The Blood of Olympus
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Mensagem por Lucca Hjelm-Østergaard em Qua Nov 01, 2017 10:44 pm

A RP passa-se após a saída da dupla na festa de aniversário das três campistas. Não serão permitidos a intervenção de terceiros. O clima está nublando e ocorre no hospital mais próximo da residência de Bella, prole de Afrodite.

Lucca & September


Lucca prezava em longos intervalos o silêncio.

Uma ação ininterrupta no entanto também, totalmente necessária. Ação que geralmente também congestionava o cérebro do semidivino, desviando para as fronteiras a busca de um caminho acessível e mais calmo para andarem. O sussurro de September no entanto, parou os passos do mais velho fazendo com que os olhos perdessem a frequência simplória de observação. Os lábios torçeram num franzir incomodado ao comentário, pois jamais vira ser humano algum sentir tristeza de si mesmo. No cerne daquela existência, amor algum deve faltar a você mesmo. Eram palavras expurgadas sem comodidade física ou mental. Lucca manteve essa sonora lembrança apenas para guardar de que estava diante de alguém de ética totalmente contrária. Com a cabeça baixa do outro, pediu sucintamente a ele mesmo que não encarasse seu rosto.

Por que você está girando? A pergunta saltou fazendo as íris enormes e castanhas voltarem-se em direção do companheiro. Para Lucca a órbita da Terra estava girando perfeitamente sem o mover dali, naquele único pontinho habitado pelos dois. Ficou de boca aberta tentando elaborar algum tipo de frase justificada, mas nada excedeu para a sua voz. Foi algo que realmente o deixou em dúvida sobre como responder. As pálpebras então desceram conformemente sentia o corpo se mover levando consigo parte de seu ombro. O semideus não sabia que aquela desafortunada postura estivesse evidenciando uma queda tranquila e silenciosa. Lucca estava seguindo os ângulos, sem reclamar, sem se declarar. 

Até o simples instante que September parece desabar contra o meio fio.

As mãos do loiro tentaram afoitamente suportar o peso, mas foi tão rápido o gesto e tão elaborada queda que nem mesmo Hjelm que estava bem próximo conseguiu evitar a colisão. Os olhos da prole da Thanatos se abriram amplamente em larga escala exibindo uma pupila brilhante e visível de imparcialidade. A estatura foi diminuída logo não tardando em grudar um dos joelhos contra o concreto, levando ambas as mãos ao conforto do tecido do blazer escuro pertencente ao rapaz o levantando lentamente do chão. Nesse segundo também não evitou que aplicasse uma pressão baixa e o sacudisse lentamente querendo acordá-lo :

— September. - Sua voz soava efetivamente contra o vento. A cada sobrecarga aspergida contra o ar, arrastavam para longe sua frase e sua expressão. Com a ausência da reação do conhecido, Lucca ficou mais pálido sentindo os palpitares ainda persistentes em se frizarem. Os dígitos passeavam lentamente pelo pescoço alheio até alcançar a nuca para erguer o crânio para próximo. Como filho do deus da morte, ele sabia que conseguia sentir a intensa batida do coração do outro semideus. A frequência ia e vinha e sabia que estava respirando. Mas deparando-se com tamanha surpresa, ele não poderia negar que a força predominante de Thanatos o correspondesse em frases desconexas em relação a vida do sujeito. Concluiu que não era a hora dele. Hora que sua alma deveria partir e se dissipar da existência. Tocou o pulso leve e viu que foi um enfraquecimento, tentando levantar-se com mais lentidão para que facilitasse a locomoção. Lucca era um total leigo ao que se refere à vida. Depois que retirou os números de sua vida, tornava-se extremamente trabalhoso opinar sobre a vinda de outrem. De qualquer forma, ele precisava ao menos achar algum hospital. Mal sabia como executar uma cura sozinho.

