The Blood of Olympus
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☼ Between Worlds ☼

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☼ Between Worlds ☼

Mensagem por Frannie A. Blackwell em Seg Out 30, 2017 2:17 pm


Trama Pessoal



Este tópico será reservado para a trama pessoal Between Worlds. Ela contará o início da trajetória de Frannie sobre sua verdadeira origem, sendo um conto cheio de aventuras e descobertas inesperadas. Esse post poderá ser editado continuas vezes, resumindo o que foi feito até o momento.



Última edição por Frannie A. Blackwell em Qua Dez 05, 2018 11:20 pm, editado 2 vez(es)








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Re: ☼ Between Worlds ☼

Mensagem por Frannie A. Blackwell em Seg Out 30, 2017 2:31 pm


Blackwell



Não importava se ela não tinha sido tão presente em minha vida ou se não deu tanto amor quanto deveria. Naquele momento, tudo o que eu mais almejava, tudo o que eu necessitava... Era de minha mãe.

Estava tudo fora do lugar, como se o caos tivesse envolvido a minha mente com seus dedos longos e a estivesse esmagando. Tudo parecia errado, o mundo dava voltas e mais voltas ao meu redor como se toda definição de correto tivesse entrado em um loop constante. A confusão passou a ser a sombra que me acompanhava vinte e quatro horas. O motivo causador desse caleidoscópio? Charlotte me beijou. Não um beijo de boa noite em minha bochecha, ou um selinho amistoso como dava quando pequena em minha mãe. Fora um beijo em minha boca, um beijo simples até, mas um beijo que quebrava toda a barreira carinhosa e adentrava um âmbito perigoso de se pensar. O verdadeiro problema? Eu retribuí, para logo depois parar e deixar que Charlotte fugisse. Desde então não nos falamos.

Isso faziam exatas duas semanas.

Mal tínhamos nos visto e, ainda assim, evitávamos que nossos olhares cruzassem um com o outro. Mesmo que todo o meu ser implorasse para que me aproximasse e perguntasse se ela estava bem, uma parte de mim criava raízes no chão e me impedia de avançar um passo que fosse em direção a ela. E, bem, Charlotte também não vinha ao meu encontro. Cansada e confusa, finalmente me permiti assumir que precisava de alguma coisa, mesmo que fosse um singelo conforto. Fora por isso que decidi sair do Acampamento Meio-Sangue, mesmo que essa fosse uma época tenebrosa para estar fora do perímetro do local mais seguro para um semideus.

Porém eu não estava sendo procurada pelo governo, assim como usava um colar que inibia a minha presença divina perante os monstros. Por isso o caminho até a casa fora relativamente tranquilo, apesar de possuir uma carga ansiosa rondando todo o meu corpo. Não passava das oito horas da noite quando usei minha chave para entrar na residência, olhando ao redor em busca de sinais de que Amélia estava ali. Minha mãe era uma humana tida como incrível. Neurocirurgiã, havia salvado inúmeras vidas e realizados feitos médicos considerado até mesmo milagrosos. Popular no meio acadêmico, admirada pelos novatos, ganhava bastante dinheiro com suas pesquisas... Mas não sabia muito bem como ser uma boa mãe. Ausente, impaciente e carinhosa na medida certa para sustentar aquele fino laço que mantinha a família relativamente bem.

- Mãe? – chamei em um alto tom para que ela pudesse me ouvir de qualquer cômodo – Mama, estou em casa! A senhora está por ai?

Funcionou mais do que eu esperava. Uma parte de mim imaginava que ela estaria em um plantão e eu teria de esperar pela figura materna por longas horas. Mas, para a minha surpresa, a mulher apareceu correndo do que seria a nossa cozinha. Ela soltou um sonoro suspiro, avançou e me agarrou em seus braços, me apertando como podia. Algo que ela não fazia há... sei lá, anos!

- Você sumiu! Você e Charlie! Estão bem? Está machucada ainda? Eu tenho alguns remédios se estiver e---

- Mãe! – a segurei e afastei um passo para poder respirar – Calma, olha para mim e não surta. Eu estou bem! Charlie também está, o acampamento é um local seguro!

Finalmente eu idealizava como deveriam estar sendo as coisas para a minha mãe. A última vez em que tínhamos nos falado tinha sido no hospital, no ápice do ataque dos monstros em Nova York. Ela me viu batalhar de perto, me machucar e ainda assim persistir em proteger os pacientes dela enquanto ela os transferia para um local mais seguro. Depois disso eu tinha apenas me despedido dizendo que precisava proteger algumas pessoas, assim como ela também o estava fazendo. Isso faziam três semanas! A culpa afligiu o meu peito, fazendo-me abraça-la mais uma vez e ficar murmurando que estava tudo bem, ainda mais quando a médica me apertou contra si e apertou-me em seus braços com uma força que eu não sabia que ela possuía.

Longos minutos depois, eu a arrastei para a sala, a fazendo sentar sobre o sofá. Amélia tinha por volta dos 37 anos e era bastante jovem para uma médica do cacife dela. O cabelo loiro escuro possuía um corte curto e elegante, seus olhos castanhos como o da Charlie estavam cansados e com olheiras bastante marcantes. Ela era extremamente linda e cativante em sua aparência, mas agora? Parecia ter envelhecido dez anos em poucos dias.

- Isso tudo tem a ver com seu pai, não é? – Amélia fungou e encarou as próprias mãos – Eu via os sinais, mas me fazia de cega. Eu sabia que aquele homem não era... comum, por isso ele me atraiu tanto a princípio.

- Sim, tem a ver com o papa – suspirei e mordi o lábio inferior sem saber até que ponto eu devia contar – Mas estamos bem mamãe, o acampamento prepara pessoas como eu e a Charlie para enfrentar a realidade e viver bem.

- Você parecia a She-Ra quando apareceu na minha sala, sabia? – Amélia atreveu-se a sorrir.

- Quem?!

- Vocês crianças não sabem de nada, no fim das contas!

- Mama!

- Mas conte-me o mais importante, porque você e a Charlie brigaram dessa vez?

- Como a senhora....!!! – olhei para ela completamente surpresa por ela ter acertado em cheio.

- Apesar de tudo eu conheço bem as duas! Ainda mais quando uma briga acontece.

- Aconteceu algo confuso entre nós duas e... não nos falamos desde então. É muito... confuso!

- Percebo isso – Amélia não conteve um pouco da ironia, mas logo me fazia deitar em seu colo como acontecia as vezes quando éramos crianças – Tudo vai acabar bem querida, vocês duas se amam e nunca passaram mais do que três dias brigadas. Descanse, amanhã cedo preciso de sua ajuda para arrumar o depósito!

Soltei um longo suspiro e fechei os olhos em uma tentativa inútil de conter o choro. Faziam quatorze dias e eu não via uma solução para o problema em questão. Sim, eu a amava. Mas, talvez, eu a amasse demais.

☼☼☼

Descobri que Amélia estava falando sério quando, as oito horas da manhã, ela estava literalmente me expulsando da cama. Em compensação, ela preparou um café da manhã reforçado e pediu para saber um pouco sobre o acampamento. A neurocirurgiã não questionou sobre quem era de fato meu pai ou se os monstros foram reais ou não, apenas aceitava de bom agrado o que eu dizia. Se eu iria questionar esse momento? Talvez, no futuro, mas não agora quando estava sendo tão gostoso estar com a minha mãe em um raro momento de paz. Bom, não foi tão longo quanto eu almejava, pois logo estávamos trabalhando no depósito.

O depósito continha ainda coisas da Austrália empacotadas. Eram os itens menos necessários que fomos deixando de lado até esquecê-los por um bom tempo. Minha mãe permaneceu por apenas trinta minutos, pois logo seu celular tocava. Ela me olhou com um semblante culpado, mas logo eu a expulsei dizendo que uma vida podia depender daquela chamada. Já tinha visto isso acontecendo tantas vezes! A loira mais velha depositou um beijo em minha bochecha e saiu do depósito, deixando-me sozinha com caixas e mais caixas.

O lugar em si não era muito grande. Possuía uma grande janela no topo que fora recentemente aberta para tirar o cheiro de mofo do ambiente. Estava cantarolando e abrindo uma caixa para checar o que tinha dentro e para onde teria de leva-la quando o sol fez algo brilhar a minha esquerda. A cantoria cessou com o nascer de minha curiosidade. Ajeitei os óculos sobre meu rosto, aproximando do item que refletia a luz solar bem sobre o meu rosto, apenas para encontrar um pequeno baú com um cadeado antigo aberto. A luz batia bem sobre o metal que ornamentava o baú escondido, provavelmente se fosse em outro momento do dia eu jamais o teria encontrado ali. Por nunca o ter visto antes, a curiosidade moveu todo o meu corpo, fazendo-me abrir o cadeado e erguer a tampa do baú.

Lá dentro havia um único item: um livro antigo. Por que aquele livro estaria em um baú que supostamente deveria estar trancado? Sentei encostada contra a parede, deixando minhas pernas na posição de índio. Pousei o livro entre minhas coxas e o abri. As folhas estavam amareladas e desgastada, mas ele não cheirava como um item antigo. A fragrância que o acompanhava era estranhamente similar a de uma campina. Sim, exatamente, uma campina! Ao começar a folhear, percebei que era um livro escrito a mão e que era de uma língua completamente diferente.

Aproximei o livro para tentar compreender a origem linguística, mas quanto mais me concentrava mais os símbolos começavam a embaralhar a minha frente. Pisquei e fechei os olhos ao sentir uma pontada na parte detrás de minha cabeça, estava para desistir da leitura quando meus olhos se voltaram para as linhas... E tudo começou a fazer sentido! Franzi o cenho encarando o papel com certa surpresa. Eu não sabia como, mas era similar ao grego. Nunca o havia estudado, porém quando me deparava com qualquer coisa escrita em grego ou escutava eu o compreendia.

- “Esse é o único diário que me resta, assim como também parece ser o mais importante” – li em voz alta – “Aqui está descrito a parte de minha vida como uma nova Alyss, uma verdadeira e mais feliz, mesmo que os desafios tenham se mostrado maiores e que meu peito esteja pesado por ter deixado para trás o meu lar. Desde já eu posso afirmar algo: eu sou livre para amar quem meu estúpido e tolo coração realmente escolheu. E, graças a isso, eu posso me permitir ser quem eu realmente quero ser e não quem eu devo ser. Se alguém por ventura estiver a ler esses rabiscos e o compreender, que seja você minha querida filha, ou algum de seus descendentes, pois encontrará descrito nessas páginas contos sobre de onde eu vim e de como eu vivi até o momento em que minha mão foi capaz de segurar esta coisa útil que eles chamam de caneta”.

Alyss? Franzi o cenho por um longo tempo, enquanto minha mente ainda pensava se seria coincidência ou não que aquele também fosse o meu nome do meio. Sim, poderia ter sido apenas o acaso. Mas... Por que aquele diário estava ali, bem na minha casa então? Extremamente curiosa, folheei o diário até chegar em uma das últimas páginas onde havia um desenho muito bonito e no estilo tribal. Era uma flecha em um arco, um desenho pequeno e de traços marcantes.


Não resisti a vontade de tocá-lo e, assim que o fiz, senti meus dedos formigarem. Afastei a mão um tanto surpresa, ficando mais ainda quando vi o desenho ressaltar um brilho sutil e quase imperceptível. Sem resistir, o toquei novamente e suportei um pouco daquele formigar sobre minha falange. O brilho retornou, ficando cada vez mais intenso e assumindo uma cor esverdeada. Estava encantada e um princípio de sorriso começou a se formar... Até que tudo começou a mudar. O brilho tornou-se filetes de luz, atingindo em cheio a palma de minha mão provocando uma sensação de queimadura. Soltei o diário gemendo em agonia, balançando a mão tentando fazer parar aquela conexão inesperada e assustadora. Minha cabeça começou a doer e a sensação de que minha palma queimava era exponencial, logo eu estava travando a minha garganta para não gritar. Segurei o meu pulso, meus olhos fixados no que acontecia sobre minha mão. A tortura durou quase um minuto inteiro até finalmente formar o desenho que outrora eu admirava.

- Mas o que...?! – indaguei ofegante, minha mão ainda quente e dolorida. Capturei o diário e o abri com certo nervoso – O desenho sumiu?! O que... inferno... está....---

Antes mesmo de terminar a minha frase, uma tontura se apossou de meu corpo. Meus olhos reviraram antes de minha consciência ter sido nocauteada.

☼☼☼

Ao acordar, eu estava em meu antigo quarto. Minha mente girou uma vez como se estivesse em um loop de uma montanha russa. Gemi baixinho, segurando minha cabeça como se assim fosse possível mantê-la no lugar. A sensação não tardou a passar, logo eu estava sentando sobre o meu colchão e encarando a parede um tanto perdida. Eu lembrava de estar em casa, de ter um bom momento com minha mãe. No dia seguinte eu a ajudei a abrir algumas caixas antigas ainda de nossa mudança, encontrando o diário de Alyss... OH O DIÁRIO!

Encarei a minha mão e resmunguei ao ver a tatuagem ainda ali. Foi nesse exato momento que a porta se abriu e minha mãe apareceu. Eu saltei na cama, passando a suar frio quando notei que ela encarava diretamente a minha mão.

- Eu posso explicar! Não me mata por ter uma tatuagem, a culpa não foi minha! – exclamei quase em desespero, mesmo sem saber como explicaria aquilo para ela.

- Frannie... Está ok – ela murmurou um tanto cabisbaixa, aproximando-se e sentando também em meu colchão – Creio que a culpa seja por causa disso...

Ela então esticou o diário em minha direção. Meus olhos poderia ter triplicado de tamanho naquele momento. A encarei incrédula e confusa, arrancando um sorriso amarelo de minha mãe.

