00 pm, editado 2 vez(es)
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Re: CCFY - Breath of life.

Mensagem por Eiva Weinz Aodhaigh em Sex Jan 05, 2018 2:31 am

Sweet like our home

Suécia, Skövde.
Eiva não sentia-se mais sozinha, já que a presença constante de Lúcifer em sua mente lhe fazia companhia por dias a fio. Era sempre as mesmas coisas… Comentários aleatórios de caos e desorganização passeavam em sua psique enquanto exercia obrigações diversas. Era irritante de um certo modo.

Por isso, animou-se completamente ao ser procurada por um líder de chalé qualquer, alertando que a garota havia sido convocada para a Casa Grande. Ela tinha motivos para ter receio, mas naquela altura do campeonato, nada mais lhe afligia tão facilmente.

Saltitante e com um sorriso esperto nos lábios, ela abandonou sua tarefa de colher morangos - a qual estava tediosa - e passou a marchar até o sobrado, entrando pela porta da frente, o que era raro à ela.

Logo de cara, fora recepcionada por Quíron. A feição séria e gentil no rosto do centauro era o suficiente para excluir os pensamentos ruins da mente da semideusa e deixá-la mais relaxada à medida que era conduzida até o escritório dos diretores - lugar onde ela já havia estado escondido. Ela entra no aposento, fechando a porta atrás de si e colocando-se a frente da enorme mesa de madeira, onde Quíron se encontrava sentado.

— Sabe por que está aqui, Eiva?
— Ele pergunta em um timbre sereno, oferecendo um sorriso calmo à ela.

— Hum… Sinceramente não — Responde, colocando suas duas mãos para trás e assumindo uma expressão divertida. — Eu realmente espero que não seja para mais uma reunião familiar ou… — Ela desabafa, lembrando das vezes que estivera ali para recepcionar um novo integrante dos Bouwknech.

— Não, não! — O centauro ri, contornando a mesa até chegar ao lado da prole de Zeus e colocar a destra em seu ombro. — Você está aqui porque é uma rastreadora e norueguesa; E eu preciso dessas duas características para uma missão.

Uma missão de rastreamento? Não era assim que ela recebia as notícias.

— Certo… — Ela diz ao franzir a testa e assumir uma feição pensativa, levando o olhar para o horizonte da sala. — Mas… O que minha nacionalidade tem a ver com isso? — Ela solta um riso anasalado, achando graça da situação em si. Não era sempre que reconheciam sua descendência.

Quíron pisca e afirma com a cabeça, sorrindo levemente ao retirar sua mão do ombro feminino e voltar a andar pela sala.

— A semideusa que deve ser rastreada é sueca… E para nossa infelicidade, ela não sabe absolutamente nada sobre o Acampamento ou a vida de semideus. Mal sabemos se ela sequer fala inglês... por isso a sua participação tão especial como norueguesa — O centauro para de andar à medida que chega até a janela, observando a paisagem lá fora. Eiva continuava a escutar, o acompanhando com o olhar.  — Pensamos que, como as línguas são parecidas, você seria totalmente necessária… Claro, se quiser ir.

A semideusa pisca algumas vezes, tirando uma mecha de seu rosto apenas com um assopro à medida que pensava rapidamente sobre o assunto.

— Eu iria para a Suécia? — Questionou, interessada em estar próximo da sua terra natal.

— Sim — O centauro para de encarar a paisagem e se vira novamente para ela, fixando seus olhos castanhos nos azuis. — Infelizmente você não terá tempo de visitar seu lar… Tudo foi muito em cima da hora e apesar de você não precisar partir agora, deve estar alerta para nosso chamado. Você aceita?

Ela sorri, relaxando os ombros com um suspiro e inclinando o rosto ao mais velho.

— Já me viu dizer não a alguma coisa?

[...]

Estava prestes a tirar sua soneca da tarde quando Adam ousou balançar o corpo quase adormecido de Eiva. Ela toma um susto e abre os olhos rapidamente, encontrando seus semelhantes no mesmo instante. Sua feição fecha em aborrecimento, claramente ela estava nervosa.

— O que você quer, Nordberg? Espero que não seja coisa fútil. — Cospe as palavras, passando as falanges sobre as pálpebras - ainda deitada.

— Nervosinha. Quíron pediu para te acordar… Ele quer que você se prepare para “o que ele lhe pediu” — O garoto gesticula as aspas com os dedos, revirando os olhos em seguida. — Que seja. Levante e fale com ele.

Não era preciso, ela já sabia o que deveria ser feito.

— Diga à ele que eu já estou indo, peça para me esperar! — Ela conclui, pulando da cama rapidamente e equilibrando-se com os braços devido a tontura que havia sentido. Sem se incomodar com os sintomas, ela vai em busca de sua mochila, preenchendo-a com os itens que achava necessário. Gostaria de levar tudo, porém… Apenas faria volume.