***

No final das contas, as coisas não eram graves. A necessidade imposta foi que ele permanecesse deitado ali terminando a bolsa de soro pendida em poucos centímetros acima da cabeça. O tubo receptor daria mantimento a sua pressão e limpeza a respeito do álcool. Lucca estava sentado sob uma das cadeiras, observando a janela aberta e a gata que mexia-se com dois filhotes abaixo da única árvore da instituição. Ela exercia uma função carinhosa e parental sob todos eles ao passar de cabeça em cabeça, a língua áspera e seca. Os menores pareciam sorrir, de olhos fechados e cabeças levemente pendidas para frente. Lucca via algo estranho naquela relação tão amorosa, um tipo de atração que o forçava observar por um pouco mais de tempo. Testou a mesma sensação ao olhar o corpo estirado logo atrás na maca e sentiu um tipo de gravitação similar. Os pés moveram-se próximos e então o loiro estende os dedos contra o mesmo braço correspondente do rapaz pressionando levemente. Como era frio, pensou. Prendendo a respiração, contornou o desenho braçal até morrer em um dos dedos ainda reflexivo sobre o possível cotidiano de September. Nem ao menos recordava-se de já tê-lo visto no Acampamento. 

Em diversas deduções, Lucca finalmente sentiu o braço do rapaz se mover despertando. Os olhos que estavam tão compenetrados a contemplá-lo, necessitaram se refugiar para um lugar distante procurando um assunto para iniciar a justificativa de estar praticamente grudado naquele leito :

— Você ainda receberá alta hoje. - Falou em tom baixo como se o confiasse a informação. — Foi uma fraqueza temporária… - Aliviou a pressão da voz ao encostar ambas as nádegas no assento da cadeira, cruzando os braços na altura do peito. Inspirou com certa dúvida receando que o rubor de sua pele estivesse em evidência. Por fim, optou por observar o movimento das enfermeiras pelos corredores :

— Desde quando e a qual proporção você bebe? - Desta vez fez questão de fitá-lo, encostando meia parte do pulso contra o colchão duro. — Eu sei que nunca vi você. Mas mesmo assim a minha cabeça fica insistindo que eu já o conheça. - Lambeu os lábios repousando o queixo contra o plano liso o fitando. Parecia estar com a consciência mais devagar por causa da pancada. Sabido disso, o semideus não poderia ser tão apressado. Tamborilando pensativo, Lucca torna a observar a paisagem vinda de fora e o vento embargado e frio trago pela mudança dos horários. Eles precisariam voltar para o Acampamento antes que fosse o dia seguinte. Tinha certeza disso. Ligando os pontos, ele era muito mais cidade do que irreal que aquele lugar. Era como se fosse algo mais sólido, uma realidade que na imaginação do rapaz ainda não revelada.

De onde você é, September?





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Re: [RP FECHADA] Close again

Mensagem por September Leif D'Ovidio em Sex Mar 09, 2018 4:32 am


don't speak, just use your touch.


TUDO ERA TÃO BRANCO E LEVE QUE SEPTEMBER SOUBE IMEDIATAMENTE
identificar como irreal, afinal, sua vida parecia seguir um rumo contrário a qualquer coisa que lhe garantisse uma paz a longo prazo, como ele sentia naquele instante. E se toda aquela aura pacífica e iluminada não fosse o suficiente para indicar que tudo estava dentro da cabeça do menino, as pessoas que surgiram por ali daria tal certeza. Eram duas. Apenas duas. As únicas duas que ele desejava ver. E era tão bom vê-las ali, em seu temporário universo de paz. Não havia barulhos ali, o ar sequer parecia soprar - e não era como se fosse necessário. Para todos os lados havia um branco quase cegante e era como se não houvesse nenhuma dimensão ali. Era como um infinito, patético, mas particular.

E havia eles dois ali - e eles pareciam gostar do infinito de September.

— Eu sinto sua falta —, ele sussurrou para ninguém em especial. Mas suas palavras garantiram dois sorrisos ante os seus olhos. Um dos sorrisos era largo, cheio de dentes, exibindo-se como se aquelas fossem as melhores palavras que alguém pudesse ouvir. Este acompanhava traços feminino jovial, congelados no tempo, afinal, a imortalidade de sua juventude tomou seu início no instante em que sua vida na terra findou. ____________Mamãe.

