The Blood of Olympus
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CCFY - Neamhaí

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CCFY - Neamhaí

Mensagem por Peter C. Gallagher em Sex Jun 30, 2017 7:44 pm

ciontacht agus cothromaíocht

Era tudo tão amplo que parecia que aquilo tudo era nada. Olhei para baixo e ergui minhas mãos diante de mim e, apesar de ter sentido ambos os movimentos, eu não via meu próprio corpo, era como se eu estivesse naquele local, mas meu corpo físico não. O lugar não tinha nenhuma forma clara, era apenas uma imensidão recheada de uma luz intensa e uma matéria difícil de definir, que alternava entre tons de laranja, dourado e amarelo. Compreendi, portanto, que sonhava.

Não é um sonho. – A voz reverberou por todo o local, sem um ponto de origem único. Era imponente, mas não parecia ser masculina nem feminina. – Você está efetivamente aqui, mesmo que seu corpo ainda se encontre no mundo dos mortais.

Comecei a andar. Sentia que flutuava, mas me movimentar era fácil, bastava querer.

Qual deus é você?

Eu sou quem existe acima e em meio a todos, tão antigo que nem o tempo habitava o universo quando eu emergi das trevas. Sou aquele que enche os pulmões dos deuses... – Adorava o modo como os deuses sempre tendiam a gerar aquela aura de mistério ao redor de si mesmos, portanto interrompi as palavras daquele ser.

Você deve ser Éter, já entendi.

O ar ao meu redor se condensou, misturando-se àquela substância luminosa estranha – que eu supunha também ser parte do ar – até formar uma silhueta vagamente humana parada a alguns metros de mim. Apesar de ser a primeira visão de algo discernível dentro daquele mundo, até aquele corpo era impreciso, como se realmente ele fosse apenas uma demonstração aos meus olhos de algo muito imenso. Dei-me conta de que provavelmente eu estava flutuando no próprio deus Éter. Senti-me uma bactéria.

Você é perspicaz. – A silhueta se aproximou, mas a voz continua a ser emitida por todo o ambiente e não apenas por ela.

Agradeço o elogio. – Meu tom era sério. Apesar de ter encontrados deuses que não inspiravam muito respeito, agindo quase como humanos psicóticos, outros eram capazes de obtê-lo com extrema facilidade; Éter poderia ser um deles. – Mas o que você deseja?

O ser corporificado ficou tão próximo que quase me tocou. Apesar de todo o local ter uma temperatura e atmosfera agradáveis, aquele corpo exalava uma aura de confiança e leniência ainda mais intensa.

Te fazer um convite. – Na cabeça do ser, a luz se moldou velozmente até um rosto e cabelos surgirem. Eu concebia a aparência do deus semelhante à de Apolo, com cabelos loiros e face juvenil, mas ele tinha traços maduros, um rosto quadrado marcado por uma barba espessa e marcas de expressão e seus olhos não tinham íris, além dos cabelos serem curtos e bem aparados. – Eu tenho observado vocês a milênios. Eventualmente, um ou outro mortal chama a minha atenção. Não se sinta muito especial por isso, pois tal fato não te torna único, mas você é um deles, filho do amor. – Se eu tivesse um corpo ali, minha expressão provavelmente seria de surpresa. – Você me seguiria?

Deuses primordiais tinham a estranha mania de fazerem convites repentinos e pouco justificados, aparentemente.

Te seguir? Tipo, na destruição do Olimpo, como sua mãe me convidou a fazer há alguns meses? – A expressão de Éter tornou-se quase risonha. Era excêntrico como quando qualquer movimento ocorria na face do deus, nada efetivamente se movia, mas a luz que dali emanava mudava de figura, como aqueles quadros em que duas ou três imagens se sobrepõem e você enxerga uma diferente a depender da posição em que o observa.

Não, semideus. Seguir-me como você seguia ao meu irmão, como seguia a Morte. Agora, te convido a seguir a Luz e o Equilíbrio.

Ponderei a proposta durante alguns segundos. Éter justificava seu próprio convite com sua personalidade. Apesar de ele ter me transportado para dentro do seu próprio corpo (estranhíssimo ser um parasita de deuses), ele não parecia ser megalomaníaco, desvairado ou imaturo. Ele era um ser antigo, que fazia jus ao seu tempo de existência.