- Por favor, antes de tudo, me perdoe e não me odeie! Eu nunca contei isso para você por ter medo... – ela deixou o diário sobre a minha escrivaninha, voltou a sentar e começou a mexer nas mãos de maneira nervosa – Eu sei que eu devia ter contado antes, mas pensar em sua reação me apavorava! Eu não queria ser menos importante em sua vida, o que é irônico pois isso me fez afastar um pouco... Eu sinto muito Francesca!

- Mãe! – a segurei nos ombros, eu a via tão aflita que eu não conseguia me chatear. Deixei que minha aura da tranquilidade se tornasse mais presente no ambiente, observando minha mãe respirando normal pouco a pouco – Conte-me, não se preocupe tanto. Não vamos saber como vamos reagir a isso sem que você fale de fato o que é...

- Eu amo você, minha pequena. Só não esqueça disso ok? – ela pediu e eu acabei sorrindo, Amélia não falava muito isso, mas quando o fazia eu sempre sentia um calor dentro de meu peito – Eu era uma outra pessoa antes de você e Charlotte entrarem em minha vida. Muito dedicada, muito genial, mas ainda assim, despreocupada e desleixada.

- Fizeram lavagem cerebral em você depois que a gente nasceu mãe? – brinquei arqueando uma sobrancelha.

- Querida, eu ainda posso deixa-la de castigo – ela ameaçou prontamente, o que me fez lutar bravamente para não rir. Mas ela soltou um longo suspiro – Sua irmã tinha completado um pouco mais de dois anos e minha rotina finalmente estava conciliando meus estudos com o fato de que eu era mãe. Eu lembro como ontem que foi em uma noite bastante agradável que seu pai apareceu a minha porta – eu estava para fazer um comentário espirituoso quando percebi que na verdade minha mãe estava prestes a chorar – Eu o recepcionei com um tapa no rosto antes de mais nada, ele tinha simplesmente sumido de minha vida! Mas... Ele não estava sozinho. Mesmo tendo apanhado, aquele homem sorriu tristonho e finalmente mostrou o que tinha em mãos e pediu para adentrar em minha casa. Eu estava surpresa demais para dizer não e-eu... e-eu não conseguiria dizer não depois de ver aquilo!

Ela interrompeu a fala e levantou abruptamente, meu coração se apertava e nenhuma palavra era proferida de minha boca.

- Ele me disse que eu precisava aceitar aquilo. Que ele não conseguia pensar em ninguém melhor para proteger aquele pequeno tesouro. Se eu não aceitasse, iria passar por perigos ainda maiores por entrar em um sistema cruel. Eu... Eu pensei em dizer não, imaginei primeiro como ficaria minha carreira, não mentirei quanto a isso. Mas ao imaginar como seria minha vida ao lado do que ele me oferecia... Eu não consegui dizer não. Claro que discutimos bastante, seu pai era péssimo argumentando e tentando se explicar. Mas eu via a preocupação e o temor dele como os sentimentos mais sinceros que ele já tinha me demonstrado.

- Mãe... O que ele te entregou?

- Ele me deu... Você.

Pisquei lentamente. Minha mente processava a frase, mas não a compreendia completamente. O que ela queria dizer com aquilo? Olhei para minha mãe que estava em um verdadeiro estado de nervoso, até que algo veio a minha mente e arrancou uma careta de nojo.

- Mãe, não precisa entrar nos detalhes de que me concebeu naquela noite!

- Não querida... E-ele me deu você. E-ele a segurava com tanto zelo que eu v-vi o quanto machucou soltá-la. Eu o compreendi quando eu... eu te segurei nos braços. Tão pequena e frágil, envolta em um manto amarelado cheio de sois laranjas.

Minha mente estava entrando em pane pouco a pouco. Meu pai, Apolo, me trouxe para minha mãe. Ele me carregava, ele não me fez com ela. Então... Isso queria dizer que...

Meu corpo deu um salto na cama.

Eu sentia meu coração disparando enquanto minha mente finalmente entendia o que aquilo significava.

- Não! – exclamei em total negação – Isso não tem graça mãe!

- Eu estou dizendo a verdade, eu não tive coragem de contar antes. Eu sei que deveria, eu sei que não poderia esconder isso de você. Mas quanto mais você crescia, mas eu tinha medo! Medo de que você me odiasse e... e... Por favor me perdoe! Eu sou sua mãe, eu fui sua mãe todos esses anos! Eu posso não ter concebido você, mas você foi como um presente do destino para mim!

- Não! Pare com isso! Pare de dizer isso!

- Ele veio, entregou você e disse que sua mãe verdadeira estava... Eu sinto muito querida, ela tinha morrido e deixado você. Então tudo o que restava de sua família verdadeira era esse diário. Seu pai disse que você encontraria o diário quando fosse o momento certo!

Eu já não conseguia falar mais nada. O ar travava em minha garganta, dando a sensação de que estava sufocando. Amélia dizia, com todas as letras e de diferentes formas, que eu não era sua filha biológica. Em algum momento, nós duas começamos a chorar ao ponto de soluçarmos. Ela me abraçou e eu não tive forças para afastá-la. Eu tive a esperança de entrar naquela casa e encontrar conforto para a confusão que sentia antes, mas tudo o que eu encontrei foi uma verdade pela qual eu não estava preparada: eu não era, de fato, uma Blackwell.

☼☼☼

Obs: Essa é apenas uma introdução, por isso não há batalhas. Porém, ela é necessária para entender o que vem pela frente. Se possível e for merecedora, eu só gostaria de receber o diário como recompensa! Acho que ficaria mais ou menos assim:

☼ Diário de Alyss [Um diário escrito em uma língua não humana, pertencente a avó de Frannie. Nesse diário está descrito a história de Alyss, desde a sua origem e sua vida depois de suas escolhas | Efeito: Só pode ser lido por quem pertence a cultura | Couro e papel | Sem espaço para gemas | Sigma | Status: 100%, sem danos | Comum | Ganhado em Trama Pessoal]

A tatuagem faz referência a esse item, ele será ativado futuramente:
• Elanor [ Um conjunto de arco e aljava com flechas. O arco possui uma cor similar à prata, com marcas em relevo que lembram desenhos tribais. Sua forma é singular, uma variação entre um arco do tipo composto e o arco recurvo. Possui 1.45m de comprimento, sendo este o tamanho ideal para a filha de Apolo. A tatuagem referente ao arco é uma flecha bem desenhada e rica em detalhes. A aljava é um item adaptável, podendo ser usado nas costas ou na lateral do corpo. Dentro da aljava encontra-se exatas 20 flechas, feitas do mesmo material que o arco. 10 dessas flechas possuem a seta padrão, outras 5 possuem sinalizadores, sendo feitas de uma seta menor que se fixa e perde o corpo assim que atinge o alvo. As últimas 5 flechas são mais pesadas, porém possuem a seta circular, feita especialmente para atordoar e não perfurar. A aljava é infinita, sendo que sempre terá flechas dentro dela. Esses projéteis não caem independentemente da posição em que estejam. | Efeito 1: A arma se encaixa perfeitamente na mão do seu portador, assim sendo, quando esse escolhe batalhar com essa arma, eles ficam ligados de uma maneira única, e durante os dois primeiros turnos do combate, todo dano causado por essa arma contra os oponentes do semideus, terão 50% dos danos revertidos em HP para o seu portador. Ex: O semideus retirou 100 HP da vida do seu oponente, 50 são revertidos em vida para o portador da arma. Efeito 2: O semideus pode usar a arma para converter seu corpo em magia de teletransporte, usando-a para se mover de um canto a outro, contudo, a arma só consegue leva-lo para até 500 metros de distância do ponto de partida, além disso, cada vez que usar o poder, perdera 50 MP. Efeito 3: Transforma-se em uma tatuagem que ficará fixa na palma do semideus, sumindo após um tempo, para ativa-la, o semideus só precisa cortar o dedo polegar e pingar uma gota de sangue sobre a palma da mão dominante, a arma ativa automaticamente, aparecendo em sua mão. (Não é possível colocar mais efeitos nessa arma). | Vibranium | Espaço para 3 gemas | Alfa Prime | Status: 100% Sem danos | Necessário nível 20 para domínio completo da arma | Lendária | Evento Cidade dos Monstros]


Com: Charlotte ☼ Música Havana ♫ CLICK♪








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Re: ☼ Between Worlds ☼

Mensagem por Baco em Sex Nov 03, 2017 1:40 am


Frannie A. Blackwell


Método de Avaliação:

Valores máximos que podem ser obtidos

Total de XP de acordo com o nível do semideus: 8.000 XP

Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

Enredo e coerência de batalha: 48%
Gramática e ortografia: 10%
Criatividade: 30%

RECOMPENSAS: 7.040 XP + 7.040 Dracmas

Comentários:
The Fray,

Que introdução fantástica e emotiva! Mas vamos por partes, começando pelas ruins uma vez que aprendi que se come o que menos gostamos no prato primeiro. Você pecou bastante na digitação, semideusa, fiquei surpreso pois isso não é de seu feitio. Como está bem evoluída, se comparada ao início do último evento onde tivemos nosso primeiro contato 'avaliado-avaliador', precisei pegar mais no seu pé quanto a isto. Repetição de palavras, como por exemplo no trecho: ...ainda mais quando a médica me apertou contra si e apertou-me em seus braços com uma..., onde você usou abusou do verbo apertar. Pontuação faltando no geral, principalmente a crase, que teve a ausência percebida no 'as vezes' que escreveu. Além disso, uma dica, o certo é: fazia tanto tempo. Falo isto porque reparei que você utiliza bastante essa medição de tempo para situar o leitor.

Tirando os comentários acima, sua narrativa foi perfeita e me prendeu de maneira prazerosa. Estive ocupado esses dias e, portanto, voltar lendo algo desse nível me deixou bastante feliz. Não deve ser nada fácil tentar entender o que sente por sua irmã, e descobrir quase que ao mesmo tempo que na verdade se é adotada. Por sinal, eu consegui imaginar perfeitamente a cena do diálogo final, a entonação e as expressões faciais de sua mãe - ainda que você tenha focado mais em descrever o que a Frannie sentia na hora. Então, com isso, meus parabéns e não vejo a hora de poder ler o restante de sua jornada.

Item adquirido: ☼ Diário de Alyss [Um diário escrito em uma língua não humana, pertencente a avó de Frannie. Nesse diário está descrito a história de Alyss, desde a sua origem e sua vida depois de suas escolhas | Efeito: Só pode ser lido por quem pertence a cultura | Couro e papel | Sem espaço para gemas | Sigma | Status: 100%, sem danos | Mágico | Ganhado em Trama Pessoal]


Atualizado.


EVOÉ, BACO
"Did someone just call me the wine dude? It’s Bacchus, please. Or Mr. Bacchus. Or Lord Bacchus. Or, sometimes, Oh-My-Gods-Please-Don’t-Kill-Me, Lord Bacchus"
Owl
Baco
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Deuses Olimpianos
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Re: ☼ Between Worlds ☼

Mensagem por Frannie A. Blackwell em Qua Dez 05, 2018 11:06 pm


Helheim


Observações de Enredo:
• Alyss é a avó de Frannie, sendo ela uma elfa completa. Lynn é a filha dela com um humano, estando atualmente desaparecida.
• Em missões anteriores, que podem ser conferidas no primeiro post deste tópico, é introduzido cada vez mais essa realidade a personagem.
• Essa missão acontece logo depois da missão fixa de Aliados, realizada no evento novembro olimpiano.
• Mani é o deus da lua, ele será mencionado na parte 2, mas que foi previamente conhecido em missão passada por Psiquê.
• Há um pulo temporal, pois pretendo complementar esse salto no tempo com missões de flashback.
• Alyss é uma elfa pura, avó de Frannie. Ela era a última de seu clã, vindo para Midgard em busca de um propósito. Apaixonou-se e então teve Lynn, mãe de Frannie. Ela morreu misteriosamente, por isso é possível encontrar o espírito dela no inferno nórdico.

O
slo era a capital da Noruega, famosa por sua cultura intimamente ligada aos vikings. Desde que tinha chegado aquele lugar, eu sentia uma sensação estranha. Não um estranho ligado ao esquisito, pelo contrário, a estranheza era formulada pelo fato de ser uma sensação tão familiar. Faziam exatos dois dias em que estava na cidade, estremecendo levemente pelo frio que fazia, pois mesmo sendo uma filha de Apolo, aquele inverno tão ao norte era de fazer os ossos dos deuses estremecerem.

O que estava fazendo tão longe de casa? Seguindo a dica de uma deusa primordial. Não que seguir conselhos divinos fosse dar em algo positivo, seguro e com final feliz. Tinha experimentado o suficiente desse mundo para saber que provavelmente era o oposto. Mas eu precisava saber a verdade sobre mim e minhas origens.

Tudo tinha começado no início do ano, quando encontrei um diário antigo de quem deveria ser minha avó. A primeira Alyss. Pelo pouco do que tinha entendido durante as várias leituras feitas naquele diário, Alyss vinha de um reino diferente, um que lhe conferia habilidades únicas. Ela tinha fugido para ficar com um humano em nosso reino atual, mas ao ter uma filha, a energia das duas começaram a atrair a atenção de monstros. Isso conduziu a uma perseguição sem fim, levando a Alyss original a deixar a filha com um casal de humanos. Essa deveria ser a minha mãe, Lynn, com o status de desaparecida depois de me ter e entregar a quem deveria ser o meu pai, Apolo. Porque ela não bastava ser descendente de uma criatura de outro mundo e meio-humana, ela tinha de se envolver com um deus grego também.

