The Blood of Olympus
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Through The Light And War

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Through The Light And War

Mensagem por Brooke Heinzbärtten em Sab Out 21, 2017 8:49 pm


Way to Raskharya - Parte 1

Os olhos de Lorenzo fitaram baixa luz que entrava pela janela no chalé de Íris. Com os braços cruzados em baixo do travesseiro, suspirou e fechou os olhos na intenção de se perder em devaneios. O tédio começava a se tornar incômodo conforme o tempo passava, e a ideia de sair do chalé e explorar um pouco mais do acampamento se apresentava cada vez mais tentadora. Ainda que soubesse que logo seria declarado o fim do período recomendado para semideuses transitarem sem supervisão, a falta de sono tornava cada vez mais difícil manter-se nas regras do lugar. Pensava que talvez pudesse sair sem ser notado e "sem querer" acabar voltando mais tarde do que o esperado sem grandes punições por ser um novato supostamente desinformado.

Lançando ao ar um longo suspiro, virou-se para a cama mais próxima de si onde um outro semideus recém chegado tentava ler um livro em uma língua que não conseguia reconhecer. Arqueando uma única sobrancelha enquanto tentava identificar qual era o idioma em questão, acabou dando de ombros para então pigarrear tentando chamar a atenção do irmão. Sem sucesso, colocou-se sentado em sua cama antes de olhar em volta para ter certeza de que não era observado por mais ninguém antes de cutucar de leve os ombros do recém-chegado.

— Ei, o que acha de ver as estrelas na praia? — perguntou em um tom de sussurro para que não fosse escutado por mais ninguém.

— Não está meio tarde? E se pegarem a gente? — questionou o mais novo, desviando o olhar de seu livro.

— Em que outro horário poderíamos ver estrelas? — acrescentou Lorenzo como algo óbvio. — E não vão nos pegar. Não se me seguir e fizer o que eu digo. — prometeu em um tom confiante.

— Eu não vou. Mas se você for, não vou te dedurar. — afirmou o garoto após alguns segundos de silêncio, voltando a encarar o livro que tinha em mãos.

"Pelo menos isso", pensou Lorenzo antes de revirar os olhos e se levantar fazendo o mínimo de ruídos possível. Tendo em seu bolso a caneta mágica, em seu pulso o relógio que se transformava em escudo e em seu pescoço o colar com pingente que tomava a forma de um arco, tratou de vestir apenas seu casaco preto por cima da camiseta do acampamento para que o laranja vivo não atraísse olhares indesejados antes de partir para fora do chalé com passos silenciosos. Ainda não estava em um horário fora do permitido, então não tinha que se preocupar com outros semideuses.

Assim que saiu do chalé, seus primeiros passos foram normais. Passava pelos caminhos mais conhecidos em direção à arena, por onde tinha que passar para chegar ao ponto que queria na praia de fogos. Entretanto, conforme o tempo passava e a quantidade de semideuses em seu caminho diminuía, a rota foi completamente alterada. Seguindo então por uma trilha alternativa que havia aprendido com um filho de Hermes, cortou boa parte do caminho e chegou ao seu objetivo em muito menos tempo do que normalmente deveria. Mesmo assim, quando seus pés tocaram a areia do lugar, o horário de ronda das harpias já se fazia presente. Qualquer passo em falso a partir daquele momento definitivamente o colocaria em péssimos lençóis.

O nervosismo e a adrenalina de estar fazendo algo errado, o que não era de seu feitio, logo começaram a dar as caras. Com um leve tremor em sua mão, sentiu a pele tornar-se levemente mais fria, por mais que o clima e suas roupas não permitissem aquilo naturalmente. Um sorriso pintou seu rosto enquanto caminhava para um dos cantos poucos visitados da praia, onde um círculo de rochas isolava um pequeno paraíso secreto pouco conhecido pelos campistas. Logo que seus olhos fitaram o seu objetivo, o sorriso em sua face cresceu um pouco mais.

Aproximando-se das rochas, buscou o ponto que havia conhecido em sua primeira visita ao lugar para que pudesse escalar com maior facilidade, e então finalmente chegar à pequena mini ilha no meio da areia da praia. Entretanto, para a sua surpresa, quando chegou ao topo do lugar não demorou a ficar claro que ele não estava sozinho. O sorriso subitamente desapareceu de seu rosto como areia levada pela brisa. De onde estava, tentou reconhecer o garoto na beira do pequeno lago que existia ali. Estava cercado por alguns papéis e parecia estudar com muito foco o material que tinha em mãos.

Lorenzo, tomado pela curiosidade, moveu-se lentamente tentando não denunciar sua presença ao começar sua descida pelas pedras. Este plano estava dando certo, até que seus pés escorregaram e algumas pedras, se desprenderam e caíram, fazendo um pouco de barulho durante a queda. Pensando rápido, o filho de Íris logo usou a fraca luz presente no lugar para esconder sua presença. Quando se deu por si, estava invisível por completo. Os olhos do estudioso encararam o lugar de onde o barulho vinha, e então o homem se levantou e começou a se aproximar lentamente, sacando da bainha uma adaga.