Após arrumar suas armas e colocar a mochila às costas, foi em direção ao banheiro para lavar o rosto e prender seu cabelo em um rabo-de-cavalo firme. Agradeceu a si mesma por já estar com o uniforme do acampamento e uma calça jeans favorável para a missão. Mesmo com tudo o que precisava, certificou-se de agarrar mais uma blusa e jogar na vastidão da mochila, terminando seus preparativos e indo ao encontro de Quíron que lhe esperava fora do chalé um.

— Vejo que não demora tanto quanto uma filha de Afrodite, mas se parece com uma — Ele elogia, fazendo a semideusa abaixar a cabeça e rir sem jeito. — Brincadeiras à parte, Eiva… Aqui estão os detalhes de sua missão. — O centauro estica um envelope em sua direção e ela o aceita, logo abrindo e lendo os informativos.

— Hanna Ahlström… Sueca… Fazenda… Coordenadas… É, acho que está tudo aqu… Espera, Poseidon? — Ela levanta o olhar incrédulo ao diretor, questionando a sanidade do mesmo. — Como ela está viva até agora?!

Realmente era algo extraordinário para ela, mas não para Quíron, que acha graça da situação.

— Ela é um legado igual à você. Os parentes sabem muito bem como cuidar dela mas… — Ele faz uma pausa, suspirando brevemente em pesar. O que será que tinha acontecido? — Não temos muito tempo, Eiva. O avô responsável por ela e protetor já não responde mais as cartas do acampamento. Você deve ir o mais rápido que consegur.

Ela sabia o que fazer.

Apenas com uma afirmativa de crânio, ela saca seu cristal teletransportador de sua mochila, colocando-o fortemente na mão e encarando o centauro para possíveis dicas extras. Como nada lhe fora proferido, ela suspira antes de decidir seu caminho.

— Skövde, fazenda dos Ahlström, 58° 23' 28 Norte - 13° 50' 42 Leste.  — Sussurrou, fechando seus olhos em um momento e no outro sentindo uma brisa familiar e muito agradável. Eiva abre os olhos e seu queixo caí. Ela finalmente estava em casa - ou perto o suficiente para se sentir bem até demais. — Não acredito… — Diz, soltando uma risada sincera enquanto seus olhos contemplava as enormes geleiras que contrastavam com os lagos azuis-escuro de tão gélidos. — É tão parecido com Oslo… — Enquanto guarda seu item de teleporte em sua mochila sem fundo, ela passa a caminhar pela grama úmida da fazenda.

De primeiro olhar ela já pôde perceber que algo estava errado. Ao encarar a casa rústica à poucos metros de distância, conseguiu reconhecer os estragos de um arrombamento. A casa estava completamente exposta e aberta, como se algum monstro tivesse se enfiado a força. Ela logo bufa e balança a cabeça, tirando seus pensamentos inúteis e focando-se no que tinha de ser feito.

Pelas instruções ela acharia sua prima ali. Mas onde? Provavelmente algum monstro já havia visitado aquele lugar, então tudo o que poderia fazer naquele momento era torcer para que Hanna estivesse bem. Continuou a andar com os olhos atentos à tudo e sua mão pousada sobre a base de Elektra, sua adaga.

Caminhou por alguns instantes antes de chegar perto da casa. Em uma olhada rápida no ambiente, a semideusa reconhece coisas quebradas e paredes queimadas, logo assimilando com alguma criatura que cospia fogo.

— Droga. — Ela xinga em um murmúrio, preocupando-se com a criatura em si. Nada bom ser visitado por um monstro desses, ainda mais quando não se sabe nada sobre o mundo mitológico.

Estava prestes a adentrar à casa quando um rugido lhe chama a atenção. Ela para seus movimentos e se põe a escutar atentamente qualquer outro ruído para que fosse possível rastrear sua localidade. Não demora para que um grunhido rasgado e incômodo mostre o caminho que deveria ser seguido.

Sem pensar duas vezes, ela começa a correr para trás da propriedade onde provavelmente encontraria duas criaturas horripilantes e nojentas. Ela odiava essa parte de seu trabalho.

Com uma velocidade considerável, alcançou o grande pasto onde toda uma cena se desenrolava. Uma garota de cabelos claros e claramente ferida tentava lutar com três criaturas: Um Leão de Nemeia, uma Hidra e um Ciclope. A palidez no rosto da prole de Poseidon só alertava que ela estava próxima de perder a consciência, fazendo Eiva se apressar ainda mais e logo armar um plano.

