The Blood of Olympus
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As Terras de Novgorod

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As Terras de Novgorod

Mensagem por Abramov Levitz em Dom Out 29, 2017 5:39 pm







CAPÍTULO I
Um navio grande pede águas profundas
Abramov estava de volta ao seu apartamento em Nova York, quando toda a confusão começou. O telefone fixo do imóvel não parava de tocar, e alguém batia à porta enquanto que ele dormia. Estava exausto, tanto física quanto mentalmente, e por isso em sua primeira oportunidade de descanso pós batalha na cidade, apagou. Por sorte sua propriedade - ou melhor, de seus pais, já que estava no nome deles -, não tinha sido atingida pela mini guerra e, portanto, aquele era seu refúgio. Porém, para o seu azar, aquele lugar secreto e especial encontrava-se com os dias contados.

— Uhn — balbuciou, ao abrir as pálpebras e sentir a baba seca em sua barba.

A cama, completamente bagunçada, estava de frente para a varanda principal do quarto, encarando a noite de tempo fechado lá fora. De cueca mesmo, se desvincilhou das cobertas e caminhou à passos lentos até o telefone. Ainda grogue, sequer percebeu que, àquela altura, já esmurravam a porta da frente da cobertura. O meio-sangue chegou até mesmo, de tão relaxado, a coçar o saco antes de enfim atender a ligação. E, nesse momento, todo seu semblante de calmaria se foi.

— Quê? — questionou a mãe do outro lado da linha. — Mas... isso não é possível... acho — piscou os olhos três vezes de maneira acelerada, antes de bocejar.

As batidas na porta aumentavam mais e mais, tornando-se um incômodo até mesmo para os vizinhos de baixo.

— Mãe, calma, deve ser algum engano, os mortais não conseguem ver através da névoa. Não faz sen... — antes que pudesse continuar, foi interrompido pelos gritos da progenitora.

Katya Levitz estava histérica com a notícia de que seu filho havia se tornado um procurado do governo. A informação de que pessoas com poderes especiais transitavam por ai se espalhou após os últimos ataques de monstros. Só que, aquelas que foram identificadas e catalogadas - sendo Abramov uma delas -, ainda era informação secreta das autoridades. Contudo, pela mulher ser conhecida em território norte-americano graças ao seu status de socialite famosa, ela acabou tendo acesso a isso.

— Ok, se isso é verdade, quem corre mais perigo são vocês. Mãe, onde meu pai tá? — perguntou, até que se assustou com outra batida forte na porta. — Acha ele, se esses malucos tão atrás de mim, com toda certeza vocês serão alvos também — continuou, já pressentido que algo de ruim estava para acontecer. E suas suspeitas ficaram ainda mais fortes quando um trovão rugiu lá fora, anunciando o início do temporal.

— Escuta, pega o meu pai e me encontra na casa da vó. Eles chegaram — desligou o telefone, pois cada segundo a partir dali era crucial para sua sobrevivência.

De maneira apressada, o Maciej foi até o quarto em busca de suas roupas e itens principais. A maior parte do seu arsenal estava no Acampamento Meio-Sangue, mas algumas armas mais especiais sempre lhe acompanhavam. Entre elas, os pingentes especiais que estavam juntos do colar de contas. Sua moeda da sorte reluziu no criado mudo ao lado da cama, e ele a pegou antes de correr de volta à sala. Foi ai que outro trovão estourou no céu e a chuva começou. A maleta mágica era a única coisa que o impedia de fugir dali, mas ela estava justamente sobre a mesa principal da sala.


— Abramov-Maciej Levitz, indo a algum lugar? — uma mulher estava de pé, do outro lado do cômodo principal, acompanhada de outros dois homens. Com uma estatura normal e pele clara, o que mais chamava atenção era seu visual estranho. A jovem vestia uma blusa sem estampas completamente rosa e que parecia leve, porém, as calças eram de couro e pretas. Para tornar tudo ainda mais contrastante, os cabelos ruivos estavam presos em um coque e uns óculos de sol grandes escondiam seus olhos.

— Esse sou eu, e sim, estou de saída — respondeu ironicamente a pergunta irônica. Seus olhos desviaram a atenção, por um rápido segundo, da agente do governo para a maleta - e ela percebeu.

— Está de olho nisso, é? Me pergunto que tipo de coisa horrenda você guarda ai dentro — deu um passo à frente. — Acho que só tem um jeito de descobrir — sorriu com o canto esquerdo da boca, antes de sacar uma arma de trás das calças.

O filho de Zeus engoliu seco ao visualizar a arma de fogo apontada para ele. Sabia que, para seu infortúnio, ainda tinha sangue mortal correndo em suas veias e, por isso, poderia morrer caso fosse atingido pelo tiro. "Eu não enfrentei uma caralhada de gnomo enjoado pra morrer pra uma arma mortal", pensou, quando questionou se devia ou não usar seus poderes para se defender. Eram mortais, disso tinha certeza, mas eles não parecia mais indefesos que qualquer uma das criaturas havia enfrentado até então. Ao contrário, tirando a mulher, que mais parecia uma atriz de cinema nos intervalos de um filme de ação (tendo trocado apenas a parte de cima das roupas, e esquecido a de baixo que era parte do figurino), os outros dois homens estavam armados até os dentes. Eles vestiam roupas da SWAT, mas definitivamente não eram do esquadrão. Entretanto, sendo ou não, as submetralhadoras que empunhavam pareciam tão assustadoras quanto às do esquadrão.

— Você não vai querer fazer isso — ele disse.

— Anjo, eu estou me coçando para fazer isso — seu sorriso, até então pela metade, enfim se completou... e ela puxou o gatilho.

BANG!

O barulho de tiro somou ao dos vidros quebrando e da chuva adentrando a cobertura. Abramov usou os ventos ferozes da noite para se defender, e, com muita sorte, eles desviaram a trajetória da bala. Nesse meio tempo em que os três agentes especiais se atrapalharam com a distração, o meio-sangue correu com tudo até a mesa e pegou a maleta. Ele chegou a olhar para seus perseguidores, e enfim visualizou - com a ajuda do clarão de um relâmpago -, os olhos da mulher por trás dos óculos. Eles eram verdes e ferozes. Havia determinação em seu olhar, mas também muita ira. Aquilo era pessoal e ele soube ali.

— A aberração está fugindo, atirem nele! — ela gritou, enquanto atirava também contra o semideus.

A corrida até a varanda foi rápida graças ao pequeno voo que deu, e então ele alcançou a parte de fora do apartamento e se viu livre. Todavia, sua fuga não durou muito tempo. Aquilo era vida real, não um dos filmes de Hollywood, dessa forma, acabou sendo atingido no ombro por um dos tiros e caiu. A dor foi imensa, provavelmente uma das maiores que havia sentido em toda sua vida. Inconscientemente, levou a mão direita até o ombro esquerdo ferido, inutilmente tentando apertar a ferida e parar o sangramento. Sua mão esquerda estava falhando, e com o que lhe sobrou de força, sacudiu a maleta que carregava para a abrir...

...e ele conseguiu.