Basta eu dizer “sim” então que eu me tornarei Paladino de Éter?

Não. Em primeiro lugar, porque meus seguidores são nominados celestiais, não paladinos; e ademais, você ainda deverá ser testado.

Eu não apreciava muito a sensação de estar sendo posto sob avaliação. Entretanto, me intrigava aquela convocação.

Tudo bem, o que eu devo provar a você?

Que é merecedor de um posto em meu séquito. Não posso te revelar, porém, quais serão os pontos avaliados. Você deve agir sempre – Provavelmente eu ainda não pontuei isso, mas assim como a voz de Éter partia de todo canto, o mundo ao nosso redor também se modificava conforme a sua entonação. Naquele instante tudo brilhou um pouco mais forte, esclarecendo a ênfase na última palavra. – segundo quem você é.

Tudo bem. Mas como será esse teste?

Uma missão.

Para onde?

Não precisa se preocupar quanto a isso. Você não precisará se esgueirar para fora do Acampamento como tem feito nos últimos tempos. – Torci o nariz para a nada sutil alfinetada do deus da luz. – Eu farei um pedido formal ao Acampamento, você será chamado por Quíron e ele te informará mais sobre a missão.

Eu assenti, apesar de não ter uma cabeça para fazê-lo. O rosto de Éter tornou-se mais austero, quase grave e pesaroso.

Você é um jovem bom, Peter. Mas carrega muitos demônios em si e eles um dia podem tomar conta de você e te afastarem de quem você verdadeiramente é. – Franzi a testa por não compreender a necessidade do momento terapia. O corpo adensado começou a se desfazer. – Fazer o que é certo envolve sacrifícios, semideus.


O calor era tão escaldante que eu sentia as gotas de suor pingarem sobre meu ombro nu. O pégaso ao meu lado, cedido pelo Acampamento para me levar até aquela localidade, soltou um relincho baixo que eu supus ser uma reclamação.

Quíron me informara que minha missão era encontrar e neutralizar um semideus perigoso, que representava uma ameaça a outras pessoas. Sua localização havia sido informada por Éter, mas eu me perguntava o que levaria alguém a decidir se esconder em uma terra árida como o Parque Nacional do Grand Canyon. O sol tinha mais algumas horas de duração antes de repousar atrás do relevo acidentado à minha esquerda quando eu avistei um garoto correndo, com uma silhueta humana alada atrás dele em uma região mais baixa da trilha que eu me aventurava.

Vou atrás deles. – Falei ao pégaso, materializando meu Loving Arc e minha armadura. – Voe, mas mantenha-se atento ao meu chamado.

O ser místico apenas cavalgou e alçou voo para algum ponto próximo. Eu fiz o mesmo, evocando minhas asas. Ergui-me no ar e mirei uma flecha nas costas da pessoa de longos cabelos negros que parecia portar uma espada dourada. Encantei o projétil com a capacidade de gerar ilusões e o disparei. A flecha atingiu o ombro da pessoa, próximo ao local por onde saía sua asa direita e ela perdeu momentaneamente o equilíbrio.

Ágape, o efeito mágico presente em minha flecha, manteria o indivíduo imerso em ilusões por um curto período de tempo. Utilizei esse intervalo para me aproximar da outra pessoa, que eu reconheci como um garoto baixo, de pele pálida e olhos e cabelos negros feito piche, magro e pequeno. Não deveria ter mais de dez anos e assim que eu pousei ele me observou uma expressão assustada.

Calma! Eu não vou te ferir. – Recolhi minhas asas pois imaginei que a criança as associaria à pessoa que o perseguia. – Chamo-me Peter. Eu fui mandado para te ajudar. – Aproximei-me a passos lentos, cautelosos, mas eu tinha certa urgência em tirar o menino dali.

A quinze metros de nós, a perseguidora se via envolvida em alucinações alegres, que a faziam sorrir. Ela era uma jovem magra, aparentemente alguns anos mais velhas que eu, de longos cabelos negros e pele oliva. Eu sabia que o efeito da flecha Ágape logo passaria e por isso nós precisávamos nos apressar.

Eu vou te tirar daqui e te salvar dela. Como você se chama?

Daniel. – Ele proferiu em um murmúrio quase inaudível.

Pois bem, Daniel, eu vim aqui para te ajudar e te guiar a um local seguro. Nós vamos ter que fugir voando pois assim é mais rápido, de acordo?