Tudo era bastante confuso, com muitas perguntas e uma ínfima quantidade de respostas. Por isso, ao obter uma nova pista com Talassa em Andros, eu finalmente perseguia o meu passado. No entanto, uma condição foi dada pela deusa: eu só encontraria o novo caminho, na noite de lua nova. O que me trazia até este presente momento, dois dias depois de ter chegado a capital da Noruega. Caminhava ao lado de Ygdra, meu dragão do vácuo em sua forma reduzida. Imaginava que os humanos o viam apenas como um enorme cachorro, de pelos bastantes negros e olhar galáctico.

— Olha Yg. — Apontei para o alto.

O céu noturno não era tão formoso quanto o visto na ilha do Mar Mediterrâneo, por causa de toda a poluição que envolvia uma cidade urbana. Mas ainda assim, a imensidão escura estava isenta de seu astro branco e arredondado. Era, afinal de contas, a primeira noite de lua nova. Estava com meu companheiro alado de frente ao Fiorde de Oslo, que parecia como um enorme largo, com uma extensão imensa. O lugar estava sem movimento, já que era madrugada e apenas os bêbados se atreveriam a comparecer aquele lugar, perdidos e protegidos por Dionísio. Sabendo o que aquilo significava, Ygdra afastou alguns passos, enquanto permitia que seu corpo crescesse cada vez mais até assumir o seu tamanho original. Caminhei devagar até a sua frente, sorrindo pequeno quando o dragão inclinou o rosto em minha direção, para que assim eu o acariciasse.

— Eu não vou mentir, estou com receio. A deusa também deu um aviso de perigo. — Verbalizei os sentimentos que faziam minhas mãos tremerem levemente. — Nada será o mesmo, que eu teria de lutar por algo ao retornar.

— Mas ainda assim você irá.

Demorei um tempo a me acostumar com a ideia de que Ygdra falava. Dragões eram criaturas magníficas e inteligentes, o suficiente para que aprendessem a linguagem humana. No entanto, aquele espécime do vácuo era um tanto quieto, porém observador. Ele me entendia perfeitamente bem, já que tinha crescido ao meu lado.

— Sim, eu irei. — Admiti em um fio de voz.

Ygdra abaixou ainda mais o dorso, indicando que eu poderia montá-lo a qualquer momento. Soltei um longo suspiro, sanando com a hesitação ao lembrar que estava perseguindo a verdade sobre mim mesma. E esta talvez fosse a palavra-chave, o que me impulsionava a estar tão longe de casa enfrentando o desconhecido. A necessidade de saber era muito maior do que todos os medos e alertas de precaução.

Em um impulso ágil, montei o dragão galáctico e o incitei a começar a voar. A deusa primordial do mar pouco tinha instruído sobre essa parte. Apenas que deveria sobrevoar a Noruega em uma noite de lua nova. Ygdra iniciou essa tarefa e por quinze minutos, eu foquei em apenas apreciar a sensação de voar sobre um dragão. Estávamos a uma distância que nos permitia ver as luzes da cidade como pontinhos coloridos, além do mar vasto que banhava a baia da capital. Nos primeiros momentos, a criatura alada deslizava pelo mar noturno de maneira tranquila, até os ventos começarem a ficar cada vez mais fortes.

E mais fortes.

Mais fortes ainda.

Estava segurando firme na sela que tinha encomendado com Becka, sentindo o dragão do vácuo fazendo esforço para poder manter o ritmo do voo. Algo estava acontecendo! Eu sentia isso em cada arrepio que perpetuava meu corpo. Uma tempestade estava se formando, nuvens carregadas se aproximavam a ponto de me fazer engolir em seco. Estava pronta para pedir o nosso retorno, pois era perigoso, quando Ygdra voou em direção as nuvens negras e carregadas de raios.

— Não, você vai se machucar! Ygdra? YGDRA!

Ao esticar o meu corpo para encarar o dragão, eu percebi que havia algo de errado com os olhos dele. Era como se estivessem vidrados, encarando a tempestade de maneira apática. Preocupada com meu companheiro e com a tempestade a qual mergulhávamos, eu tentava despertá-lo de todas as maneiras que eu conhecia, chegando até mesmo a gritar com ele. Mas minha voz era abafada prontamente pelos sons de trovões. Meu corpo tremeu quando um raio passou por minha cabeça, iluminando a tudo com seu poder. Segurei ainda mais firme, sentindo a chuva atingir meu corpo, as gotículas de água pesadas como característica de uma forte tempestade.  As correntes de ar começaram a se intensificar, minha mente dava giros e mais giros enquanto o coração batia forte contra meu peito.

Ygdra perdeu o controle do voo em algum momento, o corpo girando em uma circunferência como se estivéssemos entrando em um furacão. Gritei em resposta singela ao momento e ao medo que passava, segurando o mais firme que podia... Até uma corrente de ar tão poderosa e massiva conseguir me empurrar para longe do dragão. Clamei por ele, tentando despertá-lo, enquanto despencava na imensidão escura. Eu nem ao menos conseguia ver a terra! Era tudo escuridão e raios.

Apenas quando um relâmpago iluminou o ambiente eu finalmente vi. Uma enorme e colossal árvore, algo que poderia ser escondido apenas por meio daquela tempestade. Sem pensar muito, inclinei meu corpo em direção a ela, enquanto girava sem governo algum. Afinal, no acampamento ainda não se tinha aulas de queda-livre e paraquedismo! Eu sabia que ia colidir contra os galhos. Eu esperava que isso ao menos amenizasse o impacto quando caísse contra o chão ou a água do mar.

Minha previsão óbvia estava certa. Meu corpo logo colidiu contra um dos galhos, a dor infernal tirando todo o meu ar quando minhas costas foram esmagadas no processo. Isso não cessou a minha queda, pois tudo o que aconteceu a seguir foi que meu corpo despencou de um galho para o outro, a chuva tendo deixado o tronco molhado demais para que eu conseguisse segurá-lo. Até que no meio disso tudo eu senti uma pancada forte em minha cabeça. A força do impacto foi o suficiente para cessar meus movimentos desesperados, meu corpo se tornando inerte a medida que minha mente ia apagando. Tudo o que eu sentia era dor, frio e a sensação de estar sendo sugada. A minha última visão antes de ser abraçada de vez pela escuridão foram a de galhos e um dragão sobrevoando a tempestade.

☼☼☼

Frio.

Meu corpo inteiro tremia de frio. Nenhuma dor era sentida, os músculos anestesiados devido a camada de neve que me cobria. Por mais que a minha consciência tenha retornado, meu corpo parecia cansado demais para mover. A sensação de morte, no entanto, pouco a pouco se tornou mais forte do que a inercia provocada pelo frio.

Eu sabia que morreria se permanecesse ali. Forcei meu corpo, primeiros os braços e depois as pernas, me erguendo ao utilizar o que parecia todas as minhas energias restantes. Foi assim que eu descobri que a sensação de estar enterrada na neve era correta. O manto esbranquiçado se desfez assim que consegui me colocar de joelhos, meus olhos piscando enquanto conseguiam finalmente ter um vislumbre do horizonte.

Era tudo branco.

Uma imensidão de frio e branco.

Onde eu estava? Como eu vim parar ali?

Olhando ao redor, tudo o que eu via era o mesmo cenário sem fim de montanhas e neve. Em minhas costas, estavam uma mochila. Em meu corpo, roupas de frio – mas que aparentavam ser suaves demais para a realidade que me circundava. Coloquei-me de pé por um tempo, pensando que se caso caminhasse, talvez encontrassem alguém que pudesse me ajudar. Meus pés arrastaram contra a neve, afundados até a altura da minha canela. As minhas mãos esfregavam uma nas outras, levantando a questão de como ainda não tinha morrido por hipotermia, já que estava em um inferno congelado.

Vaguei pelo que pareciam ser horas, amedrontada a cada passo do que poderia estar acontecendo ou do que poderia acontecer. Perdida, minha mente parecia funcionar em um modo primitivo de sobrevivência, guiada a buscar por coisas básicas. Como abrigo, água e comida. Depois de um tempo, a minha garganta começou a secar, a falta de nutrientes retardando ainda mais os meus movimentos. Não tardei a pensar que morreria de fome, sede e cansaço.

Sem forças para continuar, cai de joelhos, não tardando a repousar totalmente sobre a neve. A sonolência tomou conta de mim, a vontade de desistir e apenas esperar para morrer era quase dominante. Quase.

— Alyss.

A voz veio distante, como um sussurro gentil. Abri os olhos, sem conseguir fixa-lo em algo. O chamado persistiu, teimoso e ainda assim sereno. Virei o meu corpo, passando a deitar de bruços até me deparar com alguém. A vista turva apenas me fazia distinguir que era uma mulher de cabelos longos.

— Levante, Alyss! Levante! Siga-me.

Finalmente tinha encontrado ajuda?! Forcei meu corpo uma vez mais, gemendo de dor enquanto ficava de pé. De braços cruzados para sustentar o resquício de meu calor corporal, segui a mulher que parecia flutuar a minha frente. Felizmente, ela não me conduziu para muito longe, levando até uma nascente entre árvores secas. Cai de joelhos, levando a mão até o líquido vital, o bebendo o máximo que podia, sentindo assim despertar um pouco. Ainda sem estar satisfeita, mas revitalizada, sentei contra a árvore de aparência podre, olhando finalmente para a minha benfeitora.

Ela possuía o cabelo loiro claro, quase platinado, longo e levemente ondulado. Os olhos eram gentis e claros, mas eram as orelhas pontudas que chamavam a atenção. Trajava um vestido longo, não delicado e fofo, mas sim algo que facilitaria o seu movimento mesmo que entrasse em batalha, graças aos cortes que haviam na lateral de sua roupa.

— Quem é você? — Indaguei com a voz falha.

— Alyss.

Pisquei lentamente, pensando que aquele nome era terrivelmente familiar. Minha cabeça girou várias vezes, fazendo com que minhas mãos repousassem sobre ela com um singelo temor de que fosse perde-la. Eu estava prestes a me apresentar quando a dor de cabeça começou, deixando claro uma informação. Ou melhor, a falta dela.

— Eu... E-eu não lembro.... Eu não sei o meu nome! — Exclamei apavorada, olhando para a desconhecida.

— Você também é Alyss. — Ela sorriu, aproximando e abaixando o corpo para nivelar nossos olhares. — Você é minha descendente.

— Alyss. — Repeti o nome, soando um pouco estranho, mas era ao qual eu poderia me agarrar. — Onde estamos?

— No reino dos mortos, Helheim...

— Eu morri?!

— Não. E esse é um dos motivos pelo qual você precisa sair daqui, logo. Este não é o seu lugar, Alyss. Você precisa ir para Alfheim, o reino dos elfos.

— Elfos... É o que você é? É o que eu sou?

— É o que eu sou, mas não o que você é. Não completamente.

— Mas eu não sou Alyss?

— Apenas... — A mulher parou, levantando bruscamente em uma tensão enorme. — Vamos, temos de sair daqui. Agora!

Eu não perguntei o porquê, apesar de agora estar sedenta por respostas. Levantei com mais facilidade do que antes, correndo junto a mulher. Fomos em direção a um pequeno morro, o suficiente para que eu pudesse deitar e esconder a minha presença. Esticando levemente o corpo, avistei criaturas horrendas, de pele azulada que parecia exalar friagem. Se tivesse permanecido perto da fonte, provavelmente estaria sendo devorada naquele momento, passando assim a pertencer ao mundo dos mortos.

— Há um abrigo aqui perto.

Alyss indicou quando as criaturas se afastaram o suficiente, me despertando do temor que sofria. Obediente por estar trêmula tanto de medo quanto de frio, eu a segui sem fazer grandes questionamentos. O abrigo era uma caverna, não muito profunda, mas o suficiente para proteger das correntes de ar frio e de uma possível tempestade de neve. Alyss me incentivou a procurar madeira ao redor, para que fosse capaz de criar uma fogueira. Concordando com a ideia, não tardei a tentar procurar o material para produzir a fonte de calor.

Enquanto empilhava os galhos, já dentro da caverna, minha mente vagava perdida e solitária. Eu não lembrava meu nome, quem era ou de como tinha ido parar ali. Qualquer informação tinha sumido de minha mente. Apesar de ter conhecimentos básicos como linguagem e de como montar uma fogueira. No entanto, fora a elfa quem me ensinou como acende-la de maneira correta. Com as mãos esticadas em direção as chamas, o calor trouxe tanto conforto quanto uma tristeza profunda. Lágrimas escapavam sem permissão, permitindo que toda a incerteza transbordasse naquele momento.

Ao me acalmar, organizei as informações que eu tinha até o momento. Eu estava em um lugar chamado Helheim, o mundo dos mortos. A informação por mais assustadora que fosse, não me provocava surpresa. Era como se fosse fácil aceitar algo desse tipo, sem questionar ou achar loucura. Alyss, ao que ela tinha dito, pertencia aquele lugar, o que a tornava provavelmente um espírito. Um que era meu parente, o que tornava a nossa ligação possível em um local como aquele.

— Como vou sair daqui? — Perguntei, sem deixar de encarar as chamas.

— Primeiro terá de reunir forças para a jornada e aprender a se mover nos reinos dos mortos. Depois, a levarei até Ygdrassil, a Árvore dos Mundos. — Alyss explicou, sentando próxima de mim e sorrindo de maneira serena. — Nunca pensei que a encontraria nessas circunstâncias, é um infortúnio. Mas poderei finalmente reascender a minha tradição élfica através de você, já que é a última descendente capaz de ativar o poder de nossa família.

— Nossa família? Minha mãe está viva não está? Meu pai?!

— Sua mãe eu... Eu não sei. Seu pai definitivamente está. Mas não possuo tanta informação, já que meu mundo não pertence a qualquer outro, senão este.

— Você falou de tradição élfica, o que isso significa?

