The Blood of Olympus
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CCFY - Para o além de mim

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CCFY - Para o além de mim

Mensagem por Tristan E. Beckermann em Sab Ago 26, 2017 2:58 pm



O inicio de tudo...

Nós quadrinhos há sempre uma história triste relacionada ao nascimento de um herói. A perca dos pais, os impulsionavam a se tornarem justiceiros. Seus monstros são os próprios seres humanos, suas vontades baseadas na busca pela compensação da injustiça que sofreram. Era divertido observar esse tipo de coisa, poderíamos ser diferentes mas as bases para um herói ajudava a compreender sua forma. Ser um semideus não me tornava um herói, assim como ser filho de Zeus não me tornava um bom líder.  

Aquelas eram coisas que deveriam ser desenvolvidas, se de maneira brusca ou discreta isso iria de pessoa para pessoa. Para se compreender uma pessoa de maneira parcial, era necessário se conhecer o que havia em seu interior, de onde ela vinha, quem ela era. Passado, presente e futuro se entrelaçavam de maneiras estranhas, como parceiros indesejáveis, impossíveis de serem separados. Minha história não começara quando eu chegara ao acampamento meio-sangue acompanhado de meu irmão gêmeo. E ela definitivamente não tomara forma quando eu aceitara ser um dos participantes na maluca casa de Hefesto.

Minha história se iniciara bem antes disso, a construção do meu caráter se iniciando a partir de meu nascimento. Um pai ausente, uma mãe viciada em trabalho, uma avó completamente maluca e uma tia avó que dava medo demais para se quer pensar em se refutar. Não havia uma presença masculina constante em nossas vidas, não era necessário dizer que as cobranças eram assombrosas, então o humor fora a maneira que eu encontrara para responder a isso. Certamente eu não sofrera maus tratos por parte de minha família ou colegas de turma.

Minha vida havia sido fácil, assim como meu nascimento. Começaremos por antes disso. Solidão nunca havia sido uma palavra em meu vocabulário. Desde a barriga havia um ser me acompanhando. Caleb tendia a ser uma pessoa pouco grudenta, mas ainda assim estava sempre por perto. Naquela noite não havia sido diferente e nem teria como ser, afinal éramos gêmeos. Não havia chuva naquela noite, o quarto de hospital era confortável e bem climatizado. Vovó Helena se mostrava confortável, mamãe se mostrava ansiosa e tia Bestie permanecia indiferente. –Como pode sua filha escolher o mesmo destino que você?- questionei tia Bestie fazendo com que vovó revirasse seus olhos castanhos.

De origem grega, vovó era natural de Lâmia, seus ancestrais haviam sido homens e mulheres de bem, guerreiros que protegiam sua vilas. O sobrenome havia sido uma criação deles próprios, como seu bem maior. A construção de seu império construtor, fora apenas uma de suas atividades. Tia Bestie, era uma guerreira de talento natural. Quando vovó se deixara levar pela sedução de Apolo, ela se entristecera, se fechara e se transforma na pessoa que acreditava que vovó iria precisar. Helena era a mais velha, mas Bestie agia como se o fosse. Migrar para os estados unidos havia sido natural á elas. Apenas uma expansão de seus negócios crescentes.

Minha mãe, havia sido uma criança inocente, uma adolescente disciplina, mimada e aplaudida. A diversão de vovó era tê-la por perto, assistir cada um de seus atos. E então, ela se apaixonara. O homem era belo, elegante um verdadeiro líder. Mas não para tia Bestie, ela via naquele homem o homem que ludibriara sua irmã, sua sobrinha não poderia sofrer o mesmo. Mas era tarde demais. Palavras doces, encontros furtivos e então uma gravidez inevitável. A jovem de dezoito anos, seria a mãe de dezoito anos. Os cochichos foram parados, um pai imaginário não foi inventado e então lá estávamos nós.

Duas crianças trabalhosas, mimadas e acariciadas por mãos demais. Ele estava lá naquele dia, seus olhos brilhavam por sua eficiência em nossa formação. Eram dois pelo preço de um. –Quanto perigo eles correm?- a voz de tia avó Bestie se fez presente os berços ao centro do quarto ocupando pouco do espaço. –São filhos de Zeus, rei do Olimpo. Chamaram atenção demais, você deve se precaver- anunciou Zeus tocando a bochecha do bebê acordado. –Como os nomearam?- questionou virando-se para a mulher. –Caleb o primogênito, Tristan o mais jovem. Vocês deuses devem se manter longe das mulheres dessa família. Apolo e agora você. Não sou tão forte a ponto de proteger mais semideuses- anunciou em reprovação.

