The Blood of Olympus
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Ladrões de Sonhos

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Ladrões de Sonhos

Mensagem por Isaac Dähl Bouwknech em Seg Jul 31, 2017 8:06 pm

Diferente de Morfeu, Isaac não tinha dom nenhum em invadir sonhos. Diferente de Elizabeth, ele não era sequer corajoso e diferente de Erébus, deus a qual segue, ele não era o mágico das sombras. Diferente de qualquer pessoa que existiu na terra, pisou, ousou e fez, Isaac não era. 

Ele era simplesmente nada. 

Os motivos já lhe eram suficientes quando havia sido deixado ainda criança no acampamento. Costumava pensar que nada poderia ser mais humilhante do que alguém ter dó de si mesmo. Se perguntava que se acaso houvesse sido deixado no acampamento para evitar algo ruim no mundo dos mortais, por que não pelo menos tê-lo garantia uma carta? Algo que explicasse ao menos, o motivo de existir? Não era mágoa que guardava. Quando menino ao ver dezenas de pessoas reclamadas e ali jogado como uma traça ou alguém a ser esquecido, compreendeu que não tratava-se de algo sentimental. 

Ele estava mesmo era com raiva. 

Isaac não era o tipo de homem permeado de sensibilidade e muito menos açucarado, no entanto cedia a postura sempre que visse algo que pudesse estar prestes a dar-lhe respostas. Como agora, tente imaginar uma cama branca e ao lado um homem barbudo possuidor por uma bunda de cavalo imensa. A imagem estava se distorcendo poderia logo desfalcar no alcance do rosto do loiro. Isaac fora sempre dono de pequenas sardas que salpicavam o rosto, mas desta vez elas pareciam estar vermelhas. Mais que o comum:

— Eu vou. - A voz do semideus parecia imbuída de temor. Estava decidido, coisa que seria difícil de fazê-lo voltar atrás. O mentor o olhou de relance e cruzou os braços. Como estava de tarde, o sol no fim de seu ápice salientava raios fracos que atravessavam as frestas dos tecidos tingidos da tenda contrastando a barba castanha do centauro. Isaac já esperava escutar algum balbuciar ou um castigo, mas tratando-se de sua história saberia bem que o outro compreenderia. 

Sem demorar, o loiro se deitou. Os dedos ficaram imóveis sob a cama e um sinal afirmativo de cabeça deu sinal a filha de Cronos para começar a trabalhar; A mesma repousou a palma da mão aberta sob o peito e ordenou-o a dormir e sonhar.

Isaac, tudo que você precisa agora é pensar em coisas boas que a sua dúvida será sanada, ela disse o transmitindo confiança. Tudo poderia dar certo, sussurrava logo depois e assim o necromante fez. Fechou os olhos primariamente forçando as pálpebras, mas depois sentiu a melatonina tomar conta de suas veias vasculhando o cérebro buscando por mais estímulos. Quando o rosto caiu para o lado e arfou, sabia que já estava adentrando a longa estrada dos sonhos.

Esse fascinante mundo é responsável por nos transportar para outro plano; Por lá podemos realizar façanhas e também manipular o tempo. Não havia sido à toa que o semidivino havia convidado a outra semideusa para ajudá-lo a encurtar esse caminho. Logo mais, pressentia seu cérebro trabalhar na oficina das memórias trazendo o corpo para o ponto zero como costumava chamar. Aquela linha a deriva do nada e do não sei, aquela que possivelmente abandonou o corpo da Dähl na penumbra. 

Na maca, o mesmo suspirou vagamente entre um centelho do descanso e a anestesia da dúvida. Moveu o braço mais uma vez sentindo algo picar a pele. Ao levantar o corpo enviado, viu que ao seu redor existia apenas mato. A princípio, quis xingar a colega por ter o enviado ao local errado. Queria saber onde foi o início de sua história e não ficar perdido a qualquer lugar do mapa. 

Ao ficar de pé, subiu uma pequena escala montanhosa íngreme e dera-se diante com o cimo vasto da relva. De longe, enxergava que ainda era de manhã e o sol estava tímido por trás das nuvens. As árvores abraçavam o cenário e raras folhas da época invernal caiam decorando o chão ainda distante. Isaac se manteve apenas por cinco minutos contemplando a paisagem até escutar um som interromper o momento. 

Um corpo transitava rápido e tinha algo enrolado num pano de veludo preto entre os braços. Parecia ser um homem e estava cabisbaixo compenetrado a apenas mover as duas pernas e transportar a peça que era possessivamente guardada junto ao peito. O filho de Morfeu então estreita os olhos tentando reconhecer a peça, mas nada parecia compactuar com a memória. Deu um passo à frente saltando de cima do pedregulho que estava equilibrado e sentiu uma tontura. 

Quando a mão ampara a cabeça este pressente algo pingar de seu nariz. Salgado, metálico, azedo e vermelho. Sangue, só poderia ser sangue. Quando encarou a própria mão pouco manchada, uma imagem ampliou a mente retrocedendo a imagem do sujeito correndo. Aquilo agora lhe lembrava algo que haviam o contato há anos atrás.

Quem conhecesse Isaac Dähl Bouwknech, saberia que nem sempre na vida, havia sido nem Dähl muito menos Bouwknech. Havia sido sim o primeiro a chegar, mas jamais, nunca em hipótese alguma, era um deles de sangue. Foi encontrado no portal do Acampamento e adotado. Também sabia que havia sido abandonado. Pensando nisso, entendeu que havia sido tragado para a dimensão de quando foi descoberto por Elizabeth. 

Maldição. 

Se o homem que houvesse corrido perante aos seus olhos fosse realmente seu responsável antes de ser entregue, poderia descobrir o porquê de ter sido enviado tão cedo e o mais importante, quem era ele. Nesse impacto todo de esperança e descoberta, sua mão tremeu e uma voz escapou do firmamento azul do céu. ”Quanto mais próximo do seu passado Isaac, estará mais propenso a se ferir.” Escutou o conselho da amiga e se acatou. 

Como Freud acreditava, os sonhos se manifestam através de um sentimento reprimido feito por nós mesmos. Isaac refletia isso enquanto descia a encosta sentindo percevejos e joaninhas grudarem em sua camiseta laranja. Uma ou outra abelha tentava picá-lo, mas sua agilidade compactante típica do estado de sonambulismo auxiliava em não se abalar. O nariz deixava escorrer mais sangue porém, o jovem adulto não sentia-se cansado e muito menos fraco. 

Quando possuiu a mesma trilha seguida pelo outro homem, ele começou a correr como uma marcha atlética; Tinha braços dobrados e apoderados para dar velocidade e a postura encurvada de atenção. Observava os arredores e tudo que escutava era o doce som de Deméter regendo a mata em conjunto de Ártemis. Passou um tempo pensando percorrer círculos até declinar com a figura do suspeito ajoelhado contra o chão. Lá, ele ajeitava o corpo do menino de maneira que não se resfriasse ou escapasse da cesta. 

Arrumou um espaço entre as flores e ficou parado querendo assistir tudo. O estranho encarava a criança duvidosamente por alguns minutos e vezes ou outras tentava espiar por cima dos ombros. Não descobrindo mais ninguém por aquelas redondezas, resolve refazer a trilha ainda submerso no capuz negro. Os músculos do rapaz enrijeceram-se lentamente e as pernas flexionam querendo surpreender a presa. 

Quando Isaac sai do meio da clareira, a mão é esticada e agarra o colarinho do outro. Nesse segundo ergueu o corpo pouco acima de sua face suficientemente capaz de derrubar o que encobria a face. Na despedida do tecido, Isaac sentiu o sangue se romper com mais força. Capacidade que fez soltar a figura rapidamente. O rosto ficou voltado ao chão novamente e sentia mais imagens brilharem na sua consciência; Ao querer levantar o rosto enxergou um punho voar em sua direção nocauteando no mesmo momento. O corpo cai e sente que a dor de antes estava sendo duplamente atribuída.

