The Blood of Olympus
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Mensagem por Lola Kim em Sab Dez 23, 2017 4:55 pm

The odd eye circle


A história de três crianças, conectadas em determinado ponto. Com seus próprios receios, repreensões e gaiolas – fossem solidas ou unicamente psicológicas – o mundo certamente não foi gentil com tais meninas, proles de divindades que carregam poderes inimagináveis. Mas o poder em si é um fardo. E a corrupção mundana, a inveja e a vingança também corroem os Deuses, que pintaram de sangue parte da história e vida dessas crianças. Mas culpa possuíam do simples fato de nascer e existir? O mundo nunca foi justo. Pagar pelos pecados dos próprios progenitores é apenas mais um vestígio da injustiça que governa entre os homens.
BY MITZI


It begins Eclipse
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Re: [in]different

Mensagem por Eun Deokhye em Dom Dez 24, 2017 12:33 pm

“The sparks are gone, replaced by fierce, ugly tears that track down my face. Thunder rumbles somewhere far off and the air is warm. But the humid temperature is gone. The heat has broken and summer will soon be over. Time is passing.”
Eun Deokhye não é a protagonista de célebres trunfos dourados. Pelo menos não a nascida no dia de 13 de Junho de 2002, filha da jovem doutora em história Eun Hakhyun pela Universidade de Mulheres Ewha e de um homem, até então, desconhecido. Não a jovem sufocada pelas próprias inseguranças, e muito menos a moça de atuais catorze anos que apresenta mais distúrbios sociais que um adulto no ápice de seu estresse profissional. A origem? O diploma de psiquiatria pela Universidade do Texas de um ganancioso doutor, que acompanha a jovem desde os seus cinco anos, não foi capaz de atestar com precisão.

Ainda assim, inúmeros relatórios foram redigidos acerca da ansiedade exacerbada que Deokhye experimentava aos cinco anos e nove meses de idade, e também quanto a personalidade impulsiva e descomedidamente insegura que se consolidou aos dez anos e meio. Em um deles, a caligrafia firme do médico afirmava: "(...) aproximações bruscas ou excesso de movimentação fazem a jovem demonstrar comportamentos agressivos, geralmente acompanhados de afirmativas fantasiosas como provável método de defesa".

À essa altura, você pode estar questionando a veracidade dos fatos aqui apresentados. Algumas aulas de história quanto a independência sul-coreana e uma análise superficial do panorama familiar da jovem Eun, irão fornecer uma resposta objetiva. Jovens coreanos crescem sob um espectro nacionalista que honra as tradições e a luta que libertou a nação anteriormente unificada do domínio imperialista nipônico. A independência foi conquistada pelas mãos de diversos agentes, entretanto Deokhye não estaria inclusa em tais heróis nacionais. Não estamos falando de reencarnação ou de viagens no tempo, mas sim história que configurou a nação transformada nos dias atuais. Sendo uma mulher esquecida pela própria passividade e doença. Nomeada como a última princesa da nação – ironicamente uma mulher declarada como demente, obrigada a deixar o próprio pais, não sendo bem-vinda após a libertação da nação da influência nipônica – a jovem Eun duvidava que houvessem intenções positivas da progenitora ao receber tal nome.

Talvez tenha sido fruto da vaidade e orgulho de uma mulher em nomear sua filha como a maior figura histórica e controversa da nação, crente que a menina alcançaria algum reconhecimento para o pais onde fora concebida apagando a história negativa do próprio nome. A arrogância de Hakhyun não possuía limites.

A Eun mais velha – mãe solteira, que nem por um segundo fora questionada ou julgada por aqueles com quem trabalhava, determinando uma competência profissional impecável, o que justificava a mudança para o Texas em uma oportunidade de emprego única – relembra sua filha a grandiosidade de seu nome. Soterrando-a com expectativas próprias e não necessariamente comuns à criança. Se a psicologia moderna afirma que nos sete primeiros anos de vida o indivíduo torna-se uma esponja que absorve toda a influência possível de seu meio, a jovem Deokhye absorveu um genérico senso de dever a ser cumprido e uma cobrança que a condena diariamente, além do complexo de inferioridade que se desenvolveu ao cursar o colégio comum as crianças americanas.

Ainda sob observação médica quinzenal, aos nove anos a jovem iniciou sua rotina de estudos exaustiva, ao passo que iniciava suas aulas de música e cursos extras, afim de aperfeiçoar quaisquer habilidades futuras para alguma carreira de renome. Afinal, sob a ótica materna, Deokhye deveria seguir a carreira acadêmica como forma de nortear seu futuro a realizações certas. Mesmo assim, a calmaria que a menina experimentava nas ocasiões em que se ocupava com a vertente artística outorgadas por um artista sentimental lhe eram integralmente benéficas, e potencialmente a válvula de escape que garantiu sua sanidade até a pré-adolescência.

Fora dos olhares da mãe e sob a tutela de um psiquiatra disposto a basear suas teorias numa jovem perturbada desde a infância, Eun deslumbrava-se com seu próprio universo. Embora impelida a cumprir com as expectativas maternas, Deokhye não desejava grandeza, a menos que tal renome estivesse associado a algo que desconhecia: felicidade. Almejava divertir-se genuinamente na companhia de alguns poucos amigos – ainda inexistentes –, que prezassem sua presença.

Tal ímpeto a motivou a tingir os cabelos de um tom tão claro quanto a própria pele, adotando um estilo distinto daquele com que havia se habituado – por influência materna – desde a infância. Crente de que se tornaria mais interessante para os indivíduos de sua idade que a rodeavam no âmbito escolar. Pela primeira vez, via-se dona de suas próprias escolhas, ainda que à contragosto da mãe, que julgava tal comportamento em potencial como "um passatempo infantil" ou "apenas uma fase". Determinada a demonstrar não apenas a própria capacidade, mas também as conclusões erradas da mãe, Deokhye vive à sombra de uma figura histórica responsável por reprimi-la durante toda a vida. Entretanto a repreensão sofrida pela jovem era estendida não apenas dentro daquilo que costumava chamar de lar.

Alheia aos comentários que eram traçados sobre sua presença, diversas vezes indesejada pelos demais, a jovem era tratada com desdém e brincadeiras com teor agressivo em relação a própria condição mental e os remédios que era obrigada a consumir diariamente. Seus colegas de turma costumavam sufocar risadas ou apontar para ela a medida que a jovem transitava, fingindo não notar a maneira com que a atenção lhe era dedicada. Poderiam acha-la atraente até certo ponto, visto a quantidade de bilhetes que surgiam no armário da atual loira. Se era na adolescência que os jovens buscavam uma aceitação e recriminavam o que era diferente, era também em tal fase que os impulsos e desejos ganhavam forma. Mas o conhecimento de que usariam tal fato para rir dela em um futuro próximo a fazia apenas retrair-se. Sem real desejo de prosseguir com suas ideias de conseguir amigos verdadeiros ou alguém que pudesse compartilhar um romance.

Seus pequenos sonhos foram deixados para trás a medida que compreendia que sempre seria vista como alguém diferente, que não existia espaço para uma adolescente perturbada entre os círculos de amizades bem estruturados dos indivíduos que possuíam sua idade. O que culminou em pequenos atos de rebeldia, um deles a levou mais longe do que realmente acreditava que iria. A levou até a liberdade.

Uma liberdade forçada e condicionada pelas próprias mãos.

Em busca de manter os resquícios mínimos da sanidade mental que lhe restavam a jovem Eun encontrou um novo destino aos próprios remédios: o vaso sanitário. Com a ausência e confiança materna que se convenciam da passividade e aceitação que provinham de Deokhye, ela aproveitou-se, deixando os remédios diariamente encontrarem um novo destino no encanamento. Ciente que caso todos desaparecessem subitamente levantaria suspeitas desnecessárias. Sem sofrer grandes alterações perceptíveis, ao menos para os demais. O sono latente que a acompanhava, assim como a lentidão foram substituídos por uma percepção aguçada do mundo que a cercava. Obtendo mais disposição para melhorar as próprias notas e, em contrapartida, seus sentidos e hiperatividade pareciam sofrer pelo tempo com que passava reclusa em uma classe fechada. Como se seu corpo ansiasse por movimento e ações, quais ela não era capaz de compreender com precisão.

A nova disposição fez com que jovem se matriculasse na educação física, obtendo uma boa dose de adrenalina por três dias durante a semana. O que potencialmente diminuiu a chacota em torno da Eun, que passou a ser vista como uma jovem quase normal ao invés de completamente reclusa e inacessível. Atraindo, pela primeira vez, um tipo de atenção e curiosidade que lhe eram favoráveis. Mas seu interesse estava voltado para si mesma, naquele momento. Visando garantir que a própria vida atingisse algum nível de conforto e felicidade que lhe seriam benéficos.

As consultas quinzenais continuaram no mesmo ritmo, a medida que Deokhye se via obrigada a desenvolver a própria habilidade para contar mentiras, passando algumas noites em claro para evitar que o psiquiatra pudesse descobrir a ausência de remédios em seu sistema. Parecendo tão ou mais cansada como era de costume. O seu evidente sucesso durou exatos cinco meses, onde Deokhye pode experimentar a máxima normalidade que lhe era possível. Sem ser assaltada pelos vislumbres sobrenaturais que experimentava durante a infância ou sendo apontada como perturbada. Com a nova concentração vieram um desempenho escolar quase exemplar, atraindo a atenção de Hakhyun de maneira positiva pela primeira vez. Que se convencia de que o dinheiro investido na saúde mental da filha não fora em vão. Mas a atenção da Eun mais velha se resumia a pequenos sorrisos, dinheiro extra e uma aprovação solene aos hábitos que Deokhye havia adotado meses antes em seu vestuário e aparência.

Obviamente não existia um interesse genuíno na filha, como a própria pode perceber. Tudo se resumia o quão bem-sucedida a adolescente poderia ser em um futuro cada vez mais próximo.

Em uma quinta-feira atípica de outono, onde o céu permanecia envolvido na completa ausência do costumeiro azul, Deokhye avançava a passos lentos pelo estacionamento do consultório do psiquiatra, atrasada a um par de minutos. E sem realmente preocupar-se com sua ausência prolongada. Mordiscava um alimento que havia adquirido no caminho, aproveitando a satisfação de ter o estômago preenchido por substâncias sólidas e de não mais sentir o frio que a fustigava – possivelmente mais como um reflexo da própria fraqueza a estar tanto tempo sem comer, por culpa dos horários tumultuados da escola – havia levado lucidez ao seu raciocínio. Fazendo-a ponderar de imediato sobre as próprias escolhas relacionadas a prova que fizera mais cedo, enquanto mantinha os olhos nas pessoas que compartilhavam o elevador consigo, com as mãos apoiadas nas bochechas após ingerir por completo o alimento.

De imediato a Eun abandonou a caixa metálica, aproximando-se do consultório do médico sem questionar a ausência de indivíduos em tal andar, geralmente lotado. A porta estava entreaberta e ela não viu problema algum em se sentar na sala de espera. Relaxando os músculos após a longa caminhada e aproveitando o ar-condicionado. Estava quase prestando a atenção na cena que se desenvolvia na televisão, assistindo a maneira como a água degringolava sobre o casal que protagonizava a cena quando sibilos ininteligíveis capturaram sua atenção. Fazendo-a fitar a porta aparentemente fechada, onde possivelmente o psiquiatra atendia alguma paciente de última hora.

A curiosidade latente era um traço relativamente novo na personalidade em desenvolvimento da loira, que se aproximou a porta, da forma mais silenciosa que conseguia, notando de imediato que a porta estava entreaberta, lhe fornecendo uma visão privilegiada de quem estava sendo atendido. Percebendo primeiramente as sombras de duas pessoas, uma delas trajando algum enfeite na cabeça que lhe dava a aparência de ser um gigante ou algum jogador de basquete que ultrapassava os dois metros. O psiquiatra estava ao lado do rapaz e Deokhye conseguia ver suas costas pela abertura da porta, achando engraçada as vestes do mesmo. Quase como se estivesse fantasiado. E as sombras de ambos se formatavam como um borrão de tinta crescente nas paredes de pedra.

O dialogo fora retomado, agora em um volume que deixavam de ser sibilos confusos para a adolescente, à medida que se tornavam compreensíveis, expressando-se por intermédio de uma linguagem rude que beirava o imperativo. Deokhye não estava compreendendo o que ocorria, até que seu nome fora citado. Fazendo-a suspender a respiração de imediato, declinando o tronco até ocultar-se completamente nas sombras fora do alcance de visão de quem estava dentro da sala.

- Eu sentir cheiro de semideusa aqui. – A voz grave se fez presente, socando a mesa com força e quase fazendo a adolescente pular. Assustada com a movimentação repentina e inesperada.

- Claro que você sente, seu estupido. Eu tenho essa menina tola tem anos! Esperando a hora certa para usar ela. Você não pode tê-la agora. Ela é uma peça fundamental para que eu consiga invocar minha senhora que está além do submundo. O que mais a deixaria feliz além do sangue de uma criança do rei dos Deuses?

A voz do psiquiatra carregava doses de raiva e insanidade que a assustaram de imediato. Consciente de que era ela, evidentemente, a criança citada em tal conversa. Tendo o conhecimento de que era a única paciente que se consultava por quase dez anos. Seus pensamentos girando em direção contrárias e confusas ao passo que raciocinava que deveria sair daquele lugar o mais rápido possível, sequer lembrando-se da própria condição psicológica o qual anunciava uma loucura evidente. Consciente do ruído que anunciava a distância ínfima presente entre ela e os homens que ocupavam o quarto era assustador. Acompanhada da certeza de que estava sendo manipulada por quase toda a vida.

Abandonado a mochila branca no chão e disparando em direção a porta, munindo o trajeto de uma cautela imprescindível para a execução de qualquer subversão. Consciente de que um movimento em falso ainda poderia comprometer a fuga evidente. Ignorando os elevadores. Eun, na união entre dois corredores, reduziu a velocidade. Pressionando a cabeça contra a parede, avançando minimamente para verificar a presença de terceiros. Nenhum outro médico havia abandonado seus ofícios habituais de quinta-feira. A fornecendo uma cobertura inconsciente para a conclusão da sua primeira fuga.

Ela percorreu o espaço presente entre os jardins e os portões de ferro em segundos. A respiração descompassada denunciava a necessidade de descanso. Interrompendo a corrida por alguns momentos para recobrar a consciência que a falta de ar a proporcionava sendo invadida de imediato pelos fluxos intensos de memorias distantes e trágicas que a remetiam ao local. A visualização externa daqueles portões e da arquitetura modernizada remetiam a primeira vez que Deokhye adentrou ali. Abalada após vislumbrar uma mulher metade serpente que havia tentado enrolar-se em torno do seu corpo diminutivo pela infância. Sibilando ameaças de morte que a perseguiram por anos. Sentiu-se frustrada por um par de minutos antes de volver a atenção a própria fuga, fustigada pelo medo que sentia.

Embora relativamente distante do centro cosmopolita da cidade, as ruas do Texas continuavam sendo a melhor oportunidade de fornecer um esconderijo e também de angariar algum suporte. Consciente de que talvez ir para casa fosse sua última opção disponível em tal situação. Dada a maneira como sua progenitora adorava o seu, até então, psiquiatra. Deokhye só percebeu que havia esquecido a mochila quando atingiu o centro movimentado da cidade. Com o suor se propagando pelo rosto, mantendo os cabelos grudados ao mesmo, a Eun rodopiou os olhos pela rodovia. Esquecendo-se por um segundo dos próprios escrúpulos, ao ponderar sobre a própria condição. Aquilo era uma questão de vida ou morte. Estava sendo caçada como um animal, além de ter fornecido pistas de que estivera no consultório e escutado parte da conversa. Sem dinheiro e sem poder voltar para casa ela era apenas uma criança sem rumo e documentos, que logo seria pega. Mas a sensação de que não deveria permanecer ali a alertava a todo instante.

Necessitava sair daquele local.

Deixando a compaixão para os que a têm como último recurso ilusório: a manipulação e o oportunismo empregados em artifícios por vezes cruéis não surtiam efeito moral algum em alguém que dispensa qualquer escrúpulo ao pavimentar o trajeto em busca de manter-se viva. Pensou, ao passo que traçava análises do que poderia fazer.

Convicta de que furtos que vitimassem desatentos pelas ruas do Texas talvez fossem o único recurso, além de manter-se escondida – apesar de recorda-se da voz grave do homem indicando que poderia sentir o seu cheiro – ela prosseguiu pelo centro, até alcançar as proximidades de uma das estradas principais. Com uma decisão convicta e baseada unicamente na própria sobrevivência e dignidade. Após singelos minutos clamando pela atenção dos veículos que passavam, um carro interrompeu o percurso para ouvi-la. Munindo-se do semblante mais aflito e horrífico que pode reproduzir, clamando pela atenção do asiático que o governava.

- Eu, eu preciso ajuda, senhor. – Forçou-se a murmurar em um inglês falho, como se não compreendesse as palavras pronunciadas ao certo.

De imediato o jovem assentiu com a cabeça para convida-la para o interior do veículo. Naquele momento, ela não poderia se dar ao luxo de questionar o caráter de qualquer um disposto a ajudar uma adolescente de, no máximo quatorze anos, que parecia desesperada no meio de uma estrada. Vestuando um uniforme de um colégio caro. Nenhum turista em sua sanidade plena manteria uma jovem asiática com cabelos desgrenhados e claramente menor de idade em seu próprio carro por muito tempo ela sabia. Vítima da ansiedade e incredulidade proveniente de uma fuga bem-sucedida, Eun manteve seus olhos fixos nos próprios pés protegidos por um par de all-stars brancos durante longos minutos. Após a confirmação que tal rapaz dirigia para fora da cidade ela adormeceu, sob a premissa de esquecer-se das próprias decisões.

A madrugada já havia caído quando os olhos escuros, com um brilho anormal e azulado, se abriram, encarando a estrada iluminada precariamente pelas luzes do farol do carro. Enquanto sua mente buscava acordar a própria consciência ela tornou a fechar as orbes, embatecendo os cílios escuros um par de vezes. Percebeu que estivera dormindo por no máximo quatro horas e que, certamente já era hora de abandonar o rapaz qual havia a ajudado. Em evidente receio de que o mesmo possuísse planos de origens duvidosas para ela. Por alguns segundo ela ponderou, suspirando e sentindo-se desorientada por ter dormido tanto tempo em companhia de um estranho.

Não evitou um bocejo, sentindo a fome a alcançar. De imediato o rapaz a olhou, parecendo se interessar pela jovem. Deokhye se ajustou no banco de imediato, deslizando as mãos pelos cabelos loiros e assumindo uma expressão de pânico. Que era parcialmente verdade.

- Eu preciso fazenda, me perdi mãe, pai... – A Eun apontou teatralmente para a estrada, vendo que realmente existiam casas e pequenas propriedades ao longo da linha curvilínea da estrada, adornada pela vegetação.

O rapaz meou a cabeça, dando a entender que compreendia o que a adolescente estava indicando e ela permaneceu em silencio, analisando a estrada por mais uma hora, antes de erguer o dedo e apontar para uma propriedade grande e de aparência bastante peculiar. O rapaz não a questionou e a adolescente desceu do carro agradecendo da melhor forma que podia, se curvando antes de rumar em direção a propriedade. A adolescente esperou até ouvir o ronco característico do motor antes de seguir pela vegetação, prendendo o cabelo. Ao passo que era presenteada com o som de grunhidos e silvos que provinham do ambiente adornado de uma quietude anormal.

Brindada pela pacificidade que o ambiente noturno a proporcionada a Eun refletiu sobre as próprias escolhas – sentindo-se satisfeita o suficiente para o fazer – precipitadas e tomadas em um momento que estava dominada pela ameaça eminente a própria existência. Entretanto não conseguia achar o próprio arrependimento em meio aos sentimentos que se misturavam sem seu interior naquele dado instante. Concluindo a obviedade da situação que vivenciava: nunca fora uma criança fácil para a mãe. Que parecia sofrer de desgosto ao vê-la, mas não verbalizava o sentimento obvio. Deokhye não se sentia verdadeiramente ligada a mulher que havia a gerado. Talvez a fuga houvesse lhe feito bem. Deixando Eun Hakhyun livre para aproveitar os próprios dias sem uma criança problemática para sustentar.

Marcada por um passado ainda vibrante em sua mente, ela se questionou se o próprio presente poderia ser tachado de difícil. Havia vivenciado ainda criança o horror descontrolado da própria mente, forjando coisas que anunciavam não existir. Sentindo-se desamparada e sozinha. Em uma sensação que se propagou à medida que os anos passaram, criando um distanciamento abismal entre ela e a mulher que supostamente deveria ama-la. Deokhye buscou desesperadamente salvar a si mesma, por anos. Ela imaginava se todas as pessoas – que preenchiam as ruas das cidades de vários locais – estavam tão presas nas próprias desgraças quanto ela estava. Enfim, deslizou as mãos molhadas de suor pela barriga, sentindo pela primeira vez o fantasma da fome a assombrar. Notando que, dado o seu estado de fome, ele não podia mais ser ignorado. Não se quisesse continuar viva e respirando deveria comer e descansar em breve.

Eun ignorou o frio do outono que a abraçava como um fantasma silencioso – e era apenas mais um fantasma a segui-la, mas o da fome era barulhento e não a deixava esquecer da sua presença. Com o rosto gelado e vermelho em decorrência dos ventos, a respiração traçando sombras no ar, ela atravessou o perímetro de outra casa esquecida, seguindo por uma rota desigual. Não evitou o suspiro, sentindo o vento se propagar pelo seu rosto com intensidade novamente, agora sem muita vontade de refletir sobre os acontecimentos que nortearam sua tarde e início da noite. Exclamando e solicitando aos céus alguma distração.

Com um ruído anormal ela possuiu a certeza de que seus desejos haviam sido atendidos, mas não da maneira que esperava. Uma criatura anormal, com uma anatomia desigual e que, a única comparação descente que ela encontrava trava-se de dragões que vira em filmes de conteúdo fantasioso. A criatura possuía um corpo escamoso e parecia mesclar dragões e répteis, tendo altura suficiente para assustar uma equipe inteira de jogadores de basquete. E não era apenas isso. Cinco cabeças monstruosas, com a boca cheia de dentes e expressões assassinas, se erguiam do pescoço da monstruosidade. O primeiro pensamento coerente da adolescente foi sobre como estava realmente em apuros.

De imediato o seu corpo passou a bombear sangue com uma rapidez impressionante, enviando ondas de adrenalina e impulsos de movimentação que ela não era capaz de compreender com exatidão, porém Deokhye não ficou parada no mesmo local ao ver indícios de iluminação anormal sair da boca de uma das cabeças. Dando meia volta e correndo para longe das chamas que iluminaram a noite, acompanhando de estalidos de eletricidade. Em um claro indicativo que o monstro havia atingido algum poste de energia, o que dificultava as rotas de fuga da Eun – que em tal momento sequer encontrava forças para questionar ou duvidar da existência de tais criaturas, consciente de que não deveria parar e perguntar se eram de fato uma alucinação –. Naturalmente ela não evitou os gritos que desprendiam de sua garganta, completamente em pânico.

O monstro a seguiu, derrubando arvores e soprando fogo. Fazendo-a desatar a união entre a vegetação com os punhos cerrados, provocando ferimentos que ela só iria ter consciência mais tarde. Gotículas de suor propagavam-se progressivamente pela testa em contrapartida a brisa fustigante que açoitava as folhas e indo em contra ao rosto da Eun a medida que avançava, em desespero. Os zumbidos de vespas e demais insetos ressoavam por dentre as árvores, mas àquela altura, ela sequer era capaz de escutar a movimentação dos insetos, sequer dando atenção aos que grudavam ao longo de seus braços e pernas. Certamente ela preferia ser picada por insetos ao ponto de ficar inchada do que lidar com tal criatura monstruosa que a seguia.

A sua frente uma construção aos pedaços mostrou-se como a melhor rota de fuga até o momento. E ela adentrou na casa sem hesitação, apalpando as paredes para se orientar, suspendendo a própria respiração sob a premissa de não fornecer indícios da própria presença, avançando com cuidado e limpando as mãos adornadas de suor na saia azulada. Em meio aos destroços da casa, janelas quebradas, cobertas pela vegetação natural. Com gotículas invadindo aposentos e cômodos divergentes por toda a extensão da construção. As paredes circundavam a casa silenciosa, senão pelos sussurros de uma brisa que no mais tardar poderia dissipar-se. Eun vislumbrou um brilho metálico, reconhecendo o objeto como um taco de golfe. Sem compreender ao certo, a menina segurou o objeto com firmeza, como se o mesmo pudesse ajuda-la a preservar a própria vida.

A compreensão de uma mente em pânico geralmente era bastante difícil, visto que determinadas ações e atos era tomados com única e exclusiva base a própria sobrevivência não seguindo padrões de raciocínio lógico. Ao menos era o que ela julgava dado o fato que não compreendia os impulsos e mesmo assim os fazia. Abandonando a casa ao saltar de uma janela, tendo um vislumbre do monstro que a perseguia completamente no asfalto, com cabos de energia o rodeando e fogo pintando o céu noturno. O monstro tinha a atenção voltava para ela, produzindo sons distintos em cada uma de suas cabeças. Sons que faziam os pelinhos da nuca de Eun se arrepiarem. Tendo consciência de que, no meio do nada, sem qualquer fazenda habitada por perto e com a estrada bloqueada, ela certamente estava muito encrencada. Podendo imagina com exatidão a manchete que seria impressa nos jornais: Jovem asiática é fritada com alta voltagem e fogo numa estrada no sul do país.