— Ei! Nojentos! — Chamou a atenção de quantas criaturas fosse possível no mesmo instante em que Hanna acerta uma flecha no pescoço do Ciclope, o atingindo em cheio em uma - provável - veia importante. O monstro começa a cambalear para frente e para trás, exatamente da mesma forma que sua prima que acabara por perder a consciência naquele momento. As outras duas criaturas restantes percebem a presença forte de Eiva e passam a encará-la como um alvo. Ótimo, pelo menos a garota estava a salvo.

Ao perceber que o Leão de Nemeia - o mais ágil dentre os dois - já se encontrava com o orbe e o focinho prejudicados, ela surpreende-se em silêncio. Será que alguém havia ajudado Hanna a se defender? Ou era esperta o suficiente para perceber o ponto fraco? De qualquer modo, ela ia se aproveitar das lesões feitas.

A prole dos raios saca rapidamente sua adaga e a eletriza ainda mais, dando uma carga considerável na arma. Ela logo impulsiona Elektra para a direção do orbe ileso do Leão, escutando o eletrocutar do impacto e observando o animal cair em espasmos contínuos. Ela sorri, contando menos um para lhe encher o saco temporariamente.

A Hidra que se aproximava preguiçosamente possuía duas flechas em sua perna, facilitando ainda mais as ações da semideusa. Com toda sua velocidade de filha de Zeus, ela avança sobre Hidra mas muda sua direção quase em cima da hora, fazendo a criatura abocanhar apenas ar. Agora de frente para as costas da criatura, ela cria cinco esferas eletrizadas que dançam acima de sua palma, prontas para o impacto.

— Uuuuh! — Chama a atenção novamente, esperando que a Hidra se virasse e desse de cara com as cinco esferas indo em sua direção. Como resultado, o reptiliano grunhe e começa a balançar seu corpo para todos os lados, sentindo-se atordoado e mais lento do que já estava.

Por outro lado, a garota pôde perceber que o Leão de Nemeia ainda tentava se manter em pé, rugindo falhamente como um alerta. Ela olha para trás rapidamente, reconhecendo o corpo desacordado da prima e em um estalo de consciência, corre em sua direção, traçando outro plano.

— Ei… — Murmura ao passar seu braço pelas costas da prole de Poseidon, trazendo-a para seu peitoral. — Vai ficar tudo bem, gatinha… — Sussurrou mais para si mesma enquanto sua visão intercalava entre a dupla de monstros lesionados e seu pulso, onde encontrava-se sua pulseira de portal. — Vamos para casa. — Concluiu ao pressionar o entalhe da runa na joia e dar um último adeus para o cenário familiar daquela fazenda gélida e maravilhosa.

Um portal se abre à sua frente, mostrando o gramado seco e brilhoso da formação dos chalés do outro lado. Ela suspira, ergue Hanna em seus braços e atravessa a passagem com poucos passos, observando o círculo mágico se fechar atrás de si no mesmo instante em que as criaturas avançaram sobre ele, não obtendo sucesso.

Elas estavam em casa. Finalmente.

[...]

Após pedir - mandar - a ajuda de um filho de Ares desocupado para que carregasse Hanna até a enfermaria, ela finalmente pôde relaxar e analisar a situação. Enquanto sua prima jazia desacordada sobre a maca, Eiva assobia e chama um dos curandeiros, passando a rolar os olhos em toda a extensão corporal da garota, procurando possíveis machucados e lesões. Por fim, encontra uma queimadura feia e descruza os braços, movendo-se para rasgar o resto da calça jeans, facilitando assim o atendimento.

— Hidra. — Aponta para a queimadura, dirigindo-se ao curandeiro que se aproximava.

Ao abrir espaço para que o garoto pudesse trabalhar livremente, ela caí sobre uma poltrona de espera e cruza novamente seus braços, analisando outra vez a fisionomia feminina quando de repente percebe um volume estranho no bolso da garota. Ela estica seu braço, pedindo licença ao curandeiro e retirando um papel amassado do lugar. Como a curiosidade era tamanha, se permitiu ler.

Pai,

Escrevo esta carta para deixar meu profundo arrependimento por ter participado dessa vida como semideusa. Alguns dizem que toda essa situação é um dom mas eu afirmo ao senhor que isso se tornou um peso a qual eu não consigo me livrar.

Os Deuses são maus, papai. Eu vi isso com meus próprios olhos… Eles apenas se importam com o próprio nariz e possuem um ego gigantesco! Assim como Poseidon! Como pude ser tão estúpida e ter uma filha com ele? Como fomos parar nesse meio? Foi diferente com Íris, minha mãe?! Não importa agora… Eu já fiz minha escolha.

Estarei viajando até a América novamente. Não pretendo dar esse gostinho à eles, mas se caso eu não voltar, quero que prive Hanna de toda essa bagunça e caos a qual eu estava destinada. Sei que será difícil no começo, mas confiaria minha vida e de minha filha ao senhor.