[...]

Na enfermaria, Quíron estava sob posse daquela tarde para ensinar alguns semideuses a efetuarem um curativo de ponta. Embora fosse matéria principal dos curandeiros, ele também havia sido um gênio mitológico responsável por treinar e ensinar alguns heróis. O exemplo mais benquisto é Aquiles. A garota, semideusa filha de Cronos, tinha os cabelos longos e lisos frescos como se tivesse sido moldada no dia anterior. Tinha dedos tão pequenos que pareciam serem intangíveis de luz. Os lábios então eram grandes, largos e rosados. Quando se abriram com surpresa, pareciam serem obras perfeitamente esculpidas :

— Quíron! Ele está sangrando. - O grito ecoou e o outro observou de longe todo o efeito da teimosia do protegido. Quando alcançou a maca, ordenou que ela o trouxesse de volta, mas parecia impossível. O tempo não luta com algo refeito pelo humano enquanto dorme. É o único tempo disponível na vida que tinha para conseguir reviver alguma coisa. 

Isaac de repente sentia seu corpo se mutilar. 

Quando tentava se levantar, uma força o sobrepujava para o chão. Não tinha comando e muito menos autonomia dos seus próprios sentidos. O vulto se distanciava, mas dessa vez lento formando sombras indivisíveis ao redor. Parecia como um vídeo acelerado depois editado para apenas parecer borrado e lerdo. Dähl tomou então impulso numa alavanca com o braço e arrastou os pés para suportarem o peso dos joelhos e o restante do corpo. Sentiu o lado esquerdo do corpo arder pela colisão, mas continuou andando em direção de quem queria.

De cima, escutava a ordem iminente de Quíron para acordar todavia, não dava ouvidos. Precisava descobrir o que estava acontecendo. 

Furtivamente sentiu-se próximo e gritou para que o visse. O som parecia mudo, pois além de ter usado uma forte expressão Isaac também não parecia se escutar. Insistiu mais uma vez sentindo a garganta encrespar até finalmente conseguir encará-lo de frente. No susto, o corpo cambaleou para trás ameaçando perder autoridade; Os traços vividos de Zac eram nitidamente copiados no outro. Como se fizessem parte da mesma fonte. O próprio tinha ciência do poder de comunicação e por isso tentou transmitir o máximo que sabia para obter informação. Tremendo, o loiro deu um passo à frente interrompido pela voz do outro :

— Você então conseguiu mesmo sobreviver. - O timbre de voz do homem finalmente se estendeu. Parecia o reconhecer de primeira. Calma e sonolenta como a do campista e também possuía o mesmo trejeito de mover a boca. A marca onipresente de uma cicatriz também movia-se curiosamente chamativa. — Fico feliz por isso, meu irmão. - O silêncio foi instaurado desde então.

Irmão. Como isso seria possível? Para o necromante, isso parecia ser uma coisa estranha de acontecer. Sabia ser tão bem sozinho que imaginar outro compartilhando uma mesma particularidade, parecia ser mesmo uma ilusão dos deuses. Isaac levantou a mão pedindo que o mesmo explicasse contudo, ele se vira parecendo olhar algo para detrás deles encobrindo o rosto novamente e voltando a correr. O nariz do mais novo parecia não querer parar até assistir mais um hematoma colorir a pele dos pulsos. 

Os brotos das flores finalmente respiraram e a natureza voltou em equilíbrio. Quando olhou por volta, escutou o som de um monstro irromper e já sabia o que ia acontecer;  O seu corpo de bebê estava prestes a ser atacado. Ousou andar lentamente para que não fosse percebido e assistiu a cena. O monstro colossal exibia um par de chifres pontiagudos e demonstrava não ter resquício de piedade. As patas da frente levantavam-se brutais erguendo a cesta para próximo do rosto. O nariz farejava ele mesmo com interesse. 

Do amontoado de cascalhos então Isaac abre um sorriso na espera da mesma cena com a qual havia sido redescoberto acontecesse. Elizabeth, sua mãe adotiva, saia da mata com um arco empoado para o ar contra a sinuosidade do dia. A ponta com a flecha afiada, cintilavam contra a luz do sol deixando o filho anos mais velho, quase cego. A horda de mais semideuses também dispara sendo liderados pela mulher. Travado todo aquele combate, o rapaz não poderia deixar de sentir afeições. Estava sendo salvo pela segunda vez mesmo que assistisse tudo de longe. Na nostalgia, tenta rumar os passos para ficar próximo e quando a mesma o fita, tenta sorrir. 
 
Isaac lembrava-se que ainda quando menor, falava que não acreditava no amor. Que fosse um conceito simplesmente abstrato para tomar uma outra pessoa no momento de invulnerabilidade no poder. Isaac também sabe que tem medo de sentir isso e ter de se entregar a esta sensação. Mas ao fitar os olhos da mãe encará-lo sorridente pela luta logo transfigurando em reconhecê-lo mais velho, não soube não dizer outra coisa senão amor. Ele também retribuiu o sorriso largo - raro - e espontâneo acenando lentamente com mão. Mal percebia que o corpo estava enfraquecendo a ponto de sua pele desbotar lentamente com as súbitas verdades adquiridas. 

Mais uma vez caindo, este não se moveu mais para relutar. Hora de voltar. 

Estava agora encolhido num canto da cama meio apoiado sob a parede e ainda de olhos fechados. Os sons ambientes reconheceu sua cabeça e mexendo lentamente escuta um burburinho cessar. Quando finalmente os olhos privando as íris cor azuis das pálpebras pálidas, percebe em um grupo de adolescentes com ambrosia e gaze nas mãos. Olhou para o lado e viu uma menina a torcer um pano encharcado de vermelho. Tudo estava lento, mas todas as sensações o pertenciam. Entreolhando-se viu que estava muito machucado ao desafiar a descoberta da sua realidade. Com uma pergunta sussurra de alguém não visível, abriu um sorriso pequeno e dolorido deixando a respiração em baforadas intermitentes serem ouvidas :

— Não fui abandonado. Eu tenho um irmão, um irmão mais velho. - Os que presenciaram a alegoria, arregalaram os olhos e suspiraram animados. O céu se fechou logo em seguida dando adeus ao dia que  havia ficado nublado. Sabido que ficaria um bom tempo sem se teleportar, finalmente o filho de Morfeu pode dormir tranquilo naquela noite. 

Perscrutando a escuridão, ali me quedei, imaginando, temendo, duvidando, sonhando sonhos que nenhum mortal jamais ousou sonhar… — EDGARD ALLAN POE

Poderes & Habilidades (Morfeu):

PASSIVOS:

( Nível 8 )Nome do Poder: visões atemporais I 
Descrição: O semideus pode receber por sonho mensagens do passado, coisas que já aconteceram, isso lhe permite ter vislumbres de imagens de histórias antigas que causaram evidentes transformações em seu presente, ou de outra pessoa.
Gasto de MP: Nenhum
Gasto de HP: Nenhum
Bônus: Pode ver através de sonhos imagens ou mensagens de algo que já aconteceu.
Dano: Nenhum

ATIVOS:

(Nível 19)  Nome do Poder: Comunicação visual II
Descrição: Ao fitar os olhos de alguém pode criar uma ligação mental e se comunicar transferindo imagens para as pessoas, cenas não reais ou memórias. Já consegue transferir várias imagens e mensagens de uma vez só.
Gasto de MP: 20 MP
Gasto de HP: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum
Extra: Nenhum
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Isaac Dähl Bouwknech
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Re: Ladrões de Sonhos

Mensagem por Hades em Qua Ago 02, 2017 8:40 pm

A sua escrita está boa, no entanto ainda falta muito a ser desenvolvido, para que se torne algo consistente.

2.000 de XP e 2.000 Dracmas.