— Cada família elfa se especializa em algo, possui um traço marcante. Nossa família é do clã Eirien, que deriva do próprio sol. Eu não pude ensinar sua mãe a natureza de nossos traços, mas eu posso ensinar a você para ajuda-la a sobreviver nessa jornada.

Alyss Eirien. Soltei um longo suspiro, me contentando temporariamente em ter um nome e sobrenome. Cansada, ajustei meu corpo ao lado da fogueira improvisada, fitando o que deveria ser o espirito familiar até adormecer.

☼☼☼

A elfa não tardou a começar os seus ensinamentos. Primeiro de todos: sobrevivência no inferno congelado. Ela deixava claro os locais que eu poderia ir, assim como os que eu não deveria pisar os pés a não ser que estivesse com um forte desejo de morrer. Depois, mostrou as poucas frutas das quais eu poderia me alimentar, já que a maioria era venenosa. Existia uma planta que provocava forte enjoo, mas que era o suficiente para nutrir o meu corpo e impedir que ficasse extremamente fraco.

O primeiro desafio foi o de conseguir armas.

Tendo visto aquelas criaturas horrendas, eu sabia que o mundo inferior era dotado de perigos que exigiria combate físico. A elfa, mesmo com certa hesitação, cedeu aos meus pedidos de irmos para o campo dos mortos em combate desonroso. Ali, as almas vagavam ainda em uma forma física, deformada e deteriorada. Meu cérebro os comparava com zumbis de gelo, já que a pele ainda era azulada e os olhos pareciam soltar fumaça esbranquiçada.

— Você precisa controlar sua respiração o máximo possível. — Alyss instruía, olhando diretamente em meus olhos. — Lembre-se do que eu disse sobre andar sobre a neve.

Para permitir a minha ida ao campo dos mortos, ela tinha me treinado antes. Os elfos, segundo minha avó, possuía uma capacidade singular de equilíbrio e autocontrole. O suficiente para não permitir que os pés afundassem na neve, ressignificando todo o sentido do combate em meio a um terreno coberto pelo elemento. Eu tinha treinado durante um dia inteiro, aprendendo a equilibrar os meus pés em consoante a minha respiração calma. Tinha sido um total desastre no início, chegando a cair diversas vezes.

Mas Alyss não me permitiu desistir e ao invés de instigar o sentimento de raiva, ela me deixava ainda mais serena, incentivando a continuar uma vez mais. O truque estava em como você deixava a consciência definir os seus passos. Se manter em mente que graças a gravidade o seu pé deveria afundar, devido a soma de fatores físicos como o peso, ele iria afundar. Porém, conscientizar de que uma parte de mim era elfa e que isso fazia parte da minha natureza, permitiu que os primeiros passos fossem dados.

Voltando ao momento presente, meus olhos vagaram pelo campo vasto e branco em busca de um alvo a qual focar. Este foi encontrado mais afastado do grupo, portando uma espada curta velha e visivelmente enferrujada. Porém, o fato dele estar mais isolado aumentava a probabilidade de lutar apenas com ele, dando uma brecha para uma fuga desenfreada no fim. Respirei fundo, como se junto com o ar infernal eu conseguisse tragar a coragem. Mantive em mente o que tinha aprendido, de que eu era uma parte elfa e podia sim andar sobre a neve. O poder da crença era o suficiente para sustentar deuses, porque não um pequeno credo de que poderia manifestar uma característica de meu próprio povo?

Dei dois passos incertas, ganhando confiança ao ver que meus pés não afundaram. Para aquela situação, isso era crucial, já que aqueles espectros meio-vivos flutuavam sobre a densa camada branca. Caso eu afundasse, minha mobilidade cairia pela metade, impedindo a fuga e aumentando todas as chances de morte. Devagar, fui espreitando o local, deixando que minha atenção se dividisse entre o caminhar e o olhar para o inimigo. Quando estive perto, meu coração batia tão forte que eu podia escutá-lo reverberando o som para além do meu corpo. O som tão incomum em um local inóspito também foi o que me denunciou para o morto. Ele virou o olhar em minha direção, a fumaça branca intensificando. No meu próximo passo, o medo fora tanto que eu esqueci de todas as idealizações que eu tinha, além de que poderia morrer a qualquer momento.

Meus pés afundaram, quase me fazendo perder o equilíbrio e cair de bunda contra a neve. O espectro avançou, empunhando a espada e claramente com um único objetivo em sua mente morta: destruir aquilo que estava vivo. Recuei, usando de muita força para arrastar meu pé contra a camada branca. Joguei meu corpo para o lado assim que a espada veio em um golpe forte e vertical, direto. Seria fácil esquivar daquilo, se não fosse a maldita neve! O resultado desesperador de cair me fez arfar, o sangue fervendo pela adrenalina que circulava ainda mais rápido em minhas veias. Girei a tempo de ver outro avanço, rolando o corpo sobre a neve para impedir que a espada fosse fincada no meio de meu peito.

— Você é uma Eirien! Não se esqueça de quem você é! — A voz de Alyss preencheu meus ouvidos.

Isso pareceu despertar algo dentro de mim. Eu não sabia de meu passado, não sabia o que fazia antes de chegar ali. Mas, de fato, sabia que naquele momento era Alyss Eirien, pois o fantasma gentil estava me auxiliando e ensinando. Pois tinha conseguido andar sobre a neve antes! Ao levantar, a convicção queimava em minhas entranhas, permitindo que meu corpo posicionasse corretamente de maneira automática. Não pensava enquanto mantinha uma postura, pernas entreabertas, joelhos flexionados, punhos corretamente postos. Mas, principalmente, pés sobre a neve.

O espectro invernal desistiu de puxar a espada, ele não possuía forças vitais para tanto. Ele avançou com os braços esticados, grunhindo de maneira grotesca. Dessa vez, deslizei com graça para a lateral, deixando que ele passasse reto. Aproveitei para aplicar um chute frontal, meu corpo agindo por impulso, por uma memória muscular que eu poderia não lembrar, mas meu corpo sim. Ele caiu, mesmo que flutuando a poucos centímetros do chão, permitindo que eu usasse da melhor estratégia: pegar a espada que ainda estava fincada contra a grande camada de neve e sair correndo.

Poderia ser épico uma primeira batalha? Talvez. Mas existiam outros espectros que logo se aproximariam e me encurralariam. O objetivo principal não era vencer todos os males do inferno, mas sim capturar minha primeira arma. Uma enferrujada e sem corte, mas ainda assim, uma arma!

☼☼☼

Faziam dias que eu tinha abandonado a caverna. Ao ter a espada minimamente afiada, ao passar a lâmina contra uma rocha, ajeitei as coisas para seguir a grande aventura. Meu corpo tinha se acostumado com o clima congelante, sendo realmente um milagre não ter morrido depois de tanto tempo exposta. Alyss explicava que era graças a minha ligação com o sol e, nesta época, relacionei facilmente ao fato de nosso clã élfico ter conexão com o astro de fogo.

Durante os primeiros dias, o espírito élfico me ensinava sobre a tradição de Alfheim e de nosso clã. Falava sobre a árvore da família e de como a guerra contra os gigantes tinha dizimado a maior parte de nossos membros. Foi por estar sozinha, que ela revelou ter partido do reino dos elfos para explorar os outros mundos. Ela também falou sobre os reinos daquele lugar, sendo ao total nove. Mas apenas de maneira breve, alegando que eu descobriria ainda mais quando saísse do reino de Hela, a deusa dos mortos. O aprendizado da língua élfica foi o mais complicado, já que até o momento isso parecia ser um conhecimento exclusivamente novo, mas não foi impossível pegar o básico. Mesmo que Alyss risse de meu sotaque estranho, logo estávamos priorizando falar na língua materna do espírito ao invés da que eu pronunciava.

A cada dia, perigos surgiam constantemente. Monstros infernais que farejavam a minha presença como entidade viva, obrigando-me a me esconder por longos períodos. Encontrar alimentos bons o suficiente para simplesmente não me matarem, assim como pequenas fontes de água, não tão limpa, mas que não me deixariam desidratada. Ao mesmo tempo, Alyss decidiu me treinar ainda mais, lamentando sempre que minha arma em punhos fosse uma espada e não um arco. No entanto, isso não a impediu de preparar o meu corpo para despertar os atributos élficos. Agilidade e esquiva foram o foco do espírito élfico, que tirava algumas longas horas da jornada para me atacar de surpresa ou com aviso prévio. Devo acrescentar uma informação que nem mesmo o meu outro eu poderia saber: quando um espírito élfico atravessa você, é como se enfiassem uma lâmina de gelo em seu corpo.

Foi fácil perder a noção do tempo ali em Helheim, mas foi um alívio quando avistei a grande árvore pela primeira vez. Finalmente estava para sair daquele inferno! Tornei meu corpo em direção a Alyss, o sorriso enorme morrendo aos poucos ao perceber o semblante triste de minha avó. A felicidade de ter encontrado o caminho para longe dali fora substituído pela realidade de que teria de dizer adeus a elfa. Meu corpo inteiro tremeu ao imaginar que estaria sozinha uma vez mais, em um lugar desconhecido, com criaturas que não saberia me defender.

— Eu posso ficar mais e treinar, não estou pronta para isso. — Falei de maneira decidida.

— Alyss... Isso aqui é o submundo, não é o seu lugar.

— Eu não sei qual o meu lugar! Se eu preciso fazer uma apresentação quando chegar no mundo élfico, é porque eles não me conhecem da mesma forma que eu não os conheço. Eu preciso estar preparada para isso, pois eu não quero ficar perdida! Então me deixe ficar, até estar preparada para o teste de provação.

Alyss falou constantemente do teste de provação. Era como uma iniciação, em que os jovens de cada clã tinham de vencer um percurso cheio de desafios. Aqueles que completassem, eram dignos de carregar o nome da família. Aqueles que não, poderiam tentar uma vez mais apenas depois de meio século. Elfos puros aparentemente tinham uma longa vida. Alyss hesitou, fazendo daqueles segundos de silêncio mais dolorosos do que o clima de distopia do lugar. Ela aceitou com um leve balançar de cabeça, fazendo com que eu respirasse normalmente.

Encontramos uma caverna segura, uma que me permitia ver a Ygdrassil de maneira clara durante todos os dias e noites. A Árvore da Vida era colossal, com raízes grossas que pareciam atravessar todo o mundo. O nome dela recheava meu espírito com emoções, como se fossem pistas de como eu me sentia no passado ao escutar a palavra.

Alyss me treinou por um tempo, permitindo que meu corpo se desenvolvesse naquele ambiente hostil de maneira primorosa. Logo, eu conseguia me locomover de maneira discreta, até mesmo correr em equilíbrio perfeito com meu peso e a neve. Saltava entre as rochas, esquivava de monstros que surgiam atraídos pela minha vida. Sem ter uma noção de tempo, não poderia dizer quantos dias ou horas passamos ali, mas poderia dizer com precisão quando tudo mudou.

— Você evoluiu, Alyss. — A elfa observou certa noite, sorrindo orgulhosa.

— Obrigada, Alyss. — Disse com certa gozação, já que possuíamos nomes idênticos. — Mas acho que quero treinar esquivas de ataques que vem por trás, ainda sinto que estou precisando aprimorar meus reflexos!

A elfa sorriu ainda mais, porém com um brilho diferencial no olhar. Eu deveria saber que aquele ar melancólico significava: uma despedida silenciosa. No dia seguinte, Alyss tinha desaparecido. Primeiro eu senti a raiva por ter sido deixada, depois a dor do abandono. Demorei dias a procurando, passando perigo desnecessário até entender que ela tinha me deixado para que eu conseguisse partir. O medo de ficar sozinha me atrelou ao espírito, fazendo com que minha mente conjecturasse que era melhor estar no inferno gelado do que sozinha. Eu sabia disso, mas não deixava de sentir a dor pela perda.

O dia finalmente tinha chegado. Eu tinha em mim apenas as roupas rasgadas e desgastadas, além de uma mochila misteriosa. Dentro dela, continham itens sem fim da qual eu não sabia a utilidade, a maioria acessórios que aparentemente não me ajudariam a sobreviver no inferno. O que colares poderiam fazer?

Não me surpreendi ao ver que um guardião estava ali, parado perto do tronco da árvore. Um gigante parecia proteger a entrada e saída principal do lugar, apoiado contra uma rocha iluminada. A pele era acinzentada, coberta por uma camada levemente amarelada. Musculoso e de rosto tenebroso, ele era um tipo de criatura que eu evitava entrar em conflito de todas as maneiras possíveis. Era fato que ele me perseguiria assim que me visse, ao menos era com isto que eu estava contando. Um plano idiota tinha sido formado em minha mente, um que exigiu que antes de mais nada eu fizesse um boneco de neve.

— Argh, porque eu estou com esse ritmo irritante em minha cabeça?

Indaguei confusa, minha mente sendo inundada enquanto finalizava o boneco de neve ao colocar galhos que simulassem braços. Ele era de minha altura, algo propositalmente feito. Pronta para seguir com a próxima fase, aproximei do gigante com o corpo levemente trêmulo. Quem não iria ficar tremendo na frente de um monstro enorme cujo propósito era devorar, esmagar ou estraçalhar quem entrasse em seu caminho?!

— Ei Feioso! — Gritei a plenos pulmões.

O eco de minha voz reverberou por todo o local, mostrando o quão isento de vida o inferno nórdico era. Engoli em seco, quando o monstro tornou o corpo em minha direção. Ele endireitou a postura e bateu contra o peito, soltando um rugido que foi capaz de fazer o chão tremer. Engoli em seco, começando a correr assim que ele deu o primeiro passo. A pleno vapor, deslizando pela neve como se fosse o melhor terreno para avançar, retornei ao boneco de neve me desfazendo do casaco de frio e algumas peças de roupa para cobri-lo. Uma estratégia que só foi possível graças ao conhecimento ofertado por minha avó: quanto mais alto o monstro era, maiores eram as chances dele não enxergar coisas pequenas. Naquele momento eu era como uma formiga para aquele gigante, ele só precisava me esmagar. Ou achar que tinha me esmagado.