Deokhye não gostaria de morrer de tal modo, obviamente. Não havia fugido em um carro de um rapaz estranho, sem dinheiro e documentos para morrer no meio de uma estrada qualquer, sem saber se aquilo era fruto da sua imaginação ou não.

Entretanto isso não mudava o fato de que ela não sabia como fazer aquilo desaparecer. Diferente de tal monstruosidade, que continuava a assoprar fogo, avançando contra a Eun – sabendo muito bem que poderia fazer um churrasco de asiática –. Ela correu em direção ao asfalto, diante do fogo que fora soprado para a casa que ocupava anteriormente, segurando taco de golfe com toda a força que possuía. A adrenalina pulsava de forma tão latente nas veias de Deokhye que ela não foi capaz de perceber que voava a alguns centímetros do chão, absorvendo parte da eletricidade que era gerada diante da queda de tantos cabos. Preocupada com a aproximação evidente do monstro, que esticava as cabeças para chegar até ela. Quase brigando para determinar qual delas iria a destroçar primeiro.

Deokhye impulsionou o corpo para trás, logo ganhando altitude, não percebendo que estava voando no ar até que olhou para baixo. Sentindo uma vertigem anormal se instalar em seu estômago, ao passo que jogava o corpo para o lado, numa clara tentativa de fugir das investidas a criatura monstruosa, que continuava a persegui-la. Mas nem tudo funcionou como planejado (se é que existia algum plano), já que ao invés de mover-se para a esquerda a Eun perdeu altitude, despencando contra o concreto e evitando uma morte mais dolorosa ao ser despedaçada por um monstro de cinco cabeças. Mas se machucando no processo.

Na queda a pele dos joelhos abriram-se, formando feridas de aspecto bastante feio. Porém ela não foi capaz de registrar a dor proveniente dos ferimentos, dado o grau de adrenalina em seu sistema. Estava praticamente em baixo da criatura, onde certamente seria uma presa muito fácil de esmagar e derrotar. Imediatamente ela agarrou o taco de golfe, sentindo a própria pele coçar e o braço ficar completamente arrepiado, golpeando a primeira cabeça que se curvou para abocanha-la, ainda de joelhos.

A cabeça do monstro rolou pelo asfalto ao passo que luzes que não provinham do incêndio iluminaram a semideusa e a hydra, que urrava e grunhia, acertando Deokhye em meio aos urros que foi arremessada para longe com um ferimento no braço e vários arranhões.

A queda não fora algo agradável de se analisar. Já que ela havia colidido contra um dos postes que ladeavam a estrada, enviando ondas de dor pela coluna, além do choque proveniente dos cabos de energia soltos no solo. Deokhye queria fechar os olhos e mergulhar em uma inconsciência limpa, sem vestígios de qualquer anormalidade ou monstros gigantes que cuspiam fogo. Queria esquecer-se também do psiquiatra que havia a manipulado – em tal altura estava a suspeitar de que talvez o homem possuísse algum esquema de tráfico humano que a envolvesse, visto que a quantidade de remédio que a Eun ingeria era alta demais para considerar o tráfico de órgãos – e da figura materna ausente que lhe dera uma gaiola mental ao invés de carinho. Proporcionando tanto sofrimento e incapacidades que Deokhye sequer sabia dar nome ao que sentia por ela.

Porém o barulho de gritos a impediram de mergulhar por completo na inconsciência, fazendo-a se erguer quase de imediato ainda segurando o taco de golfe, agora consciente do que seus impulsos significavam. Uma mulher e uma criança gritavam coisas que ela não era capaz de compreender com precisão, em um carro.

A hidra – agora com quatro cabeças e uma faltado, com o local chamuscando, como que houvesse sido queimado pela eletricidade proveniente do taco de golfe – parecia avançar contra eles, disposta a pisotear o carro afim de dar fim a iluminação ou aos gritos. Por um segundo ela se questionou o motivo deles não terem simplesmente saído com o carro, porém notou que os cabos de energia e o fogo impediam por completo qualquer saída, apenas se passassem por cima do monstro. Monstro que talvez fosse fruto da imaginação doente de Deokhye. Mas naquele momento ela não se importou em pensar realmente sobre a existência de tal criatura, fosse fantasiosa ou não, assim como tais indivíduos.

A realização de precisava ajuda-los veio como um raio para ela, que avançou, subindo dois metros no ar como se houvesse nascido para fazer isso. De imediato ela sentiu a energia formigar em contato com a pele, fazendo a mesma coçar. Golpeando outra cabeça – a que a vislumbrou de imediato – enviando-a para o concreto. A medida que o monstro recuava de dor, como se a eletricidade também fizesse sua pele coçar, mas num nível monstruoso.

De imediato Deokhye foi para o chão, quase caindo novamente, adentrando no carro com afobação e berrando para que saíssem dali logo. A próxima coisa que ela registrou foi o céu tingindo de azul quando acordou.
◦◦◦


It's our nature. We destroy. It's the constant of our kind. No matter the color of blood, man will always fall.
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Re: [in]different

Mensagem por Lola Kim em Dom Dez 24, 2017 12:56 pm

빨간 나비¹
The red butterfly¹
Nem todo mundo tem alguma sorte na vida.

Mas algumas pessoas sim. Amelia Kim era uma naturalizada americana que havia nascido em Houston, filha de Perséfone e Kim Joon Ho, a jovem definitivamente não havia tido uma vida normal.

Crescera cercada por monstros, armamentos e mitologia grega. Mitologia essa que quase lhe custou a vida, embora fosse apaixonada pelo meio em que vivia, havia prometido nunca delegar a ninguém o mesmo sofrimento pelo qual passara. Promessa essa que sequer fora capaz de cumprir.

Amélia tinha pouco mais de vinte anos e levava uma vida pacata nos subúrbios de Nova Iorque, era uma artista plástica e modelo nas horas vagas, sendo que sua principal renda vinha da mesada que seu pai lhe mandava enquanto ela cursava artes plásticas em Columbia. Gostava da vida mais simples, mesmo sendo uma jovem de bom status econômico. Nunca fora de esbanjar e, por isso, ela sequer tinha problemas em morar no local que morava.

Então, em um pub indie, numa noite fria de inverno – época do ano onde Amelia se sentia mais sombria – ela conheceu um homem peculiar. O que a atraiu de imediato. Ele tinha os olhos escuros, cabelos de mesmo tom e cacheados. Sua pele era pálida e ele cheirava a tabaco. Conversaram durante toda a noite, em clima agradável.

Amelia já se encontrava levemente alcoolizada, o que a deixava passiva dos flertes do homem. Mas ela sentia algo estranho. Algo poderoso e tão familiar quanto o que sentia na presença de alguns deuses. Talvez, por conta do álcool, ela não tenha dado muito ouvido aos instintos que a mandavam sair dali. E ela foi para casa acompanhada pelo estranho, passando a noite em claro em um ato tão libidinoso que deixaria seu bom pai católico de cabelos em pé.

No entanto, na manhã seguinte, ele não estava mais lá e tudo que ficara para trás era uma estranha moeda, que logo ela reconheceu como sendo um dracma. Ficou preocupada pelos dias seguintes. Havia dormido com um deus. Tinha certeza disso. Homem nenhum conseguiria trancar a porta de novo depois de sair. E as janelas também estavam fechadas.

Tudo que ela temera nos dias que lentamente se passaram é que estivesse grávida, medo confirmado exatamente um mês depois que o homem a visitara. Na noite de ano novo. Temerosa pela própria vida e pela vida da criança que carregava consigo, Amelia rapidamente fez a malas e pegou o táxi das irmãs cinzentas até o Acampamento, onde permaneceu em seu chalé com seus irmãos pelos anos seguintes.

Quando a criança nasceu, uma menina de pele clara, cabelo e olhos escuros e lábios rosados, Amelia decidiu que teria, então, um propósito de vida: cuidar de sua prole. E o fez muito bem, passava seus dias cuidando da pequena e treinando, mantendo a si e a criança completamente segura até que ela tivesse idade para se cuidar.

Lola, a menina, se desenvolvia rapidamente. Dia após dia. Crescia bem e saudável, sendo educada com a ajuda de Natasha, uma filha de Atena, e Mason, um filho de Poseidon. A menina mal havia aprendido a se vestir sozinha e já treinava combate com espadas de madeira, assim como ia na parede de escalada e corria ao redor da quadra de vôlei.

Ela adorava estar naquele mundo. Parecia quase mágico. Mas ela nunca havia sido reclamada. Sua vida se resumia em se desenvolver mais do que muitos semideuses de sua idade, no entanto, ela era rejeitada por seu parente. Com a ajuda de proles de Hécate, ela aprendeu a controlar a névoa assim que completou 11 anos. Com os filhos de Apolo, ela se tornou uma boa arqueira aos 12.

Mas nenhum desses feitos fazia seu pai considerar que ela era boa o suficiente para ser reclamada por ele. Isso mudou quando, um belo dia, no seu aniversário de 13 anos, sua mãe lhe deu uma espada maravilhosa. Era uma lâmina longa, quase do tamanho da perna de Lola, escura como a noite, tendo seu cabo trabalhado em entalhes e fabricado do mesmo material. Havia uma rosa bonita, uma réplica perfeita, desenhada em seu pomo. Lola sorriu e abraçou a mãe, agradecendo pelo presente de aniversário.

No entanto, aquela não foi a única surpresa. Pela primeira vez, Lola sairia do acampamento. Iria conhecer o avô. Sorriu alegremente com a notícia, gritando de emoção, sendo abraçada por seus tios e tias que haviam se contagiado com a alegria genuína da criança.

Então, partiram no dia seguinte. Dessa vez, foram na van do Acampamento e a viagem que deveria ser relativamente simples, tornou-se infernal. Uma criatura gigantesca empurrou a van, que saiu da estrada e capotou algumas vezes.

Quando o veículo parou, Lola sentia-se zonza. Tirou o cinto de segurança, sentindo um pouco de sangue descer pela testa. Sua mãe já não se encontrava mais ao seu lado e o filho de Apolo que se dispusera a acompanha-las também havia saído.

Saiu da van com alguma dificuldade, puxando a pulseira de modo que ela se materializou naquela longa espada que recebera no dia anterior. O que ela viu fez os fios de sua nuca se arrepiarem. Uma enorme e horrorosa Hidra, engoliu em seco. Achava que aquela criatura havia sido derrotada recentemente – ao menos um dos filhos de Zeus se gabava de seus feitos quanto a isso – e que não retornaria tão cedo.

O nervosismo da menina diante de tal criatura fez com que o solo tremesse, algumas pedras voassem em direção ao monstro – atingindo-lhe os olhos, pescoço e “peito” -  e pequena e quase imperceptíveis rachaduras se formassem no chão. – Lola! – Amelia murmurou surpresa ao ver a filha parada ao seu lado. – Volte para a van, agora! – ela viu o garoto de Apolo lançar uma flecha em chamas, que atingiu a hidra em sua testa, fazendo-a disparar fogo e ácido contra o trio de semideuses.

Lola não sabia se aquilo estava certo. Hidra costumavam ter cinco cabeças. Aquela só tinha três... e dois cotocos. – Omma! – murmurou para a mulher, em uma tentativa de manha. Mas sabia que Amelia não iria ceder. Não daquela vez.

Parou para analisar o território em sua frente, coisa que ainda não havia feito. O mato estava queimando em várias partes, em alguns lugares era possível ver poças de ácido. Em outros, ela via pó. Ela só pensou que queria sair dali mesmo. Se encolheu na sombra da van capotada enquanto sua mãe e o semideus de Apolo bravamente atacavam a hidra e se escondia. O mundo era bem pior fora das barreiras protegidas do Acampamento. – Saia daqui, Lola! Confie na sombra, ela vai te levar para onde quiser!

“Confiar nas sombras.”, sua mãe só podia ter enlouquecido. Ainda assim, a garota imaginou como seria estar na rodoviária de Nova Iorque. E como estar lá poderia ser mais seguro. Ao menos não teria uma hidra gigante. Com isso, a menina voltou a se apoiar na van, sentindo o pânico crescer em si. Queria sair dali e ir para a rodoviária.

De repente, seu corpo não pesava nada. Era leve como uma pluma e caía por uma escuridão que nunca vira antes. Então, suas costas tocaram o chão frio de um cômodo abafado, ela se colocou de pé, vendo algumas coisas. Pareciam produtos de limpeza. A menina franziu a testa, transformando a espada em uma pulseira outra vez. Suspirou de forma pesada.



It begins Eclipse
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Re: [in]different

Mensagem por Eun Deokhye em Ter Dez 26, 2017 8:13 pm

“The sparks are gone, replaced by fierce, ugly tears that track down my face. Thunder rumbles somewhere far off and the air is warm. But the humid temperature is gone. The heat has broken and summer will soon be over. Time is passing.”
A manhã fora... anormal. A primeiro momento a Eun havia recobrado os sentidos em meio a uma tempestade de raios, em uma escala diminuta que proporcionava a iluminação periódica de áreas aleatórias e distantes, contemplando a iluminação proveniente das nuvens e os vestígios do céu azulado sobre o manto acinzentado que indicava a proximidade de chuvas ainda envolta no próprio sono. A segunda observação traçada pela... semideusa fora a presença de uma mulher e de um garoto loiro ao seu lado, que se chamava Elliot segundo a adulta responsável pela condução do veículo. A criança parecia tensa e desconfortável, segurando a mão esquerda de Deokhye como se a canhota fosse algum objeto nunca antes observado com precisão. Ela alternava o olhar horizontalmente entre Ludmilla a Elliot, sem dissimular o fato de estar acordada. A mulher, igualmente loira como a criança, mantinha os olhos parcialmente atentos a ela. Talvez pensasse se deveria leva-la imediatamente a polícia visto os acontecimentos que nortearam a noite anterior.

A terceira nota tomada foi a consciência, ministrada através de reflexão, sobre a ocorrência duvidosa da batalha que protagonizou em presença de uma criatura irreal. As recônditas lembranças voltavam à tona ao passo que o sono se esvaia de sua mente. Recordando-se dos mínimos detalhes os quais vivenciara. Era perceptível que existia algo que provocara as chamas, assim como a queda dos fios de energia, porém a justificativa de que os atos vivenciados eram fruto de uma ilusão bem construída e moldada lhe soavam concretas em tal momento. Duvidando da própria habilidade de alçar voo em pleno ar e energizar objetos, como o taco de golfe apoiado em seus joelhos e isso era um sinal de que realmente vivenciara a situação. Sem respostas evidentes os olhos desviaram-se do objeto em seu colo, balançando a cabeça discretamente como se discutisse com si própria, com um brilho cínico nos olhos escuros.

O mais estranho e perturbador no dado presente, era o silêncio latente no veículo. Deokhye limpou a garganta e sentou-se normalmente, adotando uma posição de superioridade muito bem observada e que provinha dos gestos maternos ao olha-la. Mirou a mulher de esgueira e a estudou, o rosto assumindo um tom avermelhado pelos próprios atos, mas a necessidade e autopreservação pareciam dominar os desejos latentes de Deokhye. As orbes da mulher estavam vidradas, concentradas e cravadas em seu rosto. Ela fingiu não se importar diante da atenção.

- Para onde você está indo?

Questionou sem desviar os olhos da estranha. A mulher, ao contrário do que imaginava anunciou em uma voz quebrada e falha que estavam quase em Nova Iorque. O novo conhecimento soou como o anuncio de um prêmio milionário. Na metrópole cosmopolita onde segredavam-se com facilidade impar mistérios e meios de sobrevivência diversificados Deokhye possuía chances concretas de permanecer oculta da presença materna por tempo indeterminado. Até que pudesse traçar planos que garantissem sua sobrevivência mediante a influência que o psiquiatra exercia em sua vida.

- O que a aconteceu ontem à noite? – ela não evitou o questionamento, com a voz quebrando ao pronunciar a última parte.

Em uma análise traçada superficialmente Ludmilla desviou os olhos, prestando uma falsa atenção a estrada parcialmente vazia.

- Um ônibus escolar virou, querida. Tinha muito fogo e fios caídos, nós demos uma olhada e só encontramos você dentro... Mas parecia que ia explodir logo, entã-

- Era um montrããão enorme, tia! – A criança interrompeu, apertando os dedos cobertos se fuligem, sujeira e sangue seco.

Deokhye engoliu em seco.

- Pare o carro.

Ela ordenou sem refletir muito, obtendo uma certeza que era oriunda a própria vivência. Caso proclamasse a verdade tal individuo deveria no máximo ter saído em busca de ajuda ao invés de carregar uma criança inconsciente e ferida para uma metrópole alvo de turistas e adorna de segurança. A ordem fora rejeitada com facilidade ao passo que Ludmilla se recusava a olha-la. Em um comportamento que era um indicativo, se não, para algum planejamento oculto. Dando a Eun a certeza que sua confiança deveria ser conquistada.

- Agradeço muito a carona. – Determinou, com doses de ironia evidenciadas em cada palavra pronunciada.

No próximo minuto Deokhye sentiu o próprio estomago retrair-se em antecipação, movendo o taco de golfe – que era utilizado como arma desde o primeiro instante que colocou as mãos em tal objeto – defronte a janela. Espalhando disformemente vidro para todos os lados, protegendo a visão parcialmente e contando com um coro de gritos ela não perdeu tempo, saltando pela janela graças a própria anatomia diminutiva, porém fortalecida pelos meses gastos na pratica de esportes. A confiança exacerbada presente em tais atos, entretanto, era tão falsas quando a sua vida, ao menos em seu interior. Onde a consciência tratava-se de pronunciar que um salto de um carro em alta velocidade resultaria numa morte certeira.

Talvez seu juízo realmente estivesse se esvaindo com o decorrer do tempo, porém Deokhye saltou sem oferecer tempo para que o carro fosse vítima de uma desaceleração forçada. Seu corpo pareceu ficar suspenso no ar, à medida que o veículo seguia a própria aceleração, criando a sensação de que houvera sido arremessada para trás com violência. O vento urrou a sua face de imediato, deixando-a suspensa no ar pelo período de segundos que mais pareciam horas. Abusando da pouca sorte nenhum carro transitava por ali e a queda obtida ao pousar no concreto escaldante foi menor do que o imaginado. Apenas servindo para abrir os ferimentos nos joelhos, conseguidos na noite passada. Felizmente o carro não parou e a Eun moveu-se para se distanciar a pista. Notando que estava alguns quilômetros da cidade, por pura sorte.

Empinou o tórax e deslizou os all-star brancos – que estavam sujos de terra e continham pontos de precariedade pura – pela vegetação rasteira, bebendo do silencio como forma de organizar os próprios pensamento, porém o tempo até que atingisse a entrada da cidade transcorreu com mais velocidade do que ela poderia imaginar diante da fome que sentia e pelo incomodo constante das feridas que agora sangravam, deixando rastros avermelhados pelas pernas e tingindo o sapato que trajava. O vento, no entanto, sofreu uma modificação assim que caminhava pelas ruas adornadas de pessoas. Um arrepio lhe desceu a espinha. Não era desses arrepios de frio, era algo diferente o que a fez se agarrar instintivamente ao taco de golfe – até agora inseparável –.

Quando moveu a cabeça em direção ao céu notou o próprio rosto estampado, em indicio claro que ela, teoricamente, estava desaparecida e possivelmente sequestrada. Mas aquela não era a única coisa presente na abóboda celeste naquele instante: havia uma galinha do tamanho de uma pessoa, quase, com penas vermelhas e amarelas junto com um rosto terrivelmente humano e feminino. Antes que o monstro pudesse alcança-la notavelmente a adolescente gemeu em resposta aquela criatura. A imaginação da jovem Eun nunca havia extrapolado de maneira absurda, sequer cogitava a hipótese em seus mais obscuros devaneios que um dia pudesse estar lutando com monstros de procedência mitológica e que não pertenciam a realidade mundial a qual estava inserida. Talvez por tais motivos deveria continuar a utilizar os remédios que não mais estavam em seu sistema.

Agindo mais como uma criminosa, como se temesse ser reconhecida e atingida a Eun abaixou o rosto e correu para uma viela, ainda segurando o taco de golfe com mais força do que o necessário. No entanto o monstro a seguiu. Berrando como uma ave de fato. Abaixando o suficiente e rompendo a distância, deixando rasgos na camisa trajada pela semideusa. Eun virou-se, golpeando a criatura com o taco de golfe com força. Mas seus esforços mostraram-se inúteis diante da ave que a atacava novamente, daquela vez bicando os cabelos sujo de Deokhye enquanto as garras traçavam arranhões pela pele desnuda dos braços, perfurando em determinado momento. Sem pensar o suficiente e sem poder atingir o monstro com o taco do golfe a adolescente jogou o próprio corpo contra a parede, machucando-se a si e a harpia no processo.

Porém seu objetivo fora atingido diante do voo alçado pela monstruosidade. Entretanto a mesma retornaria e sem perder tempo o corpo exausto da adolescente disparou pela rua, sentindo os resquícios de uma eletricidade a qual não sabia de onde provinha.

Deokhye entrou no metrô, carregando o taco de golfe e afastando alguns indivíduos com pequenos choques. Estava prestes a adentrar em um dos banheiros quando a avistou.

Ela fixou os olhos escuros, que refletiam um tom azul profundo, como mergulhar em um céu noturno numa menina que parecia mais miserável do que a própria. O poder ainda fluía pela ponta dos dedos seus dedos, o que a levou a sigilar as mãos atrás da saia do uniforme, a blusa branca cheia de fuligem, folhas e sujeira misteriosa. Questionou-se por um segundo se deveria ajudar a garota a sua frente, que carregava uma atmosfera de tristeza que incomodava a jovem asiática. Lembrava-se das vezes que havia chorado sozinha sem nenhuma palavra de conforto ou indícios de que alguém realmente se importava. Por um segundo a semideusa – que ainda não compreendia o que era de fato – esqueceu-se da eletricidade que fluía pelo seu corpo e segurou a adolescente que era alguns centímetros mais baixa.

Deokhye olhou nos olhos da menina que aparentava estava assustada, quase como se enfrentasse uma crise de pânico.

- Se levante, você é dona do seu destino, se você se encolher e chorar não vai poder mudar nada na sua vida. Só você tem o poder de mudar as coisas para melhor ou para pior.

Ela puxou a menina para cima, notando que não havia mais resquícios do brilho azulado entre as próprias mãos. Levando-a até o aglomerado de pessoas antes de desparecer em meio ao tumulto. Aquilo era tudo que uma criança que cresceu sem carinho ou afeto poderia dar a desconhecidos com que se importava minimamente. De imediato Deokhye adentrou em um beco com o rosto voltado para o chão em uma tentativa obvia de evitar o reconhecimento, diante do fato que possuía o rosto impresso em diversos jornais e televisões, com afirmativas de uma mãe ausente de que ela havia sido sequestrada. Ridículo.

Os músculos de Deokhye doíam pelo esforço e pelas horas que estava sem se alimentar. A exaustão a levou até uma fabrica de jornais, invadindo o perímetro sem encontrar dificuldades para a própria entrada, levando-a a se apoiar em um canto ausente de iluminação, onde permaneceu por no máximo trinta minutos. Bebendo da calmaria oferecida e pelo estado de letargia lentamente alcançado. A calmaria, entretanto, foi findada ao passo que vozes ecoavam pelo local vazio. A aceleração gradativa do coração da semideusa atingiu graus preocupantes e o corpo se tencionou de imediato diante da premissa de passos e uma aproximação mais próxima do que imaginava. Havia a voz de uma mulher adulta e de uma menina que parecia ter em torno da sua idade.

Eun colou o próprio corpo contra a parede e estava prestes a prender a respiração quando percebeu que havia sido vista, contanto até três mentalmente antes de volver o rosto em direção as desconhecidas. O susto foi evidente nas feições asiáticas da adolescente, reconhecimento de imediato a garota a qual havia tentado ajudar mais cedo, mas ela não estava sozinha. Era acompanhada de uma mulher que notavelmente era sua mãe. E a Eun sabia o perigo que adultos representavam. Eles sempre queriam leva-la de volta, sempre.

Para sua sorte a fiação no local era bastante precária, Deok sentia a escape da energia elétrica e manteve-se próxima a parede, carregando um taco de golfe, feito completamente de metal.

- Ninguém vai me levar de volta! Eu não posso voltar, vão me matar e se vocês quiserem me levar de volta eu vou... eu vou dar choque em vocês! – Ela ameaçou, sem importar-se com a própria aparência. Apenas arregalando os olhos quando a menina, obviamente mais nova, transformou a própria pulseira em uma espada, colocando-a no chão.

Instantaneamente a Eun sentiu a energia, proveniente da fiação, percorrer seu corpo. Indo para a “arma” que carregava.

- Você me chamou de semideusa? Olha, se isso for uma brincadeira eu definitivamente estou indo fritar vocês duas. Ninguém vai me levar de volta.

Ambas não deram atenção a ameaça implícita da adolescente, continuando a pronunciar explicações e outras coisas.

- Acampamento? – Deokhye questionou, sentindo os próprios dedos fraquejarem no aperto que exercia sobre o taco de golfe, sem saber como reagir ao assistir a menina fazer uma flor desabrochar. Como se fosse a personificação da primavera.

Deok nunca se sentiu tão lunática, mesmo quando estava sobre a influência de remédios.

- Eu não sei. Vocês me prometem que não vão me levar de volta para minha mãe, no Texas? Se eu voltar eu vou morrer para uma... senhora do submundo, algo assim. Isso não parece bom. – Ela não viu problemas em aceitar a flor e, em seguida o casaco oferecido. Se sentindo tão exausta que apenas segurou o braço de Lola a abraçando de forma torta. – A eletricidade faz a pele coçar e te faz ficar arrepiada, mas isso parece muito... perigoso...