-Você subestima a si mesma, assim como subestima Helena e Agatha. Elas será capazes de ajuda-los, eles estarão em segurança até que venham busca-los. Você sabe para onde eles devem ir- anunciou o deus focalizando seus olhos na mulher de aparência envelhecida. –Quando Helena recebeu seu treinamento, Agatha se transformou em minha responsabilidade. Ela será uma boa mãe, mas não poderá ir á seu acampamento para receber o treinamento que precisa, nem terá tempo de ser levada por eles. Eu a treinarei, terá de ser suficiente. Seus garotos irão até lá no entanto- o deus assentiu positivamente ao ouvir as palavras da mulher e se foi. Ele já não era necessário ali.  

A família geralmente é a base de um ser humano, a minha havia sido a base necessária para me transformar naquele Tristan. O Tristan confuso, que não compreendera absolutamente nada quando teve de seguir um estranho, lutar contra um monstro, adentrar um acampamento de verão e se ver enfurnado em um chalé, até que um Deus de pouca beleza o transformara em um dos atrativos em uma mansão lotada de semideuses. Aquela pessoa era eu, mas talvez não o fosse por muito mais tempo. Como eu dissera, passado, presente e futuro, impossíveis de serem desentrelaçados igualmente perigosos para um ser humano. Finalizamos assim, a primeira parte de minha história.
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Re: CCFY - Para o além de mim

Mensagem por Tristan E. Beckermann em Sab Ago 26, 2017 3:32 pm



A história continua...

Eu não me lembro ao certo o que me levara a acreditar que havia algo estranho. Talvez a feição pouco amistosa de minha mãe, ou a indiferença que tia avó Bestie parecia dar aquilo. Vovó Helena parecia serena, nem sombra do sorriso que ela nos dera naquela manhã permanecia em sua face. –Mãe, eles ainda não estão prontos. Você sabe disso!- a voz de mamãe possuía raiva, mas eu também conseguia ouvir sua suplica. Ela não queria aceitar o que quer que vovó Helena e tia avó Bestie tentavam impor a ela. –Quinze anos Agatha, prolongar mais do que isso seria uma loucura. Eles já não estão protegidos aqui, nós não daremos conta- a voz de tia avó Bestie era seria, incapaz de ser refutada.

-Tia, eu sei o melhor para os meus filhos. Ir para aquele acampamento, não o é- anunciou mamãe colocando uma de suas mãos em cima de meus cabelos. –Agatha, você esta sendo emocional novamente. Eles deveriam ter partido em sua jornada até lá á anos atrás. Caleb e Tristan são fracos, mas seus cheiros não o serão por muito tempo. Nem se quer os separamos e ainda temos você, você também é um deles, seu treinamento não vai ser suficiente- anunciou tia avó Bestie dando um passo a frente, fazendo com que o jovem que a acompanhava fizesse o mesmo. –Não!- gritou mamãe dando um passo para trás e nos levando com ela.

Virei-me para Caleb, seus olhos tão confusos quanto os meus. Separação, fraqueza e acampamento eram apenas três das palavras que nos deixavam confusos. A presença de tia avó Bestie era ainda mais impactante. –Agatha. Arrume suas coisas, você irá com eles. Os deixara na porta e então retornara para casa. A viagem não é longa, você o sabe- pela primeira vez vó Helena interferiu. Ela não tendia a se meter nas discussões de sua irmã e sua filha, mas parecia saber de algo que ia muito além de nossa compreensão. –Mãe!- protestou mamãe, nos puxando para mais perto. Mas então, ela pareceu ver algo nos olhos de vovó, seu suspiro foi bastante desencorajador.

-Sentem-se, á uma história da qual precisam ter conhecimento- anunciou vovó Helena indicando o sofá a poucos passos de nós, enquanto mamãe subia as escadas em disparada. Sentei-me e observei tia avó Bestie, seu acompanhante e vovó Helena ocuparem o sofá a nossa frente. –Nossa história é antiga, ancestrais que souberam como lutar, outros nem tanto. Mas iremos a história de vocês dois. Vocês são semideuses, assim como Hércules o foi, assim como sua mãe o é. O destino dela se entrelaçou ao caminho do rei dos Deuses, como prova disso temos vocês- anunciou vovó. Minha primeira reação foi esboçar um sorriso brincalhão, obviamente vovó estava tentando me pregar uma peça.