Caso esteja assustado, não fique! Estarei sempre com você onde quer que eu vá… E com ela também. A deixo em suas mãos, mas estou feliz com essa escolha. Me sinto mais leve… Bem mais leve…

As ervas que cultivamos são para o disfarce de Hanna. Infelizmente, como filha de um dos três grandes, será perseguida por monstros e esse cheiro natural ajudará a esconder seu cheiro mágico por algum tempo. Prometa-me que vai deixá-la a salvo.

Eu vivi meus melhores anos em sua companhia pai. Sei que ela também irá presenciar isso.

Eu te amo. Amo os dois. Estaremos juntos algum dia… Eu anseio por isso.


De sua filha Aylena, com todo o amor do mundo.

Eiva precisava pensar após aquilo.

[...]

Continuou ao lado da prima durante as horas que se seguiram. Não ousou tirar o olhar sobre a prole de Poseidon, pois sentia-se ansiosa para poder encontrá-la com consciência. Após horas e horas de descanso, a loira começa a se mover na cama, enfim acordando.

— Você é médica? — A questão fez a semideusa quase gargalhar enquanto ajeitava-se na poltrona, levantando seu corpo.  

— Olha só quem acordou! — Movia o chiclete em sua boca de forma desleixada, sorrindo ligeiramente à ela. — Me chamo Eiva — Apesar de querer conversar com a garota e entender mais sobre sua vida, ela tinha algo para ler, portanto esticou seu braço juntamente com a carta de Aylena e ofereceu à ela. — Acho melhor você ler, linda. — Murmurou ao entregar a carta e se afastar, deixando a prole de Poseidon sozinha com seu destino.

Seria ela uma nova semideusa rancorosa? Talvez Eiva pudesse se aproveitar de tal coisa.

observações:
Estou fazendo essa ccfy no intuito de conseguir apenas uma boa quantidade de xp e dracmas, apenas!
itens:
• Elektra [Uma adaga de 15cm com detalhes em ouro polido e um risco azulado e metálico na lâmina. | Efeito 1: Volta para a bainha da portadora no mesmo instante em que acerta o alvo. | Efeito 2: A adaga carrega parte do poder do Raio de Zeus que pode ser controlado pelo portador, entretanto tal poder será de acordo com o nível da semideusa, só podendo ser ativado uma vez por evento/missão/mvp etc. Não há garantias de que o raio também não atinja a dona. | Ouro Imperial | Sem espaço para gema | Beta | Status: 100% sem danos | Mágico | Arsenal do Acampamento]

• Mochila sem fundo [Mochila de prata com material simples, sem bolsos laterais, com um único zíper, uma única entrada e uma única saída.| A mochila não possui fundo, foi encantada para caber inúmeros objetos, ou seja, seu espaço é infinito, tudo que você colocar dentro dela permanece ali, desde que passe pela parte de cima, ou seja, você precisa conseguir colocar o item pelo buraco, que é largo o suficiente para passar até uma panela de pressão. Para pegar o item de volta basta colocar a mão dentro da mochila e pensar nele, e ele retorna para suas mãos.| Indefinido | Sem espaço para gemas | Alfa | Status: 100% sem danos |Lendário e mágico | Loja especial do dia dos namorados]

• Amuleto de portal [ Uma pulseira feita de bronze sagrado e pedras pequenas água marinha em formato circular irregular. A pulseira possui várias pedras água marinhas ao seu entorno, a do meio possui uma runa de mudança que auxilia o semideus a abrir um portal por tempo o suficiente para que a sua passagem e mudança de ambiente se realize com sucesso, podendo levar consigo até duas pessoas. | Efeito 1: Abre um portal para qualquer lugar que o semideus deseja ir, por dois turnos, dando tempo para levar consigo até duas pessoas. | Efeito 2: Caso o semideus perca a pulseira, após um turno ela retorna para o mesmo. | Efeitos duram dois turnos. | Gasto de MP: 50 MP por uso. | Após uma ativação deverá esperar quatro turnos para poder ser ativado novamente. | Água marinha e Bronze Sagrado | Resistência Gama | Mágico | Comprado no Tea Drop ]