Deokhye não conseguiu completar antes que o mundo rodopiasse em seus olhos, registrando apenas o estampido do trovão. Mas a ausência de forças durou por menos tempo que o previsto. Dentro de um minuto Deokhye recobrou a consciência, vislumbrando os cabelos escuros da semideusa a sua frente que não parava de falar nem por um segundo. Aceitando o alimento oferecido sem titubear, diante do estado de fome que havia atingido, sem conseguir raciocinar o suficiente para roubar sem ser reconhecida já que seu rosto estava impresso em vários veículos midiáticos. O gosto que explodiu em sua boca fora distinto do imaginado, levando-a a fechar os olhos de imediato. O gosto a fazia recônditar-se de um passado parcialmente esquecido, ainda quando sua habilidade para formar lembranças estava em estado de desenvolvimento, onde seus avós ainda permaneciam vivos. Oferecendo um carinho genuíno que se estendia também pelos alimentos ingeridos pela, até então, pequena Deokhye. Inevitavelmente os olhos voltaram a se abrir, fitando a menina a sua frente sem deixar de apreciar a ausência dos ferimentos leves que cobriam a extensão do seu corpo, sobretudo os joelhos.

- Alimento dos deuses? Estamos falando de mitologia grega? – Foi o primeiro questionamento direto e pacifico proveniente da Eun, que apenas assentiu quando Lola a informou sobre a moderação que deveriam ingerir a ambrosia e néctar. – Meu nome é Eun Deokhye.

Apresentou-se no próximo minuto, sentindo a necessidade de o fazer. Se pretendia permanecer com elas deveriam ao menos compartilhar seus nomes e talvez suas histórias. Mas a confiança dela ainda hesitava, tremula após o desmoronamento daquilo que conhecia como verdades incontestáveis.

- Eu, eu não estou louca certo?! Eu vi um bicho de cinco cabeças e um... meio pássaro e eles pareciam querer me matar, mas as outras pessoas não pareciam perceber eles. E... – A voz dela era vacilante, como se estivesse de volta a infância narrando as primeiras experiências sobrenaturais que nortearam seus primeiros anos na américa. – O que significa exatamente ser uma criança do... rei do... olimpo?

A resposta era conhecida pela... semideusa. De imediato ela fechou os olhos, pressionando os dedos sujos contra as têmporas com mais força do que era indicado, impedindo o próprio corpo de enfrentar um surto diante do estresse proporcionado pelas situações anteriores. Demorou um, dois minutos até que o rosto pálido se mostrasse novamente, com as próprias emoções parcialmente sobre seu controle.

- Texas é um estado... Lola. Eu morava em Dallas com minha mãe e nunca conheci meu pai. – Completou, com a voz quase desaparecendo na última sentença.

Tendo a certeza que a própria narrativa de sua vida parecia complementar as informações recebidas. Seu progenitor ausente era uma divindade, por tais motivos era notável o fato que Eun Hakhyun nunca mentira ao informar que não sabia o nome do rapaz estrangeiro que conhecerá em seu pais de origem. A única informação verídica era a nacionalidade dita a sua mãe assim como descrições impacientes de uma aparência física. Era dele que Deokhye havia herdado o brilho azulado, como o céu escuro, presente em suas orbes. Ela tornou a pressionar as têmporas, porém sem ocultar o rosto.

- Hécate é a deusa da magia, certo?! Isso parece muito irreal, mas eu posso voar no ar e isso é bem irreal também. Eu acho que... tudo bem se eu for louca. – Ponderou, jogando as camadas de cabelo loiro para o lado. – Eu tinha um psiquiatra que... falou que ia me entregar a essa tal noite. Que uma criança como eu ia deixar ela feliz.

Deokhye informou, sem encontrar o nome de tal divindade. Apesar de recordar-se da mitologia a qual estavam conversando, devido ao fato da própria progenitora ser doutora em história. Existiam mais livros sobre a mitologia grega em sua casa do que na própria escola a qual frequentava.

- Eu... para onde vamos? – Foi o ultimo questionamento que deixou os lábios da Eun, erguendo-se utilizando a parede como apoio e tornando a segurar o taco de golfe.

Uma sobrancelha delgada se alongou em um anzol assim que a palavra acampamento fora citada, mas Deokhye evitou questionamentos, quase sem força para absorver novas informações. Se concentrando em algo que ela poderia lidar: a falta evidente de contato com o mundo de Lola. A Eun não notou de imediato, mas sentia-se verdadeiramente grata a jovem por tê-la tratado verdadeiramente como um ser humano, mesmo após a verbalização das anormalidades que a rodeavam. Lola não a olhou como se estivesse louca e estivessem indo buscar ajuda com as autoridades. Seus olhos lhe diziam que ela era normal, distinta do restante das pessoas, mas normal ao seu modo.

- Estados são... pedaços de terra divididos dentro de um pais. Nós estamos em Nova Iorque, aqui é um estado. Dentro do estado existem cidades... – Deokhye ponderou por uns segundos, esquecendo-se dos próprios conflitos por um par de minutos. – Os deuses tem domínios, certo?! Poseidon... eu acho, tem um mar, Hades o mundo inferior e... Zeus o céu. Eles são como países. O deus do sol... Apolo e Artremis? Artomis? Err... você entendeu. Ela é a deusa da Lua, então Apolo e Art... são como estados dentro do pais de Zeus.

Ela indicou, massageando a própria cabeça e se forçando a recordar-se de todas as horas de estudos intensivos gastas com a mitologia grega e romana, consequentemente.

Eun concordou com facilidade com as palavras pronunciadas por Lola e dirigiu um sorriso a menina – o primeiro desde que havia deixado a própria cidade e estado para trás – estava prestes a questionar a origem da espada que Kim carregava na destra quando três figuras de aparência horrenda pareceram provir das sombras das paredes que as ladeavam. Talvez movida pelo tempo que decorreu desde sua fuga e pela pequena experiência ao enfrentar tais criaturas as ações imediatas da Eun fora aproximar-se da tomada presente na parede que estivera apoiada a poucos segundos. Entretanto a energia elétrica presente – e facilmente sentida por Deokhye, como se a movimentação da corrente compusesse também o seu sistema nervoso – não se manifestou como estivera reagindo nos últimos dias.

Talvez tenha sido proveniente do conhecimento consciente de que era uma criança semidivina, mas naturalmente um palavrão em grego antigo fora pronunciado pela Eun soando como a própria língua que estava acostumada a pronunciar desde a infância. Ela arrumou a própria postura e segurou o taco de golfe com força o suficiente para impedir a circulação rodar livremente pelos seus dedos, deixando-os esbranquiçados. E se portando ao lado de Lola, ignorando a evidente proteção nos atos da Kim. Seus instintos lhe avisavam que deveria – de algum modo – proteger ao invés de ser protegida, ainda que nada soubesse sobre lutas. Talvez fosse um instinto de personalidade ou desejo de impedir que as únicas pessoas que a ajudaram verdadeiramente em toda sua vida se ferissem.

Enfim seus olhos se volveram para as monstruosidades. Eram quase uma mescla perfeita entre senhoras e múmias, com o corpo curvado e asas ossudas, com uma pele fina semelhante a couro e escura. Seus dentes pareciam nada agradáveis e não aparentavam estar exatamente contentes. Naquele instante a vontade consciente que ela sentia era simplesmente correr e esconder-se em baixo da cama por jamais ter visto criaturas tão horrendas como aquelas.

O tempo decorrido entre o surgimento dos monstros fora pouco mais do que alguns segundos, entretanto o preludio da batalha fora rompido com determinada facilidade ao passo que duas das monstruosidades avançaram contra as adolescentes. De imediato Lola jogou-se no chão para impedir a aproximação mais violenta da fúria – como ela própria havia anunciado –, que parecia bastante raivosa. Outra das criaturas pareceu agarrar Amélia pelo pescoço, o que não parecia exatamente uma coisa agradável, diante das garras que provinham dos dedos das criaturas. Deokhye não poderia ficar parada observando a situação, já que existia uma outra fúria visando atingi-la. A primeira investida fora grudar-se na semideusa, que se debateu – lutando contra o impulso de se encolher e gritar – a acertando com um chute que fez seus ossos e estalarem. Aquela criatura era feita de titânio?!

O caso da situação vivenciada não a atingiu de imediato, visto que seu corpo parecia programar-se para tais situações de uma forma que evitava reflexões indevidas e restava apenas a procura por brechas que garantissem a sobrevivência. Sem busca disso a Eun desviou de um arranhão que prometia lhe deixar com marcas permanentes na bochecha atingindo com o taco de golfe a segunda fúria, que procurava atingir Lola outra vez com um chicote. O objeto utilizado para praticar esportes atingiu em cheio o rosto da criatura, que volveu os olhos completamente negros como piche para ela. Calculando se talvez valeria a pena trucida-la pela audácia.

Pela pouca experiência desenvolvida no período de aproximadamente quarenta e oito horas, Deokhye não manteve o próprio corpo parado, movimentando-se para longe de Lola e atraindo as duas fúrias em um heroísmo estupido e indicativo claro que a Kim deveria ajudar a sua mãe.

O sorriso que se abriu no rosto da Eun foi involuntário ao passo que percebia a lâmina que Lola havia deslizado pelo chão, notando que deveria distrair ambas as fúrias caso desejasse pegar a espada. Porém ambas não lhe deram tempo de traçar quaisquer planejamentos visto que sincronizaram seus ataques. E a sequencia de atos fora bastante rápida para que Deokhye percebesse de imediato. Primeiro a fúria da direita (que possuía uma marca do taco de golfe na bochecha) a atacou, abrindo as asas a alçando um voo curto, mas certeiro, em direção a Deokhye. Que se abaixou para se proteger enquanto a segunda fúria a puxava pelos cabelos, trançando arranhões pelo couro cabeludo com as garras, forçando o corpo para trás e expondo parte do corpo da adolescente.

O erro cometido por ambas foi deixar as pernas da Eun livres, visto que ela chutou a fúria – que voava em um ataque eminente – em dois pontos: no rosto e no peito. Provocando um grito da criatura, que agora não parecia nada contente com a situação assim como a própria semideusa que se via incapaz de se livrar da monstruosidade que agora a segurava pelos ombros. Como alguns valentões de filmes.

- Ah, vocês estão com medo e uma precisa segurar e a outra bater? – Deokhye questionou sentindo a fúria abatida anteriormente avançar, trançando arranhões ao longo de suas pernas visto que ela tentou defender-se com as mesmas.

De imediato lembrou-se que ainda portava o taco de golfe, segurando-o com a mão direita, permitindo que pudesse aproximar-se – através do objeto – da energia elétrica que existia no galpão. A concentração da semideusa dividiu-se em uma linha tênue e defasada a medida que traçava o caminho até a energia com o taco de golfe, murmurando ofensas. O estopim, no entanto, deu-se quando a fúria a atingiu no rosto com violência, provocando um corte na bochecha ao mesmo tempo que a energia parecia fluir pelo corpo de Deokhye, fluindo com tal intensidade que as fúrias, assim como a própria Eun – em uma escala menor – foram atordoadas. O atordoamento fez com que pontos de energia (e escuros) dançassem pela extensão dos olhos da semideusa, que apoiava a cabeça lateralmente no chão, mas afetada do que normalmente seria. Evidenciando o quão exausta e ferida estava.

Em um piscar de olhos, ao menos pareceu para a Eun, Lola atingiu ambas as fúrias que a deixaram para trás para atacar a Kim. Parecendo estar dotada de uma raiva cegante. Como se compreendesse parte dos planos traçados a Eun alcançou a espada, mesmo que cambaleasse devido a carga de eletricidade. Achando num primeiro momento que o metal era errado, em um impulso estranho. Porém segurou a espada com firmeza, mesmo que fosse pesada demais para ela. Eun avançou, aproveitando-se da atenção que não era mais dedicada a si por parte das fúrias, golpeando uma delas na base da coluna com a lâmina e movendo a espada – com dificuldade – para golpeá-la no pescoço. Uma anomalia ocorreu: o monstro se dissolveu em pó, fazendo-a largar a espada de imediato em evidente assombro, assustada demais para demonstrar reações. Porém, com o decorrer dos segundos, Deokhye percebeu que, subitamente os monstros haviam desaparecido, assim como a figura materna que acompanhava Lola. Isso significava que estava morta?!

A questão naturalmente foi respondida pela Kim sem que nenhum questionamento fosse feito. Ficando evidente para a Eun que se tratava de um sequestro. E que deveriam ir para tal acampamento em busca de ajuda. De imediato a adolescente aproximou-se de Lola, envolvendo-a em um abraço ao sentir-se responsável pela situação.

- Nós vamos achar sua mãe. – Garantiu, ainda segurando a outra semideusa em seu abraço desajeitado pela falta de pratica. – Você falou sobre um táxi, certo?
◦◦◦

Adendos:
Então pessoal, caso eu seja reclamada eu quero esse item aqui do arsenal:
• Chicote de Nero [Um chicote laminado, que possui no máximo 5 metros e que pode facilmente machucar tanto você quanto seus aliados caso seja utilizado de maneira incorreta, possui uma coloração vermelho-sangue e inicialmente possui um metro de comprimento. Quando segurado por seu legitimo dono os efeitos do chicote são liberados para o uso. | Efeito 1: O chicote pode aumentar, ficando com no máximo 5 metros, assim como qualquer metragem intermediaria entre 1 metro e 5 metros. Efeito 2: O chicote pode ficar quente como fogo, ao longo da sua extensão, podendo provocar danos e queimaduras, entretanto tal efeito irá durar apenas dois turnos e só pode ser ativado uma vez por missão, evento e/ou mvp. | Ouro imperial. | Sem espaço para gemas. | Beta. | Status 100%, sem danos. | Mágica. | Arsenal do acampamento]

Poderes:
Ativos:
Nível 1
Nome do poder: Voo I
Descrição: O semideus concentra parte da energia de seu parente divino ao redor do corpo, tornando-o mais leve, e então consegue se içar para alguns metros longe do chão. Nesse nível seu controle é pequeno, então é possível que caia enquanto treine, ou se desequilibre se alguém tentar acerta-lo.
Gasto de Mp: 5 MP por turno ativo.
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum
Extra: Consegue planar apenas a 1 metro de distância do chão.

Nome do poder: Bolas de Energia
Descrição: O semideus consegue acumular sobre a ponta dos dedos, cinco esferas de energia pequena, e atira-las contra o inimigo como se fossem balas – só que mais rápidas – que ao baterem contra o corpo do inimigo, deixando a sensação de dormência no local atingido, e o membro ou parte do corpo formigando de uma forma irritante, o deixando mais lento, e atordoado durante um turno inteiro.
Gasto de Mp: 5 MP por esfera de energia
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: 7 HP por esfera que atingir o corpo, totalizando 35 HP
Extra: Nenhum

Nível 2
Nome do poder: Extração
Descrição: O semideus, em tal nível, poderá extrair eletricidade de objetos ou casas, no entanto não irá absorver tal eletricidade. Apenas poderá extrair e manipula-la. Sendo que a mesma irá se dissipar em poucos segundos.
Gasto de Mp: 5 de MP.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: Nenhum.
Dano: Nenhum.
Extra: Nenhum.

Nível 4
Nome do poder: Intimidação
Descrição: A prole de Zeus/Júpiter possui um olhar penetrante e, quando enfurecido, os olhos da prole tornam-se – aparentemente – elétricos avisando a inimigos que um golpe logo irá ocorrer. E, quando isso ocorre, o próximo golpe do semideus causa +10 de dano.
Gasto de Mp: -10 de MP
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: +10 de dano.
Dano: Nenhum.
Extra: Nenhum.

Nome do poder: Nephoscinese I
Descrição: O semideus possui uma certa afinidade com as nuvens, inclusive podendo trabalhar com elas de um jeito que outro semideus não consegue. Nesse nível só consegue mudar o formato das nuvens, fazendo elas parecerem bichinhos ou espadas/lanças, ou move-las para limpar o céu, sem conseguir fazer muito mais.
Gasto de Mp: 5 MP
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum

Nome do poder: Parentesco I
Descrição: Assim como águias, as unhas do semideus tornam-se quase impossíveis de quebrar, afiadas e grandes (até 5 cm), podendo arranhar e ferir semideuses, mesmo que superficialmente.
Gasto de Mp: - 5 de MP por turno que estiver ativa.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: Nenhum.
Dano: - 25 de HP.
Extra: Nenhum.

Nível 5
Nome do poder: Voo II
Descrição: O semideus aprendeu a controlar a gravidade ao redor do corpo, e ao compreender o que o mantem preso na superfície, também é capaz de solta-la e molda-la da maneira que quiser. Agora já consegue ficar mais tempo, voar mais rapidamente e se erguer em altitudes mais elevadas. Podendo permanecer por mais tempo no céu. Seu controle também melhorou.
Gasto de Mp: 10 MP por turno ativo
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum
Extra: Já pode se erguer até 2 metros do chão.
Passivos:
Nível 1
Nome do poder: Respiração
Descrição: Os filhos de Zeus/Júpiter não são afetados por grandes altitudes, e assim como os filhos de Poseidon respiram embaixo da água, eles respiram sobre o ar – literalmente – podendo chegar a altitudes elevadas sem ser prejudicado pela pressão do ar, ter sua respiração afetada. Eles respiram naturalmente.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Consegue respirar normal em grandes altitudes
Dano: Nenhum

Nome do poder: Imunidade parcial
Descrição: A prole de Zeus/Júpiter, por ser prole de tal divindade, possui uma resistência mais acentuada contra eletricidade podendo suportar descargas altíssimas sem acabar falecendo, no entanto o mesmo não é imune a eletricidade. De maneira que, uma descarga que poderia matar um ser humano, apenas deixa a prole de Zeus/Júpiter fora de combate por alguns turnos (a depender da descarga recebida e do narrador).
Gasto de Mp: Nenhum.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: Nenhum.
Dano: Nenhum.

Nível 2
Nome do poder: Ouro Imperial
Descrição: O ouro imperial é o material perfeito para Zeus/Júpiter, o olimpo é feito de ouro, suas armas são feitas de ouro, e se duvidarmos, Zeus/Júpiter reluz em ouro. Com isso, os filhos de Zeus/Júpiter ganham um bônus de batalha ao lutarem com armas feitas de ouro imperial, pois tem facilidade em lidar com elas.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Quando o semideus lutar com armas feitas de ouro imperial ganha +10% de força
Dano: 5% de dano a mais se o adversário for acertado pela arma do semideus.

Nível 3
Nome do poder: Seguido
Descrição: Naturalmente a prole de Zeus/Júpiter possui uma aura de líder que faz com que os campistas e demais semideuses aliados os sigam naturalmente, esperando ordens e afins. No entanto, vale ressaltar que, dificilmente campistas de nível superior ou com grande força mental sejam afetados.
Gasto de Mp: Nenhum.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: Nenhum.
Dano: Nenhum.

Nível 4
Nome do poder: Pericia com Espadas I
Descrição: Os filhos de Zeus/Júpiter são excelentes esgrimistas, e eles aprendem a manejar uma espada com uma tremenda facilidade. Mesmo sem nunca ter pego essa arma, conseguira usa-la para estocar e se defender, mas nesse nível ainda comete erros, e dificilmente acerta pontos críticos em seu adversário, também pode acabar sendo desarmado.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +35% de assertividade no manuseio da espada.
Dano: + 15% de dano ao ser acertado pela arma do semideus.

Nível 5
Nome do poder: Comunicação
Descrição: O filho de Zeus/Júpiter tem capacidade de se comunicar com aves, e águias, podendo conseguir informações com elas com mais facilidade. Essa habilidade também lhe permite falar com espíritos dos ventos mentalmente, e ao entende-los, você também consegue extrair as coisas deles, favores, e informações com uma facilidade tremenda.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Pode conseguir informações com aves e espíritos dos ventos.
Dano: Nenhum


It's our nature. We destroy. It's the constant of our kind. No matter the color of blood, man will always fall.
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Re: [in]different

Mensagem por Lola Kim em Ter Dez 26, 2017 8:22 pm

나비는 파리를 두려워한다.²
The butterfly is afraid of fly.²

Saiu do armário de limpeza e olhou ao redor. Havia tanta gente, trens, uma grande aglomeração. Uma multidão. Sentiu-se tonta e desamparada. – Omma... – murmurou, uma ou duas vezes, abraçando a barriga com pânico crescente. Recuava tão distraidamente que sequer notou uma garota asiática próxima de si, esbarrando na menina. – Desculpe.

Lola ia recuando, estava quase se apoiando na parede. Era gente demais. Mais gente do que ela jamais vira em sua vida. Seu cérebro treinado para combate estava enlouquecendo em perceber que o mundo exterior era mais do que real.

Fitou os olhos escuros da garota, notando que ela era ligeiramente mais alta, ela devia estar mesmo assustada. Mas ela sentia a presença de um dos seus. Ela queria dizer para a garota, que parecia ter tornado o ar do local um tanto quanto eletrizado, que havia 90% de chances de ela ser uma semideusa. Mas bem... e se a menina não fosse?

Se deixou ser puxada para cima, sendo guiada. A menina não parecia incomodada com a frieza de seu corpo – muitos de seus tios reclamavam – ela apenas arrastava Lola para o meio da multidão. Queria gritar, dizendo que as parcas não eram tão generosas à ponto de deixar um semideus escolher seu destino. Mas sua própria mente formava um cerco.

Então, Lola se deu conta de que a mão ao redor de seu pulso não mais existia e a menina mais alta havia sumido no meio da multidão durante seu ataque de histeria. As pessoas passavam por sim, algumas pisavam em seu pé. Lola podia sentir as pernas se arrepiando. Balançou a cabeça, um tanto descontente.

Começou a olhar ao redor, ficando na ponta dos pés, pulando. O que gerou esbarrões e muitos pedidos de desculpa. – Ei, espera! – ela viu os longos cabelos da garota e começou a andar atrás da menina, se desviando das pessoas, pisando em alguns pés, murmurando desculpa. – Ei! Moça! Volta aqui! – ela continuou andando e dizendo o mais alto que conseguia.

Mas não teve outra forma de reagir a não ser se aquietar. Ela perdera a menina de vista. Decidiu então sair da estação. A saída deveria ficar no local para onde se dirigia o maior fluxo de pessoas, então, foi para lá que Lola se dirigiu. A calça justa se agarrava em suas pernas enquanto ela tentava subir as escadas em passos largos, pulando dois degraus de uma única vez.

Suspirou de modo pesado ao chegar no local, não sabia como lidar com o que via. Carros, prédios imensos e até mesmo celulares, tablets, uma infinidade de tecnologias que ela nunca sequer sonhara existir. Sentia-se como uma viajante do tempo. Andava pelas ruas sujas e lotadas de modo curioso, tentando não soar louca ou esquisita.

Ela decidiu que, já que sua mãe a havia mandado para longe, ela poderia encontra-la e se ela poderia encontra-la então poderia ajudar a menina que Lola havia encontrado na estação. Não sabia muito bem para onde ir. Estava bastante nervosa.

Então virou em um beco, de aspecto sujo e escuro e pressionou as têmporas levemente, ouviu então um rosnado alto, proveniente de um animal que ela conhecia muito bem. Um cão infernal. A menina puxou a pulseira, que se materializou em uma espada e chamou cão para a briga, estando pronta para enfrenta-lo.

Ele avançou e a pequena semideusa se esquivou, desferindo um golpe contra a lateral de seu corpo. Ela já lutara contra um daqueles na arena e, embora o beco fosse bem diferente do espaço de terra batida, tudo que ela tinha que fazer era se imaginar na arena.

O cão se virou, e focou os olhos negros como piche nos da semideusa, que – mesmo nervosa – manteve-se com postura confiante, vendo o cão emitir um latido alto o suficiente para fazê-la se encolher. Ele avançou, dando com a pata contra o ombro direito da semideusa – que, pelos deuses, era canhota – provocando grandes, e razoavelmente profundos, cortes no local.

A menina desferiu um novo golpe com a espada de ferro estígio e se jogou de joelhos, deslizando por debaixo do cão, o que provocou rasgos em sua jeans e abriu alguns cortes e arranhões nos joelhos da menina, abrindo um corte mediano pouco abaixo do pescoço do bicho. O cão abaixou o corpo que, por pouco, não esmagou a semideusa. A legado da primavera só escapara com eficiência por rolar para o lado e ficar com o corpo esguio grudado junto à parede.

Prendendo a respiração, Lola sentou.  O cão tivera certa dificuldade de se virar no beco, ficando em uma posição visivelmente desfavorável para ele. A boca enorme do bicho poderia tê-la abocanhado inteira, talvez até arrancado seu braço, mas então Lola girou a espada e a fincou exatamente no centro da testa do monstro, vendo-o explodir em pó.

A respiração da jovem estava acelerada e seu ombro doía como o inferno. Queria, e precisava, encontrar logo a mãe. Ainda assim, deu um jeito de arranjar força para lidar com as próprias pernas trêmulas e sair do beco, caminhando sem se importar se o sangue em sua roupa chamaria a atenção. Pela loira e por Amelia, ela precisava ser forte contra a dor.

Pigarreou baixo ao se aproximar de uma banca de jornais. – Senhor, por acaso viu uma garota loira, pouco mais alta que eu, magra, usava uma saia... – questionou ao homem, sua testa franzida. O homem deu de ombros, fazendo que não. Então a menina olhou para um dos jornais. – Era essa garota! – apontou para a foto da menina. Com alguma dificuldade, conseguiu ler o nome e a idade da menina. – Deokhye é minha amiga. – disse do modo mais direto que conseguiu, tentando não hesitar. – Pode me dar uma... um... uma dessas coisas?!

Percebeu que aquele pedaço de papel deveria ser comum, já que o homem franziu a testa em evidente confusão. – Não é muito arrumada, e nova, para usar drogas? – ela piscou algumas vezes. – Drogas? – franziu a testa. – Bem, só as ervas medicinais não são realmente daninhas e... – O homem pegou a vassoura, aquilo ela conhecia bem, e ela saiu correndo.