Grizfolk emergiu de dentro da maleta mágica e planou sob seu dono, para evitar que ele continuasse caindo. O grego caiu estirado sobre o dragão gigantesco, ferido e fraco. Os olhos azuis olharam uma última vez para o apartamento, apenas para ver os agentes atirarem contra a dupla - tudo em vão. Era impossível alcançar uma criatura magnífica e potente como aquela, então, em questão de minutos, os dois se distanciaram com as batidas pesadas das asas draconianas. Ab repousava com certa dificuldade sobre as escamas da mascote, se segurando firme para não cair ou deixar a valise escorregar. Precisava urgentemente tratar daquele ferimento, porém, conforme voaram próximos à Lua em meio à tempestade, seu comando foi um só:

— Pra casa da minha vó, amigão, leva a gente pra lá, por favor — e então seus olhos se fecharam, e ele adormeceu.

(...)

Viajar em um dragão durante a noite, para muitos que imaginam a cena, deve ser algo realmente fantástico. Entretanto, tendo sido baleado e estando ainda exausto das últimas batalhas, para Abramov, aquilo não foi nada fantástico. Em vários momentos ele se viu adormecendo sobre o dragão e quase caindo dele. Seus olhos alternavam entre admirar a lua no horizonte, e se fecharem para cochilar por alguns instantes, já que a dor do ferimento a bala era extrema. Para piorar, sua avó morava em Seattle, do outro lado do país e, assim, a viagem durou a noite toda e só terminou quando o sol já iluminava a manhã.

O californiano não visitava a vó havia mais de um ano, e ele tinha um motivo para isso.

— Deuses, Abrashkin, você foi baleado — a anciã russa resmungou, ao ver o neto entrar em sua casa todo ensanguentado.

— Ab, meu filho! — Katya estava na sala junto da mãe e do marido, à espera do filho. — Eu não consegui dormir essa noite, imaginei que fosse vir voando com o Griz e... cadê o Grizfolk?

— Ele tá aqui — mostrou a maleta. — Tinha gente atrás de mim, quase me pegaram.

— Eu falei que isso era encrenca, a gente devia ter te mandado pra Rússia, te escondido por lá, qualquer coisa até a poeira baixar — Ian, o pai de Ab, terminou de beber o restante do café e se levantou, inquieto.

— E ele viver lá pelo resto da vida? Sem a gente poder ver ele? Que ideia de jerico — a esposa reclamou, e o marido apenas bufou.

— Alguém tem que tomar a decisão mais sensata. Ou prefere que ele sirva de alvo pras armas do governo? — o homem retrucou.

— Já não bastava os monstros, agora isso, ai meu filho — a mãe foi até a cozinha, pegar o kit de primeiros socorros.

— Não é 'já bastava os monstros', eles ainda são o principal perigo. Venha, Abrashkin, você precisa de cuidados — a anciã guiou o neto até o quarto de cima.

Vânia-Maciej Melnikov alcançou seus noventa e dois anos com muita garra e disposição. A anciã russa nasceu e foi criada nos Estados Unidos da América até seus seis anos, quando voltou para as terras de seus pais na Rússia. Retornou ao país onde nascera não muito depois, sendo este um de seus mistérios, pois ninguém sabia ao certo a data da volta. Seu primeiro, e único também, neto, foi criado pelos pais e por ela por muito tempo, entretanto, ele não tem a melhor das relações com a velha.

— Atingiu em cheio, por sorte não foi mais para baixo ou então... — Vânia terminou o curativo no ombro ferido do neto, que estava deitado na cama no segundo andar da casa. — Devia ter ficado comigo, Abrashkin, eu poderia ter te ajudado a desenvolver seus poderes.

— Para de me chamar assim, já disse que meu apelido é Ab — resmungou, pois sempre detestava quando a avó usava o apelido russo do seu nome para se referir a ele.

Quando menor, era a idosa quem colocava o garoto para dormir, uma vez que a mãe estava sempre ocupada com as premieres dos filmes que estrelava. Porém, a russa não contava histórias de ninar agradáveis para o neto, ao contrário. As histórias que por ela eram contadas, sempre envolviam monstros e terror, lendas antigas do norte da Europa e o final sempre era triste. E não parava por ai. Na concepção de Ab, nada do que ela falava fazia sentido. Na verdade, para ele, ela tinha perdido a lucidez há tempos, mas ninguém parecia querer entrar no assunto. Era como se todos achassem graça em suas falas, e ele fosse o único a perceber que algo estava errado.

— Eu te chamo como quiser. E nem importa, ninguém chamará ninguém de nada se Baba-Yaga vencer a guerra — a senhora dos cabelos brancos se levantou da ponta da cama em que estava sentada, e se dirigiu à porta.

— Vó, não existe Baba-Yaga, não estamos na Rússia — disse, sem paciência.

— Baba-Yaga existe, Abrashkin, você que não a enxerga. Eu sei, eu vi quando pequena — falou, antes de se retirar do cômodo sem mais explicações.

Abramov se virou, com todo cuidado do mundo, na cama e passou a encarar o dia lá fora. Vânia morava em uma casa afastada da cidade, nos campos de cultivo (algo bastante comum em Washington) e por isso a vista mais parecia de uma roça. Os pássaros voavam alto no céu claro, e por um instante ele se esqueceu da tempestade da noite anterior. Aquele lugar era pacífico e reconfortante, apesar dos pesares, e o rapaz quase sempre conseguia se esconder dos problemas por lá. Era o refúgio da mãe também, quando ela fugia dos holofotes, por isso pareceu o local mais adequado naquele momento de loucura com os mortais.

— Baba-Yaga vencer a guerra... — sussurrou as palavras da avó, pensando melhor sobre elas.

Não era Nyx quem estava guerreando contra os olimpianos, questionou. De repente, todo aquele papo de folclore eslavo maluco começou a fazer sentido. Impaciente como sempre era, o semideus se levantou, com certa dificuldade pelas leves pontadas que sentia ao mover o tronco, e desceu as escadas. Encontrou os pais sentados à mesa na sala, mas nada da avó. O casal parecia discutir sobre algo, provavelmente sobre o filho, mas este preferiu não se intrometer e apenas seguiu até o corredor. Havia uma estante de livros velhos no corredor que ligava a cozinha até a sala, e foi lá que ele procurou pelo exemplar de contos eslavos.

— O que está fazendo, querido? — Katya se aproximou do filho, curiosa.

— Mãe, você sabe algo sobre a Baba-Yaga que a vó tanto fala?

— A bruxa? É uma história, por que quer saber? — ela se abaixou para encostar a mão nos cabelos do primogênito.

— Curiosidade... minha vó tá onde? — fungou o nariz, pela poeira levantada ao mexer na estante.

— No parreiral, colhendo uva — antes que ela pudesse perguntar novamente o motivo, o californiano disparou em busca da avó.

Uma sensação ruim tomou conta do filho de Zeus, conforme ele caminhava quase correndo em direção aos campos de uva. O dia estava lindo, o céu limpo e o sol a pino, com uma paisagem estonteante de campos de plantação cercando a casa, entretanto, o campista sabia que algo estava para acontecer. O sangue divino que corre nas veias dos semideuses tem, entre suas habilidades mágicas conhecidas, a intuição aguçada que dificilmente errava.

E ali, definitivamente, ela não estava errada.