O segundo sorriso já não era tão receptivo quanto o da mulher. Era um sorriso que assombrava September, fazia seu coração apertar ao ponto de fazê-lo sentir sufocado. Um pequeno sorriso, quase tímido, como se escondesse algum segredo suculento no canto dos lábios curvados. Matthew encarava a seu velho-melhor-amigo com um certo cuidado, talvez, descontentamento. Devia-se ao fato de ver o quão magricelo September aparentava? Tão apático e de aparente fragilidade. "Não está sabendo viver a própria vida, bobalhão", D'Ovidio conseguia ouvi-lo falar, mesmo que som nenhum saísse por entre seus lábios.  
Os lábios!
Eram cor-de-rosa, e eram finos, e parecia tão bonitos ali. E quanto mais encarava, mais próximos eles pareciam. Mais nítidos. Mais reais. E uma vez próximo demais, September pode sentir - um toque. Mas não era nada comparado a um toque tenro de lábios, era mais preciso e real. A sensação daquele toque se estendia por seu braço, mas ele não sabia identificar qual deles, apenas sabia que era ali. E de súbito, era como se aquele toque fosse a única coisa existente para September. Trazia consigo os sons que o menino não ouvia outrora, como passos abafados e ruídos desconhecidos. E o garoto pode sentir mais; sentiu o próprio corpo, fraco e esticado sobre algo pouco confortável mas que parecia o sustentar bem. Sentia também algo formigar na dobra do seu braço destro, movendo-o por impulso - e foi ali que viu-se obrigado a despertar para a realidade.

Os olhos lutaram para se adaptar a claridade que o ambiente possuía. A pele parecia acolher para si todo o frio que cercava o lugar. E na medida que a desorientação cessava, D'Ovidio percebia a familiaridade do pouco conforto característicos de macas hospitalar e o incômodo que se concentrava em seu braço ser nada além de uma injeção intravenosa.

Ele estava em um hospital, ok, havia entendido isto.
O que ele tardou em entender foi uma presença bem próxima do seu leito. Nitidamente, não era um médico - ainda que este pronunciasse imediatas orientações sobre o quadro de saúde do garoto e sua liberação. A voz brincava na mente da prole de Hades - ele conhecia aquela voz, realmente conseguia se lembrar disto. Mas, sua mente não conseguia achar uma resposta para o motivo daquela voz ainda estar ali. — Lucca... — ele balbuciou, com um certo sorriso satisfeito nos lábios. E quando os seus olhos conseguiram focar na figura que de súbito tomou como assento uma cadeira próxima, D'Ovidio tornou a sorrir um pouco mais visivelmente. Ele ainda estava ali, o garoto pensou - naturalmente surpreso com aquilo. Ninguém jamais havia ficado. September já havia aprendido a ver as pessoas irem, sabia que eventualmente, todas elas iam.

Então... por que Lucca não havia ido?

Ele não parecia alguém que estava disposto a ir, e September não conseguia deixar de olhá-lo - como se numa piscada descuidada e ele fosse desaparecer dali. E enquanto o olhava, Lucca falava. Fazia questionamentos que traziam certo pesar na mente de D'Ovidio. Mas foi um sentimento que não durou tanto. No lugar deste veio algo que era intenso demais para que o menino soubesse identificar; ele só sabia que fazia seu estômago embrulhar um pouco e fazia seu corpo usualmente gélido se aquecer - e isto devido as palavras de Lucca:

Eu sei que nunca vi você. Mas mesmo assim a minha cabeça fica insistindo
que eu já o conheça.


A boca do semideus que ainda se encontrava deitado pareceu secar. Seus olhos permaneciam devotos a visão do outro a sua frente, estudando com atenção cada movimento que provinha dali, enquanto a atenção dele pareceria dirigida a algo além do quarto de hospital. Com uma ligeireza quase animalesca, a captura do pulso de Lucca que se encontrava sobre o colchão fora realizada com ansiedade, assim que o outro se deu conta disso. Os dedos magros de September cercavam-o com curiosidade pelo toque, o impulso de puxar aquela parcela braçal alheia para mais próximo crescendo em si. Ele sabia que fazia bastante tempo desde que se viu tão confortável e próximo de alguém daquela maneira - e quando o alguém é um desconhecido, tudo soa perturbadoramente frágil, como se no primeiro toque errado e tudo fosse ruir.

Simplesmente problemático.

— Nós conhecemos agora — o moreno resmungou, forçando um sorriso preguiçoso em seus lábios seguidamente. — E-eu sinto como se tivesse o perturbado, arruinando sua noite e o fazendo finalizá-la em um quarto de hospital — a língua passou por entre os lábios, umedecendo-os, ao mesmo tempo que o garoto fazia um esforço abrupto para se sentar sobre o colchão - o pulso alheio ainda laçado contra seu palmo.