• Cristal de teletransporte [ Cristal de Topázio Azul em seu formato original, é desregular e nada polido, porém tem um tamanho pequeno e é fácil de carregar no bolso. | Efeito: Permite que a pessoa consiga viajar de uma cidade à outra. Funciona apenas fora dos domínios dos deuses, não comprometendo a segurança dos mesmos. | Gasto de MP: 20 MP por teletransporte. | Uso disponível somente uma vez por evento, missão ou CCFY. | Mágico | Comprado no Tea Drop ]
habilidades:
passivas:
Nível 2 [NYX]
Nome do poder: Atributos melhorados I
Descrição: Os demônios da noite se tornam mais velozes do que semideuses comuns, mesmo durante o dia – algo enfraquecido – podendo se mover em uma velocidade impressionante, o que lhes permite desviar-se de coisas mais facilmente, ganhar uma esquiva avantajada, e dar saltos maiores, desde que peguem impulso.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Durante o dia ganham + 10% de velocidade, esquiva, e salto, durante a noite essa porcentagem dobra, vira +20%.
Dano: Nenhum

Nível 18 [NYX]
Nome do poder: Perícia com Punhais e Adagas V.
Descrição: Os demônios possuem uma facilidade natural com o manejo de tais armas, podendo rapidamente usá-las em uma ofensiva quanto na defensiva.
Gasto de Mp: Nenhum.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: +30% de assertividade no manuseio de Punhais e Adagas.
Dano: + 25 de dano ao ser acertado pela arma do semideus, pois a precisão será mais certeira.
Extra: Nenhum.

Nível 20 [NYX]
Nome do poder: Força II
Descrição: O seu personagem ficou ainda mais forte, conforme a evolução de seus dons e poderes. Seus treinamentos lhe trouxeram resultados imprescindíveis, e agora sua força se tornou ainda maior.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Durante o dia os demônios conquistam +20% de força, durante a noite essa força dobra para +40%.
Dano:  Nenhum

Nível 16 [ZEUS]
Nome do poder: Velocidade I
Descrição: Os filhos de Zeus/Júpiter lidam com raios e tempestades, e sabe que a velocidade de um raio, assim como a de Zeus/Júpiter é vantajosa. Os filhos de Zeus/Júpiter são mais rápidos que a maioria dos campistas, e chegando a se assemelhar a velocidade dos filhos de Hermes.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +15% de velocidade
Dano: Nenhum
ativas:
Nível 10 [ZEUS]
Nome do poder: Eletric Aiser
Descrição: Esse poder permite ao semideus filho de Zeus/Júpiter, descarregar uma ponta de energia sobre sua arma, deixando-a eletrizada durante dois turnos. Enquanto a arma do semideus estiver carregada com a potência de raio, faíscas saltarão da lamina, e sua força no impacto terá um efeito maior.
Gasto de Mp: 30 MP
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: A arma fica eletrizada por dois turnos inteiros, e o dano no impacto aumenta.
Dano: 35 HP
Extra: Nenhum

Nível 1 [ZEUS]
Nome do poder: Bolas de Energia
Descrição: O semideus consegue acumular sobre a ponta dos dedos, cinco esferas de energia pequena, e atira-las contra o inimigo como se fossem balas – só que mais rápidas – que ao baterem contra o corpo do inimigo, deixando a sensação de dormência no local atingido, e o membro ou parte do corpo formigando de uma forma irritante, o deixando mais lento, e atordoado durante um turno inteiro.
Gasto de Mp: 5 MP por esfera de energia
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: 7 HP por esfera que atingir o corpo, totalizando 35 HP
Extra: Nenhum



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Re: CCFY - Breath of life.

Mensagem por Selene em Sab Jan 06, 2018 5:02 pm


Hanna

Hanna,
Devo dizer que eu realmente gostei de sua história, no entanto, você pecou na principal parte. Aquela pedida pelas regras: as batalhas. Por isso, ao invés de te reprovar, estou pedindo um teste complementar. Você - sozinha - deverá me narrar ao menos duas batalhas. Não me importa o cenário, nem quais monstros, mas sim o seu desenvolvimento e a coerência de suas ações. Você tem um prazo de 20 dias para postar ambas batalhas.
Boa sorte.

P.S.: Tanto sua avaliação quanto a de Eiva saem após a postagem das batalhas.


Selene
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Re: CCFY - Breath of life.

Mensagem por Hanna Norling Ahlström em Dom Jan 07, 2018 12:13 am




All you ladies hands in the air
explore and enjoy the adventure



Às vezes precisava se deitar sobre a grama fresca porque se sentia sobrecarregada demais. O sol começava a se pôr e ao saber que Quíron buscava entrar em contato com ela para lhe passar uma pequena missão, cogitou ir para a clareira da floresta e tirar um tempo só para si. Olhava para cima e via o céu azul noturno, imaginando ser capaz de se fundir com a cor. Naqueles momentos, por uma fração de segundos, sentia-se livre e feliz novamente. Mas aquela sensação não durava mais do que alguns segundos.

A estadia no acampamento não era como o conforto da fazenda, mas também não era totalmente desagradável. Sentia-se perdida em algumas atividades, mas havia semideuses que gostavam de ajudar. Enquanto pensava, Quíron, o centauro, aproximou-se de onde estava deitada e a chamou pelo nome, fazendo-a erguer o corpo rapidamente.