Sabendo que o melhor a fazer era sair dali, Lorenzo continuou a descer com ainda mais cuidado, tocando mais uma vez a areia antes de caminhar lentamente para longe do lugar onde a pedra havia caído. Ele sabia que não conseguiria se manter invisível por muito tempo, mas sua curiosidade o obrigava a continuar com seus planos. Assim, enquanto o homem procurava por algum sinal de vida, a prole da luz se aproximou das folhas e tentou ler o máximo que conseguia em pouco tempo.

Mesmo que os papéis estivessem claramente em grego antigo, as palavras começaram a dançar e se traduzir na mente da criança, fazendo sentido aos poucos. As escrituras falavam algo sobre uma ilha mágica oculta pelos deuses. Esta ilha deveria servir como um meio de punição, e escondia grandes poderes e segredos. Enquanto terminava de ler uma das frases, ainda no começo do material, virou-se para notar que o garoto voltava para perto dos papéis. Sentia também que aos poucos ficava mais difícil manter ativa a sua invisibilidade, então a resposta ideal era sair dali o quanto antes.

Estando agora ainda mais nervoso com o risco real de ser descoberto, saiu de perto dos materiais e buscou uma saída em meio às pedras para que pudesse escalar. Por sorte, encontrou o mesmo ponto que havia descoberto na primeira visita àquele lugar, e então conseguiu subir sem grandes dificuldades, tornando-se visível mais uma vez assim que tocou a areia do outro lado. Suas mãos tremiam, seu coração estava disparado e sua pele ainda mais fria. Naquele momento, decidiu que não era uma boa ideia continuar fora de seu chalé.

✦✦✦

De volta ao chalé de Íris, Lorenzo não hesitou antes de se jogar em sua cama e se cobrir. O nervosismo ainda o impediria de dormir por algum tempo, mas durante todo o período de tentativa, manteve seus olhos fechados. Após alguns minutos, convenceu-se de que aquilo havia acabado, e que não era nada demais. Pensou que talvez pudesse ser só um filho de Athena estudando escrituras antigas, e então finalmente adormeceu.

Já no mundo dos sonhos, a criança se viu em uma espécie de campo. Era extenso, e não apresentava nenhuma árvore ou vegetação diferente se não uma grama rala que parecia seguir para o infinito. No céu, a noite reinava, mas não havia lua. Apenas estrelas, com um brilho mais forte do que o normal. O vento soprava com um pouco de força, atingindo de maneira não muito delicada o corpo do garoto que parecia ser o único diferencial no lugar. Ao menos até uma segunda presença surgir.

Assustado, Lorenzo se virou para encarar o homem alto, de cabelos acinzentados, pele branca e olhos azuis que exalavam poder como se uma intensa tempestade de raios acontecesse incessantemente. O simples fato de estar ali exalava imenso poder, impondo respeito sem nem mesmo precisar abrir a boca pra isso. A figura, entretanto, não parecia irritada. Demonstrava clara preocupação.

— Olá, Lorenzo. — a voz retumbou como se viesse de todos os lados de uma só vez.

— Olá... — respondeu o garoto com certo receio, afastando-se alguns passos. — Como sabe meu nome?

— Eu sei de muitas coisas, criança. — respondeu de forma simples o grande homem. — Sou Zeus, o rei do Olimpo. Mas acredito que meu nome já não lhe seja estranho a este ponto, não é?

Abaixando-se imediatamente em reverência ao fim da pergunta, o pequeno filho de Íris se curvou e prestou respeito ao deus que estava à sua frente.

— A que devo sua visita, senhor? — perguntou, sem desviar o olhar novamente para o deus.

— Levante-se garoto. Venho lhe entregar uma missão, mas é importante que mantenha sigilo sobre isso. Afinal, tudo se resume ao sigilo neste caso em especial... — disse o deus dos trovões de forma imponente e decidida. Lorenzo então obedeceu a ordem e se colocou de pé, encarando a divindade, mas sem conseguir esconder o medo, que agora dava aos poucos espaços para a curiosidade.

— E como posso ajudar? O que quiser, farei, e não contarei a ninguém. — prometeu o jovem semideus.

— Aquilo que leu nos papéis, a ilha. Raskharya não deveria ser lembrada ou encontrada por ninguém. Entretanto, nem todos os documentos foram ocultos da maneira correta, e agora aquele homem que viu está lidando com algo muito maior do que imagina. Ele pretende abrir uma passagem, quer trazer aquela ilha de volta ao nosso mundo. Espera poder desvendar os segredos e ganhar poder com isso, mas só vai trazer destruição. Já ouviu falar da caixa de pandora? — questionou o deus. Em resposta, recebeu um aceno positivo de cabeça. — Se essa ilha vier até nós, será como se abrisse uma nova caixa de pandora. A verdade é que não sabemos a real proporção de danos que isso poderia causar a todos.

— E como eu poderia ajudar você? Com todo o respeito, senhor, existem semideuses muito mais poderosos do que eu para ajudá-lo a deter aquele homem. — argumentou Lorenzo, abaixando o olhar por alguns momentos.