O parreiral era imenso para todos os lados, e estava em época de colheita, portanto o verde contrastava de maneira bela com os cachos de uva. O cheiro dos frutos era forte, até um pouco embriagante, o que não era tão surpreendente considerando os fatos. Ao adentrar a plantação, seus olhos correram por toda a extensão que podiam, se perdendo em questão de instantes. Seus passos ecoavam na bela manhã silenciosa. Era somente ele e o barulho da areia sendo pisoteada no chão de terra. Seu braço esquerdo estava pulsando por conta do ferimento e o nevosismo. Uma cena que tinha tudo para ser tranquila e simples, havia se transformado em uma digna de algum livro do Stephen King.

"Terror no parreiral parece mesmo um título que ele escreveria", pensou, antes de espirrar.

A poeira de antes ainda estava irritando seu nariz, só que, quando espirrou, algo se moveu em um ponto mais à sua direita. O grego se virou de maneira rápida, mas nada viu. Estava ficando cada vez mais aflito. Sua avó não parecia estar por ali, mas, sentia uma presença diferente próxima a ele. Seus passos foram apressados, já não se importando em denunciar a própria posição, pela certeza de estar sendo observado. Quando se virou novamente, pôde jurar que a casa havia sumido.

Um labirinto de trepadeiras. Onde foi que ele já tinha visto aquilo mesmo?

— Abrashkin — a voz rouca da velha lhe chamou a atenção.

— Vó? — voltou-se para o norte, mas nada viu.

— Ela se foi, Abramov — uma voz desconhecida que não parecia vir de lugar algum, mas, ao mesmo tempo, de todos os lugares, disse.

— Quem é você? — questionou, levando as mãos aos bolsos, apenas para lembrar que estava completamente desarmado.

— Um velho conhecido da família — o timbre era masculino, mas nada malicioso. Era alguma divindade, isso era óbvio, mas qual? — Meu tempo é curto, garoto, o cerco está fechando. Agora, com os mortais cientes de nossa existência, dos dois lados — a voz continuou, e então um vento forte balançou toda a plantação. Cachos de uva caíam, as folhas voavam e um mini tornado se formou à frente do rapaz. No centro dele, uma figura estranha com olhos roxos passou a encarar o semideus.

— Você é... senhor D? Não... — Dionísio era bastante conhecido pelos campistas gregos, e havia algo diferente naquele ser. Sua voz era embriagante de uma maneira diferente, mais maléfica, talvez até mesmo mais... libertina. — Baco — pronunciou o nome do deus, atônito por aquela ser sua primeira vez em contato com uma divindade romana.

— Isso, agora vá, preciso que me encontre em um local mais adequado — o mini tornado começou a enfraquecer. — Seus pais não estarão seguros com você ao lado deles.

— E onde a minha vó tá? — perguntou, de maneira afobada.

— Ela fez um sacrifício maior em seu nome, mas você ainda a verá pelo menos uma última vez. Mas para isso, precisará correr — e então o tornado desapareceu, deixando apenas um bilhete onde antes esteve.

Apesar de estar a sozinho, a sensação ruim não passou. Abramov se abaixou e pegou o pedaço de papel, que parecia ter sido derrubado em vinho de tão manchado que estava. Muitas perguntas se formavam em um sua cabeça naquele momento, e somente uma resposta lhe tinha sido dada:

— Minskoff Theatre, Broadway - Nova York.

(...)

Explicar para os pais que a matriarca dos Maciej havia sido raptada por um deus romano, não foi nada fácil para Abramov. Convencer os dois de que ele precisava voltar para Nova York, de onde tinha acabado de fugir, menos ainda. Porém, com muito diálogo, ficou-se provada a urgência daquela viagem, caso contrário, jamais saberiam o paradeiro de Vânia. A partida foi em abraços apertados e longos. Ian não estava nada satisfeito com essa missão misteriosa do nada. O homem sentia saudades do filho mais do que podia admitir, e isso ficou evidente nas lágrimas controladas que escorreram de seus olhos. A cena fragilizante foi interrompida por uma promessa feita por parte de Ab para com seus pais.

— Eu vou voltar — jurou, antes de partir novamente montado em Grizfolk.

Voar todo o território norte-americano de novo foi tedioso, embora melhor do que da última vez - onde estave quase desmaiando e morrendo de hemorragia. Durante o caminho, ficou refletindo sobre a possível ligação de sua família com Baco. Afinal, até onde sabia, sua mãe tinha sido a primeira a se envolver com um deus. Mas, parando para pensar, como a senhorinha poderia saber sobre a guerra se, mesmo lúcida e ciente do sangue divino que corria nas veias do neto, ele nunca tinha contado essa parte a ela. Duvidava que tinha sido sua mãe, isto porque a mulher preferia evitar entrar nesse assunto com o restante da família. Todas essas dúvidas só causavam dor de cabeça, então, preferiu se distrair observando o cenário abaixo e improvisar na hora.

Durante a jornada, não pôde evitar se lembrar de como tudo tinha começado, e se perguntar se as coisas teriam sido diferentes se tivesse seguido outro caminho. Se não tivesse ido à festa aquele dia, não teria terminado com o Cody, e, por consequência, jamais teria ido até o ginásio da escola atrás dele, evitando assim o encontro com as dracaenaes. Teria terminado o ensino médio em paz, e provavelmente vivido mais alguns anos sem saber a verdade. Ou pelo menos era o que preferia acreditar, já que na prática, os ataques voltariam a acontecer mesmo que não naquele dia. A suposição de uma vida tranquila e ignorante era tentadora, mas daquelas tentações que são boas longe. Porque quando se descobre a verdade, não se pode fingir que não sabe das coisas.

A ignorância, às vezes, é uma benção, já diziam.

Quando ele enfim chegou em Nova York novamente, já era noite. Seus últimos dois dias pareciam ter sido sugados na linha temporal, considerando as viagens e o tempo perdido nelas. Tudo por uma boa causa, pensou. Conforme desceu no topo de um prédio aleatório, ficou se perguntando o que os mortais teriam visto do pouso. Saber que poderiam lhe identificar como uma das aberrações era amedrontador. Durante a noite, era fácil se misturar na multidão da grande metrópole, devido à grande aglomeração de pessoas nas ruas. Ainda assim, o semideus caminhou com a sensação de que estava sendo observado a todo instante. Inclusive, por muitas vezes se pegou caminhando apressado, e em uma destas, esbarrou em uma mulher.

— Foi mal — se desculpou, sentindo uma leve dor por ter esbarrado justamente com o ombro machucado.

— Olha por onde anda — a mulher resmungou, até que reparou no jovem adulto e então se ligou. — Ei... eu conheço você... esses olhos...

Ab engoliu em seco, sentindo o suor do nervosismo escorrer por sua testa.

— São lindos! Uau, que azuis hipnotizantes... me desculpe, não sei porque estou falando isso — ela sacudiu de leve a cabeça, como se estivesse alterada, e então voltou a seguir caminho.