Coisas como aquelas eram aprendidas nas aulas de literatura clássica nas escolas. Onde Homero era quase uma bíblia. Não eram reais. –É verídico Tristan, portanto retire esse sorriso de seus lábios- anunciou tia avó Bestie apontando para mim, com seu dedo em riste. Fechei meus lábios quase que institivamente, meus olhos se abrindo em espanto. –Você esta falando de Zeus? Mamãe teve um caso com ele, é isso? – ouvi Caleb pronunciar, como se não sentisse tanto espanto quanto eu. Parecia mais fácil para ele aceitar algo como aquilo. –Sim, assim como sua avó teve um caso com um dos filhos de Zeus. Mães solteiras costumam ter suas histórias repetidas por suas filhas, sua mãe não foi exceção a essa regra- disse tia avó Bestie ao que vovó revirou seus belos orbes castanhos.

-Vocês são netos de Apolo, filhos de Zeus. O que torna o cheiro de vocês duplamente atraente para os monstros. E sim, estou falando sobre os monstros mitológicos. Mantenham o foco meninos, não temos muito tempo restando- explicou vovó impedindo que Caleb fizesse uma pergunta. –O básico que vocês precisam saber agora é, são semideuses, atraem monstros que querem mata-los, precisam de treinamento, portanto iram para o acampamento meio-sangue. Um local criado pelos deuses, onde seus filhos recebem treinamento e proteção. Sua mãe irá acompanha-los até a entrada, assim como esse jovem semideus que lá habita. E não Tristan, vocês não podem ficar. A estadia de vocês nessa casa se tornou perigosa demais- anunciou tia avó Bestie, parecendo dar deixa para que mamãe adentrasse a sala.

Uma mochila foi jogada em minha direção, outra igualmente cheia na direção de Caleb. As roupas geralmente sociais de mamãe substituídas por uma calça jeans, moletom e tênis. Seus cabelos presos em um rabo de cavalo.  –Se apressem, eles estão chegando- anunciou minha mãe apontando em direção a porta. A partir dali, as coisas se tornaram mais confusas, minha mãe se transformara em uma ditadora, nossa cidade em algo que ia muito além de minha compreensão. Então nossa jornada em direção ao acampamento teve inicio. Fui relegado a seguir Thomas, enquanto mamãe seguiria com Caleb. Juntos atrairíamos atenção demais, fora o que ela dissera antes de dar um beijo em minha bochecha, algo que ela sabia que eu não gostava.

Assim como Thomas havia sido silencioso em companhia de minhas parentes ele havia permanecido durante toda nossa jornada. Bom, pelo menos até que ele se viu na necessidade de jogar uma espada em minha direção e ordenar que eu o ajudasse a lutar contra um cão. Um maldito e imenso cão infernal! A reação do meu corpo foi muito mais rápida do que a reação de minha mente. Meus braços se moveram quase que sem minha permissão, empunhando a espada em direção ao pescoço do animal. Tudo me pareceu ser rápido demais, eu não havia atingido sua barriga mais do que duas vezes quando seu corpo veio a se transformar em pó. Como ele não dissera que eu era inútil, preferi crer que não o havia atrapalhado em sua luta.

-Era um filhote, você não teria tido chances contra um adulto. Você vê o pinheiro? – questionei pouco após corrermos por alguns metros. –Sim- murmurei após forçar meus olhos. –Corra até lá, não olhe para trás, não pense no que vai ouvir apenas corra até ultrapassa-lo- anunciou apontando naquela direção enquanto retirava punhais de sua mochila. –Vai logo cara!- não pensei demais, apenas deixei que minhas pernas se movessem em uma corrida frenética em direção ao pinheiro. Então vou admitir que eu simplesmente apaguei. Nada másculo, nada divertido. Quando acordei estava na cama da enfermaria, Caleb do meu lado direito, Thomas bastante debilitado do meu lado esquerdo e assim minha vida se seguiu.
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Re: CCFY - Para o além de mim

Mensagem por Tristan E. Beckermann em Sab Ago 26, 2017 3:55 pm



-Você tem certeza de que essa foi uma boa escolha?- a voz era apenas um sussurro, minhas pernas tremiam, meus olhos apenas conseguiam enxergar a negritude do pano que os tampavam firmemente. –Dúvida de seu mestre? A mesma duvida surgiu quando eu o trouxe, esse garoto, ele pertence a nós- a voz então ouvida se mantinha serena, como se possuísse todo o conhecimento do mundo. “Deuses, me ajudem a sair dessa, jamais me atrevi a pedir nada semelhante, salvem minha vida”- pedia mentalmente, uma tentativa vã, mas a única coisa que eu conseguia fazer em meio a minha imobilização total.