Mas decidiu que salvar a vida de alguém deveria valer mais do que não receber a faixa de “louca do ano”, portanto, logo ela andava pelas ruas movimentadas gritando pela jovem loira. – Deokhye! – gritou pela quarta vez após dobrar a esquina, notando as pessoas olharem-na com cara feia. – Ei, espera, viu essa menina? – apontou para um aparelho televisivo que mostrava a notícia da semideusa loira. – Que menina? Aquela que está aparecendo na televisão? – a morena sorriu, assentindo – Sim! A da tevê...telez...televisão! Ei, que lugar é esse? Onde eu posso encontrar um arco-íris? – a mulher franziu a testa. – Você se refere à bandeira gay?

Lola abriu a boca em um grande “o”. – É assim que isso se chama aqui fora? – a mulher lhe ofereceu água, que Lola educadamente recusou. – Você é de onde? – perguntou, visivelmente curiosa no que a jovem tinha para lhe dizer. – Acampamento Meio-Sangue! – respondeu de pronto. – Não sei onde fica... é aqui? Nos Estados Unidos? – a morena deu de ombros. Não tinha certeza. – Estou procurando minha amiga. Deokhye. Você a viu?

Sua amiga é de lá também? – a mulher questionou. – Não, na verdade, ela é igual a mim. Mas eu nunca tinha visto ela. Até hoje. – Aquilo fez com que a mulher sorrisse. – E como ela é sua amiga se vocês se conheceram hoje? – Lola pensou. Uma ou duas vezes antes de suspirar baixo. – Bem, ela é como eu. Isso deve nos tornar amigas, não é? – a mulher deve ter achado melhor não discutir com a lógica da criança, suspirando de forma pesada. – E está atrás dela? – a morena assentiu. – Bem, boa sorte.

Lola agradeceu, acenando em despedida para mulher. Então, acabou por se distrair, quase sendo atropelada. Emitiu um grito agudo o suficiente para que todos os presentes notassem, só para sentir suas bochechas ruborizarem fortemente. De forma improvável, sua mãe desceu do táxi. Tinha o rosto coberto por fuligem, suas roupas estavam chamuscadas em diversos pontos e o aroma de rosas estava deturpado por um forte cheiro de enxofre.

Abraçou a mulher, envolvendo sua cintura com força. – Omma! – sentiu-se tomada de alívio. A mulher apertou a prole nos braços. – Lola, nunca mais faça isso, está me entendendo?! – a menina a fitou confusa. – Sempre me diga aonde está indo. É uma ordem. – Assentiu, não contestaria a mais velha. Jamais contestava. – Precisamos achar Deokhye. – disse à mulher. – Quem é essa? – Lola a puxou em direção à uma banca de jornal que ela vira na rua anterior e apontou os jornais. – Ela é uma de nós, omma! A gente precisa ajudar.

A mulher prendeu a respiração. – Sei de um jeito de encontrá-la. – Lola sorriu, os olhos brilhantes. A mulher pegou uma dracma e estendeu a mão. – Stêhi. Ô hárma diabolês! – a mulher disse em alto e bom som. Embora alguns mortais tenham olhado com confusão a moça soltar a dracma no chão, Lola sabia exatamente o que estava acontecendo.

Então, através de uma poça preta e borbulhante, o carro surgiu. – Para onde? – a mulher olhou a filha, que entrou no carro colocando o cinto e disse. – Quero ir até Eun Deokhye. – Seu tom era convicto. Ela não desistiria da garota. A mulher a seguiu e, então, o táxi saiu em arrancada, transformando tudo em um borrão, e parou em frente à um galpão que parecia vazio. Talvez pelos trabalhadores já terem encerrado o turno daquele dia. Parecia um depósito de distribuição de jornal.

Lola pegou a mochila que a mãe trazia e desceu do carro, entrando no local com euforia. – Deokhye?! – ela gritou, ainda sem ver a menina. – Eu me chamo Lola! Eu... sou uma semideusa! Não vou te machucar, eu prometo! – Lola estava visível, seu corpo magro completamente exposto. Amelia entrou no local, observando a filha. E então viram a garota loira sair do esconderijo. – Se você não falar inglês muito bem, minha omma fala coreano. Melhor que eu ao menos. – Deu um esboço de sorriso para a menina.

Deokhye não se moveu, Lola puxou a pulseira, que se transformou em uma espada e a colocou no chão. – Olhe, eu não quero te machucar. Minhas pernas doem de tanto andar atrás de você. E eu tive até que aprender a falar tevê... televisão. – A menina morena balançou a cabeça discretamente. – Eu li no papel... um papel desse. – Ela apontou para a pilha de jornais. – Você fugiu. Ontem, é isso? Emitiram um aviso para sequestro. Está encrencada?

Lola coçou a nuca, vendo que a mãe se aproximava de si. A menina tinha alguns ferimentos, mas Lola poderia facilmente tratá-los. – Você deve ter passado a noite fugindo de alguma coisa...? – puxou um casaco de dentro da mochila. Amelia sempre carregava casacos demais. Mas a garota recuou, próximo da parede e Lola parou. – Nos fritar? Te levar de volta? Morrer? – a menina parecia visivelmente confusa.

No entanto, não discutiu, sabia como novatos naquele mundo poderiam ser ariscos.  – Eu não posso fritar ninguém, mas faço isso... – abriu a mão e se concentrou, vendo uma linda rosa vermelha brotar desde o caule até as vistosas pétalas vermelhas.

A menina estendeu a rosa, hesitante. – Não é brincadeira. Eu sei que é confuso. Bem, deve ser para vocês que acharam ser normais. Ou loucos. Mas... eu... eu nasci assim. Não sei de quem foge...mas eu quero te levar para o Acampamento. A julgar pelos seus poderes, você está bastante encrencada aqui fora. Minha avó é a deusa da primavera. Bem, nesse momento ela está com Hades no submundo. É por isso que está tão frio e tudo está morrendo. Mas melhora logo, sim?!

A mochila caiu no chão com um “pof” seco e a garota estendeu o casaco para Deokhye. – Vista, por favor. Sem truques. Juro pelo Estige. – o trovão soou do lado de fora e a mais nova se encolheu. – Ih, fiz besteira.

A morena retribuiu o abraço, absorvendo tudo que a garota loira falava. – Não vamos te levar para esse tal Texas. – Seu tom era solene, embora ela não tivesse plena ciência do quanto aquilo era sério. – Acho que você precisa descansar, vovó não aceita sacrifícios. Ela é bem pacífica, não é, mãe?!

A mulher parecia pálida, como se entendesse o significado das palavras de Deokhye e os temesse profundamente. Mas aquilo passou batido pela criança que Lola era. A semideusa ajudou a nova amiga a se sentar e lhe entregou um cubinho de ambrósia que foi seguido pelo sanduíche natural que Amelia pegara na cozinha do Acampamento. – Eu acho que sei quem é seu pai. – Segredou a menina morena. – Esse cubinho, se chama ambrósia, é a comida dos deuses. É bom para você se curar. Mas se você comer muito, tipo... uns seis ou sete desse e você explode em chamas. – A garota fez um gesto engraçado com as mãos, movendo os dedos rapidamente. – E então, o que sua mãe e o tal Texas planejavam fazer com você mesmo?

Sorriu ao ouvir a apresentação da menina. – Lola, e Amelia, Kim. Mamãe é... naturalizada. – disse após pensar um pouco. – Mas meu avô é coreano! – confirmou, com certa firmeza. – Não, louca não. Os mortais não veem. Quer dizer... Hécate. Normalmente, ela usa magia para esconder o nosso mundo do mundo deles. É informação demais para a maioria. Quem é humano e vê através da névoa... acabado louco. É o que dizem. Eu nasci no Acampamento. Imagina que para eles, seja tão estranho quanto o mundo aqui fora é pra mim.

A menina ficou em silêncio por um tempo. Ela era uma criança, mesmo sua linguagem mais complexa ainda conseguia ser infinitamente simples para qualquer um que fosse leigo naquele mundo mítico. – Há uma outra senhora no submundo. – Àquela altura, Amelia tinha botado a espada-pulseira no pulso da filha de volta. – Mas ela não é... boa. É escura. É a Noite. Não aquela noite bonita que vemos no céu antes de dormir. Ela é algo antigo... muito mais antigo. É a noite que traz os pesadelos. Dizem que ela tem tentado sair do lugar ao qual foi confinada.

Amelia agora olhava a filha com visível espanto. Passou as mãos pelo rosto. – Lola. – Iniciou em tom de repreensão. – Não, omma. Ela tem que saber. – disse com certa firmeza, mas ao mesmo tempo, sua mente parecia estar nas nuvens. – Zeus. Zeus confinou essa senhora. E quando dizem que é uma criança do rei do Olimpo... eu já tinha desconfiado. Você causa arrepios. Igual aos outros filhos de Zeus.

Lola não ousou falar. Apenas ficou em silêncio. Esperando e ouvindo a menina. – Eu não sei o que é um estado. – Admitiu com o rosto fortemente corado. – Hécate é sim, deusa da magia. – Concordou baixinho, mordendo a parte interna da bochecha. – Então é verdade. Nyx tem tentado sair do Tártaro.

Lola admitiu para si mesma estar surpresa pelo conhecimento de Deokhye. Nem todos os semideuses conheciam sequer os olimpianos. Quem dirá Hécate. Lola se levantou com a amiga, colocando a mochila nos ombros, ingerindo um cubo de ambrósia que ela pegara para si própria. Afinal, seu ombro ainda doía pela patada do cão infernal. – Vamos para o Acampamento. Você vai receber um lar, comida e treinamento. E vai ficar com seus irmãos. Eles podem te ajudar com os poderes. – disse em tom baixo, puxando a pulseira até que ela se tornasse uma espada novamente.

A morena piscou algumas vezes, sorrindo para a garota com explicação. – Ártemis. A deusa virgem. – disse em tom baixo, com calma. – Não se preocupe com isso, hm? Posso te ajudar depois. – O tom da jovem foi doce, sorrindo levemente. – E você pode me ensinar outras coisas, hm?! Não se force... fica mais... real depois que você vê. – Olhou para mãe, que até então se fazia silenciosa. – Podemos pegar aquele táxi de novo?

Amelia pareceu, finalmente, soltar o ar. Sorriu para as duas meninas e assentiu. – Bem, podemos. – respondeu à filha, quando um estrondo soou por todo o galpão. – O que foi isso, omma?! – viu as três figuras aladas pousarem e se colocou na frente de Deokhye.

Notou pelo canto dos olhos quando a menina loira se colocou mais para seu lado do que para trás. Ela conhecia as mulheres. – Fúrias. Servas de Hades. – Murmurou, explicando para a garota, embora duvidasse que ela deveria tê-la ouvido. Lola mal tinha voz.

Quando duas das fúrias avançaram contra ela e Eun, a garota tentou tirar o corpo fora, se jogando ao chão, mas era exatamente o que a criatura queria, pois, a terceira fúria se dirigiu para Amelia e pegou a Kim pelo pescoço, erguendo-a pelo pescoço. – Não! – a menina gritou, sendo atingida pelo chicote da fúria que se encontrava perto de si.  

Lola se colocou deu uma rasteira na criatura, erguendo a espada pronta para atingi-la quando cometeu o erro de olhar e ver o porque sua mãe gritava em agonia, notando uma grande quantidade de sangue escorrer pelo braço da mulher.

Dando tempo de a criatura alçar voo, mas acabou sendo ignorada quando a fúria se direcionou para Deokhye. Lola olhou a menina, entendendo o que ela queria dizer. Jogou a lâmina escura pelo chão em direção à prole de Zeus, pegando o arco de sua mãe dentro da mochila.

Quando abriu o leque, ele se transformou em um arco de madeira e a neta de Perséfone só precisou colocar uma das flechas de ouro imperial na corda. – Você consegue mesmo me atingir ser acertar sua mãe? – a menina hesitou. Mas ela havia treinado para coisas como aquelas antes. Por isso, mirou a flecha na asa de couro escuro da criatura, vendo-a atravesse-la com a mira certeira, arrancando um grito. – Deixe-nos ir! – gritou para a criatura, que apenas riu. Lola armou outra flecha, mas a criatura agora se movia de forma rápida demais, deixando a Kim sem chances de acertar apenas o monstro.

Lola subiu nas pilhas de jornais, pulando de monte em monte enquanto tentava ficar em um ângulo melhor. Lola podia sentir a raiva irradiando por cada membro de seu corpo, puxou a corda do arco com a flecha posicionada, atingindo novamente a asa da criatura, provocando pequenos estragos.

Tentou novamente conseguir outra mira, mas a criatura se aproximou e ela levou um chute de sua própria mãe – que se debatia em uma tentativa de se soltar – caiu pelos montes de jornais, sentindo o nariz sangrar. E sua atenção foi interrompida pelo estampido de energia que ela ouviu. – Suas idiotas! – ela gritou em irritação. Pulando para o chão, o que não foi uma boa ideia pois ela torceu o tornozelo. Uma das fúrias, antes focada em Deokhye se aproximou da menina, sendo atingida no ombro por uma flecha.

Lola não iria recuar, não mais. A raiva cegava seus sentidos e ela sentia cada célula de seu corpo sendo alimentada pelo ódio. Acertou o arco como um porrete na cabeça da fúria, correndo para perto da filha de Zeus e, assim, acertando a segunda fúria.

Lola foi atingida em diversos momentos pelas garras e ou pelo chicote que estalava da fúria e, mesmo que a machucassem muito, elas nunca aproveitavam a deixa para matá-la – assim como Lola nunca cedia para a dor –. Como se não pudessem fazê-lo. Lola batia com o arco de um jeito ou de outro, tentando atingi-las, mas sua sorte pareceu acabar quando o arco se partiu em dois.

Ela já havia aceitado a morte, iria de bom grado. Quando Deokhye atingiu a fúria. Lola empurrou a fúria que ainda ignorava a prole dos céus e então aproveitou-se da altura da lâmina para empurrar a fúria restante de modo que seu pescoço acabou atravessado e explodiu em pó.

Naquele momento, ela notou que a calmaria voltara. Com um grande “porém”, sua mãe se fora, assim como as duas fúrias restantes. Lola sentia o corpo doer de uma forma horrível, sua garganta se apertou e ela até mesmo pensou que iria chorar. Mas precisava manter a calma. – Você se feriu muito? – questionou a loira, pegando a mochila. – Vamos para o Acampamento. Ela ainda está viva e... podemos ir atrás dela. Só não sozinhas. Não sem armas e suprimentos.  – Ainda estava tomada de raiva, e confusão. Tudo fora rápido demais. A falta de foco em seu olhar era um indício de seu atordoamento.

Retribuiu o abraço da mais velha e respirou fundo, escondendo o rosto no ombro da garota por um momento. – Tem sim... – respondeu quanto ao táxi. Deu um sorrisinho fraco, antes de gentilmente se afastar da menina e pegar a espada, agora uma pulseira, colocando-a no braço. Olhou a mesma com um meio sorriso, segurando em sua mão assim que colocou a mochila no ombro.

Saiu do galpão com a garota e revirou os bolsos, pegando uma das dracmas. Soltou-a sobre o chão, proferindo as palavras que a mãe proferira para leva-las até ali. Quando o carro chegou, a semideusa abriu a porta para a amiga e esperou que a mesma entrasse antes de entrar e colocar as correntes que serviam como cinto de segurança. – Para o Acampamento Meio-Sangue. – E o carro arrancou com uma velocidade absurda. – Estamos seguras. – Assegurou para Deokhye, acariciando a mão da mesma.

A viagem, como esperado, não durara muito. As três irmãs passaram a maior parte do tempo disputando o único olho, enquanto Lola sussurrava para Deokhye que elas estavam em boas mãos. Ainda sentia raiva, não da prole de Zeus, mas sentia-se tomada de fúria por não ter sido boa o bastante. Também se sentia triste. Suspirou baixo.

Quando o carro parou, ela desceu, acompanhada por Deokhye e jogou algumas dracmas a mais para as irmãs cinzentas. – Sua mãe está nos domínios de seu pai. – Foi o que ela ouviu, antes que elas arrancassem o carro. Lola era muito boa em saber de quem os outros eram filhos. Pena que isso não se aplicava a si mesma.

Engoliu em seco e pousou a destra gentilmente no ombro de Eun, caminhando com a menina para dentro das fronteiras mágicas que ela conhecia tão bem. – Não sei quem é meu pai. – Admitiu para a menina, embora a garota não houvesse questionada. – Se minha mãe sabia, nunca me contou. – Ficou em silêncio, deixando que a garota voltasse a admirar o local.

Pararam na varanda da casa grande, onde Quíron jogava xadrez com Sr. D. – Quíron. Esta é Eun Deokhye. Eu e minha mãe a encontramos. Ela é filha de Zeus, não foi reclamada oficialmente, mas foi o que os monstros disseram. – Ela falou com serenidade. – Não vejo Amalia. – disse o deus do vinho. – Amelia. – A menina corrigiu. – Eu vim aqui não só por Deokhye. Quero uma missão para encontrar minha mãe. – Quíron franziu a testa. Sua atenção passando de uma menina a outra.

O Sr. D. resmungou e observou as garotas – já que Deokhye manifestara interesse em acompanhar Lola, interesse que deixou Lola extremamente grata –, enquanto Quíron apenas coçava sua barba. – Você sequer sabe quem é seu pai, Lola. – Ele respondeu. Mas então sua expressão mudou, Lola viu o “flash” provocado pelo holograma escuro sob sua cabeça. Só para, logo em seguida, ver um holograma azulado sob a cabeça de Deokhye. – Seja bem-vinda de volta, Lola, filha de Hades. – Suspirou de modo pesado, voltando-se para a loira. – E a você, seja bem-vinda, Eun Deokhye. Filha de Zeus.


Lola Kim:
Arma Utilizada:
❈ Rosa Negra [Uma espada longa, inteiramente de ferro estígio – desde sua lâmina até seu pomo – sendo que sua lâmina possui 110 cm e seu cabo é todo trabalhado em ranhuras para que a espada tenha mais aderência nas mãos da semideusa, em seu pomo há o desenho perfeito de uma rosa e, pela cor do material, a espada foi batizada “Rosa negra”. | Efeito 1: A lâmina se transforma em uma pulseira, com o pingente de uma rosa. | Efeito 2: Sempre retorna para sua dona dois turnos depois de ela a ter perdido. | Ferro estígio. | Beta. | 100%, sem danos. | Mágica. | Sem espaço para gemas. | Presente de Amelia (Arma de Herança)]

Poderes e Habilidades:

Poderes e Habilidades de Hades:

Poderes Passivos:

Nível 1
Nome do poder: Respiração subterrânea
Descrição: Respirar em locais de baixa pressão e em locais subterrâneos e fechados é o mesmo que respirar ao ar livre para os filhos de Hades/Plutão, eles não são afetados por locais assim, e chegam a se sentir tão bem quanto ao ar livre, se não melhor.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Não é afetado por locais fechados, cavernas, ou locais com pressão baixa.
Dano: Nenhum

Nome do poder: Visão Noturna
Descrição: Os filhos de Hades/Plutão enxergam tão bem no escuro, quanto no claro. A escuridão por magia ainda é capaz de afetar eles, mas a escuridão natural, como apagar a luz, ou entrar em uma caverna sem qualquer claridade não irá afetar o filho do deus dos mortos
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Desde que não seja escuridão magica que impeça a visão, não serão afetados.
Dano: Nenhum

Nível 2
Nome do poder: Ferro Estígio
Descrição: Esse é o material principal usado pelo rei dos mortos, por esse motivo, os filhos de Hades/Plutão tem certa facilidade em manuseá-los, e ganharão um bônus de força em campo de batalha.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Quando o semideus lutar com armas feitas de Ferro Estígio ganha +10% de força
Dano: 5% de dano a mais se o adversário for acertado pela arma do semideus.

Nível 3
Nome do poder: Cura Sombria I
Descrição: Os filhos de Hades/Plutão ao serem atingidos por sombras podem recuperar parte de sua energia instantemente. As sombras sempre foram aliadas das proles do deus da morte, e agora também servem como forma de regeneração. Nesse nível, apenas pequenas feridas se fecham – como cortes supérfluos – e parte da energia é restaurada. (Só poder ser usado uma vez a cada 3 turnos).
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Recupera +25 de HP e 25 de MP
Dano: Nenhum

Nível 4
Nome do poder: Pericia com Espadas I
Descrição: Os filhos de Hades/Plutão tem facilidade em lidar com espadas, mesmo nunca tendo manejado uma. A arma sempre se adapta as mãos da prole do rei do inferno, e acaba atacando de forma natural, mesmo que ainda tenha dificuldade de lidar com ela nesse nível.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +35% de assertividade no manuseio da espada.
Dano: + 15% de dano ao ser acertado pela arma do semideus.

Nível 5
Nome do poder: Pele Fria
Descrição: Os filhos de Hades/Plutão são naturalmente gelados, sua pele se assemelhava a temperatura de um cubo de gelo, e ao tocarem o inimigo – por estarem gelados – podem causar certo atordoamento.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Ao tocar o inimigo - o fazendo sentir sua temperatura - pode deixa-lo atordoado, o fazendo querer recuar. (Seria o mesmo que tocar um morto).
Dano: Nenhum

Nível 6
Nome do poder: Pericia com Foices I
Descrição: A foice é uma arma muito comum no reino de Hades/Plutão, e é até um símbolo de representação do deus dos mortos, sendo muitas vezes visto como uma arma macabra e cruel. Mesmo sem nunca ter usado uma foice, o filho de Hades/Plutão vai saber como maneja-la, e se mover com ela, atacando, mas ainda tem certa dificuldade.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +35% de assertividade no manuseio da espada.
Dano: + 15% de dano ao ser acertado pela arma do semideus.
Poderes Ativos:

Nível 1
Nome do poder: Geocinese Iniciante
Descrição: O seu personagem tem certo domínio sobre a terra, conseguindo usar a Geocinese para levitar pequenas rochas, e pedregulhos, as fazendo voar em direção ao adversário. Também pode abrir pequenas fendas no chão com no máximo 30 cm, mas não consegue fazer muito mais do que isso, ainda está aprendendo a ter domínio desse poder. Quanto mais leve a rocha, mais rápido você consegue movimenta-la.
Gasto de Mp: 20 MP
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum
Extra: O narrador define o dano causado por esse poder, pois, uma rochas pequena acertada contra o rosto de alguém não tem lá um grande dano, mas uma rochas maior pode causar algum estrago.

Nível 2
Nome do poder: Terremoto Iniciante
Descrição: Devido ao controle de Hades/Plutão sobre o reino do inferno, e a terra, e sua habilidade em entender rochas e controla-las, seu personagem também desenvolve  a habilidade de criar pequenos terremotos. Nesse nível, só consegue criar tremores mais leves, fazendo o inimigo desequilibrar, mas não a ponto de cair, apenas se distrair. Ainda não abre fendas, e nem causa estrago ao redor, só consegue criar tremores leves.
Gasto de Mp: 20 MP
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano:Nenhum
Extra: Dura um Turno, pra ativar novamente precisa gastar mais MP.

Nível 5
Nome do poder: Viagem das sombras I
Descrição: Assim como seu pai e boa parte das criaturas do inferno, o semideus terá a capacidade de viajar por entre as sombras, podendo usa-las para acessar qualquer parte do mundo, mas cuidado. Em tal nível o semideus consegue apenas viajar sozinho, com a próprias armas e roupas. Quanto o filho de Hades/Plutão passa muito tempo viajando entre sombras, começa a desaparecer.
Gasto de Mp: - 15 de MP.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum
Extra: Nenhum.

Poderes e Habilidades de Legado (Perséfone):

Poderes Passivos:

Nível 1
Nome do poder: Beleza incomum I
Descrição: Os filhos de Perséfone possuem uma beleza bastante incomum. Belos como uma rosa, os mesmos possuem uma aura sombria que os torna bastante obscuros. Isso faz com que monstros e/ou semideuses sintam certa hesitação em avançar.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Irão evitar atacar o filho da deusa das flores no primeiro turno.
Dano: Nenhum

Nível 2
Nome do poder: Botânico
Descrição: Por sua mãe ser a deusa das flores, e da estação primaveril, o semideus consegue distinguir as diferenças entre uma flor e outra, seja pelo perfume, o formato, ou qualquer coisa. Ele sempre saber que flor é, e caso ela tenha algum efeito, veneno, gás, ou apresente perigo, também saberá identifica-los.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Saberá sobre as flores, e propriedades da mesma.
Dano: Nenhum

Nível 3
Nome do poder: Pericia com Cajados I
Descrição: O semideus tem certa facilidade em lidar com cajados, tendo parte da ligação da magia de sua mãe. Contudo, não é tão bom quanto um filho de uma verdadeira feiticeira, e nesse nível, só consegue executar pequenos movimentos.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +10% de assertividade ao lutar com a arma.
Dano: 5% de dano se for acertado pela magia do semideus.

Nível 4
Nome do poder: Pericia com Espadas I
Descrição: O semideus tem certa facilidade em lidar com espadas, tanto curtas quanto longas, e mesmo sem nunca ter usado uma espada em batalha, saberá o que fazer, mesmo que cometa alguns erros.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +10% de assertividade no manuseio de espadas.
Dano: +5% de dano se o oponente for atingido pela arma do semideus.

Nível 5
Nome do poder: Ligação Magica
Descrição: O semideus é ligado pela magia aos filhos de Hecate/Trivia, e portanto, quando lutam ao lado desses, também se tornam mais fortes. Suas magias ficam mais potentes, e sua destreza em campo também é aumentada.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +10% de força e assertividade ao lutarem ao lado de um filho de Hecate/Trivia.
Dano: +10% de dano em poderes ativos, e em feitiços, se acertarem o alvo.