A criança apenas assentiu. Aparentemente ela já não mais me temia, o que me deixou aliviado. Recolhi meu arco e peguei Daniel em meus braços. Abri minhas asas e saltei em direção ao despenhadeiro a nossa direita, voando para distante da morena.

Entretanto, eu havia me distanciado apenas algumas centenas de metros quando vi uma faca de material estranho passar voando a dez metros acima da minha cabeça. Olhei por cima do ombro e vi que a mulher nos seguia voando, agora também armada com um escudo além da sua espada. Ela gerou mais uma daquelas armas e a disparou em minha direção, da qual desviei-me fechando as asas e caindo por alguns metros no ar, antes de voltar a abri-las e seguir meu voo.

Eu sabia que precisava encontrar uma maneira de derrotar ou pelo menos incapacitar por um tempo mais longo aquela moça de asas. Devido a isso, eu pousei sobre o solo do desfiladeiro, colocando o pequeno Daniel atrás de mim.

Hey, amigo. – Abaixei-me próximo a ele. – Tente se afastar um pouco, eu vou ter que enfrentar a moça má e é melhor que você não esteja muito perto. Mas não se afaste demais para que eu possa te localizar depois, entendeu?

Ele apenas assentiu, sem proferir uma única palavra. Seus olhos ônix eram profundamente tristes, um sentimento tão profundo de desalento que a única coisa que conseguia sentir por ele era afeto e compaixão. Ele se distanciou correndo e poucos segundos depois a garota pousou a metros de mim.

Você não deveria protege-lo. – Ela disse, se aproximando a passos lentos, ainda com as asas invocadas a suas costas. – Eu não sou a vilã nessa história e esse garoto...

Eu não deixei que ela terminasse sua fala antes de armar e disparar rapidamente uma flecha contra sua perna. O objeto encravou-se ao músculo de sua coxa e ela soltou um grito rouco.

É o primeiro e último aviso. – Eu disse, já armando outra flecha. – Deixe o garoto em paz.

A garota morena bufou com certo desprezo e avançou em minha direção mancando devido à flechada.

Herói idiota. – Seu tom tinha certo asco. – Sempre esperando fazer o certo. – Sua espada começou a ser recoberta de sinais levemente transparentes conforme ela ficava mais perto de mim. Hesitei em disparar a flecha que estava armada, precisava antes me certificar do que ela faria. – Não vou discutir com você a natureza da minha missão, apenas irei cumpri-la.

Dito isso ela se aproximou correndo de forma um pouco desajeitada. Eu disparei mais uma flecha, uma Ludus, mas minha adversária foi veloz e colocou o escudo em sua frente, aparando o tiro. Ela saltou no ar e usou as asas para alcançar uma boa altura, descendo em seguida com o pé em direção ao meu rosto. Esquivei-me para trás, mas o chute acertou a armadura em meu peito com certa força.

Desfiz o Loving Arc e retirei a Gáe Buidhe das costas, pronto para um combate mais próximo. A alada avançou em minha direção com sua espada e eu bloqueei a lâmina com o corpo da lança, girando-a em seguida e acertando a bochecha da minha oponente com a parte inferior da arma. A região ficou subitamente vermelha e eu percebi que sangue escorria da boca dela.

A mão esquerda dela, que não portava nada, ergueu-se em minha direção e ela fechou seus dedos. Senti o ar ao meu redor pressionar meu corpo e quando tentei me desviar da investida dela notei que eu parecia me mover em uma banheira de fluído denso, tão lento que obviamente não fui capaz de evitar um golpe violento recebido no maxilar pelo escudo dela.

O ar voltou ao normal e eu caí de costas, com o queixo dolorido. A moça colocou o pé sobre o peito da minha armadura e apontou a ponta de sua espada para o meu rosto.

Apenas não se meta nisso. – Disse em um tom mais calmo que o anterior.

Antes dela sair de cima de mim eu levei os dedos da mão esquerda à boca e os beijei, lançando o beijo para ela seguida. Um pequeno coração vermelho se materializou do gesto e atingiu o peito da garota, fazendo-a retirar o pé de cima de mim e se afasta com a mão no local atingido, uma expressão de dor profunda no rosto.