-Tirem as vendas- a voz serena repetiu. O pano foi retirado de meus olhos, mas a escuridão ainda era forte demais para que eu pudesse capturar a imagem de meus sequestradores. –A calmaria vem após a tempestade. Você é fraco mental e fisicamente. Mas foi escolhido para se transformar em um de nós- era uma explicação vã, eu precisava de muito mais para entender como eu havia sido retirado de minha casa e arrastado até ali. –O desejo esta em você Tristan, os Beckermann não conseguem evita-lo, seu sangue é mais forte que suas escolhas.

-E o que isso quer dizer? Estou preso aqui?- não houveram gargalhadas, não houveram respirações exasperadas. O farfalhar de um pano foi tudo que ouvi antes de sentir uma mão prendendo meus braços um ao outro. –Não, poderá partir quando desejar. Mas desejara ficar. Seu corpo e sua mente desejaram esse preparo- anunciou me ofertando um cálice de água. Coloquei os lábios sob o cálice e engoli o liquido, minha garganta seca agradeceu por aquele delicado presente. –O que devo fazer?- questionei buscando focalizar meus olhos na criatura a minha frente. –Seguir meus comandos, te treinarei bem- anunciou por fim antes que meus olhos se fechassem em um sono profundo.

[...]

Raios solares tocavam minha face denotando que eu havia dormido por tempo demais. Minha mãe deveria estar me esperando, pronta a gritar por minhas irresponsabilidades cometidos naquela semana. Não era como se eu fosse o único culpado, mas Caleb não estaria ali para assumir aquela responsabilidade. O gosto amargo em meus lábios, a cratera que parecia se instalar em minha barriga, tudo fora um incentivo para que meus olhos se abrissem. Como um tapa em minha face branca demais, as lembranças do dia anterior vieram a minha mente. Meu corpo imobilizado, meus lábios tampados, ouvidos e olhos selados para fora daquele mundo.

Levei as mãos aos lábios e varri o ambiente com os olhos, buscando por uma confirmação de que aquele não era apenas um sonho ruim. O local aonde eu me encontrava não passava de um pequeno quarto, eu dormira acima de um fino colchonete, coberto apenas por um leve lençol. Uma pequena trouxa de roupa se instaurava ao lado da antiga porta de correr. Pão seco e água era tudo que eu recebera para acalmar meu estômago ansioso. Respirei profundamente deixando que o ar puro penetrasse meus pulmões. Eles haviam dito que eu não era um cativo, esperava que eles estivessem certos sobre isso.

Me desnudei, utilizando da pequena bacia de água e do pano esbranquiçado para retirar o suor acumulado em meu corpo. Não era o melhor dos banhos, mas fora o que havia me sido ofertado. Coloquei as vestes amarronzadas pertencentes a pilha e me sentei no chão devorando o pão até que já não restasse nenhuma migalha, a água sendo uma salvadora da pátria quando minha garganta se negava a engolir o alimento destinado a ela. Ao findar das atividades que eu poderia fazer naquele quarto, puxei a porta deparando-me com uma espécie de galpão vazio. Bem tratado, sem resquícios de sujeira mas ainda assim completamente abandonado.

-Vejo que seu cérebro consegui compreender o mínimo necessário para sobrevivência em ambientes estranhos- a mesma voz da noite anterior se pronunciara. A figura masculina surgiu a minha frente, seus olhos negros bem como seus cabelos de mesma cor, esboçavam completo desprezo. –Ian- aquela era uma voz que eu também conhecera, um homem mais velho e mais sábio apareceu ao lado do garoto, o dispensando com uma única palavra. Uma saudação respeitosa demarcou a saída de Ian ao passo em que o homem deu um passo em minha direção.

-O senhor disse que minha família não consegue resistir a ficar?- questionei quase em um impulso a curiosidade predominando diante de todos os meus sentidos. –Não somos uma seita Tristan, não exigiremos nada de você. Não somos heróis, não somos vilões. Somos sábios em busca do conhecimento de si, do corpo da mente. Sua avó foi uma de nós, assim como seu tataravô a antecedeu. Não somos heróis, mas treinamos heróis, farei com que você atinja seu limite quantas vezes forem necessárias- explicou pausadamente para que suas palavras pudessem ter efeito sobre mim.