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Re: Ladrões de Sonhos

Mensagem por Isaac Dähl Bouwknech em Qua Out 25, 2017 9:32 pm

Após o infanto de sonhar uma floresta, um homem para chamar de irmão e se recuperar, Isaac não parou sossegado uma sequer vez. 

Diferente de sua rotina habitual, seus passos convictos designavam-o a um outro destino. Seus olhos não pareciam terem uma direção firme sendo apenas rentes ao lugar onde queria chegar. Na camiseta laranja, era possível enxergar que sua respiração estava um pouco descompassa. Sua pele no entanto, não apresentava nenhum resquício de suor. Estava sendo qualquer dia da semana, poderia lembrar-se disso. 

Seus cabelos dourados são notórios logo no momento onde o sol era presente. A mão abraça a maçaneta e a gira denunciando a chegada a Casa Grande. Por lá sabia que encontraria Quíron, mas não sabia por quanto tempo. Ao se ver por diante da enorme mesa de madeira, premeu os lábios e desejou esperar. Estava estranhando aquela paz cordial naquele recinto. Tudo ali induzia a ser um atropelamento de filhos de deuses desconhecidos para o mundo, filas intermináveis de registros para algumas bonificações e discussões abruptas sobre estados delicados dos guerreiros. Isaac realmente não estava tendo um bom pressentimento. Isso fazia também seus pensamentos se desvincularem da cabeça e observar as paredes com a brisa fresca que batia-lhe nas costas.

Por pouco tempo, desfrutou da paz e da tranquilidade até o momento de enxergar um reflexo castanho passar por detrás da cadeira exalando um forte cheiro de óleo e uma fragrância selvagem de estábulo. Quíron estava de volta de algum lugar distante que o fez soar e fitava a prole de Morfeu com um olhar criminal :

— Outra vez você. - Sua voz não reconhecia emoção, mas os olhos pareciam transmitir um estado de alívio.— Pelo que vejo, fiz bons curativos. Você está novo em folha. - Salientou permitindo-se vasculhar a fisionomia do líder em um olhar clínico. Zac não fez nada e nem ao menos protestou. Anuiu positivamente erguendo ambos os braços para demonstrar a carne sadia intacta de feridas :

— Eu estou melhor, mas ainda não satisfeito. - Começou o diálogo ao ponto que queria. Naquele minuto viu que o maior distanciou-se da mesa refugiando os braços entre si os cruzando. Era complicado ter um estudo logo levantado a respeito do centauro. Conseguia ser misterioso de forma benéfica e maléfica para si mesmo. Sem estar encorajado o suficiente, o semideus dá continuidade e mantém a expressão mais neutra que conseguia. — Eu preciso sair daqui por um final de semana, Quíron. Acho que no fim do meu sonho consegui uma localização. Quero verificar. - Destemido, mal parecia-se com o mesmo rapaz apático que dias antes havia balbuciado um gesto de grosseria perante ao mais velho. Nessa linha de raciocínio, Quíron já tinha uma resposta generosa e perfeita com a ocasião :

Não. Você não deve ir. É perigoso, Isaac. Nunca escutou as histórias dos que tentaram voltar no passado? Isso implica seu presente e consequentemente pode o fazer não ter um futuro. - Sábio, tentava ditar algo conclusivo e que fosse perceptível como um carinho paternal. Esse do tipo que o mais novo sempre repugnava. Ao franzir o cenho ele resolve retomar. — Além de que, pense nas pessoas que gostam de você neste Acampamento. Diga-me, se não retornasse ou morresse, como elas se sentiriam? - A questão despertou a fúria do loiro.

Os braços ficaram suspensos na altura do abdômen e os olhos estavam sem destino contra a mesa. Uma evidente expressão de mágoa, com emburramento faziam um mesclado incomum para Dähl. Em outras palavras, estava pensando nesse tipo de possibilidade. Seria algo tão arriscado a ponto de perder a própria vida? 

— Eu não me importo. - Responde em disparada atropelando uma sílaba na entonação. A boca não se abriu, mas emitiu um som exato como se fosse uma elevação de voz moral. Paciente, este respirou e afastou ambas as íris para a região da porta assistindo mais semideuses perambularem feridos e mais outros saudosos para confortá-los. Nojo daquele ato fraternal, sentiu a luz clarear o azul natural para encararem as outras íris cor terra pertencentes ao instrutor. — Luna e meus meio-irmãos. Ela seria por algo meramente sentimental e meus irmãos é pelo fato de ser um líder. Estariam aborrecidos se não cumprimisse minhas devidas obrigações. - Sincero, Zac ignorou a oportunidade de querer sentir-se ferido com as próprias palavras. Seu interesse vinha subindo cada vez mais degraus impondo mais autonomia a frente de outras razões. Como um diabo cego, não estaria quieto enquanto não fizesse sua marcha de desgraça. 

Um ronronar pensativo então cruza o momento e o centauro move as nádegas desprovidas de tamanho igualitário pelo lugar apurando melhor os dados da informação. Tinha o beiço torcido e o olhar estreitado derramando cabelos castanhos pelos ombros acentuando sua monocromia amarronzada. Quando o zunido obteve fim, tinha o corpo inteiramente voltado na direção do filho dos sonhos :

— As coisas não rumam este caminho, Isaac. Há muitas pessoas que devem o reconhecer por aqui. Não será esse seu tipo extintivo de se excluir ou de recusar algum tipo de relação emocional que vá mudar isso. O fato é que você está pensando de uma forma literalmente sonhadora. Pense que se é capaz de sonhar coisas com nexo ao que um dia viveu, também é capaz de sonhar coisas que levarão a sua destruição. - Num pigarreio, o mesmo aproxima-se do tampo da mesma fincando os dedos para que a postura torne-se firme em direção do rapaz. — Não concederei a saída. É nítido que não está com uma figura tão sã. E este seu irmão, afinal, por que ele não tentou nenhum contato depois? Você compreende que a família que agora tem, se importa contigo. E ele? Se realmente fosse um de sangue, deteria uma postura típica. Não acha mesmo? - Toda aquela argumentação deixou um líquido grosso e denso cozinhar dentro do homem fazendo levar os pontos do conselheiro a margem da mesma linha de raciocínio. Todavia não obstante, foram ignoradas. Simplesmente descartadas de forma imediata e displicente. 

A mão então impera num estrondo surdo que surpreendeu até o próprio centauro numa alegoria de violência e forte aborrecimento :

— Dähl Bouwknech, não é a minha família! - A boca cospe as palavras rispidamente e possuem um timbre extensivo na singularidade de nomear todos os irmãos em um só. Isaac tinha injúrias quanto aquela maneira, mas quando o sangue subia-lhe à cabeça pouco tardava de ter um estado consivo de noção. Quando menos esperou, suas próprias pernas afastaram a cadeira do alcance das do sujeito e se manteve de pé. Os olhos não tinham lágrimas, mas a pressão com qual estavam dramatizavam perfeitamente um estado lacrimejoso. — Jamais fui um deles, sabe disso. Elizabeth teve dó. Me viu naquela cesta e resolveu me salvar. - Fechando os olhos puxando o máximo de oxigênio que as narinas comportavam, o mesmo roda o pé e sai pelo beiral da porta. Os ombros inquietantes estavam erguidos como duas muralhas e possuía uma expressão fechada para o mundo.

Não estava tão diferente, no final das contas. 

Naquele mesmo dia Isaac havia conduzido um decanato diferente no tratamento dos novatos. Ditava apenas as regras roboticamente retirando todo o senso conselhador que outrora era capaz de atuar. Os braços grande parte do tempo mantiveram-se tensionados e rígidos contra o próprio tronco e as sobrancelhas não saíram de forma alguma de sua linha extremamente reta e apática. Aos ruídos metálicos das espadas se chocarem, sussurrava palavrões baixos como uma criança que esqueceu-se de crescer. Na retomada da sua tarefa, concluiu o treino sem ao menos parabenizá-los, distanciando-se para o lugar mais escuro da arena. Pregando os olhos entre os dedos massageando-os, saberia que seria a oportunidade perfeita para tirar o resto da tarde para ficar sozinho. 