Filhos de Eros. – Ela murmurou com algum ódio na voz, apesar de seus olhos estarem úmidos.

É, eu sei. – Girei a lança e corri em sua direção. – Nós somos incríveis.

Desferi um golpe com a Lança Amarela contra o pescoço dela. A dor dificultou a reação dela. Eu não desejava feri-la de forma mortal, mas precisava impedi-la de machucar o garoto, por isso eu tentei desferir um golpe com a extremidade afiada da lança na lateral da sua barriga exposta pelo top que utilizava, que foi impedido pela espada dourada dela. Ela conseguiu, apesar da dor, contra-atacar e acertou meu braço com a lâmina da espada, gerando um corte relativamente profundo. Eu prendi um grito de dor e tentei mais um golpe com a lança, que foi novamente bloqueado.

Quando a morena avançou uma segunda vez e tentou outro golpe com o escudo eu consegui atingir seu braço com a lança e ela parou seus movimentos. O efeito elétrico da minha arma havia se instalado, ela estava paralisada. Aproveitando sua imobilidade eu me aproximei e invoquei uma rosa branca, depositando-a gentilmente em sua mão.

Você não entende. – Ela murmurou entre seus dentes, olhando diretamente em meus olhos conforme o caule da rosa se alongava por seu corpo, prendendo-a e arranhando sua carne no processo. – Você não pode salvá-lo.

Rolei os olhos com a pretensão dela.

Veremos se não. – Virei de costas, decidido a procurar por Daniel e deixar o rapazote em um local seguro.

Antes de eu dar um passo eu senti dedos firmes agarrarem meu braço.

Você não deve salvá-lo. – Franzi a testa, intrigado e olhei para ela. – Desculpe por isso. – As palavras ditas a seguir foram proferidas em grego antigo. – Minha grande senhora Ananke – percebi com um pouco de estranheza se tratar provavelmente de uma oração –, conceda-me teus dons, permita-me mostrar o que apenas você vê. Permita-me revelar o inevitável e o certeiro.

A menção ao nome daquela deusa me deu certo choque, eu sabia de quem se tratava e do seu poder e influência. Anake era a representação mais poderosa de destino, daquilo que será e não poderia não ser. Era a deusa do futuro inevitável, como a destronação de Cronos mesmo com suas tentativas de destruir seus filhos para que isso não ocorresse.

Minha mente foi subitamente invadida por visões. Um jovem de uns vinte anos de tez branca e olhos escuros invocava do solo seres de ossos e carne podre. Ele se encontrava em um campo aberto e era noite. Três adolescentes portando armas e vestindo armaduras se encontravam do lado oposto. O que se seguiu foi uma batalha desigual. O homem necromante fora capaz de aniquilar todos os três com esqueletos, mortos-vivos e umbracinese, provavelmente um filho de Hades. Ele se aproximou de sua última adversária, uma garota de cabelos cor de terra e olhos azuis. A espada de ferro estígio que carregava transpassou a barriga dela. A expressão dela se contorceu em agonia, mas a dele era a mesma face impassível. Seus olhos tinham uma mistura de desalento e desequilíbrio.

Daniel... – a voz da moça estava rouca, frágil.

Por que? – O rapaz perguntou. – Porque é bom, Gwen e porque é assim que eu sou, é isso que eu sou. Eu sou o filho da morte, é minha função trazê-la aos vivos. – Ele se ajoelhou ao lado dela e afagou seus cabelos. – Mas sua morte não é em vão, nenhuma morte jamais é. Sua força me será útil. – A face dela começou a descorar, seus cabelos amarronzados se tornaram frágeis e ressecados. Ela padeceu após alguns minutos com toda a sua aparência juvenil tendo se desfeito.

Logo depois disso outras visões se seguiram de forma veloz. Todas protagonizadas pelo garoto branco em diferentes idades, todas evolvendo mortes desnecessárias.

Quando as imagens se encerraram meu peito era uma câmara de batidas altas e fortes. Meus dedos estavam gelados e minha expressão era pasma.

É nosso dever impedir isso. – A morena murmurou.

Ele é uma criança. – Eu respondi, em choque.

Mas ele não será essa criança para sempre.

Isso é cruel.

Eu já ceifara crianças quando era ceifeiro de Tânatos, minha primeira missão fora dar fim à vida de uma. Mas essas deveriam morrer, não era um escolha minha, eu só executava o que já era destino deles e na maioria das vezes a morte representaria a elas um alento. Mas Daniel ainda tinha vida pela frente.