-Isso quer dizer que Caleb também esta aqui? – um leve fio de esperança se apegando em minha mente. Um conhecido era tudo o que eu desejava naquele ambiente completamente desconhecido a mim. –Não, Caleb não esta aqui. O amor é um elo forte mas também é um elo frágil, Caleb ainda não esta pronto para nós e talvez jamais o venha a estar. Essa jornada pertence a você- finalizou antes de sentar ao chão indicando para que eu fizesse o mesmo. –Começaremos com a meditação- anunciou me dando tempo para adquirir a posição mais confortável que eu pudesse adquirir sentado naquele chão duro.

-A meditação não é algo que pode ser ensinado, você deve se conhecer, seus passos, seu corpo. O maior desafio é transformar a meditação em algo que vá além do simples ato de relaxar corpo e mente. Ela não obtém nem começo e nem fim, nela não existe sucesso e insucesso. Não é mero controle de corpo e pensamento. Quando sua mente se achar saudável e cheia de vitalidade, a sensibilidade será elevada e se tornara mais apurada. O corpo sentira e então funcionara como deve ser- suas palavras eram calmas precisas, mas ao mesmo tempo confusas. Eu mal conseguia compreender o que tudo aquilo poderia significar para mim.

-Sua confusão é normal, a pratica da meditação causa o entendimento que minhas palavras a principio não o faram. Respire Tristan, calmamente, silenciosamente, veja- anunciou apontando para si mesmo. Ele absorvia o ar e o exalava ritmicamente, sem presa, sem preocupações. Fechei meus olhos por alguns instantes, apenas ouvindo sua respiração tentando fazer com que minha própria adquirisse aquela característica particular. –Compreenda seu corpo, adquira seu próprio ritmo- suas palavras eram tão calmas e relaxantes como se os anos de experiência fossem os responsáveis por tal coisa.

Pelas próximas horas, tudo se tratou de minha respiração, meu ritmo, o homem – que eu passara a chamar de mestre em minha mente-, nada falava. Não havia aceleração em meu corpo, minhas pernas esticadas a frente não pareciam incomodar ao mestre tanto quanto me incomodavam. Ele não exigia que eu o copiasse, assim como eu não exigia de meu corpo que ele fosse além de seus limites á muito tempo não testados por mim. –Compreende seu ritmo?- assenti positivamente deixando que meus olhos se focassem nos meus.

-A mente. Deixa-la em silencio é como um desafio interminável. Ela nós desafia a ir além, trás até nos todas as duvidas quando mais precisamos que ela se aquiete. Pratica, calma. Duas palavras que o seguiram até aqui, agora, observe- seu corpo adquiriu uma postura ereta, seus olhos se fecharam, suas pernas adquiriram uma posição diferente da anterior e sua respiração seguia no mesmo ritmo que ele chegara até ali. De maneira consciente, imitei suas ações, minha perna esquerda acima de meu pé direito, minha perna direita acima de meu pé esquerdo. Minhas costas eretas, meus lábios e olhos fechados. O ritmo respiratório a pouco conquistado se transformando em tudo aquilo que eu parecia conhecer.

O silencio trazia lembranças, questionamentos. Como estaria minha mãe, meus avôs, meu irmão. Como eu estaria? Como eu reagiria ao desconhecido, ao estranho. As respostas não vinham, era impossível silenciar aquilo tudo. –Imagine um triangulo, preencha-o com uma cor e então foque nessa cor, até que essa cor já não exista- um leve sobressalto ocorreu com as palavras ditas pelo mestre mas então segui suas indicações. Imaginei um triangulo mediano, seu interior preenchido pela cor esbranquiçada. Meus olhos se focaram naquela cor, naquela forma. Eu não saberia dizer quantos minutos me mantive diante daquilo. Quanto tempo levou para que eu pudesse entender o significado daquilo.

Mas ocorreu. A mente era um branco total, o silencio completo. Eu não escutava nada, não pensava em nada. Meu corpo obedecia minha mente, ciente de que nada havia ao meu redor, não se permitindo fugir daquele férreo controle. Tempo e espaço não pareciam existir, como se eu estivesse em um ambiente criado por mim mesmo. Quando meus olhos se abriram, havia apenas a solidão. Mestre havia partido, o dia também. A madrugada dava inicio a sua aparição, meu estomago roncando pela falta de comida. Caminhei até o quarto, me desnudei e limpei meu corpo do suor adquirido durante o dia. Não havia comida a vista, apenas uma veste nova a ser substituída. Segui as instruções silenciosas e deitei-me sob a cama improvisada. Jamais dormi tão bem como naquela madrugada.
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