Poderes Ativos:

Nível 1
Nome do poder: Amigo das Flores
Descrição: Ao concentrar energia sobre as palmas das mãos, conseguira fazer crescer uma flor de qualquer espécie, desde o caule, até as pétalas florescidas. Não é um poder para atacar, e sim uma forma simbólica, um presente de paz.
Gasto de Mp: 5 MP
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum
Extra: Só consegue fazer crescer uma única flor por vez.



It begins Eclipse
In the shaded shadows where you and I meet
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Lola Kim
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Re: [in]different

Mensagem por Kim Mi Cha em Qua Dez 27, 2017 3:17 pm

아름다운 끝은 어디에?
Tell me Tell me now areumdaun kkeut-eun eodie?

Meus sonhos são sempre povoados por criaturas negras que me despertam lembranças, algumas são grandes, outras pequenas, algumas tem garras gigantescas, outras apenas dentes afiados. Todas – absolutamente todas – têm olhos vermelhos e uma aura que ofusca até mesmo a morte. Elas não sentem e me obrigam a deixar de sentir também.

Não tenho medo delas.

Estou encarando o teto, não quero fechar os olhos e deixar que elas me tomem mais uma vez. Me sinto invadida quando a voz preenche minha mente e desperta um lado meu que ainda desconheço. Minhas lembranças da noite somem, mas sempre acordo cansada e me obrigo a recordar de alguns pequenos fatos, costumo escrever com sangue e deixar recados na palma de minhas mãos.

Normalmente essas mensagens tentam transmitir parte de minha força, eu resisto a algo, sei que resisto, mas também sei que não vai durar para sempre. — Quem é você? — Pergunto em voz alta, mas ninguém me responde, ninguém vela por mim. Estou sozinha, não sinto frio, não sinto medo... não sinto nada.

Um suspiro escapa por entre meus lábios, a sensação era a mesma de todas as outras noites, me invadia de uma forma poderosa, me fazia sentir que algo estava acontecendo e esse algo me mudaria completamente.

...

O frio intenso sempre deixava meus ossos sensíveis, um pouco mais rijos talvez. Minha boca tinha adquirido um tom arroxeado e minha pele estava mais branca que o normal. Meus cabelos tinham perdido o brilho e eu me olhava, mas não me via de fato.

Eu estava sonhando.

Eu sabia que era a protagonista no corredor dos mortos, cuja as almas acariciavam as pernas e a faziam sentir medo. Sabia que era a garota descalça atravessando a ruela sem fim em direção a uma porta de madeira, mas ao mesmo tempo que vivia essa cena, eu também a via como uma espectadora de fora. Não sei explicar como, mas sei dizer que foi assim que aconteceu.

Cada passo é como um castigo dolorido, estou pisando no chão frio, mas sinto cacos de vidro penetrando minha pele. A dor não é nada se comparado ao incrível vazio que se instalou em meu coração.

Continuo andando até trombar com uma alma conhecida, ela me puxa mais intensamente do que todas as outras, prende minha atenção e me rouba para si. É uma garota, com olhos em tons de violeta e uma incrível aura apaziguadora, sei o que ela vai pedir, mas não posso escuta-la, já não pertenço a mim mesma.

“Fiquei, resista”

As palavras ecoam em minha mente por vários segundos, estou parada, com a ponta dos seus dedos roçando a bainha do meu vestido, a mente turva pela confusão do momento e os olhos fixos na porta.

— Não posso — Respondo a ela, mas alma insiste e me puxa mais uma vez.

“Está se entregando a ela, não deixe isso acontecer”

Suas palavras soam como sussurros em minha mente, acariciam minha pele e me fazem ter vontade de voltar. Já a ouvi antes, varias noites seguidas em pedidos de alerta, apelos contínuos e pedidos para não seguir em frente. Fui detida todas as vezes, sei disso de alguma maneira, nunca cheguei ao meu destino final e estou perto de despertar.

Ela me acorda, sei que me acorda de alguma maneira, desperta-me do sonho e me faz voltar ao reino dos vivos sem nunca seguir em frente. Ainda assim quero continuar. A vontade está mais forte do que nunca e a curiosidade fala mais alto, alguém me chama... quero atender seu pedido.

“Não vá...”

A alma repete. Me viro para ela e encaro seus olhos pela primeira vez, encontrando a parte que me faltava, meu encaixe perfeito, minha chama porta.

— Não tenho escolha — Puxo meu vestido de qualquer jeito, seus dedos escorregam e as outras almas a puxam para dentro do que acredito ser um campo branco. Todas elas me querem, nenhuma delas pertence a mim.

Dou dois passos a frente e toco a maçaneta da porta, o ato me faz sentir a ponta de meus dedos congelando, ainda assim não sou capaz de recuar. O clique ecoa pelo corredor dos mortos, a porta se abre com um rangido e eu finalmente atravesso para o outro lado, sem saber que naquele momento, também estava selando o meu destino.

...

O reino dos demônios era estranhamente familiar. O castelo estava a penumbra e a sala em que eu me encontrava me fazia recordar do palácio do meu pai. As paredes eram de um tom escuro e davam a impressão de estar em constante movimento, as almas ali não existiam, eram sombras de espectros e criaturas medonhas que bem reconheço, são as mesmas que povoam meus sonhos na tentativa de me assustar. Seus olhos estão por toda parte, mas algo nesse cenário me faz ter certeza de que dessa vez as coisas serão diferentes.

Me pergunto se finalmente serei liberta.

— Você é mais forte do que pensei — A voz feminina me faz virar de qualquer jeito, um tanto assustada talvez.

— O que você quer? — Pergunto rouca, analisando-a de uma maneira indelicada e desrespeitosa, sinto que seu desejo é pulverizar.

Suas sobrancelhas se unem de um jeito engraçado, meus olhos correm por seu corpo e param no manto estrelado, eles me dão impressão de estar fitando o céu.
 
— Nyx... — O nome escapa sem permissão, ela não respondeu minha pergunta, está me fitando com certo interesse. — Deuses não deveriam aparecer em meus sonhos...

— E quem disse que está sonhando? — Ela perguntou, não deixei de reparar que ela não tinha respondido a minha pergunta.

— Eu sei que estou, acontece a varias noites, sempre retorno ao corredor dos mortos e tento vim para cá, sei que sonhos de semideuses não são apenas sonhos, mas sim prelúdios de coisas que estão para acontecer — Dou de ombros. — Ainda assim não é real, mas em algum momento pode ser — Conclui.

— Criança tola, conhece seu mundo tão bem que não sabe que sua alma viaja durante o tempo e o espaço enquanto seu corpo fica adormecido? — Ela pergunta, me fazendo olha-la de maneira irritadiça, tendo certeza de uma única coisa.

— Isso não existe... não é possível alguém estar em dois lugares ao mesmo tempo — Respondi a deusa, certa de que a coisa toda era loucura, algo que acontecia apenas em minha mente, em meus sonhos talvez.

— Sua parte mortal esquece de quem você é de verdade — A deusa sorriu. — No mundo em que vivemos é sim possível, você está aqui, seu corpo está dormindo e parte da sua alma e consciência reside comigo, isso me permite fazer o que quero sem te deixar com qualquer outra escolha — Concluiu ela, me deixando levemente apática e talvez mais branca do que em qualquer outro momento. — Não te ensinaram que viajar por entre as sombras dos sonhos era perigoso? — Ela questionou.

— Isso é loucura...

— Certamente o é, mas no meu mundo tudo é possível, eu a guiei até aqui, eu te chamei, você veio, atendeu meu pedido e agora vai fazer o que eu mando — Nyx tinha me chamado, queria algo que eu possuía, a questão era...

— Porque? — Questionei-a.

— Você é a hospedeira perfeita e está ligada a algo que eu quero, mesmo que ainda não seja capaz de compreender isso — A deusa parou a minha frente, seus dedos foram de encontro ao meu queixo e seu olhar penetrou o meu. — Minha filha estava lhe aguardando.

...

Os demônios continuam vigiando meu corpo inerte no meio da sala. Nyx saiu a algum tempo e me deixou sozinha, ainda assim não fui capaz de voltar. Eu tentei, tentei com todas as minhas forças obrigar meu corpo inútil a reagir e me puxar de volta, belisquei meus braços e tentei usar meus poderes.
Nada funciona.

A deusa me chama de sua hospedeira, disse que sou a atração principal de seu ritual e que acompanha meu crescimento a anos, não sou a única segundo ela, as outras estão a caminho e o momento para execução do feitiço se tornou perfeita. Não sei o que está acontecendo, mas pela primeira vez em anos me sinto assustada.

Eu sempre fui uma garota sozinha, nasci em um vilarejo isolado do Texas, cresci em uma espécie de aldeia... costumava fugir. Cresci bem até ser resgatada, passei a ver os mortos e comecei a ser perseguida, até que aprendi a ignorar tudo isso e me permiti viver. Cresci como uma semideusa, lutei por ideais e vi uma cidade inteira ser destruída. Ainda assim... sei que meu fim está bem aqui.

O farfalhar do vento vem acompanhado de um uivo distante, um grito ecoa pelas paredes e a porta do canto se abre mais uma vez. Nyx passa por ela, e atrás desta está...

A menina de olhos violeta.

Meus olhos se prendem a figura dela, a reconheço logo de cara, ela tentou me deter e me disse para ir embora, não a escutei. Estou ligada a ela de uma maneira profunda, e entendo agora o significado de ser hospedeira, porque acabo de descobrir que a alma da garota presente naquela sala, também é a parte que faltava dentro de mim.

“Não acredite nisso, ela está te fazendo pensar assim”

Seus olhos me fitam com certa pena, como eu, aquela garota é apenas uma vitima de toda a situação, a questão é... porque?

Quero questionar a deusa da noite novamente, ainda não entendo seu propósito, mas também não sou capaz de abrir a boca.

— Pegue os fracos no seu bolso — Nyx ordena, meu corpo responde sem minha permissão.

Minha mão vai de encontro ao bolso da jaqueta puída e de lá eu retiro três pequenos frascos, o primeiro com um tom incolor, o segundo brilhante e amarelado, o terceiro... contendo um pequeno bolinho. Reconheço ambos, fui guiada para uma loja de Roma ao fim de minha estadia, e por impulso, comprei ambos os fracos. Agora percebo que não era eu.

— Beba — A voz da deusa acariciava minha pele como um comando silencioso que me obrigava a continuar. Eu não queria fazer, então porque fazia?

Meu corpo idiota depositou dois dos fracos por entre meus joelhos, minha mão tirou a tampa do terceiro, guiou até minha boca e me obrigou a beber tudo. Cuspi parte do liquido azedo, ainda assim não fui capaz de parar. Segui o exemplo com o segundo frasco, me obriguei a engolir o liquido por inteiro mais uma vez. O terceiro era o bolinho, minhas mãos se fecharam tremulas ao redor desse, tentei resistir, mas algo mudou ao meu redor, sombras dançaram diante de meus olhos e uma força poderosa empurrou a comida para dentro da minha boca.

Minha mente bagunçou inteirinha.

Eu sabia que o efeito surgiria em questão de segundos, sabia parte do que iria acontecer, ainda assim obrigava minhas unhas a penetrarem a carne na palma de minhas mãos e tentava resistir por meio da dor.

— Faça — Nyx olhou para a garota, a alma dela tremulou por um momento, mas seu espirito vagou em minha direção e se posicionou as minhas costas.

Eu já não ouvia direito, mas ainda sentia. Suas mãos gélidas tocaram meus ombros, vi quando marcas negras surgiram no chão ao meu redor, boa parte era preenchida por runas e encantamentos, eu não sabia como, mas sabia disso.

— Faça — Nyx repetiu.

A menina afundou suas mãos em meu corpo, me fazendo tremer arrepiar e ceder. Meus joelhos fraquejaram e minhas mãos foram de encontro ao chão, eu me sentia humilhada e estava sendo – literalmente – tomada por aquele espirito.

A deusa começou a falar em uma língua antiga, os demônios ao meu redor cantavam junto a sua senhora, a alma me preencheu o corpo e me obrigou a mudar. Parte de mim estava sendo roubada, minhas lembranças iam embora lentamente, passavam como um filme ao meu redor e eram capturadas pelas marcas negras. Eu estava sendo roubada.

Uma após a outras as memorias passaram diante de meus olhos, minha mente estava se esvaindo como pó sendo puxado por um aspirador. Cada pessoa, cada sorriso, cada sentimento foi embora com ela. Lagrimas surgiram em meu rosto, meu peito ardeu e um soluço escapou por entre meus lábios. Novas lembranças se misturaram as antigas, mas não me pertenciam, nem nunca foram minhas. A menina de olhos roxos corria por entre os parques, sorria, sorria lindamente, então era morta bem diante de meus olhos.

Minha alma tremulou junto a dela.

Nossos dedos se encontraram por um curto período de tempo, a alma dela entrelaçou-se a minha alma, seus dedos se juntaram aos meus, nossos corpos se fundiram e se tornaram um só.

Nossas lembranças?

Foram completamente apagadas.

Pisquei algumas vezes tentando me recordar do que estava acontecendo, mas eu estava vazia e já não sabia quem eu era.

— Kim Mi Cha? — A deusa da noite me chamou, ergui os olhos, mas não reconheci sua face, contudo, eu sabia que o nome me pertencia.

— Sim? — Perguntei baixinho.

— Nós veremos de novo em breve, chegou a hora de partir — A deusa sorriu de um jeito estranhamente doce, então balançou as mãos no ar e me dispensou.

Minha alma vagou para longe.

Minha alma... voltou para a terra.

...

Meus olhos se abriram sem permissão, o teto do quarto continuava o mesmo, era familiar mesmo que eu não me lembrasse. Suspirei baixinho sem saber o que tinha acontecido, estava vazia como em todas as outras vezes, mas a diferença agora era palpável.

Eu não me lembrava das outras vezes... também não me lembrava de quem eu era.

Pisquei tentando me recordar de algo, então sentei na cama e fitei minhas mãos, minhas palmas estavam doloridas e manchadas.

Estranhei esse fato e ergui as palmas, meus olhos se arregalaram ao perceber o que tinha acontecido, de alguma maneira, meu antigo eu tinha deixado mais uma mensagem. Eu não sabia o que era e nem o que significava, mas tinha certeza de uma coisa. Algo estava errado... e o sangue vermelho em minhas mãos também me dizia isso, pois ali, pintada em uma letra cursiva e pouco elegante estava escrito: Ela se foi.
Explicação e pedido:

Explicação: Se não ficou muito claro na história, explico agora. Essa CCFY é parte da trama das três garotas acima, sou a ultima delas, mas eu era diferente, usava uma PP ruiva e tinha um nome ocidental. Para explicar as mudanças da minha personagem (idade, aparência e etc) criei uma trama ON onde fui vitima de um ritual de Nyx, resumidamente, as poções que tomei vão apagar minha memória, mudar minha idade e me deixar dois anos mais nova, além de alterar minha aparência em definitiva, passo a ter parte da alma do fantasma de uma filha de Nyx dentro de mim, e minha aparência atual é a aparência dela. Essa mudança foi explicada pela junção da poção + o ritual e o feitiço de mudança de Nyx, que serão mais para frente exploradas de uma maneira mais complexa. Resumidamente é isso.

Maldição/benção – Com isso queria ganhar uma espécie de legado de Nyx, despertando os poderes dela (passivos e ativos) até o nível 10 com uma condição especial. Esses poderes não são da Ki Mi Cha diretamente, mas sim da outra alma habitando o corpo dela, portanto, toda vez que ela tentasse conjurar um poder ativo dessa deusa, o gasto de MP seria dobrado como uma consequência por não ser natural. Além disso, caso essa alma deixe o corpo dela em algum momento, esses poderes seriam perdidos. Além disso, se acharem que é poder demais, eu concordo em não permitirem que eu entre em qualquer grupo extra.

Vocês podem montar a benção/maldição como acharem melhor, deixei o pedido apenas.
Bonus:

Tubo Pack especial: (Em duas postagens de sua escolha – valido para qualquer missão, evento, mvp, pvp, e afins – o semideus terá a xp duplicada pelo avaliador, lembrando que é necessário colocar esse prêmio em spoiler caso deseje que sua xp seja duplicada. Não tem prazo, mas só poderá ser usado duas vezes). Situação: Cheio 0/2, não foi utilizado.




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Re: [in]different

Mensagem por Baco em Qua Dez 27, 2017 11:33 pm


Eun Deokhye - Lola Kim - Ki Mi Cha


Método de Avaliação:

Valores máximos que podem ser obtidos

Máximo de XP da missão: 3.000 XP

Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

Eun Deokhye
Realidade de postagem + Ações realizadas: 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc: 15%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência: 30%

RECOMPENSAS: 2.850 XP + 3.850 Dracmas

Lola Kim
Realidade de postagem + Ações realizadas: 45%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc: 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência: 30%

RECOMPENSAS: 2.850 XP + 3.850 Dracmas

Ki Mi Cha (Máximo de 5.000 XP)
Realidade de postagem + Ações realizadas: 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc: 18%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência: 27%

RECOMPENSAS: 4.750 x 2 = 9.500  XP + 4.750 Dracmas

Comentários:
Semideusas,

Resolvi escrever a avaliação das três de uma só vez, mas vou apontar algumas coisas específicas de cada. Começo falando que todas foram aprovadas para o que pediram, inclusive os itens de herança. As duas primeiras, que interagiram de fato, tenho alguns comentários a fazer:

Vocês souberam me prender à narrativa por um motivo: a curiosidade. Não sei se foi intencional, mas me senti interessado em saber o que iria acontecer às duas. Talvez tenha sido a premissa de que eventualmente as personagens se encontrariam e, por isso, fiquei ansiando pelo momento. E confesso que ele não me desapontou - em partes. Senti a personalidade de cada uma isoladamente nas escritas, de maneira contrastante e intrigante. Como passar a mão por uma parede recém-rebocada e depois por um tapete desfiado, é estranho ao seu jeito e nada parecido, só que ao mesmo tempo parecem ter harmonia. Até mesmo as falas foram interessantes, pois transpassaram a autenticidade individual de cada uma. E é aproveitando esse gancho que começo a falar sobre uma das duas críticas. A repetição imensa do diálogo principal, justamente no encontro. Alguns jogadores preferem postar isoladamente cada parte, uma complementando a outra, enquanto que outros postam tudo e aguardam pela resposta de tudo no post seguinte. Entendo e respeito as escolhas, mas para quem avalia se torna um pouco pesado - mesmo que as interações sejam de pontos de vistas diferentes. Deokhye, não me lembro de erros gramaticais, entretanto, reparei na ausência excessiva de acentuação. Principalmente de "pôde" que passou como "pode" algumas vezes, sugiro se atentar a isto. Lola, você repete muito o substantivo próprio... "Lola". Inclusive, dois parágrafos seguidos se iniciaram com "Lola algo". Peço que tente alternar um pouco os substantivos.

Ki Mi Cha, a última da trindade. Achei bastante interessante sua trama e estou atento para o que virá por ai. Não vou mentir, o início foi confuso por um único motivo: eu não sabia quem ela era. Sem uma apresentação, mesmo que breve, da personagem, se torna difícil entender de onde esta está vindo. Foi graças à observação ao fim que entendi o plot e foi ai que tudo fez mais sentido. Sua maldição foi aprovada e é a seguinte:

Peão de Nyx - Escolhida pela deusa primordial por um motivo, Kim Mi Cha acabou despertando poderes especiais extras de Nyx. Esses poderes não são dela diretamente, mas sim da outra alma habitando o seu corpo, portanto, toda vez que tentar conjurar um poder ativo da deusa, o gasto de MP será dobrado como uma consequência por não ser natural. Além disso, caso essa alma deixe o corpo dela em algum momento, esses poderes serão perdidos. Dessa forma, ela não está impedida de adentrar em um grupo secundário, porém, consequências afloraram se isto acontecer.

No geral, você se saíram muito bem e ultrapassaram o esperado para esse tipo de pedido. Aguardo ansiosamente pelo desenrolar da teia de aranha que é a trama das três.

Atualizado por Baco.


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Re: [in]different

Mensagem por Lola Kim em Ter Jan 30, 2018 7:37 pm

나비 효과¹
The butterfly effect¹

O ocorrido ainda não havia sido digerido por Lola em sua totalidade. É claro que ela estava incomodada de mudar-se do chalé de Perséfone. É claro que ela precisava se adaptar à aura de morte e sombras que envolviam, não só seu chalé, como seus irmãos.

Era tudo tão frio. Todos eles eram tão absortos em suas próprias coisas e tão pouco receptivos que ela não sabia exatamente por onde começar. Sentia-se deslocada. Acostumada a estar entre os tios e tias, cheios de vida. A ser uma pessoa cheia de vida. Mas talvez o sequestro de sua mãe fosse um prelúdio de tudo que estava por vir. Ela era uma cria do submundo. Um filhote do senhor dos mortos. E era isso que ela atraía. Era por isso que ela se sentia atraída.

Tentava afastar os pensamentos desse tipo conforme os dias iam passando. Mas era difícil. Sua mãe tinha ao menos uma dezena de deuses com quem sair. Por que Hades? Por que o marido da própria mãe? Ela era idiota? Lola gritou, atraindo a atenção de todos na arena.

Então, ela decidiu confrontar Quíron. Iria buscar sua mãe. Se Hades queria fazer dela uma segunda Perséfone, Lola não iria deixar. – Quero a missão. Agora. – A morena estava tão enfurecida que sua aura negra era quase palpável. Quíron olhou a jovem e observou o deus do vinho. – Você sabe que não é assim que as coisas funcionam.

A menina segurou na borda da mesa que o centauro e o deus usavam para jogar cartas e a puxou para cima com extrema violência e rapidez. – Eu quero. E se vocês não me derem logo a missão...  quanto mais me prenderem aqui, mais chances há de que ela... – Não terminou. Sequer deu tempo para que Sr. D. lhe desse alguma resposta. Virou-se de costas para ambos e saiu pisando duro.

Toda a vegetação que ficou em seu encalço estava morta.

Na manhã seguinte, Lola e Deokhye foram convidadas para irem até a casa grande. Elas estavam liberadas. Lola voltou ao chalé e rapidamente ajeitou a jaqueta jeans no corpo antes de encher os bolsos com uma garrafa de néctar pequena e alguns cubos de ambrósia. – Lola. – Um rapaz que ela não se lembrava o nome a chamou. – Há uma entrada para o submundo na Pensilvânia. Os mortais acham que é só uma lenda urbana, mas entrar por lá é mais fácil do que por Hollywood. Você não precisa passar pelo barqueiro.

A garota piscou algumas vezes. – Obrigada. – Sorriu fraco antes de se retirar do chalé e caminhar com a carranca que sempre lhe acompanhava nos últimos dias. Mantinha os lábios em uma linha estreita e, pela primeira vez, não cumprimentou Deokhye ao passar pela amiga. Seus passos eram rápidos e decididos e se mantiveram nessa constante, ao menos até que chegassem à estrada. – Podemos ir no táxi das irmãs cinzentas. Ou podemos ir com mortais. – disse pensativa, olhando a loira. – Pensilvânia. Lá tem uma entrada mais fácil para quem está vivo ou não é filho de Hades.  

Não precisou de muito para que a mais jovem lesse a expressão de Deok. As irmãs cinzentas possuíam segurança e velocidade e, dado o tempo que já tinham perdido, Lola não deveria desperdiça-lo mais. Como fizera da outra vez, pegou uma dracma e estendeu a mão em direção ao asfalto, pronunciando as palavras em grego antigo antes que o dracma fosse engolido e o carro surgisse ao longe.

Kim sabia que havia se passado muito tempo, mas podia sentir em seu interior que sua mãe não estava morta. Ouviu Eun apressar as mulheres, sem se dar conta do que fora realmente verbalizado. Colocou as correntes que eram os cintos de segurança e suspirou, vendo tudo lá fora passar em um borrão. Não deu ouvidos ao que era dito pelas mulheres, sequer se focou em qualquer coisa até que a fala foi voltada para si. – Sabe, menina, eu acho que o destino... – a parca do meio começou, mas a da direita gritou com ela. – Não seja idiota! Não pode contar para ela essas coisas!

Lola engoliu seco. – O destino brinca com a nossa cara. Todos os dias. O tempo todo. – disse em um murmúrio. Olhou para Deokhye e então buscou o pensamento. – Não devem me contar. Seja lá o que for acontecer, eu não quero saber. – Foi sua decisão final, dava para notar por seu tom. – Não está nem um pouco curiosa? – a parca ao volante perguntou. – Não está nem mesmo curiosa?

A jovem sorriu, o típico sorriso doce que sua própria mãe costumava esboçar. – Para falar a verdade, estou sim. Mas sabem o que acontece quando um herói tenta mudar seu destino. Prefiro não saber, seja coisa boa ou ruim. Aliás, nos deixem perto das sete portas de entrada por inferno, por favor. – Discretamente, Lola deslizou a mão pelo banco até tocar na de Deokhye. A amiga era ligeiramente mais quente do que ela. Viva, de fato.

Ela não se importava com os sacolejos do carro e coisas do tipo. Distraiu-se, sabendo que logo a viagem acabaria e ela precisaria de foco. Que os deuses a ajudassem. – Estamos chegando! – anunciou uma das parcas e Kim trincou o maxilar.

Desceu do carro quando parou e caminhou de mãos dadas com Deok até a sombra indicada, ouvindo-a com atenção. – Eu não acho que seja igreja... embora Hades possa e frequente algumas. Mas... – suspirou baixo, mordendo o lábio. – Eu acho que a entrada desse é em um hospício. Morriam muitas pessoas, pelo pouco que sei. Dor, sofrimento... – deu de ombros, afagando a mão da mesma. – Mas podemos procurar em ambos... eu acho que... vou sentir quando chegarmos...