Sem entender bem o que tinha sido aquilo, Abramov apenas continuou seu caminho até enfim alcançar o Minskoff Theatre. Mesmo sendo uma terça-feira, a Broadway, como esperado, estava lotada, exceto pelo local em que estava indo. A casa de espetáculos se encontrava fechada e portanto, poucas pessoas paravam por ali. Um ou outro, para atender uma ligação ou ajeitar algo nas vestes, mas ninguém de fato ficava. O símbolo do leão, provavelmente por conta da peça The Lion King, era bastante curioso e irônico. Até onde sabia, o leão era um dos animais que mais representavam Dionísio, ou, naquele caso, Baco. Mas, as coincidências não paravam por ai. Em um dos cartazes laterais, estava escrito em grego e bem grande:

"Abramov, entre."

Ninguém mais parecia notar a escrita, o que lhe fez a crer que era algum tipo de poder do deus dos vinhos. O temor fez com que o meio-sangue entrasse de maneira desconfiada, olhando para trás no intuito de garantir que ninguém estava lhe seguindo. E de fato, ninguém estava. Lá dentro estava tudo aceso, e uma falaria alta chamava a atenção para o palco principal. Nele, dois atores encenavam algo desconhecido. A dupla não parou com sua chegada, ao contrário, estava bastante empolgada com aquilo. Ab segurou firme a alça da maleta que carregava, sem saber o que esperar.

— Você veio, que ótimo! — um homem, que até então passava despercebido na plateia, se levantou com sua chegada. Ele parecia ter chegado recentemente à casa dos trinta. Era esbelto, não muito alto, com uma barba mal feita e cabelos grandes o suficiente para serem escondidos atrás das orelhas. Vestindo jeans surrados e calçando tênis Vans preto, sua jaqueta militar marrom toda esfarrapada era bastante destoante do retante do look. Apesar dessa descrição maluca, suas bochechas eram meio arredondadas, seus lábios pareciam mais vermelhos que de costume, e sua pele clara tinha um tom avermelhado que indicava alto consumo de álcool.

— Baco — respondeu, intrigado com a aparência do deus.

— Batmov, é um prazer enfim te conhecer — ele fez uma reverência, sem desviar o olhar do rapaz, como se estivesse lhe provocando.

Se Ares despertava ira naqueles ao seu redor, Baco deixava uma sensação de embriaguez e luxúria, uma combinação não muito estranha.

— É Abramov, você acertou no parreiral, tenta outra — respondeu, sem muita paciência para o erro proposital de seu nome. O senhor D também costumava fazer isso, sendo isto então algo intrínseco de ambas as versões, concluiu.

— Ah, verdade, perdoe meu humor duvidável nesse momento tão delicado — ele andou até o palco, batendo palmas no meio do caminho. — Esplêndido, agora, queridos, quebrem a perna — ao dizer as palavras, a dupla de atores desvaneceu em um líquido roxo, o qual também sumiu ao se espalhar pelo chão do palco. — Essa a nós pertence — estendeu a mão, de maneira cortês, indicando que o outro subisse também.

Ainda atônito pela demonstração gratuita de poder por parte do romano, o Levitz pensou duas vezes antes de também subir ao palco. Mas, no fim, o fez.

— Qual é a da enrolação? Cadê a minha vó? — inqueriu, nada satisfeito com aquilo.

Baco estalou os dedos, e então todo o cenário ao redor dos dois mudou. Uma náusea forte tomou conta de Abramov, que levou a mão direita à boca para evitar por a última refeição para fora. Seus olhos piscaram com força, uma, duas, três vezes e a imagem não desapareceu. Estavam em um bosque, nevava forte e, mais ao norte, uma pequena cabana encontrava-se aquecida por um fogo que brilhava pelas janelas. O frio era extremo, provavelmente mortal se continuasse ali por muito tempo, e os uivos dos ventos eram assustadores. Para todos os lados que olhava, só via mais árvores e branquidão.

What a... — sussurrou, não crendo no que estava acontecendo.

— Você não queria saber onde estava sua vó? Pois bem, ela tá lá dentro, aquela é a casa dela... quando veio para a Rússia — a divindade disse, como se fosse a coisa mais natural do mundo.

— Estamos... na Rússia? — se virou para o outro, tremendo de frio.

— Sim... e não — ele riu de maneira estridente e exagerada. Seu hálito cheirava a vinho, e isso era bom, quase tentador. — Venha, preciso que veja algo.

Os dois seguiram em direção à cabana e pararam em frente a ela. De perto da janela, Abramov pôde ver o interior da casa e constatar que estavam de volta em um passado distante. O interior rústico denunciava esta última constatação. As madeiras, utilizadas para a construção do imóvel, eram de carvalho grosso. Os móveis também eram todos feitos de madeira, as pedras na lareira pareciam ser feitas de mármores - mas não podia afirmar. O local era pequeno, quase que um cômodo só. Havia uma cama mais em um canto, uma mesa com cadeiras na direção da lareira, demarcando meio, e um fogão a lenha do outro lado. Na cama, uma moça colocava uma garotinha para dormir.

— Aquela mulher é a minha avó? — perguntou ao seu acompanhante.

— Errado. Aquela — apontou para a criança. — É a sua vó.

Embora assustado por estar vendo a mãe de sua mãe ainda criança, o que mais lhe deixou emocionado foi a presença da bisavó. Sabia muito pouco a respeito da mulher, e sempre se perguntou como ela era, então vê-la ali foi realmente muito emocionante. Só que, apesar da animação, uma mal estar estranho voltou a lhe assolar - a mesma sensação que tivera no parreiral. Se virou novamente para Baco, e o deus olhou de volta de maneira séria.

— É agora — falou, ao mesmo tempo em que puxou Abramov junto dele para o lado, escondendo ambos no meio das árvores.


Uma criatura surgiu do ponto oposto à entrada da cabana, como se tivesse saído das sombras. O monstro tinha pernas de bode, tronco de humano, mas as garras e cabeça eram de lobo. Uma mistura horrenda e até então nunca vista pelo semideus, que se intimidou com sua mera presença. Porém, sua bisavó não parecia nada intimidada, pelo contrário. A mulher saiu da cabana, armada com sua lança, e marchou em meio à neve. Seus cabelos pretos como a noite soltos balançavam com os ventos gélidos. A roupa de pele pesada escondia toda a tonalidade clara de sua epiderme, mas seus olhos, azuis como os de Ab, brilhavam na densa noite.

— Stvar teme, tukaj nimaš prostora — a mulher sibilou.

— Prišel sem po tem, kar mi je obljubil — a besta respondeu, com uma voz monstruosa.

— Isso é... — sussurrou, incerto.

— Esloveno, sim, você consegue entender, não consegue? — o deus questionou.

— Acho que sim... — quando forçou a se concentrar no diálogo, foi como a primeira vez em que entendeu o grego sem ter estudado o idioma.

— Está em seu sangue — Baco explicou em voz baixa, indicando que o outro se calasse para assistir o desenrolar da cena.

A jovem levantou a lança, apontando a arma para a criatura. — Não há nada para você aqui, criatura asqueroso, dê meia volta — ameaçou, sem recuar.

— Você está longe da proteção de seus falsos deuses, pagã, não seja tola — o bicho assumiu a postura de quatro patas e rosnou, indicando que atacaria.

— O que é aquilo? Aquele monstro tem quase o dobro do tamanho dela, precisamos ajudar! — tentou se mover, mas o deus dos vinhos o segurou.