— De fato, criança. Mas quanto menos pessoas souberem da existência dessa ilha, melhor. No momento, apenas aquele homem e você têm informações sobre o lugar, e espero poder manter desta forma. — explicou o homem, encarando o infinito por alguns momentos antes de suspirar e encarar Lorenzo com firmeza. — Acredito que possa fazer isso. Você possui um potencial maior do que acredita ter, criança.

Aquelas palavras, vindas do próprio senhor do Olimpo, tocaram Lorenzo de maneira decisiva. Sentindo o rosto esquentar, a criança exibiu um pequeno sorriso sem graça antes de voltar a si e tomar novamente uma postura séria.

— Então pode me dizer o que é essa ilha? Gostaria de saber com o que estamos lidando. — pediu o garoto.

— Raskharya era uma ilha secreta usada pelos deuses como punição em alguns casos. Era como um grande jogo. Jogávamos os mortais e semi-mortais lá para morrer. O tempo naquele lugar passa diferente, então era como assistir a um show. Eles lutavam por sua vidas, tentavam desvendar segredos e dominar os poderes que a ilha tem a oferecer para conseguir sobreviver, mas as criaturas que existem lá não são as mesmas do mundo que você conhece. As criaturas de lá são únicas, diferentes. Eles não sabiam como enfrentá-las. Em algum momento, todos cediam e perdiam para a ilha. Um verdadeiro decreto de morte para o entretenimento de alguns deuses.

— Isso é errado de tantas formas diferentes... — sussurrou Lorenzo para si mesmo. Em resposta, Zeus lançou a ele um olhar fulminante, mas então suspirou.

— Não nos orgulhamos disso. Houve então uma reunião entre os deuses para que fossem ouvidas as vozes contrárias ao uso da ilha. Por fim, para que fossem evitadas brigas maiores entre os próprios deuses, a ilha foi banida da nossa realidade. Todos concordaram que era um risco muito alto manter as magias que existem naquele lugar ao alcance das vítimas para fins de diversão. Atualmente, ela se encontra fora do alcance de interferência de qualquer deus. Nossas esferas de controle não funcionam sobre ela, e nem mesmo podemos chegar a ela de maneira simples. Entretanto, existem meios obscuros que podem de fato abrir uma passagem. A magia utilizada é de aspecto tão negro que poucos deuses ousariam pensar em usar. O semideus que viu, por outro lado... não poupará esforços. Está determinado a fazer o que for preciso pelo poder presente na ilha.

— Certo. Então está me pedindo para impedir um garoto de trazer uma ilha cheia de monstros e magias horríveis para o nosso mundo por meio de magias obscuras que até os deuses temem? É, parece simples. — brincou o garoto em um tom sarcástico. — Darei o meu melhor, senhor. — disse por fim com grande convicção.

— Estou contando com isso. — finalizou o deus. — Agora, está na hora de acordar. O tempo está passando, e a cada segundo que perdemos nos seus sonhos, ele fica mais perto de conseguir abrir a passagem.

Quando Lorenzo acordou, ainda era madrugada. Seus irmãos dormiam calmamente em suas camas, sem ter noção do perigo iminente que ameaçava todo o mundo. Respirando fundo, o pequeno semideus se levantou sem fazer barulho, respirou fundo e cerrou os punhos. Contra todas as expectativas, o destino de uma grande batalha estava em suas mãos, e uma jornada estava prestes a começar.


Adendos:

1. Essa missão é apenas a introdução da trama, um gostinho do que está por vir, para dar inicio a uma grande sequência de posts. Espero que tenha ficado no mínimo curioso, para que possa acompanhar a trama;

2. Todos os itens citados eu tenho no inventário, mas como não houve poder ou item relevante, nem vou fazer perder o tempo lendo descrições neste post;

3. Só isso mesmo. See ya! Qualquer dúvida, comentário adicional ou dica pode ser enviada por MP.



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Re: Through The Light And War

Mensagem por Baco em Seg Out 23, 2017 7:39 pm


Lorenzo F. Mynatt
Meu caro Ortenzo,

Você escreve muito bem, e eu já tinha reparado nisso pois avaliei sua batalha em grupo no último evento. Estou muito curioso com a trama que criou, o plot é bastante único e aberto a várias possibilidades. Não consegui ver até onde sua história poderia ir, e isso é ótimo, pois estimula a mente do leitor a imaginar caminhos a serem seguidos. Reparei apenas em alguns erros de digitação, faltas de vírgula em pontos importantes, para ser mais específico. Fica então esta observação para o futuro, porque de resto não encontrei erros. Por sinal, sua nota só não foi máxima porque não houve um combate, e sequer começou de fato a missão.

Entende meu ponto? Você introduziu a história, mas foi só. CCFYs (que é o estilo de missão em que encaixamos as postagens de tramas pessoais) têm uma premiação maior, e por isso exigimos mais delas.

De qualquer forma, parabéns. E estarei esperando para ler mais a respeito da ilha Raskharya.

Lorenzo F. Mynatt recebe 2.000 pontos de experiência, e o mesmo valor em dracmas.

Atualizado por Macária.


EVOÉ, BACO
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