Isso é correto, filho do amor.

Ele não fez nada de errado.

Ainda.

Mas ele não pode ser punido por algo que não fez! – Minha revolta era quase palpável, mas definitivamente era visível em minha face, desesperada e angustiada. Eu sabia o que ela esperava de mim, mas aquilo era quase perverso.

Ele fará. Você sabe que ele fará. Ananke te forneceu um pequeno vislumbre do que será o futuro desse garoto e o futuro dele será invariavelmente assim. Um jovem poderoso, mas sem a menor capacidade de usar seus incríveis poderes para algo correto. Ele matará muitos e fará vários outros sofrerem. Agora ele ainda é fraco, pode ser facilmente derrotado. Mas se ele continuar vivo, essas pessoas irão morrer cedo e injustamente.

Isso é errado. – Eu reafirmei.

Peter. – Eu franzi a testa quando ela proferiu meu nome. Como ela sabia meu nome? Nossos olhares se cruzaram. Ela tinha olhos fortes e convictos. – Ele não será punido agora pelo que ele faria se permanecesse vivo, ele não será enviado aos Campos de Punição. Você também não será condenado por isso. É o certo.

Como ela sabia meu nome? Eu não perguntei isso. Alcei voo.


Retornei quarenta minutos depois. A jovem de cabelos escuros fizera uma atadura em sua coxa, ela estava sentada próxima à parede do desfiladeiro. Seus olhos se ergueram para mim quando eu me aproximei. Ela se ergueu com dificuldade e mancou até mim. Seus olhos se fixaram na extremidade da minha lança. Ainda havia sangue nela, eu não tivera como limpar.

Eu sei. – Ela apenas falou essas palavras.

Ele estava com muito medo. – Eu não a olhava. Eu olhava para baixo, para o solo de terra batida obscurecido pela noite. – Ele estava aterrorizado.

Ele estará bem agora, Peter. Ele estará a salvo e as pessoas que ele mataria também estarão, a inevitabilidade da morte precoce e cruel delas se foi com a morte dele.

Mas e a morte precoce e cruel dele? – Eu a observei, esperando sinceramente por uma resposta. – Não faz diferença?

A moça suspirou. Ela claramente não estava disposta a discutir questões tão complexas comigo. De alguma forma, porém, eu sabia que ela entendia o que eu sentia. Eu sentia mais do que culpa, eu tinha vergonha de admitir tudo que eu sentia.

Você foi aprovado. – A moça murmurou.

É sério que era isso que ele esperava de mim? Um assassinato?

A moça me observou durante alguns segundos em completo silêncio. Eu me sentia indignado como eu fora usado para um objetivo tão cruel.

Peter, você deve se lembrar do que ele te falou. Ele jamais te disse o que você deveria fazer, qual escolha ele esperava que você tomasse. Ele não te obrigou a cumprir esta missão e carregar esse fardo, ele nem ao menos sugeriu isso. Ele te disse que você fosse você e tomasse o caminho que preferisse. Você fez o que achava correto e Éter aprovou sua escolha. – Ela abriu suas asas. – E nós dois sabemos que apesar da dor envolvida, você faria tudo de novo porque sabe que fez o que deveria ter feito.

Então a morena alçou voo. Ela não revelou seu nome. Eu não queria sabe-lo também. A noite no Parque era escura e fria, ao contrário do dia. Eu limpei a lâmina da Gáe Buidhe na calça, com tanto nojo que senti que contive com esforço minha vontade de vomitar.


Ignorei o Mr. Frey quando ele perguntou se eu estava bem. Ainda era cedo, eu sabia que ele estaria em casa. Já fazia quase dois meses que nós não conversávamos, nem ao menos uma palavra. A carta ainda estava lacrada dentro do meu armário no Acampamento. Toquei a campainha de forma impaciente e ouvi uma voz praguejar do outro lado antes da porta se abrir.

Alexander exibiu uma expressão carregada de um misto de sentimentos. Ele provavelmente não sabia o que dizer.

Peter? – Ele olhou minha calça e arregalou os olhos. – Puta merda, o que foi isso na sua calça?