— Devo me desculpar, por tudo, não é mesmo? — disse, desfazendo o aperto sobre a derme de Lucca somente para recuar com as duas mãos e projetá-las num formato de concha, onde afundou o próprio rosto e libertou um longo suspiro - um típico suspiro desgostoso de alguém que acabou de se dar conta do quanto havia causado transtornos.  
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Re: [RP FECHADA] Close again

Mensagem por Lucca Hjelm-Østergaard em Sex Mar 16, 2018 12:50 am

Em poucos segundos, Lucca teve a sensação que seu nome abobou o quarto mantendo-o calado. Havia certa angústia e ansiedade em ter nos ouvidos, a voz do outro semideus e uma vez tudo isso em devolução dera-lhe alívio. Por mais que também retribuísse o contemplar da prole de Hades, o filho de Thanatos insistia em ter algo que hipnotizava e não permitia manter o fluxo de suas conclusões. Por mais que houvesse uma grande força dentro de si para se esforçar a chegar a um rumo, os olhos dele deixavam Hjelm sem nenhum tipo de amparo. Não demorou muito para que ele soasse mais uma coisa inaudível extraindo o de cabelos dourados de sua esfera particular. O dinamarquês sustentou seus olhos contra uma outra imagem que também o arranca um impulso de susto. Uma sensação de frieza, de imutabilidade e extrema rigidez.

Seu pulso estava capturado pelos dedos que até então pensava estarem frágeis pertencentes a September. O comentário feito pela prole do deus infernal no entanto, não o faz esboçar uma reação ao toque apenas rindo coçando um dos glóbulos entorpecidos pelo sono. Certa quantidade de seu peso foi distribuído acima do leito, curvando o corpo agora reconhecendo os notáveis sintomas do cansaço. As íris perscrutam a face do outro admitindo um sinal negativo com o queixo, encostando o cotovelo recolhendo o braço tocado.

Com tanto gelo, este sentiu sua derme quente e marcada pelo rapaz. Lucca esboçou um muxoxo baixo, tocando o exterior do crânio na cadeira virando a face na direção da janela. As luzes pequenas que aos poucos tingiam o cômodo o induzia que o dia estava prestes a raiar novamente. As hélices do ventilador pendurado entre eles na parede, mostrava a face redonda e atenta. Seu som também transmitia sonolência e os músculos do mentalista relaxavam cientes disso :

— Eu não sei porque pensei que gostaria de ficar naquela festa. Som alto, pessoas bebendo… Isso jamais combinou comigo. - Os olhos se fechavam, pesando os concavos com prazer antes de soltar um suspiro vago. Quem diria que uma simples cadeira o deixaria com essa sensação de apego. Ainda com um palmo pousado contra o colchão, sentiu o relevo o despertar se endireitando lentamente para visar o mais velho. Mesmo de olhos pouco embaçados pela força imposta nas pálpebras ao se desligar rapidamente do ambiente, ele cria ter visto as mãos de D’Ovidio refugiarem seu rosto.

Este sumiço súbito de sua face deixará o mais novo aturdido, tentando reconhecer o real simbolismo daquilo. Foi quando notou que na verdade, as veias desse jovem estavam proeminentes e bem nítidas em tons de escalas claras e enfraquecidas. O esqueleto de seu palmo era sadio, grande e fino e o tom da sua pele dava a impressão de ser feito de porcelana. Como adoecer impunha uma impressão tão bonita aos olhos de Lucca e quão vigoroso é esse pensamento de tristeza. A contrapartida nesse momento, esse efeito foi se desligando como um motor fraco de função integral. Sua mão foi novamente a frente do corpo alcançando a palma o toque alheio fazendo sinais negativos. O semblante estava carregado por uma seriedade neutra. A voz esvai lenta, mostrando remorso algum sobre o curso da noite :

— Não, está tudo bem. Na verdade, agradeço por ter me tirado daquela baderna e de não termos voltado para o Acampamento. Além de que… Não me soa muito prudente deixar você sozinho. - Este se ergueu, abruptamente ajeitando a camisa de lã olhando-se contra o reflexo do vidro da janela encostada. Poderia começar a ficar calor. Sua garganta moveu-se com dificuldades caminhando lentamente para mais próximo, encostando os trajes dobrados antes customizados. Demorou-se a ajeitar isso, mas ao se afastar contra o beiral da porta encostando as costas para a direção do corredor, as íris de Lucca revezaram os rostos das enfermeiras e o corpo enfermo :