Antes dele assumir o campo de visão total do lugar, eu corri para me esconder atrás de rochas cobertas por gelo, altas o suficiente para cobrir o meu corpo. Olhei por cima, espreitando o inimigo que fez exatamente o que eu tinha imaginado ao pisar forte contra o boneco de neve, sacudindo o pé logo depois para se livrar de meu casaco preso em seus dedos. Engoli em seco, aproveitando a chance para iniciar a parte B do plano.

Agora que o tinha afastado, tudo o que eu precisava era correr com tudo o que eu tinha em direção a Árvore da Vida. O frio tinha se tornado ainda mais doloroso, fazendo com que meus músculos ardessem a cada esforço elevado que aplicava sobre eles. Fumaça branca saia constantemente de entre meus lábios e nariz, um efeito natural pelo ambiente tão gélido. Eu estava cada vez mais próxima da Yggdrasil, avistando o seu tronco esbelto e seus enormes galhos. Quase vinte metros de distância e...

— DEUSES!

Gritei em reflexo quando uma rocha caiu bem ao meu lado, errando por pouco o meu corpo. O grito de ódio do monstro dizia para mim que mesmo ele não enxergando bem de longe, ele provavelmente era capaz de ver que algo estava invadindo o seu território. Ignorando a dor graças a adrenalina e desespero, nada mais além do que isso, eu corri com tudo o que minhas pernas poderiam oferecer. O chão tremia cada vez mais, dando a sensação de instabilidade de um terremoto, indicando que o gigante também corria para me alcançar. Eu o sentia perto, pronto para me agarrar em um abraço congelante e mortal. Não olhei para trás, apenas corri e ao chegar perto da árvore, mesmo sem saber ao certo o que estava fazendo, apenas me joguei contra a madeira.

A sensação era como a de atravessar um portal, tão inusitada e nauseante que minha percepção ignorou o fato de minha mente associar os fatores tão facilmente. Olhei pra trás com o coração batendo contra a minha garganta, fixando os olhos no local que eu tinha atravessado, temerosa de que o gigante invernal tivesse me seguido. De alguma forma, isso não aconteceu. Desabei sobre a superfície que tinha, cansada e ofegante, os olhos fechados para recobrar o fôlego e dar um descanso abençoado para o corpo. Mas tudo isso se tornou inútil quando eu abri os olhos uma vez mais.

Era como se eu estivesse em uma outra dimensão e, quem sabe, eu realmente estivesse. Alyss nunca fora capaz de descrever corretamente como seria a Yggdrasil, afirmando que eu só entenderia quando estivesse aqui, vivenciando o momento. Ela tinha razão, era difícil por em palavras o emaranhado de galhos, a altura sem fim do tronco e como tudo aquilo parecia perdido no meio de um local mágico. Como eu encontraria Alfheim? Para onde eu tinha de ir? Essas eram perguntas que se repetiam em minha mente em meio a um loop, deixando-me com um frio na barriga, derivado do receio de ficar perdida em um lugar como aquele. Sozinha.

Levantei bruscamente, o medo impulsionando minhas ações mais do que a coragem, fazendo com que meus pés buscassem equilíbrios para poder subir nos galhos mais fortes. Testava o meu equilíbrio uma vez mais, agradecendo por ali não fazer tanto frio quanto em Helheim. Eu sabia que não poderia ficar parada, isso não me levaria a lugar algum. Mas também não esperava que fosse passar quase uma hora ali, confusa pelas direções.

Existia um problema em ficar tanto tempo sozinha. O desgaste físico pouco parecia importante perante a impotência da mente, que sem ter onde focar mergulhava em pensamentos negativos e duvidosos. Tendo Alyss desde o momento em que acordei sem memória e literalmente no inferno, aquela era a primeira vez que passava tanto tempo em silêncio. Era algo assustador, o suficiente para me manter em movimento e cantarolando em um ritmo suave e baixo. Porém, foi graças a esse silêncio que eu notei o perigo eminente.

Ele vinha de baixo. Rápido, barulhento, constante. Ao voltar meus olhos em direção do som estranho, senti meu fôlego se dissipar em um único segundo. Como se não bastasse um gigante guardião, agora eu estava encarando um esquilo gigante. Um fucking esquilo enorme! Não um fofo, felpudo e bondoso esquilo. Mas sim um monstruoso e com olhos ferozes, irados e fixados em mim. Eu não precisava de muito para entender que era o seu alvo e que ele me devoraria assim que tivesse a chance.

Mais uma vez estava correndo. Ofegante. Trêmula. Cansada. Mas ainda assim correndo, lutando, persistindo, teimando. Eu não tinha chegado até ali a toa! Porém, por mais que eu tivesse força de vontade, o animal tinha todas as vantagens naturais para escalar uma árvore. Logo escutava o roedor cada vez mais próximo. Em meio a corrida, vi vultos indo de um lado para o outro, minha mente hiperfocada na sobrevivência associando rapidamente como galhos mais finos, sem distribuir importância para além da de viver um segundo a mais.

A perseguição durou pouco, no entanto. Ágil e em seu ambiente natural, o esquilo monstruoso estava pronto para saltar e me devorar quando uma flecha cortou o ar, o atingindo na pata dianteira. Ele saltou para o lado, reproduzindo um som estranho e esganiçado. Ao olhar para cima, vi finalmente uma pessoa. Uma que eu julgava estar viva, mesmo com sua pele e cabelos brancos. Ele falava algo em outra língua, mas seus sinais eram bastante claros. Ao mover a mão freneticamente, ele me chamava para acompanha-lo.

Entre um esquilo e um homem de cabelos brancos, mesmo com aparência jovial... Bem, eu ficava com alguém que pelo menos não queria me comer com molho de nozes. Eu o segui, descobrindo sobre os galhos superiores uma garota de cabelos também brancos, correndo na mesma direção que nós. Atrás dela, um rapaz mais jovial, também de mesmo tom de cabelo, atirando contra o guardião da Yggdrasil para nos fazer ganhar tempo.

— Para onde estamos indo?! — Me atrevi a perguntar ofegante, falando a língua aprendida com Alyss.

— Élfico? — A garota do alto gritou surpresa.

— Agora o lugar certo parecer ser Alfheim.

Meu coração deu um solavanco dentro do peito. Os segui mais confiante, mesmo que isso no fundo fosse ingenuidade de minha parte, acreditar em estranhos tão facilmente. Mas merda, tudo era confuso e amedrontador. Ao menos não morreria por um esquilo! O homem que aparentava ser o mais velho passou por um galho, atravessando uma espécie de portal. Sem pensar duas vezes, o segui, sentindo a mesma tontura e enjoo enquanto meu corpo passava de um mundo para o outro. Os outros dois desconhecidos não tardaram a aparecer ao nosso lado, mas eu não os notava mais.

Meu olhar estava fixado no horizonte, o queixo caído alguns centímetros, permitindo que o ar trôpego escapasse. Tinha um campo vasto e verde, um céu azulado e vívido, o som de animais rodeando por todos os lados. Coloquei a mão sobre a boca, abafando qualquer ruído que pudesse fazer, fechando os olhos para poder concentrar totalmente naquela linda melodia, pois ela representava a vida ao meu redor.

Eu estava finalmente em Alfheim.

FPA:
Itens usados:
Fiðrildi [ Uma mochila holográfica com pequenas borboletas azuis brilhantes como estampa. | Efeito 1: A mochila não tem fundo, sendo possível preenchê-la com qualquer objeto, desde que este passe pela abertura. Todo o peso dos objetos são disfarçados, deixando a mochila sempre leve e muito confortável de se levar às costas.  | Efeito 2: Ao tocar nas borboletas com afeto, uma delas pode ganhar vida e funcionar como visão em qualquer lugar por até 20 minutos, ou seja, você vê o que ela vê. Após isso, ela volta à ser estampa. Esta funcionalidade consome 10 MP da portadora. | Material mágico | Beta | Sem espaço para gemas | Item mágico | Conquistado em missão ]


Apito Invocador [Um apito pequeno e feito de madeira resistente, coberto por runas lhe conferindo um visual bonito e místico. Ele possui apenas 7 cm de comprimento e ao ser usado, produz um som que apenas o mascote do portador escutará. Também pode ser acoplado em chaveiros ou outros acessórios. | Efeito: ao ser usado, o seu mascote escutará e um portal será aberto, um em que ele usará para aparecer ao seu lado caso tenha no mínimo lealdade nível 3 | Resistência Gama | Sem espaços para gemas | Status: 100%, sem danos | Mágico | Comprado no Pandevie Magie]

Habilidades:
Aprendidas:
Nome: Pulmões reforçados
Descrição: Após consumir uma poção mágica e se adaptar aos seus efeitos, os pulmões e sistema respiratório foram fortalecidos. Com isso, poderá respirar em diferentes pressões atmosféricas e em locais tóxicos. Habilidades que envolvem a respiração perdem sua força, mas ainda podem provocar efeitos caso o nível do atacante seja maior.
Gasto de MP: Nenhum
Gasto de HP: Nenhum
Bônus: Capacidade de respirar nos locais mais adversos e perigosos para a saúde. -30% de efetividade em habilidades que afetam a respiração ou provocam debuff.
Dano: Nenhum
Extra: Dura apenas 3 meses, ou seja, só irá durar até o final de fevereiro.

Nome: Muay Thai
Descrição: O Muay Thai é uma arte marcial de origem Tailandesa conhecida como Thai Boxe ou Boxe Tailandês e revela um método de combate corpo a corpo (full contact) muito agressivo. É conhecido mundialmente como “a arte das oito armas”, pois caracteriza-se pelo uso combinado da técnica e da força dos membros do corpo humano, nomeadamente: os dois punhos; os dois cotovelos; as duas canelas das pernas e os dois joelhos. O semideus que participou dessa aula tem conhecimento sobre o muay thai, podendo usar de suas técnicas para golpear o seu adversário, principalmente ao usar os cotovelos e os joelhos para atingir o inimigo.
Gasto de MP: Nenhum
Gasto de HP: Nenhum
Bônus: +25 de dano ao usar cotovelos e joelhos no golpe; +30% força, agilidade e flexibilidade.
Extra: Nenhum.
Passivas:
Nome do poder: Quente como o sol II
Descrição: Filhos do deus solar, esses semideuses possuem naturalmente uma temperatura corporal mais elevada. Sentem dificuldade em sentir a mudança de temperatura, sentindo frio apenas quando a temperatura se aproxima do zero. Em ambientes quentes, sentem-se confortáveis e mais agitados do que o comum.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +60% de resistência ao frio; +20% de resistência física em locais quentes.
Dano: Nenhum

Nome do poder: Corpo Atlético IV
Descrição: Apolo sempre foi descrito como um Deus jovem e no auge do seu vigor físico. Filhos de Apolo herdaram essa característica de seu pai, sempre são vistos praticando esportes e atividades físicas para se manterem atléticos.
Gasto de Mp:: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus:+50% de agilidade e esquiva
Dano: Nenhum

Nome do poder: Audição Aguçada II
Descrição: Músicos não possuem só uma capacidade técnica apurada, eles também têm um ouvido muito sensível e com os filhos de Apolo isso não seria diferente. O Semideus neste nível consegue distinguir os sons a sua volta. E com bastante concentração, poderá distinguir sons até de outra quadra. Essa concentração é tamanha que ele não poderá estar movimentando-se bruscamente – como em uma batalha ou correndo – para poder captar os estímulos sonoros tão distantes.
Gasto de Mp:: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus:+ 60% de vantagem em escutar ao seu redor, diminuindo a chance de ataques surpresas contra ele.
Dano: Nenhum

Nome do poder: Saúde Perfeita
Descrição: Apolo/Febo é conhecido por ser não apenas o deus ligado a cura, mas também as pragas e doenças. Os descendentes desse deus acabam nascendo com uma resistência maior sobre a queda da saúde. Doenças comuns não os afligem com a mesma intensidade que são para os outros. Poderes que provoquem algum tipo de adoecimento, fraqueza corporal tem o seu efeito reduzido seja pela sua intensidade ou pelo seu tempo de ação.
Gasto de Mp:: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +50% de resistência a doenças diversas, as mais severas têm seu efeito reduzido. É extremamente raro ver uma prole desse deus resfriado ou gripado, por exemplo.
Dano: Nenhum

Nome do poder: Pericia com Lâminas Curtas III
Descrição: O filho de Apolo/Febo sabe manusear uma faca como ninguém, além de atacar e defender com a arma, dificilmente é desarmado e, ainda por cima, usa de sua facilidade com mira, para arremessar sua arma.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +80% de assertividade no manuseio de lâminas curtas (facas, adagas, etc.).
Dano: + 30% de dano ao ser acertado pela arma do semideus.

Nome do poder: Ecolocalização
Descrição: Filhos de Apolo/Febo possuem a audição naturalmente mais apurada do que os outros semideuses. Capacitando-os de detectar a disposição dos corpos em um ambiente através de ondas ultrassônicas emitidas por eles, eles analisam as reflexões destas e com isso adquirem consciência da posição e distância dos ''obstáculos'' no arredor. Isso também faz com que possam interagir e alterar a rota de outros animais que se utilizam desta habilidade, como morcegos e golfinhos.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum
Dragão do Vácuo:
[url=FPA Ygdra]http://www.bloodolympus.org/t3026-fpa-frannie-a-blackwell#77602[/url]

Poderes de destaque

Nível 14 – Mudança de estatura
Descrição:  Por sua propriedade ser ligada ao vácuo, um elemento misterioso e ligado ao próprio universo, Ygdra desenvolveu uma habilidade bastante peculiar. O dragão consegue agora alternar o seu tamanho, mudando para três formas. A primeira é a do tamanho de um cachorro grande, a segunda similar a de um jovem elefante, a última é referente ao seu tamanho normal.
Tipo: Ativo
Dano: Nenhum
Gasto de MP: 25 a cada mudança de tamanho.
Bônus: Nenhum
Extra: Necessário um turno de espera para mudar o tamanho novamente ou 5 min em OP.