Começou a caminhar com a garota, olhando ao redor. – Alguma igreja com história estranha por aqui? Ou hospício? Eu não sei o que são... bom, igrejas, pelo que me disseram, são como os templos antigos. – Murmurou, mordendo a parte interna da bochecha levemente.

Lola olhou a amiga com evidente confusão quando ela começou a caminhar em direção à um rapaz. Poderia ter ralhado com a loira ali mesmo se não fosse o fato de que a tática era até mesmo genial. A criança do senhor dos mortos nunca teria pensado naquilo. Então, ela apenas suspirou baixo, mantendo-se evidentemente confusa enquanto Deokhye arranhava seu falso inglês. Talvez aquilo tudo tivesse contribuído para a crença do rapaz de que estava ajudando duas estrangeiras.

A morena apenas apertou a mão quente da amiga e se afastou fazendo meias mesuras para o rapaz. – Nunca pensaria nisso. – Admitiu para a filha de Zeus e suspirou baixo. – Sabe chegar lá? O que é um hospício, Deokkie? – ela apenas murmurou. Sentia-se muito estúpida perto da amiga. E começava a sentir-se zangada com a mãe por tê-la feito uma completa alienada quanto ao mundo externo. – Deok, essas portas devem conter algum perigo... lá embaixo... preciso que me prometa. Não vai sair de perto de mim. Promete? – os olhos escuros de Lola transpareciam medo, desespero puro.

Não queria cogitar que a mãe estivesse morta ou presa ao submundo para sempre. – Se ela comeu algo... ela não pode sair. Exatamente como sua irmã, que também é minha avó. – Murmurou, passando a língua por entre os lábios para umedecê-los.

Lola suspirou baixo, ouvindo a garota falar sobre o submundo e assentiu. – Eu acho injusto. Papai... papai só tem um buraco sob a terra. Zeus tem todo o céu e Poseidon tem toda a água. Ambos são maiores que o reino de Hades. E por que? Nem segue uma lógica de idade, já que Zeus é mais novo. – Resmungou, apertando um pouco a mão da amiga.

O esperado era que elas não se dessem bem. Brigas eram comum entre filhos dos três grandes. Lola olhou ao redor, não havia nada que indicasse que ainda procuravam por Deok. E ela só sumira há duas semanas. Mas como não encontraram corpo ou pessoa, deviam estar pressupondo o pior.

A mais jovem apenas engoliu seco ao chegarem no fim da rua e se depararem com aquela construção. Tirou o suéter que usava por cima da camisa do Acampamento. – Eu sei que... pode estar quente e ser estranho. Mas vista isso... deve ter meu cheiro. – Ela torceu o nariz. Não sabia se era uma ideia boba, mas talvez o cheiro de sua roupa disfarçasse o de Deokhye e elas tivessem maiores chances.

Assim, adentraram o prédio e Lola sacou a espada, usando a lâmina negra com uma maestria que ela nunca tivera com arma alguma antes. – Eu posso sentir... – sua voz saiu baixa, fraca. Ela realmente podia sentir a força do mundo inferior ali dentro. O cheiro de morte e dor dos que já haviam partido. Ela não podia controlar. Mas podia sentir.

Foi então que ouviu o farfalhar de asas familiar. – Elas estão aqui. – Abriu um pouco a guarda, olhando Deokhye antes de passar para as costas da mesma e colar a própria retaguarda com a da amiga. Não demorou muito para que duas das fúrias pousassem, uma de frente para cada semideusa. – Foram espertas. Vieram por um caminho mais curto. Menos cheio de monstros. – Ouviu a que estava de frente para Deokhye dizer.

Lola esperava conseguir ajudar a amiga. Dois contra dois era uma batalha justa. Mas das sombras, ela viu surgir um cão infernal maior do que o primeiro que vira em sua vida. Ele devia ter quase o dobro de sua altura sobre duas patas e devia pesa mais do que vinte Lolas.

A criança ainda tentou atingir a fúria que estava em sua frente, mas não conseguiu, perdendo o equilíbrio e caindo direto na cova dos leões. Ou, melhor, do cão infernal. A criatura quase mordeu-lhe o braço, mas a jovem conseguiu fazer uso da parte chata de sua espada e deixa-lo completamente atordoado.

Rolou pelo chão e seu corpo colidiu com uma coluna que estremeceu quando o cão bateu a cabeça nela. – Eu sou filha do submundo! Você me deve respeito. – Ela disse em tom firme, chutando o peito do cão. O que foi a mesma coisa que chutar uma parede, ela sentiu a dor tomar conta de cada pequeno músculo, ligamento e osso de seu tornozelo

O cão tentou esmagá-la, sendo que apenas o fato de a jovem rolar no chão uma segunda vez a livrou. Apoiou-se nos joelhos e mãos, se colocando de pé e respirou fundo para aguentar a dor, girou a espada e correu, avançando contra o monstro infernal. Ele a atingiu no ombro de raspão, o que arrancou um grito agudo e dolorido da morena.

O sangue pegajoso e quente embebia suas roupas e as tingia de vermelho vivo, mas Lola não deu atenção à dor. Não podia se dar ao luxo naquele momento, o cão avançou novamente e ela segurou a espada apenas com a mão do ombro bom.

Ele investiu e ela se esquivou para o lado, atravessando a lâmina no tronco do cão. Ele grunhiu alto e ganiu quando ela retirou a lâmina. A menina mordeu o inferior com a tensão que a tomava e viu o cão tentar se sustentar de pé, continuava sangrando. Continuava com dor. Girou a espada e a ergueu acima da cabeça, descendo-a com força e violência contra o pescoço do canino.

Viu Deokhye se aproximar e olhou a amiga com atenção. – Diz que não está tão feio quanto parece... – perguntou à loira. – É só... um pouco de sangue. – Murmurou para si mesma e se colocou de pé. – Vamos... a porta está no fundo da sala...

Deixou-se ser praticamente carregada pela amiga. Tinha ambrósia e néctar, na mochila, mas onde estava a mochila? Não se lembrava de onde tinha visto. Felizmente, seus olhos rapidamente a encontraram no caminho para a porta. – Aqui! – usou a espada para prender a mochila pela alça e a erguer até segurá-la com a mão, deixando a espada no chão.

Lola parecia ter previsto a pergunta da loira, não demorando para erguer a mochila e mostra-la para a outra. – Aqui dentro, tem os dois. Pegue um cubo para você... eu vou... pegar o outro e lavar o ombro com néctar. – Disse em uma tentativa de manter a racionalidade.

Um arrepio sinistro percorreu o corpo da menina. Era como se tivessem entrado nos domínios de Hades. Esperava, verdadeiramente, não precisar mais lutar. Naquele momento, ela começava a desejar ter entrado pelo oeste. Pagar o barqueiro não poderia ser tão ruim, poderia? A voz de Deok atingiu seus ouvidos, acima dos sussurros que começavam a dominar sua mente. – Certo... – Ajeitou-se no chão, reprimindo a vontade de chorar. – Obrigada, Deok.

Enquanto consumia um dos cubos e jogava um pouquinho de néctar no ombro, ela olhou ao redor. Os sussurros começaram discreto, ganhando mais força através das paredes de pedra bruta. Mas aquilo não a deixava em pânico, como deveria deixar. – Você ouve? – notou que a expressão da amiga parecia tensa.

Entregou-lhe o cubinho de ambrósia e suspirou baixo, comprimindo os lábios levemente rosados em uma linha fina. – Espero que minha avó nos ajude a negociar com meu pai... – conseguiu dizer em um murmúrio de desesperança. A dor em seu ombro pareceu ceder aos poucos, assim como seu tornozelo. Tomou um pequeno gole do néctar e passou a garrafa para Deokhye.

Seu néctar e ambrósia, surpreendentemente, tinham o gosto da sopa de algas que sua mãe fazia em seu aniversário de cada ano, antes de assistirem à queima de fogos do dia da independência na praia do Acampamento. Lola sentia-se nostálgica.

A menina deu um discreto sorriso para Deokhye. – Tudo bem. É um casaco velho. – Murmurou, olhando a mais velha com um sorriso gentil. Não estava irritada com a garota. – Eu achava que apenas filhos de Hades ouviam os lamentos.

Lola comprimiu os lábios outra vez. – No palácio de Hades. Na sala do trono. Não sei onde essa entrada vai dar. – Admitiu, observando o local com os olhos estreitos. A escuridão só parecia ficar mais densa a cada minuto que passava.

Ou murmúrios iam ficando mais altos e, de repente, o piso mudou, haviam tochas verdes ardendo em uma das paredes, Lola a pegou. – Fogo grego. Não apaga nunca. Ou é o que falam. – Verbalizou, segurando na mão de Deokhye.

Kim ouviu como se uma porta se fechasse e, quando iluminou atrás de si, a menina viu que uma parede havia surgido. – Ótimo. – Murmurou com uma careta de desgosto. Ainda assim, continuou andando em um silêncio com a amiga, notando as paredes mudarem gradativamente, assim como o chão.

O que a intrigava era a tocha. Lembrava-a de Hecate. O que faria ali? – Eu acho que podemos só chegar pelo jardim de vovó. Estamos no outono, quase inverno, ela ainda está por aqui. Pode nos ajudar.  – O tempo todo, a mais nova tentava se manter esperançosa.

A jovem garota suspirou baixinho, sentindo o ar se modificar conforme pareciam descer mais. O ar agora tinha um aroma de morte, enxofre e estava quente, fazendo um pouco de suor brotar na mão que Lola mantinha entrelaçada com a da Eun. – Acho que estamos quase. – Ela murmurou, baixinho demais. Talvez, Deok não a tivesse ouvido.

Se viu saindo de uma caverna na lateral do rio Estige. – Não toque em nada. Não coma nada. – Advertiu Deokhye, embora duvidasse que precisasse de tal aviso. Estava pronta para lutar quando viu cérbero latir e rosnar para a loira. Mas não precisou.

A deusa apenas se materializou e fez um breve sinal para o cão, que grunhiu e recuou inofensivo. Lola sentiu pena. – Vejo que encontrou meu presente. – A deusa apontou a tocha. – Receio que você tenha sido solicitada por sua avó. – Hecate prosseguiu e Lola olhou a amiga, acompanhando o olhar da deusa que se voltara para a mais velha. – Mas para você, cria dos céus, há uma outra divindade que deseja lhe ver, ou melhor, lhe falar.

A cria de Hades franziu a testa e respirou fundo, assentindo para a amiga como quem diz “eu vou ficar bem” e, de fato, era isso que Lola esperava que ocorresse. Se a avó queria vê-la, que perigo ela poderia correr?

Lola mordeu o inferior ao ver Deokhye sumir com a deusa da magia em um estalar de dedos enquanto ela era – de alguma forma – mandada para os jardins de Perséfone. A morena passou as mãos pela barriga para conter a vertigem, mas acabou vomitando no chão em sua frente.

Foi então que ouviu e viu algo que lhe partiu o coração. Sua mãe gritava “não a machuque” e se encontrava enroscada em roseiras. Os espinhos lhe perfuravam a carne e o sangue descia vívido por seus braços.

O líquido seco se misturava ao fresco, que descia um pouco mais a cada vez que Amelia se debatia para tentar alcançar sua criança. – Mamãe, para! – Lola correu até a mulher, olhando-a com os olhos marejados. – Para! Você tá se machucando! Por favor. – As lágrimas começaram a descer grossas pelos olhos escuros da Kim mais nova. – Lola, Lola, me ouça. Vá embora. Me deixe aqui! Vá embora, Lola!

A menina balançou a cabeça, passando as pontas dos dedos pelos galhos retorcidos que se prendiam à mulher. – Não... eu... eu não posso. Você vai morrer se ficar aqui! – embora não gritasse, o desespero e o medo eram evidentes na voz da mais jovem que tinha os olhos arregalados, o nariz vermelho e as bochechas marcadas com pesadas lágrimas.

Ouviu um sutil farfalhar atrás de si e o odor de primavera lhe atingiu em cheio, virou-se, vendo a deusa da primavera com encanto. Nunca imaginara uma mulher tão bonita, ainda que ela não parecesse ter mais de vinte e quatro anos, estourando, Lola lhe daria vinte e oito. – Vovó!

A deusa torceu o belo rosto em uma expressão de desagrado. – Vovó, por favor, me ajude a soltá-la! – a menina pediu suplicante, se colocando de joelhos aos pés da deusa. – Você tem razão. – Foi tudo que a mulher disse, com extrema frieza, ao passo que Lola franziu o rosto juvenil em confusão.

A deusa passou o indicador pelo maxilar de Lola e observou Amelia. – Linda, não é? Como a mais bela rosa... aliás, devia ter dado a ela um nome de flor. – a mulher prosseguiu, Lola agora não chorava mais. Hipnotizada pela voz aveludada da mulher e seu odor floral.

Amelia continuava pedindo clemência à deusa. Para que não machucasse sua menina. – Não seja tola, criança. Como se eu pudesse machucá-la sem levantar a ira de meu marido. – Tirou a mão de Lola e aproximou-se de sua própria criança. – Sabe, os outros filhos de Hades costumam me irritar muito. Mas pelo ou menos a traição não vem de meu próprio sangue.

Amelia agora chorava e tremia sob a ira da deusa. Lola, em toda sua ingenuidade, não conseguia acompanhar muito bem o raciocínio, mas em um estalo, seu cérebro se acendeu e ela percebeu que não fora Hades quem prendera sua mãe, e sim Perséfone. – Por quê?

Aquela simples pergunta foi tudo que os lábios rosados e trêmulos de uma Lola ofegante conseguiu pronunciar. – Não é óbvio? – A deusa questionou e Lola fez que não com a cabeça. Não. Para ela, que não tinha nenhuma malícia, nada era óbvio. Se ao menos Deokhye estivesse ali...

Seu coração se apertou. Deokhye. Uma filha de Zeus, completamente sozinha no submundo, na companhia de duas deusas que Lola pouco conhecia. Prendeu a respiração involuntariamente. – Amelia tem razão. Você é mesmo ingênua. E muito doce a julgar pela disposição em se humilhar aos meus pés por sua mãe. Mas não tenho ódio de você. Não muito. Só o suficiente, já que é a prova de traição de meu marido. A pior parte é que eu estava aqui. No submundo. E eles conceberam você. – Perséfone voltou a se aproximar da neta, passando os dedos pelos cabelos negros da menina.

Lola se encolheu. – Sabe, eu estou acostumada com Hades e seus casos. Eu também tenho alguns, como pode ver pela sua mãe. Mas o que eu não entendo é porque Hades tinha que pegar uma de minhas crianças para seus romances. E ainda ter com ela uma filha. – Lola respirou fundo, tentando encontrar a própria voz. – Me perdoe. – Foi o que conseguiu dizer, embora não soubesse pelo que pedia perdão.

Perséfone deu um sorriso condescendente. Mas seus olhos vermelhos e a ira que estar presa no submundo lhe trazia não podia ser aplacada, a menina sentia isso em seu íntimo. – Sua mãe fugiu assim que soube da gravidez. Sequer me deu tempo de alcança-la. E eu não posso feri-la no Acampamento. Os outros deuses ficariam furiosos. Mas então ela saiu e, bem, você estava junto. Embora o plano inicial fosse me vingar somente de sua mãe. Não de você. – Lola se esforçou para ficar de pé, sentia que o estômago havia afundado e colado em sua coluna.

Então a deusa deu um suspiro entediado. – Como disse, não posso tocar em um fio de cabelo seu. Mas posso fazê-la assistir à morte de sua mãe. E, convenhamos, só por isso ela ainda está viva. Para que você a veja morrer e aprenda que traição de sangue é paga com sangue. – A deusa sorriu de forma tão doce que Lola sentiu como se tivesse levado um soco.

Então, Deokhye simplesmente surgiu ao seu lado, a menina tinha as mãos erguidas na frente do rosto, como se tentasse proteger os olhos de uma forte luminosidade. Ouviu a pergunta de Deok sobre ter encontrado Amelia e olhou para a mãe presa.

Perséfone riu, deliciando-se com o momento. – Mais uma para assistir à esse momento! Viu Amelia?! É maravilhoso, não é mesmo? – A deusa caminhou até a cria, passando as mãos pelos cabelos da semideusa, fazendo com que ele fosse magicamente trançado com as mais diversas flores.

As roupas esfarrapadas da filha de Perséfone foram trocadas por um vestido branco de algum tecido fino, delicado e levemente transparente, que marcava o corpo asiático e se tingia de vermelho com cada gota que pingava.

Amelia, naquele momento, estava de pé. Fora colocada sobre os pés descalços pela deusa, por sua mãe. – E então que... – Mas Perséfone não concluiu a fala. Lola e Deokhye haviam se mantido quietas e caladas durante o ritual de arrumação da deusa, mas então a pequena morena gritou um sonoro “não” com toda a força que tinha em seus pulmões.

Viu Deokhye se sobressaltar e Perséfone olhá-la com uma expressão de choque. – Por favor, não faça isso! – Avançou em passos largos, cambaleando um pouco por conta do nervosismo. – Me leve! Se eu sou o problema é só me matar! Eu posso deixar uma carta com meu sangue ou assinatura ou o que preferir para provar para Hades que meu sacrifício foi voluntário!

Perséfone passou a mão pelo queixo, fingindo pensar. Então, uma mesa e cadeira feita de gavinhas trançadas surgiu na frente de Lola. Tanto Amelia quanto Deokhye tentaram protestar, mas Perséfone atou os punhos da filha de Zeus com gavinhas, mantendo-a no lugar.

Lola viu a amiga tentar eletrocutar as plantas e puxar os pulsos com insistência, mas nada daquilo funcionava. Perséfone se sentou na cadeira e olhou para Lola, fazendo um papel em branco surgir na frente da semideusa de Hades. – Como eu escrevo? – Foi tudo que Lola questionou, mordendo o inferior com força o suficiente para sentir o gosto de sangue na boca.

Perséfone puxou a presilha serrilhada que usava em seu cabelo e segurou na mão da neta, cortando a pele da menina até o ponto de o sangue vermelho escuro começar a brotar. – Deixe o sangue pingar sobre o papel enquanto diz as seguintes palavras, pronta? – Lola assentiu e a deusa sorriu divertida. – “Eu, Lola Kim, forneço à minha avó Perséfone o direito de fazer comigo qualquer coisa que deseje, até mesmo tirar minha vida.”

Deokhye rosnou, gritando que Lola não deveria fazer tal coisa, mas a menina apenas manteve a palma aberta sobre o papel, enquanto a voz fraca de Amélia se misturava à voz da filha de Zeus. – Eu, Lola Kim, forneço à minha avó Perséfone o direito de fazer comigo qualquer coisa que deseje... – ela respirou fundo, sendo instigada pela sorridente deusa. – ... até mesmo tirar minha vida.

Perséfone se colocou de pé e pegou o papel, dobrando-o até que ele simplesmente sumisse. As plantas que prendiam Amelia e Deok sumiram, assim como as feridas de Amélia. – Lola! – ela abraçou a filha quando a menina a alcançou. Segurou nos ombros de Deokhye que sorrateiramente se aproximara de mãe e filha com uma expressão desconfiada.

Amelia sorriu para a criança de Zeus. – Muito obrigada por cuidar da minha menina! – Ela disse com evidente alívio e Lola notou que Deok estava sutilmente corada. – Ela é ótima, mamãe! – sorriu alegre. – Bom, o momento é lindo, mas Lola precisa cumprir com sua parte do acordo. – Perséfone falou com tranquilidade e fixou seus olhos dentro do da neta.

Uma forte pontada no peito de Lola a fez cair de joelhos. Seu ar começou a faltar e suas mãos tremiam violentamente, olhou as palmas, notando na direita uma rosa negra desenhada. Deokhye não teve reação, ela viu apenas o choque passar pelo olhar da amiga, no entanto, Amelia pegou a filha pelos braços e a abraçou. – Não! Lola, não! – ela gritava com evidente dor na voz, chorando.

Lola retribuiu o abraço da mãe, chorando como a criança que era. – Eu tô com medo, mamãe. – Disse com a voz fraca, respirando com dificuldade. Ela podia ver Deokhye estática, mesmo que sentisse a eletricidade se mover ao redor da amiga.

Mas o improvável aconteceu quando a Amelia sussurrou apenas para filha ouvir. – Eu morreria por você, meu amor, me perdoe... – Lola sentiu-se confusa ao mesmo tempo em que sentia a energia fluindo de volta ao seu corpo. Amelia, no entanto, apenas empalidecia mais sob o toque de sua criança. – Omma! O que está acontecendo?! – ela olhou a Deokhye, conseguindo se sentar, segurando nos braços da mãe. – Não! Você disse que não ia matá-la! – a menina gritou para a deusa, sacudindo a mãe que continuava a ceder aos poucos.

Deokhye se abaixou, tocando na face de Amelia e em seu pescoço, tentando checar o pulso e deixando Lola em pleno desespero quando negou com a cabeça a existência de batimentos cardíacos. – Você disse que eu servia! – esbravejou, ainda agarrada ao corpo sem vida da mãe.

A amiga colocou as mãos em seus ombros, tentando puxá-la gentilmente para o corpo pálido e inerte de Amélia. – Traidora! – A morena gritou em meio às lágrimas. – Mas não foi eu quem a matei, querida. Foi você. E esse é sua maldição. Todos que te amarem o suficiente para dar a vida por você, vão morrer sob seu toque. Ou você mata. Ou você morre.

A menina sentiu como se seu mundo desabasse. Parou de lutar e se debater nos braços da amiga que a mantinha longe do corpo de sua mãe e apenas olhou o chão fixamente. – Você será eternamente jovem. E vai viver para sempre, desde que roube a vida de alguém. Dezoito é sua idade limite. Mas não fique triste, Lola, você ainda verá muitos eons. – a garota não conseguia se encontrar. Mesmo quando Deokhye se abaixou ao seu lado e começou a dizer que tudo era mentira.

Perséfone riu. – Não é mentira. Veja a rosa em sua mão? Ainda está aí? – Com algum esforço, Lola fez o que a deusa pedia, vendo que a rosa sumira. – Ela só aparece quando você está perto de morrer. Eu não poderia mata-la sem deixar uma brecha, seu pai surtaria. – disse com desdém.

Agora a loira se encontrava calada. Lola ainda não conseguia sentir e, muito menos, processar tudo. Amaldiçoada. Imortal. Assassina. Tudo de uma vez só. Olhou Deokhye com uma expressão chorosa. Sentia tanta dor que não sentia nada. Queria gritar, mas não tinha voz. Deixou-se ser puxada para o abraço de Deok, atônita demais para falar.

Tudo que via por entre os cabelos da amiga era o sorriso cruel e a expressão satisfeita no rosto de Perséfone. Não ficou ali por muito mais tempo. Em um estalar de dedos, Lola, Deokhye e Amelia estavam de volta ao Acampamento.

As três foram transportadas diretamente para os campos de morango, onde os sátiros às olharam assustados. Olharam o corpo de Amelia e Lola finalmente decidiu que não tinha estômago para lidar com aquilo.

Escondeu o rosto no ombro de Deokhye que ainda abraçava a garota à beira de um colapso e chorou, se entregando para as lágrimas, para a dor e para o receio. Seu corpo relaxou involuntariamente a menina balançou a cabeça repetidas vezes.

Não sabia o que seria de si agora, mas não tinha forças para continuar, nem mesmo para comandar simples partes do próprio corpo, o que a fez deixar o peso do mesmo apoiado todo contra o corpo da filha de Zeus.

Lola Kim, a menina doce que nascera no Acampamento Meio-Sangue e fora criada no meio de tanta vida e beleza nunca mais seria a mesma. Como se por uma ironia do destino, agora ela precisaria aceitar seu lado de morte, caos e dor.

Kim foi levada para a enfermaria com Eun e o corpo de sua mãe foi preparado para a cerimônia de despedida que seria naquela mesma noite. A Kim não ligava para seus ferimentos. A dor física em nada se comparava com seu emocional em pedaços.

Naquela noite, Amélia foi envolvida na bandeira do chalé de Perséfone, Lola colocou as dracmas sobre os olhos da mãe sem dizer uma palavra. Não tinha o que dizer. Deokhye segurava a tocha que seria usada para a cremação de Amélia.

Um pequeno suspirou passou pelos lábios vermelhos de Lola quando ela brevemente assentiu para a amiga, indicando que finalmente estava pronta para se desapegar do corpo que abrigara a alma de sua mãe.

Então, quase como se fosse em câmera lenta, Deokhye abaixou a tocha contra o monte de palha que estava sob Amelia, e deixou que as chamas lentamente consumissem o corpo da única família que Kim tivera.