— Aquilo é um psoglav, rapaz, uma criatura não catalogada no nosso bestiário — respondeu. — E estamos apenas revivendo uma cena do passado, não seja tolo, não há nada que possa ser feito.

Abramov sossegou após as palavras do romano, assistindo aflito o desenrolar das coisas. Depois do breve diálogo, a criatura avançou em um bote rápido e impressionante, caindo ao lado da guerreira. A mulher, por sua vez, girou no eixo e desferiu um ataque horizontal com a lança, causando uma grande ferida no lado esquerdo do inimigo. A monstro rugiu de dor, mas não se deu por vencido. Ele aproveitou que estava próximo, para realizar um golpe ascendente com as garras e atingiu a barriga da adversária.

— Ela vai morrer! — o jovem adulto se afobou, tendo sido impedido outra vez pela divindade.

— Cala a boca, que porre — Baco resmungou e, já impaciente, fez videiras surgirem a partir das orelhas do semideus e taparem a boca dele.

Furioso, Ab olhou para seu acompanhante, entretanto, não teve tempo de protestar pela gravidade que a batalha tomou. Seus olhos correram de volta para o campo de batalha, apenas para visualizar sua bisavó perfurar o coração do monstro. A criatura gritou antes de explodir em pó dourado, deixando a mulher sozinha novamente.

— Agora, minha parte favorita — cutucou o Levitz. — Vou aparecer.

No mesmo instante em que Baco disse aquilo, ele realmente apareceu. O deus romano surgiu ao lado da jovem, com uma aparência bastante diferente. Em suma, seus aspectos físicos eram os mesmos, mas as vestes eram romanas, com túnicas e placas de metal em pontos estratégicos. Um deus de verdade, Abramov pensou.

— Pai, eu falhei — ela se curvou perante a entidade, bastante ferida e fraca.

— Erga-se, minha filha — as palavras do outro Baco deixaram Ab atordoado.

"Pai? Filha?", sentiu a cabeça girar, meio tonto. As videiras libertaram seus lábios, mas ele mesmo não conseguiu proferir palavra alguma.

— Eles sabem a localização da lança — fincou a ponta da arma na neve, para se levantar. — É apenas uma questão de tempo até que venham atrás de mim novamente.

— O erro foi meu em te mandar para cá, fui tolo em acreditar que teria ajuda de Perun — respondeu, andando de um lado para o outro.

— Posso fugir, mas Vanushka, sua neta, não aguentaria outra viagem dessas — disse, observando a cabana ao longe. — Ela não merece isso, pai, o senhor me prometeu.

— Cumprirei com minha palavra, Tarja. Você fez muito por mim, agora é minha vez de conceder seu desejo — o deus tocou na testa da semideusa, mas antes que pudesse fazer o que quer que tinha em mente, uma escuridão estranha tomou conta do cenário, engolindo tudo pouco a pouco.

— Ele chegou, não há tempo! Pai, salve minha filha! — Tarja suplicou.

Baco demorou a agir, incerto sobre a decisão que iria tomar. — Apagarei meu rastro, como você pediu, mas a profecia ainda precisará se cumprir algum dia.

— Eu sei, algum dia, mas não hoje — ela disse, ao ver a filha acordar lá dentro. — Não poderei me despedir — choramingou brevemente, ciente de que não tinha tempo para isso.

O deus antigo estalou os dedos, e então um clarão irrompeu dentro da cabana. Em seguida, a escuridão engoliu todo o cenário e o momento chegou ao fim.

(...)

Abramov quase vomitou de verdade ao se ver de volta ao palco do teatro. O mundo parecia girar, de olhos fechados, flashs das últimas cenas iam e voltavam em sua cabeça. Momentos que nunca havia presenciado, como o parto de sua avó e a viagem dela e da bisavó em meio à neve. Até mesmo o encontro entre Tarja e uma figura estranha pôde ver. Memórias que pareciam ser enfiadas à força em seu cérebro, e o deixavam com uma dor de cabeça tremenda. Seu nariz chegou a sangrar, e foi ai que Baco tocou em seu ombro e o fez ficar em paz.

— O que foi... — conseguiu se manter de pé, com certa dificuldade. — ...isso?

— Você é meu neto! Ou seria bisneto? Não, acho que é tataraneto — coçou a barba rala, incerto.

— Acho que eu vou vomitar — sentiu outro refluxo e levou a mão à boca.

— Nossa, a ideia de ser meu parente é tão repugnante assim? Se eu não soubesse as circunstâncias da descoberta, eu poderia te fazer pagar por isso — ameaçou, não muito sério.

— Como? A minha vó saberia que ela era filha de uma semideusa, quer dizer, monstros atacariam ela, não? — levantou a questão, ainda passando mal. Parecia que ele tinha ingerido muito vinho, sentia também o cheiro e o gosto forte da bebida.

— Digamos que desativei os genes divinos da sua avó, do jeito que a minha filha pediu. Então ela viveu a vida inteira como uma mortal comum — fez uma pausa. — Mas, nos últimos anos isso saiu de controle, talvez explicando as alucinações com monstros que ela vinha tendo.

— Você enlouqueceu minha avó! — bravejou, erguendo-se novamente.

— Eu salvei sua avó, dumbass deu um tapa na testa do outro. — E agora é você quem vai salvá-la. Ou pelo menos a alma dela.

— Quê?

— Isso mesmo, Batmov. Tarja estava encarregada de transportar um item em meu nome, mas sem querer ela acabou se envolvendo com um panteão diferente de deuses — até mesmo Baco se estremeceu ao mencionar aquele contratempo.

A maioria dos semideuses estava ciente da existência das outras divindades além das romanas e gregas. Todavia, ainda era um assunto delicado de se tocar. Além disso, a descoberta de ser um legado de Baco ainda estava revirando no estômago de Abramov, que não sabia como se sentir quanto àquilo.

— A intenção era esconder um item meu, porém, como você viu, sua bisavó foi pega. Por sorte, consegui trazer sua vó de volta e privá-la de uma vida de loucuras, como me foi implorado. Por muito tempo a lança continuou perdida naquelas terras. O problema é que agora o item foi ativado, eu senti, e coisas ruins acontecerão se ele não for recuperado.

— Quem ativou? — perguntou, ainda abalado.

— Nox. Ou, no seu caso, Nyx. A desgraçada arrumou aliados da outra mitologia, lá dos confins do planeta, onde achei que o artefato estaria seguro — resmungou.

— Entendi... e agora você quer que eu vá lá pro quinto dos infernos atrás de uma lança antiga, que provavelmente detém um poder sem igual que se cair nas mãos de Nyx, estaremos perdidos. Acertei? — falou, meio que debochando.

— Isso mesmo! Uau, você até que é esperto — debochou de volta, demostrando que enquanto Abramov está indo com a farinha, ele já está voltando com o bolo.

Ab queria entender o porquê de sempre acharem que ele era mais esperto do que parecia, mas preferiu deixar para lá. — Tá, mas e a minha vó? Você tá enrolando, cadê ela? — inqueriu, conforme andou até a maleta mágica.

— Sua vó se sacrificou em prol da missão — respondeu, com um sorriso torto estampado na face. — Digamos que precisei da essência dela pra poder cancelar meu contrato de negação dos meus genes em sua existência. Faz sentido o que falei?