Nível 15– Habilidade de voo avançado
Descrição: O conhecimento de voo, assim como a mobilidade no ar se tornam ainda melhores. Mais ágil, mais veloz e mais resistente há longas viagens.
Tipo: Passivo
Dano: Nenhum
Gasto de MP: Nenhum
Bônus: +50% de melhoria no voo, em termos de velocidade, mobilidade e resistência.
Extra: Consegue aguentar longas viagens e realiza-las em menor tempo.

Thanks to Todd



Última edição por Frannie A. Blackwell em Qui Dez 06, 2018 7:46 pm, editado 1 vez(es)








Frannie A. Blackwell
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Re: ☼ Between Worlds ☼

Mensagem por Frannie A. Blackwell em Qua Dez 05, 2018 11:12 pm


Alfheim

Você não lembra de nada?

Quem proferia a pergunta se chamava Kari Holt, a garota de cabelos brancos e intensos olhos verdes. Tão vívidos como o gramado que cobria o chão ao qual repousávamos durante o acampamento improvisado. Depois de me salvarem, eu literalmente desmaiei de cansaço físico e mental. Ao acordar, dois dias depois, estava coberta por peles de animais, quente e sonolenta. Felizmente, o grupo que tinha me ajudado não tinha me matado e, aparentemente, não fizeram nada que deixassem provas estranhas em meu corpo. Ponto positivo, certo?

— Apenas acordei em Helheim, ou foi o que Alyss me disse — Concordei, finalizando a sopa de cogumelos que a garota tinha feito. — Eu não sei como agradecer o suficiente pela ajuda de vocês.

— Agradeça aos deuses por ter sido nós quem achamos você. Figuras estranhas caminham pela árvore da vida, tentando encontrar seu rumo entre os mundos. — O garoto de orelhas pontudas comentou, ele eram quem possuía a expressão mais séria.

— Talvez seja eu uma dessas figuras estranhas.

A brincadeira descontraiu os outros dois, mas o garoto ainda permaneceu sério. Soltei um longo suspiro, encontrando o olhar de Geralt Holt, pai de Kar e líder daquele grupo inusitado. Assim que eu tinha acordado, eles permitiram que eu comesse e explicasse a minha história. Eu o fiz, contando cada pouco detalhe que minha mente lembrava. Minha mochila ainda estava ali, repousada dentro da barraca onde despertei, o que provocou alívio imediato assim que meus olhos repousaram sobre ela. Mesmo sem entender o significado das coisas que tinha dentro, eram de meu passado apagado.

— Não ligue para o Axel, ele está apenas resistente porque você é uma incógnita, ele não lida bem com mistérios. — Kari disse, olhando com as sobrancelhas arqueadas para o garoto.

— Ela é uma humana, que de alguma forma saiu com vida do reino de Hela e diz ter sido ajudada por algum espírito élfico. Isso é no mínimo suspeito!

— Alyss disse que era minha avó, então acho que temos alguma ligação? — Dei de ombros, cansada demais de me preocupar com as incertezas.

— Apesar do sotaque, ela consegue falar basicamente bem o élfico. — Geralt ponderou em sua postura serena, lançando aqueles olhos em minha direção. O formato deles eram diferentes, com fendas ao invés de um globo circular no centro, o tom dourado como ouro líquido. — Você sabe de qual clã essa Alyss seria?
— Eirien.

Aquilo foi o suficiente para fazer com que Axel levantasse bruscamente, como se apenas a menção do nome do clã fosse uma surpresa enorme demais para que ele ficasse parado. Os olhos encontraram os meus, bastante apertos e chocados.

— Impossível, isso é impossível! Os Eirien estão mortos, todos eles!

— Axel... — Kari tentou em um tom de alerta.

— Você é uma impostora que está tentando se infiltrar na vila e...

— Axel!  — Geralt não foi tão gentil quanto a filha, seu tom forte de comando foi o suficiente para que o elfo calasse a boca, mesmo que parecendo bufar por dentro.

Eu estava encolhida como se fosse uma criança perante um grande monstro. Depositei o recipiente artesanal que usei como base para a sopa, sabendo que estava visivelmente trêmula. Levantei com o máximo de autocontrole que possuía, forçando um sorriso ao falar novamente.

— Eu vou deitar um pouco, estou um pouco tonta. Espero que não seja problema, logo mais poderei partir sozinha.

Nenhum deles falou nada até que meu corpo sumisse dentro da barraca improvisada. Então eu os escutei discutindo em tom baixo, em uma língua da qual eu ainda não conhecia. Deitei sobre as peles de animais desconhecidos, não segurando as lágrimas, percebendo que esta era a primeira vez que chorava. Tudo ali era estranho, diferente e não familiar. O fantástico e belo tinha se tornado assustador, graças a minha incapacidade de lembrar qualquer coisa.

Meu nome.

Meus pais.

Meus gostos.

Minha história.

Tudo isso tinha sido apagado de minha mente, restando apenas uma capacidade cognitiva e motora o suficiente para lidar com aquela situação. Mais do que tudo, eu me sentia sozinha e perdida, aterrorizada com a ideia de que eu poderia continuar assim para sempre. Por isso, quando o calor finalmente me atingiu, me arrancando para longe do frio do inferno nórdico, eu me entreguei as lágrimas. Em Helheim eu não tive tempo de absorver aquela realidade, estava ocupada demais com Alyss aprendendo como sobreviver.

Não sabia bem quando adormeci, apenas que era manhã quando despertei uma vez mais. Kari ajustava as coisas internas do acampamento, sorrindo assim que me viu erguer as pálpebras de maneira preguiçosa. Ela sentou ao meu lado, explicando que Axel estava apenas preocupado com o próprio povo, sendo ligado as tradições daquela raça.

— Mas porque ele tem problema comigo? — Questionei, já sentada e ajudando a garota de cabelos brancos. — O fato de que sou humana parece incomodá-lo bastante, mas você e o Geralt também são...

— Fomos.

— Foram?

— Nós morremos.

— Deuses eu sabia! Eu voltei para Helheim e isso daqui é uma espécie diferente de inferno não é? Merda! Merda! — Desabei no chão novamente, o coração disparado pela simples ideia de falha.

— Calma! — Kari gargalhava com minha reação genuína, terminando de amarrar as peles para mantê-las bem apertadas umas nas outras, ocupando menos espaço. — Eu e meu pai morremos séculos atrás, em batalha para libertar escravos que estavam sendo levados para a Inglaterra. Por ter sido uma morte digna, nos tornamos Einherjar, guerreiros de Odin!

— Einherjar? — Repeti devagar e com muita dificuldade.

— Almas de guerreiros que morreram em combate de maneira digna, levados para Valhala pelas belas e poderosas valquírias! É uma honra viver a pós morte como um guerreiro do Pai de Todos, lutaremos no grande Ragnarok...

Ao abrir a boca para perguntar sobre Valhala e Ragnarok, Kari riu e já se adiantou, explicando que um era o paraíso dos mortos enquanto que o outro representava a profecia do fim do mundo. Ao sairmos da barraca, Kari continuou explicando detalhes que escaparam dos ensinamentos de Alyss, contando sobre os nove reinos nórdicos e seus moradores. Uma parte de mim achava aquilo absurdamente estranho, mas não impossível e fantasioso, apenas estranho. Seguimos viagem sobre cavalos, Axel extremamente silencioso enquanto cortávamos a bela floresta em direção a vila.

Cansada daquele clima, soltei um longo suspiro e o fitei ao tornar meu rosto em sua direção.

— Talvez eu seja mesmo uma farsa. Eu não sei o que eu sou, quem eu sou. Mas se tiver uma chance de ser uma Eirien, eu vou lutar até encontrar a verdade.

— Descobriremos isso na provação. — Foi tudo o que o elfo proferiu.

Concordei com um acenar de cabeça, sentindo meu estômago embrulhar mesmo que sustentasse um olhar obstinado. Se eu falhasse na provação, eu estaria perdida novamente, em um emaranhado de perguntas sem nenhuma pista que me guiasse para respostas.

Naquele mesmo dia alcançamos a cidade.

Minha mente tinha mentalizado algo envolto de cachoeiras, com um grande palácio e um ar meio fantasioso e fantástico, talvez com algumas fadas voando aqui e acola. Eu não sabia porque essa imagem tinha sido projetada, mas eu não poderia estar mais errada. Parecia um bairro luxuoso de alguma cidade, com muitas mansões de diversos tamanhos. As menores eram as primeiras a serem vistas, mas as maiores e com grandes paredes de pedra ficavam mais ao centro.

— Parecem como um castelo da Disney. — Comentei automaticamente, olhando para os lados como se fosse uma criança.

— Disney? — Kari indagou curiosa.

— Eu... Eu não sei, apenas veio na mente o nome. Porém parece adequado.

Kari deu de ombros, seu semblante se tornando cada vez mais sério ao compasso em que encontrávamos os moradores do local. Muito bem vestidos, elegantes, engomadinhos. Antes que chegássemos no que parecia ser a entrada da cidade, um carro com luzes vermelhas e azuis apareceu bloqueando o nosso caminho. Eu entendia que aquilo era uma figura de autoridade, sabendo que aquilo poderia significar encrenca de alguma maneira.

— São os policiais daqui, seguranças. — Geralt explicou, enquanto Axel descia para falar com os elfos uniformizados que desciam do veículo. — Axel precisa garantir, como elfo, que somos conhecidos e inofensivos.

— Não sei se ele acredita que sou tão inofensiva assim. — Comentei em um sussurro.

— Para alguém que sobreviveu em Helheim, duvido que seja, criança.

Não havia sido uma fala hostil de Geralt, mas sim de reconhecimento. O que me fez corar levemente enquanto observava o carro sair do caminho. Tivemos de descer dos cavalos pois adentrar um reino de elfos sobre animais parecia uma ofensa e bastante chamativo. A cada passo que dávamos para dentro da cidade, mais intimidada eu ficava com a riqueza do local. Literalmente riqueza, pois as mansões se tornavam modernas, com carros esportivos e SUVs modernos.

Seguimos para um prédio que não parecia tanto com uma casa, mas ainda assim portava o seu estilo colonial. Logo descobri ser algo similar a uma prefeitura, um local onde a autoridade da cidade ficava. Axel mais uma vez caminhou até a recepção, trocando algumas palavras com a elfa perfeitamente vestida até apontar em minha direção. A garota de cabelos amarelados abriu bem os olhos, depois encarou Axel desconfiada e tudo o que ele fez foi dar de ombros. Ela desapareceu por uma porta atrás de si, voltando menos de cinco minutos depois acompanhada por um outro homem de orelhas pontiagudas.

— Eu sou o Prefeito! Eu penso que está acontecendo algum engano, os Eirien foi um nobre clã do passado que lutou para defender nosso reino dos Jotun e...

— Se eu me lembro bem, qualquer um que alegue ser descendente de um clã pode realizar a provação para beber da benção de Frey. — Geralt comentou encenando um semblante pensativo, a mão sobre o queixo enquanto coçava a barba delicadamente.

— Não usamos esse sistema de clãs a muito tempo, guerreiro de Odin. — O prefeito parecia usar de todas as suas forças para manter-se polido e educado, como se explicasse algo óbvio a alguém menos inteligente. — Estamos em uma era moderna, nossas forças e influências são medidas de maneira diferenciada do passado!

Aquilo produziu um som de repudio de Axel. Ele parecia desgostar daquilo, algo que fez com que a secretária atrás do prefeito o fuzilasse com os olhos.

— Oh, então o Prefeito de Alfheim não poderia aplicar mais a tradição. Interessante, acho que precisamos espalhar isso para que equívocos não aconteçam mais. — Kari falou fingindo compreensão, agindo como se fosse realmente menos inteligente do que aparentava.

— Não sei como isso irá soar nos outros mundos, mas se é assim que ocorre em Alfheim, precisamos avisar a todos! — Geralt concordou, acenando com a cabeça.

— Pedimos perdão pelo incomodo, Sr. Prefeito. — Axel ainda acrescentou.

— Esperem um minuto. Pelo amor de Frey, não exagerem! — O comportamento do prefeito mudou drasticamente. — Certamente que as práticas de uma provação são desnecessárias, é algo bárbaro! Podemos apenas oferecer a benção de Frey, se ela não for uma Eirien, então nada acontecerá além de um mal-estar prolongado.

Eu estava com um semblante incrédulo. Alyss tinha se vangloriado perante as provações, de como elas eram feitas e como os clãs se reuniam com seus filhos, orgulhosos de que eles finalmente receberiam a marca do clã. Mas ao que parecia, Alfheim já não era mais como a minha avó pensava que era. No entanto, a benção de Frey continuava a mesma.

“Em uma fonte abençoada de Frey, uma taça de ouro seria banhada por suas águas. Aquele que vencesse a provação, poderia beber do líquido sagrado, recebendo as marcas de seu clã sobre o corpo. É apenas para um ritual de passagem, mas tão significativo que era o momento mais aguardado de todo o evento”.