Maldição adquirida:

Adicionar Lola ao grupo dos imortais se possível, por gentileza.
Maldição: Flor Imortal
Descrição: Lola foi amaldiçoada pela rainha do submundo a ser imortal, a maldição permite que a menina envelheça até a maioridade (18 anos), sem que sua aparência nunca mais mude. Isso porque a própria Perséfone era cortejada em sua juventude e uma das condições da imortalidade de Lola inclui criar uma conexão de atração (seja romântica ou não) com sua vítima.
Consequência: A imortalidade poderia ser uma bênção, se Lola não precisasse matar para manter a própria vida. Uma rosa começa a surgir na palma da mão direita da semideusa e torna-se mais escura à medida que o tempo da garota vai se esgotando. No entanto, Lola não pode matar uma pessoa qualquer, ela precisa convencer a pessoa a morrer por ela, bem como ter alguma ligação com sua vítima.
 Extra: Além da imortalidade, a maldição tem um outro lado "bom", como a semideusa em questão recebeu uma partícula a mais de poder de Perséfone, a cada vez que ela mata alguém (com a condição on game de não usar os poderes de Hades para matar) um novo poder de Perséfone desabrocha, pois seria como se - com a energia vital da pessoa sacrificada - ela alimentasse os genes da deusa que residem em si.
Lola Kim:

Arma Utilizada:
❈ Rosa Negra [Uma espada longa, inteiramente de ferro estígio – desde sua lâmina até seu pomo – sendo que sua lâmina possui 110 cm e seu cabo é todo trabalhado em ranhuras para que a espada tenha mais aderência nas mãos da semideusa, em seu pomo há o desenho perfeito de uma rosa e, pela cor do material, a espada foi batizada “Rosa negra”. | Efeito 1: A lâmina se transforma em uma pulseira, com o pingente de uma rosa. | Efeito 2: Sempre retorna para sua dona dois turnos depois de ela a ter perdido. | Ferro estígio. | Beta. | 100%, sem danos. | Mágica. | Sem espaço para gemas. | Presente de Amelia (Arma de Herança)]

Poderes e Habilidades:

Poderes e Habilidades de Hades:

Poderes Passivos:

Nível 1
Nome do poder: Respiração subterrânea
Descrição: Respirar em locais de baixa pressão e em locais subterrâneos e fechados é o mesmo que respirar ao ar livre para os filhos de Hades/Plutão, eles não são afetados por locais assim, e chegam a se sentir tão bem quanto ao ar livre, se não melhor.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Não é afetado por locais fechados, cavernas, ou locais com pressão baixa.
Dano: Nenhum

Nome do poder: Visão Noturna
Descrição: Os filhos de Hades/Plutão enxergam tão bem no escuro, quanto no claro. A escuridão por magia ainda é capaz de afetar eles, mas a escuridão natural, como apagar a luz, ou entrar em uma caverna sem qualquer claridade não irá afetar o filho do deus dos mortos
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Desde que não seja escuridão magica que impeça a visão, não serão afetados.
Dano: Nenhum

Nível 2
Nome do poder: Ferro Estígio
Descrição: Esse é o material principal usado pelo rei dos mortos, por esse motivo, os filhos de Hades/Plutão tem certa facilidade em manuseá-los, e ganharão um bônus de força em campo de batalha.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Quando o semideus lutar com armas feitas de Ferro Estígio ganha +10% de força
Dano: 5% de dano a mais se o adversário for acertado pela arma do semideus.

Nível 3
Nome do poder: Cura Sombria I
Descrição: Os filhos de Hades/Plutão ao serem atingidos por sombras podem recuperar parte de sua energia instantemente. As sombras sempre foram aliadas das proles do deus da morte, e agora também servem como forma de regeneração. Nesse nível, apenas pequenas feridas se fecham – como cortes supérfluos – e parte da energia é restaurada. (Só poder ser usado uma vez a cada 3 turnos).
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Recupera +25 de HP e 25 de MP
Dano: Nenhum

Nível 4
Nome do poder: Pericia com Espadas I
Descrição: Os filhos de Hades/Plutão tem facilidade em lidar com espadas, mesmo nunca tendo manejado uma. A arma sempre se adapta as mãos da prole do rei do inferno, e acaba atacando de forma natural, mesmo que ainda tenha dificuldade de lidar com ela nesse nível.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +35% de assertividade no manuseio da espada.
Dano: + 15% de dano ao ser acertado pela arma do semideus.

Nível 5
Nome do poder: Pele Fria
Descrição: Os filhos de Hades/Plutão são naturalmente gelados, sua pele se assemelhava a temperatura de um cubo de gelo, e ao tocarem o inimigo – por estarem gelados – podem causar certo atordoamento.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Ao tocar o inimigo - o fazendo sentir sua temperatura - pode deixa-lo atordoado, o fazendo querer recuar. (Seria o mesmo que tocar um morto).
Dano: Nenhum

Nível 6
Nome do poder: Pericia com Foices I
Descrição: A foice é uma arma muito comum no reino de Hades/Plutão, e é até um símbolo de representação do deus dos mortos, sendo muitas vezes visto como uma arma macabra e cruel. Mesmo sem nunca ter usado uma foice, o filho de Hades/Plutão vai saber como maneja-la, e se mover com ela, atacando, mas ainda tem certa dificuldade.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +35% de assertividade no manuseio da espada.
Dano: + 15% de dano ao ser acertado pela arma do semideus.

Poderes e Habilidades de Legado (Perséfone):

Poderes Passivos:

Nível 1
Nome do poder: Beleza incomum I
Descrição: Os filhos de Perséfone possuem uma beleza bastante incomum. Belos como uma rosa, os mesmos possuem uma aura sombria que os torna bastante obscuros. Isso faz com que monstros e/ou semideuses sintam certa hesitação em avançar.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Irão evitar atacar o filho da deusa das flores no primeiro turno.
Dano: Nenhum

Nível 2
Nome do poder: Botânico
Descrição: Por sua mãe ser a deusa das flores, e da estação primaveril, o semideus consegue distinguir as diferenças entre uma flor e outra, seja pelo perfume, o formato, ou qualquer coisa. Ele sempre saber que flor é, e caso ela tenha algum efeito, veneno, gás, ou apresente perigo, também saberá identifica-los.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Saberá sobre as flores, e propriedades da mesma.
Dano: Nenhum

Nível 3
Nome do poder: Pericia com Cajados I
Descrição: O semideus tem certa facilidade em lidar com cajados, tendo parte da ligação da magia de sua mãe. Contudo, não é tão bom quanto um filho de uma verdadeira feiticeira, e nesse nível, só consegue executar pequenos movimentos.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +10% de assertividade ao lutar com a arma.
Dano: 5% de dano se for acertado pela magia do semideus.

Nível 4
Nome do poder: Pericia com Espadas I
Descrição: O semideus tem certa facilidade em lidar com espadas, tanto curtas quanto longas, e mesmo sem nunca ter usado uma espada em batalha, saberá o que fazer, mesmo que cometa alguns erros.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +10% de assertividade no manuseio de espadas.
Dano: +5% de dano se o oponente for atingido pela arma do semideus.

Nível 5
Nome do poder: Ligação Magica
Descrição: O semideus é ligado pela magia aos filhos de Hecate/Trivia, e portanto, quando lutam ao lado desses, também se tornam mais fortes. Suas magias ficam mais potentes, e sua destreza em campo também é aumentada.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +10% de força e assertividade ao lutarem ao lado de um filho de Hecate/Trivia.
Dano: +10% de dano em poderes ativos, e em feitiços, se acertarem o alvo.



It begins Eclipse
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Re: [in]different

Mensagem por Eun Deokhye em Qua Jan 31, 2018 9:44 pm

“The sparks are gone, replaced by fierce, ugly tears that track down my face. Thunder rumbles somewhere far off and the air is warm. But the humid temperature is gone. The heat has broken and summer will soon be over. Time is passing.”
O avanço íngreme contra a colina que nomeava o Acampando fora adornada de doses estressantes de uma miséria genuína. Aniquilando a auto piedade e egoísmo que nortearam a breve jornada pela obtenção do conhecimento próprio iniciada após a decisão de parar de ingerir remédios prescritos para garantirem uma suposta saúde mental. O conhecimento de que era nada, se não egoísta e manipuladora em dado momento vinha acompanhada de culpa. Sem que compreendesse ao certo que tais características se manifestaram como modo de defesa diante de nove anos vividos em abuso e negligência. E a liberdade condicionada pelos próprios punhos lhe soou ridícula. A força e poder que colapsavam em seu interior em nada lhe serviram diante da ausência de habilidades notáveis, sobrevivendo por puro acaso e impedida de salvar uma das únicas pessoas que lhe doaram o benefício da confiança e garantiu uma normalidade que pouco lhe fora atribuída ao decorrer da vida. Sentia-se culpada pelo desvio na trajetória de Lola e Amélia e pela própria fraqueza. Contraditoriamente lamentar-se do passado não alteraria o mesmo ou oferecia conforto a amiga.

Eun Deokhye vislumbrou o brilho alaranjado do véu do entardecer assim que atingiu o topo da colina, porém sem realmente contemplar a visão em notável preocupação diante da ausência de palavras de Lola que descia pela colina em uma determinação muda e cega. Nada a pararia. E Deokhye a seguiria até a extinção do planeta, certa de que existia um vínculo de amizade entre elas além da dívida por ter sido resgatada e levada a um local seguro. Eun estava certa de que buscariam Amélia. Em contrapartida a amiga permanecia ignorando as palavras pronunciadas pelas mulheres acinzentadas e que possuíam apenas um olho diante das afirmativas que lhe asseguravam um parentesco divino e sua identidade. As três afirmaram que Lola Kim era uma criança de Hades, apesar do conteúdo não ter chegado até a amiga possivelmente pelo choque e ausência da genitora. Entretanto via-se incapaz de não atrelar a sequência de fatos: fúrias, Hades e “uma rainha boa do submundo" que curiosamente era dotada de fazer flores desabrocharem exatamente como Lola demonstrara. Apesar de sequer compreender como tais fatos possuíam tal ligação ou a profundidade expressa e impacto sobre ações passadas.

Eun agradeceu pelos anos gastos e destinados aos estudos sobre mitologia. Bebendo da certeza de que traições nunca se findavam na culpa recaindo sobre os principais errados – os Deuses –. E infelizmente se recordou da esposa do seu provável progenitor, certa de que em dado momento se tornaria um alvo, mesmo que seus erros consistissem em apenas existir. Continuaram a avançar, entretanto em dado momento a presença perceptível de outros adolescentes chamou a atenção de Deokhye. Desviando-a do foco que mantinha mentalmente. Somente olhavam de relance e em nada pareciam surpresos diante do estado deplorável em que se encontrava, mais interessados em traçarem analises sobre Lola.

Imaginou que a ausência da mãe chamasse atenção e gerasse conclusões precipitadas. Involuntariamente o corpo de Eun moveu-se, arrumando a postura e erguendo o queixo, mirando as orbes em todos os presentes, num ricochete dos fios dourados, como se plantasse um desafio para determinar quem iria importunar a amiga e conseguintemente sofrer de sua ira. Todos recuaram e ambas avançaram até uma construção antiga e completamente branca. Onde abrigavam um par de senhores distintos e características peculiares.

As palavras pronunciadas por Lola carregavam um significa que não era compreendido em sua totalidade por Eun, que se manteve neutra e afastada. Exceto quando o questionamento acerca do resgate de Amélia se fez presente, fazendo-a murmurar e verbalizar os desejos em ajudar a Kim. Da mesma forma viu-se incapaz de conter a própria surpresa ao passo que uma manifestação anormal se apossou do topo da sua cabeça, funcionando como uma espécie de holograma incomum e anormal. Anunciando-a oficialmente como mais uma prole de Zeus. Entretanto Lola também fora vítima de um efeito peculiar que a incluía as crianças de Hades, cumprindo as palavras pronuncias pelas três senhoras do taxi.

E, no decorrer das duas semanas até que estivessem recuperado o pleno vigor e saúde perdida diante de acontecimentos passados, Eun viu-se comtemplando as atividades oferecidas pelo acampamento treinando como maneira de evitar fomentar ideias acerca do sequestro suspeito de Amélia, ao passo que o treinamento lhe proporcionava a sensação de que poderia de fato vir a tornar-se uma grande semideusa em um futuro – que não sabia que ainda seria próximo ou longe –. A espera até a primeira saída do Acampamento, entretanto findou-se em uma manhã adornada do brilho purpuro halo e translucido proporcionado pelo sol. Deokhye trajava uma legging escura, tênis esportivos e uma camiseta clara juntamente a uma jaqueta oferecidas pelo chalé de Afrodite, diante da ausência evidente de roupas que Eun sofria. Portava um chicote quase intocado além de suprimentos e uma determinação aliada ao desejo genuíno de provocar caos.

Estava pronta para causar problemas para os sequestradores de Amélia.

A aproximação de Lola mostrou-se ausente de palavras e a julgar pelas expressões – ou ausência de tais – no rosto tipicamente asiático era possível compreender o quão devastadora a ausência da presença materna era. Ausente de reações para a situação apresentada e confusa diante da certeza de que nada que pronunciasse faria Lola sentir-se melhor a Eun apenas bebericava das palavras pronunciadas pela Kim, anunciando em um murmúrio que a segurança ao transitarem junto as irmãs cinzentas era atrativa. Preocupada diante da segurança de ambas ao transitarem livremente e considerando a própria ausência de habilidades praticas não seria exatamente uma surpresa caso demorassem dias para chegarem ao destino final. A concordância muda de Lola culminou em um gesto minucioso nas proximidades do acampamento meio-sangue e em poucos segundos o som de um carro movendo-se acompanhando de buzinas altas e vozes pronunciadas em tons grosseiros e altos indicou a chegada do transporte. Fazendo Deokhye saltar para dentro de imediato, sendo seguida por Lola.

Percebendo que o olho acompanhava a irmã do meio em dada ocasião. “Nós estamos indo para a Pensilvânia e temos dracmas para pagar, por favor senhoras!” Eun anunciou, puxando o cinto de segurança ao passo que o carro era arrancado. Pela própria experiencia obtida anteriormente tinha o conhecimento de que caso permanecesse sem cinto iria acabar de algum modo bastante machucada. E evitando sentir-se enjoada a Eun fechou os olhos, bebendo dos surtos fornecidos pelas irmãs e freadas bruscas, assim como buzinas e xingamentos repentinos. Em determinado momento a loira sentiu os dedos gélidos de Lola contra sua palma, acompanhando as palavras acerca do destino pronunciadas pelas irmãs, assim como a brusquidão contida na voz da Kim. Por obviedade a curiosidade era um traço marcante na personalidade de Eun, que desejava saber sobre sua vida e que desconhecia a resposta por igual. Porém compreendia que o futuro ali referido tratava-se do imediato, que estavam próximas de enfrentar.

Com um suspiro Deokhye segurou os dedos da Kim, esboçando um embater de cílios diante da afirmativa de que estavam próximas do destino, puxando parte dos dracmas que possuía em dado instante – conseguidos através de pequenas atividades realizadas nos campos de morangos – e saltando para fora do taxi de imediato, tendo um vislumbre da cidade adornada de prédios de até quatro andares e em tons avermelhados assim como construções antigas. Em conforto Deokhye manteve a mão de Lola entrelaçada a sua, mesmo após a descida do taxi. “Você tem a localização, Lola? Nós podemos visitar igrejas, elas parecem antigas e antes enterravam pessoas nas igrejas.” Comentou ao recordar-se do aspecto histórico o qual possuía conhecimento, indicando uma construção que poderia oferecer sombra caso desejassem permanecer mais tempo discutindo sobre qual caminho deveriam tomar, afinal a intensidade do sol poderia ser incomoda.

Entretanto Lola não parecia incomodada com os raios solares ou com o calor também não permanecendo estática. E Eun a compreendia, analisando a informação fornecida a respeito do local onde supostamente deveriam encontrar, ainda que a animação para adentrar no submundo fosse quase nula por parte de Deokhye. Entretanto os desejos de salvar Amélia sobrepunham o próprio desconforto que amedrontava a jovem de atuais quatorze anos. Em um vislumbre para os lados, Eun traçou uma pequena analise e murmurou para Lola “Podemos pedir informação.” Indicou, já se movendo rumo a um indivíduo que entregava folhetos nas portas de um shopping. De imediato a expressão da adolescente modificou-se e cuidadosamente o inglês pronunciado por Deokhye tornou-se falho que quebrado, sustentado pela aparência asiática proveniente dela e de Lola. “Excursão, nos perdidas! Íamos para... hospício abandonado. Excursão.” A fala fora acompanhada de uma expressão perdida, com as sobrancelhas se erguendo e assumindo tons de desespero que era verdadeiros, dada a situação. De imediato o rapaz pareceu compreender. “Bem, primeiro vocês precisam chegar a rua principal e virar a última direita e seguir reto, até o final. Tem uma rua sem saída e cheia de árvores!” Deokhye fingiu não compreender, gesticulando por mais informações, o que resultou no rapaz anotando um mapa precário em um dos folhetos e breves agradecimentos por parte da loira.

Que não perdeu tempo ao enlaçar a mão a da amiga novamente, seguindo pela rua indicada com breves resquícios de orgulho. “É a melhor forma de conseguir informações sobre esses lugares sem muitas perguntas, afinal o que duas meninas de quatorze anos estariam fazendo o frequentas hospícios abandonados?!” Eun indicou, ainda que Lola não parecesse julgá-la, em evidente receio que as próprias ações fossem interpretadas de modo errôneo. O questionamento proferido por Lola a surpreendeu, fazendo-a enxergar que de fato Lola Kim não possuía qualquer resquício de maldade. “Hospícios, Lola. Eram locais para onde mandaram pessoas como eu e você, que não são normais como o resto, mas não somos loucas.” Comentou, analisando mapa sem ter ação para fazer e sem estar realmente disposta a analisar as implicações históricas do ambiente passado e presente a qual estava inserida. A próxima afirmação proferida pela amiga a fez erguer os olhos e sorrir, mesmo que seu rosto doesse pela ausência de pratica. “Não vou desgarrar de você. A ideia de descer até o mundo dos mortos não é... agradável para maioria dos semideuses, Lola. Quando eu lutei antes achei que ia morrer, mas descer até o inferno viva parece aterrorizante.” Indicou, não demonstrando sinais de medo ou arrependimento por ter aceitado fazer parte da missão. Iria mesmo se Lola não a quisesse por perto. Afinal em seus pensamentos Amélia era uma das poucas pessoas que lhe estendeu a mão e lhe ofereceu algum conforto.

Deokhye prosseguiu, analisando o espaço a sua volta e os indivíduos que compunham o mesmo, ausente de qualquer movimentação suspeita ou jornais com a própria foto estampada. Naturalmente uma criança de quatorze anos desaparecida não possuía tanto interesse para a mídia e mesmo que a mãe possuísse dinheiro ela não era alguém realmente importante para manter uma divulgação constante nas primeiras páginas de veículos midiáticos de grande magnitude. Por fim o avistamento da última rua foi anunciado com determinadas ondas de alivio, que não permaneceram por muito tempo diante da aparência decadente que rodeava do edifício que continha arvores e vegetação cobrindo parte das paredes e a segurança do prédio parecia seriamente comprometida. Passando a trajar o casaco oferecido por Lola, Eun renovou-se de determinada confiança que mitigou-se após adentrar no prédio, sendo recebidas pela presença nada agradável das fúrias.

As presenças de tais monstros pareciam ativar uma onda potente de raiva e desgosto na Eun, que fechou os punhos de imediato, consciente da impossibilidade de utilizar a arma que carregava consigo. Durante o breve treino notou que era inútil por completo em relação a utilização de chicotes. Entretanto ainda lhe restavam punhos e desejo mortal de aniquilar tais criaturas. Em meio a grunhidos de irritação Deokhye anunciou: “Saiam da nossa frente se não forem lutar, galinhas.” A escolha de palavras não fora a mais adequada em dado instante, visto que os monstros alçaram um voo receoso diante da ausência de espaço em tal prédio abandonado. De imediato os punhos de Deokhye fecharam-se, emitindo uma coloração azulada normal que representava determinada eletricidade em seus dedos. Ela sequer foi capaz de vislumbrar e compreender a complexidade dos próprios poderes, visto que socou uma das fúrias com toda a força capaz de reunir, jogando-a contra a parede e possivelmente a atordoando por algum tempo. Porém a sorte de Eun durou pouco, já que a segunda monstruosidade a arranhou no braço. Fazendo Eun encolher-se em uma reação natural de proteção, elevando os braços até a cabeça, resultando em arranhões ao longo dos braços, assim como um incomodo proveniente dos próprios dedos.

Consciente que a outra fúria logo estaria presente, Eun moveu os cotovelos, atingindo o rosto da monstruosidade e movendo a mão para atingi-la. Notando que seus dedos possuíam garras assim que observou o sangue esverdeado da fúria presente em seus dedos. Ela foi atingida ao ser segurada por traz pela outra fúria – até o momento nocauteada – sendo chutada na altura do estomago e debatendo-se em uma tentativa de livrar-se de ambas as fúrias. Propagando uma sensação incomoda de tensão no estomago e espalhando a mesma pelo resto dos membros, que por dentro pareciam congelado diante de um receio genuíno que sentia. Mas foi desencadeado repentinamente quando um grito de Lola colocou Deokhye em uma situação desesperadora de fato. Onde estava não conseguia enxergar a semideusa e as fúrias a atrapalhavam e seus pensamentos degringolavam em torno de como livrara-se do aperto exercido por tais monstros. Mas sua biologia possivelmente desencadeou a solução antes que o cérebro pudesse compreender: o corpo de Deokhye passou a emitir uma iluminação anormal, como se em dado momentos aproxima-se mais do lado divido do que do mortal, provocando sibilos descontentes e afrouxamento das fúrias.

O corpo de Deokhye pareceu mover-se sozinho como se fosse forjada para a batalha e seu punho passou a brilhar novamente, desferindo um soco contra a fúria atordoada pela iluminação anormal proveniente do seu corpo, segurando a outra fúria pelo pescoço, ignorando os arranhões provenientes da luta da mesma e socando-a no estomago utilizando o mesmo punho brilhante. Abandonando os corpos nocauteados assim que notou que ambas estariam desacordadas por alguns minutos, localizando uma escada e descendo até onde Lola encontrava-se aparentemente, adornada de um pó dourado e parecendo estar machucava em alguns pontos, principalmente o pé. A preocupação era evidente no rosto da semideusa, entretanto sabia que tinham pouco tempo até que as fúrias despertassem. Consciente que os monstros não passariam tanto tempo desacordados, fazendo-a empurrar a preocupação para o fundo de sua mente. Mal notando que seu corpo já não mais emitia luz, colocando o braço de Lola em torno do seu pescoço e a segurando pela cintura às pressas, rumando em torno a porta indicada. “Lola, você tem ambrosia ou néctar, certo?!” Deokhye exigiu saber antes de abrir a porta e atravessa-la, levando a amiga consigo. Notando que Lola portava uma mochila consigo e indicou a mesma, em uma resposta quase clara sobre tais itens.

A primeira coisa que percebeu foi que existiam pedras e o solo possuía uma coloração acinzentada, como concreto em forma de areia e tudo era coberto por uma escuridão massiva, adornada por vultos, ruídos e indícios de uma anormalidade. O clima fez todos os pelos de Deokhye arrepiarem-se em uma reação intuitiva, mas ela não deu atenção ao próprio receio e medo que sentia em dado instante. Afinal Lola estava machucada. De algum modo a porta havia desaparecido e estavam em um local completamente deserto em dado momento, mas os ruídos provinham de todos os lados, eram como se milhares de vozes se unissem formando um coro de sofrimento e lamentações. Aquilo a aterrorizava. “Você precisa se curar ou não vamos poder seguir. Ok. Você não vai morrer, Lola.” Eun indicou, quase erguendo a Kim por completo antes de colocá-la sentada no chão. Se sentando também e observando Lola retirar os itens necessários da mochila, arqueando a sobrancelha ao receber um cubo de ambrosia até notar que, de fato, continha escoriações e arranhões pelo corpo e possivelmente iria observar hematomas surgindo pelo corpo caso não ingerisse a comida divina. De forma que quase engoliu o alimento, sentindo o gosto exato de um hambúrguer, o que quase levou-a a fechar os olhos.

“Estou ouvindo sim, Lola. Eu só quero achar sua mãe e ir logo embora, esse lugar é... horrível.” Eun indicou, erguendo-se após alguns instantes, incapaz de permanecer parada por muito tempo diante da agonia que sentia em dado momento. “Desculpa pelo casaco, as fúrias meio que rasgaram ele um pouco.” Murmurou após alguns segundos analisando o ambiente, sentindo o desconforto se propagar a cada instante que passava a ponto de não conseguir verbalizar o mesmo. “Sua mãe estaria onde? Onde você acha, no caso.” De imediato o ambiente a sua volta modificou-se, deixando uma evidente confusão instalada no rosto de Deokhye, que sinceramente não era capaz de compreender as profusões do submundo e possivelmente nunca iria compreende-las. Não que desejasse. Porém não podia impedir o medo que sentia em dado instante.

Agradecendo mentalmente quando Lola segurou a sua mão e a guiou pelo caminho, portando uma tocha de fogo grego – que não apagava – abrindo mais um espaço na lista de preocupações evidentes na mente da semideusa. Entretanto manteve-se calma, o máximo que podia, seguindo em proximidade a Lola e ouvindo o som dos passos mesclados a respiração de ambas pelo que pareceu serem horas. Mas a compreensão de que talvez o tempo transcorresse de forma distinta no mundo inferior fora o suficiente para acalmar uma das preocupações latentes de Eun, que possuía receio de ficar presa no submundo pela eternidade e viva. “Por onde vamos entrar no palácio?” Eun questionou após beber do silencio por mais alguns instantes, recordando-se que possivelmente o mesmo era bem guardado por monstruosidades que sequer gostava de pensar. Percebendo que a passagem sofrera uma transfiguração que culminava em um corredor feito de pedra. Assentindo ao ouvir as palavras pronunciadas por Lola a respeito de Perséfone, torcendo para que tudo ocorresse conforme o planejado. Ainda que se sentisse nervosa e com uma sensação ruim que se propagava pelo estomago à medida que avançavam cada vez mais no Hades.