Eu olhei Alex durante alguns segundos. Meu peito estava contraído e minhas mãos tremiam. Eu sabia que iria desabar em lágrimas a qualquer instante, eu e Alex tínhamos mais isso em comuns, éramos máquinas de sentimentos repentinos e intensos. O rosto de Daniel ainda figurava em minha mente, como um fantasma que me perseguia. Eu pensava que merecia essa perseguição afinal.

O que eu sou, Alex? – Ele franziu a testa. Meus olhos lacrimejaram.

Peter, entra, me conta o que aconteceu direito.

Mas eu não o obedeci, eu apenas puxei seu corpo para mim e o abracei com força. Mordi os lábios tentando não chorar, considerava que isso seria patético, afinal.

O que eu sou?

Comecei a chorar, incapaz de me conter mais. Alex me abraçou de volta com força. Ele não me disse nada, ele sabia que não era de palavras que eu precisava, ele só me segurou com força e me deixou chorar.


Poderes Usados:

Passivos


Nível 4
Nome do poder: Beleza Divina
Descrição: O filho de Eros/Cupido, é naturalmente bonito. A beleza de seu pai era comparada a de um anjo, sendo ele mesmo semelhante a um. Assim como Eros/Cupido, seus filhos são extremamente bonitos, charmosos, e graciosos, e quando entram em batalha, é difícil olhar para outro canto que não seja eles, pois, naturalmente se tornam o centro das atenções. Os inimigos do semideus, podem se sentir intimidados, ou admirados pela beleza do filho de Eros/Cupido, e em um combate, isso os deixa confusos.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Pode fazer o inimigo hesitar em te atacar durante um turno, geralmente, o inicial.
Dano: Nenhum

Nível 23
Nome do poder: Pericia com Arcos III
Descrição: O filho de Eros/Cupido, descobriu que o arco é a arma perfeita para ele, agora consegue acertar o alvo com uma precisão impressionante, e também aprendeu a atirar mais de uma flecha ao mesmo tempo.
Gasto de Mp: Nenhum
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: +65% de assertividade no manuseio do arco.
Dano: +25% de dano se a arma do semideus acertar.



Ativos

Nível 10
Nome do poder: Ágape
Descrição: Você pode encantar uma flecha com aura esbranquiçada. Ao atirar tal flecha contra o inimigo, se acerta-lo, causara ilusões estranhas. Na mente dele, surgirão imagens que o deixem feliz, entorpecido pela aura de alegria, o impedindo de atacar e tendo alucinações.
Gasto de Mp: 20 MP
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: 10 HP
Extra: Durante um turno, o inimigo da prole de Eros/Cupido, sofrera ilusões de alegria, que o impedirão de atacar. (Ilusões podem ser descritas pelo filho de Eros/Cupido, ou pelo narrador).

Nível 18
Nome do poder: Rosa Magica I
Descrição: O semideus é capaz de invocar uma rosa especial, branca, e presentear o inimigo com ela. Por ser um gesto simples, de graça e poder, o inimigo não desconfiara do singelo presente, podendo inclusive, acabar pensando que se trata de uma rendição. A rosa branca, no entanto, apresenta uma característica magica, e se alonga no corpo do inimigo, até formar uma espécie de prisão de espinhos curtos – o tamanho do caule de uma rosa comum – se enroscando e o prendendo, causando arranhões consideráveis.
Gasto de Mp: 20 MP
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Prende o inimigo durante um turno.
Dano: 30 HP
Extra: Só pode ser usado uma vez por missão ou evento.

Nível 23
Nome do poder: Asas II
Descrição: As asas dos filhos de Eros/Cupido, cresceram conforme o esperado, seu desenvolvimento foi grande, e ele ficou mais forte, assim como suas asas. Agora, quando elas se abrem, se expandem de forma grandiosa, brancas e reluzentes, te deixando com a aparência semelhante à de um anjo, tais asas, possuem uma força considerável, e seu brilho, causa certa dificuldade aos inimigos que olham para você. Eles ficam encantados pela estranha aura emanada pelas suas asas, agora já consegue voar livremente.
Gasto de Mp: 20 MP por turno ativo.
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: 3 HP por turno ativo (só afeta se os inimigos te encararem diretamente, pois o dano, é nos olhos, no rosto, causa queimação e incomodo).
Extra: Nenhum