— Algum problema? – Perguntou, limpando o excesso de grama e terra presente na calça e nos membros superiores.

Ele era, literalmente, um “cara” de poucas palavras. Sem rodeios ou brechas para negar sua solicitação, Quíron entregou-lhe um arco e uma aljava com flechas, saindo logo em seguida.

— Mas... – Tentou protestar, tendo em vista que nunca tinha ido até a floresta sozinha e não conhecia a região. Além disso, não sabia caçar. Apesar de ter crescido em uma fazenda, sabia como cuidar de animais e não matá-los.

Hanna suspirou pesadamente, deslizando os dígitos pelas flechas na aljava, contando de uma por uma até contabilizar quarenta no total.

— Não são tão ruins. –Murmurou antes de alinhar o acessório sobre as costas e segurar o arco com firmeza, recordando-se momentaneamente da arma deixada pela mãe, a qual perdeu durante a invasão dos monstros na fazenda.

Olhando uma última vez para o alto, ponderou sobre como tudo muda de uma hora para outra. Ahlström estava com a vida virada de cabeça para baixo, mas de uma forma ou te outra precisava aceitar a nova realidade. Apesar de confusa e conturbada, aquela era sua história. Por pior que fosse, era sua vida. Não era mais uma criança para ficar chorando pelos cantos e sentindo pena de si mesma. Era uma semideusa e precisava aprender a viver como uma.

Mesmo que tivesse se perdido por uma ou duas vezes, sempre indo para o lado errado, a filha de Poseidon finalmente alcançou a parte mais densa da floresta, sorrindo satisfeita à medida que adentrava a mesma.

A vegetação era fechada, com árvore grandes e galhos longos que se entrelaçavam uns nos outros, parecendo figuras fantasmagóricas. Hanna parou por alguns instantes, encaixou o arco entre as pernas e prendeu os longos fios loiros em um rabo de cavalo, em seguida voltou a caminhar, segurando a arma com a destra.

Movimentava-se com passos silenciosos e curtos, evitando provocar ruídos por onde passava. Uma vez por outra se esgueirava entre as árvores, olhava em volta e prosseguia seu caminho ao ter certeza de que não havia nenhum perigo por perto.

Após algum tempo caminhando sem sequer um rastro de animais por perto, recostou as costas em uma árvore e deixou-se relaxar na mesma, apoiando as palmas sobre os joelhos, ainda segurando o arco. Se continuasse naquele ritmo iria anoitecer, pensou, elevando uma das mãos até a fronte enquanto tentava bolar alguma estratégia, mesmo que não tivesse noção alguma de como fazer aquilo. Sequer havia lhe dado informações!

Contudo, o barulho de galhos quebrados a sua frente chamou-lhe atenção, fazendo-a erguer os olhos imediatamente.

Uma espécie de cachorro negro com olhos vermelhos a encarava, mostrando os caninos de forma ameaçadora enquanto a rondava em uma posição agressiva. Hanna sentiu a respiração falhar por alguns segundos, vendo-se encurralada por todos os lados. O cão infernal raspou as garras na terra, como se esperasse qualquer movimento da garota para atacá-la. Hanna apertou tanto as costas contra o tronco que chegou a pensar que se fundiria ao mesmo, o que não seria má idéia considerando o perigo a sua frente.  

— Calma, cãozinho... – Disse erguendo as palmas em um gesto de rendição, recebendo um latido alto como resposta. — Cachorrinho bonitinho. – Tentou mais uma vez, porém em um movimento surpresa, a criatura avançou, sumindo entre as sombras e surgindo de repente a sua frente.

Hanna jogou o corpo para o lado, desviando do ataque e rolando pelo chão, ralando seus joelhos no processo. Rapidamente apoiou-se em um deles e ergueu o arco, puxando uma flecha da aljava, mas ele era mais rápido do que ela.

O cão infernal pulou sobre a loira, fincando uma das garras em seu ombro e fazendo-a gritar pela dor. As íris verdes buscaram algo que lhe ajudasse a se livrar dele, mas só conseguia sentir seu bafo nojento invadindo suas narinas à medida que aproximava os caninos de sua cabeça.

Encontrou uma pedra a poucos centímetros de onde estava, talvez se conseguisse alcançá-la, pensou, esticando o braço até agarrar a mesma. Sem cogitar duas vezes, desferiu um golpe contra a cabeça do bicho, fazendo-o se distrair e afrouxar as patas sobre seu peitoral, mas não o suficiente para retirá-lo de cima do seu corpo. Outro golpe foi executado pela garota, dessa vez mais forte e raivoso que o primeiro, conseguindo enfim que o cão infernal a soltasse.