— A menos que queira que vá embora, ficarei aqui para aguardar. - Tocou o próprio ombro mordendo o lábio inferior de maneira dolorida, ao se tentar massagear. O movimento dos médicos fizeram-no se refugiar desta vez numa poltrona. Nenhum deles adentrou o compartimento. Porém apenas vendo que não iriam os interromper, permitiu Lucca concluir que antes de se sentar, empurrar a maçaneta completamente contra o fecho e deixar a porta fechada. O som ambiente hospitalar detivera-se abafado e ainda antes de alcançar as nádegas contra o sofá, enxergou um corvo transitar a linha crua da janela. Sua negritude tomou conta da atenção do adolescente :

— Lamento ser tão insistente com isso.   - O som da água injetada no filtro, fazia o ranger de abastecimento onde Lucca fixou o olhar tímido com seus pensamentos referentes ao outro rapaz. Os dedos se entrelaçaram acima do colo e um tamborilar demorado se fazia. Parecia pensar em alguma coisa. No que exatamente, não fazia a menor ideia :

— Eu sou filho de Thanatos. - O tom interrogativo extraia minuciosamente o sentido da frase. As sobrancelhas loiras do rapaz ficavam inalteradas com a tamanha ruga plantada na testa. Poderia não ter veracidade na seguinte informação, mas apenas em sentir a garganta dificultar suas palavras ganhou ciência da necessidade. — E devo dizer que você não morrerá agora. Nem daqui a meses, nem daqui há dois anos. - O próprio fitava instantaneamente seu pulso tocado. O calor contido, a força mediana e aquele tom de pele tão branco. Lubrificou os olhos designado a olhá-lo exibindo um sorriso sem dentes, mas sutil o suficiente para rir do próprio comentário. Parte dele era ironia outra, apoderamento impessoal. Somente a ideia de morrer e estar vivo para chegar a este ponto, agradava-lhe. Era um ritual que quiça assistir e presenciar.

O corpo involuntariamente tomou mais altura, o suficiente para o de fios dourados curvar a coluna sob o corpo do adoecido. A sombra estendia esplendidamente o contorno do corpo alheio e seus olhos estavam fixos aos dele, finos um pouco cansados e sonolentos. A mão que ampara o ombro deste, o chacoalha tentando levemente erguer esta região. Não fazendo muitos esforços para não machucá-lo, executa dois sinais positivos com a face. Sua risada foi mais notória neste momento :

— Eu não quero ter que levá-lo. Por isso, não tente partir tão cedo. Acredite… O meu desejo de assistir algo como morrer é fora do comum. No mesmo instante que olho para você… - O dedo indicador patenteia o oxigênio demonstrando a existência de uma espécie pequena de flor. Seu vaso era sem ornamentos e tinha um formato tradicional. Suas pétalas balançavam conforme ventava pela janela e pelo auxílio dos ventiladores. — … olho aquela flor. Não faz ideia como a cobiço até vê-la secar, ficar sem pétalas e simplesmente morrer. Deixar de existir. Acontece o mesmo com pessoa, mas numa carga menor por generalizar. - Acrescentou deixando os olhos agregarem a paisagem. — Mas você não. É estranho não desejar isso, porém manterei isso… Por não ter negado desde a saída da festa mesmo, sem condições, de se afastar de mim. - Mais sério, o estrangeiro encara os dedos entre si. Tortos, via a magma que os envolvia no seu imaginário. Uma figura vermelha e pulsante, contrapondo seu corpo como uma alergia. Desde criança, apenas ele enxergava aquilo. Depois do cão, do gato e do jardim morrerem nos seus treze anos, a marca desapareceu. Temia isso. A distância gravitacional daquele universo vivo com o seu tipicamente falecido.





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Re: [RP FECHADA] Close again

Mensagem por September Leif D'Ovidio em Seg Mar 19, 2018 5:52 pm


don't speak, before we
say too much


VAMOS FALAR SOBRE CASA. E NÃO, NÃO É SOBRE UMA OBRA ARQUITETÔNICA
moldada por conjuntos de paredes, cômodos e tudo isso. Mas sobre o que uma casa representa. Para September Otto Leif D'Ovidio - um ser que jamais sentiu pertencer a lugar algum - casa não era um lugar, mas sim um sentimento. O sentimento de amenidade, mais especificamente. O tipo de sensação que lhe permite respirar sem parecer possuir algo prensado sobre seus pulmões, que lhe permite falar sem o usual nó atado sobre a garganta - que traz, de alguma forma muito natural, um vigor indiferente para as batidas compassadas do seu coração.  