Quando referimos a sozinho, seria somente ele e mais ele. Era raro ter esse momento primitivo, por isso dormia. Impossível não estar acompanhado ou sendo vigiado naquele lugar.

Ao estar próximo de adentrar o próprio chalé, escutou uma voz intermitente cortar a raiz mental deixando vagamente imóvel contra o batente principal da porta. O ombro encostou reclinado na superfície amadeirada, deixando as pálpebras analisarem as mãos e seus traços exageradamente largos e profundos. Algo então chamou sua atenção ligando-se ao fato do desejo descomunal e as mesmas frases proferidas por Quíron. O ar a sua volta, pressionava a massa corpórea e se movia densamente como se fosse uma neblina. Quando aquela sensação então cutuca cada lado de seus pulmões, seus olhos se fecham vendo uma casa ao auge de um campo aparecer em sua memória. Sua cabeça recorre a uma visão mais ampla, porém é desligado no mesmo momento. As unhas arranham o grosso material da porta escancarando escandalosamente rondando o cômodo com os olhos fulgurados. 

O chalé parecia transpirar de silêncio. Dadas as consequências de uma mente eficaz a controlá-lo, ele se atirou contra a cama puxando um baú para a parte de cima onde desfez o trinco em um único soco. Observou as próprias armas organizadas perpendicularmente uma ao lado da outra e seletivamente fez sua própria escolha. Optando pela capa e por um sabre elétrico, o mesmo se depôs diante da janela e posteriormente acabando por remeter a visão sob um papel rasurado. Fitando as letras demoradamente, Isaac não sabia pronunciá-las e muito menos coordená-las naquela sincronia linguística. Isso o fez se lembrar que também não sabia ler. 

Merda, como ele saberia se estava indo pelo caminho certo numa rua? Como identificaria uma placa? Novamente respirou fundo controlando um ato excedente de raiva. Os olhos então minuciosamente se voltavam a cama. Ela tinha o lençol estendido em pingos brancos de tinta. Seus dedos jornadeavam os respingos, pois sabia daquela lembrança; Quando teve a ideia mirabolante de pintar o chalé, descuidou com a ponta do pincel permitindo o tecido ser sujo. Não importa o quanto esfregasse ou lavasse, as manchas não saíam. Sua mente estava dessa forma. Esforçando-se a lembrar, mas não conseguia recuperar os acontecimentos de antes. Nesses momentos, ele costumava ficar em silêncio fitando o nada completamente perdido no que fazer. 

Não demorava muito para que as pequenas lágrimas começassem a escorrer de seus dois olhos. Ia até o queixo e apartavam o caminho caindo contra as pernas. Ele tinha esse ressentimento com o passado de uma forma que não sabia explicar; Sentir-se magoado por algo que aconteceu e que não sabe explicar, sentir-se nervoso por algo que não aconteceu e que poderia acontecer a uma infinidade ampla. Isaac não sabia se esse era o melhor meio de conseguir as coisas que o pertenciam, mas estava sendo a única oportunidade clara em sua cabeça. Como se tudo ao seu redor, escurecesse e aquela fosse a única luz que o atraísse para  a saída. 

Depois de finalmente conseguir seu ponto central não saberia então como dar andamento a própria vida. Se ser semideus ainda, seria uma boa ideia ou simplesmente fugir do Acampamento para descobrir o mundo de fora que não viu quando era criança. Sua mente estava repleta de incógnitas cujas quais nem mesmo sabia se seria seguro ou prazeroso ter respostas. Este tipo de etapa cerebral, o impunha em um estado calmo de inexistência. O rosto secava o úmido de anteriormente e as mãos já recuperavam sua autonomia. Ele optou por elevar as mãos a barra da camiseta e levantá-la para se desfazer do contato. Puxou o manto que o encobria na noite e se estendeu pelo colchão. 

Ele poderia sonhar e sobrepujar essas memórias de dentro da sua cabeça, pensou por último. Minutos depois, o chalé inteiro estava verde e amarelo. Uma neblina densa o afastava dos domínios divinos dos Olimpianos levando a mata que fugia da sua geografia comum.   

{...}

Os dedos despertam com o toque áspero de raízes e mais terra. Isaac sentia um cheiro forte de esterco e seu corpo estava imobilizado sob uma superfície mole e escura. Tentando se mover, conseguiu controlar a respiração e novamente observar o cenário. Vespas voavam o céu e quando conseguiu colocar-se sentado, enxergou um mundaréu da natureza. A leste, observou copas acirradas de arvoredos sinistras com uma leve mistura de um céu rosado e amigável. Colocando-se de pé batendo duas vezes contra o corpo, viu que uma pintura fraca se destacava, elevando um segundo andar de telhas padronizadamente bem posicionadas. Associações não faziam-se presentes no entanto, a impressão que se tinha era de que Isaac não sabia nomear nada dali algo se não; Mato, mata, matagal, folhagem, pasto, espaço e derivados. Até a casa, ele não sabia como chamá-la. Tinha certeza que poderia habitar, mas que não poderia ser tão comum quanto o chalé ou tão mirabolante como aqueles âmbitos urbanos. Um sentimento nefasto desde ali, rondava sua mente.

Pensando novamente eis então que sente filetes caírem no céu e eclodirem sua pele. Um, dois e depois vários deles reunidos despencando dando um prosseguimento ao outro. Um bombardeio líquido do céu cai com mais pressão poucos minutos depois e aliviado, o semideus sente que poderia reconhecer aquela sensação. Estava chovendo, e seus olhos estavam contemplando a distância com mais clareza. O sentimento de estar sendo, umedecido e depois encharcado dava a manifestar alguma memória que não tinha certeza de que tinha vivido. Acho que ali estava o epicentro daquela nova batalha. 

Quando o tecido já parecia-lhe colado ao corpo, ele começou a correr. Não foi nem preciso um estímulo cerebral acerca da decisão. Suas pernas apenas moviam-se largadas ao compasso que sua respiração permitia. Passando algumas jardas, ele observa um rebanho de ovelhas estiradas adormecidas contra o solo e mais algumas vacas estacionadas aleatoriamente pelo campo. Os lumes azuis do rapaz então olham para trás, e veem um raio entrecortar o céu alargando uma forte luz azul. Este filete é grandiosamente espesso, mas que reverbera um estrondo alto ao derrubar um tronco de árvore seco ao chão.  Temendo ser eletrocutado no tapetão verde, Isaac não vê outras alternativas se não refugiar-se a residência gigante. Foi tomando proximidade a um celeiro aos fundos, que ele então sentiu o cheiro de esterco vivo revirar o estômago. De uma hora para a outra, o céu enegriou e a mudança parecia ter sido planejada. Os braços leves tornaram-se fortes virando fenos amontoados que bloqueavam uma entrada construída ao fundo.  

Atritando os palmos na única forte colisão para retirar o excesso da forragem, sopra a franja lisa e longa fitando demoradamente a porta rúbida e velha que estava encostada. Tocou a mão na maçaneta enferrujada e tentou empurrá-la moderando a força para que não emitisse um longo zunido para denunciar sua presença. Tanto dele empenhado ali, que bastou um único toque — sinceramente era possível acreditar que parte do calor contribuiu — que a passagem se abriu revelando um largo corredor escuro a frente do nariz. Nessas atemporalidade seu instinto interior gritava para ir todavia, seu aconselhamento sensato e pessoal pedia para que aguardasse algo sair ou admitir estar lá dentro. Gritou algo e não sabia se deveria ser a próxima testemunha daquela casa ou passar a ser uma vítima desconhecida. 

Foi então que Isaac teve uma brilhante ideia de usar na memória; Estava dentro da própria cabeça. Nada de ruim poderia o atingir.
Errado.