— Nem um pouco — passou a mão pela superfície da valise, apenas para sentir Grizfolk lá dentro e relaxar.

— Graças ao sacrifício dela, consegui te dar acesso aos meus poderes, ou pelo menos parte deles. Meio que te reclamei como meu descendente — explicou — Não sei se entende como a questão dos legados funcionam.

— Entendo mais ou menos — se sentou em uma das cadeiras da plateia, tentando melhorar da tontura.

As ideias ainda estavam sendo processadas em sua cabeça, pois era muita informação em um intervalo muito curto de tempo. Nunca tinha passado tanto tempo ao lado de um deus até aquele momento, e Baco era capaz de deixar qualquer um maluco. Por mais que tentasse bastante, a ideia de ser descendente daquela entidade em específico não lhe descia. "Tá que eu gosto de vinho, mas só também", ponderou. "Teatro, talvez", considerou logo em seguida, lembrando-se de sua paixão quando menor pela atuação.

Anyway, você precisa partir logo, pois a viagem é longa e seu tempo é curto... e agora estamos encrencados. Ou melhor, você está. Vá até o acampamento e se prepare para a partida — e então desapareceu do nada.

— Quê? — ficou sem entender o comentário sobre encrenca, até ouvir o barulho de passos.

— Abramov Levitz, você está na minha mira — a mesma agente do governo que quase lhe prendera em seu apartamento anunciou.

A moça em que Ab esbarrou antes de adentrar o teatro também estava ao seu lado - provavelmente a testemunha que o reconhecera. Entretanto, não havia nenhum outro agente ou acompanhante.

— É ele mesmo, sabia que não tava doida — a testemunha comentou, encarando o rapaz. — Já posso ir? Quero recepcionar os jornalistas quando você prender ele — após receber um aceno positivo com a cabeça por parte da agente, se foi.

— Me prender? Achei que fosse me matar — disse, tentando pensar em uma alternativa para sair dali vivo - que não envolvesse ser preso.

— Meu trabalho é capturar os alvos. O que acontece com eles depois não me diz respeito — ela começou a descer os degraus da escadaria, se aproximando do rapaz que estava na primeira fileira mais abaixo.

— Qual o seu problema, hein? Você não faz ideia de quem somos, ou no que tá se metendo — seus olhos identificaram uma saída de emergência à direita.

— Semideuses. Você que não sabe com quem tá lidando — um pingente, daqueles de exército, reluziu por cima de sua camisa. Abramov não tinha reparado nele até aquele momento, e quando o fez, leu o nome dela.

— Katarina... — sussurrou, não tão baixo quanto pretendia.

— O que disse? — a jovem corou, irritada. — Não me faça atirar na sua cabeça, desgraçado.

— Não vai ser preciso — moveu o pé direito, pronto para repetir o mesmo truque de antes.

— Se você tentar outra gracinha igual da última vez, eu juro que não vou errar o tiro — se aproximou ainda mais dele.

— Não vou tentar outra gracinha daquelas — derrubou a maleta e ergueu as mãos, como quem se rende. — Mas você sabia que oito entre dez acidentes no teatro acontecem fora das peças?

— Hein? — franziu o cenho, intrigada.

— Assim ó — chutou na maleta, que estava caída no chão, na direção da canela da moça.

O golpe inesperado e sem sentido a fez gritar, mais pelo susto do que pela dor, e abaixar a arma. Nesse momento, o filho de Zeus realmente repetiu o mesmo truque de antes e usou os ventos para empurrar sua perseguidora. Porém, diferente da última vez, ela não foi atrás da arma que caiu longe, e sim para cima dele.

— Ou! — gritou, ao sentir uma batida forte nas costas.

— Eu falei que não ia adiantar — pisou com a sola do sapato bem no pescoço de Abramov, rendendo-o enfim.

— Nós salvamos vocês, isso não faz sentido — resmungou, sentindo a dor do pisão.

— Salvaram? Até onde sei, esses monstros só atacam quando vocês estão por perto. Tá vendo isso aqui? — segurou a etiqueta do cordão. — Katarina era o nome da minha irmã. Ela morreu junto de outros soldados do exército na evacuação do último ataque em Nova York.

Abramov nada disse, por ter sido pego de surpresa com a revelação.

— Não parece tão heroico agora, não é? — tirou o pé de cima dele, apenas para o levantar segurando suas mãos por trás. — Você vai vir comigo, e não vai reagir mais, ou então quebro seus braços.

— Pra onde vai me levar? — perguntou, sem tentar nada.

— Vai saber quando chegar a hora — disse, movendo-se com o capturado.

"Você pode fazer melhor que isso, Batmov, basta imaginar. Pense, visualize, transmita", a voz de Baco falou em seu pensamento. Abramov se assustou com isso, mas, de tão acostumado com esse tipo de atitude por parte dos deuses, não deixou transparecer. Seu tataravô parecia querer lhe ajudar e isso era o mais importante. Sua dica não era tão indecifrável assim, considerando o fato de que os filhos de Dionísio costumavam pregar peças daquele tipo em outros campistas. Dessa maneira, fechou os olhos e se concentrou na mulher que o escoltava. Imagine, visualize e transmita, repetiu mentalmente as palavras de Baco.

— Nossa, que isso — ela soltou o rapaz, de tão tonta que estava.

O semideus havia usado o truque do ilusionista para deixar sua inimiga se sentindo bêbada. E o plano foi bem sucedido. Livre das mãos dela, ele correu até a maleta e logo em seguida até a saída de emergência. Um corredor escuro e longo separava o teatro da rua lá fora, mas quando viu a luz da lua, se sentiu aliviado. Estava tenso e tudo tinha acontecido muito rápido. Não disposto a ser pego novamente, soltou Grizfolk em um beco aleatório e voou para longe dali. Aquela sensação de estar sendo perseguido não passou mesmo após ascender aos céus sobre o dragão. Foi somente quando chegou ao acampamento que enfim se sentiu seguro.

Não havia ninguém para o recepcionar em sua chegada e, quando adentrou o chalé de Zeus, já era tarde da noite e todos os seus irmãos dormiam. Abramov se moveu de maneira lenta até sua cama na beliche de cima, mas não se deitou. Não podia se prolongar ali, pois tinha de atravessar o oceano e faria isso com a ajuda de sua mascote. Sua única preocupação era justamente se Griz aguentaria uma viagem tão longa. Mas, parando para pensar, era um dragão imenso, maior que um avião e, portanto, o deslocamento era mais rápido e talvez até mesmo mais efetivo.

— Não queria nada disso, vó — comentou consigo mesmo, ao ajeitar seus itens na mochila mágica. Mesmo tendo se descoberto um legado de Baco - que precisa cumprir uma missão antiga e lidar com criaturas de outra mitologia -, ainda importava-se mais com o sacrifício de sua avó. Um arrependimento forte lhe deixou amargurado, porque, em sua concepção, se tivesse conversado mais com a mãe de sua mãe antes, e não a tratando como uma maluca, as coisas teriam sido diferentes. — Não adianta chorar leite derramado — finalizou, ao fechar a mochila e sair do chalé.