“Lola eu não quero ficar presa aqui, para sempre. Sem ofensas.” Deokhye murmurou ao ouvir o aviso proferido pela amiga assim que saíram do passadiço adornado de paredes e uma iluminação precária, sendo surpreendida pela presença de um cão infernal, que rosnava de uma forma não muito amigável para ambas, exibindo os dentes e movendo o corpo em uma posição evidente de ataque. A Eun movimentou a mão em busca do chicote, consciente que usar dos punhos contra um cão infernal não seria a escolha mais óbvia e inteligente, ainda que desejasse o fazer devido à ausência de habilidade com a arma que portava. Entretanto uma mulher apareceu, trajando uma roupa anormal para se estar no submundo, afinal era um vestido de coloração escura e seus pés estavam descalços. E assim que seus lábios se separaram para anunciar coisas, Deokhye notou que se tratava de uma divindade, ainda que desconhecesse qual. Institivamente ela sabia que deveria permanecer quieta. Mesmo que sua vontade fosse questionar o que uma divindade desconhecida iria querer consigo.

Mas não o fez, apertando os dedos de Lola antes de deixa-la no submundo, rompendo a distância imposta entre ela e a divindade com determinadas doses de cautela. “Você não compreende a magia e tem dificuldade de aceitar as estranhezas mitológicas, eu sou Hécate, criança.” A mulher indicou, segurando-a pelo pulso e em um piscar de olhos o ambiente a sua volta sofreu de uma modificação que desconhecia, como se seu corpo atingisse uma velocidade exorbitante e o mundo desbotasse ao seu redor, provocando uma tontura que não teve tempo para desenvolver-se diante dos olhos que foram pressionados pela própria. Ao mover novamente as pálpebras vislumbrou um local desconhecido que se assemelhava a uma residência de coloração escura e decorada com tons roxos, a sensação de nervosismo ainda permanecia em um indicativo de que ainda estavam no submundo. “Minha residência, criança.” Eun assentiu, afastando-se de forma que julgava como discreta e em um respeito mudo que parecia gerar risos em tal divindade.

Ao extremo da sala uma presença mostrou-se presente: tratava-se de uma mulher de pele alva e cabelos claros, cacheados, olhos dourados e bochechas salientes. Por breves instantes Eun Deokhye achou que se trava da presença da própria mãe, entretanto as demais características em nada combinavam com a da figura materna senão o rosto. Existia algo especial em torno de tal mulher, que emitia uma iluminação anormal do próprio corpo e o poder que provinha da mesma parecia terrivelmente família a Eun. O desejo presente na semideusa resumia-se em aproximar-se de tal calor e ali permanecer, entretanto não o fez por motivos óbvios, consciente de que se tratava de uma divindade. “Olá, querida. Eu sou Eos, você deve ter ouvido falar. Sei que seus conhecimentos mitológicos são bons.” Deokhye assentiu, sem compreender ao certo o motivo de tal divindade querer contato com ela, visto a diferença evidente entre ambas. A postura e voz de Eos transmitiam uma calma adornada de sabedoria, enquanto Eun aproximava-se do caos e tensão. “Sua mãe cresceu e teve filhos, parece que foi ontem que a tive. O tempo passa com rapidez, ela sequer foi para o acampamento.” A divindade lamentou, envolvendo um dos cachos com a mão e entreabrindo um sorriso doce para Eun, que permanecia estática, a compreensão das palavras pronunciadas lhe soando como um loop infinito. “Queria que soubesse disso, querida. Que você também carrega meu sangue e meu legado, transmitido por sua mãe... é uma pena que...”

A deusa cortou o fluxo de palavras pronunciadas, sacolejando a cabeça de um lado a outro e crispando os lábios em uma repreensão evidente e que Eun sequer prestava atenção. De súbito uma iluminação anormal preencheu a visão da Eun, que teve a percepção de ouvir palavras de despedida e um indicativo de que Lola precisava dela. A luz a fez fechar os olhos e mover a destra para proteger-se do mesmo. Assim como um calor anormal a envolveu, o choque a impedia de mover-se o pensar no que se tratava tudo aquilo, entretanto da mesma forma que o calor e iluminação apareceram também sumiram, trazendo novamente a sensação de que algo estava errado e o clima gélido presente no submundo. Ao abrir os olhos teve um vislumbre de Lola, ainda que seus olhos estivessem acostumando-se novamente a ausência de claridade em comparação a excessiva experimentada anteriormente. “Lola, você encontrou sua mãe?” Questionou, deslizando os dedos pelos olhos em uma tentativa de faze-los se ajustar a iluminação presente no local.

A ausência de resposta parecia mais como um indicativo que Lola ainda não encontrará Amélia, entretanto uma nova voz – desconhecida e com doses de uma frieza doentia – manifestou-se, enviado um arrepio involuntário que percorreu o corpo de Deokhye, que ensaiou alguns passos para trás. Abrindo os olhos e apoiando-se em Lola ao focalizar a imagem que era captada por seus olhos: Amélia estava presa, de algum modo, trajando um vestido branco e que adquiria um tom avermelhado... Ao seu lado estava Perséfone com determinadas doses de sadismo presente em seu rosto. Eun compreendeu a vingança por trás de tal expressão. Aquela Deusa que Lola enchia a boca para chama-la de vovó com graus de um orgulho evidente torturava Amélia e Lola por um erro que duvidava ser de ambas. O choque que perpassou por Eun em dado momento não permitiam que seu cérebro conseguisse processar informação recebida com precisão. E, de modo anormal, a semideusa vislumbrou a sequência de ações decorridas, ouvindo a própria voz gritar e o corpo debater-se ao ser preso, assim como uma eletricidade ser produzida em decorrência ao desespero que sentia. Mas parecia observar o que decorria de fora, como se sonhasse com o cenário de caos a sua frente e não como se o vivesse de fato.

A única coisa que a mantinha ligada ao próprio corpo parecia tratar-se da sensação de enjoo em seu estomago e ódio que sentia por tal divindade, contrastando pelos sentimentos positivos que sentia por Amélia e Lola. Ela vislumbrou quando o contrato fora firmado através do sangue de Lola e como o preludio da tempestade realmente tornou-se uma. Sua voz não mais tinha som diante dos gritos verbalizados e do pânico crescente em seu peito, que se unia em um sentimento que Deokhye sequer era capaz de nomear. Não haviam lagrimas. Mas a dor estava lá e crescendo em uma parábola, espalhando a sensação de que tudo daria errado e, de fato, deu.

Amélia estava morta e Lola amaldiçoada, presa em uma imortalidade condicionada e que passaria a ser colorida com sangue. Deokhye sequer conseguiu mover-se, novamente falhando com aqueles com quem possuía uma dívida de vida.

Armas:
• Faca de Bronze Celestial [ Uma faca de lâmina curta - cerca de 10 cm - com cabo em madeira envolvido em couro para tornar o manuseio melhor. | Não produz feridas em mortais. | Bronze celestial, madeira e couro. | Sem espaço para gemas. | Alfa. | Status 100%, sem danos. | Comum. | Nível 1. | Item inicial. ]

+ Camiseta laranja do Acampamento Meio-Sangue/Camiseta roxa do Acampamento Júpiter.

+ Colar de contas do Acampamento.

• Chicote de Nero [Um chicote laminado, que possui no máximo 5 metros e que pode facilmente machucar tanto você quanto seus aliados caso seja utilizado de maneira incorreta, possui uma coloração vermelho-sangue e inicialmente possui um metro de comprimento. Quando segurado por seu legitimo dono os efeitos do chicote são liberados para o uso. | Efeito 1: O chicote pode aumentar, ficando com no máximo 5 metros, assim como qualquer metragem intermediaria entre 1 metro e 5 metros. Efeito 2: O chicote pode ficar quente como fogo, ao longo da sua extensão, podendo provocar danos e queimaduras, entretanto tal efeito irá durar apenas dois turnos e só pode ser ativado uma vez por missão, evento e/ou mvp. | Ouro imperial. | Sem espaço para gemas. | Beta. | Status 100%, sem danos. | Mágica. | Arsenal do acampamento]
Poderes de Zeus:
Ativos:
Nome do poder: Intimidação
Descrição: A prole de Zeus/Júpiter possui um olhar penetrante e, quando enfurecido, os olhos da prole tornam-se – aparentemente – elétricos avisando a inimigos que um golpe logo irá ocorrer. E, quando isso ocorre, o próximo golpe do semideus causa +10 de dano.
Gasto de Mp: -10 de MP
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: +10 de dano.
Dano: Nenhum.
Extra: Nenhum.

Nome do poder: Parentesco I
Descrição: Assim como águias, as unhas do semideus tornam-se quase impossíveis de quebrar, afiadas e grandes (até 5 cm), podendo arranhar e ferir semideuses, mesmo que superficialmente.
Gasto de Mp: - 5 de MP por turno que estiver ativa.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: Nenhum.
Dano: - 25 de HP.
Extra: Nenhum.

Nome do poder: Geração de eletricidade I
Descrição: Uma habilidade especial da prole de Zeus, pois trata-se de um dos elementos mais indomáveis e imprecisos da natureza: o trovão. Nesse nível, o indivíduo é capaz de gerar pequenas cargas nas palmas das mãos, mas ainda não pode manuseá-la livremente. Limita-se então à ligar aparelhos eletrônicos e luzes, ou causar pequenos choques ao contato.
Gasto de MP: 10 de Mp
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: 10 de dano se encostar em alguém, podendo dobrar caso a vítima esteja molhada ou com fissuras na pele
Extra: Nenhum

Nome do poder: Corpo Eletrizado
Descrição: O filho de Zeus/Júpiter consegue criar uma pequena camada de energia sobre o corpo, fazendo-o ficar eletrizado ao redor, e soltar pequenas faiscar. Qualquer poder ativo jogado contra o semideus quando ele estiver nesse estado, será diminuído no dano em 10%, e esse dano de 10% será rebatido contra quem o lançou. Nesse nível o semideus precisa de um gerador de energia ou descarga para conseguir ativar o poder, uma força extra, que serve como bateria para “ligar” o campo eletrizado.
Gasto de Mp: 20 MP por turno ativo
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: 10 HP para quem tocar o semideus, ou for atingido + 10% de dano caso o semideus seja atingido por poderes ativos do oponente.
Extra: Só consegue manter o campo ativo por 3 turnos.

Nome do poder: Electric punch
Descrição: Na ausência de armas o semideus pode criar uma grande carga elétrica em suas mãos, semelhante a uma luva de boxe, que percorre o punho do semideus e o torna ainda mais forte. Essa descarga ao atingir o corpo do inimigo – como um soco do semideus, sim, ele precisa socar o oponente para que funcione – além de ter o impacto do soco, descarrega a energia do punho para o corpo do oponente, impedindo-o de conseguir disparar poderes ativos no turno seguinte.
Gasto de Mp: 40 MP
Gasto de Hp:Nenhum
Bônus: O oponente não conseguira usar poderes ativos ou que precisem de mira durante um turno (o próximo).
Dano: 20 do soco + 40 da descarga elétrica, totalizando 60 HP.
Extra: Nenhum
Passivos:
Nível 1
Nome do poder: Respiração
Descrição: Os filhos de Zeus/Júpiter não são afetados por grandes altitudes, e assim como os filhos de Poseidon respiram embaixo da água, eles respiram sobre o ar – literalmente – podendo chegar a altitudes elevadas sem ser prejudicado pela pressão do ar, ter sua respiração afetada. Eles respiram naturalmente.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Consegue respirar normal em grandes altitudes
Dano: Nenhum

Nome do poder: Imunidade parcial
Descrição: A prole de Zeus/Júpiter, por ser prole de tal divindade, possui uma resistência mais acentuada contra eletricidade podendo suportar descargas altíssimas sem acabar falecendo, no entanto o mesmo não é imune a eletricidade. De maneira que, uma descarga que poderia matar um ser humano, apenas deixa a prole de Zeus/Júpiter fora de combate por alguns turnos (a depender da descarga recebida e do narrador).
Gasto de Mp: Nenhum.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: Nenhum.
Dano: Nenhum.

Nível 2
Nome do poder: Ouro Imperial
Descrição: O ouro imperial é o material perfeito para Zeus/Júpiter, o olimpo é feito de ouro, suas armas são feitas de ouro, e se duvidarmos, Zeus/Júpiter reluz em ouro. Com isso, os filhos de Zeus/Júpiter ganham um bônus de batalha ao lutarem com armas feitas de ouro imperial, pois tem facilidade em lidar com elas.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Quando o semideus lutar com armas feitas de ouro imperial ganha +10% de força
Dano: 5% de dano a mais se o adversário for acertado pela arma do semideus.

Nível 3
Nome do poder: Seguido
Descrição: Naturalmente a prole de Zeus/Júpiter possui uma aura de líder que faz com que os campistas e demais semideuses aliados os sigam naturalmente, esperando ordens e afins. No entanto, vale ressaltar que, dificilmente campistas de nível superior ou com grande força mental sejam afetados.
Gasto de Mp: Nenhum.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: Nenhum.
Dano: Nenhum.

Nível 4
Nome do poder: Pericia com Espadas I
Descrição: Os filhos de Zeus/Júpiter são excelentes esgrimistas, e eles aprendem a manejar uma espada com uma tremenda facilidade. Mesmo sem nunca ter pego essa arma, conseguira usa-la para estocar e se defender, mas nesse nível ainda comete erros, e dificilmente acerta pontos críticos em seu adversário, também pode acabar sendo desarmado.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +35% de assertividade no manuseio da espada.
Dano: + 15% de dano ao ser acertado pela arma do semideus.

Nível 5
Nome do poder: Comunicação
Descrição: O filho de Zeus/Júpiter tem capacidade de se comunicar com aves, e águias, podendo conseguir informações com elas com mais facilidade. Essa habilidade também lhe permite falar com espíritos dos ventos mentalmente, e ao entende-los, você também consegue extrair as coisas deles, favores, e informações com uma facilidade tremenda.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Pode conseguir informações com aves e espíritos dos ventos.
Dano: Nenhum

Nível 6
Nome do poder: Cura Elétrica I
Descrição: Ao entrar em contato com uma corrente elétrica baixa o suficiente para deixar um semideus comum atordoado o filho de Zeus/Júpiter poderá se curar. (Só pode ser usado uma vez a cada 3 turnos e a cura só ocorre se a corrente/eletricidade que entrar em contato com o semideus seja igual ou menor a 20mA).
Gasto de Mp: Nenhum.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: Recupera +25 de HP.
Dano: Nenhum.

Nível 7
Nome do poder: Proteção
Descrição: Ao entrarem nos domínios dos céus a prole de Zeus/Júpiter será protegida, diminuindo as chances de que algum acidente aéreo ocorra, assim como monstros terão mais receio em atacar tal semideus em pleno ar.
Gasto de Mp: Nenhum.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: Tal poder funciona apenas quando o semideus está viajando pelo ar, seja em aviões, pégasos ou outro meio de transporte..
Dano: Nenhum.

Nome do poder: Queda
Descrição: Mesmo se o semideus despencar de grandes altitudes a respiração do mesmo não será alterada, assim como os impactos gerados pelo ar não irão incomoda-lo, entretanto tal poder não irá servir para livra-lo do impacto com o solo/água.
Gasto de Mp: Nenhum.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: Nenhum.
Dano: Nenhum.

Nível 8
Nome do poder: Pericia com lanças I
Descrição: O semideus filho do rei do Olimpo tem certa naturalidade ao lidar com lanças, mesmo sem nunca ter lutado com essa arma, ele será bom em maneja-la, ou lança-la contra adversários, mesmo que nesse nível ainda cometa erros.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +35% de assertividade no manuseio da espada.
Dano: + 15% de dano ao ser acertado pela arma do semideus.

Nível 9
Nome do poder: Respeito
Descrição: Por onde quer que vá o filho de Zeus/Júpiter será respeitado, seu pai é o senhor do Olimpo, o que o torna quase um príncipe na terra. Isso faz com que de certa forma o semideus empunha respeito, podendo chegar a ser temido pelos demais campistas, ou invejado. Entretanto tal poder dificilmente irá funcionar com individuos de nível elevado ou força mental forte.
Gasto de Mp: Nenhum.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: Pode fazer um inimigo hesitar durante o primeiro turno, evitando atacar diretamente.
Dano: Nenhum.

Nível 10
Nome do poder: Lider I
Descrição: Assim como os filhos de Afrodite são capazes de persuadir pela sedução, os filhos de Zeus/Júpiter tem a capacidade de convencer as mentes mais fracas a segui-los e "acatar" suas ordens graças ao talento em liderar. É, claro que há um limite, alguém certa imunidade aos controles mentais - por exemplo - não será facilmente persuadido. Sendo que dificilmente irá funcionar em um filho de Athena calmo e pleno. Entretanto poderá ter efeito caso estejam em meio a uma batalha ou sofrendo de emoções fortes.
Gasto de Mp: Nenhum.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: Nenhum.
Dano: Nenhum.

Nível 11
Nome do poder: Tempestades
Descrição: Por ser prole de tal divindade o semideus não é afetado por tempestades de raios e afins, não sendo afetado pela mesma. Criando uma espécie de resistência. Poderá lutar numa tempestade tão bem quanto lutaria sem elas.
Gasto de Mp: Nenhum.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: Não é prejudicado por tempestades comuns, de nuvens, chuva, tempestades de raio, mas ainda pode acabar se ferindo.
Dano: Nenhum.

Nível 12
Nome do poder: Força I
Descrição: Zeus/Júpiter é um deus que tem uma força superior a boa parte dos outros deuses, chegando a ser comparado com Ares. Seu irmão, Hércules, era um dos semideuses mais fortes a ser conhecido, e assim como ele você adquire uma força superior a boa parte dos campistas.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +15% de força
Dano: +10% de Dano se o ataque do semideus atingir.

Nome do poder: Respiração
Descrição: O filho de Zeus/Júpiter é mais resistente que a maioria dos campistas, e dificilmente fica cansado em batalha, podendo aguentar treinamentos mais árduos, e batalhas mais longas sem necessidade de parar.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +20% de resistência em batalha
Dano: Nenhum

Nível 13
Nome do poder: Antigravidade
Descrição: Os céus conspiram a favor do filho de Zeus/Júpiter, de maneira que, ao entrarem em queda livre, mesmo em grandes alturas, será como se a velocidade da queda fosse amortecida pelo ar, desacelerando e, consequentemente, diminuindo o impacto da queda.
Gasto de Mp: Nenhum.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: Ao cair de grandes altitudes os ventos podem lhe servir como aliados, fazendo a queda ficar mais lenta, o impedindo de morrer.
Dano: Nenhum.

Nível 14
Nome do poder: Visão
Descrição: A prole de Zeus/Júpiter em tal nível torna-se imune a ventanias e afins, em relação os olhos. Podendo enxergar mesmo com ação forte dos ventos ou no meio de uma tempestade de raios ou chuva forte. A visão do semideus continua funcionando normalmente, como se estivesse em mais um dia normal de sol.
Gasto de Mp: Nenhum.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: Nenhum.
Dano: Nenhum.

Nível 16
Nome do poder: Velocidade I
Descrição: Os filhos de Zeus/Júpiter lidam com raios e tempestades, e sabe que a velocidade de um raio, assim como a de Zeus/Júpiter é vantajosa. Os filhos de Zeus/Júpiter são mais rápidos que a maioria dos campistas, e chegando a se assemelhar a velocidade dos filhos de Hermes.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +15% de velocidade
Dano: Nenhum

Nome do poder: Pericia com Espadas II
Descrição: O filho de Zeus/Júpiter evoluiu conforme seu treinamento, agora consegue executar esquivas, atacar e defender com a arma com uma vantagem impressionante, diferente de campistas que não tem esse dom natural com a arma. Além disso, seus movimentos parecem mais elaborados.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +70% de assertividade no manuseio da espada.
Dano: + 30% de dano ao ser acertado pela arma do semideus.

Nível 18
Nome do poder: Lider II
Descrição: Zeus/Júpiter é o rei dos deuses, e sua capacidade de liderar inspira confiança, assim como seu pai, o seu herói inspira essa aura que fazem as pessoas quererem te seguir, lutar por você. O que também gera uma grande capacidade de manipular as coisas ao seu favor, inspirando as pessoas a te seguirem, lutarem por você, e com você.
Gasto de Mp: Nenhum.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: Pode inspirar um exercito com palavras.
Dano: Nenhum.

Nível 19
Nome do poder: Cura Elétrica II
Descrição: Indícios de eletricidade significam restauração e força para o filho de Zeus/Júpiter. Agora, ao entrar em contato direto com ela, o semideus consegue restaurar uma parte maior de sua energia, feridas maiores começam a se fechar e viram pequenas cicatrizes, além disso, as feridas menores desaparecem por completo, e uma parte de sua energia é restaurada. (Só pode ser usado uma vez a cada 3 turnos e a cura só ocorre se a corrente/eletricidade que entrar em contato com o semideus seja igual ou menor a 20mA).
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Recupera +50 de HP e 10 de MP
Dano: Nenhum

Nível 20
Nome do poder: Pericia com lanças II
Descrição: Conforme seu treinamento, o semideus adquiriu uma perícia ainda maior ao lidar com lidar com lanças, além de perceber que tem certa facilidade ao lutar com elas. Além de conseguir lançar, atacar e se defender, agora também consegue fazer movimentos mais elaborados, o que o impede de se machucar.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +70% de assertividade no manuseio da lança.
Dano: + 30% de dano ao ser acertado pela arma do semideus.

Nível 21
Nome do poder: Pericia com Espadas II
Descrição: O filho de Zeus/Júpiter virou um excelente espadachim, além de atacar e defender com a arma, dificilmente é desarmado, e ainda por cima consegue tirar as armas das mãos dos oponentes. Com a espada o semideus se torna quase imbatível.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +100% de assertividade no manuseio da espada.
Dano: + 35% de dano ao ser acertado pela arma do semideus.
Poderes de Eos:
Ativos:
Nome do poder: Sol
Descrição: O filho de Eos/Aurora pode fazer uma luz intensa e doura emanar por todo o seu corpo em um momento de emergência. A luz pode ser útil para iluminar o caminho/local ou até mesmo causar dificuldade de visão no oponente.
Gasto de Mp: 15 de MP por turno que tal habilidade permanecer ativa.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: Nenhum.
Dano: - 20 de HP.
Extra: Nenhum.
Passivos:
Nível 1
Nome do poder: Bela Alvorada I
Descrição: Os filhos de Eos/Aurora se assemelham a anjos – no quesito beleza – durante as primeiras horas do dia. Eles parecem emitir um leve brilho dourado em contato com a luz do sol nascente o que pode causar certa hesitação diante de uma batalha.
Gasto de Mp: Nenhum.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: Nunca será a primeira opção de ataque do inimigo.
Dano: Nenhum.

Nome do poder: Perícia com Arcos I
Descrição: A deusa possui uma aparência meiga e jovial, por isso é comum associarmos tal divindade a armas leves e de longa distância – como o arco –. Por isso, seus filhos herdam um tipo de perícia com essa arma, podendo manuseá-la de forma eficaz.
Gasto de Mp: Nenhum.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: +20% de assertividade.
Dano: +5% de dano da arma.

Nível 2
Nome do poder: Sempre Despertos
Descrição: As crias de Eos/Aurora têm imunidade contra poderes que causam sonolência de pessoas que tenham até três níveis a mais. Isso se dá porque a deusa do amanhecer é a responsável por tirar os mortais e animais de seu sono durante o amanhecer, sendo assim, seus filhos são resistentes a poderes de sonolência.
Gasto de Mp: Nenhum.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: Esse poder só tem efeito enquanto o sol está no céu. Durante a noite poderes desse tipo continuam tendo efeito.
Dano: Nenhum.

Nível 3
Nome do poder: Afinidade com cavalos
Descrição: Eos/Aurora é descrita saindo dos mares em uma carruagem puxada por cavalos. Por isso, seus filhos possuem certa afinidade com os eqüinos, compreendendo-os e podendo até conseguir favores.
Gasto de Mp: Nenhum.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: Não significa que eles irão lhe obedecer, apenas que você pode tentar convence-los a lhe ajudar.
Dano: Nenhum.

Nível 4
Nome do poder: Pontualidade I
Descrição: Eos/Aurora é sempre pontual com o amanhecer e por isso, seus filhos possuem uma perfeita noção de tempo. Em um estágio primário de seu dom, você é capaz de manter-se atento aos prazos que lhe são estipulados.
Gasto de Mp: Nenhum.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: Nenhum.
Dano:Nenhum.

Nome do poder: Musicalidade
Descrição: Os filhos de tal deusa possuem uma ótima voz, soando sempre afinados e com perfeito ritmo. Uma voz tão boa assim poderia distrair praticamente qualquer criatura.
Gasto de Mp: Nenhum.
Gasto de Hp: Nenhum.
Bônus: Nenhum.
Dano: Nenhum.
◦◦◦


It's our nature. We destroy. It's the constant of our kind. No matter the color of blood, man will always fall.
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Eun Deokhye
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Re: [in]different

Mensagem por Hélio em Qua Jan 31, 2018 11:23 pm


Eun Deokhye


Método de Avaliação:

Valores máximos que podem ser obtidos

Máximo de XP da missão: 5.000 XP

Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

Realidade de postagem + Ações realizadas: 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc: 15%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência: 30%

RECOMPENSAS: 4.750 XP + 4.750 Dracmas

Comentários:
Você se saiu bem, apesar dos pesares. Li de relance a postagem da Lola para tentar entender um pouco e, após isto, me situei melhor no ambiente e cena. Honestamente, esperava mais da descoberta que foi rápida e simples (ao modo dos deuses). Imagino então que a situação será melhor explorada em uma postagem futura. Ainda assim, você cumpriu com o proposto e não julgo certo vetar-lhe o legado desejado. Os pontos foram descontados mais pelos erros de digitação e uma repetição excessiva da conjunção adversativa "entretanto".

Atualizado.





"He shines upon men and deathless gods, and piercingly he gazes with his eyes from his golden helmet"
☀️
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Hélio
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Re: [in]different

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