A voz de Alyss veio em minha mente, o contentamento em sua fala me deixando um tanto ansiosa para o momento. Algo que ainda se refletia ainda ali, enquanto caminhava para uma sala sendo seguida por todos os espectadores. A secretária tentava argumentar com o Prefeito, alegando que era impossível uma humana ser descendente de um clã como Eirien. A dúvida estava me corroendo e irritando ao mesmo tempo, como se eles estivesse me diminuindo e, ao mesmo tempo, eu temesse ser exatamente isso, uma mera humana.

Dentro daquela sala, tudo parecia muito bem ornamentado para lembrar uma bela floresta. Paisagens eram pintadas nas paredes, colunas eram erguidas e entrelaçadas com uma linda vegetação. No centro dela, uma fonte circular cheia de marcas de runas e desenhos que eu não conseguia identificar. A secretária entregou uma taça dourada ao prefeito, que a preencheu com a água da fonte.

— Aos que aqui estão presentes, testemunhem o reconhecimento do nosso senhor, Frey, a essa jovem que clama pelo seu lugar como Eirien, uma nobre do sol! — O Prefeito, mesmo que contrariado inicialmente, não parecia perder a chance de fazer um pouco de drama e teatro. Ele aproximou de mim, a taça erguida a sua frente como uma oferenda. — Beba isto, e caso pertença a família de Eirien, nosso deus irá abençoar-te com a marca!

Segurei a taça incerta, olhando para o líquido sem conseguir parar de pensar que parecia apenas água comum. Todo o medo e insegurança pareceu convergir em meu corpo naquele momento. Mas, foi exatamente por isso, que em um ato impulsivo bebi do líquido em grandes goladas. O gosto era similar ao da água, com um leve toque de menta e hortelã. Entreguei o item a secretária que aguardava ao meu lado, olhando para minhas mãos e para as pessoas ao meu redor. Pelo semblante deles, eu sabia o que tinha acontecido: nada.

Meus ombros caíram enquanto eu sentia que estava caindo no abismo da incerteza, o prefeito não conseguia disfarçar o sorriso de satisfação. Mas antes que ele pudesse anunciar o meu fracasso, um peso enorme sobre o meu corpo me fez cair sobre um dos meus joelhos. Repousei a mão sobre o peito, sentindo desespero ao não conseguir respirar. Ao olhar para meus braços, vi quando listras brilhantes se alastravam sobre minha pele, formando desenhos que pareciam uma mistura de linhas retas e cursivas. Lutei contra a falta de ar, meus pulmões resistindo bem a mudança em meu corpo. Era como se, de alguma forma, eu já estivesse acostumada com o estresse em meus músculos e pulmões.

Ao conseguir me levantar uma vez mais, os elfos estavam de queixo caído. Aproximei da fonte, olhando para a água que refletiria o meu reflexo. Ali, mesmo com pequenas ondas sobre a superfície líquida, eu consegui ter um vislumbre de como a tatuagem levemente brilhante cobria meu rosto e algumas outras partes de meu corpo. Até mesmo minhas orelhas ficaram levemente pontiagudas! Não tanto quanto a dos elfos ali presentes, que eram mais extensas, mas ainda assim não eram orelhas totalmente humanas. No entanto, logo as tatuagens começaram a regredir, fazendo com que eu olhasse confusa e levemente assustada para aqueles que estavam ao meu redor.

— O que...

— Uma meia-elfa? Como isso é possível? Quem teria coragem de ir para Midgard?! — O Prefeito me encarava surpreso e incrédulo.

— Aparentemente algum Eirien. — Geralt pontuou, os braços cruzados e sua postura impecável.

— Você lembra de algo? —  Kari perguntou, aproximando de mim. — Está bem?

— Só um pouco tonta, nada mais vem a minha mente. — Admiti, olhando para o Prefeito. — Isso quer dizer que eu sou uma Eirien, certo?

— Sim... — Ele admitiu hesitante. — Não totalmente elfa, mas sim. É importante frisar que os clãs não têm mais influência sobre Alfheim! Agradecemos muito a colaboração e dedicação nos embates do passado. Mas o nosso sistema agora é diferente!

— Eu não tenho gana por poder. — Deixei claro irritada pelo comportamento do elfo. — Onde posso encontrar informações sobre os clãs? Sobre minha família?

— Não tem como. — Axel disse, o tom levemente sombrio até que um longo suspiro foi liberado de seus lábios. — Há vinte anos os documentos dos clãs sumiram, todos os registros foram evaporados dos arquivos de Alfheim.

— Eu abri a investigação devidamente, sr. Axel! Mas ao nos depararmos com nada, não poderia investir em algo que levaria a lugar algum!

Foi naquele momento que eu percebi algo. Axel possuía cabelos brancos, mas não tinha parentesco com os Holt. Além das orelhas pontudas, ele possuía tatuagens pelo corpo, sendo exibidas por um longo traço que tomava a linha da garganta e se ramificava no queixo. As mãos dele também pareciam cobertas por linhas finas, tão discretas que eu não tinha percebido antes.

— Você é membro de um clã! — exclamei em realização.

— O único oficial, já que meus pais não quiseram fazer o ritual. — Axel admitiu, virando completamente para mim e fazendo uma leve reverência como forma de apresentação. — Sou Axel do clã Lovatian, sinto muito pela minha desconfiança prévia.

Eu estava para comentar algo, quando uma pontada em minha cabeça resultou em tontura. Fui amparada por Kari.

— Ao que parece você conseguiu também um pouco dos efeitos colaterais. — Geralt observou.

— Podemos oferecer um local para descansar, porém terei de consultar o conselho para saber quais medidas tomar. Há anos não vemos um Eirien e as terras já foram vendidas para outa família e...

— Ela pode vir conosco. — Axel interrompeu o monólogo do Prefeito. — Todas as respostas que poderíamos ter sobre nossos clãs desapareceram de Alfheim. Mas podemos encontrar pistas nos outros reinos enquanto ajudamos Geralt e Kari a fazer o que eles fazem de melhor.

— Entrar em confusão! — Kari exclamou.

— Você será bem-vinda, Alyss do clã Eirien.

Naquele momento eu tive certeza de duas coisas. Eu era uma descendente élfica; e iria enlouquecer se morasse em um lugar tão enfadonho quanto aquele. Por isso, mesmo que levemente enjoada pelo consumo da bebida, eu concordei quase que freneticamente em um balançar de cabeça. Por mais que Alfheim fosse minha origem, eu sabia em minha alma... Aquele não era o meu lar.


☼☼☼



Tempos depois...

A música agitada era acompanhada por uma algazarra desafinada. Porém, todos estavam se divertindo ali na Taverna. Estávamos em um estabelecimento no reino dos anões, Nidavellir. Era um reino escuro e frio, mas nada comparado ao ar gélido de Helheim. Muito tempo tinha passado, sendo que eu tinha desistido de contabilizar o tempo de maneira lógica. Isso era facilmente explicado quando se tinha a compreensão de que cada reino nórdico possuía a sua própria forma de passagem de tempo. Eu sentia que tinha envelhecido, já que meu próprio corpo havia mudado.

Mais alta, semblante mais feroz, corpo mais definido... Não poderia deixar de atribuir as duas características, no entanto, ao fato de ter me desenvolvido junto a Hvit. Era assim como passamos a ser conhecidos, um grupo de criaturas estranhas e deslocadas, que viajavam entre reinos ajudando durante o seu caminho, realizando trabalhos de caçadas e procura. Com o passar do tempo, o grupo cresceu um pouco mais ao adotar o grande Lorak. Um meio gigante coberto de tatuagens e um estilo meio viking-roqueiro, amedrontador por fora, um bobão por dentro.

Hvit tinha se tornado a minha família, estar ao lado deles me fez ter aventuras inesquecíveis e perigos dos quais eu não queria passar uma segunda vez. Pouco a pouco, eu fui esquecendo do propósito de recuperar minhas lembranças, já que novas estavam sendo construídas ali, junto a eles. Depois de um tempo, eu comecei a cobrir aquele vazio dentro de mim com aventuras, bebida e romance físico. Sabia que era apenas uma máscara, uma válvula de escape para não sofrer com o paradigma de alguém que perdia a memória. Mas, por mais que eu encobrisse o vazio, ele ainda estava ali. Disfarçado. Escondido. Contudo, existente.

Naquela noite aquilo não importava. Nosso grupo tinha acabado de retornar de um trabalho importante para os anões da taverna, tendo recuperado as ferramentas roubadas por um monstro dentro de uma caverna. Um trabalho simples, considerado a força de cada um, mas que resultou na alegria de nossos contratantes. Bebidas de graça, música desafinada, gritos de guerreiros pequenos e grandes.

Ergui minha caneca com hidromel, a colidindo contra a de Axel antes de apostar para ver quem terminaria primeiro o líquido embriagante. Infelizmente, aquele maldito elfo ainda conseguia, de alguma forma, beber mais rápido do que eu. Ele foi o primeiro a bater o copo ruidosamente contra a mesa, erguendo os braços em vitória logo depois. Resfoleguei e o xinguei em pelo menos três línguas diferentes, sem me importar em ser boca suja. Os anões ao meu redor riram, enquanto meu corpo era envolvido por grandes braços. Lorak queria dançar! E mesmo para um homem de quase dois metros e alguns centímetros a mais de altura, ele se movia perfeitamente bem. Rodeávamos e gritávamos no refrão, aquele momento preenchendo o vazio de dentro de meu peito até estar tonta e bêbada.

Tropeçando, fui para o lado de fora da taverna, rindo à toa ao tragar o ar gélido para dentro de meus pulmões. O meu pequeno momento de solidão não durou muito, logo uma figura encapuzada parava ao meu lado. Mais ou menos de minha altura, o olhei de cima abaixo, tentando analisar em minha plena capacidade de pessoa não pensante se ele era um perigo ou não. O homem era pálido, de longos cabelos negros e intensos olhos cinzentos, como a lua.

— Eu conheço... conheço você? — Indaguei com certa dificuldade por causa da embriaguez.

— Sim, Alyss. Nos encontramos uma vez. — Ele respondeu e eu sorri ao escutar meu nome, convencida de que poderia confiar nele já que o homem possuía uma informação como aquela. — Me apresentei para você como Mani.

— Desculpe, eu não lembro de nada... Nadinha mesmo! Eu não consigo! — Disse rindo abobalhada. — Parafusos soltos, desconfiam que eu bati a cabeça em algum momento de minha vida.

— Parece que estavam bem mais próximos da verdade do que você pensa. — Mani falou em tom calmo, movendo a mão para dentro do manto. — Mas você também precisa lembrar de seu passado Alyss. Ou não conseguirá lidar com as consequências caso chegue tarde demais.

— Eu já tentei! — Exclamei, repentinamente cansada e frustrada. As emoções a flor da pele. — Eu não consigo! Não há respostas em lugar nenhum e eu já estive até no inferno! De verdade verdadeirinha!

— Aqui, pequena. — Ele retirou a mão de dentro do manto, carregando uma poção. — Contém água da fonte de Mimir.

Franzi o cenho, sabendo que Mimir era o deus da sabedoria. Tinha aprendido sobre tudo o que podia dos nórdicos com o passar do tempo, seja com alguém explicando, seja vivenciando na pele. Tentei pegar o frasco, errei uma, duas vezes até meus dedos segurarem o pequeno vidro. Por um longo tempo fiquei encarando o item, minha mente confusa indo e vindo na lucidez.

Aquilo iria me ajudar a lembrar?

Eu queria lembrar?

E se fosse algo que eu preferisse esquecer?

Mas eu saberia a verdade. Era isso o que impulsionava o meu ser, fazendo com que odiasse qualquer nível de mentira. Por isso, destampei o frasco e entornei o conteúdo dentro de minha boca. O gosto era péssimo, provocando uma tosse prolongada até que minhas pernas perderam as forças. Minha mente deu voltas e voltas, como se tivesse levado uma pancada depois de beber dois litros de hidromel sozinha. Logo estava perdendo a consciência ali, do lado de fora da taverna.

Ao despertar, estava no quarto da pousada que estávamos por aqueles dias. Soltei e gritei quando minha cabeça parecia estar prestes a explodir. A sensação era de que as lembranças estavam sendo enfiadas em meus miolos com a força de Thor e de Ares combinadas.

Ares.

Gregos.

Midgard.

Charlotte.

Eu arfava como se tivesse levado um golpe terrível em meu peito, a dor atravessando meu corpo e espírito. Minha mente fervilhava, as lágrimas caindo tão copiosamente que ao adentrar de Kari e Axel no quarto, eu os via como borrões.

— Outro pesadelo? — Lorak questionou da porta, sabendo que se entrasse no pequeno quarto tudo ficaria apertado por causa de seu tamanho.

Neguei freneticamente com a cabeça. Aquele não era um dos pesadelos que eu tinha de monstros que não existiam nos mundos. Soluçando, tentei recobrar algum tipo de coerência, mas foi uma tarefa que levou quase dez minutos completos.

Eu tinha lembrado.

Mesmo que as coisas ainda estivessem confusas em minha mente, as informações estavam ali, sendo jogadas brusca e cruelmente em minha consciência. Eu era Frannie Alyss Blackwell, filha de Apolo, irmã de Charlotte, estudante de medicina em Nova Roma. Como eu pude esquecer de minha mãe e irmã? Como eu pude desaparecer tantos anos quando uma guerra estava para...

— Deuses...

Meu ar desapareceu de meus pulmões quando finalmente lembrei do mais importante. Mani, o deus da lua nórdico, estava correto quando disse que eu poderia me arrepender se fosse tarde demais. E se já fosse? E se a guerra já tivesse acontecido? E se... E se algo tivesse acontecido com Charlotte?!

— Eu preciso ir. — Falei em tom de urgência, pulando para fora da cama quase derrubando Kari no processo. — Eu tenho de voltar!

— Alyss! — Axel segurou em meus ombros, parando o meu surto antes mesmo que ele começasse. — O que aconteceu?