Aproveitando a distração do cão, correu até seu arco. Seu ombro esquerdo doía e já era possível ver as marcas deixadas pelas garras do monstro. Mesmo assim, girou seu corpo com uma postura ereta e alinhou uma flecha na arma, contraindo os lábios quando ergueu o braço e mirou, deixando sua mão na altura do queixo quando disparou mais uma flecha.

O cão negro movimentou-se novamente, sumindo entre as sombras das árvores e surgindo ao lado da semideusa. Hanna já estava mais esperta com a movimentação do animal, então inclinou o corpo agilmente e atirou a primeira flecha, seguida de mais outra, acertando uma delas na pata dianteira dele enquanto trocava passos laterais. O cachorro grunhiu e passou a olhar a semideusa com mais raiva à medida que um sorriso satisfeito se formou nos lábios da filha de Poseidon, logo se desfazendo ao lembrar do sangramento em seu ombro e a súbita dor que lhe afligia.

Seu ataque não foi o suficiente para pará-lo, mas sim para atrasá-lo, visto que o mesmo começara a correr desastrosamente em sua direção. Hanna ergueu o arco para o alto e atirou mais uma flecha no momento em que a criatura efetuava um salto de ataque, acertando-a exatamente no centro de sua barriga.

Quando o corpo do cão infernal encontrou o chão de forma abrupta, ainda estava vivo. A filha de Poseidon aproximou-se do mesmo com cautela, ainda com a destra sobre o ombro ferido enquanto trazia na outra uma flecha. Não hesitou e nem pensou antes de cravar a mesma em sua cabeça, ignorando todas as abocanhadas no ar e movendo o projétil dentro dos miolos do cão para ter certeza de que estava morto. Não demorou para que o monstro desaparecesse em pó mágico.

Então era assim que se matava uma criatura? Apesar de amar caninos, ela adorou ver aquele morrer.

Quíron provavelmente estaria bravo ou desapontado com a cria de Poseidon devido a sua falha no quesito caça, mas ele não podia culpá-la já que sequer lhe disse como e quando terminar seu trabalho na floresta. Desse modo, Hanna achou que sua tarefa ali estava feita e passou a ir em direção à clareira, sentindo-se bem – mesmo que com seu ombro ferido.

Enquanto andava e desviava de galhos secos e pontiagudos, pôde reconhecer um som estranho e familiar. Um sibilo começava a vir a se tornar mais e mais alto, como se uma cobra estivesse pronta para atacar.

Hanna arruma sua postura, deixando-se esquecer do ombro ferido e passando a rolar seus orbes verdes em meio às folhas e os troncos escuros da floresta. Apenas quando passou os olhos para a mata densa – da onde estava vindo – percebeu uma estranha aproximação.

Uma criatura metade cobra e metade mulher começava a correr em suas duas caudas, esboçando nervosismo e determinação. De onde ela havia saído?! Hanna recua dois passos pelo reflexo de semideusa e rapidamente estica um projétil noarco, liberando-o na direção da mulher. Infelizmente ela havia sido muito mais rápida e ao levantar seu escuro, a flecha se quebra sobre o metal.

“Droga”, ela pensa enquanto sente o gargalhar da mulher-cobra lhe atingir os ouvidos antes do escudo bater contra seu peitoral, pressionando-a em um tronco brutalmente. O cheiro do hálito ácido e nojento da criatura ardeu suas narinas, fazendo-a tossir para respirar um ar novo.

— Parece que os semideuses pararam de temer a floresta noturna... — A mulher diz puxando todas as letras ‘r’ e começando a subir seus membros escamosos pelo corpo da garota. — Isso é um erro muito, muito grave. Temos um acordo! A floresta noturna está a nossa disposição! — Hanna já conseguia sentir as caudas lhe alcançarem o pescoço, começando assim a sufoca-la lentamente. — Você irá virar sobremesa de monstro!
 
Não, Hanna não pretendia ser uma refeição naquele dia.

Seu cenho se franze a medida que tenta se desvencilhar da dracaena, desferindo chutes e joelhadas pelas partes vulneráveis da criatura; Infelizmente, os golpes são pareciam funcionar e sua garganta passava a ser fechada pela pressão das caudas reptilianas em seu pescoço. O ar lhe faltava e antes que entrasse em desespero, lembra-se da pequena adaga de cobre que havia ganhado em seu primeiro dia no acampamento. Por sorte, aprendeu a usá-la na cintura.

Ela rapidamente empunha a adaga e desfere - em um impulso só - a arma no pescoço da criatura, cravando um buraco fundo e letal. A dracaena sibila em desespero e solta a semideusa, que caí no chão e logo rola para o lugar mais distante daquela mulher, levantando-se em seguida. Podia observar o monstro se balançando em agonia enquanto um líquido denso e escuro espirrava para fora, causando uma bagunça só.