Pé direito antes e esquerdo depois, anunciaram a sua chegada. A primeiro momento, tudo estava escuro demais para se decifrar a direção correta e oposta. Bastou uma piscada portanto, para que a claridade incidisse largamente pelo local. O pigmento amarelado trazia vida a entalhes amadeirados, estampas combinadas e mais detalhes de rigor organizado que hipnotizaram o semideus. A procura de algum tipo de fonte, ele suspeitou que aquilo fosse algum mecanismo automático optando por ignorar essa impressão passageira. A ondulação dos sons ganhavam demanda, assim que olhou a torradeira lançar um pão improvisadamente em um linha reta no ar. Isaac jurou que ele estava sem nenhum conteúdo. Mas ressaltando a aterrissagem, a prole dos sonhos enxerga o pão cair para baixo, — o lado antes lustroso a frente de seu nariz — virado com algo pesado. Pelo cheiro, seria a geleia de alguma fruta. 

O sapato foi para trás distanciando-se promulgosamente até esbarrar o quadril na quina de uma mesa, observando a toalha vermelha e axadrezada balançar juntamente com o vaso que não atraia nenhum decorador. Os ramos verdes ausentes de floração, mexiam-se assustadas dentro da porcelana pintada. Tentando garantir que nada caísse, Isaac ergue o olhar e encara os mosquitos rodearem a lâmpada incandescente que estava pendida abobadamente no teto. O calor proliferava em um avanço largo e olhá-la muito tempo, prejudicou sua visão. Tendo essa ciência, o semidivino desceu o olhar para o chão vendo que tudo tinha sido produzido por dezenas de tábuas acasaladas. Faltava polimento, lixamento e outras coisas manuais das quais uma prole de Hefesto seria perfeita. As memórias para Isaac começavam a se vincular, puxando cuidadosamente uma cadeira para se sentar. Não gostava de ser tão evasivo. Porém os toques e as vozes que aos poucos sussurravam em seus ouvidos, dava poucas estruturas para manter-se de pé. Foi emperrando uma das mãos ao lado frontal do ouvido esquerdo que conseguiu unir as palavras; Ou melhor, não eram palavras, frases e trechos. 

Era uma respiração. Longa, pausada e sem tempo de retorno. Demorou minutos para que o rapaz se levantasse e arrastasse os passos pelos corredores, segurando a outra mão firmemente na parede. Enquanto avançava, a luz o acompanhava deixando o ambiente fracamente exposto. Foi fechando os olhos que Zac intercedeu um passo errado e então caiu de joelhos contra um degrau. Os cílios piscaram e despertaram contra a madeira. O cheiro que se estendia até o segundo andar, no acompanhamento de seus olhos, parecia familiar. Leve e ao mesmo tempo forte. Foi deduzindo o caminho que o próprio levantou o braço e acompanhou os degraus até o topo. O corredor era longo, superficial e completamente monótono; Quadros que jaziam esquecidos nas paredes tomavam atenções quando um detalhe o assustou; Cada um possuía determinado tamanho similar ao vizinho da frente e posicionamento rente não poupando diferenças. O reflexo dos relâmpagos dão enormidade em seus vidros encarecidos de limpeza. Isaac permaneceu parado quando escutou um forte ronco escapar da única porta empossada no final do corredor. A grossa porta estava encostada. Dava para notar pela pequena fresta cerrada.

Jack seja ágil, jack seja rápido.                 

O som que fazia o ranger do material denunciando uma nova presença, não despertou quem ali estava descansando. Isaac tinha moderado a inspiração para que não parecesse ofensivo até o instante de fitar o corpo enorme estirado contra um colchão. Ele parecia ser alto, mas não gordo. Tinha o corpo robusto e face inteira com profundas marcas de acne. Parecia ser forte e tinha o cabelo inteiro bem aparado também. As palmas das mãos estavam abertas e paralelamente paradas ao lado do corpo com as linhas sulcadas voltadas para o lençol, sem denunciar tensão ou algo que incomodava durante o projeto de sonhar. Isaac observava aquilo com admiração. Ver as pessoas levando um tempo de pausa do mundo caótico, parecia ser o motivo exato de seu sorriso. Viu que o homem emanava uma inspiração lenta e pausada, contraindo as narinas e depositando todo o peso pulmonar a mando. O cômodo era prático e não tinha muitos detalhes — as paredes eram brancas e confortáveis de uma visão noturna e as cortinas eram pesadas decididas a não se mexerem. Sua cor também era uma escala clara e azul, quase idêntica à do semideus. Dähl manifestaria a presença, se não assistisse um garoto bem pequeno aparecer na cena. 

Pequenino mesmo, daqueles que custamos notar. Alourado, franzino cujas feições conseguiam serem desenhadas no mármore ressaltando detalhes de uma vida infantil, de uma doçura inocente em cada sarda pintada no rosto. Esta mesma criança, era muito cuidadosa ao cravar as mãos na colcha e subir as pernas pequenas e magras para cima do colchão. Este acabou por se movimentar quando apenas esteve sentado sob a barriga magra do rapaz adormecido. Isaac assistiu isso com a mão vermelha de tanta força distribuída na maçaneta, um esforço físico que tinha motivo. Seu humor começava a ter uma recaída novamente. 

Aquele na cama, era ele mesmo. Quando tinha cinco anos. Ele não se retiraria do colo do homem ou reclamaria alto sobre aquilo. Para falar a verdade, parecia que os demais sequer sabiam da sua presença. As retinas estavam dilatadas e atentas aos processos seguintes cujo qual, viu que o menor esticava a mão para desgrudar a pétala rosada que tinha repousada na lateral facial masculina com um sangue em sua ponta. O menino apertou a boca e riscou os próprios olhos como se quisesse chorar. Ambas as mãos, estavam também repousadas contra o peito do mesmo :

— Pai. - O menino expunha o tom cada vez mais magoado. Uma progressão sentimental que causava desconforto em Isaac. O outro piscou as pálpebras lentamente acordando e respondeu nada até que sua visão se acostumasse com o cenário. A luz ambiente cortou as costas do menino que o observava fielmente como um cão. O mesmo então, levanta a enorme mão para acariciar os cabelos dourados tirando do lugar cada posicionamento capilar estabelecido. Timidamente a criança move o queixo querendo arrumar tudo devidamente como antes. Uma missão anulada, porque o mais velho via beleza na desordem :

— Trouxe algo para você. É um presente.- Disse baixo segredando todas as palavras máximo possível dentro do cubículo. O semideus mais velho e real então escutou um agito vindo das escadas e o som displicente das palmas agitadas e calorosas do menininho fazerem-se ouvir. O seu riso de quando mais novo sempre o irritou e não esconderia novamente essa veracidade agora escutando-a novamente. Tentando reconhecer o que seria o estrondo pesado, Isaac escuta uma próxima frase :

Serve para proteger você.