Considerou ir até à Casa Grande conversar com Quíron, mas temeu acordar o mentor e, no fim das contas, não havia muito o que o centauro pudesse fazer. Com esse pensamento em mente, rumou até as fronteiras do acampamento, sendo parado somente quando se aproximou do Pinheiro de Thalia.

— Você — se assustou ao ver o oráculo de pé à sua frente.

A menina de cabelos ruivos parecia estar sob efeito de algum feitiço. Seus olhos verdes brilhavam em uma luz intensa, e uma aura da mesma cor parecia lhe circular. Ela estava sob o efeito direto do oráculo, concluiu, mas isso não tornava o momento menos assustador. Rachel abriu a boca, e então a profecia veio:

"A lança ainda brilha na escudirão
As videiras, sozinhas, não florescerão
Todos os caminhos levam até o norte
Onde a depender dos filhos do trovão, haverá vida ou morte
O juramento antigo deverá ser mantido
Caso contrário, todos sucumbirão ao desconhecido"

Considerações:
Não costumo tentar explicar minhas postagens, mas, nesse caso, sinto que é necessário. Meu pedido com essa CCFY fica claro no texto. Minha intenção era ser legado de Dionísio, porém, achei que seu equivalente romano daria um ar diferente à trama. O foco dessa postagem é justamente explicar desde quando o sangue do deus corre nas veias da família do semideus. Só que, com as ideias de trama que eu tinha, acabei encaixando o plot da descoberta com o que está por vir. Também aproveitei para introduzir uma personagem que será corriqueira nas postagens que envolvem a Seita - algo para segundo plano já que, como leu, ele está para sair do país. Tomei a liberdade de usar uma poder passivo de Baco de nível baixo, o que é possível quando se é legado, para dar mais realidade à situação. E bem, o restante só nos próximos capítulos mesmo.

A trama girará em torno do folclore eslavo, de onde a família por parte de mãe do Abramov é. Então esperem por outros semideuses, deuses antigos e diferentes e algo nessa linha.

Habilidades Ativas - Filho de Zeus:
Nome do poder: Controle dos Ventos II
Descrição: Agora você adquiriu um melhor controle dos ventos, agora consegue criar campos de gravidade negativos e grandes ventanias, que podem erguer objetos maiores, também atrapalha o inimigo ao se locomover em campo, o tornando lento. Sua visão ficara turva, e a dificuldade de acertar algo em campo é grande.
Gasto de Mp: 60 MP
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Dura dois turnos, o semideus não é afetado pela tempestade e pode continuar lutando normalmente, ao contrário do inimigo que fica vulnerável.
Dano: Nenhum
Extra: Nenhum

Nome do poder: Voo IV
Descrição: O semideus concentra uma grande parte de sua energia e consegue içar a mais metros do chão. Ao redor de seu corpo, correntes de ar o mantem estável e equilibrado, ele também consegue ficar mais rápido, desde que se concentra mais ainda tem dificuldade em batalha, e se for acertado, pode acabar perdendo parte do equilíbrio e despencando alguns metros. É bom se manter atento.
Gasto de Mp: 20 por turno ativo.
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum
Extra: Já pode se erguer até 10 metros acima do solo.

Habilidades Ativas- Legado de Baco:
Nome do poder: Ilusionista I
Descrição: Com esta habilidade você pode criar em seus inimigos pequenas ilusões, como, por exemplo, fazê-los te ver tremulamente, ver um soco ou corte indo mais para cima ou mais para baixo, ou, caso você prefira, deixá-lo levemente bêbado. No caso das ilusões, funciona melhor se o inimigo olhar diretamente para seus olhos. As ilusões não duram muito tempo, apenas alguns momentos, ou enquanto você estiver se concentrando nela.
Gasto de Mp: 15 de MP por turno ativo.
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: A critério do narrador.
Extra: Consegue manter as ilusões por até dois turnos se o contato visual se mantiver ativo, do contrário, dura apenas um turno.

Habilidades - Dragão de Bronze:
Nome do Poder: Habilidade de Voo
Descrição: Ao atingir esse nível o dragão possui uma habilidade de voo que caracteriza os dragões como terror dos céus. Ele está mais ágil e mais veloz.
Tipo: Passivo
Dano: Nenhum
Gasto de MP: Nenhum
Bônus: Nenhum
Extra: O dragão se tornou uma perfeita montaria alada.

Itens Utilizados:
Maleta Fantástica [Uma pequena maleta de mão cujo o interior não possui fundo, ao ser aberta, se assemelha a uma maleta normal, feita para enganar e confundir.  | Efeito 1: A maleta tem um bosque inteiro dentro de seu interior, e justamente por isso não possui fundo. Esse bosque foi feito para abrigar qualquer criatura mágica ou não magica, o que faz a maleta se tornar um transporte mágico fácil para carregar qualquer criatura. Efeito 2: A maleta, apesar de pequena, tem a entrada ajustável para levar qualquer criatura de qualquer tamanho para seu interior, a sugando para dentro ao comando do semideus, a deixando segura e protegida lá dentro, divertindo-se pelas arvores e o lago do bosque. Efeito 3: É extremamente leve, independente das criaturas em seu interior, o que torna fácil de ser carregada, mesmo que um dragão entre dentro da maleta, ela ainda será leve.| Material desconhecido | Sem espaço para gemas | Beta | Status: 100% sem danos | Mágico | Fantastic Beast]

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Re: As Terras de Novgorod

Mensagem por Marte em Seg Out 30, 2017 6:03 pm

Abramov-Maciej Levitz, você trouxe uma história incrível e criativa que fico feliz por ter tido a oportunidade de ler. Acredito que você trabalhou muito bem a narrativa do início ao fim, com uma estrutura lógica e coerente que justifica a história do personagem, sua trama, suas ações. Embora longa (15 fucking páginas!), foi agradável e nada cansativa, pois cada ponto da narrativa era completado pelo seguinte, traçando uma ótima CCFY. Sem mais delongas, segue o modo de avaliação junto à pontuação alcançada em cada tópico e explicação da perda de pontos.

Método de Avaliação:


Nota máxima: (20.000 XP ÷ 2 = 10.000 XP) + 50% pelo envolvimento da trama
[devido ao seu pedido nessa CCFY, diminuímos pela metade a recompensa total em XP]

Realidade de postagem + Ações realizadas – 5.000
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 2.000
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 3.000


Sobre realidade de postagem e ações:


"A dor foi imensa, provavelmente uma das maiores que havia sentido em toda sua vida". Você é um semideus, filho de Zeus, foi estapeado por inúmeros monstros até aqui... Acho difícil crer que um projétil humano tenha lhe causado uma dor tão lancinante quanto qualquer coisa anterior em sua vida. O leitor que acompanha seu personagem não tem como concordar com a veracidade dessa afirmação. -50;

No mais, não há o que corrigir neste ponto da sua CCFY. Ela foi completa, o personagem é humano, não um superman, você utilizou bem os NPCs e ainda apresentou alguém da Seita que ainda incomodará muito os semideuses.