Hanna avança seus olhos sobre a aljava e arco que jaziam no chão próximo à criatura e passa a correr sem hesitar, mesmo que estivesse ciente da lança armada na mão da reptiliana. Ao impulsionar seu corpo no sentido de sua arma, percebe o movimento desengonçado de arremesso de lança, que passa cortando alguns fios do cabelo esvoaçante da semideusa. Ela joga seu corpo, escorregando de joelhos até o arco e a aljava e logo prepara dois projéteis de uma vez, mirando a criatura com toda sua determinação.

Necessitou apenas de poucos segundos de observação para lançar as flechas no sentido da mulher-cobra, que ainda agonizava tentando retirar a adaga cravada de sua nuca. Com sorte e foco, uma das flechas que correram juntas atinge a parte central do pescoço alheio, acabando de vez com a gritaria e sobrando apenas placas de metais da armadura entre uma poeira cinza e malcheirosa. Ela finalmente havia acabado com aquela criatura nojenta.

Ainda de joelhos, permite-se arquear o corpo e inspirar uma grande quantidade de ar, voltando a sentir seu ombro que latejava fortemente. Hanna força suas pálpebras, sentindo o cansaço lhe consumir mas não demora em se levantar - ainda que cambaleando -, já que não queria encontrar mais um monstro naquela floresta.

Ela correu da maneira que pôde em sentido à clareira iluminada, não olhando para trás e sequer contanto os segundos até que reconhecesse a grama aparada e as luzes fracas do ambiente. Finalmente pôde soltar-se no chão e gemer de dor, imaginando estar salva.

Enquanto fechava seus olhos e segurava firmemente seu obro lesionado, uma voz soa à cima de si.

— Achei que eu ia ter que te salvar também. — A voz nada sutil de Quíron era o suficiente para a semideusa encará-lo de maneira incrédula. O mesmo portava um arco de prata celestial gigantesco, já com uma flecha pronta em sua corda. — Estava apenas vendo até onde você conseguia se virar com a cobra. Foi bem. Mas tem de melhorar. — Ele dá as costas para a garota, deixando-a ali.

Ela não acreditava na ousadia do velho.

Poderes passivos:

Nível 2
Nome do poder: Flexibilidade Nata I
Descrição: Devido ao arco-íris está ligado as serpentes que se trançam no ar, os filhos de Íris/Arcus podem tornar-se flexíveis. O seu corpo parece moldar a lugares pequenos e suas agilidades podem aumentar. Isso faz com que se desviar dos inimigos, ou golpes seja mais fácil, pois ele se torna mais esquivo.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +20% de chance de esquivar-se de um ataque.
Dano: Nenhum

Nível 3

Nome do poder: Pericia com Arcos I
Descrição: Apesar de não ter o mesmo domínio de um arco que os filhos de Apolo/Febo, ou as caçadoras, os filhos de Iris/Arcus aprendem a manusear o arco com facilidade e pratica. Com o tempo, essa habilidade pode se aperfeiçoar.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: + 15% de assertividade no manuseio da espada.
Dano: + 5% de dano ao ser acertado pela arma do semideus

Itens:

• Faca de Bronze Celestial [ Uma faca de lâmina curta - cerca de 10 cm - com cabo em madeira envolvido em couro para tornar o manuseio melhor. | Não produz feridas em mortais. | Bronze celestial, madeira e couro. | Sem espaço para gemas. | Alfa. | Status 100%, sem danos. | Comum. | Nível 1. | Item inicial. ]





AT
WITH
SO
Floresta
Alone
end? Is not it just the beginning?

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Hanna Norling Ahlström
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Re: CCFY - Breath of life.

Mensagem por Nox em Seg Jan 08, 2018 5:10 pm


Hanna e Eiva

Método de Avaliação:

Valores máximos que podem ser obtidos

Máximo de XP da missão: 3.000

Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

Realidade de postagem + Ações realizadas: 35%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc: 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência: 25%

RECOMPENSAS: 2.400 XP + 2.400 Dracmas

Comentários:
Meninas,

A escrita de vocês foi boa, sem nenhum erro mais grave. A história foi legal, teve bom desenvolvimento. Falhou na ausência de combate e por isso o desconto  em realidade de postagem + ações realizadas.

Mesmo que tenha sido postado uma batalha complementar que ficou muito boa, os descontos permanecem, o complemento foi para dar a chance à reclamação. Ambas ganharão o XP da CCFY, Hanna, parabéns pela reclamação.

Quaisquer dúvidas, entrem em contato comigo ou com a Selene

Atualizado.







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Nox
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Re: CCFY - Breath of life.

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