Finalmente, apareceu. No corredor do quarto, patas medianas e peludas tinham uma coloração amarelada e uma sincronia na calda que dava satisfação de se olhar. Uma língua enorme e rosada estava para fora da boca fazendo a atenção ser retraída para uma bandana vermelha amarrada na circunferência do pescoço. Orelhas grandes e macias, olhos profundos e castanhos e uma simpatia que adornava o lugar. O cachorro passou entre as pernas de Zac que cambaleou desajeitadamente para dentro do quarto. Olhou o próprio corpo percebendo que então, eles o veriam. Isaac estava apenas quieto ocultando a sua presença no lugar. Quando o labrador adentrou alegremente o quarto, o líder enxergou diversas áureas contornarem os presentes de maneira redundante, tinham até mesmo cores para se distinguir. O menino era idêntico ao semidivino, um tom verde oliva forte mais parecido a uma associação de péssimo odor. O principal, no entanto, detinha uma energia escura dificilmente vista pelo semblante gentil. Demorou-se a perceber aquilo evidenciando os trejeitos que os olhos alheios na verdade estavam grudados a si mesmo. Uma piscada surpresa e um gemido de susto escapou da garganta :

— Isaac. Você encontrou a sua casa. - O timbre da voz admitia algo já conclusivo, pouco empolgante também. A prole de Morfeu então passa a fitar melhor as paredes até reconhecer que pareciam realmente serem familiares. Algo referente ao dia que nasceu foi ligado então, em uma longa névoa de flashbacks; A primeira vez que seus olhos se abriram no despertar foram dentro daquele mesmo quarto e uma expressão horrorizada daquele homem que acabara de falar dentro do lugar. Céus, depois de anos, tudo mantinha-se a mesma coisa. O menino olhava de um lado para o outro, acompanhando como um telespectador atencioso.  As trocas de olhares alheias era o diálogo silencioso do curto elenco. No primeiro nome, ele mesmo havia pensado que havia sido consigo mesmo, mas pouco tempo depois, notou a presença do terceiro corpo. Os cílios curtos piscavam curiosos e sonolentos :

— Isaac? Como eu? - Direciona o olhar ao loiro após o apadrinhado alterar a expressão de dúvida para a perdição completa. Neste meio tempo, Isaac estava com as mãos emergidas dentro dos bolsos da calça averiguando as paredes e os quadros dourados que escondiam fotos desconhecidas. Incrustadas em suas arestas, existiam pequenas pedras que estabeleciam um brilho curto e tímido. Aquilo hipnotizou a prole do deus dos sonhos até o momento de também voltar sua atenção a dupla encarando o deus irmão deitado na cama tentando escolher as palavras. Não estava aborrecido, mas seu humor atingiria um estágio próximo e preocupante àquilo :

— Você deve ser eu numa versão infantil. - O tom fraco fazia mais uma conotação de questão do que de certa forma, implicante a uma explicação. Estranhamente, Isaac sentia-se mal por ver aquilo. Um garoto puro e que provavelmente fosse ingênuo a sua frente, a pessoa que ele foi no passado e não mudou praticamente nada ao longo dos mais quinze anos. A verdade de não ter acontecido nem uma evolução, já em si seria uma razão de pessimismo. O labrador escutou a frase proferida não obstando de aproximar o focinho preto fosco e molhado para a ponta do pé do líder. Os glóbulos cristais de Dähl acompanhavam a trajetória, aliviando a postura quando o cão concluiu que não era perigoso. Ele até dobrou um dos joelhos para acariciar o bichano, deslizando os dedos longos e calosos contra a superfície lisa e macia do pelo animal sendo correspondido por um abanar de rabo engenhoso. Um ladrão de simpatia :

— Sei que não veio aqui conhecer o seu império, Isaac. Espero que seja direto. Não sou como nosso pai que invade sonhos e é mais fácil de se encontrar. Tenho muito o que fazer por aqui ainda. - A mão maior tocava o tórax infantil, deslocando o corpo para que descesse de seu contato. Quando o mesmo pisou no chão para firmar-se de pé, Isaac percebeu que sua altura conseguia ser mais chamativa do que pensava. Ombros largos e um longo estalar de ossos fizeram-se presentes. O galês não se intimidou com a investida apoderada do outro, levantando uma das sobrancelhas inalando a morfina local :

— É exatamente isso que vim buscar; Nosso pai. Ou melhor, parte dele. - Os olhos do deus estavam atenciosamente dados ao semideus e de qualquer maneira, tentava não concentrar parte de seus infiéis pensamentos sobre o tema. Queria mascar o humor, o desconforto repentino gerado com as palavras diretas e tão secas. Essa aspersão todavia, afetou o cachorro que abriu um latido longo e grosso dentro do quarto. Os olhos cor âmbar e caninos estavam protetoramente contra o corpo do visitante, denunciando as palavras não bem-vindas. O menino, desceu da cama apressadamente abraçando o animal a fim de calá-lo. — Eu tenho o direito de saber. - O relâmpago retumba fazendo a sombra dos quatro desenharem nas paredes. Dois sérios e dois inofensivos. O tabuleiro estava equilibrado. 

Com dois passos e uma curva singular gingada com o quadril, a divindade abandonou o aposento pensativo :

— O seu nascimento. - Falou pausadamente o rito. Nas-Ci-Men-To. Parecia ser algo profético naquela palavra e amaldiçoada no gesto.
— Desde o zero até o momento atual. Tudo. - Retorquiu Isaac seguindo no encalço do irmão mais velho. A olhada repressora lhe dada, foi memoriada por um longo tempo porém esquecida rapidamente. A família desceu as escadas revelando as personalidades extravagantes dos homens da casa dos sonhos. 

Ferva a água e dê para mim beber. 

A cozinha parecia pequena diante de tanto alvoroço. O mais alto e o menor Isaacs, estava sentados contra as cadeiras; O menino estava parecendo um lorde com as mãos repousadas contra as coxas e Isaac maior estava observando a alegoria feita no que chamavam de fogão. O deus movia o dedo dentro da água aquecida pelo fogo, provando da temperatura sem reclamar. Em dois piscares arteiros de olhos, retirou a chaleira do governo do calor e depositou toda a água dentro de um copo. Empurrou na mesa para servir ao convidado logo então, encostando o quadril largo contra a pia pequena. Um longo sibilar pensativo ecoa até que se tornasse encorajado a dizer :

— Essa fazenda foi construída para receber você. - De início, Isaac acorda da miragem reflexiva feita sobre o copo. Ele não beberia aquilo, achava duvidoso demais, mas estava admirando as lâmpadas em contraste com o vidro e tão rápido foi a frase que o fez ser surpreendido pelo impacto. Sem compreender, forçou as vistas e deu liberdade para a continuação. — Quando retirei um tempo do Olimpo, este lugar serviu para que pudesse criá-lo. - A pausa foi destituída na tentativa do deus de então ingerir a água morna. Pela temperatura, fez com que o grosso pescoço se movesse e olhasse arduamente para o telhado. Com a quietude, ele viu que o interesse era real. — Foi algo fácil, visto na minha mente. Dormi e você estava lá, uma criança pequena na espera das virtudes. Comecei retirando suas emoções e impondo mais autoridade, ganância, aspereza porém, ele invadiu meu sono. - O comentário ambíguo pressionava a ignorância do deus em questão do familiar. Algo suscetível quando se adentra no panorama das divindades. Todas elas mesmo atreladas ao mesmo sangue, não advinham em terem de se tratar significativamente emocionais. Interessante, ao mesmo tempo atormentador. 

Mesmo enquanto escutava algo que era de seu interesse o próprio Isaac tinha o dom de não prestar a atenção; Foi de forma extremamente necessária também. Com as duas frases, categoricamente foi inserido a um plano imaginário supondo as possibilidades de seu nascimento; Um homem com cabelo claro, aparado e duro, resolve deitar-se no meio do nada para produzir um lugar para morar. Optou no final, que deveria ser uma fazenda. Numa fazenda ao seu ver, deveria ter animais e os criou levando mais um tempo acertando os detalhes de maneira perfeccionista. O casarão após acabado, Zac imaginou o sujeito caminhando lentamente pelos corredores fazendo um check up de tudo em seu lugar.  Os quadros que estavam desalinhados provavelmente foram arrumados com as próprias mãos e as flores enfeitadas em cada esquina da casa — em vasos mirabolantes e de gesso —, selecionadas por um gosto pessoal. Quando concluiu que tudo estava correto, supôs que o homem se arrastou até a escada e entrando no único quarto, sentou-se na cama e de algum modo por serem parecidos, arriscou pensar que ele também acariciou o lençol branco padrão do segundo andar e se colocou a repousar. 