TOTAL: 4.950


Sobre gramática e ortografia:

"De cueca mesmo, se desvincilhou das cobertas [..]"; O correto seria desvencilhou -30

"Tá, mas e a minha vó? Você tá enrolando, cadê ela? — inqueriu, conforme andou até a maleta mágica" / "— Qual é a da enrolação? Cadê a minha vó? — inqueriu"; Em ambos os casos é inquiriu, do verbo inquirir. -70

"Dionísio era bastante conhecido pelos campistas gregos, e havia algo diferente naquele ser"; Aqui o "e" não está de acordo com a ideia. Já que a ideia é adversativa, use o mas. -40

"Mas, as coincidências não paravam por ai"; Não há vírgulas após a conjunção "mas" -30

"Abramov sossegou após as palavras do romano, assistindo aflito o desenrolar das coisas." / Tá aí uma afirmação que ficou confusa - sossegado e aflito não combinam na mesma frase referindo-se à mesma pessoa. -40

_____

Alguns erros de digitação, atropelamento de letras e concordância passaram despercebidos na revisão. Vou citá-los abaixo para ilustrar o erro:

"(...) - continuou, já pressentido que algo de ruim estava para acontecer";-10

"sua jaqueta militar marrom toda esfarrapada era bastante destoante do retante do look"; -10

"Muitas perguntas se formavam em um sua cabeça";-10

"embora melhor do que da última vez - onde estave quase desmaiando e morrendo de hemorragia"; Esteve ou estava? -10

"A monstro rugiu de dor, mas não se deu por vencido"; -10

"debochou de volta, demostrando que enquanto Abramov está indo com a farinha, ele já está voltando com o bolo"; -10

"A lança ainda brilha na escudirão"; -10


_____

Você usa vírgulas desnecessariamente em diversos trechos. Vou aqui tentar explicar o uso dela após a conjunção aditiva "e": Uma das funções da vírgula é a enumeração de idéias, separando orações para que elas possam fazer sentido ao agrupar ideias diferentes. Mas a vírgula é desnecessária antes do "e", pois o "e" já adiciona uma ideia, não há necessidade da vírgula antes disso. É uma redundância técnica utilizar os dois juntos. A seguir, enumero as vezes que você cometeu esse equívoco para me fazer claro:

"O telefone fixo do imóvel não parava de tocar, e alguém batia à porta enquanto que ele dormia"; -20

"Estava exausto, tanto física quanto mentalmente, e por isso em sua primeira oportunidade de descanso pós batalha na cidade, apagou"; (aqui o mais indicado seria colocar o "por isso" entre vírgulas) -20

"Sua moeda da sorte reluziu no criado mudo ao lado da cama, e ele a pegou antes de correr de volta à sala"; -20

"— Esse sou eu, e sim, estou de saída";-20

"mas eles não parecia mais indefesos que qualquer uma das criaturas havia enfrentado até então"; Erros de concordância -20

"Ele chegou a olhar para seus perseguidores, e enfim visualizou"; -20

"O californiano não visitava a vó havia mais de um ano, e ele tinha um motivo para isso";-20

"Seu primeiro, e único também, neto";-20

"(...) se levantou da ponta da cama em que estava sentada, e se dirigiu à porta";-20

"Os pássaros voavam alto no céu claro, e por um instante ele se esqueceu da tempestade";-20

"com uma paisagem estonteante de campos de plantação cercando a casa, entretanto, o campista sabia que algo estava para acontecer";-20

"O parreiral era imenso para todos os lados, e estava em época de colheita";-20

"Sua avó não parecia estar por ali, mas, sentia uma presença diferente próxima a ele"; Só é necessária uma vírgula, antes do mas-20

"O homem sentia saudades do filho mais do que podia admitir, e isso (...)"; -20

"não pôde evitar se lembrar de como tudo tinha começado, e se perguntar se"; -20

"não teria terminado com o Cody, e, por consequência";-20

"Teria terminado o ensino médio em paz, e provavelmente vivido mais alguns anos";  Aqui poderia ter colocado o "provavelmente" entre vírgulas -20

"Baco estalou os dedos, e então todo o cenário"; -20

"Se virou novamente para Baco, e o deus olhou de volta de maneira séria"; -20

"O deus antigo estalou os dedos, e então um clarão irrompeu dentro da cabana" -20

"Nunca tinha passado tanto tempo ao lado de um deus até aquele momento, e Baco era capaz de deixar qualquer um maluco." -20

"Abramov não tinha reparado nele até aquele momento, e quando o fez, leu o nome dela." / Sugiro: Abramov não tinha reparado nele até aquele momento e, quando o fez, leu o nome dela. -20

"— Você vai vir comigo, e não vai reagir mais"; -20

"Rachel abriu a boca, e então a profecia veio"; -20

Mas tem outras situações em que o uso de vírgula seguido de "e" está correto, como quando é seguido de um aposto. Nestes casos, você utilizou corretamente.

A vírgula torna-se um problema quando nos habituamos ao uso incorreto dela, pois muitas vezes entendemos que ela serve para fazer uma pausa e a colocamos em lugares errados. Mas caso restem dúvidas, disponibilizo minha caixa de MPs para ajudá-lo.

_____

Diversas vezes você esqueceu de acentuar palavras, outras vezes cometeu erros no uso dos acentos:

"caminhou à passos lentos até o telefone"; Antes de palavra no plural não se usa crase -50

"A informação de que pessoas com poderes especiais transitavam por ai se espalhou após os últimos ataques de monstros"; -10

"Foi ai que outro trovão estourou no céu e a chuva começou"; -10

"já que a dor do ferimento a bala era extrema"; nesse caso, com crase. Ferimento à bala.  -30

"E não parava por ai"; -10

"Seu braço esquerdo estava pulsando por conta do ferimento e o nevosismo"; -10

"levou a mão direita à boca para evitar por a última refeição para fora"; Ausência do acento diferencial, "pôr".  -30

"e foi ai que Baco tocou em seu ombro e o fez ficar em paz"; -10

_____


Neste quesito, ainda preciso elogiar seu esforço para evitar a repetição de palavras, tendo inclusive substituído "mala" por "valise". Cara, tá de parabéns.

TOTAL: 1.080




Sobre criatividade e estratégia em combate:


Aqui não tenho como utilizar trechos do seu texto para exemplificar, mas ainda assim, não haveria nenhum ponto contrário ao seu texto. Você relacionou a sua trama pessoal aos acontecimentos recentes em Nova Iorque de uma forma perfeitamente coerente, contanto de uma maneira convincente como você descobriu ser decendente do deus romano do vinho. Parabéns pela história.

TOTAL: 3.000


Com isso...

Realidade de postagem + Ações realizadas – 4.950
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 1.080
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 3.000
TOTAL: 13.545 XP + 13.500 dracmas (somando +50% pelo envolvimento da trama)

+

Reconhecimento como legado de Baco.

Como descrito no sistema de legados do fórum, você tem o direito de usufruir dos poderes do deus do vinho até o nível 5.



STATUS:

HP: 1090/1130   (pelo ferimento do tiro)
MP: 1115/1130



Atualizado por Vênus



"Eu sou o deus de Roma, criança. Eu sou o deus da força militar usada para uma causa justa. Eu protejo as legiões. Eu fico feliz em esmagar meus inimigos sob meus pés, mas eu não luto sem razão. Eu não quero guerra sem fim."

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