— Mani apareceu e me deu uma poção da fonte de Mimir. — Expliquei rapidamente, olhando ao redor do quarto em busca de algo valioso. Eu sabia que eles entenderiam a quem eu estava me referindo sem ter de explica-los, afinal, todos eles eram totalmente nórdicos. — Eu o conheci antes, antes de perder as memórias e graças a isso eu lembro. Está tudo confuso, mas eu lembro!

— Você... Você se lembrou! Finalmente! Alyss, você lembrou! — Lorak comemorou da porta, ele sorrindo verdadeiramente contente pela minha vitória. — De onde você é?

— Midgard! — Exclamei, meus olhos saltando quando finalmente encontrei minha mochila com estampas de borboletas azuis. — Achei! Por favor, por favor, que ainda esteja aqui!

Eu sempre a mantinha por perto, como um talismã e uma promessa de nunca esquecer meu verdadeiro objetivo no fim. Abri a mochila sem fundo, adentrando quase o meu braço inteiro para encontrar um item fino e curto. Um apito mágico. Sem explicar maiores detalhes, eu trombei no meio gigante enquanto saia do quarto, correndo para o lado de fora da pousada. Foi nesse momento que vi Geralt aparecendo junto com um anão ao seu lado.

— O que está acontecendo? — Nosso líder indagou confuso.

— Alyss recuperou as lembranças. — Axel respondeu, saindo da pousada sendo seguido dos outros.

Eles faziam perguntas, mas eu não as respondia. Minhas mãos tremiam enquanto levava o apito para próximo dos lábios.

— Se der certo, não ataquem! Não ataquem de forma alguma!

Alertei antes de repousar o apito em minha boca e assopra-lo. O som poderia ser imperceptível aos ouvidos mais comuns. Porém, era uma nota mágica, que percorreria qualquer distância para invocar aquele que eu mais precisava.

Uma enorme figura negra surgiu do alto, seu corpo em tamanho mediano de dois metros, sendo que poderia alcançar uma altura maior ainda. Mesmo com o pedido, Geralt e os outros desembainharam as espadas de maneira instintiva, mas assim que aquilo pousou a nossa frente, eu já estava correndo em sua direção.

— Ygdra!

Joguei-me contra o dragão do vácuo, abraçando-o da melhor maneira que conseguia, ficando praticamente pendurada em seu pescoço. Escutei gritos de alerta vindos das pessoas ao meu redor. Mas logo Ygdra deitava no chão e esfregava o rosto em minhas costas, reproduzindo um som que lembrava um choramingo.

— Estava preocupado. — O dragão murmurou, seu timbre rouco e mágico.

— Eu perdi a memória. Por enquanto estou contente de você ter me reconhecido, eu sei que eu mudei!

— Seu calor ainda é o mesmo.

Gargalhei e, sem hesitar mais, o montei. A urgência, a necessidade, o desespero para saber que tudo estava bem e que eu não estava atrasada movendo minhas ações. Estava sendo impulsiva, sem pensar corretamente, mas nada daquilo parecia importar. Ygdra ergueu o corpo, pronto para iniciar a sua função como meu companheiro alado.

— Eu preciso voltar para Midgard, agora! Assim que possível, eu vou entrar em contato e explicar tudo. Ygdra, espero que você ainda tenha a... — O dragão tornou o rosto em minha direção, como se lesse meus pensamentos, ele fez aparecer a gema de portais em sua testa. — Então vamos!

O dragão fez com que o portão se abrisse metros acima de nós, assim precisando apenas levantar voo com algumas batidas de asa para cumprir a travessia entre mundos. Ao estamos do outro lado, era noite. As luzes da cidade predominavam sobre o horizonte e, mais do que nunca, eu estava feliz em ver a Estátua da Liberdade.

Eu não sabia o que esperava por mim, mas tinha em mente dois  objetivos: precisava descobrir quanto tempo tinha passado e como estava minha meia-irmã e namorada.


FPA:
Itens usados:
Fiðrildi [ Uma mochila holográfica com pequenas borboletas azuis brilhantes como estampa. | Efeito 1: A mochila não tem fundo, sendo possível preenchê-la com qualquer objeto, desde que este passe pela abertura. Todo o peso dos objetos são disfarçados, deixando a mochila sempre leve e muito confortável de se levar às costas.  | Efeito 2: Ao tocar nas borboletas com afeto, uma delas pode ganhar vida e funcionar como visão em qualquer lugar por até 20 minutos, ou seja, você vê o que ela vê. Após isso, ela volta à ser estampa. Esta funcionalidade consome 10 MP da portadora. | Material mágico | Beta | Sem espaço para gemas | Item mágico | Conquistado em missão ]


Apito Invocador [Um apito pequeno e feito de madeira resistente, coberto por runas lhe conferindo um visual bonito e místico. Ele possui apenas 7 cm de comprimento e ao ser usado, produz um som que apenas o mascote do portador escutará. Também pode ser acoplado em chaveiros ou outros acessórios. | Efeito: ao ser usado, o seu mascote escutará e um portal será aberto, um em que ele usará para aparecer ao seu lado caso tenha no mínimo lealdade nível 3 | Resistência Gama | Sem espaços para gemas | Status: 100%, sem danos | Mágico | Comprado no Pandevie Magie]

• Chave de Portais [Uma joia pequena com formato oval bastante discreta. Serve para ser fixada a testa do animal e brilha em tons e cores diferentes quando ativa pelo mascote. | Efeito 1: Permite que o mascote crie um portal para qualquer lugar do mundo ao sacrificar 20 pontos de energia para cidades próximas, 30 para outros estados e 50 para outro país. Depois que o portal é criado é necessário dois turnos de espera para que o mascote consiga ativar outro. Efeito 2: A joia fica oculta e não aparece quando está inativa. | Pedras preciosas | Sem espaço para gemas| Beta | Status: 100% sem danos | Comprada na Fantastic Beast’s]
Habilidades:
Aprendidas:
Nome: Pulmões reforçados
Descrição: Após consumir uma poção mágica e se adaptar aos seus efeitos, os pulmões e sistema respiratório foram fortalecidos. Com isso, poderá respirar em diferentes pressões atmosféricas e em locais tóxicos. Habilidades que envolvem a respiração perdem sua força, mas ainda podem provocar efeitos caso o nível do atacante seja maior.
Gasto de MP: Nenhum
Gasto de HP: Nenhum
Bônus: Capacidade de respirar nos locais mais adversos e perigosos para a saúde. -30% de efetividade em habilidades que afetam a respiração ou provocam debuff.
Dano: Nenhum
Extra: Dura apenas 3 meses, ou seja, só irá durar até o final de fevereiro.

Nome: Muay Thai
Descrição: O Muay Thai é uma arte marcial de origem Tailandesa conhecida como Thai Boxe ou Boxe Tailandês e revela um método de combate corpo a corpo (full contact) muito agressivo. É conhecido mundialmente como “a arte das oito armas”, pois caracteriza-se pelo uso combinado da técnica e da força dos membros do corpo humano, nomeadamente: os dois punhos; os dois cotovelos; as duas canelas das pernas e os dois joelhos. O semideus que participou dessa aula tem conhecimento sobre o muay thai, podendo usar de suas técnicas para golpear o seu adversário, principalmente ao usar os cotovelos e os joelhos para atingir o inimigo.
Gasto de MP: Nenhum
Gasto de HP: Nenhum
Bônus: +25 de dano ao usar cotovelos e joelhos no golpe; +30% força, agilidade e flexibilidade.
Extra: Nenhum.
Passivas:
Nome do poder: Quente como o sol II
Descrição: Filhos do deus solar, esses semideuses possuem naturalmente uma temperatura corporal mais elevada. Sentem dificuldade em sentir a mudança de temperatura, sentindo frio apenas quando a temperatura se aproxima do zero. Em ambientes quentes, sentem-se confortáveis e mais agitados do que o comum.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +60% de resistência ao frio; +20% de resistência física em locais quentes.
Dano: Nenhum

Nome do poder: Corpo Atlético IV
Descrição: Apolo sempre foi descrito como um Deus jovem e no auge do seu vigor físico. Filhos de Apolo herdaram essa característica de seu pai, sempre são vistos praticando esportes e atividades físicas para se manterem atléticos.
Gasto de Mp:: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus:+50% de agilidade e esquiva
Dano: Nenhum

Nome do poder: Audição Aguçada II
Descrição: Músicos não possuem só uma capacidade técnica apurada, eles também têm um ouvido muito sensível e com os filhos de Apolo isso não seria diferente. O Semideus neste nível consegue distinguir os sons a sua volta. E com bastante concentração, poderá distinguir sons até de outra quadra. Essa concentração é tamanha que ele não poderá estar movimentando-se bruscamente – como em uma batalha ou correndo – para poder captar os estímulos sonoros tão distantes.
Gasto de Mp:: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus:+ 60% de vantagem em escutar ao seu redor, diminuindo a chance de ataques surpresas contra ele.
Dano: Nenhum

Nome do poder: Saúde Perfeita
Descrição: Apolo/Febo é conhecido por ser não apenas o deus ligado a cura, mas também as pragas e doenças. Os descendentes desse deus acabam nascendo com uma resistência maior sobre a queda da saúde. Doenças comuns não os afligem com a mesma intensidade que são para os outros. Poderes que provoquem algum tipo de adoecimento, fraqueza corporal tem o seu efeito reduzido seja pela sua intensidade ou pelo seu tempo de ação.
Gasto de Mp:: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +50% de resistência a doenças diversas, as mais severas têm seu efeito reduzido. É extremamente raro ver uma prole desse deus resfriado ou gripado, por exemplo.
Dano: Nenhum

Nome do poder: Pericia com Lâminas Curtas III
Descrição: O filho de Apolo/Febo sabe manusear uma faca como ninguém, além de atacar e defender com a arma, dificilmente é desarmado e, ainda por cima, usa de sua facilidade com mira, para arremessar sua arma.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +80% de assertividade no manuseio de lâminas curtas (facas, adagas, etc.).
Dano: + 30% de dano ao ser acertado pela arma do semideus.

Nome do poder: Ecolocalização
Descrição: Filhos de Apolo/Febo possuem a audição naturalmente mais apurada do que os outros semideuses. Capacitando-os de detectar a disposição dos corpos em um ambiente através de ondas ultrassônicas emitidas por eles, eles analisam as reflexões destas e com isso adquirem consciência da posição e distância dos ''obstáculos'' no arredor. Isso também faz com que possam interagir e alterar a rota de outros animais que se utilizam desta habilidade, como morcegos e golfinhos.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum
Dragão do Vácuo:
[url=FPA Ygdra]http://www.bloodolympus.org/t3026-fpa-frannie-a-blackwell#77602[/url]

Poderes de destaque

Nível 14 – Mudança de estatura
Descrição:  Por sua propriedade ser ligada ao vácuo, um elemento misterioso e ligado ao próprio universo, Ygdra desenvolveu uma habilidade bastante peculiar. O dragão consegue agora alternar o seu tamanho, mudando para três formas. A primeira é a do tamanho de um cachorro grande, a segunda similar a de um jovem elefante, a última é referente ao seu tamanho normal.
Tipo: Ativo
Dano: Nenhum
Gasto de MP: 25 a cada mudança de tamanho.
Bônus: Nenhum
Extra: Necessário um turno de espera para mudar o tamanho novamente ou 5 min em OP.

Nível 15– Habilidade de voo avançado
Descrição: O conhecimento de voo, assim como a mobilidade no ar se tornam ainda melhores. Mais ágil, mais veloz e mais resistente há longas viagens.
Tipo: Passivo
Dano: Nenhum
Gasto de MP: Nenhum
Bônus: +50% de melhoria no voo, em termos de velocidade, mobilidade e resistência.
Extra: Consegue aguentar longas viagens e realiza-las em menor tempo.
Benção desenvolvida:
Estou chamando de benção, mas é uma habilidade que vem do treinamento recebido por Alyss em Helheim e por ter bebido da fonte de Frey no ritual de clãs élficos.

Habilidade para aprovação

Nome: Sangue élfico.
Descrição: A avó da personagem é de origem nórdica, uma elfa completa. Graças a essa ligação e ao aprendizado com o espírito antepassado, a personagem desenvolveu características élficas. Suas orelhas se tornaram levemente pontudas, nada que chame tanta atenção além de um sutil estranhamento. Seu corpo adaptou-se aos atributos desta raça, aprendendo e despertando os genes característicos, melhorando atributos como agilidade, equilíbrio, esquiva. Naturalmente, o desempenho com arcos também foi melhorado, sendo esta uma arma perfeita nas mãos de um elfo.
Gasto de HP: Nenhum.
Gasto de MP: Nenhum.
Bônus: +30% de agilidade, equilíbrio e esquiva.
Dano: +30% de dano com o uso de armas de arremesso e tiro (dardos, arcos, bestas etc).
Extra: Ao entrar em batalha, tatuagens élficas surgem no corpo.

Thanks to Todd









Frannie A. Blackwell
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Filhos de Apolo
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Re: ☼ Between Worlds ☼

Mensagem por Hades em Sex Dez 07, 2018 3:34 pm

Avaliação


Método de Avaliação:

Valores máximos que podem ser obtidos

Máximo de XP da missão: 15.000 exp e 15.000 dracmas   

Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%

Realidade de postagem + Ações realizadas: 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc: 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência: 30%

RECOMPENSAS: 15.000 XP + 15.000 Dracmas + Bênção
O dragão Yg ganha 250 de xp.

Comentários:
Eu não tenho nada a comentar exceto que tudo foi bem desenvolvido e bem ambientalizado, em momento algum o texto correu ou foi repetitivo e sua escrita é muito boa para ler. Parabéns semideusa (que é meio-elfa).

Atualizado por Eu Mesmo.

Hades
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Deuses Olimpianos
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