Mas apesar da contestação, o loiro balançou a cabeça diversas vezes de forma negativa antes de concluir algum significado abrangente de toda aquela elaboração mental :

— Me sonhar? Perdi um trecho por aqui. - Alertou cerrando as duas mãos no colo. Quando fora olhar o copo de água morna, já estava vazio. O menino ao seu lado sorria bobamente :

— Você é um objeto dele. - Afirmou incisivo. Suas frases não possuíam sentido verbal ou gramatical. Era perfeitamente infantil, do começo do timbre ao detalhe expressivo de seus traços minúsculos. A chuva lá fora amenizava aos poucos e as gotas que batiam no vidro da janela aliviado o temor impresso antigamente :

— Ele não é um objeto meu. Ele foi roubado de mim. - Cortou de forma áspera, Ícelo batendo num único estrondo a mão fechada num punho gordo enredado de veias. O ex-necromante observou a ondulação imprecisa, mordendo o lábio inferior ao assistir o garoto ficar tão aturdido com a repreensão. — O fato contundente é que Morfeu o roubou durante a minha criação e tirou todo o poder manifestante que havia incluído em você. - O dedo indicador apontava o eixo de intervalo entre os olhos azuis de Isaac, acusadoras e ameaçavelmente poderosas. — Tornou-se desse jeito por culpa dele. Se tem algo a reclamar, principiando o seu jeito e a vida que tem, deve resmungar a ele e não a mim. - No afastamento, o deus distanciou-se em direção da sala e lá permaneceu um árduo tempo. Isaac estava inserindo as novas informações de sua trama, pensando de maneira pesada em como se chamar. Não havendo nenhum tipo de sangue mortal, como ele seria nomeado um semideus? No mínimo relevando a mitologia grega, seria um deus menor igualmente a aquele irmão mais velho e o pai. Não foi preciso ele abrir a boca e se levantar da mesa para escutar a voz ociosa do outro ribombar dos corredores e extrair um suspiro lamentoso das paredes sonoras :

— Morfeu julgou um deus menor mais um problema para um Olimpo em crise como hoje. Você perdeu tudo aquilo de bom que devocionei, um pesadelo humano perfeito transformado em um sonho patético.

Agora aquilo já não parecia mais útil de se discutir. Dähl forçou para acordar, fechando os olhos de pé na cozinha com uma careta que imprimia o tanto da força que prontificara para despertar. Apesar disso, o cenário não o desvinculara e nem sentiu seu corpo ser elevado para a realidade. Respirando profundamente e com o rubor crescente nas bochechas, abriu os olhos ao sentir um toque faceiro ser feito na mão esquerda. Os glóbulos roliços cor anil, repousaram onde o menino levemente o puxava para o lado de fora :

— Ele está chateado. Quer brincar lá fora com as vacas? - Não houvera hesitação. O menino apesar de pequeno e de aparência frágil, possuía um aperto de mão com uma carga de força descomunal. Juntos foram conduzidos até o exterior da casa e a chuva já tinha desaparecido. Uma fazenda verdejante fazia-se ao contato fraco da luz do sol do final da tarde. As folhas rolavam conforme o sopro livre voltava e a grama parecia levemente úmida a medida que os dois andavam cuidadosamente preservando para que não escorregassem por ali. Num deslize feito pelo garoto, o corpo do mais velho cedeu e escorregou rampa abaixo sendo detido com o choque das costas contra o tronco viscoso de uma oliveira que nascera no meio do rebanho de ovelhas. O cheiro não era nem de perto dos bons. Parecia-se com pelo molhado e pútrido. Isaac sacudiu o menino duas vezes que abraçara seu pescoço encolhido e risonho. — Como é o acampamento? - Perguntou levantando os dois lumes claros em direção da outra versão :

— Movimentado demais para uma criança. - Disse simplista. Estranhamente, simplista. Ao ser adotado por Elizabeth dähl Bouwknech, ele viveu uma grande parcela da vida dado a esse mundo do caos. Depois, encontrou uma parcela mínima de conforto na Noruega onde foi oficialmente reconhecido como um filho e também, segundo mais velho antes do nascimento do casal de gêmeos; Caim e Eiva. O menino que não sabia destes detalhes, parecia se impressionar com qualquer coisa, fazendo Isaac dar por entender que o tal era desprovido de quaisquer traço de personalidade. Ao tentar recompor a postura normal, o céu que abria um clarão azul começou a escurecer e estreitando o olhar,observou que uma forte penumbra se abria por trás da casa. Os olhos da criança não demonstravam espanto, começando a correr cada vez para trás. Dähl não viu outra opção senão segui-lo. 


Com as costas dadas ao campo, foi dificultoso olhar para trás novamente. Esquivam os corpos das vacas adormecidas até verem uma forma tremeluzir da janela e adentrar de forma imponente no único cômodo saliente do segundo andar. Uma sombra verde e um olhar agudo fez-se então na sua direção.

Era Morfeu. Só poderia ser ele. 

Percebida esta característica, Isaac parou no lugar e passou a observar a breve discussão feita de pai e filho; Ícelo estava com expressões duras enquanto o deus dos sonhos parecia tranquilo majestosamente parado de queixo erguido. A criança passou a puxar a barra da camiseta para baixo induzindo-o a despertar de forma rápida. Se virando para voltar a correr, escutou algo que novamente o fez ficar imóvel. Desta vez soava de seu verdadeiro pai e estava relacionado ao pequeno apressado em sua frente :

Tentou refazer outra criança, meu filho?

Sonolenta, aquele timbre era deprimente e perfeitamente calmo. Ou talvez, irritantemente calmo. Isaac escutou aquilo de longe, parecia uma conversa transmitida através do vento que foi beijada na chegada de seus ouvidos. Ele precisava saber daquilo, por isso deduziu que o volume se expandiu até a distância longe que estava. Isso somente foi acrescido como algo que deveria odiar. Mas não sabia qual dos lados; Do criador ou do ladrão. O ladrão de sonhos, trabalha as fibras diariamente dentro de Isaac Dähl Bouwknech e de Isaac Segundo. Por deuses, o campista não queria ter escutado aquelas palavras. 

Um grito gutural retumba forte, estrondoso e imprescindivelmente sem grau de normalidade. Parecia um choque, algo muito severo estava por acontecer. Isaac não olhou mesmo assim para trás continuando a correr deixando as pernas criarem costume ao ritmo imposto. Foi no único reflexo que enxergou o corpo do deus caminhar pela colheita. O outro Isaac, segurava uma portinhola gritando algo desconexo ao fundo. Num único lance de mão, o real passou pela passagem todavia, não a trancou. Segurou a mão do menino movendo os braços para criar velocidade :

— Por que ele está correndo na minha direção? - Questionou puxando o menino para frente do próprio corpo. A franja ensolarada do crânio do outro que se movia de forma irregular, amansou quando pararam para recuperar oxigênio :

— Sou eu. Ele. - Apontou para o facho frouxo de luz ainda permanecido na janela. — Me tirou do pesadelo, mas fracassou novamente. Ele me deu o seu nome, porque copiou sua aparência física de quando tinha a minha idade. - Explicou com o peito liso a destacar por uma camiseta cinza e sem vida. Isaac maior no entanto, arfava fazendo ondas se moverem na região dos pulmões. As sobrancelhas contrastavam impiedosamente inquietas. Na casa que acabavam de entrar, as coisas estavam quebradas e haviam tubos desconectados. Outros mais excêntricos, estavam espalhados pelo chão dificultando a locomoção :

— Preciso levar você daqui. - Olhou para os lados durante o sussurro. — Além da fazenda, ele criou uma saída? Um lugar para se proteger? 

— Aqui é o lugar para se proteger. - O menino abraçou os próprios braços acrescentando um outro ver a sua persona. Isaac reparou que desta vez ele elaborou mais frases. Os dois acolhidos em um montante de resto de uma parede, parecendo dois ratos medrosos escondendo suas essências por causa de algo muito maior. Findou que fez aquilo em um gesto automático, não tendo razão melhor pela qual se defender.

Até agora.