Olhar os olhos cor-de-canela perfeitamente
caídos de Lucca era quase como ir para casa.

Mesmo quando a pele gélida do outro lhe estava distante - por recuo do mesmo - September ainda sentia como se ambos os braços magros estivessem a sua volta; como deveriam ter estado outrora, no espaço de tempo onde esteve desmaiado. Pensar naquilo fazia D'Ovidio sentir um transtorno particular: ele precisava mesmo estar desacordado no momento em que alguém demonstrava pela primeira vez em muito tempo alguma coisa que divergisse do usual repúdio? E para cada palavra que Lucca dizia, September assentia com a cabeça fielmente; prestando a devida atenção nos mínimos detalhes como se fossem extremamente importantes para algum propósito que ele mesmo desconhecia - ainda que seu rosto estivesse parcialmente coberto pelas próprias mãos magras, não era difícil perceber que ele estava atento ao companheiro. Talvez ele só gostasse do som da voz de Lucca. Talvez ouvir o outro falar tornasse toda a noite passada mais real, afinal, na mente de September tudo se resumia a borrões de lembranças desconexas. Talvez... ele estivesse medindo demais os seus "talvezes". Não era o momento de se afundar em pensamentos, afinal.

Mas tão subitamente um novo toque proveio do outro garoto, e September tornou a cair em seu próprio espiral de pensamentos - ele não podia evitar.

Primeiro ele ouviu a afirmação alheia de que deixá-lo sozinho não era uma boa opção - algo que September concordaria, se não fosse acostumado a estar sempre sozinho -, então o garoto de cabelo desajeitado caído sobre a testa mostrou uma inquietação abrupta, culminando em um novo distanciamento que pouco agradou o filho de Hades. As idas e vindas de Lucca perturbava September. Ora ele parecia tão distante, procurando fixar seus belos olhos castanhos o mais longe possível; aquilo fazia D'Ovidio acreditar que algo em si desagradava o outro o bastante para lhe obrigar desviar o olhar. Ora ele retornava, com seu "a menos que queira que vá embora, ficarei aqui para aguardar", fazendo September crer que ainda havia alguma esperança em não estar desagradando completamente o garoto.

"Fique", ele teria dito - ele queria dizer - ele pensou que deveria dizer. Mas seus lábios finos apenas se entreabriam, e os olhos arregalados permaneceram olhando Lucca, seguindo-o em seus atos imprevisíveis entre o fechar da porta, o sentar numa poltrona adiante e o tamborilar dos dedos sobre as pernas, seguidos das palavras súbitas sobre persistir. — Eu... gosto... da insistência — o magricelo sussurrou inutilmente, sabendo que pelo tom baixo de sua voz, Lucca dificilmente o escutaria com clareza. Mas ele não se importou muito com este detalhe, ele estava preso demais em estudar o filho de Thanatos. Desta vez, seu discurso era sobre a morte; ou no caso, a distância na qual esta se encontrava de encontrar September. O filho de Hades desejou rir, ele conseguia achar alguma graça no comentário alheio. Lucca seria realmente capaz de prenunciar o prazo de validade que cabia a September naquele mundo? O menino desejou saber. Ao mesmo tempo que não desejava. — Não morrerei agora. Nem em dois meses. Nem em dois anos... — ele repetiu, num resmungo particular fitando se convencer daquilo. Mas fora mais uma coisa que pouco durou em sua linha de raciocínio - tudo desapareceu em um piscar de olhos, assim que um sorriso fino iluminou sua mente e September ansiou saber se já havia admirado aquele sorriso anteriormente. Era um sorriso pequeno, de aparente timidez, do tipo que esconde algo na pequena dobra ao canto. Era um sorriso tão familiar, mas tão distante - como um sonho.