Nível 26
Nome do poder: Mini Sopro
Descrição: Um beijo soprado, um coração voador. Basta jogar um beijinho para seu oponente, e um coração surgira sobre o sopro de seus lábios, e vai direto para o corpo do seu inimigo. Ao toca-lo, se instala direto sobre o peito do oponente, o fazendo sentir as dores do coração partido durante dois turnos, o efeito varia, podendo levar o oponente a beira das lagrimas, ou a dor intensa. Depende do narrador, e da forma com que a pessoa age, quanto mais dura ela for, maior o efeito será sobre ela.
Gasto de Mp: 30 MP
Gasto de Hp: Nenhum
Bônus: Nenhum
Dano: 15 HP por turno.
Extra: O efeito dura 3 turnos.
Armas e Itens:
Gáe Buidhe [Uma lança de tamanho mediano, cento e quarenta centímetros. O bronze celestial é recoberto por uma camada de tintura dourada que confere a aparência áureo-amarelada que o nome da arma sugere. Abaixo da lâmina longa há uma região retangular em que se inscreve "Πέτρος, ο γιος του Έρωτα". No extremo inferior da arma, há uma espécie de contrapeso de metal que permite equilibrar a massa dela, tornando o manuseio mais simples. Entre a placa inscrita e o contrapeso há o cabo, adornado com traços que circundam todo ele, conferindo beleza e aderência, nos espaços gerados se misturam letras gregas, em gaélico clássico e no alfabeto latino. | Efeito 1: a arma é revestida pelo elemento raio, provocando 20% a mais de dano e tendo a chance de provocar paralisia pelo choque; Efeito 2: a arma sempre irá retornar para o dono, aparecendo ao seu lado | Bronze Celestial | Espaço para duas gemas | Beta | Status: 100%, sem dano | Épica | Conquistada no evento Quando o Passado Revive]

Armour Love - Uma armadura totalmente adaptável ao corpo do semideus, sendo esta constituída de ferro estígio e ouro, reforçando sua defesa e sua coloração é um leve rosa com gemas prateadas em alguns pontos.. Juntamente com à armadura vêm duas corrente que se esticam até 30 metros, sendo estas feitas de prata e bronze celestial e suas pontas possuem formatos de coração. As correntes possuem a habilidade que permite que o filho de Eros a controle que qualquer maneira. Apenas o filho de Eros pode vesti-la. Torna-se um colar com um pingente que o semideus escolher. [Indestrutível] [Caso a perce, retorna ao pescoço do semideus após dois turnos].

Loving Arc - Uma réplica do próprio arco de Eros. Este é feito de ouro branco com detalhes coberto de bronze celestial, sua corda é coberta pela mais pura prata, é bastante elástica e jamais arrebenta. O arco materializa flechas mágicas assim que o filho de Eros toca na corda, sendo que as flechas possuem duas propriedade, uma é fazer com que pessoas fiquem apaixonadas ( durante 3 turnos ) pela primeira pessoa ou coisa que ver, e, a outra é que a flecha pode causar danos. A flecha materializada é toda feita de uma mistura de ouro branco e bronze celestial, sendo sua ponta um rubi vermelho no formato de um coração, tornando-a totalmente mortal. Quando não utilizado o arco se transforma em uma pulseira com um pingente no formato de coração. [Indestrutível] [Caso o semideus perca, o item volta ao seu pulso depois de um turno].

• Pulseira de perícia Avançada [Pulseira de couro que se ajusta perfeitamente ao pulso do usuário, possui amarras de cordinhas na parte de baixo, então é fácil de equipar-se com ele, se for cortado, ou destruído, perde totalmente o efeito, ou seja, é preciso estar em uso, no pulso, para que o efeito continue a ser efetivo para o semideus, do contrário, ele perde o bônus da perícia completamente, só funciona através da pulseira | Aumenta a perícia de uma arma de sua escolha em +50%, provocando um dano de +30% (Lanças) | Couro | Sem espaço para gemas| Sigma | Status: 100% sem danos | Mágico | Loja especial do dia dos namorados]

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Re: CCFY - Neamhaí

Mensagem por Vênus em Sab Jul 01, 2017 2:50 pm

Aceito
Bem vindo
Peter estou te aprovando no poder escolhido, o de Cassiel, e justamente por isso baixei a recompensa de xp que você ganharia.
3.000 Dracmas + 3.000 XP


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