Um soco lança a porta longe e as sombras negras pareciam se multiplicar pelo campo. Isaac assistiu seis divergirem correndo, atravessando a longa parede de madeira para destruir a casa. O demônio principal estava na porta, observando o lugar a procura de sua presa. O cheiro que era antes de morfina se tornou denso e o menino acolhido no peito do mais velho, começava a chorar :

— Calma. Vai ficar tudo bem. - O galês pressionou os ossos da palma da mão próximo de um dos ouvidos protetores. — Meu pai não deve ser tão cruel assim. - Tentou soar conselheiro, mas parecia estranho ao ter feixes negros escurecendo o amadeirado. Num pensamento curto de confirmação, enlaçou os braços à volta da circunferência corporal do menino e abriu ambas as asas para o alto. Tamanha foi a força culminada na sola do pé, que mal sentiu as telhas quebrarem ao entrar em contato com a própria cabeça.  O ar que o rodeava, dava direção para onde voar. Isaac nunca praticou voo antes contudo, numa situação como aquelas, o rapaz necessitou tentar. 

Ao auge, as nuvens não adentravam em seu percurso e querendo vistoriar a causa dos problemas, enxergou a sombra se dissipar lentamente. A penumbra se dissolvia e as coisas ruins desapareceram. Ele então forçou ainda mais a visão, porém tudo já tinha desaparecido. Um tremor decaiu contra as árvores, a casa, o chão e a tudo. Os animais não sentiam mudança alguma no plano, mas os dois flutuantes viam o mundo praticamente ceder. Esta ameaça porém, vinha do mundo real; Onde jazia o corpo do rapaz adormecido, a raposa saltava no colo. A língua molenga e gelatinosa logo contornava os dedos entrelaçados de baba, forçando o corpo a reagir de desconforto. Com o choque de supostamente acordar, Zac perde o equilíbrio e começa a sentir as asas se desfazerem. Uma confusão de penas cai adentro, rumando os dois corpos para uma colisão forte em direção do solo. Fechando os olhos esperou a respiração voltar e que seu sono viesse novamente ao corpo.

Mas o menino se desfez de seus braços, soltando-se de maneira bruta. Parecia renegar algo e mesmo que o anjo sonolento esticasse as mãos, não conseguiria o alcançar. Foi neste meio tempo, na correria de tentar salvá-lo que viu seus braços e pernas transformarem-se em patas. Os cabelos desapareceram dando lugar a lã e a face antes tingida de pele, preenche-se com fios brancos e encaracolados. O corpinho diminuído cai no chão sem qualquer tipo de defeito e logo atrás, Isaac tenta frear os pés no chão, torcendo o tornozelo para apenas quedar com o queixo contra a terra. No levantamento do rosto, viu a ovelha se aproximar piscando os olhos incrédulo :

— Não era ele não é? Se não foi o Morfeu, quem é esse homem negro? - Sentou-se no chão puxando o animal para perto. — Você sempre foi uma ovelha? Céus. - Sussurrou suportando o peso do bichano entre as mãos erguendo ao ar, na altura do próprio rosto. Com uma linguada no nariz, o mesmo distorce a face observando o clarão se expandir pouco a frente. Estava na hora de acordar. Quando as pálpebras piscaram revelando órbitas roliças oculares, um cheiro grosso se estende abaixo das narinas forçando o tronco e o ventre a se movimentarem lentamente, despertando músculos para ver a realidade; Uma raposa vermelha e uma ovelha de poderes desconhecidos.

Sem saber portanto, Isaac trouxe algo bom e algo ruim. Ele não esperava trazer o horror noturno também, para dentro do acampamento. 

item desejado:

Nome do mascote: Zakal
Descrição : Uma ovelha filhote possuinte de fios brancos e elásticos. De seus olhos brotam uma forte fonte de luz e de seu pelo ao ser enrolado em alguma superfície humana, proporciona cura de ferimentos. Além disso, é um animal veloz e sagaz, que possui facilidade em escutar sons e descobrir a pressão do perigo. O som de seu balido é agudo e capaz de ensurdecer o inimigo, caso persistente a aproximação. Alimenta-se do pasto e é um mamífero ruminante e aconselhável para trilhas. O seu bafo possui um fraco odor de Morfina, capaz de causar tonturas.
  

Poderes — Morfeu — Ativos:
Nome do Poder: Asas II
Descrição: Suas asas cresceram e ficaram mais fortes, logo, você também ficou. Agora consegue sustentar o próprio peso pelas asas e voar livremente, mas isso não o torna mais rápido ou mais forte. Apenas te permite voar e alcançar grandes altitudes sem qualquer dificuldade.
Gasto de MP: 30 MP
Gasto de HP: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: Nenhum
Extra: Nenhum



I'm kissing you lying in my room
Holding you until you fall asleep


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Isaac Dähl Bouwknech
Lider de Morfeu
Lider de Morfeu

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Re: Ladrões de Sonhos

Mensagem por Aurora em Qui Out 26, 2017 2:20 pm


Isaac Dähl Bouwknech



Método de Avaliação:

Valores máximos que podem ser obtidos

Total de XP (nível 21 a 30): 6.000 XP  (Devido ao mascote solicitado, o máximo será 3.000 XP)

Realidade de postagem + Ações realizadas – 50%
Escrita: Gramática, erros, pontuação, coerência, concordância, etc – 20%
Criatividade/Estratégia em combate + inteligência – 30%


Enredo e coerência de batalha: 42%
Gramática e ortografia: 17%
Criatividade: 30%

RECOMPENSAS:  2.670 XP + 2.000 dracmas + mascote

HP: 360 / 390
MP: 360 / 390


Mascote: Zakal
Nível do mascote: 1
Lealdade do mascote: Nível 1
Descrição: Uma ovelha filhote possuinte de fios brancos e elásticos. De seus olhos brotam uma forte fonte de luz e de seu pelo ao ser enrolado em alguma superfície humana, proporciona cura de ferimentos. Além disso, é um animal veloz e sagaz, que possui facilidade em escutar sons e descobrir a pressão do perigo. O som de seu balido é agudo e capaz de ensurdecer o inimigo, caso persistente a aproximação. Alimenta-se do pasto e é um mamífero ruminante e aconselhável para trilhas. O seu bafo possui um fraco odor de Morfina, capaz de causar tonturas.

Comentários:

Menos é mais. Os melhores escritores criam um enredo que se torna envolvente não pelo excesso de detalhes de suas narrativas, mas pela capacidade de usá-las da maneira certa - sendo breve o suficiente nos momentos que têm menos valor para a história e detalhando aqueles que realmente merecem um destaque e atenção maiores. Dessa forma, esses escritores criam expectativa nos seus leitores quando estes chegam num momento da narrativa que provoca curiosidade ou suspense, quando sentem que algo maior está por vir. Estou lhe dizendo isso não porque sua narrativa não esteja boa - muito pelo contrário - mas a riqueza de detalhes não pode ser tão bem utilizada em todos os momentos. É preciso saber aproveitar os momentos adequados para fazer uma pausa mais demorada no texto, e assim não fazê-lo demasiadamente longo ou cansativo. Teste-se e descobrirá uma maneira de tornar seus textos ainda melhores.

Agora, é necessário registrar seu mascote aqui. Você será o responsável pela criação dos poderes dele, sendo um por nível, alternando entre um ativo e um passivo, mas dependendo da aprovação da Staff. Sendo nível 1, ele começa como filhote e com nível de lealdade 1. Apenas quando adulto ele poderá ter todas as habilidades descritas. Lembro-o que os mascotes criados pelos players são automaticamente classificados como lendários, portanto, há fiscalização para não perdê-lo: fiscalização para mascotes lendários (ocorre a cada dois meses).

Treine-o, cuide-o bem e faça bom proveito de seu mascote.





Atualizado por Quione


aurora
deusa do amanhecer
 
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Aurora
Deuses Estagiários
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