"Eu não quero ter que levá-lo. Por isso, não tente partir tão cedo"
Lucca disse, e a subliminar inclinação em manter September vivo trazia novamente um vínculo com algo distante e forte. Era como se aquelas palavras já houvessem brincado em seus ouvidos antes - e ele tinha certeza que, tanto quanto naquele exato momento, ele havia gostado de ouvir na primeira vez. Entretanto, diferente de alguma outra vez, em algum outro momento, a proximidade de Lucca era uma novidade. O corpo do filho de Thanatos parecia significantemente maior e mais firme, ao ver de D'Ovidio. Talvez fosse a forma como ele se sentia ali: pequeno. Seus olhos paralisaram na presença satisfatoriamente próxima, seu corpo recém-sacudido com o auxílio das mãos frias que tocaram seus ombros. As palavras alcançando-lhe os ouvidos, o impulsionando a reagir por instinto: fazendo-o se sentar com mais firmeza, como se desejasse exibir alguma boa forma inexistente.

E September prosseguiu ouvindo, absorvendo. Como o discurso sobre a bela flor, que pareceria ainda mais agradável aos olhos de Lucca se estivesse prestes a secar e morrer. E sua contestação sobre como gostaria de retardar aquele ciclo mortal para o próprio September. "Sem condições, de se afastar de mim", o outro atestou. — Eu espero que você não se afaste — September complementou.

— E-eu devo confessar que a minha relação com a morte é algo inteiramente platônico — o pigarro surgiu, tão abrupto quanto a inquietação das mãos daquele que começava a se incomodar com a agulha que pendia na dobra do seu braço. Seus dedos longos roçavam a extensão das veias visíveis, indo e vindo lentamente - até seguir num trajeto direto e sem hesitação do equipamento médico injetado em si. Retirá-lo parecia imprudente, mas não seria a primeira nem a última vez que September agia de tal maneira. Um filete de líquido rubro escorreu escassamente numa linha reta antebraço abaixo. O moreno sorriu, debilmente. — Eu a muito desejei conhece-la, mas ela, a morte, jamais pareceu disposta a me receber — ele completou, desviando o olhar da própria pele pálida para encarar os olhos de Lucca com firmeza. — Mas, algo me diz que você vai roubar a efêmera atenção que devoto a morte — um sorriso torto trouxe curva aos lábios finos de September, que estendeu a própria mão suja com seu pouco sangue derramado para tentar tocar a palma da mão alheia. Um cumprimento genuinamente comum, se não fosse a viscosidade do líquido vermelho manchando-o, marcando-o.
 
— Eu prometo não tentar partir tão cedo, prometo não fazer você perder horas dentro de um quarto de hospital futuramente e prometo não me afastar de você, porque eu tenho quase certeza que não conseguiria — mais um sorriso fraco fez os lábios do menino tremer, seus olhos procurando quebrar o peso que era sustentar por muito tempo o olhar de Lucca, movendo-se para mirar as sombras que formavam na penumbra ante o amanhecer. — Você me traz lembranças e sensações distantes, eu acho que gosto disso — confessou, por fim. Imaginando que ele deveria saber. Que ele precisava saber. September queria que Lucca soubesse.


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Re: [RP FECHADA] Close again

Mensagem por Lucca Hjelm-Østergaard em Sab Abr 14, 2018 11:48 pm

Porque acabamos de chegar neste assunto, Lucca se perguntava no momento que encostava a parte de trás da cabeça contra a parede. Os cachos pesados de tom alourado amortecendo o contato frio e aparentemente iminente que aquilo causava, dando a sensação de única estabilidade confirmada naquele dia. As pupilas perseguiam um revezamento fresco. As frases proferidas pelo mais velho lhe trouxeram uma sensação estranha de timidez, de possível preocupação em cada carga verbal dada no linguajar alheio. As coisas que ele dizia traziam preço para o mentalista. Um tipo de débito que ele queria gastar. Os dedos pálidos tamborilam por cima da coxa, pressionando pensativamente. Algo na sua pele foi transmitindo arrepio e ecstasy inexplicável. Foi no momento em que fitou a boca de September, bem no instante que ele sorria entre o intervalo das letras pausadas que formavam sua frase.

Foi quase que irreversível, o gesto da prole do deus da morte também sorrir. E até um som eufórico também soasse pelo local criando um eco animado emendando como ênfase de sentimental ânimo ao constatar que poderia ser verídico. Recente, uma das mãos se aproximaram de si e selou um toque. O primeiro que vira tomado pela iniciativa dele. O rapaz tentou se ajeitar melhor na cadeira, visivelmente meio assustado por outro lado também muito surpreso. Seus dedos também assinaram autônoma sensação de respeito. Lucca teria tido novamente sua observação capturada pela prole do deus do inferno, se não fosse o reflexo rubro do fio sanguíneo escorrer assistindo uma gota bem formada cair e colidir contra seu calçado escuro de cadarços finos e crespos :

— Você fez uma lembrança e sensação distante, acho que também gostarei disso ao me lembrar no futuro. - Moveu a mão como se firmasse mecanicamente seu dever, e se erguesse no mesmo instante quase que desequilibrando o próprio estado para encostar-se ao moreno. O fitou e também escutou o noticiário ser presidido na televisão. O idioma parecia ser ainda mais estranho, comparado com a visão de ver o outro semideus banhado por luzes. Tornava-se confuso assistir alguém típico de uma sombria e difusa áurea, ser recepcionado por tamanho significado como aquela ação imprudente da energia solar. No momento, Lucca não pensou mais em nada a não ser a combinação diferente e como quão combinava com o corpo e o estado frágil de September. Na sua terra natal, o nome do outro induzia o frio.

Como a Dinamarca conseguia ser útil nesses momentos, repensou :

— Desta maneira… Acredito que não queira ficar aqui. - Soltou a mão lentamente afundando os dedos contra os bolsos, olhando para o teto como se procurasse interesse em meio ao mórbido tom branco de funcionalidade doentia. Seus dentes a mostra fazem empatia com o cenário. Quantas vezes os braços de seu pai contribuíram o peso do corpo de muitos pacientes, a descer até as funestas casas de Hades? Cada alma, ele sabia, era um cálice à figura paterna. Que gosto afinal teria, se bebesse do sumo deste processo transitório da vida? Ceús, tantas coisas cortavam a imaginação do mentalista que julgava-se culpado por uma única pessoa viva lhe proporcionar tanta flexão com o canto do partir.

O corpo do estrangeiro num instante pequeno, esquivou-se do outro e abriu a porta numa leve brecha espiando o que existia do lado de fora. Algo na sua face esquentava e deixavam coradas cada uma das bochechas enquanto fechava-a lentamente novamente encostando as próprias costas. Seus olhos aparentavam introduzir o processo de conversão ao que iria dizer. Uma risada queria sair, mas o temor de aquilo sair arriscado aparentava ganhar mais importância. Por outro lado, Hjelm via um espaço considerável pela janela. Tantas pessoas cruzavam os corredores :

— Janela ou pela porta, dignamente como duas pessoas normais? - Indagou referindo-se sobre a saída. A superfície do relógio de parede marcavam as horas, o meio-dia próximo. O sol deveria estar rachando doutro lado, porém ele não ligava. Meio que pudesse soar mais que o previsto em toda sua vida, aquela risada extraída do mais alto lhe trouxe a imagem semelhante do desejo de correr. Acelerar-se quilometragens exageradas que suas pernas podiam resistir. Afinal, haviam pessoas de suas espécies sendo perseguidas. Os planos do de cabelos dourados estavam longe de celas porcas, carceragem úmida e testes comprometedores.
Procurou com a visão as vestes pertencentes ao novo conhecido, todavia constatou que não estavam em seu campo de visão. Passou a mão pela face conferindo após isso, a altura que dava da janela para o chão. A casa de saúde era bastante simplória, uma legítima instituição hierárquica que não beneficiava nada mais do que de fato, alguns arranhões e fraqueza temporária. Ver aquilo acelerou algo dentro do corpo de Lucca que precedia a vontade de se atirar abaixo. Tão profundo a ponto de prever que o chão fosse ser capaz de sugá-lo para interior inócuo da entrada da casa de Hades. Eloquente, sua imaginação abordava já o próximo passo. Detestava estar tão adornado com aquela sensação atribuída por Thanatos, tão próximo do filho de Hades para criar algum tipo de distanciamento complexo de conceito e saber :

— Não sei se você sente isso então. Mas as pessoas dos quartos ao lado estão com o número de suas vidas despencando. É como se eu escutasse suas veias parando de palpitarem com vida com mais intensidade a cada prolongar de minuto. Não quero ficar aqui para assistir o estado de quando chegarem a zero. - Disse tocando o batente da janela com as mãos abertas.





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Lucca Hjelm-Østergaard
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